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CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO 
“LATO SENSU” (ESPECIALIZAÇÃO) A DISTÂNCIA 
FARMACOLOGIA – ATUALIZAÇÕES 
E NOVAS PERSPECTIVAS 
 
 
 
 
 
PLANTAS MEDICINAIS: 
UTILIZAÇÃO POPULAR E DIVERSIDADE 
QUÍMICA PARA A INDÚSTRIA 
 
 
 
 
ANA CARDOSO CLEMENTE F. F. DE PAULA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Universidade Federal de Lavras - UFLA 
Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão - FAEPE 
Lavras – MG 
 
 
Parceria 
 Universidade Federal de Lavras - UFLA 
 Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão - FAEPE 
Reitor 
 Antônio Nazareno Guimarães Mendes 
Vice-Reitor 
 Ricardo Pereira Reis 
Diretor da Editora 
 Marco Antônio Rezende Alvarenga 
Pró-Reitor de Pós-Graduação 
 Joel Augusto Muniz 
Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação “Lato Sensu” 
 Marcelo Silva de Oliveira 
Coordenador do Curso 
 Raimundo Vicente de Sousa 
Presidente do Conselho Deliberativo da FAEPE 
 Edson Ampélio Pozza 
Editoração 
 Centro de Editoração/FAEPE 
Impressão 
 Gráfica Universitária/UFLA 
 
Ficha Catalográfica preparada pela Divisão de Processos Técnicos da 
Biblioteca Central da UFLA 
Paula, Ana Cardoso Clemente F.F. de 
Plantas medicinais: utilização popular e diversidade química para a indústria / 
Ana Cardoso Clemente F. F. de Paula – Lavras: UFLA/FAEPE, 2003. 
 
65 p.: il. – Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” (Especialização) a 
Distância: Farmacologia – Atualizações e Novas Perspectivas. 
 
Bibliografia 
 
1. Planta medicinal. 2. Cultivo. 3. Coleta. 4. Identicação. 5. Princípio ativo. 
6. Farmacologia. 7. Planta tóxica. I. Universidade Federal de Lavras. II. 
Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão. III. Título. 
 
CDD – 633.88 
 - 581.634 
Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, 
por qualquer meio ou forma, sem a prévia autorização. 
 
 
 
S U M Á R I O 
1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE PLANTAS MEDICINAIS ................................... 5 
2 - CONCEITOS IMPORTANTES RELATIVOS AO ESTUDO .................................... 7 
3 - ASPECTOS RELACIONADOS À COLETA, PREPARO DO MATERIAL 
VEGETAL PARA IDENTIFICAÇÃO E PARA EXTRAÇÃO................................... 9 
4 - PROCESSOS EXTRATIVOS ............................................................................... 11 
5 - PRÍNCIPIOS ATIVOS DE PLANTAS ................................................................... 15 
6 - LOCALIZAÇÃO DOS PRINCÍPIOS ATIVOS NAS PLANTAS ............................. 28 
7 - ASPECTOS DO CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS ..................................... 44 
8 - MONOGRAFIAS DE PLANTAS LARGAMENTE UTILIZADAS ........................... 48 
9 - PLANTAS TÓXICAS COMUNS ........................................................................... 59 
10 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 63 
11 - LITERATURA CONSULTADA ........................................................................... 64 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1 
INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE 
PLANTAS MEDICINAIS 
 
O reino vegetal representa uma fonte inesgotável de recursos dos quais o homem 
vem utilizando desde épocas remotas. Assim, os vegetais são fontes primárias de 
alimentação humana e animal, recursos explorados pela indústria de alimentos, têxteis, 
combustíveis e farmacêutica. Muito embora estes recursos sejam renováveis, a falta de 
conhecimento e de escrúpulos na exploração dos mesmos, têm levado muitas espécies 
à extinção, sem sequer conhecer as suas potencialidades. 
As plantas vêm sendo utilizadas pelo homem para o tratamento de enfermidades 
desde épocas remotas. A utilização de espécies medicinais no tratamento de 
enfermidades e na recuperaçáo da saúde é tão antiga quanto a própria humanidade. 
Atualmente, se tem observado uma crescente expansão na indústria de fitoterápicos 
em decorrência do alto custo dos medicamentos industrializados e a ocorrência de 
efeitos colaterais provocados pelos mesmos. Além disso, a retomada de uma 
consciência ecológica tem levado à busca de medicamentos naturais visando a 
diminuição de efeitos colateriais indesejáveis e melhor qualidade de vida. Este aumento 
de demanda torna imperativo o conhecimento do potencial das plantas visando a 
comprovação dos efeitos terapêuticos, os princípios envolvidos com a atividade, bem 
como a utilização sustentatável dos recursos e a determinação de técnicas de cultivo 
visando a preservação das espécies de interesse farmacológico, que somente será 
possível a partir da possibilidade de realização pesquisas relacionando os diferentes 
aspectos sobre este vasto campo de estudos. 
Atualmente, devido ao alto custo ou a dificuldade de síntese de muitas moléculas 
complexas, muitos medicamentos ainda são obtidos de ervas, como atropina, cafeína, 
vincristina, morfina e taxol. As moléculas de plantas podem servir como modelos 
moleculares para a síntese de medicamentos, como é o caso das biguanidas e ácido 
acetil salicílico que foram baseados em compostos isolados de Galega oficinallis 
(Fabaceae) e Filipendula ulmaria (Rosaceae), respectivamente 
A avaliação do risco/benefício de plantas utilizadas com finalidade terapêutica, 
esbarra no fato de que a maioria dos estudos são incompletos em relação à segurança 
EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 
 
6 
e eficácia. As questões de segurança são extremamente complexas devido a 
automedicação, indicação de utilização e dosagem por pessoas não especializadas 
(Gill et al., 1994). 
Muitas pesquisas são necessárias para a validação de uma planta com uso 
terapêutico. Tratam-se de estudos multidisciplinares que devem promover interações 
entre as diversas áreas do conhecimento, a fim de proporcionar um modo de utilização 
racional das plantas, com garantia de eficácia e segurança, como sumarizado na Figura 
1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1- Diferentes áreas do conhecimento envolvidas nos estudos de plantas 
com ação terapêutica. 
 
 
 
 
EFICÁCIA E 
SEGURANÇA 
Toxicologia 
Síntese parcial ou total 
com maior seletividade e 
absorção 
Aspectos bioquímicos e 
ecofisiológicos e 
botânicos 
Cultivo 
Padronização Modelos 
moleculares 
Ensaios farmacológicos e clínicos 
Ensaios in vitro 
Estudos de 
farmacocinética e 
farmacodinâmica 
 
2 
CONCEITOS IMPORTANTES 
RELATIVOS AO ESTUDO 
a) Conceitos gerais 
Planta Medicinal - Qualquer planta que possua em um ou vários de seus órgãos , 
substâncias utilizadas com finalidade terapêutica ou que sejam ponto de partida para 
síntese de produtos farmacológicos. 
 
Droga vegetal - É a planta medicinal ou suas partes que após coleta, secagem 
estabilização e conservação, justifique seu emprego na preparação de medicamentos. 
Uma das características da droga corresponde a presença de princípios ativos. 
 
Princípio ativo - É a molécula quimicamente definida presente na matéria prima 
responsável pelo efeito terapêutico que a planta possui. 
 
Marcadores - São constituintes quimicamente definidos presentes na matéria 
prima vegetal, preferencialmente os princípios ativos, destinados ao controle de 
qualidade da matéria prima e dos produtos fitoterápicos. 
 
Fitoterapia – Termo derivado do grego phyton – que significa planta e therapeia 
que encerra a idéia de tratamento. É o método de tratamento de enfermidades que 
emprega vegetais frescos, drogas vegetais ou ainda extratos vegetais preparados com 
esses dois tipos de matérias primas. No conceito etimológico, fitoterapia significa 
tratamento por meio das plantas 
 
Produto fitoterápico - Todo medicamento obtido e elaborado empregando-se 
exclusivamente matérias primas vegetais ativas com finalidade curativa ou profilática 
com benefícios aos usuários. 
 
 
 
 
 
EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 
 
8 
b) Termos médico-farmacêuticos 
Abcesso Acúmulo de pus em uma cavidade 
Adstringentede várias populações de espécies 
vegetais de importância medicinal. A coleta indiscriminada de plantas nativas pode 
levar a depredação do patrimônio genético vegetal de muitas espécies, sendo uma 
parte considerável deste material exportada na forma bruta ou de subprodutos. 
Poucas são as espécies medicinais cultivadas e em se tratando de espécies nativas 
pesquisas básicas ainda são incipientes. O cultivo de espécies medicinais com o 
objetivo de produzir matéria prima com qualidade e quantidade, com a finalidade de 
aumentar a produção de biomassa sem alterar o valor terapêutico representa um 
campo de alta relevância no Brasil em virtude da demanda crescente de matéria prima. 
Os teores desses compostos não são estáveis e nem se distribuem de maneira 
homogênea nas diferentes partes dos vegetais, podendo ser encontrados em sítios 
específicos de acúmulo como rizomas, caules, folhas, sementes ou flores. A variação 
Aspectos do Cultivo de Plantas Medicinais 
 
45 
da concentração destes compostos está sob controle genético, podendo ser alterada 
pela ontogenia, por condições edafoclimáticas, pela exposição à luz, herbivoria ou 
mesmo poluentes atmosféricos. 
Fatores ambientais, genéticos e técnicos podem afetar a qualidade da planta 
medicinal em termos da sua produção de princípios ativos de interesse farmacológico. 
O fator genético determina a capacidade potencial de uma determinada espécie 
produzir um determinado composto em função de sua carga genética. Um exemplo de 
variações devido a fatores genéticos ocorre em plantas de Achillea millefolium L ( Mil 
em folhas) onde os indivíduos tetraplóides apresentam procamazuleno no óleo 
essencial enquanto que indivíduos hexaplóides e octoplóides não apresentam. 
Estudos têm demonstrado que fatores ambientais e técnicos como diferentes tratos 
culturais, tem afetado significativamente os teores e a composição dos princípios 
ativos. 
Vários autores têm correlacionado a produção de compostos secundários à 
variações sazonais (Delitala,1983;Pitarevic, 1984; Cabo, 1987; Grella, 1988), estádio 
de desenvolvimento (Akhila, 1984; Jogia, 1984; Sangwan , 1985; Holm,1988; Rajesh - 
luthra, 1989), nutrição ( Dey, 1984; Scheffer, 1991; Jenelten, 1992; Ming, 1992), 
reguladores de crescimento (El - keltawi, 1986,1987a; Sharma, 1988; Umesha, 1991) e 
condições de estresse (Gershenzon, 1984; Delitala, 1986; Charles, 1990) que podem 
determinar um maior ou menor acúmulo destes compostos. 
Foi relatado aumento na concentração de glicosídeos nas folhas de dedaleira 
(Digitalis purpurea) durante o dia devido à fotossíntese e diminuição durante a noite. O 
estresse hídrico aumentou o conteúdo de alcalóides em Beladona e Estramônio e 
promovemum aumenta o teor de óleos essenciais em hortelã e capim limão. Em 
relação a irradiância plantas de Bauhinia forficata cultivada a pleno sol o conteúdo de 
flavonóides foi superior ao de plantas cultivada s sob redução da irradiância. Em 
relação a nutrição mineral são encontrados diferentes relatos com dados incompletos, 
por outro lado a adubação orgânica e verde apresenta um grande potencial. A 
adubação nitrogenada pode afetar o rendimento de princípios ativos nas plantas, 
apesar deste rendimento dificilmente acompanhar o ganho de biomassa. Encontram-se 
casos onde o rendimento de alcalóides é claramente favorecido pela adubação 
nitrogenada como em estramônio e lobélia, e outros onde apenas um pequeno 
incremento é registrado por exemplo em beladonba e meimendro. No grupo das 
aromáticas os adubos nitrogenados podem elevar o teor de essênciais em hortelão 
pimenta, orégano, alfazema, anis e funcho. A adubação orgânica em Lippia alba 
promoveu um aumento significativo da biomassa, porém em relação ao conteúdo de 
óleos essenciais não provocou aumento significativo. Por outro lado, a adubação 
orgânica provocou aumento tanto na produção de biomassa quanto no rendimento de 
óleos essenciais de Achillea millefolium. Em plantas de Justicia pectoralis (anador do 
nordeste), foi verificado que a produção de cumarinas foi menor quando foi observado 
deficiência de fósforo e potássio na planta. 
EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 
 
46 
Dentre os tratos culturais culturais de plantas medicinais pode-se destacar a 
irrigação, poda e controle fitossanitário. A irrigação em excesso pode deprimir o aroma 
de plantas que possuem essências, como é o caso do manjericão. Por outro lado, em 
casos de defcit pode levar a antecipação da florada de algumas plantas acarretando 
ainda a produção de aquênios de qualidade inferior. Em plantas com raízes tuberosas e 
rizomas, a poda das inflorescências pode levar a benefícios na sua produção, como 
para Angélica e Ruibarbo. As podas de restauração podem ser efetuadas visando 
obtenção de rebrota de plantas com maior vigor e com maior qualidade para a colleita. 
O alecrim , a losna e o tomilho são exemppos de plantas beneficiadas pela poda de 
restauração. Em relação ao controle fitossanitário, deve-se procurar técnicas 
alternativas para controle de pragas e doenças. Nematóides do gênero Meloidogyne 
acarretam tumores e podridões nas raíze das plantas, sendo relatados problemas para 
o cultivo de Pfaffia glomerata, Ocimum basilicum. Fungos causadores de ferrugem 
afetam algumas espécies de Mentha, os causadores de podridões, Sclerotium rolfsii, 
em plantas de confrei e de estévia cultivadas em baixadas úmidas, o míldio da Erva-de-
santa-luzia causado por Peronospora sp. Com relação as pragas há relatos sobre 
colonizações decorrentes do mau manejo levando a ocorrência de pulgões, ácaros e 
cochonilhas. 
Com relação à colheita, um ponto crítico é a definição do momento ideal para a 
realização da mesma. Se houver possibilidade de coincidir o momento de maior 
concentração de princípio ativo com o momento de maior biomassa se obterá o 
máximo de sucesso para a cultura. Como indicações gerais temos para raízes, rizomas, 
tubérculos e bulbos o momento do “estalo”, marcado pelo definhamento generalizado 
da parte aérea. Plantas em que o interesse sejam as folhas é conveniente realizar a 
colheita antes do florescimento, pois o processo requer energia para a formação das 
peças florais e há um carreamento de assimilados das folhas para a formação das 
mesmas. Deve-se colher no período de florescimento aquelas espécies que os 
produtos de interesse são flores e botões florais. Para algumas espécies colhem-se os 
botões ainda fechados, outras semiabertos. Algumas espécies deve-se aguardar a 
abertura completa das flores como é o caso da camomila. 
Aspectos sobre a colheita e pós colheita são relevantes do ponto de vistra 
econômico e do escoamento do produtos aos mercados consumidores. Devem ser 
considerados os aspectos relativos a secagem, embalagem visando garantir a 
qualidade do produto, em termos de sua composição e integradade dos princípios 
ativos. Após a obtenção das plantas medicinais, normalmente o material pode seguir 
três caminhos: uso direto do material fresco, extração de substâncias ativas ou 
aromáticas do material fresco e secagem do material fresco. Este último destino é o 
que requer mais atenção, por preservar os materiais, possibilitando o uso das plantas a 
qualquer tempo, dentro dos prazos normais de conservação. Deve-se adotar os 
seguintes procedimentos na colheita de plantas medicinais: cuidado para não ferir as 
plantas colhidas para que não haja alteração na composição e oxidações; não lavar as 
Aspectos do Cultivo de Plantas Medicinais 
 
