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Epidemias e 
Sumário
 
CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO
Conhecendo os indicadores epidemiológicos 
 Epidemiologia 
 Transição epidemiológica 
 Transição demográfica 
 Condições de saúde 
Compreendendo sobre o trabalho em saúde 
 Trabalho em saúde 
 Educação dos profissionais de saúde 
 Educação Continuada 
 Educação em Serviço 
 Educação Permanente 
Compreendendo sobre a dicotomia público privada
 Direito público e privado 
 Dicotomia público privado na saúde 
 Público e privado na assistência à saúde 
Conhecendo os avanços e desafios do SUS
 Avanços do SUS
 Políticas Públicas de Saúde 
 Programa Saúde da Família e Estratégia Saúde da Família 
 Desafios do SUS 
Referências
5
15
25
35
44
Objetivos Definição
Explicando Melhor Você Sabia?
Acesse Resumindo
Nota Importante
Saiba Mais Reflita
Atividades Testando
Para o início do 
desenvolvimento de uma 
nova competência;
Se houver necessidade 
de se apresentar um novo 
conceito;
Algo precisa ser melhor 
explicado ou detalhado;
Curiosidades indagações 
lúdicas sobre o tema em 
estudo, se form necessarias;
Se for preciso acesar um 
ou mais sites para fazer 
dowload, assistir videos, ler 
textos, ouvir podcast;
Quando for preciso se fazer 
um resumo acumulativo 
das últimas abordagens;
quando forem necessárias 
observações ou 
complementações para o
seu conhecimento;
As observações escritas 
tiveram que ser priorizadas 
para você;
Textos, referências 
bibliográficas e links para 
aprofundamento do seu 
conhecimento;
Se houver a necessidade 
de chamar a atenção 
sobre algo a ser refletido ou 
discutido sobre;
Quando alguma atividade 
de autoaprendizagem for 
aplicada;
Quando o desenvolvimento 
de uma competência for 
concluído e questões forem 
explicadas. 
@faculdadelibano_
1
Conhecendo 
os indicadores 
epidemiológicos
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Capítulo 1
Conhecendo os indicadores 
epidemiológicos
Objetivos
Neste capítulo vamos falar sobre epidemiologia e seus conceitos, 
compreender o que são os indicadores epidemiológicos e sobre a 
transição epidemiológica e demográfica, bem como a relação entre 
elas. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então 
vamos lá!
Epidemiologia
A epidemiologia estuda a frequência, a distribuição e os determinantes sociais de saúde 
nas populações utilizando os resultados para o controle dos eventos relacionados com 
saúde.
Além de ser possível observar a situação de saúde da população é possível avaliar o 
impacto das ações para melhorar a situação encontrada. As principais medidas de 
frequência das doenças são:
• Prevalência: número de casos existentes da doença em umdado momento;
• Incidência: frequência que surgem casos novos da doença em um intervalo de tempo.
Talvez você ache essas terminologias novas, mas com certeza você já ouviu, até já viu 
gráficos sobre prevalência e incidência mas não se atentou a eles. Por isso, vamos ver 
um exemplo prático: a Prevalência da Síndrome da Imunodeficiencia Adquirida (SIDA) 
na população entre 15 a 49 anos de idade em 2017.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1
Analisando esse gráfico é possível observar em quais países há uma prevalência maior 
ou menos dessa doença. Esse tipo de estudo norteia os gastos públicos e as ações 
de promoção e prevenção em saúde por observar quais as necessidades de cada 
região. Esse exemplo é mundial, mas se pensarmos em estudos mais regionais auxilia 
imensamente aos gestores sobre os cuidados em saúde.
Para que esses estudos sejam realizados é necessário conhecer de forma detalhada 
as condições de vida e de trabalho da população estudada para poder planejar e 
programar as ações de saúde, que podem ir desde melhorias nos determinantes mais 
amplos como moradia, saneamento básico e nutrição, até ações pontuais e especificas 
como ações para cessação tabágica.
Você Sabia?
Já ouviu falar da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (SIDA)? Com 
certeza já, mas com o nome em inglês: Acquired Immunodeficiency 
Syndrome (AIDS). Pois é, essa doença é o último estágio da infecção pelo 
HIV (Human Immunodeficiency Virus), quando não tratada.
FIGURA 1
Prevalência de SIDA na 
população de 15 a 49 
anos em 2017
FONTE
Wikimedia
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1
Transição epidemiológica
Está relacionada com as modificações dos padrões de morbidade e mortalidade que 
caracterizam determinada população acontecendo em conjunto com as transições 
demográficas, sociais e econômicas.
É fácil perceber que, na maioria dos casos, as pessoas são saudáveis e não precisam de 
cuidados em hospitais, procedimentos médicos ou terapêuticos, mas durante toda a vida 
essa mesma pessoa precisa de água potável, ar puro, ambiente saudável, alimentação 
adequada, situações sociais, econômicas e culturais favoráveis, educação, informação 
bem como a prevenção de problemas específicos de saúde.
Dessa forma, para a promoção da saúde aconteça é preciso enfrentar os determinantes 
sociais da saúde, como mudanças nos padrões econômicos e intensificar as políticas 
sociais sendo necessário a integração entre as políticas públicas.
Para isso é devemos integrar os saberes e práticas como atenção médico-hospitalar; 
programas de saúde pública, vigilância epidemiológica, vigilância sanitária, educação 
em saúde, entre outras, com ações extra-setoriais nos diversos campos de acordo com 
o território, perfil da população, características culturais, sociais, políticas, econômicas, 
etc.
Mas, para conseguir elaborar essas ações para promoção da saúde, é necessário 
conhecer o seu perfil e a epidemiologia com o uso de indicadores de saúde que são 
medidas que refletem as características dessa população e, segundo Moreira (2018) 
podem ser divididos em três categorias:
• Indicadores que traduzem diretamente a saúde: razão de mortalidade proporcional, 
coeficiente geral de mortalidade, esperança de vida ao nascer, coeficiente de 
mortalidade infantil e coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis;
• Indicadores que referem às condições do meio: índice de abastecimento de água, 
rede de esgoto, contaminações ambientais por poluentes;
• Indicadores que medem os recursos materiais e humanos relacionados às atividades 
de saúde: índices relativos à rede de unidades de saúde de atenção básica, 
profissionais de saúde e leitos hospitalares.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1
FIGURA 2
Indicadores recursos materiais e 
humanos: profissionais da saúde
FONTE
Freepik
Outro ponto que podemos observar é que ao longo do tempo ocorreram mudanças 
nos padrões de morte, morbidade e invalidez da população o que, geralmente, modifica 
junto com outras transformações demográficas, sociais e econômicas as quais são 
conhecidas como transições epidemiológicas.
Essas modificações no perfil da população como mudança no perfil das condições 
de saúde e suas complicações além da própria prevalência e incidência levam a 
mudanças nos serviços de saúde, muitas vezes despreparado para essa situação, e por 
consequência aumento dos gastos.
Essas mudanças nos serviços de saúde estão relacionadas a incorporação de novas 
tecnologias, mudanças no modelo hospitalocêntrico ainda vigente, e a nova visão dos 
profissionais da saúde referente a promoção e prevenção.
