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Unidade 4 – Lipídios e metabolismo 
 
Nesta unidade vamos entender a cerca das características gerais dos lipídios, suas 
estruturas químicas, suas funções e localizações celulares. 
 
Objetivos da Unidade 
 
Conhecer as estruturas dos principais lipídios 
Diferenciar os lipídios citoplasmáticos dos lipídios de membrana celular 
Estudar a digestão, absorção e transporte de lipídios 
Caracterizar a obtenção de energia com lipídios 
Descrever a síntese de ácidos graxos, triglicerídeos e lipídios de membrana 
 
Plano da Unidade 
 
Ácidos graxos e triglicerídeos 
Lipídios de membrana celular 
Eicosanóides 
Vitaminas lipossolúveis 
Digestão, absorção e transporte de lipídios 
Oxidação de ácidos graxos e obtenção de energia 
Corpos cetônicos 
Síntese de ácidos graxos e de triglicerídeos 
Degradação de triglicerídeos 
Síntese de lipídios de membrana 
 
 Os lipídios são moléculas com uma característica comum: são moléculas 
hidrofóbicas, isto é, insolúveis em água, porém solúveis nos chamados solventes 
orgânicos (benzeno, éter, tolueno, hexano, clorofórmio etc). São moléculas apolares ou 
anfipáticas com várias funções celulares incluindo armazenamento de energia, estrutural 
na formação das membranas celulares, mensageiros intracelulares, transportadores de 
elétrons, pigmentos absorvedores de luz, emulsionantes, coenzimas e hormônios. 
 
Ácidos graxos e triglicerídeos 
 
A maioria dos lipídios contém ou é originado de ácidos graxos. Os ácidos graxos 
são moléculas contendo um ácido carboxílico e uma cadeia de carbonos e hidrogênios 
(hidrocarboneto) que pode variar de 3 à 36 carbonos. Na dieta dos seres humanos os 
ácidos graxos costumam conter de 4 à 24 carbonos. Geralmente os ácidos graxos de 
cadeia curta são os contendo até 5 carbonos, os de cadeia média, de 6 à 11 carbonos, os 
de cadeia longa, de 12 à 18 carbonos e os de cadeia muito longa, acima de 18 carbonos. 
Os ácidos graxos são exemplos de moléculas anfipáticas, pois contém uma região capaz 
de interagir com a água (o ácido carboxílico) e outra região incapaz de interagir com a 
água (o hidrocarboneto). Os ácidos graxos podem ser saturados, quando a cadeia de 
carbonos contém somente ligações simples, ou insaturados, quando contém ligações 
duplas entre carbonos (figura 1), sendo monoinsaturados os ácidos graxos com uma 
única ligação dupla ao longo da cadeia de carbonos e poliinsaturados os ácidos graxos 
com duas ou mais ligações duplas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1: Estrutura geral dos ácidos graxos. Os ácidos graxos possuem um ácido 
carboxílico e uma cadeia de carbonos e hidrogênios. O ácido graxo saturado tem uma 
cadeia de carbonos contendo somente ligações simples. Já o ácido graxo insaturado tem 
pelo menos uma ligação dupla (monoinsaturado) ou mais de uma ligação dupla 
(poliinsaturado) entre carbonos. Em A, representação mais comum dos ácidos graxos, 
mostrando carbonos, hidrogênios e as ligações químicas simples e duplas. Em B, 
representação dos ácidos graxos em zigue-zague, onde cada ponta do zigue-zague 
representa um carbono e o duplo traço representa a ligação dupla. Se nos carbonos que 
contém a ligação dupla os hidrogênios estiverem para o mesmo lado, como na figura A, 
a configuração é chamada cis, mas se os hidrogênios estiverem opostos um em relação 
ao outro a configuração é trans. Á título de observação, enquanto o ácido graxo 
saturado na figura A tem 8 carbonos, o ácido graxo saturado na figura B tem 10 
carbonos. Fontes: www.brasilescola.com e www.wikimonsa.wikispaces.com, acessos 
em 07/11/2014. 
 
Para designar um ácido graxo usa-se o número que corresponde ao tamanho do 
ácido graxo e números que correspondem à quantidade e a localização das ligações 
duplas na molécula. Um ácido graxo de dezoito carbonos saturado é designado 18:0, 
mas um ácido graxo de dezoito carbonos monoinsaturado, sendo esta insaturação no 
carbono nove, é designado 18:1∆9. Se um ácido graxo de dezoito carbonos for 
poliinsaturado com ligações duplas nos carbonos nove, doze e quinze, então a 
designação será 18:3∆9,12,15. A tabela 1 mostra alguns ácidos graxos e suas designações. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.brasilescola.com
 
Tabela 1: Ácidos graxos de ocorrência natural 
*Designação Estrutura Nome 
comum 
4:0 CH3(CH2)2COOH Ácido 
butírico 
12:0 CH3(CH2)10COOH Ácido 
láurico 
14:0 CH3(CH2)12COOH Ácido 
mirístico 
16:0 CH3(CH2)14COOH Ácido 
palmítico 
16:1∆9 CH3(CH2)5CH=CH(CH2)7COOH Ácido 
palmitoleico 
18:0 CH3(CH2)16COOH Ácido 
esteárico 
18:1∆9 CH3(CH2)7CH=CH(CH2)7COOH Ácido 
oleico 
18:1∆9,12 CH3(CH2)4CH=CH(CH2)CH=CH(CH2)7COOH Ácido 
linoleico 
18:1∆9,12,15 CH3CH2CH=CHCH2CH=CHCH2CH=CH(CH2)7COOH Ácido 
α-linolênico 
20:0 CH3(CH2)18COOH Ácido 
eicosanóico 
20:4∆5,8,11,14 CH3(CH2)4CH=CHCH2CH=CHCH2CH=CHCH2CH=CH(CH2)3COOH Ácido 
araquidônico 
24:0 CH3(CH2)22COOH Ácido 
lignocérico 
 *A designação se refere ao número de carbonos e quantidade e localização das ligações 
duplas no ácido graxo. 
 
 As propriedades físico-químicas dos ácidos graxos são determinadas pelo 
tamanho e grau de saturação dos ácidos graxos: quanto maior o ácido graxo, menor a 
sua solubilidade em água e vice-versa; substâncias contendo ácidos graxos saturados 
apresentam consistência sólida e quanto maior forem os ácidos graxos, mais sólido será 
o composto; no entanto, quanto mais insaturado forem os ácidos graxos que compõem a 
substância, mais líquido será o composto. Alem disso o grau de saturação dos ácidos 
graxos influencia na saúde do ser humano: por mecanismos ainda não totalmente 
esclarecidos, ácidos graxos insaturados são mais saudáveis que ácidos graxos saturados 
por reduzir a pressão arterial, melhorar a coagulação sanguínea e prevenir doenças 
ligadas ao coração. Já os ácidos graxos saturados têm relação direta com a elevação de 
triglicerídeos e colesterol sanguíneo. No entanto não se deve retirar os ácidos graxos 
saturados da dieta, apenas reduzi-los a cerca de 30% dos ácidos graxos da dieta, pois 
além de serem uma fonte rica de energia, estes são necessários na formação das 
membranas e alguns são antimicrobianos. Apesar do ser humano conseguir produzir 
ácidos graxos saturados e monoinsaturados, é incapaz de produzir ácidos graxos 
poliinsaturados, sendo assim, estes precisam obrigatoriamente ser adquiridos na dieta. 
 O calor influencia na saturação dos ácidos graxos: à medida que um ácido graxo 
é aquecido, suas ligações duplas são convertidas em ligações simples, fazendo com que 
o ácido graxo insaturado se torne saturado. Deste modo, o aquecimento prolongado de 
um alimento contendo ácidos graxos é prejudicial para a saúde. 
Os principais ácidos graxos saturados na dieta são: ácido palmítico (16:0), ácido 
esteárico (18:0) e ácido eicosanóico (20:0). Há também pequenas quantidades de ácido 
láurico (12:0) e ácido mirístico (14:0). As principais fontes alimentares de ácidos graxos 
saturados são os produtos lácteos e sorvetes, biscoitos, carnes (especialmente as 
processadas) e produtos gordurosos. Os principais ácidos graxos insaturados na dieta 
são o ácido palmitoleico (16:1∆9), o ácido oleico (18:1∆9), o ácido α-linolênico 
(18:1∆9,12,15) e o ácido linoleico (18:1∆9,12). As principais fontes alimentares de ácidos 
graxos insaturados são os vegetais e seus óleos, azeites, óleos de peixe, cereais, 
sementes e grãos. Na maioria dos casos, os ácidos graxos são referidos como o sal do 
ácido ou o ácido graxo ionizado. Por exemplo, ácido palmítico é referido como 
palmitato, ácido esteárico, como estearato, ácido láurico como laurato etc. A figura 2 
compara três destes alimentos de acordo com o tipo de ácidos graxos. 
 
 
 
Figura 2: Tipos de ácidos graxos de três alimentos. Ambos óleo de oliva, manteiga e 
gordura de carne de boi contém triglicerídeos com ácidos graxos de diferentes tamanhos 
e graus de saturação. O óleo por conter um percentual maior de ácidos graxos 
insaturados em seus triglicerídeos, inclusive de cadeia longa, é líquido à temperatura 
ambiente. Já a manteiga contémFigura 21: As reações na produção de fosfatidilinositol, fosfatidilglicerol e cardiolipina. 
Fonte: Lehninger, princípios de Bioquímica. 
 
A fosfatidilserina é produzida por substituição da etanolamina na 
fosfatidiletanolamina pelo aminoácido serina. É importante lembrar que ambos 
etanolamina, colina, serina, inositol e glicerol são inseridos na posição 3 do 
diacilglicerol pois as outras duas posições já estão ocupadas com ácidos graxos. 
A síntese de esfingolipídios ocorre também no retículo endoplasmático, com 
abundância em neurônios e hemácias jovens e depende da formação inicial da ceramida, 
derivada da esfingosina, um aminoálcool de cadeia longa (figura 7). A ceramida é 
produzida pela união de palmitoilCoA com serina formando β-cetoesfinganina por ação 
da enzima β-cetoesfinganina sintase. Redução da β-cetoesfinganina com NADPH 
resulta em esfinganina, um aminoálcool de 18 carbonos. A esfinganina recebe um acil 
proveniente de um acilCoA e sofre oxidação dependente de FAD, formando FADH2 e 
ceramida (figura 22). 
A esfingomielina, um importante componente da bainha de mielina é formada 
quando ceramida reage com a fosfatidilcolina ou com CDP-colina. Se a ceramida reagir 
com UDP-glicose ou UDP-galactose, os esfingolipídios formados são o 
glicocerebrosídio (ou glicosilcerebrosídeo) e o galactocerebrosídio respectivamente 
(figura 22). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 22: As reações na produção de alguns esfingolipídios. Fonte: Lehninger, 
princípios de Bioquímica. 
Globosídeos são cerebrosídeos contendo dois ou mais monossacarídeos, 
geralmente galactose, glicose e/ou N-acetilglicosamina. Lactosilceramida na membrana 
das hemácias contém o dissacarídeo lactose. Outros globosídeos nas hemácias contendo 
oligossacarídeos maiores (5 a 6 monossacarídeos) determinam os grupos sanguíneos 
humanos. Gangliosídeos são esfingolipídios contendo oligossacarídeos e ácido siálico, 
muito comuns em células ganglionares do sistema nervoso central, em particular nas 
terminações nervosas. 
Colesterol, o esterol das células animais é produzido por praticamente todas as 
células humanas, com exceção das hemácias, mas a sua produção é muito maior no 
fígado, intestino e tecidos reprodutores como ovários, testículos e placenta. Para 
produzir colesterol, é necessário acetilCoA. Este pode vir do piruvato, da oxidação de 
ácidos graxos, da oxidação de alguns aminoácidos (será detalhado na próxima unidade) 
ou a partir de acetato. Assim como na via que produz corpos cetônicos, são necessárias 
duas moléculas de acetilCoA se condensando para criar o acetoacetilCoA e uma terceira 
acetilCoA para formar HMG-CoA. Se HMG-CoA sofrer ação da enzima HMG-CoA 
liase, a via segue para corpos cetônicos (explicado anteriormente). Mas se HMG-CoA 
sofrer ação da enzima HMG-CoA redutase dependente de NADPH, forma-se 
mevalonato e a via segue para a síntese de colesterol. Como a síntese de corpos 
cetônicos ocorre na mitocôndria e a síntese de colesterol ocorre no retículo 
endoplasmático, estas duas enzimas (HMG-CoA liase e HMG-CoA redutase) estão em 
compartimentos diferentes, havendo então enzimas similares para a produção de 
HMG-CoA tanto na mitocôndria quanto no retículo endoplasmático. 
Em uma série de reações enzimáticas, o mevalonato é convertido em 
farnesil-pirofosfato. Duas moléculas de farnesil-pirofosfato são condensadas, em reação 
catalisada pela enzima farnesil-transferase (ou esqualeno sintase) dependente de 
NADPH formando esqualeno e finalmente a ciclização do esqualeno produz o 
colesterol: a enzima esqualeno monooxigenase acrescenta um O2 na extremidade do 
esqualeno formando o epóxido e outra enzima (esqualeno-epóxido lanosterol sintase) 
produz o lanosterol. Transformação de lanosterol em colesterol envolve cerca de 20 
etapas enzimáticas, onde várias envolvem reduções dependentes de NADPH. A via de 
síntese de colesterol está resumida na figura 23. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 23: Resumo das etapas da síntese de colesterol. Fonte: 
www.painel-colesterol.blogspot.com, acesso em 12/11/2014. 
 
