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1 LEGISLAÇÃO E NORMAS COMPLEMENTARES À ERGONOMIA 1 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 2 Sumário 1. INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 3 2. TIPOS DE ERGONOMIA ............................................................................................. 5 2.1 Ergonomia Física ............................................................................................... 6 2.2 Ergonomia Cognitiva ........................................................................................ 14 2.3 Ergonomia Organizacional ............................................................................... 20 3. A ERGONOMIA E A EDUCAÇÃO FÍSICA ................................................................ 25 3.1 Importância da Ergonomia para a Educação Física ......................................... 26 3.2 Benefícios de Aplicar a Ergonomia na Educação Física para o seu Aluno ...... 27 3.3 Trabalhando a ergonomia em busca do aumento da produtividade ................ 28 3.4 Tipos de ergonomia que podem ser trabalhados pelo educador físico ............ 28 3.5 Campo de Atuação da Ergonomia ................................................................... 29 3.6 Aspectos Biomecânicos e a Ergonomia ........................................................... 30 3.7 Aspectos Fisiológicos e a Ergonomia .............................................................. 31 3.8 Papel do Educador Físico no Aumento da Produtividade Diária do seu Aluno 32 3.9 Educação Física e a Ergonomia para Atletas de Alto Rendimento .................. 33 3.10 Como Alcançar mais Resultados com o seu Aluno Através da Ergonomia ... 33 3.11 Lesões por Esforço Repetitivo: Como a Ergonomia pode Ajudar o seu Aluno ............................................................................................................................... 34 3.12 Como Funciona a Norma Regulamentadora nº 17 Sobre a Ergonomia ......... 34 4. MELHORA DO AMBIENTE DE TRABALHO COM A ERGONOMIA ......................... 36 5. AÇÃO ERGONÔMICA ............................................................................................... 37 6. REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 41 3 1. INTRODUÇÃO A palavra "Ergonomia" vem de duas palavras Gregas: "ergon" que significa trabalho, e "nomos" que significa leis. Conhecida comumente como estudo científico da relação entre o homem e seus ambientes de trabalho, a ergonomia tem alguns objetivos básicos que são: possibilitar o conforto ao indivíduo e proporcionar a prevenção de acidentes e do aparecimento de patologias específicas para determinado tipo de trabalho. São constantes os estudos feitos a respeito da relação do homem com o ambiente de trabalho, o conforto ou mesmo horas de descanso. Ambos são de grande importância, mas, poucas pessoas prestam atenção nestes detalhes. A ergonomia vem justamente estudar estas medidas de conforto, a fim de produzir um melhor rendimento no trabalho, prevenir acidentes e proporcionar uma maior satisfação do trabalhador. A ergonomia é a ciência que estuda as adaptações do posto de trabalho em um contexto específico, para que os aspectos que dificultam o desenvolvimento do trabalho possam ser observados afim de buscar uma solução coerente para melhorar a qualidade de vida e da atividade laboral a ser desenvolvida pelo indivíduo. O principal foco da ergonomia é trazer, de maneira eficaz, técnicas adaptativas para facilitar as atividades diárias dos trabalhadores, trazendo maior qualidade de vida, buscando prevenir patologias que podem surgir por esforço repetitivo, melhorando o rendimento dos colaboradores junto às empresas, desenvolvendo ações que trarão benefícios para a empresa e seus colaboradores. A ergonomia deve ser aplicada nos postos de trabalho conforme a atividade desenvolvida, a partir de informações trazidas pelo colaborador, como por exemplo: tempo diário de atividade no posto de trabalho, altura, peso, posicionamento adotado para realização do trabalho e queixas relacionadas ao desconforto no posicionamento adotado. O profissional que analisará o posto de trabalho deverá se preocupar, além das informações já citadas, com informações como: dimensões do posto de trabalho, sugestão para a melhora do posto e na rotina dos colaboradores, além de trazer um embasamento cientifico para que a empresa compreenda os motivos para que as mudanças sejam realizadas. Dessa forma, as atividades serão realizadas com mais qualidade e consequentemente os benefícios serão favoráveis para ambas as partes, 4 trazendo mais saúde para os colaboradores, menor índice de faltas para a empresa, diminuição no risco de lesões, redução de acidentes de trabalho e maior aproveitamento para a empresa. A ergonomia é normatizada através das NR’s (normas regulamentadoras), onde o técnico em segurança do trabalho e o fisioterapeuta trabalham juntos, buscando informações que possam ser importantes para a melhora na saúde de funcionários nas mais diversas áreas. Para que essas normas sejam colocadas em prática, existem muitas avaliações que facilitam a identificação de irregularidades nos postos de trabalho, afim de complementar as informações anteriormente coletadas e estudadas. Apesar de se buscar muito pela realização de estudos sobre a ergonomia como ciência, necessita-se que as empresas entendam a importância da aplicação da mesma, para que assim ocorra a conscientização dos colaboradores para entender a importância de manter os cuidados em suas atividades diárias. Existem muitos exemplos de empresas em que seus colaboradores se queixam de dores e desconfortos que sentem diariamente devido à má postura; contudo, a maioria dessas empresas não se preocupam em questioná-los e realizar mudanças para que o posto de trabalho seja modificado afim de promover maior qualidade de execução do trabalho; sendo assim, o resultado é a diminuição na qualidade de produção, diminuição na frequência de trabalho dos colaboradores e, consequentemente, ambos saem perdendo. Por isso, é importante que as empresas se preocupem em demonstrar interesse na boa saúde de seus colaboradores, estimular a prática de atividades físicas, estudar possíveis modificações para melhorar as condições de trabalho, ofereça atendimento médico e fisioterapêutico de qualidade para os colaboradores, ofertar atividades como ginástica laboral e momentos de descontração e relaxamento no próprio ambiente de trabalho, estimular a utilização correta de EPI’s, assim como outras medidas que podem ser tomadas em prol do bem estar comum.a resposta não é simples nem imediata, requerendo de todos aos que se dediquem a respondê-la uma postura aberta e dinâmica. Por ora, assumiremos que a ação ergonômica é um processo ao mesmo tempo: • Construtivista - dando destaque às singularidades e demais características diferenciadoras de cada caso onde se busque conseguir realizar mudanças e transformações; • Participativo - no sentido possível da realidade de cada organização, de sua realidade social e de suas múltiplas microssociologias reais; • Consensual - onde as verdades se pautam por convergência de pontos de vista, buscando administrar o impacto das revelações possíveis e argumentar sobre as realidades e materialidades inequivocamente apresentáveis: A ação ergonômica não é uma venda de produtos, mas o atendimento à demanda do cliente de se dotar de tecnologia física ou gerencial para resolver seus problemas. Para realizar este trabalho de articulação dos talentos, competências e experiências existentes na organização com os saberes e práticas que aporta em sua consultoria, o consultor de ação ergonômica escuta a demanda gerencial, tal como ela é formulada pela organização: problemas geralmente complexos e num ambiente de relativa nebulosidade. São ofertas de encaminhamentos tanto da parte da organização - que tem sua cultura historicamente estabelecida e que deseja reformatá-la para estratégias já deliberadas - como também da consultoria - que traz outras experiências e benchmarkings inseridos numa metodologia que lhe é própria e que é ofertada à organização. Em suma, a ação ergonômica se caracteriza como uma consultoria dinâmica, que parte das definições inicialmente delineadas pela organização. Paulatinamente vai construindo um objeto preciso de intervenção, focos definidos de sua ação e modalidades ajustadas de atuação. Todo este funcionamento pode ser simbolizado por um itinerário que evita perigosos atalhos causadores de insucesso. Busca-se a instrução da demanda para permitir se trabalhar com problemas reais, efetivos e cujo 40 tratamento seja possível pela organização; isso feito, não se procura a passagem imediata a uma solução de algibeira, mas se deflagra todo um processo de análise e modelagem que permite à organização assenhorar-se do resultado, inclusive tomando parte ativa na especificação e implantação da mesma. O resultado é uma solução adaptada às necessidades das pessoas daquela organização. Como estamos podendo nos dar conta, o escopo da ergonomia é efetivamente amplo. Isto levou as pessoas que trabalham com ergonomia a desenvolver maneiras de dar conta dos problemas que lhes surgem em sua vida profissional. Estas maneiras se diferenciam quanto à forma de atacar os problemas, ou abordagem, quanto à forma de encaminhar soluções, ou perspectivas e quanto à forma de agir numa realidade efetiva, ou finalidade, propriamente dita. 41 6. REFERÊNCIAS ABERGO, 2000 - A certificação do ergonomista brasileiro - Editorial do Boletim 1/2000, Associação Brasileira de Ergonomia. BARNES, Ralph Mosser. Estudo de movimentos e de tempos: projeto e medida do trabalho. 