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DISCIPLINA : _________________________________________________ PROFESSOR(A): ______________________________________________ SAO DOMINGOS -MA 2026 Instituto de Educação Santa Maria-IESM CNPJ: 44.033.954/0001-76 Curso: Licenciatura em Pedagogia Diretor Pedagógico: Prof.Esp.Francisco Barroso de Sousa Diretor Geral: Prof.Esp.Francisco Marcos Ferreira Lima Competência 01 3 Fundamentos Históricos da Educação INTRODUÇÃO Figura 1 - Educação para Todos Fonte: mariajprn.blogspot.com Construir um texto diante da perspectiva histórica nos conduz a um diálogo entre o presente e o passado e, sobretudo, a influência maciça do passado sobre nossas posturas educacionais atuais, e tal influencia às vezes é bastante contraditória no que diz respeito a história da educação. Tais contradições se apresentam, pois cada “escrita da história” se apresenta de forma diferenciada, e traz em si uma variante de concepções de quem a escreve e de que forma foi apresentada. Cada relato histórico é a leitura do fato e não o “fato” em si, mas a representação deste é filtrada à luz do olhar de quem a escreve. Assim, a representação do passado e do que se considera importante representar é um processo em constante mudança, que configura e reconfigura os momentos da história da educação. Devemos salientar que o fazer da escrita histórica é mutável, porque o historiador, no presente, problematiza o passado, reescrevendo-o constantemente. Competência 01 4 Técnico em Secretaria Escolar I Figura 2 - Da cartilha ao Tablet Fonte: educarparacrescer.abril.com.br A História da Educação Brasileira não é difícil de ser estudada e compreendida, pois a mesma tem evoluído por meio dos tempos em rupturas, construções e desconstruções marcantes e de fácil observação. O primeiro marco foi a chegada dos portugueses a esta nação. Não podemos deixar de reconhecer que os portugueses trouxeram um padrão de educação próprio da Europa, mas as populações que por aqui viviam já possuíam características próprias de se fazer educação. Como exemplo temos que quando os jesuítas chegaram por aqui eles não trouxeram somente a moral, os costumes e a religiosidade europeia, trouxeram também os métodos pedagógicos. O método jesuíta de ensino foi vivenciado em nosso país de 1549 a 1759 quando a expulsão dos jesuítas pelo Marquês de Pombal marcou mais uma vez a história da educação. Na verdade não se conseguiu implantar um sistema educacional nas terras brasileiras, mas a vinda da Família Real permitiu uma nova ruptura com a situação anterior. Para preparar terreno para sua estadia no Brasil D. João VI abriu Academias Militares, Escolas de Direito e Medicina, a Biblioteca Real, o Jardim Botânico e, sua iniciativa mais marcante em termos de mudança, a Imprensa Régia. Segundo alguns autores o Brasil foi finalmente “descoberto” e a nossa História passou a ter uma complexidade maior no que diz respeito à educação. Competência 01 5 Fundamentos Históricos da Educação Sendo relegada ainda a segundo plano, a educação brasileira teve sua primeira universidade fundada apenas em 1934, em São Paulo. Em todo o Império, incluindo D. João VI, D. Pedro I e D. Pedro II, pouco se fez pela educação brasileira e muitos reclamavam de sua qualidade ruim. Com a Proclamação da República tentou-se várias reformas que pudessem dar uma nova guinada, mas se observarmos bem, a educação brasileira não sofreu um processo de evolução que pudesse ser considerado marcante ou significativo em termos de modelo. Portanto encontraremos e buscaremos juntos, compreender a construção e organização das instituições escolares, bem como a função da mesma na sociedade e suas classes. Competência 01 6 Técnico em Secretaria Escolar 1. COMPETÊNCIA 01 | COMPREENDER A CONSTRUÇÃO, ORGANIZAÇÃO E O SIGNIFICADO DAS INSTITUIÇÕES ESCOLARES Figura 3 - Sala de Aula Fonte: www.colegioportinarislg.com.br 1.1 Instituição Escolar e sua Razão de Existir Buscar compreender o papel ou a missão de uma escola tem como propósito oferecer subsídios para professores e alunos refletirem sobre para que e para quem a escola deve existir. Pertinente, tanto na formação de educadores, quanto nas discussões realizadas em instituições escolares, o que é importante saber é que para que uma escola exista, e isto é o mesmo que delinear ações para serem desenvolvidas, é mostrar suas características, sua conduta e identidade. Observar estudantes a caminho da escola nos deveria conduzir a um questionamento: O que esses alunos aprenderão? Como será a estadia nessa instituição chamada Escola? Qual a sua missão? Para que e para quem ela existe? Afinal