O colesterol pode ser esterificado para armazenamento no fígado (geralmente é 
esterificado com ácidos graxos insaturados) ou para transporte em VLDLs, pode ser 
convertido em sais biliares, vitamina D e hormônios esteróides. 
 
Leitura complementar 
 
DEVLIN, T. Manual de bioquímica com correlações clínicas. Edgard Blucher, 2007. 
HARPER, H. A. Bioquímica. Atheneu, 2002. 
LEHNINGER, A.L. Princípios de Bioquímica. Worth publishers, 2006. 
STRYER, L. Bioquímica. Guanabara Koogan, 2004. 
VOET, D., VOET, J.G., PRATT, C.W. Fundamentos de Bioquímica. Artmed, 2002. 
 
É HORA DE SE AVALIAR! 
 
Lembre-se de realizar as atividades desta unidade de estudo, elas irão ajudá-lo a fixar o 
conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no processo de ensino-aprendizagem. 
http://www.painel-colesterol.blogspot.com
Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as envie através do nosso ambiente 
virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco! 
1. Os lipídios são: 
a) os compostos energéticos consumidos preferencialmente pelo organismo 
b) mais abundantes na composição química dos vegetais do que na dos animais 
c) substâncias insolúveis na água, mas solúveis nos chamados solventes orgânicos 
(álcool, éter, benzeno) 
d) presentes como fosfolipídios no interior da célula, mas nunca na estrutura da 
membrana plasmática 
e) moléculas bem diferentes de hidrocarbonetos 
 
2. O excesso de corpos cetônicos em presença de baixa glicose sanguínea é comum, 
principalmente em hipoglicemia induzida por jejum. Além disso, os corpos cetônicos: 
a) são formados pelo excesso de propionilCoA obtido dos ácidos graxos de cadeia 
impar 
b) são sintetizados no tecido muscular 
c) são escassos em pessoas diabéticas 
d) são sintetizados quando a degradação de ácidos graxos é interrompida 
e) são sintetizados no fígado e enviados para o cérebro para servir de alimento, 
substituindo temporariamente a glicose 
 
3. Um rapaz jovem chega a um consultório para uma indicação dietética com o seguinte 
histórico médico: cansaço intenso, dificuldade em realizar exercícios, ganho de peso 
contínuo e uma biopsia revelando um elevado depósito de triglicerídeos nas células 
musculares. O diagnóstico é que ele apresenta uma diminuição exagerada na quantidade 
de carnitina intramuscular. Sendo assim, este paciente apresenta: 
a) dificuldade de sintetizar e degradar glicogênio muscular 
b) excesso de creatina nas células musculares 
c) excesso de corpos cetônicos nas células musculares 
d) dificuldade de produzir glicose pela gliconeogênese 
e) dificuldade de transporte de ácidos graxos de cadeia longa para dentro da mitocôndria 
das células musculares 
 
4. Um laboratório de Bioquímica recebeu uma amostra de ácido graxo, no entanto 
identificado como (18:4 Δ3,9,12,15). Apesar de não estar nomeado, pela informação no 
parênteses, podemos dizer que este ácido graxo é: 
a) monoinsaturado e ômega-3 
b) monoinsaturado e ômega-6 
c) poliinsaturado e ômega-3 
d) poliinsaturado e ômega-6 
e) poliinsaturado e ômega-9 
 
5. Um dos mecanismos abaixo NÃO contribui para a redução dos níveis de colesterol 
no sangue. 
a) dieta com altos níveis de ácidos graxos insaturados 
b) dieta com altos níveis de ácidos graxos saturados 
c) dieta com altos níveis de fibras 
d) dieta com altos níveis de fitoesteróis 
e) drogas da família das vastatinas 
 
 
6. A revista Veja - edição 1858 - ano 37 - nº 24, de 16 de junho de 2004, em sua matéria 
de capa, destaca: "Um santo remédio? Eficazes para baixar o colesterol, as estatinas já 
são as drogas mais vendidas no mundo". No conteúdo da matéria, as articulistas Anna 
Paula Buchalla e Paula Neiva discorrem sobre os efeitos desta nova droga no combate 
seguro aos altos níveis de colesterol. Sobre o colesterol, analise as proposições abaixo: 
I. O colesterol é um dos mais importantesesteróis animais, produzido pelo fígado ou 
obtido na dieta. 
II. O colesterol participa da composição química da membrana das células animais, 
além de atuar como precursor de hormônios, como a testosterona e a progesterona. 
III. Quando atinge baixos níveis no sangue, o colesterol contribui para a formação de 
placas de ateroma nas artérias, provocando-lhes um estreitamento. 
IV. Há dois tipos de colesterol: O LDL e o HDL. O primeiro é o "colesterol bom", que 
remove o excesso de gordura da circulação sangüínea. 
Assinale a alternativa correta: 
a) apenas as proposições I e III são corretas 
b) apenas as proposições II e IV são corretas 
c) apenas as proposições I e II são corretas 
d) apenas as proposições I, III e IV são corretas 
e) todas as proposições são corretas 
 
7. Defende-se que a inclusão da carne bovina na dieta é importante, por ser uma 
excelente fonte de proteínas. Por outro lado, pesquisas apontam efeitos prejudiciais que 
a carne bovina traz à saúde, como o risco de doenças cardiovasculares. Devido aos 
teores de colesterol e de gordura, há quem decida substituí-la por outros tipos de carne, 
como a de frango e a suína. O quadro abaixo apresenta a quantidade de colesterol em 
diversos tipos de carne crua e cozida. 
 
Com base nessas informações, avalie as afirmativas a seguir. 
I. O risco de ocorrerem doenças cardiovasculares por ingestões habituais da mesma 
quantidade de carne é menor se esta for carne branca de frango do que se for toucinho. 
II. Uma porção de contrafilé cru possui, aproximadamente, 50% de sua massa 
constituída de colesterol. 
III. A retirada da pele de uma porção cozida de carne escura de frango altera a 
quantidade de colesterol a ser ingerida. 
IV. A bisteca é a carne mais alterada percentualmente no teor de colesterol após o 
cozimento. É correto apenas o que se afirma em: 
a) I e II 
b) I e III 
c) II e III 
d) II e IV 
e) III e IV 
8. O ácido oleico (18C) é um dos ácidos graxos mais abundantes da dieta, sendo 
consumido principalmente á partir de óleos e azeites. O saldo energético total obtido à 
partir da oxidação deste ácido graxo é: 
a) 106 ATP 
b) 120 ATP 
c) 134 ATP 
d) 150 ATP 
e) 166 ATP 
 
9. O colesterol é um esteroide que constitui um dos principais grupos de lipídios. Com 
relação a esse tipo particular de lipídio, é CORRETO afirmar que: 
a) na espécie humana, o excesso de colesterol aumenta a eficiência da passagem do 
sangue no interior dos vasos sanguíneos, acarretando a arteriosclerose 
b) o colesterol participa da composição química das membranas das células animais e é 
precursor dos hormônios sexuais masculino (testosterona) e feminino (estrógeno) 
c) o colesterol é encontrado em alimentos de origem tanto animal como vegetal (como 
por exemplo, manteigas, margarinas, óleos de soja, milho, etc.), uma vez que é derivado 
do metabolismo dos glicerídeos 
d) nas células vegetais, o excesso de colesterol diminui a eficiência dos processos de 
transpiração celular e da fotossíntese 
e) o colesterol pode estar ausente na dieta sem prejuízos para a saúde 
 
10. A tabela abaixo expressa a composição em ácidos graxos de dois tipos de 
triglicerídeos alimentares. 
 Percentagem de ácidos graxos 
Triglicerídeo Saturados Monoinsaturados Polinsaturados 
A 60 36 4 
B 14 24 62 
Faça uma previsão do estado físico de cada tipo de triglicerídeo à temperatura ambiente, 
de acordo com a composição de seus ácidos graxos, justificando sua escolha. 
 
11. Pode-se afirmar que a utilização dos ácidos graxos como combustível gera 
equivalentes de redução para a cadeia respiratória em dois momentos metabólicos 
distintos. Que momentos são estes? 
 
12. O que são estruturas anfipáticas? Cite dois exemplos. 
 
13. Um amigo seu viu um produto que continha a seguinte informação: este produto 
contém ácidos graxos 22:3 (∆9, 12, 19). 
a) Caracterize está molécula e faça o desenho de sua estrutura molecular. 
b) Esta molécula pode ser considerada um ômega? Qual? 
c) Cite 2 vantagens da ingestão desta substância. 
 
14. Os esteróides são lipídios bem diferentes dos triglicerídeos e das ceras, apresentando 
uma estrutura composta por quatro anéis de carbono interligados. O colesterol é um dos 
esteróides mais conhecidos, devido a sua associação com as doenças cardiovasculares. 
No entanto este composto é muito importante para o homem, uma vez que desempenha 
uma série de funções. Cite: 
a) Duas funções do colesterol para o ser humano? 
b) As duas origens do colesterol sanguíneo 
15. Cite uma semelhança e uma diferença entre fosfolipídios e triglicerídeos? 
 
16. Qual é a função da molécula carnitina no metabolismo energético? 
 
17. Para um maratonista, dias antes da corrida é mais importante à ingestão de 
alimentos a base de triglicerídeos do que açúcares. Você concorda com esta afirmação? 
Justifique. 
 
18. Pacientes diabéticos geralmente consomem pouco carboidrato e assim seus tecidos 
utilizam bem mais ácidos graxos como combustível energético. Nestas condições, o 
acetil-CoA produzido a partir da oxidação dos ácidos graxos tende a acumular-se na 
mitocôndria. Embora o acetil-CoA não seja tóxico, as mitocôndrias hepáticas evitam o 
acúmulo deste metabólito. Qual a solução encontrada pelas células hepáticas para evitar 
esse acúmulo? 
 
