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Resumo de estudo – Capítulos 1 e 2 | Página 1 RESUMO PARA ESTUDO – COOPERAÇÃO INTERNACIONAL Capítulos 1 e 2 – Relações Internacionais Material-base: Cooperação Internacional – Prof. Thiago Moreira de Souza Rodrigues CAPÍTULO 1 – A EMERGÊNCIA DAS RELAÇÕES INTERNACIONAIS 1. O que são as Relações Internacionais? As Relações Internacionais não se limitam às relações entre governos. O campo envolve relações políticas entre Estados, guerras e conflitos, processos de integração, circulação de capitais e mercadorias, migrações e refugiados, terrorismo e atividades ilícitas, questões ambientais e sociais e movimentos de resistência. O capítulo propõe compreender essas relações historicamente e politicamente, considerando as relações de poder que as atravessam. 2. A representação do mundo e o poder As diferentes formas de representar o mundo também expressam contextos históricos e relações de poder. O mapa medieval apresentado no material possui forte caráter religioso e não tem como principal finalidade a navegação. Já a projeção de Mercator, no século XVI, apresenta uma representação mais geográfica e voltada à navegação, com latitude e longitude e maior destaque para a Europa. A comparação mostra que mapas não são representações neutras: eles refletem valores, conhecimentos e perspectivas de uma época. 3. A organização política medieval Na Idade Média, o poder político era fragmentado entre reis, duques, condes, barões e senhores feudais. Ao mesmo tempo, existiam projetos universalistas, como o Sacro Império Romano-Germânico e a ideia de uma respublica christiana associada à Igreja Católica. Não havia ainda o Estado moderno centralizado tal como posteriormente se consolidaria. 4. Transformações do final da Idade Média O crescimento das cidades, do comércio e da burguesia, o desenvolvimento das universidades, o Renascimento e a Reforma Protestante contribuíram para transformar a organização política europeia e enfraquecer determinadas formas de autoridade da Igreja. Essas mudanças favoreceram a centralização do poder político. 5. A aliança entre burguesia e monarquia Os comerciantes e a burguesia tinham interesse em maior segurança, estabilidade política, circulação de mercadorias, moeda e redução das barreiras locais. As monarquias, por sua vez, precisavam de recursos para manter exércitos, burocracias, fortificações e instituições. Essa convergência de interesses contribuiu para a centralização política e para a formação do Estado moderno. 6. O Estado moderno O Estado moderno caracteriza-se pela centralização do poder político e pela capacidade administrativa, jurídica e militar de organizar determinado território. A criação de exércitos permanentes e profissionais e a utilização de armas de fogo também contribuíram para essa transformação. 7. Max Weber e o monopólio da força legítima Resumo de estudo – Capítulos 1 e 2 | Página 2 Para Max Weber, o Estado moderno está associado a uma base territorial e ao monopólio legítimo da força física. Para memorizar: Estado = instituição + território + monopólio da força legítima. 8. Soberania e Jean Bodin Soberania é a autoridade superior exercida dentro de um território, sem que exista uma autoridade política externa superior ao soberano. Jean Bodin relaciona a soberania a poderes como declarar guerra e paz, comandar forças militares, nomear magistrados, controlar a moeda e exercer autoridade jurídica. O conceito está ligado à consolidação das monarquias absolutistas. 9. Sistema interestatal e anarquia internacional A existência de Estados soberanos independentes produz um sistema no qual eles coexistem sem uma autoridade política superior comum. Por isso, o sistema internacional é considerado anárquico. Anarquia, nesse sentido, não significa necessariamente caos, mas ausência de um governo mundial acima dos Estados. 10. Paz de Westfália (1648) Os Tratados de Westfália encerraram a Guerra dos Trinta Anos e são associados à consolidação de princípios como soberania, independência, igualdade jurídica entre Estados e não intervenção. A expressão “cujus regio, ejus religio” relaciona-se à autoridade do governante sobre a religião em seu território. O capítulo ressalta que Westfália não criou as relações interestatais do nada, mas consolidou uma realidade política que já vinha se desenvolvendo. 11. De “interestatal” a “internacional” “Interestatal” refere-se às relações entre Estados soberanos. O termo “internacional” foi cunhado por Jeremy Bentham, em 1789. Com a consolidação das ideias de nação e Estado-nação, a expressão internacional tornou-se cada vez mais utilizada para designar as relações entre unidades políticas. 