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COZINHA PARA EVENTOS Professor: Felipe Caffini Aula nº 05 MENUS, CARDÁPIOS, TÉCNICAS DE FINALIZAÇÃO E FLUXO • A origem do termo Menu é um tanto quanto indefinida, porém duas abordagens comentadas aparecem. Uma francesa e a outra alemã. • Na história francesa, o relato percorre pela data do ano de 1751 através do então rei Luís XV, onde ofereceu um banquete repleto de opções. Diante das 48 opções ofertadas, o mesmo sentiu a necessidade de listá-los para que todos os convidados tivessem uma melhor apreciação, algo que já na ocasião era essencial para o sucesso do evento. Este acontecimento, que faz parte do acervo do museu Palácio de Versalhes, foi devidamente registrado e documentado através do calígrafo Brain de Sainte-Marie para que se legitimasse a criação espontânea ocorrida em 21 de junho. • Na versão alemã, embora não hajam documentados, um cardápio mais antigo teria sido elaborado. Em 1521, o duque Heinrich Brunswick- Wolfenbüttel solicitou que seus cozinheiros escrevessem em um pergaminho a lista dos pratos servidos no banquete de abertura da Dieta de Worms, a qual considerou Martinho Lutero fora da lei. • Um outro contexto válido de tratar neste momento está relacionado ao fato dos hotéis em geral da França (época de 1549) terem sido obrigados a afixar do lado de fora, na porta de seus estabelecimentos, uma placa (carte) que demonstrasse a listagem das elaborações servidas. • É provável que a inspiração e elaboração dos Menus (palavra de origem latim que significa reduzido), tenha ganhado força através da popularização dos restaurantes. Tal fato aconteceu devido a necessidade de realizar o serviço a mesa como complemento da experiência para o cliente, desta forma as placas (cartes) expostas nas ganharam versões reduzidas para a comodidade e estreitamento da relação entre o garçom e cliente. • As cartes, mais a frente acabaram se transformando em um tipo de serviço extremamente consumido na gastronomia, o famosos serviço à la carte. • Atualmente, sabemos que existem tipos diferentes de Menus e ainda alguns autores diferenciam estes como experiências distintas dos cardápios por exemplo. • Essa tratativa ganha força deixando os Menus com um ar ainda maior de requinte e sofisticação, onde costumam ser expressados através de ideias gastronômicas mais particulares, ou seja, uma sequência de pratos pré-estabelecidos, onde o cliente participará de uma experiência contida de critérios históricos sobre cada elaboração e propostas harmônicas entre os ingredientes. • Em muitos contextos encontrados, os Menus ainda proporcionam aos clientes experiências mais complexas através da harmonização entre os alimentos e as bebidas, que estarão dispostas de acordo com os conceitos tratados em cada proposta. • Como já citado existem hoje inúmeras possibilidades de se trabalhar os Menus e diversos quesitos que os deixarão específicos, porém, alguns destes são mais familiares. Dentre eles estão: ✓Menu à la carte (opções de escolha livre); ✓Menu clássico (fechado, entre entrada, principal e sobremesa); ✓Menu do dia (fechado, de sugestão específica para o dia); ✓Menu degustação (fechado, de uma proposta mais complexa de pratos); ✓Menu aberto (2 opções para cada seguimento tradicional, escolha livre); ✓Menu executivo (2 opções para cada seguimento, escolha livre ou não); ✓Menu confiance (fechado, surpresa e variável); ✓Menu gastronômico (aberto ou fechado, ocasiões especiais); • Dentre todas as opções encontradas de Menus, uma que merece destaque no cenário é o Menu confiance, que através da própria tradução quer dizer, confiança, ou seja, deixar por conta do chefe de cozinha e membros da equipe a elaboração da experiência gastronômica. • Este conceito surgiu em meados da década de 70 durante o movimento Nouvelle Cuisine (movimento que valorizou o preparo e a apresentação mais minimalista dos alimentos) iniciado nos restaurantes