6. ed. São Paulo: Edgar Blücher, 1977. 635 p. COUTO, Hudson de Araújo. Ergonomia aplicada ao trabalho. Belo Horizonte: Ergo, 1995. COUTO, Hudson de Araújo. Ergonomia aplicada ao trabalho. O manual técnico da máquina humana. Belo horizonte: Ergo Editora, 1995. II v. CYBIS, W.A, BETIOL, A.H. & FAUST, R, Ergonomia e Usabilidade – Conhecimentos, Métodos e Aplicações . Novatec Editora. ISBN 978-85-7522- 138-9. DEJOURS, Cristophe. O fator humano. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1997. DUL, J., WEEDMEESTER, B. Ergonomia prática. São Paulo : Edgard Blücher, 1995. DUL, Jan & WEERDMEESTER, Bernard. Ergonomia prática. Tradução por Itiro Iida. São Paulo: Edgar Blücher, 2004. 137 p FALZON, Pierre. Ergonomia. 2. ed. São Paulo: Edgar Blücher, 2012. FEITOSA, Bruno da Costa; MOREIRA, Raimundo Everton de Aquino. Análise ergonômica do trabalho – Um estudo de caso em pequena empresa de perfumaria e cosméticos. [S.d.]. Artigo. 8 p. FRANCISCHINI, P. G. Estudos de tempos. In: CONTADOR, J. C. (Coord.). Gestão de operações: a engenharia de produção a serviço da modernização da empresa. São Paulo: Edgard Blücher, 2010. GRANDJEAN, Etienne, Manual de Ergonomia, Adaptando o trabalho ao homem, Editora Artes Médicas Sul Ltda, 1998. 42 GUIMARÃES, L.B.M, Postos de trabalho, Equipamentos e Ferramentas, Arranjo físico do postos, 3.1 - 8, Postura para manejo e controles, Ergonomia de Produtos Vol.2. Porto Alegre, UFRGS,2000. IIDA, Itiro. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo : Edgard Blücher, 2005. MANUAL DA ERGONOMIA. Manual de aplicação da norma regulamentadora n°17. 2. ed. São Paulo: EDIPRO, 2012. MASCIA, F. L.; SZNELW AR, L. I. Ergonomia. In CONTADOR, J. C. (Org.). Gestão de operações: a engenharia de produção a serviço da modernização da empresa. São Paulo: Edgard Blücher, 1996. p. 165-76. MONTMOLLIN, Maurice de. A ergonomia. Lisboa : Piaget, 1990. OLIVER, Jean, MIDDLEDITH, Alison, Anatomia funcional da coluna vertebral. PINHEIRO, Ana Karla da Silva; FRANÇA, Maria Beatriz Araújo. Ergonomia aplicada à anatomia e à filosofia do trabalhador. Goiânia: AB, 2006. VIDAL M., Meirelles L.A., Masculo F., Comte F. (1976) - Introdução à Ergonomia. Apostila para curso de Graduação. PEP/COPPE.5 2. TIPOS DE ERGONOMIA A definição hoje internacionalmente chama a atenção para três aspectos: o tipo de conhecimento e suas inter-relações, o foco nas mudanças e os critérios da ação ergonômica. A consideração destes aspectos configura contemporaneamente a Ergonomia como uma disciplina de síntese entre vários aspectos do conhecimento sobre as pessoas, a tecnologia e a organização. Numa boa ergonomia a antropometria física (as dimensões estáticas e dinâmicas do corpo), a fisiologia do trabalho (o funcionamento de nossos sistemas fisiológicos em diversos regimes), a psicologia experimental (a percepção de sinais, a discriminação de indícios, a leiturabilidade de instrumentação) a higiene e a toxicologia (os riscos envolvidos nas atividades) contribuem com a adequação da tecnologia e da organização do trabalho aos trabalhadores reais. Para uma ordenação desse campo é empregado uma classificação destes conteúdos, sugerida pela International Ergonomics Association (IEA): ergonomia física, cognitiva e organizacional. Para simplificar essa divisão subdividiu a ergonomia 6 física em ergonomia do posto e ergonomia ambiental, formando assim uma divisão de conteúdos. Esta classificação tem apenas finalidades didáticas para compreensão de conceitos. Uma realidade de trabalho é um sistema complexo onde cada um dos aspectos intervêm a seu modo porém de forma interdependente ou sistêmica. Assim sendo, podemos formar uma base de conhecimento em ergonomia através dos constituintes físicos, cognitivos e organizacionais, mas sem esperar que cada um destes elementos influa de forma isolada e comportada na realidade complexa do trabalho. 2.1 Ergonomia Física Por ergonomia física se entende o foco da ergonomia sobre os aspectos físicos de uma situação de trabalho. E eles são inegavelmente reais: trabalhar engaja o corpo do trabalhador exigindo-os de várias formas ao longo da jornada de trabalho. A ergonomia física busca adequar estas exigências aos limites e capacidades do corpo, através do projeto de interfaces adequadas para o relacionamento físico homem- máquina: as interfaces de informação (displays) as interfaces de acionamentos (controles). Para tanto são necessários diversos conhecimentos sobre o corpo e o ambiente físico onde a atividade se desenvolve. 7 A ergonomia física é entendida como a relação entre as atividades desempenhadas pelos profissionais no ambiente de trabalho e as características anatômicas da pessoa: sua fisiologia, antropometria e biomecânica. Neste estudo, são realizadas avaliações antropométricas (que medem as medidas do corpo humano) com o objetivo de conhecer o biotipo dos colaboradores e, a partir disso, dimensionar os equipamentos, máquinas e ferramentas. São analisadas também uma série de questões para manter o melhor desempenho e saúde das pessoas na realização das suas tarefas diárias. Entre elas: a postura dos profissionais ao executarem as suas tarefas, a forma como os equipamentos são manuseados, se durante as atividades são feitos movimentos repetitivos, a fim de promover maior segurança no dia a dia do trabalhador. E é a partir disso que se torna possível escolher os melhores móveis e utensílios ergonômicos, que ajudam as empresas a manter a saúde e o bem-estar dos trabalhadores. A nossa dica é que você consulte a Norma Regulamentadora (NR-17) e confira quais são as exigências ergonômicas quando se vai compor o espaço físico de trabalho para, assim, proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. 8 Caracterização Numa primeira simplificação, considera-se que o corpo tem um sistema musculoesquelético movimentado por uma central energética. O sistema esquelético confere ao corpo suas dimensões antropométricas: estatura, comprimento dos membros, capacidades de movimentação limitadas, alcances mínimos e máximos. Por óbvio que possa parecer, um dos aspectos mais importantes da Ergonomia é que o posto de trabalho, seus utensílios e elementos estejam de acordo com as dimensões do ocupante do posto de trabalho. Desta forma, o capitulo da antropometria como disciplina é fundamental da ergonomia. A inadequação antropométrica produz o desequilíbrio postural estático, fator causal das LER/DORT, mas igualmente a de lombalgias, ciáticas e outros problemas fisiátricos. Para que o sistema esquelético se movimente e se mantenha em determinadas posições, a ele está acoplado o sistema muscular que pode ser primariamente assimilado a um conjunto de cabos extensores em oposição. O sistema muscular tem a propriedade de poder se contrair e inversamente se distender e essa propriedade requer consumo de energia, provida ao corpo pelo metabolismo, que é a maravilha da natureza que transforma alimento e ar em energia no interior do organismo. A atividade de trabalho deve estar adequada às possibilidades musculares e do metabolismo humano e nisto consiste o segundo capítulo da ergonomia física, a saber a fisiologia do trabalho. Retomando um exemplo já citado, o desconhecimento da fisiologia produziu problemas para os aviadores, mas o mesmo se deu com mineiros, empregados em linhas de montagem e mais recentemente no pessoal de escritório. 