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AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 1 
Professora: Sueli Lopes Passos ...................................................................................................... 0 
Apresentação ................................................................................................................................ 6 
Aula 1: Auditoria em fisioterapia .................................................................................................. 7 
 ............................................................................................................................. 7 Introdução
 ................................................................................................................................ 8 Conteúdo
O papel do fisioterapeuta nos processos de auditoria ............................................... 8 
Atuação no mercado de trabalho .................................................................................. 8 
Agora, você sabe quais as contribuições do fisioterapeuta para o processo de 
auditoria? ............................................................................................................................. 9 
Fatores que justificam a participação do fisioterapeuta na equipe de auditoria 
de saúde ............................................................................................................................ 10 
A importância do controle na auditoria ...................................................................... 11 
Atendimento domiciliar .................................................................................................. 13 
Ferramentas de controle ................................................................................................ 13 
Algumas considerações sobre a prescrição médica ................................................. 16 
Vantagens da abordagem domiciliar ........................................................................... 16 
Mas você deve estar pensando que isso é realidade apenas no sistema privado 
de saúde, não é? .............................................................................................................. 17 
Atividade proposta .......................................................................................................... 18 
........................................................................................................................... 19 Referências
 ......................................................................................................... 19 Exercícios de fixação
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 25 
 ..................................................................................................................................... 25 Aula 1
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 25 
Aula 2: Auditoria em farmácia I................................................................................................... 28 
 ........................................................................................................................... 28 Introdução
 .............................................................................................................................. 29 Conteúdo
Auditoria em farmácia hospitalar ................................................................................. 29 
A gestão de serviço ......................................................................................................... 29 
Práticas gerenciais seguras, legais e de qualidade .................................................... 30 
Processos organizacionais e gerenciais ...................................................................... 31 
A importância do gerenciamento de processo ......................................................... 31 
A fiscalização hospitalar ................................................................................................. 34 
Perspectivas para avaliação ........................................................................................... 34 
file://webaula.local/bh/CDC/Projetos/emandamento/Estacio%20de%20Sa/Pós_Graduação/2º%20semestre%202015/21%20-%20Disc.%20Auditoria%20em%20serviços%20de%20Odont%20Fis%20farm%20e%20outros/Pedagogia/Material%20Bruto/Apostila/Apostilas%20DI/Apostila_apresentação.docx%23_Toc428778130
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 2 
Procedimentos de fiscalização ..................................................................................... 35 
Atividade proposta .......................................................................................................... 37 
........................................................................................................................... 38 Referências
 ......................................................................................................... 39 Exercícios de fixação
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 44 
 ..................................................................................................................................... 44 Aula 2
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 44 
Aula 3: Auditoria em farmácia II.................................................................................................. 46 
 ........................................................................................................................... 46 Introdução
 .............................................................................................................................. 47 Conteúdo
A gestão de abastecimento de farmácias ................................................................... 47 
A tendência atual ............................................................................................................. 47 
Mas como monitorar o estoque farmacêutico? ........................................................ 48 
Então, como poderiamos definir a logística? ............................................................. 49 
Então, como podemos ser assertivos dentro dessa cadeia logística? ................... 49 
A prestação de serviços ao paciente ........................................................................... 51 
A classificação ABC ......................................................................................................... 52 
Considerações importantes sobre a classificação .................................................... 53 
As três classes de medicamentos ................................................................................. 53 
Agrupamentos classificatórios ...................................................................................... 54 
O controle de estoque .................................................................................................... 55 
Atividade Proposta........................................................................................................... 57 
........................................................................................................................... 58 Referências
 ......................................................................................................... 58 Exercícios de fixação
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 64 
 ..................................................................................................................................... 64 Aula 3
Exercícios de fixação .......................................................................................................64 
Aula 4: Auditoria em nutrição I ................................................................................................... 66 
 ........................................................................................................................... 66 Introdução
 .............................................................................................................................. 67 Conteúdo
Nutrição em sistemas de saúde .................................................................................... 67 
Evolução da nutrição hospitalar ................................................................................... 67 
Gastronomia hospitalar .................................................................................................. 68 
Terapia nutricional .......................................................................................................... 69 
Nutrição intra-hospitalar ................................................................................................ 69 
Profissional auditor na terapia nutricional .................................................................. 70 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 3 
Terapia enteral ou parenteral ........................................................................................ 71 
Complicações mais frequentes ..................................................................................... 72 
Ações para minimizar problemas ................................................................................. 74 
Equipe multidisciplinar ................................................................................................... 74 
Atividade proposta .......................................................................................................... 74 
........................................................................................................................... 75 Referências
 ......................................................................................................... 75 Exercícios de fixação
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 82 
 ..................................................................................................................................... 82 Aula 4
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 82 
Aula 5: Auditoria em nutrição II .................................................................................................. 84 
 ........................................................................................................................... 84 Introdução
 .............................................................................................................................. 85 Conteúdo
Atendimento domiciliar .................................................................................................. 85 
A decisão pelo atendimento domiciliar ...................................................................... 86 
Terapia nutricional .......................................................................................................... 87 
Nutrição enteral ............................................................................................................... 88 
Tipos de sondas ............................................................................................................... 88 
Dieta enteral industrializada e artesanal ..................................................................... 89 
Osmolalidade e viscosidade .......................................................................................... 91 
Atividade proposta .......................................................................................................... 92 
........................................................................................................................... 92 Referências
 ......................................................................................................... 93 Exercícios de fixação
Chaves de resposta ..................................................................................................................... 98 
 ..................................................................................................................................... 98 Aula 5
Exercícios de fixação ....................................................................................................... 98 
Aula 6: Auditoria em enfermagem I .......................................................................................... 100 
 ......................................................................................................................... 100 Introdução
 ............................................................................................................................ 101 Conteúdo
Gerenciamento do relacionamento com o cliente ................................................ 101 
Auditoria da assistência de enfermagem .................................................................. 101 
Tipos de auditoria .......................................................................................................... 102 
O enfermeiro auditor .................................................................................................... 102 
Sistemática da qualidade .............................................................................................. 103 
Benefícios da auditoria ................................................................................................. 104 
Regulamentações vigentes da auditoria de enfermagem ..................................... 105 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 4 
Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) ............................................ 106 
Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde (SOBEAS) .................. 107 
Encerramento ................................................................................................................. 108 
Atividade proposta ........................................................................................................ 108 
......................................................................................................................... 108 Referências
 ....................................................................................................... 109 Exercícios de fixação
Chaves de resposta ................................................................................................................... 113 
 ................................................................................................................................... 113 Aula 6
Exercícios de fixação ..................................................................................................... 113 
Aula 7: Auditoria em enfermagem II ......................................................................................... 115 
 ......................................................................................................................... 115 Introdução
 ............................................................................................................................ 116 Conteúdo
Enfermeiro auditor ........................................................................................................ 116 
Atuação do auditor ........................................................................................................ 116 
Auditoria .......................................................................................................................... 117 
Auditoria da qualidade assistencial ............................................................................ 117 
Auditoria de materiais................................................................................................... 117 
Auditoria de enfermagem interna .............................................................................. 118 
O auditor nos planos de saúde ................................................................................... 119 
Verificações a serem realizadas .................................................................................. 119 
Relatórios de auditoria .................................................................................................. 120 
Mas como se tornar um enfermeiro auditor? .......................................................... 120 
As possibilidades de atuação do profissional ........................................................... 121 
Encerramento ................................................................................................................. 123 
Atividade proposta ........................................................................................................ 123 
......................................................................................................................... 124 Referências
 ....................................................................................................... 124 Exercícios de fixação
Chaves de resposta ................................................................................................................... 128 
 ................................................................................................................................... 128 Aula 7
Exercícios de fixação ..................................................................................................... 128 
Aula 8: Auditoria em odontologia ............................................................................................. 131 
 ......................................................................................................................... 131 Introdução
 ............................................................................................................................ 132 Conteúdo
O histórico da área odontológica e a evolução recente........................................ 132 
A regulamentação da área e os setores de atuação ............................................... 132 
Odontologia com os avanços tecnológicos............................................................. 133 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 5 
Conceito de auditoria ................................................................................................... 134 
Auditoria analítica e operativa .................................................................................... 135 
Auditoria em odontologia ............................................................................................ 136 
O auditor ......................................................................................................................... 137 
Características de um auditor ..................................................................................... 138 
Atividade proposta ........................................................................................................ 139 
......................................................................................................................... 140 Referências
 ....................................................................................................... 140 Exercícios de fixação
Chaves de resposta ................................................................................................................... 143 
 ................................................................................................................................... 143 Aula 8
Exercícios de fixação ..................................................................................................... 143 
Conteudista ............................................................................................................................... 146 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 6 
Nessa disciplina abordaremos como a Auditoria pode e deve ser multidisciplinar. 
Dentro da sua especialidade, a Auditoria de odontologia, Fisioterapia, Farmácia 
e Enfermagem, contribui para um melhor atendimento aos pacientes, com 
menor custo para as instituições de saúde, sendo utilizada muitas vezes como 
ferramenta de gestão, para decisões estratégicas na empresa. 
 
Sendo assim, essa disciplina tem como objetivos: 
1. Conhecer o papel do auditor nas especialidades de Odontologia, Fisioterapia, 
Farmácia e Enfermagem. 
2. Definir sua importância, dentro do processo de auditoria. 
3. Descrever suas atividades como auditor. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 7 
 
Introdução 
Nesta aula você terá a oportunidade de conhecer o serviço de auditoria em 
fisioterapia, que é um ramo recente da área. O profissional fisioterapeuta tem 
seu espaço garantido na equipe de fisioterapia, uma vez que somente ele 
possui conhecimento técnico das rotinas e procedimentos realizados na área. 
Além disso, vamos tratar da realidade das práticas de preenchimento de contas 
e de prontuários, e como isso pode interferir nos processos de auditorias, 
reforçando que apenas o profissional habilitado na área conseguirá perceber 
desvios ou inadequações e assim atuar nas modalidades de auditoria prestadas 
por fisioterapeuta. 
 
Por fim, partiremos para abordagem do atendimento domiciliar para o paciente 
crônico, uma vez que este se mostra como tendência tanto pública quanto 
privada, no que diz respeito à prestação adequada dos serviços e redução dos 
custos. 
 
Objetivo: 
1. Compreender a pertinência e o papel do fisioterapeuta nos processos de 
auditoria, bem como os tipos de auditoria em fisioterapia; 
2. Apontar o atendimento domiciliar como opção eficiente de atendimento em 
fisioterapia. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 8 
Conteúdo 
O papel do fisioterapeuta nos processos de auditoria 
Você sabe o que o fisioterapeuta faz? 
Ele é um profissional de saúde, com formação acadêmica superior, generalista, 
humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar em todos os níveis de atenção 
à Saúde, com base no rigor científico e intelectual, respeitando os princípios 
éticos, bioéticos e culturais do indivíduo e da coletividade. 
 
O Fisioterapeuta elabora diagnóstico funcional, isso quer dizer que o 
profissional é “habilitado à construção do diagnóstico fisioterapêutico, baseado 
nos distúrbios cinéticos funcionais, a prescrição das condutas fisioterapêuticas, 
a sua ordenação e indução no paciente bem como, o acompanhamento da 
evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço” 
(RESOLUÇÃO CNE/CES Nº 4, de 19 de fevereiro de 2002). 
 
Atuação no mercado de trabalho 
Contribuições 
 
O fisioterapeuta contribui para a geração de novos conhecimentos por meio de 
investigação científica. 
 
Responsabilidades 
 
Neste contexto ele está apto a assumir a posição de liderança com 
compromisso, responsabilidade e gerenciamento efetivo e eficaz. 
 
Contexto 
 
Para isso, ele precisa levar em consideração as circunstâncias sociais, 
econômicas, culturais, éticas, ambientais de planejamento, organização e 
gestão de serviços de saúde públicos e privados, além de prestar serviços de 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 9 
assessorias, consultorias e auditorias no âmbito de sua competência 
profissional. 
 
 
Atenção 
 A auditoria em saúde é uma área cada vez mais abrangente, 
tendo em vista a necessidade de redução de custos. Em todas as 
áreas a auditoria passou por muitos avanços na última década. 
De acordo com a Associação Portuguesa de Fisioterapeutas, o 
processo de auditoria em fisioterapia visa assegurar acontinuidade dos cuidados e corresponder aos quesitos legais, 
nos quais os processos clínicos devem ser pertinentes e 
corresponder à prática clínica. 
A fisioterapia pode contribuir significativamente nas auditorias 
por meios da assistência ambulatorial, pois possui 
conhecimentos técnicos sobre os procedimentos necessários 
para melhor efetividade na identificação e prevenção de 
possíveis fraudes, perdas, malversação dos recursos e, 
sobretudo, garantir a qualidade da assistência privada. 
 
Agora, você sabe quais as contribuições do fisioterapeuta para o 
processo de auditoria? 
Sobre a categoria 
Os profissionais médicos e enfermeiros assumem grande parte das atividades 
de auditoria em saúde e demais categorias profissionais. 
 
A situação atual 
Recentemente, profissionais da Farmácia, Odontologia e Fisioterapia, 
incorporaram essa atividade recentemente, conforme regulamentações de seus 
Conselhos de Classe. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 10 
Fatores que justificam a participação do fisioterapeuta na equipe 
de auditoria de saúde 
Tendo em vista a grande expansão da área e a necessidade de redução de 
custos, podemos observar o seguinte: 
 
A atividade de auditoria é multiprofissional e envolve a participação de vários 
profissionais de saúde. 
 
Os gastos e atendimentos com fisioterapia ambulatorial têm crescido 
anualmente. 
 
É necessária como um dos requisitos mais importantes do auditor a 
competência técnica para executá-la. 
 
 
Atenção 
 Assim, a grande quantidade de serviços de Fisioterapia no Brasil, 
o número crescente de usuários atendidos por ano e os gastos 
públicos cada vez maiores destinados à assistência em 
Fisioterapia, justificam plenamente a participação desse 
profissional na equipe de auditoria. 
Porém, o conhecimento técnico e específico é uma característica 
essencial do profissional auditor, visando a uma auditoria de 
qualidade e uma prestação de serviços em saúde eficiente. 
Encontra-se exposto na Lei nº 6.316, de 17 de dezembro de 
1975: “A formação do fisioterapeuta tem por objetivo dotar o 
profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício de 
competências e habilidades como: respeitar os princípios éticos 
inerentes ao exercício profissional..., além de assessorar, prestar 
consultorias e auditorias no âmbito de sua competência 
profissional”. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 11 
A importância do controle na auditoria 
A avaliação dos sistemas de saúde constitui o elemento de maior importância 
na caracterização de um sistema desejável e economicamente acessível ao país. 
Assim, faz-se necessário um controle maior e uma auditoria mais criteriosa, por 
meio da participação do fisioterapeuta. 
 
A auditoria funciona como uma ferramenta essencial na estrutura regimental 
dos serviços privados e públicos de saúde. É uma nova área de atuação para o 
profissional da Fisioterapia, devidamente regulamentada e carente de pessoal 
capacitado. 
 
A Resolução do Coffito, nº 416/2012, de 19 de maio de 2012, regulamenta a 
atuação do Fisioterapeuta como auditor: “Artigo 1º - Compete ao 
fisioterapeuta, no âmbito de sua atuação, realizar auditorias em todas as suas 
formas e modalidades nos termos da presente Resolução”. 
 
O Artigo 2º da Resolução conceitua a auditoria prestada por fisioterapeuta em 
Auditoria da Assistência, Auditoria em Serviço e Auditoria Abrangente. 
 
Entende-se Auditoria da Assistência como a avaliação da adequação das ações 
fisioterapêuticas a fim de verificar se há alguma infração ética. Na letra da lei, 
em seu Artigo 2º, I, tem-se “Auditoria da assistência fisioterapêutica prestada 
ou auditoria do ato fisioterapêutico: é a análise cuidadosa e sistemática das 
atividades fisioterapêuticas desenvolvidas em determinada instituição pública ou 
privada, serviço ou setor, cujo objetivo é apontar, identificar ou descartar ação 
fisioterapêutica que possa caracterizar em infração aos preceitos éticos e 
bioéticos ou mesmo que possa configurar, por ação ou omissão, em ilícito 
ético”. 
 
Já a Auditoria em Serviço trata da verificação da documentação do serviço 
prestado e da adequação dos serviços às solicitações. No Artigo 2º, inciso II, da 
Resolução nº 416/2012, lê-se “Auditoria em serviço de fisioterapia: análise 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 12 
cuidadosa e sistemática da documentação pertinente à atividade 
fisioterapêutica (guias próprias de atendimento) com vistas a averiguar se a 
assistência fisioterapêutica prestada está condizente com a guia de cobrança, 
se as consultas fisioterapêuticas, as consultas de revisão e números excedentes 
de atendimentos solicitados foram efetivamente prestados, entre outros”. 
 
No que diz respeito à Auditoria Abrangente (Artigo 2º, III), quer se verificar se 
os objetivos foram alcançados: “Auditoria abrangente: caracteriza-se por 
atividades de verificação analítica e operativa constituindo no exame 
sistemático e independente de uma atividade específica, elemento ou sistema, 
para determinar se as ações e resultados pretendidos pelas instituições 
contratantes foram executados e alcançados de acordo com as disposições 
planejadas e com as normas e legislação vigentes”. 
 
Caberá ao fisioterapeuta auditor, de acordo com o Artigo 5º, incisos I, II e II, 
da mencionada resolução, exercer as atividades de “controle da execução” 
para verificar a adequação dos serviços ou a necessidade de maior 
aprofundamento; “avaliação da estrutura, processos aplicados e resultados 
alcançados” a fim de verificar a adequada eficiência, eficácia e efetividade; e 
“auditoria da regularidade dos procedimentos praticados” obtida a partir de 
exame operacional, analítico e pericial. 
 
Como apresentado anteriormente, o conhecimento técnico e específico é uma 
característica essencial do profissional auditor, visando uma auditoria de 
qualidade e uma prestação de serviços em saúde eficiente. 
 
Porém, a eficiência pode e deve ser otimizada a partir de uma abordagem que 
reflita acerca das características do atendimento tanto em relação à demanda 
do paciente, bem como frente ao tipo de serviço oferecido. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 13 
Atendimento domiciliar 
A Fisioterapia, um serviço de média complexidade, é definida pelo Ministério da 
Saúde como as ações que visam atender aos principais problemas de saúde e 
agravos da população, cuja prática clínica demanda disponibilidade de 
profissionais especializados e uso de recursos tecnológicos de apoio, 
diagnóstico e tratamento. 
 
Áreas de atuação: 
Normalmente, os atendimentos hospitalares dessa área se subdividem em: 
 
• Fisioterapia cardiorrespiratória; 
• Fisioterapia neurológica; 
• Fisioterapia motora. 
 
Em todos os casos, além de tratar as disfunções devidas às doenças de base, 
também se combate a síndrome do imobilismo, associada a longos períodos de 
internação. 
 
 
Atenção 
 Na busca de uma atuação eficiente, além dos profissionais 
especializados e recursos tecnológicos de apoio, é necessária 
uma administração adequada das rotinas. Nesse sentido a 
auditoria em fisioterapia mostra-se imprescindível, embora ainda 
esteja começando a despontar como objeto de estudo, assim, 
poucos estudos científicos tem sido realizados nessa área. 
 
Ferramentas de controle 
Portanto, criar um serviço com uma equipe de profissionais especializados é 
uma das melhores opções quando se trata de controlar custos e melhorar a 
qualidade da assistência prestada. Saiba por que: 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 14 
Em relação a custos: 
Medidas simples podem alterar e adequá-los à realidade. Se auditadas, haverá 
uma maior efetividade do pagamento de itens de uma conta hospitalar, pois o 
trabalho de conferência antes do envio para as operadoras de saúde evitará 
problemas.Outro fator importante é a qualidade da assistência prestada, que 
pode ser visualizada por meio da leitura do prontuário pelo auditor, e conduz à 
melhoria dos serviços. 
 
Em relação aos prontuários: 
Eles devem ser adequadamente preenchidos por todos os profissionais que 
atendem ao paciente em todo e qualquer procedimento, com riqueza de 
detalhes. Por exemplo, num procedimento de aspiração traqueal, devem ser 
informadas as condições iniciais do paciente, características da secreção como 
quantidade, coloração, odor e viscosidade, bem como se houvesse a 
necessidade de instilar solução umidificante, com a respectiva quantidade e 
calibre da sonda utilizada. No registro ainda deve constar a condição do 
paciente pós-aspiração. 
 
Em relação aos problemas encontrados: 
Alguns profissionais têm dificuldades em aceitar a “imposição” da 
burocratização do seu trabalho, na medida em que têm que registrar 
adequadamente as condutas e opções clínicas. Além disso, não há 
entendimento claro da necessidade do “cuidar” dos controles de gastos e 
custos, o que tende a gerar divergências de cobrança entre o hospital e as 
operadoras de saúde. 
 
Possíveis soluções: 
Uma opção cada vez mais frequente no tratamento do paciente crônico é o 
atendimento e a internação domiciliar. Isso porque cada vez mais se aumenta o 
número de pacientes crônicos que acabam morando nos hospitais. Esses, em 
geral, foram internados pelo agravamento dos sintomas de sua doença principal 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 15 
ou pela emergência de outra, como uma pneumonia ou um derrame. Tratados, 
superam a fase aguda e se estabilizam. 
 
No entanto, eles tornam-se incapazes de cuidar de si próprios e passam a ser 
dependentes de equipamentos e outros tipos de assistência. Poderiam estar em 
casa ou em uma instituição especializada para pacientes de longa permanência. 
Porém, por falta de opções adequadas, ou falta de recursos da família, alguns 
permanecem internados em hospitais por meses e até anos, por vezes 
abandonados pela família, ocupando leitos de alta complexidade que deveriam 
estar sendo utilizados para tratamento de casos graves e agudos. 
 
 
Atenção 
 Por outro lado, não importa quem está pagando a conta, é 
sempre alto o custo de manter o paciente crônico estabilizado 
em uma instituição desse tipo. Na busca da redução dos custos, 
a desospitalização do paciente é uma condição que auxilia 
também a família. Estima-se que os hospitais de primeira linha 
do país tenham cerca de 10% de seus leitos ocupados por 
pacientes crônicos residentes. Mas esse dado tende a crescer 
cada vez mais com os avanços da medicina e da longevidade. 
O paciente crônico estará melhor em casa, perto da família e 
com apoio de assistência domiciliar ou, se for o caso, em uma 
instituição de longa permanência. Os sistemas e planos de saúde 
evitarão custos desnecessários se buscarem caminhos que 
favoreçam alternativas de assistência adequadas. E os hospitais 
que hoje têm parte de suas estruturas e tecnologias mais 
sofisticadas sendo subutilizadas ampliarão as vagas para atender 
os pacientes que delas realmente necessitam. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 16 
Algumas considerações sobre a prescrição médica 
Da mesma forma que no ambiente hospitalar a demanda do paciente e a 
orientação ou prescrição médica nortearão os procedimentos executados, a 
necessidade de materiais e medicamentos. Os serviços de fisioterapia seguem o 
modelo de pagamento por procedimentos, com tabelas de preços atuais nas 
suas diversas formas e versões, acordadas entre fornecedor e gestor. 
 
Tanto no hospital quanto em domicílio os procedimentos serão executados com 
vistas à máxima atenção ao paciente. Porém, por mais que pareça que os 
gastos possam ser aumentados em domicílio, pelo deslocamento do 
profissional, muitas são as vantagens dessa abordagem. Veja a seguir. 
 
Vantagens da abordagem domiciliar 
Quer um exemplo? 
Nos serviços de emergência, vale ressaltar a experiência vivida pela Unimed-
BH, relatada por funcionária. “Depois que o AD (Atendimento Domiciliar) foi 
incorporado à Central de Atendimento, o número de solicitação de ambulâncias 
para deslocamento de pacientes caiu significativamente, enquanto o número de 
atendimentos domiciliares cresceu em proporção ainda maior”. Segundo a 
mesma funcionária, tal situação repercute de maneira significativa na redução 
das reclamações e suas consequências pelo não envio de ambulância no tempo 
devido, e também “desafoga” os centros de urgência e emergência. 
 
Possibilita utilizar ventilação não invasiva (CPAP ou BIPAP) em vez de ventilação 
mecânica; 
 
Melhora o controle do número de sessões de fisioterapia, uma vez que estas 
têm que ser liberadas previamente, e de acordo com a demanda; 
 
Melhora a qualidade de vida para o paciente que se encontra num ambiente 
mais íntimo, familiar e consequentemente confortável. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 17 
Mas você deve estar pensando que isso é realidade apenas no 
sistema privado de saúde, não é? 
Engano seu. O Sistema Único de Saúde (SUS) possui o Programa “Melhor em 
Casa” implantado desde 2011, com critérios devidamente estabelecidos e 
amparados por lei. 
 
O Ministério da Saúde anunciou o "Melhor em Casa" com objetivo de ampliar o 
atendimento domiciliar no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso, para oferecer à 
população uma assistência multiprofissional domiciliar. São médicos, 
enfermeiros, fisioterapeutas que atenderão a idosos e pacientes crônicos em 
situação pós-cirúrgica ou com necessidade de reabilitação motora, de maneira a 
ficarem mais próximos dos familiares, tornar o atendimento médico mais 
humanizado e acolhedor e reduzir a demanda por internações nos hospitais. 
 
O tratamento realizado na casa do paciente e a proximidade com os familiares 
aumentam a percepção de segurança, sem as pressões psicológicas existentes 
dentro de um hospital. 
 
 “O Melhor em Casa está proporcionando aos pacientes o atendimento de 
qualidade e em local que podem ser cuidados, ou seja, em casa, junto com a 
família. Assim todos se envolvem e contribuem para a recuperação da saúde do 
doente”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. 
 
Você já parou para pensar em quanta dificuldade enfrenta o paciente que 
precisa de tratamento domiciliar, Home Care? Além do consumo físico, mental e 
emocional do paciente e da família, os gastos financeiros são excessivos, com 
medicamentos, insumos, alimentação especial, prestadores de serviços 
(médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas...), 
equipamentos, entre outros gastos. 
 
Por isso, O Governo Federal afirma que os recursos destinados ao programa 
terão a finalidade de custear esses gastos. O paciente que necessita de 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 18 
atendimento domiciliar poderá requerer o tratamento por meio do Estado 
(União, Estados, Municípios) ou de seu plano de saúde, conforme contrato 
firmado. 
 
