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ESTRUTURA E COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL Faculdade de Minas 2 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. Faculdade de Minas 3 SUMÁRIO NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 2 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES .......................................... 4 ABERJE ..................................................................................................................... 6 PRÊMIO ABERJE ...................................................................................................... 8 FUNCIONÁRIO, EMPREGADO OU COLABORADOR .............................................. 9 COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL VERSUS COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL ................................................................................................................................. 11 FUNÇÕES DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL ............................................. 11 COMUNICAÇÃO INTERNA ..................................................................................... 13 IMPACTO DA INTERNET NAS AÇÕES DE COMUNICAÇÃO INTERNA ............... 16 FUNÇÕES DA COMUNICAÇÃO INTERNA ............................................................. 18 COMUNICAÇÃO INTEGRADA ................................................................................ 19 TIPOS DE COMUNICAÇÃO .................................................................................... 22 FLUXOS DE COMUNICAÇÃO ................................................................................. 24 INSTRUMENTOS UTILIZADOS PELA COMUNICAÇÃO INTERNA ....................... 26 PROCESSO DA COMUNICAÇAO ORGANIZACIONAL .......................................... 27 MODELO DE COMUNICAÇÃO ............................................................................... 28 BARREIRAS NA COMUNICAÇAO .......................................................................... 30 BARREIRAS ............................................................................................................ 31 IMAGEM ≠ IDENTIDADE ......................................................................................... 34 REFERENCIAS ........................................................................................................ 38 Faculdade de Minas 4 HISTÓRIA DA COMUNICAÇÃO NAS ORGANIZAÇÕES Logo no começo do século XX, a sociedade estadunidense passava por um momento de turbulência, pois a concentração de riqueza advinda dos grandes monopólios inflamou a revolta popular contra a exploração do povo, o que ocasionou uma série de greves no país. Segundo o Contexto Histórico do Nascimento das Relações Públicas, de Júlio Afonso Pinho, um acontecimento que demonstra o pensamento dos grandes empresários da época está na declaração de William Vanderbilt, filho do Comodoro Cornelius Vanderbilt, empresário da área de construção de ferrovias. Em 1882, Vanderbilt pronunciou a expressão: The public be damned1 para um grupo de jornalistas, sobre o interesse público sobre um trem que circularia entre Nova York e Chicago. (MOURA, 2008, pág. 30) Ainda, segundo Pinho, em 1871 surgiram as primeiras traduções do Manifesto Comunista nos Estados Unidos, além da ampla distribuição do Manifesto do Semanário Nova Iorquino, o que trouxe novas perspectivas aos trabalhadores das fábricas sobre a realidade social que viviam, e o movimento operário cresceu (MOURA, 2008, pág. 25). Ainda, em 1887, o país passou por uma grande depressão econômica, que resultou em mais de 3 milhões de desempregados. Nesse mesmo ano, a classe dos trabalhadores das estradas de ferro entrou em greve, em luta por melhores salários e pela expansão dos sistemas de negociações coletivas. Em 1883 e 1885, entram em greve os telegrafistas e os ferroviários, respectivamente. E em 1886 houve uma grande greve, que levou o Congresso Americano a aprovar a lei da jornada de 8 horas de trabalho (a mobilização foi um sucesso em todo o país, exceto na cidade de Milawaukee, onde a polícia interveio e matou vários trabalhadores). E, em 1897 ocorre a greve dos mineiros, em 1901 a greve dos mecânicos e trabalhadores do aço e em 1904 a greve dos matadouros. (MOURA, 2008, pág. 26 a 28) Neste cenário, percebeu-se que as organizações precisavam ter mais interesse nas opiniões da classe operária. Surge assim a necessidade de um profissional que dialogasse com a sociedade. O jornalista Ivy Lee percebeu a oportunidade, “escrevendo artigos para jornais, (...) sugerindo um tipo de atividade Faculdade de Minas 5 para relacionamento das instituições com seus públicos”. (MOURA, 2008, pág. 32). Assim, ele resolveu deixar o jornalismo de lado e montar o primeiro escritório de relações públicas do mundo, em 1906. Nesta época, eram comuns os “exploradores de escândalo”, jornalistas que denunciavam as corrupções governamentais e empresariais (como o pagamento injusto de sua mão de obra e as sabotagens para eliminar a concorrência, cartéis, consórcios, trustes, etc). As organizações, para se defenderem, precisavam rebater as críticas, montando “assessorias de imprensa e relações públicas” (MOURA, 2008, pág. 33). Segundo Sônia Pessoa, no artigo Comunicação Empresarial, uma ferramenta estratégica, Lee concentrou suas atividades na imagem de John D. Rockfeller, empresário do petróleo, acusado de combater de forma injusta e impetuosa seus concorrentes de médias e pequenas organizações, em busca do lucro a qualquer preço. (PESSOA, pág. 1) Lee escrevia notícias a respeito das atividades de Rockfeller, e buscava espaços de publicação, como notícias, nos veículos jornalísticos, em detrimento aos espaços dedicados à publicidade, comprados por grande parte das empresas. Mas como ele conseguiu convencer a imprensa? Ele teria criado uma carta de princípios, distribuindo-a aos veículos de notícias: Este é não é um serviço de Assessoria secreto. Todo o nosso trabalho é feito às claras. Nós pretendemos fazer a divulgação de notícias. Isto não é um gerenciamento de anúncios. Se acharem que o nosso assunto ficaria melhor na seção comercial, não o use. Nosso assunto é exato. Mas detalhes, sobre qualquer questão, serão dados oportunamente e qualquer diretor de jornal interessado será auxiliado, com o maior prazer, na verificação direta de qualquer declaração de fato. Em resumo, nosso plano é divulgar prontamente, para o bem das empresas e das instituições públicas, com absoluta franqueza, à Assessoria e ao público dos Estados Unidos, informações relativas a assuntos de valor e de interesse para o público. (IVY LEE, apud PESSOA, pág, 2) Faculdade de Minas 6 Posteriormente, Lee também tomou uma série de outras ações, além da notícia, para melhorar a imagem de Rockfeller.Faculdade de Minas 41 GIANOTTI, VITO. Comunicação Sindical e disputa da hegemonia. Mídia e Poder Universidade e Sociedade, Ano XI, Nº 27, junho de 2002 – 17. Disponível em: http://www.andes.org.br/imprensa/publicacoes/imp-pub-1480106909.pdf NASSAR. Paulo. Aberje 40 anos: Uma História da Comunicação Organizacional Brasileira. Revista Organicom. Número 7. 