9 As inadequações fisiológicas agravam e ampliam os problemas de inadequação antropométrica já aludidos. Finalmente este organismo musculoesquelético e dotado de um sistema de transformação de energia, um metabolismo interage com o ambiente em que se encontra realizando uma homeostase, suando no caso de temperaturas elevadas, sentindo odores e sabores, sendo facilitado ou dificultado nessa integração ao locus da atividade pelas qualidades acústicas e lumínicas deste ambiente. Estabelece-se um domínio de conhecimentos de ergonomia ambiental, também podendo ser chamado de ecologia humana. Trata-se de um grande capítulo da ergonomia e que responde pela maior parte dos trabalhos e livros até hoje publicados. Exatamente por isso é uma tarefa quase impossível sintetizar este campo. Neste sentido a opção é de, neste momento, ilustrar o campo com o esquema global proposto por Grandjean (1977). O “ caldeirão” da fadiga de Grandjean Os temas mais frequentemente estudados pela ergonomia física têm sido: • Posturas desfavoráveis • Força excessiva demandada • Movimentos repetitivos • Transporte de cargas. Utilidade A utilidade da ergonomia física está na contribuição decisiva que fornece a muitos problemas verificados nos sistemas de trabalho. No campo dos postos de trabalho, problemas antropométricos e posturais efetivamente se verificam numa grande quantidade sejam eles industriais, agrícolas ou de serviços. Nos dois primeiros 10 a atividade é em geral agravada pelo fato das tarefas comportarem igualmente uma importante parcela de manuseio de materiais. As contribuições da ergonomia física, nesse aspecto, têm sido muito grande, tanto que o Governo dos EUA acaba de promulgar um vasto programa de ação ergonômica a nível governamental, com uma série de incentivos para as empresas que adotarem programas de ergonomia com uma forte conotação neste campo da ergonomia física. No campo ambiental, aqui significando o meio-ambiente de trabalho, a ergonomia tem igualmente grandes contribuições para o agenciamento adequado desses ambientes. A mais importante delas está em que ao se colocar as mudanças necessárias a partir de seu ponto de vista-se o da atividade - e com sua orientação tecnológica - adequação das interfaces, pode prevenir problemas decorrentes das mudanças apenas parciais e por isso mesmo seus efeitos se situam entre insuficientes e inócuos. É a relação entre as atividades desempenhadas e as características anatômicas do homem. Neste campo, os seguintes elementos são avaliados: • A postura durante otrabalho; • O manuseio dos materiais; • A presença de movimentos repetitivos; • Os possíveis distúrbios musculoesqueléticos que podem surgir com a atividade; • A projeção das estações de trabalho; • A segurança e saúde do funcionário ao desempenhar a função. Essa área da ergonomia tem o objetivo de analisar as medidas do corpo para, por fim, dimensionar os equipamentos, máquinas e ferramentas de trabalho de acordo com a anatomia humana. Assim, os equipamentos utilizados pelos trabalhadores são adequados às suas capacidades fisiológicas e psicológicas. Como exemplo, pode-se citar um móvel utilizado por centenas de milhares de trabalhadores ao redor do mundo: a cadeira de escritório. Para que o funcionário possa manter a postura adequada e evitar lesões ou problemas de saúde posteriores, é preciso que a cadeira seja adaptada para sua altura, peso, atividade desempenhada e outros fatores. Este é o papel da ergonomia física: avaliar e orientar corretamente à saúde do colaborador. 11 Praticidade No campo dos postos de trabalho, as especificações da Ergonomia física se orientam para modificações do contexto físico do trabalho que evitem a produção de esforços excessivos ou inadequados como os movimentos repetitivos. Essas especificações colocam como exigência, em geral, reconfigurações do posto de trabalho que irão implicar em mudanças na tecnologia física que muitas vezes podem se tornar inviáveis do ponto de vista financeiro, como, por exemplo, elevar ou abaixar uma plataforma, ou ainda modificar toda uma instalação. Algumas vezes isso é feito pois a previsão positiva de resultados o permite. Em algumas fábricas da Renault Veículos o automóvel em linha de montagem é rebatido sobre o plano vertical de forma a facilitar o acesso do operário para tarefas na parte inferior do mesmo. Em outras situações até mesmo o tipo de fornecimento dos componentes técnicos pode vir a se tornar um entrave. Num estudo para reforma da cabine de uma ponte rolante (Bezerra e col., comunicação pessoal) chegaram a propor uma alternativa de desenho que satisfazia a uma série de requisitos ergonômicos. Isso envolveria o redesenho da console de comando, incluindo a reconcepção do cabeamento inserido dentro de uma carenagem semicilíndrica que se posicionava exatamente entre as pernas do operador. Mesmo o protótipo tendo sido aprovado com sucesso nos testes experimentais, o fabricante da console não aceitou as modificações propostas e o projeto teve de ser ajustado a esse tipo de contrante. No campo dos ambientes as especificações da ergonomia física desaguam em recomendações relativas à higiene - manter o ambiente em um estado que não agrida a integridade do organismo - mesmo do conforto ambiental, buscando as melhores condições possíveis para o desempenho da atividade. Em certos casos o aspecto de eficiência ambiental se torna crucial. Normativamente esse tema vem sendo tratado pelo estabelecimento de padrões ambientais que estabelecem níveis de ruído, temperatura, iluminamento, qualidade do ar e demais aspectos aparentemente de fácil normalização. No entanto é enorme a dificuldade de se trabalhar, sob o prisma da adequação com limites de tolerância a agentes agressores, já que entre as faixas de conforto e as faixas de tolerância de 12 um parâmetro ambiental se estabelece uma região de nebulosidade: os limites superiores de conforto jamais coincidem com os limites de tolerância. Tomemos o exemplo acústico: um limite de tolerância estabelecerá um patamar abaixo qual não existiriam danos à pessoa. Como sustentar que um local de trabalho com nível de ruído próximo a este limite permita o bom desempenho da atividade? Uma especificação adequada de ambientes físicos, naturalmente terá como balizamentos os padrões ambientais normalizados - que é para que servem as normas - mas procurará enriquecê-las com considerações ergonômicas relativas à atividade, como no exemplo já citado. Na prática a cooperação entre ergonomistas e higienistas industriais é de inegável interesse para ambas as partes, ganhando com isso tanto a empresa como seus empregados. Assim sendo a praticidade das especificações de Ergonomia Física, sempre necessária, nem sempre é trivial e automática, decorrente das constatações do diagnóstico ergonômico. Ela vai requerer uma boa combinação de criatividade, argumentação e pertinência da parte do ergonomista. Pertinência de tratar problemas existentes e inequívocos; argumentação para convencer, sensibilizar e demonstrar as vantagens da proposta; e criatividade para encontrar boas soluções, propostas que não resolvam um problema criando outros desconhecidos ou inesperados. Aplicações O campo da ergonomia física, do ponto de vista de sua aplicabilidade, vai se consubstanciar na realização de especificações relativas ao posto e ao método de trabalho, bem como sobre o ambiente. Essas aplicações se destinam primariamente ao projeto de novos postos de trabalho e especificações ambientais. Uma segunda ordem de aplicações tem se situado no campo normativo, com vários trabalhos de ergonomistas sendo incorporados pelos comitês e comissões de normalização. Numa terceira linha de aplicações, estudos e propostas de ergonomia têm sido mobilizados para sensibilização das esferas dirigentes, conscientização e envolvimento dos funcionários e mesmo orientações específicas sobre o agenciamento do posto pelos próprios operadores, tal como um operário mais qualificado regula seu equipamento e instrumentos de trabalho. Num último porém crescente campo de aplicações, análises ergonômicas têm subsidiado a elaboração de programas de atividades compensatórias como escalonamento de pausas para repouso, exercícios e alternâncias de várias ordens - lazer, yoga, etc. 13 Dentro desse estudo da ergonomia física, encontra-se 4 modalidades de intervenções aplicadas no ambiente de trabalho. Veja quais são elas a seguir. Ergonomia de correção Atua de maneira parcial e restrita, modificando pontualmente elementos como a iluminação, os ruídos, a temperatura, as dimensões e posicionamento do mobiliário etc. Ergonomia de concepção Essa intervenção é feita diretamente no projeto do ambiente, com o intuito de promover uma melhor organização do trabalho e dos sistemas de produção. Cuida ainda do uso correto dos equipamentos e da manutenção da postura correta pelos funcionários. Ergonomia de conscientização Trata da educação sobre ergonomia para o funcionário, por meio de palestras e treinamentos, com foco na correção de hábitos posturais ou do uso de equipamentos. Ergonomia participativa Tem como foco a criação de um Comitê Interno de Ergonomia (CIE), que trabalha para a conscientização e viabilização de projetos que sejam ergonomicamente corretos e que priorizem a saúde dos trabalhadores. 