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Comodato (Empréstimo de Uso) 
O comodato é o contrato de empréstimo gratuito de bens infungíveis 
(insubstituíveis, como um imóvel ou um veículo específico). Trata-se de um 
contrato de caráter personalíssimo (intuitu personae) e real, ou seja, aperfeiçoa-se 
com a tradição (entrega material) da coisa,. Como transfere apenas a posse direta, 
o comodatário deve utilizar o bem segundo sua finalidade e conservá-lo como se 
fosse seu.
Pontos importantes do Comodato:
Despesas: O comodatário é o único responsável pelas despesas ordinárias de 
uso e conservação da coisa, não tendo direito a reembolso. Despesas 
extraordinárias e urgentes, contudo, cabem ao comodante.
A "Regra da Salvação" (Art. 583 do CC): A lei impõe um dever de cuidado 
rigoroso. Em uma situação de perigo iminente (como incêndio ou enchente), se 
o comodatário priorizar salvar os seus próprios bens e abandonar os do 
comodante, ele responderá pelas perdas e danos, não podendo sequer alegar 
força maior.
Extinção, Esbulho e Aluguel-pena: Findo o prazo estipulado (ou, sendo 
indeterminado, após notificação de retomada pelo comodante), o comodatário 
tem o dever de devolver o bem,,. A recusa na devolução configura esbulho 
possessório, transformando a posse em precária,,. A partir desse momento, o 
comodante pode cobrar um "aluguel-pena" pelo período de atraso, cujo 
objetivo não é remunerar, mas penalizar e forçar a devolução.
Mútuo (Empréstimo de Consumo) 
O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis (substituíveis, como dinheiro ou 
grãos). Nele, o mutuário (quem pega emprestado) obriga-se a restituir ao 
mutuante o que recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade.
Pontos importantes do Mútuo:
Transferência de Propriedade e dos Riscos (Res perit domino): 
Diferentemente do comodato, a entrega da coisa no mútuo transfere a 
própria propriedade (domínio) ao mutuário. Por isso, desde o momento da 
tradição, todos os riscos correm por conta do mutuário. Se ele pega 
dinheiro emprestado e é roubado a caminho de casa, o prejuízo é 
exclusivamente dele e a dívida permanece integralmente.
Onerosidade e Juros (Mútuo Feneratício): O mútuo pode ser gratuito ou 
oneroso. No entanto, se for destinado a fins econômicos, presume-se a 
cobrança de juros. Quanto à taxa, o Superior Tribunal de Justiça (Tema 1368) 
e a Lei nº 14.905/2024 consolidaram que, quando as partes não estipulam a 
taxa de juros no contrato, a "Taxa Legal" aplicável é a Taxa Selic (deduzida a 
inflação pelo IPCA), afastando a antiga tese de cobrança fixa de 1% ao mês.
Empréstimo a Menores (Art. 588 do CC): Como regra protetiva, o mútuo 
concedido a um menor de idade sem a autorização prévia de seus 
responsáveis não pode ser cobrado, nem do menor e nem de seus fiadores. 
Existem exceções restritas, como nos casos em que o menor contraiu o 
empréstimo para sua subsistência habitual (alimentos), possui renda própria 
decorrente do próprio trabalho, ou se ocultou dolosamente sua verdadeira 
idade no momento do negócio.

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