12. Nação e Estado-nação A nação pode ser compreendida como uma comunidade que compartilha elementos como língua, costumes, religião, território, referências culturais e uma percepção de passado e futuro comuns. Com o pensamento liberal, a soberania passa a ser relacionada ao povo e aos cidadãos, e não apenas ao monarca. No século XIX, aumenta a associação entre Estado e nação, mas os dois conceitos não são naturalmente idênticos. A existência de diferentes identidades dentro de um mesmo Estado, como no caso espanhol, demonstra essa distinção. Linha histórica para memorizar Fragmentação medieval → crescimento do comércio e da burguesia → centralização monárquica → Estado moderno → território + soberania + monopólio da força legítima → coexistência de Estados soberanos → sistema interestatal → consolidação das ideias de nação e Estado-nação → relações internacionais. Resumo de estudo – Capítulos 1 e 2 | Página 3 CAPÍTULO 2 – GUERRA E PAZ: COOPERAÇÃO E CONFLITO 1. Cooperação e conflito As relações internacionais envolvem simultaneamente cooperação e conflito. Dois instrumentos centrais utilizados pelos Estados são a diplomacia, ligada à negociação e à cooperação, e a força militar, relacionada ao conflito e à guerra. Michel Foucault utiliza a ideia de “dispositivo diplomático-militar” para pensar essa articulação. 2. Raymond Aron: soldado e diplomata Raymond Aron apresenta o soldado e o diplomata como figuras representativas de duas formas de condução das relações externas. O diplomata negocia, persuade, estabelece acordos e alianças; o soldado atua por meio da força e da estratégia militar. Diplomacia e guerra não são necessariamente opostas: são instrumentos diferentes para alcançar objetivos políticos. 3. Interesse nacional O interesse nacional corresponde aos objetivos que um Estado considera fundamentais, especialmente sua sobrevivência como unidade soberana e sua capacidade de ampliar influência e poder. A partir desses interesses, o Estado escolhe estratégias e instrumentos para atuar internacionalmente. 4. Diplomacia e guerra em Aron A diplomacia busca convencer sem recorrer diretamente à força. A guerra ou estratégia militar procura alcançar objetivos por meio do uso da força. A imposição pela força também pode funcionar como forma de convencer o adversário, mostrando que diplomacia e coerção podem estar relacionadas. 5. O dispositivo diplomático-militar em Foucault O Estado moderno desenvolve mecanismos diplomáticos e militares para garantir sua sobrevivência, conhecer outros Estados, administrar relações de poder e participar do equilíbrio entre as potências. O diplomata representa o Estado, negocia, coleta informações e informa o governo. Fórmula para memorizar: diplomata = representar + negociar + coletar informações + informar. 6. Equilíbrio ou balança de poder Como não existe um governo mundial acima dos Estados, cada Estado precisa cuidar de sua própria segurança. O equilíbrio de poder busca impedir que uma potência se torne tão forte a ponto de dominar as demais. Diplomacia, alianças e, em determinadas situações, a guerra podem alterar esse equilíbrio. Importante: equilíbrio de poder não significa ausência de guerras. 7. Três grandes configurações de equilíbrio O material destaca: (1) o equilíbrio posterior à Paz de Westfália, de 1648 ao final do século XVIII, interrompido pelas guerras napoleônicas; (2)o Concerto da Europa, após o Congresso de Viena de 1815, até a Primeira Guerra Mundial; e (3) o equilíbrio bipolar do pós-Segunda Guerra Mundial, marcado pela disputa entre Estados Unidos e União Soviética, até o fim da Guerra Fria. 8. Dissuasão militar Um Estado pode evitar o uso efetivo da força quando possui capacidade militar suficiente para tornar uma agressão muito custosa ao possível adversário. É a lógica da dissuasão: a preparação e a capacidade de resposta contribuem para impedir o ataque. Daí a ideia de uma “paz armada” ou de paz sustentada pela preparação militar. 9. A guerra e a reorganização do sistema interestatal Resumo de estudo – Capítulos 1 e 2 | Página 4 A guerra pode redistribuir territórios, populações e capacidades econômicas e militares, provocar o surgimento ou desaparecimento de Estados e modificar o equilíbrio de poder. Portanto, ela não afeta apenas os participantes imediatos: pode alterar toda a configuração do sistema interestatal. 10. Clausewitz Carl von Clausewitz, general prussiano e autor de Da Guerra, compreende a guerra como continuação da política por outros meios. A guerra não constitui um fim em si mesma; é um instrumento utilizado para alcançar objetivos políticos. 