Prévia do material em texto
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” (ESPECIALIZAÇÃO) A DISTÂNCIA FARMACOLOGIA – ATUALIZAÇÕES E NOVAS PERSPECTIVAS PLANTAS MEDICINAIS: UTILIZAÇÃO POPULAR E DIVERSIDADE QUÍMICA PARA A INDÚSTRIA ANA CARDOSO CLEMENTE F. F. DE PAULA Universidade Federal de Lavras - UFLA Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão - FAEPE Lavras – MG Parceria Universidade Federal de Lavras - UFLA Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão - FAEPE Reitor Antônio Nazareno Guimarães Mendes Vice-Reitor Ricardo Pereira Reis Diretor da Editora Marco Antônio Rezende Alvarenga Pró-Reitor de Pós-Graduação Joel Augusto Muniz Pró-Reitor Adjunto de Pós-Graduação “Lato Sensu” Marcelo Silva de Oliveira Coordenador do Curso Raimundo Vicente de Sousa Presidente do Conselho Deliberativo da FAEPE Edson Ampélio Pozza Editoração Centro de Editoração/FAEPE Impressão Gráfica Universitária/UFLA Ficha Catalográfica preparada pela Divisão de Processos Técnicos da Biblioteca Central da UFLA Paula, Ana Cardoso Clemente F.F. de Plantas medicinais: utilização popular e diversidade química para a indústria / Ana Cardoso Clemente F. F. de Paula – Lavras: UFLA/FAEPE, 2003. 65 p.: il. – Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” (Especialização) a Distância: Farmacologia – Atualizações e Novas Perspectivas. Bibliografia 1. Planta medicinal. 2. Cultivo. 3. Coleta. 4. Identicação. 5. Princípio ativo. 6. Farmacologia. 7. Planta tóxica. I. Universidade Federal de Lavras. II. Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão. III. Título. CDD – 633.88 - 581.634 Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, por qualquer meio ou forma, sem a prévia autorização. S U M Á R I O 1 - INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE PLANTAS MEDICINAIS ................................... 5 2 - CONCEITOS IMPORTANTES RELATIVOS AO ESTUDO .................................... 7 3 - ASPECTOS RELACIONADOS À COLETA, PREPARO DO MATERIAL VEGETAL PARA IDENTIFICAÇÃO E PARA EXTRAÇÃO................................... 9 4 - PROCESSOS EXTRATIVOS ............................................................................... 11 5 - PRÍNCIPIOS ATIVOS DE PLANTAS ................................................................... 15 6 - LOCALIZAÇÃO DOS PRINCÍPIOS ATIVOS NAS PLANTAS ............................. 28 7 - ASPECTOS DO CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS ..................................... 44 8 - MONOGRAFIAS DE PLANTAS LARGAMENTE UTILIZADAS ........................... 48 9 - PLANTAS TÓXICAS COMUNS ........................................................................... 59 10 - CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................... 63 11 - LITERATURA CONSULTADA ........................................................................... 64 1 INTRODUÇÃO AO ESTUDO DE PLANTAS MEDICINAIS O reino vegetal representa uma fonte inesgotável de recursos dos quais o homem vem utilizando desde épocas remotas. Assim, os vegetais são fontes primárias de alimentação humana e animal, recursos explorados pela indústria de alimentos, têxteis, combustíveis e farmacêutica. Muito embora estes recursos sejam renováveis, a falta de conhecimento e de escrúpulos na exploração dos mesmos, têm levado muitas espécies à extinção, sem sequer conhecer as suas potencialidades. As plantas vêm sendo utilizadas pelo homem para o tratamento de enfermidades desde épocas remotas. A utilização de espécies medicinais no tratamento de enfermidades e na recuperaçáo da saúde é tão antiga quanto a própria humanidade. Atualmente, se tem observado uma crescente expansão na indústria de fitoterápicos em decorrência do alto custo dos medicamentos industrializados e a ocorrência de efeitos colaterais provocados pelos mesmos. Além disso, a retomada de uma consciência ecológica tem levado à busca de medicamentos naturais visando a diminuição de efeitos colateriais indesejáveis e melhor qualidade de vida. Este aumento de demanda torna imperativo o conhecimento do potencial das plantas visando a comprovação dos efeitos terapêuticos, os princípios envolvidos com a atividade, bem como a utilização sustentatável dos recursos e a determinação de técnicas de cultivo visando a preservação das espécies de interesse farmacológico, que somente será possível a partir da possibilidade de realização pesquisas relacionando os diferentes aspectos sobre este vasto campo de estudos. Atualmente, devido ao alto custo ou a dificuldade de síntese de muitas moléculas complexas, muitos medicamentos ainda são obtidos de ervas, como atropina, cafeína, vincristina, morfina e taxol. As moléculas de plantas podem servir como modelos moleculares para a síntese de medicamentos, como é o caso das biguanidas e ácido acetil salicílico que foram baseados em compostos isolados de Galega oficinallis (Fabaceae) e Filipendula ulmaria (Rosaceae), respectivamente A avaliação do risco/benefício de plantas utilizadas com finalidade terapêutica, esbarra no fato de que a maioria dos estudos são incompletos em relação à segurança EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 6 e eficácia. As questões de segurança são extremamente complexas devido a automedicação, indicação de utilização e dosagem por pessoas não especializadas (Gill et al., 1994). Muitas pesquisas são necessárias para a validação de uma planta com uso terapêutico. Tratam-se de estudos multidisciplinares que devem promover interações entre as diversas áreas do conhecimento, a fim de proporcionar um modo de utilização racional das plantas, com garantia de eficácia e segurança, como sumarizado na Figura 1. Figura 1- Diferentes áreas do conhecimento envolvidas nos estudos de plantas com ação terapêutica. EFICÁCIA E SEGURANÇA Toxicologia Síntese parcial ou total com maior seletividade e absorção Aspectos bioquímicos e ecofisiológicos e botânicos Cultivo Padronização Modelos moleculares Ensaios farmacológicos e clínicos Ensaios in vitro Estudos de farmacocinética e farmacodinâmica 2 CONCEITOS IMPORTANTES RELATIVOS AO ESTUDO a) Conceitos gerais Planta Medicinal - Qualquer planta que possua em um ou vários de seus órgãos , substâncias utilizadas com finalidade terapêutica ou que sejam ponto de partida para síntese de produtos farmacológicos. Droga vegetal - É a planta medicinal ou suas partes que após coleta, secagem estabilização e conservação, justifique seu emprego na preparação de medicamentos. Uma das características da droga corresponde a presença de princípios ativos. Princípio ativo - É a molécula quimicamente definida presente na matéria prima responsável pelo efeito terapêutico que a planta possui. Marcadores - São constituintes quimicamente definidos presentes na matéria prima vegetal, preferencialmente os princípios ativos, destinados ao controle de qualidade da matéria prima e dos produtos fitoterápicos. Fitoterapia – Termo derivado do grego phyton – que significa planta e therapeia que encerra a idéia de tratamento. É o método de tratamento de enfermidades que emprega vegetais frescos, drogas vegetais ou ainda extratos vegetais preparados com esses dois tipos de matérias primas. No conceito etimológico, fitoterapia significa tratamento por meio das plantas Produto fitoterápico - Todo medicamento obtido e elaborado empregando-se exclusivamente matérias primas vegetais ativas com finalidade curativa ou profilática com benefícios aos usuários. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 8 b) Termos médico-farmacêuticos Abcesso Acúmulo de pus em uma cavidade Adstringentede várias populações de espécies vegetais de importância medicinal. A coleta indiscriminada de plantas nativas pode levar a depredação do patrimônio genético vegetal de muitas espécies, sendo uma parte considerável deste material exportada na forma bruta ou de subprodutos. Poucas são as espécies medicinais cultivadas e em se tratando de espécies nativas pesquisas básicas ainda são incipientes. O cultivo de espécies medicinais com o objetivo de produzir matéria prima com qualidade e quantidade, com a finalidade de aumentar a produção de biomassa sem alterar o valor terapêutico representa um campo de alta relevância no Brasil em virtude da demanda crescente de matéria prima. Os teores desses compostos não são estáveis e nem se distribuem de maneira homogênea nas diferentes partes dos vegetais, podendo ser encontrados em sítios específicos de acúmulo como rizomas, caules, folhas, sementes ou flores. A variação Aspectos do Cultivo de Plantas Medicinais 45 da concentração destes compostos está sob controle genético, podendo ser alterada pela ontogenia, por condições edafoclimáticas, pela exposição à luz, herbivoria ou mesmo poluentes atmosféricos. Fatores ambientais, genéticos e técnicos podem afetar a qualidade da planta medicinal em termos da sua produção de princípios ativos de interesse farmacológico. O fator genético determina a capacidade potencial de uma determinada espécie produzir um determinado composto em função de sua carga genética. Um exemplo de variações devido a fatores genéticos ocorre em plantas de Achillea millefolium L ( Mil em folhas) onde os indivíduos tetraplóides apresentam procamazuleno no óleo essencial enquanto que indivíduos hexaplóides e octoplóides não apresentam. Estudos têm demonstrado que fatores ambientais e técnicos como diferentes tratos culturais, tem afetado significativamente os teores e a composição dos princípios ativos. Vários autores têm correlacionado a produção de compostos secundários à variações sazonais (Delitala,1983;Pitarevic, 1984; Cabo, 1987; Grella, 1988), estádio de desenvolvimento (Akhila, 1984; Jogia, 1984; Sangwan , 1985; Holm,1988; Rajesh - luthra, 1989), nutrição ( Dey, 1984; Scheffer, 1991; Jenelten, 1992; Ming, 1992), reguladores de crescimento (El - keltawi, 1986,1987a; Sharma, 1988; Umesha, 1991) e condições de estresse (Gershenzon, 1984; Delitala, 1986; Charles, 1990) que podem determinar um maior ou menor acúmulo destes compostos. Foi relatado aumento na concentração de glicosídeos nas folhas de dedaleira (Digitalis purpurea) durante o dia devido à fotossíntese e diminuição durante a noite. O estresse hídrico aumentou o conteúdo de alcalóides em Beladona e Estramônio e promovemum aumenta o teor de óleos essenciais em hortelã e capim limão. Em relação a irradiância plantas de Bauhinia forficata cultivada a pleno sol o conteúdo de flavonóides foi superior ao de plantas cultivada s sob redução da irradiância. Em relação a nutrição mineral são encontrados diferentes relatos com dados incompletos, por outro lado a adubação orgânica e verde apresenta um grande potencial. A adubação nitrogenada pode afetar o rendimento de princípios ativos nas plantas, apesar deste rendimento dificilmente acompanhar o ganho de biomassa. Encontram-se casos onde o rendimento de alcalóides é claramente favorecido pela adubação nitrogenada como em estramônio e lobélia, e outros onde apenas um pequeno incremento é registrado por exemplo em beladonba e meimendro. No grupo das aromáticas os adubos nitrogenados podem elevar o teor de essênciais em hortelão pimenta, orégano, alfazema, anis e funcho. A adubação orgânica em Lippia alba promoveu um aumento significativo da biomassa, porém em relação ao conteúdo de óleos essenciais não provocou aumento significativo. Por outro lado, a adubação orgânica provocou aumento tanto na produção de biomassa quanto no rendimento de óleos essenciais de Achillea millefolium. Em plantas de Justicia pectoralis (anador do nordeste), foi verificado que a produção de cumarinas foi menor quando foi observado deficiência de fósforo e potássio na planta. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 46 Dentre os tratos culturais culturais de plantas medicinais pode-se destacar a irrigação, poda e controle fitossanitário. A irrigação em excesso pode deprimir o aroma de plantas que possuem essências, como é o caso do manjericão. Por outro lado, em casos de defcit pode levar a antecipação da florada de algumas plantas acarretando ainda a produção de aquênios de qualidade inferior. Em plantas com raízes tuberosas e rizomas, a poda das inflorescências pode levar a benefícios na sua produção, como para Angélica e Ruibarbo. As podas de restauração podem ser efetuadas visando obtenção de rebrota de plantas com maior vigor e com maior qualidade para a colleita. O alecrim , a losna e o tomilho são exemppos de plantas beneficiadas pela poda de restauração. Em relação ao controle fitossanitário, deve-se procurar técnicas alternativas para controle de pragas e doenças. Nematóides do gênero Meloidogyne acarretam tumores e podridões nas raíze das plantas, sendo relatados problemas para o cultivo de Pfaffia glomerata, Ocimum basilicum. Fungos causadores de ferrugem afetam algumas espécies de Mentha, os causadores de podridões, Sclerotium rolfsii, em plantas de confrei e de estévia cultivadas em baixadas úmidas, o míldio da Erva-de- santa-luzia causado por Peronospora sp. Com relação as pragas há relatos sobre colonizações decorrentes do mau manejo levando a ocorrência de pulgões, ácaros e cochonilhas. Com relação à colheita, um ponto crítico é a definição do momento ideal para a realização da mesma. Se houver possibilidade de coincidir o momento de maior concentração de princípio ativo com o momento de maior biomassa se obterá o máximo de sucesso para a cultura. Como indicações gerais temos para raízes, rizomas, tubérculos e bulbos o momento do “estalo”, marcado pelo definhamento generalizado da parte aérea. Plantas em que o interesse sejam as folhas é conveniente realizar a colheita antes do florescimento, pois o processo requer energia para a formação das peças florais e há um carreamento de assimilados das folhas para a formação das mesmas. Deve-se colher no período de florescimento aquelas espécies que os produtos de interesse são flores e botões florais. Para algumas espécies colhem-se os botões ainda fechados, outras semiabertos. Algumas espécies deve-se aguardar a abertura completa das flores como é o caso da camomila. Aspectos sobre a colheita e pós colheita são relevantes do ponto de vistra econômico e do escoamento do produtos aos mercados consumidores. Devem ser considerados os aspectos relativos a secagem, embalagem visando garantir a qualidade do produto, em termos de sua composição e integradade dos princípios ativos. Após a obtenção das plantas medicinais, normalmente o material pode seguir três caminhos: uso direto do material fresco, extração de substâncias ativas ou aromáticas do material fresco e secagem do material fresco. Este último destino é o que requer mais atenção, por preservar os materiais, possibilitando o uso das plantas a qualquer tempo, dentro dos prazos normais de conservação. Deve-se adotar os seguintes procedimentos na colheita de plantas medicinais: cuidado para não ferir as plantas colhidas para que não haja alteração na composição e oxidações; não lavar as Aspectos do Cultivo de Plantas Medicinais 47 plantas antes da secagem, exceto