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PSICANÁLISE – TRANSFERÊNCIA E CONTRATRANSFERÊNCIA 1) O que é transferência? Há diferença no modo de Freud, Lacan e Winnicott compreenderem o fenômeno? R: Para Zimerman, seguindo Freud, transferência é a repetição, no vínculo terapêutico, de protótipos emocionais vividos com figuras importantes da infância, deslocados para o analista. Freud entende a transferência como um fenômeno universal, inevitável e motor da análise: o paciente “atualiza” no analista seus conflitos infantis. Para Lacan Lacan entende a transferência como suplência do saber do Sujeito Suposto Saber: o paciente transfere ao analista o lugar daquele que “sabe” sobre seu desejo. É mais estrutural do que vivencial. Não enfatiza apenas a repetição infantil, mas o laço estabelecido pela suposição de saber. Para Winnicott Winnicott desloca o foco para o ambiente: A transferência surge quando o paciente reencontra o ambiente facilitador necessário para retomar seu desenvolvimento. Ela pode assumir três modalidades: Transferência do passado (herdada dos pais) Transferência atual (relacionada à situação presente) Transferência do verdadeiro self (quando o ambiente permite espontaneidade) Winnicott valoriza a regressão à dependência e o papel do analista como ambiente confiável. 2) O que é contratransferência? R: Para Zimerman, contratransferência é o conjunto de reações emocionais do analista ao paciente, podendo vir de duas fontes: Aspectos pessoais do analista (história, conflitos) Indução do paciente (o paciente “faz sentir” algo) Hoje entende-se como ferramenta clínica essencial: revela aspectos do funcionamento do paciente e da dinâmica relacional. 3) Estudar os tipos de contratransferência: conluios, contratransferência erotizada e somatizada. R: a) Conluios Quando o analista entra na lógica patológica do paciente, reforçando defesas, distorções ou fantasias. Ex.: pactuar com a onipotência psicótica ou com evitamentos. b) Contratransferência erotizada O analista sente atração ou erotização do vínculo devido à indução do paciente ou a conteúdos pessoais. Deve ser reconhecida e manejada eticamente, sem atuação. c) Contratransferência somatizada Ocorre quando o analista somatiza reações emocionais: cansaço, dores, sono, náusea. São sinais corporais da relação transferencial.