14 2.2 Ergonomia Cognitiva A cognição trata da ergonomia dos aspectos mentais da atividade de trabalho de pessoas e indivíduos, homens e mulheres. O olhar do ergonomista não se contenta em apontar características humanas pertinentes aos projetos de postos de trabalho ou de se limitar a entender a atividade humana nos processos de trabalho de uma ótica puramente física. Nesse movimento de ideias apreende-se - o que os filósofos gregos já discutiam - a importância dos atos de pensamento do trabalhador na consecução de suas tarefas. E com isso, se aprende que os trabalhadores não são apenas simples executantes, são capazes de detectar sinais e indícios importantes, são operadores competentes e são organizados entre si para trabalhar. E que, nesse contexto, podem até cometer erros. Caracterização Errar é humano! Mas...de quem é o erro? Que erro é esse? Como é que se produziu e como evitá-lo? São as questões para as quais a Ergonomia Contemporânea, particularmente a Ergonomia Cognitivatenta produzir para eles alguns elementos de respostas. Esses elementos de resposta projetual partem de três premissas básicas e sine qua non: (a) Como fundamento técnico a rejeição do absurdo que é projetar um sistema de produção a custos vultosos onde as decisões operacionais chaves estejam na dependência de operadores colocados diante de um quadro complexo, do qual não têm os elementos necessários e que se encontram num contexto de elevada solicitação e carga de trabalho. Tão mais complexo e perigoso seja o sistema, tanto mais os operadores devem estar aptos para tomar a boa decisão nos bons momentos. Esta aptidão deve estar nas pessoas (formação) nos sistemas (tecnologia) mas sobretudo nas interfaces entre uns e outros (ergonomia); (b) Como fundamento ético a premissa de que os trabalhadores num processo nem se caracterizem como insanos suicidas capazes de realizarem atos absurdos que lhes custe a própria integridade física, mental e espiritual e tampouco como sórdidos sabotadores dos engenhos físicos e sociais que constituem uma dada tecnologia de produção. Nesse sentido a ergonomia pode desapaixonar a questão do Erro humano contribuindo com elementos decisivos para uma perícia eficaz; 15 (c) Com fundamento moral, a crença de que as pessoas tentam cumprir seu contrato de trabalho nas situações de trabalho onde se encontram e, exatamente por isso, cabe aos projetistas assegurar uma situação de trabalho correta. A Ergonomia nesse sentido é indispensável para um bom projeto. Em termos cognitivos o ser humano transforma as informações de natureza física em informações de natureza simbólica e a partir desta em ações sobre as interfaces. Sua concepção é trazida pelo campo das ciências cognitivas, que visa ao estudo do conhecimento virtual, ou seja, foca o conjunto das condições estruturais e funcionais mínimas que permitem perceber, se representar, recuperar e usar a informação. (Tiberghien). A ergonomia cognitiva está ligada a todos os processos mentais usados pelas pessoas na realização das suas atividades e como eles afetam suas relações com outros elementos de um sistema. Sua função é verificar a carga mental exigida nos diferentes tipos e ambientes de trabalho. A ideia é conhecer os fatores que podem influenciar na saúde mental dos trabalhadores e fazer intervenções (se for preciso). E o objetivo é diminuir ou eliminar qualquer possibilidade de estresse e doenças como a depressão. Para isso, são avaliados os seguintes pontos: raciocínio, resposta motora, percepção e memória, relacionados aos processos de tomada de decisão, ao desempenho do profissional em determinada áreas e a forma como ocorre a interação entre o homem e as máquinas. A ergonomia tem uma interdisciplinaridade com as ciências cognitivas, mas não é a mesma coisa. As ciências cognitivas têm como foco e objetivo estudar a capacidade e os processos de formação e produção de conhecimento em sistemas em geral, sejam eles naturais ou artificiais (humanos, formigas…). Já a ergonomia se 16 alimenta de estudos de inteligência natural e busca trazê-los para a tecnologia de interfaces homem-máquina. Processo perceptivo, cognitivo e motor Os principais aspectos avaliados por esse tipo de ergonomia são: • O estudo da carga mental exigida pelo trabalho; • Os processos de tomada de decisão; • O desempenho especializado em determinadas áreas; • A forma como ocorre a interação entre homem e máquinas; • A confiabilidade humana; • O estresse de origem profissional; • A formação da concepção de pessoa-sistema; • O treinamento concernente aos projetos que envolvem seres humanos e sistemas. Pode-se dizer, de modo geral, que a ergonomia cognitiva se propõe a avaliar e intervir nas questões que podem influenciar no nível mental dos trabalhadores. Utilidade A ergonomia cognitiva tem como assunto a mobilização operatória das capacidades mentais do ser humano em situação de trabalho. Este campo da ergonomia tem como programa mínimo: • Inovações nos equipamentos, sobretudo que no que tange à usabilidade das interfaces entre o operador e os equipamentos; 17 • Confiabilidade humana na condução de processos, prevenindo as consequências dos erros humanos no controle de sistemas complexos e perigosos; • Otimização na operação de equipamentos informatizados e seus softwares, prevenindo seu funcionamento inadequado ou bloqueios; • A construção da formação de novos empregados na implantação de novas tecnologias e/ou novos sistemas organizacionais; • Estabelecimento e manutenção de sistemas seguros, confiáveis e eficientes de comunicação e de cooperação. A ergonomia cognitiva se subdivide em dois campos: a cognição individual e a cognição coletiva ou social. No campo da cognição individual se reúnem os vários estudos sobre o raciocínio e tomada de decisão que têm serventia na elaboração de procedimentos e normas operacionais. Muitos desses estudos se voltam para a formação profissional, sobretudo nos processos de qualificação e requalificação tão necessários num mundo em sobressalto pela constante introdução de novas tecnologias. No que tange as interfaces, a ergonomia cognitiva tem produzido resultados bastante convincentes na engenharia de softwares (amigabilidade) nas interfaces de instrumentação e controle (usabilidade). De forma mais ampla as modelagens cognitivas têm possibilitado a elaboração de sistemas de controle mais confiáveis. Um bom exemplo da usabilidade de softwares de extrema utilidade são os aplicativos JAVA que identificam os ícones das barras de ferramenta, nem sempre tão evidentes como gostariam que o fossem seus criadores. No entanto os avanços mais recentes têm sido registrados no âmbito da cognição coletiva, especialmente nos sistemas de interconecção de múltiplos agentes. Os sistemas de controle em rede que envolvem a intervenção simultânea de vários operadores comuns, por exemplo no controle de trafego aéreo, têm se disseminado em outras situações industriais e de serviços, numa tendência de integração que parece substituir a filosofia de centralização em voga há bem pouco tempo atrás. Esses dispositivos de cognição compartilhada e distribuída têm se revelado bastante mais eficazes para o tratamento de situações anormais e de emergência. 18 Um exemplo disso nos é dado por Pavard e col. (1998) que desenvolveu um sistema de escuta mútua e de bases informatizadas para a defesa civil o município de Essonne, na região metropolitana sul de Paris, França. Com este sistema os diferentes agentes - médicos, auxiliares e bombeiros - podem acompanhar chamadas recebidas por qualquer dos colegas e ir tratando coletivamente o problema: enquanto o médico aprofunda informações sobre o estado do acidentado, uma ambulância já é deslocada pelo bombeiro, conquanto o auxiliar providencia uma internação hospitalar adequada ao caso. Praticidade O grande perigo do campo cognitivo é seu aspecto fortemente abstrato, na medida que não vemos o pensamento em si, mas apenas indícios de sua existência nos atos das pessoas. E por essa mesma razão é um campo fértil para mistificações e deturpações, como um recente comercial onde uma empresa apresenta um computador que pensa, numa propaganda enganosa. Muitos cientistas e engenheiros buscaram o desenvolvimento de mecanismos e dispositivos lógicos capazes de reproduzir esta estrutura em sistemas mais ou menos complexos através de mecanismos de captação de sinais do ambiente (sensores) e dispositivos capazes de produzir as respostas adequadas. Os relativos insucessos dessa corrente chamada de Inteligência Artificial e alguns de seus espetaculares fracassos (explosão da Chalenger, queda do voo 402 da TAM, etc.) vêm criando uma alternativa que são o desenvolvimento de assistentes, onde os operadores têm a possibilidade de um sistema que os auxilienas tarefas cognitivas e com isso possam tomar as boas decisões nos momentos certos. Os assistentes mais frequentes têm sido os bancos de dados iterativos (data mining), como por exemplo os que auxiliam uma busca por palavra-chave, ou alguma outra variável de entrada. Na computação gráfica é cada vez mais frequente o desenvolvimento de programas de assistência à configuração de layouts gráficos. Poderíamos fazer uma longa lista, mas preferimos sublinhar o que esses programas têm tido de positivo no campo da Ergonomia cognitiva: eles aceitaram o fato de que as pessoas têm um pensamento, capacidade de raciocinar e tomar decisões, como por exemplo fazer uma escolha entre possibilidades que lhes são ofertadas. 