Segundo Schramm (2004, p. 898) transição epidemiológica são “as mudanças ocorridas 
no tempo nos padrões de morte, morbidade e invalidez que caracterizam uma 
população específica e que, em geral, ocorrem em conjunto com outras transformações 
demográficas, sociais
 
e econômicas”. Para que esse processo aconteça há três mudanças básicas:
• Substituição das doenças transmissíveis por doenças não- transmissíveis e causas 
externas;
• Deslocamento da carga de morbi-mortalidade dos grupos mais jovens aos grupos 
mais idosos;
•Transformação de uma situação em que predomina a mortalidade para outra na qual 
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1
a morbidade é dominante.
Vale ressaltar que essa transição da saúde pode ser dividida em dois elementos 
principais, pois de um lado temos a transição das condições de saúde, que veremos 
melhor mais adiante, mas refere- se às mudanças da prevalência, incidência e perfil 
das doenças, e de outro lado temos a resposta social que se organiza de acordo com 
essas condições por meio dos sistemas de atenção à saúde.
Essa modificação no perfil epidemiológico da população na qual as doenças crônicas 
e suas complicações são prevalentes resulta em mudanças no padrão de utilização 
dos serviços de saúde e no aumento de gastos com a necessidade da incorporação 
de tecnologias em saúde para o tratamento das mesmas. O que, como já vimos na 
unidade passada, é um grande desafio, além das dificuldades relacionadas as políticas 
de saúde que possam dar conta das várias transições em curso. (SCHRAMM, 2004)
Conseguiu compreender sobre a transição epidemiológicas? Agora me diga, consegue 
relacioná-la à transição demográfica? Pois é existe uma correlação direta entre esses 
dois processos, mas primeiro vamos entender o que é e como acontece hoje a transição 
demográfica.
Transição demográfica
É possível perceber a modificação do perfil demográfico, as mudanças nos padrões de 
consumo e nos estilos de vida, a urbanização acelerada e as estratégias mercadológicas 
tem relação direta com essa mudança do perfil das condições de saúde, ou seja, a 
transição demográfica e epidemiológica acontece juntas e inter-relacionadas.
 
Não só no Brasil, mas em todo o mundo, a taxa de nascimento está diminuindo e a 
expectativa de vida está aumentando. Com isso, se observa as mudanças no perfil das 
condições e, consequentemente, a necessidade de mudar a estrutura e a forma de 
atendimento na atenção à saúde, principalmente, a atenção primária, deixando de ter 
foco apenas curativo, e passa a focar na prevenção e no tratamento das condições 
crônicas.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1
No gráfico conhecido como pirâmide 
demográfica, pode-se observar que 
a taxa populacional de crianças é 
menor que a de adolescentes, e que 
a taxa da população de idosos acima 
de 80 está equivalente à de idosos 
entre 75 e 80 anos.
É possível relacionar esse novo perfil 
demográfico com a diminuição da 
taxa de mortalidade relacionado a 
doenças infecciosas em pacientes 
mais jovens e jovens adultos, 
juntamente com a maior exposição 
aos fatores de risco associados às 
doenças crônicas e o aumento a 
população idosa e da expectativa de 
vida, observando maior prevalência 
das doenças crônicas de saúde. 
Além disso, temos uma baixa taxa de 
fecundidade e natalidade, ou seja, 
estão nascendo menos crianças.
FIGURA 3
Perfil demográfico da população 
brasileira (2017)
FONTE
Adaptado pela autora
Importante
O envelhecimento rápido da população brasileira, que começou 
de forma acentuada na década de 60, fez com que a sociedade se 
depare com uma demanda de serviços médicos e sociais diferente, 
muito comum em países industrializados. O Estado, ainda buscando 
controlar as doenças transmissíveis e reduzir a mortalidade infantil, teve 
grande dificuldade em desenvolver e aplicar estratégias para a efetiva 
prevenção e tratamento das doenças crônico-degenerativas e suas 
complicações (SCHRAMM, 2004).
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1
O aumento da prevalência de doenças crônicas reduz as atividades de trabalho do 
portador, podendo até levar a falta de emprego, consequentemente, à sociedade em 
geral sofre com perda de produtividade e de qualidade de vida.
A atenção primária focada no modelo curativo vem, historicamente, do perfil demográfico 
e epidemiológico que existia no Brasil durante a criação do SUS. Porém, esse perfil se 
modifica com o tempo, e por isso é necessária uma nova estruturação na atenção à 
saúde.
Condições de saúde
Tenho certeza que você utiliza o termo doença em seu dia-a-dia, mas ele é mais 
comum quando estamos analisando a etiopatogenia, principalmente em estudos 
epidemiológicos. Nesses estudos as doenças são divididas, em geral, em transmissíveis 
e doenças crônicas não transmissíveis.
Mas, quando falamos da atenção à saúde essa classificação não é a mais completa, 
pois, algumas doenças transmissíveis têm característica de longo período podendo 
necessitar de tratamento pela atenção à saúde semelhante às doenças consideradas 
crônicas e não transmissíveis, ou seja, não se enquadram em nenhum dos dois, um 
exemplo é a tuberculose.
Além disso, essa forma de classificação foca apenas nas doenças, mas existem condições 
fisiológicas que necessitam de cuidados profissionais, mas não são consideradas 
doenças, como a gravidez ou cuidados ao recém-nascido.
Dessa forma, Mendes (2011) define condições de saúde como as circunstâncias na 
saúde das pessoas que se apresentam de forma mais ou menos persistente e que 
exigem respostas sociais reativas ou proativas, eventuais ou contínuas e fragmentadas 
ou integradas dos sistemas de atenção à saúde. As condições de saúde podem ser: 
condições agudas e condições crônicas, sendo baseada no tempo de duração dessa 
situação do paciente
As condições de saúde agudas, em geral, são manifestações de doenças transmissíveis 
de curso curto, como gripe, como apendicite, ou ainda as condições de causas externas, 
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1
como os traumas. De modo geral, essas condições de saúde têm como características:
• Iniciarem repentinamente;
• Apresentarem uma causa simples e facilmente diagnosticada;
• Curta duração;
• Respondem bem a tratamentos específicos, como os tratamentos medicamentosos 
ou as cirurgias.
Nesses casos, o diagnóstico deve ser rápido e preciso, sendo necessário conhecimento e 
experiência do profissional. Após o tratamento, a pessoa reestabelece a saúde podendo 
voltar a sua rotina de vida.
Quando falamos em condições de saúde crônicas 
é comum pensar em doenças como diabetes, 
câncer, porém, existem outras condições de 
saúde, como gestação, e manutenção do ciclo 
de vida (acompanhamento do recém-nascido, 
monitoramento da capacidade funcional do 
idoso), deficiência física (amputação, cegueira, 
etc.) que também são consideradas condições 
de saúde crônica, pois também exigem cuidado 
dos profissionais da saúde, principalmente da 
atenção primária. Além disso, é importante ter 
em mente que condições agudas não tratadas 
de forma correta podem se tornar condições 
crônicas.
Geralmente, o início da condição de saúde crônica 
tende a ser mais lento, bem como sua evolução, 
além disso, pode-se encontrar múltiplas causas 
como, hereditariedade, estilo de vida, exposição a 
fatores ambientais e a fatores fisiológicos, ou seja, 
FIGURA 4
Cuidado da condição de saúde 
aguda, após a medicalização 
vem a cura
FONTE
Pixabay
os determinantes sociais de saúde tem grande influência nesse perfil de doença.
Por terem longa duração, podem reduzir a capacidade funcional do paciente, e 
consequentemente, afetar a qualidade de vida do paciente, além disso pode apresentar, 
em determinado período de sua história, eventos agudos, chamamos então de 
agudização da condição crônica.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os indicadores epidemiológicos Capítulo 1
O perfil das condições de saúde no Brasil vai desde a necessidade do tratamento e cura 
de condições infectocontagiosas, que aparecem em países em desenvolvimento, até o 
acompanhamento de doenças crônicas.
