Prévia do material em texto
Universidade Federal de Pelotas Faculdade de Veterinária Disciplina de Doenças Parasitárias dos Animais Domésticos MIÍASES M.V. Natália S. Martins Doutoranda em Parasitologia 2 É a lesão causada por larvas de certos dípteros ao organismo de animais vertebrados, em cujos tecidos, vivos ou mortos, ocorre o seu desenvolvimento Miíase – Myiasis Myia = mosca iasis = doença (Hope, 1840) Introdução O que é miíase? 3 →Traumáticas (lesões abertas) →Furunculares (formam cistos) Classificação 1. Quanto as lesões 4 →Traumáticas (lesões abertas) →Furunculares (formam cistos) Classificação 1. Quanto as lesões 5 →Obrigatórias: • as larvas se desenvolvem exclusivamente em tecidos vivos, não sendo capazes de viver fora do hospedeiro. Ex: Cochliomyia hominivorax 2. Quanto a relação parasito-hospedeiro Classificação Larvas biontófagas 6 →Facultativas: • larvas se desenvolvem em matéria orgânica em decomposição, e ocasionalmente depositam seus ovos em tecidos necrosados em um hospedeiro vivo Ex: Cochliomyia macellaria Chrysomya megacephala Lucilia sericata 2. Quanto a relação parasito-hospedeiro Classificação Importância veterinária: • Entomologia forense • Terapia larval Miíase cutânea - “Bicheira” Cochliomyia hominivorax 8 → Gastos no controle → Perda de peso (10 - 40%) → Baixa produtividade = incômodo Miíase cutânea Importância econômica → Causa miíase cutânea nos mamíferos e no homem → Mais importante causadora de miíase na América Importância médica veterinária 9 → Miíase cutânea de caráter obrigatório Miíase cutânea “Bicheira” • Agente causador: Cochliomyia hominivorax • HD: mamíferos • OE: tecido subcutâneo e muscular 10 Adultos: cor azul escuro esverdeado metálico e presença de 3 faixas longitudinais no tórax Miíase cutânea 1. Morfologia 11 Larvas: cilíndricas, truncadas posteriormente. Possuem 2 ganchos orais e 2 espiráculos respiratórios (L₃) Miíase cutânea 1. Morfologia 12 Miíase cutânea 2. Biologia 13 • C. hominivorax é a principal espécie causadora de miíase da América • Ocorre principalmente na América do Sul, foi erradicada nos EUA (?) Miíase cutânea 3. Epidemiologia 14 • As fêmeas realizam postura de 3.000 (150-200) ovos e podem voar até 200 km durante toda sua vida • Em condições favoráveis de temperatura e umidade o intervalo entre gerações é de 3 semanas Miíase cutânea 3. Epidemiologia 15 → Larvas penetram na lesão e se alimentam do tecido (músculo e sangue) → Podem ocorrer: • Hemorragias • Peritonites • Infecções secundárias • Morte Miíase cutânea 4. Patogenia 16 → Locais mais comuns são: • Olho (certaconjuntivite) • Umbigo (neonatos) • Vulva (partos) • Úbere (arames) • Prepúcio (secreção e traumas) • Escroto (traumas) • Pós-cirurgia Miíase cutânea 5. Patologia 17 → Locais mais comuns são: • Olho (certaconjuntivite) • Umbigo (neonatos) • Vulva (partos) • Úbere (arames) • Prepúcio (secreção e traumas) • Escroto (traumas) • Pós-cirurgia Miíase cutânea 5. Patologia Bovino com fibrose prepucial em decorrência de miíase Miíase pós parto 18 → Clínico → Epidemiológico/comportamental: • Inquietação dos animais → Patológico • Lesões podem levar a morte → Etiológico • Identificação Miíase cutânea 6. Diagnóstico 19 NITENPIRAM Miíase cutânea 7. Tratamento 20 • Ivermectina ou doramectina • Fentione (aplicação local) • Ungento, repelentes, mata-bicheira • Evitar lesões e tratá-las • Tratamento preventivo após cirurgias Miíase cutânea 6. Profilaxia e controle Miíase cavitária ou