19 Aplicação Um bom exemplo de aplicação da ergonomia cognitiva nos é dado pelo Prof. Maurice de Montmollin (1991). Imaginemos, por exemplo, um trabalhador diante de um terminal numa refinaria. Seu trabalho consiste em monitorar, através do sistema de instrumentação, o andamento do processo de refino e, se necessário, fazer as regulações necessárias, ou seja, acionar os dispositivos adequados, através do sistema de controle. Como uma refinaria não pode parar, ela funciona em turnos de trabalho e não esqueçamos, ali são processados materiais combustíveis de alto risco. O terminal em foco, permite monitorar pela tela de vídeo o processo e agir através de comandos do teclado do terminal. Este trabalhador não está sentado ali, sem fazer nada: ele exerce uma atividade. Ele percebe, identifica e interpreta as informações que aparecem no monitor e tenta resolver os problemas do processo que aparecem. Por vezes ele comete erros de julgamento, frequentemente se comunica com outros colegas da sala e de campo. O ergonomista pode aprender, através da análise de sua atividade, muitas coisas sobre os raciocínios empregados por este trabalhador. Ele pode, então, ajudar a melhor apresentar as informações no monitor, a melhor formular os problemas de diagnóstico e de regulação da planta, a conceber uma organização mais condizente com as necessidades de períodos calmos e períodos perturbados, a estruturar uma formação e um treinamento mais adequados, a estabelecer meios e métodos de comunicação entre os diversos operadores. Vamos agora supor um grupo de operadores numa central de atendimento de um cartão de crédito15. E o que dizermos da atividade de controladores de voo, de mergulhadores em manutenção subaquática, de pedreiros na construção civil. Enfim, sem alguma forma de raciocínio estas pessoas poderiam realizar suas tarefas? Me parece que não. E não poderíamos ajudá-las a raciocinarem em melhores condições? Eis o desafio da ergonomia cognitiva. 20 2.3 Ergonomia Organizacional O campo da ergonomia organizacional se constrói a partir de uma constatação óbvia, que toda a atividade de trabalho ocorre no âmbito de organizações. Esse campo que tem tido um formidável desenvolvimento é conhecido internacionalmente como ODAM (Organizational Design and Management), para alguns significando um sinônimo de macroergonomia. A ergonomia organizacional tem como missão promover alterações na estrutura organizacional de uma empresa. Estamos falando sobre a otimização dos aspectos sociotécnicos de uma organização – que incluem pessoas como partes inerentes do sistema -, incluindo também processos e políticas. A proposta é adaptar as condições da empresa para manter a boa saúde e o bem-estar do trabalhar. Para isso, é feita uma intervenção ergonômica na cultura e no clima organizacional por meio de intervenções nos processos de comunicação da companhia, nas atividades desempenhadas em grupo com o objetivo de orientar os profissionais e melhorar a qualidade da gestão. Caracterização Como já mencionado anteriormente (Vidal, 1997), ao se falar de trabalho e organização deve-se distinguir o plano da organização geral da organização do trabalho. A organização geral tem como bases teóricas a teoria das organizações e a logística, buscando especificar a organização produtiva tal como um organismo com vistas à sua atuação no contexto mais geral: social, econômico, geográfico, cultural. A organização do trabalho, se prosseguirmos na metáfora biológica, trata dos 21 aparelhos funcionais internos de uma organização produtiva e que lhe dão sentido motor. Em termos concretos o plano é o da troca de energia entre as pessoas da organização, repartidas entre as energias de execução e de controle, ou antes, de como estruturam-se os aparelhos para manusear tais energias A ideia motriz é a de compreender as formas como se dá a cada uma das unidades funcionais as disposições necessárias para a consecução das funções que lhes são imputadas pela organização geral e o conceito subsidiário é o estabelecimento de métodos de trabalho. Como conteúdo concreto a organização do trabalho envolve ao menos seis aspectos interdependentes, quais sejam: • A repartição de tarefas no tempo (estrutura temporal, horários, cadencias de produção) e no espaço (arranjo físico); • Os sistemas de comunicação, cooperação e interligação entre atividades, ações e operações; • As formas de estabelecimento de rotinas e procedimentos de produção; • A formulação e negociação de exigências e padrões de desempenho produtivo, aí incluídos os sistemas de supervisão e controle; • Os mecanismos de recrutamento e seleção de pessoas para o trabalho; • Os métodos de formação, capacitação e treinamento para o trabalho. Trata da otimização dos sistemas sociotécnicos – ou seja, que incluem pessoas como partes inerentes do sistema – e suas estruturas organizacionais, de processos e políticas. Os tópicos mais relevantes nesse tipo de ergonomia são: • As comunicações; • O trabalho realizado em grupo; • Os projetos participativos; • O trabalho cooperativo; • A organização em rede; • A cultura organizacional; • A organização temporal do trabalho; • A gestão da qualidade. 22 Essa área da ergonomia, então, se propõe a estudar e intervir na cultura e no clima organizacional. Seu objetivo é adaptar as condições da empresa para preservar a saúde e o bem-estar do trabalhador. Utilidade Simplificadamente, compreende-se uma organização compreendendo três níveis: operacional, tático e estratégico. De acordo com o fluxo de decisões e comunicações podemos distinguir dois tipos de decisórios: os de cima para baixo – top-down – e os de baixo para cima (bottom-up). Seja em processos top-down, seja em processos bottom-up, a utilidade da ergonomia é imensa. Ela vai permitir uma efetiva modelagem organizacional, sobretudo em processos chave da organização, onde a modelagem gerencial não seja suficiente para assegura o sucesso da empreitada de reestruturação. É o caso dos sistemas complexos, dos sistemas perigosos e dos sistemas de demanda flutuante. Vejamos alguns exemplos: Os bancos fazem previsões de qual a porcentagem do volume de depósitos estará disponível em sua rede para saques, as indústrias planejam quantas peças estarão disponíveis num dado momento para entrega ou estoque, os agricultores imaginam quantas caixas poderão estar prontas no final da semana e assim por diante. Essas estimativas são importantes para definir se haverá investimentos em automação bancária, em modernização da tecnologia industrial ou em mecanização agrícola. Este é o plano estratégico de um sistema de produção: decisões a médio e longo prazo são tomadas a partir da suposição de um funcionamento operacional satisfatório. A princípio, não parece haver conexão entre o nível operacional e o nível estratégico do que o fato de que o funcionamento (operacional) deva ser satisfatório (para o nível estratégico). Assim, em que consiste este aspecto de satisfação, quais os critérios a atender? Para assegurar o funcionamento satisfatórioem que se baseia toda a estratégia da organizaçã, está constitui um intermediário ou uma interface entre produção e estratégia que é o nível tático, estrutura que viabiliza a passagem das decisões top- down, assim como as interações bottom-up. Assim banqueiros esperam que bancários descontem os cheques, industriais imaginam que os operários estarão 23 fabricando as peças, e fazendeiros que os lavradores estarão colhendo as frutas. E efetivamente é o que acontece, e isso dentro dos parâmetros previstos de qualidade de serviço, de conformação ou de produto com que cada um desses sistemas de produção funciona. Este esquema de organização é um tanto estático e supõe uma regulação simples: se algum imprevisto ocorre, bancários, operários e lavradores fazem os ajustes necessários, ora pedindo para um endosso de assinatura, ora realizando mais uma operação industrial de ajuste, como limar uma peça mecânica ou acrescentar um complemento de dose de reagente, ora optando por colher algumas frutas no dia seguinte e assim por diante. Assegurar que isto, acontecendo, implique em que o funcionamento continue satisfatório é o papel do nível operacional que contara para isso com uma quantidade definida de recursos e assumirá neste processo umas quantas responsabilidades. A maior parte dos sistemas de produção, a partir deste modelo deverá funcionar a contento. Então se alguém da organização fala em problemas para um consultor externo, e a nível gerencial, trata-se de algo que escapou deste sistema de regulação no down da organização, de algo que saiu do previsto. E sobretudo de algo que a organização julga não dispor de meios - métodos, conhecimentos, técnicas – ou recursos – tempo de resposta, pessoal capacitado, sistema de formação, etc. Ou seja, algo que sabe pouco o que seja, menos ainda como resolver e quase nada como encaminhar. E aí reside a utilidade da ergonomia no campo organizacional: através da modelagem do trabalho real poderá se estudar as cadeias de regulação informal, formalizando e até normatizando alguns desses procedimentos e sobretudo num esforço de codificar toda uma prática informal porém, na maioria das vezes, essencial para o bom andamento da produção. Praticidade O campo da organização de forma análoga ao campo da cognição tem o sério problema de tratar com entidades até certo ponto abstratas. Apesar de todo nosso enfoque se voltar para as materialidades da organização do trabalho, essa concretude nem sempre se fundamente numa objetividade plena, e a organização, mesmo para os altos dirigentes e boa parte dos gestores, é percebida e concebida no plano subjetivo. Nesta perspectiva (da subjetividade) a discussão acerca da praticidade 24 encontra muitas dificuldades, pois nada mais fácil do que desqualificar uma proposta ou alternativa com argumentos subjetivos. O maior problema da praticidade está exatamente no maior recurso de ergonomia organizacional que se dispõe que é o uso de benchmarkings, dado que esta técnica sempre poderá ser contestada pelo fato das organizações serem diferentes em algum aspecto. Nesse sentido não basta que os modelos descritivos e conceituais sejam bem estabelecidos