uma escola não se define pelo seu nome, regimento ou pelos cursos que ministra, mas sim, por sua missão, o que ela é ou pretende ser, e que serviços presta à comunidade. http://www.colegioportinarislg.com.br/site2011/?p=a_escola/instalacoes Competência 01 7 Fundamentos Históricos da Educação A escola existe para prestar um serviço à sociedade, preparando o indivíduo para se inserir no mundo em que vive, interpretando e pensando a realidade como um todo, de forma autônoma, tornando-o capaz de criticar e desenvolver expectativas e projetos em relação ao conjunto da sociedade. (SEEMG, 1997, p. 11) Para Paulo Freire (1981, p. 36) a principal função da educação é seu caráter libertador. Acredita que, ensinar seria, fundamentalmente, educar para a liberdade; a “educação para o homem-sujeito”. Compreende a educação, não como condicionamento social, mas voltada para a liberdade e a autonomia. É, portanto a função da escola, garantir a democracia e tornar a cultura acessível a todos. Afinal a democratização da cultura começa na escola. Assim, sem a escola não há base cultural mínima necessária para que o indivíduo acompanhe os progressos da sociedade e progrida intelectualmente. É neste momento que fica claro a todo professor e comunidade escolar que a escola é o cenário preparatório para a vida em sociedade e a formação do ser humano com bases na ética e no conhecimento sócio-histórico de seu país. Tanto a Constituição de 1988 quanto a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) nº. 9.394 de 20 de dezembro de 1996 definem o papel da escola como capaz de contribuir para o pleno desenvolvimento da pessoa, preparando-a para a cidadania e qualificando-a para o trabalho, formando mais que informando, formando cidadãos. Um ensino de qualidade que busca formar cidadãos capazes de interferir criticamente na realidade para transformá-la deve também contemplar o desenvolvimento de capacidades que possibilitem adaptações às complexas condições e alternativas de trabalho que temos hoje e a lidar com a rapidez na produção e na circulação de novos conhecimentos e informações, que têm sido avassaladores e crescentes. A formação escolar deve possibilitar aos Competência 01 8 Técnico em Secretaria Escolar alunos condições para desenvolver competências e consciência profissional, mas não se restringir ao ensino de habilidades imediatamente demandadas pelo mercado de trabalho. (PCNs 1997, p. 3) Figura 4 - Herdeiros do Futuro Fonte: filhosdosertao.blogspot.com Assim no lugar de uma escola que se limita a ensinar ao aluno a fazer provas, surge outra que estimula sua vontade de aprender, seu espírito crítico, sua capacidade de resolver problemas. Diante do exposto, se nós observarmos os PCNs veremos que eles apresentam a função da escola primordial, ou seja, que os alunos sejam capazes de: Compreender a cidadania como participação social política; Posicionar-se de maneira crítica, responsável e construtiva nas diferentes situações sociais; Conhecer características fundamentais do Brasil nasdimensões sociais, materiais e culturais; Conhecer e valorizar a pluralidade do patrimônio sociocultural brasileiro; Perceber-se integrante, dependente e agente transformador do ambiente; Conhecer o próprio corpo e dele cuidar cultivando hábitos saudáveis; Ser questionador da realidade. (Parâmetros curriculares nacionais, 1997, p 3 – 4 ) Competência 01 9 Fundamentos Históricos da Educação Assim, cabe à Escola tornar o indivíduo um cidadão, capacitando-o para o exercício da sua cidadania, em que possa ser reconhecedor dos seus direitos e deveres de cidadão. Segundo Candau, (1999, p. 45) a escola é uma instituição que faz parte da história de vida de muitas pessoas, assim: A concepção de escola que se foi consolidando apresenta como uma instituição orientada fundamentalmente a promover a apropriação do conhecimento considerado socialmente relevante e a formação para a cidadania. (...) É no cruzamento, na interação, no reconhecimento da dimensão histórica e social do conhecimento que a escola está chamada a se situar. Assim ensinar o cidadão a ser democrático e lutar por seus direitos, ter consciência de seus deveres, de sua liberdade e da liberdade do outro. Sendo assim, cabe à escola elaborar regras de conduta, e outros meios que levem a criança a agir como se estivesse na real sociedade que existe. Cabe também à família e aos membros da comunidade, contribuir com a escola para que esta tenha seu trabalho exercido de forma eficiente. 