nasofaringeal Oestrus ovis 22 → Gastos no controle → Perda de peso (4%) → Baixa produtividade = incômodo Miíase cavitária ou nasofaringeal Importância econômica → Causa miíase nasofarigeal ou oestrose Importância médica veterinária 23 → Miíase cavitária de caráter obrigatório Miíase cavitária ou nasofaringeal Oestrose • Agente causador: Oestrus ovis • HD: ovinos, caprinos e humanos • OE: seios nasais, frontais e maxilares “Bicho da cabeça”, rinite parasitária ou falso torneio 24 Adultos: • coloração castanho-acinzentada • cabeça alaranjada e larga • olhos pequenos • aparelho bucal atrofiado • asas com nervura amarela Miíase cavitária ou nasofaringeal 1. Morfologia 25 Larvas: • porção ventral com fileiras de espinhos; • porção dorsal com faixas transversais escuras; • possuem 2 ganchos orais curtos e curvados • Espiráculos: formato de “D” Miíase cavitária ou nasofaringeal 1. Morfologia 26 Ciclo Miíase cavitária ou nasofaringeal 2. Biologia • Ocorre em regiões com criação de ovinos • Mosca ativa durante o verão e outono • Fêmeas são encontradas nos pastos e currais voando ao redor dos ovinos • Fêmeas depositam cerca de 500 larvas • As larvas podem permanecer no animal por até 10 meses Miíase cavitária ou nasofaringeal 3. Epidemiologia 28 → Migração das larvas pela narina: • Pontos hemorrágicos • Rinite parasitária • Infecções secundárias • Pneumonia Miíase cavitária ou nasofaringeal 4. Patogenia 29 • Postura de grupo, escondendo o focinho na lã • Sacodem a cabeça, espirram e esfregam as narinas no solo • Secreção nasal e dispneia, • Cegueira, incoordenação motora Miíase cavitária ou nasofaringeal 5. Sinais clínicos 30 → Clínico: tosse, febre, prostração, respiração dificultosa e ruidosa → Epidemiológico/comportamental: • Corridas pelo campo • Enfiar o focinho na lã → Patológico: necropsia → Terapêutico: ivermectina Miíase cavitária ou nasofaringeal 6. Diagnóstico 31 → Especialidades farmacológicas: • Triclorfon • Ivermectina* → Formas de aplicação: • Via nasal - desuso • Soluções orais ou injetáveis Miíase cavitária ou nasofaringeal 7. Tratamento Miíase furuncular - Dermatobiose Dermatobia hominis 33 → Gastos no controle → Perda de peso →Desvalorização do couro →Baixa produtividade = incômodo Miíase furuncular Importância econômica → Causa miíase subcutânea Importância médica veterinária 34 → Miíase subcutânea de caráter obrigatório Miíase furuncular Dermatobiose • Agente causador: Dermatobia hominis • HD: bovinos, cães e homem • OE: tecido subcutâneo Conhecido popularmente como berne 35 Adultos: • robustos • pernas pardas • tórax cinza não metálico • abdômen azul metálico • boca atrofiada • olhos alaranjados Miíase furuncular 1. Morfologia 36 Larvas: • Segmentadas • 2 a 3 fileiras de espinhos robustos • 1 par de ganchos orais rígidos • 2 espiráculos respiratórios Miíase furuncular 1. Morfologia 37 Miíase furuncular 2. Biologia Foresia 38 Condições para que um inseto seja considerado um bom forético • Deve ser menor que D. hominis • Moderadamente ativos • Deve ter hábito diurno • Zoófilo Miíase furuncular 3. Epidemiologia 39 Condições para que um inseto seja considerado um bom forético • Deve ser menor que D. hominis • Moderadamente ativos • Deve ter hábito diurno • Zoófilo Miíase furuncular 3. Epidemiologia 40 →Formação de uma lesão furuncular →Processo inflamatório • secreção purulenta Miíase furuncular 4. Patogenia 41 → Consequências da infestação: • Depende da intensidade e local • Inquietação e