no caso de determinados rizomas e raízes; devem- se separar a plantas se colher espécies diferentes; antes de submeter as plantas à secagem, deve-se fazer a eliminação de elementos estranhos (terra, pedras, outras plantas, etc.) e partes que estejam em condições indesejáveis (manchadas, danificadas, descoloridas, etc). A secagempode ser conduzida em condições ambientais ou com o uso de estufas, secadores, etc. A secagem natural é um processo lento e deve ser conduzida à sombra, em local ventilado, protegido de poeira e do ataque de insetos e outros animais. Esse processo de uso doméstico, é recomendado para regiões que apresentam condições climáticas favoráveis, relacionadas principalmente com a ventilação. Outra maneira prática consiste em espalhar em camada fina o material em uma mesa ou bancada forradas com papel, em ambiente abrigado do sol e com ventilação. A secagem artificial de plantas medicinais é fundamentada no aumento da capacidade do ar de retirar a umidade da planta. Assim, utilizam-se métodos que elevam a temperatura e promovem a ventilação ou simplesmente reduzem a umidade relativa do ar. O aumento da temperatura vai também reduzir a umidade relativa do ar, enquanto a ventilação vai facilitar a homogeneização do ar de secagem. A secagem artificial origina material de melhor qualidade por aumentar a rapidez do processo. Geralmente 35 oC é uma temperatura adequada para a secagem de óleos essenciais, 60 oC - digitálicos e 80 oC - alcalóides. O armazenamento da droga após secagem deve ser feito em local seco e bem ventilado. A partir de uma perspectiva da fisiologia e da bioquímica, existem amplas possibilidades para pesquisas com essas plantas e o estudo da produção de princípios ativos. Com raras exceções, muitas plantas medicinais amplamente usadas não são conhecidas do ponto de vista fisiológico e bioquímico, como o são as plantas cultivadas ou aquelas utilizadas como modelo experimental. Embora algumas espécies tenham seus princípios ativos identificados, em geral, as rotas de biossíntese de um metabólito e os fatores (bióticos e abióticos) reguladores de sua produção ainda não foram elucidados (Briskin, 2000). A estratégia do estabelecimento de plantas de ocorrência natural deve contemplar estudos no local de origem (solo e clima), coleta de plantas e sementes para estudos de propagação sexuada e assexuada , do crescimento inicial, de técnicas de manejo da cultura (irrigação, espaçamento e fertilidade), estudos fitopatológicos e levantamentos de ordem econômica ( Frans, 1986; Palevicht, 1987). A conservação de espécies nativas presume conhecimento das características dos diferentes ecossistemas, ecofisiologia da germinação e estabelecimento de plantas. Como as plantas medicinais, de um modo geral não sofreram ainda um processo de seleção, o sucesso no cultivo, possibilita a seleção de características desejáveis. 8 MONOGRAFIAS DE PLANTAS LARGAMENTE UTILIZADAS a) Plantas contendo terpenóides de interesse na terapêutica Lippia sidóides Cham (Verbenaceae) - Alecrim pimenta, estrepa cavalo Óleo essencial do alecrim – Tipo Timol A planta é um subarbusto densamente ramificado, de até 2 m de altura de tronco lenhoso e sulcado com ramos providos de folhas serrilhadas de tamanho variável, medindo até 8 cm, com pelos em ambas as epidermes com pontos glandulosos bem visíveis na face superior. As flores são branco-amareladas, pequenas e dispostas em inflorescências subglobosas a subpiramidais, pedúnculo longo axilar, solitário ou geminado e menor do que as folhas. Ocorre no Nordeste e em Minas Gerais e São Paulo. O óleo essencial extraído da folha é fluido, incolor ou amarelado, menos denso que a água, dotado de odor forte de timol e sabor fortemente picante. Suas características físico-químicas são peso específico 0,936, ïndice de refração 1,554 e teor de fenóis de 56 % e seus constituintes majoritários são Timol (48,5%), p-cimeno ( 27,5%), carvacrol (7,5%), - terpineno (6%), mirceno (2%), cariofileno e - tujeno (1%). O hidrolado, água codestilada com o óleo, obtido desta planta apresentaram atividade moluscicida mesmo diluído até 1:100. O timol pode ser usado como bactericida, de preferência ao fenol. Tem emprego na preparação de cremes dentais, líquidos para a assepsia oral e como anestésico para dor de dente. É empregado para eliminar mofos e parasitas em herbários, preservar peças anatômicas e na indústria química serve como material de partida para a preparação de derivados e síntese de mentol. Ocimun gratissimun L. (Lamiaceae) - Alfavacão, manjericão Óleo essencial de alfavaca – Tipo eugenol São conhecidas diversas espécies e variedades de plantas do gênero Ocimum produtoras de óleos essenciais de alfavaca, mais conhecidos como óleos de Basílico. Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 49 A planta é um subarbusto aromático, anual com altura abaixo de 1 m, provido de folhas pecioladas, ovado lanceoladas de margens crenado – serreadas. Apresenta flores roxo-pálidas a amarelo esverdeadas em pseudo espigas . O fruto é uma pequena cápsula com 4 sementes muito pequenas. Toda a parte aérea da planta exala odor forte e agradável. As características físico-químicas do óleo são peso específico 0,918, índice de refração1,492, rendimento 0,2 % e os constituintes majoritários são eugenol (24%), cariofileno (23,6 %), 1,8 cineol (20%), -guaieno (19%) e terpineno (2%). O alto teor de eugenol deste óleo possibilita seu uso direto como anestésico odontólogico e como fonte de obtenção desta substância. O eugenol é utilizado como intermediário de síntese na indústria químico farmacêutica ou na preparação do acetato, usado em perfumaria na indústria de aromas. Pela sua constituição química e odor , o óleo tem ainda possibilidade de ser utilizado como aromatizante na indústria de bebidas não alcoólicas e licores. Cymbopogon citratus (D.C.) Stapf. (Poaceae) Capim-limão, Capim-cidreira, capim-cidrão, Capim-cheiroso. Erva perene originária da Ásia e subespontânea nos países tropicais. Suas folhas são aromáticas, pontudas, ásperas, estreitas e com mais de 50 cm de comprimento. Diversos clones desta espécie são cultivados para produção comercial de óleo essencial, conhecido internacionalmente como óleo de lemon grass. Esta essência é largamente empregada como agente aromatizante em perfumaria e cosmética por seu forte odor de limão bem como para obtenção do citral, seu principal constituinte. O nome citral, refere-se à mistura dos dois isômeros, geranial e neral. Em plantas cultivadas em Fortaleza – Ceará, foi relatado um rendimento de 0,6%. A literatura registra exemplares do Rio Grande do Sul com rendimento de óleo em torno de 0,28%. As diferenças de composição química que se refletem na solubilidade em álcool a 70% em função do teor mirceno, um dos constituintes secundários, que apresenta menor solubilidade devido a maior concentração de mirceno. O óleo da variedade cultivada em São Paulo mostrou conter 47% de citral e 38% de mirceno como constituintes principais. Das plantas de Fortaleza foram verificados altos teores de citral (77%) e baixo teor de mirceno (16%). Supões-se que a variação no teor de citral entre as plantas, justifique em parte a diferença na atividade farmacológica do óleo essencial, observada em experimentos com órgãos isolados. Outros constituintes presentes no óleo essencial são: 3-metil-2-heptanona, 6- metil-5-hepten-2-ona, metilheptenol, -pineno, cafeno, -pineno, limoneno, mentol, citronelol, citronelal, linalol, óxido de linanol, acetato de geranila, isovaleraldeído, n- decilaldeído, nerol, geraniol, farnesol e terpineol. Entre outros constituintes fixos da parte aérea encontram-se flavonóides, substâncias alcaloídicas, uma saponina esterólica, -sisterol, n-hexacosanol e n- triacontanol; dois triterpenóides isolados da cera que recobre as folhas foram EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 50 identificados como cimbopogonol e cimpopogona. Substâncias alcaloídicas são encontradas também nos rizomas, em torno de 0,3%. Cymbopogon citratus é uma planta amplamente empregada na medicina popular de diversos países sob aforma de chá, abafado ou infuso, como sedativo do sistema nervoso ou calmante, sudorífero, carminativo, antiespasmódico, analgésico, diurético, antipirético, emenagogo e anti-reumático. Há registro de seu uso caseiro para combater diversas afecções das vias respiratórias e digestivas e inflamação da bexiga. A avaliação da atividade terapêutica desta planta, através de ensaios farmacológicos, pré- clínico com o chá ou abafado, em animais de laboratório e no homem, relevou a ausência de efeitos quando se referem ao alívio de insônia e da ansiedade no ser humano; ingestão do abafado por voluntários sadios, nas doses usualmente empregadas pela população, não produziu efeitos tóxicos evidentes que pudessem desaconselhar o uso esporádico do chá. No óleo essencial, foi comprovada experimentalmente acentuada atividade antibacteriana contra Bacilus subtilis, Staphylococcus aureus e em menor intensidade contra Escherichia coli. Verifica-se que esta atividade está associada a presença de - e -citral enquanto que o mirceno, não mostrou atividade antibacteriana, embora tenha potencializado o efeito do citral. O óleo essencial, é empregado principalmente como agente aromatizante na indústria de sabões e cosméticos. A maior parte do óleo é utilizada para obtenção do citral que, como tal, é empregado em cosmetologia. O principal constituinte ativo citral, mistura dos isômeros geranial e neral, líquido oleoso com forte odor de limão, ocorre também no óleo essencial de Cymbopogon flexuosus (Nees) Stapf e, em menores concentrações, nos óleos de limão (Citrus limon (L.) Burm.), laranja (C. sinensis L.). O citral é dotado de atividade antimicrobiana sendo ele o principal constituinte responsável pelo efeito análogo que se verifica no óleo essencial. Nas experiências efetuadas, foi determinada a atividade antifúngica em cerca de 22 espécies de microorganismos Baccharis trimera (Less.) Dc. Asteraceae Carqueja amarga, carqueja do mato, carquejinha tiririca-de-balaio. O gênero Baccharis é muito extenso, incluindo cerca de 400 espécies, muitas das quais já quimicamente estudadas. Em nossa flora é encontrado um elevado número de espécies muito semelhantes, sendo algumas usadas em medicina popular indistintamente, sob o nome de carqueja. Entre elas podemos citar B. retusa DC., B. articulata (Lam) Pers. e B. genistelloides. É um subarbusto aromático com cerca de 80 cm de altura, ramos lenhosos, tri- alados em toda sua extensão, porém com alas seccionadas alternadamente. As folhas estão ausentes, as flores são unissexuadas, branco-amareladas e reunidas em Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 51 capítulos solitários ou agrupados em pequeno número, nas extremidades dos ramos. Da parte aérea de B. trimera, coletada no período da floração, foi obtido óleo essencial com rendimento de 0,3 a 1%, cuja cromatografia gasosa mostrou a presença de - e -pinenos, cafeno, carquejol (9%), acetato de carqueja (45%) além de outros constituintes. No óleo essencial obtido de várias espécies de Baccharis colhidas no estado de Santa Catarina, observou-se a presença de carquejol, acetato de carqueja, ledol, nopineno (-pineno), álcoois sesquiterpênicos e sesquiterpenos bi e triciclos. Dentre os constituintes fixos da parte aérea de B.trimera foi isolada a flavona eupatorina e três lactonas diterpenóides tipo trans-clerodano. Das raízes de espécie citada acima foram isolados dois diésteres terpênicos, relacionados com o carquejol. No óleo essencial de plantas referidas como B. genistelloides foi relatada a ocorrência de carquejol (6-7%), além de outras substâncias idênticas aquelas já mencionadas no óleo de B. trimera, como também - e -cadineno, calameno, elemol, eudesmol, palustrol, cafeno, e nerolidol em teor bastante elevado (30,02%) embora este constituinte não tenha sido mencionado em outras análises. A planta toda é utilizada por suas propriedades amargas, como estomáquico e na preparação de alguns tipos de cerveja, como sucedâneo do lúpulo, é reputada na medicina popular como anti-reumática e anti-helmíntica, no tratamento de doenças do fígado, gastroenterites, diabetes, anorexia, gripes e resfriados. O extrato de B. trimera apresentou ação hipoglicemiante em pacientes com glicemia normal e inibição do crescimento de Tripanossoma cruzi. Lactonas diterpênicas e a flavona eupatorina isolada dos extratos da parte aérea mostraram atividade moluscicida. O óleo essencial de algumas espécies do gênero, têm como constituintes majoritários o carquejol e o acetato de carquejila. Os vapores de carquejol quando inalados em grande volume são irritantes para a mucosa nasal e também para a mucosa ocular. O carquejol administrado por via oral e intraperitoneal apresenta uma baixa toxicidade em camundongos. Estudos realizados em cães tratados com a solução oleosa provocou diminuição na pressão sangüínea não sendo observado espasmos e nem convulsões. A DL 50 do carquejol por via oral observada no período de 24 h em camundongos e em ratos foi de 1,8 g/kg e 1,3 g/kg e por via intraperitoneal foi de 0,45 g/kg e 0,41 g/kg, respectivamente. Dos vários constituintes isolados da carqueja o carquejol é a substância mais estudada do ponto de vista farmacológico. Apesar dos efeitos apresentados pelo carquejol, parece não haver correlação entre estas propriedades e o emprego popular da planta. b) Plantas contendo alcalóides de interesse terapêutico Paullinia cupana Kunth (Sapindaceae) – Guaranazeiro Arbusto trepador que pode chegar até 10 m de comprimento, nativo do Brasil e EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 52 Uruguai. São usadas as sementes que separadas dos frutos maduros, torradas brandamente e então trituradas com água. A pasta obtida é moldada em bastões ou em outras formas e secas em estufas constituindo assim o produto comercial. Pode ser comercializado também em forma de pó da amêndoa e do extrato aquoso liofilizado. Na semente encontra-se amido, pectina e óleo fixo e volátil, resina tanino, catequina, ácido málico e saponina. A cafeína se encontra em maiores concentrações na semente, embora esteja presente em toda a planta e em menor teor. A teobromina, base púrica relacionada com a cefeína, aparece nas cascas, flores e folhas, mas não está presente nas sementes. A pasta de guaraná é empregada com estimulante nos casos de dores de cabeça de origem nervosa. Estimulante do sistema nervoso de modo semelhante ao café (Coffea spp), ao chá (Camellia sinensis L. Kuntze) e a cola (Cola spp), nos casos de esgotamento físico e intelectual. Nas doenças intestinais como anti - diarreico, ainda diurético, febrífugo e adstringente. É mais largamente utilizado na preparação de bebida refrigerante industrializada . Ainda na forma de pó e de xarope preparado a partir da semente e em seguida diluído em água. Dentre os constituintes químicos ativos destacam-se a 1,3,7 trimetilxantina, guaranina, metilbromina, sendo os teores de cafeína da semente em torno de 2,5 a 5% . Um grama do pó se dissolve em 46 mL de água a temperatura ambiente , 5,5 mL de água a 80oC , 66 mL de álcool, 50 mL de acetona , 5,5 mL de clorofórmio e 530 mL de éter de petróleo. A cafeína é um potente estimulante do sistema nervoso central em todos os seus níveis. Dilata os vasos coronarianos e pulmonares. Em grandes doses predomina a estimulação direta sobre o miocárdio e surge nítida taquicardia, causando ainda insônia, irritabilidade e distúrbiuos sensoriais como zumbidos e outros. Coffea arabica L. (Rubiaceae) – Cafeeiro Árvore pequena ou arbusto perene, originário da África e cultivado nos países tropicais da Ásia e África como também na América, particularmente no Brasil e Colômbia. Da planta são utilizadas as sementes maduras e secas, contendo cerca de 0,25% de trigonelina, 1 – 2 % de cafeína,, 10 – 13 % de óleofixo constituído principalmente de oleína e palmitina, 10 – 13 % de proteína e tanino. O café tostado é largamente utilizado nas confeitarias e na preparação de um decocto que é consumido e empregado como bebida estimulante. Seu uso excessivo pode causar o aparecimento de palpitação, insônia, tremor e vertigem. As sementes madura e dessecadas, são usadas para a extração de cafeína, café tostado e moído para consumo e do café solúvel. Com propriedades semelhantes ao guaraná o principal constituinte químico ativo, 1,3,7-trimetilxantina. Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 53 Cephaelis ipecacuanha (Brot) A. Rich (Rubiaceae) - Ipeca Subarbusto de caule fino e lenhoso, quase rasteiro. Ocorre nos lugares úmidos das florestas brasileiras dos estados do Pará, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro, Mato Grosso e Minas Gerais. Cultivada no Brasil, Índia e Malásia. Da planta são utilizados rizomas e raízes de preferência os mais escuros e grossos que possuem maior conteúdo de alcalóides totais. Contém entre outras substâncias, um iridóide cristalino denominado ipecosídeo, um complexo glicoproteico alergizante, ácidos orgânicos, taninos , saponinas e cerca de 1,2 a 2% de alcalóides totais constituído principalmente de emetina, cefelina, psicotrina e O-metilpsicotrina. Os três primeiros são os principais responsáveis pelas propriedades terapêuticas do fármaco, entretanto do ponto de vista comercial, a emetina é o principal alcalóide. A ipecacuanha tem ação expectorante quando administradas em baixas doses e emética em doses altas. É usada como amebicida na disenteria amebiana e ainda no tratamento de bronquite e da coqueluche. Possui propriedades irritantes para a pele e mucosas podendo provocar eritemia e pústulas, inflamação nos olhos e determinar crises de espirros e tosse. Por causa de sua ação emética é empregada na cura condicionada do alcoolismo e como vomitivo no tratamento de urgência do envenenamento por ingestão de substâncias tóxicas. Na indústria farmacêutica se emprega para a preparação de xaropes, tinturas e extratos alcoólicos, pastilha e infuso. Na indústria química as raízes servem como matérias prima para a extração dos alcalóides totais. A indústria extrai alcalóides emetina da ipecuanha verdadeira e de outras rubiáceas como Tocoyema longiflora Aubl., arbusto natural da Guiana Francesa e aclimatado no Brasil. O principal uso deste alcalóides e no tratamento da amebíase. Pilocarpus microphyllus Stapf. (Rutaceae), Jaborandi-do- Maranhão Pequeno arbusto nativo do Norte e Nordeste do Brasil. Ocorre em encostas pedregosas dos estados do Maranhão, Piauí e na Amazônia. A parte usada como droga são os folíolos recentemente dessecados que possuem cerca de 0,8% de alcalóides totais identificados como pilocarpina, isopilocarpina, pilosina, isopilosina, pilocarpisdina, epiisopilosina e epiisopiloturina. Contêm ainda 0,25% de óleo essencial cujos constituintes principais são o -cariofileno acompanhados de pequenas quantidades de outros terpnos . As propriedades medicinais do jaborandi são decorrentes da pilocarpina, seu princípio ativo. Apresenta ação estimulante do peristaltismo e da secreção salivar , é miótico e febrífugo. As folhas são usadas para a produção industrial de pilocarpina . Em medicina caseira usa-se a infusão para o tratamento de bronquite e para provocar sudorese. Emprega-se também o suco das folhas trituradas friccionando o couro cabeludo, como tônico capilar. É utilizado em farmacotécnica para a preparação do extrato, da tintura e do pó usado pela indústria farmacêutica. Os sais de pilocarpina entram na composição de colírios, pomadas e EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 54 injeções hipodérmicas usadas no controle da pressão ocular nos casos de glaucoma e como miótico em oftamologia. c) Plantas contendo glicosídeos de interesse terapêutica - Glicosídeos cardiotônicos Digitalis purpurea L (Scrophulariaceae) – Dedaleira Planta herbácea bianual do centro sul da Europa, com o corrência nos EUA, Canadá, Índia, Egito e Japão. As folhas são alternas , dentadas, medindo de 10 – 40 cm de comprimento e de 4 – 15 cm de largura de forma oval lanceolada com ápice obtuso. Possuem cor verde acinzentada, pecíollo alado com até 1/3 da largura do limbo. A parte da planta utilizada são as folhas, coletadas em tempo seco e dessecadas por um processo que evite ou dificulte a ação das enzimas responsáveis por modificações na composição química da droga. Contêm numerosos constituintes, dentre eles ácidos orgânicos, derivados flavônicos, antociânicos e antraquinônicos, açúcares, taninos, mucilagens, glicosídeos esterólicos e ainda óleo essencial. Os glicosídeos são classificados em três grupos caracterizados farmacologicamente por sua ação e quimicamente por suas agliconas. Os heterosídeos cardiocinéticos possuem um núcleo cardenolídeo, heterosídeos destituídos de ação cardiocinética que são portadores do tipo do digitanol e um grupo constituído por heterosídeos saponínicos, que possuem aglicona do grupo do espirostano. Os mais importantes, pela ação farmacológica que apresentam são os derivados do cardenolídeo, encontrado nas folhas frescas em torno de 0,2- 0,5%. Por ação enzimática estes glicosídeos fornecem digitoxina, gitoxina e gitaloxina. Por hidrólise ácida originam agliconas ou geninas, digitoxigenina, gitoxigenina, gitaloxigenina e três moléculas de digitoxose de cada heterosídeo. Estas mesmas geninas são encontradas em vários outros heterosídeosque diferem somente pela natureza da cadeia glicídica. A digital é um estimulante e tônico do coração. Sua administração aumenta a força da contração sistólica e regulariza o ritmo cardíaco. Apresenta também ação diurética nos casos de hidropsia e edema, conseqüentes de insuficiência cardíaca. O efeito sobre o débito urinário resulta, principalmente da ação sobre o coração e a circulação. A digital quando administrada em doses elevadas e freqüentes provoca sintomas de intoxicação caracterizada por aparecimento de enjoo, vômito, diarréia, vertigens, perturbações oculares, suores frios, convulsão e morte por parada do coração em sístole. Tem efeito cumulativo e além disso a margem de segurança, isto é, a diferença entre e dose terapêutica e a tóxica é muito pequena. Pode ser administrada sob a forma de pó, infuso, macerado, tintura, extrato e vinho. A planta é utilizada especialmente para a extração de glicosídeos cardioativos dos quais o mais utilizado é a digitoxina pura ou ainda a mistura de outros análogos. Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 55 A planta de Digitalis purpurea contém de 0,2 a 0,3% de digitoxina, seu principal componente de interesse. Estes glicosídeos também ocorrem nas folhas de Digitalis lanata e também em otras espécies de Digitalis com atividade semelhante. Há relatos de formação de úlcera duodenal, quando da aplicação da digitoxina por via intaperitoneal. Glicosídeos flavonoídicos Ruta graveolens L. – (Rutaceae) - Arruda, Arruda doméstica, Ruta A arruda é uma planta originária da Europa meridional, sendo as folhas coletadas no início da floração e secas a sombra a principal parte usada desta planta. Possui atividade anti-helmíntica, estimulante e febrífuga e emenagoga, sendo considerada popularmente como abortiva. Seu uso é perigoso por causa de suas propriedades tóxicas, sendo verificado ação espasmolítica, que foi atribuídas aos constituintes bergapteno e xantotoxina presentes na droga. Estes compostos compreendem lactonas aromáticas juntamente com as cumarinas, psoraeno, rutartina, rutamarina e isorutarina. As folhas de arruda contém cerca de 2,45% de rutina. A rutina cristaliza-se em soluções aquosas na forma de agulhas amarelo-pálido, escurece gradualmente por exposição a luz, a rutina anidra escure a 125 oC e se fundea 214-215oC, dissolvendo- se 1 g em 8 L de água, 200 mL de água fervente. É muito solúvel em piridina, formamida e soluções alcalinas. É pouco solúvel em acetona, acetato de etila e praticamente insolúvel em clorofórmio e éter. A principal atividade biológica da rutina, bioflavonóide presente em concentrações consideráveis em plantas de arruda e em concentrações superiores em plantas de Dimorphandra mollis (6-10%), é a normalização da resistência e da permeabilidade das paredes dos vasos capilares, proteção da oxidação da vitamina C, é empregada como anti-hemorrágico e em animais de laboratório mostrou ação antinflamatória. Glicosídeos antraquinônicos Em certas plantas como, a cáscara sagrada, a frângula, aloes (babosa), o ruibarbo e o sene, há alguns glicosídeos com agliconas derivadas do antraceno. Os glicosídeos quando hidrolisados , produzem agliconas que sáo quje sáo di e tri ou tetrahidroxiantraquinonas ou modificações deste compostos. A antraquinona e glicosídeos derivados são catárticos, estimulantes que atuam aumentando a tonicidade dos músculos lisos da parede do cólon e estimulando a secreção de água e eletrólitos para o intestino grosso. Após a administração oral os glicosídeos antraquinônicos são hidrolisados no cólon pelas enzimas da microflora, convertendo-se em agliconas livres e farmacologicamente ativas, que geralmente atuam de oito a doze horas após a administração. Esses agentes são indicados para a constipação em pacientes que não respondem a medicamentos mais suaves e para a evacuação antes de intervenção EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 56 diagnóstica ou cirúrgicas. Os laxativos estimulantes criam hábitos, e de seu uso prolongado podem decorrer dependência e perda das funções intestinais normais. As principais plantas fontes de glicosídeos antraquinônicos são a cáscara sagrada, a frângula, o casantranol e o sene. A aloés (babosa) e o ruibarbo não são recomendados por serem mais irritantes , aumentando a porobabilidade de ocorrência de cólicas. Cáscara sagrada – Rhamnus purshianus (Rhamnaceae) é uma árvore nativa da costa do pacífico da América do Norte que atinge uma altura de 10 metros. A colheita é feita durante o verão, a partir do fim de maio e continua até o início da estação chuvosa. As árvores silvestre se espalham pelas florestas nativas das montanhas. A casca é retirada da árvore fazendo-se incisões longitudinais e retirando-as em parte que tendem a enrolar-se em grandes tubos. As cascas são secas ao sol, porém sua superfície interna não fica exposta a luz solar para continuar amarela. Depois que os grandes rolos secam, passam por um cortador e são quebrados formando fragmentos de curvatura transversal. Foram documentados dois tipo de compostos antracênicos: os O-glicosídeos normais baseados na emodina, que representam 10 – 20 % do total e os C- glicosídeos baseados na aloína, que representam cerca de 80 – 90% do total. A planta que deve envelhecer pelo menos um ano antes de ser usada para fins medicinais . Na casca fresca estão presentes formas reduzidas de glicosídeos do tipo emodina, que, durante um período mínimo de um ano , se convertem em glicosídeos monoméricos oxidados, com atividade catártica mais suave. Seu principal uso é na correção da constipação habitual, em que não só atua como laxativo, mas restaura a tonicidade do colon. Reduz-se substancialmente o seu amargo e sua atividade tratando-a com óxido de magnésio. d) Plantas contendo compostos sulfurados Allium sativum L. Liliaceae Alho comum, alho manso. Erva bulbosa, perene, originária da Europa meridional e cultivada em quase todas as partes do mundo. O bulbo fornece óleo essencial (0,1 a 0,2%) , contendo pequenas quantidades de disulfeto de dietila, disulfeto de alilpropila, disulfeto de dialila, trisulfeto de alila, polisulfeto de dialila e outros constituintes. O princípio ativo, a alicina, encontra-se na droga fresca sob a forma de um precursor inativo, a aliina. A rutura das células que ocorre pelo esmagamento ou trituração dos bulbos provoca rápida reação enzimática por ação da enzima aliinase que converte a aliina em alicina, cujo odor típico, característico do alho, e imediatamente reconhecido. Do extrato metanólico dos bulbos foram isoladas várias substâncias também derivadas da alicina, dentre elas: 2-vinil-4H-1,3-ditiino, 3-vinil-4H- l,2-ditiino e ajoeno. Encontra-se no alho ainda um composto nitrogenado, a alitiamina com atividade vitamínica B1, vitaminas A e C em pequenas quantidades, açucares e proteínas. O alho vem sendo usado, popularmente, desde a antiguidade na profilaxia e Monografias de Plantas Largamente Utilizadas 57 na cura de numerosos males. Especialmente encontra indicação no tratamento de perturbações do aparelho digestivo, como laxante suave, vermífugo, antiparasitório intestinal, diurético, diaforético, expectorante e antisséptico local, sendo inclusive de uso intravaginal. É usado também no combate as manifestações gripais, no tratamento da febre tifoide, na arteriosclerose, prevenção da trombose e na hipertensão arterial. O alho é usado na forma de macerado, chá, xarope e tintura. O “óleo de alho”, por sua vez, é comercializado em cápsulas gelatinosas. O óleo essencial, em macacos, mostrou-se ativo contra câncer da pele em uso tópico e, por via oral, apresentou atividade antitumoral em casos de câncer de cólon. Extratos de alho inibiram o crescimento de tumores ascíticos em camundongos. Foi verificado também que a aliina, alicina, ajoeno, trisulfeto de dialila e 2-vinil-4H-l,3-ditiino inibem a agregação plaquetária induzida pelo colágeno O uso correto desta droga deve ser restringido, no entanto, a preparações obtidas recentemente, sem aquecimento e conservadas de preferência em pH ácido. Sabe-se que a alicina não é inativada pelo sangue ou fluidos gástricos em pH baixo, mas se inativa gradativamente em pH 9,3. Soluções aquosas de alicina têm um pH cerca de 6,5 e quando mantidas a temperatura ambiente ou acima de quatro graus decompõem- se gradativamente. Vários preparados de alho têm sido desenvolvidos e alcançado grande importância terapêutica e comercial. Alguns são preparados a partir da alicina e conservam o forte e desagradável odor de alho. Outros derivam da aliina, não têm odor e só liberam a alicina no meio alcalino intestinal. No primeiro caso, a alicina é obtida por extração com vapor d’água, sendo baixo o rendimento. Pode ser obtida também por maceração com óleo de oliva ou semelhante. Há uma preparação cristalizável de alicina, obtida por reação da essência com ácido desoxicólico, que não tem odor e é hidrolisável em meio alcalino leve. No segundo caso, as preparações são feitas a partir do alho estabilizado por inativação da aliinase, seguida de extração da aliina com solvente adequado, geralmente água ou etanol diluído. Foi comprovada a presença de aliina (precursora da alicina) em Allium cepa (cebola) e outras espécies de Allium. A alicina possui propriedades fungicida, antivirótica e antibacteriana frente a vários microorganismos Gram-positivos e Gram- negativos, especialmente sobre Candida albicans. Esta substância mostrou maior atividade bacteriostática do que bactericida. Para explicar o mecanismo de sua ação tem sido proposto que a mesma destruiria grupos tiólicos (-SH) essenciais a proliferação das bactérias. A alicina inibe fortemente a agregação de plaquetas induzida pelo colágeno. A alicina sintética, demonstrou em estudos clínicos, uma significativa diminuição do colesterol e de triglicerídios séricos. Sua toxicidade em ratos albinos por via intravenosa e subcutânea é baixa, porém altas doses de alicina causaram efeitos tóxicos no fígado e inibiram o crescimento desses animais. A alicina testada em camundongos indicou uma DL50 cerca de 6Omg/kq, por via intravenosa e l2Omg/kgpor via subcutânea. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 58 Em culinária, o alho in natura tem largo emprego pelo sabor e odor característicos. Alguns condimentos industrializados, são feitos a base de macerado de alho com frutos cítricos para prevenir a hidrólise da alicina e evitar a perda do odor dos produtos comerciais. A alicina é muito instável no estado puro e em meio alcalino, produzindo disulfetos e dióxido de enxofre, mas é estável na presença de ácidos diluídos. Este comportamento explica o uso do alho associado ao suco de frutos cítricos. 9 PLANTAS TÓXICAS COMUNS DATURAS As daturas são plantas pertencentes à família Solanaceae. Nesta família figuram inúmeras plantas que, dependendo da quantidade ingerida, provocam, durante o período agudo da intoxicação, delírios e alucinações, podendo mesmo ocasionar a morte. O gênero vegetal Datura inclui cerca de vinte espécies no mundo, cujas propriedades tóxicas são conhecidas desde a antiguidade. Assim Datura suaveolens (Trobeteira, saia-branca) , Datura stramonium (figueira-do- inferno) e Datura metel (sai- roxa, zabumba-roxa) possuem propriedades tóxicas decorrentes da presença de vários alcalóides tropânicos (escopolamina). Os sintomas de intoxicação iniciam pelo aparecimento de vômitos, seguidos da diminuição das secreções salivares, nasais, bronquiais e estomacais. Taquicardias, confusão mental, agitação psicomotora e alucinações podem ocorrer. Em casos mais graves podem ocorrer depressão neurológica, distúrbios cardiovasculares e respiratórios, podendo ocorrer óbito. COMIGO-NINGUÉM-PODE - Dieffenbachia picta (Lodd) Schott Planta herbácea provida de caule não ramificado, com regiões de nós e entre-nós bem demarcadas, medindo geralmente até dois metros de altura, O caule é latescente suculento, alcançando freqüentemente 5 cm de diâmetro. As folhas são pecioladas, de contorno variando entre oblongo e a oblongo-lanceoladas, ápice foliar acuminado- cuspidado e base variando de arredondada a subcordada. As folhas são verde-escuras e caracteristicamente apresentam máculas brancas espalhadas por todo o limbo. As flores são unissexuais e acham-se reunidas em inflorescência do tipo espádice, na qual as flores masculinas ocupam a região superior. Os frutos baciformes possuem coloração vermelho-amarelada. A observação microscópica de secção transversal da folha mostra grande quantidade de rafídios no interior de idioblastos de forma ogival. É originária da América tropical, sendo freqüente na Amazônia. E muito cultivada como planta ornamental, planta de interior de domicílio. Com freqüência costumam-se atribuir as propriedades tóxicas do comigo-ninguém-pode à grande quantidade de rafídios de EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 60 oxalato de cálcio, aliada do látex cáustico presente em todas as partes do vegetal. Além disso, considera-se também a presença de princípio tóxico, ainda não identificado. A mastigação ou ingestão de qualquer parte da planta leva a irritação acentuada da mucosa da boca e da faringe. Os lábios, a língua e as gengivas assumem aspecto edematoso. Aparecem como sintomas, dor e salivação aumentada. Menos freqüentemente ocorrem esofagite e ardor retroesternal, bem como vômito e cólica abdominal. Edema de glote pode ocorrer, motivando sérias conseqüências. MANDIOCA - Manihot esculenta Crantz ( Manihot utilissima Pohl, Manihot edule A. Richard, Jatropha manihot L. Jatropha stipulata E Velloso). Arbusto pequeno que pode alcançar até 3 m de altura, perene, com o caule portador de coloração que varia do verde até tons violáceos, passando para avermelhados. O caule pode alcançar 8 cm de diâmetro na base e apresenta-se caracteristicamente dividido em regiões de nós e entrenós. Freqüentemente, apresenta ramificações na porção superior do vegetal. As folhas são alternas, caducas, pecioladas, palmatissectas, providas geralmente de 5 a 7 segmentos lanceolados, acuminados no ápice e que chegam a atingir 15 cm de comprimento. As flores são unissexuais, acham-se reunidas em panículas. O fruto é do tipo cápsula, mede cerca de 1,5cm de diâmetro. Oriunda do Brasil, espalhada hoje pelo mundo. Vegetal muito cultivado no Brasil como planta de subsistência. São conhecidas cerca de 150 variedades de mandiocas, as quais costumam ser divididas em duas categorias; mandiocas doces e mandiocas amargas, sendo estas últimas tidas como mais tóxicas. A toxicidade da mandioca é devida à presença de glicosídios cianogenéticos conhecido como maniotoxina, que é quimicamente idêntico à linamarina, que ocorre na semente do linho. A divisão entre mandiocas mansas e bravas, do ponto de vista da toxicologia, deve ser considerada com reservas. Foi verificado que o cianeto está sempre presente e que não está, muitas vezes, quantitativamente relacionado com características morfológicas ou ecológicas do vegetal. O princípio tóxico da mandioca é mais concentrado nas folhas e na entrecasca da raiz. O princípio tóxico da mandioca é termolábil. O quadro da intoxicação inicia-se por distúrbios gastrintestinais seguidos de náuseas, vômitos e cólicas abdominais. Aparece ainda sonolência, distúrbios hematológicos, dilatação da pupila e coma. MAMONA - Ricinus communis L. (Ricinus vulgaris MilI) Arbusto bem ramificado que pode atingir 3,5m de altura. Caule fistuloso que apresenta as partes mais jovens coradas de verde ou avermelhadas. As folhas são longopecioladas peltadas, palmatipartidas, providas de 7 a 11 partes, glabras, de margem serrilhada e ápice acuminado. As flores localizam-se em racimos terminais, com as flores femininas ocupando a parte superior da inflorescência. O fruto é uma tricoca globosa, espinhosa, especialmente quando jovem, com uma semente em cada lóculo. As sementes são lisas, escuras, brilhantes com manchas claras. Oriunda de Plantas Tóxicas Comuns 61 África, aclimatada no Brasil, freqüente em todos os estados brasileiros. Cultivada visando a obtenção do seu óleo fixo. Os efeitos oriundos da ingestão das sementes de mamona devem-se principalmente a uma toxoalbumina (ricina), a um alcalóide (ricinina) e a um óleo fixo, denominado óleo de rícino. As sementes trituradas ou mastigadas liberam com mais facilidade a ricina que então é absorvida, motivando efeitos tóxicos. Uma semente de mamona pode levar à morte uma criança. Os sintomas de intoxicação são os seguintes: náuseas, ardor na boca e faringe, vômitos, diarréia, cólicas abdominais astenia, hipotermia, taquicardia, oligúria, distúrbios neurológicos e óbito. As demais partes do vegetal também apresentam toxicidade. ESPIRRADEIRA - Nerium oleander L. (Nerium careuni Hort, Nerium floridum Salisb, Nerium grandiflorum Desf.. Nerium lauriforme Lam., Nerium splendens Hort, Oleander vulgaris Medic.) Arbusto ou pequena árvore de até 5 m de altura, geralmente com 2 m, ramos ligeiramente trígonos, de coloração verde e que passa a acinzentado. As folhas são verticiladas, em número de três em cada nó. São quase sésseis, inteiras, lanceoladas de 6 a 13 cm de comprimento por 3 cm de largura; glabras, luzidias, de ápice agudo e base cuneata. As margens são lisas e a consistência coriácea. A nervura central é bem evidente, sendo as nervuras secundárias quase que imperceptíveis. As flores são vistosas, de coloração rosada. As sementes são providas de tufos de pêlos sedosos na sua porção apical. A espirradeira é uma planta oriunda da região mediterrânea, muito cultivada no Brasil como planta ornamental. Todas as partes da planta são tóxicas. As folhas e as sementes apresentam quantidade maior do princípio tóxico, que são glicosídios cardioativos. Os glicosídios da espirradeira são a oleandrina e a adinerina, principalmente. O quadro tóxico inicia-se com manifestações gastrintestinais. Cólicas abdominais,diarréia, náuseas fazem parte da sintomatologia. Transtornos neurológicos e cardíacos ocorrem, podendo levar o intoxicado ao estado de coma e à morte. Os transtornos cardíacos são semelhantes àqueles decorrentes do uso de digitálicos. JOÁ Com o nome de joá ou jua são conhecidas diversas espécies vegetais, todas pertencentes ao gênero Solanum. Estes vegetais de um modo geral caracterizam-se pela presença de glicoalcalóides em todas as suas partes, razão pela qual encerram toxicidade. As principais espécies enumeradas como causadoras de problemas são as seguintes: Solanum aculeatissimum Jacq., Solanum sisyníbrifolium Lam. e Solanum palinacanthum Dunal. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 62 Estas três espécies caracterizam-se por apresentar porte arbustivo, folhas e caules providos de espinhos e de frutos globosos de aproximadamente 3 cm de diâmetro, quando plenamente desenvolvidos. Os frutos imaturos são verdes, rajados, lembrando pequena melancia, quando maduros assumem coloração vermelha ou amarela, dependendo da espécie. Espécies bastante freqüentes no Brasil, ocorrendo em campos e terrenos baldios. São plantas ruderais. Geralmente a intoxicação é motivada pela ingestão de frutos. A intoxicação, geralmente vitimando crianças. caracteriza-se, na maioria das vezes, por distúrbios gastrintestinais. A intoxicação aguda manifesta-se pelo aparecimento de náuseas, vômitos, cólicas abdominais, diarréia, confusão mental mais ou menos acentuado, dependendo da gravidade. CONSIDERAÇÕES FINAIS Atualmente no Brasil, os médicos e a população em geral carecem de informações objetivas e seguras sobre os recursos fitoterápicos para o tratamento de diversos males que acometem a população. Inúmeros pacientes persistem no uso dos chás para tratar diversas enfermidades, baseando-se apenas na chamada sabedoria popular. Não podemos negligenciar a importante contribuição do conhecimento popular no avanço e na descoberta de novas drogas com potencial terapêutico, mas o fato é que somente com pesquisas que visem a comprovação científica da eficicácia e segurança de diferentes extratos e constituintes ativos de plantas poderemos separa em definitivo o mito da realidade quanto aos riscos e benefícios da utilização de produtos vegetais na terapêutica. O estudo de plantas medicinais brasileiras é de suma importância, devido ao grande potencial pouco explorado dos diferentes ecossistemas brasileiros em relação a sua flora. A maioria das plantas e seus respectivos compostos que são alvos de estudos mais avançados são espécies estrangeiras, mas devemos priorizar o estudo de plantas nativas do Brasil para obtermos dados desta vegetação maravilhosa e diversificada que possivelmente apresenta potencialidades para a cura de muitas enfermidades que vêm acometendo a população desde épocas remotas até as enfermidades atuais como mal de Alzheimer, Parkinson e AIDS. LITERATURA CONSULTADA ABREU MATOS,F.J. Introdução à fitoquímica experimental.Coleção ciência,CNPq EUFC.1988.126p. ABREU MATTOS., J. K. Plantas Medicinais: Aspectos Agronômicos Brasília, 1996. ALZUGARAY,D e ALZUGARAY,C.. As plantas que curam. Ed.Três. 4 vols. 1983 BALBACH,A. A Flora Medicinal na Medicina Domestica. 1972. CLEMENTE FILHA, A. C, Aspectos fisiológicos e fitoquímicos de Bauhinia forfiocata Link e Plantago major L Dissertação de mestrado (1996) CRAVEIRO, A. A.; FERNANDES, A.G.; ANDRADE, C. H. S.; MATOS, F. J. A.; ALENCAR, J. W.; MACHADO, M. I. L. Óleos essencias de plantas do Nordeste, Fortaleza: EUFC, 1981. 210 p. DE PAULA, A. C. C. F. F Carboidratos, flavonóides e atividade antidiabética de Rhynchelytrum repens (Willd.) C. E. Hubb, Capim-favorito (Poaceae) Tese de Doutorado abril 2002 DI STASI, L.C.Plantas Medicinais: Arte e Ciência. Um guia de estudo interdisciplinar. São Paulo. Ed. UNESP. 230 p., 1996. GRANDI, T. S. M. Plantas Medicinais. Universidade Federal de Lavras Lavras:UFLA/ FAEPE, 2000. HARBORNE,J.B. Phytochemical Methods. 1984, 288p.. HOEHNE, F.C. Plantas e Substâncias Tóxicas e Medicinais. São Paulo. Ed. Graphicars. 1939. HOSTETTMANN, K. ; QUEIROZ, E. F.; VIEIRA, P. C. Princípios ativos de plantas superiores. São Carlos: EDUFSCAR, 2003. 152 p. MARTINS, E.R.; CASTRO, D.M.; CASTELLANI, D.C.; DIAS, J.E. Plantas Medicinais. Minas Gerais. Ed. Universidade Federal de Viçosa. 220p., 1994. MING, L. C. , SCHEFFER, M. C.; CORRÊA JUNIOR, C.; BARROS, I. B. I. ; MATTOS, J. K. A. Plantas medicinais aromáticas e condiemntares: avanços na pesquisa agropnômica.v. 1 Universidade Estadual Paulista, 1998. 217 p. MORGAN, R.Enciclopédia das Ervas e Plantas Medicinais. São Paulo. Hemus ed.. 555 p., 1994. OLIVEIRA, F. AKISUE, G. AKISUE, M. K. Farmacognosia. São Paulo: Atheneu, 1998. Literatura Consultada 65 OLIVEIRA, F. AKISUE, G. AKISUE, M. K. Fundamentos de Farmacobotânica. São Paulo: Atheneu, 2000. QUER, P.F. Plantas Medicinales. Barcelona. Ed. Labor. 1962. SOUSA, M. P.; MATOS, M. E. O.; MATOS, F. J. A.; MACHADO, M. I. L.; CRAVEIRO, A. A. Cosntituintes químicos ativos de plantas medicinais Fortaleza: EUFC, 1991. 