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1 Saúde da Criança e do Adolescente 2 3 Sumário Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança O que são indicadores? Principais indicadores em saúde Indicadores de morbidade Indicadores de mortalidade Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Taxa de mortalidade Determinantes da redução da mortalidade Políticas de redução da mortalidade infantil Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) Princípios da PNAISC Diretrizes da PNAISC Eixos estratégicos da PNAISC Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Assistência à saúde da criança Competência da unidade de saúde O papel da ESF nas ações de saúde da criança CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 6 7 8 12 14 17 18 21 24 27 30 30 33 34 38 39 40 41 4 Sumário Planejamento de ações Avaliação de risco Ações de saúde para crianças Grupos educativos Palestras educativas na saúde da criança Dinâmicas em grupo Referências CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO 42 44 45 45 45 46 47 5 Objetivos Definição Explicando Melhor Você Sabia? Acesse Resumindo Nota Importante Saiba Mais Reflita Atividades Testando Para o início do desenvolvimento de uma nova competência; Se houver necessidade de se apresentar um novo conceito; Algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; Curiosidades indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forma necessárias; Se for preciso acessar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; Quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últimas abordagens; Quando forem necessárias observações ou complementações para o seu conhecimento; As observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; Textos, referências bibliográficas e links para aprofundamento do seu conhecimento; Se houver a necessidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou discutido sobre; Quando alguma atividade de autoaprendizagem for aplicada; Quando o desenvolvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas. 6 @faculdadelibano_ 1 Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança 7 Saúde da Criança e do Adolescente Capitulo 1 Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança O que são indicadores? Indicadores são as medidas que utilizamos tanto para descrever quanto para analisar uma situação existente, bem como avaliar se os objetivos e as metas estão sendo cumpridas ao longo do tempo, além de prever tendências futuras. De acordo com os autores Medronho e Pereira (2005; 1995), os indicadores de saúde são definidos como frequências relativas compostas por um numerador e um denominador, que fornecerão informações importantes sobre alguns atributos e dimensões relacionados às condições de vida da população e ao desempenho do sistema de saúde. Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de entender quais são os indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança! Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante 8 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança Capitulo 1 A qualidade e eficiência dos indicadores dependerão da sua validade, ou seja, da sua capacidade de medir o que se pretende; além de outros fatores, como confiabilidade, mensurabilidade, relevância e custo-efetividade. Os profissionais de saúde, a população e os gestores são as pessoas que definem os indicadores a serem utilizados a partir do planejamento voltado para o interesse específico da localidade. Para que sejam utilizados de maneira efetiva, os indicadores devem ser organizados, atualizados, disponibilizados e comparados com outros indicadores. Principais indicadores em saúde FIGURA 1 Infográfico sobre diferença entre indicador e índice FONTE Elaborado pela autora (2022) Saiba Mais Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: “índice de desenvolvimento humano”, acessível pelo aqui . http://www.pnud.org.br/idh 9 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança Capitulo 1 Você sabe quais são os principais indicadores de saúde? Eles estão descritos na Figura 2. Vamos analisar? FIGURA 2 Principais indicadores em saúde FONTE Elaborado pela autora (2022). 10 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança Capitulo 1 Na Figura 2, podemos observar os mais diversos indicadores em saúde, cada um com sua especificidade: indicadores de morbidade, mortalidade, nutricionais, demográficos e socioeconômicos. Mas ainda há outros, como fatores ambientais e relacionados ao sistema de saúde. • Indicadores nutricionais: para avaliarmos o estado nutricional, há diferentes medidas e indicadores de avaliação, como: • Mortalidade infantil. • Mortalidade de crianças de 1 a 4 anos. • Mortalidade infantil tardia. • Disponibilidade de alimentos. • Renda per capita. • Inquéritos dietéticos e cálculo de consumo de nutrientes. • Avaliações laboratoriais. • Antropometria: peso, comprimento/estatura, perímetro cefálico, pregas cutâneas, IMC. • Indicadores sociodemográficos: para avaliarmos os indicadores sociodemográficos, as variáveis mais utilizadas são a esperança de vida ao nascer, natalidade, fecundidade, a estrutura etária e a distribuição por sexo da população. Quando verificamos o avanço crescente da população idosa em relação à infantil, podemos estimar as demandas de pré-natal, de saúde materno-infantil, de saúde da criança, etc. Na Tabela 1, podemos observar, de acordo com o Ministério da Saúde, os indicadores, qual o impacto esperado e como realizar o cálculo desses indicadores. 11 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança Capitulo 1 FIGURA 3 Indicadores de saúde na área materno-infantil. FONTE Brasil (1998). 