47 
plantas antes da secagem, exceto no caso de determinados rizomas e raízes; devem-
se separar a plantas se colher espécies diferentes; antes de submeter as plantas à 
secagem, deve-se fazer a eliminação de elementos estranhos (terra, pedras, outras 
plantas, etc.) e partes que estejam em condições indesejáveis (manchadas, 
danificadas, descoloridas, etc). 
A secagempode ser conduzida em condições ambientais ou com o uso de 
estufas, secadores, etc. A secagem natural é um processo lento e deve ser conduzida 
à sombra, em local ventilado, protegido de poeira e do ataque de insetos e outros 
animais. Esse processo de uso doméstico, é recomendado para regiões que 
apresentam condições climáticas favoráveis, relacionadas principalmente com a 
ventilação. Outra maneira prática consiste em espalhar em camada fina o material em 
uma mesa ou bancada forradas com papel, em ambiente abrigado do sol e com 
ventilação. 
A secagem artificial de plantas medicinais é fundamentada no aumento da 
capacidade do ar de retirar a umidade da planta. Assim, utilizam-se métodos que 
elevam a temperatura e promovem a ventilação ou simplesmente reduzem a umidade 
relativa do ar. O aumento da temperatura vai também reduzir a umidade relativa do ar, 
enquanto a ventilação vai facilitar a homogeneização do ar de secagem. A secagem 
artificial origina material de melhor qualidade por aumentar a rapidez do processo. 
Geralmente 35 oC é uma temperatura adequada para a secagem de óleos essenciais, 
60 oC - digitálicos e 80 oC - alcalóides. O armazenamento da droga após secagem 
deve ser feito em local seco e bem ventilado. 
A partir de uma perspectiva da fisiologia e da bioquímica, existem amplas 
possibilidades para pesquisas com essas plantas e o estudo da produção de princípios 
ativos. Com raras exceções, muitas plantas medicinais amplamente usadas não são 
conhecidas do ponto de vista fisiológico e bioquímico, como o são as plantas cultivadas 
ou aquelas utilizadas como modelo experimental. Embora algumas espécies tenham 
seus princípios ativos identificados, em geral, as rotas de biossíntese de um metabólito 
e os fatores (bióticos e abióticos) reguladores de sua produção ainda não foram 
elucidados (Briskin, 2000). 
A estratégia do estabelecimento de plantas de ocorrência natural deve contemplar 
estudos no local de origem (solo e clima), coleta de plantas e sementes para estudos 
de propagação sexuada e assexuada , do crescimento inicial, de técnicas de manejo da 
cultura (irrigação, espaçamento e fertilidade), estudos fitopatológicos e levantamentos 
de ordem econômica ( Frans, 1986; Palevicht, 1987). 
A conservação de espécies nativas presume conhecimento das características 
dos diferentes ecossistemas, ecofisiologia da germinação e estabelecimento de 
plantas. Como as plantas medicinais, de um modo geral não sofreram ainda um 
processo de seleção, o sucesso no cultivo, possibilita a seleção de características 
desejáveis. 
 
8 
MONOGRAFIAS DE PLANTAS 
LARGAMENTE UTILIZADAS 
a) Plantas contendo terpenóides de interesse na terapêutica 
 
Lippia sidóides Cham (Verbenaceae) - Alecrim pimenta, estrepa cavalo 
Óleo essencial do alecrim – Tipo Timol 
 
A planta é um subarbusto densamente ramificado, de até 2 m de altura de tronco 
lenhoso e sulcado com ramos providos de folhas serrilhadas de tamanho variável, 
medindo até 8 cm, com pelos em ambas as epidermes com pontos glandulosos bem 
visíveis na face superior. As flores são branco-amareladas, pequenas e dispostas em 
inflorescências subglobosas a subpiramidais, pedúnculo longo axilar, solitário ou 
geminado e menor do que as folhas. Ocorre no Nordeste e em Minas Gerais e São 
Paulo. O óleo essencial extraído da folha é fluido, incolor ou amarelado, menos denso 
que a água, dotado de odor forte de timol e sabor fortemente picante. Suas 
características físico-químicas são peso específico 0,936, ïndice de refração 1,554 e 
teor de fenóis de 56 % e seus constituintes majoritários são Timol (48,5%), p-cimeno ( 
27,5%), carvacrol (7,5%),  - terpineno (6%), mirceno (2%), cariofileno e  - tujeno 
(1%). O hidrolado, água codestilada com o óleo, obtido desta planta apresentaram 
atividade moluscicida mesmo diluído até 1:100. O timol pode ser usado como 
bactericida, de preferência ao fenol. Tem emprego na preparação de cremes dentais, 
líquidos para a assepsia oral e como anestésico para dor de dente. É empregado para 
eliminar mofos e parasitas em herbários, preservar peças anatômicas e na indústria 
química serve como material de partida para a preparação de derivados e síntese de 
mentol. 
 
Ocimun gratissimun L. (Lamiaceae) - Alfavacão, manjericão 
Óleo essencial de alfavaca – Tipo eugenol 
 
São conhecidas diversas espécies e variedades de plantas do gênero Ocimum 
produtoras de óleos essenciais de alfavaca, mais conhecidos como óleos de Basílico. 
 
Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 
 
49 
A planta é um subarbusto aromático, anual com altura abaixo de 1 m, provido de 
folhas pecioladas, ovado lanceoladas de margens crenado – serreadas. Apresenta 
flores roxo-pálidas a amarelo esverdeadas em pseudo espigas . O fruto é uma pequena 
cápsula com 4 sementes muito pequenas. Toda a parte aérea da planta exala odor 
forte e agradável. As características físico-químicas do óleo são peso específico 0,918, 
índice de refração1,492, rendimento 0,2 % e os constituintes majoritários são eugenol 
(24%), cariofileno (23,6 %), 1,8 cineol (20%), -guaieno (19%) e terpineno (2%). O alto 
teor de eugenol deste óleo possibilita seu uso direto como anestésico odontólogico e 
como fonte de obtenção desta substância. O eugenol é utilizado como intermediário de 
síntese na indústria químico farmacêutica ou na preparação do acetato, usado em 
perfumaria na indústria de aromas. Pela sua constituição química e odor , o óleo tem 
ainda possibilidade de ser utilizado como aromatizante na indústria de bebidas não 
alcoólicas e licores. 
 
Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. (Poaceae) 
 
Capim-limão, Capim-cidreira, capim-cidrão, Capim-cheiroso. 
 
Erva perene originária da Ásia e subespontânea nos países tropicais. Suas folhas 
são aromáticas, pontudas, ásperas, estreitas e com mais de 50 cm de comprimento. 
Diversos clones desta espécie são cultivados para produção comercial de óleo 
essencial, conhecido internacionalmente como óleo de lemon grass. Esta essência é 
largamente empregada como agente aromatizante em perfumaria e cosmética por seu 
forte odor de limão bem como para obtenção do citral, seu principal constituinte. 
O nome citral, refere-se à mistura dos dois isômeros, geranial e neral. Em plantas 
cultivadas em Fortaleza – Ceará, foi relatado um rendimento de 0,6%. A literatura 
registra exemplares do Rio Grande do Sul com rendimento de óleo em torno de 0,28%. 
As diferenças de composição química que se refletem na solubilidade em álcool a 
70% em função do teor mirceno, um dos constituintes secundários, que apresenta 
menor solubilidade devido a maior concentração de mirceno. O óleo da variedade 
cultivada em São Paulo mostrou conter 47% de citral e 38% de mirceno como 
constituintes principais. Das plantas de Fortaleza foram verificados altos teores de citral 
(77%) e baixo teor de mirceno (16%). Supões-se que a variação no teor de citral entre 
as plantas, justifique em parte a diferença na atividade farmacológica do óleo essencial, 
observada em experimentos com órgãos isolados. 
Outros constituintes presentes no óleo essencial são: 3-metil-2-heptanona, 6-
metil-5-hepten-2-ona, metilheptenol, -pineno, cafeno, -pineno, limoneno, mentol, 
citronelol, citronelal, linalol, óxido de linanol, acetato de geranila, isovaleraldeído, n-
decilaldeído, nerol, geraniol, farnesol e terpineol. 
Entre outros constituintes fixos da parte aérea encontram-se flavonóides, 
substâncias alcaloídicas, uma saponina esterólica, -sisterol, n-hexacosanol e n-
triacontanol; dois triterpenóides isolados da cera que recobre as folhas foram 
EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 
 
50 
identificados como cimbopogonol e cimpopogona. Substâncias alcaloídicas são 
encontradas também nos rizomas, em torno de 0,3%. 
Cymbopogon citratus é uma planta amplamente empregada na medicina popular 
de diversos países sob aforma de chá, abafado ou infuso, como sedativo do sistema 
nervoso ou calmante, sudorífero, carminativo, antiespasmódico, analgésico, diurético, 
antipirético, emenagogo e anti-reumático. Há registro de seu uso caseiro para combater 
diversas afecções das vias respiratórias e digestivas e inflamação da bexiga. 
A avaliação da atividade terapêutica desta planta, através de ensaios 
farmacológicos, pré- clínico com o chá ou abafado, em animais de laboratório e no 
homem, relevou a ausência de efeitos quando se referem ao alívio de insônia e da 
ansiedade no ser humano; ingestão do abafado por voluntários sadios, nas doses 
usualmente empregadas pela população, não produziu efeitos tóxicos evidentes que 
pudessem desaconselhar o uso esporádico do chá. 
No óleo essencial, foi comprovada experimentalmente acentuada atividade 
antibacteriana contra Bacilus subtilis, Staphylococcus aureus e em menor intensidade 
contra Escherichia coli. Verifica-se que esta atividade está associada a presença de - 
e -citral enquanto que o mirceno, não mostrou atividade antibacteriana, embora tenha 
potencializado o efeito do citral. O óleo essencial, é empregado principalmente como 
agente aromatizante na indústria de sabões e cosméticos. A maior parte do óleo é 
utilizada para obtenção do citral que, como tal, é empregado em cosmetologia. 
O principal constituinte ativo citral, mistura dos isômeros geranial e neral, líquido 
oleoso com forte odor de limão, ocorre também no óleo essencial de Cymbopogon 
flexuosus (Nees) Stapf e, em menores concentrações, nos óleos de limão (Citrus limon 
(L.) Burm.), laranja (C. sinensis L.). O citral é dotado de atividade antimicrobiana sendo 
ele o principal constituinte responsável pelo efeito análogo que se verifica no óleo 
essencial. Nas experiências efetuadas, foi determinada a atividade antifúngica em 
cerca de 22 espécies de microorganismos 
 
Baccharis trimera (Less.) Dc. Asteraceae 
 
Carqueja amarga, carqueja do mato, carquejinha tiririca-de-balaio. 
 
O gênero Baccharis é muito extenso, incluindo cerca de 400 espécies, muitas das 
quais já quimicamente estudadas. Em nossa flora é encontrado um elevado número de 
espécies muito semelhantes, sendo algumas usadas em medicina popular 
indistintamente, sob o nome de carqueja. Entre elas podemos citar B. retusa DC., B. 
articulata (Lam) Pers. e B. genistelloides. 
 
 
É um subarbusto aromático com cerca de 80 cm de altura, ramos lenhosos, tri-
alados em toda sua extensão, porém com alas seccionadas alternadamente. As folhas 
estão ausentes, as flores são unissexuadas, branco-amareladas e reunidas em 
Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 
 
51 
capítulos solitários ou agrupados em pequeno número, nas extremidades dos ramos. 
Da parte aérea de B. trimera, coletada no período da floração, foi obtido óleo 
essencial com rendimento de 0,3 a 1%, cuja cromatografia gasosa mostrou a presença 
de - e -pinenos, cafeno, carquejol (9%), acetato de carqueja (45%) além de outros 
constituintes. 
No óleo essencial obtido de várias espécies de Baccharis colhidas no estado de 
Santa Catarina, observou-se a presença de carquejol, acetato de carqueja, ledol, 
nopineno (-pineno), álcoois sesquiterpênicos e sesquiterpenos bi e triciclos. 
Dentre os constituintes fixos da parte aérea de B.trimera foi isolada a flavona 
eupatorina e três lactonas diterpenóides tipo trans-clerodano. Das raízes de espécie 
citada acima foram isolados dois diésteres terpênicos, relacionados com o carquejol. 
No óleo essencial de plantas referidas como B. genistelloides foi relatada a 
ocorrência de carquejol (6-7%), além de outras substâncias idênticas aquelas já 
mencionadas no óleo de B. trimera, como também - e -cadineno, calameno, elemol, 
eudesmol, palustrol, cafeno, e nerolidol em teor bastante elevado (30,02%) embora 
este constituinte não tenha sido mencionado em outras análises. 
A planta toda é utilizada por suas propriedades amargas, como estomáquico e na 
preparação de alguns tipos de cerveja, como sucedâneo do lúpulo, é reputada na 
medicina popular como anti-reumática e anti-helmíntica, no tratamento de doenças do 
fígado, gastroenterites, diabetes, anorexia, gripes e resfriados. 
O extrato de B. trimera apresentou ação hipoglicemiante em pacientes com 
glicemia normal e inibição do crescimento de Tripanossoma cruzi. Lactonas 
diterpênicas e a flavona eupatorina isolada dos extratos da parte aérea mostraram 
atividade moluscicida. 
O óleo essencial de algumas espécies do gênero, têm como constituintes 
majoritários o carquejol e o acetato de carquejila. Os vapores de carquejol quando 
inalados em grande volume são irritantes para a mucosa nasal e também para a 
mucosa ocular. O carquejol administrado por via oral e intraperitoneal apresenta uma 
baixa toxicidade em camundongos. Estudos realizados em cães tratados com a 
solução oleosa provocou diminuição na pressão sangüínea não sendo observado 
espasmos e nem convulsões. A DL 50 do carquejol por via oral observada no período 
de 24 h em camundongos e em ratos foi de 1,8 g/kg e 1,3 g/kg e por via intraperitoneal 
foi de 0,45 g/kg e 0,41 g/kg, respectivamente. Dos vários constituintes isolados da 
carqueja o carquejol é a substância mais estudada do ponto de vista farmacológico. 
Apesar dos efeitos apresentados pelo carquejol, parece não haver correlação entre 
estas propriedades e o emprego popular da planta. 
 
b) Plantas contendo alcalóides de interesse terapêutico 
 
Paullinia cupana Kunth (Sapindaceae) – Guaranazeiro 
Arbusto trepador que pode chegar até 10 m de comprimento, nativo do Brasil e 
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52 
Uruguai. São usadas as sementes que separadas dos frutos maduros, torradas 
brandamente e então trituradas com água. A pasta obtida é moldada em bastões ou 
em outras formas e secas em estufas constituindo assim o produto comercial. Pode 
ser comercializado também em forma de pó da amêndoa e do extrato aquoso 
liofilizado. 
Na semente encontra-se amido, pectina e óleo fixo e volátil, resina tanino, 
catequina, ácido málico e saponina. A cafeína se encontra em maiores concentrações 
na semente, embora esteja presente em toda a planta e em menor teor. A teobromina, 
base púrica relacionada com a cefeína, aparece nas cascas, flores e folhas, mas não 
está presente nas sementes. A pasta de guaraná é empregada com estimulante nos 
casos de dores de cabeça de origem nervosa. Estimulante do sistema nervoso de 
modo semelhante ao café (Coffea spp), ao chá (Camellia sinensis L. Kuntze) e a cola 
(Cola spp), nos casos de esgotamento físico e intelectual. Nas doenças intestinais 
como anti - diarreico, ainda diurético, febrífugo e adstringente. É mais largamente 
utilizado na preparação de bebida refrigerante industrializada . Ainda na forma de pó e 
de xarope preparado a partir da semente e em seguida diluído em água. Dentre os 
constituintes químicos ativos destacam-se a 1,3,7 trimetilxantina, guaranina, 
metilbromina, sendo os teores de cafeína da semente em torno de 2,5 a 5% . Um 
grama do pó se dissolve em 46 mL de água a temperatura ambiente , 5,5 mL de água 
a 80oC , 66 mL de álcool, 50 mL de acetona , 5,5 mL de clorofórmio e 530 mL de éter 
de petróleo. 
A cafeína é um potente estimulante do sistema nervoso central em todos os seus 
níveis. Dilata os vasos coronarianos e pulmonares. Em grandes doses predomina a 
estimulação direta sobre o miocárdio e surge nítida taquicardia, causando ainda 
insônia, irritabilidade e distúrbiuos sensoriais como zumbidos e outros. 
 