19. Calcule o rendimento energético (em ATPs) obtido após oxidação completa a CO2 e 
H2O de uma molécula de ácido graxo poliinsaturado (22:4Δ9,12,15,18)muitos ácidos graxos saturados de cadeia longa e 
alguns ácidos graxos saturados de cadeia curta, por isso é um sólido à temperatura 
ambiente, porém mole por conter também uma quantidade moderada de ácidos graxos 
insaturados de cadeia longa. Por último, a gordura da carne do boi é bem sólida à 
temperatura ambiente por conter grande quantidade de ácidos graxos saturados de 
cadeia longa. È importante observar que ambas manteiga e gordura apresentam maior 
percentual de ácidos graxos saturados em relação aos insaturados em seus triglicerídeos. 
Fonte: Lehninger, Princípios de Bioquímica. 
 
Os ácidos graxos α-linolênico e linoleico são exemplos de ácidos graxos 
conhecidos respectivamente como ômega-3 e ômega-6. Estes são ácidos graxos 
poliinsaturados, por isso são essenciais, e precisam estar na dieta. Para ser considerado 
ômega-3, a última ligação dupla precisa estar à 3 carbonos do fim da molécula enquanto 
no ômega-6 a última ligação dupla está à 6 carbonos do fim da molécula. À partir destes 
dois ácidos graxos são produzidos outros ácidos graxos poliinsaturados muito 
importantes (será detalhado ao longo da unidade). 
Um problema comum relacionado aos ácidos graxos poliinsaturados é o seu alto 
poder de oxidação: o oxigênio reage com as duplas ligações danificando a estrutura 
destes ácidos graxos (peroxidação lipídica) e gerando radicais livres, principais 
causadores do envelhecimento e morte celular, assim o seu consumo deve estar 
associado à ingestão de vitaminas A, C e E e outros anti-oxidantes. Os ácidos graxos 
monoinsaturados, por ter somente uma ligação dupla são mais resistentes ao ataque das 
moléculas de oxigênio. Outros ácidos graxos do tipo ômega (ômega-7 e ômega-9) são 
ácidos graxos saturados e monoinsaturados e, portanto, apesar de estarem na dieta, 
também são produzidos pelo organismo. A tabela 2 mostra o conteúdo de ácidos graxos 
saturados, monoinsaturados e poliinsaturados em alguns alimentos. 
 
Tabela 2: Teor de ácidos graxos (g) em 100 g dos alimentos 
Alimentos Ácidos graxos (g) 
Saturados Monoinsaturados Poliinsaturados 
Abacate 2,5 16,5 2 
Azeite de oliva 14 70 11 
Azeitona 1 6 1 
Bacalhau fresco 0,15 0 0,25 
Bacon 32,5 36 6 
Carne de boi 5 5 0,5 
Carne de frango (sem pele) 11,5 2 0,5 
Carne de peru (sem pele) 0,5 0,5 1 
Carne suína 12,5 14 2,5 
Castanha-do-Pará 15,5 20 23 
Creme de leite 12,5 6,5 0,5 
Leite integral 2,2 1,2 0,1 
Leite condensado 5,5 3 0,2 
Manteiga 49 26 2,2 
Margarina 30 38 9,5 
Óleo de soja 14 24 56,5 
Óleo de milho 16,5 29,5 50 
Óleo de canola 5 64 25 
Óleo de girassol 13 32 50 
Ovo 3,5 14,2 1,2 
Queijo parmesão 17,5 9,5 1 
Queijo cottage 2,4 1,3 0,1 
Sardinha 3 3 3,5 
Salmão 3 4,5 3 
 
Os triglicerídeos (ou triacilgliceróis) são moléculas formadas pela união de 3 
ácidos graxos (geralmente dois ou os três ácidos graxos são diferentes entre sí) ligados a 
um glicerol cujas três hidroxilas do glicerol reagem com os ácidos carboxílicos dos 
ácidos graxos através da saída de três moléculas de água (figura 3). Os triglicerídeos são 
compostos essencialmente apolares, pois as regiões polares do glicerol e dos ácidos 
graxos desapareceram na formação das ligações do tipo éster. Por isso, constituem 
moléculas muito hidrofóbicas. Os representantes dos triglicerídeos são as gorduras e os 
óleos. Enquanto as gorduras contêm triglicerídeos com a maioria dos ácidos graxos 
saturados (por isso as gorduras são sólidas à temperatura ambiente), os óleos contêm 
triglicerídeos com a maioria dos ácidos graxos insaturados (por isso os óleos são 
líquidos à temperatura ambiente). 
 
 
Figura 3: Estrutura do triglicerídeo. Em A, a formação do triglicerídeo através da união 
de três ácidos graxos com um glicerol. Na reação saem três moléculas de água. Os “R” 
nos ácidos graxos representam cadeias de carbonos sem tamanho e grau de saturação 
definidos. Em B, representação do triglicerídeo onde, de cima para baixo, a primeira 
cadeia de carbonos é saturada, a segunda cadeia de carbonos é monoinsaturada e a 
terceira cadeia de carbonos é poliinsaturada. Nesta última estão mostrados os carbonos 
onde ocorrem as ligações duplas. Fontes: www.especialista24.com e 
www.duplat.blogspot.com, acessos em 07/11/2014. 
 
Os triglicerídeos costumar estar no citoplasma das células humanas 
principalmente nas células do tecido adiposo e do fígado e são uma forma de 
armazenamento de energia mais interessante que glicogênio, pois um triglicerídeo 
fornece bem mais energia por grama que o glicogênio. Além disso, enquanto o corpo 
humano armazena gramas de glicose na forma de glicogênio, são armazenados quilos de 
gordura no tecido adiposo. Além da função de armazenamento de energia, os 
triglicerídeos são eficientes isolantes térmicos contra baixas temperaturas: não é a toa 
que animais de clima frio, como focas, ursos polares, pingüins e leões marinhos 
apresentam grande quantidade de triglicerídeo corporal seja na forma de gordura ou 
óleo. 
Os triglicerídeos podem ser hidrolisados, liberando com isso, ácidos graxos e 
glicerol (será detalhado ao longo da unidade). Se esta hidrólise é feita em meio alcalino, 
por exemplo pela adição de uma base forte como o hidróxido de sódio (soda cáustica) e 
sob alta temperatura, formam-se sais de ácidos graxos, os sabões, e o processo é 
chamado de saponificação (figura 4). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 4: O processo da saponificação. Na produção do sabão, os triglicerídeos são 
misturados à uma base forte em alta temperatura, liberando os sais de ácidos graxos 
(sabões) e o glicerol. Fonte: www.quimicasemsegredos.com, acesso em 07/11/2014. 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hidrof%C3%B3bica
http://www.especialista24.com
http://www.duplat.blogspot.com
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hidr%C3%B3lise
http://pt.wikipedia.org/wiki/Saponifica%C3%A7%C3%A3o
http://www.quimicasemsegredos.com
 
Sendo assim, o sabão é um sal de ácido carboxílico contendo uma longa cadeia 
de carbonos em sua estrutura molecular, com capacidade de interagir tanto com 
estruturas polares quanto apolares (estrutura anfipática). Desse modo, ao lavarmos uma 
panela suja de óleo ou gordura, formam-se as micelas, gotículas microscópicas de 
gordura envolvidas por moléculas de sabão, orientadas com as cadeias apolares 
direcionadas para dentro (interagindo com o óleo ou gordura) e as extremidades polares 
para fora (interagindo com a água). A água usada para enxaguar a panela interage com a 
parte externa das micelas, que é constituída pelas extremidades polares das moléculas 
de sabão. Assim, as micelas são dispersas na água e levadas por ela no enxágüe da 
panela, o que torna fácil remover, com auxílio do sabão, substâncias apolares (figura 5). 
O processo de formação de micelas é denominado emulsificação. Dizemos que o sabão 
atua como emulsificante ou emulsionante, ou seja, ele tem a propriedade de fazer com 
que o óleo se disperse na água, na forma de micelas. 
 
 
 
Figura 5: Comportamento do óleo e sabão em presença de água. Na presença de água, o 
sabão e o óleo formam micelas, com regiões polares do sabão voltadas para fora da 
mistura (para contato com água) e regiões apolares da mistura voltadas para dentro 
(onde ocorre a interação do óleo com o sabão), assim o sabão atua como emulsificante 
ou emulsionante, fazendo com que o óleo se disperse na água, na forma de micelas. 
Fonte: www.negacrazy.blogspot.com, acesso em 08/11/2014. 
Lipídios de membrana celular 
 
 As membranas biológicas são formadas por uma bicamada de lipídios contendo 
proteínas. Nos eucariontes encontram-se também carboidratos. Estes lipídios são 
anfipáticos, pois a região polar da molécula está voltada para o espaço extracelular ou 
para o citoplasma da célula (estas áreas são geralmente aquosas), enquanto a parte 
apolar está escondida no meio da bicamada lipídica, sem acesso à água interna ou 
externa. Os lipídios das membranas são os fosfolipídios (subdivididos em 
glicerofosfolipídios e esfingolipídios) e os esteróis (figura 6). 
 
http://www.negacrazy.blogspot.comFigura 6: Arquitetura da membrana plasmática. Na figura estão mostrados a bicamada 
de fosfolipídios, comum nas membranas das células procariontes (bactérias) e 
eucariontes (demais tipos celulares), contendo proteínas, carboidratos e esteróis (o 
esterol na figura é o colesterol), sendo os dois últimos ausentes nos procariontes. Fonte: 
www.infoescola.com, acesso em 07/11/2014. 
 
 Glicerofosfolipídios são a principal classe de lipídios nas membranas, estando 
presente na membrana plasmática de procariontes e eucariontes e nas membranas das 
organelas do citoplasma de eucariontes. Estes lipídios contém dois ácidos graxos e um 
grupamento fosfato ligados a um glicerol. O fosfato é a parte polar da molécula e assim 
é a que fica voltada tanto para o interior quanto para o exterior das membranas e o 
restante é a parte apolar. Um dos ácidos graxos é sempre saturado contendo 16 ou 18 
carbonos e o outro é insaturado contendo 18, 20 ou 22 carbonos. Além disso, várias 
moléculas diferentes podem estar ligadas ao fosfato, criando os diferentes 
glicerofosfolipídios (figura 7). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
http://www.infoescola.com
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6: Estrutura molecular do glicerofosfolipídio e suas variantes. 
Glicerofosfolipídios são lipídios anfipáticos contendo dois ácidos graxos e um 
grupamento fosfato ligados a glicerol. Em A, a estrutura geral do glicerofosfolipídio, 
com ácido graxo saturado na posição 1 e o ácido graxo insaturado na posição 2. Em B, 
os diferentes tipos de glicerofosfolipídios nas membranas celulares. Fonte: Lehninger, 
Princípios de Bioquímica. 
 
 Os esfingolipídios são a segunda classe mais abundante de lipídios nas 
membranas. Encontrados somente em eucariontes, são compostos de uma parte apolar 
contendo um ácido graxo de cadeia longa e uma esfingosina (um aminoálcool) no lugar 
do segundo ácido graxo e do glicerol e uma parte polar variável como nos 
glicerofosfolipídios, criando os diferentes esfingolipídios (figura 7). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7: Estrutura molecular do esfingolipídio e suas variantes. Esfingolipídios são 
lipídios anfipáticos contendo um ácido graxo de cadeia muito longa, uma esfingosina 
(um aminoálcool) e uma parte polar variável como nos glicerofosfolipídios. Em A, a 
estrutura geral do esfingolipídio. Em B, os diferentes tipos de esfingolipídios nas 
membranas celulares. Fonte: Lehninger, Princípios de Bioquímica. 
 