franceses sendo disseminado a outras cozinhas. • É um tipo de serviço mais voltado para pessoas que contenham um conceito mais aberto em relação a gastronomia por conta da proposta aplicada. Normalmente são estabelecidos em um número maior de pratos e porções menores que estarão totalmente alinhadas com as perspectivas dos chefs. • Este tipo de Menu é mais encontrado em restaurantes de alta cozinha onde habitualmente os clientes vão ao local especificamente para esta experiência sabendo do que ela se trata. • As elaborações são um combinado entre técnicas clássicas repaginadas através das contemporâneas, respeito ao pequeno produtor e ao movimento Slow food. Estes estabelecimentos possuem estrutura completa, com equipamento e utensílios modernos, praças muito bem definidas e processos artesanais de produção dos ingredientes. • Sincronismo, harmonia e concentração ao trabalho são quesitos obrigatórios para a realização deste seguimento de Menu. • Um fator importante de ser citado é que basicamente o confiance, é estruturado com ingredientes já presentes no Menu e que estejam disponíveis na hora. Daí vem a “brincadeira” do processo. • No Brasil, trabalhamos o termo cardápio de uma forma diferente. Costumam ser utilizados através de um conjunto de elaborações contidas em um estabelecimento que permitem ao cliente o poder de escolha e combinação (pessoal) dos pratos descritos. Além de ser um instrumento ou ferramenta potencial de vendas, entre as suas finalidades estão, satisfazer os desejos de ordem física, emocional mesmo que de maneira consciente ou inconsciente, estabelecer o conceito e proposta do estabelecimento. É normal que restaurantes pelo país ofereçam também a proposta de Menu degustação como serviço extra, com preços diferentes, opções fechadas e preparações não contidas nos cardápios tradicionais. • Neste seguimento também é possível encontrar alguns tipos de serviços, entre eles: • À la carte • Empratado • Sugestão do dia • Self-service • Pré-fixado (ingredientes fixos) • Buffet COZINHA MODERNA E MOLECULAR • Se formos analisar a história da comida através da perspectiva que envolve este tema, perceberemos rapidamente o quanto o homem adorna e compõe as elaborações culinárias como se estivesse desenvolvendo uma obra de arte, uma tela ou pintura de forma a torna-la sempre mais atraente. • Fato, na época os conceitos eram muito diferentes dos de hoje. A extravagância e o exagero faziam composição as elaborações que além dos deslumbres e impactações geradas pelas também esbanjavam o poder e a riqueza. • Com a quebra dos poderes os hábitos alimentares começaram a modificar deixando de se concentrar nos habituais banquetes para ganharem força através da formação dos restaurantes, que de acordo com os relatos, elevaram as capacidades profissionais recebendo então os grandes chefes renegados pelos reis que fugiram durante a revolução francesa para se salvarem da retaliação. • Durante este período de mudanças 2 personalidades foram cruciais para a transformação da culinária em gastronomia. Através de Carême, responsável por simplificar muito em como a culinária francesa era trabalhada e Escoffier, grande responsável por mudar não somente o formato de trabalho existente nas cozinhas, como também encabeçar o movimento que mudou a história através da Nouvelle cuisine (nova cozinha). • Oposta as propostas pré-revolução, a Nouvelle cuisine passou a tratar as elaborações por uma perspectiva que enfatizava a leveza e delicadeza na apresentação dos pratos, além disto contribuiu definitivamente para que os aspectos estéticos e nutricionais se firmassem na gastronomia moderna. • Ainda podemos complementar a respeito da afirmação dos conceitos da alta gastronomia entre o envolvimento dos sentidos, estímulos e uso mútuo de percepções com o propósito de gerar uma leitura mais complexa dos alimentos. • Entre as décadas de 80, 90 e em evolução constante, o movimento