2º Semestre de 2007. Disponível em: http://www.revistaorganicom.org.br/sistema/index.php/organicom/article/view/108/12 7 acesso em 10 fev, 2017 ORTIZ, Felipe Chibás. Funcionários ou Colaboradores? – 2017. Coluna disponível no site da Aberje: http://www.aberje.com.br/colunas/funcionarios-ou-colaboradores/ acesso em: 15 mar, 2017 PINHO, J.B. A internet como veículo de comunicação publicitária Revista FAMECOS • Porto Alegre • nº 10 • junho 1999 • semestral . Disponível em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/revistafamecos/article/view/3032 acesso em: 16 mar, 2017 SARAIVA, Jacílio. Mais enxuta e Colaborativa. Revista Comunicação Empresarial Ano 23 1º trimestre 2013 nº 86 pág. 16 disponível em: http://www.edmlogos.com.br/edmlog/fotos/revista_aberje_86.pdf acesso em: 19 mar, 2017. SILVA, Luís Antônio Cardoso da. A Reestruturação Pós-fordista da produção e suas Consequências Sobre as Novas Formas de Gestão de Projetos na Indústria Automobilística Brasileira: O Caso da FIASA – Fiat Automóveis S.A. v. 01, n. 02 : pp. 073-086, 2005 ISSN 1808-0448 Revista Gestão Industrial . XAVIER, Gabriela, NUNES, Marcos e XAVIER, Camila. A Rede social e as organizações empresariais - vantagens e riscos do uso das redes sociais pelas empresas- Disponível em http://www.ambito-juridico.com.br/site/? n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=14127&revista_caderno=8 acesso em: 29 fev 2017 Faculdade de Minas 42“Ele dispensou guarda-costas, criou uma fundação de filantropia e Rockfeller até mesmo colaborou na apuração de denúncias contra ele próprio.” O trabalho para Rockfeller se transformou em case de sucesso - a imagem pública do cliente passou de ‘patrão sanguinário' a ‘benfeitor da humanidade’”. (PESSOA, pág. 2) A partir dessa experiência, a atividade de Relações Públicas cresceu e se espalhou pelo mundo, alcançando o Canadá e a França nos anos 40 e nos anos 50 países como a Inglaterra, a Holanda e a Itália e o Brasil. Aqui, a atividade de Comunicação Empresarial se instaurou motivada pela chegada de novas indústrias e montadoras de veículos, atraídas pelos benefícios oferecidos pelo governo de Juscelino Kubitschek. “No que se refere a estas, muitas empresas, sobretudo as do ramo automobilístico, reproduziram aqui as experiências já vivenciadas em seus países de origem”. (KUNSCH, 1997, pág. 20) A movimentação do mercado e a industrialização estimularam novos profissionais, como Rolim Valença, criador da primeira agência de Relações Públicas do Brasil, a Assessoria Administrativa Ltda. (AAB), e possibilitou o desenvolvimento da área de comunicação ABERJE É importante conhecer a história da Aberje e entender sua relevância para a Comunicação Organizacional, para compreender a motivação deste trabalho, já que os objetos de estudo selecionados aqui foram definidos por prêmios concedidos por ela. Por isso, este capítulo contém um resumo da história da Associação e de como a mesma se tornou referência no estudo do setor. Segundo Marins Freire (2015, pág. 11), no ano de 1967 a Associação Brasileira de Administradores de Pessoal (ABAPE) promoveu o I Concurso Nacional para a escolha das melhores publicações de empresas nacionais. Na ocasião, cerca de 80 representantes de empresas nacionais se reuniram no I Congresso Nacional Faculdade de Minas 7 de Editores de Publicações de Empresas, onde aprovaram a criação da Associação Brasileira de Editores de Revistas e Jornais de Empresa. Tal como aponta Paulo Nassar, a iniciativa de criação da Associação partiu de um grupo de comunicadores empresariais, empregados em multinacionais e empresas brasileiras. A iniciativa partiu de Nilo Luchetti, jornalista e gerente da Pirelli, que liderou todo o grupo. Luchetti, por possui uma posição privilegiada dentro da empresa (quando comparada às realidades de outros comunicadores), estimulou os outros profissionais. O objetivo era a criação de uma associação onde fosse possível promover encontros entre os trabalhadores do setor, buscando a difusão de informações sobre a atividade, “além de promover, junto aos empresários, educados dentro de uma visão racional e conservadora do trabalho, o papel da comunicação como processo integrador”. (NASSAR, 2007, pág. 33) Nessa época, os membros da Associação eram profissionais contratados com o ofício específico de produção de jornais e boletins empresariais, com atuação exclusivamente operacional. A notícia era produzida “de cima para baixo”, geralmente emitidas pela Direção e pela área de pessoal, o chamado Recursos Humanos. Foi com a ação dos primeiros comunicadores organizacionais, fundadores da Aberje, que as publicações passaram ter finalidades mais específicas. (NASSAR, 2007, pág. 35) Já nos anos 80, com o término da ditadura militar e início do processo de redemocratização do Brasil, a comunicação nas organizações não podia mais ser voltada somente ao âmbito interno. Com a democracia, o medo e a vigilância diminuíram, dando espaço para maior liberdade de expressão. A democracia também trouxe novos públicos, entre eles os sindicatos (do qual discorreremos no capítulo de Comunicação Interna). Assim, a Aberje também precisou se adaptar: É possível detectar duas etapas distintas na trajetória da Aberje. Na primeira, de 1967 a 1983, a preocupação dominante girava em torno da organização do setor e da profissionalização das publicações empresariais. Na segunda, de 1983 até hoje, a atuação concentra-se mais na ampliação do conceito e dos objetivos da entidade, numa visão mais abrangente da comunicação organizacional. (KUNSCH, 1997, p. 59) Faculdade de Minas 8 Pode-se dizer então que foi a partir da década de 80 que a Associação passou a se dedicar à busca de novos modelos eficazes de comunicação organizacional, demonstrando e tornando públicas essas ações, como um grande exercício de construção de imagem, para ela e para essas organizações. Foi também na década de 80 que ocorreu uma maior progressão dos estudos na área e maior amplitude das atividades de comunicação, que trouxeram uma nomenclatura mais abrangente. Assim, a partir de 1989, a Aberje passou a ser chamada de Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (porém mantendo a mesma sigla) e se estabeleceu no Rio de Janeiro, Brasília, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Belo Horizonte, Salvador e Curitiba. (KUNSCH, 1997 pág. 60) A sociedade, que respirava novamente os ares da democracia, passou a desfrutar da liberdade, ocasionando uma transformação nos modelos organizacionais. Agora, fora do regime ditatorial, era permitido a liberdade de opinião. Assim, as pessoas passaram a considerar a transparência do negócio como uma característica fundamental no relacionamento com as empresas. “A Comunicação Organizacional brasileira entrava na era da imagem. E, com isso, voltava seus olhos para o ambiente no qual a organização estava inserida e para uma operação mais articulada de suas áreas, de seus pensamentos, e de seus profissionais”. (NASSAR, 2009, pág. 8) PRÊMIO ABERJE Do primeiro encontro da Aberje nasceu o então Prêmio Aberje de Jornalismo Empresarial, que buscava conferir reconhecimento às empresas de destaque na área. Com o desenvolvimento da área, a premiação também se modernizou, e atualmente é conhecido como Prêmio Aberje, sendo dividido em 18 categorias e cinco regiões do país, Espírito Santo e Rio de Janeiro, Norte e Nordeste, São Paulo, Sul e Minas Gerais e Centro-Oeste. Segundo o site da Aberje, itens como o reconhecimento, estímulo e a divulgação de esforços são capazes de fortalecer a visão estratégica da Faculdade de Minas 9 comunicação, por isso, desde a sua criação, a premiação busca identificar os melhores projetos de comunicação organizacional brasileiros. Dividido em quatro etapas de avaliação (triagem, etapa regional, audiência pública nacional e cerimônia final), o Prêmio Aberje se tornou referência na identificação de iniciativas de sucesso. Como consta no regulamento do prêmio, as categorias da premiação foram divididas em duas áreas: Gestão de Comunicação e Relacionamento e Mídia. Gestão de Comunicação foi segmentada entre: Comunicação de Marca, Comunicação de Marketing, Comunicação de Programas Voltados à Sustentabilidade Empresarial, Comunicação de Programas, Projetos e Ações Culturais, Comunicação de Programas, Projetos e Ações Esportivas, Comunicação e Organização de Eventos, Comunicação e Relacionamento com a Imprensa, Comunicação e Relacionamento com a Sociedade, Comunicação e Relacionamento com o Consumidor, Comunicação e Relacionamento com o Público Interno, Comunicação e Relacionamento com Organizações Governamentais, Comunicação e Relacionamento Internacional, Comunicação Integrada e Responsabilidade Histórica e Memória Empresarial. Além disso, consta no regulamento que para que cada organização possa competir, é necessário que ela cumpra alguns requisitos, como possuir uma visão estratégica, com uma imagem institucional desejada, possuir um público-alvo e apresentar resultados concretos, segundo os objetivos estabelecidos. FUNCIONÁRIO, EMPREGADO OU COLABORADOR Na coluna Funcionários ou Colaboradores?, de Felipe Chibás Ortiz, disponível no site da Aberje, é dito que, se a organização realmentepossui o objetivo de crescer como “equipe de alta performance”, é necessário se pensar na forma como se trata a equipe. Para a Associação, existem diferentes formas de tratamento dentro de uma organização, que podem afetar comportamentos. Faculdade de Minas 10 Pela análise da diferenciação semântica das palavras, vemos que empregado se iguala a