1.2 Organização e Constituição Escolar Vamos conhecer alguns fatores básicos sobre o processo de organização escolar e atuação dos professores e do pessoal técnico-administrativo. Para tal fim, vamos nos deter mais profundamente nos seguintes aspectos: as concepções de organização e gestão escolar; a estrutura organizacional da escola; os elementos constitutivos do processo organizacional. Observar a escola como organização de trabalho não é algo novo, a todo tempo nos deparamos com pesquisas quanto à administração escolar. Tais estudos sempre estiveram marcados por uma visão burocrática deixando a Competência 01 10 Técnico em Secretaria Escolar organização escolar muito ligada à visão empresarial, e estes estudos estavam ligados ao campo da Administração e Organização Escolar ou, simplesmente, Administração Escolar. Na década de 80, diante de todos os pensamentos a cerca da necessidade de uma reforma pedagógica, o processo de administração escolar ou até mesmo o de organização escolar passou a ser visto como processo de Organização do Trabalho Pedagógico ou Organização do Trabalho Escolar, adotando um enfoque mais crítico, onde os aspectos organizacionais e técnico- administrativos da escola, neste momento, foram a segundo plano, Figura 5 - Haja Cuca Fonte: mettamorfoze.blogspot.com É nesta hora que nos deparamos com duas visões: uma científica e racional e a outra crítica, de cunho sócio-político. No primeiro modelo, a organização escolar é tomada como uma realidade objetiva, neutra, técnica, que funciona racionalmente; portanto, pode ser planejada, organizada e controlada, de modo a alcançar maiores índices de eficácia e eficiência. As escolas que operam nesse modelo dão muito peso à estrutura organizacional: organograma de cargos e funções, hierarquia de funções, normas e regulamentos, centralização das decisões, baixo grau de participação das pessoas que trabalham na organização, planos de ação feitos de cima para baixo. Este é o modelo mais comum de funcionamento da organização escolar. Competência 01 11 Fundamentos Históricos da Educação Já a segunda leitura vê a organização escolar como um sistema que agrega pessoas, importando bastante a intencionalidade e as interações sociais que acontecem entre elas, bem como o contexto sócio-político no qual elas estão inseridas. Para ficar mais claro este processo, vamos nos debruçar sobre três concepções de administração e gestão: Figura 6 - Vale a Pena Fonte: prefeiturateotonio.com.br A concepção técnico-científica baseia-se na hierarquia de cargos e funções visando à racionalização do trabalho, a eficiência dos serviços escolares. Tende a seguir princípios e métodos da administração empresarial. Algumas características desse modelo são: • Prescrição detalhada de funções, acentuando-se a divisão técnica do trabalho escolar (tarefas especializadas). • Poder centralizado do diretor, destacando-se as relações de subordinação em que uns têm mais autoridades do que outros. • Ênfase na administração (sistema de normas, regras, procedimentos burocráticos de controle das atividades), às vezes descuidando-se dos objetivos específicos da instituição escolar. • Comunicação linear (de cima para baixo), baseada em normas e regras. • Maior ênfase nas tarefas do que nas pessoas. Competência 01 12 Técnico em Secretaria Escolar A concepção autogestionária baseia-se na responsabilidade coletiva, ausência de direção centralizada e acentuação da participação direta e por igual de todos os membros da instituição. Outras características: • Ênfase nas inter-relações mais do que nas tarefas. • Decisões coletivas (assembleias, reuniões), eliminação de todas as formas de exercício de autoridade e poder. • Vínculo das formas de gestão interna com as formas de autogestão social (poder coletivo na escola para preparar formas de autogestão no plano político). • Ênfase na auto-organização do grupo de pessoas da instituição, por meio de eleições e alternância no exercício de funções. • Recusa a normas e sistemas de controle, acentuando-se a responsabilidade coletiva. A concepção democrático-participativa baseia-se na relação orgânica entre a direção e a participação do pessoal da escola. Acentua a importância da busca de objetivos comuns assumidos por todos. Defende uma forma coletiva de gestão em que as decisões são tomadas coletivamente e discutidas publicamente. Entretanto, uma vez tomadas as decisões coletivamente, cada membro da equipe deve assumir a sua parte no trabalho, admitindo-se a coordenação e avaliação sistemática da operacionalização das decisões tomadas dentro de tal diferenciação de funções e saberes. Outras características desse modelo: • Definição explícita de objetos sócio-políticos e pedagógicos da escola, pela equipe escolar. • Articulação