11. Guerra absoluta e guerra real A guerra absoluta é uma construção teórica levada ao extremo, associada à ideia de destruição total. A guerra real é aquela efetivamente travada, condicionada por recursos, tempo, batalhas, estratégias, limitações e possibilidade de rendição. Seu objetivo político não precisa ser a destruição total do adversário, mas a imposição da própria vontade política. 12. Política e guerra em Clausewitz O governo define os objetivos políticos, enquanto a estrutura militar atua para alcançá-los por meio da força. Assim, a guerra deve estar subordinada aos objetivos políticos do Estado. 13. Contratualismo e estado de natureza Hobbes, Locke e Rousseau discutem a formação da autoridade política por meio do contrato social. Dentro do Estado, o contrato permite instituir uma autoridade capaz de organizar a vida social. Entre os Estados, porém, não existe um “Estado dos Estados” que exerça autoridade superior; por isso, permanece a possibilidade de conflito, associada à ideia de um estado de natureza internacional. 14. A guerra não é exclusividade do Estado A guerra não surgiu com o Estado moderno. Diferentes sociedades e grupos não estatais historicamente praticaram formas organizadas de violência. O monopólio estatal da violência é uma construção histórica e não uma característica eterna das sociedades humanas. 15. Proudhon Proudhon atribui à guerra um papel na formação das instituições políticas. A ordem jurídica e política pode surgir de relações de força, vitórias e derrotas. Nessa perspectiva, a paz também pode ser uma ordem produzida e mantida pelo vencedor. 16. Foucault e a inversão de Clausewitz Enquanto Clausewitz afirma que a guerra é continuação da política por outros meios, Foucault propõe a inversão: a política pode ser compreendida como continuação da guerra por outros meios. O conflito e as relações de poder, portanto, atravessam as instituições e a própria organização da sociedade. 17. Diplomacia: origem e desenvolvimento A palavra diplomacia relaciona-se ao grego “diplôum”, associado à ideia de documento dobrado. Inicialmente, governantes enviavam emissários temporários. No final da Idade Média, as cidades-Estado italianas desenvolveram embaixadas permanentes. O material destaca a presença de uma embaixada permanente de Milão em Gênova em 1455. 18. Diplomacia bilateral e multilateral A diplomacia bilateral envolve relações entre dois Estados. A diplomacia multilateral envolve vários Estados em negociações e fóruns, frequentemente no âmbito de organizações internacionais, como OIT, ONU, OMC e FMI. Resumo de estudo – Capítulos 1 e 2 | Página 5 19. Embaixadas e consulados Embaixadas exercem representação política e diplomática do Estado. Consulados concentram-se principalmente em serviços aos cidadãos, documentação e atividades administrativas e comerciais. A distinção é importante para provas. 20. Diplomacia presidencial Após a Segunda Guerra Mundial, o avanço dos transportes facilitou a participação direta de chefes de Estado em negociações e cúpulas internacionais. No Brasil, o material destaca a atuação de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva nesse tipo de diplomacia. 21. Política externa x diplomacia Política externa corresponde aos objetivos e estratégias que um Estado estabelece para sua atuação internacional. Diplomacia é um dos principais instrumentos para executar esses objetivos, por meio de negociação, representação e obtenção de informações. Em síntese: política externa = formulação de objetivos; diplomacia = implementação e negociação. 22. Formulação da política externa brasileira O Presidente da República ocupa posição central na formulação da política externa, apoiado por assessores e pelo Ministro das Relações Exteriores/Itamaraty. O Poder Legislativo possui participação relevante em determinadas matérias, como aprovação de tratados para ratificação e questões relacionadas à guerra, além do acompanhamento por meio de suas comissões. 23. Fatores que influenciam a política externa A política externa pode ser influenciada por diferentes atores e fatores: ministérios, partidos políticos, empresas, sindicatos, organizações da sociedade civil, meios de comunicação, grupos de pressão, contexto internacional e dinâmica política interna. A tradição diplomática também participa desse processo. 