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Odontologia Hospitalar – M2 
Pacientes cardiovasculares, oncológicos, hospitalares, críticos em UTI e 
domiciliares 
. 
IMPORTANTE: este guia não substitui protocolo institucional, parecer médico, 
hemograma/coagulograma atualizados nem julgamento clínico. As doses abaixo são doses 
usuais de referência para adultos e devem ser ajustadas conforme função renal/hepática, peso, 
idade, interação medicamentosa, neutropenia, plaquetopenia e condição hemodinâmica. 
 
• Cardiopatias e implicações odontológicas 
• Paciente oncológico: antes, durante e após terapia antineoplásica 
• Atuação do cirurgião-dentista no ambulatório, enfermaria e UTI 
• Higiene bucal do paciente entubado sob ventilação mecânica 
• Odontologia domiciliar: indicação, limites, biossegurança e kit de trabalho 
• Quadros farmacológicos em mg, g, mL e UI quando disponíveis nas fontes 
 
1. Como ler este guia 
Quando as fontes anexadas foram específicas (por exemplo, diretriz oncológica do Ministério da Saúde 
ou protocolo de UTI), a recomendação foi mantida com prioridade. Quando a fonte era um manual 
farmacológico geral, ela foi usada para complementar dose usual e apresentação farmacêutica. 
Em farmacologia, as doses foram apresentadas principalmente em mg. Sempre que a própria fonte trazia 
apresentação prática, foram adicionados equivalentes em mL, g, gel ou UI. 
Em anestesiologia e procedimentos invasivos, o ponto central não é apenas “qual anestésico usar”, mas 
o contexto clínico: risco cardiovascular, hemograma, dose de radioterapia, instabilidade hemodinâmica, 
via aérea e possibilidade de sangramento/infecção. 
 
2. Atendimento odontológico em pacientes com alterações 
cardiovasculares 
No cardiopata, a consulta odontológica deve ser organizada para reduzir três gatilhos de complicação: 
dor, ansiedade e instabilidade hemodinâmica. A anamnese precisa identificar angina estável ou instável, 
infarto prévio, insuficiência cardíaca, arritmias, dispositivos cardíacos, uso de 
anticoagulantes/antiagregantes, valvopatias e tolerância ao esforço. A lógica prática é simples: paciente 
estável pode receber grande parte dos tratamentos odontológicos com adaptação; paciente instável deve 
ser tratado em ambiente hospitalar ou ter o procedimento adiado. 
 
Figura esquemática elaborada a partir das fontes de cardiologia e farmacologia anexadas. 
 
 
2.1 O que mais importa na avaliação clínica 
Situação Pistas clínicas Leitura odontológica 
Angina estável 
Dor precordial desencadeada por 
esforço/estresse e aliviada com 
repouso/nitrato 
Atender com controle rigoroso de 
estresse, consultas curtas e analgesia 
eficaz 
Angina instável 
Dor em repouso, progressiva ou 
recente 
Adiar procedimento eletivo; 
considerar ambiente hospitalar 
Infarto do miocárdio recente 
Maior risco de reinfarto e morte súbita 
nos primeiros meses 
Evitar procedimentos invasivos por 3–
6 meses; muitos protocolos preferem 
aguardar 6 meses ou mais 
Insuficiência cardíaca 
descompensada 
Dispneia, ortopneia, edema, fadiga 
importante 
Não realizar eletivos até estabilização 
clínica 
Arritmias graves 
Palpitação, síncope, bradicardia 
importante, irregularidade de pulso 
Evitar excesso de catecolamina; 
discutir anestesia e monitorização 
Anticoagulação/antitrombóticos 
Risco hemorrágico e risco 
tromboembólico se suspensão 
inadequada 
Nunca suspender por conta própria; 
alinhar com o médico assistente 
2.2 Manifestações e implicações bucais / odontológicas 
As fontes cardiovasculares não focam em lesões bucais específicas, e sim nas implicações sistêmicas 
para o tratamento odontológico. Mesmo assim, há repercussões práticas importantes: dor cardíaca pode 
irradiar para mandíbula e língua; pacientes em uso de múltiplos fármacos podem apresentar xerostomia, 
sangramento mais difícil de controlar e risco aumentado em procedimentos cirúrgicos. 