Reflita
Você consegue perceber que quando falamos de doença, o foco 
do profissional é o tratamento, tendo então, um modelo curativo de 
atenção? Agora, quando mudamos o foco para a condiçãode saúde do 
paciente, mudamos também a forma de atuação, passamos a observar 
a multicausalidade, por isso, é necessária a mudança no sistema de 
saúde. Você consegue perceber que existe a necessidade de passarmos 
de um modelo curativo biomédico para um modelo mais complexo 
como o descrito no conceito ampliado de saúde?
Resumindo
E então? Consegui aprender sobre epidemiologia, transição 
epidemiológica e transição demográfica? E sobre a relação entre 
elas? Compreender que o perfil do adoecimento vem se modificando 
e que são necessárias modificações nas políticas de saúde é de 
grande importância para melhorar a vida dos indivíduos o que exige 
a capacitação permanente dos profissionais de saúde, para que os 
mesmos se mantenham atualizados em relação à assistência à saúde, 
mas sobre isso conversaremos no próximo tópico.
@faculdadelibano_
2
Compreendendo 
sobre o trabalho 
em saúde
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Capítulo 2
Compreendendo sobre o 
trabalho em saúde
Objetivos
Já vimos em outra unidade como o trabalho é importante para o 
homem. Desde a antiguidade o ser humano está ligado à produtividade. 
Neste capítulo vamos conversar sobre o trabalho na área da saúde, dos 
profissionais de saúde, sua importância não apenas para as políticas 
públicas, mas também para o indivíduo e a necessidade da capacitação 
permanente. E então? Motivado para desenvolver esta competência? 
Então vamos lá. Avante!
Trabalho em saúde
Segundo Pires (2008 p. 85) o trabalho em saúde:
é um trabalho essencial para a vida humana e é parte do setor de 
serviços. É um trabalho da esfera da produção não material, que 
se completa no ato de sua realização. Não tem como resultado 
um produto material, independente do processo de produção e 
comercializável no mercado. O produto é indissociável do processo 
que o produz; é a própria realização da atividade.
Esse autor também descreve sobre a atuação multidisciplinar, com diversos profissionais 
atuando em conjunto para realizar a assistência à saúde, atualmente muito comum na 
atenção básica com a Estratégia Saúde da Família, por exemplo.
Mas para que essa interação entre os profissionais aconteça é necessário que os 
mesmos compreendam a importância dos conhecimentos dos outros profissionais, a 
reflexão crítica que os conhecimentos somados são mais efetivos e a transformação do 
seu processo de trabalho.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2
Quando pensamos no setor público a busca pela qualidade está comprometida 
diretamente com a melhora do paciente, já no setor privado, a qualidade acaba tendo 
como foco a satisfação do cliente. Independentemente, ambos precisam, e buscam por 
uma assistência que restabeleça a saúde do paciente.
Mesmo na área da saúde é possível observar que o medo do desemprego leva os 
profissionais às jornadas extenuantes, além das doenças e lesões relacionadas aos 
esforços.
Além disso, necessidade de se manter atualizado em sua formação, mas a baixa 
remuneração do contratante que, muitas vezes não permite que o profissional consiga 
pagar por sua especialização.
Aqui temos um grande diferencial do setor público e do setor privado! Enquanto esses 
contratantes privados querem uma mão- de-obra qualificada, mas pagando o mínimo 
possível, como já vimos em outros momentos, no SUS existe a Política Nacional de 
Educação Permanente, que busca aperfeiçoar os profissionais em diversos aspectos 
para o atendimento à população. Ficou curioso para conhecer sobre essa política? 
Então vamos conhecê-la.
Objetivos
Vale ressalta que o processo de trabalho tem como finalidade os 
resultados positivos que satisfação as necessidades e expectativas dos 
indivíduos que estão recebendo esse cuidado.
FIGURA 5
Na área da saúde o 
estudo nunca para
FONTE
Pixabay
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2
Educação dos profissionais de saúde
As mudanças que acontecem no sistema de saúde e na população exigem dos 
profissionais que prestam esses serviços conhecimento e atualização constante. E, para 
garantir a educação continuada ou capacitação dos profissionais da saúde, além de 
condições de trabalho favorável, o governo insere o conceito de gestão do trabalho e 
educação em saúde.
Importante
Antes de começarmos a falar sobre educação dos profissionais e 
gestores, faço duas perguntas: você sabe a diferença entre Educação 
Continuada e Educação Permanente? E Educação em Serviço, você já 
ouviu falar? Pois bem, segundo Sardinha (2013) essas formas de educação 
“são processos que se caracterizam pela continuidade das ações 
educativas, ainda que se fundamentem em princípios metodológicos 
diferentes, e quando implementadas em conjunto possibilitam a 
transformação profissional através do desenvolvimento de habilidades 
e competências e assim fortalecem o processo de trabalho”. Mas vamos 
conversar melhor sobre cada uma delas mais adiante...
Vale ressaltar que a educação dos profissionais de saúde é uma das estratégias mais 
usadas para enfrentar os problemas de desenvolvimento dos serviços de saúde.
Grande parte do esforço para alcançar a aprendizagem ocorre por meio da capacitação, 
a partir de ações intencionais e planejadas com o objetivo de fortalecer conhecimentos, 
habilidades, atitudes e práticas. Mas para que a capacitação aconteça ela é influenciada 
por uma grande variedade de condições organizacionais, políticas, ideológicas e 
culturais, que antecipam e determinam o espaço dentro do qual a capacitação pode 
operar seus limites e possibilidades. O Ministério da Saúde (2009 p.40) descreve que a 
partir dos processos de capacitação espera-se com resultados:
• Melhorar o desempenho do pessoal em todos os níveis de atenção e funções do 
respectivo processo de produção;
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2
• Contribuir para o desenvolvimento de novas competências, como a liderança, a 
gerência descentralizada, a auto-gestão, a gestão de qualidade etc.;
• Servir de substrato para transformações culturais de acordo com as novas 
tendências, como a geração de práticas desejáveis de gestão, a atenção e as relações 
com a população etc.
A Política Nacional de Educação permanente traz os conceitos e necessidades sobre 
Educação Continuada, Educação em Serviço e Educação Permanente, vamos conhecer...
Educação Continuada
A educação continuada tem como objetivo melhorar a qualidade no serviço prestado 
para os pacientes, já para os profissionais da área é utilizada como forma de 
aprendizagem.
A educação continuada pode ser considerada um componente essencial dos programas 
de formação e desenvolvimento de recursos humanos das organizações.
Pois, o capital humano é um dos elementos mais importante no funcionamento de 
qualquer empresa, seja ela grande ou pequena pública ou privada, os profissionais 
devem ser objeto de análise permanente para melhorar a eficiência do trabalho, a 
competência profissional e o nível de satisfação do pessoal.
Por isso, a educação continuada deve ser considerada como parte de uma política 
global de qualificação dos profissionais de saúde, centrada nas necessidades de 
transformação da prática (SILVA, CONCEIÇÃO; LEITE, 2008).