entre a atividade de direção e a iniciativa e participação das pessoas da escola e das que se relacionam com ela. • A gestão é participativa, mas espera-se, também, a gestão da participação. • Qualificação e competência profissional. Competência 01 13 Fundamentos Históricos da Educação • Busca de objetividade no trato das questões da organização e gestão, mediante coleta de informações reais. • Acompanhamento e avaliação sistemáticos com finalidade pedagógica: diagnóstico, acompanhamento dos trabalhos, reorientação dos rumos e ações, tomada de decisões. • Todos dirigem e são dirigidos, todos avaliam e são avaliados. Este modelo democrático-participativo defende que a escola não é uma estrutura totalmente objetiva, independente das pessoas, ao contrário, ela depende muito das experiências subjetivas das pessoas e de suas interações sociais. Em outras palavras, dizer que a organização é uma cultura significa dizer que ela é construída pelos seus próprios membros. Tal modelo busca relações solidárias, formas participativas, mas também valoriza os elementos internos do processo organizacional- o planejamento, a organização e a gestão, a direção, a avaliação, as responsabilidades individuais dos membros da equipe e a ação organizacional coordenada e supervisionada. Assim as concepções de gestão escolar refletem, portanto, posições políticas e concepções de homem e sociedade. O modo como uma escola se organiza e se estrutura tem um caráterpedagógico, ou seja, depende de objetivos mais amplos sobre a relação da escola com a conservação ou a transformação social. 1.3 A Estrutura Organizacional de Uma Escola Toda instituição escolar necessita de uma estrutura de organização interna. O termo estrutura tem aqui o sentido de ordenamento e disposição das funções que asseguram o funcionamento da escola. Vejamos algumas com suas determinadas atribuições. Competência 01 14 Técnico em Secretaria Escolar • Conselho Escolar O Conselho de Escola tem atribuições consultivas, deliberativas e fiscais em questões definidas na legislação estadual ou municipal e no Regimento Escolar. Essas questões, geralmente, envolvem aspectos pedagógicos, administrativos e financeiros. Em vários Estados o Conselho é eleito no início do ano letivo. Sua composição tem certa proporcionalidade de participação dos docentes, dos especialistas em educação, dos funcionários, dos pais e alunos, observando-se, em princípio: • Direção Escolar A equipe gestora coordena, organiza e gerencia todas as atividades da escola, auxiliado pelos demais componentes do corpo de especialistas e de técnicos- administrativos, atendendo às leis, regulamentos e determinações dos órgãos superiores do sistema de ensino e às decisões no âmbito da escola e pela comunidade. • Setor Técnico-Administrativo O setor técnico-administrativo responde pelas atividades-meio que asseguram o atendimento dos objetivos e funções da escola. A Secretaria Escolar cuida da documentação, escrituração e correspondência da escola, dos docentes, demais funcionários e dos alunos. Responde também pelo atendimento ao público. Para a realização desses serviços, a escola conta com um secretário e escriturários ou auxiliares da secretaria. O setor técnico-administrativo responde, também, pelos serviços auxiliares (Zeladoria, Vigilância e Atendimento ao público) e Multimeios (biblioteca, laboratórios, videoteca etc.). Competência 01 15 Fundamentos Históricos da Educação A Zeladoria, responsável pelos serventes, cuida da manutenção, conservação e limpeza do prédio; da guarda das dependências, instalações e equipamentos; da cozinha e da preparação e distribuição da merenda escolar; da execução de pequenos consertos e outros serviços rotineiros da escola. A Vigilância cuida do acompanhamento dos alunos em todas as dependências do edifício, menos na sala de aula, orientando-os quanto a normas disciplinares, atendendo-os em caso de acidente ou enfermidade, como também do atendimento às solicitações dos professores quanto a material escolar, assistência e encaminhamento de alunos. O serviço de Multimeios compreende a biblioteca, os laboratórios, os equipamentos audiovisuais, a videoteca e outros recursos didáticos. • Pedagógico O setor pedagógico compreende as atividades de coordenação pedagógica e orientação educacional. As funções desses especialistas variam conforme a legislação estadual e municipal, sendo que em muitos lugares suas atribuições ora são unificadas em apenas uma pessoa, ora são desempenhadas por professores. Como são funções especializadas, envolvendo habilidades bastante especiais, recomenda-se que seus ocupantes sejam formados em