funcionário, sendo sua função a prestação de serviços para outros. Ainda, na opinião da Aberje, cabe ao funcionário o dever de cumprir com as solicitações do chefe, finalizando tarefas. Já a palavra “colaborador” indica aquele que trabalha com outra pessoa em condições iguais de iniciativa. “Entre o funcionário e o chefe ou líder formal, existe uma enorme distância social. Quase sempre, quem decide e pensa é o líder, enquanto o funcionário “funciona”, cumpre com o solicitado, faz a tarefa orientada. Mas no caso do colaborador, a distância entre ele o líder é menor, pois ele também aporta ideias, iniciativas e soluções”. (ORTIZ, 2017) A Aberje também faz uma reflexão acerca da terminologia da palavra “funcionário”, que remete à “funcionar” e “servir”, o que nos trás ao “paradigma do robô”, uma metáfora: ao se dizer que alguém é “funcionário”, estamos, inconscientemente, comparando-o à uma máquina, uma peça que funciona cumprindo uma função robótica, um recurso inanimado. “Existem organizações que colocam um chip na pasta ou no carro de seus consultores de vendas para ver se eles cumprem os horários e se visitam todas as organizações propostas pela coordenação; sendo que o foco deveria ser se eles atingem ou não o resultado desejado, e não número de horas trabalhadas ou lugares visitados. Este sistema fomenta um clima de desconfiança”. O “colaborador” é aquele que colabora com a organização, que aplica seus conhecimentos e sua experiência em prol das atividades da mesma. Colabora quem tem voz, quem tem a liberdade de opinar. Dessa forma, conforme a Aberje, acreditamos que devemos “discutir e definir as palavras que são usadas no dia a dia, pois elas carregam sua semiótica e significado próprios”. Como um dos enfoques deste trabalho está nas relações humanas, na força social e no próprio comportamento humano, definimos a utilização do termo “colaborador”, por acreditar que se adéqua mais às nossas perspectivas. Faculdade de Minas 11 COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL VERSUS COMUNICAÇÃO EMPRESARIAL A Comunicação Organizacional possui muitas outras expressões que se constituem como sinônimos: Comunicação Empresarial, Comunicação Corporativa e Comunicação Institucional. Porém, é preciso ficar atento a cada uma das nomenclaturas, que possuem singularidades próprias que definem limites aos termos. (BUENO, 2009, pág.1) Neste trabalho, conforme o pensamento de Kunsch, optamos pela utilização da nomenclatura “Comunicação Organizacional”, que abrange, não somente as empresas públicas e privadas, mas também organizações não-governamentais e outras entidades em geral. (KUNSCH, 2003, pág. 150) Porém, entendemos aqui, que tanto a utilização do termo Comunicação Empresarial, ou Comunicação Organizacional, são utilizados de forma a estabelecer o relacionamento, como um “conjunto integrado de ações, estratégias, planos, políticas e produtos planejados e desenvolvidos por uma organização”. (BUENO, 2009, pág. 3) FUNÇÕES DA COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL Como apresentado, a Comunicação Organizacional se desenvolveu com o propósito de planejar e executar ações para promover o relacionamento e integração entre as organizações e os seus públicos de interesse, se tornando fundamental ao possibilitar canais de diálogo entre as empresas e seus diversos públicos. Cabe aos profissionais do setor a função de alinhar os objetivos da comunicação aos objetivos da organização, auxiliando no cumprimento de suas metas. Ele é, portanto, o responsável pela construção e manutenção da imagem e reputação da organização, ao realizar ações que auxiliam no controle de crises e Faculdade de Minas 12 aumentam a confiança do público. Quando bem planejada, a comunicação organizacional é capaz de auxiliar na venda de produtos e agregar valor à empresa, sendo uma vantagem da organização no competitivo cenário atual. Segundo análise de Kunsch, a Comunicação Organizacional é dividida entre as seguintes modalidades: institucional (responsável direta, por meio das relações públicas, pela construção de imagem e identidade), comunicação mercadológica (vinculada ao marketing de negócios, responsável pelos produtos constituídos pelos objetivos de mercado) , comunicação interna (que viabiliza toda a interação entre a organização e seus colaboradores, utilizando das ferramentas de comunicação institucional e mercadológica) e comunicação administrativa (que consiste em planejar e dirigir os recursos da organização, de maneira a obter alta produtividade, baixo custo e maior lucro). Todas essas, de forma articulada, constituem todo o trabalho de comunicação integrada.(KUNSCH, 2003, pág. 150) Figura 1: Composto da Comunicação Integrada Faculdade de Minas 13 Fonte: KUNSCH, 2003, pág, 151. “Ainda que, operacionalmente, haja uma descentralização, tendo em vista as execuções das atividades específicas da comunicação (Relações públicas, assessoria de imprensa, comunicação interna, propaganda/publicidade, marketing, etc.), o planejamento deve ser centralizado”. BUENO (2009, pág. 11). COMUNICAÇÃO INTERNA Até aqui, já falamos sobre o histórico da comunicação organizacional nos Estados Unidos e no Brasil, além do nascimento da Aberje e do Prêmio Aberje, até a sua consolidação como referência nos estudos e desenvolvimento da área. A seguir, focaremos no estudo da Comunicação Interna, dissertando sobre a sua influência no sucesso das organizações. No começo do século XX, a atividade de comunicação era trabalhada como um reflexo do que acontecia nas linhas de produção, influenciadas pelas práticas tayloristas, que tinha como principal objetivo a venda, por meio da promoção e da publicidade: “O que se apresentava além do produto, tudo aquilo que transcendia o produto físico, não era considerado pela comunicação, no ambiente caracterizado por uma demanda extremamente alta”. (NASSAR, 2005, pág. 21) Ainda, no Modelo Taylorista, seguido pelas empresas da época, a imagem de uma organização era reflexo de seus produtos e serviços, que por sua vez eram produzidos no menor tempo possível e de forma massificada, com o objetivo de vender cada vez mais, e o trabalhador condicionado a uma rotina de manual. (NASSAR, 2005, pág. 23), Esse modelo de produção foi desenvolvido pela “Teoria Clássica”, considerada pelos trabalhadores e sindicatos como uma forma sofisticada de exploração, o que fazia com que ela nunca fosse aceita de forma pacífica. (CHIAVENATO, 2001, pág. 135) Faculdade de Minas 14 O Contexto Histórico do Nascimento das Relações Públicas (MOURA, 2008, pág. 28): “Tal método destituía o trabalhador daquilo que lhe era mais caro: seu conhecimento e habilidade profissional” e fomentava uma Comunicação Interna extremamente autoritária e “machista, baseada em ordens (‘faça-se’), caracterizada por uma retórica pobre (‘a nossa família-empresa’) e tensionada basicamente por conflitos de trabalho (reivindicações trabalhistas e greves, por exemplo)”. (NASSAR, 2005, pág. 23) As coisas começaram a mudar em 1924, por meio das pesquisas do professor Elton Mayo (na Harvard Business School), que percebeu que a melhoria do ambiente de trabalho podia elevar a produtividade do trabalhador. Começam então a surgir os ideais da Escola de Relações Humanas, que trouxe para as organizações novos conceitos. Já que os objetivos dessa teoria buscavam “amenizar os choques expostos de forma crua no universo burocrático taylorista”, assinalandoque ela surgiu e se desenvolveu como “uma reação ao sindicalismo operário norte-americano”.