de aproximação entre a ciência e a gastronomia começa a emergir através de cientistascomo Kurti, McGee e This, considerados os verdadeiros pioneiros da aclamada cozinha molecular. Na ocasião, a ideia era simples. Honrar o gosto e os ingredientes estudando a melhor forma de prepará-los. • Sem os preconceitos do passado que envolveram a gastronomia os cientistas com suas linhas de pesquisa em torno dos ingredientes iniciaram uma série de estudos e este fato logo despertou curiosidades e acabou gerando uma palestra intitulada de “O físico na cozinha”. A partir daí podemos citar personalidades como os irmãos Adrià (Ferran e Albert) e Heston Blumenthal apareceram difundindo uma nova era gastronômica. SIMPÓSIO DE ERICE 1995 Erice 1995: Hervé This, Pierre-Gilles de Gennes, Nicholas Kurti, Raymond Blanc, Harold McGee EMPRATADO E FINALIZAÇÃO • Trabalhar os processos criativos na gastronomia envolvem não somente a busca por elaborações autorais mas também, conceitos pessoais de finalização e composição dos ingredientes que farão parte delas. • O próprio Ferran Adrià em busca de compreender a criatividade e o modo como esta é aplicada, estabeleceu uma pirâmide criativa como esquemática para enunciar os diversos níveis onde ela ocorre e suas etapas: ✓Base Dá-se a reprodução direta das receitas e evolução das receitas já criadas; ✓ Intermediário Acontece a criatividade combinatória, capaz de integrar conhecimento existente e conciliá-lo em novas receitas, substituindo ingredientes ou técnicas utilizadas; ✓Vértice É onde encontra-se a criatividade conceitual aplicando técnicas e conceitos novos, em vista de um resultado inovador. Nesta etapa é que se desenvolvem as elaborações a partir do marco zero. Este posto segundo Adrià, é alcançado por um número bastante reduzido de Chefs. PIRÂMIDE CRIATIVA • As vivências culturais, as raízes, o conhecimento sobre os alimentos e o domínio do maior número possível de técnicas servirão como uma ferramenta de grande suporte para que este processo criativo aflore. • Buscar inspirações em Chefs respeitados, entender os seus conceitos e a forma com a qual eles enxergam a gastronomia também funcionará como auxílio durante o amadurecimento da criatividade. • Portanto, tenha em mente que as etapas criativas funcionam como degraus evolutivos, de forma que não existirão pontos negativos quando se propuser em reproduzir receitas renomadas para aprender com isso. Desta maneira vocês poderão praticar as técnicas, aprender culturas, filosofias e amadurecer profissionalmente. Lembre-se cozinha é um ato repetitivo diário que possui como um dos principais elementos a busca pelo padrão ou seja, a habilidade de reproduzir uma elaboração por mais e mais vezes idêntica. • Em relação as técnicas de empratamento procurem trabalhar através de desenhos ou esboços das ideias que surgirem, refletir a forma como gostariam de visualizar e apresentar este prato. Coloque-se como consumidor e não preparador daquele prato. • Reflita sobre cores, texturas, formatos, sobre as louças, utensílios, as temperaturas e elementos que atuarão como complemento. • Pense na fluidez, busque realçar os elementos chaves, tenha sabedoria ao escolher os tamanhos de cada ingrediente e as suas quantidades, trabalhe o equilíbrio entre os sabores, mentalize o “movimento” do prato e seu fluxo de montagem. • Chefs renomados utilizam diariamente estas linhas de pensamento para aplicar a maioria destas técnicas como vocês poderão ver nas imagens a seguir: REFERÊNCIAS: • ABRANTES, Gisela; MATA, Paulina. Cozinha modernista: história, ingredientes e receitas da cozinha do século XXI. Rio de Janeiro: Senac, 2019. • BARRETO, Ronaldo L. Pontes. Passaporte para o sabor. 8ª ed. São Paulo: SENAC, 2010. • GISSLEN,Wayne.Culinária Profissional. São Paulo: Manole, 2012. • MYHRVOLD, Nathan; YOUNG, Chris; BILET, Maxime.The modernist cuisine: the art and science of cooking. USA:The Cooking Lab, 2011.