Segundo a “Política Nacional de Educação Permanente em Saúde”, a Educação 
Continuada, tradicional recurso no setor de Saúde, se caracteriza por:
• Representar uma continuidade do modelo escolar ou acadêmico, centralizado 
na atualização de conhecimentos, geralmente com enfoque disciplinar, em ambiente 
didático e baseado em técnicas de transmissão, com fins de atualização;
• Conceituar tecnicamente a prática enquanto campo de aplicação de 
conhecimentos especializados, como continuidade da lógica dos currículos universitários, 
que se situa no final ou após o processo de aquisição de conhecimentos. Por este 
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendosobre o trabalho em saúde Capítulo 2
fato se produz uma distância entre a prática e o saber (compreendido como o saber 
acadêmico) e uma desconexão do saber como solução dos problemas da prática;
• Ser uma estratégia descontínua de capacitação com rupturas no tempo: são 
cursos periódicos sem sequência constante;
• Ter sido, em seu desenvolvimento concreto, dirigida predominantemente ao 
pessoal médico e alcançado, com menos ênfase, o grupo de enfermagem. Centrada 
em cada categoria profissional, praticamente desconsiderou a perspectiva das equipes 
e diversos grupos de trabalhadores. (MS, POLÍTICA NACIONAL DE EDUCAÇÃO PERMANENTE 
EM SAÚDE, 2009)
A educação continuada pode ser configurada como um campo de captação e 
propagação de conhecimentos, práticas e reflexões sobre o processo de trabalho dos 
profissionais da saúde.
Dessa forma, é possível observar o importante papel dessa modalidade de educação 
na mobilização dos potenciais dos profissionais, pois, reforçando o desenvolvimento 
desses profissionais, é possível desenvolver uma melhor compreensão da experiência, 
da identidade e de seus saberes. (SILVA, CONCEIÇÃO; LEITE, 2008)
A educação continuada pode ser configurada como um campo de captação e 
propagação de conhecimentos, práticas e reflexões sobre o processo de trabalho dos 
profissionais da saúde.
Dessa forma, é possível observar o importante papel dessa modalidade de educação 
na mobilização dos potenciais dos profissionais, pois, reforçando o desenvolvimento 
desses profissionais, é possível desenvolver uma melhor compreensão da experiência, 
da identidade e de seus saberes. (SILVA, CONCEIÇÃO; LEITE, 2008)
Vale ressaltar que alguns autores descrevem a metodologia da Educação Continuada 
baseada no modelo tradicional de educação, por isso, muitos autores, sugerem a 
Educação Permanente, que tem seu modelo de ensino baseado no modelo com foco 
no aluno. Você sabe o que é o modelo tradicional de educação?
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2
Segundo Machado e Wanderley (2012), 
esse processo tradicional é centrado em 
“alguém que sabe e ensina alguém que não 
sabe” a partir da lógica da transmissão de 
conhecimentos.
Esse indivíduo que teoricamente sabe mais 
assume a função de aconselhar, corrigir 
e vigiar quem deve aprender o conteúdo. 
Esse processo peca ao considerar-se como 
autoridade máxima se colocando como único 
responsável pelo processo de aprendizagem.
Muitas vezes esse profissional foca na 
repetição, não se preocupando com a 
realidade social, as crenças e os valores dos 
indivíduos que devem aprender, os quais se 
colocam em segundo plano esperando o 
conhecimento.
Além da transmissão de conhecimento, 
outra metodologia comum de ser utilizada 
é o condicionamento. Muito utilizada na 
educação infantil, é baseado em estímulos e 
FIGURA 6
Modelo antigo de educação
FONTE
Pixabay
recompensas capaz de “condicionar” o aprendiz a emitir as respostas desejadas, tendo 
como aspecto mais importante os resultados comportamentais.
Educação em Serviço
Pode ser considerado um tipo de Educação Continuada, pois está relacionada com as 
atividades e atribuições do profissional. Esse tipo de educação profissional acontece 
no ambiente de trabalho com objetivo de reconstruir os métodos de trabalho a fim 
de promover a melhora do serviço realizado assim os profissionais da área da saúde 
percebam as falhas e trabalhem em busca de melhorar o atendimento aos clientes 
garantindo também direitos e qualidade aos usuários.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2
Educação Permanente
No Brasil, a formação dos profissionais de saúde passou a ter maior ênfase no texto da 
Constituição Federal (Artigo 200), no qual fica estabelecido que “ao sistema único de 
saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei, ordenar a formação de 
recursos humanos na área da saúde”.
A partir desse momento a formação profissional passou a ser reconhecida como fator 
essencial para o processo de consolidação da Reforma Sanitária Brasileira.
A educação permanente atualmente está centrada no processo de trabalho, mas ela 
tem como propósito melhorar a qualidade de vida do ser humano em todas as dimensões 
pessoais e sociais, auxiliando na formação integral do indivíduo e na transformação do 
meio para uma futura sociedade. Essa educação atua de forma transformadora dos 
profissionais nos serviços de saúde através de um processo coletivo entre eles, utilizando 
metodologia de atuação multidisciplinar (FARAH, 2006).
Através de incentivo à educação permanente dos profissionais, essa política vem para 
garantir a qualidade dos serviços prestados à comunidade, pois, com profissionais 
capacitados os serviços dentem a ser melhores.
O enfoque da Educação Permanente, conforme a “Política Nacional de Educação 
Permanente em Saúde” representa uma importante mudança na concepção e nas 
práticas de capacitação dos trabalhadores dos serviços. Supõe inverter a lógica do 
processo:
• Incorporando o ensino e o aprendizado à vida cotidiana das organizações e às 
práticas sociais e laborais, no contexto real em que ocorrem;
• Modificando substancialmente as estratégias educativas, a partir da prática como 
fonte de conhecimento e de problemas, problematizando o próprio fazer;
• Colocando as pessoas como atores reflexivos da prática e construtores do 
conhecimento e de alternativas de ação, ao invés de receptores;
• Abordando a equipe e o grupo como estrutura de interação, evitando a fragmentação 
disciplinar;
• Ampliando os espaços educativos fora da aula e dentro das organizações, na 
comunidade, em clubes e associações, em ações comunitárias.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2
Apesar de ainda estar em construção a Educação Permanente busca utilizar o modelo 
pedagógico que tem o aprendiz como foco o qual tem uma abordagem Humanista e 
foca em aspectos de personalidade do sujeito que aprende.
É baseado no “ensino centrado no aluno” cujo conhecimento existe no âmbito da 
percepção individual e a aprendizagem é construída por meio da ressignificação das 
experiências pessoais de forma que a educação assume um caráter mais amplo 
organizando-se no sentido da formação total do indivíduo.
O professor atua como facilitador da aprendizagem e das relações interpessoais, 
observando além da capacidade de adquirir conhecimento, observa também as 
características de personalidade de seus alunos, criando um clima favorável à 
aprendizagem através de uma abordagem cognitivista. Essa abordagem investiga os 
caminhos percorridos pela inteligência (cognição) nessa construção do conhecimento. 
(MACHADO; WANDERLEY, 2012)
As mudanças que aconteceram no sistema de saúde e na população exigiram dos 
profissionais que prestavam esses serviços conhecimento e atualização constante. E, 
para garantir a educação continuada ou capacitação dos profissionais da saúde, além 
de condições de trabalho favorável, o governo insere o conceito de gestão do trabalho 
e educação em saúde.
