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Introdução ao Direito Constitucional | Introdução www.cenes.com.br | 1 DISCIPLINA INTRODUÇÃO AO DIREITO CONSTITUCIONAL CONTEÚDO Aplicação das Normas Constitucionais Introdução ao Direito Constitucional | Introdução www.cenes.com.br | 2 A Faculdade Focus se responsabiliza pelos vícios do produto no que concerne à sua edição (apresentação a fim de possibilitar ao consumidor bem manuseá-lo e lê-lo). A instituição, nem os autores, assumem qualquer responsabilidade por eventuais danos ou perdas a pessoa ou bens, decorrentes do uso da presente obra. É proibida a reprodução total ou parcial de qualquer forma ou por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, inclusive através de processos xerográficos, fotocópia e gravação, sem permissão por escrito do autor e do editor. 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Atualmente, ele é considerado um dos expoentes na Teoria Geral da Constituição em razão da sua proposta de classificação tripartida das normas, dividindo-as em normas de eficácia plena, de eficácia contida e de eficácia limitada. Neste material, iremos estudar a aplicabilidade, isto é, a capacidade de produção de efeitos jurídicos das normas que compõem nossa Constituição. Veremos qual “a potencialidade de realização normativa dos dispositivos constitucionais” (MASSON, 220), atentando-nos, entretanto, ao que pontua André Ramos Tavares (2020) sobre a necessidade de se “ter como parâmetro que determinado critério classificatório só se presta quando útil for ao fim perseguido. Fora dessa situação, as classificações são totalmente impensáveis”. 2 Aplicabilidade das Normas Constitucionais Especializado em Direito Constitucional, o Professor José Afonso da Silva defende a premissa de que não há norma constitucional destituída de eficácia, uma vez que todas produzem, pelo menos, dois efeitos, um positivo, que é a “capacidade que toda norma constitucional detém de impedir a recepção das normas anteriores à sua vigência que com ela não guardem compatibilidade” e o outro negativo, que diz respeito à capacidade que toda norma constitucional possui de “vedar, ainda que implicitamente, ao legislador ordinário, a edição de normas que a contrariem”. Neste sentido, podemos afirmar que todas as normas constitucionais têm aplicabilidade e eficácia no plano abstrato (plano jurídico), mesmo aquelas conceituadas com normas de eficácia limitada. Para o autor, a eficácia da norma remonta à capacidade da norma de atingir os objetivos e metas taxados pelo legislador, ou seja de produzir efeitos jurídicos ao regular as situações, relações e comportamentos de que cogita. A eficácia remete, portanto, “à aplicabilidade, exigibilidade ou executoriedade da norma, como possibilidade de sua aplicação jurídica”. O alcance dos objetivos da norma, por sua vez, constitui a efetividade. “Esta é, portanto, a medida da extensão em que o objetivo Introdução ao Direito Constitucional | Espécies de Normas Constitucionais www.cenes.com.br | 5 é alcançado, relacionando-se ao produto final”. Em contraponto, embora em sentido conexo, a eficácia social “designa uma efetiva conduta acorde com a prevista pela norma; refere-se ao fato de que a norma é realmente obedecida e aplicada”, sendo este conceito equivalente ao de efetividade da norma. Conforme explica Luis Roberto Barroso (2020), A ideia de efetividade expressa o cumprimento da norma, o fato real de ela ser aplicada e observada, de uma conduta humana se verificar na conformidade de seu conteúdo. Efetividade, em suma, significa a realização do Direito, o desempenho concreto de sua função social. Ela representa a materialização, no mundo dos fatos, dos preceitos legais e simboliza a aproximação, tão íntima quanto possível, entre o dever-ser normativo e o ser da realidade social. No entanto, nem sempre a norma possuirá eficácia jurídica e social ao mesmo tempo, ela pode, por exemplo ter efeito jurídico, como, por exemplo, revogar uma norma anterior, mas não ser cumprida no plano social (SILVA, 1982). Quanto à aplicabilidade, José Afonso da Silva afirma que embora sejam aspectos do mesmo fenômeno encarados por enfoques diferentes, a eficácia seria entendida como a potencialidade, ao passo que a aplicabilidade seria entendida como a realizabilidade ou praticidade. “Se a norma não dispõe de todos os requisitos para sua aplicação aos casos concretos, falta-lhe eficácia, não dispõe de aplicabilidade. Esta se revela, assim, como a possibilidade de aplicação. Para que haja esta possibilidade, a norma há que ser capaz de produzir efeitos jurídicos”. Assim, toda norma eficaz será também aplicável, um não se destitui do outro, mas isso não significa dizer que toda norma aplicável será de fato aplicada, mesmo porque, por vezes, a forma como se dará sua aplicação carece de regulamentação. Dessa forma, a depender da norma, a aplicabilidade pode se dar de forma plena, contida ou limitada. 