Prévia do material em texto
Epidemias e Sumário CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO Conhecendo os indicadores epidemiológicos Epidemiologia Transição epidemiológica Transição demográfica Condições de saúde Compreendendo sobre o trabalho em saúde Trabalho em saúde Educação dos profissionais de saúde Educação Continuada Educação em Serviço Educação Permanente Compreendendo sobre a dicotomia público privada Direito público e privado Dicotomia público privado na saúde Público e privado na assistência à saúde Conhecendo os avanços e desafios do SUS Avanços do SUS Políticas Públicas de Saúde Programa Saúde da Família e Estratégia Saúde da Família Desafios do SUS Referências 5 15 25 35 44 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se form necessarias; Se for preciso acesar um ou mais sites para fazer dowload, assistir videos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. @faculdadelibano_ 1 Conhecendo os indicadores epidemiológicos Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Capítulo 1 Conhecendo os indicadores epidemiológicos Objetivos Neste capítulo vamos falar sobre epidemiologia e seus conceitos, compreender o que são os indicadores epidemiológicos e sobre a transição epidemiológica e demográfica, bem como a relação entre elas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá! Epidemiologia A epidemiologia estuda a frequência, a distribuição e os determinantes sociais de saúde nas populações utilizando os resultados para o controle dos eventos relacionados com saúde. Além de ser possível observar a situação de saúde da população é possível avaliar o impacto das ações para melhorar a situação encontrada. As principais medidas de frequência das doenças são: • Prevalência: número de casos existentes da doença em umdado momento; • Incidência: frequência que surgem casos novos da doença em um intervalo de tempo. Talvez você ache essas terminologias novas, mas com certeza você já ouviu, até já viu gráficos sobre prevalência e incidência mas não se atentou a eles. Por isso, vamos ver um exemplo prático: a Prevalência da Síndrome da Imunodeficiencia Adquirida (SIDA) na população entre 15 a 49 anos de idade em 2017. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1 Analisando esse gráfico é possível observar em quais países há uma prevalência maior ou menos dessa doença. Esse tipo de estudo norteia os gastos públicos e as ações de promoção e prevenção em saúde por observar quais as necessidades de cada região. Esse exemplo é mundial, mas se pensarmos em estudos mais regionais auxilia imensamente aos gestores sobre os cuidados em saúde. Para que esses estudos sejam realizados é necessário conhecer de forma detalhada as condições de vida e de trabalho da população estudada para poder planejar e programar as ações de saúde, que podem ir desde melhorias nos determinantes mais amplos como moradia, saneamento básico e nutrição, até ações pontuais e especificas como ações para cessação tabágica. Você Sabia? Já ouviu falar da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA)? Com certeza já, mas com o nome em inglês: Acquired Immunodeficiency Syndrome (AIDS). Pois é, essa doença é o último estágio da infecção pelo HIV (Human Immunodeficiency Virus), quando não tratada. FIGURA 1 Prevalência de SIDA na população de 15 a 49 anos em 2017 FONTE Wikimedia Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1 Transição epidemiológica Está relacionada com as modificações dos padrões de morbidade e mortalidade que caracterizam determinada população acontecendo em conjunto com as transições demográficas, sociais e econômicas. É fácil perceber que, na maioria dos casos, as pessoas são saudáveis e não precisam de cuidados em hospitais, procedimentos médicos ou terapêuticos, mas durante toda a vida essa mesma pessoa precisa de água potável, ar puro, ambiente saudável, alimentação adequada, situações sociais, econômicas e culturais favoráveis, educação, informação bem como a prevenção de problemas específicos de saúde. Dessa forma, para a promoção da saúde aconteça é preciso enfrentar os determinantes sociais da saúde, como mudanças nos padrões econômicos e intensificar as políticas sociais sendo necessário a integração entre as políticas públicas. Para isso é devemos integrar os saberes e práticas como atenção médico-hospitalar; programas de saúde pública, vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, educação em saúde, entre outras, com ações extra-setoriais nos diversos campos de acordo com o território, perfil da população, características culturais, sociais, políticas, econômicas, etc. Mas, para conseguir elaborar essas ações para promoção da saúde, é necessário conhecer o seu perfil e a epidemiologia com o uso de indicadores de saúde que são medidas que refletem as características dessa população e, segundo Moreira (2018) podem ser divididos em três categorias: • Indicadores que traduzem diretamente a saúde: razão de mortalidade proporcional, coeficiente geral de mortalidade, esperança de vida ao nascer, coeficiente de mortalidade infantil e coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis; • Indicadores que referem às condições do meio: índice de abastecimento de água, rede de esgoto, contaminações ambientais por poluentes; • Indicadores que medem os recursos materiais e humanos relacionados às atividades de saúde: índices relativos à rede de unidades de saúde de atenção básica, profissionais de saúde e leitos hospitalares. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1 FIGURA 2 Indicadores recursos materiais e humanos: profissionais da saúde FONTE Freepik Outro ponto que podemos observar é que ao longo do tempo ocorreram mudanças nos padrões de morte, morbidade e invalidez da população o que, geralmente, modifica junto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas as quais são conhecidas como transições epidemiológicas. Essas modificações no perfil da população como mudança no perfil das condições de saúde e suas complicações além da própria prevalência e incidência levam a mudanças nos serviços de saúde, muitas vezes despreparado para essa situação, e por consequência aumento dos gastos. Essas mudanças nos serviços de saúde estão relacionadas a incorporação de novas tecnologias, mudanças no modelo hospitalocêntrico ainda vigente, e a nova visão dos profissionais da saúde referente a promoção e prevenção. Segundo Schramm (2004, p. 898) transição epidemiológica são “as mudanças ocorridas no tempo nos padrões de morte, morbidade e invalidez que caracterizam uma população específica e que, em geral, ocorrem em conjunto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas”. Para que esse processo aconteça há três mudanças básicas: • Substituição das doenças transmissíveis por doenças não- transmissíveis e causas externas; • Deslocamento da carga de morbi-mortalidade dos grupos mais jovens aos grupos mais idosos; •Transformação de uma situação em que predomina a mortalidade para outra na qual Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1 a morbidade é dominante. Vale ressaltar que essa transição da saúde pode ser dividida em dois elementos principais, pois de um lado temos a transição das condições de saúde, que veremos melhor mais adiante, mas refere- se às mudanças da prevalência, incidência e perfil das doenças, e de outro lado temos a resposta social que se organiza de acordo com essas condições por meio dos sistemas de atenção à saúde. Essa modificação no perfil epidemiológico da população na qual as doenças crônicas e suas complicações são prevalentes resulta em mudanças no padrão de utilização dos serviços de saúde e no aumento de gastos com a necessidade da incorporação de tecnologias em saúde para o tratamento das mesmas. O que, como já vimos na unidade passada, é um grande desafio, além das dificuldades relacionadas as políticas de saúde que possam dar conta das várias transições em curso. (SCHRAMM, 2004) Conseguiu compreender sobre a transição epidemiológicas? Agora me diga, consegue relacioná-la à transição demográfica? Pois é existe uma correlação direta entre esses dois processos, mas primeiro vamos entender o que é e como acontece hoje a transição demográfica. Transição demográfica É possível perceber a modificação do perfil demográfico, as mudanças nos padrões de consumo e nos estilos de vida, a urbanização acelerada e as estratégias mercadológicas tem relação direta com essa mudança do perfil das condições de saúde, ou seja, a transição demográfica e epidemiológica acontece juntas e inter-relacionadas. Não só no Brasil, mas em todo o mundo, a taxa de nascimento está diminuindo e a expectativa de vida está aumentando. Com isso, se observa as mudanças no perfil das condições e, consequentemente, a necessidade de mudar a estrutura e a forma de atendimento na atenção à saúde, principalmente, a atenção primária, deixando de ter foco apenas curativo, e passa a focar na prevenção e no tratamento das condições crônicas. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1 No gráfico conhecido como pirâmide demográfica, pode-se observar que a taxa populacional de crianças é menor que a de adolescentes, e que a taxa da população de idosos acima de 80 está equivalente à de idosos entre 75 e 80 anos. É possível relacionar esse novo perfil demográfico com a diminuição da taxa de mortalidade relacionado a doenças infecciosas em pacientes mais jovens e jovens adultos, juntamente com a maior exposição aos fatores de risco associados às doenças crônicas e o aumento a população idosa e da expectativa de vida, observando maior prevalência das doenças crônicas de saúde. Além disso, temos uma baixa taxa de fecundidade e natalidade, ou seja, estão nascendo menos crianças. FIGURA 3 Perfil demográfico da população brasileira (2017) FONTE Adaptado pela autora Importante O envelhecimento rápido da população brasileira, que começou de forma acentuada na década de 60, fez com que a sociedade se depare com uma demanda de serviços médicos e sociais diferente, muito comum em países industrializados. O Estado, ainda buscando controlar as doenças transmissíveis e reduzir a mortalidade infantil, teve grande dificuldade em desenvolver e aplicar estratégias para a efetiva prevenção e tratamento das doenças crônico-degenerativas e suas complicações (SCHRAMM, 2004). Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1 O aumento da prevalência de doenças crônicas reduz as atividades de trabalho do portador, podendo até levar a falta de emprego, consequentemente, à sociedade em geral sofre com perda de produtividade e de qualidade de vida. A atenção primária focada no modelo curativo vem, historicamente, do perfil demográfico e epidemiológico que existia no Brasil durante a criação do SUS. Porém, esse perfil se modifica com o tempo, e por isso é necessária uma nova estruturação na atenção à saúde. Condições de saúde Tenho certeza que você utiliza o termo doença em seu dia-a-dia, mas ele é mais comum quando estamos analisando a etiopatogenia, principalmente em estudos epidemiológicos. Nesses estudos as doenças são divididas, em geral, em transmissíveis e doenças crônicas não transmissíveis. Mas, quando falamos da atenção à saúde essa classificação não é a mais completa, pois, algumas doenças transmissíveis têm característica de longo período podendo necessitar de tratamento pela atenção à saúde semelhante às doenças consideradas crônicas e não transmissíveis, ou seja, não se enquadram em nenhum dos dois, um exemplo é a tuberculose. Além disso, essa forma de classificação foca apenas nas doenças, mas existem condições fisiológicas que necessitam de cuidados profissionais, mas não são consideradas doenças, como a gravidez ou cuidados ao recém-nascido. Dessa forma, Mendes (2011) define condições de saúde como as circunstâncias na saúde das pessoas que se apresentam de forma mais ou menos persistente e que exigem respostas sociais reativas ou proativas, eventuais ou contínuas e fragmentadas ou integradas dos sistemas de atenção à saúde. As condições de saúde podem ser: condições agudas e condições crônicas, sendo baseada no tempo de duração dessa situação do paciente As condições de saúde agudas, em geral, são manifestações de doenças transmissíveis de curso curto, como gripe, como apendicite, ou ainda as condições de causas externas, Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1 como os traumas. De modo geral, essas condições de saúde têm como características: • Iniciarem repentinamente; • Apresentarem uma causa simples e facilmente diagnosticada; • Curta duração; • Respondem bem a tratamentos específicos, como os tratamentos medicamentosos ou as cirurgias. Nesses casos, o diagnóstico deve ser rápido e preciso, sendo necessário conhecimento e experiência do profissional. Após o tratamento, a pessoa reestabelece a saúde podendo voltar a sua rotina de vida. Quando falamos em condições de saúde crônicas é comum pensar em doenças como diabetes, câncer, porém, existem outras condições de saúde, como gestação, e manutenção do ciclo de vida (acompanhamento do recém-nascido, monitoramento da capacidade funcional do idoso), deficiência física (amputação, cegueira, etc.) que também são consideradas condições de saúde crônica, pois também exigem cuidado dos profissionais da saúde, principalmente da atenção primária. Além disso, é importante ter em mente que condições agudas não tratadas de forma correta podem se tornar condições crônicas. Geralmente, o início da condição de saúde crônica tende a ser mais lento, bem como sua evolução, além disso, pode-se encontrar múltiplas causas como, hereditariedade, estilo de vida, exposição a fatores ambientais e a fatores fisiológicos, ou seja, FIGURA 4 Cuidado da condição de saúde aguda, após a medicalização vem a cura FONTE Pixabay os determinantes sociais de saúde tem grande influência nesse perfil de doença. Por terem longa duração, podem reduzir a capacidade funcional do paciente, e consequentemente, afetar a qualidade de vida do paciente, além disso pode apresentar, em determinado período de sua história, eventos agudos, chamamos então de agudização da condição crônica. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1 O perfil das condições de saúde no Brasil vai desde a necessidade do tratamento e cura de condições infectocontagiosas, que aparecem em países em desenvolvimento, até o acompanhamento de doenças crônicas. Reflita Você consegue perceber que quando falamos de doença, o foco do profissional é o tratamento, tendo então, um modelo curativo de atenção? Agora, quando mudamos o foco para a condiçãode saúde do paciente, mudamos também a forma de atuação, passamos a observar a multicausalidade, por isso, é necessária a mudança no sistema de saúde. Você consegue perceber que existe a necessidade de passarmos de um modelo curativo biomédico para um modelo mais complexo como o descrito no conceito ampliado de saúde? Resumindo E então? Consegui aprender sobre epidemiologia, transição epidemiológica e transição demográfica? E sobre a relação entre elas? Compreender que o perfil do adoecimento vem se modificando e que são necessárias modificações nas políticas de saúde é de grande importância para melhorar a vida dos indivíduos o que exige a capacitação permanente dos profissionais de saúde, para que os mesmos se mantenham atualizados em relação à assistência à saúde, mas sobre isso conversaremos no próximo tópico. @faculdadelibano_ 2 Compreendendo sobre o trabalho em saúde Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Capítulo 2 Compreendendo sobre o trabalho em saúde Objetivos Já vimos em outra unidade como o trabalho é importante para o homem. Desde a antiguidade o ser humano está ligado à produtividade. Neste capítulo vamos conversar sobre o trabalho na área da saúde, dos profissionais de saúde, sua importância não apenas para as políticas públicas, mas também para o indivíduo e a necessidade da capacitação permanente. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Trabalho em saúde Segundo Pires (2008 p. 85) o trabalho em saúde: é um trabalho essencial para a vida humana e é parte do setor de serviços. É um trabalho da esfera da produção não material, que se completa no ato de sua realização. Não tem como resultado um produto material, independente do processo de produção e comercializável no mercado. O produto é indissociável do processo que o produz; é a própria realização da atividade. Esse autor também descreve sobre a atuação multidisciplinar, com diversos profissionais atuando em conjunto para realizar a assistência à saúde, atualmente muito comum na atenção básica com a Estratégia Saúde da Família, por exemplo. Mas para que essa interação entre os profissionais aconteça é necessário que os mesmos compreendam a importância dos conhecimentos dos outros profissionais, a reflexão crítica que os conhecimentos somados são mais efetivos e a transformação do seu processo de trabalho. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2 Quando pensamos no setor público a busca pela qualidade está comprometida diretamente com a melhora do paciente, já no setor privado, a qualidade acaba tendo como foco a satisfação do cliente. Independentemente, ambos precisam, e buscam por uma assistência que restabeleça a saúde do paciente. Mesmo na área da saúde é possível observar que o medo do desemprego leva os profissionais às jornadas extenuantes, além das doenças e lesões relacionadas aos esforços. Além disso, necessidade de se manter atualizado em sua formação, mas a baixa remuneração do contratante que, muitas vezes não permite que o profissional consiga pagar por sua especialização. Aqui temos um grande diferencial do setor público e do setor privado! Enquanto esses contratantes privados querem uma mão- de-obra qualificada, mas pagando o mínimo possível, como já vimos em outros momentos, no SUS existe a Política Nacional de Educação Permanente, que busca aperfeiçoar os profissionais em diversos aspectos para o atendimento à população. Ficou curioso para conhecer sobre essa política? Então vamos conhecê-la. Objetivos Vale ressalta que o processo de trabalho tem como finalidade os resultados positivos que satisfação as necessidades e expectativas dos indivíduos que estão recebendo esse cuidado. FIGURA 5 Na área da saúde o estudo nunca para FONTE Pixabay Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2 Educação dos profissionais de saúde As mudanças que acontecem no sistema de saúde e na população exigem dos profissionais que prestam esses serviços conhecimento e atualização constante. E, para garantir a educação continuada ou capacitação dos profissionais da saúde, além de condições de trabalho favorável, o governo insere o conceito de gestão do trabalho e educação em saúde. Importante Antes de começarmos a falar sobre educação dos profissionais e gestores, faço duas perguntas: você sabe a diferença entre Educação Continuada e Educação Permanente? E Educação em Serviço, você já ouviu falar? Pois bem, segundo Sardinha (2013) essas formas de educação “são processos que se caracterizam pela continuidade das ações educativas, ainda que se fundamentem em princípios metodológicos diferentes, e quando implementadas em conjunto possibilitam a transformação profissional através do desenvolvimento de habilidades e competências e assim fortalecem o processo de trabalho”. Mas vamos conversar melhor sobre cada uma delas mais adiante... Vale ressaltar que a educação dos profissionais de saúde é uma das estratégias mais usadas para enfrentar os problemas de desenvolvimento dos serviços de saúde. Grande parte do esforço para alcançar a aprendizagem ocorre por meio da capacitação, a partir de ações intencionais e planejadas com o objetivo de fortalecer conhecimentos, habilidades, atitudes e práticas. Mas para que a capacitação aconteça ela é influenciada por uma grande variedade de condições organizacionais, políticas, ideológicas e culturais, que antecipam e determinam o espaço dentro do qual a capacitação pode operar seus limites e possibilidades. O Ministério da Saúde (2009 p.40) descreve que a partir dos processos de capacitação espera-se com resultados: • Melhorar o desempenho do pessoal em todos os níveis de atenção e funções do respectivo processo de produção; Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2 • Contribuir para o desenvolvimento de novas competências, como a liderança, a gerência descentralizada, a auto-gestão, a gestão de qualidade etc.; • Servir de substrato para transformações culturais de acordo com as novas tendências, como a geração de práticas desejáveis de gestão, a atenção e as relações com a população etc. A Política Nacional de Educação permanente traz os conceitos e necessidades sobre Educação Continuada, Educação em Serviço e Educação Permanente, vamos conhecer... Educação Continuada A educação continuada tem como objetivo melhorar a qualidade no serviço prestado para os pacientes, já para os profissionais da área é utilizada como forma de aprendizagem. A educação continuada pode ser considerada um componente essencial dos programas de formação e desenvolvimento de recursos humanos das organizações. Pois, o capital humano é um dos elementos mais importante no funcionamento de qualquer empresa, seja ela grande ou pequena pública ou privada, os profissionais devem ser objeto de análise permanente para melhorar a eficiência do trabalho, a competência profissional e o nível de satisfação do pessoal. Por isso, a educação continuada deve ser considerada como parte de uma política global de qualificação dos profissionais de saúde, centrada nas necessidades de transformação da prática (SILVA, CONCEIÇÃO; LEITE, 2008). Segundo a “Política Nacional de Educação Permanente em Saúde”, a Educação Continuada, tradicional recurso no setor de Saúde, se caracteriza por: • Representar uma continuidade do modelo escolar ou acadêmico, centralizado na atualização de conhecimentos, geralmente com enfoque disciplinar, em ambiente didático e baseado em técnicas de transmissão, com fins de atualização; • Conceituar tecnicamente a prática enquanto campo de aplicação de conhecimentos especializados, como continuidade da lógica dos currículos universitários, que se situa no final ou após o processo de aquisição de conhecimentos. Por este Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendosobre o trabalho em saúde Capítulo 2 fato se produz uma distância entre a prática e o saber (compreendido como o saber acadêmico) e uma desconexão do saber como solução dos problemas da prática; • Ser uma estratégia descontínua de capacitação com rupturas no tempo: são cursos periódicos sem sequência constante; • Ter sido, em seu desenvolvimento concreto, dirigida predominantemente ao pessoal médico e alcançado, com menos ênfase, o grupo de enfermagem. Centrada em cada categoria profissional, praticamente desconsiderou a perspectiva das equipes e diversos grupos de trabalhadores. (MS, POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO PERMANENTE EM SAÚDE, 2009) A educação continuada pode ser configurada como um campo de captação e propagação de conhecimentos, práticas e reflexões sobre o processo de trabalho dos profissionais da saúde. Dessa forma, é possível observar o importante papel dessa modalidade de educação na mobilização dos potenciais dos profissionais, pois, reforçando o desenvolvimento desses profissionais, é possível desenvolver uma melhor compreensão da experiência, da identidade e de seus saberes. (SILVA, CONCEIÇÃO; LEITE, 2008) A educação continuada pode ser configurada como um campo de captação e propagação de conhecimentos, práticas e reflexões sobre o processo de trabalho dos profissionais da saúde. Dessa forma, é possível observar o importante papel dessa modalidade de educação na mobilização dos potenciais dos profissionais, pois, reforçando o desenvolvimento desses profissionais, é possível desenvolver uma melhor compreensão da experiência, da identidade e de seus saberes. (SILVA, CONCEIÇÃO; LEITE, 2008) Vale ressaltar que alguns autores descrevem a metodologia da Educação Continuada baseada no modelo tradicional de educação, por isso, muitos autores, sugerem a Educação Permanente, que tem seu modelo de ensino baseado no modelo com foco no aluno. Você sabe o que é o modelo tradicional de educação? Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2 Segundo Machado e Wanderley (2012), esse processo tradicional é centrado em “alguém que sabe e ensina alguém que não sabe” a partir da lógica da transmissão de conhecimentos. Esse indivíduo que teoricamente sabe mais assume a função de aconselhar, corrigir e vigiar quem deve aprender o conteúdo. Esse processo peca ao considerar-se como autoridade máxima se colocando como único responsável pelo processo de aprendizagem. Muitas vezes esse profissional foca na repetição, não se preocupando com a realidade social, as crenças e os valores dos indivíduos que devem aprender, os quais se colocam em segundo plano esperando o conhecimento. Além da transmissão de conhecimento, outra metodologia comum de ser utilizada é o condicionamento. Muito utilizada na educação infantil, é baseado em estímulos e FIGURA 6 Modelo antigo de educação FONTE Pixabay recompensas capaz de “condicionar” o aprendiz a emitir as respostas desejadas, tendo como aspecto mais importante os resultados comportamentais. Educação em Serviço Pode ser considerado um tipo de Educação Continuada, pois está relacionada com as atividades e atribuições do profissional. Esse tipo de educação profissional acontece no ambiente de trabalho com objetivo de reconstruir os métodos de trabalho a fim de promover a melhora do serviço realizado assim os profissionais da área da saúde percebam as falhas e trabalhem em busca de melhorar o atendimento aos clientes garantindo também direitos e qualidade aos usuários. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2 Educação Permanente No Brasil, a formação dos profissionais de saúde passou a ter maior ênfase no texto da Constituição Federal (Artigo 200), no qual fica estabelecido que “ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei, ordenar a formação de recursos humanos na área da saúde”. A partir desse momento a formação profissional passou a ser reconhecida como fator essencial para o processo de consolidação da Reforma Sanitária Brasileira. A educação permanente atualmente está centrada no processo de trabalho, mas ela tem como propósito melhorar a qualidade de vida do ser humano em todas as dimensões pessoais e sociais, auxiliando na formação integral do indivíduo e na transformação do meio para uma futura sociedade. Essa educação atua de forma transformadora dos profissionais nos serviços de saúde através de um processo coletivo entre eles, utilizando metodologia de atuação multidisciplinar (FARAH, 2006). Através de incentivo à educação permanente dos profissionais, essa política vem para garantir a qualidade dos serviços prestados à comunidade, pois, com profissionais capacitados os serviços dentem a ser melhores. O enfoque da Educação Permanente, conforme a “Política Nacional de Educação Permanente em Saúde” representa uma importante mudança na concepção e nas práticas de capacitação dos trabalhadores dos serviços. Supõe inverter a lógica do processo: • Incorporando o ensino e o aprendizado à vida cotidiana das organizações e às práticas sociais e laborais, no contexto real em que ocorrem; • Modificando substancialmente as estratégias educativas, a partir da prática como fonte de conhecimento e de problemas, problematizando o próprio fazer; • Colocando as pessoas como atores reflexivos da prática e construtores do conhecimento e de alternativas de ação, ao invés de receptores; • Abordando a equipe e o grupo como estrutura de interação, evitando a fragmentação disciplinar; • Ampliando os espaços educativos fora da aula e dentro das organizações, na comunidade, em clubes e associações, em ações comunitárias. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2 Apesar de ainda estar em construção a Educação Permanente busca utilizar o modelo pedagógico que tem o aprendiz como foco o qual tem uma abordagem Humanista e foca em aspectos de personalidade do sujeito que aprende. É baseado no “ensino centrado no aluno” cujo conhecimento existe no âmbito da percepção individual e a aprendizagem é construída por meio da ressignificação das experiências pessoais de forma que a educação assume um caráter mais amplo organizando-se no sentido da formação total do indivíduo. O professor atua como facilitador da aprendizagem e das relações interpessoais, observando além da capacidade de adquirir conhecimento, observa também as características de personalidade de seus alunos, criando um clima favorável à aprendizagem através de uma abordagem cognitivista. Essa abordagem investiga os caminhos percorridos pela inteligência (cognição) nessa construção do conhecimento. (MACHADO; WANDERLEY, 2012) As mudanças que aconteceram no sistema de saúde e na população exigiram dos profissionais que prestavam esses serviços conhecimento e atualização constante. E, para garantir a educação continuada ou capacitação dos profissionais da saúde, além de condições de trabalho favorável, o governo insere o conceito de gestão do trabalho e educação em saúde. Por isso, em 2003 que o Ministério da Saúde, criou a Secretaria de Gestão de Trabalho e da Educação em Saúde (SGTES), que se tornou responsável por formular políticas FIGURA 7 Modelo de educação professor como um facilitador FONTE Freepik Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2 orientadoras da gestão, formação, qualificação e regulação dos trabalhadores da saúde no Brasil. E em 2004, foi implantada a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde (PNEPS) pela Portaria nº 198, na qual o Ministério da Saúde assume a responsabilidade constitucional de ordenar a formação seus recursos humanos. Saiba Mais A Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, desenvolveu o material descrevendo as Políticas e ações relacionadas à educação continuada. Iniciadescrevendo suas atividades e descreve de forma sucinta os programas de qualificação e gestão do trabalho e educação em saúde. Nessa unidade vimos alguns deles, mas vale a leitura na integra para conhecer os demais programas existentes. Resumindo Neste tópico vimos sobre o trabalho em saúde, a necessidade da atuação multidisciplinar e sobre a capacitação dos profissionais da saúde. Compreendendo a necessidade de atualização desses profissionais é criada a Política Nacional de Educação Permanente que descreve sobre Educação continuada, em serviço e permanente, todas de grande importância para as atividades do dia a dia dos profissionais da saúde. E então? Aproveitou esse conteúdo e o conhecimento que lhe foi mostrado? @faculdadelibano_ 3 Compreendendo sobre a dicotomia público privada Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Capítulo 3 Compreendendo sobre a dicotomia público privada Objetivos Neste capítulo vamos compreender sobre o conceito de direito público e privado para poder entender sobre a dicotomia público privado na assistência à saúde. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Direito público e privado O direito, em seu sentido amplo corresponde à exigência de uma convivência ordenada, pois todas as civilizações persistiram e ainda persistem apenas se houver um mínimo de organização, direção e, principalmente, solidariedade (MAGALHÃES, 2017). Dessa forma, você deve entender que o direito não pode ser visto apenas como uma regra ou comando, pois, essa convivência ordenada, exige valores, consensos, diálogo, cooperação, graus de violência suportáveis socialmente, solidariedade social (MAGALHÃES, 2017). Importante Em alguns momentos utilizamos o termo “direito” para falar sobre uma norma, em outros momentos utilizamos essa palavra como o direito individual, ou ainda para dar noção de justiça à determinada situação: isso é um “direito” seu! Sem contar que essa palavra também significa a ciência que estuda dos fenômenos jurídicos nas sociedades. Consegue perceber que essa mesma palavra tem diversos significados, então, fique atento durante a leitura para compreender o significado naquele momento! Vamos continuar... Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3 Quando falamos de direito, Magalhães (2017, p.16) traz as três principais funções do direito: Instrumental: própria da noção de direito como estrutura normativa de regulação da vida social, que expressa o dever e ser, como proibir, permitir, incentivar, promover, penalizar, e os parâmetros de decidibilidade dos conflitos sociais; Política: manutenção da coesão social (estabilidade e segurança) e a possibilidade de controle social; Simbólica: função de legitimação de comportamentos, valores e visões de mundo. A norma jurídica nomeia expectativas de justiça e normalidade, oferece um padrão de comportamento da sociedade. FIGURA 8 Três principais funções do direito FONTE Adaptado pela autora Em todas essas funções o direito se manifesta nas relações de poder, e no campo jurídico ele é constituído pela disputa dobre “o direito de dizer o direito”. No mundo moderno essa autoridade é o Estado que representa o poder público e a produção de normas que são socialmente válidas e vigentes. Quando falamos do direito público e privado, a esfera pública é o lugar de excelência do Estado e nas relações de interesse público entre os diversos atores. Mas, por outro lado, a moralidade liberal-individual, com a ascensão da classe burguesa capitalista, a esfera privada ganha grande relevância na modernidade. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3 A esfera privada se torna o espaço do indivíduo, do exercício de sua autonomia de vontade na qual o Estado não deve intervir, dessa forma, quando há o Estado Liberal a separação entre as esferas públicas e privadas é profunda e considerada necessária. Perceba que o direito privado se refere aos direitos individuais e inatos do indivíduo, enquanto o direito público tem a função de garantir os interesses gerais da sociedade através do Estado (BACELLAR FILHO, 2011). Bacellar Filho (2011, p.2) descreve, no contexto do Estado Liberal que: o Direito Público passa a ser compreendido como repertório mínimo de disposições e instrumentos referentes ao governo representativo” enquanto o Direito Privado radicaliza a emancipação do indivíduo, cujo elemento central é o contrato. Mas é importante ter em mente que mesmo no direito privado há legislações que protegem os indivíduos. Como assim professora? Pensando que o direito privado busca garantir os direitos individuais, pense em você como emprega e a empresa em que trabalha. No momento do contrato de trabalho ambos definem valor do salário e carga horária certo? Ok, se cada um fosse pensar individualmente, você gostaria de ganhar o máximo possível trabalhando o mínimo necessário, não é? Agora a empresa prefere pagar o mínimo possível com a maior carga horária. Percebe que, nessa relação, se o Estado não interviesse, voltaria a acontecer as situações que conversamos nas primeiras unidades dessa disciplina? Os trabalhadores trabalhariam em horários absurdos ganhando extremamente pouco. Por isso, o Estado cria legislações que norteiam o direito público. Voltando ao nosso exemplo, o salário pode ser um acordo entre empregado e empregados desde que seja maior que um salário mínimo ou, no caso de uma categoria profissional específica, o piso salarial. Em relação ao horário de trabalho, também pode haver um acordo, desde que não passe de 44 horas semanais, com pelo menos um dia de folga, e intervalo entre jornadas. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3 Esse é um grande paradigma que temos até hoje! Independentemente Já no direito público, o Estado está acima do individual, mas não quer dizer o Estado como soberano. Espera! O Estado busca o direito do coletivo, lembra? Então, no direito público é o direito de todos prevalecer ao direito do indivíduo. Um exemplo um pouco exagerado, mas que vai ficar claro para compreender: imagine um indivíduo que usa de sua “autonomia” e quer, por exemplo, roubar ou matar, perceba que seu “direito privado” influencia negativamente no direito coletivo, por isso, a legislação busca garantir a segurança do coletivo perante a “liberdade” individual. Ficou mais claro essa relação entre direito público e direito privado? Mas de que forma esse direito público e privado influenciam na saúde? Pois bem, vamos continuar nossa conversa com a dicotomia público privada na saúde. Dicotomia público privado na saúde A saúde pública a muito tempo passou a ser objeto de políticas públicas e de intervenções das diversas esferas do Estado. Como já vimos, no Brasil, foi em 1988 que a saúde foi incorporada como direito de todos e dever do Estado na Constituição Nacional. Porém a problemática da saúde ainda resiste como uma questão privada, apesar dos setor público e privado como setores supostamente complementares, atualmente FIGURA 9 Acordo entre empregado e empregador, bom para ambas as partes FONTE Adaptado pela autora Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3 vemos um posicionamento diferente. Vamos a uma situação hipotética: um indivíduo vai ao consultório médico, em uma consulta rápida o médico o diagnostica com hipertensão, prescreve os medicamentos, mudanças no estilo de vida, hábitos alimentares, entre outros, de forma muito rápida e resumida. Esse paciente sai do consultório com o medo e a ansiedade de, agora, ser uma pessoa doente, com muitas dúvidas de como conciliar os conselhos do médico com sua intensa jornada de trabalho. Pergunto para você, caro aluno, essa consulta foi realizada no setor público ou no setor privado? Talvezvocê esteja pensando que, óbvio, aconteceu no setor público pois a demanda de atendimento faz com que os médicos tenham que atuar de forma rápida e objetiva, pois deve atender ao próximo paciente. Talvez você reflita também que, no mundo corporativo, cada minuto “perdido” com um paciente significa menos lucro para a moderna clínica particular que está realizando o atendimento. FIGURA 10 Medos e ansiedade do paciente FONTE Freepik Esse é um grande paradigma que temos até hoje! Independentemente do setor a necessidade de atendimentos ágeis e, algumas vezes, superficiais são inevitáveis, por motivos diferentes, mas faz parte da situação do nosso sistema de saúde. Sim, lembre-se que, mesmo quando falamos do setor privado, ele faz parte do nosso Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3 sistema de saúde primeiro que, na teoria, ele deve atuar como suplementar ao SUS, segundo que, na prática, muitas pessoas pagam seus planos de saúde para agilizarem seus atendimentos buscando uma “melhor qualidade”. Mas, como vimos no relato hipotético, há, realmente, uma melhor qualidade? A partir dessa pergunta devemos refletir sobre a assistência à saúde pública e privada... Público e privado na assistência à saúde Lembra-se que, antes da criação do SUS toda a assistência à saúde era privada e “comprada” pelo Governo para suprir os cuidados dos indivíduos que tinham emprego e pagavam pela assistência. Mas no início dos anos 90 com a mudança estrutural da economia e reforma do Estado buscando racionalização dos