Coffea arabica L. (Rubiaceae) – Cafeeiro 
 
Árvore pequena ou arbusto perene, originário da África e cultivado nos países 
tropicais da Ásia e África como também na América, particularmente no Brasil e 
Colômbia. Da planta são utilizadas as sementes maduras e secas, contendo cerca de 
0,25% de trigonelina, 1 – 2 % de cafeína,, 10 – 13 % de óleofixo constituído 
principalmente de oleína e palmitina, 10 – 13 % de proteína e tanino. O café tostado é 
largamente utilizado nas confeitarias e na preparação de um decocto que é consumido 
e empregado como bebida estimulante. Seu uso excessivo pode causar o 
aparecimento de palpitação, insônia, tremor e vertigem. As sementes madura e 
dessecadas, são usadas para a extração de cafeína, café tostado e moído para 
consumo e do café solúvel. Com propriedades semelhantes ao guaraná o principal 
constituinte químico ativo, 1,3,7-trimetilxantina. 
 
 
 
 
Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 
 
53 
Cephaelis ipecacuanha (Brot) A. Rich (Rubiaceae) - Ipeca 
 
Subarbusto de caule fino e lenhoso, quase rasteiro. Ocorre nos lugares úmidos 
das florestas brasileiras dos estados do Pará, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, 
Mato Grosso e Minas Gerais. Cultivada no Brasil, Índia e Malásia. Da planta são 
utilizados rizomas e raízes de preferência os mais escuros e grossos que possuem 
maior conteúdo de alcalóides totais. Contém entre outras substâncias, um iridóide 
cristalino denominado ipecosídeo, um complexo glicoproteico alergizante, ácidos 
orgânicos, taninos , saponinas e cerca de 1,2 a 2% de alcalóides totais constituído 
principalmente de emetina, cefelina, psicotrina e O-metilpsicotrina. Os três primeiros 
são os principais responsáveis pelas propriedades terapêuticas do fármaco, entretanto 
do ponto de vista comercial, a emetina é o principal alcalóide. A ipecacuanha tem ação 
expectorante quando administradas em baixas doses e emética em doses altas. É 
usada como amebicida na disenteria amebiana e ainda no tratamento de bronquite e 
da coqueluche. 
Possui propriedades irritantes para a pele e mucosas podendo provocar eritemia e 
pústulas, inflamação nos olhos e determinar crises de espirros e tosse. Por causa de 
sua ação emética é empregada na cura condicionada do alcoolismo e como vomitivo 
no tratamento de urgência do envenenamento por ingestão de substâncias tóxicas. Na 
indústria farmacêutica se emprega para a preparação de xaropes, tinturas e extratos 
alcoólicos, pastilha e infuso. Na indústria química as raízes servem como matérias 
prima para a extração dos alcalóides totais. A indústria extrai alcalóides emetina da 
ipecuanha verdadeira e de outras rubiáceas como Tocoyema longiflora Aubl., arbusto 
natural da Guiana Francesa e aclimatado no Brasil. O principal uso deste alcalóides e 
no tratamento da amebíase. 
 
Pilocarpus microphyllus Stapf. (Rutaceae), Jaborandi-do- Maranhão 
 
Pequeno arbusto nativo do Norte e Nordeste do Brasil. Ocorre em encostas 
pedregosas dos estados do Maranhão, Piauí e na Amazônia. A parte usada como 
droga são os folíolos recentemente dessecados que possuem cerca de 0,8% de 
alcalóides totais identificados como pilocarpina, isopilocarpina, pilosina, isopilosina, 
pilocarpisdina, epiisopilosina e epiisopiloturina. Contêm ainda 0,25% de óleo essencial 
cujos constituintes principais são o -cariofileno acompanhados de pequenas 
quantidades de outros terpnos . As propriedades medicinais do jaborandi são 
decorrentes da pilocarpina, seu princípio ativo. Apresenta ação estimulante do 
peristaltismo e da secreção salivar , é miótico e febrífugo. As folhas são usadas para a 
produção industrial de pilocarpina . Em medicina caseira usa-se a infusão para o 
tratamento de bronquite e para provocar sudorese. Emprega-se também o suco das 
folhas trituradas friccionando o couro cabeludo, como tônico capilar. É utilizado em 
farmacotécnica para a preparação do extrato, da tintura e do pó usado pela indústria 
farmacêutica. Os sais de pilocarpina entram na composição de colírios, pomadas e 
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54 
injeções hipodérmicas usadas no controle da pressão ocular nos casos de glaucoma e 
como miótico em oftamologia. 
 
c) Plantas contendo glicosídeos de interesse terapêutica 
 
- Glicosídeos cardiotônicos 
 
Digitalis purpurea L (Scrophulariaceae) – Dedaleira 
 
Planta herbácea bianual do centro sul da Europa, com o corrência nos EUA, 
Canadá, Índia, Egito e Japão. As folhas são alternas , dentadas, medindo de 10 – 40 
cm de comprimento e de 4 – 15 cm de largura de forma oval lanceolada com ápice 
obtuso. Possuem cor verde acinzentada, pecíollo alado com até 1/3 da largura do 
limbo. A parte da planta utilizada são as folhas, coletadas em tempo seco e 
dessecadas por um processo que evite ou dificulte a ação das enzimas responsáveis 
por modificações na composição química da droga. Contêm numerosos constituintes, 
dentre eles ácidos orgânicos, derivados flavônicos, antociânicos e antraquinônicos, 
açúcares, taninos, mucilagens, glicosídeos esterólicos e ainda óleo essencial. Os 
glicosídeos são classificados em três grupos caracterizados farmacologicamente por 
sua ação e quimicamente por suas agliconas. Os heterosídeos cardiocinéticos 
possuem um núcleo cardenolídeo, heterosídeos destituídos de ação cardiocinética que 
são portadores do tipo do digitanol e um grupo constituído por heterosídeos 
saponínicos, que possuem aglicona do grupo do espirostano. Os mais importantes, 
pela ação farmacológica que apresentam são os derivados do cardenolídeo, 
encontrado nas folhas frescas em torno de 0,2- 0,5%. Por ação enzimática estes 
glicosídeos fornecem digitoxina, gitoxina e gitaloxina. 
Por hidrólise ácida originam agliconas ou geninas, digitoxigenina, gitoxigenina, 
gitaloxigenina e três moléculas de digitoxose de cada heterosídeo. Estas mesmas 
geninas são encontradas em vários outros heterosídeosque diferem somente pela 
natureza da cadeia glicídica. A digital é um estimulante e tônico do coração. Sua 
administração aumenta a força da contração sistólica e regulariza o ritmo cardíaco. 
Apresenta também ação diurética nos casos de hidropsia e edema, conseqüentes de 
insuficiência cardíaca. O efeito sobre o débito urinário resulta, principalmente da ação 
sobre o coração e a circulação. A digital quando administrada em doses elevadas e 
freqüentes provoca sintomas de intoxicação caracterizada por aparecimento de enjoo, 
vômito, diarréia, vertigens, perturbações oculares, suores frios, convulsão e morte por 
parada do coração em sístole. Tem efeito cumulativo e além disso a margem de 
segurança, isto é, a diferença entre e dose terapêutica e a tóxica é muito pequena. 
Pode ser administrada sob a forma de pó, infuso, macerado, tintura, extrato e vinho. A 
planta é utilizada especialmente para a extração de glicosídeos cardioativos dos quais 
o mais utilizado é a digitoxina pura ou ainda a mistura de outros análogos. 
 
Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 
 
55 
A planta de Digitalis purpurea contém de 0,2 a 0,3% de digitoxina, seu principal 
componente de interesse. Estes glicosídeos também ocorrem nas folhas de Digitalis 
lanata e também em otras espécies de Digitalis com atividade semelhante. Há relatos 
de formação de úlcera duodenal, quando da aplicação da digitoxina por via 
intaperitoneal. 
 
Glicosídeos flavonoídicos 
 
Ruta graveolens L. – (Rutaceae) - Arruda, Arruda doméstica, Ruta 
 
A arruda é uma planta originária da Europa meridional, sendo as folhas coletadas 
no início da floração e secas a sombra a principal parte usada desta planta. Possui 
atividade anti-helmíntica, estimulante e febrífuga e emenagoga, sendo considerada 
popularmente como abortiva. Seu uso é perigoso por causa de suas propriedades 
tóxicas, sendo verificado ação espasmolítica, que foi atribuídas aos constituintes 
bergapteno e xantotoxina presentes na droga. Estes compostos compreendem 
lactonas aromáticas juntamente com as cumarinas, psoraeno, rutartina, rutamarina e 
isorutarina. As folhas de arruda contém cerca de 2,45% de rutina. A rutina cristaliza-se 
em soluções aquosas na forma de agulhas amarelo-pálido, escurece gradualmente por 
exposição a luz, a rutina anidra escure a 125 oC e se fundea 214-215oC, dissolvendo-
se 1 g em 8 L de água, 200 mL de água fervente. É muito solúvel em piridina, 
formamida e soluções alcalinas. É pouco solúvel em acetona, acetato de etila e 
praticamente insolúvel em clorofórmio e éter. A principal atividade biológica da rutina, 
bioflavonóide presente em concentrações consideráveis em plantas de arruda e em 
concentrações superiores em plantas de Dimorphandra mollis (6-10%), é a 
normalização da resistência e da permeabilidade das paredes dos vasos capilares, 
proteção da oxidação da vitamina C, é empregada como anti-hemorrágico e em 
animais de laboratório mostrou ação antinflamatória. 
 
Glicosídeos antraquinônicos 
 
Em certas plantas como, a cáscara sagrada, a frângula, aloes (babosa), o 
ruibarbo e o sene, há alguns glicosídeos com agliconas derivadas do antraceno. Os 
glicosídeos quando hidrolisados , produzem agliconas que sáo quje sáo di e tri ou 
tetrahidroxiantraquinonas ou modificações deste compostos. 
A antraquinona e glicosídeos derivados são catárticos, estimulantes que atuam 
aumentando a tonicidade dos músculos lisos da parede do cólon e estimulando a 
secreção de água e eletrólitos para o intestino grosso. 
Após a administração oral os glicosídeos antraquinônicos são hidrolisados no 
cólon pelas enzimas da microflora, convertendo-se em agliconas livres e 
farmacologicamente ativas, que geralmente atuam de oito a doze horas após a 
administração. Esses agentes são indicados para a constipação em pacientes que não 
respondem a medicamentos mais suaves e para a evacuação antes de intervenção 
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56 
diagnóstica ou cirúrgicas. Os laxativos estimulantes criam hábitos, e de seu uso 
prolongado podem decorrer dependência e perda das funções intestinais normais. As 
principais plantas fontes de glicosídeos antraquinônicos são a cáscara sagrada, a 
frângula, o casantranol e o sene. A aloés (babosa) e o ruibarbo não são 
recomendados por serem mais irritantes , aumentando a porobabilidade de ocorrência 
de cólicas. 
Cáscara sagrada – Rhamnus purshianus (Rhamnaceae) é uma árvore nativa da 
costa do pacífico da América do Norte que atinge uma altura de 10 metros. A colheita é 
feita durante o verão, a partir do fim de maio e continua até o início da estação 
chuvosa. As árvores silvestre se espalham pelas florestas nativas das montanhas. A 
casca é retirada da árvore fazendo-se incisões longitudinais e retirando-as em parte 
que tendem a enrolar-se em grandes tubos. As cascas são secas ao sol, porém sua 
superfície interna não fica exposta a luz solar para continuar amarela. Depois que os 
grandes rolos secam, passam por um cortador e são quebrados formando fragmentos 
de curvatura transversal. Foram documentados dois tipo de compostos antracênicos: 
os O-glicosídeos normais baseados na emodina, que representam 10 – 20 % do total e 
os C- glicosídeos baseados na aloína, que representam cerca de 80 – 90% do total. A 
planta que deve envelhecer pelo menos um ano antes de ser usada para fins 
medicinais . Na casca fresca estão presentes formas reduzidas de glicosídeos do tipo 
emodina, que, durante um período mínimo de um ano , se convertem em glicosídeos 
monoméricos oxidados, com atividade catártica mais suave. Seu principal uso é na 
correção da constipação habitual, em que não só atua como laxativo, mas restaura a 
tonicidade do colon. Reduz-se substancialmente o seu amargo e sua atividade 
tratando-a com óxido de magnésio. 
 
d) Plantas contendo compostos sulfurados 
Allium sativum L. Liliaceae 
Alho comum, alho manso. 
 
Erva bulbosa, perene, originária da Europa meridional e cultivada em quase todas 
as partes do mundo. O bulbo fornece óleo essencial (0,1 a 0,2%) , contendo pequenas 
quantidades de disulfeto de dietila, disulfeto de alilpropila, disulfeto de dialila, trisulfeto 
de alila, polisulfeto de dialila e outros constituintes. 
O princípio ativo, a alicina, encontra-se na droga fresca sob a forma de um 
precursor inativo, a aliina. A rutura das células que ocorre pelo esmagamento ou 
trituração dos bulbos provoca rápida reação enzimática por ação da enzima aliinase 
que converte a aliina em alicina, cujo odor típico, característico do alho, e 
imediatamente reconhecido. Do extrato metanólico dos bulbos foram isoladas várias 
substâncias também derivadas da alicina, dentre elas: 2-vinil-4H-1,3-ditiino, 3-vinil-4H-
l,2-ditiino e ajoeno. Encontra-se no alho ainda um composto nitrogenado, a alitiamina 
com atividade vitamínica B1, vitaminas A e C em pequenas quantidades, açucares e 
proteínas. O alho vem sendo usado, popularmente, desde a antiguidade na profilaxia e 
Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 
 
57 
na cura de numerosos males. Especialmente encontra indicação no tratamento de 
perturbações do aparelho digestivo, como laxante suave, vermífugo, antiparasitório 
intestinal, diurético, diaforético, expectorante e antisséptico local, sendo inclusive de 
uso intravaginal. É usado também no combate as manifestações gripais, no tratamento 
da febre tifoide, na arteriosclerose, prevenção da trombose e na hipertensão arterial. O 
alho é usado na forma de macerado, chá, xarope e tintura. O “óleo de alho”, por sua 
vez, é comercializado em cápsulas gelatinosas. O óleo essencial, em macacos, 
mostrou-se ativo contra câncer da pele em uso tópico e, por via oral, apresentou 
atividade antitumoral em casos de câncer de cólon. Extratos de alho inibiram o 
crescimento de tumores ascíticos em camundongos. Foi verificado também que a 
aliina, alicina, ajoeno, trisulfeto de dialila e 2-vinil-4H-l,3-ditiino inibem a agregação 
plaquetária induzida pelo colágeno 
 
O uso correto desta droga deve ser restringido, no entanto, a preparações obtidas 
recentemente, sem aquecimento e conservadas de preferência em pH ácido. Sabe-se 
que a alicina não é inativada pelo sangue ou fluidos gástricos em pH baixo, mas se 
inativa gradativamente em pH 9,3. Soluções aquosas de alicina têm um pH cerca de 
6,5 e quando mantidas a temperatura ambiente ou acima de quatro graus decompõem-
se gradativamente. Vários preparados de alho têm sido desenvolvidos e alcançado 
grande importância terapêutica e comercial. Alguns são preparados a partir da alicina e 
conservam o forte e desagradável odor de alho. Outros derivam da aliina, não têm odor 
e só liberam a alicina no meio alcalino intestinal. No primeiro caso, a alicina é obtida por 
extração com vapor d’água, sendo baixo o rendimento. Pode ser obtida também por 
maceração com óleo de oliva ou semelhante. Há uma preparação cristalizável de 
alicina, obtida por reação da essência com ácido desoxicólico, que não tem odor e é 
hidrolisável em meio alcalino leve. No segundo caso, as preparações são feitas a partir 
do alho estabilizado por inativação da aliinase, seguida de extração da aliina com 
solvente adequado, geralmente água ou etanol diluído. 
 