(TRAGTENBERG 1980, pág 25, apud NASSAR, 2005, pág. 25) Para a escola de Relações Humanas a comunicação era importante, no que proporcionava a compreensão das atividades, bem como outras atitudes necessárias para a promoção da cooperação e satisfação dos indivíduos. Por isso, foi compelido aos administradores o dever de assegurar a participação de todos os escalões da empresa na solução dos problemas e de incentivar a confiança entre os grupos da organização. A comunicação, que antes era autoritária, “de cima para baixo”, passou a acontecer entre as duas vias (ascendente e descendente). (CHIAVENATO, 2001, pág. 166) No Brasil, a história da comunicação está interligada com a história do desenvolvimento econômico, político e social. “No princípio, havia o verbo mas faltava a verba”, Só no final da década de 60, com a início da industrialização do Sudeste, as empresas iniciaram a interlocução com seus públicos, conforme expõe Torquato. Aqui, as empresas entendiam o valor de comunicar-se com o consumidor, bem como a importância do colaborador se orgulhar do local em que trabalha, mas a verba não permitia que fossem realizadas a comunicação interna e externa da Faculdade de Minas 15 mesma forma. Como dito anteriormente, foi o surto industrial dos anos 50 que mudou esse sistema, contribuindo para “sofisticar e ampliar os modelos de expressão e suas estratégias persuasivas, ensejando a estruturação, em áreas, do programa de comunicação, ao mesmo tempo em que se iniciava a era do fortalecimento conceitual e do adensamento e divisão de verbas”. (TORQUATO, 2010, pág. 2) O mercado brasileiro começava então a oferecer boas perspectivas para os profissionais que desejavam trabalhar com comunicação, tendo a Aberje contribuído em grande parte: ”O primeiro momento contemplou o jornalzinho com feição de colunismo social, malfeito e saturado de elogios aos dirigentes empresariais (...). a Aberje colocou, desde o princípio, a comunicação interna como o eixo central de suas preocupações”. (TORQUATO, 2010, pág. 3) Com a regulamentação das profissões de Relações Públicas e Jornalismo, em 1968 e 1969, respectivamente, ambas passaram a disputar os cargos nas Assessorias de Comunicação, havendo também choque entre os funcionários do Recursos Humanos, que até então controlavam a Comunicação Interna dentro das organizações. (TORQUATO, 2010, pág. 5) Ainda, como menciona Bueno, haviam alguns trabalhos competentes de relacionamento, mas a Comunicação Organizacional tal como conhecemos hoje em dia ainda não existia nos anos 70. Os trabalhos eram realizados de forma difusa por departamentos não vinculados, o que acabava por gerar uma comunicação contraditória. “Uma comunicação interna marcada pelo autoritarismo, pelo desestímulo à participação e ao diálogo convivia com uma publicidade descontraída, que simulava uma empresa democrática e aberta”. (BUENO, 2009, pág. 5) A regulamentação também levou ao surgimento de diversas faculdades de comunicação por todo o país, porém, o setor ainda não estava preparado. Para Kunsch, a transmissão de conhecimentos era dogmática, o que, junto à falta de domínio e à imprecisão, acabou por prejudicar o avanço da área durante a década de 70. (KUNSCH, 1997, pág. 29) Faculdade de Minas 16 IMPACTO DA INTERNET NAS AÇÕES DE COMUNICAÇÃO INTERNA A sociedade está cada vez mais digital, conectada. O advento da Internet revolucionou completamente os meios sociais, o que também transformou o cenário dentro das organizações. A partir de 1993, ano em que a sociedade passou a ter acesso à Internet, o mundo mudou. A informática ampliou o acesso das pessoas a novas informações, possibilitou a comunicação com pessoas de todo o mundo, por meio de bate-papos e fóruns, e permitiu que os próprios usuários da web se tornassem transmissores de informação. A primeira tentativa de utilização da internet para divulgação comercial aconteceu em 1994, quando o escritório de advocacia Canter e Siegel utilizou a rede para oferecer seus serviços para mais de 7 mil grupos de discussão. Já o primeiro contrato publicitário se deu pelo site Hotwired, que vendia pequenos espaços para anúncio (assim surgiram os banners). A publicidade on-line manifestou-se, em sua primeira forma, nos próprios sites de empresas que marcavam sua presença na rede com o propósito de oferecer informações úteis a respeito de seus produtos e serviços. (...) Outros formatos muito comuns são os pequenos anúncios eletrônicos conhecidos como banners e o patrocínio de seções dos provedores de acesso e de conteúdo. (PINHO, 1999, pág. 86) Ainda em 1994, surgiram os primeiros mecanismos de busca, que possibilitavam aos usuários a procura pelos sites das empresas, além de permitirem a compra de produtos das lojas listadas. Com o sucesso da rede, cada vez mais organizações passaram a se interessar pela novidade, aproveitando a oportunidade para buscar novas formas de dialogar com a sociedade. A Aberje foi, inclusive, a primeira entidade de comunicação a disponibilizar seus serviços on-line, em 1996, por meio do “Aberje Online”, que permite aos associados o contato entre as universidades, bibliotecas e outros centros de estudo da comunicação. (KUNSCH, 1997, pág. 61) Faculdade de Minas 17 Com o surgimento das redes sociais, esse cenário sofreria outra importante transformação. Ferramentas como o pioneiro Orkut, o Facebook, Blogspot, Youtube e o Twitter passaram a possibilitar um espaço onde era possível ao usuário a exposição de seus pensamentos, suas fotos, e principalmente, sua opinião. Podem- se definir as redes sociais, conforme o artigo A Rede social e as organizações empresariais — vantagens e riscos do uso das redes sociais pelas empresas, de Xavier, Nunes e Xavier, do site Âmbito Jurídico, s.d, como “uma rede de indivíduos que se comunicam e interagem via internet. (…) uma estrutura social composta por pessoas ou organizações, conectadas mediante uma nova forma de comunicação”. Assim, como o próprio nome já diz, as redes sociais são articulações de indivíduos, que se conectam por meio de interesses semelhantes. Ainda, conforme o artigo, as redes sociais são divididas em diversas modalidades, como as redes profissionais (por exemplo o Linkedin), as redes de relacionamento (Facebook, Orkut, etc), redes políticas, as redes internas das organizações e muitas outras. “Essas redes permitem analisar a forma como as organizações desenvolvem a sua atividade e como os indivíduos alcançam os seus objetivos, mediante o compartilhamento de conhecimentos, interesses e esforços em busca de um objetivo comum”. Assim, vê-se que as redes sociais ofereceram às organizações ainda mais oportunidades, ao permitirem a possibilidade de criação de uma “teia” de relacionamento que pode atingir pessoas do mundo inteiro. Uma empresa, ao entrar nessas redes e criar o seu perfil/identificação, poderá criar um universo grande de pessoas envolvidas em sua rede (podendo atingir escalas inimagináveis), bem como influenciar diretamente o consumidor e estabelecer um modelo/padrão de consumo associado ao produto da empresa. (XAVIER, NUNES, XAVIER, sd.) As organizações também viram nas redes sociais a possibilidade de relacionamento com seu público interno, por meio de redes utilizadas somente pelos colaboradores da empresa, como os chats e a intranet. Mas essas também podem trazer algumas desvantagens para o ambiente de trabalho. Elas, por serem também uma fonte de distração, podem atrapalhar a produtividade. “Além disso, destaca-se Faculdade de Minas 18 o risco de vazamento de informações da empresa, bem como o risco de responsabilização da corporação por atitudes impróprias de seus empregados no uso das redes sociais”.(XAVIER, NUNES, XAVIER). Da mesma forma em que as redes sociais impulsionaram os negócios das organizações, elas proporcionaram um canal de fala para seus públicos de interesse, que podem influenciar outros usuários da rede, podendo opinar, até anonimamente, sobre os serviços das empresas. Dessa forma, por todos esses fatores, a utilização da internet dentro do ambiente de trabalho costuma ser fortemente monitorada pelas organizações, visto que o vazamento de informações sigilosas, a utilização imprópria, feedbacks negativos em comentários e postagens e pontuações baixas podem exercer influência negativa na imagem da organização. FUNÇÕES DA COMUNICAÇÃO INTERNA Para Gaudêncio Torquato, a Comunicação Interna tem a missão de: “gerar consentimento e produzir aceitação (...) É vital para encaminhar soluções e para se atingir as metas programadas”. (TORQUATO, 2010, pág. 55) Como uma organização possui vários objetivos, ela precisa satisfazer uma série de exigências impostas pelo seu público de interesse. Essas exigências estão em constante mudança, visto que o ambiente da organização é dinâmico e se encontra sempre em contínua evolução. Dessa forma, é importante que a empresa esteja sempre alinhada para seu público interno: Os investimentos a serem feitos são vantajosos e relevantes. O público interno é um público multiplicador. Na sua família e em seu convívio profissional e social, o empregado será um porta-voz da organização, de forma positiva ou negativa. Tudo dependerá de seu engajamento na empresa, na credibilidade que esta