Muitos esfingolipídios são glicolipídios (figura 7), estando a porção carboidrato 
sempre voltada para fora da célula formando o glicocálix. Os esfingolipídios são 
abundantes na membrana plasmática de neurônios, formando a bainha de mielina para a 
transmissão do impulso nervoso e são sítios de reconhecimento celular, principalmente 
nas hemácias, determinando os grupos sanguíneos humanos. Além disso, podem atuar 
como receptores para toxinas liberadas por bactérias e serem reconhecidos por células 
bacterianas e vírus para o início da infecção. 
Os esteróis são a terceira classe de lipídios nas membranas. Sua estrutura 
anfipática contém uma região polar (geralmente uma hidroxila no carbono 3) e uma 
região apolar composta por 4 anéis de carbonos, sendo 3 de seis carbonos e 1 de cinco 
carbonos (núcleo esteróide) e uma cadeia hidrocarboneto não cíclica (figura 8). O 
esterol das células animais é o colesterol. As células dos outros seres vivos (exceto 
procariontes) também apresentam esteróis nas membranas: fitoesteróis nas células 
vegetais, ergosterol nos fungos etc. Os fitoesteróis na dieta tem a capacidade de reduzir 
a absorção do colesterol total, através de um mecanismo de competição que ocorre no 
intestino delgado, onde pelo fato de ambos fitoesteróis e colesterol serem muito 
semelhantes (figura 8), ocorre inibição da absorção do colesterol pelos fitoesteróis, 
reduzindo o conteúdo de colesterol plasmático. O colesterol é sintetizado no fígado ou 
obtido na dieta. Seu esqueleto serve para a formação de várias moléculas, incluindo a 
vitamina D, os sais biliares e hormônios esteróides como a progesterona, a testosterona 
e o estradiol (o metabolismo do colesterol será visto ao longo da unidade). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8: O colesterol. Em A, a estrutura detalhada do colesterol, evidenciando a 
numeração dos carbonos da molécula no núcleo esteróide e na cadeia de carbonos 
externa aos anéis. Em B, comparação entre o colesterol e três fitoesteróis da dieta, 
evidenciando a pequena diferença entre os quatro esteróis através de círculos coloridos 
nos carbonos 22 e 24 das moléculas. Fontes: Lehninger, Princípios de Bioquímica e 
www.biobiocolesterol.blogspot.com.br, acesso em 08/11/2014. 
 
Eicosanóides 
 
 Eicosanóides são moléculas lipídicas anfipáticas derivadas de um ácido graxo de 
20 carbonos chamado ácido araquidônico (20:4∆5,8,11,14) (figura 9). Esse ácido graxo pode 
ser obtido diretamente na dieta ou ser produzido através do ácido linoléico (18:1∆9,12), 
um ômega-6. Praticamente todo ácido araquidônico está em fosfolipídios, assim, é 
necessária uma reação enzimática catalisada por uma fosfolipase para remoção do ácido 
araquidônico do fosfolipídio e seu uso na produção dos eicosanóides (figura 9). Os 
eicosanóides se comportam como mensageiros químicos um pouco diferente dos 
hormônios pelo fato de não serem distribuídos pela corrente sanguínea para diferentes 
órgãos, mas sim atuarem no tecido onde foi produzido. Existem 3 classes de 
eicosanóides: as prostaglandinas, os leucotrienos e as tromboxanas. 
 Enzimas ciclooxigenases (COX) são responsáveis pela conversão de ácido 
araquidônico em prostaglandinas. As prostaglandinas (figura 9) são produzidas por 
quase todas as células, geralmente em locais de dano tecidual ou infecção. São 
moléculas capazes de elevar a temperatura do corpo, causar inflamação e dor, aumentar 
a perrmeabilidade capilar e a quimiotaxia, atraindo células como macrófagos 
especializados na fagocitose de restos celulares durante o processo inflamatório. A 
inibição das ciclooxigenases por analgésicos e antiinflamatórios (drogas não esteroidais 
http://www.biobiocolesterol.blogspot.com.br
http://pt.wikipedia.org/wiki/C%C3%A9lula
http://pt.wikipedia.org/wiki/Infec%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Inflama%C3%A7%C3%A3o
anti inflamatórias ou NSAIDs) como aspirina, ibuprofeno e paracetamol, implica na 
diminuição da síntese de prostaglandinas e consequentemente da dor e febre. Além 
disso, as prostaglandinas estão responsáveis pelo estímulo das contrações uterinas 
durante a menstruação e o parto, pela vasodilatação, pelo aumento da secreção de muco 
no estômago etc. 
 Tromboxanos (nomeados em referência à sua capacidade de formar trombos) 
são produzidos nas plaquetas também à partir de reação catalisada por ciclooxigenases. 
São moléculas vasoconstritores na circulação sanguínea e vasodilatadores na circulação 
pulmonar e potentes agentes hipertensivos, além de facilitarem a agregação plaquetária: 
o tromboxano A2 (figura 9), produzido por plaquetas ativadas, estimula a ativação de 
outras plaquetas, aumentando a agregação plaquetária. Medicamentos inibidores de 
ciclooxigenases afetam a produção de tromboxanos, levando ao aparecimento de 
hemorragias com maior freqüência. 
 Duas isoformas da COX (COX-1 e COX-2) têm sido extensivamente estudadas. 
Ambas estão envolvidas tanto em eventos fisiológicos, quanto patológicos. A primeira, 
expressa constitutivamente, é responsável pela formação de prostaglandinas associadas 
com eventos fisiológicos como a integridade da mucosa gástrica e funcionamento 
normal dos rins regulando o tônus vascular e o fluxo sanguíneo renal, enquanto que 
COX-2 está relacionada aos eventos da resposta inflamatória. No entanto, parece que a 
COX-1 também está relacionada com a resposta inflamatória. Além disso, COX-2 está 
envolvida com a formação de trombos. Assim, faz-se necessário o uso controlado de 
medicamentosinibidores de COX. Estudos revelaram um papel protetor da COX-2 no 
estômago, rim, coração, vasos e sistema reprodutor. Distúrbios cardiovasculares graves 
e trombóticos, irritações gastrointestinais e disfunção renal são alguns dos eventos 
observados no uso exagerado de inibidores de COX. 
Leucotrienos (figura 9) são moléculas produzidas por células inflamatórias como 
leucócitos polimorfonucleares, macrófagos ativados e mastócitos através de reação 
catalisada pela enzima lipooxigenase (LOX). Os leucotrienos são mediadores lipídicos 
que apresentam papel relevante na resposta inflamatória tecidual aumentando a 
permeabilidade vascular, induzindo a inflamação, ativando células para função efetora 
ou inibindo a função de células. São também extremamente potentes na vasoconstrição 
e broncoconstrição, levando a contração da musculatura lisa dos vasos sanguíneos e a 
passagem de ar nos pulmões no edema, levando a perda de líquidos dos vasos 
sanguíneos. Leucotrienos também estimulam a síntese de colágeno e quimiotaxia de 
fibroblastos. A superprodução de leucotrienos causa asma e muitas drogas 
anti-asmáticas atuam bloqueando a enzima lipooxigenase. 
 
 
 
 
 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Trombo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plaqueta
http://pt.wikipedia.org/wiki/Vasoconstri%C3%A7%C3%A3o
http://pt.wikipedia.org/wiki/Plaquetas
 
 
Figura 9: O ácido araquidônico e os eicosanóides. Em A, o ácido araquidônico no 
fosfolipídio é liberado por ação da enzima fosfolipase A2, uma das diferentes 
fosfolipases atuantes nos fosfolipídios. Em B, dependendo do tipo celular, o ácido 
araquidônico, por intermédio de enzimas COX ou LOX, é convertido em 
prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos, onde cada eicosanóide responderá por 
uma ou muitas fiunções celulares no tecido onde foi sintetizado. NSAIDs são potentes 
bloqueadores da produção de prostaglandinas e tromboxanos, afetando diversos 
processos fisiológicos. Fonte: Lehninger, Princípios de Bioquímica. 
 
Vitaminas lipossolúveis 
 
 São quatro as vitaminas de natureza lipídica: A, D, E e K. Estas moléculas são 
anfipáticas com inúmeras funções celulares. 
A vitamina A (figura 10) é produzida a partir de uma molécula chamada 
β-caroteno. O β-caroteno é uma molécula da família dos carotenóides. Os carotenóides 
são compostos abundantemente encontrados na natureza, sendo os responsáveis pela cor 
da maioria dos frutos e vegetais, a qual pode variar desde o amarelo até o vermelho 
vivo. Dos mais de 600 carotenoides conhecidos, aproximadamente 50 são precursores 
da vitamina A. Entre os carotenoides, o β-caroteno é o mais abundante em alimentos e o 
que apresenta a maior atividade de pró-vitamina A. A principal via de produção da 
vitamina A é a clivagem central catalisada pela enzima 15-15’β-caroteno oxigenase. Ela 
cliva o β-caroteno em sua ligação dupla central, obtendo retinol (vitamina A), que pode 
ser, no corpo humano, convertido reversivelmente em 11-cis-retinal ou 
irreversivelmente em acido retinóico. A vitamina A é encontrada em muitos alimentos, 
como vegetais, ovos, fígado, manteiga etc. O 11-cis-retinal é de vital importância no 
ciclo visual, atuando nos bastonetes, células que funcionam com baixa intensidade de 
luz, insensíveis às cores. O ácido retinóico é encontrado no interior das células, onde 
desempenha funções relacionadas ao ciclo celular. A modulação da expressão gênica 
pelo ácido retinóico é mediada pela ativação dos receptores nucleares para hormônios 
esteróides/tiroideanos/vitamina D. A ligação do ácido retinóico a estes receptores 
promove ativação gênica, transcrição, tradução e acumulo de novas proteínas. A 
vitamina A também está relacionada com o desenvolvimento dos ossos, ação protetora 
na pele e mucosa, possui função essencial na capacidade funcional dos órgãos do trato 
reprodutivo, participa do fortalecimento do sistema imunológico, está relacionada com 
o desenvolvimento e manutenção do tecido epitelial, contribui para o desenvolvimento 
normal dos dentes, para a conservação do esmalte dentário, manutenção do bom estado 
do cabelo e na prevenção da oxidação celular. A deficiência de vitamina A, 
acarreta xeroftalmia. A xeroftalmia é o nome genérico dado aos diversos sinais e 
sintomas oculares da carência de vitamina A. A forma clínica mais precoce da 
xeroftalmia é a cegueira noturna onde não se consegue boa adaptação visual em 
ambientes pouco iluminados, podendo evoluir para um quadro de ceratomalacia, uma 
cegueira irreversível causada por ulceração progressiva da córnea levando à necrose e 
destruição do globo ocular. 
A vitamina D é também conhecida como colecalciferol (figura 10). A principal 
ação da vitamina D é aumentar o transporte de cálcio e fósforo do meio extracelular 
para o intracelular e mobilizar cálcio dos estoques intracelulares. Além disso, possui 
papel mediador em processos inflamatórios e auto-imunitários. A deficiência de 
Vitamina D pode ser observada em indivíduos que tenham pouca exposição ao sol, e 
naqueles que tenham problemas na absorção de lipídios ou problemas na dieta. Em 
crianças, a deficiência de vitamina D pode resultar no raquitismo, doença decorrente da 
inadequada mineralização do osso durante o crescimento com consequentes 
anormalidades ósseas, entretanto, isso é raro nos dias atuais, devido, sobretudo à 
fortificação dos alimentos. A deficiência grave em adultos leva à osteomalácia, 
condição caracterizada pela falha na mineralização da matriz orgânica do osso, 
resultando em ossos fracos, sensíveis à pressão, fraqueza nos músculos proximais e 
frequência de fraturas aumentada, além de ter efeitos importantes no desenvolvimento 
da osteoporose. Em idosos, a deficiência de vitamina D é decorrente das alterações 
fisiológicas e mudanças no hábito de vida decorrente deste grupo, como por exemplo, a 
diminuição da exposição ao sol e mudanças na dieta. As fontes de vitamina D da dieta 
são os óleos de fígado de peixes e alimentos derivados do leite, como manteiga e 
queijos gordurosos. Além disso, a exposição do corpo aos raios do sol leva à síntese 
desta vitamina pelo organismo: a vitamina D é formada na pele á partir de uma forma 
modificada do colesterol, o 7-desidrocolesterol em uma reação fotoquímica catalisada 
pelos raios UV do sol (por isso é importante o “banho de sol” no início da manhã em 
crianças recém-nascidas e a exposição, pelo menos leve, ao sol ao longo da vida). A 
vitamina D é no fígado convertida em 25-hidroxicolecalciferol e depois no rim em 
1,25-dihidroxicolecalciferol, o hormônio ativo, responsável pelo metabolismo de cálcio 
e fósforo. 
A vitamina E (figura 10) é uma vitamina lipossolúvel representada por um grupo 
de oito compostos estruturalmente relacionados, os tocoferóis e tocotrienóis, sendo o α 
-tocoferol com maior atividade biológica antioxidante, apresentando um papel 
fundamental na proteção do organismo contra os efeitos prejudiciais (danos oxidativos) 
dos radicais livres. O anel aromático da molécula reage com os radicais livres e os 
destrói, desse modo protegendo proteínas, ácidos nucléicos e as ligações duplas dos 
ácidos graxos dos fosfolipídios da oxidação. A vitamina E é encontrada em alimentos 
de origem vegetal, principalmente nos vegetais verde-escuros, nas sementes 
oleaginosas, nos óleos vegetais e no germe de trigo, além de estar presente também em 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Xeroftalmia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Necrose
alimentos de origem animal, como gema de ovo e fígado. A baixa ingestão de vitamina 
E causa agregação plaquetária, anemia hemolítica, degeneração neuronal (pois causa 
lesão na bainha de mielina), lesões musculares e esqueléticas e alterações hepáticas. 
A vitamina K é uma vitamina anti-hemorragica (figura 10). A molécula é usada 
na produção da pró-trombina, uma proteína do plasma sanguíneo essencial para a 
formação do coágulo. A filoquinona é a forma predominante de vitamina K em 
alimentos. Outra forma da vitamina K, a menaquinona é formada por bactérias no 
intestino. Vegetais verdesfolhosos, óleos vegetais, gorduras, frutas e hortaliças são as 
principais fontes desta vitamina. A deficiência clínica da vitamina tem sido 
classicamente descrita como hipoprotrombinemia e está associada ao retardo na 
coagulação do sangue, que pode ser fatal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 10: Estrutura química das vitaminas lipossolúveis. Fontes: 
www.as-vitaminas.blogspot.com.br, www.quimicanocotidiano2013.blogspot.com.br, 
www.infoescola.com e www.laboratóriocentralmm.com.br, acessos em 09/11/2014. 
 