12 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança Capitulo 1 Tanto as unidades de saúde quanto os seus profissionais não podem apenas esperar passivamente a demanda de pacientes em busca de assistência e atendimento. É de extrema importância que toda equipe de saúde esteja capacitada e conheça o perfil epidemiológico da população ao seu redor. É fundamental saber de que os pacientes adoecem, quais as principais queixas que os levam às unidades de saúde. É necessário saber de que aquela população morre, por quais motivos é internada e quais são os principais fatores determinantes das doenças na população, etc. Só assim poderemos desenvolver estratégias para o combate que sejam realmente eficazes. Indicadores de morbidade Os indicadores de morbidade são medidas utilizadas para descrever e verificar alguma situação existente. Esses indicadores avaliam o cumprimento dos objetivos, as metas e suas mudanças ao longo do tempo. De acordo com a tabela abaixo, podemos observar as causas frequentes de morbidade infantil, as principais causas de internações hospitalares no Brasil de crianças de 0 a 4 anos em diversas regiões do Brasil. Entre as causas mais frequentes, em primeiro lugar, encontramos as doenças respiratórias, seguidas pelas doenças infeciosas e parasitárias. FIGURA 4 Vacinação infantil FONTE Freepik 13 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança Capitulo 1 FIGURA 5 Comparação da média de proporção de internações hospitalares (SUS) entre as regiões do Brasi FONTE Ministério da Saúde (2009). FIGURA 6 Doença respiratória FONTE Freepik 14 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionaisem saúde da criança Capitulo 1 De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), as doenças infectoparasitárias e causas externas apresentam correlação positiva com a pobreza. A correlação entre a proporção de pobres e doenças infectoparasitárias é positiva, ou seja, quanto maior o número médio de internações por essa causa, maior a proporção de pobres. Indicadores de mortalidade O indicador de mortalidade nos demonstra a intensidade de ocorrência dos óbitos por uma determinada doença numa certa população. Temos diversos indicadores de mortalidade, como: mortalidade geral, mortalidade infantil, mortalidade materna e por doenças transmissíveis. São estes os mais utilizados para avaliar o nível de saúde de uma população. Anualmente, centenas de crianças menores de 5 anos morrem devido a causas simples, que podiam ser evitáveis, como pneumonia, diarreia e malária. Em quase 50% dos casos, fatores como a falta de água, saneamento e higiene desempenham papel importante para desnutrição. Coeficiente de mortalidade infantil O coeficiente de mortalidade infantil avaliará o risco de morte para crianças menores de um ano de um dado local e período. Esse risco pode ser medido precocemente ou tardiamente. • Precoce: avalia o risco de morte em crianças menores de 28 dias. • Tardia: avalia o risco de morte para crianças com idade entre 28 dias e 1 ano. Mortalidade proporcional por causas A mortalidade proporcional por causas é um indicador que apresenta os óbitos seja por região, por idade ou por sexo e o total de óbitos na fração que se deseja conhecer. A mortalidade proporcional por causas pode ser definida como: 15 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança Capitulo 1 Número de óbitos por determinada causa no período x 100 Total de óbitos no período (1) EXEMPLO Suponhamos que, em 2015, no Brasil, morreram 1.568.346 pessoas. Desse total de óbitos, 437.846 foram por doenças do aparelho circulatório. Aplicando a fórmula anterior, dividindo o número de óbitos por doenças do aparelho circulatório pelo total de óbitos no período e, em seguida, multiplicando o resultado por 100, chega-se a 27,91%. Portanto, de cada 100 mortes que ocorreram, 27,91 foram por doenças do aparelho circulatório. 437.846 x 100 1.568.346 (2) De acordo com o gráfico abaixo, podemos observar a evolução da mortalidade infantil no Brasil de 2002 a 2008. Com base nesses dados, podemos analisar que houve uma redução de 19,3 em 2002 para 15 óbitos em 2008 a cada mil nascidos vivos. É um progresso muito relevante, mas ainda temos muitas crianças indo a óbito por causas tratáveis, e isso deve ser evitado. FIGURA 7 Mortalidade Infantil FONTE Ministério da Saúde (2009). 16 Saúde da Criança e do Adolescente Indicadores de morbimortalidade nacionais em saúde da criança Capitulo 1 Tanto no Brasil quanto no mundo inteiro, podemos observar que houve inúmeros progressos essenciais na redução da mortalidade infantil nas últimas décadas. Apesar dessa redução, a mortalidade infantil ainda continua sendo uma preocupação urgente. No ano de 2016, cerca de 5,6 milhões de crianças vieram a óbito antes de completarem 5 anos de vida. Não podemos nos acomodar com quase 15.000 crianças no mundo morrendo diariamente, principalmente por causas que podem ser evitadas e tratadas. É fundamental que possamos erradicar as mortes de recém- nascidos e crianças por doenças infecciosas evitáveis. Apesar dos fortes avanços no combate às doenças infantis e doenças infecciosas, a pneumonia, a diarreia e a malária ainda são as principais causas de mortalidade entre crianças menores de 5 anos. Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que há vários indicadores em saúde, como os indicadores de morbidade que indicam a incidência e prevalência de doenças, indicadores de mortalidade, indicadores relacionados à nutrição, indicadores demográficos e indicadores socioeconômicos. Vimos também que a mortalidade infantil é um fato extremamente importante, pois centenas de crianças menores de 5 anos estão morrendo por causas tratáveis, e é de extrema importância que os profissionais de saúde entendam seus pacientes, entendam de que aquela população está adoecendo e morrendo e quais são as ações a planejar. Interessante, não é? Vamos para o próximo capítulo! 17 @faculdadelibano_ 2 Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil 18 Saúde da Criança e do Adolescente Capitulo 2 Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Taxa de mortalidade A taxa de mortalidade infantil pode ser considerada como um dos mais eficazes indicadores tanto do estado de saúde infantil quanto do nível socioeconômico de uma população. Há uma relação em que quanto mais baixa é a taxa de mortalidade infantil, melhor será a condição social e econômica dessa população. REVISANDO: A taxa de mortalidade infantil pode ser definida como: número de óbitos de menores de um ano de idade (por mil nascidos vivos) em determinada área geográfica e/ou período. Quando uma determinada população/região apresenta elevadas taxas de mortalidade infantil, isso é refletido geralmente no desenvolvimento socioeconômico da região. As sociedades mais desenvolvidas apresentam baixas taxas de mortalidade infantil no geral. Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de entender quais são os indicadores de morbimortalidade infantil e juvenil! Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! 19 Saúde da Criança e do Adolescente Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Capitulo 2 Nesse sentido, podemos afirmar que as taxas de mortalidade, principalmente da mortalidade infantil, estão diretamente ligadas com as condições de vida da população no geral, de forma que esse dado acaba indica a possibilidade de que um nascido vivo venha a falecer antes mesmo de completar seu primeiro ano de vida. Assim, essedadoésuficienteparademonstraraprecariedade das condições de vida da população em um determinado local, de sua saúde, das taxas relativas à alimentação, nutrição, acesso a um saneamento básico adequado, assistência médica, entre tantos outros fatores fundamentais. Dessa forma, o próprio Ministério da Saúde (BRASIL, 2015) afirma que quaisquer reduções nas taxas de mortalidade podem ser rapidamente compreendidas como a ocorrência de mudanças consideráveis em algum dos fatores já citados, indo desde melhorias nas formas de assistência básica e primária de saúde, acompanhamento médico, cobertura vacinal completa, serviços de pré-natal e acompanhamento pós-natal, incentivo ao aleitamento materno, entre tantos outros fatores. FIGURA 8 Região de baixo desenvolvimento socioeconômico FONTE Freepik 20 Saúde da Criança e do Adolescente Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Capitulo 2 Da mesma maneira ocorre no resto do mundo. De acordo com a Organização das Nações Unidas, os países desenvolvidos economicamente e socialmente apresentam uma diminuição da mortalidade infantil por uma acentuada redução das causas associadas a fatores externos que podem ser facilmente prevenidos, tais como condições adequadas de nutrição, saneamento e assistência hospitalar. De acordo com Ortiz (2002), na maior parte dos países desenvolvidos, as mortes infantis mais predominantes são aquelas que ocorrem durante os primeiros dias de vida da criança, provocadas, sobretudo, pela ineficiência da assistência ao pré- natal e por fatores relacionados às más condições do parto. Você Sabia? O Ministério da Saúde é o responsável pela publicação da Portaria nº 72/2010, relativa à vigilância nacional sobre as taxas de morte infantil e também fetal. Dessa forma, torna-se obrigatórioque todos os serviços de saúde, tanto públicos como privados, notifiquem tais casos, de forma que, a partir desses números, possam ser subsidiados projetos e ações específicas voltadas para prevenir e reduzir as ocorrências desse tipo. FIGURA 9 Exames pré-natais FONTE Freepik 21 Saúde da Criança e do Adolescente Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Capitulo 2 Determinantes da redução da mortalidade Sousa e Maia (2004), em um dos seus trabalhos, apresentam dados em relação à evolução da mortalidade infantil e seus fatores determinantes no Nordeste brasileiro durante o período de 1990 a 2001. Pôde-se observar que o acesso à água tratada tem efeitos positivos para redução da mortalidade infantil, e outros indicadores também foram considerados importantes, como a taxa de fecundidade, alfabetização, renda e gastos com saúde e saneamento. Importante A mortalidade infantil é o resultado de um conjunto extenso de fatores determinantes. Dessa forma, conhecermos os fatores associados aos óbitos é importante para que possamos planejar intervenções adequadas às necessidades do grupo específico. Acesse Para saber mais sobre a mortalidade infantil, seus fatores determinantes, causas e consequências, acesse este link e assista a um vídeo sobre o tema. FIGURA 10 Unidade de tratamento de esgoto e saneamento básico FONTE Freepik https://www.youtube.com/watch?v=B9EDpA5D2fA 22 Saúde da Criança e do Adolescente Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Capitulo 2 Em outro trabalho, avaliando os principais determinantes da mortalidade infantil no Nordeste brasileiro, Irffi et al. (2008) buscaram contribuir para a análise dos principais determinantes. Os autores identificaram que a redução da mortalidade infantil está relacionada à educação e, em seguida, ao nível de renda. Noesquemada Tabela3, podemosobservarosdeterminantes sociais de saúde, relacionados à morbimortalidade de crianças e jovens e podemos notar também que os determinantes sociais de saúde, como as condições ambientais (água, esgoto, lixo), estão ligados diretamente à saúde infantil, que pode acarretar diversas doenças, como a diarreia, insuficiência respiratória aguda, desnutrição e baixo peso ao nascer. Ao analisarmos as principais causas de mortalidade por 1.000 NV em menores de 5 anos no Brasil, entre os anos de 1990 e 2015, podemos observar que houve uma redução dos óbitos por doenças diarreicas, que passou da 2ª maior causa de mortalidade para a 7ª posição em 2015 (BRASIL, 2015). FIGURA 12 Determinantes sociais de saúde FONTE Brasil (2019). 23 Saúde da Criança e do Adolescente Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Capitulo 2 Observamos também importante redução nos óbitos por infecções respiratórias e por desnutrição, que antes figuravam na 3ª e 7ª posições, e agora estão nas posições 5ª e 9ª, respectivamente. Em ambos os anos analisados, apesar da redução, podemos perceber que a prematuridade ainda é a principal causa de óbito. A taxa de mortalidade entre crianças de 5 a 14 anos não é tão elevada quanto em crianças com idade inferior a 5 anos, porém cerca de 1 milhão de crianças com idade de 5 a 14 anos vieram a óbito no mundo em 2016. Desde 1990, houve uma redução de 50% da taxa de mortalidade entre crianças de 5 a 14 anos (ONU, 2017). FIGURA 13 Bebê nascido prematuramente FONTE Freepik Saiba Mais Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: “United Nations Inter-agency Group for Child Mortality Estimation (UN IGME), Levels & Trends in Child