Quantos pacientes desconhecem seus direitos? Quantas pessoas não fazem o 
melhor tratamento de saúde por não ter condições para custeá-lo? Será que 
todos têm condições de cuidar de sua saúde com dignidade? Daí a importância 
do paciente ter informação e conhecimento acerca dos seus direitos, para que 
possa pleiteá-los. Todos nós temos direito à saúde. A Constituição Federal, em 
seu artigo 196, e a legislação complementar nos assegura para que tenhamos 
uma vida digna. No entanto, é fundamental que cada um de nós faça a nossa 
parte no sentido de divulgar tais informações e exigir tais direitos, a fim de 
beneficiar a sociedade como um todo. 
 
Atividade proposta 
Diante da nossa abordagem nesta aula e das suas reflexões, responda: Como o 
fisioterapeuta poderá desempenhar atuação importante e efetiva na auditoria 
de atendimentosdomiciliares? 
 
Chave de resposta: o fisioterapeuta é importante no serviço de auditoria pelo 
conhecimento técnico que possui de sua área, em detrimento dos outros 
profissionais; assim, no atendimento domiciliar, quer seja de âmbito público ou 
privado, com vistas ao alcance do tratamento proposto somado à redução de 
custos, o fisioterapeuta terá o papel de verificar a pertinência, a frequência, a 
quantidade e a qualidade dos serviços de fisioterapia prestados, bem como de 
sugerir adequações quando pertinentes. 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 19 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre a atuação do fisioterapeuta como 
auditor e sobre a auditoria de qualidade na saúde, leia os 
textos disponíveis em nossa biblioteca virtual. 
 
 
Referências 
ALELUIA, I. R. S; SANTOS, F. C. Análise dos auditores em saúde quanto aos 
serviços públicos de fisioterapia. Revista Eletrônica Gestão & Saúde, V.04, 
n. 01, Ano 2013, p.1499-1515. 
BRASIL. Ministério Da Saúde. Portal Brasil. Publicado: 28.11.2012, 16h17. 
Última modificação: 29.07.2014, 09h02. Acesso em: 05 nov. 2014. 
MOTA, A. L. C.; LEÃO, E.; ZAGATTO, J. R. Auditoria médica no sistema 
privado. Abordagem prática para organizações de saúde. São Paulo: Iatria, 
2005. 
NOGUEIRA, L.; RAPOSO, V. A governação em saúde e a utilização de 
indicadores de satisfação. Revista Port ClinGeral, n. 22,2006, p. 285-296. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Aleluia e Santos (2013), em seu trabalho de Análise dos Auditores em saúde 
quanto aos serviços públicos de Fisioterapia, verificaram que “a equipe de 
auditores do SUS que atua nos serviços de Fisioterapia no Estado da Bahia é 
constituída das mais diversas categorias profissionais relacionadas aos serviços 
que integram o SUS, destacando-se inclusive o predomínio de profissionais 
Médicos (37,5%) e Enfermeiros (35,0%)”. A partir de tal afirmativa pode-se 
inferir que: 
a) Há uma predominância de profissionais do sexo feminino e não foi 
observado nenhum profissional fisioterapeuta no grupo estudado. 
b) A faixa etária média geral foi de 42,8 anos e modal de 45 anos. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 20 
c) Uma das principais dificuldades na auditagem dos serviços de 
Fisioterapia está relacionada ao conhecimento da nomenclatura dos 
procedimentos e equipamentos de Fisioterapia. 
d) Os auditores terão pleno conhecimento acerca dos procedimentos 
empregados na rotina dos serviços. 
e) Os profissionais não apresentarão dificuldade em associar as descrições 
contidas nas evoluções dos prontuários com os códigos dos 
procedimentos de Fisioterapia da tabela unificada. 
 
Questão 2 
Caberá ao fisioterapeuta auditor exercer as atividades de “controle da 
execução” para verificar a adequação dos serviços ou a necessidade de maior 
aprofundamento, “avaliação da estrutura, processos aplicados e resultados 
alcançados” a fim de verificar a adequada eficiência, eficácia e efetividade. 
Assim, pode-se afirmar que o profissional deverá ter conhecimentos 
relacionados à (ao), EXCETO: 
a) Nomenclatura específica de todos os procedimentos e equipamentos de 
uma unidade de terapia intensiva. 
b) Conhecimento dos procedimentos fisioterapêuticos a serem empregados. 
c) Discriminação entre o que corresponde a sessões de fisioterapia motora 
e respiratória. 
d) Associação entre os descritores do prontuário com os códigos da tabela 
do SUS. 
e) Distinção entre o que corresponde a uma sessão ou a um procedimento 
de Fisioterapia. 
 
Questão 3 
Todas as afirmativas abaixo justificam a participação do profissional da 
fisioterapia na equipe de auditoria, EXCETO: 
a) A grande quantidade de serviços de Fisioterapia no Brasil. 
b) O número crescente de usuários atendidos por ano. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 21 
c) Os gastos públicos destinados à assistência em Fisioterapia cada vez 
maiores. 
d) O conhecimento técnico e específico e a necessidade de uma atuação 
muitiprofissional. 
e) Atender à exigência da Resolução nº 416/2012. 
 
Questão 4 
O fisioterapeuta tem sua atuação voltada para: 
a) Construção do diagnóstico fisioterapêutico, baseado nos distúrbios 
cinéticos funcionais, em todos os níveis de atenção à saúde. 
b) Geração de novos conhecimentos por meio de investigação científica. 
c) Prescrição das condutas fisioterapêuticas, a sua ordenação e indução no 
paciente, bem como o acompanhamento da evolução do quadro clínico 
funcional e as condições para alta do serviço. 
d) Prescrição de princípios ativos alopáticos que atuem na limitação da 
resposta inflamatória. 
e) Desenvolvimento científico e intelectual, respeitando os princípios éticos, 
bioéticos e culturais do indivíduo e da coletividade. 
 
Questão 5 
A presença de fisioterapeuta no processo de auditoria objetiva, EXCETO: 
a) Assegurar a continuidade dos cuidados e corresponder aos quesitos 
legais, nos quais os processos clínicos devem ser pertinentes e 
corresponder à prática clínica fisioterapêutica. 
b) Ampliar a área de atuação dos profissionais de fisioterapia, uma vez que 
o mercado encontra-se saturado em diversas sub-áreas. 
c) Contribuir significativamente nas auditorias pela pertinência de seus 
conhecimentos técnicos frente às práticas e garantir qualidade da 
assistência. 
d) Melhorar a efetividade na identificação e prevenção de possíveis fraudes, 
perdas, malversação dos recursos destinados à área. 
e) Integrar uma equipe cuja natureza deve ser multidisciplinar. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 22 
Questão 6 
Há uma crescente demanda por atendimento crônico, devido às evoluções na 
prestação de serviços, bem como ao aumento da expectativa de vida dos 
pacientes. Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao aumento dessa 
demanda: 
a) A família não tem estrutura ou condições de cuidar do paciente. 
b) A família não quer assumir a responsabilidade do cuidado e acha mais 
cômodo manter o ente internado. 
c) Os planos de saúde nem sempre cobrem o atendimento domiciliar ou a 
internação nos chamados hospitais de retaguarda ou de longa 
permanência. 
d) Os hospitais de alta complexidade nem sempre estão estruturados para 
atender os pacientes crônicos em suas necessidades de alimentação, 
higiene, vestuário, lazer. 
e) As instituições especializadas para pacientes de alta permanência 
proporcionam apoio médico complementar, com fisioterapia, 
fonoaudiologia, psicoterapia etc. 
 
Questão 7 
O Programa “Melhor em Casa” é destinado a pacientes crônicos ou que 
necessitem de atendimento prolongado. Das informações abaixo, assinale 
aquela que relaciona o programa com a Atenção Básica, ajudando a reduzir as 
internações desnecessárias e as filas dos serviços de urgência e emergência. 
a) No primeiro ano de funcionamento do programa, foi constatado que os 
casos mais comuns atendidos pelas equipes são os de Acidente Vascular 
Cerebral, com 20%; seguido de casos de hipertensão, com 9,3%; e de 
pacientes com a doença de Alzheimer, com 5,4% dos atendimentos. 
b) Outros casos frequentes incluem pacientes com diabetes mellitus, com a 
doença de Parkinson, com doenças pulmonares e com fraturas de fêmur. 
c) Os pacientes que são atendidos pelas equipes do programa (53,7%) são 
encaminhados principalmente pelas Equipes de Saúde da Família ou 
estavam internados em hospital (28,9%). 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 23 
d) Em novembro de 2012 o tratamento era garantido por 229 Equipes 
Multiprofissionais de Atenção Domiciliar e de Apoio espalhadas em 20 
Estados e já alcança 16,2 milhões de brasileiros. 
e) Para 2014, o objetivo do Melhor em Casa foi alcançar a capacidade de 
atendimento para 60 mil pacientes, com 1.000 equipes de atenção 
domiciliar e 400 equipes de apoio implantadas. 
 
Questão 8 
Além do Programa “Melhor em Casa”, foi assinada uma portaria interministerial 
pelosMinistros da Saúde e de Minas e Energia que garantirá um desconto de 
10 a 65% (dependendo do consumo) nas contas de Energia Elétrica aos 
pacientes que fazem tratamento em casa e mantêm equipamentos médicos 
elétricos de modo contínuo. Tal iniciativa é justificável, pois: 
a) Geralmente, esses equipamentos, como os aparelhos de aspiração de 
secreções e de apoio à respiração, consomem muita energia, onerando 
demais seu usuário. 
b) Para requerer a isenção, basta que o paciente se inscreva no Cadastro 
Único do Programa do Governo Federal e comprove, por meio de laudo 
médico emitido pela Secretaria de Saúde Municipal ou Estadual, a 
necessidade do uso do equipamento. 
c) Necessita que o paciente atualize seu cadastro na concessionária de sua 
cidade e na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). 
d) A saúde é um direito de todos e deve ser garantida pelos Municípios, 
Estados e União; logo, também são responsáveis os Ministérios da Saúde 
e de Minas e Energia. 
e) É amparada legalmente pela nossa Constituição, além de um dos 
princípios do SUS deixar claro que o atendimento em saúde deve ser 
igualitário. 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 24 
Questão 9 
Do ponto de vista público, todas as afirmativas abaixo apresentam direitos dos 
indivíduos portadores de doenças crônicas que requerem atendimento 
domiciliar, EXCETO: 
a) Direitos como o fornecimento de medicamentos, insumos e alimentação 
especial, bem como a isenções de impostos, como imposto de renda que 
beneficia o paciente com doença grave que recebe provento de 
aposentadoria, pensão ou reforma. 
b) Paciente com mobilidade reduzida, mesmo que temporária, tem direito à 
isenção de IPVA, ICMS, IPI, IOP, IPVA na compra de um veículo 
automotor. Paciente com doença grave em tratamento ou titular 
saudável com dependente nessas condições faz jus à liberação de 
FGTS/PIS/PASEP. 
c) Quitação da casa própria é um benefício concedido para a pessoa com 
invalidez total e permanente, causada por doença ou acidente, desde 
que o contrato do financiamento tenha sido assinado antes da doença. 
d) O transporte gratuito deve ser concedido para pessoas com deficiências 
física, mental, auditiva ou visual ou com doenças graves que estão em 
tratamento. Além do transporte para tratamento fora de domicílio que 
garante o acesso do paciente de uma determinada cidade a serviços 
assistenciais fornecidos em outro município ou até em outro Estado. 
e) Direito à internação e permanência em hospitais de alta complexidade 
para pleno atendimento prolongado de suas necessidades. 
 
Questão 10 
Na atualidade a formação do fisioterapeuta deve ser pautada no trabalho em 
equipe, pois este está inserido no sistema de saúde pública do país, e deve 
praticar, assim, a assistência integral à saúde da população num sistema 
regionalizado e hierarquizado. Com base nessa afirmativa todas as afirmativas 
estão corretas, EXCETO: 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 25 
a) O atendimento fisioterapêutico, individual ou em equipe deve ser 
pautado na patologia e na disfunção de base, não no indivíduo como um 
todo. 
b) A maioria das atividades desenvolvidas pelo fisioterapeuta é a somatória 
do cuidado com o usuário, em que a assistência sistematizada e 
humanizada garante a qualidade do atendimento. 
c) O profissional tem como função, ainda, gerenciar a assistência prestada, 
planejar e implementar as ações de educação em saúde dirigidas à 
população, bem como interagir com a equipe que compõe o elenco de 
trabalhadores no setor saúde. 
d) As atividades realizadas pelos fisioterapeutas permitem o 
reconhecimento da sua prática, e a análise crítica de sua relação com as 
demais produções de serviços do setor saúde. 
e) Para o desenvolvimento da prática é necessário repensar o processo de 
trabalho na sua totalidade dinâmica. 
 
Aula 1 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - C 
Justificativa: Uma vez que o conhecimento técnico e específico é uma 
característica essencial do profissional auditor, e que a formação do 
fisioterapeuta tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos 
requeridos para o exercício de competências e habilidades como de prestar 
consultorias e auditorias no âmbito de sua competência profissional, uma 
equipe de auditores para serviços de fisioterapia sem profissionais habilitados 
em tal especificidade terá dificuldades no que diz respeito ao conhecimento 
específico da área. 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 26 
Questão 2 - A 
Justificativa: Caberá aos profissionais auditores o conhecimento da 
nomenclatura dos procedimentos e equipamentos pertinentes à atuação 
fisioterapêutica. 
 
Questão 3 - E 
Justificativa: A referida resolução regulamenta a atuação do fisioterapeuta no 
serviço de auditoria em saúde não faz exigências. 
 
Questão 4 - D 
Justificativa: O fisioterapeuta não é habilitado a prescrever princípios ativos, a 
menos que sejam homeopáticos, e sua atuação na limitação da resposta 
inflamatória se dá a partir de recursos eletro-termo-terápicos. 
 
Questão 5 - B 
Justificativa: Embora a área de auditoria amplie as possibilidades de atuação da 
fisioterapia, isso não pode ser considerado um objetivo. 
 
Questão 6 - D 
Justificativa: Os hospitais não estão estruturados para manter esses pacientes 
por longos períodos internados, uma vez que demandam vagas para casos 
agudos, frequentemente, porém, possuem estrutura para atender plenamente 
as necessidades dos pacientes crônicos. 
 
Questão 7 - C 
Justificativa: Os dados dos pacientes atendidos são das Equipes de Saúde da 
Família ou de hospitais, relacionam-se à Atenção Básica, e têm potencial para 
reduzir as internações desnecessárias e as filas dos serviços de urgência e 
emergência. 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 27 
Questão 8 - A 
Justificativa: Desconto nas tarifas de energia elétrica é justificável por uma 
condição de saúde que necessite de equipamentos elétricos de grande 
consumo. 
 
Questão 9 - E 
Justificativa: Os direitos dizem respeito ao atendimento domiciliar e não 
hospitalar. 
 
Questão 10 - A 
Justificativa: O atendimento, conforme explicita o enunciado, deve ser voltado 
para a assistência integral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 28 
 
Introdução 
Iniciaremos um novo tema relacionado à auditagem no sistema de saúde: 
auditoria em farmácia. 
 
A princípio, deve-se compreender que é amplamente necessário um modelo de 
gestão pautado na qualidade e eficiência dos produtos; este último pode ser 
entendido como bens e serviços prestados. Além disso, salienta-se que todo o 
processo de “produção” influencia o resultado final, que terá impacto para o 
usuário e para as empresas. 
 
Destarte, como processos bem elaborados geram redução de custos, fica ainda 
mais evidente a necessidade da auditoria no sentido de controlar e verificar 
esses métodos. 
 
Conheceremos, também, os indicadores básicos que podem ser analisados em 
uma auditoria em farmácia hospitalar. Vamos lá! 
 
Objetivo: 
1. Compreender a caracterização e a importância de uma gestão de qualidade 
em farmácia hospitalar; 
2. Identificar a relação entre a farmácia hospitalar e o processo de auditoria. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 29 
Conteúdo 
Auditoria em farmácia hospitalar 
A farmácia hospitalar quer seja de serviço público ou privado, necessita ser 
adequadamente gerida, uma vez que se trata de uma unidade clínica 
administrativa e econômica, que tem por objetivo a oferta adequada dos 
serviços. A direção da farmácia hospitalar é de responsabilidade de profissional 
farmacêutico, e é ligada hierarquicamente à direção do hospital e integrada 
funcionalmente com as demais unidades de assistência ao paciente.A gestão em farmácia hospitalar, como mencionado, deve ser focada em 
prestar assistência farmacêutica. Entende-se por gestão, a exemplo do Sistema 
Único de Saúde e de acordo com a NOB/SUS/96, “a atividade e a 
responsabilidade de dirigir um sistema de saúde mediante o exercício de 
funções de coordenação, articulação, negociação, planejamento, 
acompanhamento, controle, avaliação e auditoria”. Assim, fica claro que o 
farmacêutico hospitalar é o responsável pelas atividades da farmácia de um 
hospital, o que inclui rotinas de serviço, as condutas realizadas e a adequação 
destas às normas organizacionais. 
 
Segundo Gianesi e Correa (1994, p. 32), os serviços não são padronizáveis; 
são, na verdade, “produtos intangíveis, consumidos concomitantemente à 
prestação e caracterizados pela presença do cliente”. 
 
A gestão de serviço 
Para uma boa gestão de prestação do serviço, o farmacêutico tem as funções 
básicas de: 
 
Gerenciar ativamente e programar o controle dos estoques dos medicamentos 
de acordo com o uso destes. 
 
Adquirir medicamentos adequados e provenientes de fornecedores confiáveis. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 30 
Armazenar adequadamente os medicamentos para evitar perdas por 
caducidade ou falta de qualidade e, se necessário, dispensá-los (em dose 
coletiva, individual ou unitária) de maneira a reduzir as perdas por erros 
cometidos ao longo do trabalho. 
 
 
Atenção 
 No modelo de mercado capitalista vigente, tanto a função do 
farmacêutico hospitalar quanto qualquer outra função 
desempenhada dentro de um sistema de prestação de serviços 
devem ser focadas na agregação de valor, ou seja, ser eficiente 
e eficaz, além de promover resultados que possibilitem sempre 
um nível superior de valor percebido pelo usuário ou consumidor 
e, também, pelo gestor. 
 
Práticas gerenciais seguras, legais e de qualidade 
Os gestores da farmácia hospitalar devem estabelecer práticas gerenciais que 
garantam processos mais seguros e conceitos de qualidade que valorizem a 
gestão de pessoas e métodos, atendendo, assim, as normas e legislações 
vigentes no país. 
 
Aqui, são necessários os conhecimentos empresarial e específico da área; este 
último inclui o farmacêutico em processos de auditoria, além de colocá-lo como 
responsável pela auditoria de sua área. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 31 
 
Atenção 
 O conhecimento é “uma mistura fluida de experiência 
condensada, valores, informação contextual e insight 
experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a 
avaliação e incorporação de novas experiências e informações. 
Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas 
organizações, ele costuma estar embutido não só em 
documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, 
práticas e normas organizacionais”. (DAVENPORT; PRUSAK, 
1998, p. 6). 
 
Processos organizacionais e gerenciais 
Processo é um grupo de atividades realizadas em uma sequência lógica com o 
objetivo de produzir um bem ou um serviço. 
 
Assim sendo, os métodos organizacionais e gerenciais também são conhecidos 
como processos de negócio ou de suporte, porque apoiam o funcionamento dos 
processos primários, que visam à geração de resultados para os clientes. 
Deve-se ressaltar também que o desenvolvimento de produtos (bens e 
serviços) exige uma sequência de trabalhos que facilita os passos de cada 
etapa da produção. 
 
A importância do gerenciamento de processo 
Esses conceitos apresentados remetem a um fluxo de trabalho com entradas e 
saídas claramente definidas. Isso posto, a ideia de fluxo de trabalho mostra aos 
colaboradores e clientes como a organização desenvolve seus produtos (bens 
ou serviços). Essa maneira de trabalhar confere credibilidade à organização 
devido à transparência do método de trabalho e à vantagem competitiva 
adquirida pelo compartilhamento de informações entre seus colaboradores. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 32 
A organização dos trabalhos possibilita a incorporação dessas informações nos 
repositórios, reduzindo a vulnerabilidade da organização nos casos de 
rotatividade de seus colaboradores. 
 
Papéis e rotinas podem permitir que o conhecimento permaneça através do 
tempo em organizações, até mesmo em face da rotatividade individual de seus 
membros. Outra maneira de reter e transferir conhecimento é pela estruturação 
dos processos de trabalho. 
 
Conseguir que os conhecimentos dos indivíduos passem para a organização e 
permaneçam em alguma estrutura para a sua utilização futura é o que nos faz 
entender a importância do gerenciamento de processo como organizador das 
atividades e do conhecimento que, no exemplo do estudo, é classificado como 
organizacional. 
 
Podemos vislumbrar a importância do gerenciamento também na qualidade dos 
serviços para possibilitar a intervenção com medidas corretivas em alguma 
parte do percurso, o que implica que as atividades em um processo dependem 
de outras, fazendo com que o gerenciamento acompanhe cada passo. 
 
Em suma, temos a importância das práticas gerenciais com processos seguros, 
que são organizacionais e gerenciais, e garantem a otimização do 
desenvolvimento de produtos (bens e serviços). Tudo isso ocorre em etapas, o 
que garante transparência, credibilidade, vantagem competitiva e organização 
dos trabalhos. Sem a organização dos trabalhos, a empresa estaria vulnerável à 
rotatividade dos colaboradores. 
 
Mas e os custos? Será, meu caro, que eles serão influenciados pelos processos 
organizacionais? 
 
É evidente que sim, e isso é bastante pertinente quando nosso assunto é 
auditoria. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 33 
O gerenciamento de processo, ao mesmo tempo em que concentra seus 
esforços na melhoria contínua das atividades que agregam valor aos bens e 
serviços, procura eliminar aquelas que apenas geram custos. O 
acompanhamento e a intervenção dos passos que compõem um processo 
possibilitam o máximo aproveitamento do conhecimento, que, por isso, pode 
ser considerado uma ferramenta de gestão. 
 
Nos hospitais e em outros serviços de saúde, a assistência farmacêutica é parte 
integrante e essencial dos processos de atenção à saúde em todos os níveis de 
complexidade. Através das características das ações desenvolvidas e dos perfis 
dos usuários atendidos, torna-se primordial que as atividades da unidade de 
farmácia sejam executadas de forma que garanta efetividade e segurança no 
processo de utilização dos medicamentos ou outros produtos para a saúde. 
 
A assistência farmacêutica nos hospitais brasileiros tem evoluído muito nas 
últimas décadas. Apesar dessa evolução, ainda é comum encontrarmos 
situações extremas, ou seja, muitas instituições que dispõem de um único 
farmacêutico que realiza geralmente apenas atividades burocráticas e 
administrativas, enquanto poucos serviços estão estruturados para realizar 
assistência farmacêutica de qualidade, incluindo as atividades clínicas e atenção 
farmacêutica. 
 
O diagnóstico da farmácia hospitalar no Brasil, realizado em 2004, detectou 
uma baixa adequação aos indicadores propostos, situação considerada grave, 
pois eram itens classificados na legislação vigente como indispensáveis ou 
necessários, bem como padrões mínimos de qualidade apontados na literatura 
nacional e internacional. 
 
Daí a importância da auditoria na busca, não só na redução dos custos, mas 
também de uma prestação de serviços de qualidade. 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 34 
A fiscalização hospitalar 
Até 2008, a fiscalização em farmácia hospitalar consistia na verificação de 
ausência ou presença do profissional farmacêutico, visto que, durante esse 
período, o objetivo principal dos conselhos regionais de farmácia era inserir o 
farmacêutico nas instituições hospitalares.Com a consolidada presença do profissional farmacêutico dentro dos hospitais, 
surge uma nova etapa: garantir a melhoria contínua da qualidade da assistência 
farmacêutica prestada. 
 
A assistência farmacêutica trata de um conjunto de ações voltadas à promoção, 
proteção e recuperação da saúde individual e coletiva, tendo o medicamento 
como insumo essencial. Esse auxílio também visa ao acesso e uso racional de 
remédios. 
 
 
Atenção 
 A assistência farmacêutica também pode ser compreendida no 
conjunto de suas ações/processos ou em cada uma de suas 
etapas constitutivas. Esse conjunto envolve a pesquisa, o 
desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, 
bem como a sua seleção, programação, aquisição, 
armazenamento, distribuição, dispensação, acompanhamento e 
avaliação de sua utilização na perspectiva da obtenção de 
resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da 
população. 
 
Perspectivas para avaliação 
Como ferramenta de acompanhamento ou avaliação, a auditoria em farmácia 
hospitalar deve ser construída de acordo com os enfoques clássicos para 
avaliação da qualidade em saúde, que são estrutura, processo e resultado. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 35 
Estrutura 
O auditor deve avaliar os aspectos relacionados à organização física dos 
espaços, existência de equipamentos e procedimentos necessários para a 
adequada execução das atividades, análise quantitativa e qualitativa dos 
recursos humanos, entre outros. 
 
Processo 
O auditor avaliará todas as atividades que ocorrem entre profissionais e 
pacientes, as quais, geralmente, resultam em registros escritos, a partir dos 
quais poderão ser avaliados. 
 
Resultado 
Aqui, pode-se verificar se os objetivos propostos foram atingidos, e se os 
resultados relacionados à melhoria do estado do paciente foram obtidos. Esse 
enfoque é o mais direto para medir a qualidade da assistência farmacêutica 
prestada. 
 
Procedimentos de fiscalização 
A lista de verificação é elaborada pela equipe de auditores, com base no 
arcabouço legal vigente e nas normatizações de qualidade adotadas pela 
instituição, esta em conformidade com padrões, guias ou manuais. Os itens da 
lista de verificação constituem indicadores dos processos básicos da assistência 
farmacêutica. 
 
 Assegurar uma terapêutica racional e de baixo custo; 
 Promover o uso racional de medicamentos e assegurar o acesso aos 
fármacos seguros, efetivos e de qualidade; 
 Possibilitar maior eficiência ao ciclo de assistência farmacêutica ao reduzir o 
número de produtos farmacêuticos que serão adquiridos, armazenados e 
distribuídos; 
 Escolher, dentre o que existe disponível no mercado, o que atenderá com 
eficiência e segurança às necessidades de uma dada população, tendo como 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 36 
base as doenças prevalentes, garantindo terapêuticas medicamentosas 
racionais e proporcionando ganhos econômicos; 
 Padronizar condutas terapêuticas com base em evidências científicas; 
 Desenvolver mecanismos de gestão de risco que assegurem um aumento da 
segurança e eficiência do plano terapêutico; 
 Racionalizar os gastos com saúde, otimizando os recursos disponíveis ao 
restringir o uso de medicamentos ineficazes e desnecessários; 
 Propiciar condições para o desenvolvimento da farmacovigilância. 
 
Os benefícios da racionalização se expressam em sofrimentos evitados na 
redução do tempo de ação da doença e no período de hospitalização, com 
repercussões econômicas para as instituições e a sociedade. 
 