Em consultório, a principal “manifestação odontológica” do cardiopata é o risco médico durante o 
tratamento. Por isso, o profissional deve reconhecer dor torácica, dispneia, ansiedade intensa, alteração 
de pulso e elevação pressórica como sinais de alerta, além de manter acesso rápido a oxigênio, suporte 
básico de vida e conduta para urgência. 
2.3 Farmacologia prática no cardiopata 
O manual farmacológico anexado traz as doses odontológicas usuais em adultos. Para o cardiopata, a 
síntese prática é: priorizar analgesia simples e eficaz; usar anti-inflamatórios por tempo curto e com 
cautela; indicar antibiótico apenas quando houver critério clínico; e lembrar que a profilaxia para 
endocardite não se aplica a todo cardiopata, mas aos grupos específicos de maior risco. 
Fármaco Dose adulta usual Apresentação/unidade Comentário clínico 
Dipirona 500 mg a 1 g a cada 6 h 500 mg/mL → 500 mg = 1 
mL; 1 g = 2 mL 
Analgésico útil quando não 
houver contraindicação individual 
Paracetamol 750 mg a cada 6 h 3,0–3,2 g/dia como teto 
prático 
Boa opção; atenção em 
hepatopatia 
Ibuprofeno 400–600 mg a cada 6–8 h 
por até 3 dias comprimidos 
Usar com cautela em 
hipertensão, ICC e 
anticoagulação; evitar curso 
prolongado 
Nimesulida 100 mg a cada 12 h por até 
3 dias comprimidos Uso curto e criterioso; checar 
risco hepático/interações 
Diclofenaco 50 mg a cada 8 h por até 3 
dias comprimidos 
Opção geral do manual; em 
cardiopatas 
descompensados/anticoagulados, 
reavaliar necessidade 
Amoxicilina (infecção) 500 mg a cada 8 h 1 g = dose de ataque citada 
no manual 
Primeira linha em muitas 
infecções odontogênicas 
Clindamicina (alergia / casos 
selecionados) 300 mg a cada 6–8 h 600 mg = dose de ataque ou 
profilática 
Alergia à penicilina e algumas 
infecções mais severas 
Profilaxia de endocardite: 
amoxicilina 
2 g VO, dose única 1 h 
antes 2 g Somente quando houver 
indicação formal 
Profilaxia de endocardite: 
clindamicina 
600 mg VO, dose única 1 h 
antes 600 mg Alternativa em alérgicos 
Profilaxia de endocardite: 
azitro/claritro 
500 mg VO, dose única 1 h 
antes 500 mg Alternativa em alérgicos 
selecionados 
 
Resumo de prova e de prática: em cardiopatas, o maior erro é prescrever como se o paciente fosse 
“saudável”. Sempre checar anticoagulantes, arritmia, pressão arterial, insuficiência cardíaca e 
necessidade real de AINE. Em muitos cenários, dipirona ou paracetamol resolvem a dor com menor 
complexidade clínica do que um anti-inflamatório desnecessário. 
2.4 Anestesiologia indicada e evitada 
Cenário Preferir Observação 
Paciente estável / risco controlado 
Lidocaína 2% com epinefrina, com 
aspiração e injeção lenta 
Limitar catecolamina; referência 
prática: até 0,04 mg de epinefrina por 
sessão em muitos cardiopatas 
Paciente com necessidade de 
minimizar vasoconstritor 
Mepivacaína sem vasoconstritor ou 
prilocaína 3% com felipressina 
A felipressina aparece no manual com 
0,03 UI 
Arritmias graves / risco severo Evitar excesso de epinefrina 
Escolher técnica menos traumática e 
discutir ambiente de atendimento 
Paciente ansioso Ansiolítico e manejo comportamental Menos ansiedade = menos adrenalina 
podem ser tão importantes quanto o 
anestésico 
endógena 
Conduta técnica universal 
Aspiração prévia, deposição lenta e 
analgesia efetiva 
Evita pico pressórico e injeção 
intravascular 
2.5 Quando realizar e quando evitar procedimentos odontológicos 
Decisão Leitura prática 
Realizar 
Restaurações, periodontia básica, endodontia, urgências e 
pequenas cirurgias em pacientes estáveis, com 
planejamento e monitorização 
Realizar com cautela 
Procedimentos com sangramento em anticoagulados; 
necessidade de profilaxia de endocardite; uso de 
vasoconstritor em doses reduzidas 
Evitar/adiar 
Eletivos em angina instável, infarto recente, ICC 
descompensada, arritmia grave, pressão muito 
descontrolada 
Migrar para ambiente hospitalar 
Paciente instável, necessidade de sedação/monitorização 
ampliada, intercorrência médica relevante 
3. Atendimento odontológico em pacientes oncológicos 
A diretriz do Ministério daSaúde de 2025 organiza o cuidado em três momentos: antes, durante e após a 
terapia oncológica. Para o aluno, vale decorar uma ideia central: quanto mais cedo a boca for preparada 
antes da quimio/radioterapia, menor a chance de mucosite grave, focos infecciosos, osteorradionecrose e 
interrupção do tratamento antineoplásico. 