gastos, a partir da a instituição do SUS e readaptação das esferas de governo a essa nova realidade. Nesse sentido a assistência pública e privada ganham novas modalidades, novo meio de se relacionar entre si e com os indivíduos. Nesse momento há uma análise importante a se destacar no setor privado: de um lado as baixas remunerações pagas pelo SUS, de outro, uma possibilidade mais lucrativa de investimentos no segmento da chamada medicina de grupo e de seguros-saúde. Qual rumo tomar? FIGURA 11 Estabelecimentos de saúde privados e a dúvida de qual caminho seguir FONTE Freepik Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3 Nesse momento histórico se observa um grande descredenciamento de instituições de saúde do SUS de empresas do setor privado com capacidade de se modernizar, e manutenção do vínculo de estabelecimentos de saúde menos capitalizadas e mais atrasadas do ponto de vista tecnológico. Nesse novo momento os municípios passam a ter autonomia e a busca por maior transparência ao processo de credenciamento de empresas médicas, bem como um monitoramento dos serviços que eram contratados, ameaçando, em alguns casos, as relações duvidosas entre o público e o privado (BODSTEIN; SOUZA, 2003). Aqui há um ponto muito interessante dessa história, você quer ouvir? Muitas empresas do setor privado perderam grandes oportunidades com o credenciamento e sabe qual atitude tomaram? Uma atitude muito madura... não mediram esforços para desqualificar a capacidade da esfera pública na implementação do SUS, em virtude da proclamada ineficiência gerencial do Estado, apostando na dificuldade de colocar em prática esse novo formato de gestão em vigor. E o que essa postura teve como resultado? Muitas pessoas começaram a buscar os planos de saúde para “garantir” um atendimento que o governo não seria capaz de assumir. Reflita Lembra-se do caráter suplementar do setor privado, certo? Como um governo municipal credenciaria um prestador de serviço privado sem explicar exatamente a necessidade? Esse governo deveria assumir que não tem como prestar esse serviço, mas por quê? De financiamento para obras? Falta de planejamento? Falta de aptidão de gestão? Perceba que terceirizar muitos serviços levaria os conselheiros da saúde (lembre-se que 50% deles eram usuários) a compreender que esse governo municipal não sabe gerenciar os recursos, como colocá-lo no poder novamente? Dessa forma, entre manter amizades políticas e ter potencial para uma próxima candidatura, qual escolher? Cada [governo municipal teve suas escolhas e suas consequências... Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3 Não digo que o SUS não tem problemas, mas acredito que temos que ter em mente que ele tem 30 anos! Alguns municípios conseguiram receber recursos Federais apenas no ano 2000, pois não tinha se adaptado as novas normas. Há sim muito que melhorar, mas essa mudança está acontecendo, mas, enquanto as tragédias forem notícias mais impactantes do que os avanços, enquanto as melhorias não começarem a aparecer nos jornais e na televisão, ainda teremos muitas pessoas reclamando do SUS enquanto são beneficiadas por ele sem realmente valorizá-lo. E eu finalizo esse capítulo lembrando da primeira unidade desta disciplina, quando vimos os sistemas de saúde do mundo, mas especificamente do governo cubado, o qual dá total cobertura de assistência à saúde da população e apresenta os custos com os serviços de saúde aos usuários através de cartazes com o título: “Teu serviço de saúde é gratuito... mas custa”... Minha pergunta é... Esta atitude está errada? Será que a partir do momento que a população compreende quando custa o cuidado com a sua saúde ela saberá valorizar o atendimento dos sistemas de saúde para todos? Reflita E eu pergunto para você aluno, qual sua visão do SUS hoje? O que você vê na mídia sobre os atendimentos pelo SUS? As ações voltadas à saúde da família que vem tendo grandes resultados desde sua implementação como um programa municipal do nordeste, e agora de forma nacional ao se tornar uma estratégia? Ou as grandes filas nos hospitais com falta de leitos e atendimento? FIGURA 12 Grandes dúvidas que permanecem FONTE Freepik Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3 Resumindo Neste capitulo conversamos sobre os conceitos de direito público e privado para poder compreender um pouco mais sobre a dicotomia público privado na saúde e as dificuldades que as mudanças na assistência à saúde passaram, e ainda passam, nessa transição do modelo de cuidado do INAMPS para o SUS. E então? Conseguiu compreender mais sobre esse tema? Começou a refletir sobre a sua opinião em relação ao SUS? Ainda não? Bom, então vamos conversar um pouco sobre os avanços de desafios desse sistema para que você consiga refletir mais... @faculdadelibano_ 4 Conhecendo os avanços e desafios do SUS Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Capítulo 4 Conhecendo os avanços e desafios do SUS Objetivos Neste capítulo vamos falar sobre os avanço e desafios do SUS nesses 30 anos de história. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Avanços do SUS Ao longo desses 30 anos de existência, aconteceram muitos avanços relacionados às políticas de saúde, alguma reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde como exemplos de experiências positivas para outros países. Foram elaboradas diversas Políticas Nacionais, dentre elas a de Atenção Básica e o Programa Saúde da Família, vamos conhecer algumas delas. Políticas Públicas de Saúde As Políticas Públicas são diretrizes cuja finalidade é nortear as ações em determinada área da vida social formuladas a partir de discussões entre vários atores da sociedade como governos, legisladores, representantes de associações civis e de setores produtivos como comercio, indústria transporte, entre outros, resultando em um consenso e várias das proposições geradas dessas discussões podem se tornar leis. Dentre as políticas públicas existentes podemos citar: • Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNAHOSP); • Política Nacional de Atenção às Urgências (PNAU); • Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM); • Saúde da criançae do adolescente; Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4 • Política Nacional de Atenção à Saúde Integral do Homem (PNASIH); • Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI); • Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS); • Política Nacional de Humanização (PNH); • Política Nacional da Atenção Básica (PNAB). Vamos conhecer algumas políticas públicas vigentes no país e como elas influenciam o trabalho dos gestores dos serviços de saúde. A Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) foi aprovada pela Portaria nº 687, de 30 de março de 2006, tem entre seus focos de atuação o enfrentamento dos fatores de risco por meio de ações intersetoriais e educação para a saúde. (SOLHA, 2014) Dentre os focos e estratégias da PNPS podemos citar: • Alimentação saudável: consiste em garantir acesso ao alimento através de ações que reduzam a pobreza extrema, combate à fome e promovam a inclusão social, bem como estimular a agricultura familiar e implementar ações de vigilância nutricional além de levar informações sobre alimentação saudável à população; • Prática corporal/atividade física: estimular a sociedade a realizar atividade física além de aumentar a oferta dessas práticas na AB; • Prevenção e controle do tabagismo: reforçar políticas de controle do tabaco com a criação de contexto social desfavorável para o uso do fumo como restrição de vendas e de propagandas, além de aumentar o acesso do fumante a métodos eficazes para a cessação do tabagismo; • Redução da morbimortalidade por uso abusivo de álcool e outras drogas: divulgação de informações sobre o impacto do uso de álcool/drogas, apoio à restrição de propagandas de bebidas