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FGT – Resumo Aula 10 - A contribuição da cartografia A cartografia é a arte da elaboração, da produção, da divulgação e do estudo dos mapas. Esta disciplina mostra-se importante para a Geografia ao dar a sua parcela de contribuição ao estudo do espaço no qual o homem vive. Decifrando os mapas: evolução, características e elementos: O mapa nos dá uma imagem incompleta do terreno e dificilmente o reproduz de maneira fiel; na verdade, alguns elementos acabam sendo selecionados e representados através de um sistema de símbolos, localizados no mapa por meio de um sistema de coordenadas que considera distâncias e direções. Nos dias atuais, com a evolução tecnológica e, sobretudo, da informática, as técnicas de captura e representação dos dados foram sendo aprimoradas e o surgimento das fotografias aéreas, conhecidas como aerofotogrametrias, e dos satélites, que possibilitaram o desenvolvimento do GPS (Sistema de Posicionamento Global que permite que qualquer pessoa ou objeto que tenha um receptor seja localizado em todo o planeta) e do SIG (Sistema de Informações Geográficas, que permite, por meio do cruzamento de informações sobre diferentes assuntos, construir cenários futuros e prever possíveis intervenções do homem no espaço geográfico), entre outras inovações, fez com que o mapa se firmasse como instrumento de melhor conhecimento e utilização do espaço geográfico. Os paralelos são conhecidos como sendo as linhas paralelas ao equador. Os paralelos são 90 ao norte do equador, e mais 90 ao sul, totalizando 180º de latitude. Os meridianos são semicírculos parecidos com o meridiano de Greenwich. São divididos em 180 meridianos a leste de Greenwich e 180 meridianos a oeste, totalizando 360º de longitude. As projeções cartográficas são tidas como operações matemáticas adotadas para representar a superfície esférica do planeta em uma superfície plana. Sendo assim, as projeções cartográficas podem ser classificadas em quatro grupos: 1- Equivalente: é aquela projeção em que as áreas são conservadas, mas as normas são distorcidas. Em termos práticos, ela pode provocar o alongamento dos continentes no sentido norte-sul e leste-oeste, mesmo que tenha preservado a área dos continentes. 2- Conforme: é aquela projeção em que os ângulos e as formas são conservados, mas as áreas acabam sendo distorcidas. De maneira bem objetiva, esta representação consegue preservar o tamanho e o formato nas áreas, sobretudo aquelas situadas entre trópicos, embora distorça as áreas polares. 3- Equidistante: é aquela projeção que conserva as distâncias e as representa em sua verdadeira escala. 4- Indeterminadas: é aquela projeção conhecida por não conservar distâncias, ângulos, formas ou áreas como nas projeções apresentadas anteriormente. Outro elemento de grande importância para a compreensão dos mapas e que vai além de apenas uma operação matemática é a escala. Ela estabelece a relação das dimensões e distâncias entre a realidade e a sua representação no mapa. Desta forma, é possível realizar uma grande redução do mundo real para o mapa. No estudo das escalas, quanto menor é a escala do mapa, maior é a porção do espaço representada. A escala cartográfica pode ser representada de duas formas: 1. Escala numérica: é normalmente expressa por uma fração cujo numerador é a medida no mapa e o denominador é a medida correspondente no terreno. 2. Escala gráfica: é expressa por um segmento de reta dividido em partes iguais, onde cada uma delas representa a unidade de comprimento escolhida para o mapa. A escala representada no exemplo a seguir informa que cada 1 centímetro medido no mapa corresponde a 1 quilômetro no terreno real. Compreendendo a linguagem dos mapas: A principal função de um mapa é localizar, com precisão, um determinado local em algum ponto da superfície terrestre. Um mapa é um conjunto de sinais e de cores que traduz a mensagem expressa pelo autor, e os objetos cartografados são inseridos no mapa através dos símbolos. Estes símbolos são compreendidos quando estruturados em um quadro de sinais ou legendas do mapa. De acordo com as suas características, os símbolos podem ser divididos em algumas categorias: 1. Sinais convencionais: são esquemas centrados em posição real, que ajudam na identificação de um objeto cuja superfície é muito pequena para ser tratada em projeção. 