do ponto de vista de método, também é preciso que eles sejam consensuados, aceitos e validados ao menos para uma fração estratégica e significativa na empresa. Essa constatação levou ergonomistas do campo da ODAM a uma saudável discussão sobre um subcapítulo da ergonomia organizacional que é a ergonomia participativa. Nessa acepção se busca agir sobre as representações mentais sobre o que acontece na empresa, buscando substituí-las por modelagens ergonômicas devidamente validadas ao longo do processo de ação ergonômica na empresa, como veremos mais adiante. Contudo o mais importante no que tange ao aspecto prático é o fato de que a ergonomia, pela natureza de seus métodos e pela estrutura de conhecimento que mobiliza, não busca a aplicação de soluções prontas nem preconiza orientações absolutas, mas sim o desenvolvimento participativo de encaminhamentos possíveis na situação a que é chamado a intervir. Ergonomia, em termos organizacionais significa fazer a coisa certa, desde o início e de forma tão duradoura quanto estável for a organização mais geral da empresa ou organismo. Não por acaso a ergonomia tem praticamente desde seus primórdios uma ampla e generalizada aceitação e resultados em meios militares, aeroespaciais e outras organizações deste tipo. Aplicação As aplicações que a ergonomia pode trazer para o plano organizacional se fundamentam na sabida determinação da tecnologia física sobre a organização do trabalho e as condições de trabalho, elementos que irão compor a equação dos resultados da empresa. As maiores aplicações da ergonomia no campo organizacional têm sido: • Modelagem de processos para a elaboração de cenários e roteiros para as mudanças organizacionais; 25 • Análise dos requisitos das novas propostas organizacionais em termos de capacidades, limitações e demais características, especificando necessidades de treinamento e de novas competências; • Construção de roteiros de implementação para evitar a descapitalização ou desaproveitamento do capital de competência (know-how) existente sobretudo no nível operacional; • Perícia e prevenção de acidentes. 3. A ERGONOMIA E A EDUCAÇÃO FÍSICA A ergonomia pode ser definida como a área da ciência composta por um conjunto de disciplinas que estuda a organização no trabalho por meio da facilitação da interação entre o homem, objetos e máquinas. O termo origina-se de duas palavras gregas: “ergon” (trabalho) e “nomos” que significa leis ou normas. O objetivo da ergonomia é melhorar a qualidade do ambiente de trabalho e o bem-estar do trabalhador, melhorando assim a eficiência e produtividade. Essa melhora se dá através da elaboração e aplicação de técnicas de adaptação dos elementos do ambiente de trabalho. Dentre os diversos setores que a ergonomia pode ser aplicada, podemos ressaltar os setores: Industriais, hospitalares, sistemas informatizados, transportes e escolares. Além de ser aplicável em diversos setores, a ergonomia é tida como uma ciência multidisciplinar, englobando áreas de conhecimento como: anatomia, psicologia, biomecânica, antropometria, fisiologia e engenharia. Sendo assim, um tema complexo e que envolve diversas profissões. 26 Dois temas cruciais e muito discutidos na ergonomia são: a segurança do trabalho e prevenção dos acidentes laborais. Tendo então como proposta a criação de locais adequados para a realização das tarefas do trabalho prezando a segurança. Melhorando assim, a qualidade do ambiente e a saúde do trabalhador com a prevenção dos acidentes laborais. Neste guia definitivo de ergonomia para a educação física, você entenderá a ciência da ergonomia, sua importância, aplicação e a importância do profissional de educação física nessa ciência tão importante para a qualidade de vida do trabalhador. 3.1 Importância da Ergonomia para a Educação Física Dentro do ambiente de trabalho, a ergonomia nas empresas pode ser aplicada através da adaptação do ambiente de trabalho de acordo com a função e carga horária dos funcionários, pausas regulares e rotatividade de tarefas e a ginástica laboral que deve ser aplicada por um profissional de educação física. Embora seja um ambiente completamente diferente daquele em que o profissional de educação física está habituado, é de suma importância que ele atue com essa intervenção física nas empresas. Os exercícios de ginástica laboral são exercícios compensatórios para os movimentos executados repetidamente pelos funcionários, que ajudarão na correção da postura, alívio de dores, tensões e desequilíbrios musculares que possam existir, uma vez que um dos maiores índices por afastamento do trabalho é por LER e dores musculares,principalmente na região lombar. Ambas ocasionadas por movimentos repetitivos por tempo prolongado e má postura. E ninguém melhor que o profissional de educação física para intervir com esses movimentos que influenciarão de modo direto a qualidade de vida dessas pessoas. Outro ponto importante é que atualmente, com a alta concorrência e demanda de trabalho, a maioria das pessoas é sedentária. Isso ocorre muitas vezes, por preguiça, por falta de tempo ou por não se sentirem motivadas a se exercitarem, com esse estímulo dentro do local de trabalho, o funcionário irá levar essa rotina para sua vida, sendo assim um incentivo para realizar regularmente exercício físico. Como qualquer planejamento de exercício físico visa a melhora da qualidade de vida e o 27 bem estar do aluno, o profissional de educação física tem a função não só de planejar, mas também de detectar problemas. Uma vez que a ginástica laboral trabalha com setores, o profissional deve saber da rotina daquelas pessoas, os movimentos que elas executam mais vezes, como é a disposição dos objetos e máquinas que elas utilizam e se estes se encontram adequados para a utilização sem danos ao funcionário. Assim, é possível planejar e com essas adaptações chegar ao objetivo da ginástica laboral tendo assim, uma contribuição positiva para a empresa. 3.2 Benefícios de Aplicar a Ergonomia na Educação Física para o seu Aluno São diversos os benefícios que o investimento na ergonomia pode proporcionar, abaixo estão os principais benefícios que irão fazer muita diferença na vida do trabalhador e da empresa. Redução do número de afastamento e ausências – Como já citado neste guia existe um alto índice de afastamentos devido às lesões por esforço repetitivo e dores musculares, principalmente na região lombar. Com a prática regular da ginástica laboral, o funcionário além de mais motivado, irá sofrer adaptações físicas e fisiológicas que aliviarão os movimentos que ele executa durante sua rotina. Diminuindo assim, o número de faltas e afastamentos pela melhora da saúde e bem estar. Diminuição de desperdício – Através das técnicas ergonômicas há a diminuição do desperdício de matéria prima e demais materiais utilizados pela empresa. Ainda, um ambiente laboral saudável assegura trabalhadores motivados e atentos além de todo o material que estiver disponível ter função específica que ajudará o trabalhador, não sendo necessários gastos extras que resultariam em desperdício de matéria prima. Melhora na qualidade de vida – O investimento da ergonomia pela ginástica laboral aplicada por um profissional de educação física é investimento em saúde, bem estar e qualidade de vida das pessoas. Uma vez que através dos exercícios propostos há diminuição dos acidentes de trabalho, faltas e afastamentos, tendo como resultado final, funcionários saudáveis, dispostos, motivados e economia para empresa. 28 Valorização profissional – O sentimento de valorização acontece por parte dos colaboradores da empresa, pois quando as pessoas recebem suporte e orientações adequadas para exercerem suas funções, existe um sentimento de reconhecimento que influencia o nosso próximo tópico: a melhora na produtividade. 3.3 Trabalhando a ergonomia em busca do aumento da produtividade A redução do número de ausências, ambiente favorável, saudável e seguro para o trabalhador aliado ao sentimento de valorização profissional, não só gera economia para a empresa, pela diminuição das ausências dos colaboradores, mas também gera funcionários mais eficazes, uma vez que os prazos são cumpridos com empenho e motivação. Com a melhora na produtividade, a empresa satisfaz seus clientes e estes aumentam a demanda de trabalho para a empresa. Ou seja, o investimento em uma estrutura ergonomia gera uma reação em cadeia onde todo mundo se beneficia em um ambiente com qualidade e harmonia. Preservando a imagem da empresa no mercado de trabalho e o crescimento constante da mesma, com colaboradores satisfeitos. 3.4 Tipos de ergonomia que podem ser trabalhados pelo educador físico A ciência da ergonomia é dividida em três tipos: Ergonomia cognitiva, ergonomia organizacional e ergonomia física. Abaixo conceituaremos e explicaremos sua aplicação pelo profissional de educação física. Ergonomia Cognitiva Também conhecida engenharia psicológica, refere-se aos processos mentais, tais como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles afetam as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Dentre os temas abordados nessa divisão da ergonomia, se incluem: carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro humano, interação humano-computador e treinamento. 