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Situação-problema: Um órgão da Administração Pública pretende formular uma política pública relacionada às apostas on-line e precisa selecionar, entre as três pesquisas apresentadas, aquela que oferece informações mais adequadas para subsidiar a tomada de decisão. Com base no material fornecido e, se necessário, em informações complementares disponíveis na internet, indique qual das três pesquisas deveria ser utilizada e justifique a escolha, considerando pelo menos três critérios relevantes para avaliar a qualidade e a adequação da pesquisa. Indique as fontes adicionais consultadas. Pesquisa 1: Genial/Quaest – Abril de 2026 As apostas esportivas realizadas por meio de plataformas digitais, popularmente conhecidas como bets, ganharam espaço no Brasil nos últimos anos e passaram a ser objeto de pesquisas voltadas à compreensão dos hábitos da população. Nesse contexto, a Quaest divulgou, em abril de 2026, um levantamento nacional sobre a prática de apostas esportivas pela internet, encomendado pela Genial Investimentos. O levantamento ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 9 e 13 de abril de 2026. A pesquisa apresentou margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. A principal pergunta apresentada aos entrevistados foi: “Você tem costume de fazer apostas esportivas pela internet?” No conjunto da amostra, 29% responderam que sim e 71% disseram que não costumam fazer apostas esportivas pela internet. O levantamento também apresentou os resultados segundo região do país, sexo, faixa etária, renda, religião e posicionamento político. Alguns resultados encontrados A análise por região mostrou o maior percentual no Sul: 37% disseram ter costume de apostar. No Sudeste, o percentual foi de 29%; no agrupamento Centro-Oeste/Norte, 27%; e no Nordeste, 25%. No recorte por sexo, 33% dos homens declararam ter costume de fazer apostas esportivas pela internet. Entre as mulheres, o percentual divulgado foi de 21%. Em relação à idade, 27% das pessoas de 16 a 34 anos disseram apostar. Entre os entrevistados de 35 a 59 anos, o percentual foi de 30%, mesmo valor encontrado entre aqueles com 60 anos ou mais. A divulgação da pesquisa destacou que as apostas esportivas são legalmente permitidas somente para maiores de 18 anos, embora o levantamento tenha incluído entrevistados a partir dos 16 anos. Os resultados também variaram conforme a renda familiar. Entre os entrevistados com renda de até dois salários mínimos, 24% disseram ter costume de apostar. O percentual chegou a 32% entre aqueles com renda familiar de dois a cinco salários mínimos e foi de 26% entre os que tinham renda superior a cinco salários mínimos. No recorte por religião, 34% dos católicos responderam que costumavam fazer apostas esportivas pela internet. Entre os evangélicos, o percentual foi de 23%. A pesquisa também apresentou resultados de acordo com o posicionamento político declarado pelos entrevistados. O percentual foi de 33% entre bolsonaristas, 31% entre independentes, 27% entre pessoas classificadas como esquerda não lulista, 26% entre lulistas e 25% entre a direita não bolsonarista. Assim, além de estimar a proporção geral de entrevistados que declararam ter o costume de apostar pela internet, o levantamento procurou observar como esse comportamento aparecia em diferentes segmentos da população brasileira. Fonte: Genial/Quaest, realizada entre 9 e 13 de abril de 2026, conforme resultados divulgados pelo G1 em 17 de abril de 2026. Pesquisa 2: Datafolha – Abril de 2026 Em abril de 2026, o Instituto Datafolha realizou um levantamento nacional que, entre outros aspectos relacionados à situação financeira dos brasileiros, investigou o uso de plataformas de apostas e cassinos on-line. A pesquisa procurou identificar tanto a frequência com que os entrevistados realizavam apostas quanto algumas das motivações financeiras associadas a esse comportamento. O levantamento entrevistou 2.002 pessoas com 16 anos ou mais, residentes em 117 municípios brasileiros, nos dias 8 e 9 de abril de 2026. A margem de erro informada foi de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança foi de 95%. Uma das perguntas apresentadas aos participantes buscava identificar se eles costumavam apostar em bets ou cassinos on-line, mesmo que apenas ocasionalmente. Aos que responderam afirmativamente, também foi perguntada a frequência com que realizavam essas apostas. No conjunto da amostra, 10% dos entrevistados afirmaram ter o costume de apostar em bets ou cassinos on-line, enquanto 90% disseram não possuir esse hábito. Entre todos os entrevistados, 2% disseram apostar sempre ou frequentemente, 4% às vezes e 4% raramente. A pesquisa também encontrou diferenças entre homens e mulheres. Entre os homens entrevistados, 14% declararam apostar, enquanto entre as mulheres o percentual foi de 7%. O hábito também apareceu com maior frequência entre jovens com ensino médio completo e renda de até dois salários mínimos. Além da frequência das apostas, o levantamento investigou a relação entre os jogos e a situação financeira dos participantes. Entre os brasileiros que declararam realizar