Digestão, absorção e transporte de lipídios 
 
 Os lipídios da dieta são triglicerídeos, ácidos graxos livres, fosfolipídios 
(geralmente glicerofosfolipídios), colesterol livre, ésteres de colesterol, fitoesteróis e 
vitaminas lipossolúveis. Alguns destes lipídios, por serem grandes demais para serem 
absorvidos, precisam ser digeridos por enzimas encontradas no intestino delgado. 
 Como os lipídios são moléculas insolúveis no lúmen do intestino, para as 
enzimas atuarem, é necessário que estes lipídios se encontrem solúveis. Para isso, a 
vesícula biliar envia sais biliares para o intestino delgado. Estas moléculas anfipáticas, 
sintetizadas no fígado a partir do colesterol (descrito anteriormente) e armazenados na 
vesícula biliar, atuam como detergentes, emulsionando os lipídios, formando micelas e 
facilitando a ação das enzimas lípases. Como o suco entérico não contém todas as 
enzimas necessárias para a digestão dos lipídios grandes, o pâncreas envia para o 
intestino delgado o suco pancreático, contendo algumas lípases. Os triglicerídeos são 
hidrolisados por lípases liberando os ácidos graxos dos carbonos 1 e 3 e a molécula 
http://www.as-vitaminas.blogspot.com.br
http://www.infoescola.com
2-monoacilglicerol. Alguns 2-monoacilgliceróis podem ser hidrolisados por uma 
esterase separando o ácido graxo restante, do glicerol. Os fosfolipídios sofrem ação da 
enzima fosfolipase A2, liberando o ácido graxo do carbono 2 e 1-acillisofosfolipídio. 
Ésteres de colesterol e ésteres de vitamina A são hidrolisados por esterases específicas 
liberando o colesterol e a vitamina A dos ácidos graxos. As digestões enzimáticas dos 
lipídios da dieta estão resumidas abaixo: 
 
 
 
Triglicerídeos 
 
 
2-monoacilglicerol 
 
 
Fosfolipídios 
 
 
Éster de colesterol 
 
 
Éster de vitamina A 
 
 
 Terminada a digestão, os ácidos graxos, 2-monoacilgliceróis, 
1-acillisofosfolipídios, vitaminas A, D, E e K além do colesterol nas micelas são 
enviados do lúmen para o interior das células do epitélio intestinal. Fitoesteróis, apesar 
de estarem na dieta, não são praticamente absorvidos e atrapalham a absorção do 
colesterol, atuando como fibras (descrito anteriormente). Do interior das células do 
epitélio intestinal, os ácidos graxos de cadeia curta e média vão para a corrente 
sanguínea em direção ao fígado sendo transportados pela albumina plasmática. Os 
ácidos graxos maiores são usados na remontagem dos triglicerídeos, fosfolipídios, 
ésteres de colesterol e ésteres de vitamina A, que, juntamente com as outras vitaminas 
lipossolúveis, colesterol livre e proteínas específicas (apoproteínas), formam 
lipoproteínas chamadas quilomícrons. 
 Os quilomícrons viajam pelos vasos linfáticos intestinais antes de ir para o 
sangue e chegar ao fígado. Durante o trajeto, músculos e tecido adiposo (tecidos 
extra-hepáticos) captam ácidos graxos: a enzima lipoproteína-lipase sintetizada por 
músculos e tecido adiposo e ligada à superfície endotelial dos capilares sanguíneos 
destes órgãos hidrolisa os triglicerídeos, os convertendo em ácidos graxos e glicerol. A 
apoproteína C-II (ApoC-II) presente na superfície dos quilomícrons ativa a 
lipoproteína-lípase destes tecidos. Por ação desta enzima, parte da vitamina E nos 
quilomícrons também é captada por estes tecidos extra-hepáticos. Os ácidos graxos 
captados pelos músculos são primariamente usados para obtenção de energia, mas 
também podem ser usados pra a síntese de membranas. Os ácidos graxos e glicerol 
captados pelo tecido adiposo são primariamente usados na formação de triglicerídeos 
para armazenamento, mas síntese de membranas também ocorre. Boa parte do glicerol 
resultante da hidrólise dos triglicerídeos dos quilomícrons vai do sangue para o fígado 
onde podem ser usados na glicólise, na produção de triglicerídeos, na produção de 
fosfolipídios ou na gliconeogênese. 
Os quilomícrons contém também a apoproteína E (ApoE) que é reconhecida por 
receptores presentes nas células hepáticas. Os quilomícrons remanescentes que chegam 
ao fígado são endocitados pelas células hepáticas, encaminhados aos lisossomos, 
degradados e suas moléculas (aminoácidos, glicerol, ácidos graxos, fosfolipídios, 
colesterol, vitaminas lipossolúveis etc) aproveitadas pelo fígado (figura 10). 
O próprio fígado é um grande produtor de triglicerídeos e colesterol. Se a 
ingestão de triglicerídeos e colesterol ultrapassar as necessidades do indivíduo, a 
digestão dos quilomícrons remanescentes no fígado irá liberar muitos ácidos graxos e 
colesterol. Isso fará com que o fígado use todo este colesterol e triglicerídeos 
(produzidos no próprio fígado e da dieta) para a criação de lipoproteínas chamadas 
VLDLs (lipoproteínas de muito baixa densidade). A maior parte da vitamina E, e 
praticamente toda vitamina K assim como a forma da vitamina D, 
25-hidroxicolecalciferol (explicado anteriormente), também são incorporadas em 
VLDLs. Estas lipoproteínas, ricas em triglicerídeos e colesterol e contendo dentre várias 
apoproteínas, a ApoB-100, são liberadas para o sangue. Em paralelo, o fígado produz 
outra lipoproteína, a HDL (lipoproteínas de alta densidade) que contém triglicerídeos, 
um pouco de colesterol, várias apoproteínas, dentre elas ApoA-I, ApoE e ApoC-II e a 
enzima LCAT (lecitina:colesterol acil transferase). No sangue, os HDLs entregam ApoE 
e ApoC-II para VLDLs e quilomícrons, a fim de que estes sejam reconhecidos por 
lipoproteínas-lipases e por receptores celulares para internalização (figura 10). Diferente 
das demais vitaminas lipossolúveis, as reservas de vitamina A esterificada no fígado são 
hidrolisadas enzimaticamente em retinol livre e não são transportadas em VLDLs, mas 
por um complexo proteico ligante de retinol, para vários tecidos do organismo onde 
existirem necessidades metabólicas. 
À medida que ácidos graxos são captados dos VLDLs por tecidos periféricos 
(principalmente músculos e tecido adiposo), estas lipoproteínas se tornam IDLs 
(lipoproteínas de densidade intermediária) e com a saída de mais ácidos graxos se 
tornam LDLs (lipoproteínas de baixa densidade, pobres em triglicerídeos, mas ricas em 
colesterol). Os LDLs devem ser removidos da corrente sanguínea, pois são responsáveis 
por entupimento de vasos sanguíneos. Para isso, algumas células como as hepáticas, 
endoteliais e os macrófagos podem endocitar LDLs por um mecanismo de endocitose 
mediada por receptor, onde as ApoB-100 das LDLs são reconhecidas pelos receptores 
celulares para a endocitose. Além disso, os HDLs também participam da remoção do 
excesso de colesterol do plasma e dos tecidos extra-hepáticos transportando-as para o 
fígado (figura 10). A transferência de colesterol das membranas das células periféricas 
para HDL envolve interação das HDLs com receptores de superfície celular, acionando 
um transporte passivo do excesso de colesterol das células para HDLs. Outra maneira 
envolve a interação da apoproteína ApoA-I das HDLs com um transportador de 
membrana chamado ABCA-1 em uma célula rica em colesterol, onde a ABCA-1 
transfere colesterol para HDLs. As HDLs conseguem captar também colesterol e 
fosfatidilcolina (um fosfolipídio) dos quilomícrons remanescentes e VLDLs. Na 
superfície das HDLs a enzima LCAT esterifica o colesterol com a fosfatidilcolina. Todo 
o colesterol vai para o fígado nas HDLs e em seguida é convertido em sais biliares. 
Estes são enviados à vesícula biliar para reiniciar o ciclo. 
Desse modo, o LDL é conhecido popularmentecomo colesterol ruim, pois sua 
presença no plasma aumenta o risco de doenças cardiovasculares, enquanto o HDL é 
conhecido popularmente como colesterol bom, pois contribui para diminuir os níveis de 
LDL plasmático. As características das lipoproteínas estão mostradas na tabela 3. 
 