 
Figura esquemática elaborada a partir da diretriz oncológica do Ministério da Saúde (2025). 
3.1 Principais manifestações bucais 
Manifestação Relevância clínica 
Mucosite oral 
Dor, ardor, ulceração, limitação alimentar e piora da 
higiene 
Xerostomia / hipossalivação Boca seca, desconforto, aumento do risco de cárie e 
dificuldade mastigatória/fonatória 
Cárie de radiação 
Progressão rápida, frequentemente cervical/incisal, 
associada a hipossalivação 
Candidíase Placas, ardor, eritema e dor; tratar quando houver clínica 
Herpes simples Lesões recorrentes; tratamento reativo com antiviral 
Osteorradionecrose 
Risco maior em osso irradiado, especialmente > 40 Gy e 
após procedimentos invasivos 
Sangramento e infecção 
Relacionados ao tratamento e à condição hematológica do 
paciente 
3.2 Procedimentos antes, durante e após a terapia 
ANTES: fazer adequação do meio bucal, remover focos infecciosos, tratar dentes com prognóstico ruim e 
orientar higiene/fluoretação. A janela ideal é concluir os procedimentos até cerca de 21 dias antes do 
início da terapia, principalmente quando haverá cirurgia, exodontia ou intervenção periodontal mais 
invasiva. 
DURANTE: a regra é conservadorismo. Em geral, realizar apenas urgências e intervenções 
indispensáveis. Se um procedimento invasivo for inevitável em paciente em quimioterapia, a diretriz pede 
hemograma recente (até 7 dias) e articulação com a equipe médica. 
DEPOIS: manter seguimento periódico, controle de xerostomia e prevenção de cárie. Em área irradiada 
com dose acima de 40 Gy, extrações devem ser evitadas sempre que possível devido ao risco de 
osteorradionecrose. 
3.3 Farmacologia prática no paciente oncológico 
Ao contrário do manual farmacológico geral, a diretriz oncológica é mais específica para complicações 
orais do tratamento antineoplásico. Ela detalha soluções tópicas, antivirais, antifúngicos e estratégias de 
flúor/hidratação; não padroniza um “analgésico sistêmico único” para todos os casos. Por isso, abaixo 
estão os itens expressamente citados e o que deve ser evitado. 
Produto/fármaco Dose ou frequência Unidade/apresentação Uso/observação 
Benzidamina sem álcool 5–10 mL, 4–6x/dia solução oral Prevenção/alívio de mucosite 
Clorexidina 0,12% sem álcool 5–10 mL por 1 min, 2x/dia solução oral 
Usar quando o paciente não 
consegue controle mecânico 
adequado 
Fluconazol 150 mg 1x/dia por 7 dias cápsula de 150 mg Candidíase clínica; monitorar 
função hepática 
Miconazol gel oral 2% aplicação tópica 20 mg/g Alternativa para candidíase 
Aciclovir 200 mg 5x/dia por 5–7 dias comprimido; também há 
forma tópica 
Herpes simples; monitorar 
função renal 
Dentifrício fluoretado uso diário ≥ 1.000 ppm F Base de higiene 
Dentifrício de alta 
concentração uso conforme prescrição > 2.500 ppm F Para alto risco de 
cárie/hipossalivação 
Gel de fluoreto neutro uso complementar gel 
Alternativa quando não 
houver dentifrício > 2.500 
ppm F 
Umectante / gel hidratante / 
spray de água uso frequente líquido/gel/spray Manejo da xerostomia 
Evitar: mel e cúrcuma — — A diretriz não recomendou 
esses produtos 
Evitar: enxaguante com 
álcool — — Pode irritar ainda mais a 
mucosa 
Para fins de prescrição sistêmica de dor em odontologia oncológica, a diretriz não fecha esquema único. 