cursos de Pedagogia ou adquiram formação pedagógico-didática específica. O coordenador pedagógico ou professor coordenador supervisiona, acompanha, assessora, avalia as atividades pedagógicas curriculares. Sua atribuição prioritária é prestar assistência pedagógica e didática aos professores em suas respectivas disciplinas, no que diz respeito ao trabalho interativo com os alunos. Há lugares em que a coordenação restringe-se à disciplina em que o coordenador é especialista; em outros, a coordenação se faz em relação a todas as disciplinas. Outra atribuição que cabe ao coordenador pedagógico é o relacionamento com os pais e a comunidade, Competência 01 16 Técnico em Secretaria Escolar especialmente no que se refere ao funcionamento pedagógico-curricular e didático da escola e comunicação e interpretação da avaliação dos alunos. • Professores O Corpo docente é constituído pelo conjunto dos professores em exercício na escola, que tem como função básica realizar o objetivo prioritário da escola, o ensino. Os professores de todas as disciplinas formam, junto com a direção e os especialistas, a equipe escolar. Além do seu papel específico de docência das disciplinas, os professores também têm responsabilidades de participar na elaboração do plano escolar ou projeto pedagógico-curricular, na realização das atividades da escola e nas decisões dos Conselhos de Escola e de classe ou série, das reuniões com os pais (especialmente na comunicação e interpretação da avaliação), da APM e das demais atividades cívicas, culturais e recreativas da comunidade. Diante do exposto devemos salientar que a gestão democrática-participativa valoriza a participação da comunidade escolar no processo de tomada de decisão, concebe a docência como trabalho interativo, aposta na construção coletiva dos objetivos e funcionamento da escola, por meio da dinâmica intersubjetiva, do diálogo, do consenso. Nos itens interiores mostramos que o processo de tomada de decisão inclui, também, as ações necessárias para colocá-la em prática. Em razão disso, faz- se necessário o emprego dos elementos ou processo organizacional, tal como veremos adiante. De fato, a organização e gestão referem-se aos meios de realização do trabalho escolar, isto é, à racionalização do trabalho e à coordenação do esforço coletivo do pessoal que atua na escola, envolvendo os aspectos, físicos e materiais, os conhecimentos e qualificações práticas do educador, as relações humanas interacionais, o planejamento, a administração, a formação continuada, a avaliação do trabalho escolar. Tudo em função de atingir os Competência 01 17 Fundamentos Históricos da Educação objetivos. Ou seja, como toda instituição as escolas buscam resultados, o que implica uma ação racional, estruturada e coordenada. Ao mesmo tempo, sendo uma atividade coletiva, não depende apenas das capacidades e responsabilidades individuais, mas de objetivos comuns e compartilhados e de ações coordenadas e controladas dos agentes do processo. O processo de organização educacional dispõe de elementos constitutivos que são, na verdade, instrumentos de ação mobilizados para atingir os objetivos escolares, tais como: • Planejamento - processo de explicitação de objetivos e antecipação de decisões para orientar a instituição, prevendo-se o que se deve fazer para atingi-los. • Organização - Atividade através da qual se dá a racionalização dos recursos, criando e viabilizando as condições e modos para se realizar o que foi planejado. • Direção/Coordenação - Atividade de coordenação do esforço coletivo do pessoal da escola. • Formação continuada - Ações de capacitação e aperfeiçoamento dos profissionais da escola para que realizem com competência suas tarefas e se desenvolvam pessoal e profissionalmente. • Avaliação - comprovação e avaliação do funcionamento da escola. Competência 02 18 Técnico em Secretaria Escolar 2. COMPETÊNCIA 02 | PERCEBER AS FUNÇÕES DA ESCOLA NA SOCIEDADE CAPITALISTA E AS RELAÇÕES ENTRE AS CLASSES SOCIAIS E EDUCAÇÃO 2.1 Função da Escola em Meio a uma Sociedade Capitalista Figura 7 - Educação Financeira Fonte: entretenimento.r7.com Observar o papel da escola na sociedade capitalista é também analisar o papel do Estado como mantenedor da escola pública. Então qual será o papel desta escola que temos atualmente? Pensar na função social da educação e da escola no processo de formação dos homens como sujeitos históricos que organizam a sociedade. Nesse sentido, só podemos discutir a função educacional como umaconstrução histórica. Vejamos: Os fins da educação derivam da estrutura homogênea do ambiente social, identificam-se como os interesses