desperta nele e da confiança que ele tem em seus produtos ou serviços. (KUNSCH, 2003, pág. 159) Outro tópico importante no “fazer” Comunicação Interna está nas reflexões da professora Marlene Marchiori, que diz que a função da comunicação vai muito além Faculdade de Minas 19 da mera produção de informação. Esta deve também levar em conta outros fatores, além do conteúdo e impacto da mensagem, como o amadurecimento das lideranças, a visão da administração e a avaliação do crescimento do negócio. “Falo, portanto, de gerar proximidade, de dar sentido às experiências e de aprimorar relacionamentos, para tanto agir no sentido de construir conhecimento. Para mim, isso define a função que a comunicação interna exerce em uma organização”. (NASSAR, 2006, pág. 112) COMUNICAÇÃO INTEGRADA Podemos compreender que a comunicação identifica e integra os seus diferentes tipos, possibilitando a unificação dos processos comunicacionais. As ferramentas da comunicação estão inseridas dentro da gestão do setor de Comunicação Organizacional. Destacamos que para acompanhar as mudanças no mercado novas ferramentas estão sendo implantadas conforme a realidade de cada região, ou até mesmo de cada organização. Comunicação Administrativa A Comunicação Administrativa é aquela que é voltada às pessoas que exercem as funções administrativas de uma empresa. Segundo Kunsch (2003, p. 152), administrar uma organização consiste em planejar, coordenar, dirigir e controlar seus recursos de maneira que se obtenham alta produtividade, baixo custo e maior lucro ou resultados. Sendo assim, a comunicação é uma aliada na área administrativa e auxilia a organização no alcance de seus objetivos, permitindo o funcionamento do sistema organizacional. Na opinião de Chiavenato (1987, p. 202): Faculdade de Minas 20 A comunicação como atividade administrativa tem dois propósitos principais “proporcionar informação e compreensão necessárias para que as pessoas possam se conduzir nas suas tarefas” e “proporcionar as atitudes necessárias que promovam a motivação, cooperação e satisfação nos cargos” Esta comunicação é composta pelos canais, formal e informal classificados. O mesmo autor salienta a importância da comunicação no processo de informações e formação de atitudes de seus recursos humanos. Kwasnicka (1995, p. 206) opina: Esta comunicação é composta pelos canais formal e informal sendo o primeiro uma rede onde a comunicação é feita através da hierarquia organizacional e o informal que segundo a autora surgem como resultado de uma espécie de deficiência da comunicação formal e não são necessariamente ligados à estrutura da organização. Na organização ocorre simultaneamente a comunicação formal e informal. Os administradores devem dar a devida atenção às comunicações informais, pois se forem negativas e inverdades poderão prejudicar o desempenho da empresa e dos próprios funcionários gerando conflitos interpessoais. Atualmente as empresas necessitam de pessoas envolvidas com o trabalho e a comunicação é um fator preponderante no desempenho dos recursos humanos. Neste contexto a comunicação analisa, interpreta e avalia as opiniões e expectativas dos membros de uma organização. Comunicação Institucional A Comunicação Institucional tem papel fundamental em uma organização, ela se propõe a tornar pública uma instituição, agregando valores e projetando junto aos seus públicos a sua imagem, este tipo de comunicação não vende serviços e nem produtos, mais sim a instituição em si, credibilizando-a junto à sociedade. Torquato, (TORQUATO apud KUNSCH, 1986, p. 111) afirma que “a comunicação institucional objetiva conquistar simpatia, credibilidade e confiança, realizando como meta finalista, a influência política social”. A comunicação institucional está sujeita a conquistas de conceitos positivos para a organização Faculdade de Minas 21 junto à sociedade, a fim de conquistar a sua boa vontade e satisfação ao seu público. Para isso a comunicação institucional é composta por outros instrumentos da Comunicação como: relações públicas, jornalismo empresarial, assessoria de imprensa, publicidade e propaganda institucional, marketing social e cultural, editoração multimídia e imagem corporativa. Comunicação Mercadológica Outro elemento da comunicação integrada é a Comunicação Mercadológica, que tem por objetivo reforçar e aumentar a venda e divulgação das marcas e serviços da empresa. Dentre esses públicos interessados podemos destacar; colaboradores, familiares, clientes, fornecedores, acionistas, prestadores de serviços enfim qualquer membro da sociedade. A comunicação mercadológica, de acordo com Pinho (2001, p.39) é “aquela projetada para ser persuasiva, para conseguir um efeito calculado nas atitudes e / ou no comportamento do público visado”. Pinho explica que as ações mercadológicas através do seu público-alvo, são empregadas para convencer seus clientes à compra, assim esse setor deve ficar atento as técnicas usadas pelos concorrentes e as ferramentas mais comum no mercado, para que a empresa possa estar sempre à frente ao desenvolver novas ações. Com isso a comunicação oferece à empresa um conjunto de ferramentas ou estratégias, entre elas a propaganda, publicidade, promoção de vendas e merchandising. Com estas ferramentas seus produtos/empresas serão divulgados fortalecendo sua imagem, provocando a fidelidade do produto e levar o público à decisão de compra. Faculdade de Minas 22 TIPOS DE COMUNICAÇÃO Uma organização não consegue sobreviver sem a comunicação. Existem dois tipos de comunicação, a formal e a informal. Ambas deverão ser analisadas e levadas em consideração, pois elas podem afetar positiva como negativamente na organização. Comunicação Formal A comunicação formal é determinada pela alta administração incluindo os gerentes diretos. Consiste de uma comunicação dirigida e anteriormente elaborada para os membros da organização. Na comunicação formal são utilizados veículos como: impressos visuais e eletrônicos. As informações transmitidas referem-se, geralmente às informações sobre o trabalho, normas, procedimentos etc. O sucesso da comunicação formal depende dos veículos de comunicação escolhidose também do emissor da mensagem. A recepção da mensagem e a sua correta interpretação estão relacionadas com o grau de satisfação dos recursos humanos. Por meio da comunicação formal que os colaboradores têm conhecimento da empresa, seu trabalho, procedimentos, deveres, direitos etc. Essas informações, normalmente são passadas no ingresso do funcionário, durante o Treinamento de Integração. É importante também que o gestor tenha conhecimento do perfil de seus subordinados para saber como passar as informações necessárias. Cada indivíduo interpreta uma mensagem de acordo com suas expectativas. Como confirma Gaudêncio Torquato: Se um gerente não conhece a natureza, perfil, gostos, atitudes, expectativas, vontades, a realidade cotidiana, dos receptores aos quais se comunica, ou seja, nesse caso seria o conhecimento sobre o perfil dos funcionários, ou quem se comunicar vai provocar ruídos em sua comunicação. (TORQUATO, 1986, p.42). O comportamento dos indivíduos é influenciado por diversos fatores como socioculturais, psicológicos e situacionais originando a diversidade do perfil dos recursos humanos de uma empresa. Por esta razão a comunicação emitida pelo Faculdade de Minas 23 gerente precisa entender esta diversidade para que a mensagem seja corretamente interpretada. Kunsch (2003, p. 84) acredita que a comunicação formal “deriva da estrutura normativa da organização e através de diversos veículos estabelecidos pela organização como: os impressos, os visuais, os auditivos, entre outros”. A autora lembra que é primordial tornar comum, tornar público essas informações a todos os integrantes da empresa. Tornar público essas ferramentas fica evidente o entendimento da mensagem com seu público interno ressaltando que essas publicações internas devem ter vários tipos de matérias e assuntos, mas todas voltadas sempre para os funcionários. Comunicação Informal A comunicação informal envolve a relação social entre as pessoas da organização. Por meio desta comunicação que os funcionários obtêm mais informações sobre a empresa e sobre fatos que lhes diz respeito que não são oferecidas pelos canais formais. Esta comunicação, apesar de não ser estratégica, deve ser levada em