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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 História Moderna das Relações Internacionais Aula 4 Profa. Maria Thereza David João CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 Introdução Atualmente é fácil acompanhar os acontecimentos em nível global. Cada vez mais países fora do eixo Estados Unidos e Europa ganham destaque na mídia internacional. As bolsas de valores chinesa e japonesa estão entre as mais importantes do mundo e afetam a economia de vários países. O que acontece na Ásia e na África impacta direta e indiretamente as nossas vidas todos os dias. Porém, quando falamos sobre fatos e acontecimentos históricos sempre vem à mente os principais acontecimentos ocorridos na Europa e a relação dos europeus com o mundo. Entretanto, não podemos ignorar eventos importantes ocorridos em territórios além da Europa. Nesta aula, deixaremos a Europa um pouco de lado e falaremos sobre a África e a Ásia, tendo como objetivo expor o desenvolvimento das relações internacionais entre países desses continentes, e como eles interagiam com as potências europeias. Para tanto, conheceremos o Império Otomano, a exploração da mão de obra escrava na África, assim como o processo de colonização da Índia. Indo para o sudeste asiático, vamos conhecer a Guerra Imjin e a Dinastia Ming da China. Tema 1: O Império Otomano O Império Otomano foi um dos maiores e mais longo impérios não europeu da história mundial. Teve início na Idade Média, em 1299, e chegou ao seu fim no século XX, em 1922, sua extensão territorial abrangia os continentes africano, asiático e europeu. Sua ascensão ocorreu no século XV com a tomada da cidade de Constantinopla do Império Bizantino em 29 de maio de 1453. Seu auge ocorreu durante a Idade Moderna, mais precisamente entre os séculos XVI e XVII, período também em que o império foi uma das principais potências políticas do mundo. Após a conquista de Constantinopla, entre os séculos XVI e XVII, o Império Otomano tornou-se uma ameaça real aos interesses e à segurança da Europa na Idade Moderna e no início da Idade Contemporânea. Liderado por um CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 sultão que também passou a ocupar o cargo de califa do islamismo a partir de 1517, o império passou por um período de grande expansão territorial, via terra e mar. O Império Otomano representava um perigo real aos interesses das potências europeias, principalmente no que diz respeito às rotas comerciais terrestres. Assim, os Estados europeus começaram a estabelecer suas próprias rotas navais para a Ásia. O século XVII marcou o início do declíno do Império Otomano e as principais mudanças na sua estrutura, que passaram a se adaptar à nova realidade, tanto interna quanto externa. Como resultado da batalha, o Império Otomano foi impedido de avançar pela Europa e a hegemonia política dos Habsburgos foi consolidada na Europa Central mais uma vez. Além dos Habsburgos dominarem territórios antes sob o poder dos otomanos, como a Trânsilvania e parte da Hungria. Resumindo, a história política e expansionista do Império Otomano, durante a Idade Moderna, podemos destacar alguns acontecimentos: 1453: Conquista de Constantinopla 1571: Perda da Batalha de Lepanto 1648-1656: Sultanato das Mulheres 1656-1703: Era Koprulu 1669: Conquista de Creta 1676: Conquista da Podolia 1683: Batalha de Viena Tema 2: Divisão Política da África Foi durante as Grandes Navegações que os europeus, na tentativa de contornar o continente africano para chegar à Índia, começaram a explorar o território africano e a mão de obra escrava africana. Na Idade Moderna, a história africana se funde com a expansão europeia. Não é possível falar sobre o continente africano sem mostrar a sua relação com a Europa. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 Os recursos disponíveis em diversas regiões da África atraíram os europeus com a possibilidade de comércio e aumento de riquezas. Assim, iniciou-se a relação de exploração entre europeus (exploradores) e africanos (explorados), que durou toda Idade Moderna e entrou no período contemporâneo. Foram os portugueses os pioneiros do tráfico e comércio de mão de obra escrava para as colônias, iniciando essa atividade comercial no século XV. Durante dois séculos, africanos foram traficados como escravos para as terras portuguesas na América do Sul a fim de suprir a necessidade de mão de obra para a produção de cana-de-açúcar, tabaco e café, além de serem usados, posteriormente no século XVIII, para exploração de minas de metais e pedras preciosas. As consequências dessa atividade econômica, além da escravidão forçada de seres humanos, foi a desestruturação e destruição de sociedades africanas. Muitas sociedades e povoados foram dizimados na África, perdendo- se muito da estrutura política pré-Grandes Navegações europeias (NARDO, 2010). A tradição oral, uma das principais ferramentas de passagem do saber e dos costumes e suas cosmovisões, foi violentada pelo eurocentrismo, bem como por uma tentativa de civilizar indivíduos tidos como bárbaros ou selvagens. Os europeus se valeram das disputas tribais e conflitos territoriais para dominar regiões e conseguir mais escravos. Durante toda a Idade Moderna, o continente africano e seus povos foram vistos como mercadorias pertencentes aos europeus. Eram as grandes potências que decidiam os rumos desse continente. De um modo geral, o continente africano relaciona-se com o mundo na Idade Moderna conforme os europeus expandem o seu território. Tema 3: Colonização da Índia Assim como ocorreu na América e na África, o continente asiático também foi explorado pelos europeus na Idade Moderna, principalmente a Índia, território CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 reconhecido mundialmente pelos seus produtos e especiarias, muito valorizados na Europa. Mais do que a colonização, a região da Índia vivenciou a criação de entrepostos europeus para facilitar o comércio com a região, sendo uma situação diferente da simples conquista e domínio, como nas Américas e África, que não tinham o comércio desenvolvido como os indianos. Antes dos britânicos colonizarem o subcontinente indiano, os portugueses haviam colonizado e criado um Estado ultramarino na região. Em 20 de maio de 1498, Vasco da Gama chegou a Calicute em busca de produtos, como especiarias e do estabelecimento de um porto comercial na região. Resumindo a história da Índia Portuguesa, durante a Idade Moderna, podemos destacar alguns acontecimentos, em ordem cronológica: 1498: Vasco da Gama chega em Calicute. 