Foi comprovada a presença de aliina (precursora da alicina) em Allium cepa 
(cebola) e outras espécies de Allium. A alicina possui propriedades fungicida, 
antivirótica e antibacteriana frente a vários microorganismos Gram-positivos e Gram-
negativos, especialmente sobre Candida albicans. Esta substância mostrou maior 
atividade bacteriostática do que bactericida. Para explicar o mecanismo de sua ação 
tem sido proposto que a mesma destruiria grupos tiólicos (-SH) essenciais a 
proliferação das bactérias. A alicina inibe fortemente a agregação de plaquetas 
induzida pelo colágeno. A alicina sintética, demonstrou em estudos clínicos, uma 
significativa diminuição do colesterol e de triglicerídios séricos. Sua toxicidade em ratos 
albinos por via intravenosa e subcutânea é baixa, porém altas doses de alicina 
causaram efeitos tóxicos no fígado e inibiram o crescimento desses animais. A alicina 
testada em camundongos indicou uma DL50 cerca de 6Omg/kq, por via intravenosa e 
l2Omg/kgpor via subcutânea. 
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Em culinária, o alho in natura tem largo emprego pelo sabor e odor característicos. 
Alguns condimentos industrializados, são feitos a base de macerado de alho com frutos 
cítricos para prevenir a hidrólise da alicina e evitar a perda do odor dos produtos 
comerciais. A alicina é muito instável no estado puro e em meio alcalino, produzindo 
disulfetos e dióxido de enxofre, mas é estável na presença de ácidos diluídos. Este 
comportamento explica o uso do alho associado ao suco de frutos cítricos. 
 
 
 
 
 
9 
PLANTAS TÓXICAS COMUNS 
DATURAS 
 
As daturas são plantas pertencentes à família Solanaceae. Nesta família figuram 
inúmeras plantas que, dependendo da quantidade ingerida, provocam, durante o 
período agudo da intoxicação, delírios e alucinações, podendo mesmo ocasionar a 
morte. 
O gênero vegetal Datura inclui cerca de vinte espécies no mundo, cujas 
propriedades tóxicas são conhecidas desde a antiguidade. Assim Datura suaveolens 
(Trobeteira, saia-branca) , Datura stramonium (figueira-do- inferno) e Datura metel (sai-
roxa, zabumba-roxa) possuem propriedades tóxicas decorrentes da presença de vários 
alcalóides tropânicos (escopolamina). Os sintomas de intoxicação iniciam pelo 
aparecimento de vômitos, seguidos da diminuição das secreções salivares, nasais, 
bronquiais e estomacais. Taquicardias, confusão mental, agitação psicomotora e 
alucinações podem ocorrer. Em casos mais graves podem ocorrer depressão 
neurológica, distúrbios cardiovasculares e respiratórios, podendo ocorrer óbito. 
 
COMIGO-NINGUÉM-PODE - Dieffenbachia picta (Lodd) Schott 
 
Planta herbácea provida de caule não ramificado, com regiões de nós e entre-nós 
bem demarcadas, medindo geralmente até dois metros de altura, O caule é latescente 
suculento, alcançando freqüentemente 5 cm de diâmetro. As folhas são pecioladas, de 
contorno variando entre oblongo e a oblongo-lanceoladas, ápice foliar acuminado-
cuspidado e base variando de arredondada a subcordada. As folhas são verde-escuras 
e caracteristicamente apresentam máculas brancas espalhadas por todo o limbo. As 
flores são unissexuais e acham-se reunidas em inflorescência do tipo espádice, na qual 
as flores masculinas ocupam a região superior. Os frutos baciformes possuem 
coloração vermelho-amarelada. A observação microscópica de secção transversal da 
folha mostra grande quantidade de rafídios no interior de idioblastos de forma ogival. É 
originária da América tropical, sendo freqüente na Amazônia. E muito cultivada como 
planta ornamental, planta de interior de domicílio. Com freqüência costumam-se atribuir 
as propriedades tóxicas do comigo-ninguém-pode à grande quantidade de rafídios de 
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60 
oxalato de cálcio, aliada do látex cáustico presente em todas as partes do vegetal. 
Além disso, considera-se também a presença de princípio tóxico, ainda não 
identificado. A mastigação ou ingestão de qualquer parte da planta leva a irritação 
acentuada da mucosa da boca e da faringe. Os lábios, a língua e as gengivas 
assumem aspecto edematoso. Aparecem como sintomas, dor e salivação aumentada. 
Menos freqüentemente ocorrem esofagite e ardor retroesternal, bem como vômito e 
cólica abdominal. Edema de glote pode ocorrer, motivando sérias conseqüências. 
 
MANDIOCA - Manihot esculenta Crantz ( Manihot utilissima Pohl, Manihot edule 
A. Richard, Jatropha manihot L. Jatropha stipulata E Velloso). 
 
Arbusto pequeno que pode alcançar até 3 m de altura, perene, com o caule 
portador de coloração que varia do verde até tons violáceos, passando para 
avermelhados. O caule pode alcançar 8 cm de diâmetro na base e apresenta-se 
caracteristicamente dividido em regiões de nós e entrenós. Freqüentemente, apresenta 
ramificações na porção superior do vegetal. As folhas são alternas, caducas, 
pecioladas, palmatissectas, providas geralmente de 5 a 7 segmentos lanceolados, 
acuminados no ápice e que chegam a atingir 15 cm de comprimento. As flores são 
unissexuais, acham-se reunidas em panículas. O fruto é do tipo cápsula, mede cerca 
de 1,5cm de diâmetro. Oriunda do Brasil, espalhada hoje pelo mundo. Vegetal muito 
cultivado no Brasil como planta de subsistência. São conhecidas cerca de 150 
variedades de mandiocas, as quais costumam ser divididas em duas categorias; 
mandiocas doces e mandiocas amargas, sendo estas últimas tidas como mais tóxicas. 
A toxicidade da mandioca é devida à presença de glicosídios cianogenéticos conhecido 
como maniotoxina, que é quimicamente idêntico à linamarina, que ocorre na semente 
do linho. A divisão entre mandiocas mansas e bravas, do ponto de vista da toxicologia, 
deve ser considerada com reservas. Foi verificado que o cianeto está sempre presente 
e que não está, muitas vezes, quantitativamente relacionado com características 
morfológicas ou ecológicas do vegetal. 
O princípio tóxico da mandioca é mais concentrado nas folhas e na entrecasca da 
raiz. O princípio tóxico da mandioca é termolábil. O quadro da intoxicação inicia-se por 
distúrbios gastrintestinais seguidos de náuseas, vômitos e cólicas abdominais. Aparece 
ainda sonolência, distúrbios hematológicos, dilatação da pupila e coma. 
 
MAMONA - Ricinus communis L. (Ricinus vulgaris MilI) 
 
Arbusto bem ramificado que pode atingir 3,5m de altura. Caule fistuloso que 
apresenta as partes mais jovens coradas de verde ou avermelhadas. As folhas são 
longopecioladas peltadas, palmatipartidas, providas de 7 a 11 partes, glabras, de 
margem serrilhada e ápice acuminado. As flores localizam-se em racimos terminais, 
com as flores femininas ocupando a parte superior da inflorescência. O fruto é uma 
tricoca globosa, espinhosa, especialmente quando jovem, com uma semente em cada 
lóculo. As sementes são lisas, escuras, brilhantes com manchas claras. Oriunda de 
Plantas Tóxicas Comuns 
 
61 
África, aclimatada no Brasil, freqüente em todos os estados brasileiros. Cultivada 
visando a obtenção do seu óleo fixo. Os efeitos oriundos da ingestão das sementes de 
mamona devem-se principalmente a uma toxoalbumina (ricina), a um alcalóide 
(ricinina) e a um óleo fixo, denominado óleo de rícino. 
As sementes trituradas ou mastigadas liberam com mais facilidade a ricina que 
então é absorvida, motivando efeitos tóxicos. Uma semente de mamona pode levar à 
morte uma criança. 
Os sintomas de intoxicação são os seguintes: náuseas, ardor na boca e faringe, 
vômitos, diarréia, cólicas abdominais astenia, hipotermia, taquicardia, oligúria, 
distúrbios neurológicos e óbito. As demais partes do vegetal também apresentam 
toxicidade. 
 
ESPIRRADEIRA - Nerium oleander L. (Nerium careuni Hort, Nerium floridum 
Salisb, Nerium grandiflorum Desf.. Nerium lauriforme Lam., Nerium splendens Hort, 
Oleander vulgaris Medic.) 
 
Arbusto ou pequena árvore de até 5 m de altura, geralmente com 2 m, ramos 
ligeiramente trígonos, de coloração verde e que passa a acinzentado. As folhas são 
verticiladas, em número de três em cada nó. São quase sésseis, inteiras, lanceoladas 
de 6 a 13 cm de comprimento por 3 cm de largura; glabras, luzidias, de ápice agudo e 
base cuneata. As margens são lisas e a consistência coriácea. A nervura central é bem 
evidente, sendo as nervuras secundárias quase que imperceptíveis. As flores são 
vistosas, de coloração rosada. As sementes são providas de tufos de pêlos sedosos 
na sua porção apical. A espirradeira é uma planta oriunda da região mediterrânea, 
muito cultivada no Brasil como planta ornamental. Todas as partes da planta são 
tóxicas. As folhas e as sementes apresentam quantidade maior do princípio tóxico, que 
são glicosídios cardioativos. Os glicosídios da espirradeira são a oleandrina e a 
adinerina, principalmente. O quadro tóxico inicia-se com manifestações gastrintestinais. 
Cólicas abdominais,diarréia, náuseas fazem parte da sintomatologia. Transtornos 
neurológicos e cardíacos ocorrem, podendo levar o intoxicado ao estado de coma e à 
morte. Os transtornos cardíacos são semelhantes àqueles decorrentes do uso de 
digitálicos. 
 
JOÁ 
 
Com o nome de joá ou jua são conhecidas diversas espécies vegetais, todas 
pertencentes ao gênero Solanum. Estes vegetais de um modo geral caracterizam-se 
pela presença de glicoalcalóides em todas as suas partes, razão pela qual encerram 
toxicidade. As principais espécies enumeradas como causadoras de problemas são as 
seguintes: Solanum aculeatissimum Jacq., Solanum sisyníbrifolium Lam. e Solanum 
palinacanthum Dunal. 
 
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62 
Estas três espécies caracterizam-se por apresentar porte arbustivo, folhas e 
caules providos de espinhos e de frutos globosos de aproximadamente 3 cm de 
diâmetro, quando plenamente desenvolvidos. Os frutos imaturos são verdes, rajados, 
lembrando pequena melancia, quando maduros assumem coloração vermelha ou 
amarela, dependendo da espécie. Espécies bastante freqüentes no Brasil, ocorrendo 
em campos e terrenos baldios. São plantas ruderais. Geralmente a intoxicação é 
motivada pela ingestão de frutos. A intoxicação, geralmente vitimando crianças. 
caracteriza-se, na maioria das vezes, por distúrbios gastrintestinais. A intoxicação 
aguda manifesta-se pelo aparecimento de náuseas, vômitos, cólicas abdominais, 
diarréia, confusão mental mais ou menos acentuado, dependendo da gravidade. 
 
 
 
 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Atualmente no Brasil, os médicos e a população em geral carecem de 
informações objetivas e seguras sobre os recursos fitoterápicos para o tratamento de 
diversos males que acometem a população. Inúmeros pacientes persistem no uso dos 
chás para tratar diversas enfermidades, baseando-se apenas na chamada sabedoria 
popular. Não podemos negligenciar a importante contribuição do conhecimento popular 
no avanço e na descoberta de novas drogas com potencial terapêutico, mas o fato é 
que somente com pesquisas que visem a comprovação científica da eficicácia e 
segurança de diferentes extratos e constituintes ativos de plantas poderemos separa 
em definitivo o mito da realidade quanto aos riscos e benefícios da utilização de 
produtos vegetais na terapêutica. 
O estudo de plantas medicinais brasileiras é de suma importância, devido ao 
grande potencial pouco explorado dos diferentes ecossistemas brasileiros em relação a 
sua flora. A maioria das plantas e seus respectivos compostos que são alvos de 
estudos mais avançados são espécies estrangeiras, mas devemos priorizar o estudo 
de plantas nativas do Brasil para obtermos dados desta vegetação maravilhosa e 
diversificada que possivelmente apresenta potencialidades para a cura de muitas 
enfermidades que vêm acometendo a população desde épocas remotas até as 
enfermidades atuais como mal de Alzheimer, Parkinson e AIDS. 
 
 
LITERATURA CONSULTADA 
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Afonia Perda de voz, rouquidão 
Afrodisíaco Provoca excitação sexual 
Albuminúrico Presença de albumina na urina 
Anti-helmíntico Contra os vermes – helmintos 
Anúria Diminuição ou supressão urinária 
Béquico Contra tosse 
Blenorragia Doença sexualmente transmissível 
Carminativo Impede ou expulsa gases estomacais ou intestinais 
Cefaléia Dor de cabeça 
Cistite Inflamação da bexiga 
Colagogo Estimula a secreção biliar 
Depurativo Libera o organismo de substâncias nocivas 
Diaforético Produz sudação 
Disenteria Evacuações acompanhadas de cólica e sangue 
Dispnéia Respiração difícil 
Eczemas Afecções da pele acompanhada de vesículas serosas e transparentes 
Edulcorante Com poder adoçante 
Emenagogo Que estimula a menstruação 
Emético Vomitivo 
Emoliente Amolece os tecidos inflamados facilitando a circulação 
Escrofuloses Inflamação dos gânglios 
Espasmódico Rigidez muscular 
Galactagogo Estimula a secreção de leite materno 
Hemostático Estanca hemorragia 
Hidropsia Acúmulo anormal de líquidos no tecido 
Histeria Crise nervosa; antigamente relacionado às mulheres 
Icterícia Presença de bile no sangue, tornado a pele amarela 
Leucorréia Corrimento branco 
Litagogo Que expulsa cálculo renal 
Litíase Formação de cálculo renal 
Prurido Coceira 
Sialagogo Provoca secreção salivar 
Sinusite Inflamação do sinus 
Vermífugo Que expulsa vermes 
Vulnerário Que cura feridas 
 
3 
ASPECTOS RELACIONADOS À 
COLETA, PREPARO DO MATERIAL 
VEGETAL PARA IDENTIFICAÇÃO E 
PARA EXTRAÇÃO 
É importante preparar um ou mais espécimes para referência e identificação 
botânica correta, sendo então necessário o preparo de exsicatas mostrando as 
estruturas vegetativas e principalmente as reprodutivas que devem ser depositadas em 
herbários oficiais que possibilitem a consulta a quem quer que se interesse pelo 
material. Devem ser coletadas amostras representativas do estado geral da planta e a 
parte da planta que é utilizada. Dependendo dos objetivos do estudo, é recomendável 
fazer uma análise separada de cada órgão. Em se tratando de drogas vegetais no 
conceito farmacognóstico, isto é, todo vegetal ou ainda parte deste ou produtos 
derivados diretamente deles, que, após sofrerem processos de coleta e conservação 
possuem composição e propriedades tais que possibilitem o seu uso como forma bruta 
de medicação ou como necessidade farmacêutica, deve-se sempre utilizar para análise 
a parte de uso descrita. 
Informações a respeito da finalidade e a forma de uso da planta medicinal podem 
ser obtidas a partir de levantamentos etonobotânicos. O levantamento etnobotânico 
constitui na maioria das vezes o ponto de partida para o estudo de espécies medicinais, 
tanto em relação ao seu uso quanto a sua composição e podem conduzir a descoberta 
de moléculas promissoras. Especialmente quando se trabalha com plantas das regiões 
tropicais e subtropicais do planeta que são ricas em diversidade botânca e química, 
além de representar um grande reservatório de novas moléculas com potencial 
terapêutico devido aos poucos estudos realizados nesses ecossistemas. Os estudos 
também podem se basear em dados quimitaxonômicos, pois algumas classes de 
substâncias são características de uma família botânica, de um gênero ou mesmo de 
uma única espécie, sendo possível encontrar substâncias análogas em espécies de 
mesmo gênero ou de mesma família. As coletas aleatórias podem ser também de 
grande valia , pois a partir de estudos desta natureza pode resultar na descoberta de 
novos agentes terapêuticos. 
 