 Determinar a conformidade dos elementos de um sistema ou serviço aos 
padrões/normas/requisitos estabelecidos pela organização, ou seja, verificar 
se o sistema está funcionando conforme o previsto; 
 Observar se os processos normatizados têm seus procedimentos 
obedecidos, e se o pessoal está adequadamente treinado; 
 Avaliar se as não conformidades são identificadas e corrigidas e se estas 
correções ocorrem com rapidez, eficácia e eficiência de forma a garantir o 
cumprimento das metas propostas pela organização. 
 
A organização de auditorias em farmácia hospitalar é fortemente baseada na 
legislação sanitária brasileira. Apesar de estarem limitadas por enfoques de 
estrutura ou processo, as normas sanitárias fornecem grande parte do material 
necessário para avaliação da qualidade da assistência farmacêutica prestada. 
 
Os principais pontos observados pelos auditores na execução de auditorias em 
farmácia hospitalar são os componentes da assistência farmacêutica hospitalar: 
seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 37 
É necessário entender que a auditoria é um procedimento formal, baseado na 
análise sistemática de fatos e documentos, e que deverá ser realizada por 
profissional capacitado. Na medida em que a farmácia hospitalar tem sua 
participação consolidada no cenário de avaliação da qualidade de organizações 
hospitalares, o farmacêutico que já acompanha esta tendência despertou para 
esta importante possibilidade de atuação profissional. 
 
A logística para aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação dos 
fármacos será abordada na próxima aula, juntamente com uma abordagem 
sobre as ferramentas de qualidade. 
 
Atividade proposta 
O Ministério da Saúde criou e legitimou a Comissão de Farmácia e Terapêutica 
(CFT), que é uma instância colegiada, de caráter consultivo e deliberativo, que 
objetiva assessorar o administrador e a equipe de saúde em assuntos 
referentes a medicamentos. 
 
É a CFT que estabelece normas e procedimentos relacionados à seleção, 
distribuição, produção, utilização e administração de fármacos e produtos para 
a saúde, bem como padroniza, promove e avalia o uso seguro e racional dos 
medicamentos no hospital. 
 
Também é de responsabilidade da comissão avaliar periodicamente o que se 
tem disponível na farmácia, promovendo inclusões ou exclusões segundo 
critérios de eficácia, eficiência clínica e custo, além de normatizar 
procedimentos relacionados à terapêutica medicamentosa, fazer estudos sobre 
medicamentos, elaborar programas de notificação e acompanhamento de 
reações adversas. 
 
As CFTs devem possuir caráter multidisciplinar e dinâmico; para tanto, devem 
ser compostas de um médico presidente, médicos representantes das diversas 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 38 
clínicas de acordo com a característica do hospital, farmacêutico e 
representantes da enfermagem. 
Agora, expresse sua avaliação a respeito do caráter multidisciplinar da CTF. 
 
Chave de resposta: Espera-se que o aluno discorra sobre a pertinência da 
multidisciplinaridade, uma vez que são realmente necessários: 
• Médicos das diversas clínicas, porque representam “clientes” da farmácia 
hospitalar; 
• Representantes da enfermagem, pois são eles que realizam a maioria da 
execução das prescrições; 
• Farmacêuticos, por possuírem conhecimento técnico específico sobre os 
produtos. 
O fisioterapeuta é importante no serviço de auditoria pelo conhecimento técnico 
que possui de sua área, em detrimento dos outros profissionais; assim, no 
atendimento domiciliar, quer seja de âmbito público ou privado, com vistas ao 
alcance do tratamento proposto somado à redução de custos, o fisioterapeuta 
terá o papel de verificar a pertinência, a frequência, a quantidade e a qualidade 
dos serviços de fisioterapia prestados, bem como de sugerir adequações 
quando pertinentes. 
 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre o temo da aula, leia o texto disponível em 
nossa biblioteca virtual. 
 
 
Referências 
BRASIL. Ministério da Saúde. Norma Operacional Básica do Sistema Único 
de Saúde/NOB-SUS - 01/1996. Diário Oficial [da] República Federativa do 
Brasil. Brasília: 06 nov. 1996. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO.,FARMÁCIA E ENFERMAGEM 39 
CIPRIANO, Sonia L.; PINTO, Vanusa B.; CHAVES, Cleuber E. Gestão 
estratégica em farmácia hospitalar: Aplicação prática de um modelo de 
gestão para qualidade. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2009. 
DAVENPORT, Thomas H.; PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial: 
como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. Tradução Lenke 
Peres. Rio de Janeiro: Campus, 1998. 
FILHO, Wladmir M. B.; FERRACINI, Fábio T. Prática Farmacêutica no 
Ambiente Hospitalar: Do Planejamento à Realização. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Editora Atheneu, 2010. 
GIANESI, Irineu G. N.; CORRÊA, Henrique Luiz. Administração Estratégica 
de Serviços. São Paulo: Atlas, 1994. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
O farmacêutico deve ser o responsável pela auditoria de sua área, porque 
existem elementos que sustentam a necessidade da gestão guiada pelo 
conhecimento. Assinale a alternativa que NÃO está de acordo com essa 
afirmativa. 
a) Serviços de difícil padronização ficam a cargo da habilidade e do 
conhecimento do executor. 
b) A exigência da atuação por meio de práticas gerenciais seguras, legais e 
de qualidade. 
c) O gerenciamento de processo concentra seus esforços na melhoria 
contínua das atividades que agregam valor aos bens e serviços. 
d) A gerência embasada no conhecimento deve eliminar as atividades que 
apenas geram custos. 
e) O acompanhamento dos passos que compõem um processo gera o 
conhecimento necessário à gestão. 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 40 
Questão 2 
O trecho “uma maneira de reter e transferir o conhecimento é a estruturação 
dos processos de trabalho” é exemplificado em todas as ações descritas abaixo, 
exceto: 
a) Elaborar roteiro das atividades a serem desenvolvidas, que deve ser 
constantemente atualizado de acordo com as demandas. 
b) Registrar adequadamente, em formulário interno próprio, a evolução 
diária. 
c) Identificar-se como colaborador responsável pelas ações realizadas e 
registradas na evolução. 
d) Preencher os formulários da maneira mais simplificada e rápida possível 
a fim de evitar perda de tempo. 
e) Reportar-se ao superior direto se notar necessidade de adequação de 
alguma rotina com vistas ao bom desempenho. 
 
Questão 3 
Analise as afirmativas a seguir: 
I – Espera-se que o serviço de farmácia contribua diretamente para os 
resultados da assistência prestada aos pacientes. 
II – É essencial que a estrutura da farmácia seja adequada, e os procedimentos 
operacionais bem definidos. 
Agora, assinale a alternativa CORRETA: 
a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a condição para a 
realização da primeira. 
b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a conseqüência da 
segunda. 
c) Ambas as alternativas estão errada. 
d) Apenas a primeira alternativa está correta. 
e) Apenas a segunda alternativa está correta. 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 41 
Questão 4 
Sobre os componentes e indicadores observáveis na avaliação das farmácias 
hospitalares, assinale a alternativa correta. 
a) O componente gerenciamento lida com o indicador de metas 
estabelecidas cumprida. 
b) O componente programação guarda relação com a manutenção dos 
estoques. 
c) O componente aquisição guarda relação com a qualificação dos 
fornecedores. 
d) O componente armazenamento relaciona-se com a redução das perdas, 
assim como o componente distribuição. 
e) Todas as alternativas estão corretas. 
 
Questão 5 
A seleção de medicamentos aparece como atividade essencial para a farmácia 
hospitalar, oferecendo a base para o desenvolvimento das demais atividades e 
para seu uso seguro e racional. A atividade geralmente envolve a constituição 
de uma comissão responsável pelo processo – normalmente denominada 
Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT). 
Sobre o processo de seleção para aquisição, não é correto afirmar que: 
a) O processo de seleção pela CFT deve gerar uma lista de medicamentos 
essenciais (LME) e uma avaliação dos resultados alcançados. 
b) O processo de seleção é imprescindível para a farmácia hospitalar, e sua 
falta torna acrítica a gestão desta. 
c) Uma lista de compras funciona como uma LME, uma vez que sua função 
é discriminar as necessidades do estoque. 
d) No caso de uma gestão acrítica, os medicamentos selecionados não 
respondiam às necessidades dos pacientes internados. 
e) A elaboração de uma LME considera o estoque e o perfil populacional e 
de atendimento, não podendo, por isso, ser padronizada. 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 42 
Questão 6 
Apenas uma das as alternativas abaixo evidencia motivos diretos pelos quais a 
auditoria se consolidou nas rotinas farmacêuticas. Assinale-a. 
a) A busca pela excelência na qualidade da prestação assistencial nos 
serviços de saúde com o uso eficiente dos recursos econômicos tem sido 
o principal motivo para as mudanças ocorridas na prática de auditoria 
clínica. 
b) A formação de um mercado competitivo com o surgimento de diversas 
empresas e a padronização sistemática da prática com a publicação de 
manuais para as boas práticas de auditoria. 
c) A ampliação das fontes de consulta e de verificação nos serviços de 
saúde e a definição do foco de interesse (auditoria de cuidados de saúde 
e auditoria de custos). 
d) A criação de cargos de auditor em saúde pela administração pública e a 
incorporação de outros profissionais da saúde, a exemplo do 
farmacêutico. 
e) A introdução da prática de auditoria, originária da contabilidade entre os 
séculos XV e XVI na Itália, na área da saúde no século XX como 
ferramenta de verificação da qualidade da assistência. 
 
Questão 7 
As afirmativas abaixo justificam plenamente a auditoria farmacêutica como 
integrante da auditoria clínica, exceto: 
a) A importância que assume os medicamentos no contexto dos sistemas 
de saúde. Tais produtos desempenham um papel fundamental na 
terapêutica dos pacientes, salvando vidas e ocasionando bem-estar a 
seus usuários. 
b) Os medicamentos ocupam um lugar de destaque no gasto com saúde 
em vários países e são responsáveis por registros de casos de eventos 
adversos graves, incluindo óbitos. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 43 
c) Bens de consumo especiais são, sem dúvida, os produtos sujeitos a uma 
maior regulação por parte das autoridades de saúde e fazem parte de 
um rigoroso controle administrativo por empresas privadas. 
d) A Resolução nº 508, de 29 de julho de 2009, do Conselho Federal de 
Farmácia. 
e) A exigência dos sistemas de saúde de descentralização do poder médico 
nas auditorias. 
 
Questão 8 
Analise as afirmativas a seguir: 
I – Os procedimentos de auditoria não são uniformes e não estão 
sistematizados. 
II – A execução da auditoria está pautada na legislação e na interpretação de 
cada auditor. 
Agora, assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é consequência da 
primeira. 
b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é consequência da 
segunda. 
c) Ambas as alternativas estão erradas. 
d) Apenas a primeira alternativa está correta. 
e) Apenas a segunda alternativa está correta. 
 
Questão 9 
São os principais pontos observados pelos auditores na execução de auditorias 
em farmácia hospitalar, exceto: 
a) Seleção e programação. 
b) Comercialização e pós-venda. 
c) Aquisição e armazenamento. 
d) Distribuição e dispensação. 
e) Os componentes da assistência farmacêutica hospitalar. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 44 
Questão 10 
A observância dos indicadores pelos profissionais tem como objetivo, exceto: 
a) Uma autoavaliação dos serviços prestados. 
b) A elaboração e implementação de planos de melhoria. 
c) Reestruturar os estoques da farmácia hospitalar. 
d) Atingir metas propostas. 
e) Preparar para receber a fiscalização. 
 
Aula2 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - E 
Justificativa: Embora a prática contribua muito para a qualidade da gestão, o 
conhecimento específico é pré-requisito para uma gestão eficiente. 
 
Questão 2 - D 
Justificativa: Por mais que demande tempo, o preenchimento dos documentos 
deve ser rigoroso, uma vez que se trata do histórico dos processos internos, 
que pode ser útil em casos, por exemplo, de rotatividade de funcionários. 
 
Questão 3 - A 
Justificativa: A questão explora o papel primordial da farmácia e evidencia a 
adequação da estrutura e dos serviços como prerrequisito para a realização 
dessa função. 
 
Questão 4 - E 
Justificativa: Todas as afirmativas são observáveis na avaliação das farmácias 
hospitalares por se tratarem de funções básicas do farmacêutico. 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 45 
Questão 5 - C 
Justificativa: Uma lista de compras não pode substituir a LME, uma vez que não 
contempla as necessidades populacionais e o perfil de atendimento. 
 
Questão 6 - D 
Justificativa: Embora as demais alternativas estejam corretas, a letra D é a que 
reforça a presença de outros profissionais da saúde na auditoria. 
 
Questão 7 - E 
Justificativa: Embora haja a necessidade de participação de outros profissionais 
de saúde nos serviços de auditoria, não se tratou de exigência, e, sim, da 
pertinência de outros profissionais devido ao conhecimento específico da área. 
 
Questão 8 - A 
Justificativa: A interpretação de cada auditor é extremamente necessária e 
pertinente, porque os procedimentos de auditoria não são uniformes, 
sistematizados e padronizados. 
 
Questão 9 - B 
Justificativa: Apenas a alternativa “B” não apresenta componentes da 
assistência farmacêutica hospitalar, que caracterizam, também, as funções 
básicas do farmacêutico. 
 
Questão 10 - C 
Justificativa: Os estoques não são objetos de análise dos indicadores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 46 
 
Introdução 
Como vimos, o objetivo da farmácia hospitalar é prover os medicamentos e/ou 
os produtos para a saúde no momento em que são requeridos, na quantidade 
necessária, com qualidade assegurada, ao menor custo possível. 
 
Embora aparentemente o peso das despesas com medicamentos não seja tão 
alto, este é um instrumento crucial para a assistência ao paciente e sua 
participação nas despesas com saúde vem subindo de forma progressiva nos 
últimos anos. 
 
De acordo com a OMS, o uso racional de medicamentos pressupõe que os 
pacientes recebam medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em 
doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e 
ao menor custo para si e para a comunidade. 
 
O farmacêutico hospitalar, como administrador de materiais, deve estar 
constantemente acompanhando a cadeia logística que envolve esses produtos, 
daí a pertinência desta nossa aula. 
 
 
Objetivo: 
1. Conhecer a cadeia logística na gestão de abastecimento de farmácias; 
2. Compreender e conhecer e a aplicação das ferramentas de qualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 47 
Conteúdo 
A gestão de abastecimento de farmácias 
Para que haja a correta seleção de medicamentos, é necessário um trabalho 
contínuo, multidisciplinar e participativo. Só assim a população terá a garantia 
de acesso aos fármacos mais necessários a um determinado nível de 
assistência, de maneira eficaz, segura e racional. 
 
Cabe ao farmacêutico promover adequada gestão de estoques, pois esta irá 
permitir que ele diminua seu tempo na dedicação a tarefas administrativas, 
poupe espaço de armazenamento, aumente a produtividade pessoal, ajude na 
racionalização da terapêutica, permita contenção de gastos com medicamentos 
e garanta o uso seguro de todos os fármacos e insumos. 
 
 
Atenção 
 Essas responsabilidades não podem ser delegadas a outro 
profissional, porque essas avaliações requerem conhecimento 
profissional e julgamentos os quais somente o farmacêutico está 
apto a fazer, além disso, é este profissional que responde ética e 
juridicamente pelas questões relativas aos medicamentos. 
Nas farmácias hospitalares, a gestão de estoques é ferramenta 
fundamental para a eficiência de prestação dos serviços 
farmacêuticos e deve ter como meta primordial evitar a ruptura 
dos níveis de estoque, o que determinaria a interrupção das 
atividades assistenciais. 
 
A tendência atual 
Hoje, o mercado procura investir em: 
 
Grande quantidade de capital na contratação de serviços. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 48 
Na utilização de mão de obra especializada e em tecnologia para trabalhar com 
níveis de estoque os mais baixos possíveis, devido ao elevado custo de 
manutenção de estoques. 
 
E a necessidade de disponibilidade de capital para aporte de tecnologia e 
investimento em outras atividades mais lucrativas e menos dispendiosas. 
 
 
Atenção 
 Desta forma, a redução de estoques, aliada ao seu controle 
rigoroso e seguro, permite que as empresas possam desviar 
capital para investimento e lucro de forma rápida, sem incorrer 
na imobilização desse capital em estoques, que não gera lucro e 
ocasionalmente transforma-se em perdas. 
 
Mas como monitorar o estoque farmacêutico? 
O ideal para manutenção dos estoques farmacêuticos seria algo em torno de 
comprar as necessidades a cada 15 a 30 dias, porém, sabemos que em 
algumas instituições, principalmente alguns órgãos públicos, essa situação é 
impraticável, devido aos riscos inerentes à burocracia regulamentar. 
 
Em relação às instituições hospitalares, a necessidade de investimento na 
diversificação dos serviços oferecidos, aliada à complexidade dos métodos de 
diagnóstico e tratamento e à crescente oferta de novos fármacos, torna a tarefa 
da Farmácia bastante complexa, porém imperativa para a administração 
farmacêutica na competição dos recursos, devido à diversidade de patologias 
para atendimento e aos desafios financeiros enfrentados por qualquer empresa. 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 49 
 
Atenção 
 A redução dos estoques não é uma tarefa isolada, requer maior 
eficiência nas atividades de controle e armazenamento, 
processamento de pedidos, distribuição, administração e conta 
hospitalar. Caso contrário, haverá ruptura no fornecimento para 
o cliente. 
 
Então, como poderiamos definir a logística? 
Podemos definir a logística por meio dos seguintes processos: 
 
Abastecer os clientes, através de técnicas que assegurem a disponibilidade do 
produto certo... 
 
Na quantidade certa, ao preço certo, na hora certa... 
 
Sem avarias e acompanhado de documentação correta. 
 
Assim, fica evidente a necessidade de gerenciamento, fluxo e distribuição dos 
medicamentos com vistas à garantia de satisfação dos clientes e ao 
crescimento da empresa. 
 
Então, como podemos ser assertivos dentro dessa cadeia 
logística? 
O planejamento é essencial. Deve haver um levantamento de informações 
sobre os recursos financeiros disponíveis, bem como estabelecimento das 
necessidades de consumo. Na sequência, após o planejamento, temos a 
necessidade da tomada de decisões. 
 
Assim, temos as ações de abastecimento que são a aquisição, o recebimento, a 
inspeção, o armazenamento e a dispensação dos produtos. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 50 
Para esses procedimentos é necessária a administração de bancos de preços, a 
avaliação da qualidade, a certificação de fornecedores e o retorno das 
informações, bem como o estabelecimento de exigências contratuais e 
condições de pagamento. 
 
Na prática, a execução do gerenciamento implica ações de solicitação e 
recepção de materiais, produção e teste dos produtos, armazenamento, 
embalagem e dispensação. 
 
Não se pode perder de vista a avaliação das possíveisnecessidades de 
mudanças no sistema, equipamentos, que serão evidenciados durante essa 
execução e que objetivam, sempre, melhoria da qualidade dos serviços 
produzidos. 
 
A dispensação de medicamentos e produtos relaciona-se com pedidos, 
medicamentos, clientes, rótulos, embalagens específicas, ou seja, tudo aquilo 
que norteia o fornecimento dos produtos aos clientes. 
 
Então, vimos que o processo de utilização dos medicamentos é um sistema 
contínuo, que começa com a percepção da necessidade de utilização do 
fármaco e termina com a avaliação de sua eficácia no paciente. 
 
Mas todo esse processo deve considerar a questão dos custos dos serviços 
farmacêuticos e os níveis de estoque. 
 
É necessário que o farmacêutico avalie os benefícios e os custos de todo o 
processo de utilização dos medicamentos, sem que o processo de redução de 
estoques induza a qualquer diminuição da qualidade dos produtos oferecidos. 
 
Também devemos estar atentos à qualidade, eficiência, eficácia e segurança. 
Isso se faz necessário porque os fármacos produzidos atualmente se mostram 
mais específicos e muito mais potentes, mas há uma pressão da indústria sobre 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 51 
a introdução de novos fármacos, com custos muito maiores, que em sua 
maioria não representam nenhuma melhoria na qualidade final dos 
tratamentos. 
 
O serviço de farmácia deve competir igualmente com outros serviços do 
hospital para obtenção de recursos necessários. Faz-se necessário demonstrar 
que o gasto com medicamentos na unidade hospitalar é revertido em benefícios 
para a instituição na medida em que garante melhorias na prestação dos 
serviços aos clientes. 
 
Bem, ao analisar essa cadeia logística presente nas farmácias fica evidente que 
os objetivos do serviço prestado são suprir as reais necessidades do hospital de 
acordo com o perfil epidemiológico e enfermidades prevalentes; proporcionar 
ganhos terapêuticos e econômicos; além de selecionar adequadamente os 
fornecedores que atendam aos critérios exigidos pela instituição hospitalar, bem 
como à legislação vigente. 
 
Para tanto, a aquisição de medicamentos pode ser simplificada mediante a 
aplicação das ferramentas que garantam a qualidade e a classificação útil dos 
produtos e clientes. Essas são estratégias padrão para a gestão do estoque em 
farmácia hospitalar, que serão abordadas a seguir. 
 
A prestação de serviços ao paciente 
O gerenciamento eficiente de estoques exige que a classificação seja 
condizente com a estratégia da instituição e com os objetivos da prestação de 
serviços aos pacientes. 
 
Assim também é necessária a definição do nível de exigência e a importância 
estratégica de cada cliente (ex.: serviço de anestesia, emergências, centros de 
tratamento intensivo), pois cada cliente possui uma necessidade específica de 
atendimento e de produtos que determina os esforços necessários para a 
prestação da melhor assistência. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 52 
Para boa realização do gerenciamento de estoques de cada produto, é 
necessária uma classificação de produtos e clientes. 
 
 
Atenção 
 Quanto aos produtos, estes devem ter definidos, o tamanho do 
seu estoque máximo (incluindo estoque de segurança) e um 
local determinado e demarcado, para que uma inspeção visual 
possa estimar imediatamente a quantidade em estoque. 
Também é necessária uma padronização e normatização quanto 
à embalagem, prazo de validade, concentração, metodologia de 
fabricação, fabricantes autorizados ao seu fornecimento 
específico e quantidades de ressuprimento. 
São extremamente importantes as classificações do produto 
quanto à sua atividade terapêutica, sua importância estratégica 
e econômico-financeira, sua natureza e quanto ao seu giro de 
estoque. Do mesmo modo, deve ser definido claramente, qual 
especialista está autorizado a prescrever e administrar cada 
produto. 
 
A classificação ABC 
Essa classificação agrupa os produtos de acordo com características similares, 
com a finalidade de facilitar o controle de estoques. O processo normal de 
classificação coloca em sequência os produtos, de forma que os itens com 
características similares são postos no mesmo grupo, por ordem de importância 
econômica. 
 
E como podemos organizar esse processo? 
Os produtos são classificados em ordem decrescente, por volume de saída, de 
modo que produtos com maior valor agregado (custo x quantidade média) são 
relacionados antes dos produtos com menor giro. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 53 
Como é montada a estrutura da ABC? 
Ela é montada a partir do consumo de cada medicamento. Estabelece-se o 
consumo médio para um ano, de cada item, multiplica-se este consumo médio 
pelo preço unitário, para achar o custo total do item. 
 
Como realizar esse cálculo? 
Daí calcula-se, para cada medicamento, o percentual dele em relação ao 
somatório dos custos (equivalente a 100%) e obtém-se o percentual do 
medicamento em relação ao custo total. 
 
CATEGORIA % PRODUTOS %IMPORTÂNCIA 
A 10-20 70-80 
B 21-49 10-30 
C 50-70 3-10 
 
Considerações importantes sobre a classificação 
Em geral, a classificação ABC mostra que a maior parte dos volumes de venda 
(ou de qualquer outro fator de classificação) decorre de relativamente poucos 
produtos ou clientes. 
 
Produtos de alto volume ou de alto giro são geralmente classificados na 
categoria A. Produtos de volume e giro moderados são classificados na 
categoria B e produtos de baixo volume ou giro são classificados na categoria 
C. 
 
A classificação ABC, também conhecida como classificação de Pareto, visa 
identificar os produtos de acordo com sua importância financeira, sendo uma 
ferramenta orientadora para o gestor, podendo gerir de forma otimizada e 
adequada cada item segundo a sua representatividade no capital investido. 
 
As três classes de medicamentos 
Como vimos, os medicamentos são separados em três classes de itens: 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 54 
Os itens da Classe “A” representam a menor quantidade de itens com o maior 
custo financeiro, que devem ser gerenciados com atenção especial; 
 
Os itens da Classe “B” representam os itens com valor intermediário de 
quantidade e de custo financeiro; 
 
Os itens da Classe “C” representam o grupo de maior quantidade de itens com 
o menor custo financeiro, que podem justificar menor atenção no momento do 
gerenciamento. 
 
 
Atenção 
 Através da análise dessa Classificação ABC, devem se 
estabelecer prioridades para a programação de aquisição e 
controle dos estoques, observando a quantidade consumida de 
um determinado produto e o seu custo em relação aos demais 
itens para um período. 
O agrupamento dos esforços da administração em estabelecer 
estratégias de estoques concentrando produtos similares facilita 
para cada segmento de produtos; porém, a característica dos 
produtos farmacêuticos não recomenda que o controle de 
estoques seja realizado somente baseado na importância 
econômica dos produtos. Uma estratégia mais eficiente para 
classificação de medicamentos deve levar também em 
consideração a sua importância para os pacientes. 
O ideal é a implantação dos dois métodos de classificação, para 
se estabelecer um índice combinado. 
 
Agrupamentos classificatórios 
A classificação ABC agrupa produtos que têm importância estratégica e 
econômica similares. A combinação pode ser feita entre os métodos ABC e XYZ. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 55 
Na classificação XYZ, os produtos são classificados de acordo com sua 
importância de utilização, ou seja, é utilizada para se controlar os estoques do 
ponto de vista de importância de utilização. 
 
Nesse contexto, temos: 
 
Medicamento classe X: Possuem elevado número de similares; tem menor 
importânciaestratégica e sua falta não interfere diretamente no atendimento. 
Exemplo: Analgésicos; diuréticos. 
 
Medicamento classe Y: Possuem elevado número de similares; tem certa 
importância estratégica, pois sua falta interfere no atendimento. Exemplo: 
soros. 
 
Medicamentos classe Z: Possuem restrito número de similares ou não os 
possuem. Tem grande importância estratégica e sua falta interfere no 
atendimento. Exemplo: Sulfadiazina de prata em centro de tratamento de 
queimados. 
 