 
Tabela 3: Composição das lipoproteínas plasmáticas humanas 
Moléculas Lipoproteínas 
Quilomicron VLDL LDL HDL 
Colesterol livre (%) 2 5-8 13 6 
Colesterol esterificado (%) 5 11-14 39 13 
Fosfolipídios (%) 7 20-23 17 28 
Triglicerídeos (%) 85 44-60 10 4 
Proteínas (%) 2 4-11 20 50 
Apoproteínas ApoA-I, 
ApoA-II, 
ApoA-IV, 
ApoB-48, 
ApoC-I, 
ApoC-II, 
ApoC-III, 
ApoE 
ApoB-100, 
ApoC-I, 
ApoC-II, 
ApoC-III, 
ApoE 
ApoB-100 ApoA-I, 
ApoA-II, 
ApoA-IV, 
ApoC-I, 
ApoC-II, 
ApoC-III, 
ApoD, 
ApoE 
 
 
 
Figura 10: Órgãos e vias envolvidas no transporte de lipídios da dieta. Na figura estão 
mostrados a produção de lipoproteínas no intestino delgado e no fígado e a dinâmica de 
captação de ácidos graxos e colesterol livres ou em lipoproteínas remanescentes. FA 
(ácido graxo), TG (triglicerídeo), MG (2-monoacilglicerol). Fonte: Devlin, manual de 
Bioquímica com correlações clínicas. 
 
Oxidação de ácidos graxos e obtenção de energia 
 
Ácidos graxos captados da circulação sanguínea são primariamente usados para 
a obtenção de energia. O tecido adiposo e o fígado são exceções: os ácidos graxos em 
quilomícrons e VLDLs captados pelo adiposo são na maioria usados para a síntese de 
triglicerídeos, assim como os ácidos graxos captados pelo fígado a partir da endocitose 
de quilomícrons remanescentes (será detalhado ao longo da unidade). 
A produção de energia pelos ácidos graxos ocorre exclusivamente na 
mitocôndria, onde o ácido graxo é oxidado (a oxidação do ácido graxo é referido 
também como β-oxidação) e o esqueleto de carbonos destas moléculas são usadas para a 
produção de vários acetilCoA e equivalentes de redução na forma de NADH + H+ e 
FADH2. O uso de ácidos graxos para obter energia depende do estado metabólico do 
organismo. Por exemplo, após uma refeição rica em açúcares, o uso de ácidos graxos 
para gerar energia será praticamente nulo, porém em ambos jejum ou exercício físico 
prolongados, o uso de ácidos graxos para gerar energia é significativamente alto. 
O primeiro passo na oxidação de um ácido graxo é a sua conversão em acilCoA 
(ativação do ácido graxo), em reação catalisada pela enzima acilCoA sintetase 
localizada na membrana externa da mitocôndria ou no retículo endoplasmático (figura 
11). O processo envolve a conversão de ATP em AMP (adenosina monofosfato) e PPi 
(pirofosfato inorgânico) ao invés de ADP e Pi. Como em seguida uma enzima 
pirofosfatase inorgânica hidrolisa o PPi gerando dois fosfatos livres, diz-se que na 
reação foram consumidas duas ligações fosfato de alta energia (uma da quebra do ATP e 
outro da quebra do PPi), então a oxidação de um ácido graxo começa energeticamente 
desfavorável, com saldo negativo de -2 ATP. Acil é um termo usado para uma cadeia de 
carbonos indefinida, uma vez que o ácido graxo pode ter tamanhos variados. 
Em seguida, os ácidos graxos de cadeia longa e muito longa são transportados 
para a matriz da mitocôndria pela carnitina (os de cadeia curta e média vão para a matriz 
mitocondrial independente de carnitina). Esta molécula é produzida à partir do 
aminoácido lisina ou obtida na dieta à partir da ingestão de carnes (figura 11). Uma 
enzima na membrana externa da mitocôndria, a CPT-I (carnitina palmitoil transferase I) 
transfere o acil da CoA para a carnitina, com a CoA retornando ao citoplasma. A 
molécula acilcarnitina é levada para a matriz por uma proteína translocase na membrana 
interna da mitocôndria. Uma enzima ligada à translocase, a CPT-II, transfere o acil para 
uma CoA que já está na matriz, restaurada o acilCoA e a carnitina volta para o espaço 
intermembranas para um novo ciclo (figura 11). O malonilCoA, uma molécula 
produzida para a síntese de ácidos graxos é inibidora desse processo (será detalhado ao 
longo da unidade). A carnitina é usada como suplemento alimentar por muitas pessoas 
que desejam emagrecer. A idéia é a aceleração da mobilização de ácidos graxos para a 
matriz da mitocôndria para a geração de energia, que, de algum modo, estimularia o 
tecido adiposo a quebrar mais triglicerídeos, assim diminuindo a gordura corporal. No 
entanto ainda não se tem estudos conclusivos sobre o uso da carnitina como 
emagrecedor. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11: Estrutura e função da carnitina. A carnitina é uma transportadora de acilas do 
espaço intermembrana para a matriz da mitocôndria para oxidação e produção de 
energia. Em A, a estrutura molecular da carnitina. Em B, as reações enzimáticas que 
usam a carnitina como a molécula transportadora de acilas. Fontes: Devlin, manual de 
Bioquímica com correlações clínicas e www.supermusculo.com, acesso em 12/11/2014. 
 
Na matriz da mitocôndria o acilCoA sofrerá encurtamento através da remoção 
sucessiva de moléculas de dois carbonos na forma de acetilCoA, sendo este 
encurtamento iniciando na extremidade ácido carboxílico do ácido graxo. Para liberar 
um acetilCoA, é necessário uma sequencia de 4 reações enzimáticas: na primeira reação 
a enzima acilCoA desidrogenase dependente da coenzima FAD atua nos 3 primeiros 
carbonos da molécula criando uma ligação dupla entre os carbonos 2 e 3. Isso leva a 
formação de enoilCoA com liberação de 2 prótons e 2 elétrons e conseqüente formação 
de FADH2; na segunda reação a enzima enoilCoA hidratase adiciona água à ligação 
dupla, criando 3-hidroxiacilCoA; na terceira reação a enzima β-hidroxiacilCoA 
desidrogenase dependente de NAD+ desidrogena a 3-hidroxiacilCoA, criando a 
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β-cetoacilCoA com formação de NADH + H+; por último, a enzima β-cetoacilCoA 
tiolase promove a reação da β-cetoacilCoA com uma coenzimaA para clivar a 
β-cetoacilCoA no segundo carbono, liberando acetilCoA e um acilCoA reduzido em 
dois carbonos (figura 12). O ciclo recomeça até que todo o ácido graxo seja 
transformado em moléculas de acetilCoA. Para o palmitato (na forma de palmitoilCoA), 
com 16 carbonos, são necessários 7 ciclos destas 4 reações enzimáticas, onde um total 
de 8 moléculas de acetilCoA são produzidas. 
 
 
 
Figura 12: Inicio da oxidação de ácidos graxos. Uma molécula de 16 carbonos, ativada 
com coenzimaA (palmitoilCoA) sofre ação de 4 enzimas para a remoção de um 
acetilCoA (em vermelho). Seis outras sequências destas reações liberam as outras sete 
moléculas de acetilCoA. Fonte: Lehninger, princípios de Bioquímica. 
 
Cada ciclo de oxidação do acilCoA gera 1 NADH, 1 FADH2 (ambos para a 
cadeia respiratória) e 1 acetilCoA (para ciclo de Krebs), no entanto o último ciclo gera 2 
acetilCoA (o que é liberado do acilCoA após as 4 reações enzimáticas e o que sobra, 
que é outro acetilCoA). Usando novamente o palmitoilCoA como exemplo, os 7 NADH 
e 7 FADH2 produzidos conferem, na cadeia respiratória um total de 28 ATP. Com os 8 
acetilCoA, são realizados 8 cíclos de Krebs, com produção de 8 ATP e liberação de 24 
NADH e 8 FADH2. Estes NADH e FADH2 na cadeia respiratória conferem um total de 
72 ATP. Somando todos estes ATP tem-se um total de 108 ATP, porém, como para 
ativar o ácido graxo, dois equivalentes de ATP foram utilizados, então o saldo 
energético obtido na oxidação completa do palmitoilCoA em CO2 e H2O é de 106 ATP. 
A oxidação de ácidos graxos pode ocorrer também em outra organela da célula, 
o peroxissomo. Nesta organela os ácidos graxos não são quebrados até o fim, mas 
somente até octanoilCoA (8C). Este então sai do peroxissomo com destino a 
mitocôndria para o término da oxidação. Outra diferença é que, na primeira etapa da 
sequencia de 4 reações enzimáticas para liberar acetilCoA, a enzima acilCoA 
desidrogenase dependente de FAD é substituída por uma enzima acilCoA oxidase, 
também dependente de FAD, porém os elétronse prótons neste caso não são entregues 
em uma cadeia respiratória, mas sim para o O2, criando H2O2 (água oxigenada) que em 
seguida é rapidamente degradada à H2O e O2 pela enzima catalase presente no próprio 
peroxissomo. Comparando o saldo energético de um palmitoilCoA que foi totalmente 
oxidado na mitocôndria, com um palmitoilCoA que foi encurtado até octanoilCoA no 
peroxissomo para depois terminar a oxidação na mitocôndria, obtém-se 6 ATP à menos 
quando o peroxissomo atua na oxidação, pois 4 FADH2 deixarão de entregar elétrons e 
prótons na cadeia respiratória. 
O palmitato, assim como a maioria dos ácidos graxos da dieta contém número 
par de carbonos, no entanto alguns ácidos graxos podem apresentam número impar de 
carbonos. Nesse caso, a última sequencia de 4 reações enzimáticas libera 1 acetilCoA e 
uma molécula de 3 carbonos, o propionilCoA ao invés de dois acetilCoA como descrito 
para o palmitoilCoA de 16 carbonos. O propionil entra no ciclo de Krebs primeiro se 
convertendo em D-metilmalonilCoA pela ação da enzima propionilCoA carboxilase 
dependente de ATP e da coenzima biotina, em seguida esta molécula, por ação de duas 
enzimas (metilmalonilCoA epimerase e metilmalonilCoA mutase dependente da 
coenzima B12) se converte em succinilCoA (um intermediário do ciclo de Krebs) (figura 
13). Deste modo, como este último ciclo de Krebs não se iniciou com a formação de 
citrato à partir de oxaloacetato e acetilCoA, as moléculas isocitrato e α-cetoglutarato 
também não foram produzidas, assim, 2 NADH deixaram de ser produzidos para a 
cadeia respiratória. Comparando o saldo energético de um ácido graxo de 16 carbonos 
com um ácido graxo de 17 carbonos, obtém-se 6 ATP à menos com o ácido graxo de 
cadeia impar (5 ATP à menos devido a não produção de 2 NADH e 1 ATP gasto na 
conversão de propionilCoA à succinilCoA) em relação ao ácido graxo de cadeia par. 
 
 
 
Figura 13: Entrada do propionilCoA no ciclo de Krebs. Fonte: www.datuopinion.com, 
acesso em 12/11/2014. 
 