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10 
Deve – se observar a coleta de partes de interesse, registrar o local, hora e data 
de coleta e atentar para os cuidados com o material fresco para que não haja perdas 
excessivas por transpiração. Todo o material para as análises do material fresco, deve 
ser submetido a estabilização, isto é, à desnaturação protéica das enzimas celulares 
que podem ser realizadas com etanol e calor, pois a hidrólise enzimática altera os 
componentes químicos originalmente presentes. Para armazenamento do material por 
um período mais longo é necessário que se realize a secagem, pois o material seco 
proporciona maior estabilidade química e a possibilidade para trabalhos futuros. A 
secagem consiste na retirada de água para evitar reações de hidrólise e crescimento 
de microrganismos, e pode ser realizada á sombra, em estufa ou por liofilização. 
O material para análise deve ser submetido a redução, e quanto menor tamanho 
da partícula maior a superfície de contato e melhor será o processo extrativo. Pode ser 
realizada grosseiramente por meio de tesoura, podões ou facas, rasuração por meio de 
raspadores ou processadores de alimentos e a redução por impacto utilizando gral e 
pistilo. Pode também ser obtido um fino pó dos tecidos vegetais previamente secos 
utilizando moinhos que podem ser grandes ou micro-moinhos e moinho de bolas. 
Estes pós podem ser submetidos a identificação, pois existem chaves de identificação 
de pós disponíveis na literatura. 
 
 
 
4 
PROCESSOS EXTRATIVOS 
Vários constituintes das plantas apresentam propriedades físico-químicas que os 
diferem entre si. Sendo assim, os estudos a partir de agente extrator único podem não 
evidenciar a verdadeira composição do vegetal. Alguns fatores afetam a extração, 
como as características intrínsecas ao material vegetal, seu grau de divisão, meio 
extrator (solvente) e a metodologia de extração, algum equipamento ou vidraria 
especializada. 
Quanto mais rígido o material, menor deve ser a sua granulometria. O solvente 
deve se o mais seletivo possível. Esta seletividade depende do grau de polaridade. 
Quando não se sabe quais as substâncias compõem o material a ser extraído, é 
comum em fitoquímica submeter o material a extrações exaustivas e sucessivas com 
solventes de polaridades crescentes, conseguindo-se assim uma extração fracionada, 
em que as diferentes frações contêm compostos de polaridades também crescentes. 
Na tabela 1 são apresentados solventes geralmente utilizados nos processos extrativos 
em fitoquímica. 
Tabela 1 – Tipos de solventes geralmente utilizados na extração e compostos 
preferencialmente extraídos. 
Solvente 
Tipo de substância preferencialmente 
extraída 
Éter de petróleo e hexano Lipídeos, ceras, pigmentos, furanocumarinas 
Tolueno diclorometano e clorofórmio Bases livres de alcalóides, antraquinonas 
livres, óleos voláteis, glicosídeos 
cardiotônicos 
Acetato de etila, n-butanol Flavonóides e cumarinas simples 
Etanol, metanol Heterosídeos em geral 
Misturas hidroalcoólicas – água Saponinas, taninos 
Água acidificada Alcalóides 
Água alcalinizada Saponinas 
 
 
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Praticamente todos os constituintes de interesse tem alguma solubilidade em 
etanol ou metanol a 80%, de tal modo que estes solventes costumam ser empregados 
com freqüência. Os principais métodos de extração, que em alguns casos podem 
representar as diferentes formas não magistral de preparo das drogas vegetais são 
descritas a seguir: 
 
a) Extração a frio – Podem ser utilizados solventes orgânicos ou aquosos 
 
Alcoolatura – Fragmentos frescos da planta extraídos com álcool 
 
Maceração - Forma farmacêutica obtida por extração com água fria. Neste caso, 
as vitaminas e sais minerais não são alterados pela fervura. 
 
Vinho – Forma farmacêutica cujo líquido extrator é o vinho 
 
Sumos - Podem ser obtidos espremendo-se as folhas das ervas através de um 
tecido fino de algodão, batendo-as no liquificador ou amassando-as num pilão. São 
então coadas e diluídas em água e, caso necessário, adoçadas com mel. 
 
b) Extração a quente em sistemas abertos – Utilizando solventes aquosos ou 
hidroalcoólicos 
 
Os métodos de extração a quente são sempre mais rápidos. Deve ser observado 
a temperaturae o tempo de extração. 
 
Infusão – Forma farmacêutica que é obtida vertendo-se água fervente sobre os 
fragmentos da planta em recipiente com tampa. Este processo é utilizado geralmente 
quando os princípios ativos são mais facilmente extraídos, degradados ou perdidos 
quando são expostos por longo tempo a temperaturas elevadas e as plantas são mais 
tenras como flores e folhas. 
 
Decocção – Forma farmacêutica que é obtida pelo cozimento da planta, coloca-
se a planta para ferver juntamente com a água, a decocção é bastante utilizada quando 
se trata de materias vegetais mais rígidos e princípios não termolábeis. Esta forma é 
mais apropriada para raízes, cascas e sementes, porém estas devem ser cortadas em 
pequenos pedaços ou esmagadas antes de serem utilizadas. 
 
Xarope – Forma farmacêutica que tem dois terços do seu peso em açúcar e que 
é obtido por fervura em recipiente com tampa. De modo geral prepara-se o decocto ou 
infuso da planta e depois colocamos o decocto ou o infuso para ferver com açúcar . 
 
Melito – Forma farmacêutica na qual se usa o mel no lugar do açúcar 
 
 
 
Processos Extrativos 
 
13 
c) Extração a quente em sistemas fechados 
 
Menor gasto com solvente e manutenção da integridade química. 
 
Extração sob refluxo – consiste da extração em vidraria especializada, 
utilizando-se um condensador e um balão onde se coloca a amostra e o solvente 
extrator sobre uma manta ou placa aquecedora. 
 
Extração utilizando soxlet - consiste da extração em vidraria especializada, 
utilizando-se um condensador, um recipiente onde se coloca a amostra separadamente 
do líquido extrator e um balão solvente sobre uma manta ou placa aquecedora, deste 
modo, o solvente entra em contato com a amostra diversas vezes , uma vez que 
evapora e ao atingir o condensador retorna puro na amostra sucessivas vezes. Este 
tipo de extração proporciona a manutenção da integridade química da amostra e 
elimina o desperdício de solventes. 
 
d) Outras formas de preparo que não se produzem extratos 
 
Emplasto – Na linguagem popular é o uso direto da planta fresca sobre o local 
doente. 
 
Cataplasma – massa medicamentosa que se aplica entre dois panos em uma 
parte do corpo. Podem ser usados para tratar inflamações, nevralgias, dores de ouvido, 
asma, caimbras. 
 
Saladas 
As ervas também podem ser comidas cruas em forma de saladas ou preparadas 
junto com os alimentos, como temperos. Porém muito cuidado deve ser tomado quanto 
à qualidade e limpeza das ervas. Lave-as bem com água corrente e depois deixe-as de 
molho por algum tempo em água, sal marinho e vinagre. 
O dente-de-leão, língua-de-boi, língua-de-vaca, tanchagem, hortelã, salsa e mil-folhas 
estão dentre as inúmeras ervas recomendadas para saladas. 
 
Banhos 
Algumas plantas podem ser acrescidas à água morna da banheira, como exemplo 
o picão preto e rosa-branca. 
 
Compressas 
Embebe-se panos com uma decocção forte concentrada e aplica-se na região 
afetada. Os chás quentes têm efeito sedativo sobre inchaços, nevralgias, contusões, 
reumatismo, gota. 
 
 
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Gargarejos e Inalações 
Gargarejar algumas vezes ao dia chá preparado por decocção. Este tratamento 
atua sobre a cavidade bucal e garganta. Para fazer inalações, prepare um chá forte de 
ervas, retire-o do fogo, coloque um funil de papelão invertido sobre o recipiente, cubra a 
cabeça com um pano e respire o ar evaporado. As inalações são ótimas para 
tratamento de gripes,sinusites, resfriados, pneumonia, etc. Aparelhos próprios para 
realização de inalação estão disponíveis em diferentes pontos de vendas de produtos 
farmacêuticos. 
 
Lavagens 
Os chás podem também ser usados para lavagens intestinais, no caso de 
distúrbios digestivos, e vaginais, por exemplo no caso de corrimentos. 
 
Unguentos 
Preparados misturando-se ervas com uma substância gordurosa como vaselina. 
Preparadas por técnicas especiais incluindo esmagamento, prensagem, extração 
e outras. 
Observações 
Nunca use um chá por mais de 24 horas depois de preparado, pois, pode ocorrer 
alterações de seus princípios como algum tipo de fermentação ou oxidação; 
 
Evite preparar as ervas em utensílios de metal, pois podem causar alterações no 
efeito e sabor do chá. 
 
5 
PRÍNCIPIOS ATIVOS DE PLANTAS 
As plantas contem várias substâncias que agem sobre o organismo humano. É a 
fitoquímica que se encarrega de estudar essas substâncias chamadas princípios ativos, 
sua estrutura, seu isolamento, sua distribuição na planta, suas modificações durante a 
preparação do medicamento fitoterápico e no período de armazenamento, bem como, 
os processos de transformação e biossíntese durante o desenvolvimento vegetal fazem 
parte dos estudos do metabolismo secundário dos vegetais. Neste campo de estudos, 
diversos profissionais como químicos, fisiologistas de plantas, agrônomos, biólogos, 
farmacêuticos e de áreas correlatas, contribuem significativamente para os avanços no 
conhecimento dos compostos presentes nas plantas e suas variações durante o seu 
desenvolvimento no ambiente. 
As substâncias ativas das plantas podem vir do metabolismo primário, mas 
predominam as substâncias provenientes do metabolismo secundário. 
Processos fotossintéticos são vitais para a planta sendo aos compostos do 
metabolismo primário atribuídos papéis reconhecidos nos processos de assimilação, 
respiração e diferenciação. Destacam-se pelo emprego medicinal principalmente os 
polissacarídeos. Nos anexo 1, 2, 3 e 4 estão apresentadas plantas e seus 
componentes ativos, e os principais processos da biossíntese de compostos nas 
plantas. 
Os polissacarídeos complexos de origem vegetal pouco absorvidos ou não 
digeridos pelo intestino humano são genericamente denominados fibras. Nesta 
terminologia são incluídos os frutanos e os polissacarídeos de paredes celulares, 
inclusive os -glucanos. 
Tem sido mostrado que a dieta rica em fibras solúveis altera quantitativamente e 
qualitativamente a composição do muco intestinal. Estas alterações podem ser 
ocasionadas por efeitos mecânicos sobre a mucosa intestinal, ou por metabólitos de 
fermentação bacteriana agindo sobre os metabólitos da mucosa. Os produtos finais da 
fermentação são principalmente ácidos graxos de cadeias curtas, os quais induzem 
variações na secreção do muco. Têm sido atribuídos aos carboidratos complexos 
efeitos hipocolesterolêmicos e hipoglicemiantes. 
 
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Alimentos ricos em carboidratos complexos são mais vagarosamente digeridos do 
que outros tipos como aqueles que contêm amido. Tipos de fibras não celulósicas 
como goma guar e caroba, galactomananos de alto peso molecular de Ceratonia 
siliqua L.e Cyamopsis tetragonoloba (L.) Taub., diminuem a absorção intestinal da 
glicose. 
Modificações das características fisico-químicas do trato intestinal por 
polissacarídeos podem também modificar a liberação de hormônios gastrointestinais, 
influenciando a secreção de insulina e a motilidade gastrointestinal (Forestieri et al., 
1989). A aceitabilidade de muitos polissacarídeos puros, como por exemplo a goma 
guar, pelos pacientes, é problemática devido à sua impalatabilidade e à tendência de 
causar desconforto abdominal e diarréia; sendo assim, a incorporação desses 
polissacarídeos em alimentos pode ampliar seu uso (Briani et al., 1988). 
Atualmente, vem sendo bastante enfatizada a utilização dos -glucanos 
incorporados aos alimentos, visando à melhoria dos níveis glicêmicos após as refeições 
(Bourdon et al., 1999). Estes compostos são solúveis em água e bases diluídas sendo, 
porém, resistentes aos processos digestivos humanos. A presença deles em alimentos 
é relacionada à redução dos níveis de colesterol e riscos de doenças coronárias 
(Anderson & Bridges, 1993; Wood, 1993). Na redução dosníveis de glicose plasmática 
os glucanos têm sido relacionados, principalmente, à inibição da absorção de glicose 
(McDonald et al., 1992; Wursch & Pi-Sunyer, 1997). 
Outros polissacarídeos ricos em ácidos urônicos, são as mucilagens, que são 
compostos que em presença de água incham e tomam aspecto particular de soluções 
viscosas. As mucilagens são encontradas em muitas plantas e são normalmente 
formadas da parede celular, sendo essencialmente poliuronídeos consistindo de 
açúcares e unidades de ácido urônicos (Trease e Evans, 1989). 
Na planta, as mucilagens exerce função de reseva, retenção de água em bulbo, 
raízes, folhas e em sementes durante a germinação e ainda de proteção contra alguns 
microorganismos. Estes compostos apresentam propriedades antiinflamatórias, 
laxativas, antidiarréicas, hipoglicemiantes (Tomoda et al, 1987) e são utilizadas na 
indústria farmacêutica para correção do gosto de certos fármacos, estabilidade de 
emulsões e pomadas e na indústria alimentar no fabrico de geléias e doces diversos. 
Também são utilizadas para preparo de meios de cultura para cultivo de fungos, 
bactéria e tecidos de plantas. 
Na área da fitoquímica, as plantas medicinais têm sido caracterizadas por seus 
possíveis compostos bioativos, que têm sido separados e submetidos à análise 
estrutural detalhada. Muitas vezes, os efeitos benéficos de extratos vegetais resultam 
da combinação de metabólitos secundários presentes nas plantas (Briskin, 2000). Os 
compostos do metabolismo secundário não têm papéis reconhecidos nos processos de 
assimilação, apresentam distribuição restrita no reino vegetal, ou seja, são encontrados 
em espécies de grupos taxonomicamente relacionados. 
 
Príncipios Ativos de Plantas 
 
17 
Compostos secundários podem ser definidos como aqueles que não têm um 
papel reconhecido na manutenção de processos vitais dos organismos que os 
sintetizam (Conn e Stumpf, 1981), quer seja, na síntese de protoplasma ou geração de 
energia. 
Vários autores têm mostrado que os metabólitos secundários exercem 
importantes funções ecológicas e representam estratégias alternativas para a 
sobrevivência de plantas exercendo efeitos alelopáticos, intimidando predadores, 
atraindo polinizadores, entre outros.(Harborne, 1977; Feibert e Langenheim, 1988; 
Dakora, 1995; Turner, 1995). Muitas substâncias desses grupos constituem princípios 
ativos que são utilizados na indústria farmacêutica no fabrico de fármacos e 
cosméticos, na indústria agronômica para obtenção de inseticidas como a piretrina e 
mesmo inclusos nos preparados caseiros da medicina tradicional. 
Partindo da via do acetato malonato, do acetato mevalonato e do chiquimato, que 
são as principais rotas metabólicas, pode-se dividir os compostos secundários em 3 
grandes grupos: os terpenos, os compostos fénolicos e compostos contendo nitrogênio. 
Os terpenos são compostos sintetizados do acetil CoA, da via ácido mevalônico. Os 
compostos fénolicos são substâncias aromáticas (que possuem na fórmula química um 
anel aromático) formadas pela via do chiquimato ou do ácido malônico. Os produtos 
secundários contendo nitrogênio são primariamente biossintetizados dos amino-ácidos, 
destacando-se neste grupo os alcalóides, as mais velhas drogas vegetais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Lippia sidoides – Capim limão 
(Verbenaceae) 
Óleos essenciais - Timol 
Cymbopogon citratus – Capim limão 
(Poaceae) 
Óleos essenciais - citral 
 
 
 
 
 
 
 
 
Ruta graveolens – Arruda (Rutaceae) 
Glicosídeos flavonóides 
 
Digitalis purpurea – Dedaleira 
(Scrophulariaceae) 
Glicosídeos cardiotônicos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Príncipios Ativos de Plantas 
 
19 
 
 
 
 
 
 
 
 
Stryphnodendron sp – Barbatimão 
 (Fabaceae) 
Compostos fenólicos - Taninos 
 
 
 
 
 
Catharanthus roseus– Vinca, Boa noite 
(Apocynaceae) 
Alcalóides vincristina e vimblastina 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Figura 2 – Principais rotas de biossíntese de metabólitos secundários e suas 
interrelações com o metabolismo primário. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Príncipios Ativos de Plantas 
 
21 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Fig. 3 A - Formação do esqueleto básico 
de 5 carbonos dos terpenos 
da rota dos terpenos 
 Fig. 3 B - Formação das principais 
subclasses de terpenos a 
partir dos 5 carbonos do 
IPP e do DPP 
 
 
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Figura 3 – Biossíntese de fenólicos em plantas. Em plantas superiores a maioria 
dos fenólicos são derivados pelo menos em parte da fenilalanina, um 
produto da rota do ácido chiquímico. 
 
a) Terpenos 
 
Os terpenos são compostos formados pela fusão de 5 unidades de carbono 
(isopentano). São geralmente insolúveis em água e são classificados pelo número de 
unidades de 5 carbonos em: 
 Monoterpenos - que possuem 2 unidades de C5,ou seja, 10 carbonos 
 Sesquiterpenos - que possuem 3 unidades de C5 , ou seja, 15 carbonos 
 Diterpenos - que possuem 4 unidades deC5,ou seja 20 carbonos 
 Triterpenóides - que possuem 30 carbonos 
 Tetraterpenóides - que possuem 40 carbonos 
 Politerpenóides – que possuem como fórmula geral (C5) n, n  20, como 
exemplo a borracha. 
 
