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Introdução ao Direito Constitucional | 
Introdução 
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DISCIPLINA 
INTRODUÇÃO AO DIREITO 
CONSTITUCIONAL 
 
CONTEÚDO 
Aplicação das Normas 
Constitucionais 
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Sumário 
Sumário ------------------------------------------------------------------------------------------------------------- 3 
1 Introdução --------------------------------------------------------------------------------------------------- 4 
2 Aplicabilidade das Normas Constitucionais -------------------------------------------------------- 4 
3 Espécies de Normas Constitucionais------------------------------------------------------------------ 5 
3.1 Normas de Eficácia Plena ---------------------------------------------------------------------------------------------- 7 
3.2 Normas de Eficácia Contida ------------------------------------------------------------------------------------------- 8 
3.3 Norma Limitada ---------------------------------------------------------------------------------------------------------- 9 
4 Conclusão --------------------------------------------------------------------------------------------------- 10 
5 Referências Bibliográficas ------------------------------------------------------------------------------ 10 
 
 
 
 
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1 Introdução 
No Brasil, o tema da eficácia e aplicabilidade das normas constitucionais foi estudado 
por José Afonso da Silva, com monografia publicada em 1968 versando sobre o 
assunto. Atualmente, ele é considerado um dos expoentes na Teoria Geral da 
Constituição em razão da sua proposta de classificação tripartida das normas, 
dividindo-as em normas de eficácia plena, de eficácia contida e de eficácia limitada. 
 
Neste material, iremos estudar a aplicabilidade, isto é, a capacidade de produção de 
efeitos jurídicos das normas que compõem nossa Constituição. Veremos qual “a 
potencialidade de realização normativa dos dispositivos constitucionais” (MASSON, 
220), atentando-nos, entretanto, ao que pontua André Ramos Tavares (2020) sobre a 
necessidade de se “ter como parâmetro que determinado critério classificatório só se 
presta quando útil for ao fim perseguido. Fora dessa situação, as classificações são 
totalmente impensáveis”. 
 
2 Aplicabilidade das Normas Constitucionais 
Especializado em Direito Constitucional, o Professor José Afonso da Silva defende a 
premissa de que não há norma constitucional destituída de eficácia, uma vez que 
todas produzem, pelo menos, dois efeitos, um positivo, que é a “capacidade que toda 
norma constitucional detém de impedir a recepção das normas anteriores à sua 
vigência que com ela não guardem compatibilidade” e o outro negativo, que diz 
respeito à capacidade que toda norma constitucional possui de “vedar, ainda que 
implicitamente, ao legislador ordinário, a edição de normas que a contrariem”. Neste 
sentido, podemos afirmar que todas as normas constitucionais têm aplicabilidade e 
eficácia no plano abstrato (plano jurídico), mesmo aquelas conceituadas com normas 
de eficácia limitada. 
 
Para o autor, a eficácia da norma remonta à capacidade da norma de atingir os 
objetivos e metas taxados pelo legislador, ou seja de produzir efeitos jurídicos ao 
regular as situações, relações e comportamentos de que cogita. A eficácia remete, 
portanto, “à aplicabilidade, exigibilidade ou executoriedade da norma, como 
possibilidade de sua aplicação jurídica”. O alcance dos objetivos da norma, por sua 
vez, constitui a efetividade. “Esta é, portanto, a medida da extensão em que o objetivo 
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é alcançado, relacionando-se ao produto final”. 
 
Em contraponto, embora em sentido conexo, a eficácia social “designa uma efetiva 
conduta acorde com a prevista pela norma; refere-se ao fato de que a norma é 
realmente obedecida e aplicada”, sendo este conceito equivalente ao de efetividade 
da norma. Conforme explica Luis Roberto Barroso (2020), 
A ideia de efetividade expressa o cumprimento da norma, o fato real de ela ser aplicada e 
observada, de uma conduta humana se verificar na conformidade de seu conteúdo. 
Efetividade, em suma, significa a realização do Direito, o desempenho concreto de sua função 
social. Ela representa a materialização, no mundo dos fatos, dos preceitos legais e simboliza a 
aproximação, tão íntima quanto possível, entre o dever-ser normativo e o ser da realidade 
social. 
 
No entanto, nem sempre a norma possuirá eficácia jurídica e social ao mesmo tempo, 
ela pode, por exemplo ter efeito jurídico, como, por exemplo, revogar uma norma 
anterior, mas não ser cumprida no plano social (SILVA, 1982). 
 
