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AULA 1 SEO E ANALYTICS Profª Camila Gino Almeida Costa 2 INTRODUÇÃO As férias estão chegando e você decide que vai viajar. Alguns amigos e familiares falaram de alguns destinos que lhe interessam e você gostaria de saber mais, ou mesmo encontrar um destino completamente novo e diferente. Aonde você vai buscar toda essa informação? Ou, então, você resolveu comprar um carro. Teve, inclusive, a oportunidade de experimentar alguns modelos que lhe agradaram. Mas você quer saber mais, definir com cuidado, saber valores, rendimento, segurança e atrativos de cada opção. Em qual lugar você vai buscar informações? E então vai pedir comida, do jeito que você gosta e sem perder tempo. Está saindo do trabalho e quer que sua refeição chegue em casa praticamente junto com você. Aonde mesmo é que você vai buscar? Na internet, não é? Talvez você use também outros canais, como recomendações de amigos, visita a estabelecimentos físicos, consulta com especialistas. Ou talvez você utilize exclusivamente a busca on-line. Mas sabemos, com boa margem de segurança, que hoje, muito dificilmente, você pesquisará sobre algum produto, serviço ou assunto sem consultar a web. Na atualidade, para fazer nossas pesquisas na internet, dificilmente digitamos – ou damos um comando de voz, tendência que se fortalece a cada dia – diretamente o endereço do site de uma empresa, organização ou marca referente ao tema objeto de nosso interesse. O comportamento mais comum, nos dias de hoje, é digitarmos palavras-chaves em um buscador da internet, como o Google, o Bing, o Yahoo ou o mais recente DuckDuckGo, entre outros. Figura 1 – Buscadores 3 Também conhecidos como sites, mecanismos ou motores de busca, esses sistemas de pesquisa da internet revolucionaram, ao longo dos anos, a forma como nos comportamos, nos informamos, pensamos e tomamos nossas decisões. Nossa sensação, como usuários da internet, é de que praticamente tudo, na contemporaneidade, passa por um site de busca na internet. Dentro dessa lógica, quais são as chances de um produto/marca/empresa/site de notícias que não aparece em um buscador ser encontrado? Ou então de gerar negócios ou acessar um público expressivo, qualitativa e quantitativamente? Não parecem muito grandes, não é mesmo? Alguns negócios muito específicos podem até optar por uma forma diferente de dialogar com o seu público, mas em linhas gerais criou-se um jargão em relação aos sites de busca, ancorado pelo mais popular deles na atualidade. Vamos a ele, a partir da obra SEO de verdade, de Maria Carolina Avis: “estar bem ranqueado é uma questão de sobrevivência no mercado atual, já que existe uma máxima na internet, segundo a qual se não está no Google, não existe” (Avis, 2019, p. 24). As estratégias e técnicas de SEO – Search Engine Optimization, a otimização para mecanismos de busca, atuam no desenvolvimento e aprimoramento máximo de um site (incluindo redes sociais, como você poderá ver nesta disciplina) para que ele seja considerado de alta relevância pelos buscadores da internet, sendo assim bem ranqueado nas pesquisas, para que o usuário encontre e se sinta motivado a clicar no link e entrar na sua página. Nesta jornada que iniciamos na disciplina, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre as estratégias para otimização de sites para mecanismos de buscas, assim como as métricas e aplicação da inteligência analítica para mensurar os resultados e dirigir nossas ações digitais. Nesta aula, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre os seguintes temas: Web e mecanismos de busca: onde estamos hoje; Fundamentos da internet e buscadores; Gestão de conteúdo e marketing digital; SEO no marketing digital; Analytics no marketing digital. Mais que recursos financeiros (não se pode dizer que eles não contam), inteligência estratégica faz muita diferença aqui. Ser ranqueado com sucesso 4 pode garantir mais vendas, no caso de produtos/serviços, ou acessos, no caso de veículos de comunicação. Ambas situações trazem resultados em reputação, rentabilidade e sustentabilidade da