Mortality: Report 2017”, acessível aqui . https://www.unicef.org/reports/levels-and-trends-child-mortality-report-2017 24 Saúde da Criança e do Adolescente Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Capitulo 2 Entre as crianças de 5 a 9 anos e adolescentes com idade entre 10 e 14 anos, as doenças transmissíveis apresentam baixas taxas de mortalidade, em relação a crianças mais novas, enquanto outras causas se tornam importantes. Alguns dados fornecidos pelo Ministério da Saúde (BRASIL, 2015) refletem a realidade nacional, regional e global entre crianças de 5 a 14 anos, de forma que podemos observar que, entre as variáveis analisadas (mortalidade por sexo, mortalidade por mil nascidos vivos, mortalidade neonatal e probabilidade de morrer na idade de 5 a 14 anos), houve uma redução significativa da mortalidade ao compararmos os anos de 1990 e 2016, mas ainda há muito a melhorar! Políticas de redução da mortalidade infantil O Ministério da Saúde passou a implementar projetos e programas que trabalhavam na busca da redução da mortalidade infantil, sendo um destes o Programa de Estratégia Saúde da Família, conhecido também pela sigla EFS e considerado como uma das ramificações do SUS, dedicado a atuar diretamente com a redução da mortalidade infantil. Assim, destacamos também a atuação do Comitê Científico do Núcleo de Ciência pela Infância, ou NCPI, que é o responsável pela coleta de dados e pesquisas sobre a mortalidade infantil em municípios cadastrados e que servem como base para a implementação e criação de novos programas sociais e políticas públicas no assunto. Dentro da plataforma de prestação de serviços da EFS (BRASIL, 2015). tem-se a atuação de equipes completas, formadas por médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde e técnicos de enfermagem que atuam diretamente com a melhoria de saúde das famílias e da população no geral de forma gratuita. Sendo assim, o programa funciona a partir do cadastro de municípios interessados, por meio do qual se montam equipes de atendimento, voltadas para o cuidado específico de 800 a 1.000 famílias, o que abarca em torno de 4.000 pessoas atendidas de forma constante em Unidades Básicas de Saúde (UBS), com a atuação de médicos, enfermeiros e técnicos de saúde. 25 Saúde da Criança e do Adolescente Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Capitulo 2 No caso dos agentes comunitários de saúde, estes atuam em campo, por meio de visitas residenciais, programas de propagação da saúde dentro de escolas e creches, ajudando as crianças a compreender e aprender sobre cuidados básicos de saúde e também sobre práticas saudáveis de higiene pessoal e bucal. Sendo assim, com a implementação de tais programas e políticas públicas, o Ministério da Saúde (BRASIL, 2015) passou a observar uma redução nas taxas de mortalidade infantil em diversas localidades de baixa renda e que antes tinham baixa atenção do governo e dos programas de saúde. Nesse sentido, além da implementação de programas de saúde mais bem estruturados e de assistência básica, percebeu- se também que outros entes começaram a tratar também dessas populações, de forma que se foram aperfeiçoando os sistemas de saneamento básico, fornecimento de água potável, qualidade das moradias, qualidade alimentar, com melhores escolas e maior qualidade na educação. O controle médico e o acompanhamento das mães após o nascimento de seus filhos também são de extrema importância para assegurar que haja a redução da mortalidade em seu nível mais alto, que está localizada entre o momento do nascimento até o primeiro ano de vida. FIGURA 14 Ensino de saúde bucal para crianças FONTE Freepik 26 Saúde da Criança e do Adolescente Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Capitulo 2 Nesse caso, são importantes o acompanhamento médico, fornecimento de vacinas e medicamentos adequados, além do apoio das mães com o aleitamento materno, atenção aos cuidados e exames pré-natais e neonatais, controle local de prevenção e contenção de doenças contagiosas, entre outros pontos que fortalecem a saúde infantil no primeiro ano de vida. Assim, podemos concluir que a redução das taxas de mortalidade está diretamente ligada com as taxas de desenvolvimento social e maior qualidade de vida das populações, de forma que é necessário que as populações e os cidadão busquemcobrar dos políticos a implementação de reais políticas públicas e melhorias para as mais diversas áreas da sociedade Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que há diversos determinantes de morbimortalidade infantil, que fatores como as condições ambientais, fatores demográficos e condições socioeconômicas interferem diretamente na saúde infantil, podendo levar a diarreia, insuficiência respiratória, desnutrição, baixo peso ao nascer e até mesmo levar a óbito! Você também deve ter aprendido que a taxa de mortalidade entre crianças de 5 a 14 anos não é tão elevada quanto em crianças com idade inferior a 5 anos, mas ainda houve 1 milhão de crianças com idade de 5 a 14 anos que vieram a óbito no mundo em 2016! Interessante, não é? Vamos para o próximo capítulo!! 27 @faculdadelibano_ 3 Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente 28 Saúde da Criança e do Adolescente Capitulo 3 Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Ao iniciarmos este tema, que é tão importante, sobre a atenção à saúde da criança e do adolescente, devemos nos lembrar que a atenção à saúde da criança é uma das áreas prioritárias em relação aos cuidados à saúde das populações. Vamos entender um pouco da história e da evolução da saúde e da criança no Brasil? Há muitos anos a saúde da criança está na agenda política do Brasil. No ano de 1937, durante o Estado Novo, ocorreu o início dos programas na área infantil, com ações voltadas para a proteção da maternidade, da infância e da adolescência. Esse programa estava a cargo do Departamento Nacional de Saúde do Ministério da Educação e Saúde (MES). Já em meados dos anos 1975, foi criado o Programa Nacional de Saúde Materno-Infantil, que tinha como objetivo a redução da morbidade e mortalidade materno-infantil (BRASIL, 2011). Com a prioridade e com o objetivo de promover o bem-estar da criança por meio da promoção e da recuperação da saúde, o governo brasileiro busca sempre desenvolver Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de conhecer o programa de atenção à saúde da criança e do adolescente! Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! 29 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 estratégias para defesa dos direitos infantis e maternos (combate à desnutrição e ao analfabetismo e erradicação de doenças). No ano de 1983, o governo lançou o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher e da Criança (PAISMC), que tinha como objetivo o desenvolvimento de ações que visam melhorar as condições de saúde, a cobertura e a rede pública de serviços. No ano seguinte, em 1984, com o objetivo de separar as ações voltadas para a mulher e para as crianças e reduzir a morbimortalidade infantil e materna, o PAISMC foi dividido em 2 programas: 1. Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM). 2. Programa de Assistência Integral à Saúde da Criança (PAISC). Analisando a Figura 4, podemos observar as principais estratégias públicas voltadas à saúde da criança desenvolvidas a partir dos anos 2000 até hoje. Essas estratégias foram e são de extrema importância para que possamos reduzir as taxas de morbimortalidade infantil e materna no Brasil. FIGURA 15 Estratégias públicas de atenção à saúde da criança nos anos 2000. FONTE UFPEL (2015). 30 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) O PNAISC é a política mais recente voltada para a saúde da criança, e seus principais eixos envolvem toda a cadeia de atenção à saúde, que, por seu turno, abrange desde a atenção humanizada perinatal e ao recém-nascido até a prevenção do óbito infantil. Princípios da PNAISC Com base no que vimos até o momento e de acordo com a Lei (BRASIL, 1988; 1990), podemos observar os princípios que regem e norteiam a atuação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança. Saiba Mais Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: “Atenção integral à saúde da criança: políticas e indicadores de saúde” (MACEDO, 2016), acessível aqui Definição De acordo com as definições da PANAISC, compreende-se como “criança” qualquer pessoa que esteja na faixa etária entre 0 e 9 anos de idade, sendo considerada como “primeira infância” a fase da vida entre 0 e 5 anos. Já para o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é considerada como “criança” a pessoa que tenha até 11 anos, de forma que “adolescente” é aquele que está entre os 12 e 18 anos. Por fim, temos a definição trazida pelo Ministério da Saúde, que considera “criança” a pessoa de 0 a 9 anos de idade (assim como a definição da PNAISC), enquanto o “adolescente” passa a ser a pessoa dentro da faixa etária de 10 a 19 anos de idade. https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/saude_crianca_materiais_infomativos.pdf 31 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 • Direito à vida e à saúde O direito à vida e à saúde é um princípio fundamental garantido e de acordo com o qual todas as crianças deveriam ter acesso universal e igualitário a todas as ações de saúde, voltadas para a promoção, proteção integral e recuperação da saúde, por meio de políticas públicas eficazes que permitam que as crianças nasçam, cresçam e se desenvolvam sadiamente e em condições dignas (BRASIL, 1988; 1990). • Prioridade absoluta da criança É um princípio constitucional que diz que a criança deve ser a primeira a receber proteção e cuidado em quaisquer circunstâncias, ter preferência nas políticas sociais e em toda a rede de cuidado e de proteção social, bem como o privilégio na destinação de recursos em todas as políticas públicas (BRASIL, 1988; 1990). • Acesso universal à saúde Toda criança tem o direito de receber atenção e cuidado necessários, e é dever da política de saúde atender as demandas da comunidade, propiciando, dessa forma, o acolhimento, a escuta dos problemas e a avaliação, além de classificar as crianças de acordo com o risco de vulnerabilidades sociais, propondo o cuidado necessário (BRASIL, 2005). • Integralidade do cuidado É um princípio do SUS que trata da atenção global da criança. Abrange as ações de promoção, prevenção, tratamento, reabilitação e de cuidado. Esse princípio compreende que as crianças devem ter a garantia de acesso a todos os níveis de atenção, que se dão por meio da integração dos serviços, da Rede de Atenção à Saúde, que acompanha a trajetória da criança em uma rede de cuidados e proteção social, por meio de estratégias envolvendo a família e as políticas sociais (BRASIL, 2005). • Equidade em saúde 32 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 O princípio de equidade significa igualdade da atenção à saúde, sem privilégios ou preconceitos. As prioridades de ações são definidas de acordo com as demandas específicas de cada um (BRASIL, 2005; BRASIL, 2009). • Ambiente facilitador à vida Este princípio se refere à qualidade do vínculo entre a criança e sua mãe ou cuidadores, e também com os profissionais que atuam em diversos locais que a criança percorre (PENELLO, 2013). Esse ambiente se institui a partir do entendimento da relação entre indivíduo e sociedade, interagindo em busca de um desenvolvimento permeado pelo cuidado essencial, abrangendo toda a comunidade em que vive. • Humanização da atenção É um princípio que objetiva qualificar as práticas do cuidado por meio de soluções reais para os problemas vividos no processo de produção de saúde. Essas práticasdevem ocorrer de maneira criativa e inclusiva, com acolhimento, gestão participativa e cogestão, valorização do trabalhador, defesa dos direitos dos usuários, estabelecimento de vínculos solidários entre as pessoas e a valorização das diferentes pessoas envolvidas desde os anos iniciais da vida (BRASIL, 2006). • Gestão participativa e controle social É um princípio do SUS que objetiva fomentar a democracia representativa e criar as condições para o desenvolvimento da cidadania por meio de diálogo social, audiências públicas, conferências e os conselhos de saúde em todas as esferas