comuns do grupo, e se realizam igualitariamente em todos os seus membros, de modo espontâneo e integral: espontâneo na medida em que não existe nenhuma instituição destinada a inculcá-los, integral no sentido que cada membro da tribo incorporava, mais Competência 02 19 Fundamentos Históricos da Educação ou menos bem, tudo o que na referida comunidade era possível receber e elaborar (PONCE, 1994, p. 21). Com as mudanças da vida em sociedade, no próprio homem e o momento de mudança da comunidade primitiva para a antiguidade, novas formas de organização surgem, com a substituição da propriedade comum pela propriedade privada. A relação entre os homens, que na sociedade primitiva se fundamentava na propriedade coletiva, passa a ser privada e o que rege as relações é o poder do homem, que se impõe aos outros homens, diante disto PONCE expõe que: Com o desaparecimento dos interesses comuns a todos os membros iguais de um grupo e a sua substituição por interesses distintos, pouco a pouco antagônicos, o processo educativo, que até então era único, sofreu uma partição: a desigualdade econômica entre os ‘organizadores’ e os ‘executores’ trouxe, necessariamente, a desigualdade das educações respectivas (PONCE, 1994, p. 27). Assim, os ideais educacionais não são mais os mesmos para todos, onde a classe dominante tenta fazer com que a classe trabalhadora aceite essa desigualdade educacional como desigualdade natural, sendo, assim, inútil lutar contra ela. Com o advento da sociedade capitalista as relações sociais de produção, as concepções de homem, de trabalho e de educação começam a mudar. O homem não é aquele ser histórico que se humaniza nas relações com outros homens, e desce ao patamar de indivíduo que vende a sua força de trabalho e, ao vendê-la, transforma-se em fator de produção. Assim a educação, para a classe dominante, deve habilitar técnica, social e ideologicamente os diversos grupos de trabalhadores, para servir ao mundo do trabalho. Competência 02 20 Técnico em Secretaria Escolar Porém sob a ótica da classe trabalhadora a educação é, antes de qualquer coisa, desenvolvimento de potencialidades e apropriação de saber social, que visa a formação integral do homem, ou seja, o desenvolvimento físico, político, social, cultural, filosófico, profissional, afetivo, entre outros. Considerando que os sujeitos históricos, o projeto de educação a ser desenvolvido nas nossas escolas têm que estar pautado na realidade, visando a sua transformação, pois se compreende que a realidade não é algo pronto e acabado. Não se trata, no entanto, de atribuir à escola nenhuma função heroica, mas reconhecer seu incontestável papel social no desenvolvimento de processos educativos, na sistematização e socialização da cultura produzida pelos homens. Ao pensarmos na educação e na escola, entendemos a educação no seu sentido ampliado, enquanto prática social que se dá nas relações sociais que os homens estabelecem entre si. Nesse sentido, a escola, enquanto criação do homem, só se justifica e se legitima diante da sociedade, ao cumprir a finalidade para a qual foi criada, formadora de sujeitos históricos onde a construção e a socialização do conhecimento produzido é sua própria essência. Assim a educação, como prática social se desenvolve nas relações estabelecidas entre os grupos, seja na escola ou em outras esferas da vida social na perspectiva de articular as concepções, a organização dos processos e dos conteúdos educativos na escola e, mais amplamente, nas diferentes esferas da vida social, aos interesses de classes. Sendo assim, a educação se constitui numa atividade humana e histórica que se define na totalidade das relações sociais. Nessa ótica, as relações sociais desenvolvidas nas diferentes esferas da vida social, inclusive no trabalho, constituem-se em processos educativos, assim como os processos educativos desenvolvidos na escola consistem em Competência 02 21 Fundamentos Históricos da Educação processos de trabalho, desde que este seja entendido como ação e criação humanas. Segundo Frigotto (1999), a escola é uma instituição social que, mediante sua prática no campo do conhecimento, dos valores, atitudes e, mesmo por sua desqualificação, articula determinados interesses e desarticula outros. Nessa contradição existente no seu interior, está à possibilidade da mudança, assim, pensar na função social da escola implica repensar no seu próprio papel, sua organização e os atores que a compõem. Já sabemos então que a escola contribui para o processo de reprodução da ordem social e também participa da sua transformação. Assim, o dirigente escolar, o professor, os