marca/negócio. Vamos, ao longo de nosso percurso, nos dedicar a conhecer mais sobre SEO e Analytics e descobrir como essas ferramentas essenciais podem fazer muito pela competente e competitiva gestão de conteúdo em mídias digitais. TEMA 1 – WEB E MECANISMOS DE BUSCA: ONDE ESTAMOS HOJE Por que fazer SEO – Search Engine Optimization? Como bem observava em determinado momento um personagem da icônica obra Alice no país das maravilhas (Carroll, 2014), vamos começar pelo começo. Afinal, por que dedicar tempo e energia a boas práticas de SEO? Não basta ter um site interessante, com bom conteúdo? Conteúdo de qualidade é um dos pilares do SEO (ao longo desta disciplina, vamos estudar esse tema). Sem ele, considerando a sofisticação com que os motores de busca funcionam atualmente, não conseguimos levar um site ao topo do ranking. Por outro lado, a prática do SEO contempla também outros aspectos para que os buscadores relacionem o seu site e o posicionem bem. 1.1 SEO e Analytics: campos em expansão Reportagem publicada em fevereiro de 2019 no Portal Exame aponta que, entre os profissionais de alta demanda no mercado, está o analista de SEO. O texto cita dados de um estudo realizado em 2017 pela empresa especializada em marketing de conteúdo Rock Content, que aponta que “sete em cada dez organizações utilizam o SEO para ganhar relevância digitalmente” (Lima, 2019). O artigo traz ainda informações que ajudam a nos situar no universo de buscas e da prática de SEO pelas organizações nos dias de hoje: Cerca de 40 000 pesquisas são feitas por minuto no Google e 3,5 bilhões de perguntas são respondidas pela plataforma em um único dia. Estar na primeira página do buscador é, portanto, o grande outdoor para que empresas atraiam clientes e aumentem a lucratividade de seus negócios. É por isso que elas estão gastando rios de dinheiro com Search Engine Optimization, o famoso SEO, conjunto de técnicas que ajudam as marcas a alcançar destaque nos sites de busca. [...] Por isso, o profissional capaz de otimizar e monitorar o desempenho dos sites online está em alta. De acordo com a consultoria Talenses, o cargo de analista de SEO será um dos mais demandados no setor de marketing em 2019. (Lima, 2019, grifo nosso) 5 A busca por profissionais atuantes na área de SEO, marketing e conteúdo digital segue em alta. A reportagem Os 15 cargos de marketing e vendas mais quentes para 2020, publicada no Portal Exame (Granato, 2020), revela que, entre as profissões mais demandadas na área, estão: Analista de Web Analytics; Analista de Comunicação; Analista de Inteligência de Mercado; Coordenador de Marketing Digital/Mídias Sociais; Gerente de Transformação Digital. Os salários, conforme a reportagem, podem chegar a R$ 20 mil, na função de Gerente de Transformação Digital. Esta, aliás, é uma atividade que compreende muitos dos atributos do profissional de Gestão de Conteúdos em Mídias Digitais, pois envolve a implementação de “processos de mudanças digitais nas empresas, trazendo ferramentas e agregando conhecimento para a modernização do marketing” (Granato, 2020). A razão pela qual esta é uma das profissões mais procuradas na atualidade? A área digital está “em grande crescimento com as empresas em constante transformação na área de marketing” (Granato, 2020). Transformação é um aspecto-chave em SEO e Analytics. O ritmo de avanço da tecnologia na área de buscadores e mídias digitais é muito elevado, assim como as mudanças de comportamento da sociedade – em um ciclo de constante e fluente retroalimentação. Planos e estratégias de SEO devem ser atualizados com alta frequência, agregando as mudanças e tendências na área. 1.2 SEO hoje A Rock Content publicou, inclusive, um guia reunindo as tendênciasmais atuais em SEO, com o título SEO em 2020: o guia completo para rankear em primeiro lugar (Casarotto, 2020). A autora, Camila Casarotto, assinala: O SEO não para. Se você quer se manter em dia com as novidades do marketing de busca, precisa conhecer as tendências que vão marcar o SEO em 2020, impulsionadas pelas atualizações do Google, pelas mudanças de tecnologia e de comportamento dos