de governo que compõem a gestão do SUS (BRASIL; MARTINS, 2010). Saiba Mais Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso ao artigo “AIDPI: Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância: curso de capacitação: identificar o tratamento: módulo 3”. O texto está disponível aqui . https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/aidpi_mod3.pdf 33 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 Diretrizes da PNAISC As diretrizes da PNAISC devem ser observadas para elaboração de programas e projetos voltados para saúde da criança. Podemos observas as seguintes diretrizes: • Gestão interfederativa das ações de saúde da criança Essa diretriz diz respeito ao fomento à gestão para implementação da PNAISC, por meio da viabilização de parcerias e articulações necessárias para fortalecer a política com os planos de saúde e os planos específicos que dizem respeito à criança. • Organização das ações e dos serviços em Redes de Atenção à Saúde Diz respeito à organização das ações e serviços da Rede de Atenção à Saúde, bem como a articulação dos profissionais e serviços de saúde, por meio de estratégias que visam garantir o cuidado com a criança e a completa resolução dos problemas, contribuindo para a integralidade da atenção e a proteção da criança. • Promoção da saúde É um conjunto de estratégias para produção da saúde, na busca da equidade e da melhor qualidade de vida, com ações voltadas para o desenvolvimento humano, do ambiente e de hábitos de vida saudáveis, além do enfrentamento da morbimortalidade por doenças crônicas não transmissíveis (BRASIL, 2014). • Fomento à autonomia e à corresponsabilidade da família É um princípio previsto na constituição e que deve ser estimulado e apoiado pelo poder público. Envolve informações sobre os principais problemas de saúde, bem como orientações sobre a educação dos filhos e o estabelecimento de limites educacionais sem o uso de violência. • Qualificação da força de trabalho 34 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 A qualificação da força de trabalho é essencial para a prática do cuidado, da participação do controle social e do trabalho em equipe e dos diversos saberes e intervenções dos profissionais. • Planejamento no desenvolvimento de ações Trata-se do aprimoramento das estratégias de planejamento para a execução das ações da PNAISC, decorrentes das evidências epidemiológicas, de indicadores e metas, com medidas eficazes de intervenção. • Incentivo à pesquisa e à produção de conhecimento É muito importante o incentivo à pesquisa e à produção de conhecimento. Dessa forma, a inovação e a tecnologia possibilitam a execução de medidas necessárias para a implementação da PNAISC, sempre respeitando a diversidade étnico-cultural. • Monitoramento e avaliação Tanto o fortalecimento do monitoramento e da avaliação das ações e das estratégias da PNAISC quanto o aperfeiçoamento dos sistemas de informação e instrumentos de gestão são eficazes para obtermos informações a respeito dos objetivos alcançados e sobre quais processos ou efeitos são indicados para mais efetividade. • Intersetorialidade As políticas sociais brasileiras são muito fragmentadas, e promover a intersetorialidade favorece a tomada de decisões que geram efeitos positivos na produção de saúde e de cidadania. Eixos estratégicos da PNAISC A PNAISC é estruturada em 7 (sete) eixos estratégicos, com o objetivo de superar os desafios, orientar e qualificar as ações e os serviços de saúde da criança brasileira, sempre levando em consideração os determinantes sociais (BRASIL, 2015). 35 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 Eixo I – Atenção humanizada e qualificada à gestação, ao parto, ao nascimento e ao recém-nascido Este eixo baseia-se na melhora tanto do acesso quanto da cobertura, na qualidade e na humanização da atenção obstétrica e neonatal, englobando as ações do pré-natal e da assistência à criança na atenção básica (BRASIL, 2015). Para que possamos reduzir a mortalidade materna e infantil, é necessária a oferta de serviços de qualidade que garantam fácil acesso e cumpram os protocolos estabelecidos, além de proporcionar intervenções eficazes que garantam a saúde materna. O pré-natal é uma proteção tanto para a mãe quanto para o filho, pois inclui procedimentos rotineiros preventivos, curativos e de promoção da saúde (LEAL et al., 2015). Eixo II – Aleitamento materno e alimentação complementar saudável O eixo 2 está baseado na promoção, na proteção e no apoio ao aleitamento materno, já iniciando desde a gestação, levando em conta as vantagens da amamentação para a criança, bem como a importância de estabelecer hábitos alimentares saudáveis (BRASIL, 2015). O aleitamento materno traz inúmeros benefícios para o bebê e também para a mãe. Amamentar é uma estratégia eficaz para fortalecer o vínculo entre a mãe e o filho. Além de nutrir a criança, o leite materno o protege contra inúmeras doenças, além de ser uma estratégia barata e eficaz no combate da mortalidade infantil. Tanto o Ministério da Saúde quanto a Organização Mundial da Saúde preconizam que a amamentação deve ser exclusiva até os seis meses de idade, além de leite materno até a idade de dois anos. Eixo III – Promoção e acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento integral A promoção e o acompanhamento do crescimento baseiam- se tanto na vigilância, quanto no estímulo para o crescimento e desenvolvimento infantil (BRASIL, 2015). 