Na prática, a decisão depende de mucosite, função renal/hepática, esquema quimioterápico, plaquetas, 
neutrófilos e risco hemorrágico. Portanto, a lógica segura é: dor simples → preferir analgésico de menor 
impacto sistêmico; sangramento/plaquetopenia/nefrotoxicidade → reavaliar AINE e alinhar com a equipe 
médica. 
3.4 Anestesiologia indicada e evitada 
A diretriz oncológica anexada não detalha um anestésico local específico “de escolha” nem um 
vasoconstritor “proibido” para todos os pacientes. Isso ensina algo importante: no oncológico, a tomada 
de decisão costuma depender mais da fase do tratamento, do hemograma, do grau de mucosite, do 
campo irradiado e do potencial de trauma do procedimento do que da molécula anestésica isoladamente. 
Pergunta clínica Síntese 
Quando costuma ser possível 
Anestesia local em procedimento necessário, com técnica 
atraumática e mínima agressão tecidual 
Quando aumentar a cautela 
Mucosite intensa, tecido friável, neutropenia, 
plaquetopenia, área irradiada, infecção ativa 
O que evitar 
Procedimento eletivo invasivo sem hemograma recente 
durante a quimioterapia; extração em área irradiada > 40 
Gy sempre que houver alternativa conservadora 
Mensagem-chave 
No paciente oncológico, “pode anestesiar?” quase sempre 
vira “o tecido e o sangue permitem intervir agora?” 
3.5 Quando realizar e quando evitar procedimentos 
Momento Conduta 
Realizar antes do tratamento 
Adequação bucal, exodontia indicada, periodontal, 
endodontia e restaurações estratégicas 
Realizar durante o tratamento Urgências e suporte de complicações bucais 
Evitar durante QT/RT 
Eletivos, trauma desnecessário, invasivos sem avaliação 
laboratorial 
Evitar após RT > 40 Gy 
Exodontias em área irradiada sempre que houver 
alternativa 
4. Atendimento odontológico em ambiente hospitalar (ambulatório, 
enfermaria e UTI) 
A Odontologia Hospitalar deixou de ser apenas “uma atuação possível” e passou a ter reconhecimento 
formal e campo de competência mais claro. A Resolução CFO-SEC 262/2024 reconhece a Odontologia 
Hospitalar como especialidade odontológica. Já a Resolução CFO-SEC 163/2015 definiu a atuação do 
cirurgião-dentista habilitado em ambiente hospitalar, pacientes internados ou não e assistência domiciliar. 
Protocolos distritais e hospitalares reforçam o caráter multiprofissional desse trabalho. 
 
Figura esquemática com setores hospitalares e foco de atuação do cirurgião-dentista. 
4.1 Diretrizes e leis mais úteis para memorizar 
Norma Por que cai na prova e importa na prática 
CFO-SEC 163/2015 
Conceitua a Odontologia Hospitalar e define atuação do 
CD habilitado em internação, ambulatório, urgência, 
emergência e domicílio 
CFO-SEC 262/2024 
Reconhece a Odontologia Hospitalar como especialidade 
odontológica; prática com carga horária mínima e estágio 
hospitalar supervisionado 
Lei Distrital 5.744/2016 (DF) 
Assegura atendimento odontológico em rede pública 
distrital com internação 
RDC ANVISA nº 7/2010 
Base para organização da UTI e presença da assistência 
à beira-leito em protocolos citados 
Lei 10.424/2002 
Regulamenta a assistência domiciliar no SUS, base 
importante para o atendimento odontológico domiciliar 
Atenção Domiciliar / Melhor em Casa 
Organiza cuidado domiciliar no SUS com ESF, EMAD e 
EMAP 
4.2 Papel do cirurgião-dentista no hospital 
O cirurgião-dentista hospitalar participa de avaliação, diagnóstico, prevenção, prescrição, intervenção, 
discussão multiprofissional, alta e seguimento. Não é apenas “higiene oral”. Ele identifica focos 
infecciosos, interpreta repercussões sistêmicas na cavidade bucal, ajuda a reduzir pneumonia associada 
à ventilação mecânica, prepara pacientes para cirurgias e transplantes e acompanha lesões relacionadas 
a terapias complexas. 