Por isso, em 2003 que o Ministério da Saúde, criou a Secretaria de Gestão de Trabalho 
e da Educação em Saúde (SGTES), que se tornou responsável por formular políticas 
FIGURA 7
Modelo de educação professor 
como um facilitador
FONTE
Freepik
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre o trabalho em saúde Capítulo 2
orientadoras da gestão, formação, qualificação e regulação dos trabalhadores da saúde 
no Brasil. E em 2004, foi implantada a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde 
(PNEPS) pela Portaria nº 198, na qual o Ministério da Saúde assume a responsabilidade 
constitucional de ordenar a formação seus recursos humanos.
Saiba Mais
A Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do 
Ministério da Saúde, desenvolveu o material descrevendo as Políticas e 
ações relacionadas à educação continuada. Iniciadescrevendo suas 
atividades e descreve de forma sucinta os programas de qualificação e 
gestão do trabalho e educação em saúde. Nessa unidade vimos alguns 
deles, mas vale a leitura na integra para conhecer os demais programas 
existentes.
Resumindo
Neste tópico vimos sobre o trabalho em saúde, a necessidade da 
atuação multidisciplinar e sobre a capacitação dos profissionais 
da saúde. Compreendendo a necessidade de atualização desses 
profissionais é criada a Política Nacional de Educação Permanente que 
descreve sobre Educação continuada, em serviço e permanente, todas 
de grande importância para as atividades do dia a dia dos profissionais 
da saúde. E então? Aproveitou esse conteúdo e o conhecimento que lhe 
foi mostrado?
@faculdadelibano_
3
Compreendendo 
sobre a dicotomia 
público privada
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Capítulo 3
Compreendendo sobre a 
dicotomia público privada
Objetivos
Neste capítulo vamos compreender sobre o conceito de direito público 
e privado para poder entender sobre a dicotomia público privado 
na assistência à saúde. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então vamos lá. Avante!
Direito público e privado
O direito, em seu sentido amplo corresponde à exigência de uma convivência ordenada, 
pois todas as civilizações persistiram e ainda persistem apenas se houver um mínimo de 
organização, direção e, principalmente, solidariedade (MAGALHÃES, 2017).
Dessa forma, você deve entender que o direito não pode ser visto apenas como 
uma regra ou comando, pois, essa convivência ordenada, exige valores, consensos, 
diálogo, cooperação, graus de violência suportáveis socialmente, solidariedade social 
(MAGALHÃES, 2017).
Importante
Em alguns momentos utilizamos o termo “direito” para falar sobre uma 
norma, em outros momentos utilizamos essa palavra como o direito 
individual, ou ainda para dar noção de justiça à determinada situação: 
isso é um “direito” seu! Sem contar que essa palavra também significa a 
ciência que estuda dos fenômenos jurídicos nas sociedades. Consegue 
perceber que essa mesma palavra tem diversos significados, então, 
fique atento durante a leitura para compreender o significado naquele 
momento! Vamos continuar...
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3
Quando falamos de direito, Magalhães (2017, p.16) traz as três principais funções do 
direito:
 
Instrumental: própria da noção de direito como estrutura normativa 
de regulação da vida social, que expressa o dever e ser, como 
proibir, permitir, incentivar, promover, penalizar, e os parâmetros de 
decidibilidade dos conflitos sociais;
Política: manutenção da coesão social (estabilidade e segurança) e 
a possibilidade de controle social;
Simbólica: função de legitimação de comportamentos, valores e 
visões de mundo. A norma jurídica nomeia expectativas de justiça e 
normalidade, oferece um padrão de comportamento da sociedade.
FIGURA 8
Três principais funções do direito
FONTE
Adaptado pela autora
Em todas essas funções o direito se manifesta nas relações de poder, e no campo jurídico 
ele é constituído pela disputa dobre “o direito de dizer o direito”. No mundo moderno 
essa autoridade é o Estado que representa o poder público e a produção de normas 
que são socialmente válidas e vigentes.
Quando falamos do direito público e privado, a esfera pública é o lugar de excelência do 
Estado e nas relações de interesse público entre os diversos atores. Mas, por outro lado, a 
moralidade liberal-individual, com a ascensão da classe burguesa capitalista, a esfera 
privada ganha grande relevância na modernidade.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3
A esfera privada se torna o espaço do indivíduo, do exercício de sua autonomia de 
vontade na qual o Estado não deve intervir, dessa forma, quando há o Estado Liberal a 
separação entre as esferas públicas e privadas é profunda e considerada necessária.
Perceba que o direito privado se refere aos direitos individuais e inatos do indivíduo, 
enquanto o direito público tem a função de garantir os interesses gerais da sociedade 
através do Estado (BACELLAR FILHO, 2011). Bacellar Filho (2011, p.2) descreve, no contexto 
do Estado Liberal que:
o Direito Público passa a ser compreendido como repertório mínimo 
de disposições e instrumentos referentes ao governo representativo” 
enquanto o Direito Privado radicaliza a emancipação do indivíduo, 
cujo elemento central é o contrato.
Mas é importante ter em mente que mesmo no direito privado há legislações que 
protegem os indivíduos. Como assim professora? Pensando que o direito privado busca 
garantir os direitos individuais, pense em você como emprega e a empresa em que 
trabalha.
No momento do contrato de trabalho ambos definem valor do salário e carga horária 
certo? Ok, se cada um fosse pensar individualmente, você gostaria de ganhar o máximo 
possível trabalhando o mínimo necessário, não é? Agora a empresa prefere pagar o 
mínimo possível com a maior carga horária.
Percebe que, nessa relação, se o Estado não interviesse, voltaria a acontecer as 
situações que conversamos nas primeiras unidades dessa disciplina? Os trabalhadores 
trabalhariam em horários absurdos ganhando extremamente pouco. Por isso, o Estado 
cria legislações que norteiam o direito público.
Voltando ao nosso exemplo, o salário pode ser um acordo entre empregado e 
empregados desde que seja maior que um salário mínimo ou, no caso de uma categoria 
profissional específica, o piso salarial.
Em relação ao horário de trabalho, também pode haver um acordo, desde que não 
passe de 44 horas semanais, com pelo menos um dia de folga, e intervalo entre jornadas.
 
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3
Esse é um grande paradigma que temos até hoje! Independentemente
Já no direito público, o Estado está acima do individual, mas não quer dizer o Estado 
como soberano. Espera! O Estado busca o direito do coletivo, lembra? Então, no direito 
público é o direito de todos prevalecer ao direito do indivíduo.
Um exemplo um pouco exagerado, mas que vai ficar claro para compreender: imagine 
um indivíduo que usa de sua “autonomia” e quer, por exemplo, roubar ou matar, perceba 
que seu “direito privado” influencia negativamente no direito coletivo, por isso, a legislação 
busca garantir a segurança do coletivo perante a “liberdade” individual. Ficou mais claro 
essa relação entre direito público e direito privado?
Mas de que forma esse direito público e privado influenciam na saúde? Pois bem, vamos 
continuar nossa conversa com a dicotomia público privada na saúde.
Dicotomia público privado na saúde
A saúde pública a muito tempo passou a ser objeto de políticas públicas e de intervenções 
das diversas esferas do Estado. Como já vimos, no Brasil, foi em 1988 que a saúde foi 
incorporada como direito de todos e dever do Estado na Constituição Nacional.
Porém a problemática da saúde ainda resiste como uma questão privada, apesar dos 
setor público e privado como setores supostamente complementares, atualmente 
FIGURA 9
Acordo entre empregado 
e empregador, bom para 
ambas as partes
FONTE
Adaptado pela autora
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3
vemos um posicionamento diferente.