usuários e pela evolução do próprio mercado. (Casarotto, 2020) 6 Trazemos aqui, de modo resumido, as tendências em SEO enumeradas no artigo da Rock Content: Otimize o site com os fatores E-A-T Hoje, o Google deixa claro o que é essencial para determinar a qualidade do conteúdo de uma página. O buscador considera três importantes fatores para avaliar se as páginas merecem aparecer bem posicionadas nos resultados da busca: Expertise (nível de conhecimento); Authoritativeness (autoridade); Trustworthiness (confiabilidade). Essas palavras compõem os fatores E-A-T, que são apresentados pelo Google no Search Quality Evaluator Guidelines [...] Pense na experiência de busca além do site [...] o foco do Google é a experiência do usuário, independentemente se ele vai visitar o seu site ou não. Não é por acaso que, ano após ano, a página de resultados da busca se torna mais rica em informações. Muitas vezes, o usuário sequer precisa acessar os sites para obter a informação que busca. E ali mesmo podem estar informações estratégicas para o seu negócio. Knowledge graph, featured snippets, rich answers e a seção “as pessoas também perguntam”, por exemplo, trazem respostas prontas para o usuário antes de ele clicar em qualquer link. O impacto disso já está sendo percebido. Um estudo de Rand Fishkin, referência mundial em SEO, mostra que o número de buscas sem clique está aumentando desde 2015, especialmente nas pesquisas mobile. [...] E qual será o efeito disso para o SEO em 2020? Gerar tráfego pode não ser mais seu grande objetivo de SEO. É preciso ter um olhar mais amplo para a experiência de busca dos usuários, que pode nem chegar até o seu site, mas, ainda assim, gerar resultados para o seu negócio [...] Gerencie sua empresa no Google Meu Negócio A sua empresa já está no Google Meu Negócio? Se ainda não, chegou a hora de colocar essa meta nas suas estratégias de SEO em 2020. O Google Meu Negócio já existe desde 2014. Porém, essa vertical do Google está se tornando cada vez mais importante para o buscador. Como já falamos, o Google está dedicando seus esforços para trazer as respostas que os usuários querem da forma mais prática e rápida possível. E o Google Meu Negócio faz isto: a pessoa não precisa nem sair da página de busca para encontrar uma série de informações relevantes [...] Otimize seu site para featured snippets Os featured snippets estão cada vez mais inteligentes. O Google entende que esse recurso é valioso para o usuário, já que oferece rapidamente a resposta que ele quer. Por isso, está dedicando esforços para que essas respostas sejam cada vez melhores. Antes de qualquer coisa, você sabe do que estamos falando? Um featured snippet é considerado o “resultado zero” do Google, já que aparece acima dos links orgânicos da SERP [Search Engine Results Pages, mostra os resultados das pesquisas no Google – veja “Para Saber Mais”] [...] Perceba que o Google extrai da página o trecho de conteúdo que melhor responde à busca do usuário e ainda oferece um link para esse site. [...] Prepare-se para as buscas visuais Em 2019, o Google anunciou novidades para a busca visual e o Google Lens. Um dos anúncios foi a possibilidade de visualizar objetos 3D na pesquisa e inseri-los no cenário que o usuário quiser. [...] Já no Google Lens, a novidade foi a possibilidade de escanear imagens e transformá-las em texto. 7 Por exemplo: se você está viajando pelo Japão e precisa traduzir um texto em japonês, pode direcionar a câmera do Google Lens para o texto e traduzi-lo na mesma hora. Portanto, a tendência das buscas visuais já vem se consolidando há anos e promete se fortalecer no SEO em 2020. Para acompanhar essa tendência, marketing de conteúdo visual deve fazer parte das suas estratégias digitais. O uso de vídeos, fotos, imagens, infográficos, GIFs e memes deve se tornar central na produção de conteúdo. [...] Entenda como o Google compreende as intenções de busca [...] a tecnologia do Google evoluiu para identificar as intenções de busca dos usuários, que vão muito além das palavras-chave exatas que eles digitam no campo de pesquisa. Para isso, o buscador