Alguns ácidos graxos da dieta são insaturados, possuindo uma ou mais ligações 
duplas. A oxidação destes é semelhante ao observado para os ácidos graxos saturados 
até chegar à ligação dupla. Usando o ácido oleico (18:1∆9) na forma de oleilCoA como 
exemplo, 3 ciclos das 4 reações enzimáticas liberam duas moléculas de acetilCoA e a 
molécula dodecanoilCoA (12C) com a ligação dupla no carbono 3. A partir daí, nesta 
sequencia de 4 reações enzimáticas para liberar o quarto acetilCoA, a enzima acilCoA 
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desidrogenase dependente de FAD não atua e a enzima enoilCoA isomerase atua no 
lugar da segunda enzima da sequência enzimática (enoilCoA hidratase), reposicionando 
a dupla ligação da molécula em uma configuração que permita a continuidade do 
processo enzimático com a enoilCoA hidratase e as demais enzimas (figura 14). Á partir 
daí, outros 4 ciclos de reações enzimáticas produzem os cinco acetilCoA que faltam. 
 
 
 
Figura 14: Oxidação do oleilCoA. Enquanto a oxidação está acontecendo nas regiões 
saturadas da molécula, as reações as mesmas das ocorridas nos ácidos graxos saturados. 
Quando atinge a ligação dupla, é necessário a ação da enzima enoilCoA isomerase, 
reposicionando a dupla ligação da molécula em uma configuração que permita a 
continuidade do processo enzimático com a enoilCoA hidratase e as demais enzimas 
para a liberação de acetilCoA. Fonte: Lehninger, princípios de Bioquímica. 
 
No caso dos ácidos graxos poliinsaturados, deve haver a combinação de duas 
enzimas (enoilCoA isomerase e dienoilCoA redutase dependente de NADPH) para a 
continuidade do processo. A primeira reposicionando duplas ligações e a segunda 
convertendo algumas duplas ligações em ligações simples (figura 14). È importante 
observar que quando a dupla ligação estiver presente, a primeira enzima da sequência de 
4 reações (acilCoA desidrogenase dependente de FAD) não estará presente, deste modo 
1 FADH2 deixará de ser produzido para a cadeia respiratória. Assim, a oxidação de 
ácidos graxos insaturados produz menos energia que a oxidação de ácidos graxos 
saturados, sendo a redução no nível de ATP dependente do número de insaturações 
presentes no ácido graxo. 
 
Corpos cetônicos 
 
 Em condições normais, onde o organismo contém açúcares para oxidação, a 
velocidade de oxidação de ácidos graxos é muito baixa. Quando o nível de glicose do 
sangue assim como o de glicogênio hepático e muscular está baixo, a velocidade de 
oxidação dos ácidos graxos no músculo e fígado aumenta. Em certas condições como 
diabetes mal controlada, dieta mal elaborada ou jejum muito longo, onde o nível de 
açúcar é normalmente muito baixo, ocorre aumento na quebra de triglicerídeos no 
tecido adiposo (será detalhado ao longo da unidade) com posterior mobilização de 
ácidos graxos para o sangue com destino aos músculos para obtenção de energia. Da 
mesma forma, a velocidade de oxidação de ácidos graxos no fígado também aumenta. 
Tudo isso é extremamente controlado e coordenado de modo que enquanto ácidos 
graxos vão nutrindo músculos, glicerol (oriundo da quebra dos triglicerídeos) migra do 
tecido adiposo para o fígado e é usado na gliconeogênese a fim de se tentar restabelecer 
a glicemia. Oxaloacetato no fígado também pode ser usado na gliconeogênese, ficando 
indisponível para ciclo de Krebs e assim o excesso de acetilCoA produzido no fígado à 
partir da oxidação de ácidos graxos é usado na formação de moléculas chamadas corpos 
cetônicos. 
 Os corpos cetônicos são formados em mitocôndrias de fígado e rim e são uma 
imprescindível fonte de energia para músculos e cérebro. Na ausência de açúcar, a fonte 
de energia para o cérebro é basicamente corpo cetônico, uma vez que muito pouco ácido 
graxo chega neste órgão devido à barreira hematoencefálica. 
 A síntese de corpos cetônicos ocorre na matriz da mitocôndria e se inicia com a 
união de duas moléculas de acetil-CoA formando acetoacetil-CoA em reação catalisada 
pela enzima β-cetotiolase. Em seguida o acetoacetilCoA é condensado com outro 
acetilCoA formando hidroximetilglutarilCoA (HMG-CoA) pela ação da enzima 
HMG-CoA sintase. O HMG-CoA então sofre clivagem através da enzima HMG-CoA 
liase, liberando um acetilCoA e acetoacetato (corpo cetônico). Uma fração do 
acetoacetato é espontaneamente descarboxilado e convertido em acetona (corpo 
cetônico) que é liberada pelas vias aéreas na expiração e faz parte da halitose 
característica de pessoas em jejum longo como, por exemplo, mendigos além de ser útil 
no diagnóstico da diabetes. Outra fração é reduzida à β-hidroxibutirato (corpo cetônico) 
em ação catalisada pela enzima β-hidroxibutirato desidrogenase (figura 15). Até 25% do 
NADH produzido durante a oxidação de ácidos graxos é usado na produção de 
β-hidroxibutirato. 
Ambos acetoacetato e β-hidroxibutirato saem do fígado e rim para uso em outros 
tecidos, principalmente cérebro que já começa a usar corpos cetônicos a partir do 
segundo dia de jejum. Músculos (principalmente cardíaco) consomem ácidos graxos e 
corpos cetônicos no inicio do jejum, mas a medida que o jejum prossegue, diminuem o 
consumo de consumir corpos cetônicos para que estes sejam metabolizados somente no 
cérebro. 
O consumo se dá seguinte maneira: o β-hidroxibutirato a chegar aos tecidos é 
convertido em acetoacetato pela mesma enzima que faz o passo inverso (a 
β-hidroxibutirato desidrogenase). Todo acetoacetato então é convertido em 
acetoacetilCoA por ação da enzima tioforase, que transfere a coenzimaA da 
succinilCoA (um intermediário do ciclo de Krebs) liberando succinato. Por último a 
enzima cetotiolase transfere uma coenzimaA para o acetoacetilCoA a convertendo em 2 
acetilCoA que entram no ciclo de Krebs (figura 15). A enzima tioforase não está 
presente no fígado, assim, os corpos cetônicos produzidos não podem ser usados pelo 
próprio órgão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 15: Formação e utilização de corpos cetônicos.Em A, a formação dos corpos 
cetônicos acetona, acetoacetato e β-hidroxibutirato no fígado a partir do excesso de 
acetilCoA. Em B, a utilização de acetoacetato e β-hidroxibutirato como combustível 
principalmente em músculos e cérebro. Fonte: Lehninger, princípios de Bioquímica. 
 
A oxidação de ácidos graxos no fígado depende da concentração de CoenzimaA 
livre na matriz das mitocôndrias hepáticas. Como existe uma quantidade limitada de 
coenzimaA, a formação de corpos cetônicos é importante não só como combustível 
energético, mas também para liberar a coenzimaA e obrigar o fígado a continuar 
oxidando ácidos graxos. 
O uso dos corpos cetônicos como combustível energético parece ser uma 
solução para o jejum severo ou a diabetes, mas o aumento de corpos cetônicos no 
sangue leva a um quadro de acidose (o corpo cetônico ao sair do fígado leva um H+) que 
pode ser fatal, assim faz-se necessário o restabelecimento da glicemia, seja pela 
gliconeogênese ou através da alimentação. 
 
Síntese de ácidos graxos e de triglicerídeos 
 
Os ácidos graxos são sintetizados em diferentes tecidos, mas principalmente em 
fígado, tecido adiposo e glândulas mamárias em lactação, a partir do excesso de 
acetilCoA proveniente da glicose ingerida acima da necessária para a produção de 
energia e para a síntese do glicogênio. Como a maioria dos ácidos graxos sintetizados 
vão para a síntese de triglicerídeos, existe uma relação direta entre consumo excessivo 
de açúcar e obesidade. Os ácidos graxos podem também ser usados para a síntese de 
fosfolipídios e para esterificar colesterol. 
Para iniciar a síntese de ácidos graxos no citoplasma é necessário converter um 
acetilCoA em malonilCoA (figura 16). Como acetilCoA formado na mitocôndria não 
consegue ir para o citoplasma, primeiro o acetilCoA se une ao oxaloacetato, formando 
citrato (início do ciclo de Krebs) e em seguida o citrato é transportado para o 
citoplasma. Lá, uma enzima citrato liase restaura oxaloacetato e acetilCoA. 
Oxaloacetato é posteriormente convertido em piruvato por ação das enzimas malato 
desidrogenase e enzima málica dependente de NADP+ e assim o piruvato entra na 
mitocôndria e pode restaurar o oxaloacetato por ação da enzima piruvato carboxilase ou 
virar acetilCoA (mecanismo explicado anteriormente). A formação de malonilCoA, 
catalisada pela enzima acetilCoA carboxilase é dependente de ATP e HCO3
-, onde CO2 
é transferido para o acetilCoA para formar o malonilCoA. O malonilCoA é um inibidor 
da enzima CPT-I, assim a célula que está sintetizando ácidos graxos não está, ao mesmo 
tempo, transportando ácidos graxos para a matriz da mitocôndria para oxidação. 
Um complexo multienzimático contendo seis enzimas (ácido graxo sintase), 
contém duas moléculas importantes: a enzima β-cetoacil-ACP sintase e a proteína 
carregadora de acil (ACP) que contém uma molécula parecida com a coenzimaA 
(4-fosfopanteteína). O primeiro passo é a ligação de um acetil na região sulfidrila (SH) 
de um aminoácido cisteína da β-cetoacil-ACP sintase. A segunda reação liga malonil à 
região SH da ACP. Em ambas as reações a coenzimaA é liberada e as enzimas que 
catalisam estas ligações já estão no complexo multienzimático da ácido graxo sintase. 
Em seguida acetil se une ao malonil com saída de CO2 (o mesmo CO2 que formou o 
malonil à partir do acetil), criando acetoacetil. Este sofre ação de três enzimas do 
complexo multienzimático onde uma reação envolve desidratação e duas envolvem 
redução dependente de NADPH + H+ como doador de elétrons, para criar o butiril (uma 
molécula de 4 carbonos) (figura 16). O butiril é transferido para a região SH da 
β-cetoacil-ACP sintase liberando a região SH da ACP. Em seguida acontece tudo de 
novo: um novo malonil é produzido, este vai para a região SH da ACP, o butiril se liga 
ao malonil com saída de CO2 e após três reações enzimáticas (as mesmas reações que 
converteram acetoacetil em butiril) é produzido o hexanoil. Isso continua até que o 
palmitoil seja criado (figura 16). Neste age uma enzima tioesterase (que não está no 
complexo multienzimático), para liberar o palmitato da ácido graxo sintase. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 16: As reações das enzimas acetilCoA carboxilase e ácido graxo sintase. Em A, a 
formação do malonilCoA pela ação da enzima acetilCoA carboxilase. Em B, a 
sequencia enzimática na união de acetil e malonil para a formação do butiril. Nesta 
figura não está sendo mostrado o butiril sendo transferido para a região SH da 
β-cetoacil-ACP sintase, onde estava inicialmente o acetil, para que a região SH da ACP 
fique livre para um novo malonil poder se ligar e reiniciar o ciclo. Em C, o processo 
resumido na síntese do palmitato. Estão mostrados na figura os elétrons e prótons 
doados por NADPH e as saídas de CO2 das moléculas de malonil após união com as 
moléculas de acetil. Em amarelo o primeiro acetil da cadeia nascente do palmitato, em 
vermelho, dois carbonos do primeiro malonil e em azul os carbonos das outras 
moléculas de malonil usadas na síntese do palmitato. Fonte: Lehninger, princípios de 
Bioquímica. 
 