416 p. TAIZ, L. E ZEIGER,E. Surface protection and secondary defense compounds.In: Plant Physiology. The Benjamin/Cummings Publ. Comp.,Inc.California.1998.Precipita proteínas Afonia Perda de voz, rouquidão Afrodisíaco Provoca excitação sexual Albuminúrico Presença de albumina na urina Anti-helmíntico Contra os vermes – helmintos Anúria Diminuição ou supressão urinária Béquico Contra tosse Blenorragia Doença sexualmente transmissível Carminativo Impede ou expulsa gases estomacais ou intestinais Cefaléia Dor de cabeça Cistite Inflamação da bexiga Colagogo Estimula a secreção biliar Depurativo Libera o organismo de substâncias nocivas Diaforético Produz sudação Disenteria Evacuações acompanhadas de cólica e sangue Dispnéia Respiração difícil Eczemas Afecções da pele acompanhada de vesículas serosas e transparentes Edulcorante Com poder adoçante Emenagogo Que estimula a menstruação Emético Vomitivo Emoliente Amolece os tecidos inflamados facilitando a circulação Escrofuloses Inflamação dos gânglios Espasmódico Rigidez muscular Galactagogo Estimula a secreção de leite materno Hemostático Estanca hemorragia Hidropsia Acúmulo anormal de líquidos no tecido Histeria Crise nervosa; antigamente relacionado às mulheres Icterícia Presença de bile no sangue, tornado a pele amarela Leucorréia Corrimento branco Litagogo Que expulsa cálculo renal Litíase Formação de cálculo renal Prurido Coceira Sialagogo Provoca secreção salivar Sinusite Inflamação do sinus Vermífugo Que expulsa vermes Vulnerário Que cura feridas 3 ASPECTOS RELACIONADOS À COLETA, PREPARO DO MATERIAL VEGETAL PARA IDENTIFICAÇÃO E PARA EXTRAÇÃO É importante preparar um ou mais espécimes para referência e identificação botânica correta, sendo então necessário o preparo de exsicatas mostrando as estruturas vegetativas e principalmente as reprodutivas que devem ser depositadas em herbários oficiais que possibilitem a consulta a quem quer que se interesse pelo material. Devem ser coletadas amostras representativas do estado geral da planta e a parte da planta que é utilizada. Dependendo dos objetivos do estudo, é recomendável fazer uma análise separada de cada órgão. Em se tratando de drogas vegetais no conceito farmacognóstico, isto é, todo vegetal ou ainda parte deste ou produtos derivados diretamente deles, que, após sofrerem processos de coleta e conservação possuem composição e propriedades tais que possibilitem o seu uso como forma bruta de medicação ou como necessidade farmacêutica, deve-se sempre utilizar para análise a parte de uso descrita. Informações a respeito da finalidade e a forma de uso da planta medicinal podem ser obtidas a partir de levantamentos etonobotânicos. O levantamento etnobotânico constitui na maioria das vezes o ponto de partida para o estudo de espécies medicinais, tanto em relação ao seu uso quanto a sua composição e podem conduzir a descoberta de moléculas promissoras. Especialmente quando se trabalha com plantas das regiões tropicais e subtropicais do planeta que são ricas em diversidade botânca e química, além de representar um grande reservatório de novas moléculas com potencial terapêutico devido aos poucos estudos realizados nesses ecossistemas. Os estudos também podem se basear em dados quimitaxonômicos, pois algumas classes de substâncias são características de uma família botânica, de um gênero ou mesmo de uma única espécie, sendo possível encontrar substâncias análogas em espécies de mesmo gênero ou de mesma família. As coletas aleatórias podem ser também de grande valia , pois a partir de estudos desta natureza pode resultar na descoberta de novos agentes terapêuticos. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 10 Deve – se observar a coleta de partes de interesse, registrar o local, hora e data de coleta e atentar para os cuidados com o material fresco para que não haja perdas excessivas por transpiração. Todo o material para as análises do material fresco, deve ser submetido a estabilização, isto é, à desnaturação protéica das enzimas celulares que podem ser realizadas com etanol e calor, pois a hidrólise enzimática altera os componentes químicos originalmente presentes. Para armazenamento do material por um período mais longo é necessário que se realize a secagem, pois o material seco proporciona maior estabilidade química e a possibilidade para trabalhos futuros. A secagem consiste na retirada de água para evitar reações de hidrólise e crescimento de microrganismos, e pode ser realizada á sombra, em estufa ou por liofilização. O material para análise deve ser submetido a redução, e quanto menor tamanho da partícula maior a superfície de contato e melhor será o processo extrativo. Pode ser realizada grosseiramente por meio de tesoura, podões ou facas, rasuração por meio de raspadores ou processadores de alimentos e a redução por impacto utilizando gral e pistilo. Pode também ser obtido um fino pó dos tecidos vegetais previamente secos utilizando moinhos que podem ser grandes ou micro-moinhos e moinho de bolas. Estes pós podem ser submetidos a identificação, pois existem chaves de identificação de pós disponíveis na literatura. 4 PROCESSOS EXTRATIVOS Vários constituintes das plantas apresentam propriedades físico-químicas que os diferem entre si. Sendo assim, os estudos a partir de agente extrator único podem não evidenciar a verdadeira composição do vegetal. Alguns fatores afetam a extração, como as características intrínsecas ao material vegetal, seu grau de divisão, meio extrator (solvente) e a metodologia de extração, algum equipamento ou vidraria especializada. Quanto mais rígido o material, menor deve ser a sua granulometria. O solvente deve se o mais seletivo possível. Esta seletividade depende do grau de polaridade. Quando não se sabe quais as substâncias compõem o material a ser extraído, é comum em fitoquímica submeter o material a extrações exaustivas e sucessivas com solventes de polaridades crescentes, conseguindo-se assim uma extração fracionada, em que as diferentes frações contêm compostos de polaridades também crescentes. Na tabela 1 são apresentados solventes geralmente utilizados nos processos extrativos em fitoquímica. Tabela 1 – Tipos de solventes geralmente utilizados na extração e compostos preferencialmente extraídos. Solvente Tipo de substância preferencialmente extraída Éter de petróleo e hexano Lipídeos, ceras, pigmentos, furanocumarinas Tolueno diclorometano e clorofórmio Bases livres de alcalóides, antraquinonas livres, óleos voláteis, glicosídeos cardiotônicos Acetato de etila, n-butanol Flavonóides e cumarinas simples Etanol, metanol Heterosídeos em geral Misturas hidroalcoólicas – água Saponinas, taninos Água acidificada Alcalóides Água alcalinizada Saponinas EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 12 Praticamente todos os constituintes de interesse tem alguma solubilidade em etanol ou metanol a 80%, de tal modo que estes solventes costumam ser empregados com freqüência. Os principais métodos de extração, que em alguns casos podem representar as diferentes formas não magistral de preparo das drogas vegetais são descritas a seguir: a) Extração a frio – Podem ser utilizados solventes orgânicos ou aquosos Alcoolatura – Fragmentos frescos da planta extraídos com álcool Maceração - Forma farmacêutica obtida por extração com água fria. Neste caso, as vitaminas e sais minerais não são alterados pela fervura. Vinho – Forma farmacêutica cujo líquido extrator é o vinho Sumos - Podem ser obtidos espremendo-se as folhas das ervas através de um tecido fino de algodão, batendo-as no liquificador ou amassando-as num pilão. São então coadas e diluídas em água e, caso necessário, adoçadas com mel. b) Extração a quente em sistemas abertos – Utilizando solventes aquosos ou hidroalcoólicos Os métodos de extração a quente são sempre mais rápidos. Deve ser observado a temperaturae o tempo de extração. Infusão – Forma farmacêutica que é obtida vertendo-se água fervente sobre os fragmentos da planta em recipiente com tampa. Este processo é utilizado geralmente quando os princípios ativos são mais facilmente extraídos, degradados ou perdidos quando são expostos por longo tempo a temperaturas elevadas e as plantas são mais tenras como flores e folhas. Decocção – Forma farmacêutica que é obtida pelo cozimento da planta, coloca- se a planta para ferver juntamente com a água, a decocção é bastante utilizada quando se trata de materias vegetais mais rígidos e princípios não termolábeis. Esta forma é mais apropriada para raízes, cascas e sementes, porém estas devem ser cortadas em pequenos pedaços ou esmagadas antes de serem utilizadas. Xarope – Forma farmacêutica que tem dois terços do seu peso em açúcar e que é obtido por fervura em recipiente com tampa. De modo geral prepara-se o decocto ou infuso da planta e depois colocamos o decocto ou o infuso para ferver com açúcar . Melito – Forma farmacêutica na qual se usa o mel no lugar do açúcar Processos Extrativos 13 c) Extração a quente em sistemas fechados Menor gasto com solvente e manutenção da integridade química. Extração sob refluxo – consiste da extração em vidraria especializada, utilizando-se um condensador e um balão onde se coloca a amostra e o solvente extrator sobre uma manta ou placa aquecedora. Extração utilizando soxlet - consiste da extração em vidraria especializada, utilizando-se um condensador, um recipiente onde se coloca a amostra separadamente do líquido extrator e um balão solvente sobre uma manta ou placa aquecedora, deste modo, o solvente entra em contato com a amostra diversas vezes , uma vez que evapora e ao atingir o condensador retorna puro na amostra sucessivas vezes. Este tipo de extração proporciona a manutenção da integridade química da amostra e elimina o desperdício de solventes. d) Outras formas de preparo que não se produzem extratos Emplasto – Na linguagem popular é o uso direto da planta fresca sobre o local doente. Cataplasma – massa medicamentosa que se aplica entre dois panos em uma parte do corpo. Podem ser usados para tratar inflamações, nevralgias, dores de ouvido, asma, caimbras. Saladas As ervas também podem ser comidas cruas em forma de saladas ou preparadas junto com os alimentos, como temperos. Porém muito cuidado deve ser tomado quanto à qualidade e limpeza das ervas. Lave-as bem com água corrente e depois deixe-as de molho por algum tempo em água, sal marinho e vinagre. O dente-de-leão, língua-de-boi, língua-de-vaca, tanchagem, hortelã, salsa e mil-folhas estão dentre as inúmeras ervas recomendadas para saladas. Banhos Algumas plantas podem ser acrescidas à água morna da banheira, como exemplo o picão preto e rosa-branca. Compressas Embebe-se panos com uma decocção forte concentrada e aplica-se na região afetada. Os chás quentes têm efeito sedativo sobre inchaços, nevralgias, contusões, reumatismo, gota. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 14 Gargarejos e Inalações Gargarejar algumas vezes ao dia chá preparado por decocção. Este tratamento atua sobre a cavidade bucal e garganta. Para fazer inalações, prepare um chá forte de ervas, retire-o do fogo, coloque um funil de papelão invertido sobre o recipiente, cubra a cabeça com um pano e respire o ar evaporado. As inalações são ótimas para tratamento de gripes,sinusites, resfriados, pneumonia, etc. Aparelhos próprios para realização de inalação estão disponíveis em diferentes pontos de vendas de produtos farmacêuticos. Lavagens Os chás podem também ser usados para lavagens intestinais, no caso de distúrbios digestivos, e vaginais, por exemplo no caso de corrimentos. Unguentos Preparados misturando-se ervas com uma substância gordurosa como vaselina. Preparadas por técnicas especiais incluindo esmagamento, prensagem, extração e outras. Observações Nunca use um chá por mais de 24 horas depois de preparado, pois, pode ocorrer alterações de seus princípios como algum tipo de fermentação ou oxidação; Evite preparar as ervas em utensílios de metal, pois podem causar alterações no efeito e sabor do chá. 5 PRÍNCIPIOS ATIVOS DE PLANTAS As plantas contem várias substâncias que agem sobre o organismo humano. É a fitoquímica que se encarrega de estudar essas substâncias chamadas princípios ativos, sua estrutura, seu isolamento, sua distribuição na planta, suas modificações durante a preparação do medicamento fitoterápico e no período de armazenamento, bem como, os processos de transformação e biossíntese durante o desenvolvimento vegetal fazem parte dos estudos do metabolismo secundário dos vegetais. Neste campo de estudos, diversos profissionais como químicos, fisiologistas de plantas, agrônomos, biólogos, farmacêuticos e de áreas correlatas, contribuem significativamente para os avanços no conhecimento dos compostos presentes nas plantas e suas variações durante o seu desenvolvimento no ambiente. As substâncias ativas das plantas podem vir do metabolismo primário, mas predominam as substâncias provenientes do metabolismo secundário. Processos fotossintéticos são vitais para a planta sendo aos compostos do metabolismo primário atribuídos papéis reconhecidos nos processos de assimilação, respiração e diferenciação. Destacam-se pelo emprego medicinal principalmente os polissacarídeos. Nos anexo 1, 2, 3 e 4 estão apresentadas plantas e seus componentes ativos, e os principais processos da biossíntese de compostos nas plantas. Os polissacarídeos complexos de origem vegetal pouco absorvidos ou não digeridos pelo intestino humano são genericamente denominados fibras. Nesta terminologia são incluídos os frutanos e os polissacarídeos de paredes celulares, inclusive os -glucanos. Tem sido mostrado que a dieta rica em fibras solúveis altera quantitativamente e qualitativamente a composição do muco intestinal. Estas alterações podem ser ocasionadas por efeitos mecânicos sobre a mucosa intestinal, ou por metabólitos de fermentação bacteriana agindo sobre os metabólitos da mucosa. Os produtos finais da fermentação são principalmente ácidos graxos de cadeias curtas, os quais induzem variações na secreção do muco. Têm sido atribuídos aos carboidratos complexos efeitos hipocolesterolêmicos e hipoglicemiantes. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 16 Alimentos ricos em carboidratos complexos são mais vagarosamente digeridos do que outros tipos como aqueles que contêm amido. Tipos de fibras não celulósicas como goma guar e caroba, galactomananos de alto peso molecular de Ceratonia siliqua L.e Cyamopsis tetragonoloba (L.) Taub., diminuem a absorção intestinal da glicose. Modificações das características fisico-químicas do trato intestinal por polissacarídeos podem também modificar a liberação de hormônios gastrointestinais, influenciando a secreção de insulina e a motilidade gastrointestinal (Forestieri et al., 1989). A aceitabilidade de muitos polissacarídeos puros, como por exemplo a goma guar, pelos pacientes, é problemática devido à sua impalatabilidade e à tendência de causar desconforto abdominal e diarréia; sendo assim, a incorporação desses polissacarídeos em alimentos pode ampliar seu uso (Briani et al., 1988). Atualmente, vem sendo bastante enfatizada a utilização dos -glucanos incorporados aos alimentos, visando à melhoria dos níveis glicêmicos após as refeições (Bourdon et al., 1999). Estes compostos são solúveis em água e bases diluídas sendo, porém, resistentes aos processos digestivos humanos. A presença deles em alimentos é relacionada à redução dos níveis de colesterol e riscos de doenças coronárias (Anderson & Bridges, 1993; Wood, 1993). Na redução dosníveis de glicose plasmática os glucanos têm sido relacionados, principalmente, à inibição da absorção de glicose (McDonald et al., 1992; Wursch & Pi-Sunyer, 1997). Outros polissacarídeos ricos em ácidos urônicos, são as mucilagens, que são compostos que em presença de água incham e tomam aspecto particular de soluções viscosas. As mucilagens são encontradas em muitas plantas e são normalmente formadas da parede celular, sendo essencialmente poliuronídeos consistindo de açúcares e unidades de ácido urônicos (Trease e Evans, 1989). Na planta, as mucilagens exerce função de reseva, retenção de água em bulbo, raízes, folhas e em sementes durante a germinação e ainda de proteção contra alguns microorganismos. Estes compostos apresentam propriedades antiinflamatórias, laxativas, antidiarréicas, hipoglicemiantes (Tomoda et al, 1987) e são utilizadas na indústria farmacêutica para correção do gosto de certos fármacos, estabilidade de emulsões e pomadas e na indústria alimentar no fabrico de geléias e doces diversos. Também são utilizadas para preparo de meios de cultura para cultivo de fungos, bactéria e tecidos de plantas. Na área da fitoquímica, as plantas medicinais têm sido caracterizadas por seus possíveis compostos bioativos, que têm sido separados e submetidos à análise estrutural detalhada. Muitas vezes, os efeitos benéficos de extratos vegetais resultam da combinação de metabólitos secundários presentes nas plantas (Briskin, 2000). Os compostos do metabolismo secundário não têm papéis reconhecidos nos processos de assimilação, apresentam distribuição restrita no reino vegetal, ou seja, são encontrados em espécies de grupos taxonomicamente relacionados. Príncipios Ativos de Plantas 17 Compostos secundários podem ser definidos como aqueles que não têm um papel reconhecido na manutenção de processos vitais dos organismos que os sintetizam (Conn e Stumpf, 1981), quer seja, na síntese de protoplasma ou geração de energia. Vários autores têm mostrado que os metabólitos secundários exercem importantes funções ecológicas e representam estratégias alternativas para a sobrevivência de plantas exercendo efeitos alelopáticos, intimidando predadores, atraindo polinizadores, entre outros.(Harborne, 1977; Feibert e Langenheim, 1988; Dakora, 1995; Turner, 1995). Muitas substâncias desses grupos constituem princípios ativos que são utilizados na indústria farmacêutica no fabrico de fármacos e cosméticos, na indústria agronômica para obtenção de inseticidas como a piretrina e mesmo inclusos nos preparados caseiros da medicina tradicional. Partindo da via do acetato malonato, do acetato mevalonato e do chiquimato, que são as principais rotas metabólicas, pode-se dividir os compostos secundários em 3 grandes grupos: os terpenos, os compostos fénolicos e compostos contendo nitrogênio. Os terpenos são compostos sintetizados do acetil CoA, da via ácido mevalônico. Os compostos fénolicos são substâncias aromáticas (que possuem na fórmula química um anel aromático) formadas pela via do chiquimato ou do ácido malônico. Os produtos secundários contendo nitrogênio são primariamente biossintetizados dos amino-ácidos, destacando-se neste grupo os alcalóides, as mais velhas drogas vegetais. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 18 Lippia sidoides – Capim limão (Verbenaceae) Óleos essenciais - Timol Cymbopogon citratus – Capim limão (Poaceae) Óleos essenciais - citral Ruta graveolens – Arruda (Rutaceae) Glicosídeos flavonóides Digitalis purpurea – Dedaleira (Scrophulariaceae) Glicosídeos cardiotônicos Príncipios Ativos de Plantas 19 Stryphnodendron sp – Barbatimão (Fabaceae) Compostos fenólicos - Taninos Catharanthus roseus– Vinca, Boa noite (Apocynaceae) Alcalóides vincristina e vimblastina EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 20 Figura 2 – Principais rotas de biossíntese de metabólitos secundários e suas interrelações com o metabolismo primário. Príncipios Ativos de Plantas 21 Fig. 3 A - Formação do esqueleto básico de 5 carbonos dos terpenos da rota dos terpenos Fig. 3 B - Formação das principais subclasses de terpenos a partir dos 5 carbonos do IPP e do DPP EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 22 Figura 3 – Biossíntese de fenólicos em plantas. Em plantas superiores a maioria dos fenólicos são derivados pelo menos em parte da fenilalanina, um produto da rota do ácido chiquímico. a) Terpenos Os terpenos são compostos formados pela fusão de 5 unidades de carbono (isopentano). São geralmente insolúveis em água e são classificados pelo número de unidades de 5 carbonos em: Monoterpenos - que possuem 2 unidades de C5,ou seja, 10 carbonos Sesquiterpenos - que possuem 3 unidades de C5 , ou seja, 15 carbonos Diterpenos - que possuem 4 unidades deC5,ou seja 20 carbonos Triterpenóides - que possuem 30 carbonos Tetraterpenóides - que possuem 40 carbonos Politerpenóides – que possuem como fórmula geral (C5) n, n 20, como exemplo a borracha. Príncipios Ativos de Plantas 23 Um diterpeno bastante explorado pela indústria de medicamentos, o paclitaxel, previamente chamado taxol, é uma susbtância que foi isolada pela primeira vez a partir das cascas de Taxus brevifolia Nutt (Taxaceae), sendo a mesma molécula foi descoberta em outras espécies do gênero taxus, como por exemplo, nas folhas de Taxus baccata L. A comercialização do taxol foi aprovada pelo FDA (Food and Drugs Administration). Inicialmente o taxol era comercializado para o tratamento de câncer de ovário resistente a quimioterapia clássica. Atualmente este medicamento tem entrado na terapêutica de outros cânceres ginecológicos. O paclitaxel é encontrado quase que exclusivamente nas folhas em pequenas quantidades. A sua síntese total é muito cara e impraticável do ponto de vista industrial, porém sua obtenção a partir da semi-síntese foi realizada a partir da 10-desacetilbacatina, um intermediário biossintético próximo ao paclitaxel e presente em grandes quantidades nas folhas de T. baccata L (Denis et al, 1988). As misturas complexas de terpenóides voláteis formam os óleos essenciais característicos de muitas ervas medicinais. Algumas famílias são produtoras de grandes quantidades de óleos essenciais que são largamente explorados pela indústria e também utilizados nas preparações caseiras como ervas aromáticas para diferentes enfermidades, especialmente as do aparelho respiratório. Dentre as famílias que apresentam altos conteúdos de óleos essenciais em sua composição destacam-se Lamiace, Poacea, Apiaceae, Mirtaceae, Vebenaceae, Rutaceae, entre outras. b) Compostos Fenólicos O termo, compostos fenólicos, abrange uma ampla faixa de substâncias de plantas as quais possuem em comum um anel aromático com uma ou mais hidroxilas substituintes. Estas substâncias tendem a ser solúveis em água, uma vez que elas ocorrem, frenquentemente combinadas com açúcares, como glicosídeos e estão geralmente localizadas no vacúolo celular. Entre os compostos fenólicos naturais, dos quais milhares de estruturas são conhecidas, os flavonóides formam o maior grupo apesar de fenóis monocíclicos, fenilpropanóides e quinonas fenólicas existirem em números consideráveis. Vários grupos poliméricos importantes encontrados nas plantas como ligninas,melaninas e taninos são polifenólicos; ocasionalmente unidades fenólicas são encontradas em proteínas, alcalóides e entre os terpenóides (Harborne, 1984). Os compostos fenólicos das plantas são um grupo heterogêneo: alguns são lipídeos solúveis em solventes orgânicos, outros são ácidos carboxílicos e glicosídeos solúveis em água, enquanto outros são polímeros insolúveis. A maioria dos compostos fenólicos é derivada da fenilalanina, sendo a enzima chave na biossíntese de fenólicos a fenilalanina amonia-liase, que catalisa a transformação por desaminação do aminoácido L-fenilalanina, em ácido trans- cinâmico, sendo este o primeiro passo para a biossintese dos fenólicos vegetais. A fenilalanina amonia-liase tem sido isolada de várias fontes, sendo sua presença EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 24 observada em uma ampla variedade de plantas superiores e fungos, mas não é encontrada em animais. Dentre os compostos fenólicos merecem destaque como princípios ativos os flavonóides e os taninos. Os flavonóides são um grupo de compostos do metabolismo secundário de origem biossintética mista, parte da molécula proveniente da rota do ácido chiquímico e parte do ácido malônico. Apresentam um esqueleto básico constituído por 15 átomos de carbono, formando 2 núcleos fenólicos conectados por uma cadeia de três carbonos, que pode ser aberta ou fechada, designada no último caso, de anel pirano central. Os flavonóides apresentam uma grande diversificação estrutural baseada nas diferentes classes, combinadas a vários padrões de hidroxilação, metilação, glicosilação e outras substituições (Harborne, 1984; Harborne, 1993). Os grupos hidroxil e açúcares aumentam a solubilidade dos flavonóides, os ésteres com subtituintes metil ou unidades isopentil fazem os flavonóides lipofílicos. Os flavonóides são substâncias altamente ativas. Assim tem sido observado que flavonas metiladas e flavonóis incluindo a flavona eupatorin (5,3’ - dihidroxi 6, 7,4’trimetoxiflavona) tem atividade anticâncer ( Kupchan et al, 1969). Hisperidina e rutina tem sido utilizada no tratamento capilar e como agente antiinflamatório (Gabor, 1972). Vários flavonóides tem sido testados, apresentando atividade contra diferentes desordens fisiológicas como artrite (Malhotra et al, 1967), malária (Nkunya et al, 1993), inibição da infecção HIV (Li et al, 1993). O derivado de uma cumarina chamada calanolida A é um composto obtido de uma planta da floresta úmida Africana Calophyllum lanigerum Miq (Clusiaceae), apresentando atividade inibitória sobre a transcriptase reversa do HIV-1, sendo um composto promissor para o tratamento da AIDS (Ishikawa, 2000). Os taninos compreendem um grande grupo de substâncias amplamente distribuídas no reino vegetal e quando ocorrem em grande quantidade, eles são usualmente localizados em órgãos específicos como folhas, frutos, casca e caule (Tyler et al, 1988). Há dois tipos de taninos os condensados, que ocorrem quase universalmente em pteriófitas e gimnospermas e são amplamente distribuídos entre as angiospermas, especialmente em tecidos lenhosos. Em Bauhinia holophylla, os taninos presentes nas folhas são condensados (pirocatequínicos) Salatino (1976). Os taninos hidrolisáveis são limitados a dicotiledôneas e são encontrados em poucas famílias relativamente. Esses dois tipos de taninos podem ocorrer em uma mesma planta como em árvores de carvalho que eles ocorrem na casca e folhas. A biossíntese dos taninos condensados ocorre a partir da condensação de uma simples catequina (ou galocatequina) para formar dímeros e então oligômeros maiores e a maioria deles apresentam entre duas a 20 unidades de flavanas. O nome proantocianidina é usado alternativamente para taninos condensados porque com o tratamento a quente com ácido algumas das ligações C-C são quebradas liberando monômeros de antocianidina. Príncipios Ativos de Plantas 25 Os taninos hidrolisáveis são polímeros heterogêneos contendo ácidos fenólicos, especialmente ácido gálico e açúcares simples, como depsídeos de galoilglicose (Harborne, 1984). Os taninos possuem a propriedade de transformar pele de animal em couro pelo processo denominado curtimento, pois a ligação do tanino à proteína do colágeno do couro do animal aumenta a sua resistência ao calor, água e microorganismos; isto determina o alto uso destas substâncias na indústria. (Taiz e Zeigger, 1998). Devem ser considerados taninos “quaisquer substâncias de ocorrência natural, com peso molecular suficientemente alto, que tenha um grande número de hidroxilas fenólicas (1 a 2 por 100 unidades de peso molecular) capazes de formar ligações entre proteínas e outras macromoléculas. Essas substâncias quando adicionadas a dieta, são responsáveis pela diminuição da digestibilidade, sendo que em humanos, causam acidez, sensação adstringente na boca devido a sua ligação com as proteínas salivares. São sugeridas atividades hipoglicemiante de alguns taninos, atividades contra E. coli e Cândida albicans que podem causar diarréia, e outros microorganismos (Burapadaja e Bunchoo, 1995). c) Compostos contendo nitrogênio Os alcalóides compreendem uma grande classe de substâncias secundárias de plantas. O termo alcalóide é mais facilmente descrito do que precisamente definido.Eles são compostos contendo nitrogênio, geralmente incluem substâncias básicas, são heterocíclico e geralmente exibem atividade fisiológica significativa em humanos e animais. Os alcalóides são as mais velhas drogas e ainda são de grande uso na medicina moderna. Os alcalóides, grupo quimicamente heterogêneo, sendo que sua estrutura pode variar de muito simples a altamente complexa. A maioria dos alcalóides, são sintetizados a partir de amino-acidos como ácido aspártico, lisina, ornitina, citosina e triptofano, sendo que os alcalóides do tipo metilxantinas são alcalóides larganmente utilizados na indústria de bebidas e são obtidos das sementes de guaraná e café, ricos em cafeína. São geralmente ausentes nas gimnospermas, pteridófitas, musgos e plantas inferiores e sua função nas angiospermas é ainda obscura, embora se tenha relato do envolvimento de substâncias individuais na regulação do crescimento, repelentes e atraentes de insetos. Os alcalóides são as mais velhas drogas utilizadas pela humanidade, sendo dotados de importantes ações farmacológicas. São importantes sedativos e antiespasmódicos como os alcalóides de beladona – Atropa belladonna L., onde as investigações fitoquímicas conduziram ao isolamento de alcalóides tropânicos. A atropina é um alcalóide parassimpatomimético, que inibe a formação competitiva e reversível a fixação da acetilcolina sobre seus receptores. Provoca diminuição das EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 26 secreções salivares, nasais e brônquicas e midríase. É utilizada em doses fracas (dose máxima de 2 mg/dia) para o tratamento de espasmos gastrointestinais, cólicas hepáticas e às vezes em pré-anestesia para diminuir as secreções salivares e brônquicas. Esta substância pode ser utilizada como antídotos em casos de intoxicação por cogumelos contendo a muscarina e também por inibidores de acetilcolinesterase como pesticida organoclorados e alguns gases de combate. Outro alcalóide de natureza mais lipofílica que a atropina é a escopolamina, que pode penetrar facilmente na corrente sanguínea. Os alcalóides bisindólicos vimblastina e vincristina isolados de Catharanthus roseus (Apocynacea), denominado popularmente como vinca, maria- sem-vergonha, descobertos no final dos anos 60 ainda são medicamentos indispensáveis para o tratmento da leucemia TABELA 1 – Principais tipos de alcalóides , seus aminoácidos precursores e exemplos de cada tipo. Classe de alcalóide Precurssor biosintético Exemplos Pirrolidínicos Ornitina NicotinaTropânicos Ornitina Atropina, cocaína Piperidínicos Lisina Coniina Pirrolizidínicos Ornitina Retrorsina Quinolizidínicos Lisina Lupinina Isoquinolinicos Tirosina Codeína, morfina Indólicos Triptofano Reserpina, estriquinina d) Heterosídeos em geral Os glicosídeos ou heterosídeos, são compostos constituídos de duas partes, uma aglicona (que pode ser proveniente de qualquer composto secundário) e uma porção açúcar, sendo assim o termo glicosídeo designa genericamente um composto ligado a um açúcar, que muitas das vezes pela alta fitotoxicidade da aglicona se encontra de forma conjugada na planta. O principal mecanismo de formação dos glicosídeos implica a transferência de um grupo uridila de um trifosfato de uridina para 1- fosfato sacarídeo. As enzimas que catalisam essas reações são chamadas uridil-transferases e podem ser isoladas de fontes animais, vegetais e microbianas. Uma vez formado o glicosídeo, outras enzimas podem transferir outra unidade sacarídica para a parte monossacarídica , convertendo-a num dissacarídeo. Em várias plantas que contêm glicosídeos ocorrem enzimas que são capazes de produzir partes trissacarídicas e tetrassacarídicas dos glicosídeos através de reações análogas. Quando a sistematização se baseia na natureza química do grupo aglicona, a classificação dos medicamentos à base de glicosídeos é feita segundo o seguinte Príncipios Ativos de Plantas 27 esquema: 1 – grupo dos cardiotônicos esteroidais 2 – grupo das antraquinonas 3 – grupo dos saponínicos 4 – grupo dos cianogenéticos 5 ) grupo dos glicosinolatos e dos isoticianatos 6 – grupo dos flavonóides 7) grupo dos álcoois 8) grupo dos aldeídos 9- grupo dos fenóis. Estes diferentes glicosídeos podem estar presentes em família de plantas em particular como é o caso dos tioglicosídeos (que comtém enxofre) de Brassicaceae, sementes de capuchinha, grãos de mostarda; glicosídeos cianogenéticos de amêndoas amargas, flor de sabugueiro, abrunheiro bravo, folhas de cerejeira; glicosídeos antraquinônicos de rizoma do ruibarbo, cáscara sagrada e sene; glicosídeoa cardiotônicos de dedaleira; glicosídeos fenólicos da casca do salgueiro, de espécies de Bauhinias; de glicosídeos saponínicos, os quais merecem destaque as que possuem como sapogenina um triterpenóide ou um esteróides, que são substâncias precursoras dos compostos que são utilizados nas pílulas anti-concepcionais, como os das Dioscoreas. 