passou a compreender a linguagem humana por meio da inteligência artificial. Um grande passo para isso foi o lançamento do BERT em 2019. BERT é uma das inovações mais revolucionárias do buscador. Trata-se de um sistema de rede neural capaz de aprimorar o processamento de linguagem natural. Baseado em inteligência artificial, o sistema pode reconhecer padrões, contextos das palavras, sentidos de frases e ainda aprender e melhorar continuamente. Com essa tecnologia, o Googlebot está muito mais esperto! Agora o robô pode compreender a linguagem humana, com toda a sua complexidade e suas nuances. (Casarotto, 2020, grifo do original) O trabalho com SEO, além de fundamental, envolve áreas e conhecimentos diversos, aliados ao monitoramento constante e acurácia na elaboração e edição do conteúdo, em texto, imagem ou vídeo. Há de se atentar às palavras certas (sim, elas existem no contexto do SEO) e também às erradas (elas também existem), assim como à qualidade do conteúdo e da experiência do usuário com o site – e agora também, como vimos, com a própria busca. Saiba mais A atividade de SEO é intensa e dinâmica, rica de insights, atualizações e informações. Para saber mais detalhes sobre as transformações recentes sobre a prática de SEO e seus novos caminhos, assim como o que se mantém das práticas convencionais nessa grande arte que é conquistar, manter e melhorar a relevância da marca nas buscas na internet, vale acessar a íntegra do artigo SEO em 2020: o guia completo para rankear em primeiro lugar, publicado pela Rock Content. Segue o link do artigo disponível em: . Vale adiantar: a experiência do usuário segue como um fator-chave, e deve ser estar no foco das ações de SEO. 8 TEMA 2 – FUNDAMENTOS DA INTERNET E BUSCADORES Hoje, temos uma relação participativa com a internet. Nem sempre foi assim. A primeira etapa da difusão da web à população em geral é chamada por muitos pesquisadores de web 1.0, momento em que o fluxo de geração e recepção de conteúdo ocorria de forma passiva. A relevância dos buscadores e do SEO foi se desenvolvendo na medida em que a internet foi se tornando mais participativa. Esse momento de transição é demarcado pelo que se costumou convencionalmente chamar de web 2.0. Hoje, há autores que já admitem uma terceira etapa para a internet, da web 3.0, como podemos verificar em nossa obra Gestão de mídias sociais: A primeira fase diz respeito a um período de introdução e de difusão da internet na sociedade, a partir, principalmente, dos anos 1990. A web 1.0 proporcionava uma recepção passiva da informação por parte do público [...]. A segunda fase surgiu nos anos 2000, quando se iniciou o delineamento da ideia de arquitetura da participação. Tal participação, na visão desses autores [Jenkins, Ford e Green, 2014], ainda se apresenta de forma imperfeita na web 2.0, muito mais “retórica” que prática, com uma forte tendência ao bloqueio ou à imposição de dificuldades por parte dos detentores dos direitos de conteúdo, em especial dos tradicionais grandes grupos de mídia. Ainda assim, o público se move. Em 2006, atribuiu-se ao jornalista John Markoff, do The New York Times, o uso pioneiro da expressão web 3.0. Na percepção do jornalista, na sociedade já havia sinais do surgimento de um terceiro modelo de uso da internet,cujas organizações e utilização do conhecimento disponibilizado na rede eram mais inteligentes, o que o levou também a chamar essa etapa de web semântica. Na web 3.0 ou web semântica, há uma distribuição mais personalizada do conhecimento e das informações. (Costa, 2017, p. 36-37) O termo web 3.0 ainda levanta certa polêmica entre os teóricos do marketing. Alguns o adotaram, outros ainda o rejeitam, mantendo a utilização do termo web 2.0. 