No ambulatório hospitalar, predomina a adequação do meio bucal e o preparo de pacientes com 
comorbidades. Na enfermaria, a atuação costuma ser por interconsulta, dor, infecção, lesão de mucosa, 
preparo de alta e educação da equipe. Na UTI, o foco é o paciente crítico: higiene protocolada, 
prevenção de PAV, manejo de trauma, infecção e mobilidade dentária, sempre com monitorização e 
integração com medicina e enfermagem. 
4.3 Equipamentos necessários no hospital e na UTI 
Cenário Equipamentos/recursos essenciais 
Ambulatório hospitalar 
Equipo ou kit portátil, instrumentalbásico 
restaurador/cirúrgico, radiografias, hemostáticos, 
prontuário e material de profilaxia 
Enfermaria 
Instrumental portátil, foco de luz, material para exame, 
gaze, soro, anestésicos, material de sutura/hemostasia, 
medicação, formulários/prontuário 
UTI 
EPI completo, aspirador/sonda, clorexidina 0,12%, 
gaze, abridor de boca, espátula, produtos de 
hidratação labial/mucosa, material para aspiração 
segura, laser quando disponível, Monitor 
multiparâmetro, oxímetro de pulso, Cilindro de O2 
com máscaras/cateter, AMBU (reanimador manual) 
com reservatório, DEA (desfibrilador externo 
automático), Glicosímetro, Carro de emergência 
(medicações e materiais padronizados). 
Recursos adicionais citados 
glicosímetro, radiologia, testes diagnósticos, hemostáticos 
(esponja de celulose/fibrina, ácido tranexâmico), fios de 
sutura, escova de Robson, taça de borracha 
5. Higiene bucal em pacientes entubados sob ventilação mecânica na UTI 
Os protocolos anexados de UTI convergem na mesma mensagem: a boca do paciente crítico pode se 
transformar rapidamente em reservatório de patógenos respiratórios. Por isso, higiene bucal em UTI não 
é cuidado “estético”; é parte do bundle de prevenção de pneumonia associada à ventilação mecânica. 
A Pneumonia Associada à Ventilação Mecânica (PAVM) é uma infecção pulmonar grave que se 
desenvolve 48 horas ou mais após a intubação endotraqueal. Causada pela entrada de microrganismos 
nos pulmões, aumenta o tempo de internação e o risco de mortalidade. O tratamento e a prevenção 
exigem protocolos rigorosos de higiene e manejo ventilatório. 
O que causa e como ocorre? 
O tubo orotraqueal (TOT) ou a traqueostomia quebram as defesas naturais das vias aéreas e permitem 
que bactérias da orofaringe ou do trato digestivo migrem para o trato respiratório inferior. Além disso, 
esses microrganismos formam uma camada protetora (biofilme) dentro do tubo. Os principais agentes 
costumam ser bactérias multirresistentes, como Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter e 
Staphylococcus aureus 
Prevenção (O "Bundle" de Cuidados) 
As instituições de saúde adotam um conjunto de medidas essenciais para evitar a contaminação e a 
formação de biofilme, incluindo 
Elevação da cabeceira: Manter o leito entre 30º a 45º para evitar a aspiração de secreções. 
Higiene oral: Realizar limpezas regulares com clorexidina para reduzir a quantidade de bactérias na 
boca. 
Controle da pressão do balonete (cuff): Manter a pressão entre 20 e 30 cm H2O para vedar a via 
aérea sem lesionar a traqueia. 
Manejo de secreções: Aspiração rigorosa e, quando indicado, uso de cânulas que permitem a sucção 
contínua acima do balonete. 
Extubação precoce: Avaliação diária da sedação e testes frequentes para retirar o paciente do 
ventilador o mais rápido possível 
Tratamento 
O tratamento envolve a administração intravenosa de antibióticos de amplo espectro. A escolha do 
medicamento depende do perfil microbiológico do hospital e do tempo em que o paciente foi intubado. 
Para detalhes técnicos sobre o manejo em ambiente de terapia intensiva, consulte as diretrizes clínicas 
da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) ou os manuais de segurança do paciente da 
ANVISA. 
 
Figura esquemática construída a partir dos protocolos de UTI do HC-UFMG/Ebserh, FHEMIG e SES-DF. 