alcoólicas, bem como promover educação para hábitos saudáveis voltada a crianças e adolescentes; • Redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito: desenvolvimento de leis em relação à proibição de álcool por motoristas, ações intersetoriais de educação no trânsito; • Promoção da cultura de paz e não violência: capacitação de profissionais e gestores em relação ao acolhimento e condução de casos de violência doméstica e sexual, incentivo aos municípios para elaboração e implantação de programas de enfrentamento da violência, articulação entre setores para redução doo turismo e exploração sexual; Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4 Perceba que essas ações são voltadas para os determinantes de saúde, atuando de forma ampla para melhorar a qualidade de vida da população obtendo resultados gerais com mudanças em todas as camadas da sociedade atuando da coletividade aos indivíduos, a partir da educação e do estimulo das pessoas a terem hábitos saudáveis e incentivando-as a participarem de forma ativa em discussões, eventos, associações, locais onde possam ser formuladas propostas de melhorias (SOLHA, 2014) Outra política importante foi a Política Nacional de Humanização (PNH) a qual existe desde 2003 com a finalidade de “efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas de atenção e gestão, qualificando a saúde pública no Brasil e incentivando trocas solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários” como descrito no próprio site do Ministério da Saúde. FIGURA 15 Mudança no estilo de vida FONTE Freepik Você Sabia? Você sabe o que é um cuidado humanizado? Esse cuidado é pautado no respeito ao outro de forma afetiva e compromissada. Para se ter um SUS humanizado é necessário reconhecer o outro como legítimo cidadão com direitos e valorizar os diferentes indivíduos inseridos nesse processo de produção de saúde. (SOLHA, 2014; MS, 2019) Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4 Compreenda que, para enfrentar os problemas existentes no SUS, devemos ter profissionais preparados para pensar e observar a situação de forma integral, considerando o indivíduo como um todo e eu precisa de cuidados de diversas formas como razão, emoção, biológico e social, equilibrando as ações entre problemas sociais, psicológicos e biológicos. Para que isso aconteça de forma fluida é necessária a criação de um vínculo entre profissional e paciente. A humanização do cuidado deve ser um tema presente na gestão dos serviços e situações de cuidado à população, para isso, foram traçadas diretrizes importantes como: • Clínica ampliada: estratégia de cuidado eu valoriza a participação multiprofissional, na qual todos os profissionais nem suas diversas áreas atuam em uma assistência única baseados em seus conhecimentos; • Cogestão: maior participação de trabalhadores e usuários nos • processos de gestão dos serviços de forma que as decisões se tornam compartilhadas não apenas impostas pelos gestores e gerentes; • Acolhimento: pratica de escuta ativa preconizada pela PNAB; • Valorização do trabalho e do trabalhador; • Incentivo a construção coletiva da saúde formando redes de apoio informais para a comunidade e fortalecimento das redes formais já existentes; • Defesa dos Direitos do Usuário; • Construção da memória de um “SUS que dá certo”. FIGURA 16 Atendimento humanizado – cuidado com atenção, carinho e respeito ao paciente FONTE Freepik Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4 A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) tem como legislação a Portaria nº 2.488 de 2011 e a Portaria nº 2.436 de 2017, ambas estabelecem a revisão de diretrizes e normas para organização da Atenção Básica, sendo a primeira voltada para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e a segunda trata sobre essa organização no âmbito do SUS como um todo. A primeira edição da PNAB, em 2006, foi criada no contexto do Pacto pela Saúde e ampliou o escopo da Atenção Básica quando incorporou atributos mais abrangentes à Atenção Básica, porém essa Portaria foi revogada pela Portaria de 2011 a qual modifica a organização do SUS colocando a Atenção Básica como nível central dentro do sistema com responsabilidades como coordenar a integralidade da assistência através de ações de promoção, prevenção e de cura em relação às doenças e seus agravos, ou seja, em relação as condições de saúde. A primeira edição da PNAB, em 2006, foi criada no contexto do Pacto pela Saúde e ampliou o escopo da Atenção Básica quando incorporou atributos mais abrangentes à Atenção Básica, porém essa Portaria foi revogada pela Portaria de 2011 a qual modifica a organização do SUS colocando a Atenção Básica como nível central dentro do sistema com responsabilidades como coordenar a integralidade da assistência através de ações de promoção, prevenção e de cura em relação às doenças e seus agravos, ou seja, em relação as condições de saúde. Ainda haviam alguns pontos críticos como o subfinanciamento, a estrutura precária, o modelo assistencial e a dificuldade de conseguir profissionais médicos. Por isso, em 2011, Importante A primeira edição da PNAB, em 2006, foi criada no contexto do Pacto pela Saúde e ampliou o escopo da Atenção Básica quando incorporou atributos mais abrangentes à Atenção Básica, porém essa Portaria foi revogada pela Portaria de 2011 a qual modifica a organização do SUS colocando a Atenção Básica como nível central dentro do sistema com responsabilidades como coordenar a integralidade da assistência através de ações de promoção, prevenção e de cura em relação às doenças e seus agravos, ou seja, em relação as condições de saúde. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4 um movimento de mudança na PNAB como: • Requalifica UBS: construções, reformas, ampliações einformatização das UBS; • Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ); • Programa Mais Médicos (PMM); • e-SUS AB: disponibilidade de prontuários eletrônicos gratuitos para os municípios; • Criação de diferentes modalidadesde equipes: consultórios na rua, ribeirinhas e fluviais. Para que a Atenção Básica pudesse ter suas atividades desenvolvidas foram criados programas e estratégias, dentre eles o Programa Saúde da Família e Estratégia Saúde da Família, nas próximas páginas você conhecerá alguns deles! Programa Saúde da Família e Estratégia Saúde da Família O Programa Saúde da Família surgiu como uma estratégia de reorientação do modelo assistencial em conformidade com os princípios do SUS, em um momento que o modelo hospitalocêntrico não consegue mais atender as mudanças do mundo moderno e as necessidades de saúde das pessoas a partir da execução das ações de saúde relativas a promoção da saúde a prevenção de doenças e a reabilitação dos indivíduos e da comunidade. Além disso, esse programa visa a humanização do SUS com a valorização dos aspectos que influenciam a saúde das pessoas fora do ambiente hospitalar. (BASSANI, MORA; RIBEIRO, 2009) O Programa Saúde da Família foi implantado, efetivamente em 1994 como Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), inicialmente na cidade de Sobral (CE) como uma experiência inovadora baseada em resultados obtidos no Canadá e em Cuba em conjunto com os conhecimentos de pesquisadores e técnicos brasileiros que acrescentaram outros profissionais nesse modelo internacional como o enfermeiro ampliando a capacidade dessa equipe de resolução de problemas. A equipe do PACS era composta por um enfermeiro e Agentes Comunitários de Saúde (ACS) cuja quantidade variava de acordo com a população com o máximo de doze profissionais devidamente capacitados para as atividades de prevenção e promoção da saúde. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4 O crescimento das equipes de Saúde da Família (eSF) nos dados trazidos por Melo (2018), o qual destaca que em 2013 havia 34.724 eSF no Brasil e em 2015 esse valor chega a 40.162. Ainda assim alguns pontos críticos ainda prevaleciam como o subfinanciamento, precarização da formação profissional, dificuldade da integração da Atenção Básica com os demais componentes das redes de atenção, entre outros. Como PSF era possível que fosse interrompido a qualquer momento, em 2012, se torna estratégia o que garantiu a continuidade desse trabalho. Por isso foi criada a Estratégia de Saúde da Família (ESF) que vamos conhecer melhor agora! A equipe da Estratégia Saúde da Família é composta por enfermeiro, médico, auxiliar ou técnico de enfermagem e agente comunitário de saúde atuando em conformidade com as diretrizes do SUS e da PNAB. Vale ressaltar que o acolhimento do usuário é uma das principais atribuições de qualquer profissional pertencente, não apenas a equipe de saúde da família, mas também da própria UBS. Deve-se garantir a escuta de qualidade e o encaminhamento desse paciente para que sua situação seja resolvida, isso facilita a criação do vínculo sendo possível manter esse usuário dentro da rede de atenção à saúde para que seu cuidado aconteça, bem como, estimulá-lo a desenvolver a autonomia do cuidado a partir de ações educativas que interfiram no processo saúde-doença. Desafios do SUS Quando lembramos o conceito de saúde atual, seus fatores determinantes e condicionantes e observamos na prática como acontece o cuidado no SUS, percebemos que esse ainda é um grande desafio: a melhoria dos serviços de saúde, é claro que FIGURA 17 Sertão nordestino Brasil FONTE Pixabay Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4 observamos grandes avanços como o novo modelo de Atenção Básica que já conversamos, mas ainda há muito que melhorar.Vale ressaltar que o financiamento continua sendo uma “pedra no sapato” quando falamos em avanços e, principalmente em desafios do SUS. Durante esses 30 anos muitas mudanças aconteceram, políticas neoliberais que incentivavam o setor privado enquanto as restrições orçamentarias cada vez mais reduziam os valores repassados aos serviços públicos. Dessa forma, podemos dizer que ainda é um grande desafio do nosso sistema sobreviver dentro dessa “politicagem” com qualidade nos atendimentos, mínimos recursos para se manter, e a má gestão desses recursos já escassos. Como descrito por Figueiredo (2009, p. 8) “os problemas estão na raiz desde quando se pensou o sistema de saúde brasileiro, de lá pra cá não se discute a saúde com direito de fato”. Por isso, pode-se dizer que atualmente grande parte dessas dificuldades está relacionada com a má gestão dos recursos, principalmente, em relação a desvios ou pouca habilidade de manejo dessas verbas públicas que são repassadas a Atenção Básica, e a rede de atendimento especializado. Por esses dois motivos as dificuldades na incorporação de novas tecnologias, como já conversamos na unidade passada, também se torna um desafio atual para o nosso sistema de saúde. Resumindo Neste capítulo vimos os avanços importantes voltados à assistência em saúde, como algumas Políticas Nacionais, o Programa Saúde da Família e a Estratégia Saúde da Família. Esses avanços nos mostram que houve grande mudança no perfil do cuidado, deixando o atendimento hospilatocêntrico e passando a cuidar do indivíduo em seu local. Mas ainda há muito que melhorar nesse perfil de atendimento, por isso, também se enquadra como um desafio, em conjunto com o subfinanciamento e a má gestão dos mesmos. E então? O que achou sobre os avanços do SUS nesses 30 anos? E esses desafios? Será que conseguiremos superá-los? Bom, só o tempo e movimentação da população que poderá resolver essas dificuldades... Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Referências BASSANI, G., MORA, J., & RIBEIRO, J. (2009). O Programa Saúde da Família como estratégia de Atenção Primária para o Sistema Único de Saúde. Lins: Unisalesiano. Acesso em 10 de 12 de 2019, disponível em http://www.unisale- siano.edu.br/encontro2009/trabalho/ aceitos/CC25565101883.pdf BODSTEIN, R., & SOUZA, R. (2003). Parte VI - Relação público e privado no setor saúde. Em P. GADELHA, O Clássico e o Novo: tendências, objetos e aborda- gens em ciências sociais e saúde. Rio de Janeiro: FIOCRUZ. FARAH, B. (jul-dez de 2006). Educação em serviço, educação continuada ed- ucação permanente em sáude: sinônimo ou diferentes concepções? Revista APS, pp. 123-125. Acesso em 27 de 01 de 2020, disponível em http://www.ufjf. br/nates/files/2009/12/Tribuna. pdf FIGUEIREDO, N. (2009). SUS e PSF para Enfermagem. São Caetano do Sul: YENDIS. FILHO, R. (2011). A administração Pública entre o Direito Público e o Direito Privado. Revista da Procuradoria-Geral do Município de Belo Horizonte, 4(8). Acesso em 20 de 02 de 2020, disponível em https://www.editoraforum. com.br/wp- content/uploads/2017/05/administracao-publica-direito-publi- co-privado.pdf LIMA, L., CARVALHO, M., & COELI, C. (2018). Sistema Único de Saúde: 30 anos de avanços e desafios. Cadernos de Saúde Pública, 34(7). Acesso em 24 de 02 de 2020, disponível em https://www.scielosp.org/pdf/csp/2018.v34n7/ e00117118/pt MACHADO, A., & WANDERLEY, L. (2012). Educação em Saúde. Brasília: UNA- SUS. Acesso em 20 de 01 de 2020, disponível em https://www.unasus.unifesp. br/biblioteca_virtual/esf/2/ unidades_conteudos/unidade09/unidade09.pdf MAGALHÃES, C. (2017). Instituições de direito público e privado. Salvador: UFBA, Faculdade de Ciências Contábeis. Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Referências MELO, E., & al, e. (Set de 2018). Mudanças na Política Nacional de Atenção Básica: entre retrocessos e desafios. Saúde Debate, 42(Número especial), pp. 38-51. Acesso em 10 de 12 de 2019, disponível em http://www.scielo.br/pdf/ sdeb/v42nspe1/0103-1104-sdeb-42- spe01-0038.pdf MENDES, E. (2011). As redes de atenção à saúde. Brasília, DF, Brasil: Or- ganização Pan- Americana da Saúde. Acesso em 11 de 12 de 2019, di- sponível em http://www.saude. sp.gov.br/resources/ses/perfil/gestor/ documentos-de-planejamento-em-saude/ elaboracao-do-plano-estadu-al-de-saude-2010-2015/textos-de-apoios/redes_de_ atencao_mendes_2.pdf MOREIRA, T., ARCARI, J., & COUTINHO, A. a. (2018). Saúde coletiva. Porto Alegre: Sagah.Fonte:MS.(2009). Política Nacional de Educação Permanente e m S a ú d e . A c e s s o e m 2 7 d e 0 1 d e 2 0 2 0 , d i s p o n í v e l e m h t t p : / / p o r t a l . a n v i s a . g o v . b r / d o c u m e n t s / 3 3 8 5 6 / 3 9 6 7 7 0 / P o l % C 3 % A D t i c a + N a c i o n a l + d e + E d u - ca%C3%A7%C3%A3o+Permanente+em+Sa%C3%BAde/c92db117-e170-45e7- 9984-8a7cdb111faa MS. (10 de 12 de 2019). Ministério da Saúde. Fonte: http://www.saude. gov.br/saude-de- a-z/projeto-lean-nas-emergencias/693-acoes-e-pro- gramas/40038-humanizasus PIRES, D. (2008). Reestruturação produtiva e trabalho em saúde no Brasil. São Paulo: Annablume. SARDINHA, L. e. (2013). Educação permanente, continuada e em serviço: de- scendando seus conceitos. Enfermaria Global. Acesso em 27 de 01 de 2020, disponível em http:// scielo.isciii.es/pdf/eg/v12n29/pt_revision1.pdf SCHRAMM, J. e. (2004). Transição epidemiológica e o estudo de carga de doença no Brasil. Ciência & Saúde Coletiva, 9(4), pp. 897-908. Acesso em 22 de 02 de 2020, disponível em https://www.scielosp.org/pdf/csc/2004. v9n4/897-908/pt SILVA, M., CONCEIÇÃO, F., & LEITE, M. (jan-mar de 2008). Educação continuAda: um levantamento de necessidades da euipe de enfermagem. O Mundo da Saúde, pp. 47-55. Acesso em 27 de 01 de 2020, disponível em http://bvsms. saude.gov.br/bvs/periodicos/ mundo_saude_artigos/educacao_continuada. pdf Epidemias e Outros Desafios da Saúde Pública Referências SOLHA, R. (2014). Saúde Coletiva para Iniciantes - Políticas e Práticas Profis- sionais (2 ed ed.). São Paulo: Érica. SOLHA, R. K. (2014). Sistema Único de Saúde (1 ed ed.). São Paulo: Érica. Fonte: [Minha Biblioteca]