2.1 Internet participativa A questão, aqui, está no avanço de uma relação participativa ou colaborativa com a internet, em contraponto a um primeiro ponto em que o público tinha uma recepção passiva do conteúdo difundido na rede mundial de computadores. Maria Carolina Avis demarca muito bem essa transformação na obra SEO de verdade: Sabemos que atualmente não há mais espaço para a comunicação de cima para baixo, ou seja, em que administradores de sites produzem um conteúdo e não asseguram um espaço para os usuários emitirem seus 9 pontos de vista. Os usuários de internet têm opiniões e posicionamentos formados sobre tudo e desejam expor seus pensamentos, afinal, a internet é um meio em que todos têm voz. Vivemos em uma época menos padronizada e mais democrática, na qual todos temos voz ativa, e isso também faz parte da revolução da Internet 2.0. Embora alguns especialistas afirmem que a Web 2.0 é uma jogada de marketing, todos nós sentimos os impactos positivos proporcionados por ela. Inclusive, nós, internautas, estamos tão acostumados e adaptados com a navegação atual que quem utilizava a internet há dez anos não consegue nem pensar em voltar à navegação discada, com softwares que ficavam fora do ar para atualizações e outras questões análogas à internet tal como a conhecíamos. (Avis, 2019, p. 36) A evolução para o atual momento, de uma participação crescentemente difusa e dinâmica, está na raiz da relevância dos buscadores para sociedade contemporânea, conforme aponta a autora: A web colaborativa aumentou significativamente o conteúdo encontrado na internet, afinal, ela permite que os usuários comuns, que até então não tinham conhecimento necessário para publicar algo na internet, publiquem e consumam informações o tempo todo, de qualquer lugar e forma constante. Por isso, atualmente, é tão fácil encontrar qualquer tipo de informação na web: porque somos todos geradores de conteúdo. Uma dessas várias ferramentas de uso colaborativo é o próprio Google, com sua funcionalidade Google Local Guides. Todos nós, usuários, podemos fazer avaliações e dar nossas opiniões sobre um local. Quem usa o e-mail do Google, o Gmail, já foi impactado por uma notificação da empresa ao tirar uma foto em um restaurante, um supermercado ou uma clínica, por exemplo. Na hora em que o usuário captura uma foto ou grava um vídeo o Google o notifica para que ele colabore com o local, enviando as fotos que tirou. [...] a Web 2.0 revolucionou a maneira como usamos os mecanismos de busca. Se queremos saber, por exemplo, quais são os benefícios do chá verde, basta pesquisar no Google. Porém, para que tenhamos os resultados esperados, alguém precisa ter colaborado compartilhando esse conteúdo. [...] A democracia trazida pela Web 2.0 fez e faz toda a diferença em nosso cotidiano on-line. (Avis, 2019, p. 39-40) 2.1 Google: modelo disruptivo Como podemos nos lembrar, antes do Google, o buscador mais popular e acessado atualmente, já havia outros buscadores. E, desde então, outros surgiram. A diferença do Google, e que mudou a forma como os motores de busca funcionam – assim como a forma como fazemos nossas pesquisas na internet – está na sua natureza. O buscador surgiu de um projeto coordenado por Larry Page no departamento de Ciência da Computação na Universidade de Stanford, ao qual mais tarde se juntou Sergey Brin. O projeto, batizado de BackRub, tinha por base um sistema mais complexo que os buscadores até então existentes, como apontado no Prefácio do livro SEO de verdade do estrategista em marketing digital Rene Fraga, criador do Google Discovery, blog de referência sobre o Google no Brasil: 10 Criado pelo então estudante Larry Page, que liderava o projeto no Departamento de Ciência da Computação, a ferramenta tinha a intenção de mostrar que os mecanismos de pesquisas da época poderiam ser melhores e mais relevantes aos usuários. A lógica do BackRub era mais complexa que a de seus concorrentes. O sistema apresentava uma série de algoritmos que contavam os backlinks [links destacados em um texto, marcando determinados termos ou palavras, que transportam o usuário para um outro site ou página] como votos. Dessa forma, quanto mais links apontavam para um site, mais destaque ele ganhava nos resultados de pesquisas. Em agosto de 1996, o BackRub foi colocado à prova e passou a indexar sites externos. (Fraga, citado por Avis, 2019, p. 11) Esse sistema, baseado em algoritmos que organizavam a busca a partir da relevância dos sites, modificou todo