24. Barão do Rio Branco José Maria da Silva Paranhos Júnior, o Barão do Rio Branco, foi Ministro das Relações Exteriores entre 1902 e 1912 e ocupa lugar central na tradição diplomática brasileira. Sua atuação é associada à expansão territorial e da influência brasileira principalmente por meio da negociação, e não da guerra. O caso do Acre, em 1903, é um exemplo destacado. Resumo de estudo – Capítulos 1 e 2 | Página 6 DIFERENÇAS QUE PODEM SER COBRADAS NA PROVA Conceito 1 Conceito 2 Diferença principal Estado Nação Estado é uma organização político-jurídica; nação é uma comunidade de identidade e referências compartilhadas. Estado Estado-nação Estado é a estrutura política; Estado-nação associa essa estrutura à ideia de uma comunidade nacional. Interestatal Internacional Interestatal enfatiza relações entre Estados; internacional é uma denominação mais ampla, consolidada historicamente. Diplomacia Guerra Diplomacia prioriza negociação e persuasão; guerra utiliza a força militar. Diplomacia Política externa Diplomacia é instrumento de execução e negociação; política externa define objetivos e estratégias. Guerra absoluta Guerra real A absoluta é uma construção teórica extrema; a real é condicionada por recursos, tempo, estratégia e objetivos políticos. Clausewitz Foucault Clausewitz: guerra como continuação da política; Foucault: política como continuação da guerra. Bilateral Multilateral Bilateral envolve dois Estados; multilateral envolve vários Estados. Embaixada Consulado Embaixada representa politicamente o Estado; consulado presta serviços e assistência administrativa aos cidadãos. Equilíbrio de poder Paz Equilíbrio busca impedir a hegemonia de uma potência e não elimina necessariamente as guerras. AUTORES – O QUE ASSOCIAR Max Weber: Estado e monopólio legítimo da força. Jean Bodin: Soberania. Jeremy Bentham: Termo “internacional”. Nicolau Maquiavel: Poder do Estado e interesse político. Raymond Aron: Soldado e diplomata; guerra e diplomacia. Michel Foucault: Dispositivo diplomático-militar; política como continuação da guerra. Carl von Clausewitz: Guerra como continuação da política por outros meios. Proudhon: Guerra na formação da ordem e das instituições políticas. Hobbes: Estado de natureza e contrato social. Barão do Rio Branco: Diplomacia brasileira e negociação. RELAÇÃO ENTRE OS CAPÍTULOS 1 E 2 O Capítulo 1 explica a formação do Estado moderno e do sistema composto por Estados soberanos. O Capítulo2 parte dessa configuração para explicar como esses Estados se relacionam em um ambiente sem autoridade política superior: por meio de diplomacia, negociação, alianças, equilíbrio de poder e força militar. A lógica central é: formação dos Estados soberanos → coexistência sem governo mundial → necessidade de segurança e sobrevivência → cooperação e conflito → diplomacia e guerra como instrumentos da política externa. 20 QUESTÕES PARA REVISÃO 1. Como as Relações Internacionais podem ser compreendidas para além das relações entre governos? 2. Por que as diferentes representações cartográficas podem ser relacionadas às relações de poder? 3. Quais transformações contribuíram para a centralização política no final da Idade Média? 4. Quais características definem o Estado moderno? 5. Como Max Weber define o Estado moderno? 6. O que significa soberania? Resumo de estudo – Capítulos 1 e 2 | Página 7 7. Qual é a contribuição de Jean Bodin para a compreensão da soberania? 8. O que caracteriza o sistema interestatal como anárquico? 9. Por que a Paz de Westfália é importante para a história das Relações Internacionais? 10. Qual é a diferença entre relações interestatais e relações internacionais? 11. O que é uma nação e por que ela não é sinônimo de Estado? 12. Quais são os dois principais instrumentos utilizados pelos Estados nas relações internacionais? 13. Como Raymond Aron diferencia a atuação do soldado e do diplomata? 14. O que significa equilíbrio ou balança de poder? 15. O que é dissuasão militar? 16. Como Clausewitz relaciona guerra e política? 17. Qual é a diferença entre guerra absoluta e guerra real? 18. Como Foucault inverte a formulação de Clausewitz? 19. Qual é a diferença entre política externa e diplomacia? 20. Como os capítulos 1 e 2 se relacionam? REVISÃO RÁPIDA – FÓRMULAS DE MEMORIZAÇÃO • Estado moderno = território + soberania + centralização + monopólio legítimo da força. • Anarquia internacional = ausência de autoridade política superior aos Estados. • Diplomata = representar + negociar + coletar informações + informar. • Política externa = objetivos e estratégias; diplomacia = instrumento de execução e negociação. • Clausewitz = guerra → continuação da política. • Foucault = política → continuação da guerra. • Bilateral = dois Estados; multilateral = vários Estados. • Embaixada = representação política; consulado = serviços aos cidadãos. • Equilíbrio de poder ≠ ausência de guerra.