Vamos a uma situação hipotética: um indivíduo vai ao consultório médico, em uma 
consulta rápida o médico o diagnostica com hipertensão, prescreve os medicamentos, 
mudanças no estilo de vida, hábitos alimentares, entre outros, de forma muito rápida e 
resumida.
Esse paciente sai do consultório com o medo e a ansiedade de, agora, ser uma pessoa 
doente, com muitas dúvidas de como conciliar os conselhos do médico com sua intensa 
jornada de trabalho.
Pergunto para você, caro aluno, essa consulta foi realizada no setor público ou no setor 
privado?
Talvezvocê esteja pensando que, óbvio, aconteceu no setor público pois a demanda 
de atendimento faz com que os médicos tenham que atuar de forma rápida e objetiva, 
pois deve atender ao próximo paciente.
Talvez você reflita também que, no mundo corporativo, cada minuto “perdido” com um 
paciente significa menos lucro para a moderna clínica particular que está realizando o 
atendimento.
FIGURA 10
Medos e ansiedade 
do paciente
FONTE
Freepik
Esse é um grande paradigma que temos até hoje! Independentemente do setor a 
necessidade de atendimentos ágeis e, algumas vezes, superficiais são inevitáveis, por 
motivos diferentes, mas faz parte da situação do nosso sistema de saúde.
Sim, lembre-se que, mesmo quando falamos do setor privado, ele faz parte do nosso 
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3
sistema de saúde primeiro que, na teoria, ele deve atuar como suplementar ao SUS, 
segundo que, na prática, muitas pessoas pagam seus planos de saúde para agilizarem 
seus atendimentos buscando uma “melhor qualidade”. Mas, como vimos no relato 
hipotético, há, realmente, uma melhor qualidade?
A partir dessa pergunta devemos refletir sobre a assistência à saúde pública e privada...
Público e privado na assistência à saúde
Lembra-se que, antes da criação do SUS toda a assistência à saúde era privada e 
“comprada” pelo Governo para suprir os cuidados dos indivíduos que tinham emprego 
e pagavam pela assistência.
Mas no início dos anos 90 com a mudança estrutural da economia e reforma do Estado 
buscando racionalização dos gastos, a partir da a instituição do SUS e readaptação das 
esferas de governo a essa nova realidade.
Nesse sentido a assistência pública e privada ganham novas modalidades, novo meio 
de se relacionar entre si e com os indivíduos. Nesse momento há uma análise importante 
a se destacar no setor privado: de um lado as baixas remunerações pagas pelo SUS, de 
outro, uma possibilidade mais lucrativa de investimentos no segmento da chamada 
medicina de grupo e de seguros-saúde. Qual rumo tomar?
FIGURA 11
Estabelecimentos de saúde 
privados e a dúvida de qual 
caminho seguir
FONTE
Freepik
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3
Nesse momento histórico se observa um grande descredenciamento de instituições 
de saúde do SUS de empresas do setor privado com capacidade de se modernizar, 
e manutenção do vínculo de estabelecimentos de saúde menos capitalizadas e mais 
atrasadas do ponto de vista tecnológico.
Nesse novo momento os municípios passam a ter autonomia e a busca por maior 
transparência ao processo de credenciamento de empresas médicas, bem como um 
monitoramento dos serviços que eram contratados, ameaçando, em alguns casos, as 
relações duvidosas entre o público e o privado (BODSTEIN; SOUZA, 2003).
Aqui há um ponto muito interessante dessa história, você quer ouvir? Muitas empresas 
do setor privado perderam grandes oportunidades com o credenciamento e sabe qual 
atitude tomaram? Uma atitude muito madura... não mediram esforços para desqualificar 
a capacidade da esfera pública na implementação do SUS, em virtude da proclamada 
ineficiência gerencial do Estado, apostando na dificuldade de colocar em prática esse 
novo formato de gestão em vigor.
E o que essa postura teve como resultado? Muitas pessoas começaram a buscar os 
planos de saúde para “garantir” um atendimento que o governo não seria capaz de 
assumir.
Reflita
Lembra-se do caráter suplementar do setor privado, certo? Como um 
governo municipal credenciaria um prestador de serviço privado sem 
explicar exatamente a necessidade? Esse governo deveria assumir que 
não tem como prestar esse serviço, mas por quê? De financiamento 
para obras? Falta de planejamento? Falta de aptidão de gestão? 
Perceba que terceirizar muitos serviços levaria os conselheiros da saúde 
(lembre-se que 50% deles eram usuários) a compreender que esse 
governo municipal não sabe gerenciar os recursos, como colocá-lo no 
poder novamente? Dessa forma, entre manter amizades políticas e ter 
potencial para uma próxima candidatura, qual escolher? Cada [governo 
municipal teve suas escolhas e suas consequências...
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3
Não digo que o SUS não tem problemas, mas acredito que temos que ter em mente que 
ele tem 30 anos! Alguns municípios conseguiram receber recursos Federais apenas no 
ano 2000, pois não tinha se adaptado as novas normas.
Há sim muito que melhorar, mas essa mudança está acontecendo, mas, enquanto as 
tragédias forem notícias mais impactantes do que os avanços, enquanto as melhorias 
não começarem a aparecer nos jornais e na televisão, ainda teremos muitas pessoas 
reclamando do SUS enquanto são beneficiadas por ele sem realmente valorizá-lo.
E eu finalizo esse capítulo lembrando da primeira unidade desta disciplina, quando vimos 
os sistemas de saúde do mundo, mas especificamente do governo cubado, o qual dá 
total cobertura de assistência à saúde da população e apresenta os custos com os 
serviços de saúde aos usuários através de cartazes com o título: “Teu serviço de saúde 
é gratuito... mas custa”...
Minha pergunta é... Esta atitude está errada? Será que a partir do momento que a 
população compreende quando custa o cuidado com a sua saúde ela saberá valorizar 
o atendimento dos sistemas de saúde para todos?
Reflita
E eu pergunto para você aluno, qual sua visão do SUS hoje? O que você 
vê na mídia sobre os atendimentos pelo SUS? As ações voltadas à saúde 
da família que vem tendo grandes resultados desde sua implementação 
como um programa municipal do nordeste, e agora de forma nacional 
ao se tornar uma estratégia? Ou as grandes filas nos hospitais com falta 
de leitos e atendimento?
FIGURA 12
Grandes dúvidas que 
permanecem
FONTE
Freepik
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Compreendendo sobre a dicotomia público privada Capítulo 3
Resumindo
Neste capitulo conversamos sobre os conceitos de direito público e privado 
para poder compreender um pouco mais sobre a dicotomia público 
privado na saúde e as dificuldades que as mudanças na assistência 
à saúde passaram, e ainda passam, nessa transição do modelo de 
cuidado do INAMPS para o SUS. E então? Conseguiu compreender mais 
sobre esse tema? Começou a refletir sobre a sua opinião em relação 
ao SUS? Ainda não? Bom, então vamos conversar um pouco sobre os 
avanços de desafios desse sistema para que você consiga refletir mais...
@faculdadelibano_
4
Conhecendo os 
avanços e desafios 
do SUS
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Capítulo 4
Conhecendo os avanços e 
desafios do SUS
Objetivos
Neste capítulo vamos falar sobre os avanço e desafios do SUS nesses 30 
anos de história. E então? Motivado para desenvolver esta competência? 
Então vamos lá. Avante!
Avanços do SUS
Ao longo desses 30 anos de existência, aconteceram muitos avanços relacionados às 
políticas de saúde, alguma reconhecidas pela Organização Mundial da Saúde como 
exemplos de experiências positivas para outros países.