apostas em bets ou cassinos on-line, 46% afirmaram apostar com o objetivo de obter renda extra ou ajudar no pagamento das contas. Considerando o total de pessoas entrevistadas, 5% afirmaram já ter apostado com o objetivo de conseguir uma renda extra que ajudasse a pagar as contas. Além disso, 1% do total dos entrevistados declarou já ter utilizado dinheiro que estava destinado ao pagamento das contas do mês para realizar apostas. Há uma distinção importante na leitura desses resultados: alguns percentuais se referem aos 2.002 entrevistados, enquanto o resultado de 46% se refere especificamente ao grupo que declarou realizar apostas. Portanto, os percentuais apresentados pelo levantamento possuem bases de comparação diferentes. Assim, o levantamento do Datafolha não se limitou a estimar quantos entrevistados declaravam apostar. Ele também procurou identificar a frequência dessa prática, diferenças entre grupos e a relação entre apostas e busca por recursos financeiros para complementar a renda ou pagar despesas. Fonte: Datafolha, levantamento realizado em 8 e 9 de abril de 2026 e divulgado pela Folha de S.Paulo em 18 de abril de 2026. Pesquisa 3: Ipsos-Ipec – 2024 O crescimento das plataformas de apostas on-line no Brasil tem despertado interesse não apenas pelo volume de pessoas que passaram a utilizar esses serviços, mas também pelos possíveis impactos econômicos, sociais e financeiros associados a essa prática. Nesse contexto, a Ipsos-Ipec realizou, em 2024, uma pesquisa sobre a participação dos brasileiros em jogos e apostas on-line. Os resultados foram posteriormente retomados pela Ipsos em publicação de janeiro de 2026 sobre a expansão das bets e seus impactos no país. Segundo a pesquisa, aproximadamente 28 milhões de brasileiros já haviam realizado algum tipo de aposta on-line, número correspondente a 18% dos brasileiros, segundo a estimativa apresentada pelo levantamento. A pesquisa também procurou diferenciar aqueles que já haviam experimentado esse tipo de jogo daqueles que apresentavam uma prática mais recente. Entre os brasileiros pesquisados, 8% haviam realizado algum tipo de jogo ou aposta on-line nos 30 dias anteriores à pesquisa. Considerando modalidades específicas, 6% haviam realizado apostas esportivas nesse período e 5% haviam participado de jogos de cassino ou bingo on-line. Essas categorias não são necessariamente excludentes, já que uma mesma pessoa pode ter participado de mais de uma modalidade. A frequência das apostas também foi investigada. Entre os jogadores ativos de apostas esportivas on-line — definidos nesse caso como aqueles que haviam apostado nos últimos 30 dias —, 14% declararam jogar diariamente. Outros 50% afirmaramrealizar apostas entre uma e seis vezes por semana. Além de identificar a participação e a frequência das apostas, a pesquisa investigou a percepção dos próprios jogadores sobre seus resultados financeiros. Entre aqueles que já haviam experimentado apostas esportivas on-line, 37% afirmaram que perderam mais vezes do que ganharam, enquanto 17% disseram ter perdido todas as vezes em que apostaram dinheiro. Somados, esses dois grupos representam 54% dos jogadores pesquisados. Por outro lado, 23% afirmaram ter ganhado mais vezes do que perdido, enquanto apenas 2% declararam ter ganhado em todas as ocasiões em que realizaram apostas esportivas. Os resultados mostram, portanto, que as experiências relatadas pelos participantes foram bastante distintas, mas que o grupo que declarou predominância de perdas foi maior do que aquele que relatou predominância de ganhos. A Ipsos-Ipec também investigou as motivações para participar de jogos e apostas on-line. Entre os motivos apresentados pelos participantes, 20% relacionaram a prática a momentos de diversão ou passatempo e outros 20% à emoção ou adrenalina proporcionada pelos jogos. Para 19%, uma das motivações estava relacionada à possibilidade de ganhar dinheiro ou aumentar a renda. Assim, a pesquisa não se limitou a estimar quantos brasileiros já haviam realizado apostas on-line. O levantamento também procurou distinguir a experiência acumulada de apostas da prática recente, identificar a frequência com que os jogadores ativos apostavam e conhecer suas experiências de ganhos e perdas e suas principais motivações. Um aspecto importante para a comparação desta pesquisa com levantamentos mais recentes é a data dos dados: embora esses resultados tenham sido divulgados novamente pela Ipsos em janeiro de 2026, a pesquisa Ipsos-Ipec mencionada na publicação foi realizada em 2024. Portanto, para fins de análise, deve ser identificada como Ipsos-Ipec (2024), e não como uma pesquisa realizada em 2026. Fonte: Ipsos-Ipec (2024), resultados divulgados pela Ipsos em janeiro de 2026 na publicação Bets e Influência Digital: Oportunidade ou Armadilha. Pesquisa 2: Datafolha – Abril de 2026 Há uma distinção importante na leitura desses resultados: alguns percentuais se referem aos 2.002 entrevistados, enquanto o resultado de 46% se refere especificamente ao grupo que declarou realizar apostas. Portanto, os percentuais apresentados pelo levantamento possuem bases de comparação diferentes. Pesquisa 3: Ipsos-Ipec – 2024