 
Príncipios Ativos de Plantas 
 
23 
Um diterpeno bastante explorado pela indústria de medicamentos, o paclitaxel, 
previamente chamado taxol, é uma susbtância que foi isolada pela primeira vez a partir 
das cascas de Taxus brevifolia Nutt (Taxaceae), sendo a mesma molécula foi 
descoberta em outras espécies do gênero taxus, como por exemplo, nas folhas de 
Taxus baccata L. A comercialização do taxol foi aprovada pelo FDA (Food and Drugs 
Administration). Inicialmente o taxol era comercializado para o tratamento de câncer de 
ovário resistente a quimioterapia clássica. Atualmente este medicamento tem entrado 
na terapêutica de outros cânceres ginecológicos. O paclitaxel é encontrado quase que 
exclusivamente nas folhas em pequenas quantidades. A sua síntese total é muito cara 
e impraticável do ponto de vista industrial, porém sua obtenção a partir da semi-síntese 
foi realizada a partir da 10-desacetilbacatina, um intermediário biossintético próximo ao 
paclitaxel e presente em grandes quantidades nas folhas de T. baccata L (Denis et al, 
1988). 
As misturas complexas de terpenóides voláteis formam os óleos essenciais 
característicos de muitas ervas medicinais. Algumas famílias são produtoras de 
grandes quantidades de óleos essenciais que são largamente explorados pela indústria 
e também utilizados nas preparações caseiras como ervas aromáticas para diferentes 
enfermidades, especialmente as do aparelho respiratório. Dentre as famílias que 
apresentam altos conteúdos de óleos essenciais em sua composição destacam-se 
Lamiace, Poacea, Apiaceae, Mirtaceae, Vebenaceae, Rutaceae, entre outras. 
 
b) Compostos Fenólicos 
 
O termo, compostos fenólicos, abrange uma ampla faixa de substâncias de 
plantas as quais possuem em comum um anel aromático com uma ou mais hidroxilas 
substituintes. Estas substâncias tendem a ser solúveis em água, uma vez que elas 
ocorrem, frenquentemente combinadas com açúcares, como glicosídeos e estão 
geralmente localizadas no vacúolo celular. 
Entre os compostos fenólicos naturais, dos quais milhares de estruturas são 
conhecidas, os flavonóides formam o maior grupo apesar de fenóis monocíclicos, 
fenilpropanóides e quinonas fenólicas existirem em números consideráveis. Vários 
grupos poliméricos importantes encontrados nas plantas como ligninas,melaninas e 
taninos são polifenólicos; ocasionalmente unidades fenólicas são encontradas em 
proteínas, alcalóides e entre os terpenóides (Harborne, 1984). Os compostos fenólicos 
das plantas são um grupo heterogêneo: alguns são lipídeos solúveis em solventes 
orgânicos, outros são ácidos carboxílicos e glicosídeos solúveis em água, enquanto 
outros são polímeros insolúveis. 
A maioria dos compostos fenólicos é derivada da fenilalanina, sendo a enzima 
chave na biossíntese de fenólicos a fenilalanina amonia-liase, que catalisa a 
transformação por desaminação do aminoácido L-fenilalanina, em ácido trans-
cinâmico, sendo este o primeiro passo para a biossintese dos fenólicos vegetais. A 
fenilalanina amonia-liase tem sido isolada de várias fontes, sendo sua presença 
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24 
observada em uma ampla variedade de plantas superiores e fungos, mas não é 
encontrada em animais. Dentre os compostos fenólicos merecem destaque como 
princípios ativos os flavonóides e os taninos. Os flavonóides são um grupo de 
compostos do metabolismo secundário de origem biossintética mista, parte da 
molécula proveniente da rota do ácido chiquímico e parte do ácido malônico. 
Apresentam um esqueleto básico constituído por 15 átomos de carbono, formando 2 
núcleos fenólicos conectados por uma cadeia de três carbonos, que pode ser aberta ou 
fechada, designada no último caso, de anel pirano central. Os flavonóides apresentam 
uma grande diversificação estrutural baseada nas diferentes classes, combinadas a 
vários padrões de hidroxilação, metilação, glicosilação e outras substituições 
(Harborne, 1984; Harborne, 1993). Os grupos hidroxil e açúcares aumentam a 
solubilidade dos flavonóides, os ésteres com subtituintes metil ou unidades isopentil 
fazem os flavonóides lipofílicos. 
Os flavonóides são substâncias altamente ativas. Assim tem sido observado que 
flavonas metiladas e flavonóis incluindo a flavona eupatorin (5,3’ - dihidroxi 6, 
7,4’trimetoxiflavona) tem atividade anticâncer ( Kupchan et al, 1969). Hisperidina e 
rutina tem sido utilizada no tratamento capilar e como agente antiinflamatório (Gabor, 
1972). Vários flavonóides tem sido testados, apresentando atividade contra diferentes 
desordens fisiológicas como artrite (Malhotra et al, 1967), malária (Nkunya et al, 1993), 
inibição da infecção HIV (Li et al, 1993). O derivado de uma cumarina chamada 
calanolida A é um composto obtido de uma planta da floresta úmida Africana 
Calophyllum lanigerum Miq (Clusiaceae), apresentando atividade inibitória sobre a 
transcriptase reversa do HIV-1, sendo um composto promissor para o tratamento da 
AIDS (Ishikawa, 2000). 
Os taninos compreendem um grande grupo de substâncias amplamente 
distribuídas no reino vegetal e quando ocorrem em grande quantidade, eles são 
usualmente localizados em órgãos específicos como folhas, frutos, casca e caule (Tyler 
et al, 1988). Há dois tipos de taninos os condensados, que ocorrem quase 
universalmente em pteriófitas e gimnospermas e são amplamente distribuídos entre as 
angiospermas, especialmente em tecidos lenhosos. Em Bauhinia holophylla, os taninos 
presentes nas folhas são condensados (pirocatequínicos) Salatino (1976). Os taninos 
hidrolisáveis são limitados a dicotiledôneas e são encontrados em poucas famílias 
relativamente. Esses dois tipos de taninos podem ocorrer em uma mesma planta como 
em árvores de carvalho que eles ocorrem na casca e folhas. 
A biossíntese dos taninos condensados ocorre a partir da condensação de uma 
simples catequina (ou galocatequina) para formar dímeros e então oligômeros maiores 
e a maioria deles apresentam entre duas a 20 unidades de flavanas. O nome 
proantocianidina é usado alternativamente para taninos condensados porque com o 
tratamento a quente com ácido algumas das ligações C-C são quebradas liberando 
monômeros de antocianidina. 
 
Príncipios Ativos de Plantas 
 
25 
Os taninos hidrolisáveis são polímeros heterogêneos contendo ácidos fenólicos, 
especialmente ácido gálico e açúcares simples, como depsídeos de galoilglicose 
(Harborne, 1984). 
Os taninos possuem a propriedade de transformar pele de animal em couro pelo 
processo denominado curtimento, pois a ligação do tanino à proteína do colágeno do 
couro do animal aumenta a sua resistência ao calor, água e microorganismos; isto 
determina o alto uso destas substâncias na indústria. (Taiz e Zeigger, 1998). Devem 
ser considerados taninos “quaisquer substâncias de ocorrência natural, com peso 
molecular suficientemente alto, que tenha um grande número de hidroxilas fenólicas (1 
a 2 por 100 unidades de peso molecular) capazes de formar ligações entre proteínas e 
outras macromoléculas. 
Essas substâncias quando adicionadas a dieta, são responsáveis pela diminuição 
da digestibilidade, sendo que em humanos, causam acidez, sensação adstringente na 
boca devido a sua ligação com as proteínas salivares. São sugeridas atividades 
hipoglicemiante de alguns taninos, atividades contra E. coli e Cândida albicans que 
podem causar diarréia, e outros microorganismos (Burapadaja e Bunchoo, 1995). 
 
c) Compostos contendo nitrogênio 
 
Os alcalóides compreendem uma grande classe de substâncias secundárias de 
plantas. O termo alcalóide é mais facilmente descrito do que precisamente 
definido.Eles são compostos contendo nitrogênio, geralmente incluem substâncias 
básicas, são heterocíclico e geralmente exibem atividade fisiológica significativa em 
humanos e animais. Os alcalóides são as mais velhas drogas e ainda são de grande 
uso na medicina moderna. 
Os alcalóides, grupo quimicamente heterogêneo, sendo que sua estrutura pode 
variar de muito simples a altamente complexa. A maioria dos alcalóides, são 
sintetizados a partir de amino-acidos como ácido aspártico, lisina, ornitina, citosina e 
triptofano, sendo que os alcalóides do tipo metilxantinas são alcalóides larganmente 
utilizados na indústria de bebidas e são obtidos das sementes de guaraná e café, ricos 
em cafeína. 
São geralmente ausentes nas gimnospermas, pteridófitas, musgos e plantas 
inferiores e sua função nas angiospermas é ainda obscura, embora se tenha relato do 
envolvimento de substâncias individuais na regulação do crescimento, repelentes e 
atraentes de insetos. 
Os alcalóides são as mais velhas drogas utilizadas pela humanidade, sendo 
dotados de importantes ações farmacológicas. São importantes sedativos e 
antiespasmódicos como os alcalóides de beladona – Atropa belladonna L., onde as 
investigações fitoquímicas conduziram ao isolamento de alcalóides tropânicos. A 
atropina é um alcalóide parassimpatomimético, que inibe a formação competitiva e 
reversível a fixação da acetilcolina sobre seus receptores. Provoca diminuição das 
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26 
secreções salivares, nasais e brônquicas e midríase. É utilizada em doses fracas (dose 
máxima de 2 mg/dia) para o tratamento de espasmos gastrointestinais, cólicas 
hepáticas e às vezes em pré-anestesia para diminuir as secreções salivares e 
brônquicas. Esta substância pode ser utilizada como antídotos em casos de intoxicação 
por cogumelos contendo a muscarina e também por inibidores de acetilcolinesterase 
como pesticida organoclorados e alguns gases de combate. Outro alcalóide de 
natureza mais lipofílica que a atropina é a escopolamina, que pode penetrar facilmente 
na corrente sanguínea. Os alcalóides bisindólicos vimblastina e vincristina isolados de 
Catharanthus roseus (Apocynacea), denominado popularmente como vinca, maria-
sem-vergonha, descobertos no final dos anos 60 ainda são medicamentos 
indispensáveis para o tratmento da leucemia 
 
TABELA 1 – Principais tipos de alcalóides , seus aminoácidos precursores e 
exemplos de cada tipo. 
Classe de alcalóide Precurssor biosintético Exemplos 
Pirrolidínicos Ornitina NicotinaTropânicos Ornitina Atropina, cocaína 
Piperidínicos Lisina Coniina 
Pirrolizidínicos Ornitina Retrorsina 
Quinolizidínicos Lisina Lupinina 
Isoquinolinicos Tirosina Codeína, morfina 
Indólicos Triptofano Reserpina, estriquinina 
 
 
d) Heterosídeos em geral 
 
Os glicosídeos ou heterosídeos, são compostos constituídos de duas partes, uma 
aglicona (que pode ser proveniente de qualquer composto secundário) e uma porção 
açúcar, sendo assim o termo glicosídeo designa genericamente um composto ligado a 
um açúcar, que muitas das vezes pela alta fitotoxicidade da aglicona se encontra de 
forma conjugada na planta. 
O principal mecanismo de formação dos glicosídeos implica a transferência de um 
grupo uridila de um trifosfato de uridina para 1- fosfato sacarídeo. As enzimas que 
catalisam essas reações são chamadas uridil-transferases e podem ser isoladas de 
fontes animais, vegetais e microbianas. 
Uma vez formado o glicosídeo, outras enzimas podem transferir outra unidade 
sacarídica para a parte monossacarídica , convertendo-a num dissacarídeo. Em várias 
plantas que contêm glicosídeos ocorrem enzimas que são capazes de produzir partes 
trissacarídicas e tetrassacarídicas dos glicosídeos através de reações análogas. 
Quando a sistematização se baseia na natureza química do grupo aglicona, a 
classificação dos medicamentos à base de glicosídeos é feita segundo o seguinte 
Príncipios Ativos de Plantas 
 
27 
esquema: 1 – grupo dos cardiotônicos esteroidais 2 – grupo das antraquinonas 3 – 
grupo dos saponínicos 4 – grupo dos cianogenéticos 5 ) grupo dos glicosinolatos e dos 
isoticianatos 6 – grupo dos flavonóides 7) grupo dos álcoois 8) grupo dos aldeídos 9- 
grupo dos fenóis. Estes diferentes glicosídeos podem estar presentes em família de 
plantas em particular como é o caso dos tioglicosídeos (que comtém enxofre) de 
Brassicaceae, sementes de capuchinha, grãos de mostarda; glicosídeos 
cianogenéticos de amêndoas amargas, flor de sabugueiro, abrunheiro bravo, folhas de 
cerejeira; glicosídeos antraquinônicos de rizoma do ruibarbo, cáscara sagrada e sene; 
glicosídeoa cardiotônicos de dedaleira; glicosídeos fenólicos da casca do salgueiro, de 
espécies de Bauhinias; de glicosídeos saponínicos, os quais merecem destaque as que 
possuem como sapogenina um triterpenóide ou um esteróides, que são substâncias 
precursoras dos compostos que são utilizados nas pílulas anti-concepcionais, como os 
das Dioscoreas. 
 
6 
LOCALIZAÇÃO DOS PRINCÍPIOS 
ATIVOS NAS PLANTAS 
Os princípios ativos podem ser de natureza variável e podem se acumular na 
planta toda, como em um órgão em particular. Assim, existem plantas onde os 
princípios ativos estão localizados nas sementes preferencialmente do que nas folhas, 
frutos ou órgãos subterrâneos. A seguir estão listadas algumas plantas com finalidade 
terapêutica e as principais partes das plantas que acumulam quantidades consideráveis 
de princípios de interesse terapêutico. 
 
a) Raízes com importância farmacêutica 
 
ABUTUA - Chondrodendron platyphyllum (St. Hill) Miers 
 
- Família: Menispermaceae 
- Componentes principais: alcalóides de núcleo bis-benzil-tetra-
hidroisoquinoleina; 1-bebeerina; isochondodendrina; isobebeerina; isoclaurina. 
- Usos terapêuticos: diurético, febrífugo, tônico e aperiente usado em casos de 
irritação das vias urinárias. 
 