O controle de estoque 
Assim, fica claro que o controle de estoques deve ser realizado da seguinte 
maneira: 
 
Deve ser um procedimento baseado tanto na importância econômica dos 
produtos quanto na sua importância para os pacientes, ou seja, a combinação 
dos sistemas ABC e XYZ pode ser bastante útil para uma programação mais 
ajustada e pode nos auxiliar na tomada de decisão em relação à prioridade. 
 
Como vimos, a aquisição de medicamentos é ponto extremamente importante, 
dessa forma, para uma gestão de farmácia adequada, a ferramenta de 
qualidade dos 5W e 2H se faz bastante pertinente e útil. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 56 
Devemos observar sete pontos cruciais aplicáveis para aquisição de 
medicamentos. São eles: 
 
1 - Quem vai comprar – Who. Nesse ponto é imprescindível a capacitação e 
treinamento da equipe, pois a definição de um fluxo operacional para o 
processo de compras, com atribuições e responsabilidades agiliza o processo. 
 
2 - O que comprar? What - O controle de estoques dos produtos selecionados 
define quando desencadear o processo da compra prevenindo possíveis 
rupturas de estoque. 
 
3 - Quando comprar? When – Identificar o momento ideal da compra para 
reposição de estoques seguindo planejamentos e estratégias com avaliação 
criteriosa das curvas ABC e Curvas XYZ. 
 
4 - Onde comprar, ou seja, de qual o fornecedor? Where - Seleção e 
qualificação de fornecedor. Para isso contribui muito ter um cadastro de 
fornecedores que permita selecionar aqueles com as melhores condições de 
atender às necessidades de entrega, com preço competitivo e qualidade 
assegurada. Os fornecedores selecionados devem atender todos os requisitos 
legais de documentação e autorizações de fabricação e comercialização. 
 
5 - Por que comprar? Why – justificar a compra com base em controles de 
segurança, o estudo da demanda e as variações sazonais. 
 
6 - Quanto comprar e quanto custa? How many/How much – estabelecer uma 
programação e avaliar relação de custo-benefício, avaliar melhores prazos de 
entrega e de pagamento. Negociações de preços dos medicamentos tendem a 
reduzir conforme o volume da compra efetuada. A opção por contratos de 
compra com volume maior, com prazo determinado e entregas parceladas 
costumam apresentar vantagens como regularidade no abastecimento, redução 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 57 
dos estoques e nos custos de armazenamento, garantia de medicamentos com 
prazos de validade favoráveis e execução financeira planejada e gradual. 
 
7 - Como comprar? How - Como é realizado e qual a modalidade escolhida para 
o processo da aquisição. As compras podem ser feitas por meio de licitação, 
dispensa de licitação ou inexigibilidade de licitação. Sempre que possível, elas 
deverão ser processadas com os laboratórios oficiais ou por meio do sistema de 
registro de preços. No setor privado utiliza-se a cotação de preços, leilão 
eletrônico, não devendo esquecer que as compras também podem acontecer 
em regime de urgência (para atender casos esporádicos e específicos). Seja 
qual for a escolha do setor público ou privado, o processo da compra deverá 
atender a critérios técnicos e legais. 
 
Para uma gestão eficiente na assistência farmacêutica, o processo de aquisição 
de medicamentos deve ser valorizado, realizado dentro dos padrões de 
referência para qualidade e executado por pessoal qualificado com estrutura 
mínima adequada, somente dessa forma poderemos evitar rupturas no estoque 
e consequente desabastecimento de medicamentos, materiais e/ou insumos 
farmacêuticos. Assim haverá êxito na resolutividade dos problemas do dia a dia 
e na racionalização dos procedimentos de compra com impacto positivo na 
cobertura assistencial. 
 
Atividade Proposta 
A figura abaixo representa a ferramenta de qualidade 5W2H, que foi descrita 
nesta aula, útil na elaboração de um Plano de Ação. Com base nessa imagem e 
em seus conhecimentos, responda: o que você entende por plano de ação? 
 
Chave de resposta: Espera-se que o você consiga relacionar a ferramenta 
ilustrada na figura como meio para se elaborar um plano de ação que consiste 
em ações de verificação com vistas ao alcance da meta. Assim, quanto melhor 
o Plano de Ação, maior a garantia de atingir a meta. No caso em comento, a 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 58 
meta é gerir adequadamente o estoque da farmácia e o plano de ação deverá 
considerar as ferramentas 5W2H para aquisição de medicamentos e insumos. 
 
Referências 
AMERICAN SOCIETY OF HOSPITAL PHARMACISTS. ASHP. Guidelines for 
selecting pharmaceutical manufactures suppliers. Am. J. Hosp. Pharm. 
V. 48, p. 523 – 524, 1991. 
BRASIL. Ministério da Saúde . Aquisição de medicamentos para 
assistência farmacêutica no SUS / MS. Secretaria de Ciência, Tecnologia e 
Insumos Estratégicos. Disponível em: http://goo.gl/ejmPu. Acesso em: 05 jan. 
2015. 
CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Manual básico de farmácia 
hospitalar. Brasília:Conselho Federal de Farmácia, 1997. 
SOCIEDADE BRASILEIRA DE FARMÁCIA HOSPITALAR.Guia de Boas 
Práticas em Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde - Sbrafh. São 
Paulo: Ateliê Video o Verso, 2009. 
SCOTT, R.F. Logistics, Intermodal and Supply Chain Management. 1998. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
I - A competitividade entre os diversos serviços hospitalares cria a necessidade 
de implantação de uma postura gerencial mais eficaz, pois o administrador 
hospitalar (sob pressão dos gestores) exerce, a cada dia, maior pressão sobre o 
custo da terapia medicamentosa e sobre o custo total dos estoques do serviço 
de farmácia. 
II - A exigência de justificativas para os desembolsos dos recursos é, 
possivelmente, uma das tarefas mais complicadas para os profissionais 
responsáveis por farmácias hospitalares, estejam elas no âmbito público ou 
privado, pois representa um desafio frente ao grau de complexidade no 
fornecimento de explicações relativas ao custo/benefício, junto à administração. 
Agora assinale a alternativa que melhor interpreta as afirmações anteriores: 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 59 
a) Ambas as afirmativas estão corretas e a segunda é a explicação da 
primeira. 
b) Ambas as afirmativas estão corretas e a primeira é a explicação da 
segunda. 
c) Ambas as afirmativas estão incorretas. 
d) Apenas a primeira afirmativa está correta. 
e) Apenas a segunda afirmativa está correta. 
 
Questão 2 
A gestão eficiente/eficaz de estoques em farmácias hospitalares por parte dos 
farmacêuticos NÃO deve ser vista como: 
a) Tarefa primordial que garante adequação dos serviços prestados. 
b) Somente uma entre as dezenas de atividades do gerente farmacêutico. 
c) Aspecto de grande importância, porque evidencia a capacidade 
administrativa do profissional junto à administração hospitalar. 
d) Atividade que envolve responsabilidade sobre os custos e abrange desde 
o preço do produto ao processo global de fornecimento. 
e) Atividade ampla e contínua que aborda toda a cadeia logística da 
farmácia. 
 
Questão 3 
São considerações importantes no processo contínuo de gestão de farmácias, 
EXCETO: 
a) Análise do regime terapêutico e da dispensação do produto de acordo 
com a prescrição. 
b) Análise do tipo de administração frente ao produto dispensado. 
c) Monitoramento dos efeitos adversos para eventuais alterações. 
d) Análiseda pertinência da manutenção do tratamento do paciente de alta. 
e) Estabelecimento de padrões mínimos de controle de custos e estoques. 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 60 
Questão 4 
Não é um fator com potencial para interferir no custo dos estoques de 
farmácias hospitalares: 
a) A opção por medicamentos de referência, genéricos ou similares. 
b) Valores agregados decorrentes de transporte/frete. 
c) Carga tributária praticada em alguns estados. 
d) Aquisição diretamente de fabricantes ou por meio de distribuidores. 
e) Lista enumerando relação de fármacos para uso restrito em 
emergências. 
 
Questão 5 
O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, criado em 1982 
como “Medicamentos de Dispensação Excepcional”, caracteriza-se como uma 
estratégia da Política de Assistência Farmacêutica do SUS, que tem por objetivo 
disponibilizar medicamentos tidos como de “Alto Custo” para o tratamento de 
doenças específicas. 
Sobre ele podemos afirmar, EXCETO: 
a) Busca garantir a integralidade do tratamento medicamentoso, no nível 
ambulatorial, cujas linhas de cuidado estão definidas em Protocolos 
Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PDCT), publicados pelo Ministério da 
Saúde. 
b) O fornecimento dos medicamentos do Componente Especializado da 
Assistência Farmacêutica depende da demanda populacional e não se 
vincula à aprovação específica das Secretarias Estaduais de Saúde. 
c) A dispensação dos medicamentos ocorre nas Farmácias das 
Superintendências e Gerências Regionais de Saúde dos estados e as 
sugestões de alterações na lista de medicamentos e PCDT devem ser 
feitas diretamente ao Ministério da Saúde. 
d) O público-alvo são pacientes com doenças cobertas pelo Componente 
Especializado da Assistência Farmacêutica, e cumpram os critérios de 
inclusão estabelecidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas 
(PCDT). 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 61 
e) O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica/ Medicamentos 
de Alto Custo é regulamentado pela Portaria GM/MS nº 1554/2013 e 
suas atualizações, que definem a lista de medicamentos disponibilizados, 
suas apresentações e a Classificação Internacional de Doenças (CID) 
para as quais o fornecimento é autorizado. 
 
Questão 6 
Quanto aos processos de compra de medicamentos, assinale a afirmativa 
INCORRETA: 
a) A função compra tem por finalidade suprir as necessidades de materiais, 
na quantidade certa, no momento certo, com a qualidade necessária e a 
um preço oportuno. 
b) Essa função tem a incumbência de atender às necessidades utilizando 
um mínimo de investimento possível, preservando assim os interesses 
financeiros da organização. 
c) Compras é uma atividade burocrática e repetitiva, constitui um centro de 
despesas e não um centro de lucros. 
d) Os objetivos gerais do setor de compras são a obtenção de um fluxo 
contínuo de suprimentos a fim de atender aos programas de reposição e 
a coordenação desse fluxo de modo a aplicar um mínimo de 
investimento que afete a operacionalidade da empresa. 
e) Também são objetivos gerais do setor, a compra de materiais e insumos 
aos menores preços, obedecendo a padrões de quantidade e qualidade 
definidos e a atuação dentro de uma negociação justa e honrada, com as 
melhores condições para a empresa. 
 
Questão 7 
A respeito do gerenciamento do estoque, das metodologias e da frequência de 
monitoramento, podemos afirmar, EXCETO. 
a) Os produtos sazonais devem sofrer uma previsão desagregada dos 
volumes totais, pois seu consumo é influenciado por fatores externos 
(epidemias, surtos de infecção). 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 62 
b) Da mesma forma, desagregada de volumes totais, deve ser feita a 
previsão para os produtos de consumo regular, as projeções devem ser 
feitas com séries históricas de consumo. 
c) O monitoramento diário de produtos de grandes estoques é adequado 
porque uma falta de estoque afeta negativamente o serviço, ou seja, os 
produtos classe “A” exigem um alto nível de monitoramento. 
d) Os produtos de baixo volume de estoque podem ser monitorados 
semanalmente, pois os estoques não se alteram tão rapidamente ou a 
falta de estoque não afeta o desempenho do serviço tão sensivelmente, 
assim, na estratégia ABC os produtos “B” e “C” requerem um nível de 
serviço mais baixo. 
e) O perfil do cliente a ser atendido deve ser, também, cuidadosamente 
avaliado, isto é, clientes que atuam sob estresse elevado, onde o risco 
de vida é alto, devem ter seus produtos monitorados com maior 
frequência. 
 
Questão 8 
Sobre os requisitos úteis para gestão de qualidade em farmácias hospitalares, 
assinale a afirmativa CORRETA: 
a) Estabelecer critérios e rotinas de atendimento diferenciado para não 
sobrecarregar a rotina do serviço. 
b) Ouvir os sinais de variação de consumo e disponibilizar tempo para 
planejamento e avaliação dessa variação. 
c) Personalizar os procedimentos da rede logística, empregando as 
ferramentas disponíveis para atender aos clientes. 
d) Gerenciar as fontes de suprimento para reduzir o custo total dos 
produtos e serviços. 
e) Todas as afirmativas estão corretas. 
 
Questão 9 
No processo de seleção de medicamentos a serem adquiridos NÃO é 
recomendável: 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 63 
a) Conscientização da equipe de saúde e levantamento do perfil 
populacional, bem como análise do nível assistencial e da infraestrutura 
de tratamento existente no hospital. 
b) Selecionar medicamentos com níveis elevados de evidência sobre 
segurança e eficácia clínica. 
c) Eleger medicamentos de menor toxicidade relativa e maior comodidade 
posológica. 
d) Optar por medicamentos cujo custo do tratamento/dia e o custo da 
duração do tratamento sejam menores. 
e) Realizar a seleção de antimicrobianos em conjunto com a 
Comissão/Serviço de Controle de Infecção Hospitalar 
 
Questão 10 
I - A parcela de custos mais significativa na terapia medicamentosa está 
associada à escolha adequada do medicamento. 
POR ISSO 
II - O controle da terapia medicamentosa deve ser um esforço clínico e 
administrativo que influencia de maneira decisiva na redução dos gastos e num 
efetivo gerenciamento de estoques. 
Agora assinale a afirmativa que melhor interpreta as afirmações anteriores: 
a) Ambas as afirmativas estão corretas e a segunda é a explicação da 
primeira. 
b) Ambas as afirmativas estão corretas e a primeira é a explicação da 
segunda. 
c) Ambas as afirmativas estão corretas e a segunda é a consequência da 
primeira. 
d) Ambas as afirmativas estão corretas e a primeira é a consequência da 
segunda. 
e) Ambas as afirmativas estão incorretas. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 64 
Aula 3 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - B 
Justificativa: Ambas estão corretas e a relação é de explicação. A explicação 
reside no fato de a afirmação II detalhar a relação entre custos e recursos 
disponíveis, custo/benefício, cuja exposição à administração constitui tarefa 
complexa. 
 
Questão 2 - B 
Justificativa: Embora realmente seja uma entre as dezenas de tarefas do 
farmacêutico, a gestão de estoques é primordial para o bom andamento das 
farmácias hospitalares. 
 
Questão 3 - D 
Justificativa: A avaliação da pertinência de manutenção do tratamento é uma 
consideração médica, a ser tomada na avaliação do paciente por esse 
profissional, não pelo gestor da farmácia hospitalar. 
 
Questão 4 - E 
Justificativa: Em todos os casos, as opções têm potencial para alterar os custos 
dos estoques, exceção se faz na letra “E”, uma vez que tais fármacos terão que 
estar presentes na farmácia hospitalar independente da existência de listagem 
prévia. 
 
Questão 5 - B 
Justificativa: Embora o fornecimento dos medicamentos do Componente 
Especializado da Assistência Farmacêutica venha de encontro à demandapopulacional, quem efetua o levantamento e realiza a aprovação são as 
Secretarias Estaduais de Saúde. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 65 
Questão 6 - C 
Justificativa: A atividade pode até ser taxada de burocrática, mas seu 
desenvolvimento requer atividades de análise e interpretação de um mercado 
dinâmico que pode sim gerar lucros. 
 
Questão 7 - B 
Justificativa: A previsão para os produtos de consumo regular é agregada sim 
aos volumes totais, uma vez que baseia-se no histórico de consumo. 
 
Questão 8 - E 
Justificativa: As afirmações A, B, C e D são requisitos úteis para gestão de 
qualidade nas farmácias hospitalares. 
 
Questão 9 - D 
Justificativa: O custo não deve ser primordial na escolha dos medicamentos e 
sim a qualidade e idoneidade do seu uso para o tratamento. 
 
Questão 10 - C 
Justificativa: Tendo em vista os altos custos, o controle da terapia 
medicamentosa deve possuir âmbito clínico e administrativo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 66 
 
Introdução 
Vamos a mais um tema de auditoria em serviços de saúde? Trataremos, nas 
próximas duas aulas da auditoria em nutrição. 
 
O serviço de nutrição em saúde é extremamente importante, quer se trate da 
nutrição tradicional, via oral, com oferta de alimentação balanceada, quer seja 
a nutrição de alta complexidade. 
 
No primeiro caso, temos que romper com a ideia de “comida de hospital” para 
compreender que o serviço deve respeitar, inclusive, a tradição alimentar do 
paciente. Já no caso da alta complexidade, iremos entender as possibilidades 
de oferta, vantagens e desvantagens, além da relação custo-benefício. 
Vamos lá? 
 
Objetivo: 
1. Compreender a importância da adequada nutrição em sistemas de saúde e a 
relação dessa área com as demais, bem como com a auditoria; 
2. Conceituar, diferenciar e caracterizar as modalidades de oferta de 
alimentação em serviços de alta complexidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 67 
Conteúdo 
Nutrição em sistemas de saúde 
O atendimento na área de saúde não se limita a ações de primeira linha 
efetuadas pelo médico, ele ultrapassa essa relação médico-paciente e precisa 
de atuação multidisciplinar, direta ou indireta de diversos outros profissionais. 
Aos iniciantes no assunto, pode parecer pouco importante ou menos relevante 
a atuação do profissional da nutrição. Para que não haja essa impressão e para 
que fique bem clara a necessidade da atuação multidisciplinar, serão úteis 
nossas próximas reflexões. 
 
Para plena recuperação dos pacientes, um fator muito importante é a sua 
nutrição. A comida preparada deve seguir a dieta determinada para cada um – 
geralmente contendo algumas restrições alimentares, dependendo da 
enfermidade apresentada –, mas sem deixar de lado o sabor. O serviço de 
nutrição possui papel fundamental nessa recuperação, pois a alimentação 
adequada agiliza o processo. 
 
Evolução da nutrição hospitalar 
A área responsável por cuidar da alimentação dos pacientes é a nutrição 
clínica, que trabalha de modo a atender às necessidades nutricionais de cada 
um, de acordo com as recomendações dos médicos, ou seja, trabalha em 
conjunto com a equipe médica e demais profissionais assistenciais, garantindo, 
assim, todo o planejamento do cuidado ao paciente. 
 
Há alguns anos, ouvia-se muito o termo “comida de hospital” referindo-se a 
alimentos insossos e ruins de comer, enquanto hoje, com a evolução da 
nutrição hospitalar, procura-se oferecer refeições balanceadas, saudáveis e 
saborosas. Isso porque a sensação de saciedade, o bem-estar do paciente, 
ajuda em sua recuperação. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 68 
Gastronomia hospitalar 
A gastronomia hospitalar se baseia na arte de bem servir. Temperos naturais 
como alho, cebola e ervas são utilizados na preparação dos pratos servidos. 
Busca-se atender bem pelo aroma e sabor, com atendimento individualizado, 
que respeita preferências, aversões alimentares e indicações para cada 
paciente. O cardápio hospitalar deve levar em consideração também a 
variedade de alimentos, os hábitos alimentares e a necessidade nutricional e 
calórica dos pacientes – isso porque pacientes hospitalizados têm muitas 
dificuldades em manter seu estado de nutrição adequado. 
 
No caso de pacientes menos graves... 
 
A própria condição de poder dialogar com o responsável pelo serviço de 
nutrição e com o médico garante pleno atendimento das necessidades e até 
das preferências alimentares dos pacientes. Além de fornecer alimentação 
saudável e balanceada, o serviço ainda deve considerar a procedência 
adequada dos alimentos e os cuidados de higiene em relação ao profissional 
que prepara e utensílios necessários. 
 
Já no caso de pacientes mais graves, dados da Sociedade Brasileira de Nutrição 
Parenteral e Enteral indicam que em torno de 30 % dos pacientes internados 
ficam desnutridos nas primeiras 48 horas de internação. Passados sete dias de 
internação, esse percentual pode chegar a 45 %, principalmente em pacientes 
acometidos por infecções, traumatismos ou recém-operados. 
 
Nesse caso, a desnutrição compromete significativamente o quadro do 
paciente. Dentre as consequências ruins da desnutrição podemos citar a perda 
de massa magra, que conduz a mais complicações, pois eleva o risco de 
infecção, diminui a cicatrização e aumenta o risco de mortalidade. Para se 
evitar ou recuperar o paciente desse quadro é indispensável normalizar a 
síntese proteica e atingir o equilíbrio nitrogenado, em outras palavras, 
recuperar o estado nutricional do paciente. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 69 
Terapia nutricional 
Como os efeitos da desnutrição são catastróficos para o paciente, as equipes 
multidisciplinares se vêm diante da necessidade urgente de recuperar o estado 
nutricional do paciente e, para tanto, recorrem à terapia nutricional. 
 
Terapia nutricional é um conjunto de procedimentos terapêuticos utilizados 
para manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por meio de 
nutrição parenteral ou enteral. Trata-se de um importante recurso terapêutico 
na redução da morbidade e mortalidade de pacientes, principalmente os mais 
graves. 
 
 
Atenção 
 A prática da terapia nutricional no Brasil foi regulamentada em 
1998 através da Portaria ANVISA nº 272/98 e a nutrição enteral 
em 2000, com a resolução da ANVISA nº 63/00. 
Desde então, e com todos os avanços tecnológicos que muito 
impactaram na implementação e evolução da terapia nutricional, 
o suporte nutricional parenteral ou enteral tem demonstrado 
grande eficácia no tratamento de pacientes críticos com 
distúrbios do aparelho digestivo. 
 
Nutrição intra-hospitalar 
O Inquérito Brasileiro da Avaliação Nutricional (IBRANUTRI), realizado pela 
Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBPNE), avaliou, em 
1996, 4.000 pacientes internados em todo o Brasil na rede do SUS e identificou 
48,1 % de desnutrição intra-hospitalar. 
 
Esse estudo observou que doentes desnutridos permanecem o dobro do tempo 
internados, se comparado com o número de enfermos não desnutridos. Além 
disso, o estudo demonstrou que a frequência da desnutrição aumentou 
progressivamente com o aumento do tempo de internação hospitalar. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 70 
Ainda segundo dados desse estudo, pacientes previamente nutridos 
apresentaram um índice de infecções inferiores, com custo diminuído para o 
serviço, quando comparados àqueles que receberam apenas hidratação 
intravenosa. 
 
Também doentes idosos com mesmo diagnóstico de base ao receberem terapia 
nutricional ficaram hospitalizados 20 dias menos, tiveram reduzido pela metade 
o índice de complicações e uma taxa de mortalidade inferior, quando 
comparadosao grupo “controle”, que não recebeu suplementação alguma. 
Assim, ficou mais que evidente que a terapia nutricional é importante, mesmo 
quando não há desnutrição. 
 
Instituições tanto públicas quanto privadas têm consciência do importante 
papel desenvolvido por essa especialidade, cuja participação cresce 
consideravelmente nos últimos tempos. Porém, da mesma forma que o grau de 
complexidade do paciente influencia numa mudança de práticas alimentares e 
pode induzir à necessidade de introdução da terapia nutricional, também há, 
nesse sentido, alteração nos custos alimentares. 
 
Profissional auditor na terapia nutricional 
É mais do que evidente que a implementação da terapia nutricional para 
pacientes de maior complexidade impacta negativamente nos custos. Isso 
porque requer equipamentos, condições e fontes alimentares específicas. A 
opção pelo tipo de terapia nutricional deve refletir as reais necessidades do 
paciente e prescrição médica, uma vez que se trata da manutenção ou 
recuperação das condições de saúde do paciente. Entretanto, a análise de 
profissional capacitado direciona a escolhas que, além de recuperar as 
condições do paciente, conduzem à redução dos custos. 
 
Nesse contexto, o profissional auditor deve possuir conhecimentos específicos 
da área de nutrição, ainda que não possua a graduação específica em nutrição 
para compreender e analisar as diretrizes alimentares adotadas nos serviços. É 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 71 
importante estar ciente dos conceitos relacionados à terapia nutricional, bem 
como das vantagens, desvantagens e possibilidades de complicações. 
 
Terapia enteral ou parenteral 
Como vimos, a terapia nutricional e o tipo de administração são prescritos por 
médicos e nutricionistas de acordo com critérios como quadro clínico, idade, 
riscos de complicação e tempo previsto para a terapia, ou seja, cabe ao 
profissional de saúde avaliar a melhor opção para cada paciente. 
 
Nesse sentido, as dietas podem ser administradas através da boca, sonda nasal 
ou ostomias (estômago, intestinos), o que configura a chamada nutrição ou 
terapia enteral. Mas, quando a passagem do alimento pelo aparelho digestório 
não pode ser realizada, a terapia parenteral ou nutrição parenteral apresenta-se 
como alternativa, essa utiliza a via intravenosa para administração do alimento 
em forma de solução especial parenteral. 
 
Entende-se como terapia de nutrição parenteral ofertar, por meio de 
administração intravenosa central ou periférica, solução ou emulsão composta 
obrigatoriamente de carboidratos, aminoácidos, vitaminas e minerais, com ou 
sem administração diária de lipídios, estéril e apirogênica. A solução, nesse 
caso, acondicionada em recipiente de vidro ou plástico, é indicada para suprir 
as necessidades metabólicas e nutricionais de pacientes impossibilitados de 
alcançá-la por via oral ou enteral, desnutridos ou não, em regime hospitalar – 
visa, pois, à síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas. 
 
A nutrição enteral trata da ingestão controlada de alimento para fins especiais, 
ingestão de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida 
ou estimada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via 
oral, industrializada ou não. Ela é utilizada exclusiva ou parcialmente para 
substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou 
não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 72 
ambulatorial ou domiciliar, visando à síntese ou manutenção dos tecidos, 
órgãos ou sistemas. 
 
Ainda nesse contexto de nutrição enteral, ela é considerada de sistema aberto 
quando a dieta requer manipulação prévia à sua administração, para uso 
imediato. Já a nutrição enteral em sistema fechado utiliza dieta industrializada, 
estéril, determinada pela composição de nutrientes da nutrição enteral, mais 
adequada às necessidades especiais. 
 
A terapia enteral é composta por nutrientes que necessitam passar pelos 
processos de digestão e absorção para serem utilizados pelo organismo. E a 
terapia parenteral, por sua vez, dispensa a digestão, pois contém nutrientes 
prontos para serem utilizados pelo organismo. Ambas possuem basicamente o 
mesmo objetivo, que é o de nutrir o paciente a fim de prevenir ou tratar casos 
de desnutrição e suas complicações. 
 
A utilização apropriada da forma de nutrição, enteral ou parenteral, é um 
importante instrumento para a recuperação do indivíduo. Não basta apenas 
utilizar a nutrição enteral quando necessário é preciso que haja 
acompanhamento adequado durante a terapia nutricional de cada paciente para 
evitar algumas complicações. 
 