1500: Pedro Álvares Cabral instala uma feitoria e um armazém em Calicute. 1502: Vasco da Gama retorna à Calicute para propor um tratado comercial. 1505: É fundada a Índia Portuguesa. 1510: Conquista de Goa. 1530: Goa passa a ser a sede do governo da Índia Portuguesa. 1612: Portugueses são derrotados pelos britânicos numa batalha naval na Índia. 1615: Negociado tratado comercial entre o imperador mongal e a Inglaterra. No início do século XVIII, com a linha entre a dominação comercial e política cada vez mais tênue, uma série de empresas comerciais europeias marcou presença em outras regiões do litoral indiano, o que garantiu à Inglaterra controle cada vez maior dos fluxos comerciais na região e apoio das forças militares hindus. Com o controle de Bengala e o apoio de elites locais, os ingleses passaram à frente de portugues, franceses e espanhóis, e rapidamente CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6 espalharam-se pelo interior da região em uma política expansionista no início do século XIX. Tema 4: Guerra Imjin A Idade Moderna foi um período importante para as políticas interna e externa do Japão. No século XVI,começou a unificação do país, que foi concluida em 1590 por Toyotomi Hideyoshi, consolidando o seu papel político e militar no páis. Esse episódio marcou as relações internacionais do Japão, que adotou uma postura expansionista e tentou conquistar a China, resultando na Guerra Imjin em 1592. A Guerra Imjin foi o primeiro grande conflito da Ásia a envolver inúmeros exércitos e armas modernas, com a introdução da pólvora em seus armamentos. Sua realização permitiu adquirir experiência de campo de combate, útil para resistir às investidas europeias. De todas as regiões, o Extremo Oriente mostrou- se uma das mais fechadas e bem resguardadas às investidas ocidentais, que se contentavam com alguns entrepostos, mas sem alcançar e subordinar os governos centrais da China ou do Japão plenamente aos seus interesses. Tema 5: Disnastia Ming A dinastia Ming, comandada pela etnia Han, governou a China entre 1368 e 1644, compreendendo o fim da Idade Média e grande parte da Idade Moderna. Foi um período importante para a China, houve um grande crescimento do comércio internacional e as relações exteriores, sobretudo com a Europa. No plano internacional, a China também sofreu impacto das grandes navegações europeias, através do comércio internacional. O primeiro explorador europeu a chegar na costa sul da China, que se tem registro, foi Rafael Perestrelo em 1516. Entre as principais exportações chinesas estavam a seda e a porcelana, que ganharam fama mundial pela sua beleza e qualidade. Por outro lado, a China importava produtos agrícolas provenientes das colônias ibéricas. Alimentos como a batata e o milho eram vistos pelos chineses como uma alternativa de plantio, principalmente para alimentar as classes mais baixas. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 Em 1639, o Japão, que já havia sido um importante parceiro comercial da China, até essa relação ser abalada pela Guerra Imjin, pôs um fim no comércio internacional com as potências europeias. As relações comerciais entre esses países funcionava da seguinte maneira: europeus compravam mercadoria chinesa e revendiam para o Japão, ou seja, a prata circulava livremente nessa relação. Com o fim do comércio Europa-Japão, a entrada de prata na China ficou ainda mais limitada. Como consequência, houve diminuição de oferta de prata e o aumento do valor da mesma. Isso afetou diretamente o pagamento de impostos por parte das províncias, que arrecadavam cada vez menos tributos de seus comerciantes, que agora vendiam seus produtos em troca de moedas de cobre. Síntese Nesta aula, tratamos das Relações Internacionais na Idade Moderna, focando nos acontecimentos fora do contexto europeu, ou seja, na África e Ásia. Tratamos das relações entre os países no contexto dos continentes africano e asiático e da relação dos mesmo com a Europa, procurando entender o papel deles no contexto internacional. A princípio, questionamos sobre o que conhecemos sobre os países da África e Ásia na Idade Moderna. Na tentativa de responder a essa questão e ampliar o conhecimento sobre o tema, trouxemos a história do Império Otomano, maior e mais poderoso império não europeu do período, para mostrar como era a configuração política e territorial sob o domínio otomano e suas consequências para as potências europeias. Ao tratarmos da África e da Índia, percebemos que não é possível falar da história desses países sem entender a relação deles com a Europa e, como as grandes navegações mudaram a identidade e a história de várias nações. Focando no sudeste asiático, apresentamos as grandes potências regionais do período e um dos principais conflitos da história do sudoeste asiático. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 Por fim, podemos afirmar que a Idade Moderna, como conhecemos, só existiu por causa dos países não europeus que foram explorados e subjugados ao longo da história, mas que foram essenciais para o desenvolvimento das relações internacionais. Referências FERREIRA, A. P. L.; MÈRCHER, L. Relações Internacionais na Idade Moderna: um panorama histórico. Curitiba: InterSaberes, 2015.