o sistema de buscas e impactou decisivamente no estilo de vida da sociedade contemporânea: Em setembro de 1997, com o BackRub sendo um sucesso, Larry Page decidiu estabelecer um novo nome para o projeto: Google. Era o início da companhia que viria a se tornar uma das marcas mais importantes e influentes na história da tecnologia. [...] Enquanto os buscadores da época, como Yahoo!, Altavista e Cadê, dependiam de diretórios alimentados por seres humanos, o Google era capaz de catalogar milhares de páginas por meio de um robô de indexação. Além disso, algoritmos integrados ao mecanismo tinham como função dar mais relevância às melhores páginas, permitindo que os usuários pudessem encontrar a informação que estavam procurando. Isso também dava ao Google a possibilidade de catalogar e exibir páginas internas de sites. Um avanço marcante que estabelecia uma nova era das buscas e transpunha as informações disponíveis nas tradicionais páginas iniciais. Suas inovações arrasaram com o mercado de buscadores. Por um longo período, a empresa de Page e Brin dominou o setor sem nenhum grande competidor. (Fraga, citado por Avis, 2019, p. 12-13) O Google segue sendo, como bem observa Fraga, “o epicentro das pesquisas com foco em negócios” (Fraga, citado por Avis, 2019, p. 13). No entanto, com o tempo, os buscadores se atualizaram e outros surgiram, dividindo entre determinados públicos essa preferência. TEMA 3 – GESTÃO DE CONTEÚDO E MARKETING DIGITAL Qualidade de conteúdo é elementar na prática de SEO. Mesmo respeitando outros fatores essenciais, se o conteúdo não for bem cuidado, o site não conseguirá ser bem ranqueado. Além disso, os contínuos avanços na tecnologia das mídias digitais e buscadores permitem que hoje seja muito mais certeira a identificação da prática chamada black hat, empregada em alguns sites para tentar enganar os robôs de rastreamento dos buscadores, conseguindo um bom ranqueamento a partir de estratégias negativas. Com isso, é preciso ser ainda 11 mais zeloso na escolha das palavras-chaves, links e na organização das informações, para que o site não seja penalizado ou até mesmo excluído dos mecanismos de busca. 3.1 Conteúdo é tudo em SEO Como assinala Camila Casarotto no texto SEO em 2020: o guia completo para rankear em primeiro lugar, a sigla EAT – Expertise, Authoritativeness, Trustworthiness, que já vimos nesta aula, deve ser levada muito em conta na prática de SEO – e ela tem tudo a ver com a qualidade do conteúdo gerado para o site. Os fatores E-A-T já são adotados pelo Google há anos. Porém, parece que o buscador está cada vez atento a esses critérios na classificação dos sites. E, por isso, a sigla é cada vez mais utilizada como norteadora pelos profissionais de SEO. Portanto, entenda que as suas páginas devem ter conteúdos criados por quem entende do assunto (expertise), ser uma referência no mercado (autoridade) e ter a confiançado público (confiabilidade). Esse deve ser o seu foco para que o Google perceba a qualidade das suas páginas. (Casarotto, 2020) A gestão de conteúdo é, dessa forma, uma questão estratégica para ranquear bem um site. É preciso estar atento ao tema, à abordagem, considerando também a originalidade do conteúdo exposto, as referências trazidas para a geração desse conteúdo, com quais sites ele estabelece links (pois eles também têm de ser considerados de qualidade) e quais sites referenciam a sua página (da mesma forma, também devem ser consideradas de qualidade). É importante também que seja um conteúdo que atraia interações com o público, pois isso ajuda a avaliar a autoridade do site em sua área de atuação. 