Complicações mais frequentes 
A maioria das complicações pode ser evitada se prescrição, evolução da terapia 
nutricional enteral e acompanhamento nutricional forem feitos de forma 
adequada. As principais complicações são divididas em algumas categorias, 
separadas entre metabólicas, gastrointestinais, mecânicas, infecciosas e 
operacionais. 
 
As metabólicas estão relacionadas à desidratação e hiper-hidratação, quando 
há oferta inadequada de água, sendo a mais frequente durante o uso da 
nutrição enteral. Junto a ela também aparecem a hiper e a hipoglicemia, 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 73 
associadas à oferta inadequada de calorias, a interrupções não programadas da 
terapia e à própria condição clínica do paciente. 
 
Outra alteração importante é a síndrome da realimentação. Ela ocorre quando 
pacientes desnutridos ou em jejum prolongado passam a ser alimentados 
novamente de forma rápida e em grandes volumes. Quando isso acontece, os 
micronutrientes que estavam deficientes no organismo são desviados, ocorre 
queda rápida e importante de suas concentrações plasmáticas. Esse desvio 
ocasiona alterações no sistema cardiovascular, hepático, gastrointestinal, 
pulmonar, renal e hematológico. 
 
Entre as complicações gastrointestinais, mais frequentes no uso da terapia 
enteral, estão diarreia, vômitos, náuseas e constipações, que podem estar 
relacionadas ao excesso de gordura na dieta, infusão rápida ou intolerância a 
componentes da fórmula. Além disso, a gastroparesia, uma dificuldade no 
esvaziamento gástrico, tornando-o mais lento, também pode ocorrer – causada 
pelo uso de alguns medicamentos, por distúrbios hidroeletrolíticos ou mesmo 
pela situação clínica do doente. Tais complicações relacionadas à administração 
da dieta enteral, e devem ser amplamente analisados o tipo de fórmula, a 
temperatura da dieta e velocidade de infusão. 
 
As complicações mecânicas e operacionais dão conta do aparato técnico e 
operacional da terapia enteral. Entre as causas estão obstrução da sonda, 
possíveis erosões e necrose nasal. O manuseio inadequado durante a 
administração da dieta também pode ser outra causa. 
 
A contaminação microbiana durante o preparo da dieta enteral pode trazer 
como consequência uma intoxicação alimentar, considerada uma complicação 
infecciosa. Além disso, uma pneumonia aspirativa também pode ocorrer 
quando a sonda não estiver alocada adequadamente, pelo mau posicionamento 
do paciente ou na presença de alterações gastrointestinais. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 74 
Ações para minimizar problemas 
Ações simples dos profissionais envolvidos com o paciente, se realizadas com 
atenção, podem ajudar a minimizar problemas ocorridos durante a terapia 
nutricional enteral. 
 
Dentre elas podemos citar: a verificação do posicionamento da sonda antes do 
início da nutrição; manter o paciente em posição de decúbito com elevação de 
cabeceira antes e após a administração da dieta; evoluir gradativamente com o 
volume da dieta e com a velocidade da infusão; avaliar adequadamente a 
oferta hídrica; avaliar a composição das dietas e a necessidadede mudanças 
caso haja alteração; evitar dietas muito frias e sondas muito calibrosas. 
 
Equipe multidisciplinar 
O olhar atento dos profissionais que estão relacionados ao paciente é capaz de 
minimizar as chances de aparecimento de complicações, bem como contê-las 
antes mesmo de impactar negativamente na sua evolução. 
 
E, reforçando a abordagem feita no início dessa aula, o paciente deve estar 
amparado por uma equipe multidisciplinar; assim, não se deve considerar 
médico e enfermeiro como únicos responsáveis pelo sucesso ou insucesso da 
terapia, muitos outros profissionais estão envolvidos, ainda que indiretamente. 
Dessa forma, o auditor em sistemas de saúde deve ter essa visão ampla, 
abrangente, multidisciplinar. 
 
Atividade proposta 
Com base na aula e em seus conhecimentos prévios redija um parágrafo 
dissertativo de até 10 linhas, no qual você evidencie a pertinência da nutrição 
de alta complexidade no sistema de saúde, bem como da auditoria em nutrição 
na auditoria em serviços de saúde. 
 
Chave de resposta: Espera-se que o aluno utilize as informações trabalhadas 
na aula para reforçar a necessidade e a importância tanto da nutrição de alta 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 75 
complexidade para os serviços de saúde, na medida que contribuem 
significativamente para mantença ou recuperação do indivíduo, bem como da 
pertinência da auditoria nessa área, uma vez que ela envolve custos 
significativos. 
 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre auditoria em serviços de saúde, leia o texto 
disponível em nossa biblioteca virtual. 
 
 
Referências 
BRASIL. ANVS – RES-RDC nº 63, de 05 de julho de 2000. Aprova regulamentos 
mínimos, exigidos para a terapia de nutrição enteral. DOU, 07/07/2000. 
BRASIL. Assistência de Média e Alta Complexidade no SUS. Brasília: 
CONASS, 2011. 223 p. [Coleção Para Entender a Gestão do SUS 2011, 4]. 
BRASIL. Lei Federal nº 8.080, de 19 de setembro de 1980. Dispõe sobre as 
condições de Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde. Brasília: Ministério 
da Saúde, 1980. 
BRASIL. PRT SNVS/MS – RES-RDC 272, de 8 de abril de 1998. Aprova o 
regimento técnico para fixar os requisitos regulamentos mínimos, exigidos para 
terapia de nutrição parenteral e enteral. DOU, 23/04/1998. 
IBRANUTRI. O Inquérito Brasileiro da Avaliação Nutricional. Sociedade 
Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, 2001. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Leia os fragmentos abaixo para responder às questões de 1 a 3. 
A organização e prestação de assistência no SUS, ao longo dos anos, 
estabeleceu que as ações e procedimentos se dispusessem em dois blocos, 
sendo um relativo à atenção primária, e o outro que contempla as ações de 
média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar. Dessa forma, foram 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 76 
definidos sistemas de informação, de pagamento, e de controle, avaliação e 
regulação. 
As ações e procedimentos considerados de média e alta complexidade 
ambulatorial e hospitalar se constituem para os gestores em um importante 
elenco de responsabilidades, serviços e procedimentos relevantes para a 
garantia da resolutividade e integralidade da assistência ao cidadão. Além disso, 
esse componente consome em torno de 40 % dos recursos da União alocados 
no Orçamento da Saúde. 
Os gestores estaduais têm se defrontado no seu cotidiano com o dilema da 
garantia do acesso, da qualidade e resolutividade por meio de conformação de 
redes de atenção à saúde, de forma equânime e integral, dentro do quadro de 
insuficiência financeira. (BRASIL. 2011, 223 p.) 
“A alta complexidade é o conjunto de procedimentos que, no contexto do SUS, 
envolve alta tecnologia e alto custo, objetivando propiciar à população acesso a 
serviços qualificados integrando-os aos demais níveis de atenção à saúde 
(atenção básica e de média complexidade). As principais áreas que compõem a 
alta complexidade do SUS são: assistência ao paciente portador de doença 
renal crônica (por meio dos procedimentos de diálise); assistência ao paciente 
oncológico; cirurgia cardiovascular; cirurgia vascular; cirurgia cardiovascular 
pediátrica; procedimentos da cardiologia intervencionista; procedimentos 
endovasculares extracardíacos; laboratório de eletrofisiologia; assistência em 
traumato-ortopedia; procedimentos de neurocirurgia; assistência em otologia; 
cirurgia de implante coclear; cirurgia das vias aéreas superiores e da região 
cervical; cirurgia da calota craniana, da face e do sistema estomatognático; 
procedimentos em fissuras labiopalatais; reabilitação protética e funcional das 
doenças da calota craniana, da face e do sistema estomatognático; 
procedimentos para a avaliação e tratamento dos transtornos respiratórios do 
sono; assistência aos pacientes portadores de queimaduras; assistência aos 
pacientes portadores de obesidade (cirurgia bariátrica); cirurgia reprodutiva; 
genética clínica; terapia nutricional; distrofia muscular progressiva; osteogênese 
imperfeita; fibrose cística e reprodução assistida.” (BRASIL. 1980) 
Assinale a alternativa correta sobre os fragmentos acima. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 77 
a) A alta complexidade só existe no âmbito público do SUS e é evidenciada 
por envolver custos significativos para os cofres públicos. 
b) A alta complexidade caracterizada, no texto, no contexto público, 
ofertada também pelo serviço privado, impacta na geração de altos 
custos de procedimentos e serviços. 
c) A alta complexidade é a porta de entrada para pacientes que procuram o 
serviço de saúde público. 
d) Diversas são as áreas consideradas de alta complexidade, e o paciente 
escolhe em qual delas vai ser atendido. 
e) Todas as alternativas estão incorretas. 
 
Questão 2 
Ainda de acordo com o texto que você leu na questão anterior, pode-se inferir 
do texto que: 
I – Atingir o serviço de alta complexidade é consequência de quadros mais 
severos que não foram solucionados na atenção primária. 
II – O serviço de alta complexidade compromete parcela significativa dos 
recursos, ainda que atenda fração relativamente pequena da população. 
III – A maior parte da população é atendida pela atenção básica, ainda assim, é 
preciso haver investimentos significativos na alta complexidade. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Todas as afirmativas estão corretas. 
b) Apenas a afirmativa II está correta. 
c) As afirmativas I e II estão corretas. 
d) As afirmativas II e III estão corretas. 
e) Todas as alternativas estão erradas. 
 
Questão 3 
Ainda com base nos fragmentos visto na questão 1, analise as afirmações a 
seguir. 
I – É necessário que haja acompanhamento dos custos relativos à prestação de 
serviços de pequena, média e alta complexidade. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 78 
II – Essa necessidade justifica a presença da área de auditoria em serviços de 
saúde e do Sistema Nacional de Auditoria (SNA), órgão fiscalizador no âmbito 
do SUS. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a consequência da 
primeira. 
b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da 
segunda. 
c) Ambas as alternativas estão erradas. 
d) Apenas a primeira alternativa está correta. 
e) Apenas a segunda alternativa está correta. 
 
Questão 4 
A subdivisões nas esferas de atenção primária, média e alta complexidade 
funcionam como caminhos a seguir pelo paciente. A esse respeito assinale a 
incorreta. 
a) Ao buscar o serviço de saúde deve dirigir-se à atenção primária. 
b) O setor primário, quando não consegue atender às necessidades do 
paciente, encaminha-o para atendimento de média e alta complexidade. 
c) Quanto mais se avança em graus de complexidade, maiores são os 
custos por paciente. 
d) Em todas as áreas de atuação, faz-se necessário primar pela atenção 
multidisciplinar.e) A maior parte da população atinge a esfera de atenção secundária, que 
envolve a média e a alta complexidade, o que está relacionado com os 
altos custos envolvidos. 
 
Questão 5 
Todas as informações abaixo reforçam a necessidade da preocupação com a 
nutrição dos pacientes, exceto: 
a) Doentes desnutridos permanecem o dobro do tempo internados, se 
comparado com o número de enfermos não desnutrido. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 79 
b) A frequência da desnutrição aumenta progressivamente com o aumento 
do tempo de internação hospitalar. 
c) Pacientes previamente nutridos apresentaram um índice de infecções 
inferiores com custo diminuído para o serviço. 
d) Pacientes que receberam apenas hidratação intravenosa têm número 
reduzido de complicações. 
e) A desnutrição compromete significativamente o quadro do paciente, pois 
leva à perda de massa magra, que conduz a mais complicações, eleva o 
risco de infecção, diminui a cicatrização e aumenta o risco de 
mortalidade. 
 
Questão 6 
Analise as afirmativas a seguir. 
I – Espera-se que o serviço de nutrição contribua diretamente para os 
resultados da assistência prestada aos pacientes. 
Para isso... 
II – É essencial que a idade, o quadro clínico, o perfil nutricional e a patologia 
de base do paciente sejam observados por uma equipe multidisciplinar. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a condição para a 
plena realização da primeira. 
b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da 
segunda. 
c) Ambas as alternativas estão erradas. 
d) Apenas a primeira alternativa está correta. 
e) Apenas a segunda alternativa está correta. 
 
Questão 7 
A nutrição enteral propõe um menor comprometimento fisiológico quando 
relacionada à parenteral e pode ser realizada pela utilização de produtos 
industrializados ou com fórmulas artesanais. Isso indica que: 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 80 
a) A nutrição enteral é destinada a pacientes mais graves, pois compromete 
menos. 
b) A nutrição parenteral é a primeira escolha dentre as terapias nutricionais 
de alta complexidade. 
c) A nutrição parenteral é menos complexa, uma vez que pode utilizar, 
inclusive, fórmulas artesanais. 
d) A nutrição enteral é a primeira opção e destina-se a pacientes menos 
graves, e, na impossibilidade de utilizá-la, parte-se para a parenteral. 
e) Todas as afirmativas estão erradas. 
 
Questão 8 
Analise as afirmativas e marque o correto. 
I – O uso de produtos enterais é uma terapia para pacientes com, por exemplo, 
deficiência proteico-energética, imunocomprometidos, disfagia severa, estresse 
metabólico, doença ou idade avançada, entre outros, pois fornece um suporte 
nutricional a quem não tem condições de se alimentar por via oral (nutrientes 
indispensáveis a pacientes com alto catabolismo). 
II – A nutrição parenteral é uma via que serve para complementar ou substituir 
a alimentação via oral ou enteral. É uma alternativa para pacientes que não 
conseguem se alimentar utilizando o aparelho digestório, e por isso necessitam 
de outra opção para manter um adequado estado nutricional. 
III – A dieta enteral é uma solução ou emulsão composta basicamente de 
carboidratos, aminoácidos, lipídios e vitaminas, acondicionada em recipiente de 
vidro ou plástico e administrada por via intravenosa. 
a) Todas as alternativas estão corretas. 
b) Apenas a alternativa II está correta. 
c) As alternativas I e II estão corretas. 
d) As alternativas II e III estão corretas. 
e) Todas as alternativas estão erradas. 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 81 
Questão 9 
As unidades de assistência em terapia nutricional são unidades hospitalares que 
devem possuir condições técnicas, instalações físicas, equipamentos e recursos 
humanos adequados à prestação de assistência integral e especializada em 
nutrição enteral ou parenteral a pacientes em risco nutricional ou desnutridos. 
Dentre as funções dessas unidades, podemos citar: 
a) Triagem e avaliação nutricional. 
b) Indicação e acompanhamento nutricional. 
c) Dispensação e administração de fórmula nutricional. 
d) Manipulação e fabricação de fórmulas. 
e) Todas estão corretas. 
 
Questão 10 
Analise as afirmações a seguir e a relação entre elas 
I – Quaisquer que sejam as unidades ou centros de referência de alta 
complexidade devem às exigências das normas da Anvisa – Portaria nº 
272/1998, RDC nº 63/2000, RDC nº 50/2002, modificada pela RDC nº 
307/2002 e RDC nº 189/2003. 
Porque... 
II – Tais legislações regulamentam as ações descentralizadas do SUS no que 
diz respeito às atenções primária, de média e alta complexidade. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a explicação da 
primeira. 
b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da 
segunda. 
c) Ambas as alternativas estão erradas. 
d) Apenas a primeira alternativa está correta. 
e) Apenas a segunda alternativa está correta. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 82 
Aula 4 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - B 
Justificativa: Como o próprio nome diz, a alta complexidade gera também altos 
custos, tanto no serviço privado quanto no público, o que é descrito no texto. 
 
Questão 2 - A 
Justificativa: A partir da leitura dos fragmentos e de conhecimentos prévios 
básicos acerca do Sistema Único de Saúde, pode-se concluir que as afirmações 
estão corretas. 
 
Questão 3 - A 
Justificativa: O SNA e o papel do auditor em saúde estão diretamente 
relacionados aos altos custos dos serviços, em especial, à alta complexidade. 
 
Questão 4 - E 
Justificativa: A maior parte da população é atendida na atenção primária, 
porém, devido aos custos mais elevados nos serviços de média e alta 
complexidade, uma menor fração da população demanda mais investimentos. 
 
Questão 5 - D 
Justificativa: A hidratação intravenosa não se refere à nutrição de alta 
complexidade, mas sim à infusão de soro. 
 
Questão 6 - A 
Justificativa: A questão explora a necessidade de abordagem multidisciplinar da 
nutrição e evidencia que essa abordagem é condição para o bom atendimento 
do paciente. 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 83 
Questão 7 - D 
Justificativa: Por utilizar a digestão do próprio paciente, a nutrição enteral é 
destinada a pacientes menos complexos. Quando essa não pode ser instituída, 
ou seja, em casos em que o sistema digestório do paciente não esteja atuando 
plenamente, a nutrição parenteral deve ser instituída. 
 
Questão 8 - D 
Justificativa: Porque a alternativa III refere-se à nutrição ou dieta parenteral. 
 
Questão 9 - E 
Justificativa: Todas as afirmações evidenciam as funções das unidades de 
assistência em terapia nutricional. 
 
Questão 10 - D 
Justificativa: Apenas a primeira alternativa está correta: as legislações citadas 
relacionam-se à implementação dos serviços de nutrição de alta complexidade, 
não de descentralização e esferas de atenção do SUS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 84 
 
Introdução 
Vamos continuar a tratar da auditoria em nutrição? 
 
Nesta aula, caracterizaremos o atendimento domiciliar e sua evolução frente às 
alterações da sociedade; neste contexto, vamos inserir a necessidade de 
terapia nutricional. 
 
Outro ponto relevante para a nutrição de alta complexidade que será tratado 
são as vantagens e desvantagens da dieta enteral industrializada e artesanal. 
Comecemos! 
 
Objetivo: 
1. Caracterizar o atendimento domiciliar e a necessidade de terapia nutricional; 
2. Discutir as vantagens e desvantagens da dieta enteral industrializada e 
artesanal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 85 
ConteúdoAtendimento domiciliar 
A atenção domiciliar, tendência na prestação de serviços para pacientes 
crônicos, teve sua regulamentação no século passado; porém, na Portaria nº 
963, de maio de 2013, o Ministério da Saúde redefine o modelo prévio existente 
com vistas a facilitar o acesso dos pacientes. 
 
O atendimento domiciliar ficou, então, caracterizado por procedimentos 
especializados realizados em domicílio que requeiram obrigatoriamente a 
presença de profissional de saúde de nível técnico ou superior para sua 
execução. 
 
Trata-se de uma nova modalidade de atenção à saúde, substitutiva ou 
complementar às já existentes, caracterizada por um conjunto de ações de 
promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação prestadas 
em domicílio, com garantia de continuidade de cuidados e integrada às redes 
de atenção à saúde. 
 
O serviço deve ser encarado como substitutivo ou complementar à internação 
hospitalar ou ao atendimento ambulatorial. É composto por equipes de 
profissionais de saúde multiprofissionais e pelo cuidador, visto como uma 
pessoa com ou sem vínculo familiar com o usuário, capacitada para auxiliá-lo 
em suas necessidades e atividades da vida cotidiana. 
 
A atenção domiciliar tem como objetivo a reorganização do processo de 
trabalho das equipes que prestam cuidado domiciliar na atenção básica, 
ambulatorial, nos serviços de urgência, emergência e hospitalar, com vistas à 
redução da demanda por atendimento hospitalar e/ou diminuição do período de 
permanência de usuários internados, à humanização da atenção, 
desinstitucionalização e ampliação da autonomia dos usuários. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 86 
Em outras palavras, garantir atendimento especializado multidisciplinar, de 
maneira mais cômoda a pacientes e familiares, de custo reduzido. Significa 
permitir que o paciente receba os cuidados médicos na sua residência. 
 
A decisão pelo atendimento domiciliar 
Contribuem para a escolha dessa modalidade de atenção a cronicidade do 
paciente, a dificuldade de transporte aos serviços de saúde e a análise da 
relação custo-benefício para o paciente e seus familiares. 
 
Podemos dizer que o paciente, em ambiente familiar, sente-se mais amparado, 
e o fator psicológico muito contribui para sua recuperação ou, ainda, para 
diminuição das complicações e/ou intercorrências. 
 
A decisão pelo atendimento domiciliar deve ser tomada pelo médico, que avalia 
toda a clínica, condições, expectativas, demanda e situação dos familiares do 
paciente. As visitas são feitas conforme prescrição médica por uma equipe 
especializada, formada por enfermeiros, técnicos em enfermagem e 
fisioterapeutas. Porém, antes de desospitalizar o paciente, é preciso preparar o 
domicílio com uma estrutura específica para cada tipo de tratamento frente às 
necessidades do paciente. 
 
O cuidador, a pessoa que acompanhará o paciente e prestará auxílio em todas 
as situações, deve ser, a exemplo do ambiente, também preparado. Seja 
familiar ou não, leigo ou profissional de saúde, deve receber orientações e até 
treinamento específico para atender às demandas do paciente. 
 
Os membros da equipe multidisciplinar (em que se incluem também psicólogos, 
nutricionistas, fonoaudiólogos, assistente social, etc.) farão visitas regulares 
para orientar e avaliar o tratamento; porém, o dia a dia fica a cargo do 
cuidador, havendo, portanto, a necessidade de treinamento e suporte. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 87 
No que se refere à nutrição, o aparato de equipamentos para tal é específico, e 
o manuseio deste e de outros caberá ao cuidador. Este deve, diariamente, ser 
orientado a observar grau de hidratação do paciente, sinais clínicos de 
distúrbios hidroeletrolíticos, ocorrência de edema, alterações do nível de 
consciência, curva térmica, número de evacuações e propedêutica abdominal. 
 
Além dessas observações, exames devem ser executados semanalmente com 
vistas à averiguação do quadro nutricional do paciente e prevenção de 
complicações. Estando o paciente estável, tendo atingido o aporte calórico-
proteico desejado, com exames mantendo a normalidade por duas ou três 
semanas, estes podem ser espaçados para 15 dias. Essa situação é a mais 
frequente quando o paciente está em assistência domiciliar. 
 
Terapia nutricional 
Como vimos, caro aluno, possui a indicação para terapia nutricional de alta 
complexidade o paciente que esteja impossibilitado de ingestão oral, seja por 
patologias do trato gastrointestinal alto, por intubação oro-traqueal, por 
distúrbios neurológicos com comprometimento do nível de consciência ou dos 
movimentos mastigatórios. É indicado também nos casos em que o paciente 
vem com ingestão oral baixa, por anorexia de diversas etiologias. 
 
Vale lembrar, também, que a administração de dieta por sonda nasoenteral não 
contraindica a alimentação oral, se esta não implicar em riscos para o paciente. 
 
Caberá ao profissional nutricionista avaliar as necessidades proteico-calóricas 
do paciente de maneira individualizada. A aplicação de protocolos clássicos 
pode subestimar características específicas do paciente. O cuidador deve ser 
orientado quanto a horário, quantidades, forma e cuidados necessários para 
administração da dieta, bem como em relação aos procedimentos em casos de 
complicações, como vômitos, por exemplo. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 88 
Além disso, a avaliação clínica diária e o controle laboratorial periódico devem 
ser adequadamente registrados para supervisão do profissional responsável. A 
escolha da terapia nutricional, se enteral ou parenteral, deverá atender à 
prescrição médica, mas, independentemente disso, as adequações e 
consequências desta e a análise das intercorrências e do perfil nutricional do 
paciente são de responsabilidade multidisciplinar. 
 
Os serviços de saúde públicos e privados já se adequaram à necessidade de 
atendimento domiciliar, e caberá ao auditor dessa área, no caso, você, caro 
aluno, ter domínio dessas especificidades para pleno exercício da função de 
análise situacional. E, como vimos na aula anterior, nem sempre o auditor será 
um profissional graduado em nutrição, mas isso não pode impedi-lo de atuar 
adequadamente. 
 
Nutrição enteral 
Como já vimos, é papel da equipe multidisciplinar de saúde estudar o caso do 
paciente, seus dados e condições clínicas, e prescrever, em caso de déficit 
nutricional, o tipo de dieta a ser ofertada. 
 
Pacientes que não se alimentam por via oral, mas que possuem digestão e 
absorção intestinal preservada, normalmente são os elegíveis para utilizar a 
nutrição enteral. A preferência é sempre nutrir o paciente pela via oral, mas, 
quando isso não é possível, a nutrição é feita através de sondas. 
 
Assim, a nutrição enteral é aquela que não utiliza a via oral normal para a 
entrada dos alimentos. Esta se faz por meio de sondas introduzidas diretamente 
no estômago (gástricas) ou no intestino (entéricas) do paciente. 
 
Tipos de sondas 
Os pacientes que recebem dieta por sonda ficam temporária ou 
permanentemente impedidos de receber alimentação por via oral, mas seu 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 89 
trato gastrointestinal deve estar em condições de realizar o mecanismo de 
digestão. Conheça os tipos de sondas: 
 
Nasogástrica 
 
Quando a sonda penetra pelo nariz e vai ao estômago. 
 
Orogástrica 
 
Quando a sonda é introduzida pela boca. 
 
Sonda intestinal direta 
 
Quando a sonda é introduzida através de orifício no abdômen e atinge o 
estômago ou intestino (gastrotomia ou jejunostomia). 
 
Sonda intestinal longa 
 
Quando a sonda penetra pelo nariz, passa por esôfago e estômago para atingir 
o intestino. Ela também é chamada de nasoentérica. 
 
É importante lembrar que as sondas para alimentação são diferentes das 
sondaspara excreção. 
 
Dieta enteral industrializada e artesanal 
Em ambiente hospitalar, a dieta enteral de origem industrializada é, sem 
dúvida, a mais utilizada, pois demanda quantidades significativas e, para 
produção própria, dependeria de pessoal específico para a função dentro das 
exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). 
 
Um estudo realizado em instituições hospitalares de Campinas indicou que há 
maior prevalência no uso de fórmulas artesanais (obtidas a partir de alimentos 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 90 
específicos) para pacientes tratados em domicílio, e de industrializadas para 
pacientes internados. Outro estudo nacional estimou que 50% dos hospitais 
brasileiros não trabalham com dietas industrializadas e, possivelmente, outros 
20% as adquiram em casos selecionados, não fazendo parte da rotina do 
hospital. 
 
O atendimento domiciliar, que, como vimos, tem sido uma opção cada vez mais 
frequente para o paciente crônico, pode valer-se das duas possiblidades de 
dieta enteral (industrializada e artesanal), elegíveis de acordo com a análise do 
grupo e do ambiente familiar feita pela equipe multiprofissional. Vamos 
conhecer cada tipo de dieta enteral? Acompanhe: 
 
A dieta enteral industrializada é aquela preparada industrialmente e apresenta-
se sob três formas: em pó para constituição; líquidas, semiprontas para uso; e 
prontas para uso. Elas são práticas, nutricionalmente completas e oferecem 
maior segurança quanto ao controle microbiológico e composição 
centesimal. Entretanto, são de alto custo e, especialmente quando 
administradas por longo período, encarecem o tratamento, levando muitos 
pacientes a utilizar fórmulas caseiras. 
 
