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Gestão em Tecnologias de Saúde - GTS papel do Biomédico Professora MsC Jéssika Vieira Cyrino Turma de Graduação em Biomedicina - UNA 2026/2A da Máquina conceito de tecnologia em saúde abrange recursos, processos e saberes - desde a concepção até descarte (Ministério da Saúde, 2009). Orem, 1985 Recursos utilizados para promover a saúde, melhorar a qualidade de vida e sustentar autocuidado. Foucault, 1990 "Tecnologias humanas" meios que permitem produzir, transformar ou manipular símbolos, sinais e a própria conduta das pessoas. Martins et al., 2024 Um sistema amplo que transcende aparelho, exigindo gestão estratégica em todas as suas fases de vida.A Tríade de Merhy (1997) processo de trabalho em saúde é atravessado por três dimensões inseparáveis. Tecnologia Leve "trabalho vivo em ato", a relação, a escuta, vínculo profissional-paciente. Tecnologia Leve-Dura Tecnologia Dura Os saberes profissionais estruturados, os protocolos, instrumental complexo, a ciência sistematizada. as máquinas, as estruturas organizacionais. (Trabalho Morto). Essas tecnologias nunca atuam de forma isolada. A verdadeira gestão orquestra a interação entre as três.Ponto Cego da Tecnologia Leve-Dura que NÃO é que É É conhecimento técnico estruturado NÃO é que orienta a decisão profissional no equipamento (Dura). momento da ação. protocolo clínico de triagem. NÃO é a A diretriz epidemiológica de notificação. empatia ou relação humana (Leve). algoritmo de decisão diagnóstica no laboratório.Encontro Clínico e Trabalho em Ato trabalho morto (a máquina, protocolo) só ganha sentido clínico autêntico quando operado pelo trabalho vivo (o ato relacional irrepetível entre profissional e paciente). Trabalho Vivo Trabalho Morto em Ato Pense na rotina de coleta de uma amostra de sangue. Qual é Tecnologia Dura? Qual é a Tecnologia Leve-Dura? Qual é Tecnologia Leve?A Ascensão da Biomedicina A profissão nasceu nos anos 50 para formar docentes de ciências básicas, não gestores de laboratório. Cada degrau foi uma conquista. 1979 (Leis 6.684 e 6.686): Regulamentação oficial da profissão e do 1970 (Parecer n° 107): exercício de análises Estabelecimento formal clínicas. Criação do das atividades de CFBM e CRBMs. 1965: Conselho Federal trabalhos laboratoriais. de Educação aprova o nascimento acadêmico. Regimento da Escola 1950: Reunião da SBPC. Paulista de Medicina. marco embrionário idealizado pelo Prof. Leal Prado.Ponto de Virada: 1985 Contexto: A Lei n° 7.135 (1983) tentou restringir exercício de análises clínico-laboratoriais para novos biomédicos. Marco: Em 20 de novembro de 1985 (Representação STF n° 1256-5), Supremo Tribunal Federal declara a restrição inconstitucional. Impacto: Vitória histórica que garantiu exercício pleno da análise pavimentando caminho para a expansão da profissão nas décadas seguintes.Da Bancada à Dado-chave: Hoje, a Biomedicina possui cerca de 35 habilitações reconhecidas pelo CFBM (Resoluções recentes de 2012 e 2021 ampliaram Coordenação Estratégica para estética, cosmetologia e indústria). Gestão Avaliação de orçamentária desempenho Fase Analítica / A Bancada Resolução de Responsabilidade conflitos técnica perante a A Mudança de Posição: interdisciplinares vigilância sanitária biomédico deixa de ser exclusiva- amente executor do meio (análise) para orquestrar pré-analítico, analítico e pós-analítico. Processo Total / A GestãoQue Pesquisa Diz Sobre Perfil do Gestor? Estudos qualitativos (König et al.) e revisões (SEGeT) revelam as duas competências mais vitais. 1. Liderança e Coordenação Associa-se a ser exemplo, inspirar e motivar. Capacidade de delegar funções de forma genuína e não impositiva. "A liderança mais efetiva é aquela em que as pessoas seguem líder de forma espontânea, sem coerção." 2. Conhecimento Técnico de Gestão Aprendizado no dia a dia, formações específicas e apropriação do processo de trabalho. A liderança não pertence a um diploma específico, mas a quem domina a orquestração do serviço.Paradoxo da Competência (OPAS) Referência: Quadro de Competências de Liderança em Laboratório (Organização Pan-Americana da Saúde). Sistema laboratorial Liderança Biossegurança Gestão Vigilância de doenças Comunicação Resposta a Sistema de Gestão emergências da Qualidade Pesquisa Insight central: Quase metade das competências esperadas de um líder de laboratório global são relacionais e gerenciais um domínio absoluto de tecnologias leves e leve-duras aplicadas à gestão.A Dimensão Humana como Mitigação de Risco Pesquisa de Base: Estudo qualitativo com gestores hospitalares (König et