Foram elaboradas diversas Políticas Nacionais, dentre elas a de Atenção Básica e o 
Programa Saúde da Família, vamos conhecer algumas delas.
Políticas Públicas de Saúde
As Políticas Públicas são diretrizes cuja finalidade é nortear as ações em determinada 
área da vida social formuladas a partir de discussões entre vários atores da sociedade 
como governos, legisladores, representantes de associações civis e de setores produtivos 
como comercio, indústria transporte, entre outros, resultando em um consenso e várias 
das proposições geradas dessas discussões podem se tornar leis. Dentre as políticas 
públicas existentes podemos citar:
• Política Nacional de Atenção Hospitalar (PNAHOSP);
• Política Nacional de Atenção às Urgências (PNAU);
• Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM);
• Saúde da criançae do adolescente;
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4
• Política Nacional de Atenção à Saúde Integral do Homem (PNASIH);
• Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa (PNSPI);
• Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS);
• Política Nacional de Humanização (PNH);
• Política Nacional da Atenção Básica (PNAB).
Vamos conhecer algumas políticas públicas vigentes no país e como elas influenciam o 
trabalho dos gestores dos serviços de saúde.
A Política Nacional de Promoção da Saúde (PNPS) foi aprovada pela Portaria nº 687, de 
30 de março de 2006, tem entre seus focos de atuação o enfrentamento dos fatores de 
risco por meio de ações intersetoriais e educação para a saúde. (SOLHA, 2014) Dentre os 
focos e estratégias da PNPS podemos citar:
• Alimentação saudável: consiste em garantir acesso ao alimento através de ações que 
reduzam a pobreza extrema, combate à fome e promovam a inclusão social, bem 
como estimular a agricultura familiar e implementar ações de vigilância nutricional 
além de levar informações sobre alimentação saudável à população;
• Prática corporal/atividade física: estimular a sociedade a realizar atividade física 
além de aumentar a oferta dessas práticas na AB;
• Prevenção e controle do tabagismo: reforçar políticas de controle do tabaco com a 
criação de contexto social desfavorável para o uso do fumo como restrição de vendas 
e de propagandas, além de aumentar o acesso do fumante a métodos eficazes para 
a cessação do tabagismo;
• Redução da morbimortalidade por uso abusivo de álcool e outras drogas: divulgação 
de informações sobre o impacto do uso de álcool/drogas, apoio à restrição de 
propagandas de bebidas alcoólicas, bem como promover educação para hábitos 
saudáveis voltada a crianças e adolescentes;
• Redução da morbimortalidade por acidentes de trânsito: desenvolvimento de leis 
em relação à proibição de álcool por motoristas, ações intersetoriais de educação 
no trânsito;
• Promoção da cultura de paz e não violência: capacitação de profissionais e 
gestores em relação ao acolhimento e condução de casos de violência doméstica 
e sexual, incentivo aos municípios para elaboração e implantação de programas de 
enfrentamento da violência, articulação entre setores para redução doo turismo e 
exploração sexual;
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4
Perceba que essas ações são voltadas para os determinantes de saúde, atuando de 
forma ampla para melhorar a qualidade de vida da população obtendo resultados 
gerais com mudanças em todas as camadas da sociedade atuando da coletividade aos 
indivíduos, a partir da educação e do estimulo das pessoas a terem hábitos saudáveis 
e incentivando-as a participarem de forma ativa em discussões, eventos, associações, 
locais onde possam ser formuladas propostas de melhorias (SOLHA, 2014)
Outra política importante foi a Política Nacional de Humanização (PNH) a qual existe 
desde 2003 com a finalidade de “efetivar os princípios do SUS no cotidiano das práticas 
de atenção e gestão, qualificando a saúde pública no Brasil e incentivando trocas 
solidárias entre gestores, trabalhadores e usuários” como descrito no próprio site do 
Ministério da Saúde.
FIGURA 15
Mudança no estilo de 
vida
FONTE
Freepik
Você Sabia?
Você sabe o que é um cuidado humanizado? Esse cuidado é pautado 
no respeito ao outro de forma afetiva e compromissada.
Para se ter um SUS humanizado é necessário reconhecer o outro como legítimo cidadão 
com direitos e valorizar os diferentes indivíduos inseridos nesse processo de produção 
de saúde. (SOLHA, 2014; MS, 2019)
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4
Compreenda que, para enfrentar os problemas existentes no SUS, devemos ter 
profissionais preparados para pensar e observar a situação de forma integral, 
considerando o indivíduo como um todo e eu precisa de cuidados de diversas formas 
como razão, emoção, biológico e social, equilibrando as ações entre problemas sociais, 
psicológicos e biológicos.
Para que isso aconteça de forma fluida é necessária a criação de um vínculo entre 
profissional e paciente. 
A humanização do cuidado deve ser um tema presente na gestão dos serviços e 
situações de cuidado à população, para isso, foram traçadas diretrizes importantes 
como:
• Clínica ampliada: estratégia de cuidado eu valoriza a participação multiprofissional, 
na qual todos os profissionais nem suas diversas áreas atuam em uma assistência 
única baseados em seus conhecimentos;
• Cogestão: maior participação de trabalhadores e usuários nos
• processos de gestão dos serviços de forma que as decisões se tornam compartilhadas 
não apenas impostas pelos gestores e gerentes;
• Acolhimento: pratica de escuta ativa preconizada pela PNAB;
• Valorização do trabalho e do trabalhador;
• Incentivo a construção coletiva da saúde formando redes de apoio informais para a 
comunidade e fortalecimento das redes formais já existentes;
• Defesa dos Direitos do Usuário;
• Construção da memória de um “SUS que dá certo”.
FIGURA 16
Atendimento humanizado – 
cuidado com atenção, carinho 
e respeito ao paciente
FONTE
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Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4
A Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) tem como legislação a Portaria nº 2.488 de 
2011 e a Portaria nº 2.436 de 2017, ambas estabelecem a revisão de diretrizes e normas 
para organização da Atenção Básica, sendo a primeira voltada para a Estratégia Saúde 
da Família (ESF) e o Programa de Agentes Comunitários de Saúde (PACS) e a segunda 
trata sobre essa organização no âmbito do SUS como um todo.
A primeira edição da PNAB, em 2006, foi criada no contexto do Pacto pela Saúde e 
ampliou o escopo da Atenção Básica quando incorporou atributos mais abrangentes à 
Atenção Básica, porém essa Portaria foi revogada pela Portaria de 2011 a qual modifica a 
organização do SUS colocando a Atenção Básica como nível central dentro do sistema 
com responsabilidades como coordenar a integralidade da assistência através de 
ações de promoção, prevenção e de cura em relação às doenças e seus agravos, ou 
seja, em relação as condições de saúde.
A primeira edição da PNAB, em 2006, foi criada no contexto do Pacto pela Saúde e 
ampliou o escopo da Atenção Básica quando incorporou atributos mais abrangentes à 
Atenção Básica, porém essa Portaria foi revogada pela Portaria de 2011 a qual modifica a 
organização do SUS colocando a Atenção Básica como nível central dentro do sistema 
com responsabilidades como coordenar a integralidade da assistência através de 
ações de promoção, prevenção e de cura em relação às doenças e seus agravos, ou 
seja, em relação as condições de saúde.
