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PROCESSO COLETIVO E AÇÃO CIVIL PÚBLICA Resumo organizado e explicativo das aulas 1. Processo coletivo O processo coletivo é uma técnica processual utilizada para buscar a tutela jurisdicional dos direitos afetados por litígios coletivos. Processo, para o processualista, é um instrumento da jurisdição. Assim, o processo coletivo é um instrumento utilizado para buscar a tutela jurisdicional em situações que envolvem litígios coletivos. Ponto importante: o conceito não fala apenas em “direitos coletivos” A definição fala em direitos afetados por litígios coletivos. Isso é importante porque um processo coletivo pode proteger não apenas direitos transindividuais, mas também direitos individuais homogêneos. 2. Tutela de direitos coletivos × tutela coletiva de direitos Essa é uma das distinções mais importantes da matéria. Expressão O que é qualificado? Abrangência Tutela de direitos coletivos O direito Direitos difusos e coletivos em sentido estrito Tutela coletiva de direitos A tutela Direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos Direitos individuais homogêneos não são direitos coletivos, porque continuam sendo direitos individuais. Entretanto, eles podem ser tutelados coletivamente. Macete: • Tutela de direitos coletivos → o direito é coletivo. • Tutela coletiva de direitos → a forma de tutela é coletiva. 3. Ação Civil Pública (ACP) A Ação Civil Pública é um dos principais instrumentos de tutela coletiva de direitos. Ela é disciplinada pela Lei nº 7.347/1985, conhecida como Lei da Ação Civil Pública. A lei sofreu alterações ao longo do tempo, mas continua sendo a Lei nº 7.347/85. A ACP pode ser utilizada para a tutela de interesses relacionados, entre outros, ao meio ambiente, às relações de consumo e ao patrimônio de valor artístico, estético e histórico. 4. Exceções: o que não pode ser objeto de ACP Embora os direitos individuais homogêneos possam, em determinadas situações, ser tutelados coletivamente, a Lei da ACP exclui expressamente algumas matérias. Pretensões envolvendo tributos; Contribuições previdenciárias; FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço); Outros fundos institucionais cujos beneficiários possam ser individualmente determinados. Nessas situações, podem existir outros instrumentos processuais adequados, como ações individuais e, conforme o caso, mandado de segurança ou mandado de segurança coletivo. 5. Competência na Ação Civil Pública O art. 2º da Lei da Ação Civil Pública estabelece que a ação deve ser proposta no foro do local onde ocorreu o dano. Regra: LOCAL DO DANO → COMPETÊNCIA. A principal justificativa destacada na aula é a facilitação da produção da prova. Como a prova do dano normalmente está relacionada ao local em que ele ocorreu, concentrar a demanda nesse foro facilita a investigação, a coleta de elementos e a produção probatória. Isso se diferencia da regra geral do CPC, segundo a qual, em muitas situações, considera-se o foro do domicílio do réu. 6. Elementos da ação × condições da ação Elementos da ação São três: Partes Pedido (objeto da ação) Causa de pedir Condições da ação Legitimidade Interesse processual A ausência de legitimidade ou de interesse processual pode levar à extinção do processo sem resolução do mérito, conforme o art. 485, VI, do CPC. A identificação dos elementos da ação é importante, entre outras coisas, para analisar questões como competência, conexão, continência, litispendência e prejudicialidade. 7. Objeto da Ação Civil Pública O objeto da ação é o pedido. Na ACP, os pedidos podem envolver principalmente: Condenação em dinheiro; Obrigação de fazer; Obrigação de não fazer; Desfazimento de uma situação ou ato já praticado, quando necessário para reparar o dano. Exemplo: em uma situação de dano ambiental, pode-se buscar uma obrigação de fazer para reparar a área degradada, uma obrigação de não fazer para interromper uma atividade lesiva ou uma condenação em dinheiro, conforme o caso. 8. Tutela provisória de urgência A tutela provisória de urgência é o gênero. Entre suas espécies estão a tutela de urgência de natureza antecipada e a tutela de urgência de natureza cautelar. Estrutura: Tutela provisória de urgência → antecipada ou cautelar Tutela antecipada Busca antecipar o próprio bem da vida pretendido na ação. Tem natureza satisfativa. Exemplo: em uma ação contra plano de saúde para custeio de cirurgia urgente, pedir que o plano custeie a cirurgia imediatamente antecipa o próprio resultado buscado na ação. Tutela cautelar Busca proteger, preservar ou assegurar o resultado útil do processo, sem entregar necessariamente o próprio bem da vida pretendido. Exemplo: obter ou preservar um documento necessário para demonstrar o direito posteriormente. Outra hipótese: em uma ação de cobrança, diante do risco de dilapidação do patrimônio do devedor, pode-se pedir um arresto para assegurar o futuro recebimento. Como diferenciar? Pergunta-chave: “Qual é o bem da vida que eu quero?” • Se quero o próprio bem da vida imediatamente → tutela antecipada. • Se quero proteger ou assegurar o bem da vida → tutela cautelar. 