consideração pelos dirigentes, tirando proveito positivo. Pela comunicação informal que a empresa ficará ciente, principalmente, do grau de insatisfação dos colaboradores. Amplamente rejeitada pelos empresários, nas organizações, esse tipo de comunicação é muito conhecida como ‘rádio peão’ ou ‘rádio corredor’. As mensagens enviadas pela rádio peão são informações que se modificam a cada funcionário que passa e no final a mensagem pode se tornar pânico. Muitas vezes deixam os diretores ou gerentes de empresas assustados, já que sua velocidade na disseminação da informação é muito grande e não há um controle sobre seu conteúdo ou veracidade dos fatos. Segundo Gaudêncio Torquato (TORQUATO, 1986, p. 55) a comunicação informal é aquela expressão dos trabalhadores não controladas pela administração, ou seja, “manifestação espontânea da coletividade, incluindo-se aí a famosa rede de Faculdade de Minas 24 boatos estruturada a partir da chamada cadeia de grupinhos”, na qual uma determinada informação é colhida e difundida espontaneamente pela empresa. Por mais que a comunicação formal em uma empresa seja clara, sempre existirão as redes informais de comunicação. Na opinião de Pimenta: A Rádio Peão é um meio de comunicação que vem sendo muito valoriza do nas empresas. Há administradores que consideram sua existência como maléfica, uma extensão ou herança de fofoca de vizinhos. Mas, existem ainda aqueles que aceitam com tranquilidade e até procuram utilizá-la para ampliar sua percepção dentro da empresa, melhorando sua relação com as pessoas e com os grupos e ainda a melhor compreensão de interpretações de determinados fatos (PIMENTA, 2009, p 99). A Rádio Peão tem uma função importante nas organizações e não precisa ser vista como vilã no ramo empresarial. Ela sintetiza, por vias informais, as vulnerabilidades e fraquezas dos processos de gestão e de comunicação das empresas. Lembramos também que não existe uma maneira de controlar a “radio peão” Ela está geralmente visível, funciona como um som em bom volume e só não percebe quem não quer. FLUXOS DE COMUNICAÇÃO Além dos canais formais e informais devemos estar atentos para os tipos dos fluxos da informação utilizados na comunicação interna das empresas. A comunicação flui em vários sentidos. De acordo com Torquato (1996) as organizações possuem três fluxos de comunicação, que se movem em duas direções: o fluxo descendente, o fluxo ascendente e o fluxo lateral e de uma forma bidirecional (vertical e horizontal). Faculdade de Minas 25 Fluxo Descendente O conjunto das informações só existe quando a Comunicação é estabelecida de forma descendente ou vertical, esse é um tipo mais utilizado em empresas de pequeno porte. Nesse tipo de fluxo, a grande maioria não pode opinar em relação às ações estabelecidas, apenas executá-las. Segundo KUNSCH (1986, p.35) A comunicação descendente ou vertical refere-se ao processo de informações da cúpula diretiva da organização para os subalternos, isto é, a comunicação de cima para baixo, traduzindo a filosofia, as normas e as diretrizes dessa mesma organização. A comunicação acontece de baixo para cima e, segundo Gaudêncio (2004, p. 40) tende a ser menos formal. É a partir desse fluxo que a gerência obtém informações dos seus funcionários. Um sério problema nas organizações é a grande quantidade de comunicação instrumental no fluxo descendente, que acaba inibindo e bloqueando os canais da comunicação expressiva, que, por falta de vazão para chegarem até o topo, correm lateralmente, criando redes informais de comunicação. Fluxo Ascendente As comunicações ascendentes ocorrem de forma contrária da comunicação descendente. Nesse fluxo as pessoas situadas na posição inferior da estrutura organizacional que enviam suas informações podendo fazer chegar aos escalões superiores suas opiniões, atitudes e ações sobre assuntos importantes para o funcionamento da empresa. Através do fluxo de informações, a direção pode verificar se sua política está sendo aceita e cumprida. Segundo Robbins (2002, p.281), “a comunicação ascendente mantêm os dirigentes informados sobre como os funcionários se sentem em relação ao seu trabalho, seus colegas e a organização em geral, ou seja, fornece feedback”. Este tipo de comunicação requer um enorme esforço e atenção constante da parte de todos os envolvidos. Segundo Carvalho (2004, p.89), alguns tipos de comunicações ascendentes merecem citação: Faculdade de Minas 26 Relatórios transmitindo dados estatísticos (unidades produzidas ou vendidas, pessoal contratado ou demitido, etc.). Relatórios financeiros (aumento e oscilações do capital, nível de investimentos, contas a pagar e receber, receitas e despesas, etc.). Opiniões, ideias, sugestões, reclamações, queixas e criticas. Reclamações formais com fluxo por processamento próprio em seu caminho ascendente, exigindo, via de regra, solução. A comunicação ascendente é importante, porque não é a apenas os subordinados que precisam de informação para desenvolver as suas tarefas, mas principalmente os superiores necessitam de informações que vem do nível intermediário e operacional para poderem tomar decisões. Na comunicação, seja ela horizontal descendente ou ascendente, é importante que se estabeleça a melhor maneira de aplicá-las, observando as singularidades de cada estrutura organizacional, procurando minimizar ao máximo as barreiras existentes na comunicação INSTRUMENTOS UTILIZADOS PELA COMUNICAÇÃO INTERNA Para que a Comunicação Interna possa realizar todas essas funçõesque lhe são atribuídas, são necessários um conjunto de produtos e serviços. Conforme o Caderno da ABRACOM – Como entender a Comunicação Interna (ABRACOM, 2008, pág. 30), dentro das diversas possibilidades, é necessário estudar quais seriam melhor aproveitadas pelo público em específico. Para a Associação, esses instrumentos estão divididos nas seguintes categorias: Comunicação Interna Institucional – materiais e campanhas que visam apresentar e posicionar a organização, seus conceitos de missão, visão, valores, políticas e processos. São os códigos de conduta, material de boas-vindas, campanhas, vídeos institucionais, entre outros. Faculdade de Minas 27 Veículos de Comunicação Interna – constituídos por canais de comunicação periódicos, estabelecidos de forma permanente e com formato definidos. Aqui, estão inclusas as publicações digitais, Intranet, TV Corporativa, Boletins, Jornal Mural, Revistas, etc. Dentro dos veículos de comunicação interna ainda estão diversos instrumentos, incorporados às atividades da organização com o avanço da tecnologia, como por exemplo: a utilização de e-mail marketing (para divulgação de campanhas), newsletter (boletins destinado a públicos específicos), torpedos por mensagens para celulares, e hotsites. Ações de relacionamento – são treinamentos e workshops, ampliando a abrangência e divulgando a missão e os objetivos da organização. Aqui também se incluem os canais de ouvidoria, que permitem opiniões, reclamações e sugestões. Já Kunsch, definiu os meios de comunicação como: orais (conversas, diálogos, entrevistas, reuniões, palestras, rádios etc), pictográficos (mapas, diagramas, pinturas, fotografias, desenhos, entre outros), escrito-pictográficos (que se valem da palavra escrita e da ilustração, tal como gráficos e diplomas), simbólicos (bandeiras, luzes, sirenes e outros sinais auditivos ou visuais), audiovisuais (telejornais, documentários, TV corporativa, etc), telemáticos (meios interativos e virtuais, tais como os celulares e e-mails) e o meio presencial pessoal (de contato direto, como o teatro). (KUNSCH, 2003, pág. 87) Cabe a cada organização definir, por meio da análise de seus objetivos, quais os melhores canais de relacionamento com seu público interno, visto que cada empresa é formada por um ambiente diferente, composto de pessoas diferentes. PROCESSO DA COMUNICAÇAO ORGANIZACIONAL O processo de comunicação organizacional é de fundamental importância para que todos os funcionários conheçam a realidade da organização da qual são parte integrante e se desenvolva um compromisso entre os envolvidos – a empresa precisa deixar claro o que pretende e conscientizar as pessoas dos seus objetivos e Faculdade de Minas 28 metas. Assim sendo, uma organização deve se preocupar em estabelecer canais de comunicação coerentes com sua realidade e com o seu mercado de