al.). As competências mais citadas são liderar pelo exemplo e profundo conhecimento técnico do processo. (dores, vulnerabilidades, Prevenção de ritmo acelerado) Falha do Sistema Ambiente: Serviços de saúde geram carga térmica e emocional extremas (lidam diariamente com dor, pressão e vulnerabilidade). A Liderança D Risco: Um líder técnico que ignora a "tecnologia leve" de sua própria equipe acelera o esgotamento operacional. "O papel é ser um líder presente [...] conhecer processo das suas equipes, pra se fazer parte integrante dela." (König et al.)A Decisão de Incorporar Tecnologias Definição: 'Incorporar' é a decisão formal de trazer um novo medicamento, equipamento ou produto para sistema, baseada em evidência e impacto, não em modismos. Via Nacional (Lei 12.401/2011) Via Institucional (ATS Hospitalar) Nível Nacional (SUS/Macroscópico) Nível Institucional A incorporação no SUS. A incorporação dentro de um Conduzida pelo Ministério da hospital ou clínica privada/Ebserh. Saúde via CONITEC. Conduzida internamente pelos NATS (Núcleos de Avaliação de Tecnologias em Saúde).Funil da CONITEC e a Decisão Baseada em Evidências Dossiês Processo: DGITS recebe dossiê com estudos de eficácia, segurança, avaliação econômica e impacto orçamentário. Prazo: 180 dias de avaliação rigorosa Eficácia (prorrogáveis por 90 dias). Custo Painel de Dados (2012-2019): Segurança - 671 processos tramitados. - Apenas 45,2% das tecnologias foram incorporadas ao SUS. Conclusão: A entrada não é automática; a avaliação econômica e a evidência clínica Tecnologia (tecnologia leve-dura) atuam como guardiãs Incorporada do sistema de saúde.Crivo Institucional: Papel dos NATS Expansão: Crescimento dos NATS Agilidade e Rigor: Segue a (Núcleos de Avaliação) a partir de lógica da CONITEC, mas 2009 em instituições de ensino, rede adaptado à realidade e Ebserh e secretarias estaduais. agilidade do hospital. NATS - Escudo de Qualidade Case Real (Instituto Nac. de Cardiologia): Estudo revelou aquisição de Tomógrafos em hospitais sem estudos formais de ATS. A falta da avaliação estruturada resulta em altos custos de manutenção e subutilização. Os NATS blindam a instituição desse erro.Estudo de Caso: Quando Falta Avaliação Formal Instituto Nacional de Cardiologia - aquisição de Tomógrafos em hospitais públicos do Rio de Janeiro Problema Hospitais adquiriram equipamentos de Tomografia Computadorizada sem estudos formais de Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS). ! Consequência Ausência de avaliação estruturada resultou em altos custos de manutenção e subutilização dos equipamentos adquiridos. A Correção 0 estudo propôs um modelo de diretriz de aquisição, baseado nas Diretrizes Metodológicas do Ministério da Saúde para Avaliação de Equipamentos Médico- Assistenciais 0 mesmo papel que os NATS cumprem hoje. Lição central: até hospitais de referência falharam nesse processo. Por isso os NATS existem - não são burocracia, são proteção contra decisões de alto custo sem evidência.A Incorporação é Apenas Começo Ciclo de Vida: A compra e instalação Tecnovigilância Dossiê do equipamento marcam o início, A Ponte para a não fim, da gestão (reavaliação) Próxima Aula: Este da tecnologia. ciclo contínuo de Monitoramento monitoramento é Contínuo é papel NATS/ materializado pela crítico da CONITEC RDC 509/2021, que Tecnovigilância na obriga serviços de detecção precoce Uso saúde a manterem de falhas, eventos Clínico um PGTS (Plano de adversos e queixas Gerenciamento de técnicas. Tecnologias em Saúde) ativo e Incorporação anualmente avaliado.Matriz de Síntese: A Engenharia da Gestão Incorporação de Gestão de Tecnologias Pessoas/Equipes Tecnologia equipamente/insumo Infraestrutura do laboratório, formalmente adquirido e sistemas de ponto e controle de Dura instalado (Ex: Novo Tomógrafo). escalas. protocolo de Evidência e Tecnologia domínio técnico de gestão do Custo-Efetividade que justifica a biomédico (liderança, normas de Leve-Dura decisão do NATS. biossegurança da OPAS). Tecnologia Como a equipe assimila, adota e vínculo e a inteligência Leve humaniza a nova tecnologia no emocional do líder com sua equipe cuidado diário. no ambiente de estresse clínico. A gestão em saúde não escolhe uma dimensão. Ela orquestra as três.A Excelência da Gestão Biomédica "Comprar equipamento certo é apenas logística. A verdadeira gestão estratégica nasce quando orquestramos instrumento, rigor científico que sustenta e as relações humanas que dão sentido ao cuidado." Gestão em Saúde é Estratégia, Ciência e Humanização. (Biomedicina 2026)

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