6 LOCALIZAÇÃO DOS PRINCÍPIOS ATIVOS NAS PLANTAS Os princípios ativos podem ser de natureza variável e podem se acumular na planta toda, como em um órgão em particular. Assim, existem plantas onde os princípios ativos estão localizados nas sementes preferencialmente do que nas folhas, frutos ou órgãos subterrâneos. A seguir estão listadas algumas plantas com finalidade terapêutica e as principais partes das plantas que acumulam quantidades consideráveis de princípios de interesse terapêutico. a) Raízes com importância farmacêutica ABUTUA - Chondrodendron platyphyllum (St. Hill) Miers - Família: Menispermaceae - Componentes principais: alcalóides de núcleo bis-benzil-tetra- hidroisoquinoleina; 1-bebeerina; isochondodendrina; isobebeerina; isoclaurina. - Usos terapêuticos: diurético, febrífugo, tônico e aperiente usado em casos de irritação das vias urinárias. ACÔNITO - Aconitum napelius L. - Família: Ranunculaceae - Componentes principais: alcalóides; aconitina; picroaconina; aconina. - Usos terapêuticos: analgésico antinevrálgico, crises gotosas e reumáticas em geral. É usado ainda como anticongestivo, diaforético em congestões pulmonares, pneumonias, gripes, bronquites, laringites agudas e tosses espasmódicas. ALCAÇUZ - Glycyrrhiza glabra L. - Família: Fabaceae - Componentes principais: saponina, glicirrizina, flavonóides. Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 29 - Usos terapêuticos: béquico, expectorante, emoliente. E empregado em afecções das vias respiratórias, traqueobronquites e suas manifestações. Utilizado como edulcorante. Utilizado no tratamento de úlceras gástricas e duodenais e como antiespasmódico. ALTEIA - Althaea officinalis L. - Família: Malvaceae - Principais componentes: mucilagens. - Usos terapêuticos: béquico e emoliente, usado em afecções das vias respiratórias e intestinais. GENCIANA - Gentiana lutea L. - Família: Gentianaceae - Componentes principais: glicosídeos amargos: genciopicrosídio, genciopicrina e amarogenciana (= swertiamarina). - Usos terapêuticos: tônico, amargo, eupéptico e digestivo. Atribui-se também propriedades febrífugas. HIDRASTE - Hydrastis canadensis L. - Família: Ranunculaceae - Componentes principais: alcalóides: hidrastina, berberina e canadina. - Usos terapêuticos: hemostático empregado nas hemorragias uterinas e nas dismenorréias. Usado também nas hemorragias e como tônico, amargo e estomáquico em casos de atonias gastrintestinais. IPECACUANHA - Cephaelis ipecacuanha (Brol) Richard - Família: Rubiaceae - Componentes principais: alcalóides: emetina, cefelina, psicotrina, o- metilpsicotrina e emetanina; saponinas e iridóide cristalino (ipecósido). - Usos terapêuticos: emético, expectorante e amebicida. MUIRAPUAMA - Ptychopetalum olacoides Bentham - Família: Olacaceae - Componentes principais: esteróis, lupeol. - Usos terapêuticos: tônico, afrodisíaco. Empregado em paralisias parciais, nevralgias e reumatismos. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 30 POLIGALA - Polygala senega L. - Família: Polygalaceae - Componentes principais: saponinas - mistura de saponosídeos triterpênicos dificilmente separáveis; ácido poligálico; valerianato de metila; salicilato de metila. - Usos terapêuticos: expectorante, empregado em bronquites. RAUVOLFIA - Rauvolfia serpentina Bentham - Família: Apocynaceae - Componentes principais: alcalóides: reserpina, ajmalicina, reserpinina, re- serpilina, rescinamida, ajmalina, rauvolfinina e outros. - Usos terapêuticos: hipotensor e sedativo. RUIBARBO - Rheum palmatum L. - Família: Polygonaceae - Componentes principais: antraderivados:hidroxiantraquinonas e derivados da diantrona. - Usos terapêuticos: laxativo, purgativo. É usado ainda como tônico, amargo. VALERIANA - Valeriana officinalis L. - Família: Valerianaceae - Componentes principais: óleo essencial (contendo isovalerianato de bornila); taninos; resinas; heterosídeos; alcalóides; flavonas; ácidos orgânicos; triterpenóides, valepotriatos. - Usos terapêuticos: calmante, antiespasmódico e anticonvulsivo. Inúmeras outras drogas são constituídas por raízes. Assim, por exemplo, temos: o “alcaçuz-do-brasil”, Periandra níediterranea (VII) Taubert.; a “poligala-do-brasil”, Polygala cyparissias A St. HilI; o “ginseng-do-brasil”, Pfaffia paniculata (Martius) Kuntze. Outras raízes possuem grande interesse na alimentação: cenoura, nabo, bardana e rabanete. b) Caules com importância farmacêutica CARQUEJA AMARGA - Baccharis trimera (Less) A.P. de Candolle - Família: Asteraceae - Componentes principais: óleo essencial (acetado de carquejol, nopinemo, e canineno, calameno, eledol, eudesmol), lactonas diterpênicas, flavonóides (3,5 dihidroxi, 4, 6, 7 trimetoxi flavonona ou eupatorina), resina e saponina baccharonina. Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 31 - Usos terapêuticos: tônico amargo, eupéptico e diurético. CIPÓ-CABLOCO - Davilla rugosa Poirier - Familia: Dilleniaceae - Componentes principais: (mal conhecidos) taninos, substâncias de natureza glicosídica. - Usos terapêuticos: adstringente, antiinflamatório, analgésico local, vasocontristor. Empregado no tratamento de orquites, epididimites, hemorróidas, varizes. CIPÓ-CRAVO - Tynnanthus fasciculatus Miers- Família: Bignoniaceae - Componentes principais: óleo essencial (traços), tinantina, ácido tinântico, tanino, resina, açúcares e cumarina. - Usos terapêuticos: tônico estomacal, carminativo, aromático usado como corretivo de sabor. CURCUMA - Curcuma longa L. - Família: Zingeberaceae - Componentes principais: curcumina, óleo essencial contendo curcumenol, turmerona, zingibereno e traços de felandreno, sabineno, cineol e borneol. - Usos terapêuticos: tônico, aromático e estimulante das funções digestivas. FETO-MACHO - Dryopteris filix-mas (L.) Schott - Família: Polypodiaceae - Componentes principais: substâncias derivadas do floroglucinol, tais como: ácido filícico, aspidinol, ácido filicínico, filmarona e aspidina. - Usos terapêuticos: anti-helmíntico. GALANGA - Alpínia officinarum Hance - Família: Zingiberaceae - Componentes principais: óleo essencial contendo cineol, eugenol e pineno, e flavonóides contendo galangina e caempferina. - Usos terapêuticos: estimulante das funções digestivas, carminativo, aromático e anti-odontálgico. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 32 GENGIBRE - Zingiber officinale Roscoe - Família: Zingiberaceae - Componentes principais: óleo essencial constituído principalmente por d- canfeno, felandreno, zingibereno, cineol, citral, borneol, gingerol e resina. - Usos terapêuticos: estimulante digestivo e carminativo. VERATRO - Veratrum viride Aiton - Família: Liliaceae - Componentes principais: alcalóides contendo cevadina, veratridina, jervina, pseudojervina, resina. - Usos terapêuticos: depressor cardiorrespiratório, vasomotor, hipotensor, sedante. Inseticida. ZEDOÁRIA - Curcuma zedoaria (Bergius) Roscoe - Família: Zingiberaceae - Componentes principais: óleo essencial contendo álcoois sesquiterpênicos, zedarol, curzeona, curcumenol e isocurcumenol, curcumenona, curcumanólido A, curcumanólido B, cineol e resina. - Usos terapêuticos: aromático, estimulante digestivo, estomáquico, carminativo, hepatoprotetor. Empregado no tratamento de halitose. O caule está presente, ainda, em uma série de drogas constituídas pelo vegetal inteiro, pelas sumidades floridas e pelas partes aéreas do vegetal. Absinto, acariçoba, adonis, agrião, agrião-do-pará, alecrim, alecrim-bravo, cipó-azougue, cipó-cabeludo, cipó-caboclo, cordão-de-frade-miúdo, cordão-de-frade, fumária e gervão-roxo, constituem exemplos destes tipos de drogas. Outras vezes parte do caule é que constitui a droga. O barbatimão e a canela-da-china e do Ceilão, cáscara-sagrada, a frângula, a quina amarela e a vermelha e o viburno são exemplos de drogas constituídas de casca de caule. O sassafrás, a quássia, o pau-tenente, o sândalo-roxo e o sândalo-cítrico são exemplos de drogas constituídas por lenho de caules. c) Folhas com importância farmacêutica ABACATEIRO - Persea americana MilIer - Família: Lauraceae - Componentes principais: flavonóides: quercetina; -sitosterol; hepta-álcool denominado perseitol; óleo essencial contendo estragol e anetol. Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 33 - Usos terapêuticos: as folhas têm ação diurética e colagoga, sendo empregadas nas afecções hepáticas e das vias urinárias. As folhas são consideradas ainda como emenagogas e carmínatívas. ALCACHOFRA - Cynara scolymus L. - Família: Asteraceae - Componentes principais: cinarina; ácido clorogênico; ácido caféico; mucilagem; pectina; tanino, ácidos orgânicos: málico, glicérico e glicólico. Possui ainda dois componentes glicosidicos denominados glicosídio A e glicosídio B da alcachofra. O glicosídio B é tido como colerético. Apresenta, ainda, dois componentes flavônicos glicosídicos: o cinarósido e o scolimosidio. - Usos terapêuticos: Colerético, colagogo, diurético, laxativo. Estimula a função antitóxica do fígado. Abaixa a taxa de uréia e do colesterol sanguíneo. Indicada nas afecções do aparelho hepático-biliar e como coadjuvante nos regimes de emagrecimento. ALOE-DO-CABO (Aloe ferox MilIer, Aloe africana MilIer, Aloe spicata Backer) ALOÉ-DE-CURAÇAU (Aloe vera L. Aloe perry Backer) - Família: Liliaceae - Componentes principais: Bastante importantes os componentes antraquinônicos como purgativo, laxativo. Aloína, barbaloina, aloemodina são constituintes deste grupo de vegetais. A aloina também é empregada como filtro solar. AIoe vera L. é bastante cultivada em diversos lugares do mundo, com vistas à utilização em cosmética. - Usos terapêuticos: laxativo, purgativo, filtro solar, tratamento de queimaduras. BELADONA - Atropa belladonna L. - Família: Solanaceae - Componentes principais: alcalóides tropânicos: 1-hiosciamina, hioscina (escopolamina), beladonina. A atropina corresponde à forma racêmica de hiociamina. Apresenta também substâncias cumarínicas: -metil-esculetina. - Usos terapêuticos: sedativo, antiespasmódico. Inibe a atividade do parassimpático. É empregado na asma, tosses reflexas, coqueluche, cólicas intestinais e renais. CAPIM-LIMÃO - Cymbopogon citratus (DC) Staph - Família: Poaceae EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 34 - Componentes principais: óleo essencial contendo citral. - Usos terapêuticos: calmante, carminativo, antitérmico, analgésico. CARNAUBEIRA - Copernicia cerifera (A. Cam.) Martius - Família: Palmae - Componentes principais: cera, ácidos graxos contendo de 18 a 30 átomos de carbono. Acido carnaúbico e ácido cerático. - Usos terapêutícos: necessidade farmacêutica. CHAPÉU-DE-COURO - Echinodorus macrophyllus (Kun.) Micheli - Família: Alismataceae - Componentes principais: composição química mal conhecida. Glicosideos: equinodorosideo. - Usos terapêuticos: diurético, depurativo. Usado nas afecções das vias urinárias. DIGITAL - DEDALEIRA - Digitalis purpurea L. , Digitalis lanata Ehrart - Família: Scrophulariaceae - Componentes principais: glicosídios cardiotônicos: Purpúreo-glicosídios A, B, C e D, digitoxina, gitoxina e gitaloxina; saponinas: digitonina, gitonina e tigonina, flavonóides. - Usos terapêuticos: insuficiência cardíaca congestiva. A digitoxina, além de ser usada pela sua atividade inotrópica positiva, é empregada externamente no tratamento de varizes. ESTRAMÔNIO - Datura stramonium L. - Família: Solanaceae - Componentes principais: alcalóides tropânicos: hiosciamina, escopolamina; componentes cumarínicos: escopoletina, esculetina e esculina. Estes componentes aparecem em quantidade reduzida e dependem da variedade do vegetal. - Usos terapêuticos: antiespasmódico, analgésico, tosses quintosas, asma. EUCALIPTO - Eucalyptus globulus Labillardiere; Eucalyptus citriodora Hooker - Família: Myrtaceae - Componentes principais: óleo essencial contendo: eucaliptol, pineno, canfeno, fencheno, eudesmol, mirtenol, terpineol, globulol. Componentes flavonóidicos; taninos. Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 35 - Usos terapêuticos: balsâmico, expectorante, antiparasitário e bacteriostático em função da presença do óleo essencial. Tônico e adstringente em função dos taninos presentes. GUACO - Mikania glomerata Sprengel - Família: Asteraceae - Componentes principais: diterpenos: ácidos caurenóico, ácido cinamiol grandiflórico, estigmasterol, resina cumarina. - Usos terapêuticos: balsâmico, expectorante, antitussígeno, antiasmático e broncodilatador. Externamente no tratamento de dermatites e micoses. HAMAMELIS - Hamamelis virginiana L. - Família: Hamamelidaceae - Componentes principais: tanino: hamameloanino; saponinas; flavonóides: quercetol, canferol, glicosídios flavonóidicos do canferol, mucilagens. - Usos terapêuticos: adstringente, hemostático. Usado no tratamento de varizes. HORTELÃ-DO-BRASIL - Mentha arvensis L.