3.2 Marketing de Conteúdo Especificamente, o marketing de conteúdo, considerado uma das principais estratégias dentro do marketing digital, pode ser definido como: O processo de publicar materiais e informações relevantes e valiosos, a fim de atrair, converter e encantar uma audiência. Para isso, você precisa espalhar seu conteúdo em regiões da internet que sejam atrativas para a sua persona [público-alvo]. Existem alguns métodos considerados padrões, tal qual um blog, o site da empresa e os perfis em redes sociais. (Rock Content, 2019) 12 Na gestão de conteúdo, especialmente em sites de notícias e veículos de comunicação, é importante aliar técnicas clássicas de apuração e produção de notícias às estratégias de SEO e inteligência analítica para que se destaquem diante dos olhos do público, gerando tráfego para o site e inspirando outros sites a compartilharem seu conteúdo. Marcas que investem na geração de branded content também devem ser muito cuidadosas na produção e gestão do conteúdo que publicam. O gestor de conteúdo deve realizar um planejamento que contemple o posicionamento da marca em afinidade que os temas trabalhados nos canais por ela utilizados (on- line e off-line). Isso contempla as páginas institucionais do site ao blog e à página de notícias e assessoria de imprensa, assim como perfis sociais e também mídias tradicionais, de anúncios impressos a eventos e demais ações de relacionamento. O conteúdo deve ser rico, interessante, dinâmico, multimídia, cruzado e, ao mesmo tempo, muito coerente. É importante explorar o melhor de cada mídia em sua construção, criando um circuito que o público-alvo da marca não resistirá em percorrer. Por outro lado, em cada mídia adotada, ele deve dar conta por completo das informações que está trazendo, para que o público tenha uma experiência positiva e que lhe deixe satisfeito, não importa em qual mídia inicie sua consulta ou se vai ou não prosseguir para as demais. O conteúdo deve sempre deixá-lo satisfeito com a marca, para que volte, indique e referencie seus sites. TEMA 4 – O SEO NO MARKETING DIGITAL Como bem indica a Rock Content em material de apoio a profissionais da área, SEO e marketing de conteúdo têm relação intrínseca e fluente: Marketing Digital é o conjunto de atividades que uma empresa (ou pessoa) executa online com o objetivo de atrair novos negócios, criar relacionamentos e desenvolver uma identidade de marca. Dentre as suas principais estratégias estão o SEO, Inbound Marketing e o Marketing de Conteúdo. (Rock Content, 2019) É importante que seu site, seja institucional, mídia social ou de notícias, se você desejar que este tenha a preferência do público-alvo, atraindo, com isso, receitas e reputação que lhe garantam a sobrevivência e, ainda melhor, a liderança, adote, na forma de transmitir a informação, estratégias para destacar e valorizar seu conteúdo, implementando boas práticas de SEO. Considerando o que vimos até aqui, que os buscadores mais sofisticados conseguem identificar, inclusive, a expertise de determinado site nos assuntos 13 que publica, gerar conteúdo de acordo com boas práticas de SEO, de modo a obter uma boa posição nos rankings de busca orgânica, não deverá interferir, de forma alguma, na credibilidade e na seriedade do que é publicado. A tendência, como vimos, é justamente de valorizar sites sérios na geração de conteúdo. Isso vale também para sites de notícias e veículos de comunicação on-line. Saiba mais Como vimos, o marketing de conteúdo visual é uma forte tendência, que deve ser contemplada nas práticas de SEO. Atualmente, a busca visual pode contemplar mídias como vídeos, fotos, infográficos, entre outras, além de ferramentas mais sofisticadas, como a realidade virtual aliada à inteligência artificial, que permitiu ao Google, por exemplo, a criação de um novo recurso, o Google Lens. Conheça a ferramenta no vídeo: Google Lens: Search what you see, disponível no seguinte link: . Acesso em: 8 abr. 2020. Figura 2 – Google Lens Saiba mais Para saber mais sobre busca e marketing de conteúdo: Prepare-se para as buscas visuais. In: CASAROTTO, Camila. SEO em 2020: o guia completo para rankear em primeiro lugar. Disponível em: . LACERDA, Larissa. Marketing de Conteúdo Visual: o que é e qual a sua importância em uma estratégia de conteúdo? Disponível em: . 