pais de alunos e a comunidade em geral precisam entender que a escola é um espaço contraditório e, portanto, se torna fundamental que ela construa seu Projeto Político-Pedagógico. Portanto, nessa concepção de gestão, a função do dirigente escolar não se restringe ao desenvolvimento das atividades burocráticas e à organização do trabalho na escola. Portanto, as discussões atuais em torno da educação e do trabalho têm sido abordadas de diferentes maneiras e para compreendermos o quadro atual sobre o Estado, o capitalismo e a escola é preciso que primeiramente nos inteiremos da organização do trabalho tomando como pressuposto Marx & Engels (1992) que abordam o trabalho como definidor do homem e regente das relações sociais. Com a Revolução Industrial surge um novo padrão de tecnologias para a concentração técnica e financeira e HELOANI, 1996 diz: A concentração de mercados permitiu a produção em série e os altos lucros. No nível da fábrica, a extensão de mercado exigiu a introdução de novos instrumentos de trabalho e a redefinição do trabalho para atender à velocidade e o novo ritmo de produção. (HELOANI, 1996 p. 11) Competência 02 22 Técnico em Secretaria Escolar Heloani ressalta então que podemos observar que desde o final do século XIX o desenvolvimento das máquinas e ferramentas simplificou o trabalho e agregou às fábricas um grande número de trabalhadores que não eram especializados. Com isso as fábricas, na figura de seus patrões, passaram a ter grande domínio sobre os trabalhadores, e diante do abuso por parte das fábricas os sindicatos voltam a agir, surgindo assim greves e movimentos de resistências, demonstrando o descontentamento dos trabalhadores. A superação da propriedade privada é a emancipação plena de todos os sentidos e qualidades; humanos; porém, é esta emancipação precisamente porque todos estes sentidos e qualidades tornaram-se humanos, tanto no sentido objetivo quanto subjetivo. (MARX; ENGELS, 1992, p.34) Marx & Engels (1992) defendem uma escola voltada para o proletariado que superasse a divisão do trabalho e os conflitos entre as classes. Assim entendem que para que os homens sejam emancipados é preciso que isto ocorra em todos os níveis, inclusive o da consciência, e a educação fundamentada na ciência e na razão possibilitariam tal emancipação. Para isso, seria necessário que a educação e a escola passassem a ser consideradas como um instrumento de empoderamento das classes de trabalhadores, para a transformação da sociedade capitalista em uma sociedade comum a todos. 2.2 Classes Sociais e Educação Figura 8 - Sucesso Fonte: fotografia.folha.uol.com.br Competência 02 23 Fundamentos Históricos da Educação A desigualdade social é elemento cada vez mais presente no cotidiano das grandes cidades brasileiras. Este fenômeno tem se caracterizado como marca dos grandes centros urbanos, que são capazes de congregar, em uma mesma localidade, diferentes grupos sociais com interesseseconômicos, políticos e sociais diferentes. Segundo PONCE (2005), o sistema educacional constituiu-se a partir do momento em que a sociedade se estruturou em classes social antagônicas, com o fim da chamada sociedade primitiva. Os interesses e as necessidades da classe social dominante passaram a delimitar o campo da Educação na medida em que passou a servir para a dominação social de poucos sobre muitos. O referido autor, ao analisar a gênese da escola, entende que esta instituição surgiu a partir do fato de que a dominação militar e política não surtiam mais os efeitos desejados em uma sociedade, que se tornava cada vez mais complexa e multifacetada. Neste sentido, o sistema educacional é considerado um elemento da crise da estrutura do capitalismo, diante de desafios e limites que se impõem na construção da emancipação humana. O sistema educacional, fruto de um processo histórico, configura-se no bojo das relações sociais e de produção, que dividiram e ainda dividem a sociedade em grupos econômicos distintos e, ainda mais, estabelece uma relação entre classes sociais antagônicas. Sendo assim, a necessidade de se construir um aparato de dominação ideológica e intelectual encontrou, na escola e no sistema educacional em geral, seu ponto de apoio. A necessidade de se apropriar da atividade intelectual e das técnicas refinadas de produção passou a compor o rol da divisão social do trabalho e, neste sentido, a classe dominante passou a compreender a Educação como Competência 02 24 Técnico em Secretaria Escolar elemento fundamental para a manutenção da desigualdade social, uma vez que os conhecimentos científicos e tecnológicos passaram a ser compreendidos