- Família: Lamiaceae - Componentes principais: óleo essencial: L-mentol (90%) neomentol, acetato e mentilo, L-mentona, terpenos. - Usos terapêuticos: estimulante gástrico, digestivo, carminativo aromático, colagogo. E empregado nas indústrias de cosméticos, alimentos e medicamentos. HORTELÃ-PIMENTA - Mentha piperita L. - Família: Lamiaceae - Componentes principais: óleo essencial contendo principalmente mentol; mentona, ésteres metílicos, terpenos, cineol, tanino e principio amargo. - Usos terapêuticos: estimulante, aromático, carminativo, antiespasmódico.Externamente é empregado em gargarejos, inalações, pastilhas. E usado tanto na indústria de medicamentos, como de cosméticos e de alimentos. JABORANDI - Pilocarpus microphyllus Staph JABORANDI-DO-PARAGUAI (Jaborandi-do-rio) Pilocarpus pennatijfolius Lem JABORANDI-DE-PERNAMBUCO - Pilocarpus jaborandi Holmes - Família: Rutaceae EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 36 - Componentes principais: alcalóides: pilocarpina, pilocarpidina, isopilocarpina; óleo essencial rico em hidrocarbonetos terpênicos, matéria resinosa e taninos. - Usos terapêuticos: diaforético, sialagogo, parassimpaticomimético galactagogo. A pilocarpina é muito empregada em colírios como miótico, em dermatologia como modificador da pele e para evitar a queda de cabelo. LOBELIA - Lobelia inflata L. - Família: Lobeliaceae - Componentes principais: alcalóides: 1-lobelina, lobelanina, lobelanidina, norlobelanina, lobinina e isolobinina; material ceroso e tanino. - Usos terapêuticos: expectorante, diaforético, antidispnéico. MARACUJÁ - Passiflora alata Dryander - Família: Passifloraceae - Componentes principais: alcalóides: harmana, harmina, harmol, harmolol; flavonóides: 2-xilosil-vitexina, vitexina, isovitexina, orientina. - Usos terapêuticos: sedativo, hipnótico, usado nas excitações nervosas e nas neurastenias. MEIMENDRO - Hyoscyamus niger L. - Família: Solanaceae - Componentes principais: alcalóides: hiosciamina, hioscina (escopolamina); heterosídeo amargo: hiospicrosídeo. - Usos terapêuticos: sedativo antiespasmódico, analgésico. Empregado no tratamento da asma, tosses reflexas e cólicas intestinais e renais. PALMA-ROSA - Cymbopogon martini Schult. - Família: Poaceae - Componentes principais: óleo essencial: geraniol (75-95%), citral, aldeído fórmico, aldeído isovalérico, -ocimeno, metil-heptenona, D-linalol, L--terpineol, farnesol. - Usos terapêuticos: empregado em perfumaria. Aromático, lembrando odor de rosas. SENE - Cassia angustifolia Vahl. - Cassia senna L. (= Cassia acutifolia Delile) - Família: Fabaceae; subfam. Caesalpinioideae - Componentes principais: substâncias antraquinônicas, livres e combinadas: crisofanol, aloe-emodina, antranol, senosídeo A e B. Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 37 - Usos terapêuticos: laxativo, purgativo. TROMBETEIRA - Datura suaveolens Humboldt et Bonpl. ex Willd. - Família: Solanaceae - Componentes principais: alcalóides tropânicos: hiosciamina, escopolamina. - Usos terapêuticos: antiespasmódico. d) Flores com importância farmacêutica ALFAZEMA - Lavandula officinalis Chaix. ex Villars - Lavandula intermedia Loisel Lavandula vera DC - Lavandula angustifolia (L.) MilIer - Família: Lamiaceae - Componentes principais: óleo essencial com elevado conteúdo em ésteres, tais como acetato de linalila; as quantidades de álcoois totais (livres e combinados) é sempre alta, alcançando 80% com predominância do linalol. Componentes do óleo; hidrocarbonetos: -ocimeno, pineno, coriofileno, cadineno. Alcoóis: linalol, geraniol, nerol, lavandulol, borneol; ácidos: acético, propiônico, butírico, valérico, tíglico, capróico. - Usos terapêuticos: As espécies de lavanda não são empregadas na terapêutica, apesar de serem reconhecidas suas propriedades cicatrizantes e anti- sépticas. Na farmácia é utilizada como aromatizante em loções e outras formas farmacêuticas. O óleo essencial é muitíssimo empregado em perfumaria. ARNICA - Arnica montana L. - Família: Asteraceae - Componentes principais: óleo essencial: ésteres metílicos dos ácidos fórmico, acético, isobutírico; flavonóides: isoquercetina e astragalina; óleo fixo: ácidos oléico, laúrico, palmítico. Ácidos diversos: fórmico, angélico, málico, caféico. Arnicina, princípio amargo; carotenóides; xanuofiloposídeo; zeaxantina; álcoóis triterpênicos: arnidendiol, arnidiol, faradiol. - Usos terapêuticos: vulnerário. A tintura de arnica corresponde ao remédio popular mais empregado no tratamento de traumatismos. CACTO - Cereus grandiflorus MilI. - Família: Cactaceae - Componentes principais: cactina, substância de natureza alcalóidica; substâncias resinosas glicosídicas, mucilagens, cera, matérias graxas. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 38 - Usos terapêuticos: cardiotônico e diurético. CALÊNDULA - Calendula officinalis L. Família: Asteraceae - Componentes principais: saponinas: glicosídios do ácido oleanólico; óleo essencial; calendulina; compostos triterpênicos: arnidiol, faradiol, flavonóides; substância amarga. - Usos terapêuticos: emenagogo; externamente é empregada em contusões e em feridas e queimaduras. CAMOMILA - Chamomilia recutita L. - Família: Asteraceae - Componentes principais: óleo essencial contendo camazuleno; matricina, matricarina, apigenina, umbeliferona, éter etílico de umbeliferona; quercimeritrina; ácido clorogênico. - Usos terapêuticos: antiespasmódico, tônico, amargo, carminativo estomáquico; antiinflamatório. A camomila é muito empregada em cosmetologia, na elaboração de xampu. CRAVO-DA-ÍNDIA - Syzigium aromaticum (L.) Merril et Perry (= Caryophyllus aromaticus L.) - Família: Myrtaceae - Componentes principais: óleo essencial: eugenol, acetato de eugenila, humuleno, cariofileno. - Usos terapêuticos: estimulante estomacal, aromático, carminativo, agente saporífero. LARANJEIRA (Flor) - Citrus aurantium L. - Família: Rutaceae - Componentes principais: óleo essencial com elevado conteúdo em álcoois: linalol, terpineol, geraniol, nerol, álcool fenil-etílico, farnesol, nerolidol, antranilato de metila, ocimeno, pineno, canfeno, dipenteno. - Usos terapêuticos: água de flor-de-laranjeira é empregada para aromatizar bebidas doces e até medicamentos. Em terapêutica é usada como antiespasmódica, calmante, hipnótico brando. Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 39 MACELA - Achyrocline satureoides (Lam) DC - Família: Asteraceae - Componentes principais: óleo essencial, fIavonóides: flavonol, quercetina. - Usos terapêuticos: digestivo, antiespasmódico, carminativo, colagogo, cupéptico e emenagogo. PAPOULA-RUBRA - Papaver rhoeas L. - Família: Papaveraceae - Componentes principais: alcalóides: readina, reagenina; antocianinas: neocianina, cianina. - Usos terapêuticos: emoliente, béquico antiinflamatório, sedativo. ROSA-BRANCA - Rosa centifolia L. - Família: Rosaceae - Componentes principais: óleo essencial; tanino; flavonóides: quercetina; ácido málico e tartárico. - Usos terapêuticos: aromatizante, corretivo de odor, adstringente, laxativo. SABUGUEIRO - Sambucus nigra L. - Família: Caprifoliaceae - Componentes principais: rutina, etilamina, isobutilamina. - Usos terapêuticos: diaforético, diurético, emoliente, laxativo. e) Frutos com importância farmacêutica AMEIXA - Prunus domestica L. - Família: Rosaceae - Componentes principais: sacarose, xilose, glicose, maltose, ácido málico, ácido succínico, ácido cítrico, ácido paracumárico, ácido caféico e ácido clorogênico; flavonóides: quercetina; avicularina, 3-glicosido-cianidina; goma, enzima: polifenolase e peroxidase. - Usos terapêuticos:laxativo, regulador da função intestinal. ANIS - Pimpinella anisum L. - Família: Apiaceae EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 40 - Componentes principais: óleo essencial contendo: anetol (80-90%), estragol, metilchavicol; ácido anísico; sesquiterpenos. - Usos terapêuticos: carminativo, estomáquico, corretivo de sabor. Empregado em casos de gastralgia e enteralgia. CANAFÍSTULA - Cassia fistula L. - Família: Fabaceae - Componentes principais: oximetilantraquinonas, matérias pépticas, tanino, substâncias gomosas. - Usos terapêuticos: laxativo suave. CAPSICUM - Capsicum annuum L. - Família: Solanaceae - Componentes principais: capsaicina, capsina, capsicol, capsiorubina, capsantina, criptixantina, óleo fixo; material resinoso. - Usos terapêuticos: rubefaciente, revulsivo. Usado em dermatologia. COENTRO - Coriandrum sativum L. - Família: Apiaceae - Componentes principais: óleo essencial contendo linalol, coriandrol, pineno, limoneno, terpineno, geraniol, borneol. - Usos terapêuticos: estimulante digestivo, carminativo, estomáquico. COMINHO - Cuminum cyminum L. - Família: Apiaceae - Componentes principais: óleo essencial contendo aldeído carmínico, cimeno, paracimenol, pineno, felandreno, carvona, álcool cumínico, tanino; óleo fixo. - Usos terapêuticos: carminativo, estomáquico, sudorífero, afrodisíaco. FUNCHO - Foeniculum vulgare MilI - Família: Apiaceae - Componentes principais: óleo contendo: anetol (50-60%), -pineno, canfeno, felandreno, dipenteno, fenchona, estragol, feniculina. - Usos terapêuticos: tônico estimulante da função digestiva, carminativo, emenagogo. Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 41 LARANJA-DOCE - Citrus aurantium L. var. sinensis - Família: Rutaceae - Componentes principais: flavonóides: hesperidina; açúcar, matéria mucilaginosa; óleo essencial. - Usos terapêuticos: estomacal, estimulante, edulcorante, usado nas gastralgias e nas dispepsías. LARANJA-AMARGA - Citrus aurantium L. var. amara L. - Família: Rutaceae - Componentes principais: auranciamarina, hesperidina, hesperitina, isoesperitina, ácidos aurantiomárico e hespérico, óleo essencial. - Usos terapêuticos: estomacal, estimulante da função digestiva, carminativo, emenagogo. LIMÃO - Citrus medica L. var. limonum - Família: Rutaceae - Componentes principais: óleo essencial contendo citral, limoneno, cadineno, fenantreno, citronelol, linalol, geraniol, terpineol; ácidos cítrico, málico, ascórbico. - Usos terapêuticos: anti-séptico, refrescante, estomacal, estimulante da função digestiva. PAPOULA - Papaver somniferum L. - Família: Papaveraceae - Componentes principais: o látex do fruto coagulado, fermentado e moldado em forma de pães, é denominado o pão de ópio. Os componentes principais desta droga derivada são os seguintes: morfina, codeína, papaverina, narcotina, narceína e outros. - Usos terapêuticos: hipnótico, analgésico e sedativo. SALSA - Petroselinum sativum Hoffm. - Família: Apiaceae - Componentes principais: óleo essencial contendo pineno, apiol, apiino; óleo resina; miristicina. - Usos terapêuticos: aperitivo, carminativo, diurético, febrífugo emenagogo. EDITORA – UFLA/FAEPE – Plantas Medicinais: Utilização Popular e... 42 f) Sementes com importância farmacêutica ABÓBORA - Cucurbita pepo L.; Cucurbita maxima Duchesne - Família: Cucurbitaceae - Componentes principais: cucurbitina (3-amino-3carboxipirrolidina). - Usos terapêuticos: tenifuga e helminticida. CACAU - Theobroma cacao L. - Família: Sterculiaceae - Componentes principais: teobromina vermelho de cacau, cafeína, substâncias gordurosas (manteiga de cacau); tanino. - Usos terapêuticos: utilizado como tônico, reconstituinte, agente de sabor. CAFÉ - Coffea arabica L. - Família: Rubiaceae - Componentes principais: cafeína, ácido cafetânico, cafélico, clorogênico; matérias graxas, cafeona (óleo essencial). - Usos terapêutIcos: cardiotônico, estimulante, diurético. CARDAMOMO - Elettaria cardamomum (Roxb) Maton - Família: Zingiberaceae - Componentes principais: óleo essencial constituído de terpineno, terpineol, acetato de terpinila, cineol; matérias graxas corantes. - Usos terapêuticos: estimulante, estomáquico, carminativo, corretivo de sabor. CASTANHA-DA-ÍNDIA - Aesculus hippocastanum L. - Família: Hippocastanaceae - Componentes principais: tanino, catecol; hidroxicumarianas:esculosídeos e flkaxosídeos; flavonóides: quercitrosídeos e leucoantocianidina, triterpenos: -escina. - Usos terapêuticos: Tratamentos de perturbações de circulação venosa, hemorróidas, varizes. COLA - Cola nitida (Ventenat) Chevalier - Família: Strerculiaceae - Componentes principais: cafeína, teobromina, tanino, vermelho de cola. - Usos terapêuticos: tônico estimulante cerebral, cardiotônico e diurético. Localização dos Princípios Ativos nas Plantas 43 COLCHICO - Colchicium autumnale L. - Família: Liliaceae - Componentes principais: alcalóides (0,6-12,5%): colquicina, colchicina, colchiceina; glicosídios: colebicosídio, trocolchicosídio. - Usos terapêuticos: reumatismo gotoso. ESTROFANTO - Strophantus gratus (Wall. et Hooker) Franchet - Família: Apocynaceae - Componentes principais: glicosidios cardiotônicos: g-estrofantina. - Usos terapêuticos: tônico cardíaco. GUARANÁ - Paullinia cupana Kunth - Família: Sapindaceae - Componentes principais: alcalóides xantínicos: cafeína (maior quantidade); teobromina; ácido paulinotânico; saponina, resina, substância gordurosa. - Usos terapêuticos: estimulante do sistema nervoso, diurético, tônico cardíaco, adstringente. MOSTARDA-PRETA - Brassica nigra (L.) Koch. - Família: Brassicaceae - Componentes principais: mucilagem, óleo fixo (glicérides dos ácidos oléico, erúcico, linoléico, esteárico); um alcalóide, a sinapsina; enzimas. - Usos terapêuticos: estimulante, digestivo; externamente empregado como rubefaciente. Usado em cataplasmas. NOZ-VÔMICA - Strychnos nux-vomica L. - Família: Loganiaceae - Componentes principais: alcalóides: estricnina, brucina; ácido clorogênico, óleo fixo. - Usos terapêuticos: tônico amargo, estimulante muscular e dos nervos. PACOVA - Renealmia exaltata L. - Família: Zingiberaceae - Componentes principais: óleo essencial pouco conhecido, resina, amido. - Usos terapêuticos: estomacal, carminativo. 7 ASPECTOS DO CULTIVO DE PLANTAS MEDICINAIS Em diferentes regiões florísticas do Brasil, encontra-se uma grande diversidade de espécies medicinais, das quais um percentual inexpressivo de espécies tem sido realizado estudos do ponto de vista agronômico. Assim sendo, a exploração de recursos medicinais no Brasil está relacionada em grande parte, à coleta extensiva e extrativista de materiais silvestres, pois poucas espécies chegam ao nível de cultivo , mesmo em pequena escala . A carência de informações científicas sobre plantas medicinais ou com potencial medicinal, tem levado cientistas a direcionarem suas pesquisas não somente a nível farmacológico e químico, como também ao da fisiologia do desenvolvimento. O conhecimento sobre a propagação dessas espécies é de fundamental importância, pois, a demanda crescente torna imperativa a geração de técnicas adequadas de cultivo. O Brasil mantêm um comércio externo de plantas medicinais e aromáticas bastante expressivo. Em 1992 foi exportado uma tonelada de materiais designados como “outras plantas”, com grande possibilidade deste material ser majoritariamente plantas medicinais, acredita-se que a maioria foi obtida através do extrativismo. Isto pode ser evidenciado pelo acelerado processo de destruição dos recursos naturais nos diversos biomas brasileiros levando a destruição