9. Antecedente × incidental Antecedente e incidental não indicam a natureza da tutela. Eles indicam o momento em que a tutela é requerida. Classificação Significado Pode ocorrer com Antecedente Requerida antes da formulação completa do pedido principal Antecipada ou cautelar Incidental Requerida no curso de processo em que o pedido principal já foi formulado Antecipada ou cautelar Não confunda: “antecipada” indica a natureza da tutela; “antecedente” indica o momento em que ela é requerida. 10. Tutela antecipada/cautelar × pedido liminar Liminar não é uma terceira espécie de tutela. É uma característica relacionada ao momento em que o pedido é apreciado/concedido, normalmente no início do processo. Por isso, é possível ter uma tutela antecipada com pedido liminar ou uma tutela cautelar com pedido liminar. Também pode aparecer a expressão “inaudita altera parte”, que significa, em essência, sem a oitiva prévia da parte contrária. Exemplo: tutela provisória de urgência de natureza cautelar, incidental, com pedido liminar de arresto. 11. Legitimação extraordinária e substituição processual Um dos pontos especiais da ACP é a possibilidade de determinados legitimados atuarem em juízo para defender direitos de terceiros. Na legitimação extraordinária, o legitimado atua em nome próprio defendendo direito alheio. Na tutela coletiva, isso permite que determinados sujeitos ingressem em juízo para proteger interesses ou direitos que pertencem à coletividade ou a um grupo de pessoas. Substituição processual × representação Instituto Atuação Exemplo Substituição processual Nome próprio + direito alheio MP propondo ACP para proteger interesse coletivo Representação Nome alheio + direito alheio Mãe representando filho menor em ação de alimentos 12. Legitimados ativos para a Ação Civil Pública Entre os legitimados previstos no art. 5º da Lei nº 7.347/85 estão: Ministério Público; Defensoria Pública; União; Estados; Distrito Federal; Municípios; Autarquias; Empresas públicas; Fundações; Sociedades de economia mista; Associações que preencham os requisitos legais. A lista demonstra que podem existir legitimados tanto da Administração Pública direta quanto da Administração Pública indireta. Atuação do Ministério Público em caso de abandono ou desistência Quando um legitimado ativo, como uma associação, abandona a causa ou desiste injustificadamente, o Ministério Público pode assumir a ação nas hipóteses previstas pela lei. 13. Associações: requisitos para propor ACP Pré-constituição de 1 ano Como regra, a associação deve estar constituída há pelo menos 1 ano. Esse requisito pode ser dispensado pelo juiz quando houver manifesto interesse social, conforme a previsão legal. Pertinência temática / finalidade institucional Além do requisito temporal, a associação deve possuir, entre suas finalidades institucionais previstas no estatuto, a proteção dos bens ou interesses que pretende defender por meio da ACP. Exemplo: umaassociação cujo estatuto prevê a proteção ambiental possui pertinência temática para defender interesses ambientais, desde que preenchidos os demais requisitos. 14. Revisão final para a prova Processo coletivo é instrumento da jurisdição voltado à tutela de direitos afetados por litígios coletivos. Tutela de direitos coletivos = o direito é coletivo (difuso ou coletivo em sentido estrito). Tutela coletiva de direitos = a tutela é coletiva e pode alcançar direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos. Direitos individuais homogêneos não são direitos coletivos, mas podem ser tutelados coletivamente. A ACP é disciplinada pela Lei nº 7.347/1985. A lei prevê matérias que não podem ser objeto de ACP, como determinadas pretensões tributárias, previdenciárias, relativas ao FGTS e a outros fundos com beneficiários individualmente determinados. Regra de competência da ACP: foro do local do dano. Uma das principais razões para o local do dano é facilitar a produção da prova. Elementos da ação: partes, pedido e causa de pedir. Condições da ação: legitimidade e interesse processual. Objeto da ação = pedido. Pedidos na ACP podem envolver condenação em dinheiro e obrigações de fazer, não fazer ou desfazer. Tutela provisória de urgência é gênero; tutela antecipada e tutela cautelar são espécies. Tutela antecipada busca o próprio bem da vida; tutela cautelar busca protegê-lo ou assegurá-lo. Antecedente e incidental indicam o momento da tutela, não sua natureza. Liminar não é espécie de tutela; indica pedido destinado a ser apreciado/concedido no início do processo. Substituição processual = nome próprio + direito alheio. Representação = nome alheio + direito alheio. A ACP possui diversos legitimados, incluindo MP, Defensoria, entes políticos, entidades da Administração indireta e associações. Para associações, a regra é pré-constituição de 1 ano, com possibilidade de dispensa por manifesto interesse social, além da pertinência temática. 15. Macetes essenciais Tutela de direitos coletivos → coletivo qualifica o DIREITO. Tutela coletiva de direitos → coletivo qualifica a TUTELA. Antecipada → quero o próprio bem da vida. Cautelar → quero proteger/assegurar o bem da vida. Antecedente → antes do pedido principal. Incidental → durante o processo. Liminar → pedido apreciado no início. Substituição processual → nome próprio + direito alheio. Representação → nome alheio + direito alheio. ACP → local do dano como regra de competência. Associação → 1 ano + pertinência temática; 1 ano pode ser dispensado por manifesto interesse social.