diminuição produtiva • Emagrecimento • Dor Miíase furuncular 5. Sinais clínicos 42 → Visualização dos nódulos → Membros anteriores, barbela, costelas → Coleta e identificação das larvas Miíase furuncular 6. Diagnóstico 43 → Mecânico: asfixia Miíase furuncular 7. Tratamento → Terapêutico: • Piretroides (pour-on ou banho) • Ivermectina ou doramectina 44 → Mecânico: asfixia Miíase furuncular 7. Tratamento → Terapêutico: • Piretroides (pour-on ou banho) • Ivermectina ou doramectina 45 → Diminuir a população de insetos foréticos • Realizar roçadas • Enterrar carcaças • Evitar acúmulo de matéria orgânica → Remover os parasitos dos animais acometidos Miíase furuncular 8. Profilaxia e controle Miíase visceral ou gastrintestinal Gasterophilus spp. 47 → Gastosno controle → Queda de desempenho → Morte Miíase visceral ou gastrintestinal Importância econômica → Causa miíase visceral ou gastrintestinal → Provocando quadros de cólica Importância médica veterinária 48 → Miíase visceral de caráter obrigatório Miíase visceral ou gastrintestinal Gasterofilose • Agente causador: Gasterophilus nasalis, G. intestinalis • HD: equinos • OE: estômago e duodeno 49 Adultos: • corpo robusto • pelos amarelados • antena pequena e cabeça curta • aparelho bucal atrofiado Miíase visceral ou gastrintestinal 1. Morfologia Ovipositor 50 G. intestinalis G. nasalis Miíase visceral ou gastrintestinal 1. Morfologia Larvas: • grandes • ganchos orais em forma de foice • corpo segmentado e coberto por espinhos 51 Miíase visceral ou gastrintestinal 2. Biologia 52 → Fatores epidemiológicos • No Brasil ocorre G. intestinalis e G. nasalis • No RS somente G. nasalis • Moscas podem ovipor de 160 a 2000 ovos • As formas adultas não se alimentam e são abundantes durante o verão ao redor dos equinos Miíase visceral ou gastrintestinal 3. Epidemiologia 53 • As lesões variam de acordo com o grau de parasitose • Fibrose tecidual e perda das glândulas da submucosa Miíase visceral ou gastrintestinal 4. Patogenia 54 Estômago: • Irritação da mucosa • Hemorragia • Úlceras na região do piloro • Gastrite • Ruptura estomacal • Cólica Miíase visceral ou gastrintestinal 4. Patogenia Cavidade oral: • Periodontite • Glossite (G. intestinalis) 55 → Perda de peso: irritação causada pelas moscas → Perfuração do lábio: coceira e irritação. Mergulham a boca na água ou esfregam os lábios e narinas contra o solo, cercas e pedras → Em altas infestações (casos agudos) pode haver o rompimento da mucosa do piloro = Cólica Miíase visceral ou gastrintestinal 5. Sinais clínicos 56 → Clínico → Patológico: • lesões no trato gastrintestinal → Etiológico: • identificação de larva (L₃) nas fezes → Terapêutico Miíase visceral ou gastrintestinal 6. Diagnóstico 57 → Clínico → Patológico: • lesões no trato gastrintestinal → Etiológico: • identificação de larva (L₃) nas fezes → Terapêutico Miíase visceral ou gastrintestinal 6. Diagnóstico 58 → Clínico → Patológico: • lesões no trato gastrintestinal → Etiológico: • identificação de larva (L₃) nas fezes → Terapêutico Miíase visceral ou gastrintestinal 6. Diagnóstico 59 → Oral • Produtos a base de Triclorfon* • Produtos a base de Ivermectina Miíase visceral ou gastrintestinal 7. Tratamento 60 → Vermifugação estratégica • 2 aplicações: • Primavera • Outono → Ambiente: • Creosato (derivado da creolina) = Repelente → Passar esponja com água morna para remover as larvas Miíase visceral ou gastrintestinal 8. Profilaxia e controle 61 Obrigada!