36 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 O acompanhamento do crescimento infantil é uma ação que visa à prevenção e é baseada em atividades pautadas na promoção do desenvolvimento e da percepção de problemas inerentes à atenção primária à saúde da criança. Manuais técnicos foram divulgados ao longo dos anos, visando ao monitoramento do crescimento e do desenvolvimento infantil. Esses manuais são acompanhados de fichas, que são utilizadas como roteiro de observação e identificação de crianças com prováveis problemas de desenvolvimento (ZEPONNE; VOLPON; DEL CIAMPO, 2012). Eixo IV – Atenção integral a crianças com agravos prevalentes na infância e com doenças crônicas O eixo 4 consiste em estratégias para o diagnóstico precoce de doenças que são comuns na infância. Consiste também no planejamento de ações de prevenção de doenças e de tratamento dos casos diagnosticados (BRASIL, 2015). Considerada um instrumento útil para a detecção precoce e tratamento de principais doenças, a Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI) é uma importante intervenção para melhorar as condições de saúde na infância nos países em desenvolvimento. A utilização da AIDPI nos serviços de saúde pode ser muito importante para redução da mortalidade infantil (BRASIL, 2012). Eixo V – Atenção integral à criança em situação de violências, prevenção de acidentes e promoção da cultura de paz Este eixo baseia-se na articulação de um conjunto de ações e estratégias que objetivam a prevenção de violências, acidentes e promoção da cultura de paz. Consiste também na organização de metodologias de apoio aos serviços especializados de atenção à criança em situação de violência, seja denatureza sexual, física, psicológica, por negligência ou abandono (BRASIL, 2015). A violência pode deixar sequelas tanto físicas quanto emocionais, além de interferir diretamente no desenvolvimento da criança. 37 Saúde da Criança e do Adolescente Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Capitulo 3 Eixo VI – Atenção à saúde de crianças com deficiência ou em situações específicas e de vulnerabilidade Este eixo objetiva a junção de diversas estratégias para que ocorra o processo de inclusão das crianças em situação de deficiência ou de vulnerabilidade nas redes temáticas de atenção à saúde, reconhecendo as especificidades desse público para uma atenção resolutiva (BRASIL, 2015). Eixo VII – Vigilância e prevenção do óbito infantil, fetal e materno De extrema importância, este eixo consiste na contribuição para a vigilância e investigação da mortalidade infantil, fetal e materna, além de possibilitar a avaliação das medidas necessárias para a prevenção de óbitos evitáveis (BRASIL, 2015). Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido um pouco da história das ações e dos programas voltados à atenção e à saúde da criança, e que atualmente o programa que está em vigor é a Política Nacional de Atenção Integrada à Saúde. Nesse programa, encontramos diversos eixos e diretrizes voltados à assistência infantil. Entre os principais eixos estratégicos, está englobada a atenção humanizada desde a gestação até o nascimento, o aleitamento materno, a promoção e acompanhamento do crescimento infantil, a atenção integral a crianças com agravos e doenças crônicas, em situação de violência e vulnerabilidade, atenção a crianças com deficiência e a prevenção de óbitos tanto infantis quanto maternos e fetais. E, então? Gostou deste capítulo? Vamos para o próximo? 38 @faculdadelibano_ 4 Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF 39 Saúde da Criança e do Adolescente Capitulo 4 Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Assistência à saúde da criança O bem-estar da criança tem chamado atenção há alguns anos. Dessa forma, o Brasil busca desenvolver estratégias que objetivam a defesa dos direitos infantis e maternos, além de combater a desnutrição e o analfabetismo e promover a erradicação de doenças que causam a morte de milhões de crianças. Para que as crianças cresçam saudáveis, é necessário que passem por cuidados básicos de promoção e recuperação da saúde. Esses cuidados são garantidos na atenção básica à saúde por meio de ações práticas, habilidades e conhecimentos, sendo a ESF um importante facilitador desse processo. Como uma ferramenta estratégica, a Estratégia Saúde da Família (ESF), que promove a atenção básica, permite o acompanhamento de forma eficaz das crianças menores de cinco anos e busca desenvolver o vínculo com as famílias, além de desenvolver as ações específicas direcionadas aos principais problemas da população a partir do conhecimento de sua realidade. Objetivos Ao término deste capítulo, você será capaz de entender a respeito da assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de Estratégia Saúde da Família (ESF)! Isso será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver essa competência? Então vamos lá. Avante! 40 Saúde da Criança e do Adolescente Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Capitulo 4 A organização dos serviços em Redes de Atenção à Saúde tem o objetivo de oferecer o cuidado integral à saúde da criança, por meio das seguintes ações: Competência da unidade de saúde A unidade de saúde apresenta as seguintes competências: • A Unidade de Saúde sempre deve ser a porta de entrada da criança para o sistema de saúde. FIGURA 16 Ações da Rede de Atenção à Saúde FONTE Elaborado pela autora (2022). FIGURA 17 Acompanhamento da saúde da criança FONTE Freepik 41 Saúde da Criança e do Adolescente Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Capitulo 4 • A unidade de saúde deve garantir a acessibilidade, responsabilizando-se pelos problemas de saúde das crianças do seu território e pelo monitoramento deles. • Deve haver acompanhamento da criança em todos os ciclos da vida (recém-nascido, primeiro ano de vida, pré-escolar e escolar). • A equipe de saúde tem responsabilidade integral sobre todas as crianças da sua área de abrangência. • A equipe de saúde deve coordenar a rede de serviços necessários ao acompanhamento adequado da criança, identificando todos os serviços de que as crianças possam ter necessidade, fazendo um encaminhamento adequado e se comprometendo com um acompanhamento conjunto. • Realizar ações junto à comunidade, com o propósito de mobilizá-la em prol da redução da mortalidade infantil e materna no seu território. Saiba Mais Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento - Curso: “O papel da ESF nas ações de saúde da criança” (MESQUITA et al.), acessível aqui . O papel da ESF nas ações de saúde da criança A ESF tem extrema importância nas ações de saúde de crianças, promovendo a prevenção e recuperação da saúde, como veremos nos tópicos a seguir. Vamos iniciar falando da caderneta de vacinação, que é o principal documento da criança. Ao chegar