5.1 Materiais, frequência e soluções mais citadas 
Material/solução Função Observação 
Clorexidina 0,12% sem álcool antisséptico principal 
muitos protocolos usam 10 mL por 
procedimento e frequência 8/12 h ou 
12/12 h 
Gaze estéril 
fricção mecânica e limpeza por 
segmentos 
trocar entre regiões da boca 
Escova descartável / cerdas macias remoção de biofilme 
plaquetopênico → ultra macia e muita 
delicadeza 
Aspiração 
evitar microaspiração e acúmulo 
líquido 
crítica no paciente 
entubado/traqueostomizado 
ABD / soro fisiológico 
umidificar, soltar crostas e facilitar 
limpeza 
mínimo volume necessário 
Hidratante labial/mucosa 
AGE, lanolina, petrolato, dexpantenol 
ou gel umidificante 
previne ressecamento e fissuras 
5.1 O que interrompe, adapta ou contraindica o procedimento 
Os protocolos enfatizam adaptação técnica mais do que “contraindicação absoluta”. Devem aumentar a 
cautela: pressão de cuff inadequada, risco de broncoaspiração, instabilidade clínica, plaquetopenia, 
broncoespasmo, pressão intracraniana elevada e fixação precária do tubo. 
Em síntese didática: se a higiene oral está aumentando risco de via aérea, sangramento ou instabilidade, 
o problema não é a higiene em si; é a necessidade de replanejar posição, aspiração, material, tempo de 
execução e articulação com a equipe da UTI. 
6. Atendimento odontológico domiciliar 
Na odontologia domiciliar, o centro da decisão é a funcionalidade do paciente. Se ele não consegue ir ao 
consultório com segurança ou dignidade, o cuidado vai até ele. Isso exige mais do que “levar 
instrumental”: exige biossegurança, ergonomia, comunicação com cuidador e clareza sobre o limite do 
que pode ser feito em casa. 
 
Figura esquemática elaborada a partir do artigo de odontologia domiciliar e do protocolo municipal de cuidados domiciliares 
em saúde bucal. 
6.1 Diretrizes, leis e papel do CD no domicílio 
A Atenção Domiciliar no SUS é definida pelo Ministério da Saúde como conjunto de ações de promoção, 
prevenção, tratamento e reabilitação na moradia do paciente, com continuidade do cuidado e integração 
à rede. Casos mais estáveis podem ser acompanhados pela Atenção Básica/ESF; casos de maior 
complexidade entram na lógica de equipes multiprofissionais de atenção domiciliar. 
Legalmente, a Lei 10.424/2002 é marco importante da assistência domiciliar no SUS. Em protocolos 
municipais de saúde bucal domiciliar, também aparecem normas para resíduos de serviços de saúde, 
classificação funcional do paciente e adaptação da biossegurança ao ambiente doméstico. 
O papel do cirurgião-dentista inclui: avaliação clínica, definição de prioridade, orientação de 
paciente/cuidador, prescrição, realização de procedimentos compatíveis com o ambiente, registro em 
prontuário e decisão de encaminhar quando a casa deixa de ser o lugar mais seguro. 
6.2 Equipamentos necessários para atendimento domiciliar 
Categoria Itens essenciais 
Obrigatórios 
EPI completo, instrumental manual básico, gaze, sugador, 
anestésicos, material restaurador/cirúrgico de urgência, 
iluminação, prontuário e recipientes/rotina para 
biossegurança 
Quando houver estrutura portátil 
compressor portátil, micromotor, alta/baixa rotação, 
sugador, equipamento portátil adicional 
Biossegurança 
aventais, luvas, máscara, óculos, botas/calçado adequado, 
adaptação do descarte e do transporte de material 
contaminado 
Apoio humano 
cuidador/familiar e, idealmente, atendimento a quatro 
mãos quando necessário 
6.3 Quando realizar e quando evitar o atendimento domiciliar 
Decisão Critério 
Fazer em domicílio 
Paciente acamado, com limitação importante de 
locomoção, dependência funcional ou grande dificuldade 
de acesso ao consultório 
Fazer com planejamento 
Idoso frágil, paciente especial, doença crônica estável, 
necessidade de cuidado contínuo 
Evitar / encaminhar 
Instabilidade clínica, necessidade de suporte hospitalar, 