29 Ergonomia Organizacional Também chamada de macro ergonomia, está relacionada com a otimização dos sistemas sócio-técnicos, incluindo sua estrutura organizacional, políticas e processos. Dentre os temas abordados nessa divisão da ergonomia se incluem: trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipe, trabalho à distância e ética. Ou seja, basicamente como é a relação do indivíduo com seus chefes, colegas de trabalho e o impacto da organização da empresa com seus processos e políticas na motivação e rendimento do colaborador. Ergonomia Física A ergonomia física lida com as respostas do corpo humano à carga física e psicológica de trabalho. Dentre os temas mais abordados nessa divisão da ergonomia se incluem manipulação de materiais, arranjo físico de estações de trabalho, demandas do trabalho e fatores tais como repetição, vibração, força e postura estática, relacionada com lesões musculoesqueléticas. É nessa divisão propriamente dita que o profissional de educação aturará 100%. Pois o profissional irá proporcionar exercícios que irão amenizar a tensão e desordens musculoesqueléticas e também orientar os colaboradores formas de executar suas tarefas de modo com que não haja prejuízo à saúde física e mental do trabalhador. 3.5 Campo de Atuação da Ergonomia Como citado no começo deste guia, a ergonomia é uma ciência multidisciplinar, ou seja, engloba diversas áreas de conhecimento, sendo necessário, o auxílio de profissionais de áreas distintas para que haja de fato um ambiente laboral ergonômico. Dentro da ergonomia cognitiva e da ergonomia organizacional podemos destacar principalmente a atuação de psiquiatras e psicólogos. Estes têm a habilidade de identificar o impacto da rotina e das cargas de trabalho no rendimento do colaborador, seu índice de motivação e relacionamento para com seus colegas e chefes. 30 Já na ergonomia física, podemos contar com a atuação principalmente dos profissionais de educação física, fisioterapeutas e engenheiros. Esses profissionais estão aptos para: Corrigir os maus hábitos posturais adquiridos durante a rotina de trabalho, excesso de peso carregado durante as tarefas diárias, correção de movimentos que possam gerar algum tipo de acidente e prevenção de lesão por esforço repetitivo; Na área da engenharia ressaltamos o desenvolvimento de objetos e maquinas em medidas que possam ser usados com conforto e sem sobrecarga pelo colaborador. 3.6 Aspectos Biomecânicos e a Ergonomia Esse é um dos aspectos mais importantes dentro da ergonomia física. Está ligado ao movimento durante a carga de trabalho do indivíduo. Imagina abaixar e levantar algumas dezenas de vezes ao dia de modo incorreto, pegar caixas pesadas de modo inadequado, ficar horas sentado em postura indevida, não realizar pausas durante o turno. Agora multiplique essas dezenas de vezes por alguns anos. Certamente, se não resultar em uma lesão, certamente irá gerar algum desconforto por desordem neuromuscular. É nessa hora que o profissionalde educação física intervém corrigindo todos os aspectos biomecânicos incorretos, incorporando uma nova rotina de repertório motor para o colaborador e exercícios compensatórios, através da ginástica laboral que irá aliviar tensões, ajudando física e psicologicamente o trabalhador. Abaixo mostraremos dicas simples que fazem toda diferença na qualidade de vida do colaborador da empresa. A primeira dica para quem trabalha em empresas é sentar corretamente. É fundamental manter a coluna ereta, aliviando o peso na coluna lombar, olhar na posição anatômica a fim de evitar cervicalgia, descanso paro antebraço a fim de não sobrecarregar o punho, que em longo prazo é responsável por grande índice de lesões por esforço repetitivo e por fim, descanso para os pés, os pés devem manter- se inclinados em uma angulação de em média 45 graus, facilitando assim o retorno venoso, diminuindo dores e inchaços nas pernas. Agachar e levantar nunca foram tarefas tão simples assim. Ao movimentar-se com a flexão de tronco, redirecionamos não só o peso do nosso corpo, mas como o 31 do objeto que estamos levantando, diretamente para a nossa coluna lombar. Gerando um estresse desnecessário nessa região, podendo futuramente levar desde desgastes a compressões discais. Independe se vai ou não pegar algum objeto, abaixe corretamente e preserve suas estruturas. Outra dica é: Não queria ser o superman. Se você precisa levantar ou descolar um objeto muito pesado, peça ajuda a um colega de trabalho. Outra dica: faça pausas! Se você trabalha por muitas horas sentado, por exemplo, faça intervalos regulares. Levante, vá até ao banheiro, de uma breve caminhada. Isso ajuda a redistribuir a carga corporal e manda um sinal de alerta para o corpo se manter ativo. Muito tempo em uma mesma posição seja ela em pé ou sentada, leva ao comodismo e a uma aquisição de padrões de movimentos que prejudicam sua saúde. É fundamental que a empresa possua um programa de ginástica laboral para todos os seus setores. Além de ser um momento de pausa e recreativo, onde o funcionário renova as energias e uma oportunidade de desestressar física e psicologicamente. Os exercícios mandam estímulos de fortalecimento e alongamento corporal, fundamentais para a prevenção do desgaste, lesões e compensações que podem resultar em futuros desvios posturais. 3.7 Aspectos Fisiológicos e a Ergonomia Alterações físicas levam a alterações fisiológicas. Logo, se o colaborador está em um ambiente que ele não gosta, com dificuldade de acesso a seus acessórios, ambiente de pura cobrança e estresse. Além de compensações físicas, sua fisiologia sofrerá alterações. Desregulando as concentrações de cortisol (hormônio do stress), por exemplo. Alterações da frequência cardíaca e pressão arterial, se sempre colocado em situações de estresse, cobrança e onde a empresa não lhe estimula a ser produtivo de modo saudável. Isso gera dois problemas: O primeiro é que esse funcionário, sob essas condições, nunca irá render o que a empresa necessita que ele produza. O segundo, é que mais cedo ou mais tarde, essas péssimas condições de trabalho prejudicarão sua saúde de modo definitivo, podendo levar o colaborador à um quadro de hipertensão arterial, lesão por esforço repetitivo, desordens posturais ou neuromusculares como lombalgia, escoliose e hérnia de disco. Resultando em faltas 32 no trabalho ou em afastamento das atividades. Fato este que gera mais prejuízo para a empresa. 3.8 Papel do Educador Físico no Aumento da Produtividade Diária do seu Aluno O papel do profissional de educação física, independente do ambiente que ele esteja ou do objetivo do seu aluno, é melhorar a qualidade de vida e proporcionar através de exercícios físicos a melhora da saúde e bem estar. Tendo em vista que o ambiente empresarial, independente do setor de trabalho, é cercado de cobranças, prazos e metas, o acúmulo de dias nessa rotina acaba afetando física e psicologicamente o colaborador, deixando o ambiente de trabalho estressante e desmotivador. Com as adaptações físicas e fisiológicas proporcionadas através da ginástica laboral, o trabalhador tem maior suporte para estar fisicamente bem durante sua rotina e a ludicidade aliado a esse momento de descontração proporcionado pela empresa, faz com que o trabalhador relaxe e desestresse. Ou seja, após a prática da ginástica laboral ele se sentira muito mais motivado e disposto para continuar seu trabalho, tornando-o então, mais produtivo. Com a ergonomia aplicada de fato na empresa, os funcionários já chegarão no local de trabalhos motivados, pois eles sabem que estão em um lugar que foi adaptado exclusivamente para que ele realize suas tarefas de modo com que ele não se machuque e consiga cumprir seus prazos do modo mais confortável possível. Além de que as intervenções físicas através da ginástica laboral passam a gerar uma expectativa nos funcionários, pois é um momento de descontração e uma forma de socialização também. Em resumo, o colaborador já sai de casa sabendo que está indo trabalhar em um ambiente onde ele não é só mais um e sim um membro fundamental na equipe. Deixando o ambiente de trabalho descontraído e produtivo ao mesmo tempo. 33 3.9 Educação Física e a Ergonomia para Atletas de Alto Rendimento A atividade desportiva também vem sendo estudada do ponto de vista ergonômico devido a crescente participação da população em atividades esportivas nos últimos anos. Assim, tornou-se necessária a análise dos efeitos do esporte e do estresse sobre o organismo humano, visando prevenir lesões decorrentes desta prática, além de contribuir para a melhora da performance. Tanto em atletas de alto rendimento como em praticantes de desporto, a ergonomia irá investigar tudo de errado que pode acontecer que prejudique o rendimento do atleta ou que possa ser um fator desencadeador de lesão, a fim de corrigir essas falhas para proporcionar ao atleta conforto e segurança durante seu treino. Na prática, podemos exemplificar um ambiente muito comum tanto para atletas profissionais e amadores: A sala de musculação. Por ser um espaço de uso comum, diversas pessoas fazem de uso dos aparelhos, logo todos devem ser versáteis e ajustáveis. Bancos reguladores, alturas diferentes para apoios de braços ou pernas, ou seja, os aparelhos devem se moldar a todos os tamanhos e pesos. Uma vez que um exercício executado em um aparelho inapropriado para o atleta, além de gerar desconforto e diminuição de rendimento, poderá levar a consequências mais graves como lesões de articulações, musculoesqueléticas ou nos tendões. Pode-se levar esse raciocínio para todas as modalidades, pensando sempre na necessidade do atleta, padrões biomecânicos de movimento e conforto para que o rendimento na sessão de treino seja fidedigno ao que o atleta pode realizar, sem se machucar na sessão ou futuramente. 