Quanto à aplicabilidade, José Afonso da Silva afirma que embora sejam aspectos do 
mesmo fenômeno encarados por enfoques diferentes, a eficácia seria entendida como 
a potencialidade, ao passo que a aplicabilidade seria entendida como a realizabilidade 
ou praticidade. “Se a norma não dispõe de todos os requisitos para sua aplicação aos 
casos concretos, falta-lhe eficácia, não dispõe de aplicabilidade. Esta se revela, assim, 
como a possibilidade de aplicação. Para que haja esta possibilidade, a norma há que 
ser capaz de produzir efeitos jurídicos”. Assim, toda norma eficaz será também 
aplicável, um não se destitui do outro, mas isso não significa dizer que toda norma 
aplicável será de fato aplicada, mesmo porque, por vezes, a forma como se dará sua 
aplicação carece de regulamentação. Dessa forma, a depender da norma, a 
aplicabilidade pode se dar de forma plena, contida ou limitada. 
 
3 Espécies de Normas Constitucionais 
Segundo José Afonso da Silva, conforme o grau de eficácia, podem existir três espécies 
de normas constitucionais: normas de eficácia plena, normas de eficáciacontida e 
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normas de eficácia limitada. Na definição apresentada por Bernardo Gonçalves 
Fernandes (2020), temos o seguinte: 
 
▪ Normas de aplicabilidade plena: têm aplicabilidade direta, imediata ou integral, 
“reúnem todos os elementos necessários para a produção de todos os efeitos 
jurídicos imediatos. São dotadas de uma aplicabilidade imediata, direta”, ou seja 
não carecem de complementação. 
 
▪ Normas de aplicabilidade contida: “nascem com eficácia plena, reúnem todos os 
elementos necessários para a produção de todos os efeitos jurídicos imediatos, 
mas terão seu âmbito de eficácia restringido, reduzido ou contido pelo legislador 
infraconstitucional”. Ou seja, têm aplicabilidade direta e imediata, porém não 
integral e podem ser reduzidas por lei posterior. 
 
▪ Normas de aplicabilidade limitada: têm aplicabilidade indireta, mediata e são 
reduzida, ou seja, requerem uma lei que a complemente, pois não são bastantes 
em si. “Nesses termos, elas não reúnem todos os elementos necessários para a 
produção de todos os efeitos jurídicos. São normas que têm aplicabilidade apenas 
indireta ou mediata”. Para produção de efeitos jurídicos, requerem regulamentação 
e complementação infraconstitucional. Estas normas se dividem em: a) limitadas 
de princípios institutivos, que são normas de organização e estruturação de órgãos 
do Estado; e b) limitadas de princípios programáticos, que “traçam tarefas, fins e 
programas, para cumprimento por parte dos Poderes Públicos e atualmente pela 
própria sociedade”. 
 
A norma de eficácia contida e a norma de eficácia limitada têm um fator em comum: 
ambas contam com complementação legal. A diferença é que, se a lei vem para a 
norma de aplicabilidade contida, é para limitar ou restringi-la. Em contrapartida, 
quando vem para a norma de aplicabilidade limitada, é para que essa norma seja 
expandida. Nesta última, a Lei é imperativa para que a norma possa valer. 
 
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Figura 1 - A classificação de José Afonso da Silva 
Fonte: Adaptado de MASSON (2020) 
 
3.1 Normas de Eficácia Plena 
De acordo com José Afonso da Silva, as normas constitucionais de eficácia plena são 
“aquelas que, desde a entrada em vigor da Constituição, produzem, ou têm 
possibilidade de produzir, todos os efeitos essenciais, relativamente aos interesses, 
comportamentos e situações, que o legislador constituinte, direta e normativamente, 
quis regular”, tais como os remédios constitucionais. 
 
É oportuno atentarmos à observação feita por Nathalia Masson quanto à 
aplicabilidade das normas definidoras de direitos e garantias fundamentais. Segundo 
a autora, “de fato, como regra, a Constituição Federal estabelece que as normas 
definidoras de direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata (art. 5°, g 1°, 
CF/88). Porém, afirmar que uma norma constitucional é dotada de aplicabilidade 
imediata não significa dizer que ela dispensa a atuação positiva por parte dos poderes 
públicos. Significa dizer, apenas, que o direito nela previsto poderá ser exigido pelo 
seu destinatário de imediato, sem necessidade de regulamentação por lei” (MASSON, 
2020). Dessa forma, as normas de aplicabilidade plena: 
▪ não dependem de regulamentação; 
▪ são normas de aplicabilidade direta, imediata e integral; 
▪ são independentes e absolutas; 
▪ via de regra, o verbo da norma é o “ser” no presente do indicativo. 
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Em geral, normas PLENAS: 
São responsáveis 
▪ pela criação de órgãos; 
▪ pela atribuição de competência aos entes federativos (Títulos III e IV da 
CF/88); 
Estabelecem 
▪ proibições (art. 145, § 2º); 
▪ vedações (art. 19); 
▪ isenções (art. 184, §5ºI); 
▪ imunidades (arts. 53 e 150, I a VI) 
▪ prerrogativas (art. 128, § 5º, I). 
 