Ainda haviam alguns pontos críticos como o subfinanciamento, a estrutura precária, o 
modelo assistencial e a dificuldade de conseguir profissionais médicos. Por isso, em 2011, 
Importante
A primeira edição da PNAB, em 2006, foi criada no contexto do Pacto 
pela Saúde e ampliou o escopo da Atenção Básica quando incorporou 
atributos mais abrangentes à Atenção Básica, porém essa Portaria foi 
revogada pela Portaria de 2011 a qual modifica a organização do SUS 
colocando a Atenção Básica como nível central dentro do sistema 
com responsabilidades como coordenar a integralidade da assistência 
através de ações de promoção, prevenção e de cura em relação às 
doenças e seus agravos, ou seja, em relação as condições de saúde.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4
um movimento de mudança na PNAB como:
• Requalifica UBS: construções, reformas, ampliações einformatização das UBS;
• Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ);
• Programa Mais Médicos (PMM);
• e-SUS AB: disponibilidade de prontuários eletrônicos gratuitos para os municípios;
• Criação de diferentes modalidadesde equipes: consultórios na rua, ribeirinhas e 
fluviais.
Para que a Atenção Básica pudesse ter suas atividades desenvolvidas foram criados 
programas e estratégias, dentre eles o Programa Saúde da Família e Estratégia Saúde 
da Família, nas próximas páginas você conhecerá alguns deles!
Programa Saúde da Família e Estratégia Saúde da Família
O Programa Saúde da Família surgiu como uma estratégia de reorientação do modelo 
assistencial em conformidade com os princípios do SUS, em um momento que o modelo 
hospitalocêntrico não consegue mais atender as mudanças do mundo moderno e as 
necessidades de saúde das pessoas a partir da execução das ações de saúde relativas 
a promoção da saúde a prevenção de doenças e a reabilitação dos indivíduos e da 
comunidade. Além disso, esse programa visa a humanização do SUS com a valorização 
dos aspectos que influenciam a saúde das pessoas fora do ambiente hospitalar. 
(BASSANI, MORA; RIBEIRO, 2009)
O Programa Saúde da Família foi implantado, efetivamente em 1994 como Programa 
de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), inicialmente na cidade de Sobral (CE) 
como uma experiência inovadora baseada em resultados obtidos no Canadá e em 
Cuba em conjunto com os conhecimentos de pesquisadores e técnicos brasileiros que 
acrescentaram outros profissionais nesse modelo internacional como o enfermeiro 
ampliando a capacidade dessa equipe de resolução de problemas. 
A equipe do PACS era composta por um enfermeiro e Agentes Comunitários de Saúde 
(ACS) cuja quantidade variava de acordo com a população com o máximo de doze 
profissionais devidamente capacitados para as atividades de prevenção e promoção 
da saúde.
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4
O crescimento das equipes de Saúde da Família (eSF) nos dados trazidos por Melo (2018), 
o qual destaca que em 2013 havia 34.724 eSF no Brasil e em 2015 esse valor chega a 
40.162. Ainda assim alguns pontos críticos ainda prevaleciam como o subfinanciamento, 
precarização da formação profissional, dificuldade da integração da Atenção Básica 
com os demais componentes das redes de atenção, entre outros.
Como PSF era possível que fosse interrompido a qualquer momento, em 2012, se torna 
estratégia o que garantiu a continuidade desse trabalho. Por isso foi criada a Estratégia 
de Saúde da Família (ESF) que vamos conhecer melhor agora! A equipe da Estratégia 
Saúde da Família é composta por enfermeiro, médico, auxiliar ou técnico de enfermagem 
e agente comunitário de saúde atuando em conformidade com as diretrizes do SUS e 
da PNAB.
Vale ressaltar que o acolhimento do usuário é uma das principais atribuições de qualquer 
profissional pertencente, não apenas a equipe de saúde da família, mas também 
da própria UBS. Deve-se garantir a escuta de qualidade e o encaminhamento desse 
paciente para que sua situação seja resolvida, isso facilita a criação do vínculo sendo 
possível manter esse usuário dentro da rede de atenção à saúde para que seu cuidado 
aconteça, bem como, estimulá-lo a desenvolver a autonomia do cuidado a partir de 
ações educativas que interfiram no processo saúde-doença.
Desafios do SUS
Quando lembramos o conceito de saúde atual, seus fatores determinantes e 
condicionantes e observamos na prática como acontece o cuidado no SUS, percebemos 
que esse ainda é um grande desafio: a melhoria dos serviços de saúde, é claro que 
FIGURA 17
Sertão nordestino Brasil
FONTE
Pixabay
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Conhecendo os avanços e desafios do SUS Capítulo 4
observamos grandes avanços como o novo modelo de Atenção Básica que já 
conversamos, mas ainda há muito que melhorar.Vale ressaltar que o financiamento 
continua sendo uma “pedra no sapato” quando falamos em avanços e, principalmente 
em desafios do SUS. Durante esses 30 anos muitas mudanças aconteceram, políticas 
neoliberais que incentivavam o setor privado enquanto as restrições orçamentarias 
cada vez mais reduziam os valores repassados aos serviços públicos.
Dessa forma, podemos dizer que ainda é um grande desafio do nosso sistema sobreviver 
dentro dessa “politicagem” com qualidade nos atendimentos, mínimos recursos para se 
manter, e a má gestão desses recursos já escassos.
Como descrito por Figueiredo (2009, p. 8) “os problemas estão na raiz desde quando se 
pensou o sistema de saúde brasileiro, de lá pra cá não se discute a saúde com direito 
de fato”. Por isso, pode-se dizer que atualmente grande parte dessas dificuldades está 
relacionada com a má gestão dos recursos, principalmente, em relação a desvios ou 
pouca habilidade de manejo dessas verbas públicas que são repassadas a Atenção 
Básica, e a rede de atendimento especializado.
Por esses dois motivos as dificuldades na incorporação de novas tecnologias, como já 
conversamos na unidade passada, também se torna um desafio atual para o nosso 
sistema de saúde.
Resumindo
Neste capítulo vimos os avanços importantes voltados à assistência 
em saúde, como algumas Políticas Nacionais, o Programa Saúde da 
Família e a Estratégia Saúde da Família. Esses avanços nos mostram que 
houve grande mudança no perfil do cuidado, deixando o atendimento 
hospilatocêntrico e passando a cuidar do indivíduo em seu local. Mas ainda 
há muito que melhorar nesse perfil de atendimento, por isso, também se 
enquadra como um desafio, em conjunto com o subfinanciamento e a 
má gestão dos mesmos. E então? O que achou sobre os avanços do SUS 
nesses 30 anos? E esses desafios? Será que conseguiremos superá-los? 
Bom, só o tempo e movimentação da população que poderá resolver 
essas dificuldades...
Epidemias e Outros Desafios 
da Saúde Pública
Referências
BASSANI, G., MORA, J., & RIBEIRO, J. (2009). O Programa Saúde da Família como estratégia 
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de 12 de 2019, disponível em http://www.unisale- siano.edu.br/encontro2009/trabalho/
aceitos/CC25565101883.pdf
BODSTEIN, R., & SOUZA, R. (2003). Parte VI - Relação público e privado no setor saúde. Em 
P. GADELHA, O Clássico e o Novo: tendências, objetos e aborda- gens em ciências sociais 
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FARAH, B. (jul-dez de 2006). Educação em serviço, educação continuada ed- ucação 
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FIGUEIREDO, N. (2009). SUS e PSF para Enfermagem. São Caetano do Sul: YENDIS.
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Privado. Revista da Procuradoria-Geral do Município de Belo Horizonte,
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