3 Espécies de Normas Constitucionais Segundo José Afonso da Silva, conforme o grau de eficácia, podem existir três espécies de normas constitucionais: normas de eficácia plena, normas de eficáciacontida e Introdução ao Direito Constitucional | Espécies de Normas Constitucionais www.cenes.com.br | 6 normas de eficácia limitada. Na definição apresentada por Bernardo Gonçalves Fernandes (2020), temos o seguinte: ▪ Normas de aplicabilidade plena: têm aplicabilidade direta, imediata ou integral, “reúnem todos os elementos necessários para a produção de todos os efeitos jurídicos imediatos. São dotadas de uma aplicabilidade imediata, direta”, ou seja não carecem de complementação. ▪ Normas de aplicabilidade contida: “nascem com eficácia plena, reúnem todos os elementos necessários para a produção de todos os efeitos jurídicos imediatos, mas terão seu âmbito de eficácia restringido, reduzido ou contido pelo legislador infraconstitucional”. Ou seja, têm aplicabilidade direta e imediata, porém não integral e podem ser reduzidas por lei posterior. ▪ Normas de aplicabilidade limitada: têm aplicabilidade indireta, mediata e são reduzida, ou seja, requerem uma lei que a complemente, pois não são bastantes em si. “Nesses termos, elas não reúnem todos os elementos necessários para a produção de todos os efeitos jurídicos. São normas que têm aplicabilidade apenas indireta ou mediata”. Para produção de efeitos jurídicos, requerem regulamentação e complementação infraconstitucional. Estas normas se dividem em: a) limitadas de princípios institutivos, que são normas de organização e estruturação de órgãos do Estado; e b) limitadas de princípios programáticos, que “traçam tarefas, fins e programas, para cumprimento por parte dos Poderes Públicos e atualmente pela própria sociedade”. A norma de eficácia contida e a norma de eficácia limitada têm um fator em comum: ambas contam com complementação legal. A diferença é que, se a lei vem para a norma de aplicabilidade contida, é para limitar ou restringi-la. Em contrapartida, quando vem para a norma de aplicabilidade limitada, é para que essa norma seja expandida. Nesta última, a Lei é imperativa para que a norma possa valer. Introdução ao Direito Constitucional | Espécies de Normas Constitucionais www.cenes.com.br | 7 Figura 1 - A classificação de José Afonso da Silva Fonte: Adaptado de MASSON (2020) 3.1 Normas de Eficácia Plena De acordo com José Afonso da Silva, as normas constitucionais de eficácia plena são “aquelas que, desde a entrada em vigor da Constituição, produzem, ou têm possibilidade de produzir, todos os efeitos essenciais, relativamente aos interesses, comportamentos e situações, que o legislador constituinte, direta e normativamente, quis regular”, tais como os remédios constitucionais. É oportuno atentarmos à observação feita por Nathalia Masson quanto à aplicabilidade das normas definidoras de direitos e garantias fundamentais. Segundo a autora, “de fato, como regra, a Constituição Federal estabelece que as normas definidoras de direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata (art. 5°, g 1°, CF/88). Porém, afirmar que uma norma constitucional é dotada de aplicabilidade imediata não significa dizer que ela dispensa a atuação positiva por parte dos poderes públicos. Significa dizer, apenas, que o direito nela previsto poderá ser exigido pelo seu destinatário de imediato, sem necessidade de regulamentação por lei” (MASSON, 2020). Dessa forma, as normas de aplicabilidade plena: ▪ não dependem de regulamentação; ▪ são normas de aplicabilidade direta, imediata e integral; ▪ são independentes e absolutas; ▪ via de regra, o verbo da norma é o “ser” no presente do indicativo. Introdução ao Direito Constitucional | Espécies de Normas Constitucionais www.cenes.com.br | 8 Em geral, normas PLENAS: São responsáveis ▪ pela criação de órgãos; ▪ pela atribuição de competência aos entes federativos (Títulos III e IV da CF/88); Estabelecem ▪ proibições (art. 145, § 2º); ▪ vedações (art. 19); ▪ isenções (art. 184, §5ºI); ▪ imunidades (arts. 53 e 150, I a VI) ▪ prerrogativas (art. 128, § 5º, I). 