risco anestésico alto, hemorragia importante, 
procedimento complexo ou falha de 
biossegurança/ergonomia 
Mensagem-chave 
Domicílio é cenário de cuidado, não de improviso: se a 
complexidade superou a estrutura, encaminhar é a melhor 
conduta 
7. Quadros-resumo para revisão rápida 
7.1 O que mais costuma cair e confundir 
Tema Resumo de 1 linha 
Cardiopata 
não é “sem vasoconstritor para todos”; é dose, aspiração, 
lentidão e estratificação de risco 
Oncológico 
a pergunta principal é fase do tratamento + hemograma + 
dose de radiação 
UTI higiene oral previne PAV; precisa de aspiração e protocolo 
Hospitalar 
CD atua em ambulatório, enfermaria, UTI e assistência 
domiciliar, integrado à equipe 
Domiciliar 
é indicadopor limitação funcional real e exige kit + 
biossegurança + critério de encaminhamento 
7.2 Doses e unidades que valem memorização prática 
Item Referência prática Unidade / contexto 
Dipirona 500 mg–1 g 6/6 h 500 mg/mL 
Paracetamol 750 mg 6/6 h máx. prático 3–3,2 g/dia 
Ibuprofeno 400–600 mg 6/8 h curso curto 
Nimesulida 100 mg 12/12 h curso curto 
Amoxicilina profilaxia 2 g 1 h antes endocardite quando indicada 
Clindamicina profilaxia 600 mg 1 h antes alérgicos selecionados 
Benzidamina 5–10 mL 4–6x/dia mucosite 
Clorexidina 0,12% 
5–10 mL 2x/dia ou conforme 
protocolo 
sem álcool 
Fluconazol 150 mg/dia por 7 dias candidíase 
Aciclovir 200 mg 5x/dia por 5–7 dias HSV 
Felipressina 0,03 UI 
unidade que costuma chamar atenção 
em prova 
8. Fontes-base utilizadas 
• Tratamento odontológico em pacientes com comprometimento cardiovascular (arquivo anexado) 
(https://www.genspark.ai/api/files/s/ZR5hcRGF) 
• Protocolos farmacológicos recomendados na prática odontológica (arquivo anexado) 
(https://www.genspark.ai/api/files/s/9shZPjl5) 
• Diretriz para a prática clínica odontológica na APS – pacientes oncológicos (arquivo anexado) 
(https://www.genspark.ai/api/files/s/Q7MI0GRF) 
• Protocolo de Atendimento Odontológico em UTI – SES/DF (arquivo anexado) 
(https://www.genspark.ai/api/files/s/qSHViGnf) 
• PRT.UCCE.416 Higiene bucal dos pacientes adultos internados nas UTI – HC-UFMG/Ebserh 
(arquivo anexado) (https://www.genspark.ai/api/files/s/rpszEr5o) 
• PC 63 Higiene bucal de pacientes em UTI – FHEMIG (arquivo anexado) 
(https://www.genspark.ai/api/files/s/QKoN84qq) 
• Alterações orais em pacientes internados em UTI (arquivo anexado) 
(https://www.genspark.ai/api/files/s/5oJ9H5a0) 
• Perspectivas gerais da odontologia domiciliar: uma revisão de literatura (arquivo anexado) 
(https://www.genspark.ai/api/files/s/9nQYmiyw) 
• Resolução CFO-SEC 262/2024 
(https://sistemas.cfo.org.br/visualizar/atos/RESOLU%C3%87%C3%83O/SEC/2024/262) 
• Resolução CFO-SEC 163/2015 
(https://sistemas.cfo.org.br/visualizar/atos/RESOLU%C3%87%C3%83O/SEC/2015/163) 
• Atenção Domiciliar – Ministério da Saúde (https://www.gov.br/saude/pt-
br/composicao/saes/dahu/atencao-domiciliar) 
• Protocolo de Cuidados Domiciliares em Saúde Bucal – Prefeitura de São Paulo 
(https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/upload/saude/arquivos/saudebucal/Prot_Cuidado
s_Domiciliares.pdf) 
• Protocolo de Odontologia Hospitalar – SES/DF 
(https://www.saude.df.gov.br/documents/37101/0/Protocolo+Odontologia_Hospitalar.pdf/d44e8f19-
8b03-ddd9-0a79-689e8b2973cb?t=1709225078585) 
9. Fechamento didático 
Se você precisar memorizar o essencial para prova, estágio ou discussão clínica, guarde estas cinco 
frases: 1) cardiopata estável pode ser tratado, mas não de qualquer jeito; 2) paciente oncológico deve ter 
a boca preparada antes da terapia; 3) em UTI, a higiene bucal é medida de segurança assistencial; 4) 
odontologia hospitalar é trabalho multiprofissional formalmente reconhecido; 5) atendimento domiciliar é 
indicação funcional com limite clínico muito claro.

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