É importante observar que para formar ácido palmítico foram necessários um 
gasto de 7 ATP (para formar os 7 malonilCoA) e 14 NADPH (estes são oriundos da 
reação enzimática que converte oxaloacetato em piruvato, catalisada pela enzima 
málica, ou da via das pentoses-fosfato que ocorre em maior grau quando há excesso de 
glicose na dieta). 
O palmitato é o precursor de outros ácidos graxos. Este aumento no 
comprimento do palmitato ocorre principalmente no retículo endoplasmático, mas pode 
ocorrer também na mitocôndria. No retículo, as reações de alongamento do palmitato 
ocorre de maneira semelhante ao observado na ácido graxo sintase, onde malonilCoA é 
a fonte de carbonos e NADPH é o redutor. Na mitocôndria a fonte de carbonos é o 
acetilCoA e os redutores são tanto o NADH quanto o NADPH. Apesar de palmitato ser 
basicamente convertido em estearato nos tecidos (18:0), ácidos graxos maiores (20 à 24 
carbonos) podem ser criados nos neurônios principalmente para a formação da bainha 
de mielina. Glândula mamária produz ácidos graxos menores que palmitato (8 à 10 
carbonos) pelo fato de conter enzimas tioesterases que separam o ácido graxo em 
crescimento da ácido graxo sintase, antes de chegar a palmitato. 
Palmitato e estearato podem ser usados na formação de ácidos graxos 
insaturados, gerando respectivamente palmitoleato (16:1∆9) e oleato (18:1∆9). Uma 
enzima desaturase no retículo endoplasmático cria a ligação dupla. Isto é importante 
para a fluidez de triglicerídeos e de fosfolipídios, além de serem usados na produção de 
ésteres de colesterol no fígado. Como os humanos e todos os mamíferos só criam 
ligação dupla no carbono 9 dos ácidos graxos saturados, os ácidos graxos 
poliinsaturados não podem ser produzidos, sendo chamados de ácidos graxos essenciais. 
Os ácidos graxos α-linolenato (18:1∆9,12,15) e o linoleato (18:1∆9,12) são muito importantes 
na dieta e à partir deles são criados vários outros ácidos poliinsaturados, através de 
etapas de alongamento e desaturação no retículo endoplasmático (figura 17). Dentre 
eles, o ácido araquidônico (20:4∆5,8,11,14) é o usado na formação dos eicosanóides 
(descrito anteriormente) e os ácidos graxos eicosapentaenóico (20:5∆5,8,11,14,17) e 
docosahexaenóico (22:6∆4,7,10,13,16,19), conhecidos respectivamente como EPA e DHA 
apresentam funções no organismo semelhantes às descritas para o α-linolenato, sendo 
que EPA e DHA são mais eficientes. Os benefícios destes ácidos graxos ômega-3 e 
ômega-6 na dieta incluem diminuição de triglicerídeos e colesterol plasmáticos, melhora 
do sistema imune e prevenção de alguns tipos de câncer. Somando-se a isso, nas 
gestantes e lactantes, a dieta contendo grandes concentrações de ômega-3 e ômega-6 
favorece o desenvolvimento do cérebro e da retina do feto e do recém-nascido nos 
primeiros meses de vida. Muitos suplementosalimentares contêm o ômega-3 ácido 
α-linolênico, mas somente alguns contêm EPA e/ou DHA. Os suplementos contendo 
estes dois últimos oferecem resultados mais rápidos na redução de triglicerídeos e 
colesterol além de outros benefícios quando comparado com suplementos contendo 
somente ácido α-linolênico. 
 
 
 
Figura 17: Metabolismo dos ácidos graxos α-linolenato (18:1∆9,12,15) e o ácido linoleato 
(18:1∆9,12). Estes ácidos graxos são obtidos na dieta e usados na produção de outros 
ácidos graxos poliinsaturados. n-3 e n-6 significam respectivamente ômega-3 e 
ômega-6. Fontes: www.revista.hupe.uerj.br, acesso em 12/11/2014. 
 
Os triglicerídeos são produzidos no citoplasma das células do tecido adiposo e 
fígado. Ácidos graxos para a síntese dos triglicerídeos nestes órgãos podem vir de 
quilomícrons ou da síntese de ácidos graxos à partir do excesso de acetilCoA como 
explicado anteriormente. Glicerol para a síntese de triglicerídeos nestes órgãos pode vir 
de quilomícrons, da glicólise ou da gliceroneogênese. VLDLs também fornecem ácidos 
graxos e glicerol para tecido adiposo. Em ambos os casos o glicerol precisa ser 
convertido em glicerol 3-fosfato para dar início a síntese do triglicerídeo. No fígado e 
no tecido adiposo existe uma enzima glicerol quinase que converte o glicerol em 
glicerol 3-fosfato com gasto de 1 ATP. Na gliceroneogênese, o malato (um 
intermediário do ciclo de Krebs) deixa a matriz da mitocôndria e é convertido no 
citoplasma em oxaloacetato por ação da enzima malato desidrogenase dependente de 
NAD+. A enzima fosfoenolpiruvato carboxiquinase converte o oxaloacetato em 
fosfoenolpiruvato. Esta molécula, em um reverso da via glicolítica, e usando as mesmas 
enzimas da via, é convertida em dihidroxiacetona fosfato e posteriormente convertido 
em glicerol 3-fosfato por ação da enzima glicerol 3-fosfato desidrogenase para então ser 
usado na síntese do triglicerídeo. A dihidroxiacetona fosfato proveniente da glicólise 
também pode, por ação da mesma enzima ser convertida em glicerol 3-fosfato. 
Com o glicerol 3-fosfato criado no citoplasma da célula, o próximo passo é 
encaixar 3 ácidos graxos na molécula. Estes ácidos graxos precisam estar ativados com 
coenzimaA (explicado anteriormente), para a montagem dos triglicerídeos, assim 6 
ligações fosfatos de alta energia (2 para cada ácido graxo ativado) são consumidos. 
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Inicialmente, uma enzima aciltransferase transfere sequencialmente 2 acilCoA para os 
carbonos 1 e 2 do glicerol 3-fosfato, criando o ácido fosfatídico. CoenzimaA é liberada 
após cada ligação do ácido graxo no glicerol 3-fosfato. Em seguida, por ação da enzima 
fosfatase, o glicerol 3-fosfato tem o seu fosfato do carbono 3 removido (criando o 
diacilglicerol ou diglicerídeo) e em seguida a enzima aciltransferase transfere um 
terceiro acil para o termino da montagem do triglicerídeo (figura 18). Como as 
aciltransferases são específicas para cada ácido graxo, no carbono 1 do glicerol 
costumam ser colocados ácidos graxos saturados e nos carbonos 2 e 3, ácidos graxos 
insaturados. No tecido adiposo este triglicerídeo será armazenado para uso futuro. No 
fígado este triglicerídeo será empacotado em VLDL (explicado anteriormente). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 18: Síntese de triglicerídeos. Os triglicerídeos são formados à partir de glicerol 
3-fosfato e três acilCoA. Fonte: Devlin, manual de Bioquímica com correlações 
clínicas. 
 
Degradação de triglicerídeos 
 
 A fonte de triglicerídeos é o tecido adiposo. A degradação de triglicerídeos é 
mediada por lípases que vão liberando sequencialmente os três ácidos graxos de cada 
triglicerídeo (figura 19). Estes ácidos graxos vão então para o sangue, se ligam à 
proteína albumina (pois precisam ser transportados na forma de lipoproteínas) e são 
transportados principalmente para músculos e córtex renal para serem usados na 
produção de energia. O glicerol resultante da quebra do triglicerídeo pode, no próprio 
adiposo, ser fosforilado a glicerol 3-fosfato pela enzima glicerol quinase. Em seguida, 
por ação das enzimas glicerol 3-fosfato desidrogenase dependente de NAD+ e triose 
fosfato isomerase, o glicerol 3-fosfato se converte em gliceraldeído 3-fosfato com 
produção de NADH + H+. O gliceraldeído entra na via glicolítica para produção de 
energia. Como explicado anteriormente, o glicerol pode também ir para o sangue com 
destino ao fígado para ser usado na gliconeogênese. 
 
 
 
Figura 19: Hidrólise de triglicerídeos. Lípases removem sequencialmente os ácidos 
graxos dos triglicerídeos os separando do glicerol. Fonte: www.scielo.br, acesso em 
12/11/2014. 
 
Síntese de lipídios de membrana 
 
 Os lipídios de membrana são os fosfolipídios (glicerofosfolipídios e 
esfingolipídios) e esteróis. Os glicerofosfolipídios sintetizados são a 
fosfatidiletanolamina, a fosfatidilcolina, a fosfatidilserina, o fosfatidilinositol, o 
fosfatidilglicerol e a cardiolipina. Os esfingolipídios sintetizados são a esfingomielina, 
os cerebrosídeos, os globosídeos e os gangliosídeos. Com exceção de hemácias 
maduras, todas as células humanas sintetizam fosfolipídios e esteróis, inclusive todos os 
seres vivos do planeta. Já a síntese de esteróis ocorre somente nos eucariontes. 
 A síntese de glicerofosfolipídios ocorre nas membranas do retículo 
endoplasmático e depende da produção inicial de ácido fosfatídico e em seguida do 
diacilglicerol (figura 18). Este, além de ser usado na síntese de triglicerídeos (explicado 
anteriormente), também pode ser usado na síntese de fosfolipídios. 
Fosfatidilcolina é formada a partir de colina (uma vitamina) que é fosforilada à 
fosfocolina por ação da enzima colina quinase e ativada com CDP (citidina difosfato), 
por ação da enzima fosfocolina citidiltransferase (ou CTP-colina citidil transferase), 
formando CDP-fosfocolina. A colina assim é transferida para o diacilglicerol, por ação 
da colina fosfotransferase, formando a fosfatidilcolina (figura 20). A 
fosfatidiletanolamina é formada similarmente: é fosforilada e ativada com CDP, 
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formando CDP-etanolamina que é transferida à diacilglicerol formando 
fosfatidiletanolamina. As enzimas possuem nomes similares (etanolamina quinase, 
fosfoetanolamina citidiltransferase e etanolamina fosfotransferase). A própria 
fosfatidiletanolamina pode ser, no fígado, convertida em fosfatidilcolina através de 3 
metilações seqüenciais catalisada pela enzima fosfatidiletanolamina-N-metiltransferase 
(figura 20). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 20: Estruturas da fosfatidiletanolamina e fosfatidilcolina e via de produção da 
fosfatidilcolina. Em A, a estrutura molecular da fosfatidiletanolamina e em B a via de 
produção da fosfatidilcolina, que inclusive pode ser produzida diretamente pela 
fosfatidiletanolamina. A via de produção da fosfatidiletanolamina não está mostrada 
pelo fato de ser idêntica a da fosfatidilcolina. Fonte: Lehninger, princípios de 
Bioquímica. 
 
O fosfatidilinositol segue uma via um pouco diferente da formação da 
fosfatidiletanolamina e fosfatidilcolina: neste caso não é o inositol (uma vitamina) que é 
fosforilado e ativado com CDP, mas sim o próprio diacilglicerol, que em seguida recebe 
o inositol por ação da fosfatidilinositol sintase, formando o fosfatidilinositol (figura 21). 
Fosfatidilinositol quinases específicas convertem fosfatidilinositol em seus derivados 
fosforilados como o fosfatidilinositol 4,5-bifosfato (figura 6). Fosfatidilglicerol e 
cardiolipina seguem via semelhante: o diacilglicerol ativado com CDP recebe glicerol 
3-fosfato por ação da enzima fosfatidilglicerol 3-fosfato sintase e se converte em 
diacilglicerol 3-fosfato. Uma fosfatase remove o fosfato para finalizar o 
fosfatidilglicerol. Uma enzima cardiolipina sintase pode promover a condensação de um 
fosfatidilglicerol com CDP-diacilglicerol para formar a cardiolipina (figura 21).

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