3.2 Normas de Eficácia Contida 
São normas de eficácia redutível/restringível. São aquelas em que “o legislador 
constituinte regulou suficientemente os interesses relativos a determinada matéria, 
mas deixou margem à atuação restritiva por parte da competência discricionária do 
poder público, nos termos que a lei estabelecer ou nos termos de conceitos gerais 
enunciados”. Dessa forma, as normas de aplicabilidade contida: 
▪ não dependem de regulamentação, mas a CF/88 autoriza ao legislador reduzir 
o direito previsto nela; 
▪ são normas de aplicabilidade direta, imediata e não integral; 
▪ via de regra, o verbo da norma é o “ser” no presente do indicativo, aparecendo 
expressões que envolvem ressalvas vinculadas à “lei”; 
 
Em geral, normas CONTIDAS: 
Tratam de direitos individuais ou de entidades públicas ou privadas, que são 
passíveis de limitação por uma lei futura como: 
 
▪ direito de greve (art. 9º), restringido pela Lei da Greve Privada; 
▪ o sigilo das comunicações (art. 5º, XII), restringido pela lei 9.296/96; 
▪ o exercício da profissão (art. 5º, XIII), restringido pelos Estatutos da OAB e 
do CRC. 
 
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3.3 Norma Limitada 
As normas de eficácia limitada dependem de regulamentação futura, “na qual o 
legislador infraconstitucional vai dar eficácia à vontade do constituinte. Não 
produzem, com a simples entrada em vigor da Constituição, consoante o autor, todos 
os efeitos essenciais, porque o legislador constituinte, por qualquer motivo, não 
estabeleceu sobre a matéria uma normatividade para isso bastante, deixando essa 
tarefa ao legislador ordinário ou a outro órgão do Estado” (TAVARES, 2020). Nestas 
normas, a CF/88 apenas prevê o direito, que será exercido se, e somente se, o 
legislador infraconstitucional o regular, porque somente incide totalmente sobre esses 
interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade. 
 
Assim, as normas de aplicabilidade limitada: 
▪ são limitadas programáticas quando estabelecem programas a serem 
desenvolvidos ou direitos a serem criados; 
▪ são limitadas instrutivas quando estabelecem a criação de órgãos e entidades; 
▪ são normas indiretas, mediadas e reduzidas; 
▪ em regra, o verbo da norma é voltado para o futuro, aparecendo expressões 
como “de acordo com a lei”, “definidos em lei” etc. 
 
São exemplos de normas LIMITADAS: 
▪ Art. 18, § 2º; 
▪ Art. 22, parágrafo único; 
▪ Art. 25, § 3º; 
▪ Arts. 33 e 37, XI; 
▪ Arts. 88 e 90, § 2º; 
▪ Art. 91, § 2º; 
▪ Art. 93; 
▪ Art. 102, § 1º; 
▪ Art. 107, § 1º; 
▪ Art. 109, VI e § 3º; 
▪ Arts. 113; 121 e 125, § 3º; 
▪ Art. 128, § 5º; 
▪ Arts. 131 e 146; 
▪ Arts. 161, I; 163; 192 e 224. 
 
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Conclusão 
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Outras vezes, essas normas veiculam programas a serem implementados pelo 
Estado, visando a realização de fins sociais como: 
→ Direito à alimentação (art. 6º); 
→ Direito à saúde (art. 106); 
→ Direito à educação (art. 205). 
 
4 Conclusão 
Neste material falamos sobre a classificação tripartida das normas, proposta por José 
Afonso da Silva, e suas principais características. Concordamos com o entendimento 
de Andre Ramos Tavares ao afirmar que a “proposta classificatória é importante na 
medida em que nela se baseiam os operadores do Direito para reconhecer que nem 
todas as normas constitucionais possuem idêntico grau de eficácia, de capacidade de 
incidência plena automática e independente de outro texto normativo”. 
 
5 Referências Bibliográficas 
BARROSO, Luís Roberto. Curso de direito constitucional contemporâneo: os 
conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. – 9. ed. São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. – 12 ed. Salvador: 
Ed. JusPodivm, 2020.MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. -8. ed. Salvador: Ed. JusPodvm, 
2020. 
SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. – 2 ed. São 
Paulo: Malheiros Editores, 1982. 
SILVA, José Afonsa da. Curso de Direito Constitucional Positivo. -37. ed. São Paulo: 
Malheiros Editores, 2014. 
TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. – 18 ed. São Paulo: Saraiva 
Educação, 2020. 
 
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Referências Bibliográficas 
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	Sumário
	1 Introdução
	2 Aplicabilidade das Normas Constitucionais
	3 Espécies de Normas Constitucionais
	3.1 Normas de Eficácia Plena
	3.2 Normas de Eficácia Contida
	3.3 Norma Limitada
	4 Conclusão
	5 Referências Bibliográficas

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