atuação. O processo de comunicação inicia-se na transmissão da mensagem pelo emissor e é finalizado em sua recepção e interpretação pelo receptor. Acredita-se que a comunicação não é mais um processo onde o receptor é passivo, e simplesmente recebe a mensagem. O receptor recebe a mensagem e a interpreta conforme sua cultura, ideais e princípios. Portanto o processo comunicacional torna-se mais complexo, tendo em visa que o emissor passa a ter a preocupação de moldar de forma esclarecedora a mensagem, trabalhando-a de modo a não dar abertura a várias interpretações ou a informações negativas. Comunicar é o ato de transmitir e receber mensagem através da linguagem falada ou escrita, sinais, ideias, comportamentos, a um ou mais receptor. A comunicação é inerente ao ser humano e se processa a todo instante e em qualquer lugar. Ela é um atributo da atividade humana. Dela depende o entendimento social, familiar e profissional. Uma comunicação eficaz e hábil é a base do sucesso para qualquer atividade profissional. O processo de comunicação é sempre um jogo de ação e reação, tentando mudar ou alterar o comportamento, e as reações que se procura ligam-se a um objetivo último: melhorar as relações humanas. Naturalmente por constituir-se em um tema tão fundamental para a humanidade, vários modelos do processo de comunicação foram criados por diferentes áreas do saber humano, com pontos em comum e divergências. MODELO DE COMUNICAÇÃO Na figura abaixo Margarida Kunsch (2003, p. 150) apresenta o Composto de Comunicação, os tipos de comunicações que fazem parte da Comunicação Organizacional. Faculdade de Minas 29 Figura 2: Modelo do processo de comunicação Fonte: Processo de Comunicação. Kunsch (2003, p. 150) Na Figura 02, pode-se perceber facilmente os elementos básicos do processo comunicacional: fonte, codificação, canal, decodificação, receptor, mensagem e feedback. Uma das principais dificuldades enfrentadas pelas empresas atualmente quando se fala em comunicação é a falta de feedback. É esse processo que garante os resultados e o fluxo das mensagens com êxito. A falta do retorno, os ruídos que ocorrem no meio faz com que a comunicação seja ineficaz. Para que haja sucesso na transmissão de informações, a comunicação precisa ser clara e coerente, deve ser a busca para a comunhão de sentidos e não um mero trâmite de informações. Faculdade de Minas 30 BARREIRAS NA COMUNICAÇAO Podemos considerar que as comunicações veiculadas nas organizações não atingem totalmente seus objetivos, pois existem muitos fatores que interferem na interpretação dessas comunicações. As barreiras na comunicação são as mais diversas. Qualquer fator que provoque ruído no processo de comunicação, ou seja, qualquer elemento que perturbe, confunda ou interfira, certamente alterará o resultado. Essas barreiras precisam ser identificadas e trabalhadas de forma a facilitar o processo de comunicação. Portanto, é preciso muita habilidade para perceber os processos mentais e os micros sinais comportamentais. Uma dificuldade existente é que as organizações muitas vezes sabem que existem as barreiras, no entanto, não sabem quais são. Elas provavelmente variam de organização para organização. Recebemos e emitimos tantas mensagens durante o nosso dia que nem nos damos conta de que estamos nos comunicando. Para que essas mensagens sejam lembradas vários cuidados devem ser tomados tanto na elaboração e emissão como no recebimento delas. Para Gibson (GIBSON apud GONÇALVES 1981), há sete elementos que fazem parte do processo de comunicação: o comunicador (emissor), codificação, mensagem, meio, decodificação, receptor e feedback. Cada um deles tem seu papel e sua importância é fundamental no processo. O processo de comunicação alinhado com esses elementos tem mais chance de acontecer de forma integral quando são agregados de forma clara e adequados à situação. Segundo Bowditch e Buono (1992, p.85), o objetivo da comunicação eficaz é o entendimento, no entanto, nem sempre isso é concretizado. As causas são as mais variadas possíveis. A comunicação entre as pessoas está presente na interação humana. A apreensão de si mesmo e do outro só é possível com a comunicação, quer seja verbal ou não verbal. Este processo permite perceber o que as pessoas querem comunicar durante uma relação. Faculdade de Minas 31 Quando uns desses elementos, disposição verbal e não verbal, deixam de ser usados corretamente ou quando há interferências no meio externo como crenças e valores do emissor ou do receptor, a comunicação pode ser falha e gerar um resultado oposto ao esperado: desentendimentos e equívocos com desdobramentos diversos envolvendo a empresa, os processos, os produtos, as pessoas em vários níveis, departamentos, com perdas diversas. BARREIRAS Os ruídos são uma das principais barreiras existentes na transmissão das mensagens.Numa comunicação por telefone os ruídos podem ser encontrados em qualquer chiado, interferência ou barulho no ambiente que possa atrapalhar o entendimento da mensagem. Segundo Gil (2001, p. 74): Entende-se por ruído qualquer fonte de erro, distúrbio ou deformação da fidelidade na comunicação de uma mensagem, seja ela sonora, seja visual, seja escrita etc. A origem do ruído pode ser devida ao emissor ou a seu codificador, à transmissão, ao receptor ou a seu decodificador. Numa comunicação organizacional também ocorrem esses ruídos, que podem ser encontrados nas intervenções negativas do ambiente, na má interpretação da mensagem transmitida como também na falta de clareza da transmissão da mesma. Segundo Reason J, (REASON J. apud SILVA, CASSIANI, MIASSO e OPITZ, 2007). Os problemas de comunicação que podem gerar atos inseguros pertencem a três categorias: falha no sistema em que o canal de comunicação não existe, não está funcionando ou não é regularmente utilizado; fracasso na emissão das mensagens, quando o canal de comunicação existe, mas a informação não é transmitida; falhas na recepção, quando o canal de comunicação existe, a mensagem foi enviada de maneira correta, mas o receptor a interpretou de forma equivocada ou com atraso. Faculdade de Minas 32 É possível minimizar essas dificuldades, corrigindo esses problemas, construindo uma comunicação sadia e transparente. Para tanto a empresa deve investir, identificando e sanando as falhas e lacunas existentes. Para mudar é preciso conversar, se reunir, comunicar e informar. Nada muda de um dia pro outro. A mudança, muitas vezes, nem sempre é bem vinda. Para impedir que um chefe guarde a informação só pra ele, é necessário dizê-lo: - Vamos, a partir de agora, fazer reuniões mensais. A cada mês vamos apresentar o que cada setor tem feito e os resultados obtidos. Como dissemos, a conversa torna- se essencial neste processo. E muitas organizações estão mortas hoje porque não valorizaram a conversa. Não se reuniram e morreram com a pior das doenças - a falta de informação. As informações devem ser compartilhadas com os membros da organização a fim de garantir melhor harmonia no grupo. As organizações precisam ter por hábito promover reuniões entre seus colaboradores, principalmente quando novas mudanças estão sendo implantadas. A participação dos recursos humanos em processos decisórios garantirá maior envolvimento dos mesmos. Torquato (TORQUATO apud GONÇALVES, 1986, pág. 111-117) identifica 15 estratégias de comunicação empresarial que podem tornar a comunicação em ferramenta para o sucesso organizacional: Planejar a comunicação de maneira sinérgica e integrada; Abrir e tornar mais equilibrados os fluxos da comunicação; Tornar simétricos o marketing institucional e o marketing comercial; Valorizar e enfatizar canais participativos de comunicação; Estabelecer uma identidade (transparente e forte) para projeção externa; Criar uma linguagem sistêmica e uniforme; Valorizar o pensamento criativo; Acreditar na comunicação como um poder organizacional; Faculdade de Minas 33 Reciclar periodicamente o corpo de profissionais; Investir maciçamente em informações; Ajustar os programas de marketing social ao contexto sócio político; Valorizar os programas de comunicação informal; Assessorar, não apenas executar programa de comunicação; Focar a comunicação para prioridades e ter coragem para assumir riscos e gerar inovações. Se a organização conseguir colocar em prática as estratégias citadas acima a comunicação organizacional