14 Como assinala Camila Casarotto no texto Prepare-se para as buscas visuais, o cérebro humano leva apenas 13 milissegundos para identificar imagens, o que faz da busca visual uma tendência em pleno desenvolvimento. TEMA 5 – ANALYTICS NO MARKETING DIGITAL Não basta apenas realizar, é preciso mensurar. Um dos aspectos que faz do marketing digital uma área tão atrativa quanto complexa é o fato de permitir mensurar o resultado das ações empreendidas praticamente em tempo real. Quanto melhor estruturada a área de inteligência analítica da empresa, do site, rede social ou veículo de comunicação em questão, mais ágil ele se torna no sentido de ajustar seu conteúdo a temas e abordagens de interesse de seu público-alvo. 5.1 Inteligência analítica Investir em Analytics, na inteligência analítica de um projeto de conteúdo em mídias digitais, confere agilidade para ajustar rumos em tempo real, trazendo temas em primeira mão, abordagens interessantes (lembre-se de que sempre comprometidas com a seriedade de apuração, dentro dos preceitos clássicos de investigação jornalística e geração de informação). Assim, é possível saber quais publicações, imagens e vídeos estão gerando maior interesse ao público para destacá-las ou investir na continuidade do desenrolar desse tema. É possível, também, conhecer melhor seu público, aquele que já lhe acessa – inclusive se está de fato ajustado com o público-alvo almejado. É possível conhecer suas preferências e particularidades, para desenvolver ações personalizadas e segmentadas. 5.2 Dados para chegar ao topo A inteligência analítica abre um universo quase que inesgotável de possibilidades competitivas para o site/empresa/organização/marca. É por meio da boa prática de Analytics que será possível otimizar o site para que chegue aonde queremos, ao topo do ranking. Como afirma Brian Clifton em Advanced web metrics with Google Analytics, parafraseando o físico e matemático britânico Lord Kelvin, um dos mais 15 proeminentes pesquisadores do século 19, agregando grandes descobertas à sociedade, “se você não pode medir, não pode melhorar” (Clifton, 2012). Segundo bem posiciona Brian Clifton em sua obra, que se refere a métricas analíticas para o Google, mas que traz percepções e apontamentos que podem ser estendidos às demais fontes de dados e métricas: Web analytics pode ser uma ferramenta incrivelmente poderosa e perspicaz. Uma quantidade surpreendente de informações está disponível quando comparado ao marketing tradicional. O perigo, no entanto, é considerar os relatórios em seu valor nominal, isso traz à tona a questão da precisão. A chavepara utilizar com sucesso o volume de informações coletadas é se familiarizar com os seus dados – o que eles podem dizer, o que não podem e as limitações deles [...]. (Clifton, 2012) A análise de métrica e suas ferramentas são, assim, um campo fértil e muito necessário para o planejamento de marketing e conteúdo digital como um todo. O SEO se insere nesse plano e fica mais assertivo na medida em que a inteligência analítica é aplicada, de acordo com os recursos disponíveis e o tamanho da empresa, marca, site. Por isso a observação de Brian Clifton é tão relevante: conheça e aprenda a trabalhar com o que você tem. Pode ser muito mais vantajoso do que ter à disposição um mundo de dados sem saber como utilizá-los bem. Inteligência analítica trata disso: aprender a levantar dados com os recursos disponíveis e usá-los melhor do que qualquer outro do mercado. Para finalizar, veja, a seguir, algumas leituras recomendadas para que você amplie seu conhecimento: Medindo o retorno. In: COSTA, Camila Gino Almeida. Gestão de Mídias Sociais. Intersaberes, 2017. p. 212. Disponível na Biblioteca Virtual: . CLIFTON, Brian. Advanced web metrics with Google Analytics. 3 ed. Indianapolis: John Wiley & Sons, Inc., 2012. Métricas importantes. In: AVIS, Maria Carolina. SEO de verdade: se não está no Google não existe. Intersaberes, 2019. Disponível na Biblioteca Virtual: . GRANATO, Luísa. Os 15 cargos de marketing e vendas mais quentes para 2020. Portal Exame, 23Jan.2020. Disponível na internet: . 16 REFERÊNCIAS ANDERSON, C. A cauda longa: do mercado de massa para o mercado de nicho. Tradução de Afonso Celso da Cunha Serra. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. AVIS, M. C. SEO de verdade: se não está no Google não existe. 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