ao ESF, os profissionais devem verificar se as mães a receberam na maternidade, para que nela sejam feitas anotações dos marcos de crescimento e desenvolvimento em cada atendimento. O registro, pelos profissionais de saúde, das informações sobre os diferentes aspectos da saúde da criança é fundamental para que a caderneta cumpra seu papel na vigilância e promoção da saúde. https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/1295?show=full 42 Saúde da Criança e do Adolescente Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Capitulo 4 Planejamento de ações A ESF é uma organização da atenção primária à saúde no Brasil, que tem como objetivo o cuidado integral de pessoas (BRASIL, 2012). O processo de trabalho das equipes no ESF envolve o planejamento e a organização da agenda de trabalho de todos os profissionais para que seja viável (BRASIL, 2005). O planejamento de ações e avaliação de riscos em saúde da criança deve ainda considerar as particularidades de cada faixa etária. • Lactentes (menores de 2 anos de idade): estão sujeitos a riscos causados por outras pessoas, como: queimaduras, intoxicações, acidentes de automóvel e quedas. • Pré-escolares (2 a 6 anos): sofrem mais atropelamentos, afogamentos, quedas de lugares altos, ferimentos, lacerações e queimaduras. FIGURA 18 Processos e trabalhos das equipes de ESF FONTE Adaptado de Brasil (2005). 43 Saúde da Criança e do Adolescente Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Capitulo 4 • Escolares (6 a 10 anos): podem ser vítimas de atropelamentos, quedas de bicicletas, quedas de lugares altos, traumatismos dentários. • Adolescentes (maiores de 10 anos): é de se ressaltar a elevada vulnerabilidade desse grupo às causas externas, em proporções mais significativas que no restante da população, uma vez que essas causas ocupam o primeiro lugar na mortalidade juvenil. Ex.: agressões (homicídios), acidentes de transportes terrestres, suicídios etc. Para um planejamento eficiente pela equipe da ESF, devem ser assegurados à criança, enquanto usuária da Atenção Básica e do SUS, os seguintes fundamentos e diretrizes. FIGURA 19 Crianças em idade pré-escolar FONTE Freepik FIGURA 20 Diretrizes e fundamentos da equipe de ESF FONTE Adaptado de Brasil (2005). 44 Saúde da Criança e do Adolescente Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Capitulo 4 São 5 etapas para um planejamento eficazde acordo com Vilasboas (2004). Em primeiro lugar, devemos analisar a situação de saúde; em segundo, definir os objetivos, as ações; analisar a viabilidade de execução; elaborar a programação operativa e, por fim, o acompanhamento da avaliação de programação. Avaliação de risco A avaliação da presença de situações de risco e vulnerabilidade deve estar presente na abordagem à saúde da criança desde a primeira consulta, observando aspectos como: • Presença de problemas familiares. • Falta de vacinação. • Presença de problemas socioeconômicos. • Suspeita de violência. Referência e contrarreferência Ao organizarmos a assistência à saúde em linhas de cuidado, possibilita-se uma estratégia de desarticulação entre os diferentes níveis da saúde e garante-se, assim, a continuidade do cuidado integral, de maneira ágil e oportuna em cada nível de atenção, FIGURA 21 Planejamento e programação das ações de vigilância da saúde em nível do SUS FONTE Vilasboas (2004). 45 Saúde da Criança e do Adolescente Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Capitulo 4 assim como referência e contrarreferência responsável. Espera-se que a assistência básica no ESF dê a oportunidade de: • Consultas para crianças e mães. • Vacinações. • Estímulo a presença do pai. • Teste do pezinho. • Acompanhamento do crescimento da criança. Ações de saúde para crianças Grupos educativos Os grupos educativos são eficientes, pois podemos aplicar ações voltadas para promoção e prevenção da saúde, possibilitando, dessa maneira, construir novas alternativas de desenvolver práticas em saúde Palestras educativas na saúde da criança FIGURA 22 Vacinação infantil FONTE Freepik 46 Saúde da Criança e do Adolescente Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Capitulo 4 As palestras educativas na saúde da criança objetivam trazer informações, esclarecer e conscientizar as crianças e familiares acerca de medidas de promoção e prevenção de saúde. Dinâmicas em grupo As dinâmicas de grupo para crianças apresentam resultado muito positivo quando bem aplicadas, além de proporcionarem um momento de descontração nas rotinas de atendimento, desenvolvendo um forte vínculo com a equipe de Saúde da Família. Resumindo E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido algumas das principais ações desenvolvidas pela ESF visando à atenção integral à criança. Abordamos a organização do serviço e da equipe de saúde, a referência e a contrarreferência e vimos também as etapas do planejamento local em saúde. Esperamos que você possa transpor o conteúdo abordado para o seu ambiente de trabalho e, em equipe, colocar em prática as ações de saúde na atenção à saúde da criança 47 Saúde da Criança e do Adolescente Referências BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [1988]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.htm Acesso em: 26 jun. 2019. BRASIL. Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. 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Principais indicadores em saúde Indicadores de morbidade Indicadores de mortalidade Determinantes de morbimortalidade infantil e juvenil Taxa de mortalidade Determinantes da redução da mortalidade Políticas de redução da mortalidade infantil Programa de atenção à saúde da criança e do adolescente Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Criança (PNAISC) Princípios da PNAISC Diretrizes da PNAISC Eixos estratégicos da PNAISC Assistência à saúde da criança e do adolescente nas unidades de ESF Assistência à saúde da criança Competência da unidade de saúde O papel da ESF nas ações de saúde da criança Planejamento de ações Avaliação de risco Ações de saúde para crianças Grupos educativos Palestras educativas na saúde da criança Dinâmicas em grupo Referências