estará bem próxima ao sucesso. Para Bowditch e Buono (BOWDITCH e BUONO, 1992, p.85), as principais barreiras à comunicação são: Sobrecarga de informações: a sobrecarga se refere a uma situação onde tenhamos mais informações do que somos capazes de ordenar e utilizar. Tipos de informações: as informações que se encaixarem em nosso auto conceito tendem a ser recebidas e aceitas muito, mas prontamente de que dados que venham a contradizer o que já sabemos. Fontes de informações: como algumas pessoas contam com mais credibilidade que as outras, temos tendência a acreditar nessas pessoas e descontar de informações recebidas de outras. Localização física e distrações: a localização física e a proximidade entre transmissor e receptor também influencia a eficácia da mensagem. Percebe-se pelo exposto acima que a comunicação é facilmente distorcida por qualquer barreira, daí a necessidade de estar sempre atento a esse processo. Além das barreiras descritas acima, Robbins (2002) também introduz as principais barreiras para a comunicação eficaz, onde destaca a filtragem e percepção seletiva, provocando uma reação, quase que instintiva, de defesa. Assim, quando a mensagem é transmitida por alguém que representa uma afronta, a compreensão da mensagem de forma clara e dinâmica, fica comprometida. Faculdade de Minas 34 As barreiras administrativas muitas das vezes são um empecilho ao progresso e eficiência da comunicação interna, quando deixa de lado a praticidade e se apega de forma excessiva às regras e conceitos. Como hoje temos um acesso muito mais fácil às informações é necessário que se busque um pouco de “malícia”, pois nem todas geram conhecimento para a organização. O excesso de informação confunde o receptor, tornando lenta e ineficiente a comunicação interna, isso leva em consideração ainda o fato de que os indivíduos são limitados em sua habilidade de acumular informação. IMAGEM ≠ IDENTIDADE A identidade de uma organização pode ser definida como o conjunto de seus atributos, ou, conforme o artigo Imagem, reputação e identidade: revisitando conceitos: “Ela é a somatória de esforços, produtos, significados, valores, marcas etc, construídos ou produzidos por uma organização”. (BUENO, 2008). Na visão de Oliveira e Lima são esses itens os responsáveis pela definição das regras, políticas e procedimentos da organização, formando o que ela é em sua essência. Além disso, a identidade é também o que permanece ao longo do tempo, o estável, sendo constituída por toda a história da companhia, desde seu nascimento, seu presente, e suas aspirações para o futuro. (OLIVEIRA e LIMA, 2012, pág. 85). “A organização empenha-se para construir, formar sua identidade (como ela quer ser vista, percebida etc), mas necessariamente não há sempre (que pena para algumas organizações) relação direta entre a sua identidade e a sua imagem (ou imagens) e reputação”. (BUENO, 2008). Faculdade de Minas 35 Imagem Definiremos aqui que imagem é um signo, conforme expõe Sartre: Ela tem uma significação, uma relação com algo diferente dela mesma; é um substituto. Tem um conteúdo intelectual, é a indicação de uma realidade lógica. Nunca está completamente isolada: faz parte de um sistema de imagens-signos; é compreendida graças a esse sistema. Não é completamente fluida, possui suficiente estabilidade, precisão, forma e homogeneidade para poder ser comparada a outras imagens e a outros signos. (SARTRE, 2008, pág. 77) Para dar luz ao tema, partiremos dos estudos de Peirce, que define os signos como representações de algo para alguém. “Dirige-se a alguém, isto é, cria, na mente dessa pessoa, um signo equivalente, ou talvez um signo mais desenvolvido. (...) O signo representa alguma coisa, seu objeto”. (PEIRCE3 apud, FONTANILLE, 2012, pág. 38). Conforme o artigo O problema do ser em Jean-Paul Sartre, de Lucas Caminha, o pensador, que dedicou grande parte de seus estudos ao conceito de imagem, acreditava que o mundo se constitui por meio de dois seres: o ser em-si e o ser-para-si. Em-si diz respeito às coisas tal como são apresentadas, sendo tudo aquilo que possui uma essência definida. “Não há outro modo de captá-lo senãodo mesmo modo que se capta a realidade de uma porta, de uma cadeira ou de uma mesa; isto é, através do que é manifestado objetivamente”. (CAMINHA, 2015). Já para-si pode ser definido como a relação que o ser possui consigo mesmo. A condição é uma representação para os outros e para mim, o que significa que só posso sê-la em representação. Porém, precisamente, se represento, já não o sou: acho-me separado da condição tal como o objeto do sujeito – separado por nada, mas um nada que dela me isola, impede-me de sê-la, permite-me apenas julgar sê-la, ou seja, imaginar que sou. (SARTRE, O ser e o nada: ensaio de fenomenologia ontológica, apud CAMINHA, 2015) Faculdade de Minas 36 Dessa maneira, entendemos a imagem como para-si, uma representação de seu objeto, de forma que, por existir em uma condição de representante, não se iguala a ele, se distanciando do “ser”, pois é impedido de existir “em-si”. A imagem aqui é “um ato, não uma coisa. A imagem é consciência de alguma coisa”. (SARTRE, 2008, pág. 137) Sua natureza é ser um signo. Ao trazer esse pensamento para o estudo de imagem das organizações podemos pensá-la como um complexo das representações criadas por cada uma das pessoas que percebem seu objeto. Ou “a projeção pública, ou o eco, da identidade desse objeto”. (TORQUATO, 2010, pág. 110) A imagem é assim, a representação da identidade. Outro ponto é que, conforme expõe Fontanille, a imagem elabora a construção de uma cultura, a partir da percepção dos valores entranhados nos objetos, que passam a ser capazes de ocupar espaço. (2007, pág. 81) A imagem de uma empresa, dessa forma, torna-se cultural quando seus produtos consignam, por si sós, a identidade da empresa, sem a necessidade de informações adicionais. A simples menção do nome de um produto recobra no imaginário social a imagem de toda a empresa. Assim, um produto Fiat por si só apresenta e representa toda a empresa. Pensemos em um carro ecologicamente adequado, que possui itens de segurança (como airbags ou cintos de três pontas), e que utiliza combustíveis sustentáveis. Esse veículo, por exemplo, cria no indivíduo a percepção de uma empresa socialmente responsável, sendo essa uma imagem positiva. Que, nesse caso, não é somente um benefício aos lucros, mas uma adequação à própria cultura da imagem. A partir da imagem, se constrói a reputação, que são as impressões que ela deixa ao longo do tempo. Além disso, a imagem se forma por meio das percepções internas e externas, no que “vemos a importância dos empregados (...) e também dos ex-empregados”. (WAISSMAN, CAMPANA, PINTO, 2012, pág. 33) Ainda, conforme Oliveira e Lima, a imagem de uma organização pode ser vista tanto de forma coletiva, quando compartilhada pelo grupo, quanto individualmente, sendo “uma espécie de fotografia que um indivíduo ou um Faculdade de Minas 37 determinado grupo tem da organização como consequência de informações e interações estabelecidas” (2012, pág. 86). Assim, um produto cuja qualidade é reconhecida socialmente adiciona pontos à reputação da empresa. Do contrário, um produto de baixa qualidade pode comprometer a reputação do fabricante. Faculdade de Minas 38 REFERENCIAS ABRACOM, Como entender a Comunicação Interna. Caderno de Comunicação Organizacional. Associação Brasileira das Agências de Comunicação, 2008. Disponível em: http://www.abracom.org.br/arquivos/comunicacaointerna.pdf CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração. Volume 1, 6ª Edição, Rio de Janeiro, 2001 Elsevier 8ª Impressão FARIAS, Luiz Alberto de. Organizador. Relações Públicas Estratégicas: Técnicas, conceitos e instrumentos. São Paulo: Summus, 2011. FONTANILLE, Jacques. Semiótica do discurso. São Paulo: Contexto, 2007. GOETTERT, Jones Dari. Introdução à história do movimento sindical -- 3ª ed. 1ª reimp. – Brasília, DF: Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, 2014. 123 p. — (Formação de Dirigentes Sindicais, Eixo 1, Fascículo 4) KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Relações Públicas e Modernidade: novos paradigmas na comunicação organizacional. 3 edição. São Paulo. Summus, 1997. KUNSCH, Margarida Maria Krohling. Organizadora. 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