3.10 Como Alcançar mais Resultados com o seu Aluno Através da Ergonomia Através de um ambiente no qual o aluno consiga realizar suas tarefas diárias de trabalho de modo confortável, sem sobrecarregar suas estruturas, não haverá influência negativa no treino. Uma vez que há constante reclamações de alunos que trabalham muito tempo em pé, ou sentado, que não fazem pausas durante o turno e acabam por faltar nos treinos prejudicando a evolução dentro da prática esportiva. 34 Além de que essa população está muito mais suscetível a lesões. Aplicando a ergonomia dentro do ambiente esportivo, é fundamental que todos os aparelhos sejam ajustáveis ao seu aluno, evitando movimentos compensatórios que geram maior estresse físico e lesões no seu aluno. Em resumo, a ergonomia irá preservar a saúde do seu aluno e o treinamento, fará com a qualidade de vida e o objetivo particular do seu aluno seja alcançado com segurança. 3.11 Lesões por Esforço Repetitivo:Como a Ergonomia pode Ajudar o seu Aluno A atenção a ergonomia é um dos principais fatores para o tratamento e prevenção da L.E.R. Sendo está lesão por esforço repetitivo, está intimamente associada com as atividades no trabalho, onde é comum o indivíduo executar por muito tempo a mesma tarefa, podendo solicitar além do normal o mesmo grupo articular, muscular ou ósseo. A LER pode ocorrer em diversas partes do corpo e ela possui diversos graus e sintomas. Ajustes ergonômicos físicos nos objetos e máquinas de trabalho associada a uma boa postura e pausas regulares durante o turno, para alongar-se como forma de compensação ao esforço que está sendo realizado, são estratégias eficientes para a prevenção e o tratamento das lesões por esforço repetitivo. 3.12 Como Funciona a Norma Regulamentadora nº 17 Sobre a Ergonomia A norma regulamentadora nº 17 tem como objetivo estabelecer os parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. De acordo, estabelece o subitem 17.1.2 da norma regulamentadora nº 17, para avaliar a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, cabe ao empregador realizar a análise ergonômica do trabalho ou AET, devendo a mesma abordar, no mínimo, as condições de trabalho, conforme especifica a norma regulamentadora nº 17. A NR- 17 é de grande importância pois uma das maiores doenças de trabalho são desenvolvidas a partir da exposição ao risco ergonômico que muitos trabalhadores 35 passam, como por exemplo: Trabalhos realizados em pé durante toda a jornada; Esforços repetitivos (LER); Levantamentos de cargas; Monotonia. Além da saúde do trabalhador, o que se deve estar consciente é que o desconforto do trabalho pode gerar também baixa produtividade para as empresas, portanto, no final das contas, o não comprimento desta norma não é vantajoso em nenhuma circunstância. Estrutura da NR-17. A norma regulamentadora nº 17 apresenta a seguinte estrutura: • Levantamento, transporte e descarga individual de materiais; • Mobiliário dos postos de trabalho; • Equipamentos dos postos de trabalho; • Condições ambientais de trabalho; • Organização do trabalho. Além disso, a norma regulamentadora nº 17 apresenta 2 (dois) anexos acerca das condições ergonômicas nas seguintes áreas de trabalho: • Anexo I – Trabalho dos Operadores de Check outs; • Anexo II – Trabalho em Teleatendimento/Telemarketing. A NR-17 também determina as condições do ambiente de trabalho no item 17.6, onde é estabelecido que a organização do trabalho deve ser adequada às características psicofisiológicas dos trabalhadores e à natureza do trabalho a ser executado, assim como também para efeito desta NR, deve levar em consideração, no mínimo: as normas de produção, o modo operatório, a exigência de tempo, a determinação do conteúdo de tempo, o ritmo do trabalho e o conteúdo das tarefas. A aplicação da ergonomia no ambiente de trabalho pode ser estabelecida nas seguintes etapas: • Concepção do Programa de Ergonomia – Nesta fase baseia-se no levantamento dos riscos ergonômicos e na concepção do programa de ergonomia; 36 • Conscientização dos Funcionários – Nesta fase busca através de treinamentos e palestras a conscientização dos funcionários acerca dos riscos ergonômicos e sua prevenção; • Correção do Programa de Ergonomia – Nesta fase baseia-se na correção e no aperfeiçoamento do programa de ergonomia aplicado no ambiente de trabalho. 4. MELHORA DO AMBIENTE DE TRABALHO COM A ERGONOMIA Trabalhando de forma prática, é interessante observar como melhorar o ambiente de trabalho mostrando a abordagem da ergonomia. Equipamentos certos – A utilização dos equipamentos adequados é a principal forma de melhorar as condições de trabalho e preservar o colaborador de doenças laborais. São equipamentos que adaptam as condições mecânicas, posturais e anatômicas à condição do trabalhador. Cadeiras adequadas, suportes, apoio para pulsos e pés, entre outros, preservam a saúde do colaborador e ajudam a prevenir uma série de problemas. Boa iluminação – A má iluminação é um poderoso inimigo da visão humana. Trabalhar nessas condições pode levar a danos progressivos aos olhos. Por isso, é preciso verificar as condições de luz natural e artificial no ambiente de trabalho e adequá-las ao esforço exigido pela atividade. 37 Incentivo a vida saudável – Pode parecer que esse tipo de estímulo não cabe à empresa, mas é bom pensar que grande parte do seu dia o trabalhador passa na empresa, que é onde faz as refeições e compromete a sua condição física ao se portar de modo sedentário. Ofereça pausas – As pausas são essenciais para recarregar as baterias e alongar o corpo, o que ajuda a evitar problemas físicos. Distribuição de responsabilidades – Além de distribuir as responsabilidades, é preciso ter clareza e fazer isso de uma forma justa, que não sobrecarregue ninguém. Planejamento e organização – É fundamental, porque planejamento e organização ajudam a economizar tempo e reduzem as situações de estresse. Canal de comunicação – Não conseguir falar com um superior num momento de dificuldade no trabalho ou quando se tem uma grande ideia, ou mesmo uma reclamação pode desestimular e desanimar o funcionário. A comunicação deve ser um canal de ida e volta. 5. AÇÃO ERGONÔMICA A ação ergonômica é um conjunto de princípios e conceitos eficazes para viabilizar as mudanças necessárias para a adequação do trabalho às características, habilidades e limitações dos agentes no processo de produção de bens e serviços. Nesse sentido, a ação ergonômica: • Parte dos fundamentos da ergonomia: ou seja, dos diversos conhecimentos sobre as características, habilidades e limitações da pessoa humana envolvida 38 num processo de produção – o que constitui o campo da ergonomia física, onde se estabelece uma visão do operador e de seu posto de trabalho como unidades elementares do sistema de trabalho; • Se alimenta da abordagem cognitiva do trabalho: ou seja das diversas modelagens sobre a natureza e o processo de tomada de decisão individual e coletiva que requer a execução das atividades de trabalho - o que constitui o campo da ergonomia cognitiva onde o trabalhador é concebido como um agente competente e organizado num sistema de produção • Se estabelece com foco na organização do trabalho: ou seja busca descrever as atividades de trabalho como uma resposta do operador às exigências da produção – o que constitui o campo da ergonomia situada, onde se modela a organização baseada na atividade e, mais ainda, qual o lugar da modelagem da atividade na concepção da organização. • Se conduz na perspectiva da avaliação custo-efetividade: ou seja, busca ao longo da ação avaliar o custo e o retorno propiciado pela Ergonomia para a organização - o que constitui o campo da macroergonomia. • Produz resultados a nível de negócios: ou seja, busca inserir as necessidades de mudanças estabelecidas nos campos clássicos, cognitivos e situados numa perspectiva maior da estratégia e da organização da empresa, suas contingências e de mudanças de cultura da organização – o que constitui o campo da antropotecnologia onde se constrói uma engenharia simultânea de produto, de processo e de gestão da produção centrada na atividade de trabalho. As diferentes e complementares ergonomias 39 Nos termos contemporâneos da ergonomia estaremos olhando para o operador – individualmente ou em coletivo – como uma pessoa que realiza sua atividade em situação de trabalho socialmente determinada. A pergunta chave da ação ergonômica é portanto: Como transformar as situações de trabalho em nossa sociedade? Naturalmente,