ACÔNITO - Aconitum napelius L. 
 
- Família: Ranunculaceae 
- Componentes principais: alcalóides; aconitina; picroaconina; aconina. 
- Usos terapêuticos: analgésico antinevrálgico, crises gotosas e reumáticas em 
geral. É usado ainda como anticongestivo, diaforético em congestões pulmonares, 
pneumonias, gripes, bronquites, laringites agudas e tosses espasmódicas. 
 
ALCAÇUZ - Glycyrrhiza glabra L. 
 
- Família: Fabaceae 
- Componentes principais: saponina, glicirrizina, flavonóides. 
 
Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 
 
29 
- Usos terapêuticos: béquico, expectorante, emoliente. E empregado em 
afecções das vias respiratórias, traqueobronquites e suas manifestações. Utilizado 
como edulcorante. Utilizado no tratamento de úlceras gástricas e duodenais e como 
antiespasmódico. 
 
ALTEIA - Althaea officinalis L. 
 
- Família: Malvaceae 
- Principais componentes: mucilagens. 
- Usos terapêuticos: béquico e emoliente, usado em afecções das vias 
respiratórias e intestinais. 
 
GENCIANA - Gentiana lutea L. 
 
- Família: Gentianaceae 
 
- Componentes principais: glicosídeos amargos: genciopicrosídio, genciopicrina 
e amarogenciana (= swertiamarina). 
- Usos terapêuticos: tônico, amargo, eupéptico e digestivo. Atribui-se também 
propriedades febrífugas. 
 
HIDRASTE - Hydrastis canadensis L. 
 
- Família: Ranunculaceae 
- Componentes principais: alcalóides: hidrastina, berberina e canadina. 
- Usos terapêuticos: hemostático empregado nas hemorragias uterinas e nas 
dismenorréias. Usado também nas hemorragias e como tônico, amargo e estomáquico 
em casos de atonias gastrintestinais. 
 
IPECACUANHA - Cephaelis ipecacuanha (Brol) Richard 
 
- Família: Rubiaceae 
- Componentes principais: alcalóides: emetina, cefelina, psicotrina, o-
metilpsicotrina e emetanina; saponinas e iridóide cristalino (ipecósido). 
- Usos terapêuticos: emético, expectorante e amebicida. 
 
MUIRAPUAMA - Ptychopetalum olacoides Bentham 
 
- Família: Olacaceae 
- Componentes principais: esteróis, lupeol. 
- Usos terapêuticos: tônico, afrodisíaco. Empregado em paralisias parciais, 
nevralgias e reumatismos. 
 
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30 
POLIGALA - Polygala senega L. 
 
- Família: Polygalaceae 
- Componentes principais: saponinas - mistura de saponosídeos triterpênicos 
dificilmente separáveis; ácido poligálico; valerianato de metila; salicilato de metila. 
- Usos terapêuticos: expectorante, empregado em bronquites. 
 
RAUVOLFIA - Rauvolfia serpentina Bentham 
 
- Família: Apocynaceae 
- Componentes principais: alcalóides: reserpina, ajmalicina, reserpinina, re-
serpilina, rescinamida, ajmalina, rauvolfinina e outros. 
- Usos terapêuticos: hipotensor e sedativo. 
 
RUIBARBO - Rheum palmatum L. 
 
- Família: Polygonaceae 
- Componentes principais: antraderivados:hidroxiantraquinonas e derivados da 
diantrona. 
- Usos terapêuticos: laxativo, purgativo. É usado ainda como tônico, amargo. 
 
VALERIANA - Valeriana officinalis L. 
 
- Família: Valerianaceae 
- Componentes principais: óleo essencial (contendo isovalerianato de bornila); 
taninos; resinas; heterosídeos; alcalóides; flavonas; ácidos orgânicos; triterpenóides, 
valepotriatos. 
- Usos terapêuticos: calmante, antiespasmódico e anticonvulsivo. 
 
Inúmeras outras drogas são constituídas por raízes. Assim, por exemplo, temos: o 
“alcaçuz-do-brasil”, Periandra níediterranea (VII) Taubert.; a “poligala-do-brasil”, 
Polygala cyparissias A St. HilI; o “ginseng-do-brasil”, Pfaffia paniculata (Martius) Kuntze. 
Outras raízes possuem grande interesse na alimentação: cenoura, nabo, bardana e 
rabanete. 
 
b) Caules com importância farmacêutica 
 
CARQUEJA AMARGA - Baccharis trimera (Less) A.P. de Candolle 
 
- Família: Asteraceae 
- Componentes principais: óleo essencial (acetado de carquejol, nopinemo,  e 
 canineno, calameno, eledol, eudesmol), lactonas diterpênicas, flavonóides (3,5 
dihidroxi, 4, 6, 7 trimetoxi flavonona ou eupatorina), resina e saponina baccharonina. 
Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 
 
31 
- Usos terapêuticos: tônico amargo, eupéptico e diurético. 
 
CIPÓ-CABLOCO - Davilla rugosa Poirier 
 
- Familia: Dilleniaceae 
- Componentes principais: (mal conhecidos) taninos, substâncias de natureza 
glicosídica. 
- Usos terapêuticos: adstringente, antiinflamatório, analgésico local, 
vasocontristor. Empregado no tratamento de orquites, epididimites, hemorróidas, 
varizes. 
 
CIPÓ-CRAVO - Tynnanthus fasciculatus Miers- Família: Bignoniaceae 
- Componentes principais: óleo essencial (traços), tinantina, ácido tinântico, 
tanino, resina, açúcares e cumarina. 
- Usos terapêuticos: tônico estomacal, carminativo, aromático usado como 
corretivo de sabor. 
 
CURCUMA - Curcuma longa L. 
 
- Família: Zingeberaceae 
- Componentes principais: curcumina, óleo essencial contendo curcumenol, 
turmerona, zingibereno e traços de felandreno, sabineno, cineol e borneol. 
- Usos terapêuticos: tônico, aromático e estimulante das funções digestivas. 
 
FETO-MACHO - Dryopteris filix-mas (L.) Schott 
 
- Família: Polypodiaceae 
- Componentes principais: substâncias derivadas do floroglucinol, tais como: 
ácido filícico, aspidinol, ácido filicínico, filmarona e aspidina. 
- Usos terapêuticos: anti-helmíntico. 
 
GALANGA - Alpínia officinarum Hance 
 
- Família: Zingiberaceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo cineol, eugenol e pineno, e 
flavonóides contendo galangina e caempferina. 
- Usos terapêuticos: estimulante das funções digestivas, carminativo, aromático 
e anti-odontálgico. 
 
 
 
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32 
GENGIBRE - Zingiber officinale Roscoe 
 
- Família: Zingiberaceae 
- Componentes principais: óleo essencial constituído principalmente por d-
canfeno, felandreno, zingibereno, cineol, citral, borneol, gingerol e resina. 
- Usos terapêuticos: estimulante digestivo e carminativo. 
 
VERATRO - Veratrum viride Aiton 
 
- Família: Liliaceae 
- Componentes principais: alcalóides contendo cevadina, veratridina, jervina, 
pseudojervina, resina. 
- Usos terapêuticos: depressor cardiorrespiratório, vasomotor, hipotensor, 
sedante. Inseticida. 
 
ZEDOÁRIA - Curcuma zedoaria (Bergius) Roscoe 
 
- Família: Zingiberaceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo álcoois sesquiterpênicos, 
zedarol, curzeona, curcumenol e isocurcumenol, curcumenona, curcumanólido A, 
curcumanólido B, cineol e resina. 
- Usos terapêuticos: aromático, estimulante digestivo, estomáquico, carminativo, 
hepatoprotetor. Empregado no tratamento de halitose. 
 
O caule está presente, ainda, em uma série de drogas constituídas pelo vegetal 
inteiro, pelas sumidades floridas e pelas partes aéreas do vegetal. Absinto, acariçoba, 
adonis, agrião, agrião-do-pará, alecrim, alecrim-bravo, cipó-azougue, cipó-cabeludo, 
cipó-caboclo, cordão-de-frade-miúdo, cordão-de-frade, fumária e gervão-roxo, 
constituem exemplos destes tipos de drogas. Outras vezes parte do caule é que 
constitui a droga. O barbatimão e a canela-da-china e do Ceilão, cáscara-sagrada, a 
frângula, a quina amarela e a vermelha e o viburno são exemplos de drogas 
constituídas de casca de caule. O sassafrás, a quássia, o pau-tenente, o sândalo-roxo 
e o sândalo-cítrico são exemplos de drogas constituídas por lenho de caules. 
 
c) Folhas com importância farmacêutica 
 
ABACATEIRO - Persea americana MilIer 
 
- Família: Lauraceae 
 
- Componentes principais: flavonóides: quercetina; -sitosterol; hepta-álcool 
denominado perseitol; óleo essencial contendo estragol e anetol. 
 
Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 
 
33 
- Usos terapêuticos: as folhas têm ação diurética e colagoga, sendo empregadas 
nas afecções hepáticas e das vias urinárias. As folhas são consideradas ainda como 
emenagogas e carmínatívas. 
 
ALCACHOFRA - Cynara scolymus L. 
 
- Família: Asteraceae 
- Componentes principais: cinarina; ácido clorogênico; ácido caféico; 
mucilagem; pectina; tanino, ácidos orgânicos: málico, glicérico e glicólico. Possui ainda 
dois componentes glicosidicos denominados glicosídio A e glicosídio B da alcachofra. O 
glicosídio B é tido como colerético. Apresenta, ainda, dois componentes flavônicos 
glicosídicos: o cinarósido e o scolimosidio. 
- Usos terapêuticos: Colerético, colagogo, diurético, laxativo. Estimula a função 
antitóxica do fígado. Abaixa a taxa de uréia e do colesterol sanguíneo. Indicada nas 
afecções do aparelho hepático-biliar e como coadjuvante nos regimes de 
emagrecimento. 
 
ALOE-DO-CABO (Aloe ferox MilIer, Aloe africana MilIer, Aloe spicata Backer) 
 
ALOÉ-DE-CURAÇAU (Aloe vera L. Aloe perry Backer) 
 
- Família: Liliaceae 
- Componentes principais: Bastante importantes os componentes 
antraquinônicos como purgativo, laxativo. Aloína, barbaloina, aloemodina são 
constituintes deste grupo de vegetais. A aloina também é empregada como filtro solar. 
AIoe vera L. é bastante cultivada em diversos lugares do mundo, com vistas à 
utilização em cosmética. 
- Usos terapêuticos: laxativo, purgativo, filtro solar, tratamento de queimaduras. 
 
BELADONA - Atropa belladonna L. 
 
- Família: Solanaceae 
 
- Componentes principais: alcalóides tropânicos: 1-hiosciamina, hioscina 
(escopolamina), beladonina. A atropina corresponde à forma racêmica de hiociamina. 
Apresenta também substâncias cumarínicas: -metil-esculetina. 
- Usos terapêuticos: sedativo, antiespasmódico. Inibe a atividade do 
parassimpático. É empregado na asma, tosses reflexas, coqueluche, cólicas intestinais 
e renais. 
 
CAPIM-LIMÃO - Cymbopogon citratus (DC) Staph 
 
- Família: Poaceae 
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34 
- Componentes principais: óleo essencial contendo citral. 
- Usos terapêuticos: calmante, carminativo, antitérmico, analgésico. 
 
CARNAUBEIRA - Copernicia cerifera (A. Cam.) Martius 
 
- Família: Palmae 
- Componentes principais: cera, ácidos graxos contendo de 18 a 30 átomos de 
carbono. Acido carnaúbico e ácido cerático. 
- Usos terapêutícos: necessidade farmacêutica. 
 
CHAPÉU-DE-COURO - Echinodorus macrophyllus (Kun.) Micheli 
 
- Família: Alismataceae 
- Componentes principais: composição química mal conhecida. Glicosideos: 
equinodorosideo. 
- Usos terapêuticos: diurético, depurativo. Usado nas afecções das vias 
urinárias. 
 
DIGITAL - DEDALEIRA - Digitalis purpurea L. , Digitalis lanata Ehrart 
 
- Família: Scrophulariaceae 
- Componentes principais: glicosídios cardiotônicos: Purpúreo-glicosídios A, B, 
C e D, digitoxina, gitoxina e gitaloxina; saponinas: digitonina, gitonina e tigonina, 
flavonóides. 
- Usos terapêuticos: insuficiência cardíaca congestiva. A digitoxina, além de ser 
usada pela sua atividade inotrópica positiva, é empregada externamente no tratamento 
de varizes. 
 
ESTRAMÔNIO - Datura stramonium L. 
 
- Família: Solanaceae 
- Componentes principais: alcalóides tropânicos: hiosciamina, escopolamina; 
componentes cumarínicos: escopoletina, esculetina e esculina. Estes componentes 
aparecem em quantidade reduzida e dependem da variedade do vegetal. 
- Usos terapêuticos: antiespasmódico, analgésico, tosses quintosas, asma. 
 
EUCALIPTO - Eucalyptus globulus Labillardiere; Eucalyptus citriodora Hooker 
 
- Família: Myrtaceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo: eucaliptol, pineno, canfeno, 
fencheno, eudesmol, mirtenol, terpineol, globulol. Componentes flavonóidicos; taninos. 
 
 
Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 
 
35 
- Usos terapêuticos: balsâmico, expectorante, antiparasitário e bacteriostático 
em função da presença do óleo essencial. Tônico e adstringente em função dos taninos 
presentes. 
 
GUACO - Mikania glomerata Sprengel 
 
- Família: Asteraceae 
- Componentes principais: diterpenos: ácidos caurenóico, ácido cinamiol 
grandiflórico, estigmasterol, resina cumarina. 
- Usos terapêuticos: balsâmico, expectorante, antitussígeno, antiasmático e 
broncodilatador. Externamente no tratamento de dermatites e micoses. 
 
HAMAMELIS - Hamamelis virginiana L. 
 
- Família: Hamamelidaceae 
- Componentes principais: tanino: hamameloanino; saponinas; flavonóides: 
quercetol, canferol, glicosídios flavonóidicos do canferol, mucilagens. 
- Usos terapêuticos: adstringente, hemostático. Usado no tratamento de varizes. 
 
HORTELÃ-DO-BRASIL - Mentha arvensis L.- Família: Lamiaceae 
- Componentes principais: óleo essencial: L-mentol (90%) neomentol, acetato e 
mentilo, L-mentona, terpenos. 
- Usos terapêuticos: estimulante gástrico, digestivo, carminativo aromático, 
colagogo. E empregado nas indústrias de cosméticos, alimentos e medicamentos. 
 
HORTELÃ-PIMENTA - Mentha piperita L. 
 
- Família: Lamiaceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo principalmente mentol; 
mentona, ésteres metílicos, terpenos, cineol, tanino e principio amargo. 
- Usos terapêuticos: estimulante, aromático, carminativo, 
antiespasmódico.Externamente é empregado em gargarejos, inalações, pastilhas. E 
usado tanto na indústria de medicamentos, como de cosméticos e de alimentos. 
 
JABORANDI - Pilocarpus microphyllus Staph 
JABORANDI-DO-PARAGUAI (Jaborandi-do-rio) 
Pilocarpus pennatijfolius Lem 
JABORANDI-DE-PERNAMBUCO - Pilocarpus jaborandi Holmes 
 
- Família: Rutaceae 
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- Componentes principais: alcalóides: pilocarpina, pilocarpidina, isopilocarpina; 
óleo essencial rico em hidrocarbonetos terpênicos, matéria resinosa e taninos. 
- Usos terapêuticos: diaforético, sialagogo, parassimpaticomimético galactagogo. 
A pilocarpina é muito empregada em colírios como miótico, em dermatologia como 
modificador da pele e para evitar a queda de cabelo. 
 
LOBELIA - Lobelia inflata L. 
 
- Família: Lobeliaceae 
- Componentes principais: alcalóides: 1-lobelina, lobelanina, lobelanidina, 
norlobelanina, lobinina e isolobinina; material ceroso e tanino. 
- Usos terapêuticos: expectorante, diaforético, antidispnéico. 
 