A dieta enteral artesanal, caseira ou não industrializada, é aquela preparada à 
base de alimentos in natura, como leite, ovos, açúcar, carnes e hortaliças, 
podendo ser adicionada, ou não, de módulos de nutrientes (maltodextrina, 
albumina, vitaminas e minerais, por exemplo). Enquanto a dieta enteral 
industrializada é completa sob o ponto de vista nutricional, o cálculo das dietas 
artesanais é limitado e não oferece total segurança, já que, na maioria das 
vezes, é obtido a partir das tabelas de composição nutricional dos alimentos 
utilizados. 
 
Na dieta enteral artesanal, a forma como os alimentos são empregados, e 
procedimentos e técnicas adotados (tempo de cozimento, trituração e 
peneiração), causam perdas de nutrientes. Como, no Brasil, não há tabela de 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 91 
composição de alimentos que ofereça dados precisos e completos, a 
necessidade de suplementação desses elementos deve ser considerada para 
adequação das necessidades diárias individuais. Como uma de suas vantagens 
em relação à composição nutricional e volume, podemos destacar o seu baixo 
custo e a possibilidade de individualização da dieta. 
 
Ao contrário das dietas enterais industrializadas, a avaliação de osmolalidade e 
viscosidade de fórmulas artesanais raramente é realizada por seu alto custo 
e/ou não disponibilidade de equipamentos, embora sejam parâmetros 
importantes para a administração da dieta. 
 
Você sabe o que é osmolalidade? 
 
A osmolalidade, que corresponde à concentração de partículas osmoticamente 
ativas na solução, é de fundamental importância na aceitação fisiológica pelos 
indivíduos submetidos à nutrição enteral, além de estar relacionada com a via e 
o tipo de administração da dieta. O posicionamento gástrico de uma sonda 
oferece maior flexibilidade em relação à osmolalidade e o método de infusão da 
fórmula, podendo-se utilizar fórmulas isoosmolares até hiperosmolares. Já no 
posicionamento pós-pilórico, ou seja, no duodeno ou intestino delgado, as 
dietas devem ser isoosmolares ou levemente hiperosmolares. 
 
Osmolalidade e viscosidade 
E viscosidade? Você sabe o que é? 
 
A viscosidade é a medida da resistência ao movimento de um fluido e influencia 
na velocidade de aplicação das dietas enterais. Os nutrientes relacionados com 
a viscosidade da dieta são, principalmente, carboidratos e fibras; ou seja, 
quanto maior ou menor a quantidade desses nutrientes, a dieta será mais ou 
menos viscosa. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 92 
Em suma, ainda que a família seja a responsável (por questões de ordem 
econômica, principalmente) pela produção da dieta artesanal, há necessidade 
de orientações, treinamento e suporte contínuo para tal. 
 
Atividade proposta 
Analise a série de cuidados listados a seguir em relação à nutrição de alta 
complexidade e comente sobre a pertinência de cada um. 
I – Observar sempre se a dieta atende ao que foi prescrito, se está no volume e 
horário corretos. 
II – Observar se, aparentemente, não possui nenhuma irregularidade quanto à 
consistência e coloração. 
III – Elevar a cabeceira do leito antes, durante e após a administração da dieta. 
 
Chave de resposta: Espera-se que o aluno mencione em I que é preciso 
certificar-se desses dados por segurança; II para que não haja déficits do 
produto, que é perecível; III – Para otimizar a digestão, esvaziamento gástrico 
e peristaltismo. 
 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre atenção domiciliar, leia o texto disponível em 
nossa biblioteca virtual. 
 
 
Referências 
ARAÚJO, E. M.; MENEZES, H. C. Formulações com alimentos convencionais 
para nutrição enteral ou oral. Ciênc. Tecnol. Aliment., 2006, v. 26, n. 3, p. 
533-538. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cta/v26n3/31752.pdf. Acesso 
em: 02 fev. 2015. 
BEGHETTO M. G.; MANNA B.; CANDAL A.; MELLO E. D.; POLANCZYK C. A. 
Triagem nutricional em adultos hospitalizados. Revista de Nutrição, 2008, v. 21, 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 93 
n. 5, p. 589-601. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415-
52732008000500011&script=sci_arttext. 
REZENDE I. F. B.; OLIVEIRA V. S.; KUWANO E. A.; LEITE A. P. B.; RIOS I.; 
DÓREA Y. S. S. et al. Prevalência da desnutrição hospitalar em pacientes 
internados em um hospital filantrópico em Salvador (BA), Brasil. R. Ci. Méd. 
Biol., 2004, v. 3, n. 2, p. 194-200. Disponível em: 
http://www.portalseer.ufba.br/index.php/cmbio/article/view/4425/3283. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
O serviço de atenção domiciliar é relativamente novo tanto nos serviços 
privados quanto nos públicos. Assinale a alternativa que não apresenta 
possíveis justificativas para o surgimento do atendimento domiciliar. 
a) O aumento da taxa de natalidade que impacta na redução do número de 
leitos de UTIs neonatais disponíveis. 
b) O aumento da expectativa de vida, que fez com tenhamos mais 
pacientes crônicos. 
c) A necessidade de se ter leitos e serviços disponíveis para grande número 
de pacientes. 
d) A intenção de facilitar o acesso ao acompanhamento multiprofissional de 
um número cada vez maior de pacientes, de maneira descentralizada. 
e) A questão da redução de custos com serviços de saúde, uma vez que 
deslocar profissionais é mais compensatório que manter paciente interno 
em serviço. 
 
Questão 2 
Leia as afirmações a seguir: 
I – O surgimento da atenção domiciliar vem de encontro à tendência de 
descentralização dos serviços de saúde, com ajustes para atendimento eletivo; 
porque 
II – busca desafogar a demanda por atendimento sem, no entanto, deixar de 
atender aos pacientes que necessitam de cuidados. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 94 
Agora, assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a condição para 
plena realização da primeira. 
b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da 
segunda. 
c) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a explicação para a 
primeira. 
d) Apenas a primeira alternativa está correta. 
e) Apenas a segunda alternativa está correta.Questão 3 
Muitas vezes as famílias, por dificuldades financeiras, concentram o papel de 
cuidador em um único ente, que, muitas vezes ainda acumula tarefas externas 
ao domicílio. Tal conduta deve ser analisada com critérios, por evidenciar alto 
risco de falência do cuidador, ou ainda necessidade de tratamento também 
deste. 
Agora asssinale a alternativa que melhor caractgeriza as consequências da 
prática acima citada: 
a) O cuidador não sabe desempenhar seu papel. 
b) O paciente é submetido aos ccuidados de leigos. 
c) A família não dispões de recursos necessários à contratação de outro 
profissional. 
d) O cuidador também precisa de cuidados, ou seja há necessidade do 
cuidado para com o cuidador. 
e) O cuidador deve ser um profissional da saúde. 
 
Questão 4 
Todos os acontecimentos relatados abaixo evidenciam a evolução dos cuidados 
em saúde com tendência ao atendimento domiciliar, exceto: 
a) O advento da medicina científica no século XIX, que deu início ao 
processo de transformação do sujeito em paciente, e o hospital como o 
local que contribuía para a neutralização das doenças. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 95 
b) Um dos destinos da manifestação do sofrimento, a partir do século XIX, 
foram as casas, espaços de consolidação da identidade de doente. 
c) Uma vez internado, não havia dúvidas de sua condição de doente, 
mesmo quando não se tinha ainda diagnóstico. 
d) A família perdeu a autoridade sobre a maneira de cuidar do seu ente, 
que seria isolado em hospital e “olhado cientificamente” por médicos. 
e) Com a crise do modelo médico no século XX e de novas necessidades 
decorrentes do envelhecimento populacional, surgiram demandas por 
melhor qualidade da atenção; daí, os domicílios. 
 
Questão 5 
Todas os desafios abaixo estarão inseridos nas relações de atenção domiciliar, 
exceto: 
a) Desafio de construir equipe com um trabalho efetivamente orientado e 
mobilizado pelas necessidades de saúde não somente do usuário, mas 
do coletivo familiar em questão. 
b) Desafio de superar a fragmentação do sistema de saúde. 
c) Desafio de centralizar as ações de atendimento domiciliar em um médico 
competente que possa responder por todas as áreas. 
d) Desafio de produzir continuidade de atenção no interior de uma linha de 
cuidado individualizada. 
e) O desafio de vencer as dificuldades e adversidades do ambiente e 
garantir equilíbrio entre as tecnologias envolvidas no trabalho em saúde 
domiciliar. 
 
Questão 6 
Analise as afirmativas a seguir: 
I – Espera-se que o serviço de nutrição contribua diretamente para os 
resultados da assistência prestada aos pacientes, mesmo em caso de 
atendimento domiciliar; 
por isso, 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 96 
II – a família opta pela nutrição parenteral ou enteral e, ainda, pela 
industrializada ou artesanal de acordo com sua realidade econômica. 
Agora, assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a consequência da 
plena realização da primeira. 
b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da 
segunda. 
c) Ambas as alternativas estão erradas. 
d) Apenas a primeira alternativa está correta. 
e) Apenas a segunda alternativa está correta. 
 
Questão 7 
Dentre as opções de sonda de alimentação, temos, exceto: 
a) Orogástrica 
b) Nasogástrica 
c) Oroentérica 
d) Nasoentérica 
e) Gastrostomia 
 
Questão 8 
Leia as afirmativas e marque o correto: 
I - As sondas de acesso bucal e nasal são de colocação mais fácil e são 
normalmente utilizadas quando a situação for provisória e não houver 
impedimento nas vias de acesso. 
II - O paciente deve estar ciente da situação e colaborar para o bom 
posicionamento da sonda. 
III - As ostomias devem ser utilizadas quando o paciente permanecer por mais 
tempo sondado. 
a) Todas as afirmativas estão corretas. 
b) Apenas a afirmativa II está correta. 
c) As afirmativas I e II estão corretas. 
d) As afirmativas II e III estão corretas. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 97 
e) Todas as afirmativas estão erradas. 
 
Questão 9 
Leia as afirmativas e marque o correto: 
I - A sonda de terminação gástrica deve ser utilizada quando o paciente tem o 
trato gastrointestinal funcionante pelo menos a partir do estômago, sendo 
capaz de realizar o processo de digestão. 
II - A sonda de terminação entérica é utilizada quando o esôfago do paciente 
está ineficaz, sendo ele incapaz de conduzir o bolo alimentar. 
III - A dieta entérica deve ser cuidadosamente calculada para que não propicie 
a diarréia no paciente pela presença de partículas de difícil digestão ou 
hiperosmolares. 
a) Todas as afirmativas estão corretas. 
b) Apenas a afirmativa II está correta. 
c) As afirmativas I e II estão corretas. 
d) As afirmativas II e III estão corretas. 
e) Todas as afirmativas estão erradas. 
 
Questão 10 
Analise as alternativas abaixo quanto às reais atribuições de um enfermeiro no 
acompanhamento da nutrição de alta complexidade e marque a opção correta. 
a) Orientar o paciente, a família ou o responsável legal quanto à utilização e 
ao controle da nutrição enteral. 
b) Prescrever os cuidados de enfermagem na terapia de nutrição enteral, 
em nível hospitalar, ambulatorial e domiciliar. 
c) Realizar ou assegurar a colocação da sonda oro/nasogástrica, bem como 
a sua manutenção. 
d) Avaliar e assegurar a administração da dieta, observando as informações 
contidas no rótulo e confrontando-as com a prescrição médica. 
e) Todas estão corretas. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 98 
Aula 5 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - A 
Justificativa: A fração da população mais atendida pelo atendimento domiciliar é 
o idoso, por se tratar, muitas vezes, de pacientes crônicos. Não há relação 
direta entre atenção domiciliar e UTI neonatal. 
 
Questão 2 - C 
Justificativa: Um dos fatores que explicam a tendência é a necessidade de 
reduzir a demanda em hospitais e centros de saúde. 
 
Questão 3 - D 
Justificativa: A sobrecarga de trabalho, funções e da responsabilidade para com 
o doente pode causar danos à saúde do cuidador. 
 
Questão 4 - B 
Justificativa: A tendência, na época, era a hospitalização. 
 
Questão 5 - C 
Justificativa: A caracterização do atendimento domiciliar é multiprofissional; 
portanto, diversos profissionais de saúde devem estar envolvidos, cada qual em 
sua especialidade. 
 
Questão 6 - D 
Justificativa: Ainda que se considerem as condições socioeconômicas da família 
do paciente, a opção pelo tipo de nutrição, bem como pela enteral 
industrializada ou artesanal, é da equipe multiprofissional. 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 99 
Questão 7 - C 
Justificativa: Não existe a sonda da boca ao intestino; sonda longa, somente do 
nariz ao intestino. 
 
Questão 8 - A 
Justificativa: As afirmativas refletem a realidade a ser considerada para o bom 
uso das sondas. 
 
Questão 9 - D 
Justificativa: Nas condições de esôfago ineficaz teríamos a indicação de sonda 
gástrica; a entérica é para estômago ineficaz. 
 
Questão 10 - E 
Justificativa: Todas são atribuições do profissional da enfermagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 100 
 
Introdução 
Estamos na parte final de nossa disciplina, falta-nos dois temas a serem 
estudados: a auditoria em enfermagem e em odontologia. 
 
Na aula de hoje, faremos uma introdução da auditoria em enfermagem com 
vistas a caracterizar a importância da auditoria em enfermagem para os 
serviços de saúde. 
 
Também trataremos dos aspectos legais dessa área que, mesmo sendo nova, já 
possui associações estaduais e nacionais no Brasil. 
Vamos começar? 
 
Objetivo: 
1. Perceber a importância da auditoria para a enfermagem; 
2. Ter ciência das regulamentaçõesvigentes da auditoria de enfermagem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 101 
Conteúdo 
Gerenciamento do relacionamento com o cliente 
Na atualidade, é crescente a existência de insatisfação com a prestação de 
serviços. Em quaisquer áreas, não raro se encontram consumidores reclamando 
de defeitos nos serviços prestados. 
 
Percebe-se através de noticiários veiculados em jornais, revistas e até mesmo 
por experiência própria que um grande número de pacientes está insatisfeito 
com os serviços oferecidos nos hospitais públicos, e também nos privados. 
 
Assim, considerando o significativo aumento da insatisfação dos clientes em 
relação à prestação dos serviços hospitalares e esses clientes, na atualidade, 
estarem mais convictos de seus direitos (são mais exigentes e “senhores” do 
seu poder de compra), muitos hospitais começaram a desenvolver o 
gerenciamento do relacionamento com o cliente, com a finalidade de propiciar a 
alta satisfação ao consumidor, tornando-o fiel e leal à organização. 
 
Auditoria da assistência de enfermagem 
A palavra auditoria vem sendo bem difundida e empregada no mercado de 
trabalho, e grandes empresas têm se preocupado em utilizá-la na prática, de 
forma contínua em suas organizações, a fim de garantir a qualidade dos 
serviços prestados a seus clientes, ainda que algumas instituições não ofereçam 
suporte e nem exijam a “perfeição” da qualidade dos serviços prestados, devido 
à suposta ideia de que seus produtos fornecidos já estão entre os melhores. 
 
A auditoria da assistência de enfermagem vem romper com esse paradoxo, 
deixar clara a importância do cliente e a necessidade de bem atendê-lo; vem no 
intuito de moldar as práticas para obter o máximo de satisfação e apreciação 
daqueles de que a instituição tanta necessita: os clientes. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 102 
Diante desses problemas, alguns hospitais preocupados com a qualidade estão 
utilizando a auditoria e contratando empresas credenciadas no intuito de 
padronizar todo atendimento prestado. 
 
Dessa forma, ou seja, considerando a realidade social, a auditoria é cada vez 
mais valorizada, pois, a partir dela, pode-se detectar defeitos na prestação dos 
serviços, corrigir as falhas e, consequentemente, obter a satisfação do cliente. 
 
Tipos de auditoria 
Muitos são os profissionais que podem compor as auditorias, é fato e já 
discutimos o assunto. Porém, devido à grande prevalência de profissionais 
enfermeiros em serviços de saúde, em detrimento de outros não tão 
numerosos, esse profissional já se faz presente, comumente, nas equipes de 
auditoria. 
 
Antes de qualquer coisa, vamos pensar um pouco sobre o que é auditoria de 
enfermagem. Sob o ponto de vista prático, de sua realização, ela pode ser 
realizada de dois tipos: retrospectiva (após a alta), operacional ou 
concorrente (durante internação) – interna ou externa, contínua ou 
periódica, total ou parcial. Por meio da auditoria avaliam-se itens 
indispensáveis no prontuário como: identificação do paciente, anamnese, 
exame físico, exames complementares com seus resultados, hipóteses 
diagnósticas, diagnóstico definitivo, tratamento efetuado. 
 
Só a partir dessa caracterização é possível perceber como é vasto o 
campo de atuação, que deve estar inserido num contexto de múltiplos 
profissionais, compondo um sistema de regulação da assistência à 
saúde. 
 
O enfermeiro auditor 
No que diz respeito ao enfermeiro auditor, é seu papel avaliar sistematicamente 
a documentação que compõe o prontuário médico, de onde se retiram as 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 103 
informações necessárias para avaliar a qualidade da assistência prestada ao 
paciente, ao mesmo tempo em que se buscam: minimizar desperdícios de 
materiais e medicamentos, a correta utilização de equipamentos e a otimização 
dos recursos humanos disponíveis. 
 
Não se pode pensar em auditoria de enfermagem somente do ponto de vista 
contábil ou numérico. Mais do que verificar a relação receita/despesa, a 
principal tarefa consiste em melhorar a qualidade da assistência prestada 
através da otimização dos recursos disponíveis. Deve-se lembrar sempre que os 
recursos, sejam eles de que natureza forem, públicos ou privados, são finitos. 
Não se pode mais compactuar com desperdícios de qualquer natureza. 
 
 
Atenção 
 Assim, nessa perspectiva ampla, todos os colaboradores da 
instituição, ou seja, desde a telefonista, porteiro e recepcionista, 
que têm o contato inicial com o paciente, e até a mais alta 
cúpula hierárquica, que nem sempre oferece assistência direta, 
devem saber que o que fazem afeta os clientes. 
 
Sistemática da qualidade 
A auditoria em enfermagem fundamenta-se na sistemática da qualidade da 
assistência, por profissionais que não estejam envolvidos diretamente na sua 
execução, para determinar se a assistência está sendo prestada de acordo com 
os padrões considerados aceitáveis. 
 
Não importa de que lado o profissional enfermeiro está: se de quem cobra ou 
de quem paga a conta. Ambos só têm a ganhar com o trabalho do enfermeiro 
auditor. Esse, por sua vez, deve manter-se atualizado, buscando conhecer a 
fundo as várias interfaces de uma fatura hospitalar. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 104 
Benefícios da auditoria 
Com a aplicação da auditoria na assistência de enfermagem, os benefícios 
atingem tanto os pacientes e clientes como também a equipe de enfermagem e 
a instituição. Sendo assim, os clientes são beneficiados com uma assistência de 
melhor qualidade, através dos serviços oferecidos com eficácia. A equipe de 
enfermagem, revendo as atividades desempenhadas e os resultados desejados, 
obtém subsídios que estimulam a reflexão profissional, possibilitando uma 
enfermagem científica. 
 
A instituição recebe uma contribuição significativa pelo fato de verificar o 
alcance dos seus objetivos, constituindo base para prováveis mudanças 
internas. 
 
Desde que a equipe de enfermagem se preocupe na produção de serviços 
(input e output), como prestá-los a cada indivíduo, oferecendo aquilo que 
realmente ele quer, satisfazendo as suas necessidades e desejos, poderá 
fidelizar, conservar, cativar e conquistar novos clientes. São importantes, 
destaca-se, feedback ativo e gerenciamento do relacionamento com o cliente, o 
que possibilita alcançar a sua alta satisfação e manutenção. 
 
Não se pode perder de vista que o conceito de qualidade total, tão difundido, 
almejado e frequente no mercado, é fundamental para criar valor e satisfazer o 
consumidor. 
 
Assim fica evidente a importância da utilização da auditoria como um dos 
métodos de avaliação da assistência de enfermagem para o alcance de uma 
melhor qualidade da assistência prestada, quer seja no modelo público ou 
privado. 
 
A auditoria consiste no método de avaliar e controlar a assistência a fim de 
alcançar uma melhor qualidade dos serviços de enfermagem frente à demanda 
de ofertar e garantir a satisfação do cliente. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 105 
Regulamentações vigentes da auditoria de enfermagem 
O enfermeiro auditor possui duas associações estaduais e uma associação 
nacional ativas no Brasil, são elas: 
 
SPEA (Paraná) 
 
Associação Paranaense de Enfermeiros Auditores que, desde 2000, representa 
a classe dos profissionais auditores no Estado, promove encontros científicos 
regulares e eventos de aperfeiçoamento profissional. 
 
ACEA (Ceará) 
 
Associação Cearense de Enfermeiros Auditores, fundada no ano de 2007, tem 
estimulado a regularização da função do Enfermeiro Auditor no Estado e 
também tem promovido eventos para o crescimento do profissional auditor. 
 
SOBEAS 
 
A Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde vem se firmando 
como representante nacional dos enfermeirosauditores. 
 
As atividades do enfermeiro auditor são regulamentadas através do Conselho 
Federal de Enfermagem (COFEN) e da SOBEAS, que emite pareceres e dá 
suporte aos profissionais dessa área. A lei do exercício profissional que regula o 
exercício da enfermagem é a de número 7.498, de 25 de junho de 1986, além 
do Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987. 
 
Segundo o Artigo 10º da lei do exercício profissional, o enfermeiro exerce todas 
as funções da enfermagem, cabendo-lhe a consultoria, a auditoria e a emissão 
de parecer sobre matéria de enfermagem. Mas a legislação também versa 
sobre os deveres a cumprir. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 106 
De acordo com o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, em seu 
Artigo 29, os profissionais devem manter segredo de fato sigiloso que tenha 
conhecimento em razão de sua atividade profissional, exceto nos casos 
previstos em lei. Tem-se também a Resolução nº 226, de 2001, do Conselho 
Federal de Enfermagem, que aprova as atividades do enfermeiro auditor, 
listadas, de acordo com essa fonte, em nove partes. 
 
Em suma, essa resolução que regulamenta e aprova as atividades do 
enfermeiro auditor diz que, por meio da auditoria em enfermagem, é possível 
analisar importantes aspectos da assistência, sejam implicados com a qualidade 
do procedimento desenvolvido, seu registro ou custos envolvidos. Na prática, o 
enfermeiro auditor busca compreender os gastos gerados pela assistência, nos 
padrões estabelecidos em contratos hospitalares. 
 
Para isso, é necessário analisar, principalmente, os protocolos de utilização de 
materiais descartáveis e medicamentos estabelecidos, além das prescrições 
médica e de enfermagem advindas da Sistematização da Assistência de 
Enfermagem (SAE) e os registros da evolução dos enfermos e aqueles 
realizados pela equipe multiprofissional. Dessa forma, é necessária uma leitura 
crítica de todos os documentos impressos que compõem o prontuário ou 
qualquer atendimento ambulatorial. 
 
Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) 
A SAE regula tempos, movimentos e materiais necessários para a prática dos 
cuidados e permite que o plano seja refeito, quando isso se fizer necessário. A 
auditoria em enfermagem, por sua vez, é a referência para a avaliação custo-
benefício, desafio que não pode ser esquecido, como um instrumento de 
controle da qualidade da assistência prestada. 
 
Como atividades complementares, a auditoria em enfermagem e a SAE 
consagram a excelência do atendimento em si melhorando o 
gerenciamento do cuidado. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 107 
Além disso, ao final, obtém-se uma contribuição na reorganização do 
processo de trabalho intra-hospitalar, na medida em que são apontados 
subsídios para a utilização dos resultados do relatório de auditoria em 
enfermagem na melhoria da qualidade da assistência prestada. 
 
Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde (SOBEAS) 
Ainda no que diz respeito à legalização da auditoria em enfermagem, vale 
conhecer um pouco mais sobre a Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores 
em Saúde, a SOBEAS. A SOBEAS foi fundada em 1º de dezembro de 1999 e 
reconhecida pelo conselho federal da categoria. É fundamentada nos princípios 
constitucionais brasileiros, sobre os quais versa o artigo 5º da Constituição da 
República Federativa do Brasil. 
 
Trata-se de uma sociedade civil sem fins lucrativos, de natureza científica e 
cultural. Tem por finalidades: 
 
• Congregar profissionais enfermeiros de todo território nacional interessados e 
envolvidos com auditoria em saúde; 
• Promover o desenvolvimento técnico-científico de seus associados; 
• Realizar o intercâmbio com entidades congêneres nacionais e internacionais, 
bem como com profissionais afins que exerçam atividades referentes ou 
inerentes à área de auditoria em saúde; 
• Fazer-se representar em eventos científicos culturais nacionais e 
internacionais. 
• Promover cursos, eventos, seminários, entre outros, visando ao 
desenvolvimento profissional da área; 
• Realizar estudos na área de auditoria e saúde, bem como estimular e 
promover a criação de cursos de especialização; 
• Prestar assessoria técnico-científica, didática e operacional aos prestadores de 
serviços na área de auditoria e saúde; 
• Realizar concurso de provas e títulos específico para a outorga de título de 
enfermeiro especialista auditor em saúde; 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 108 
• Baixar atos administrativos visando à uniformização das atividades exercidas 
pela entidade. 
 
Encerramento 
Como pôde ser observado, ainda que seja recente a auditoria como área de 
atuação, o profissional em enfermagem está devidamente amparado por 
legislação vigente, e a área caracteriza-se por possuir demanda crescente nos 
últimos anos. 
 
Atividade proposta 
Com base nas aulas vistas até hoje, reflita sobre o papel da legislação dos 
conselhos de categoria para a área de auditoria. 
 
Chave de resposta: Espera-se que você perceba que os conselhos têm o 
papel de regulamentar a atuação em auditoria, por se tratar de uma área 
relativamente nova, em crescimento e que demanda profissionais diversos. 
 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre os temas estudados, leia os textos disponíveis 
em nossa biblioteca virtual. 
 