2. Sinais simbólicos: são signos evocadores, localizados ou cuja posição é facilmente determinável. 3. Pictogramas: são símbolos figurativos facilmente reconhecíveis. 4. Ideograma: é um pictograma que representa um conceito ou uma ideia. 5. Símbolo regular: é uma estrutura constituída pela repetição regular de um elemento gráfico sobre uma superfície delimitada. 6. Símbolo proporcional: é um símbolo quantitativo cuja dimensão varia de acordo com o valor do que está sendo representando. O turismo acaba sendo um setor que pode se beneficiar da diversidade de símbolos existentes, pois pode mapear tanto elementos mais concretos como terminais rodoviários, aeroportos, hotéis, restaurantes, centros de convenções etc. quanto elementos abstratos, como temperatura, população, renda per capita, vegetação etc. E, para se planejar uma cidade turisticamente, ter estas informações visualizadas em um mapa é fundamental. A cartografia já estabeleceu algumas convenções para o seu uso e também para facilitar a compreensão dos mapas, principalmente para os visitantes. Alguns exemplos destas convenções de uso são: Azul: é usado para representar água, frio, úmido, valores numéricos positivos. Verde: é usado para representar vegetação. Amarelo: é comumente associado à vegetação pobre e seca. Marrom: é usado para representar formas de relevos, curvas de nível. Vermelho: é associado a elementos quentes e à existência de estradas, por exemplo. A legenda normalmente é composta por cores, símbolos e texto que estão associados às informações presentes no mapa. As contribuições da cartografia para o planejamento turístico: Você já parou para pensar que a cartografia pode nos ser muito útil tanto no diagnóstico quanto no prognóstico do planejamento da atividade turística? Em se tratando do diagnóstico, não podemos esquecer que devemos considerar três atores fundamentais: a comunidade, a demanda e a oferta. No caso da oferta e da demanda turística, a contribuição da cartografia se dá observando, por exemplo: o número de turistas que se utilizam de determinado atrativo, seu lugar de origem, seu poder aquisitivo, sua escolaridade, etc. Também podemos ter a cartografia como uma aliada no mapeamento dos serviços e equipamentos turísticos como: a quantidade de restaurantes por gastronomia ou por categoria de serviço; características do acesso aéreo, rodoviário, ferroviário ou aquaviário; existência e localização da sinalização, entre outros. Ainda analisando as contribuições da cartografia para a oferta turística, destacamos a importância do uso de um mapa topográfico, por exemplo, para auxiliar na identificação de potenciais atrativos turísticos, pois é por meio dele que se pode identificar e analisar as características do relevo, da vegetação, o percurso das águas, como também as construções humanas; e, como consequência, mapear mirantes, formação de nascentes, rios, vales, fazendas, cidades próximas, estradas, entre outros. A cartografia ainda dá a sua contribuição para o estudo da demanda turística quando ela ajuda na identificação dos principais núcleos emissores de turistas e o trajeto percorrido por eles até a destinação. Ela também nos ajuda na caracterização da demanda e na sua localização em relação aos atrativos visitados e equipamentos por ela utilizados. De posse destas informações, podemos subdividir a demanda em grupos relativamente bem definidos de pessoas que têm preferências por determinados atrativos e níveis de exigência também diferentes em relação aos serviços prestados, ou seja, identificamos nichos de mercado. E qual seria a contribuição da cartografia para o prognóstico turístico? Na verdade, ela também ajuda na elaboração dos cenários futuros, ou seja, ajudana avaliação da execução do planejamento turístico, prevendo falhas e auxiliando nas suas correções em tempo hábil, buscando sempre diminuir os impactos negativos. Devemos compreender que os cenários futuros são construídos a partir da reunião das informações obtidas com a realização do diagnóstico turístico, da definição das estratégias e dos planos de ação.