MARACUJÁ - Passiflora alata Dryander 
 
- Família: Passifloraceae 
- Componentes principais: alcalóides: harmana, harmina, harmol, harmolol; 
flavonóides: 2-xilosil-vitexina, vitexina, isovitexina, orientina. 
- Usos terapêuticos: sedativo, hipnótico, usado nas excitações nervosas e nas 
neurastenias. 
 
MEIMENDRO - Hyoscyamus niger L. 
 
- Família: Solanaceae 
- Componentes principais: alcalóides: hiosciamina, hioscina (escopolamina); 
heterosídeo amargo: hiospicrosídeo. 
- Usos terapêuticos: sedativo antiespasmódico, analgésico. Empregado no 
tratamento da asma, tosses reflexas e cólicas intestinais e renais. 
 
PALMA-ROSA - Cymbopogon martini Schult. 
- Família: Poaceae 
- Componentes principais: óleo essencial: geraniol (75-95%), citral, aldeído 
fórmico, aldeído isovalérico, -ocimeno, metil-heptenona, D-linalol, L--terpineol, 
farnesol. 
- Usos terapêuticos: empregado em perfumaria. Aromático, lembrando odor de 
rosas. 
 
SENE - Cassia angustifolia Vahl. - Cassia senna L. (= Cassia acutifolia Delile) 
 
- Família: Fabaceae; subfam. Caesalpinioideae 
- Componentes principais: substâncias antraquinônicas, livres e combinadas: 
crisofanol, aloe-emodina, antranol, senosídeo A e B. 
Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 
 
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- Usos terapêuticos: laxativo, purgativo. 
 
TROMBETEIRA - Datura suaveolens Humboldt et Bonpl. ex Willd. 
 
- Família: Solanaceae 
- Componentes principais: alcalóides tropânicos: hiosciamina, escopolamina. 
- Usos terapêuticos: antiespasmódico. 
 
d) Flores com importância farmacêutica 
 
ALFAZEMA - Lavandula officinalis Chaix. ex Villars - Lavandula intermedia Loisel 
Lavandula vera DC - Lavandula angustifolia (L.) MilIer 
 
- Família: Lamiaceae 
- Componentes principais: óleo essencial com elevado conteúdo em ésteres, 
tais como acetato de linalila; as quantidades de álcoois totais (livres e combinados) é 
sempre alta, alcançando 80% com predominância do linalol. Componentes do óleo; 
hidrocarbonetos: -ocimeno, pineno, coriofileno, cadineno. Alcoóis: linalol, geraniol, 
nerol, lavandulol, borneol; ácidos: acético, propiônico, butírico, valérico, tíglico, 
capróico. 
- Usos terapêuticos: As espécies de lavanda não são empregadas na 
terapêutica, apesar de serem reconhecidas suas propriedades cicatrizantes e anti-
sépticas. Na farmácia é utilizada como aromatizante em loções e outras formas 
farmacêuticas. O óleo essencial é muitíssimo empregado em perfumaria. 
 
ARNICA - Arnica montana L. 
 
- Família: Asteraceae 
- Componentes principais: óleo essencial: ésteres metílicos dos ácidos fórmico, 
acético, isobutírico; flavonóides: isoquercetina e astragalina; óleo fixo: ácidos oléico, 
laúrico, palmítico. Ácidos diversos: fórmico, angélico, málico, caféico. Arnicina, princípio 
amargo; carotenóides; xanuofiloposídeo; zeaxantina; álcoóis triterpênicos: arnidendiol, 
arnidiol, faradiol. 
 
- Usos terapêuticos: vulnerário. A tintura de arnica corresponde ao remédio 
popular mais empregado no tratamento de traumatismos. 
 
CACTO - Cereus grandiflorus MilI. 
 
- Família: Cactaceae 
- Componentes principais: cactina, substância de natureza alcalóidica; 
substâncias resinosas glicosídicas, mucilagens, cera, matérias graxas. 
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- Usos terapêuticos: cardiotônico e diurético. 
 
CALÊNDULA - Calendula officinalis L. 
 
Família: Asteraceae 
 
- Componentes principais: saponinas: glicosídios do ácido oleanólico; óleo 
essencial; calendulina; compostos triterpênicos: arnidiol, faradiol, flavonóides; 
substância amarga. 
- Usos terapêuticos: emenagogo; externamente é empregada em contusões e 
em feridas e queimaduras. 
 
CAMOMILA - Chamomilia recutita L. 
 
- Família: Asteraceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo camazuleno; matricina, 
matricarina, apigenina, umbeliferona, éter etílico de umbeliferona; quercimeritrina; ácido 
clorogênico. 
- Usos terapêuticos: antiespasmódico, tônico, amargo, carminativo estomáquico; 
antiinflamatório. A camomila é muito empregada em cosmetologia, na elaboração de 
xampu. 
 
CRAVO-DA-ÍNDIA - Syzigium aromaticum (L.) Merril et Perry (= Caryophyllus 
aromaticus L.) 
 
- Família: Myrtaceae 
- Componentes principais: óleo essencial: eugenol, acetato de eugenila, 
humuleno, cariofileno. 
- Usos terapêuticos: estimulante estomacal, aromático, carminativo, agente 
saporífero. 
 
LARANJEIRA (Flor) - Citrus aurantium L. 
 
- Família: Rutaceae 
- Componentes principais: óleo essencial com elevado conteúdo em álcoois: 
linalol, terpineol, geraniol, nerol, álcool fenil-etílico, farnesol, nerolidol, antranilato de 
metila, ocimeno, pineno, canfeno, dipenteno. 
- Usos terapêuticos: água de flor-de-laranjeira é empregada para aromatizar 
bebidas doces e até medicamentos. Em terapêutica é usada como antiespasmódica, 
calmante, hipnótico brando. 
 
 
Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 
 
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MACELA - Achyrocline satureoides (Lam) DC 
 
- Família: Asteraceae 
- Componentes principais: óleo essencial, fIavonóides: flavonol, quercetina. 
- Usos terapêuticos: digestivo, antiespasmódico, carminativo, colagogo, 
cupéptico e emenagogo. 
 
PAPOULA-RUBRA - Papaver rhoeas L. 
 
- Família: Papaveraceae 
- Componentes principais: alcalóides: readina, reagenina; antocianinas: 
neocianina, cianina. 
- Usos terapêuticos: emoliente, béquico antiinflamatório, sedativo. 
 
ROSA-BRANCA - Rosa centifolia L. 
 
- Família: Rosaceae 
- Componentes principais: óleo essencial; tanino; flavonóides: quercetina; ácido 
málico e tartárico. 
- Usos terapêuticos: aromatizante, corretivo de odor, adstringente, laxativo. 
 
SABUGUEIRO - Sambucus nigra L. 
 
- Família: Caprifoliaceae 
- Componentes principais: rutina, etilamina, isobutilamina. 
- Usos terapêuticos: diaforético, diurético, emoliente, laxativo. 
 
e) Frutos com importância farmacêutica 
 
AMEIXA - Prunus domestica L. 
 
- Família: Rosaceae 
- Componentes principais: sacarose, xilose, glicose, maltose, ácido málico, 
ácido succínico, ácido cítrico, ácido paracumárico, ácido caféico e ácido clorogênico; 
flavonóides: quercetina; avicularina, 3-glicosido-cianidina; goma, enzima: polifenolase e 
peroxidase. 
- Usos terapêuticos:laxativo, regulador da função intestinal. 
 
ANIS - Pimpinella anisum L. 
 
- Família: Apiaceae 
 
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- Componentes principais: óleo essencial contendo: anetol (80-90%), estragol, 
metilchavicol; ácido anísico; sesquiterpenos. 
- Usos terapêuticos: carminativo, estomáquico, corretivo de sabor. Empregado 
em casos de gastralgia e enteralgia. 
 
CANAFÍSTULA - Cassia fistula L. 
 
- Família: Fabaceae 
- Componentes principais: oximetilantraquinonas, matérias pépticas, tanino, 
substâncias gomosas. 
- Usos terapêuticos: laxativo suave. 
 
CAPSICUM - Capsicum annuum L. 
 
- Família: Solanaceae 
- Componentes principais: capsaicina, capsina, capsicol, capsiorubina, 
capsantina, criptixantina, óleo fixo; material resinoso. 
- Usos terapêuticos: rubefaciente, revulsivo. Usado em dermatologia. 
 
COENTRO - Coriandrum sativum L. 
 
- Família: Apiaceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo linalol, coriandrol, pineno, 
limoneno, terpineno, geraniol, borneol. 
- Usos terapêuticos: estimulante digestivo, carminativo, estomáquico. 
 
COMINHO - Cuminum cyminum L. 
 
- Família: Apiaceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo aldeído carmínico, cimeno, 
paracimenol, pineno, felandreno, carvona, álcool cumínico, tanino; óleo fixo. 
- Usos terapêuticos: carminativo, estomáquico, sudorífero, afrodisíaco. 
 
FUNCHO - Foeniculum vulgare MilI 
 
- Família: Apiaceae 
- Componentes principais: óleo contendo: anetol (50-60%), -pineno, canfeno, 
felandreno, dipenteno, fenchona, estragol, feniculina. 
- Usos terapêuticos: tônico estimulante da função digestiva, carminativo, 
emenagogo. 
 
 
 
Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 
 
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LARANJA-DOCE - Citrus aurantium L. var. sinensis 
 
- Família: Rutaceae 
- Componentes principais: flavonóides: hesperidina; açúcar, matéria 
mucilaginosa; óleo essencial. 
 
- Usos terapêuticos: estomacal, estimulante, edulcorante, usado nas gastralgias 
e nas dispepsías. 
 
LARANJA-AMARGA - Citrus aurantium L. var. amara L. 
 
- Família: Rutaceae 
- Componentes principais: auranciamarina, hesperidina, hesperitina, 
isoesperitina, ácidos aurantiomárico e hespérico, óleo essencial. 
- Usos terapêuticos: estomacal, estimulante da função digestiva, carminativo, 
emenagogo. 
 
LIMÃO - Citrus medica L. var. limonum 
 
- Família: Rutaceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo citral, limoneno, cadineno, 
fenantreno, citronelol, linalol, geraniol, terpineol; ácidos cítrico, málico, ascórbico. 
- Usos terapêuticos: anti-séptico, refrescante, estomacal, estimulante da função 
digestiva. 
 
PAPOULA - Papaver somniferum L. 
 
- Família: Papaveraceae 
- Componentes principais: o látex do fruto coagulado, fermentado e moldado em 
forma de pães, é denominado o pão de ópio. Os componentes principais desta droga 
derivada são os seguintes: morfina, codeína, papaverina, narcotina, narceína e outros. 
- Usos terapêuticos: hipnótico, analgésico e sedativo. 
 
SALSA - Petroselinum sativum Hoffm. 
 
- Família: Apiaceae 
- Componentes principais: óleo essencial contendo pineno, apiol, apiino; óleo 
resina; miristicina. 
- Usos terapêuticos: aperitivo, carminativo, diurético, febrífugo emenagogo. 
 
 
 
 
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f) Sementes com importância farmacêutica 
 
ABÓBORA - Cucurbita pepo L.; Cucurbita maxima Duchesne 
 
- Família: Cucurbitaceae 
- Componentes principais: cucurbitina (3-amino-3carboxipirrolidina). 
- Usos terapêuticos: tenifuga e helminticida. 
 
CACAU - Theobroma cacao L. 
 
- Família: Sterculiaceae 
- Componentes principais: teobromina vermelho de cacau, cafeína, substâncias 
gordurosas (manteiga de cacau); tanino. 
- Usos terapêuticos: utilizado como tônico, reconstituinte, agente de sabor. 
 
CAFÉ - Coffea arabica L. 
 
- Família: Rubiaceae 
- Componentes principais: cafeína, ácido cafetânico, cafélico, clorogênico; 
matérias graxas, cafeona (óleo essencial). 
- Usos terapêutIcos: cardiotônico, estimulante, diurético. 
 
CARDAMOMO - Elettaria cardamomum (Roxb) Maton 
 
 - Família: Zingiberaceae 
 
- Componentes principais: óleo essencial constituído de terpineno, terpineol, 
acetato de terpinila, cineol; matérias graxas corantes. 
- Usos terapêuticos: estimulante, estomáquico, carminativo, corretivo de sabor. 
 
CASTANHA-DA-ÍNDIA - Aesculus hippocastanum L. 
 - Família: Hippocastanaceae 
 
- Componentes principais: tanino, catecol; hidroxicumarianas:esculosídeos e 
flkaxosídeos; flavonóides: quercitrosídeos e leucoantocianidina, triterpenos: -escina. 
- Usos terapêuticos: Tratamentos de perturbações de circulação venosa, 
hemorróidas, varizes. 
 
COLA - Cola nitida (Ventenat) Chevalier 
 
- Família: Strerculiaceae 
- Componentes principais: cafeína, teobromina, tanino, vermelho de cola. 
- Usos terapêuticos: tônico estimulante cerebral, cardiotônico e diurético. 
Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 
 
43 
COLCHICO - Colchicium autumnale L. 
 
- Família: Liliaceae 
- Componentes principais: alcalóides (0,6-12,5%): colquicina, colchicina, 
colchiceina; glicosídios: colebicosídio, trocolchicosídio. 
- Usos terapêuticos: reumatismo gotoso. 
 
ESTROFANTO - Strophantus gratus (Wall. et Hooker) Franchet 
 
- Família: Apocynaceae 
- Componentes principais: glicosidios cardiotônicos: g-estrofantina. 
- Usos terapêuticos: tônico cardíaco. 
 
GUARANÁ - Paullinia cupana Kunth 
 
- Família: Sapindaceae 
- Componentes principais: alcalóides xantínicos: cafeína (maior quantidade); 
teobromina; ácido paulinotânico; saponina, resina, substância gordurosa. 
- Usos terapêuticos: estimulante do sistema nervoso, diurético, tônico cardíaco, 
adstringente. 
 
MOSTARDA-PRETA - Brassica nigra (L.) Koch. 
 
- Família: Brassicaceae 
- Componentes principais: mucilagem, óleo fixo (glicérides dos ácidos oléico, 
erúcico, linoléico, esteárico); um alcalóide, a sinapsina; enzimas. 
- Usos terapêuticos: estimulante, digestivo; externamente empregado como 
rubefaciente. Usado em cataplasmas. 
 
NOZ-VÔMICA - Strychnos nux-vomica L. 
 
- Família: Loganiaceae 
- Componentes principais: alcalóides: estricnina, brucina; ácido clorogênico, 
óleo fixo. 
- Usos terapêuticos: tônico amargo, estimulante muscular e dos nervos. 
 
PACOVA - Renealmia exaltata L. 
 
- Família: Zingiberaceae 
- Componentes principais: óleo essencial pouco conhecido, resina, amido. 
- Usos terapêuticos: estomacal, carminativo. 
 
7 
ASPECTOS DO CULTIVO DE PLANTAS 
MEDICINAIS 
Em diferentes regiões florísticas do Brasil, encontra-se uma grande diversidade de 
espécies medicinais, das quais um percentual inexpressivo de espécies tem sido 
realizado estudos do ponto de vista agronômico. Assim sendo, a exploração de 
recursos medicinais no Brasil está relacionada em grande parte, à coleta extensiva e 
extrativista de materiais silvestres, pois poucas espécies chegam ao nível de cultivo , 
mesmo em pequena escala . 
A carência de informações científicas sobre plantas medicinais ou com potencial 
medicinal, tem levado cientistas a direcionarem suas pesquisas não somente a nível 
farmacológico e químico, como também ao da fisiologia do desenvolvimento. O 
conhecimento sobre a propagação dessas espécies é de fundamental importância, 
pois, a demanda crescente torna imperativa a geração de técnicas adequadas de 
cultivo. 
O Brasil mantêm um comércio externo de plantas medicinais e aromáticas 
bastante expressivo. Em 1992 foi exportado uma tonelada de materiais designados 
como “outras plantas”, com grande possibilidade deste material ser majoritariamente 
plantas medicinais, acredita-se que a maioria foi obtida através do extrativismo. Isto 
pode ser evidenciado pelo acelerado processo de destruição dos recursos naturais nos 
diversos biomas brasileiros levando a destruição

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