 
Referências 
FELÍCIO, J. L. As famílias de pacientes com doenças crônicas e graves: 
funcionamentos mais característicos. O Mundo da Saúde, 27 (3), 2003, p. 426-
431. 
MARTINS, L. M.; FRANÇA, A. P. D.; KIMURA, M. Qualidade de vida de 
pessoas com doenças crônicas. Revista Latino Americana de Enfermagem, 
1996, 4 (3), p. 5-18. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 109 
MEDEIROS, M. M. C.; FERRAZ, M. B.; QUARESMA, M. R. Cuidadores: as 
“vítimas ocultas” das doenças crônicas. Revista Brasileira de Reumatologia, 38 
(4), 1998, p. 189-192. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Todas as afirmativas abaixo versam sobre a auditoria em enfermagem – 
assinale aquela que justifica sua pertinência. 
a) É de grande importância a realização da auditoria de enfermagem. 
b) A auditoria em enfermagem tem se tornado cada vez mais presente, não 
somente em hospitais de grande porte, mas também em hospitais de 
médio e pequeno porte. 
c) Trata-se de uma forma de avaliar sistematicamente a qualidade da 
assistência prestada através do prontuário do paciente. 
d) A auditoria de enfermagem tem sido uma ferramenta gerencial utilizada 
pelas instituições de saúde com objetivo de avaliação qualitativa 
relacionado à assistência e quantitativa relacionada aos custos dessa 
assistência. 
e) O início do processo de auditoria em enfermagem se dá através de ações 
diárias, como o registro em prontuário das informações acerca do quadro 
do paciente. 
 
Questão 2 
Leia: 
I – Nas organizações de saúde, a auditoria configura-se como uma importante 
ferramenta na transformação dos processos e trabalho que vem ocorrendo em 
hospitais e operadoras de planos de saúde. 
Com vistas à... 
II – Reestruturação para manter a qualidade do cuidado prestado e, ao mesmo 
tempo, a garantir uma posição competitiva no mercado de trabalho. 
Assinale o correto. 
a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a condição da I 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 110 
b) Ambas estão corretas, e a II evidencia o objetivo da I 
c) Apenas a I está correta 
d) Apenas a II está correta 
e) Ambas estão erradas 
 
Questão 3 
A auditoria em enfermagem pode ser definida como “a avaliação sistemática da 
qualidade da assistência de enfermagem, verificada através das anotações de 
enfermagem no prontuário do paciente e/ou das próprias condições deste”. 
Daí, é correto afirmar que: 
a) É primordial o reconhecimento externo dessa auditoria. 
b) O reconhecimento externo não configura avanço nenhum paraárea. 
c) A consciência dos profissionais que passam o dia a dia com o paciente é 
de suma importância para o adequado registro nos prontuários. 
d) Apenas os profissionais graduados têm essa formação. 
e) Todas estão erradas. 
 
Questão 4 
São finalidades da auditoria de enfermagem: 
a) Identificar áreas deficientes dos serviços de enfermagem. 
b) Fornecer dados concretos para que decisões sejam tomadas em relação 
ao remanejamento e ao aumento de pessoal. 
c) Possibilitar melhoria do cuidado de enfermagem. 
d) Reduzir custos e obter assistência de qualidade. 
e) Todas as opções anteriores. 
 
Questão 5 
O cuidar de indivíduos portadores de doenças crônicas pode gerar situações de 
estresse e trazer transtornos tanto para o cuidador como para o indivíduo 
doente e seus familiares. O trabalho de assumir os cuidados de pacientes 
dependentes tem sido referido pelos cuidadores familiares como uma tarefa 
exaustiva e estressante. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 111 
Todas as opções refletem o porquê dessa constatação, exceto: 
a) Por seu envolvimento afetivo com o familiar cuidado. 
b) Pela transformação de uma relação anterior de reciprocidade em uma 
relação de dependência. 
c) Pelo cuidador passar a ter restrições em relação à sua própria vida. 
d) Pela necessidade de educação em saúde. 
e) Pela sobrecarga de trabalho frente a total dependência. 
 
Questão 6 
Em praticamente todos os serviços de saúde da atualidade, quer seja público 
ou privado, existe a necessidade de reestruturar o serviço oferecido aos 
pacientes, porque: 
a) Fornece base de metas e garantia da qualidade da assistência prestada. 
b) Houve mudanças nas expectativas dos clientes. 
c) Houve mudanças no papel dos cuidadores. 
d) São constantes as inovações tecnológicas. 
e) Deve-se considerar as questões econômicas. 
 
Questão 7 
Dentre os prováveis acometimentos que podem envolver os cuidadores e estão 
relacionados à função do cuidar temos, exceto: 
a) Idade avançada 
b) Desgastes físicos 
c) Desgastes emocionais 
d) Problemas relacionados ao sistema osteomuscular 
e) Exacerbação de alguma doença de base por sobrecarga 
 
Questão 8 
Em relação à legislação, temos na Resolução nº 266/2001 do COFEN que o 
integrante da equipe de auditoria em saúde deve atuar na elaboração de 
medidas de prevenção e controle sistemático de danos que possam ser 
causados aos pacientes e na elaboração de programas e atividades da 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 112 
educação sanitária, os quais visem à melhoria da saúde do indivíduo, da família 
e da população em geral. 
Esse é um exemplo de: 
a) Vigilância sanitária 
b) Educação para a saúde 
c) Tratamento de doenças 
d) Atenção secundária 
e) Serviço de alta complexidade 
 
Questão 9 
Todas as determinações abaixo listadas, da Resolução nº 266/2001 do COFEN, 
têm em comum uma abordagem sob um ponto de vista voltado para as 
relações atitudinais e comportamentais pautadas na ética, exceto: 
a) O enfermeiro auditor, no exercício de sua função, deve fazê-lo com 
clareza, lisura, sempre fundamentado em princípios constitucional, legal, 
técnico e ético. 
b) O enfermeiro auditor, como educador, deverá participar da interação 
interdisciplinar e multiprofissional, contribuindo para o bom 
entendimento e desenvolvimento da auditoria de enfermagem e da 
auditoria em geral, contudo, sem delegar ou repassar o que é privativo 
do enfermeiro auditor. 
c) O enfermeiro auditor, quando integrante de equipe multiprofissional, 
deve preservar sua autonomia, liberdade de trabalho e sigilo profissional, 
bem como respeitar autonomia e liberdade de trabalho dos membros da 
equipe, salvo os casos previstos em lei que objetivem a garantia do bem-
estar do ser humano e a preservação da vida. 
d) O enfermeiro auditor, quando em sua função, deve sempre respeitar os 
princípios profissionais, legais e éticos no cumprimento com o seu dever. 
e) O enfermeiro auditor, em sua função, deverá identificar-se fazendo 
constar o número de registro no COREN sem, contudo, interferir nos 
registros do prontuário do paciente. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 113 
Questão 10 
Sobre a legislação de auditoria em saúde, de forma geral, pode-se afirmar que: 
a) Existe uma legislação específica que aborda as atuações 
multidisciplinares dos diversos profissionais, vez que a auditoria é assim 
desempenhada. 
b) É específica apenas para o profissional médico, posto que esse é o 
responsável pela auditoria. 
c) Cabe a cada conselho legislar acerca da regulamentação dos seus 
profissionais membros, respeitando, no entanto, as diretrizes da 
auditoria. 
d) Cabe ao Sistema Nacional de Auditoria (SNA) regulamentar a profissão 
de enfermeiro auditor. 
e) O CREFITO -4 já dispôs sobre as atribuições do enfermeiro auditor. 
 
Aula 6 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - D 
Justificativa: Embora as alternativas falem sobre a auditoria em enfermagem, o 
que justifica sua existência é a quarta afirmativa. 
 
Questão 2 - B 
Justificativa: Relação de finalidade expressa pelo conectivo “com vistas à”. 
 
Questão 3 - C 
Justificativa: É a partir do prontuário que se inicia todo o processo de auditoria 
em enfermagem; e, caso esse não esteja devidamente preenchido, haverá 
comprometimento da auditoria. 
 
Questão 4 - E 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 114 
Justificativa: Todas as afirmativas refletem as finalidades da auditoria em 
enfermagem. 
 
Questão 5 - D 
Justificativa: Embora a educação em saúde seja muito bem-vinda nesses casos 
para auxiliar os cuidados, sua necessidade não causa sobrecarga ao cuidador. 
 
Questão 6 - A 
Justificativa: A primeira alternativa evidencia consequência, não a causa da 
necessidade de reestruturação dos serviços prestados em saúde. 
 
Questão 7 - A 
Justificativa: A idade avançada pode ser uma característica de grande parte dos 
cuidadores, mas não se trata de um acometimento principalmente relacionado 
à função do cuidar. 
 
Questão 8 - B 
Justificativa: Tais tarefas caracterizam o componente de educação para a 
saúde. 
 
Questão 9 - E 
Justificativa: O último item caracteriza a atuação sob o ponto de vista técnico, 
não comportamental. 
 
Questão 10 - C 
Justificativa: A legislação é organizada pelos conselhos de categorias. 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 115 
 
Introdução 
Em continuação ao tema de auditoria em enfermagem, faremos esta aula. Para 
dar prosseguimentos aos assuntos abordados na introdução do assunto, 
veremos, a seguir, especificidades sobre a atuação da auditoria em 
enfermagem sob o ponto de vista prático, uma vez que o aparato legal fora 
analisado em momento anterior. 
 
Ainda, para compor a aula, trataremos da realidade do enfermeiro auditor no 
mercado de trabalho. Avante? 
 
Objetivo: 
1. Conhecer e analisar as atribuições do enfermeiro auditor; 
2. Caracterizar a função de auditoria em enfermagem no mercado de trabalho. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 116 
Conteúdo 
Enfermeiro auditor 
O auditor desempenha vários papéis dentro da organização que pretende a sua 
adequação e melhora do sistema de gestão. Entretanto, o profissional que 
atuará nesse processo precisa compreender sua responsabilidade. Para tanto, 
ressaltamos que cabe ao enfermeiro auditor: 
 
• Agir dentro dos princípios éticos e legais; 
• Conhecer e dominar o contrato firmado entre hospital e operadora dos planos 
de saúde; 
• Conhecer os aditivos contratuais; 
• Atualizar seus conhecimentos sobre temas médicos, que sofrem mudanças 
constantes devido ao desenvolvimento tecnológico; 
• Aprimorar seus conceitos sobre novos produtos, materiais e medicamentos 
lançados no mercado; 
• Ter embasamento e conhecimento para conversar e negociar. 
• Antesde expor seus conceitos, fundamentá-los com conteúdos baseados em 
evidências; 
• Conhecer todos os documentos que compõem o prontuário do paciente; 
• Ser claro e transparente no momento da análise das contas hospitalares; 
• Ter noção básica de auditoria; 
• Conhecer a instituição; 
• Possuir envolvimento pelo cuidado do paciente e capacidade de trabalhar em 
grupo. 
 
Atuação do auditor 
O enfermeiro auditor atua nas análises de contas hospitalares, qualidade de 
assistência de enfermagem e condições de estruturas básicas para prestação 
desta assistência; age também na emissão de parecer, detecção de vazamento 
de recursos econômicos na instituição, propositura de alternativas de solução 
(principalmente quando este é um auditor interno), e na educação por meio de 
interação multidisciplinar. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 117 
No caso de o enfermeiro auditor trabalhar nas instituições de saúde como 
auditor interno, deverá realizar a auditoria das seguintes áreas: contas 
hospitalares, qualidade assistencial, materiais, justificativas e recursos de glosas 
hospitalares; além disso, deverá participar da realização dos contratos de 
prestação de serviços, implantação de novos serviços (principalmente no que 
diz respeito à questão de custo-benefício) e elaboração de relatórios de 
auditoria. 
 
Auditoria 
A auditoria das contas hospitalares é a análise da compatibilização entre o que 
foi gasto com o paciente e o que está sendo cobrado, utilizando-se de tabelas 
específicas que contêm a rotinização de cobrança contratada com cada 
convênio. 
 
O enfermeiro auditor indica ao setor de faturamento itens que podem ser 
cobrados mediante o atendimento prestado. Através de sua visão técnica, 
possui conhecimento sobre materiais e medicamentos que foram utilizados no 
tratamento do paciente, fazendo com que ocorra uma cobrança justa e, 
também, com menos probabilidades de glosas. 
 
Auditoria da qualidade assistencial 
A auditoria da qualidade assistencial é feita pelo acompanhamento direto à 
equipe de enfermagem no desenvolvimento de suas técnicas e/ou pela análise 
do prontuário do paciente. Esta auditoria visa avaliar como estão sendo 
desenvolvidos os cuidados de enfermagem, além de concluir sobre o 
cumprimento de rotinas hospitalares e apontar necessidades de pessoal, como 
treinamento e/ou reciclagem. 
 
Auditoria de materiais 
Atuando na auditoria de materiais, o enfermeiro tem a capacidade de avaliar e 
detectar quais os tipos de materiais que são ineficientes na prestação do 
cuidado ao paciente e que, mesmo sendo considerados de baixo custo pelo 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 118 
setor de compras hospitalares, não satisfazem a necessidade, acarretando em 
uso duplicado e/ou atendimento inadequado ao paciente. 
 
Nessa auditoria, observa-se também, além da questão da qualidade do 
material, o ressarcimento que este material terá diante do convênio. Aplicam-se 
aqui as mudanças de rotinas internas, como uso de coberturas de curativos, 
entre outros que necessitam de uma avaliação quali-quantitativa. 
 
A realização de justificativas e recursos de glosas pelo enfermeiro auditor 
permite que a instituição não tenha perdas financeiras significativas nesse 
quesito, uma vez que o enfermeiro, ao realizar este acompanhamento e enviar 
recurso de glosa ao convênio, está concomitantemente analisando como estão 
sendo feitas as cobranças hospitalares, o que é uma retroalimentação do 
sistema. Por possuir o conhecimento técnico científico frente aos diversos 
tratamentos oferecidos aos pacientes, o enfermeiro tem propriedade para 
realizar um recurso de glosa eficiente. 
 
Auditoria de enfermagem interna 
Na participação de contratos de prestação de serviço, o enfermeiro auditor 
interno envolve-se na negociação de valores de materiais e medicamentos que 
serão ressarcidos ao prestador pela operadora de saúde, bem como na 
elaboração da tabela de diárias, taxas, equipamentos e gases hospitalares, 
proporcionando uma variedade de cobrança compatível com os itens que 
poderão ser utilizados na instituição pelo usuário. 
 
Uma auditoria de enfermagem interna atua também na implantação de novos 
serviços institucionais a partir da verificação dos indicadores internos e 
comparação com indicadores aceitos. Por exemplo, pode-se verificar o 
percentual de pacientes que, após a alta da unidade de terapia intensiva, vão 
para a unidade clínica e/ou cirúrgica e retornam à UTI; neste caso, em 
específico, podemos verificar a razão da volta do paciente à UTI, e um dos 
motivos poderá envolver o preparo da equipe de enfermagem em receber um 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 119 
paciente após a alta da UTI (entre outros relacionados a outros profissionais); 
pode-se sugerir, neste caso, a abertura de uma unidade intermediária ou a 
capacitação dos funcionários para o atendimento a esse tipo de paciente. 
 
O auditor nos planos de saúde 
A atividade de enfermeiro auditor também pode ser desenvolvida nos planos de 
saúde. Nesse caso, o auditor atua, principalmente: na participação do 
credenciamento da rede de atendimento, na análise de contas hospitalares, no 
ressarcimento aos prestadores de serviço, na realização de glosas hospitalares 
(quando houver a necessidade), na negociação de novas rotinas com o 
enfermeiro auditor hospitalar, na visitação do usuário do plano de saúde 
(quando ele estiver internado), na elaboração de grupos de saúde preventiva 
junto aos usuários do plano de saúde, e na elaboração de relatórios de 
auditoria. 
 
A rede de credenciamento diz respeito aos prestadores de serviços físicos e 
jurídicos que o plano de saúde deverá possuir. O enfermeiro auditor participa 
da visitação e vistoria do local a ser credenciado juntamente com os demais 
profissionais da equipe de auditoria, avaliando, principalmente, as condições 
dos cuidados de enfermagem a serem prestados aos usuários. No processo de 
credenciamento, também ocorrerá o contrato de prestação de serviço, no qual 
o enfermeiro do plano deve participar nas questões que envolvem valores e 
tabelas a serem utilizadas para ressarcimento de diárias, taxas, equipamentos e 
gasoterapia. 
 
Verificações a serem realizadas 
Após o atendimento do usuário no prestador de serviço (hospital, ambulatório 
ou clínicas), a instituição gera uma conta hospitalar, que é enviada ao plano de 
saúde. O auditor enfermeiro do plano de saúde realiza a análise da conta 
hospitalar, verificando a compatibilização entre os itens cobrados e contratados, 
e efetuando as glosas quando julgar necessário. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 120 
A comunicação entre o enfermeiro auditor interno e o enfermeiro auditor do 
plano de saúde é de suma importância, uma vez que proporciona a negociação 
frente à implantação de novas rotinas e mudança no uso de materiais, 
ocasionando, também, a qualidade da assistência prestada ao usuário. 
 
A visitação do paciente ocorre quando este estiver sendo atendido pela unidade 
prestadora de serviços; neste caso, o enfermeiro auditor realiza a visita com o 
intuito de verificar a satisfação do cliente frente ao atendimento da rede 
credenciada e realizar o acompanhamento e fechamento da conta hospitalar, 
diariamente, junto ao enfermeiro auditor do hospital. 
 
O trabalho com a prevenção de doenças e/ou agravos é realizado pelo 
enfermeiro auditor enquanto integrante da equipe do plano de saúde. Refere-se 
ao mapeamento e perfil dos usuários, bem como a inserção de medidas de 
promoção e prevenção, evitando internações e atendimentos hospitalares 
frequentes e proporcionando melhor qualidade de vida aos usuários. 
 
Relatórios de auditoria 
Os relatórios de auditoria são realizados tanto na atuação do enfermeiro auditor 
interno como no plano de saúde e constitui-se no resultado da auditoriarealizada. Estes relatórios servem de subsídios para adequação de rotinas e 
modificação de planos de trabalho, e contêm indicadores que representam a 
situação em forma de registro. 
 
Mas como se tornar um enfermeiro auditor? 
O enfermeiro auditor possui muita importância durante uma auditoria em um 
departamento de saúde. Suas atividades podem ser exercidas em hospitais 
particulares, públicos e, ainda, nas empresas que prestam serviço de plano de 
saúde. Esse profissional é designado por conhecer melhor as rotinas e 
necessidades de um hospital, o que um auditor sem especialização pode 
desconhecer. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 121 
Para se tornar um enfermeiro auditor, é necessário ter curso superior completo 
em enfermagem, além de uma especialização na área de auditoria. Esse curso 
de enfermeiro auditor direcionará o graduado para a área através dos 
conhecimentos fiscais e da legislação que se referem à auditoria. Esses 
conhecimentos são muito importantes, pois, através deles, são feitos os 
registros de prestações de contas, laudos e muitas outras informações do 
hospital em questão. 
 
Salário 
A média salarial desse profissional é de R$3 mil por mês. Entretanto, esse 
salário poderá variar em função da área de atuação do enfermeiro auditor, que 
pode ser: auditoria interna, prestação de contas, serviços terceirizados e 
auditoria de materiais. Essas áreas podem ter nomes diferentes de acordo com 
o tamanho do hospital. 
 
Perfil 
Esse cargo normalmente é ocupado por pessoas com algum tipo de experiência 
em auditoria; no entanto, há oportunidade para pessoas que estão começando 
agora, mas é fundamental ter algum tipo de experiência com as rotinas de um 
hospital. 
 
As possibilidades de atuação do profissional 
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, o brasileiro 
está vivendo mais; porém, questiona-se se a longevidade do brasileiro está 
associada à saúde. A partir daí, percebe-se a necessidade de acompanhamento 
por meio dos setores de medicina preventiva e gerenciamento de casos 
crônicos, ambos setores em que o enfermeiro possui importante e significativa 
atuação, com vistas a avaliar a qualidade do envelhecimento populacional. 
 
Sob esse aspecto, a área estará em constante crescimento, tendo em vista que 
o envelhecimento da população brasileira está em franco crescimento, e, 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 122 
segundo perspectivas do mesmo IBGE, o quadro tende a prosseguir dessa 
forma, pelo menos, até 2050. 
 
Para desempenhar adequadamente as ações de gerenciamento de casos 
crônicos e, por meio delas, acompanhar o padrão de saúde da população que 
está envelhecendo, é necessário saber a relação entre resultados e custos, nível 
de saúde e cuidados necessários para mantê-lo, e qualidade de vida frente ao 
tratamento. 
 
A América do Norte possui um dos maiores indicadores de gastos em saúde, 
mas a expectativa de vida norte-americana é menor que a da Austrália. Esses 
dados refletem a realidade de que, embora se gaste muito, está se gastando 
mal, uma vez que não se está impactando onde deveria. 
 
Já no Brasil, vivemos um constante regime de escassez de recursos na área da 
saúde. Possuímos reduzidos investimentos em saúde pública e, como 
consequência tanto do baixo investimento quanto da precariedade da 
remuneração e capacitação dos profissionais, uma baixa qualidade na prestação 
dos serviços. 
 
Estamos na era dos procedimentos minimamente invasivos, medicamentos para 
terapia personalizada, entre outras evoluções de tratamentos em saúde; o 
acesso às informações está cada vez maior para a população, tendo em vista a 
evolução dos meios de comunicação e a disponibilização gratuita e atualizada, 
através da Anvisa e do Ministério da Saúde, de informações sobre 
medicamentos, produtos para a saúde, avaliação de tecnologias, entre outros. 
 
Nesse contexto, cada vez mais se veem ampliadas as possibilidades de atuação 
do profissional auditor em enfermagem, pois possui domínio técnico para 
avaliar as condutas e procedimentos que estão em constante evolução frente às 
incorporações tecnológicas, bem como para treinar, atualizar e estimular a 
busca do conhecimento para garantir atendimento de qualidade. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 123 
Em que foi baseada essa pesquisa? 
Essa parte de pesquisa é feita considerando as informações baseadas em 
evidências científicas; ou seja, o setor de práticas baseadas em evidências 
incorpora práticas que realmente tenham surtido efeito positivo, comprovado 
por estudos clínicos. Essa área de pesquisa encontra-se, também, em ritmo de 
crescimento acelerado, e, nessa perspectiva, o enfermeiro auditor possui 
atuação extremamente valiosa, vez que possui habilidade no conhecimento dos 
produtos, indicações e melhor atuação, o que resulta na correta disponibilização 
das tecnologias que vêm surgindo. 
 
Encerramento 
Em suma, o mercado de trabalho para o profissional auditor em enfermagem 
encontra-se em situação favorável, considerando o envelhecimento 
populacional e a demanda por gerenciamento de cuidados com pacientes 
crônicos, além da crescente e constante renovação tecnológica e da 
incorporação de práticas baseadas em evidências científicas. 
 
Atividade proposta 
Nas auditorias, frequentemente são detectadas ausências de dados 
fundamentais para o esclarecimento das ações realizadas, bem como registros 
feitos de forma indevida. Grande parte do pagamento de materiais, 
medicamentos, procedimentos e outros serviços estão vinculados aos registros 
de enfermagem. Devido às anotações de enfermagem serem, em sua maioria, 
inconsistentes, ilegíveis e subjetivas, a prática de glosar itens do faturamento 
das contas hospitalares tem sido significativa para o orçamento das instituições. 
O que você entende por glosa? Redija uma definição para esse termo. 
 
Chave de resposta: Glosa significa cancelamento ou recusa, parcial ou total, 
de orçamento, conta e/ou verba por serem considerados ilegais ou indevidos; 
ou seja, refere-se aos itens que o auditor da operadora (plano de saúde) não 
considera cabível para pagamento. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 124 
 
Material complementar 
 
Para saber mais sobre a auditoria em enfermagem, leia os textos 
disponíveis em nossa biblioteca virtual. 
 
 
Referências 
MOTTA A. L. C.; LEAO E.; ZAGATTO JR. Auditoria Médica no Sistema 
Privado: abordagem prática para organizações de saúde. São Paulo: Iatria, 
2005. 
RIOLINO N. A.; KLIUKAS G. B. V. Relato de Experiência de Enfermagem 
no campo de Auditoria de Prontuário: uma ação inovadora. São Paulo: 
Nursing, 2003. 
SCARPARO A. F. Auditoria de Enfermagem: identificando sua concepção e 
métodos. (Dissertação). Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão 
Preto, Universidade de São Paulo, 2007. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
Um trabalho de atenção primária com vistas a não instalação de um quadro de 
doença ou agravo à condição de saúde é compreendido como atividade de: 
a) Prevenção e promoção 
b) Combate e educação 
c) Atenção terciária e secundária 
d) Profilaxia e prevenção 
e) Nenhuma das respostas 
 
Questão 2 
As equipes de auditoria devem ter composição multidisciplinar. Tal fato se 
justifica porque: 
a) Há exigência de atuação dos profissionais que têm domínio da área 
médica, que é a principal fonte de glosas. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 125 
b) São necessários profissionais com visão direta de uma área em específico 
a fim de conhecer a fundo determinadas funções. 
c) Os profissionais das diversas áreas garantem maior domínio dos 
procedimentos diversos a serem auditados. 
d) O enfermeiro é um profissional importante na equipe de auditoria, pois 
domina as especificidades também da área médica. 
e) Todas estão erradas.Questão 3 
A função da auditoria em enfermagem é: 
a) Por essência, controlar as despesas com pessoal. 
b) Controlar custos e garantir margem de lucro significante. 
c) Controlar compras e garantir serviços de qualidade. 
d) Otimizar os custos e garantir prestação de serviços adequada. 
e) Todas estão erradas. 
 
Questão 4 
Analise as frases abaixo: 
I – A auditoria de cuidados é uma avaliação sistemática da qualidade da 
assistência de enfermagem verificada através das anotações de enfermagem no 
prontuário do paciente e/ou das próprias condições deste; 
assim, 
II – os clientes são beneficiados com a possibilidade de receber uma assistência 
de melhor qualidade a partir de um serviço oferecido de maneira mais segura e 
eficaz. 
Agora, assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a condição da I 
b) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a consequência da I 
c) Apenas a I está correta 
d) Apenas a II está correta 
e) Ambas estão erradas 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 126 
Questão 5 
Analise as frases abaixo: 
I – A auditoria tem surgido como uma ferramenta importante para mensuração 
da qualidade (auditoria de cuidados) e custos (auditoria de custos) das 
instituições de saúde. 
II – O processo de auditoria é conceituado como uma avaliação sistemática e 
formal de uma atividade realizada por pessoas não envolvidas diretamente em 
sua execução a fim de se determinar se a atividade está de acordo com os 
objetivos propostos. 
Agora, assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as afirmativas estão corretas 
b) Ambas as afirmativas estão erradas 
c) Apenas a I está correta 
d) Apenas a II está correta 
e) Ambas estão parcialmente corretas 
 
Questão 6 
A equipe de enfermagem, a partir dos dados fornecidos pela auditoria, pode, 
com mais facilidade, avaliar aspectos positivos ou negativos da assistência que 
tem sido oferecida aos clientes; sendo assim, a auditoria não busca o 
responsável pela falha, mas, sim, questiona o porquê do resultado adverso. 
a) A afirmativa está correta, pois caracteriza o serviço de auditoria e sua 
finalidade. 
b) A afirmativa está correta, pois avalia o serviço de auditoria em 
enfermagem. 
c) A afirmativa está correta, pois apresenta as causas da auditoria em 
enfermagem. 
d) A afirmativa está errada, pois não apresenta relação com a verdade. 
e) A afirmativa está errada, pois sempre há uma busca pelo culpado. 
 