como, cada vez mais necessários para o desenvolvimento do sistema produtivo (SOARES, 2004; TONET, 2005). Neste sentido, desigualdade social e sistema educacional são dois elementos que encontram raízes no próprio processo produtivo e que, dessa forma, não podem ser analisadas fora do bojo da sociedade capitalista. O sistema educacional assume, portanto, um papel fundamental na manutenção da alienação e da divisão social do trabalho, na medida em que as escolas têm se configurado como um espaço estratégico de convivência social, pautada pela reprodução da dinâmica da sociedade capitalista. Partindo da concepção de que a sociedade capitalista se estrutura a partir das relações de produção, orientadas pelo capital, a relação entre os indicadores educacionais e a desigualdade de renda deve ser prioridade em uma análise acerca da desigualdade social e os níveis de escolaridade. O papel que o sistema educacional exerce para a manutenção da desigualdade social pode ser analisado com mais clareza, a partir do impacto do neoliberalismo na acentuação da tensão existente entre Educação pública e privada. A palavra crise, quando esta se refere ao contexto das políticas educacionais, não é unanimidade entre as pessoas. Ela ganha espaço de acordo com a concepção que se adota sobre o assunto, sobre a função das instituições educacionais e suas potencialidades. Afinal, se considerarmos que o Estado não tem responsabilidade sobre a Educação e que, sua finalidade deve ser mercantilista e de preparação para o mercado, não caberia aqui a utilização deste termo. Neste sentido, a compreensão do quadro atual remete, portanto, a uma leitura referenciada por determinada opção ético-política. Competência 02 25 Fundamentos Históricos da Educação Segundo FREIRE (1973), a Educação pode dirigir-se a dois caminhos: para contribuir para o processo de emancipação humana, ou para domesticar e ensinar a ser passivo diante da realidade que está posta. Assim, a educação deve também ter agentes que se posicionem diante da realidade, que optem pela construção de um saber comprometido com a maioria popular, ou que fiquem alheios a essas questões e contribuam para a manutenção das desigualdades. A opção majoritária das instituições educacionais parece seguir claramente os padrões neoliberais e apresenta, portanto, uma dependência em relação às demandas do mercado de trabalho, o que coaduna com um processo educativo fragmentado da realidade, com sentido, apenas, para ser aplicado à lógica dominante, geradora da passividade e da submissão aos valores consumistas, mas que se apresenta, por outro lado, com um discurso "humanista" e "democrático" da escola cidadã (FREIRE, 1973; 2001; 2003; TONET, 2005). Visto que o sistema educacional subordina-se ao processo de trabalho, não é necessário ressaltar os limites da ação educativa, que se inscreve na ação sobre a consciência. Neste sentido, fica evidente a função ideológica exercida pela Educação na manutenção do sistema de relações de produção capitalista. Para a realização de uma Educação Emancipadora, é preciso que se considere a posição dos educadores, funcionários, alunos e suas famílias na estrutura produtiva. Essa concepção parte de uma análise sobre a emancipação humana que, compreendida a partir da transformação das relações de produção capitalistas, atenta para a tarefa histórica da classe trabalhadora na construção de uma alternativa ao sistema social vigente (TONET, 2005). A contribuição da Educação Emancipadora, neste sentido, é de trazer um olhar crítico sobre a sociedade capitalista, analisando-a como um sistema de classes, na busca de fomentar uma consciência acerca do papel político e econômico que a maioria da população exerce nesta sociedade. Isso corresponde a uma compreensão em que não se distingue teoria e prática, Competência 02 26 Técnico em Secretaria Escolar Educação e sociedade, e que, considera perfeitamente factível estabelecer uma relação entre a situação objetiva dos segmentos oprimidos da população, e a consciência sobre as necessidades e sobre as tarefas futuras da classe trabalhadora. Podemos considerar, portanto, a proposta de Educação emancipadora como uma proposta que deve ser incluída no contexto mais amplo da luta da classe trabalhadora, mas que pretende abrir espaços de diálogo acerca das contradições expostas pelo capitalismo, voltados para o avanço da consciência de professores, alunos e comunidade, em uma proposta que dê conta de refletir sobre as necessidades inscritas na vida das camadas populares, tendo como norte, a desnaturalização da desigualdade social. Afinal como nos diz Paulo Freire.