3.2 Normas de Eficácia Contida São normas de eficácia redutível/restringível. São aquelas em que “o legislador constituinte regulou suficientemente os interesses relativos a determinada matéria, mas deixou margem à atuação restritiva por parte da competência discricionária do poder público, nos termos que a lei estabelecer ou nos termos de conceitos gerais enunciados”. Dessa forma, as normas de aplicabilidade contida: ▪ não dependem de regulamentação, mas a CF/88 autoriza ao legislador reduzir o direito previsto nela; ▪ são normas de aplicabilidade direta, imediata e não integral; ▪ via de regra, o verbo da norma é o “ser” no presente do indicativo, aparecendo expressões que envolvem ressalvas vinculadas à “lei”; Em geral, normas CONTIDAS: Tratam de direitos individuais ou de entidades públicas ou privadas, que são passíveis de limitação por uma lei futura como: ▪ direito de greve (art. 9º), restringido pela Lei da Greve Privada; ▪ o sigilo das comunicações (art. 5º, XII), restringido pela lei 9.296/96; ▪ o exercício da profissão (art. 5º, XIII), restringido pelos Estatutos da OAB e do CRC. Introdução ao Direito Constitucional | Espécies de Normas Constitucionais www.cenes.com.br | 9 3.3 Norma Limitada As normas de eficácia limitada dependem de regulamentação futura, “na qual o legislador infraconstitucional vai dar eficácia à vontade do constituinte. Não produzem, com a simples entrada em vigor da Constituição, consoante o autor, todos os efeitos essenciais, porque o legislador constituinte, por qualquer motivo, não estabeleceu sobre a matéria uma normatividade para isso bastante, deixando essa tarefa ao legislador ordinário ou a outro órgão do Estado” (TAVARES, 2020). Nestas normas, a CF/88 apenas prevê o direito, que será exercido se, e somente se, o legislador infraconstitucional o regular, porque somente incide totalmente sobre esses interesses após uma normatividade ulterior que lhes desenvolva a aplicabilidade. Assim, as normas de aplicabilidade limitada: ▪ são limitadas programáticas quando estabelecem programas a serem desenvolvidos ou direitos a serem criados; ▪ são limitadas instrutivas quando estabelecem a criação de órgãos e entidades; ▪ são normas indiretas, mediadas e reduzidas; ▪ em regra, o verbo da norma é voltado para o futuro, aparecendo expressões como “de acordo com a lei”, “definidos em lei” etc. São exemplos de normas LIMITADAS: ▪ Art. 18, § 2º; ▪ Art. 22, parágrafo único; ▪ Art. 25, § 3º; ▪ Arts. 33 e 37, XI; ▪ Arts. 88 e 90, § 2º; ▪ Art. 91, § 2º; ▪ Art. 93; ▪ Art. 102, § 1º; ▪ Art. 107, § 1º; ▪ Art. 109, VI e § 3º; ▪ Arts. 113; 121 e 125, § 3º; ▪ Art. 128, § 5º; ▪ Arts. 131 e 146; ▪ Arts. 161, I; 163; 192 e 224. Introdução ao Direito Constitucional | Conclusão www.cenes.com.br | 10 Outras vezes, essas normas veiculam programas a serem implementados pelo Estado, visando a realização de fins sociais como: → Direito à alimentação (art. 6º); → Direito à saúde (art. 106); → Direito à educação (art. 205). 4 Conclusão Neste material falamos sobre a classificação tripartida das normas, proposta por José Afonso da Silva, e suas principais características. Concordamos com o entendimento de Andre Ramos Tavares ao afirmar que a “proposta classificatória é importante na medida em que nela se baseiam os operadores do Direito para reconhecer que nem todas as normas constitucionais possuem idêntico grau de eficácia, de capacidade de incidência plena automática e independente de outro texto normativo”. 5 Referências Bibliográficas BARROSO, Luís Roberto. Curso de direito constitucional contemporâneo: os conceitos fundamentais e a construção do novo modelo. – 9. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. – 12 ed. Salvador: Ed. JusPodivm, 2020.MASSON, Nathalia. Manual de direito constitucional. -8. ed. Salvador: Ed. JusPodvm, 2020. SILVA, José Afonso da. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. – 2 ed. São Paulo: Malheiros Editores, 1982. SILVA, José Afonsa da. Curso de Direito Constitucional Positivo. -37. ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2014. TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. – 18 ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. Introdução ao Direito Constitucional | Referências Bibliográficas www.cenes.com.br | 11 Sumário 1 Introdução 2 Aplicabilidade das Normas Constitucionais 3 Espécies de Normas Constitucionais 3.1 Normas de Eficácia Plena 3.2 Normas de Eficácia Contida 3.3 Norma Limitada 4 Conclusão 5 Referências Bibliográficas