Questão 7 
No que diz respeito à auditoria de custos, leia: 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 127 
I – A auditoria de custos tem como finalidade conferir e controlar o faturamento 
enviado para os planos de saúde, verificar exames e procedimentos realizados, 
e efetuar visitas de rotina a pacientes internados, cruzando as informações 
recebidas com as que constam no prontuário do paciente. 
Também procura 
II – Investigar a propriedade dos gastos e processos de pagamentos, analisar 
estatísticas, indicadores hospitalares e específicos da organização, conferir os 
sistemas de faturamento das contas médicas e, ainda, elaborar processos de 
glosas contratuais e administrativas. 
Agora, assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é consequência da primeira 
b) Ambas as afirmativas estão erradas 
c) Apenas a I está correta 
d) Apenas a II está correta 
e) Ambas estão corretas, e a II adiciona informações à I 
 
Questão 8 
O prontuário do paciente a cada dia vem se firmando legalmente como 
ferramenta importante na avaliação da qualidade da assistência prestada aos 
clientes no hospital, fornecendo informações vitais para processos judiciais e 
convênios de saúde. 
Assim, assinale a alternativa incorreta. 
a) Os registros do prontuário do cliente são também utilizados para fins de 
faturamento/cobrança. 
b) Tais registros servem para auditoria interna ou externa. 
c) Possuem finalidade relacionada à obtenção de dados estatísticos sobre 
as atividades realizadas e para análise institucional. 
d) O prontuário é uma ferramenta importante apenas para a manutenção 
dos procedimentos operacionais tradicionais. 
e) O registro no prontuário deve ser efetuado com segurança e seriedade 
pelos profissionais da saúde. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 128 
Questão 9 
Leia: 
O registro de enfermagem, como fonte de informações, tem sido, às vezes, 
criticado sob a alegação de que são avaliados os registros, e não os cuidados 
de enfermagem. Entretanto, pode-se considerar óbvio que há correlação 
positiva entre os registros e a qualidade do cuidado. 
Agora, assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é oposta à I 
b) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é consequência da I 
c) Apenas a I está correta 
d) Apenas a II está correta 
e) Ambas estão erradas 
 
Questão 10 
Leia: 
I – Os cuidados de enfermagem podem ser avaliados através dos registros; 
logo, 
II – A avaliação dos registros, consequentemente, reflete a qualidade de 
enfermagem. 
Agora, assinale a alternativa correta. 
a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a condição da I 
b) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a conclusão da I 
c) Apenas a I está correta 
d) Apenas a II está correta 
e) Ambas estão erradas 
 
Aula 7 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - A 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 129 
Justificativa: O enunciado caracteriza atuação de prevenção e promoção à 
saúde. 
 
Questão 2 - C 
Justificativa: A competência técnica nas diversas áreas é importante para 
garantir a plena realização da auditoria e só será alcançada a partir da 
multidisciplinaridade da equipe. 
 
Questão 3 - D 
Justificativa: A auditoria, de forma geral, é norteada pela busca da efetividade e 
eficiência, que refletem na redução de custos com prestação de serviços 
adequados. 
 
Questão 4 - B 
Justificativa: Os clientes são, sim, beneficiados pela auditoria. 
 
Questão 5 - A 
Justificativa: Trata-se da justificativa da auditoria e do conceito do processo 
devidamente apresentados. 
 
Questão 6 - A 
Justificativa: Explicação clara sobre auditoria, caracterização e finalidade. 
 
Questão 7 - E 
Justificativa: As afirmativas estão corretas, e a II adiciona a finalidade da 
auditoria de custos. 
 
Questão 8 - D 
Justificativa: Pelo contrário, não se trata da manutenção de tradicionalismo, 
mas, sim, de ferramenta de análise para todo o serviço. 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 130 
Questão 9 - A 
Justificativa: As ideias são adversativas. 
 
Questão 10 - B 
Justificativa: Há conclusão da segunda oração em relação à primeira. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 131 
 
Introdução 
Esta será a nossa última aula; ela abordará o assunto da auditoria em 
odontologia. 
 
Nesse aspecto, o objetivo do nosso estudo é capacitá-lo para atuação como 
auditor odontológico dentro da legislação vigente, apresentando 
fundamentação técnica para o exercício de auditorias e perícias odontológicas. 
 
Para isso, é claro, manteremos o pensamento no plano mais geral, que consiste 
na adequada prestação de serviços associada à redução de custos. Vamos lá! 
 
Objetivo: 
1. Conhecer a história e a evolução da auditoria em odontologia; 
2. Compreender que a auditoria em odontologia é um mecanismo de controle e 
melhoria na prestação de serviços odontológicos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 132 
Conteúdo 
O histórico da área odontológica e a evolução recente 
Até cerca de sessenta anos atrás, o profissional que cuidava dos problemas de 
saúde bucal atuava de forma empírica, sem nenhum rigor formal. O que 
importava era ter experiência na área e ter muita habilidademanual. Os 
tratamentos serviam, basicamente, para aliviar a sensação dolorosa, sendo, 
geralmente, mutiladores. 
 
O progresso científico fez com que a odontologia se desenvolvesse, saindo do 
empirismo e passando a adquirir base científica. Os profissionais dessa área 
passaram a ser formados em escolas de nível superior, preparados, 
predominantemente, para atuarem como autônomos. 
 
A regulamentação da área e os setores de atuação 
O exercício profissional da odontologia no Brasil foi regulamentado pela Lei nº 
5.081, de 24 de agosto de 1966 (BRASIL, 1966). Na década de 80, a prática 
odontológica começou a sofrer as principais alterações que caracterizariam o 
novo perfil da profissão nos anos seguintes: crescimento do número de 
especialistas, surgimento de intermediários na negociação entre profissional e 
paciente, a proliferação de clínicas odontológicas e de cirurgiões-dentistas e o 
desenvolvimento do conceito de saúde bucal coletiva. 
 
Atualmente, as formas de inserção do cirurgião-dentista no processo social de 
produção são as seguintes: trabalhador autônomo; consultor; participante de 
uma sociedade; empregado; e servidor público. Alguns optam por uma carreira 
acadêmica, outros trabalham como empresários ou trabalham como servidores 
públicos fora da área odontológica. Enfim, essa variação vai depender de 
oportunidades e dos objetivos de cada profissional. 
 
O cirurgião-dentista autônomo trabalha no setor privado de assistência à saúde. 
Esse profissional pode trabalhar em consultório próprio, alugar um consultório 
ou arrendar consultório de um colega. Nesse regime de trabalho, o cirurgião-
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 133 
dentista pode atender qualquer tipo de paciente: existem os pacientes 
particulares que pagam o tratamento diretamente para o profissional, e aqueles 
usuários de algum tipo de plano de assistência odontológica que pagam o 
tratamento indiretamente, por meio de operadoras. 
 
A atividade do profissional liberal pode ser exercida como pessoa física na 
forma de autônomo ou prestando serviço à pessoa jurídica de direito público ou 
privado, sendo que, nesse caso, a responsabilidade técnica é do profissional 
liberal. 
 
O cirurgião-dentista tem exercido sua profissão, predominantemente, no setor 
privado. Quando trabalha como autônomo, é detentor da sua força de trabalho 
e dos meios de produção e tem plena liberdade para negociar com seus 
pacientes o valor a ser pago pelos serviços realizados. 
 
A prática odontológica puramente autônoma está em processo de 
transformação. Observam-se uma corrente de mudanças no setor público e 
outra no setor privado. No setor público, há uma tendência de ampliação dos 
serviços odontológicos na área preventiva. Já no setor privado, existe uma 
tendência de crescimento dos serviços intermediários por entidades públicas ou 
privadas. O grande fator que contribui e estimula o desenvolvimento dessas 
duas correntes é o baixo poder aquisitivo da população. 
 
Odontologia com os avanços tecnológicos 
Cordón (1998) ressalta que o trabalho odontológico atual é fortemente 
dependente dos avanços tecnológicos da sociedade. Os equipamentos, 
materiais, medicamentos e instrumentos usados na prática odontológica 
apresentam níveis crescentes de sofisticação, o que eleva os custos do 
trabalho odontológico e dificulta a sua expansão. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 134 
Conceito de auditoria 
O conceito de auditoria (audit) aplicado à saúde foi proposto por Lambeck, em 
1956, e tem como premissa a “avaliação da qualidade da atenção com base na 
observação direta, registro e história clínica do cliente” (CALEMAN; MOREIRA; 
SANCHEZ, 1998). 
 
A auditoria, na literatura especializada, é entendida como uma atividade que 
pode ser realizada de forma retrospectiva (avaliação), concomitante 
(monitoramento) e prospectiva (gestão de riscos e conflitos). No discurso 
prático, essa forma se apresentou com um caráter mais finalístico, sendo 
concebida e realizada apenas de forma retrospectiva. 
 
Por se tratar de atividade que forçosamente deve acompanhar a evolução das 
atividades econômicas do homem, tanto o conceito como o enfoque e a 
metodologia da auditoria sofreram modificações ao longo do tempo. A 
disseminação dessa técnica para diversas dimensões organizacionais, como o 
controle da qualidade e a gestão ambiental, também contribui para importantes 
evoluções conceituais. 
 
A maioria dos autores entende a auditoria como uma técnica de avaliação 
relacionada com a qualidade, como um método científico e também como um 
componente do processo de trabalho que permite a avaliação da própria 
prática, tendo, portanto, uma função educativa e construtiva. Na realidade, 
porém, essa atividade geralmente não é entendida como um componente do 
processo de trabalho nem como um método científico, mas é concebida como 
uma técnica de avaliação limitada, de uma maneira geral, ao aspecto 
normativo, ou seja, restrita à adequação às leis e normas. 
 
A auditoria é, em síntese, um conjunto de atividades desenvolvidas 
para controle – auditoria operacional – e avaliação de aspectos 
específicos e do sistema – auditoria analítica. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 135 
Auditoria analítica e operativa 
O entendimento da auditoria como um processo constituído por duas faces, 
analítica (análise documental) e operativa, é específico do discurso prático. 
Para alguns autores, essa atividade é vista, de forma mais abrangente, como 
um processo cíclico, mais complexo, que se caracteriza como um 
acompanhamento sistemático constituído de quatro etapas: avaliação da 
evidência, conhecimento e opinião; observação e comparação com o modelo 
padrão; ação corretiva; nova observação e comparação. 
 
A fase operativa, caracterizada pela verificação in loco e pela elaboração do 
relatório de auditoria, realiza também a comparação com um modelo padrão 
aproximando-se, portanto, da segunda etapa desse ciclo, que é a de 
observação e comparação. 
 
A atividade de auditoria, apesar de, até os dias atuais, se caracterizar pela 
verificação acompanhada de uma comparação baseada em parâmetros, evoluiu 
da verificação detalhada, que tinha como objetivo maior a detecção de fraudes, 
para a avaliação do próprio controle interno da entidade auditada. 
 
Uma das críticas mais recentes à atividade de auditoria se encontra no fato 
dessa atividade se concentrar muito no relato dos desvios, e não na solução de 
problemas. A tendência atual é que cada vez mais essa atividade se aproxime 
da prática da avaliação, e não se resuma ao fornecimento de informações, 
abrangendo a interpretação dessas informações e a identificação de 
oportunidades para a introdução de aperfeiçoamentos. 
 
As tendências e perspectivas sinalizadas pela literatura especializada para a 
técnica de auditoria estabelecem novos pontos de convergência com a atividade 
de controle. Tanto no campo da saúde como em outros campos do 
conhecimento, a tendência é que essa atividade, além do monitoramento, seja 
realizada de forma prospectiva, mediante a avaliação de riscos e a prática de 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 136 
projeções, aproximando-se, mais uma vez, da atividade de controle prévio 
traduzida pelo planejamento. 
 
Percebe-se, dessa forma, que o ambiente rápido de mudanças tecnológicas 
exige cada vez mais que as atividades de controle, como a auditoria, sofram 
adaptações à nova realidade e evoluam para contribuir nas atividades de 
planejamento, programação e análise de riscos. 
 
Auditoria em odontologia 
Para iniciarmos a abordagem na área de auditoria em odontologia 
necessitamos, em princípio, de compreendermos o mercado da área e o 
conceito dessa atividade. O mercado de planos odontológicos tem crescido em 
paralelo ao mercado de planos de saúde, embora osestudos sobre o setor 
odontológico deem pouca atenção à presença e ao desempenho dessas 
empresas no mercado. 
 
Alguns pontos explicam a dinâmica e o crescimento do mercado de planos de 
saúde odontológico no Brasil. E dentre eles podemos destacar: a mudança no 
perfil profissional e da profissão odontológica; o sofrível acesso da população 
aos serviços de saúde bucal; o baixo gasto das famílias com despesas por 
desembolso direto para a assistência odontológica; e o significativo peso dos 
gastos com planos privados de assistência à saúde. Esses planos de saúde, 
tanto privados quanto públicos, devem ser gerenciados de forma eficiente. 
 
Uma das ferramentas de qualidade mais eficientes para aprimorar um sistema 
de gestão, como vimos, é a auditoria. Essa, quando bem aplicada, diagnostica 
não conformidades no sistema avaliado. Entende-se por auditoria em 
odontologia o exame detalhado, por cirurgião dentista legalmente habilitado, 
com a finalidade de observar a proposta, o andamento e/ou a situação final do 
tratamento odontológico indicado pelo cirurgião dentista operacional – 
considerando conformidade técnica, indicação, viabilidade e oportunidade do 
tratamento preposto. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 137 
É importante destacar que essas avaliações devem ser executadas por 
profissionais capacitados que apresentem, além do conhecimento técnico-
científico, atributos pessoais como imparcialidade, prudência e diplomacia, 
entre outros. 
 
Através de qual colaborador as operadoras de planos odontológicos podem 
desenvolver uma gestão de custos e de qualidade efetiva, fundamentada em 
parâmetros técnico-científicos, de forma a equilibrar a balança entre a 
economia e a eficácia do sistema? Avance e compreenda essa questão. 
 
O auditor 
A auditoria, hoje, deve ser vista como uma "função que realiza o auditor, de 
acordo com as normas legais e os estatutos que a regem. A função de auditoria 
será sempre uma função de apoio e assessoria, é um órgão consultor e 
assessor dentro da organização, avaliando a otimização da gestão 
administrativa". As colocações e ações por parte desses profissionais devem ser 
embasadas por princípios científicos da especialidade a ser avaliada. O parecer 
emitido deve ser construtivo, no sentido de auxiliar a melhoria contínua do 
sistema de qualidade sobre os serviços. Requer, portanto, características ainda 
não definidas legalmente, mas integrantes da capacitação profissional. 
 
A função do auditor odontológico não pode ser reduzida à conferência de fichas 
clínicas e radiografias e ao pagamento – ou glosa – de tratamentos realizados. 
Nessa visão, o profissional seria equiparado aos inspetores de fábricas no início 
do século passado, cargo inexistente hoje, sabidamente custoso e sem 
resultados para a organização. 
 
A profissão é regulamentada por lei federal, e constitui um direito de todos os 
profissionais inscritos nos Conselhos Regionais de Odontologia o exercício das 
atividades odontológicas. 
 
A Lei nº 5081/66, que Regula o Exercício da Odontologia no Brasil especifica: 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 138 
“Art. 6º – Compete ao cirurgião-dentista: 
 
I – praticar todos os atos pertinentes a Odontologia, decorrentes de 
conhecimentos adquiridos em curso regular ou em cursos de pós-graduação; 
(...) 
IV – proceder à perícia odontolegal em foro civil, criminal, trabalhista e em sede 
administrativa”. 
 
No entanto, a auditoria se revela como um campo de atuação amplo, 
delimitado não pela competência legal, já verificada, mas pela capacitação 
profissional a ser adquirida através de treinamento e conhecimento. 
 
Características de um auditor 
São características e requisitos desejáveis a um auditor em odontologia, no 
aspecto de formação profissional, possuir título idôneo fornecido por instituição 
reconhecida, e inscrição nos Conselhos Regional e Federal de Odontologia; 
também deve o profissional estar em dia com as obrigações financeiras junto 
ao respectivo Conselho Regional de Odontologia e não estar suspenso das 
atividades profissionais por punição administrativa, civil ou penal. 
 
No quesito competências profissionais, o auditor deve demonstrar 
independência para atuar na função, não cedendo a pressões externas. 
 
Além disso, o auditor deve: 
Utilizar critério homogêneo para casos semelhantes; possuir conhecimento do 
trabalho a ser desenvolvido, bem como conhecimentos administrativos 
referentes à rotina de escritório e às tarefas afins; ter desenvoltura em 
informática (usuário) e conhecimento das normas administrativas da empresa. 
 
São requisitos técnicos: 
Experiência clínica e administrativa; não ser tendencioso a determinadas 
técnicas utilizadas ou novas; criar rotina para exame de auditagem, 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 139 
uniformizando as auditorias; e conhecer a legislação que contempla as 
empresas odontológicas e da responsabilidade profissional. 
 
Os requisitos éticos são extremamente exigíveis, e, até mais que em qualquer 
outra área, deve-se primar pela confidencialidade, imparcialidade e respeito ao 
colega e à profissão que exerce. Conhecimento das normas éticas vigentes e 
não possuir condenação junto ao Conselho Profissional também são 
fundamentais. 
 
Não se pode deixar de considerar os requisitos pessoais que implicam no pleno 
desenvolvimento da função: possuir habilidade de comunicação com os colegas 
de trabalho; facilidade de comunicação com prestadores e usuários; 
organização e pontualidade; participação na rotina da empresa; e estar 
disposto a mudanças. 
 
Atividade proposta 
A classificação das auditorias é importante para a delimitação das tarefas 
realizadas e, consequentemente, das responsabilidades de cada tipo de 
auditoria, o que possibilita o adequado registro dos exames realizados e a 
posterior utilização dos dados e resultados obtidos. Cite os tipos de auditoria. 
 
Chave de resposta: 
• Auditoria técnica ou analítica – exames documentais do caso: radiografias, 
ficha clínica, modelos, fotografias, entre outros. 
• Auditoria clínica ou operacional – auditagem em que o exame clínico é a 
principal fonte de informações para avaliação dos procedimentos. 
• Auditoria eletrônica – consistência realizada através do sistema operacional da 
empresa confrontando-se dados técnicos inseridos no sistema, histórico bucal 
do usuário e proposta de tratamento. 
 
 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 140 
 
Material complementar 
 
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disponíveis em nossa biblioteca virtual. 
 
 
Referências 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de 
outubro de 1988. Rio de Janeiro: Auriverde, 2004. 
BRASIL. Lei nº 5.081, de 24 de agosto de 1966. Regula o exercício da 
odontologia. Brasília: Diário Oficial da União, p. 009843, col.1, 26 ago. 1966, 
seção 1, pt. 1. 
BRASIL. Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Dispõe sobre os planos e seguros 
privados de assistência à saúde. Brasília: Diário Oficial da União, p. 000001, 
col.1,4 jun. 1998. 
BRASIL. RDC nº 39, de 27 de outubro de 2000. Dispõe sobre a definição, a 
segmentação e a classificação das operadoras de planos de assistência à saúde. 
Brasília: Ministério da Saúde, 2000b. 
BUSTAMANTE, C. P. Qué es auditoria odontológica? Disponível em: 
http://www.odontomarketing.com/anterior/13may2001.htm. Acesso em: 18 
out. 2007. 
CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA. Resolução CFO nº 151, de 16 de 
julho de 1983. Cria o Código de Ética Odontológica. Rio de Janeiro: CFO, 1983. 
LIVRAGHI, E. Auditoria odontológica. Rev. San. Mil. Arg., v. 6, n. 4, p. 152-
157, 1983. 
 
Exercícios de fixação 
Questão 1 
De acordo com a literatura especializada, a auditoria é entendida como uma 
atividade que pode ser realizada de forma: 
a) Retrospectiva, concomitantee prospectiva 
b) 1ª parte, 2ª parte e 3ª parte 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 141 
c) Pré auditoria e pós auditoria 
d) Concomitante e prospectiva 
e) Nenhuma das opções acima 
 
Questão 2 
A profissão de cirurgião dentista é exercida predominantemente no setor: 
a) Público 
b) Privado 
c) Público e privado 
d) Somente particular 
e) Somente convênios 
 
Questão 3 
São estas as formas de inserção do cirurgião dentista no processo social de 
produção: 
a) Trabalhador autônomo, consultor, participante de uma sociedade, 
empregado e servidor público 
b) Consultor, servidor público e empregado 
c) Trabalhador autônomo e consultor 
d) Trabalhador autônomo e servidor público 
e) Participante de sociedade, trabalhador autônomo e servidor público 
 
Questão 4 
O conceito de auditoria: 
a) Uma atividade fiscalizadora e punitiva. 
b) Um conjunto de atividades desenvolvidas para controle-auditoria 
operacional e avaliação de aspectos específicos do sistema – auditoria 
analítica. 
c) Uma atividade de prevenção e promoção de saúde. 
d) Uma atividade de aconselhamento aos profissionais da área. 
e) Um conjunto de atividades para monitoramento. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 142 
Questão 5 
As atividades de controle, como a auditoria, sofrem mudanças rápidas de 
acordo com as novas realidades do mercado devido a: 
a) Mudanças de governo 
b) Mudanças na lei 
c) Mudanças tecnológicas 
d) Mudanças financeiras 
e) Mudanças políticas 
 
Questão 6 
Segundo o que aprendemos com as aulas, alguns pontos explicam a dinâmica e 
o crescimento do mercado de planos de saúde odontológico no Brasil. Marque 
abaixo a opção correta. 
a) Mudança no perfil profissional e da profissão odontológica. 
b) Sofrível acesso da população aos serviços de saúde bucal. 
c) Baixo gasto das famílias com despesas por desembolso direto para a 
assistência odontológica. 
d) Significativo peso dos gastos com planos privados de assistência à 
saúde. 
e) Todas as opções acima. 
 
Questão 7 
É considerada ferramenta de qualidade no aprimoramento de um sistema de 
gestão: 
a) Auditoria 
b) Treinamento 
c) Networking 
d) Comunicação 
e) Educação continuada 
 
Questão 8 
São características importantes do auditor em odontologia: 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 143 
a) Dinâmico e comunicativo 
b) Calmo e estudioso 
c) Ter conhecimento técnico-científico e ser imparcial 
d) Ser imprudente e parcial 
e) Formado em odontologia e imprudente 
 
Questão 9 
A profissão de auditoria em odontologia é regulamentada: 
a) Por lei municipal 
b) Por lei estadual 
c) Não é regulamentada ainda 
d) Por lei federal 
e) Pelo conselho de classe 
 
Questão 10 
Quanto à função da auditoria assinale a afirmativa incorreta. 
a) A função da auditoria será sempre uma função de apoio e assessoria 
b) Possui a função de um órgão consultor 
c) A função de otimização da gestão administrativa 
d) Autorizar procedimentos odontológicos 
e) Nenhuma das opções acima 
 
Aula 8 
Exercícios de fixação 
Questão 1 - A 
Justificativa: A auditoria, na literatura especializada, é entendida como uma 
atividade que pode ser realizada de forma retrospectiva (avaliação), 
concomitante (monitoramento) e prospectiva (gestão de riscos e conflitos). No 
discurso prático, essa forma se apresentou com um caráter mais finalístico, 
sendo concebida e realizada apenas de forma retrospectiva. 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 144 
Questão 2 - B 
Justificativa: De acordo com as aulas, o cirurgião dentista atua mais no setor 
privado. 
 
Questão 3 - B 
Justificativa: De acordo com as aulas, o cirurgião dentista pode atuar de todas 
essas formas citadas. 
 
Questão 4 - B 
Justificativa: A auditoria é, em síntese, um conjunto de atividades 
desenvolvidas para controle – auditoria operacional – e para avaliação de 
aspectos específicos e do sistema – auditoria analítica. 
 
Questão 5 - C 
Justificativa: Percebe-se que o ambiente rápido de mudanças tecnológicas exige 
cada vez mais que as atividades de controle, como a auditoria, sofram 
adaptações à nova realidade e evoluam para contribuir nas atividades de 
planejamento, programação e análise de riscos. 
 
Questão 6 - E 
Justificativa: Alguns pontos explicam a dinâmica e o crescimento do mercado 
de planos de saúde odontológico no Brasil. Dentre eles podemos destacar: a 
mudança no perfil profissional e da profissão odontológica; o sofrível acesso da 
população aos serviços de saúde bucal; o baixo gasto das famílias com 
despesas por desembolso direto para a assistência odontológica; e o 
significativo peso dos gastos com planos privados de assistência à saúde. 
 
Questão 7 - A 
Justificativa: Uma das ferramentas de qualidade mais eficientes para aprimorar 
um sistema de gestão, como vimos, é a auditoria. Ela, quando bem aplicada, 
diagnostica não conformidades no sistema avaliado. 
 
 
 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 145 
Questão 8 - C 
Justificativa: É importante destacar que essas avaliações devem ser executadas 
por profissionais capacitados que apresentem, além do conhecimento técnico-
científico, atributos pessoais como imparcialidade, prudência e diplomacia, 
entre outros. 
 
Questão 9 - D 
Justificativa: A profissão é regulamentada por lei federal, e constitui um direito 
de todos os profissionais inscritos nos Conselhos Regionais de Odontologia o 
exercício das atividades odontológicas. 
 
Questão 10 - D 
Justificativa: A auditoria, hoje, deve ser vista como uma “função que realiza o 
Auditor, de acordo com as normas legais e os estatutos que a regem. A função 
de Auditoria será sempre uma função de apoio e assessoria, é um órgão 
consultor e assessor dentro da organização, avaliando a otimização da gestão 
administrativa”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Sueli Lopes Passos é professora formada em Administração Hospitalar, 
especialista em Auditoria de Saúde e Auditoria da Qualidade. Experiência de 
mais de 18 anos na área da saúde, atuou em uma operadora de saúde a nível 
nacional e atualmente administra uma clínica de Hemodiálise. 
 
Coordenadora dos cursos de Pós-Graduação em Auditoria em Sistemas de 
Saúde e Gestão Pública.

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