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AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 1 Professora: Sueli Lopes Passos ...................................................................................................... 0 Apresentação ................................................................................................................................ 6 Aula 1: Auditoria em fisioterapia .................................................................................................. 7 ............................................................................................................................. 7 Introdução ................................................................................................................................ 8 Conteúdo O papel do fisioterapeuta nos processos de auditoria ............................................... 8 Atuação no mercado de trabalho .................................................................................. 8 Agora, você sabe quais as contribuições do fisioterapeuta para o processo de auditoria? ............................................................................................................................. 9 Fatores que justificam a participação do fisioterapeuta na equipe de auditoria de saúde ............................................................................................................................ 10 A importância do controle na auditoria ...................................................................... 11 Atendimento domiciliar .................................................................................................. 13 Ferramentas de controle ................................................................................................ 13 Algumas considerações sobre a prescrição médica ................................................. 16 Vantagens da abordagem domiciliar ........................................................................... 16 Mas você deve estar pensando que isso é realidade apenas no sistema privado de saúde, não é? .............................................................................................................. 17 Atividade proposta .......................................................................................................... 18 ........................................................................................................................... 19 Referências ......................................................................................................... 19 Exercícios de fixação Chaves de resposta ..................................................................................................................... 25 ..................................................................................................................................... 25 Aula 1 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 25 Aula 2: Auditoria em farmácia I................................................................................................... 28 ........................................................................................................................... 28 Introdução .............................................................................................................................. 29 Conteúdo Auditoria em farmácia hospitalar ................................................................................. 29 A gestão de serviço ......................................................................................................... 29 Práticas gerenciais seguras, legais e de qualidade .................................................... 30 Processos organizacionais e gerenciais ...................................................................... 31 A importância do gerenciamento de processo ......................................................... 31 A fiscalização hospitalar ................................................................................................. 34 Perspectivas para avaliação ........................................................................................... 34 file://webaula.local/bh/CDC/Projetos/emandamento/Estacio%20de%20Sa/Pós_Graduação/2º%20semestre%202015/21%20-%20Disc.%20Auditoria%20em%20serviços%20de%20Odont%20Fis%20farm%20e%20outros/Pedagogia/Material%20Bruto/Apostila/Apostilas%20DI/Apostila_apresentação.docx%23_Toc428778130 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 2 Procedimentos de fiscalização ..................................................................................... 35 Atividade proposta .......................................................................................................... 37 ........................................................................................................................... 38 Referências ......................................................................................................... 39 Exercícios de fixação Chaves de resposta ..................................................................................................................... 44 ..................................................................................................................................... 44 Aula 2 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 44 Aula 3: Auditoria em farmácia II.................................................................................................. 46 ........................................................................................................................... 46 Introdução .............................................................................................................................. 47 Conteúdo A gestão de abastecimento de farmácias ................................................................... 47 A tendência atual ............................................................................................................. 47 Mas como monitorar o estoque farmacêutico? ........................................................ 48 Então, como poderiamos definir a logística? ............................................................. 49 Então, como podemos ser assertivos dentro dessa cadeia logística? ................... 49 A prestação de serviços ao paciente ........................................................................... 51 A classificação ABC ......................................................................................................... 52 Considerações importantes sobre a classificação .................................................... 53 As três classes de medicamentos ................................................................................. 53 Agrupamentos classificatórios ...................................................................................... 54 O controle de estoque .................................................................................................... 55 Atividade Proposta........................................................................................................... 57 ........................................................................................................................... 58 Referências ......................................................................................................... 58 Exercícios de fixação Chaves de resposta ..................................................................................................................... 64 ..................................................................................................................................... 64 Aula 3 Exercícios de fixação .......................................................................................................64 Aula 4: Auditoria em nutrição I ................................................................................................... 66 ........................................................................................................................... 66 Introdução .............................................................................................................................. 67 Conteúdo Nutrição em sistemas de saúde .................................................................................... 67 Evolução da nutrição hospitalar ................................................................................... 67 Gastronomia hospitalar .................................................................................................. 68 Terapia nutricional .......................................................................................................... 69 Nutrição intra-hospitalar ................................................................................................ 69 Profissional auditor na terapia nutricional .................................................................. 70 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 3 Terapia enteral ou parenteral ........................................................................................ 71 Complicações mais frequentes ..................................................................................... 72 Ações para minimizar problemas ................................................................................. 74 Equipe multidisciplinar ................................................................................................... 74 Atividade proposta .......................................................................................................... 74 ........................................................................................................................... 75 Referências ......................................................................................................... 75 Exercícios de fixação Chaves de resposta ..................................................................................................................... 82 ..................................................................................................................................... 82 Aula 4 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 82 Aula 5: Auditoria em nutrição II .................................................................................................. 84 ........................................................................................................................... 84 Introdução .............................................................................................................................. 85 Conteúdo Atendimento domiciliar .................................................................................................. 85 A decisão pelo atendimento domiciliar ...................................................................... 86 Terapia nutricional .......................................................................................................... 87 Nutrição enteral ............................................................................................................... 88 Tipos de sondas ............................................................................................................... 88 Dieta enteral industrializada e artesanal ..................................................................... 89 Osmolalidade e viscosidade .......................................................................................... 91 Atividade proposta .......................................................................................................... 92 ........................................................................................................................... 92 Referências ......................................................................................................... 93 Exercícios de fixação Chaves de resposta ..................................................................................................................... 98 ..................................................................................................................................... 98 Aula 5 Exercícios de fixação ....................................................................................................... 98 Aula 6: Auditoria em enfermagem I .......................................................................................... 100 ......................................................................................................................... 100 Introdução ............................................................................................................................ 101 Conteúdo Gerenciamento do relacionamento com o cliente ................................................ 101 Auditoria da assistência de enfermagem .................................................................. 101 Tipos de auditoria .......................................................................................................... 102 O enfermeiro auditor .................................................................................................... 102 Sistemática da qualidade .............................................................................................. 103 Benefícios da auditoria ................................................................................................. 104 Regulamentações vigentes da auditoria de enfermagem ..................................... 105 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 4 Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) ............................................ 106 Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde (SOBEAS) .................. 107 Encerramento ................................................................................................................. 108 Atividade proposta ........................................................................................................ 108 ......................................................................................................................... 108 Referências ....................................................................................................... 109 Exercícios de fixação Chaves de resposta ................................................................................................................... 113 ................................................................................................................................... 113 Aula 6 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 113 Aula 7: Auditoria em enfermagem II ......................................................................................... 115 ......................................................................................................................... 115 Introdução ............................................................................................................................ 116 Conteúdo Enfermeiro auditor ........................................................................................................ 116 Atuação do auditor ........................................................................................................ 116 Auditoria .......................................................................................................................... 117 Auditoria da qualidade assistencial ............................................................................ 117 Auditoria de materiais................................................................................................... 117 Auditoria de enfermagem interna .............................................................................. 118 O auditor nos planos de saúde ................................................................................... 119 Verificações a serem realizadas .................................................................................. 119 Relatórios de auditoria .................................................................................................. 120 Mas como se tornar um enfermeiro auditor? .......................................................... 120 As possibilidades de atuação do profissional ........................................................... 121 Encerramento ................................................................................................................. 123 Atividade proposta ........................................................................................................ 123 ......................................................................................................................... 124 Referências ....................................................................................................... 124 Exercícios de fixação Chaves de resposta ................................................................................................................... 128 ................................................................................................................................... 128 Aula 7 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 128 Aula 8: Auditoria em odontologia ............................................................................................. 131 ......................................................................................................................... 131 Introdução ............................................................................................................................ 132 Conteúdo O histórico da área odontológica e a evolução recente........................................ 132 A regulamentação da área e os setores de atuação ............................................... 132 Odontologia com os avanços tecnológicos............................................................. 133 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 5 Conceito de auditoria ................................................................................................... 134 Auditoria analítica e operativa .................................................................................... 135 Auditoria em odontologia ............................................................................................ 136 O auditor ......................................................................................................................... 137 Características de um auditor ..................................................................................... 138 Atividade proposta ........................................................................................................ 139 ......................................................................................................................... 140 Referências ....................................................................................................... 140 Exercícios de fixação Chaves de resposta ................................................................................................................... 143 ................................................................................................................................... 143 Aula 8 Exercícios de fixação ..................................................................................................... 143 Conteudista ............................................................................................................................... 146 AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 6 Nessa disciplina abordaremos como a Auditoria pode e deve ser multidisciplinar. Dentro da sua especialidade, a Auditoria de odontologia, Fisioterapia, Farmácia e Enfermagem, contribui para um melhor atendimento aos pacientes, com menor custo para as instituições de saúde, sendo utilizada muitas vezes como ferramenta de gestão, para decisões estratégicas na empresa. Sendo assim, essa disciplina tem como objetivos: 1. Conhecer o papel do auditor nas especialidades de Odontologia, Fisioterapia, Farmácia e Enfermagem. 2. Definir sua importância, dentro do processo de auditoria. 3. Descrever suas atividades como auditor. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 7 Introdução Nesta aula você terá a oportunidade de conhecer o serviço de auditoria em fisioterapia, que é um ramo recente da área. O profissional fisioterapeuta tem seu espaço garantido na equipe de fisioterapia, uma vez que somente ele possui conhecimento técnico das rotinas e procedimentos realizados na área. Além disso, vamos tratar da realidade das práticas de preenchimento de contas e de prontuários, e como isso pode interferir nos processos de auditorias, reforçando que apenas o profissional habilitado na área conseguirá perceber desvios ou inadequações e assim atuar nas modalidades de auditoria prestadas por fisioterapeuta. Por fim, partiremos para abordagem do atendimento domiciliar para o paciente crônico, uma vez que este se mostra como tendência tanto pública quanto privada, no que diz respeito à prestação adequada dos serviços e redução dos custos. Objetivo: 1. Compreender a pertinência e o papel do fisioterapeuta nos processos de auditoria, bem como os tipos de auditoria em fisioterapia; 2. Apontar o atendimento domiciliar como opção eficiente de atendimento em fisioterapia. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 8 Conteúdo O papel do fisioterapeuta nos processos de auditoria Você sabe o que o fisioterapeuta faz? Ele é um profissional de saúde, com formação acadêmica superior, generalista, humanista, crítica e reflexiva, capacitado a atuar em todos os níveis de atenção à Saúde, com base no rigor científico e intelectual, respeitando os princípios éticos, bioéticos e culturais do indivíduo e da coletividade. O Fisioterapeuta elabora diagnóstico funcional, isso quer dizer que o profissional é “habilitado à construção do diagnóstico fisioterapêutico, baseado nos distúrbios cinéticos funcionais, a prescrição das condutas fisioterapêuticas, a sua ordenação e indução no paciente bem como, o acompanhamento da evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço” (RESOLUÇÃO CNE/CES Nº 4, de 19 de fevereiro de 2002). Atuação no mercado de trabalho Contribuições O fisioterapeuta contribui para a geração de novos conhecimentos por meio de investigação científica. Responsabilidades Neste contexto ele está apto a assumir a posição de liderança com compromisso, responsabilidade e gerenciamento efetivo e eficaz. Contexto Para isso, ele precisa levar em consideração as circunstâncias sociais, econômicas, culturais, éticas, ambientais de planejamento, organização e gestão de serviços de saúde públicos e privados, além de prestar serviços de AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 9 assessorias, consultorias e auditorias no âmbito de sua competência profissional. Atenção A auditoria em saúde é uma área cada vez mais abrangente, tendo em vista a necessidade de redução de custos. Em todas as áreas a auditoria passou por muitos avanços na última década. De acordo com a Associação Portuguesa de Fisioterapeutas, o processo de auditoria em fisioterapia visa assegurar acontinuidade dos cuidados e corresponder aos quesitos legais, nos quais os processos clínicos devem ser pertinentes e corresponder à prática clínica. A fisioterapia pode contribuir significativamente nas auditorias por meios da assistência ambulatorial, pois possui conhecimentos técnicos sobre os procedimentos necessários para melhor efetividade na identificação e prevenção de possíveis fraudes, perdas, malversação dos recursos e, sobretudo, garantir a qualidade da assistência privada. Agora, você sabe quais as contribuições do fisioterapeuta para o processo de auditoria? Sobre a categoria Os profissionais médicos e enfermeiros assumem grande parte das atividades de auditoria em saúde e demais categorias profissionais. A situação atual Recentemente, profissionais da Farmácia, Odontologia e Fisioterapia, incorporaram essa atividade recentemente, conforme regulamentações de seus Conselhos de Classe. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 10 Fatores que justificam a participação do fisioterapeuta na equipe de auditoria de saúde Tendo em vista a grande expansão da área e a necessidade de redução de custos, podemos observar o seguinte: A atividade de auditoria é multiprofissional e envolve a participação de vários profissionais de saúde. Os gastos e atendimentos com fisioterapia ambulatorial têm crescido anualmente. É necessária como um dos requisitos mais importantes do auditor a competência técnica para executá-la. Atenção Assim, a grande quantidade de serviços de Fisioterapia no Brasil, o número crescente de usuários atendidos por ano e os gastos públicos cada vez maiores destinados à assistência em Fisioterapia, justificam plenamente a participação desse profissional na equipe de auditoria. Porém, o conhecimento técnico e específico é uma característica essencial do profissional auditor, visando a uma auditoria de qualidade e uma prestação de serviços em saúde eficiente. Encontra-se exposto na Lei nº 6.316, de 17 de dezembro de 1975: “A formação do fisioterapeuta tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades como: respeitar os princípios éticos inerentes ao exercício profissional..., além de assessorar, prestar consultorias e auditorias no âmbito de sua competência profissional”. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 11 A importância do controle na auditoria A avaliação dos sistemas de saúde constitui o elemento de maior importância na caracterização de um sistema desejável e economicamente acessível ao país. Assim, faz-se necessário um controle maior e uma auditoria mais criteriosa, por meio da participação do fisioterapeuta. A auditoria funciona como uma ferramenta essencial na estrutura regimental dos serviços privados e públicos de saúde. É uma nova área de atuação para o profissional da Fisioterapia, devidamente regulamentada e carente de pessoal capacitado. A Resolução do Coffito, nº 416/2012, de 19 de maio de 2012, regulamenta a atuação do Fisioterapeuta como auditor: “Artigo 1º - Compete ao fisioterapeuta, no âmbito de sua atuação, realizar auditorias em todas as suas formas e modalidades nos termos da presente Resolução”. O Artigo 2º da Resolução conceitua a auditoria prestada por fisioterapeuta em Auditoria da Assistência, Auditoria em Serviço e Auditoria Abrangente. Entende-se Auditoria da Assistência como a avaliação da adequação das ações fisioterapêuticas a fim de verificar se há alguma infração ética. Na letra da lei, em seu Artigo 2º, I, tem-se “Auditoria da assistência fisioterapêutica prestada ou auditoria do ato fisioterapêutico: é a análise cuidadosa e sistemática das atividades fisioterapêuticas desenvolvidas em determinada instituição pública ou privada, serviço ou setor, cujo objetivo é apontar, identificar ou descartar ação fisioterapêutica que possa caracterizar em infração aos preceitos éticos e bioéticos ou mesmo que possa configurar, por ação ou omissão, em ilícito ético”. Já a Auditoria em Serviço trata da verificação da documentação do serviço prestado e da adequação dos serviços às solicitações. No Artigo 2º, inciso II, da Resolução nº 416/2012, lê-se “Auditoria em serviço de fisioterapia: análise AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 12 cuidadosa e sistemática da documentação pertinente à atividade fisioterapêutica (guias próprias de atendimento) com vistas a averiguar se a assistência fisioterapêutica prestada está condizente com a guia de cobrança, se as consultas fisioterapêuticas, as consultas de revisão e números excedentes de atendimentos solicitados foram efetivamente prestados, entre outros”. No que diz respeito à Auditoria Abrangente (Artigo 2º, III), quer se verificar se os objetivos foram alcançados: “Auditoria abrangente: caracteriza-se por atividades de verificação analítica e operativa constituindo no exame sistemático e independente de uma atividade específica, elemento ou sistema, para determinar se as ações e resultados pretendidos pelas instituições contratantes foram executados e alcançados de acordo com as disposições planejadas e com as normas e legislação vigentes”. Caberá ao fisioterapeuta auditor, de acordo com o Artigo 5º, incisos I, II e II, da mencionada resolução, exercer as atividades de “controle da execução” para verificar a adequação dos serviços ou a necessidade de maior aprofundamento; “avaliação da estrutura, processos aplicados e resultados alcançados” a fim de verificar a adequada eficiência, eficácia e efetividade; e “auditoria da regularidade dos procedimentos praticados” obtida a partir de exame operacional, analítico e pericial. Como apresentado anteriormente, o conhecimento técnico e específico é uma característica essencial do profissional auditor, visando uma auditoria de qualidade e uma prestação de serviços em saúde eficiente. Porém, a eficiência pode e deve ser otimizada a partir de uma abordagem que reflita acerca das características do atendimento tanto em relação à demanda do paciente, bem como frente ao tipo de serviço oferecido. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 13 Atendimento domiciliar A Fisioterapia, um serviço de média complexidade, é definida pelo Ministério da Saúde como as ações que visam atender aos principais problemas de saúde e agravos da população, cuja prática clínica demanda disponibilidade de profissionais especializados e uso de recursos tecnológicos de apoio, diagnóstico e tratamento. Áreas de atuação: Normalmente, os atendimentos hospitalares dessa área se subdividem em: • Fisioterapia cardiorrespiratória; • Fisioterapia neurológica; • Fisioterapia motora. Em todos os casos, além de tratar as disfunções devidas às doenças de base, também se combate a síndrome do imobilismo, associada a longos períodos de internação. Atenção Na busca de uma atuação eficiente, além dos profissionais especializados e recursos tecnológicos de apoio, é necessária uma administração adequada das rotinas. Nesse sentido a auditoria em fisioterapia mostra-se imprescindível, embora ainda esteja começando a despontar como objeto de estudo, assim, poucos estudos científicos tem sido realizados nessa área. Ferramentas de controle Portanto, criar um serviço com uma equipe de profissionais especializados é uma das melhores opções quando se trata de controlar custos e melhorar a qualidade da assistência prestada. Saiba por que: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 14 Em relação a custos: Medidas simples podem alterar e adequá-los à realidade. Se auditadas, haverá uma maior efetividade do pagamento de itens de uma conta hospitalar, pois o trabalho de conferência antes do envio para as operadoras de saúde evitará problemas.Outro fator importante é a qualidade da assistência prestada, que pode ser visualizada por meio da leitura do prontuário pelo auditor, e conduz à melhoria dos serviços. Em relação aos prontuários: Eles devem ser adequadamente preenchidos por todos os profissionais que atendem ao paciente em todo e qualquer procedimento, com riqueza de detalhes. Por exemplo, num procedimento de aspiração traqueal, devem ser informadas as condições iniciais do paciente, características da secreção como quantidade, coloração, odor e viscosidade, bem como se houvesse a necessidade de instilar solução umidificante, com a respectiva quantidade e calibre da sonda utilizada. No registro ainda deve constar a condição do paciente pós-aspiração. Em relação aos problemas encontrados: Alguns profissionais têm dificuldades em aceitar a “imposição” da burocratização do seu trabalho, na medida em que têm que registrar adequadamente as condutas e opções clínicas. Além disso, não há entendimento claro da necessidade do “cuidar” dos controles de gastos e custos, o que tende a gerar divergências de cobrança entre o hospital e as operadoras de saúde. Possíveis soluções: Uma opção cada vez mais frequente no tratamento do paciente crônico é o atendimento e a internação domiciliar. Isso porque cada vez mais se aumenta o número de pacientes crônicos que acabam morando nos hospitais. Esses, em geral, foram internados pelo agravamento dos sintomas de sua doença principal AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 15 ou pela emergência de outra, como uma pneumonia ou um derrame. Tratados, superam a fase aguda e se estabilizam. No entanto, eles tornam-se incapazes de cuidar de si próprios e passam a ser dependentes de equipamentos e outros tipos de assistência. Poderiam estar em casa ou em uma instituição especializada para pacientes de longa permanência. Porém, por falta de opções adequadas, ou falta de recursos da família, alguns permanecem internados em hospitais por meses e até anos, por vezes abandonados pela família, ocupando leitos de alta complexidade que deveriam estar sendo utilizados para tratamento de casos graves e agudos. Atenção Por outro lado, não importa quem está pagando a conta, é sempre alto o custo de manter o paciente crônico estabilizado em uma instituição desse tipo. Na busca da redução dos custos, a desospitalização do paciente é uma condição que auxilia também a família. Estima-se que os hospitais de primeira linha do país tenham cerca de 10% de seus leitos ocupados por pacientes crônicos residentes. Mas esse dado tende a crescer cada vez mais com os avanços da medicina e da longevidade. O paciente crônico estará melhor em casa, perto da família e com apoio de assistência domiciliar ou, se for o caso, em uma instituição de longa permanência. Os sistemas e planos de saúde evitarão custos desnecessários se buscarem caminhos que favoreçam alternativas de assistência adequadas. E os hospitais que hoje têm parte de suas estruturas e tecnologias mais sofisticadas sendo subutilizadas ampliarão as vagas para atender os pacientes que delas realmente necessitam. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 16 Algumas considerações sobre a prescrição médica Da mesma forma que no ambiente hospitalar a demanda do paciente e a orientação ou prescrição médica nortearão os procedimentos executados, a necessidade de materiais e medicamentos. Os serviços de fisioterapia seguem o modelo de pagamento por procedimentos, com tabelas de preços atuais nas suas diversas formas e versões, acordadas entre fornecedor e gestor. Tanto no hospital quanto em domicílio os procedimentos serão executados com vistas à máxima atenção ao paciente. Porém, por mais que pareça que os gastos possam ser aumentados em domicílio, pelo deslocamento do profissional, muitas são as vantagens dessa abordagem. Veja a seguir. Vantagens da abordagem domiciliar Quer um exemplo? Nos serviços de emergência, vale ressaltar a experiência vivida pela Unimed- BH, relatada por funcionária. “Depois que o AD (Atendimento Domiciliar) foi incorporado à Central de Atendimento, o número de solicitação de ambulâncias para deslocamento de pacientes caiu significativamente, enquanto o número de atendimentos domiciliares cresceu em proporção ainda maior”. Segundo a mesma funcionária, tal situação repercute de maneira significativa na redução das reclamações e suas consequências pelo não envio de ambulância no tempo devido, e também “desafoga” os centros de urgência e emergência. Possibilita utilizar ventilação não invasiva (CPAP ou BIPAP) em vez de ventilação mecânica; Melhora o controle do número de sessões de fisioterapia, uma vez que estas têm que ser liberadas previamente, e de acordo com a demanda; Melhora a qualidade de vida para o paciente que se encontra num ambiente mais íntimo, familiar e consequentemente confortável. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 17 Mas você deve estar pensando que isso é realidade apenas no sistema privado de saúde, não é? Engano seu. O Sistema Único de Saúde (SUS) possui o Programa “Melhor em Casa” implantado desde 2011, com critérios devidamente estabelecidos e amparados por lei. O Ministério da Saúde anunciou o "Melhor em Casa" com objetivo de ampliar o atendimento domiciliar no Sistema Único de Saúde (SUS). Isso, para oferecer à população uma assistência multiprofissional domiciliar. São médicos, enfermeiros, fisioterapeutas que atenderão a idosos e pacientes crônicos em situação pós-cirúrgica ou com necessidade de reabilitação motora, de maneira a ficarem mais próximos dos familiares, tornar o atendimento médico mais humanizado e acolhedor e reduzir a demanda por internações nos hospitais. O tratamento realizado na casa do paciente e a proximidade com os familiares aumentam a percepção de segurança, sem as pressões psicológicas existentes dentro de um hospital. “O Melhor em Casa está proporcionando aos pacientes o atendimento de qualidade e em local que podem ser cuidados, ou seja, em casa, junto com a família. Assim todos se envolvem e contribuem para a recuperação da saúde do doente”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Você já parou para pensar em quanta dificuldade enfrenta o paciente que precisa de tratamento domiciliar, Home Care? Além do consumo físico, mental e emocional do paciente e da família, os gastos financeiros são excessivos, com medicamentos, insumos, alimentação especial, prestadores de serviços (médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas...), equipamentos, entre outros gastos. Por isso, O Governo Federal afirma que os recursos destinados ao programa terão a finalidade de custear esses gastos. O paciente que necessita de AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 18 atendimento domiciliar poderá requerer o tratamento por meio do Estado (União, Estados, Municípios) ou de seu plano de saúde, conforme contrato firmado. Quantos pacientes desconhecem seus direitos? Quantas pessoas não fazem o melhor tratamento de saúde por não ter condições para custeá-lo? Será que todos têm condições de cuidar de sua saúde com dignidade? Daí a importância do paciente ter informação e conhecimento acerca dos seus direitos, para que possa pleiteá-los. Todos nós temos direito à saúde. A Constituição Federal, em seu artigo 196, e a legislação complementar nos assegura para que tenhamos uma vida digna. No entanto, é fundamental que cada um de nós faça a nossa parte no sentido de divulgar tais informações e exigir tais direitos, a fim de beneficiar a sociedade como um todo. Atividade proposta Diante da nossa abordagem nesta aula e das suas reflexões, responda: Como o fisioterapeuta poderá desempenhar atuação importante e efetiva na auditoria de atendimentosdomiciliares? Chave de resposta: o fisioterapeuta é importante no serviço de auditoria pelo conhecimento técnico que possui de sua área, em detrimento dos outros profissionais; assim, no atendimento domiciliar, quer seja de âmbito público ou privado, com vistas ao alcance do tratamento proposto somado à redução de custos, o fisioterapeuta terá o papel de verificar a pertinência, a frequência, a quantidade e a qualidade dos serviços de fisioterapia prestados, bem como de sugerir adequações quando pertinentes. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 19 Material complementar Para saber mais sobre a atuação do fisioterapeuta como auditor e sobre a auditoria de qualidade na saúde, leia os textos disponíveis em nossa biblioteca virtual. Referências ALELUIA, I. R. S; SANTOS, F. C. Análise dos auditores em saúde quanto aos serviços públicos de fisioterapia. Revista Eletrônica Gestão & Saúde, V.04, n. 01, Ano 2013, p.1499-1515. BRASIL. Ministério Da Saúde. Portal Brasil. Publicado: 28.11.2012, 16h17. Última modificação: 29.07.2014, 09h02. Acesso em: 05 nov. 2014. MOTA, A. L. C.; LEÃO, E.; ZAGATTO, J. R. Auditoria médica no sistema privado. Abordagem prática para organizações de saúde. São Paulo: Iatria, 2005. NOGUEIRA, L.; RAPOSO, V. A governação em saúde e a utilização de indicadores de satisfação. Revista Port ClinGeral, n. 22,2006, p. 285-296. Exercícios de fixação Questão 1 Aleluia e Santos (2013), em seu trabalho de Análise dos Auditores em saúde quanto aos serviços públicos de Fisioterapia, verificaram que “a equipe de auditores do SUS que atua nos serviços de Fisioterapia no Estado da Bahia é constituída das mais diversas categorias profissionais relacionadas aos serviços que integram o SUS, destacando-se inclusive o predomínio de profissionais Médicos (37,5%) e Enfermeiros (35,0%)”. A partir de tal afirmativa pode-se inferir que: a) Há uma predominância de profissionais do sexo feminino e não foi observado nenhum profissional fisioterapeuta no grupo estudado. b) A faixa etária média geral foi de 42,8 anos e modal de 45 anos. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 20 c) Uma das principais dificuldades na auditagem dos serviços de Fisioterapia está relacionada ao conhecimento da nomenclatura dos procedimentos e equipamentos de Fisioterapia. d) Os auditores terão pleno conhecimento acerca dos procedimentos empregados na rotina dos serviços. e) Os profissionais não apresentarão dificuldade em associar as descrições contidas nas evoluções dos prontuários com os códigos dos procedimentos de Fisioterapia da tabela unificada. Questão 2 Caberá ao fisioterapeuta auditor exercer as atividades de “controle da execução” para verificar a adequação dos serviços ou a necessidade de maior aprofundamento, “avaliação da estrutura, processos aplicados e resultados alcançados” a fim de verificar a adequada eficiência, eficácia e efetividade. Assim, pode-se afirmar que o profissional deverá ter conhecimentos relacionados à (ao), EXCETO: a) Nomenclatura específica de todos os procedimentos e equipamentos de uma unidade de terapia intensiva. b) Conhecimento dos procedimentos fisioterapêuticos a serem empregados. c) Discriminação entre o que corresponde a sessões de fisioterapia motora e respiratória. d) Associação entre os descritores do prontuário com os códigos da tabela do SUS. e) Distinção entre o que corresponde a uma sessão ou a um procedimento de Fisioterapia. Questão 3 Todas as afirmativas abaixo justificam a participação do profissional da fisioterapia na equipe de auditoria, EXCETO: a) A grande quantidade de serviços de Fisioterapia no Brasil. b) O número crescente de usuários atendidos por ano. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 21 c) Os gastos públicos destinados à assistência em Fisioterapia cada vez maiores. d) O conhecimento técnico e específico e a necessidade de uma atuação muitiprofissional. e) Atender à exigência da Resolução nº 416/2012. Questão 4 O fisioterapeuta tem sua atuação voltada para: a) Construção do diagnóstico fisioterapêutico, baseado nos distúrbios cinéticos funcionais, em todos os níveis de atenção à saúde. b) Geração de novos conhecimentos por meio de investigação científica. c) Prescrição das condutas fisioterapêuticas, a sua ordenação e indução no paciente, bem como o acompanhamento da evolução do quadro clínico funcional e as condições para alta do serviço. d) Prescrição de princípios ativos alopáticos que atuem na limitação da resposta inflamatória. e) Desenvolvimento científico e intelectual, respeitando os princípios éticos, bioéticos e culturais do indivíduo e da coletividade. Questão 5 A presença de fisioterapeuta no processo de auditoria objetiva, EXCETO: a) Assegurar a continuidade dos cuidados e corresponder aos quesitos legais, nos quais os processos clínicos devem ser pertinentes e corresponder à prática clínica fisioterapêutica. b) Ampliar a área de atuação dos profissionais de fisioterapia, uma vez que o mercado encontra-se saturado em diversas sub-áreas. c) Contribuir significativamente nas auditorias pela pertinência de seus conhecimentos técnicos frente às práticas e garantir qualidade da assistência. d) Melhorar a efetividade na identificação e prevenção de possíveis fraudes, perdas, malversação dos recursos destinados à área. e) Integrar uma equipe cuja natureza deve ser multidisciplinar. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 22 Questão 6 Há uma crescente demanda por atendimento crônico, devido às evoluções na prestação de serviços, bem como ao aumento da expectativa de vida dos pacientes. Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao aumento dessa demanda: a) A família não tem estrutura ou condições de cuidar do paciente. b) A família não quer assumir a responsabilidade do cuidado e acha mais cômodo manter o ente internado. c) Os planos de saúde nem sempre cobrem o atendimento domiciliar ou a internação nos chamados hospitais de retaguarda ou de longa permanência. d) Os hospitais de alta complexidade nem sempre estão estruturados para atender os pacientes crônicos em suas necessidades de alimentação, higiene, vestuário, lazer. e) As instituições especializadas para pacientes de alta permanência proporcionam apoio médico complementar, com fisioterapia, fonoaudiologia, psicoterapia etc. Questão 7 O Programa “Melhor em Casa” é destinado a pacientes crônicos ou que necessitem de atendimento prolongado. Das informações abaixo, assinale aquela que relaciona o programa com a Atenção Básica, ajudando a reduzir as internações desnecessárias e as filas dos serviços de urgência e emergência. a) No primeiro ano de funcionamento do programa, foi constatado que os casos mais comuns atendidos pelas equipes são os de Acidente Vascular Cerebral, com 20%; seguido de casos de hipertensão, com 9,3%; e de pacientes com a doença de Alzheimer, com 5,4% dos atendimentos. b) Outros casos frequentes incluem pacientes com diabetes mellitus, com a doença de Parkinson, com doenças pulmonares e com fraturas de fêmur. c) Os pacientes que são atendidos pelas equipes do programa (53,7%) são encaminhados principalmente pelas Equipes de Saúde da Família ou estavam internados em hospital (28,9%). AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 23 d) Em novembro de 2012 o tratamento era garantido por 229 Equipes Multiprofissionais de Atenção Domiciliar e de Apoio espalhadas em 20 Estados e já alcança 16,2 milhões de brasileiros. e) Para 2014, o objetivo do Melhor em Casa foi alcançar a capacidade de atendimento para 60 mil pacientes, com 1.000 equipes de atenção domiciliar e 400 equipes de apoio implantadas. Questão 8 Além do Programa “Melhor em Casa”, foi assinada uma portaria interministerial pelosMinistros da Saúde e de Minas e Energia que garantirá um desconto de 10 a 65% (dependendo do consumo) nas contas de Energia Elétrica aos pacientes que fazem tratamento em casa e mantêm equipamentos médicos elétricos de modo contínuo. Tal iniciativa é justificável, pois: a) Geralmente, esses equipamentos, como os aparelhos de aspiração de secreções e de apoio à respiração, consomem muita energia, onerando demais seu usuário. b) Para requerer a isenção, basta que o paciente se inscreva no Cadastro Único do Programa do Governo Federal e comprove, por meio de laudo médico emitido pela Secretaria de Saúde Municipal ou Estadual, a necessidade do uso do equipamento. c) Necessita que o paciente atualize seu cadastro na concessionária de sua cidade e na Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). d) A saúde é um direito de todos e deve ser garantida pelos Municípios, Estados e União; logo, também são responsáveis os Ministérios da Saúde e de Minas e Energia. e) É amparada legalmente pela nossa Constituição, além de um dos princípios do SUS deixar claro que o atendimento em saúde deve ser igualitário. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 24 Questão 9 Do ponto de vista público, todas as afirmativas abaixo apresentam direitos dos indivíduos portadores de doenças crônicas que requerem atendimento domiciliar, EXCETO: a) Direitos como o fornecimento de medicamentos, insumos e alimentação especial, bem como a isenções de impostos, como imposto de renda que beneficia o paciente com doença grave que recebe provento de aposentadoria, pensão ou reforma. b) Paciente com mobilidade reduzida, mesmo que temporária, tem direito à isenção de IPVA, ICMS, IPI, IOP, IPVA na compra de um veículo automotor. Paciente com doença grave em tratamento ou titular saudável com dependente nessas condições faz jus à liberação de FGTS/PIS/PASEP. c) Quitação da casa própria é um benefício concedido para a pessoa com invalidez total e permanente, causada por doença ou acidente, desde que o contrato do financiamento tenha sido assinado antes da doença. d) O transporte gratuito deve ser concedido para pessoas com deficiências física, mental, auditiva ou visual ou com doenças graves que estão em tratamento. Além do transporte para tratamento fora de domicílio que garante o acesso do paciente de uma determinada cidade a serviços assistenciais fornecidos em outro município ou até em outro Estado. e) Direito à internação e permanência em hospitais de alta complexidade para pleno atendimento prolongado de suas necessidades. Questão 10 Na atualidade a formação do fisioterapeuta deve ser pautada no trabalho em equipe, pois este está inserido no sistema de saúde pública do país, e deve praticar, assim, a assistência integral à saúde da população num sistema regionalizado e hierarquizado. Com base nessa afirmativa todas as afirmativas estão corretas, EXCETO: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 25 a) O atendimento fisioterapêutico, individual ou em equipe deve ser pautado na patologia e na disfunção de base, não no indivíduo como um todo. b) A maioria das atividades desenvolvidas pelo fisioterapeuta é a somatória do cuidado com o usuário, em que a assistência sistematizada e humanizada garante a qualidade do atendimento. c) O profissional tem como função, ainda, gerenciar a assistência prestada, planejar e implementar as ações de educação em saúde dirigidas à população, bem como interagir com a equipe que compõe o elenco de trabalhadores no setor saúde. d) As atividades realizadas pelos fisioterapeutas permitem o reconhecimento da sua prática, e a análise crítica de sua relação com as demais produções de serviços do setor saúde. e) Para o desenvolvimento da prática é necessário repensar o processo de trabalho na sua totalidade dinâmica. Aula 1 Exercícios de fixação Questão 1 - C Justificativa: Uma vez que o conhecimento técnico e específico é uma característica essencial do profissional auditor, e que a formação do fisioterapeuta tem por objetivo dotar o profissional dos conhecimentos requeridos para o exercício de competências e habilidades como de prestar consultorias e auditorias no âmbito de sua competência profissional, uma equipe de auditores para serviços de fisioterapia sem profissionais habilitados em tal especificidade terá dificuldades no que diz respeito ao conhecimento específico da área. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 26 Questão 2 - A Justificativa: Caberá aos profissionais auditores o conhecimento da nomenclatura dos procedimentos e equipamentos pertinentes à atuação fisioterapêutica. Questão 3 - E Justificativa: A referida resolução regulamenta a atuação do fisioterapeuta no serviço de auditoria em saúde não faz exigências. Questão 4 - D Justificativa: O fisioterapeuta não é habilitado a prescrever princípios ativos, a menos que sejam homeopáticos, e sua atuação na limitação da resposta inflamatória se dá a partir de recursos eletro-termo-terápicos. Questão 5 - B Justificativa: Embora a área de auditoria amplie as possibilidades de atuação da fisioterapia, isso não pode ser considerado um objetivo. Questão 6 - D Justificativa: Os hospitais não estão estruturados para manter esses pacientes por longos períodos internados, uma vez que demandam vagas para casos agudos, frequentemente, porém, possuem estrutura para atender plenamente as necessidades dos pacientes crônicos. Questão 7 - C Justificativa: Os dados dos pacientes atendidos são das Equipes de Saúde da Família ou de hospitais, relacionam-se à Atenção Básica, e têm potencial para reduzir as internações desnecessárias e as filas dos serviços de urgência e emergência. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 27 Questão 8 - A Justificativa: Desconto nas tarifas de energia elétrica é justificável por uma condição de saúde que necessite de equipamentos elétricos de grande consumo. Questão 9 - E Justificativa: Os direitos dizem respeito ao atendimento domiciliar e não hospitalar. Questão 10 - A Justificativa: O atendimento, conforme explicita o enunciado, deve ser voltado para a assistência integral. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 28 Introdução Iniciaremos um novo tema relacionado à auditagem no sistema de saúde: auditoria em farmácia. A princípio, deve-se compreender que é amplamente necessário um modelo de gestão pautado na qualidade e eficiência dos produtos; este último pode ser entendido como bens e serviços prestados. Além disso, salienta-se que todo o processo de “produção” influencia o resultado final, que terá impacto para o usuário e para as empresas. Destarte, como processos bem elaborados geram redução de custos, fica ainda mais evidente a necessidade da auditoria no sentido de controlar e verificar esses métodos. Conheceremos, também, os indicadores básicos que podem ser analisados em uma auditoria em farmácia hospitalar. Vamos lá! Objetivo: 1. Compreender a caracterização e a importância de uma gestão de qualidade em farmácia hospitalar; 2. Identificar a relação entre a farmácia hospitalar e o processo de auditoria. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 29 Conteúdo Auditoria em farmácia hospitalar A farmácia hospitalar quer seja de serviço público ou privado, necessita ser adequadamente gerida, uma vez que se trata de uma unidade clínica administrativa e econômica, que tem por objetivo a oferta adequada dos serviços. A direção da farmácia hospitalar é de responsabilidade de profissional farmacêutico, e é ligada hierarquicamente à direção do hospital e integrada funcionalmente com as demais unidades de assistência ao paciente.A gestão em farmácia hospitalar, como mencionado, deve ser focada em prestar assistência farmacêutica. Entende-se por gestão, a exemplo do Sistema Único de Saúde e de acordo com a NOB/SUS/96, “a atividade e a responsabilidade de dirigir um sistema de saúde mediante o exercício de funções de coordenação, articulação, negociação, planejamento, acompanhamento, controle, avaliação e auditoria”. Assim, fica claro que o farmacêutico hospitalar é o responsável pelas atividades da farmácia de um hospital, o que inclui rotinas de serviço, as condutas realizadas e a adequação destas às normas organizacionais. Segundo Gianesi e Correa (1994, p. 32), os serviços não são padronizáveis; são, na verdade, “produtos intangíveis, consumidos concomitantemente à prestação e caracterizados pela presença do cliente”. A gestão de serviço Para uma boa gestão de prestação do serviço, o farmacêutico tem as funções básicas de: Gerenciar ativamente e programar o controle dos estoques dos medicamentos de acordo com o uso destes. Adquirir medicamentos adequados e provenientes de fornecedores confiáveis. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 30 Armazenar adequadamente os medicamentos para evitar perdas por caducidade ou falta de qualidade e, se necessário, dispensá-los (em dose coletiva, individual ou unitária) de maneira a reduzir as perdas por erros cometidos ao longo do trabalho. Atenção No modelo de mercado capitalista vigente, tanto a função do farmacêutico hospitalar quanto qualquer outra função desempenhada dentro de um sistema de prestação de serviços devem ser focadas na agregação de valor, ou seja, ser eficiente e eficaz, além de promover resultados que possibilitem sempre um nível superior de valor percebido pelo usuário ou consumidor e, também, pelo gestor. Práticas gerenciais seguras, legais e de qualidade Os gestores da farmácia hospitalar devem estabelecer práticas gerenciais que garantam processos mais seguros e conceitos de qualidade que valorizem a gestão de pessoas e métodos, atendendo, assim, as normas e legislações vigentes no país. Aqui, são necessários os conhecimentos empresarial e específico da área; este último inclui o farmacêutico em processos de auditoria, além de colocá-lo como responsável pela auditoria de sua área. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 31 Atenção O conhecimento é “uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas experiências e informações. Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais”. (DAVENPORT; PRUSAK, 1998, p. 6). Processos organizacionais e gerenciais Processo é um grupo de atividades realizadas em uma sequência lógica com o objetivo de produzir um bem ou um serviço. Assim sendo, os métodos organizacionais e gerenciais também são conhecidos como processos de negócio ou de suporte, porque apoiam o funcionamento dos processos primários, que visam à geração de resultados para os clientes. Deve-se ressaltar também que o desenvolvimento de produtos (bens e serviços) exige uma sequência de trabalhos que facilita os passos de cada etapa da produção. A importância do gerenciamento de processo Esses conceitos apresentados remetem a um fluxo de trabalho com entradas e saídas claramente definidas. Isso posto, a ideia de fluxo de trabalho mostra aos colaboradores e clientes como a organização desenvolve seus produtos (bens ou serviços). Essa maneira de trabalhar confere credibilidade à organização devido à transparência do método de trabalho e à vantagem competitiva adquirida pelo compartilhamento de informações entre seus colaboradores. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 32 A organização dos trabalhos possibilita a incorporação dessas informações nos repositórios, reduzindo a vulnerabilidade da organização nos casos de rotatividade de seus colaboradores. Papéis e rotinas podem permitir que o conhecimento permaneça através do tempo em organizações, até mesmo em face da rotatividade individual de seus membros. Outra maneira de reter e transferir conhecimento é pela estruturação dos processos de trabalho. Conseguir que os conhecimentos dos indivíduos passem para a organização e permaneçam em alguma estrutura para a sua utilização futura é o que nos faz entender a importância do gerenciamento de processo como organizador das atividades e do conhecimento que, no exemplo do estudo, é classificado como organizacional. Podemos vislumbrar a importância do gerenciamento também na qualidade dos serviços para possibilitar a intervenção com medidas corretivas em alguma parte do percurso, o que implica que as atividades em um processo dependem de outras, fazendo com que o gerenciamento acompanhe cada passo. Em suma, temos a importância das práticas gerenciais com processos seguros, que são organizacionais e gerenciais, e garantem a otimização do desenvolvimento de produtos (bens e serviços). Tudo isso ocorre em etapas, o que garante transparência, credibilidade, vantagem competitiva e organização dos trabalhos. Sem a organização dos trabalhos, a empresa estaria vulnerável à rotatividade dos colaboradores. Mas e os custos? Será, meu caro, que eles serão influenciados pelos processos organizacionais? É evidente que sim, e isso é bastante pertinente quando nosso assunto é auditoria. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 33 O gerenciamento de processo, ao mesmo tempo em que concentra seus esforços na melhoria contínua das atividades que agregam valor aos bens e serviços, procura eliminar aquelas que apenas geram custos. O acompanhamento e a intervenção dos passos que compõem um processo possibilitam o máximo aproveitamento do conhecimento, que, por isso, pode ser considerado uma ferramenta de gestão. Nos hospitais e em outros serviços de saúde, a assistência farmacêutica é parte integrante e essencial dos processos de atenção à saúde em todos os níveis de complexidade. Através das características das ações desenvolvidas e dos perfis dos usuários atendidos, torna-se primordial que as atividades da unidade de farmácia sejam executadas de forma que garanta efetividade e segurança no processo de utilização dos medicamentos ou outros produtos para a saúde. A assistência farmacêutica nos hospitais brasileiros tem evoluído muito nas últimas décadas. Apesar dessa evolução, ainda é comum encontrarmos situações extremas, ou seja, muitas instituições que dispõem de um único farmacêutico que realiza geralmente apenas atividades burocráticas e administrativas, enquanto poucos serviços estão estruturados para realizar assistência farmacêutica de qualidade, incluindo as atividades clínicas e atenção farmacêutica. O diagnóstico da farmácia hospitalar no Brasil, realizado em 2004, detectou uma baixa adequação aos indicadores propostos, situação considerada grave, pois eram itens classificados na legislação vigente como indispensáveis ou necessários, bem como padrões mínimos de qualidade apontados na literatura nacional e internacional. Daí a importância da auditoria na busca, não só na redução dos custos, mas também de uma prestação de serviços de qualidade. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 34 A fiscalização hospitalar Até 2008, a fiscalização em farmácia hospitalar consistia na verificação de ausência ou presença do profissional farmacêutico, visto que, durante esse período, o objetivo principal dos conselhos regionais de farmácia era inserir o farmacêutico nas instituições hospitalares.Com a consolidada presença do profissional farmacêutico dentro dos hospitais, surge uma nova etapa: garantir a melhoria contínua da qualidade da assistência farmacêutica prestada. A assistência farmacêutica trata de um conjunto de ações voltadas à promoção, proteção e recuperação da saúde individual e coletiva, tendo o medicamento como insumo essencial. Esse auxílio também visa ao acesso e uso racional de remédios. Atenção A assistência farmacêutica também pode ser compreendida no conjunto de suas ações/processos ou em cada uma de suas etapas constitutivas. Esse conjunto envolve a pesquisa, o desenvolvimento e a produção de medicamentos e insumos, bem como a sua seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição, dispensação, acompanhamento e avaliação de sua utilização na perspectiva da obtenção de resultados concretos e da melhoria da qualidade de vida da população. Perspectivas para avaliação Como ferramenta de acompanhamento ou avaliação, a auditoria em farmácia hospitalar deve ser construída de acordo com os enfoques clássicos para avaliação da qualidade em saúde, que são estrutura, processo e resultado. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 35 Estrutura O auditor deve avaliar os aspectos relacionados à organização física dos espaços, existência de equipamentos e procedimentos necessários para a adequada execução das atividades, análise quantitativa e qualitativa dos recursos humanos, entre outros. Processo O auditor avaliará todas as atividades que ocorrem entre profissionais e pacientes, as quais, geralmente, resultam em registros escritos, a partir dos quais poderão ser avaliados. Resultado Aqui, pode-se verificar se os objetivos propostos foram atingidos, e se os resultados relacionados à melhoria do estado do paciente foram obtidos. Esse enfoque é o mais direto para medir a qualidade da assistência farmacêutica prestada. Procedimentos de fiscalização A lista de verificação é elaborada pela equipe de auditores, com base no arcabouço legal vigente e nas normatizações de qualidade adotadas pela instituição, esta em conformidade com padrões, guias ou manuais. Os itens da lista de verificação constituem indicadores dos processos básicos da assistência farmacêutica. Assegurar uma terapêutica racional e de baixo custo; Promover o uso racional de medicamentos e assegurar o acesso aos fármacos seguros, efetivos e de qualidade; Possibilitar maior eficiência ao ciclo de assistência farmacêutica ao reduzir o número de produtos farmacêuticos que serão adquiridos, armazenados e distribuídos; Escolher, dentre o que existe disponível no mercado, o que atenderá com eficiência e segurança às necessidades de uma dada população, tendo como AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 36 base as doenças prevalentes, garantindo terapêuticas medicamentosas racionais e proporcionando ganhos econômicos; Padronizar condutas terapêuticas com base em evidências científicas; Desenvolver mecanismos de gestão de risco que assegurem um aumento da segurança e eficiência do plano terapêutico; Racionalizar os gastos com saúde, otimizando os recursos disponíveis ao restringir o uso de medicamentos ineficazes e desnecessários; Propiciar condições para o desenvolvimento da farmacovigilância. Os benefícios da racionalização se expressam em sofrimentos evitados na redução do tempo de ação da doença e no período de hospitalização, com repercussões econômicas para as instituições e a sociedade. Determinar a conformidade dos elementos de um sistema ou serviço aos padrões/normas/requisitos estabelecidos pela organização, ou seja, verificar se o sistema está funcionando conforme o previsto; Observar se os processos normatizados têm seus procedimentos obedecidos, e se o pessoal está adequadamente treinado; Avaliar se as não conformidades são identificadas e corrigidas e se estas correções ocorrem com rapidez, eficácia e eficiência de forma a garantir o cumprimento das metas propostas pela organização. A organização de auditorias em farmácia hospitalar é fortemente baseada na legislação sanitária brasileira. Apesar de estarem limitadas por enfoques de estrutura ou processo, as normas sanitárias fornecem grande parte do material necessário para avaliação da qualidade da assistência farmacêutica prestada. Os principais pontos observados pelos auditores na execução de auditorias em farmácia hospitalar são os componentes da assistência farmacêutica hospitalar: seleção, programação, aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 37 É necessário entender que a auditoria é um procedimento formal, baseado na análise sistemática de fatos e documentos, e que deverá ser realizada por profissional capacitado. Na medida em que a farmácia hospitalar tem sua participação consolidada no cenário de avaliação da qualidade de organizações hospitalares, o farmacêutico que já acompanha esta tendência despertou para esta importante possibilidade de atuação profissional. A logística para aquisição, armazenamento, distribuição e dispensação dos fármacos será abordada na próxima aula, juntamente com uma abordagem sobre as ferramentas de qualidade. Atividade proposta O Ministério da Saúde criou e legitimou a Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT), que é uma instância colegiada, de caráter consultivo e deliberativo, que objetiva assessorar o administrador e a equipe de saúde em assuntos referentes a medicamentos. É a CFT que estabelece normas e procedimentos relacionados à seleção, distribuição, produção, utilização e administração de fármacos e produtos para a saúde, bem como padroniza, promove e avalia o uso seguro e racional dos medicamentos no hospital. Também é de responsabilidade da comissão avaliar periodicamente o que se tem disponível na farmácia, promovendo inclusões ou exclusões segundo critérios de eficácia, eficiência clínica e custo, além de normatizar procedimentos relacionados à terapêutica medicamentosa, fazer estudos sobre medicamentos, elaborar programas de notificação e acompanhamento de reações adversas. As CFTs devem possuir caráter multidisciplinar e dinâmico; para tanto, devem ser compostas de um médico presidente, médicos representantes das diversas AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 38 clínicas de acordo com a característica do hospital, farmacêutico e representantes da enfermagem. Agora, expresse sua avaliação a respeito do caráter multidisciplinar da CTF. Chave de resposta: Espera-se que o aluno discorra sobre a pertinência da multidisciplinaridade, uma vez que são realmente necessários: • Médicos das diversas clínicas, porque representam “clientes” da farmácia hospitalar; • Representantes da enfermagem, pois são eles que realizam a maioria da execução das prescrições; • Farmacêuticos, por possuírem conhecimento técnico específico sobre os produtos. O fisioterapeuta é importante no serviço de auditoria pelo conhecimento técnico que possui de sua área, em detrimento dos outros profissionais; assim, no atendimento domiciliar, quer seja de âmbito público ou privado, com vistas ao alcance do tratamento proposto somado à redução de custos, o fisioterapeuta terá o papel de verificar a pertinência, a frequência, a quantidade e a qualidade dos serviços de fisioterapia prestados, bem como de sugerir adequações quando pertinentes. Material complementar Para saber mais sobre o temo da aula, leia o texto disponível em nossa biblioteca virtual. Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Norma Operacional Básica do Sistema Único de Saúde/NOB-SUS - 01/1996. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília: 06 nov. 1996. AUDITORIA EM ODONT., FISIO.,FARMÁCIA E ENFERMAGEM 39 CIPRIANO, Sonia L.; PINTO, Vanusa B.; CHAVES, Cleuber E. Gestão estratégica em farmácia hospitalar: Aplicação prática de um modelo de gestão para qualidade. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2009. DAVENPORT, Thomas H.; PRUSAK, Laurence. Conhecimento empresarial: como as organizações gerenciam o seu capital intelectual. Tradução Lenke Peres. Rio de Janeiro: Campus, 1998. FILHO, Wladmir M. B.; FERRACINI, Fábio T. Prática Farmacêutica no Ambiente Hospitalar: Do Planejamento à Realização. 2. ed. Rio de Janeiro: Editora Atheneu, 2010. GIANESI, Irineu G. N.; CORRÊA, Henrique Luiz. Administração Estratégica de Serviços. São Paulo: Atlas, 1994. Exercícios de fixação Questão 1 O farmacêutico deve ser o responsável pela auditoria de sua área, porque existem elementos que sustentam a necessidade da gestão guiada pelo conhecimento. Assinale a alternativa que NÃO está de acordo com essa afirmativa. a) Serviços de difícil padronização ficam a cargo da habilidade e do conhecimento do executor. b) A exigência da atuação por meio de práticas gerenciais seguras, legais e de qualidade. c) O gerenciamento de processo concentra seus esforços na melhoria contínua das atividades que agregam valor aos bens e serviços. d) A gerência embasada no conhecimento deve eliminar as atividades que apenas geram custos. e) O acompanhamento dos passos que compõem um processo gera o conhecimento necessário à gestão. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 40 Questão 2 O trecho “uma maneira de reter e transferir o conhecimento é a estruturação dos processos de trabalho” é exemplificado em todas as ações descritas abaixo, exceto: a) Elaborar roteiro das atividades a serem desenvolvidas, que deve ser constantemente atualizado de acordo com as demandas. b) Registrar adequadamente, em formulário interno próprio, a evolução diária. c) Identificar-se como colaborador responsável pelas ações realizadas e registradas na evolução. d) Preencher os formulários da maneira mais simplificada e rápida possível a fim de evitar perda de tempo. e) Reportar-se ao superior direto se notar necessidade de adequação de alguma rotina com vistas ao bom desempenho. Questão 3 Analise as afirmativas a seguir: I – Espera-se que o serviço de farmácia contribua diretamente para os resultados da assistência prestada aos pacientes. II – É essencial que a estrutura da farmácia seja adequada, e os procedimentos operacionais bem definidos. Agora, assinale a alternativa CORRETA: a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a condição para a realização da primeira. b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a conseqüência da segunda. c) Ambas as alternativas estão errada. d) Apenas a primeira alternativa está correta. e) Apenas a segunda alternativa está correta. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 41 Questão 4 Sobre os componentes e indicadores observáveis na avaliação das farmácias hospitalares, assinale a alternativa correta. a) O componente gerenciamento lida com o indicador de metas estabelecidas cumprida. b) O componente programação guarda relação com a manutenção dos estoques. c) O componente aquisição guarda relação com a qualificação dos fornecedores. d) O componente armazenamento relaciona-se com a redução das perdas, assim como o componente distribuição. e) Todas as alternativas estão corretas. Questão 5 A seleção de medicamentos aparece como atividade essencial para a farmácia hospitalar, oferecendo a base para o desenvolvimento das demais atividades e para seu uso seguro e racional. A atividade geralmente envolve a constituição de uma comissão responsável pelo processo – normalmente denominada Comissão de Farmácia e Terapêutica (CFT). Sobre o processo de seleção para aquisição, não é correto afirmar que: a) O processo de seleção pela CFT deve gerar uma lista de medicamentos essenciais (LME) e uma avaliação dos resultados alcançados. b) O processo de seleção é imprescindível para a farmácia hospitalar, e sua falta torna acrítica a gestão desta. c) Uma lista de compras funciona como uma LME, uma vez que sua função é discriminar as necessidades do estoque. d) No caso de uma gestão acrítica, os medicamentos selecionados não respondiam às necessidades dos pacientes internados. e) A elaboração de uma LME considera o estoque e o perfil populacional e de atendimento, não podendo, por isso, ser padronizada. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 42 Questão 6 Apenas uma das as alternativas abaixo evidencia motivos diretos pelos quais a auditoria se consolidou nas rotinas farmacêuticas. Assinale-a. a) A busca pela excelência na qualidade da prestação assistencial nos serviços de saúde com o uso eficiente dos recursos econômicos tem sido o principal motivo para as mudanças ocorridas na prática de auditoria clínica. b) A formação de um mercado competitivo com o surgimento de diversas empresas e a padronização sistemática da prática com a publicação de manuais para as boas práticas de auditoria. c) A ampliação das fontes de consulta e de verificação nos serviços de saúde e a definição do foco de interesse (auditoria de cuidados de saúde e auditoria de custos). d) A criação de cargos de auditor em saúde pela administração pública e a incorporação de outros profissionais da saúde, a exemplo do farmacêutico. e) A introdução da prática de auditoria, originária da contabilidade entre os séculos XV e XVI na Itália, na área da saúde no século XX como ferramenta de verificação da qualidade da assistência. Questão 7 As afirmativas abaixo justificam plenamente a auditoria farmacêutica como integrante da auditoria clínica, exceto: a) A importância que assume os medicamentos no contexto dos sistemas de saúde. Tais produtos desempenham um papel fundamental na terapêutica dos pacientes, salvando vidas e ocasionando bem-estar a seus usuários. b) Os medicamentos ocupam um lugar de destaque no gasto com saúde em vários países e são responsáveis por registros de casos de eventos adversos graves, incluindo óbitos. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 43 c) Bens de consumo especiais são, sem dúvida, os produtos sujeitos a uma maior regulação por parte das autoridades de saúde e fazem parte de um rigoroso controle administrativo por empresas privadas. d) A Resolução nº 508, de 29 de julho de 2009, do Conselho Federal de Farmácia. e) A exigência dos sistemas de saúde de descentralização do poder médico nas auditorias. Questão 8 Analise as afirmativas a seguir: I – Os procedimentos de auditoria não são uniformes e não estão sistematizados. II – A execução da auditoria está pautada na legislação e na interpretação de cada auditor. Agora, assinale a alternativa correta. a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é consequência da primeira. b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é consequência da segunda. c) Ambas as alternativas estão erradas. d) Apenas a primeira alternativa está correta. e) Apenas a segunda alternativa está correta. Questão 9 São os principais pontos observados pelos auditores na execução de auditorias em farmácia hospitalar, exceto: a) Seleção e programação. b) Comercialização e pós-venda. c) Aquisição e armazenamento. d) Distribuição e dispensação. e) Os componentes da assistência farmacêutica hospitalar. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 44 Questão 10 A observância dos indicadores pelos profissionais tem como objetivo, exceto: a) Uma autoavaliação dos serviços prestados. b) A elaboração e implementação de planos de melhoria. c) Reestruturar os estoques da farmácia hospitalar. d) Atingir metas propostas. e) Preparar para receber a fiscalização. Aula2 Exercícios de fixação Questão 1 - E Justificativa: Embora a prática contribua muito para a qualidade da gestão, o conhecimento específico é pré-requisito para uma gestão eficiente. Questão 2 - D Justificativa: Por mais que demande tempo, o preenchimento dos documentos deve ser rigoroso, uma vez que se trata do histórico dos processos internos, que pode ser útil em casos, por exemplo, de rotatividade de funcionários. Questão 3 - A Justificativa: A questão explora o papel primordial da farmácia e evidencia a adequação da estrutura e dos serviços como prerrequisito para a realização dessa função. Questão 4 - E Justificativa: Todas as afirmativas são observáveis na avaliação das farmácias hospitalares por se tratarem de funções básicas do farmacêutico. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 45 Questão 5 - C Justificativa: Uma lista de compras não pode substituir a LME, uma vez que não contempla as necessidades populacionais e o perfil de atendimento. Questão 6 - D Justificativa: Embora as demais alternativas estejam corretas, a letra D é a que reforça a presença de outros profissionais da saúde na auditoria. Questão 7 - E Justificativa: Embora haja a necessidade de participação de outros profissionais de saúde nos serviços de auditoria, não se tratou de exigência, e, sim, da pertinência de outros profissionais devido ao conhecimento específico da área. Questão 8 - A Justificativa: A interpretação de cada auditor é extremamente necessária e pertinente, porque os procedimentos de auditoria não são uniformes, sistematizados e padronizados. Questão 9 - B Justificativa: Apenas a alternativa “B” não apresenta componentes da assistência farmacêutica hospitalar, que caracterizam, também, as funções básicas do farmacêutico. Questão 10 - C Justificativa: Os estoques não são objetos de análise dos indicadores. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 46 Introdução Como vimos, o objetivo da farmácia hospitalar é prover os medicamentos e/ou os produtos para a saúde no momento em que são requeridos, na quantidade necessária, com qualidade assegurada, ao menor custo possível. Embora aparentemente o peso das despesas com medicamentos não seja tão alto, este é um instrumento crucial para a assistência ao paciente e sua participação nas despesas com saúde vem subindo de forma progressiva nos últimos anos. De acordo com a OMS, o uso racional de medicamentos pressupõe que os pacientes recebam medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade. O farmacêutico hospitalar, como administrador de materiais, deve estar constantemente acompanhando a cadeia logística que envolve esses produtos, daí a pertinência desta nossa aula. Objetivo: 1. Conhecer a cadeia logística na gestão de abastecimento de farmácias; 2. Compreender e conhecer e a aplicação das ferramentas de qualidade. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 47 Conteúdo A gestão de abastecimento de farmácias Para que haja a correta seleção de medicamentos, é necessário um trabalho contínuo, multidisciplinar e participativo. Só assim a população terá a garantia de acesso aos fármacos mais necessários a um determinado nível de assistência, de maneira eficaz, segura e racional. Cabe ao farmacêutico promover adequada gestão de estoques, pois esta irá permitir que ele diminua seu tempo na dedicação a tarefas administrativas, poupe espaço de armazenamento, aumente a produtividade pessoal, ajude na racionalização da terapêutica, permita contenção de gastos com medicamentos e garanta o uso seguro de todos os fármacos e insumos. Atenção Essas responsabilidades não podem ser delegadas a outro profissional, porque essas avaliações requerem conhecimento profissional e julgamentos os quais somente o farmacêutico está apto a fazer, além disso, é este profissional que responde ética e juridicamente pelas questões relativas aos medicamentos. Nas farmácias hospitalares, a gestão de estoques é ferramenta fundamental para a eficiência de prestação dos serviços farmacêuticos e deve ter como meta primordial evitar a ruptura dos níveis de estoque, o que determinaria a interrupção das atividades assistenciais. A tendência atual Hoje, o mercado procura investir em: Grande quantidade de capital na contratação de serviços. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 48 Na utilização de mão de obra especializada e em tecnologia para trabalhar com níveis de estoque os mais baixos possíveis, devido ao elevado custo de manutenção de estoques. E a necessidade de disponibilidade de capital para aporte de tecnologia e investimento em outras atividades mais lucrativas e menos dispendiosas. Atenção Desta forma, a redução de estoques, aliada ao seu controle rigoroso e seguro, permite que as empresas possam desviar capital para investimento e lucro de forma rápida, sem incorrer na imobilização desse capital em estoques, que não gera lucro e ocasionalmente transforma-se em perdas. Mas como monitorar o estoque farmacêutico? O ideal para manutenção dos estoques farmacêuticos seria algo em torno de comprar as necessidades a cada 15 a 30 dias, porém, sabemos que em algumas instituições, principalmente alguns órgãos públicos, essa situação é impraticável, devido aos riscos inerentes à burocracia regulamentar. Em relação às instituições hospitalares, a necessidade de investimento na diversificação dos serviços oferecidos, aliada à complexidade dos métodos de diagnóstico e tratamento e à crescente oferta de novos fármacos, torna a tarefa da Farmácia bastante complexa, porém imperativa para a administração farmacêutica na competição dos recursos, devido à diversidade de patologias para atendimento e aos desafios financeiros enfrentados por qualquer empresa. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 49 Atenção A redução dos estoques não é uma tarefa isolada, requer maior eficiência nas atividades de controle e armazenamento, processamento de pedidos, distribuição, administração e conta hospitalar. Caso contrário, haverá ruptura no fornecimento para o cliente. Então, como poderiamos definir a logística? Podemos definir a logística por meio dos seguintes processos: Abastecer os clientes, através de técnicas que assegurem a disponibilidade do produto certo... Na quantidade certa, ao preço certo, na hora certa... Sem avarias e acompanhado de documentação correta. Assim, fica evidente a necessidade de gerenciamento, fluxo e distribuição dos medicamentos com vistas à garantia de satisfação dos clientes e ao crescimento da empresa. Então, como podemos ser assertivos dentro dessa cadeia logística? O planejamento é essencial. Deve haver um levantamento de informações sobre os recursos financeiros disponíveis, bem como estabelecimento das necessidades de consumo. Na sequência, após o planejamento, temos a necessidade da tomada de decisões. Assim, temos as ações de abastecimento que são a aquisição, o recebimento, a inspeção, o armazenamento e a dispensação dos produtos. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 50 Para esses procedimentos é necessária a administração de bancos de preços, a avaliação da qualidade, a certificação de fornecedores e o retorno das informações, bem como o estabelecimento de exigências contratuais e condições de pagamento. Na prática, a execução do gerenciamento implica ações de solicitação e recepção de materiais, produção e teste dos produtos, armazenamento, embalagem e dispensação. Não se pode perder de vista a avaliação das possíveisnecessidades de mudanças no sistema, equipamentos, que serão evidenciados durante essa execução e que objetivam, sempre, melhoria da qualidade dos serviços produzidos. A dispensação de medicamentos e produtos relaciona-se com pedidos, medicamentos, clientes, rótulos, embalagens específicas, ou seja, tudo aquilo que norteia o fornecimento dos produtos aos clientes. Então, vimos que o processo de utilização dos medicamentos é um sistema contínuo, que começa com a percepção da necessidade de utilização do fármaco e termina com a avaliação de sua eficácia no paciente. Mas todo esse processo deve considerar a questão dos custos dos serviços farmacêuticos e os níveis de estoque. É necessário que o farmacêutico avalie os benefícios e os custos de todo o processo de utilização dos medicamentos, sem que o processo de redução de estoques induza a qualquer diminuição da qualidade dos produtos oferecidos. Também devemos estar atentos à qualidade, eficiência, eficácia e segurança. Isso se faz necessário porque os fármacos produzidos atualmente se mostram mais específicos e muito mais potentes, mas há uma pressão da indústria sobre AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 51 a introdução de novos fármacos, com custos muito maiores, que em sua maioria não representam nenhuma melhoria na qualidade final dos tratamentos. O serviço de farmácia deve competir igualmente com outros serviços do hospital para obtenção de recursos necessários. Faz-se necessário demonstrar que o gasto com medicamentos na unidade hospitalar é revertido em benefícios para a instituição na medida em que garante melhorias na prestação dos serviços aos clientes. Bem, ao analisar essa cadeia logística presente nas farmácias fica evidente que os objetivos do serviço prestado são suprir as reais necessidades do hospital de acordo com o perfil epidemiológico e enfermidades prevalentes; proporcionar ganhos terapêuticos e econômicos; além de selecionar adequadamente os fornecedores que atendam aos critérios exigidos pela instituição hospitalar, bem como à legislação vigente. Para tanto, a aquisição de medicamentos pode ser simplificada mediante a aplicação das ferramentas que garantam a qualidade e a classificação útil dos produtos e clientes. Essas são estratégias padrão para a gestão do estoque em farmácia hospitalar, que serão abordadas a seguir. A prestação de serviços ao paciente O gerenciamento eficiente de estoques exige que a classificação seja condizente com a estratégia da instituição e com os objetivos da prestação de serviços aos pacientes. Assim também é necessária a definição do nível de exigência e a importância estratégica de cada cliente (ex.: serviço de anestesia, emergências, centros de tratamento intensivo), pois cada cliente possui uma necessidade específica de atendimento e de produtos que determina os esforços necessários para a prestação da melhor assistência. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 52 Para boa realização do gerenciamento de estoques de cada produto, é necessária uma classificação de produtos e clientes. Atenção Quanto aos produtos, estes devem ter definidos, o tamanho do seu estoque máximo (incluindo estoque de segurança) e um local determinado e demarcado, para que uma inspeção visual possa estimar imediatamente a quantidade em estoque. Também é necessária uma padronização e normatização quanto à embalagem, prazo de validade, concentração, metodologia de fabricação, fabricantes autorizados ao seu fornecimento específico e quantidades de ressuprimento. São extremamente importantes as classificações do produto quanto à sua atividade terapêutica, sua importância estratégica e econômico-financeira, sua natureza e quanto ao seu giro de estoque. Do mesmo modo, deve ser definido claramente, qual especialista está autorizado a prescrever e administrar cada produto. A classificação ABC Essa classificação agrupa os produtos de acordo com características similares, com a finalidade de facilitar o controle de estoques. O processo normal de classificação coloca em sequência os produtos, de forma que os itens com características similares são postos no mesmo grupo, por ordem de importância econômica. E como podemos organizar esse processo? Os produtos são classificados em ordem decrescente, por volume de saída, de modo que produtos com maior valor agregado (custo x quantidade média) são relacionados antes dos produtos com menor giro. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 53 Como é montada a estrutura da ABC? Ela é montada a partir do consumo de cada medicamento. Estabelece-se o consumo médio para um ano, de cada item, multiplica-se este consumo médio pelo preço unitário, para achar o custo total do item. Como realizar esse cálculo? Daí calcula-se, para cada medicamento, o percentual dele em relação ao somatório dos custos (equivalente a 100%) e obtém-se o percentual do medicamento em relação ao custo total. CATEGORIA % PRODUTOS %IMPORTÂNCIA A 10-20 70-80 B 21-49 10-30 C 50-70 3-10 Considerações importantes sobre a classificação Em geral, a classificação ABC mostra que a maior parte dos volumes de venda (ou de qualquer outro fator de classificação) decorre de relativamente poucos produtos ou clientes. Produtos de alto volume ou de alto giro são geralmente classificados na categoria A. Produtos de volume e giro moderados são classificados na categoria B e produtos de baixo volume ou giro são classificados na categoria C. A classificação ABC, também conhecida como classificação de Pareto, visa identificar os produtos de acordo com sua importância financeira, sendo uma ferramenta orientadora para o gestor, podendo gerir de forma otimizada e adequada cada item segundo a sua representatividade no capital investido. As três classes de medicamentos Como vimos, os medicamentos são separados em três classes de itens: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 54 Os itens da Classe “A” representam a menor quantidade de itens com o maior custo financeiro, que devem ser gerenciados com atenção especial; Os itens da Classe “B” representam os itens com valor intermediário de quantidade e de custo financeiro; Os itens da Classe “C” representam o grupo de maior quantidade de itens com o menor custo financeiro, que podem justificar menor atenção no momento do gerenciamento. Atenção Através da análise dessa Classificação ABC, devem se estabelecer prioridades para a programação de aquisição e controle dos estoques, observando a quantidade consumida de um determinado produto e o seu custo em relação aos demais itens para um período. O agrupamento dos esforços da administração em estabelecer estratégias de estoques concentrando produtos similares facilita para cada segmento de produtos; porém, a característica dos produtos farmacêuticos não recomenda que o controle de estoques seja realizado somente baseado na importância econômica dos produtos. Uma estratégia mais eficiente para classificação de medicamentos deve levar também em consideração a sua importância para os pacientes. O ideal é a implantação dos dois métodos de classificação, para se estabelecer um índice combinado. Agrupamentos classificatórios A classificação ABC agrupa produtos que têm importância estratégica e econômica similares. A combinação pode ser feita entre os métodos ABC e XYZ. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 55 Na classificação XYZ, os produtos são classificados de acordo com sua importância de utilização, ou seja, é utilizada para se controlar os estoques do ponto de vista de importância de utilização. Nesse contexto, temos: Medicamento classe X: Possuem elevado número de similares; tem menor importânciaestratégica e sua falta não interfere diretamente no atendimento. Exemplo: Analgésicos; diuréticos. Medicamento classe Y: Possuem elevado número de similares; tem certa importância estratégica, pois sua falta interfere no atendimento. Exemplo: soros. Medicamentos classe Z: Possuem restrito número de similares ou não os possuem. Tem grande importância estratégica e sua falta interfere no atendimento. Exemplo: Sulfadiazina de prata em centro de tratamento de queimados. O controle de estoque Assim, fica claro que o controle de estoques deve ser realizado da seguinte maneira: Deve ser um procedimento baseado tanto na importância econômica dos produtos quanto na sua importância para os pacientes, ou seja, a combinação dos sistemas ABC e XYZ pode ser bastante útil para uma programação mais ajustada e pode nos auxiliar na tomada de decisão em relação à prioridade. Como vimos, a aquisição de medicamentos é ponto extremamente importante, dessa forma, para uma gestão de farmácia adequada, a ferramenta de qualidade dos 5W e 2H se faz bastante pertinente e útil. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 56 Devemos observar sete pontos cruciais aplicáveis para aquisição de medicamentos. São eles: 1 - Quem vai comprar – Who. Nesse ponto é imprescindível a capacitação e treinamento da equipe, pois a definição de um fluxo operacional para o processo de compras, com atribuições e responsabilidades agiliza o processo. 2 - O que comprar? What - O controle de estoques dos produtos selecionados define quando desencadear o processo da compra prevenindo possíveis rupturas de estoque. 3 - Quando comprar? When – Identificar o momento ideal da compra para reposição de estoques seguindo planejamentos e estratégias com avaliação criteriosa das curvas ABC e Curvas XYZ. 4 - Onde comprar, ou seja, de qual o fornecedor? Where - Seleção e qualificação de fornecedor. Para isso contribui muito ter um cadastro de fornecedores que permita selecionar aqueles com as melhores condições de atender às necessidades de entrega, com preço competitivo e qualidade assegurada. Os fornecedores selecionados devem atender todos os requisitos legais de documentação e autorizações de fabricação e comercialização. 5 - Por que comprar? Why – justificar a compra com base em controles de segurança, o estudo da demanda e as variações sazonais. 6 - Quanto comprar e quanto custa? How many/How much – estabelecer uma programação e avaliar relação de custo-benefício, avaliar melhores prazos de entrega e de pagamento. Negociações de preços dos medicamentos tendem a reduzir conforme o volume da compra efetuada. A opção por contratos de compra com volume maior, com prazo determinado e entregas parceladas costumam apresentar vantagens como regularidade no abastecimento, redução AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 57 dos estoques e nos custos de armazenamento, garantia de medicamentos com prazos de validade favoráveis e execução financeira planejada e gradual. 7 - Como comprar? How - Como é realizado e qual a modalidade escolhida para o processo da aquisição. As compras podem ser feitas por meio de licitação, dispensa de licitação ou inexigibilidade de licitação. Sempre que possível, elas deverão ser processadas com os laboratórios oficiais ou por meio do sistema de registro de preços. No setor privado utiliza-se a cotação de preços, leilão eletrônico, não devendo esquecer que as compras também podem acontecer em regime de urgência (para atender casos esporádicos e específicos). Seja qual for a escolha do setor público ou privado, o processo da compra deverá atender a critérios técnicos e legais. Para uma gestão eficiente na assistência farmacêutica, o processo de aquisição de medicamentos deve ser valorizado, realizado dentro dos padrões de referência para qualidade e executado por pessoal qualificado com estrutura mínima adequada, somente dessa forma poderemos evitar rupturas no estoque e consequente desabastecimento de medicamentos, materiais e/ou insumos farmacêuticos. Assim haverá êxito na resolutividade dos problemas do dia a dia e na racionalização dos procedimentos de compra com impacto positivo na cobertura assistencial. Atividade Proposta A figura abaixo representa a ferramenta de qualidade 5W2H, que foi descrita nesta aula, útil na elaboração de um Plano de Ação. Com base nessa imagem e em seus conhecimentos, responda: o que você entende por plano de ação? Chave de resposta: Espera-se que o você consiga relacionar a ferramenta ilustrada na figura como meio para se elaborar um plano de ação que consiste em ações de verificação com vistas ao alcance da meta. Assim, quanto melhor o Plano de Ação, maior a garantia de atingir a meta. No caso em comento, a AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 58 meta é gerir adequadamente o estoque da farmácia e o plano de ação deverá considerar as ferramentas 5W2H para aquisição de medicamentos e insumos. Referências AMERICAN SOCIETY OF HOSPITAL PHARMACISTS. ASHP. Guidelines for selecting pharmaceutical manufactures suppliers. Am. J. Hosp. Pharm. V. 48, p. 523 – 524, 1991. BRASIL. Ministério da Saúde . Aquisição de medicamentos para assistência farmacêutica no SUS / MS. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Disponível em: http://goo.gl/ejmPu. Acesso em: 05 jan. 2015. CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Manual básico de farmácia hospitalar. Brasília:Conselho Federal de Farmácia, 1997. SOCIEDADE BRASILEIRA DE FARMÁCIA HOSPITALAR.Guia de Boas Práticas em Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde - Sbrafh. São Paulo: Ateliê Video o Verso, 2009. SCOTT, R.F. Logistics, Intermodal and Supply Chain Management. 1998. Exercícios de fixação Questão 1 I - A competitividade entre os diversos serviços hospitalares cria a necessidade de implantação de uma postura gerencial mais eficaz, pois o administrador hospitalar (sob pressão dos gestores) exerce, a cada dia, maior pressão sobre o custo da terapia medicamentosa e sobre o custo total dos estoques do serviço de farmácia. II - A exigência de justificativas para os desembolsos dos recursos é, possivelmente, uma das tarefas mais complicadas para os profissionais responsáveis por farmácias hospitalares, estejam elas no âmbito público ou privado, pois representa um desafio frente ao grau de complexidade no fornecimento de explicações relativas ao custo/benefício, junto à administração. Agora assinale a alternativa que melhor interpreta as afirmações anteriores: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 59 a) Ambas as afirmativas estão corretas e a segunda é a explicação da primeira. b) Ambas as afirmativas estão corretas e a primeira é a explicação da segunda. c) Ambas as afirmativas estão incorretas. d) Apenas a primeira afirmativa está correta. e) Apenas a segunda afirmativa está correta. Questão 2 A gestão eficiente/eficaz de estoques em farmácias hospitalares por parte dos farmacêuticos NÃO deve ser vista como: a) Tarefa primordial que garante adequação dos serviços prestados. b) Somente uma entre as dezenas de atividades do gerente farmacêutico. c) Aspecto de grande importância, porque evidencia a capacidade administrativa do profissional junto à administração hospitalar. d) Atividade que envolve responsabilidade sobre os custos e abrange desde o preço do produto ao processo global de fornecimento. e) Atividade ampla e contínua que aborda toda a cadeia logística da farmácia. Questão 3 São considerações importantes no processo contínuo de gestão de farmácias, EXCETO: a) Análise do regime terapêutico e da dispensação do produto de acordo com a prescrição. b) Análise do tipo de administração frente ao produto dispensado. c) Monitoramento dos efeitos adversos para eventuais alterações. d) Análiseda pertinência da manutenção do tratamento do paciente de alta. e) Estabelecimento de padrões mínimos de controle de custos e estoques. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 60 Questão 4 Não é um fator com potencial para interferir no custo dos estoques de farmácias hospitalares: a) A opção por medicamentos de referência, genéricos ou similares. b) Valores agregados decorrentes de transporte/frete. c) Carga tributária praticada em alguns estados. d) Aquisição diretamente de fabricantes ou por meio de distribuidores. e) Lista enumerando relação de fármacos para uso restrito em emergências. Questão 5 O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, criado em 1982 como “Medicamentos de Dispensação Excepcional”, caracteriza-se como uma estratégia da Política de Assistência Farmacêutica do SUS, que tem por objetivo disponibilizar medicamentos tidos como de “Alto Custo” para o tratamento de doenças específicas. Sobre ele podemos afirmar, EXCETO: a) Busca garantir a integralidade do tratamento medicamentoso, no nível ambulatorial, cujas linhas de cuidado estão definidas em Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PDCT), publicados pelo Ministério da Saúde. b) O fornecimento dos medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica depende da demanda populacional e não se vincula à aprovação específica das Secretarias Estaduais de Saúde. c) A dispensação dos medicamentos ocorre nas Farmácias das Superintendências e Gerências Regionais de Saúde dos estados e as sugestões de alterações na lista de medicamentos e PCDT devem ser feitas diretamente ao Ministério da Saúde. d) O público-alvo são pacientes com doenças cobertas pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, e cumpram os critérios de inclusão estabelecidos nos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT). AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 61 e) O Componente Especializado da Assistência Farmacêutica/ Medicamentos de Alto Custo é regulamentado pela Portaria GM/MS nº 1554/2013 e suas atualizações, que definem a lista de medicamentos disponibilizados, suas apresentações e a Classificação Internacional de Doenças (CID) para as quais o fornecimento é autorizado. Questão 6 Quanto aos processos de compra de medicamentos, assinale a afirmativa INCORRETA: a) A função compra tem por finalidade suprir as necessidades de materiais, na quantidade certa, no momento certo, com a qualidade necessária e a um preço oportuno. b) Essa função tem a incumbência de atender às necessidades utilizando um mínimo de investimento possível, preservando assim os interesses financeiros da organização. c) Compras é uma atividade burocrática e repetitiva, constitui um centro de despesas e não um centro de lucros. d) Os objetivos gerais do setor de compras são a obtenção de um fluxo contínuo de suprimentos a fim de atender aos programas de reposição e a coordenação desse fluxo de modo a aplicar um mínimo de investimento que afete a operacionalidade da empresa. e) Também são objetivos gerais do setor, a compra de materiais e insumos aos menores preços, obedecendo a padrões de quantidade e qualidade definidos e a atuação dentro de uma negociação justa e honrada, com as melhores condições para a empresa. Questão 7 A respeito do gerenciamento do estoque, das metodologias e da frequência de monitoramento, podemos afirmar, EXCETO. a) Os produtos sazonais devem sofrer uma previsão desagregada dos volumes totais, pois seu consumo é influenciado por fatores externos (epidemias, surtos de infecção). AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 62 b) Da mesma forma, desagregada de volumes totais, deve ser feita a previsão para os produtos de consumo regular, as projeções devem ser feitas com séries históricas de consumo. c) O monitoramento diário de produtos de grandes estoques é adequado porque uma falta de estoque afeta negativamente o serviço, ou seja, os produtos classe “A” exigem um alto nível de monitoramento. d) Os produtos de baixo volume de estoque podem ser monitorados semanalmente, pois os estoques não se alteram tão rapidamente ou a falta de estoque não afeta o desempenho do serviço tão sensivelmente, assim, na estratégia ABC os produtos “B” e “C” requerem um nível de serviço mais baixo. e) O perfil do cliente a ser atendido deve ser, também, cuidadosamente avaliado, isto é, clientes que atuam sob estresse elevado, onde o risco de vida é alto, devem ter seus produtos monitorados com maior frequência. Questão 8 Sobre os requisitos úteis para gestão de qualidade em farmácias hospitalares, assinale a afirmativa CORRETA: a) Estabelecer critérios e rotinas de atendimento diferenciado para não sobrecarregar a rotina do serviço. b) Ouvir os sinais de variação de consumo e disponibilizar tempo para planejamento e avaliação dessa variação. c) Personalizar os procedimentos da rede logística, empregando as ferramentas disponíveis para atender aos clientes. d) Gerenciar as fontes de suprimento para reduzir o custo total dos produtos e serviços. e) Todas as afirmativas estão corretas. Questão 9 No processo de seleção de medicamentos a serem adquiridos NÃO é recomendável: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 63 a) Conscientização da equipe de saúde e levantamento do perfil populacional, bem como análise do nível assistencial e da infraestrutura de tratamento existente no hospital. b) Selecionar medicamentos com níveis elevados de evidência sobre segurança e eficácia clínica. c) Eleger medicamentos de menor toxicidade relativa e maior comodidade posológica. d) Optar por medicamentos cujo custo do tratamento/dia e o custo da duração do tratamento sejam menores. e) Realizar a seleção de antimicrobianos em conjunto com a Comissão/Serviço de Controle de Infecção Hospitalar Questão 10 I - A parcela de custos mais significativa na terapia medicamentosa está associada à escolha adequada do medicamento. POR ISSO II - O controle da terapia medicamentosa deve ser um esforço clínico e administrativo que influencia de maneira decisiva na redução dos gastos e num efetivo gerenciamento de estoques. Agora assinale a afirmativa que melhor interpreta as afirmações anteriores: a) Ambas as afirmativas estão corretas e a segunda é a explicação da primeira. b) Ambas as afirmativas estão corretas e a primeira é a explicação da segunda. c) Ambas as afirmativas estão corretas e a segunda é a consequência da primeira. d) Ambas as afirmativas estão corretas e a primeira é a consequência da segunda. e) Ambas as afirmativas estão incorretas. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 64 Aula 3 Exercícios de fixação Questão 1 - B Justificativa: Ambas estão corretas e a relação é de explicação. A explicação reside no fato de a afirmação II detalhar a relação entre custos e recursos disponíveis, custo/benefício, cuja exposição à administração constitui tarefa complexa. Questão 2 - B Justificativa: Embora realmente seja uma entre as dezenas de tarefas do farmacêutico, a gestão de estoques é primordial para o bom andamento das farmácias hospitalares. Questão 3 - D Justificativa: A avaliação da pertinência de manutenção do tratamento é uma consideração médica, a ser tomada na avaliação do paciente por esse profissional, não pelo gestor da farmácia hospitalar. Questão 4 - E Justificativa: Em todos os casos, as opções têm potencial para alterar os custos dos estoques, exceção se faz na letra “E”, uma vez que tais fármacos terão que estar presentes na farmácia hospitalar independente da existência de listagem prévia. Questão 5 - B Justificativa: Embora o fornecimento dos medicamentos do Componente Especializado da Assistência Farmacêutica venha de encontro à demandapopulacional, quem efetua o levantamento e realiza a aprovação são as Secretarias Estaduais de Saúde. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 65 Questão 6 - C Justificativa: A atividade pode até ser taxada de burocrática, mas seu desenvolvimento requer atividades de análise e interpretação de um mercado dinâmico que pode sim gerar lucros. Questão 7 - B Justificativa: A previsão para os produtos de consumo regular é agregada sim aos volumes totais, uma vez que baseia-se no histórico de consumo. Questão 8 - E Justificativa: As afirmações A, B, C e D são requisitos úteis para gestão de qualidade nas farmácias hospitalares. Questão 9 - D Justificativa: O custo não deve ser primordial na escolha dos medicamentos e sim a qualidade e idoneidade do seu uso para o tratamento. Questão 10 - C Justificativa: Tendo em vista os altos custos, o controle da terapia medicamentosa deve possuir âmbito clínico e administrativo. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 66 Introdução Vamos a mais um tema de auditoria em serviços de saúde? Trataremos, nas próximas duas aulas da auditoria em nutrição. O serviço de nutrição em saúde é extremamente importante, quer se trate da nutrição tradicional, via oral, com oferta de alimentação balanceada, quer seja a nutrição de alta complexidade. No primeiro caso, temos que romper com a ideia de “comida de hospital” para compreender que o serviço deve respeitar, inclusive, a tradição alimentar do paciente. Já no caso da alta complexidade, iremos entender as possibilidades de oferta, vantagens e desvantagens, além da relação custo-benefício. Vamos lá? Objetivo: 1. Compreender a importância da adequada nutrição em sistemas de saúde e a relação dessa área com as demais, bem como com a auditoria; 2. Conceituar, diferenciar e caracterizar as modalidades de oferta de alimentação em serviços de alta complexidade. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 67 Conteúdo Nutrição em sistemas de saúde O atendimento na área de saúde não se limita a ações de primeira linha efetuadas pelo médico, ele ultrapassa essa relação médico-paciente e precisa de atuação multidisciplinar, direta ou indireta de diversos outros profissionais. Aos iniciantes no assunto, pode parecer pouco importante ou menos relevante a atuação do profissional da nutrição. Para que não haja essa impressão e para que fique bem clara a necessidade da atuação multidisciplinar, serão úteis nossas próximas reflexões. Para plena recuperação dos pacientes, um fator muito importante é a sua nutrição. A comida preparada deve seguir a dieta determinada para cada um – geralmente contendo algumas restrições alimentares, dependendo da enfermidade apresentada –, mas sem deixar de lado o sabor. O serviço de nutrição possui papel fundamental nessa recuperação, pois a alimentação adequada agiliza o processo. Evolução da nutrição hospitalar A área responsável por cuidar da alimentação dos pacientes é a nutrição clínica, que trabalha de modo a atender às necessidades nutricionais de cada um, de acordo com as recomendações dos médicos, ou seja, trabalha em conjunto com a equipe médica e demais profissionais assistenciais, garantindo, assim, todo o planejamento do cuidado ao paciente. Há alguns anos, ouvia-se muito o termo “comida de hospital” referindo-se a alimentos insossos e ruins de comer, enquanto hoje, com a evolução da nutrição hospitalar, procura-se oferecer refeições balanceadas, saudáveis e saborosas. Isso porque a sensação de saciedade, o bem-estar do paciente, ajuda em sua recuperação. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 68 Gastronomia hospitalar A gastronomia hospitalar se baseia na arte de bem servir. Temperos naturais como alho, cebola e ervas são utilizados na preparação dos pratos servidos. Busca-se atender bem pelo aroma e sabor, com atendimento individualizado, que respeita preferências, aversões alimentares e indicações para cada paciente. O cardápio hospitalar deve levar em consideração também a variedade de alimentos, os hábitos alimentares e a necessidade nutricional e calórica dos pacientes – isso porque pacientes hospitalizados têm muitas dificuldades em manter seu estado de nutrição adequado. No caso de pacientes menos graves... A própria condição de poder dialogar com o responsável pelo serviço de nutrição e com o médico garante pleno atendimento das necessidades e até das preferências alimentares dos pacientes. Além de fornecer alimentação saudável e balanceada, o serviço ainda deve considerar a procedência adequada dos alimentos e os cuidados de higiene em relação ao profissional que prepara e utensílios necessários. Já no caso de pacientes mais graves, dados da Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral indicam que em torno de 30 % dos pacientes internados ficam desnutridos nas primeiras 48 horas de internação. Passados sete dias de internação, esse percentual pode chegar a 45 %, principalmente em pacientes acometidos por infecções, traumatismos ou recém-operados. Nesse caso, a desnutrição compromete significativamente o quadro do paciente. Dentre as consequências ruins da desnutrição podemos citar a perda de massa magra, que conduz a mais complicações, pois eleva o risco de infecção, diminui a cicatrização e aumenta o risco de mortalidade. Para se evitar ou recuperar o paciente desse quadro é indispensável normalizar a síntese proteica e atingir o equilíbrio nitrogenado, em outras palavras, recuperar o estado nutricional do paciente. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 69 Terapia nutricional Como os efeitos da desnutrição são catastróficos para o paciente, as equipes multidisciplinares se vêm diante da necessidade urgente de recuperar o estado nutricional do paciente e, para tanto, recorrem à terapia nutricional. Terapia nutricional é um conjunto de procedimentos terapêuticos utilizados para manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente por meio de nutrição parenteral ou enteral. Trata-se de um importante recurso terapêutico na redução da morbidade e mortalidade de pacientes, principalmente os mais graves. Atenção A prática da terapia nutricional no Brasil foi regulamentada em 1998 através da Portaria ANVISA nº 272/98 e a nutrição enteral em 2000, com a resolução da ANVISA nº 63/00. Desde então, e com todos os avanços tecnológicos que muito impactaram na implementação e evolução da terapia nutricional, o suporte nutricional parenteral ou enteral tem demonstrado grande eficácia no tratamento de pacientes críticos com distúrbios do aparelho digestivo. Nutrição intra-hospitalar O Inquérito Brasileiro da Avaliação Nutricional (IBRANUTRI), realizado pela Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (SBPNE), avaliou, em 1996, 4.000 pacientes internados em todo o Brasil na rede do SUS e identificou 48,1 % de desnutrição intra-hospitalar. Esse estudo observou que doentes desnutridos permanecem o dobro do tempo internados, se comparado com o número de enfermos não desnutridos. Além disso, o estudo demonstrou que a frequência da desnutrição aumentou progressivamente com o aumento do tempo de internação hospitalar. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 70 Ainda segundo dados desse estudo, pacientes previamente nutridos apresentaram um índice de infecções inferiores, com custo diminuído para o serviço, quando comparados àqueles que receberam apenas hidratação intravenosa. Também doentes idosos com mesmo diagnóstico de base ao receberem terapia nutricional ficaram hospitalizados 20 dias menos, tiveram reduzido pela metade o índice de complicações e uma taxa de mortalidade inferior, quando comparadosao grupo “controle”, que não recebeu suplementação alguma. Assim, ficou mais que evidente que a terapia nutricional é importante, mesmo quando não há desnutrição. Instituições tanto públicas quanto privadas têm consciência do importante papel desenvolvido por essa especialidade, cuja participação cresce consideravelmente nos últimos tempos. Porém, da mesma forma que o grau de complexidade do paciente influencia numa mudança de práticas alimentares e pode induzir à necessidade de introdução da terapia nutricional, também há, nesse sentido, alteração nos custos alimentares. Profissional auditor na terapia nutricional É mais do que evidente que a implementação da terapia nutricional para pacientes de maior complexidade impacta negativamente nos custos. Isso porque requer equipamentos, condições e fontes alimentares específicas. A opção pelo tipo de terapia nutricional deve refletir as reais necessidades do paciente e prescrição médica, uma vez que se trata da manutenção ou recuperação das condições de saúde do paciente. Entretanto, a análise de profissional capacitado direciona a escolhas que, além de recuperar as condições do paciente, conduzem à redução dos custos. Nesse contexto, o profissional auditor deve possuir conhecimentos específicos da área de nutrição, ainda que não possua a graduação específica em nutrição para compreender e analisar as diretrizes alimentares adotadas nos serviços. É AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 71 importante estar ciente dos conceitos relacionados à terapia nutricional, bem como das vantagens, desvantagens e possibilidades de complicações. Terapia enteral ou parenteral Como vimos, a terapia nutricional e o tipo de administração são prescritos por médicos e nutricionistas de acordo com critérios como quadro clínico, idade, riscos de complicação e tempo previsto para a terapia, ou seja, cabe ao profissional de saúde avaliar a melhor opção para cada paciente. Nesse sentido, as dietas podem ser administradas através da boca, sonda nasal ou ostomias (estômago, intestinos), o que configura a chamada nutrição ou terapia enteral. Mas, quando a passagem do alimento pelo aparelho digestório não pode ser realizada, a terapia parenteral ou nutrição parenteral apresenta-se como alternativa, essa utiliza a via intravenosa para administração do alimento em forma de solução especial parenteral. Entende-se como terapia de nutrição parenteral ofertar, por meio de administração intravenosa central ou periférica, solução ou emulsão composta obrigatoriamente de carboidratos, aminoácidos, vitaminas e minerais, com ou sem administração diária de lipídios, estéril e apirogênica. A solução, nesse caso, acondicionada em recipiente de vidro ou plástico, é indicada para suprir as necessidades metabólicas e nutricionais de pacientes impossibilitados de alcançá-la por via oral ou enteral, desnutridos ou não, em regime hospitalar – visa, pois, à síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas. A nutrição enteral trata da ingestão controlada de alimento para fins especiais, ingestão de nutrientes, na forma isolada ou combinada, de composição definida ou estimada, especialmente formulada e elaborada para uso por sondas ou via oral, industrializada ou não. Ela é utilizada exclusiva ou parcialmente para substituir ou complementar a alimentação oral em pacientes desnutridos ou não, conforme suas necessidades nutricionais, em regime hospitalar, AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 72 ambulatorial ou domiciliar, visando à síntese ou manutenção dos tecidos, órgãos ou sistemas. Ainda nesse contexto de nutrição enteral, ela é considerada de sistema aberto quando a dieta requer manipulação prévia à sua administração, para uso imediato. Já a nutrição enteral em sistema fechado utiliza dieta industrializada, estéril, determinada pela composição de nutrientes da nutrição enteral, mais adequada às necessidades especiais. A terapia enteral é composta por nutrientes que necessitam passar pelos processos de digestão e absorção para serem utilizados pelo organismo. E a terapia parenteral, por sua vez, dispensa a digestão, pois contém nutrientes prontos para serem utilizados pelo organismo. Ambas possuem basicamente o mesmo objetivo, que é o de nutrir o paciente a fim de prevenir ou tratar casos de desnutrição e suas complicações. A utilização apropriada da forma de nutrição, enteral ou parenteral, é um importante instrumento para a recuperação do indivíduo. Não basta apenas utilizar a nutrição enteral quando necessário é preciso que haja acompanhamento adequado durante a terapia nutricional de cada paciente para evitar algumas complicações. Complicações mais frequentes A maioria das complicações pode ser evitada se prescrição, evolução da terapia nutricional enteral e acompanhamento nutricional forem feitos de forma adequada. As principais complicações são divididas em algumas categorias, separadas entre metabólicas, gastrointestinais, mecânicas, infecciosas e operacionais. As metabólicas estão relacionadas à desidratação e hiper-hidratação, quando há oferta inadequada de água, sendo a mais frequente durante o uso da nutrição enteral. Junto a ela também aparecem a hiper e a hipoglicemia, AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 73 associadas à oferta inadequada de calorias, a interrupções não programadas da terapia e à própria condição clínica do paciente. Outra alteração importante é a síndrome da realimentação. Ela ocorre quando pacientes desnutridos ou em jejum prolongado passam a ser alimentados novamente de forma rápida e em grandes volumes. Quando isso acontece, os micronutrientes que estavam deficientes no organismo são desviados, ocorre queda rápida e importante de suas concentrações plasmáticas. Esse desvio ocasiona alterações no sistema cardiovascular, hepático, gastrointestinal, pulmonar, renal e hematológico. Entre as complicações gastrointestinais, mais frequentes no uso da terapia enteral, estão diarreia, vômitos, náuseas e constipações, que podem estar relacionadas ao excesso de gordura na dieta, infusão rápida ou intolerância a componentes da fórmula. Além disso, a gastroparesia, uma dificuldade no esvaziamento gástrico, tornando-o mais lento, também pode ocorrer – causada pelo uso de alguns medicamentos, por distúrbios hidroeletrolíticos ou mesmo pela situação clínica do doente. Tais complicações relacionadas à administração da dieta enteral, e devem ser amplamente analisados o tipo de fórmula, a temperatura da dieta e velocidade de infusão. As complicações mecânicas e operacionais dão conta do aparato técnico e operacional da terapia enteral. Entre as causas estão obstrução da sonda, possíveis erosões e necrose nasal. O manuseio inadequado durante a administração da dieta também pode ser outra causa. A contaminação microbiana durante o preparo da dieta enteral pode trazer como consequência uma intoxicação alimentar, considerada uma complicação infecciosa. Além disso, uma pneumonia aspirativa também pode ocorrer quando a sonda não estiver alocada adequadamente, pelo mau posicionamento do paciente ou na presença de alterações gastrointestinais. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 74 Ações para minimizar problemas Ações simples dos profissionais envolvidos com o paciente, se realizadas com atenção, podem ajudar a minimizar problemas ocorridos durante a terapia nutricional enteral. Dentre elas podemos citar: a verificação do posicionamento da sonda antes do início da nutrição; manter o paciente em posição de decúbito com elevação de cabeceira antes e após a administração da dieta; evoluir gradativamente com o volume da dieta e com a velocidade da infusão; avaliar adequadamente a oferta hídrica; avaliar a composição das dietas e a necessidadede mudanças caso haja alteração; evitar dietas muito frias e sondas muito calibrosas. Equipe multidisciplinar O olhar atento dos profissionais que estão relacionados ao paciente é capaz de minimizar as chances de aparecimento de complicações, bem como contê-las antes mesmo de impactar negativamente na sua evolução. E, reforçando a abordagem feita no início dessa aula, o paciente deve estar amparado por uma equipe multidisciplinar; assim, não se deve considerar médico e enfermeiro como únicos responsáveis pelo sucesso ou insucesso da terapia, muitos outros profissionais estão envolvidos, ainda que indiretamente. Dessa forma, o auditor em sistemas de saúde deve ter essa visão ampla, abrangente, multidisciplinar. Atividade proposta Com base na aula e em seus conhecimentos prévios redija um parágrafo dissertativo de até 10 linhas, no qual você evidencie a pertinência da nutrição de alta complexidade no sistema de saúde, bem como da auditoria em nutrição na auditoria em serviços de saúde. Chave de resposta: Espera-se que o aluno utilize as informações trabalhadas na aula para reforçar a necessidade e a importância tanto da nutrição de alta AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 75 complexidade para os serviços de saúde, na medida que contribuem significativamente para mantença ou recuperação do indivíduo, bem como da pertinência da auditoria nessa área, uma vez que ela envolve custos significativos. Material complementar Para saber mais sobre auditoria em serviços de saúde, leia o texto disponível em nossa biblioteca virtual. Referências BRASIL. ANVS – RES-RDC nº 63, de 05 de julho de 2000. Aprova regulamentos mínimos, exigidos para a terapia de nutrição enteral. DOU, 07/07/2000. BRASIL. Assistência de Média e Alta Complexidade no SUS. Brasília: CONASS, 2011. 223 p. [Coleção Para Entender a Gestão do SUS 2011, 4]. BRASIL. Lei Federal nº 8.080, de 19 de setembro de 1980. Dispõe sobre as condições de Promoção, Proteção e Recuperação da Saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 1980. BRASIL. PRT SNVS/MS – RES-RDC 272, de 8 de abril de 1998. Aprova o regimento técnico para fixar os requisitos regulamentos mínimos, exigidos para terapia de nutrição parenteral e enteral. DOU, 23/04/1998. IBRANUTRI. O Inquérito Brasileiro da Avaliação Nutricional. Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral, 2001. Exercícios de fixação Questão 1 Leia os fragmentos abaixo para responder às questões de 1 a 3. A organização e prestação de assistência no SUS, ao longo dos anos, estabeleceu que as ações e procedimentos se dispusessem em dois blocos, sendo um relativo à atenção primária, e o outro que contempla as ações de média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar. Dessa forma, foram AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 76 definidos sistemas de informação, de pagamento, e de controle, avaliação e regulação. As ações e procedimentos considerados de média e alta complexidade ambulatorial e hospitalar se constituem para os gestores em um importante elenco de responsabilidades, serviços e procedimentos relevantes para a garantia da resolutividade e integralidade da assistência ao cidadão. Além disso, esse componente consome em torno de 40 % dos recursos da União alocados no Orçamento da Saúde. Os gestores estaduais têm se defrontado no seu cotidiano com o dilema da garantia do acesso, da qualidade e resolutividade por meio de conformação de redes de atenção à saúde, de forma equânime e integral, dentro do quadro de insuficiência financeira. (BRASIL. 2011, 223 p.) “A alta complexidade é o conjunto de procedimentos que, no contexto do SUS, envolve alta tecnologia e alto custo, objetivando propiciar à população acesso a serviços qualificados integrando-os aos demais níveis de atenção à saúde (atenção básica e de média complexidade). As principais áreas que compõem a alta complexidade do SUS são: assistência ao paciente portador de doença renal crônica (por meio dos procedimentos de diálise); assistência ao paciente oncológico; cirurgia cardiovascular; cirurgia vascular; cirurgia cardiovascular pediátrica; procedimentos da cardiologia intervencionista; procedimentos endovasculares extracardíacos; laboratório de eletrofisiologia; assistência em traumato-ortopedia; procedimentos de neurocirurgia; assistência em otologia; cirurgia de implante coclear; cirurgia das vias aéreas superiores e da região cervical; cirurgia da calota craniana, da face e do sistema estomatognático; procedimentos em fissuras labiopalatais; reabilitação protética e funcional das doenças da calota craniana, da face e do sistema estomatognático; procedimentos para a avaliação e tratamento dos transtornos respiratórios do sono; assistência aos pacientes portadores de queimaduras; assistência aos pacientes portadores de obesidade (cirurgia bariátrica); cirurgia reprodutiva; genética clínica; terapia nutricional; distrofia muscular progressiva; osteogênese imperfeita; fibrose cística e reprodução assistida.” (BRASIL. 1980) Assinale a alternativa correta sobre os fragmentos acima. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 77 a) A alta complexidade só existe no âmbito público do SUS e é evidenciada por envolver custos significativos para os cofres públicos. b) A alta complexidade caracterizada, no texto, no contexto público, ofertada também pelo serviço privado, impacta na geração de altos custos de procedimentos e serviços. c) A alta complexidade é a porta de entrada para pacientes que procuram o serviço de saúde público. d) Diversas são as áreas consideradas de alta complexidade, e o paciente escolhe em qual delas vai ser atendido. e) Todas as alternativas estão incorretas. Questão 2 Ainda de acordo com o texto que você leu na questão anterior, pode-se inferir do texto que: I – Atingir o serviço de alta complexidade é consequência de quadros mais severos que não foram solucionados na atenção primária. II – O serviço de alta complexidade compromete parcela significativa dos recursos, ainda que atenda fração relativamente pequena da população. III – A maior parte da população é atendida pela atenção básica, ainda assim, é preciso haver investimentos significativos na alta complexidade. Assinale a alternativa correta. a) Todas as afirmativas estão corretas. b) Apenas a afirmativa II está correta. c) As afirmativas I e II estão corretas. d) As afirmativas II e III estão corretas. e) Todas as alternativas estão erradas. Questão 3 Ainda com base nos fragmentos visto na questão 1, analise as afirmações a seguir. I – É necessário que haja acompanhamento dos custos relativos à prestação de serviços de pequena, média e alta complexidade. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 78 II – Essa necessidade justifica a presença da área de auditoria em serviços de saúde e do Sistema Nacional de Auditoria (SNA), órgão fiscalizador no âmbito do SUS. Assinale a alternativa correta. a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a consequência da primeira. b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da segunda. c) Ambas as alternativas estão erradas. d) Apenas a primeira alternativa está correta. e) Apenas a segunda alternativa está correta. Questão 4 A subdivisões nas esferas de atenção primária, média e alta complexidade funcionam como caminhos a seguir pelo paciente. A esse respeito assinale a incorreta. a) Ao buscar o serviço de saúde deve dirigir-se à atenção primária. b) O setor primário, quando não consegue atender às necessidades do paciente, encaminha-o para atendimento de média e alta complexidade. c) Quanto mais se avança em graus de complexidade, maiores são os custos por paciente. d) Em todas as áreas de atuação, faz-se necessário primar pela atenção multidisciplinar.e) A maior parte da população atinge a esfera de atenção secundária, que envolve a média e a alta complexidade, o que está relacionado com os altos custos envolvidos. Questão 5 Todas as informações abaixo reforçam a necessidade da preocupação com a nutrição dos pacientes, exceto: a) Doentes desnutridos permanecem o dobro do tempo internados, se comparado com o número de enfermos não desnutrido. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 79 b) A frequência da desnutrição aumenta progressivamente com o aumento do tempo de internação hospitalar. c) Pacientes previamente nutridos apresentaram um índice de infecções inferiores com custo diminuído para o serviço. d) Pacientes que receberam apenas hidratação intravenosa têm número reduzido de complicações. e) A desnutrição compromete significativamente o quadro do paciente, pois leva à perda de massa magra, que conduz a mais complicações, eleva o risco de infecção, diminui a cicatrização e aumenta o risco de mortalidade. Questão 6 Analise as afirmativas a seguir. I – Espera-se que o serviço de nutrição contribua diretamente para os resultados da assistência prestada aos pacientes. Para isso... II – É essencial que a idade, o quadro clínico, o perfil nutricional e a patologia de base do paciente sejam observados por uma equipe multidisciplinar. Assinale a alternativa correta. a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a condição para a plena realização da primeira. b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da segunda. c) Ambas as alternativas estão erradas. d) Apenas a primeira alternativa está correta. e) Apenas a segunda alternativa está correta. Questão 7 A nutrição enteral propõe um menor comprometimento fisiológico quando relacionada à parenteral e pode ser realizada pela utilização de produtos industrializados ou com fórmulas artesanais. Isso indica que: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 80 a) A nutrição enteral é destinada a pacientes mais graves, pois compromete menos. b) A nutrição parenteral é a primeira escolha dentre as terapias nutricionais de alta complexidade. c) A nutrição parenteral é menos complexa, uma vez que pode utilizar, inclusive, fórmulas artesanais. d) A nutrição enteral é a primeira opção e destina-se a pacientes menos graves, e, na impossibilidade de utilizá-la, parte-se para a parenteral. e) Todas as afirmativas estão erradas. Questão 8 Analise as afirmativas e marque o correto. I – O uso de produtos enterais é uma terapia para pacientes com, por exemplo, deficiência proteico-energética, imunocomprometidos, disfagia severa, estresse metabólico, doença ou idade avançada, entre outros, pois fornece um suporte nutricional a quem não tem condições de se alimentar por via oral (nutrientes indispensáveis a pacientes com alto catabolismo). II – A nutrição parenteral é uma via que serve para complementar ou substituir a alimentação via oral ou enteral. É uma alternativa para pacientes que não conseguem se alimentar utilizando o aparelho digestório, e por isso necessitam de outra opção para manter um adequado estado nutricional. III – A dieta enteral é uma solução ou emulsão composta basicamente de carboidratos, aminoácidos, lipídios e vitaminas, acondicionada em recipiente de vidro ou plástico e administrada por via intravenosa. a) Todas as alternativas estão corretas. b) Apenas a alternativa II está correta. c) As alternativas I e II estão corretas. d) As alternativas II e III estão corretas. e) Todas as alternativas estão erradas. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 81 Questão 9 As unidades de assistência em terapia nutricional são unidades hospitalares que devem possuir condições técnicas, instalações físicas, equipamentos e recursos humanos adequados à prestação de assistência integral e especializada em nutrição enteral ou parenteral a pacientes em risco nutricional ou desnutridos. Dentre as funções dessas unidades, podemos citar: a) Triagem e avaliação nutricional. b) Indicação e acompanhamento nutricional. c) Dispensação e administração de fórmula nutricional. d) Manipulação e fabricação de fórmulas. e) Todas estão corretas. Questão 10 Analise as afirmações a seguir e a relação entre elas I – Quaisquer que sejam as unidades ou centros de referência de alta complexidade devem às exigências das normas da Anvisa – Portaria nº 272/1998, RDC nº 63/2000, RDC nº 50/2002, modificada pela RDC nº 307/2002 e RDC nº 189/2003. Porque... II – Tais legislações regulamentam as ações descentralizadas do SUS no que diz respeito às atenções primária, de média e alta complexidade. Assinale a alternativa correta. a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a explicação da primeira. b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da segunda. c) Ambas as alternativas estão erradas. d) Apenas a primeira alternativa está correta. e) Apenas a segunda alternativa está correta. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 82 Aula 4 Exercícios de fixação Questão 1 - B Justificativa: Como o próprio nome diz, a alta complexidade gera também altos custos, tanto no serviço privado quanto no público, o que é descrito no texto. Questão 2 - A Justificativa: A partir da leitura dos fragmentos e de conhecimentos prévios básicos acerca do Sistema Único de Saúde, pode-se concluir que as afirmações estão corretas. Questão 3 - A Justificativa: O SNA e o papel do auditor em saúde estão diretamente relacionados aos altos custos dos serviços, em especial, à alta complexidade. Questão 4 - E Justificativa: A maior parte da população é atendida na atenção primária, porém, devido aos custos mais elevados nos serviços de média e alta complexidade, uma menor fração da população demanda mais investimentos. Questão 5 - D Justificativa: A hidratação intravenosa não se refere à nutrição de alta complexidade, mas sim à infusão de soro. Questão 6 - A Justificativa: A questão explora a necessidade de abordagem multidisciplinar da nutrição e evidencia que essa abordagem é condição para o bom atendimento do paciente. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 83 Questão 7 - D Justificativa: Por utilizar a digestão do próprio paciente, a nutrição enteral é destinada a pacientes menos complexos. Quando essa não pode ser instituída, ou seja, em casos em que o sistema digestório do paciente não esteja atuando plenamente, a nutrição parenteral deve ser instituída. Questão 8 - D Justificativa: Porque a alternativa III refere-se à nutrição ou dieta parenteral. Questão 9 - E Justificativa: Todas as afirmações evidenciam as funções das unidades de assistência em terapia nutricional. Questão 10 - D Justificativa: Apenas a primeira alternativa está correta: as legislações citadas relacionam-se à implementação dos serviços de nutrição de alta complexidade, não de descentralização e esferas de atenção do SUS. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 84 Introdução Vamos continuar a tratar da auditoria em nutrição? Nesta aula, caracterizaremos o atendimento domiciliar e sua evolução frente às alterações da sociedade; neste contexto, vamos inserir a necessidade de terapia nutricional. Outro ponto relevante para a nutrição de alta complexidade que será tratado são as vantagens e desvantagens da dieta enteral industrializada e artesanal. Comecemos! Objetivo: 1. Caracterizar o atendimento domiciliar e a necessidade de terapia nutricional; 2. Discutir as vantagens e desvantagens da dieta enteral industrializada e artesanal. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 85 ConteúdoAtendimento domiciliar A atenção domiciliar, tendência na prestação de serviços para pacientes crônicos, teve sua regulamentação no século passado; porém, na Portaria nº 963, de maio de 2013, o Ministério da Saúde redefine o modelo prévio existente com vistas a facilitar o acesso dos pacientes. O atendimento domiciliar ficou, então, caracterizado por procedimentos especializados realizados em domicílio que requeiram obrigatoriamente a presença de profissional de saúde de nível técnico ou superior para sua execução. Trata-se de uma nova modalidade de atenção à saúde, substitutiva ou complementar às já existentes, caracterizada por um conjunto de ações de promoção à saúde, prevenção e tratamento de doenças e reabilitação prestadas em domicílio, com garantia de continuidade de cuidados e integrada às redes de atenção à saúde. O serviço deve ser encarado como substitutivo ou complementar à internação hospitalar ou ao atendimento ambulatorial. É composto por equipes de profissionais de saúde multiprofissionais e pelo cuidador, visto como uma pessoa com ou sem vínculo familiar com o usuário, capacitada para auxiliá-lo em suas necessidades e atividades da vida cotidiana. A atenção domiciliar tem como objetivo a reorganização do processo de trabalho das equipes que prestam cuidado domiciliar na atenção básica, ambulatorial, nos serviços de urgência, emergência e hospitalar, com vistas à redução da demanda por atendimento hospitalar e/ou diminuição do período de permanência de usuários internados, à humanização da atenção, desinstitucionalização e ampliação da autonomia dos usuários. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 86 Em outras palavras, garantir atendimento especializado multidisciplinar, de maneira mais cômoda a pacientes e familiares, de custo reduzido. Significa permitir que o paciente receba os cuidados médicos na sua residência. A decisão pelo atendimento domiciliar Contribuem para a escolha dessa modalidade de atenção a cronicidade do paciente, a dificuldade de transporte aos serviços de saúde e a análise da relação custo-benefício para o paciente e seus familiares. Podemos dizer que o paciente, em ambiente familiar, sente-se mais amparado, e o fator psicológico muito contribui para sua recuperação ou, ainda, para diminuição das complicações e/ou intercorrências. A decisão pelo atendimento domiciliar deve ser tomada pelo médico, que avalia toda a clínica, condições, expectativas, demanda e situação dos familiares do paciente. As visitas são feitas conforme prescrição médica por uma equipe especializada, formada por enfermeiros, técnicos em enfermagem e fisioterapeutas. Porém, antes de desospitalizar o paciente, é preciso preparar o domicílio com uma estrutura específica para cada tipo de tratamento frente às necessidades do paciente. O cuidador, a pessoa que acompanhará o paciente e prestará auxílio em todas as situações, deve ser, a exemplo do ambiente, também preparado. Seja familiar ou não, leigo ou profissional de saúde, deve receber orientações e até treinamento específico para atender às demandas do paciente. Os membros da equipe multidisciplinar (em que se incluem também psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos, assistente social, etc.) farão visitas regulares para orientar e avaliar o tratamento; porém, o dia a dia fica a cargo do cuidador, havendo, portanto, a necessidade de treinamento e suporte. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 87 No que se refere à nutrição, o aparato de equipamentos para tal é específico, e o manuseio deste e de outros caberá ao cuidador. Este deve, diariamente, ser orientado a observar grau de hidratação do paciente, sinais clínicos de distúrbios hidroeletrolíticos, ocorrência de edema, alterações do nível de consciência, curva térmica, número de evacuações e propedêutica abdominal. Além dessas observações, exames devem ser executados semanalmente com vistas à averiguação do quadro nutricional do paciente e prevenção de complicações. Estando o paciente estável, tendo atingido o aporte calórico- proteico desejado, com exames mantendo a normalidade por duas ou três semanas, estes podem ser espaçados para 15 dias. Essa situação é a mais frequente quando o paciente está em assistência domiciliar. Terapia nutricional Como vimos, caro aluno, possui a indicação para terapia nutricional de alta complexidade o paciente que esteja impossibilitado de ingestão oral, seja por patologias do trato gastrointestinal alto, por intubação oro-traqueal, por distúrbios neurológicos com comprometimento do nível de consciência ou dos movimentos mastigatórios. É indicado também nos casos em que o paciente vem com ingestão oral baixa, por anorexia de diversas etiologias. Vale lembrar, também, que a administração de dieta por sonda nasoenteral não contraindica a alimentação oral, se esta não implicar em riscos para o paciente. Caberá ao profissional nutricionista avaliar as necessidades proteico-calóricas do paciente de maneira individualizada. A aplicação de protocolos clássicos pode subestimar características específicas do paciente. O cuidador deve ser orientado quanto a horário, quantidades, forma e cuidados necessários para administração da dieta, bem como em relação aos procedimentos em casos de complicações, como vômitos, por exemplo. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 88 Além disso, a avaliação clínica diária e o controle laboratorial periódico devem ser adequadamente registrados para supervisão do profissional responsável. A escolha da terapia nutricional, se enteral ou parenteral, deverá atender à prescrição médica, mas, independentemente disso, as adequações e consequências desta e a análise das intercorrências e do perfil nutricional do paciente são de responsabilidade multidisciplinar. Os serviços de saúde públicos e privados já se adequaram à necessidade de atendimento domiciliar, e caberá ao auditor dessa área, no caso, você, caro aluno, ter domínio dessas especificidades para pleno exercício da função de análise situacional. E, como vimos na aula anterior, nem sempre o auditor será um profissional graduado em nutrição, mas isso não pode impedi-lo de atuar adequadamente. Nutrição enteral Como já vimos, é papel da equipe multidisciplinar de saúde estudar o caso do paciente, seus dados e condições clínicas, e prescrever, em caso de déficit nutricional, o tipo de dieta a ser ofertada. Pacientes que não se alimentam por via oral, mas que possuem digestão e absorção intestinal preservada, normalmente são os elegíveis para utilizar a nutrição enteral. A preferência é sempre nutrir o paciente pela via oral, mas, quando isso não é possível, a nutrição é feita através de sondas. Assim, a nutrição enteral é aquela que não utiliza a via oral normal para a entrada dos alimentos. Esta se faz por meio de sondas introduzidas diretamente no estômago (gástricas) ou no intestino (entéricas) do paciente. Tipos de sondas Os pacientes que recebem dieta por sonda ficam temporária ou permanentemente impedidos de receber alimentação por via oral, mas seu AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 89 trato gastrointestinal deve estar em condições de realizar o mecanismo de digestão. Conheça os tipos de sondas: Nasogástrica Quando a sonda penetra pelo nariz e vai ao estômago. Orogástrica Quando a sonda é introduzida pela boca. Sonda intestinal direta Quando a sonda é introduzida através de orifício no abdômen e atinge o estômago ou intestino (gastrotomia ou jejunostomia). Sonda intestinal longa Quando a sonda penetra pelo nariz, passa por esôfago e estômago para atingir o intestino. Ela também é chamada de nasoentérica. É importante lembrar que as sondas para alimentação são diferentes das sondaspara excreção. Dieta enteral industrializada e artesanal Em ambiente hospitalar, a dieta enteral de origem industrializada é, sem dúvida, a mais utilizada, pois demanda quantidades significativas e, para produção própria, dependeria de pessoal específico para a função dentro das exigências regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Um estudo realizado em instituições hospitalares de Campinas indicou que há maior prevalência no uso de fórmulas artesanais (obtidas a partir de alimentos AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 90 específicos) para pacientes tratados em domicílio, e de industrializadas para pacientes internados. Outro estudo nacional estimou que 50% dos hospitais brasileiros não trabalham com dietas industrializadas e, possivelmente, outros 20% as adquiram em casos selecionados, não fazendo parte da rotina do hospital. O atendimento domiciliar, que, como vimos, tem sido uma opção cada vez mais frequente para o paciente crônico, pode valer-se das duas possiblidades de dieta enteral (industrializada e artesanal), elegíveis de acordo com a análise do grupo e do ambiente familiar feita pela equipe multiprofissional. Vamos conhecer cada tipo de dieta enteral? Acompanhe: A dieta enteral industrializada é aquela preparada industrialmente e apresenta- se sob três formas: em pó para constituição; líquidas, semiprontas para uso; e prontas para uso. Elas são práticas, nutricionalmente completas e oferecem maior segurança quanto ao controle microbiológico e composição centesimal. Entretanto, são de alto custo e, especialmente quando administradas por longo período, encarecem o tratamento, levando muitos pacientes a utilizar fórmulas caseiras. A dieta enteral artesanal, caseira ou não industrializada, é aquela preparada à base de alimentos in natura, como leite, ovos, açúcar, carnes e hortaliças, podendo ser adicionada, ou não, de módulos de nutrientes (maltodextrina, albumina, vitaminas e minerais, por exemplo). Enquanto a dieta enteral industrializada é completa sob o ponto de vista nutricional, o cálculo das dietas artesanais é limitado e não oferece total segurança, já que, na maioria das vezes, é obtido a partir das tabelas de composição nutricional dos alimentos utilizados. Na dieta enteral artesanal, a forma como os alimentos são empregados, e procedimentos e técnicas adotados (tempo de cozimento, trituração e peneiração), causam perdas de nutrientes. Como, no Brasil, não há tabela de AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 91 composição de alimentos que ofereça dados precisos e completos, a necessidade de suplementação desses elementos deve ser considerada para adequação das necessidades diárias individuais. Como uma de suas vantagens em relação à composição nutricional e volume, podemos destacar o seu baixo custo e a possibilidade de individualização da dieta. Ao contrário das dietas enterais industrializadas, a avaliação de osmolalidade e viscosidade de fórmulas artesanais raramente é realizada por seu alto custo e/ou não disponibilidade de equipamentos, embora sejam parâmetros importantes para a administração da dieta. Você sabe o que é osmolalidade? A osmolalidade, que corresponde à concentração de partículas osmoticamente ativas na solução, é de fundamental importância na aceitação fisiológica pelos indivíduos submetidos à nutrição enteral, além de estar relacionada com a via e o tipo de administração da dieta. O posicionamento gástrico de uma sonda oferece maior flexibilidade em relação à osmolalidade e o método de infusão da fórmula, podendo-se utilizar fórmulas isoosmolares até hiperosmolares. Já no posicionamento pós-pilórico, ou seja, no duodeno ou intestino delgado, as dietas devem ser isoosmolares ou levemente hiperosmolares. Osmolalidade e viscosidade E viscosidade? Você sabe o que é? A viscosidade é a medida da resistência ao movimento de um fluido e influencia na velocidade de aplicação das dietas enterais. Os nutrientes relacionados com a viscosidade da dieta são, principalmente, carboidratos e fibras; ou seja, quanto maior ou menor a quantidade desses nutrientes, a dieta será mais ou menos viscosa. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 92 Em suma, ainda que a família seja a responsável (por questões de ordem econômica, principalmente) pela produção da dieta artesanal, há necessidade de orientações, treinamento e suporte contínuo para tal. Atividade proposta Analise a série de cuidados listados a seguir em relação à nutrição de alta complexidade e comente sobre a pertinência de cada um. I – Observar sempre se a dieta atende ao que foi prescrito, se está no volume e horário corretos. II – Observar se, aparentemente, não possui nenhuma irregularidade quanto à consistência e coloração. III – Elevar a cabeceira do leito antes, durante e após a administração da dieta. Chave de resposta: Espera-se que o aluno mencione em I que é preciso certificar-se desses dados por segurança; II para que não haja déficits do produto, que é perecível; III – Para otimizar a digestão, esvaziamento gástrico e peristaltismo. Material complementar Para saber mais sobre atenção domiciliar, leia o texto disponível em nossa biblioteca virtual. Referências ARAÚJO, E. M.; MENEZES, H. C. Formulações com alimentos convencionais para nutrição enteral ou oral. Ciênc. Tecnol. Aliment., 2006, v. 26, n. 3, p. 533-538. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/cta/v26n3/31752.pdf. Acesso em: 02 fev. 2015. BEGHETTO M. G.; MANNA B.; CANDAL A.; MELLO E. D.; POLANCZYK C. A. Triagem nutricional em adultos hospitalizados. Revista de Nutrição, 2008, v. 21, AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 93 n. 5, p. 589-601. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1415- 52732008000500011&script=sci_arttext. REZENDE I. F. B.; OLIVEIRA V. S.; KUWANO E. A.; LEITE A. P. B.; RIOS I.; DÓREA Y. S. S. et al. Prevalência da desnutrição hospitalar em pacientes internados em um hospital filantrópico em Salvador (BA), Brasil. R. Ci. Méd. Biol., 2004, v. 3, n. 2, p. 194-200. Disponível em: http://www.portalseer.ufba.br/index.php/cmbio/article/view/4425/3283. Exercícios de fixação Questão 1 O serviço de atenção domiciliar é relativamente novo tanto nos serviços privados quanto nos públicos. Assinale a alternativa que não apresenta possíveis justificativas para o surgimento do atendimento domiciliar. a) O aumento da taxa de natalidade que impacta na redução do número de leitos de UTIs neonatais disponíveis. b) O aumento da expectativa de vida, que fez com tenhamos mais pacientes crônicos. c) A necessidade de se ter leitos e serviços disponíveis para grande número de pacientes. d) A intenção de facilitar o acesso ao acompanhamento multiprofissional de um número cada vez maior de pacientes, de maneira descentralizada. e) A questão da redução de custos com serviços de saúde, uma vez que deslocar profissionais é mais compensatório que manter paciente interno em serviço. Questão 2 Leia as afirmações a seguir: I – O surgimento da atenção domiciliar vem de encontro à tendência de descentralização dos serviços de saúde, com ajustes para atendimento eletivo; porque II – busca desafogar a demanda por atendimento sem, no entanto, deixar de atender aos pacientes que necessitam de cuidados. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 94 Agora, assinale a alternativa correta. a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a condição para plena realização da primeira. b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da segunda. c) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a explicação para a primeira. d) Apenas a primeira alternativa está correta. e) Apenas a segunda alternativa está correta.Questão 3 Muitas vezes as famílias, por dificuldades financeiras, concentram o papel de cuidador em um único ente, que, muitas vezes ainda acumula tarefas externas ao domicílio. Tal conduta deve ser analisada com critérios, por evidenciar alto risco de falência do cuidador, ou ainda necessidade de tratamento também deste. Agora asssinale a alternativa que melhor caractgeriza as consequências da prática acima citada: a) O cuidador não sabe desempenhar seu papel. b) O paciente é submetido aos ccuidados de leigos. c) A família não dispões de recursos necessários à contratação de outro profissional. d) O cuidador também precisa de cuidados, ou seja há necessidade do cuidado para com o cuidador. e) O cuidador deve ser um profissional da saúde. Questão 4 Todos os acontecimentos relatados abaixo evidenciam a evolução dos cuidados em saúde com tendência ao atendimento domiciliar, exceto: a) O advento da medicina científica no século XIX, que deu início ao processo de transformação do sujeito em paciente, e o hospital como o local que contribuía para a neutralização das doenças. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 95 b) Um dos destinos da manifestação do sofrimento, a partir do século XIX, foram as casas, espaços de consolidação da identidade de doente. c) Uma vez internado, não havia dúvidas de sua condição de doente, mesmo quando não se tinha ainda diagnóstico. d) A família perdeu a autoridade sobre a maneira de cuidar do seu ente, que seria isolado em hospital e “olhado cientificamente” por médicos. e) Com a crise do modelo médico no século XX e de novas necessidades decorrentes do envelhecimento populacional, surgiram demandas por melhor qualidade da atenção; daí, os domicílios. Questão 5 Todas os desafios abaixo estarão inseridos nas relações de atenção domiciliar, exceto: a) Desafio de construir equipe com um trabalho efetivamente orientado e mobilizado pelas necessidades de saúde não somente do usuário, mas do coletivo familiar em questão. b) Desafio de superar a fragmentação do sistema de saúde. c) Desafio de centralizar as ações de atendimento domiciliar em um médico competente que possa responder por todas as áreas. d) Desafio de produzir continuidade de atenção no interior de uma linha de cuidado individualizada. e) O desafio de vencer as dificuldades e adversidades do ambiente e garantir equilíbrio entre as tecnologias envolvidas no trabalho em saúde domiciliar. Questão 6 Analise as afirmativas a seguir: I – Espera-se que o serviço de nutrição contribua diretamente para os resultados da assistência prestada aos pacientes, mesmo em caso de atendimento domiciliar; por isso, AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 96 II – a família opta pela nutrição parenteral ou enteral e, ainda, pela industrializada ou artesanal de acordo com sua realidade econômica. Agora, assinale a alternativa correta. a) Ambas as alternativas estão corretas, e a segunda é a consequência da plena realização da primeira. b) Ambas as alternativas estão corretas, e a primeira é a explicação da segunda. c) Ambas as alternativas estão erradas. d) Apenas a primeira alternativa está correta. e) Apenas a segunda alternativa está correta. Questão 7 Dentre as opções de sonda de alimentação, temos, exceto: a) Orogástrica b) Nasogástrica c) Oroentérica d) Nasoentérica e) Gastrostomia Questão 8 Leia as afirmativas e marque o correto: I - As sondas de acesso bucal e nasal são de colocação mais fácil e são normalmente utilizadas quando a situação for provisória e não houver impedimento nas vias de acesso. II - O paciente deve estar ciente da situação e colaborar para o bom posicionamento da sonda. III - As ostomias devem ser utilizadas quando o paciente permanecer por mais tempo sondado. a) Todas as afirmativas estão corretas. b) Apenas a afirmativa II está correta. c) As afirmativas I e II estão corretas. d) As afirmativas II e III estão corretas. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 97 e) Todas as afirmativas estão erradas. Questão 9 Leia as afirmativas e marque o correto: I - A sonda de terminação gástrica deve ser utilizada quando o paciente tem o trato gastrointestinal funcionante pelo menos a partir do estômago, sendo capaz de realizar o processo de digestão. II - A sonda de terminação entérica é utilizada quando o esôfago do paciente está ineficaz, sendo ele incapaz de conduzir o bolo alimentar. III - A dieta entérica deve ser cuidadosamente calculada para que não propicie a diarréia no paciente pela presença de partículas de difícil digestão ou hiperosmolares. a) Todas as afirmativas estão corretas. b) Apenas a afirmativa II está correta. c) As afirmativas I e II estão corretas. d) As afirmativas II e III estão corretas. e) Todas as afirmativas estão erradas. Questão 10 Analise as alternativas abaixo quanto às reais atribuições de um enfermeiro no acompanhamento da nutrição de alta complexidade e marque a opção correta. a) Orientar o paciente, a família ou o responsável legal quanto à utilização e ao controle da nutrição enteral. b) Prescrever os cuidados de enfermagem na terapia de nutrição enteral, em nível hospitalar, ambulatorial e domiciliar. c) Realizar ou assegurar a colocação da sonda oro/nasogástrica, bem como a sua manutenção. d) Avaliar e assegurar a administração da dieta, observando as informações contidas no rótulo e confrontando-as com a prescrição médica. e) Todas estão corretas. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 98 Aula 5 Exercícios de fixação Questão 1 - A Justificativa: A fração da população mais atendida pelo atendimento domiciliar é o idoso, por se tratar, muitas vezes, de pacientes crônicos. Não há relação direta entre atenção domiciliar e UTI neonatal. Questão 2 - C Justificativa: Um dos fatores que explicam a tendência é a necessidade de reduzir a demanda em hospitais e centros de saúde. Questão 3 - D Justificativa: A sobrecarga de trabalho, funções e da responsabilidade para com o doente pode causar danos à saúde do cuidador. Questão 4 - B Justificativa: A tendência, na época, era a hospitalização. Questão 5 - C Justificativa: A caracterização do atendimento domiciliar é multiprofissional; portanto, diversos profissionais de saúde devem estar envolvidos, cada qual em sua especialidade. Questão 6 - D Justificativa: Ainda que se considerem as condições socioeconômicas da família do paciente, a opção pelo tipo de nutrição, bem como pela enteral industrializada ou artesanal, é da equipe multiprofissional. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 99 Questão 7 - C Justificativa: Não existe a sonda da boca ao intestino; sonda longa, somente do nariz ao intestino. Questão 8 - A Justificativa: As afirmativas refletem a realidade a ser considerada para o bom uso das sondas. Questão 9 - D Justificativa: Nas condições de esôfago ineficaz teríamos a indicação de sonda gástrica; a entérica é para estômago ineficaz. Questão 10 - E Justificativa: Todas são atribuições do profissional da enfermagem. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 100 Introdução Estamos na parte final de nossa disciplina, falta-nos dois temas a serem estudados: a auditoria em enfermagem e em odontologia. Na aula de hoje, faremos uma introdução da auditoria em enfermagem com vistas a caracterizar a importância da auditoria em enfermagem para os serviços de saúde. Também trataremos dos aspectos legais dessa área que, mesmo sendo nova, já possui associações estaduais e nacionais no Brasil. Vamos começar? Objetivo: 1. Perceber a importância da auditoria para a enfermagem; 2. Ter ciência das regulamentaçõesvigentes da auditoria de enfermagem. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 101 Conteúdo Gerenciamento do relacionamento com o cliente Na atualidade, é crescente a existência de insatisfação com a prestação de serviços. Em quaisquer áreas, não raro se encontram consumidores reclamando de defeitos nos serviços prestados. Percebe-se através de noticiários veiculados em jornais, revistas e até mesmo por experiência própria que um grande número de pacientes está insatisfeito com os serviços oferecidos nos hospitais públicos, e também nos privados. Assim, considerando o significativo aumento da insatisfação dos clientes em relação à prestação dos serviços hospitalares e esses clientes, na atualidade, estarem mais convictos de seus direitos (são mais exigentes e “senhores” do seu poder de compra), muitos hospitais começaram a desenvolver o gerenciamento do relacionamento com o cliente, com a finalidade de propiciar a alta satisfação ao consumidor, tornando-o fiel e leal à organização. Auditoria da assistência de enfermagem A palavra auditoria vem sendo bem difundida e empregada no mercado de trabalho, e grandes empresas têm se preocupado em utilizá-la na prática, de forma contínua em suas organizações, a fim de garantir a qualidade dos serviços prestados a seus clientes, ainda que algumas instituições não ofereçam suporte e nem exijam a “perfeição” da qualidade dos serviços prestados, devido à suposta ideia de que seus produtos fornecidos já estão entre os melhores. A auditoria da assistência de enfermagem vem romper com esse paradoxo, deixar clara a importância do cliente e a necessidade de bem atendê-lo; vem no intuito de moldar as práticas para obter o máximo de satisfação e apreciação daqueles de que a instituição tanta necessita: os clientes. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 102 Diante desses problemas, alguns hospitais preocupados com a qualidade estão utilizando a auditoria e contratando empresas credenciadas no intuito de padronizar todo atendimento prestado. Dessa forma, ou seja, considerando a realidade social, a auditoria é cada vez mais valorizada, pois, a partir dela, pode-se detectar defeitos na prestação dos serviços, corrigir as falhas e, consequentemente, obter a satisfação do cliente. Tipos de auditoria Muitos são os profissionais que podem compor as auditorias, é fato e já discutimos o assunto. Porém, devido à grande prevalência de profissionais enfermeiros em serviços de saúde, em detrimento de outros não tão numerosos, esse profissional já se faz presente, comumente, nas equipes de auditoria. Antes de qualquer coisa, vamos pensar um pouco sobre o que é auditoria de enfermagem. Sob o ponto de vista prático, de sua realização, ela pode ser realizada de dois tipos: retrospectiva (após a alta), operacional ou concorrente (durante internação) – interna ou externa, contínua ou periódica, total ou parcial. Por meio da auditoria avaliam-se itens indispensáveis no prontuário como: identificação do paciente, anamnese, exame físico, exames complementares com seus resultados, hipóteses diagnósticas, diagnóstico definitivo, tratamento efetuado. Só a partir dessa caracterização é possível perceber como é vasto o campo de atuação, que deve estar inserido num contexto de múltiplos profissionais, compondo um sistema de regulação da assistência à saúde. O enfermeiro auditor No que diz respeito ao enfermeiro auditor, é seu papel avaliar sistematicamente a documentação que compõe o prontuário médico, de onde se retiram as AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 103 informações necessárias para avaliar a qualidade da assistência prestada ao paciente, ao mesmo tempo em que se buscam: minimizar desperdícios de materiais e medicamentos, a correta utilização de equipamentos e a otimização dos recursos humanos disponíveis. Não se pode pensar em auditoria de enfermagem somente do ponto de vista contábil ou numérico. Mais do que verificar a relação receita/despesa, a principal tarefa consiste em melhorar a qualidade da assistência prestada através da otimização dos recursos disponíveis. Deve-se lembrar sempre que os recursos, sejam eles de que natureza forem, públicos ou privados, são finitos. Não se pode mais compactuar com desperdícios de qualquer natureza. Atenção Assim, nessa perspectiva ampla, todos os colaboradores da instituição, ou seja, desde a telefonista, porteiro e recepcionista, que têm o contato inicial com o paciente, e até a mais alta cúpula hierárquica, que nem sempre oferece assistência direta, devem saber que o que fazem afeta os clientes. Sistemática da qualidade A auditoria em enfermagem fundamenta-se na sistemática da qualidade da assistência, por profissionais que não estejam envolvidos diretamente na sua execução, para determinar se a assistência está sendo prestada de acordo com os padrões considerados aceitáveis. Não importa de que lado o profissional enfermeiro está: se de quem cobra ou de quem paga a conta. Ambos só têm a ganhar com o trabalho do enfermeiro auditor. Esse, por sua vez, deve manter-se atualizado, buscando conhecer a fundo as várias interfaces de uma fatura hospitalar. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 104 Benefícios da auditoria Com a aplicação da auditoria na assistência de enfermagem, os benefícios atingem tanto os pacientes e clientes como também a equipe de enfermagem e a instituição. Sendo assim, os clientes são beneficiados com uma assistência de melhor qualidade, através dos serviços oferecidos com eficácia. A equipe de enfermagem, revendo as atividades desempenhadas e os resultados desejados, obtém subsídios que estimulam a reflexão profissional, possibilitando uma enfermagem científica. A instituição recebe uma contribuição significativa pelo fato de verificar o alcance dos seus objetivos, constituindo base para prováveis mudanças internas. Desde que a equipe de enfermagem se preocupe na produção de serviços (input e output), como prestá-los a cada indivíduo, oferecendo aquilo que realmente ele quer, satisfazendo as suas necessidades e desejos, poderá fidelizar, conservar, cativar e conquistar novos clientes. São importantes, destaca-se, feedback ativo e gerenciamento do relacionamento com o cliente, o que possibilita alcançar a sua alta satisfação e manutenção. Não se pode perder de vista que o conceito de qualidade total, tão difundido, almejado e frequente no mercado, é fundamental para criar valor e satisfazer o consumidor. Assim fica evidente a importância da utilização da auditoria como um dos métodos de avaliação da assistência de enfermagem para o alcance de uma melhor qualidade da assistência prestada, quer seja no modelo público ou privado. A auditoria consiste no método de avaliar e controlar a assistência a fim de alcançar uma melhor qualidade dos serviços de enfermagem frente à demanda de ofertar e garantir a satisfação do cliente. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 105 Regulamentações vigentes da auditoria de enfermagem O enfermeiro auditor possui duas associações estaduais e uma associação nacional ativas no Brasil, são elas: SPEA (Paraná) Associação Paranaense de Enfermeiros Auditores que, desde 2000, representa a classe dos profissionais auditores no Estado, promove encontros científicos regulares e eventos de aperfeiçoamento profissional. ACEA (Ceará) Associação Cearense de Enfermeiros Auditores, fundada no ano de 2007, tem estimulado a regularização da função do Enfermeiro Auditor no Estado e também tem promovido eventos para o crescimento do profissional auditor. SOBEAS A Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde vem se firmando como representante nacional dos enfermeirosauditores. As atividades do enfermeiro auditor são regulamentadas através do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN) e da SOBEAS, que emite pareceres e dá suporte aos profissionais dessa área. A lei do exercício profissional que regula o exercício da enfermagem é a de número 7.498, de 25 de junho de 1986, além do Decreto nº 94.406, de 8 de junho de 1987. Segundo o Artigo 10º da lei do exercício profissional, o enfermeiro exerce todas as funções da enfermagem, cabendo-lhe a consultoria, a auditoria e a emissão de parecer sobre matéria de enfermagem. Mas a legislação também versa sobre os deveres a cumprir. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 106 De acordo com o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem, em seu Artigo 29, os profissionais devem manter segredo de fato sigiloso que tenha conhecimento em razão de sua atividade profissional, exceto nos casos previstos em lei. Tem-se também a Resolução nº 226, de 2001, do Conselho Federal de Enfermagem, que aprova as atividades do enfermeiro auditor, listadas, de acordo com essa fonte, em nove partes. Em suma, essa resolução que regulamenta e aprova as atividades do enfermeiro auditor diz que, por meio da auditoria em enfermagem, é possível analisar importantes aspectos da assistência, sejam implicados com a qualidade do procedimento desenvolvido, seu registro ou custos envolvidos. Na prática, o enfermeiro auditor busca compreender os gastos gerados pela assistência, nos padrões estabelecidos em contratos hospitalares. Para isso, é necessário analisar, principalmente, os protocolos de utilização de materiais descartáveis e medicamentos estabelecidos, além das prescrições médica e de enfermagem advindas da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) e os registros da evolução dos enfermos e aqueles realizados pela equipe multiprofissional. Dessa forma, é necessária uma leitura crítica de todos os documentos impressos que compõem o prontuário ou qualquer atendimento ambulatorial. Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE) A SAE regula tempos, movimentos e materiais necessários para a prática dos cuidados e permite que o plano seja refeito, quando isso se fizer necessário. A auditoria em enfermagem, por sua vez, é a referência para a avaliação custo- benefício, desafio que não pode ser esquecido, como um instrumento de controle da qualidade da assistência prestada. Como atividades complementares, a auditoria em enfermagem e a SAE consagram a excelência do atendimento em si melhorando o gerenciamento do cuidado. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 107 Além disso, ao final, obtém-se uma contribuição na reorganização do processo de trabalho intra-hospitalar, na medida em que são apontados subsídios para a utilização dos resultados do relatório de auditoria em enfermagem na melhoria da qualidade da assistência prestada. Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde (SOBEAS) Ainda no que diz respeito à legalização da auditoria em enfermagem, vale conhecer um pouco mais sobre a Sociedade Brasileira de Enfermeiros Auditores em Saúde, a SOBEAS. A SOBEAS foi fundada em 1º de dezembro de 1999 e reconhecida pelo conselho federal da categoria. É fundamentada nos princípios constitucionais brasileiros, sobre os quais versa o artigo 5º da Constituição da República Federativa do Brasil. Trata-se de uma sociedade civil sem fins lucrativos, de natureza científica e cultural. Tem por finalidades: • Congregar profissionais enfermeiros de todo território nacional interessados e envolvidos com auditoria em saúde; • Promover o desenvolvimento técnico-científico de seus associados; • Realizar o intercâmbio com entidades congêneres nacionais e internacionais, bem como com profissionais afins que exerçam atividades referentes ou inerentes à área de auditoria em saúde; • Fazer-se representar em eventos científicos culturais nacionais e internacionais. • Promover cursos, eventos, seminários, entre outros, visando ao desenvolvimento profissional da área; • Realizar estudos na área de auditoria e saúde, bem como estimular e promover a criação de cursos de especialização; • Prestar assessoria técnico-científica, didática e operacional aos prestadores de serviços na área de auditoria e saúde; • Realizar concurso de provas e títulos específico para a outorga de título de enfermeiro especialista auditor em saúde; AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 108 • Baixar atos administrativos visando à uniformização das atividades exercidas pela entidade. Encerramento Como pôde ser observado, ainda que seja recente a auditoria como área de atuação, o profissional em enfermagem está devidamente amparado por legislação vigente, e a área caracteriza-se por possuir demanda crescente nos últimos anos. Atividade proposta Com base nas aulas vistas até hoje, reflita sobre o papel da legislação dos conselhos de categoria para a área de auditoria. Chave de resposta: Espera-se que você perceba que os conselhos têm o papel de regulamentar a atuação em auditoria, por se tratar de uma área relativamente nova, em crescimento e que demanda profissionais diversos. Material complementar Para saber mais sobre os temas estudados, leia os textos disponíveis em nossa biblioteca virtual. Referências FELÍCIO, J. L. As famílias de pacientes com doenças crônicas e graves: funcionamentos mais característicos. O Mundo da Saúde, 27 (3), 2003, p. 426- 431. MARTINS, L. M.; FRANÇA, A. P. D.; KIMURA, M. Qualidade de vida de pessoas com doenças crônicas. Revista Latino Americana de Enfermagem, 1996, 4 (3), p. 5-18. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 109 MEDEIROS, M. M. C.; FERRAZ, M. B.; QUARESMA, M. R. Cuidadores: as “vítimas ocultas” das doenças crônicas. Revista Brasileira de Reumatologia, 38 (4), 1998, p. 189-192. Exercícios de fixação Questão 1 Todas as afirmativas abaixo versam sobre a auditoria em enfermagem – assinale aquela que justifica sua pertinência. a) É de grande importância a realização da auditoria de enfermagem. b) A auditoria em enfermagem tem se tornado cada vez mais presente, não somente em hospitais de grande porte, mas também em hospitais de médio e pequeno porte. c) Trata-se de uma forma de avaliar sistematicamente a qualidade da assistência prestada através do prontuário do paciente. d) A auditoria de enfermagem tem sido uma ferramenta gerencial utilizada pelas instituições de saúde com objetivo de avaliação qualitativa relacionado à assistência e quantitativa relacionada aos custos dessa assistência. e) O início do processo de auditoria em enfermagem se dá através de ações diárias, como o registro em prontuário das informações acerca do quadro do paciente. Questão 2 Leia: I – Nas organizações de saúde, a auditoria configura-se como uma importante ferramenta na transformação dos processos e trabalho que vem ocorrendo em hospitais e operadoras de planos de saúde. Com vistas à... II – Reestruturação para manter a qualidade do cuidado prestado e, ao mesmo tempo, a garantir uma posição competitiva no mercado de trabalho. Assinale o correto. a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a condição da I AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 110 b) Ambas estão corretas, e a II evidencia o objetivo da I c) Apenas a I está correta d) Apenas a II está correta e) Ambas estão erradas Questão 3 A auditoria em enfermagem pode ser definida como “a avaliação sistemática da qualidade da assistência de enfermagem, verificada através das anotações de enfermagem no prontuário do paciente e/ou das próprias condições deste”. Daí, é correto afirmar que: a) É primordial o reconhecimento externo dessa auditoria. b) O reconhecimento externo não configura avanço nenhum paraárea. c) A consciência dos profissionais que passam o dia a dia com o paciente é de suma importância para o adequado registro nos prontuários. d) Apenas os profissionais graduados têm essa formação. e) Todas estão erradas. Questão 4 São finalidades da auditoria de enfermagem: a) Identificar áreas deficientes dos serviços de enfermagem. b) Fornecer dados concretos para que decisões sejam tomadas em relação ao remanejamento e ao aumento de pessoal. c) Possibilitar melhoria do cuidado de enfermagem. d) Reduzir custos e obter assistência de qualidade. e) Todas as opções anteriores. Questão 5 O cuidar de indivíduos portadores de doenças crônicas pode gerar situações de estresse e trazer transtornos tanto para o cuidador como para o indivíduo doente e seus familiares. O trabalho de assumir os cuidados de pacientes dependentes tem sido referido pelos cuidadores familiares como uma tarefa exaustiva e estressante. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 111 Todas as opções refletem o porquê dessa constatação, exceto: a) Por seu envolvimento afetivo com o familiar cuidado. b) Pela transformação de uma relação anterior de reciprocidade em uma relação de dependência. c) Pelo cuidador passar a ter restrições em relação à sua própria vida. d) Pela necessidade de educação em saúde. e) Pela sobrecarga de trabalho frente a total dependência. Questão 6 Em praticamente todos os serviços de saúde da atualidade, quer seja público ou privado, existe a necessidade de reestruturar o serviço oferecido aos pacientes, porque: a) Fornece base de metas e garantia da qualidade da assistência prestada. b) Houve mudanças nas expectativas dos clientes. c) Houve mudanças no papel dos cuidadores. d) São constantes as inovações tecnológicas. e) Deve-se considerar as questões econômicas. Questão 7 Dentre os prováveis acometimentos que podem envolver os cuidadores e estão relacionados à função do cuidar temos, exceto: a) Idade avançada b) Desgastes físicos c) Desgastes emocionais d) Problemas relacionados ao sistema osteomuscular e) Exacerbação de alguma doença de base por sobrecarga Questão 8 Em relação à legislação, temos na Resolução nº 266/2001 do COFEN que o integrante da equipe de auditoria em saúde deve atuar na elaboração de medidas de prevenção e controle sistemático de danos que possam ser causados aos pacientes e na elaboração de programas e atividades da AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 112 educação sanitária, os quais visem à melhoria da saúde do indivíduo, da família e da população em geral. Esse é um exemplo de: a) Vigilância sanitária b) Educação para a saúde c) Tratamento de doenças d) Atenção secundária e) Serviço de alta complexidade Questão 9 Todas as determinações abaixo listadas, da Resolução nº 266/2001 do COFEN, têm em comum uma abordagem sob um ponto de vista voltado para as relações atitudinais e comportamentais pautadas na ética, exceto: a) O enfermeiro auditor, no exercício de sua função, deve fazê-lo com clareza, lisura, sempre fundamentado em princípios constitucional, legal, técnico e ético. b) O enfermeiro auditor, como educador, deverá participar da interação interdisciplinar e multiprofissional, contribuindo para o bom entendimento e desenvolvimento da auditoria de enfermagem e da auditoria em geral, contudo, sem delegar ou repassar o que é privativo do enfermeiro auditor. c) O enfermeiro auditor, quando integrante de equipe multiprofissional, deve preservar sua autonomia, liberdade de trabalho e sigilo profissional, bem como respeitar autonomia e liberdade de trabalho dos membros da equipe, salvo os casos previstos em lei que objetivem a garantia do bem- estar do ser humano e a preservação da vida. d) O enfermeiro auditor, quando em sua função, deve sempre respeitar os princípios profissionais, legais e éticos no cumprimento com o seu dever. e) O enfermeiro auditor, em sua função, deverá identificar-se fazendo constar o número de registro no COREN sem, contudo, interferir nos registros do prontuário do paciente. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 113 Questão 10 Sobre a legislação de auditoria em saúde, de forma geral, pode-se afirmar que: a) Existe uma legislação específica que aborda as atuações multidisciplinares dos diversos profissionais, vez que a auditoria é assim desempenhada. b) É específica apenas para o profissional médico, posto que esse é o responsável pela auditoria. c) Cabe a cada conselho legislar acerca da regulamentação dos seus profissionais membros, respeitando, no entanto, as diretrizes da auditoria. d) Cabe ao Sistema Nacional de Auditoria (SNA) regulamentar a profissão de enfermeiro auditor. e) O CREFITO -4 já dispôs sobre as atribuições do enfermeiro auditor. Aula 6 Exercícios de fixação Questão 1 - D Justificativa: Embora as alternativas falem sobre a auditoria em enfermagem, o que justifica sua existência é a quarta afirmativa. Questão 2 - B Justificativa: Relação de finalidade expressa pelo conectivo “com vistas à”. Questão 3 - C Justificativa: É a partir do prontuário que se inicia todo o processo de auditoria em enfermagem; e, caso esse não esteja devidamente preenchido, haverá comprometimento da auditoria. Questão 4 - E AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 114 Justificativa: Todas as afirmativas refletem as finalidades da auditoria em enfermagem. Questão 5 - D Justificativa: Embora a educação em saúde seja muito bem-vinda nesses casos para auxiliar os cuidados, sua necessidade não causa sobrecarga ao cuidador. Questão 6 - A Justificativa: A primeira alternativa evidencia consequência, não a causa da necessidade de reestruturação dos serviços prestados em saúde. Questão 7 - A Justificativa: A idade avançada pode ser uma característica de grande parte dos cuidadores, mas não se trata de um acometimento principalmente relacionado à função do cuidar. Questão 8 - B Justificativa: Tais tarefas caracterizam o componente de educação para a saúde. Questão 9 - E Justificativa: O último item caracteriza a atuação sob o ponto de vista técnico, não comportamental. Questão 10 - C Justificativa: A legislação é organizada pelos conselhos de categorias. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 115 Introdução Em continuação ao tema de auditoria em enfermagem, faremos esta aula. Para dar prosseguimentos aos assuntos abordados na introdução do assunto, veremos, a seguir, especificidades sobre a atuação da auditoria em enfermagem sob o ponto de vista prático, uma vez que o aparato legal fora analisado em momento anterior. Ainda, para compor a aula, trataremos da realidade do enfermeiro auditor no mercado de trabalho. Avante? Objetivo: 1. Conhecer e analisar as atribuições do enfermeiro auditor; 2. Caracterizar a função de auditoria em enfermagem no mercado de trabalho. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 116 Conteúdo Enfermeiro auditor O auditor desempenha vários papéis dentro da organização que pretende a sua adequação e melhora do sistema de gestão. Entretanto, o profissional que atuará nesse processo precisa compreender sua responsabilidade. Para tanto, ressaltamos que cabe ao enfermeiro auditor: • Agir dentro dos princípios éticos e legais; • Conhecer e dominar o contrato firmado entre hospital e operadora dos planos de saúde; • Conhecer os aditivos contratuais; • Atualizar seus conhecimentos sobre temas médicos, que sofrem mudanças constantes devido ao desenvolvimento tecnológico; • Aprimorar seus conceitos sobre novos produtos, materiais e medicamentos lançados no mercado; • Ter embasamento e conhecimento para conversar e negociar. • Antesde expor seus conceitos, fundamentá-los com conteúdos baseados em evidências; • Conhecer todos os documentos que compõem o prontuário do paciente; • Ser claro e transparente no momento da análise das contas hospitalares; • Ter noção básica de auditoria; • Conhecer a instituição; • Possuir envolvimento pelo cuidado do paciente e capacidade de trabalhar em grupo. Atuação do auditor O enfermeiro auditor atua nas análises de contas hospitalares, qualidade de assistência de enfermagem e condições de estruturas básicas para prestação desta assistência; age também na emissão de parecer, detecção de vazamento de recursos econômicos na instituição, propositura de alternativas de solução (principalmente quando este é um auditor interno), e na educação por meio de interação multidisciplinar. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 117 No caso de o enfermeiro auditor trabalhar nas instituições de saúde como auditor interno, deverá realizar a auditoria das seguintes áreas: contas hospitalares, qualidade assistencial, materiais, justificativas e recursos de glosas hospitalares; além disso, deverá participar da realização dos contratos de prestação de serviços, implantação de novos serviços (principalmente no que diz respeito à questão de custo-benefício) e elaboração de relatórios de auditoria. Auditoria A auditoria das contas hospitalares é a análise da compatibilização entre o que foi gasto com o paciente e o que está sendo cobrado, utilizando-se de tabelas específicas que contêm a rotinização de cobrança contratada com cada convênio. O enfermeiro auditor indica ao setor de faturamento itens que podem ser cobrados mediante o atendimento prestado. Através de sua visão técnica, possui conhecimento sobre materiais e medicamentos que foram utilizados no tratamento do paciente, fazendo com que ocorra uma cobrança justa e, também, com menos probabilidades de glosas. Auditoria da qualidade assistencial A auditoria da qualidade assistencial é feita pelo acompanhamento direto à equipe de enfermagem no desenvolvimento de suas técnicas e/ou pela análise do prontuário do paciente. Esta auditoria visa avaliar como estão sendo desenvolvidos os cuidados de enfermagem, além de concluir sobre o cumprimento de rotinas hospitalares e apontar necessidades de pessoal, como treinamento e/ou reciclagem. Auditoria de materiais Atuando na auditoria de materiais, o enfermeiro tem a capacidade de avaliar e detectar quais os tipos de materiais que são ineficientes na prestação do cuidado ao paciente e que, mesmo sendo considerados de baixo custo pelo AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 118 setor de compras hospitalares, não satisfazem a necessidade, acarretando em uso duplicado e/ou atendimento inadequado ao paciente. Nessa auditoria, observa-se também, além da questão da qualidade do material, o ressarcimento que este material terá diante do convênio. Aplicam-se aqui as mudanças de rotinas internas, como uso de coberturas de curativos, entre outros que necessitam de uma avaliação quali-quantitativa. A realização de justificativas e recursos de glosas pelo enfermeiro auditor permite que a instituição não tenha perdas financeiras significativas nesse quesito, uma vez que o enfermeiro, ao realizar este acompanhamento e enviar recurso de glosa ao convênio, está concomitantemente analisando como estão sendo feitas as cobranças hospitalares, o que é uma retroalimentação do sistema. Por possuir o conhecimento técnico científico frente aos diversos tratamentos oferecidos aos pacientes, o enfermeiro tem propriedade para realizar um recurso de glosa eficiente. Auditoria de enfermagem interna Na participação de contratos de prestação de serviço, o enfermeiro auditor interno envolve-se na negociação de valores de materiais e medicamentos que serão ressarcidos ao prestador pela operadora de saúde, bem como na elaboração da tabela de diárias, taxas, equipamentos e gases hospitalares, proporcionando uma variedade de cobrança compatível com os itens que poderão ser utilizados na instituição pelo usuário. Uma auditoria de enfermagem interna atua também na implantação de novos serviços institucionais a partir da verificação dos indicadores internos e comparação com indicadores aceitos. Por exemplo, pode-se verificar o percentual de pacientes que, após a alta da unidade de terapia intensiva, vão para a unidade clínica e/ou cirúrgica e retornam à UTI; neste caso, em específico, podemos verificar a razão da volta do paciente à UTI, e um dos motivos poderá envolver o preparo da equipe de enfermagem em receber um AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 119 paciente após a alta da UTI (entre outros relacionados a outros profissionais); pode-se sugerir, neste caso, a abertura de uma unidade intermediária ou a capacitação dos funcionários para o atendimento a esse tipo de paciente. O auditor nos planos de saúde A atividade de enfermeiro auditor também pode ser desenvolvida nos planos de saúde. Nesse caso, o auditor atua, principalmente: na participação do credenciamento da rede de atendimento, na análise de contas hospitalares, no ressarcimento aos prestadores de serviço, na realização de glosas hospitalares (quando houver a necessidade), na negociação de novas rotinas com o enfermeiro auditor hospitalar, na visitação do usuário do plano de saúde (quando ele estiver internado), na elaboração de grupos de saúde preventiva junto aos usuários do plano de saúde, e na elaboração de relatórios de auditoria. A rede de credenciamento diz respeito aos prestadores de serviços físicos e jurídicos que o plano de saúde deverá possuir. O enfermeiro auditor participa da visitação e vistoria do local a ser credenciado juntamente com os demais profissionais da equipe de auditoria, avaliando, principalmente, as condições dos cuidados de enfermagem a serem prestados aos usuários. No processo de credenciamento, também ocorrerá o contrato de prestação de serviço, no qual o enfermeiro do plano deve participar nas questões que envolvem valores e tabelas a serem utilizadas para ressarcimento de diárias, taxas, equipamentos e gasoterapia. Verificações a serem realizadas Após o atendimento do usuário no prestador de serviço (hospital, ambulatório ou clínicas), a instituição gera uma conta hospitalar, que é enviada ao plano de saúde. O auditor enfermeiro do plano de saúde realiza a análise da conta hospitalar, verificando a compatibilização entre os itens cobrados e contratados, e efetuando as glosas quando julgar necessário. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 120 A comunicação entre o enfermeiro auditor interno e o enfermeiro auditor do plano de saúde é de suma importância, uma vez que proporciona a negociação frente à implantação de novas rotinas e mudança no uso de materiais, ocasionando, também, a qualidade da assistência prestada ao usuário. A visitação do paciente ocorre quando este estiver sendo atendido pela unidade prestadora de serviços; neste caso, o enfermeiro auditor realiza a visita com o intuito de verificar a satisfação do cliente frente ao atendimento da rede credenciada e realizar o acompanhamento e fechamento da conta hospitalar, diariamente, junto ao enfermeiro auditor do hospital. O trabalho com a prevenção de doenças e/ou agravos é realizado pelo enfermeiro auditor enquanto integrante da equipe do plano de saúde. Refere-se ao mapeamento e perfil dos usuários, bem como a inserção de medidas de promoção e prevenção, evitando internações e atendimentos hospitalares frequentes e proporcionando melhor qualidade de vida aos usuários. Relatórios de auditoria Os relatórios de auditoria são realizados tanto na atuação do enfermeiro auditor interno como no plano de saúde e constitui-se no resultado da auditoriarealizada. Estes relatórios servem de subsídios para adequação de rotinas e modificação de planos de trabalho, e contêm indicadores que representam a situação em forma de registro. Mas como se tornar um enfermeiro auditor? O enfermeiro auditor possui muita importância durante uma auditoria em um departamento de saúde. Suas atividades podem ser exercidas em hospitais particulares, públicos e, ainda, nas empresas que prestam serviço de plano de saúde. Esse profissional é designado por conhecer melhor as rotinas e necessidades de um hospital, o que um auditor sem especialização pode desconhecer. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 121 Para se tornar um enfermeiro auditor, é necessário ter curso superior completo em enfermagem, além de uma especialização na área de auditoria. Esse curso de enfermeiro auditor direcionará o graduado para a área através dos conhecimentos fiscais e da legislação que se referem à auditoria. Esses conhecimentos são muito importantes, pois, através deles, são feitos os registros de prestações de contas, laudos e muitas outras informações do hospital em questão. Salário A média salarial desse profissional é de R$3 mil por mês. Entretanto, esse salário poderá variar em função da área de atuação do enfermeiro auditor, que pode ser: auditoria interna, prestação de contas, serviços terceirizados e auditoria de materiais. Essas áreas podem ter nomes diferentes de acordo com o tamanho do hospital. Perfil Esse cargo normalmente é ocupado por pessoas com algum tipo de experiência em auditoria; no entanto, há oportunidade para pessoas que estão começando agora, mas é fundamental ter algum tipo de experiência com as rotinas de um hospital. As possibilidades de atuação do profissional Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, o brasileiro está vivendo mais; porém, questiona-se se a longevidade do brasileiro está associada à saúde. A partir daí, percebe-se a necessidade de acompanhamento por meio dos setores de medicina preventiva e gerenciamento de casos crônicos, ambos setores em que o enfermeiro possui importante e significativa atuação, com vistas a avaliar a qualidade do envelhecimento populacional. Sob esse aspecto, a área estará em constante crescimento, tendo em vista que o envelhecimento da população brasileira está em franco crescimento, e, AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 122 segundo perspectivas do mesmo IBGE, o quadro tende a prosseguir dessa forma, pelo menos, até 2050. Para desempenhar adequadamente as ações de gerenciamento de casos crônicos e, por meio delas, acompanhar o padrão de saúde da população que está envelhecendo, é necessário saber a relação entre resultados e custos, nível de saúde e cuidados necessários para mantê-lo, e qualidade de vida frente ao tratamento. A América do Norte possui um dos maiores indicadores de gastos em saúde, mas a expectativa de vida norte-americana é menor que a da Austrália. Esses dados refletem a realidade de que, embora se gaste muito, está se gastando mal, uma vez que não se está impactando onde deveria. Já no Brasil, vivemos um constante regime de escassez de recursos na área da saúde. Possuímos reduzidos investimentos em saúde pública e, como consequência tanto do baixo investimento quanto da precariedade da remuneração e capacitação dos profissionais, uma baixa qualidade na prestação dos serviços. Estamos na era dos procedimentos minimamente invasivos, medicamentos para terapia personalizada, entre outras evoluções de tratamentos em saúde; o acesso às informações está cada vez maior para a população, tendo em vista a evolução dos meios de comunicação e a disponibilização gratuita e atualizada, através da Anvisa e do Ministério da Saúde, de informações sobre medicamentos, produtos para a saúde, avaliação de tecnologias, entre outros. Nesse contexto, cada vez mais se veem ampliadas as possibilidades de atuação do profissional auditor em enfermagem, pois possui domínio técnico para avaliar as condutas e procedimentos que estão em constante evolução frente às incorporações tecnológicas, bem como para treinar, atualizar e estimular a busca do conhecimento para garantir atendimento de qualidade. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 123 Em que foi baseada essa pesquisa? Essa parte de pesquisa é feita considerando as informações baseadas em evidências científicas; ou seja, o setor de práticas baseadas em evidências incorpora práticas que realmente tenham surtido efeito positivo, comprovado por estudos clínicos. Essa área de pesquisa encontra-se, também, em ritmo de crescimento acelerado, e, nessa perspectiva, o enfermeiro auditor possui atuação extremamente valiosa, vez que possui habilidade no conhecimento dos produtos, indicações e melhor atuação, o que resulta na correta disponibilização das tecnologias que vêm surgindo. Encerramento Em suma, o mercado de trabalho para o profissional auditor em enfermagem encontra-se em situação favorável, considerando o envelhecimento populacional e a demanda por gerenciamento de cuidados com pacientes crônicos, além da crescente e constante renovação tecnológica e da incorporação de práticas baseadas em evidências científicas. Atividade proposta Nas auditorias, frequentemente são detectadas ausências de dados fundamentais para o esclarecimento das ações realizadas, bem como registros feitos de forma indevida. Grande parte do pagamento de materiais, medicamentos, procedimentos e outros serviços estão vinculados aos registros de enfermagem. Devido às anotações de enfermagem serem, em sua maioria, inconsistentes, ilegíveis e subjetivas, a prática de glosar itens do faturamento das contas hospitalares tem sido significativa para o orçamento das instituições. O que você entende por glosa? Redija uma definição para esse termo. Chave de resposta: Glosa significa cancelamento ou recusa, parcial ou total, de orçamento, conta e/ou verba por serem considerados ilegais ou indevidos; ou seja, refere-se aos itens que o auditor da operadora (plano de saúde) não considera cabível para pagamento. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 124 Material complementar Para saber mais sobre a auditoria em enfermagem, leia os textos disponíveis em nossa biblioteca virtual. Referências MOTTA A. L. C.; LEAO E.; ZAGATTO JR. Auditoria Médica no Sistema Privado: abordagem prática para organizações de saúde. São Paulo: Iatria, 2005. RIOLINO N. A.; KLIUKAS G. B. V. Relato de Experiência de Enfermagem no campo de Auditoria de Prontuário: uma ação inovadora. São Paulo: Nursing, 2003. SCARPARO A. F. Auditoria de Enfermagem: identificando sua concepção e métodos. (Dissertação). Ribeirão Preto (SP): Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo, 2007. Exercícios de fixação Questão 1 Um trabalho de atenção primária com vistas a não instalação de um quadro de doença ou agravo à condição de saúde é compreendido como atividade de: a) Prevenção e promoção b) Combate e educação c) Atenção terciária e secundária d) Profilaxia e prevenção e) Nenhuma das respostas Questão 2 As equipes de auditoria devem ter composição multidisciplinar. Tal fato se justifica porque: a) Há exigência de atuação dos profissionais que têm domínio da área médica, que é a principal fonte de glosas. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 125 b) São necessários profissionais com visão direta de uma área em específico a fim de conhecer a fundo determinadas funções. c) Os profissionais das diversas áreas garantem maior domínio dos procedimentos diversos a serem auditados. d) O enfermeiro é um profissional importante na equipe de auditoria, pois domina as especificidades também da área médica. e) Todas estão erradas.Questão 3 A função da auditoria em enfermagem é: a) Por essência, controlar as despesas com pessoal. b) Controlar custos e garantir margem de lucro significante. c) Controlar compras e garantir serviços de qualidade. d) Otimizar os custos e garantir prestação de serviços adequada. e) Todas estão erradas. Questão 4 Analise as frases abaixo: I – A auditoria de cuidados é uma avaliação sistemática da qualidade da assistência de enfermagem verificada através das anotações de enfermagem no prontuário do paciente e/ou das próprias condições deste; assim, II – os clientes são beneficiados com a possibilidade de receber uma assistência de melhor qualidade a partir de um serviço oferecido de maneira mais segura e eficaz. Agora, assinale a alternativa correta. a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a condição da I b) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a consequência da I c) Apenas a I está correta d) Apenas a II está correta e) Ambas estão erradas AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 126 Questão 5 Analise as frases abaixo: I – A auditoria tem surgido como uma ferramenta importante para mensuração da qualidade (auditoria de cuidados) e custos (auditoria de custos) das instituições de saúde. II – O processo de auditoria é conceituado como uma avaliação sistemática e formal de uma atividade realizada por pessoas não envolvidas diretamente em sua execução a fim de se determinar se a atividade está de acordo com os objetivos propostos. Agora, assinale a alternativa correta. a) Ambas as afirmativas estão corretas b) Ambas as afirmativas estão erradas c) Apenas a I está correta d) Apenas a II está correta e) Ambas estão parcialmente corretas Questão 6 A equipe de enfermagem, a partir dos dados fornecidos pela auditoria, pode, com mais facilidade, avaliar aspectos positivos ou negativos da assistência que tem sido oferecida aos clientes; sendo assim, a auditoria não busca o responsável pela falha, mas, sim, questiona o porquê do resultado adverso. a) A afirmativa está correta, pois caracteriza o serviço de auditoria e sua finalidade. b) A afirmativa está correta, pois avalia o serviço de auditoria em enfermagem. c) A afirmativa está correta, pois apresenta as causas da auditoria em enfermagem. d) A afirmativa está errada, pois não apresenta relação com a verdade. e) A afirmativa está errada, pois sempre há uma busca pelo culpado. Questão 7 No que diz respeito à auditoria de custos, leia: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 127 I – A auditoria de custos tem como finalidade conferir e controlar o faturamento enviado para os planos de saúde, verificar exames e procedimentos realizados, e efetuar visitas de rotina a pacientes internados, cruzando as informações recebidas com as que constam no prontuário do paciente. Também procura II – Investigar a propriedade dos gastos e processos de pagamentos, analisar estatísticas, indicadores hospitalares e específicos da organização, conferir os sistemas de faturamento das contas médicas e, ainda, elaborar processos de glosas contratuais e administrativas. Agora, assinale a alternativa correta. a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é consequência da primeira b) Ambas as afirmativas estão erradas c) Apenas a I está correta d) Apenas a II está correta e) Ambas estão corretas, e a II adiciona informações à I Questão 8 O prontuário do paciente a cada dia vem se firmando legalmente como ferramenta importante na avaliação da qualidade da assistência prestada aos clientes no hospital, fornecendo informações vitais para processos judiciais e convênios de saúde. Assim, assinale a alternativa incorreta. a) Os registros do prontuário do cliente são também utilizados para fins de faturamento/cobrança. b) Tais registros servem para auditoria interna ou externa. c) Possuem finalidade relacionada à obtenção de dados estatísticos sobre as atividades realizadas e para análise institucional. d) O prontuário é uma ferramenta importante apenas para a manutenção dos procedimentos operacionais tradicionais. e) O registro no prontuário deve ser efetuado com segurança e seriedade pelos profissionais da saúde. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 128 Questão 9 Leia: O registro de enfermagem, como fonte de informações, tem sido, às vezes, criticado sob a alegação de que são avaliados os registros, e não os cuidados de enfermagem. Entretanto, pode-se considerar óbvio que há correlação positiva entre os registros e a qualidade do cuidado. Agora, assinale a alternativa correta. a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é oposta à I b) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é consequência da I c) Apenas a I está correta d) Apenas a II está correta e) Ambas estão erradas Questão 10 Leia: I – Os cuidados de enfermagem podem ser avaliados através dos registros; logo, II – A avaliação dos registros, consequentemente, reflete a qualidade de enfermagem. Agora, assinale a alternativa correta. a) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a condição da I b) Ambas as afirmativas estão corretas, e a II é a conclusão da I c) Apenas a I está correta d) Apenas a II está correta e) Ambas estão erradas Aula 7 Exercícios de fixação Questão 1 - A AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 129 Justificativa: O enunciado caracteriza atuação de prevenção e promoção à saúde. Questão 2 - C Justificativa: A competência técnica nas diversas áreas é importante para garantir a plena realização da auditoria e só será alcançada a partir da multidisciplinaridade da equipe. Questão 3 - D Justificativa: A auditoria, de forma geral, é norteada pela busca da efetividade e eficiência, que refletem na redução de custos com prestação de serviços adequados. Questão 4 - B Justificativa: Os clientes são, sim, beneficiados pela auditoria. Questão 5 - A Justificativa: Trata-se da justificativa da auditoria e do conceito do processo devidamente apresentados. Questão 6 - A Justificativa: Explicação clara sobre auditoria, caracterização e finalidade. Questão 7 - E Justificativa: As afirmativas estão corretas, e a II adiciona a finalidade da auditoria de custos. Questão 8 - D Justificativa: Pelo contrário, não se trata da manutenção de tradicionalismo, mas, sim, de ferramenta de análise para todo o serviço. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 130 Questão 9 - A Justificativa: As ideias são adversativas. Questão 10 - B Justificativa: Há conclusão da segunda oração em relação à primeira. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 131 Introdução Esta será a nossa última aula; ela abordará o assunto da auditoria em odontologia. Nesse aspecto, o objetivo do nosso estudo é capacitá-lo para atuação como auditor odontológico dentro da legislação vigente, apresentando fundamentação técnica para o exercício de auditorias e perícias odontológicas. Para isso, é claro, manteremos o pensamento no plano mais geral, que consiste na adequada prestação de serviços associada à redução de custos. Vamos lá! Objetivo: 1. Conhecer a história e a evolução da auditoria em odontologia; 2. Compreender que a auditoria em odontologia é um mecanismo de controle e melhoria na prestação de serviços odontológicos. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 132 Conteúdo O histórico da área odontológica e a evolução recente Até cerca de sessenta anos atrás, o profissional que cuidava dos problemas de saúde bucal atuava de forma empírica, sem nenhum rigor formal. O que importava era ter experiência na área e ter muita habilidademanual. Os tratamentos serviam, basicamente, para aliviar a sensação dolorosa, sendo, geralmente, mutiladores. O progresso científico fez com que a odontologia se desenvolvesse, saindo do empirismo e passando a adquirir base científica. Os profissionais dessa área passaram a ser formados em escolas de nível superior, preparados, predominantemente, para atuarem como autônomos. A regulamentação da área e os setores de atuação O exercício profissional da odontologia no Brasil foi regulamentado pela Lei nº 5.081, de 24 de agosto de 1966 (BRASIL, 1966). Na década de 80, a prática odontológica começou a sofrer as principais alterações que caracterizariam o novo perfil da profissão nos anos seguintes: crescimento do número de especialistas, surgimento de intermediários na negociação entre profissional e paciente, a proliferação de clínicas odontológicas e de cirurgiões-dentistas e o desenvolvimento do conceito de saúde bucal coletiva. Atualmente, as formas de inserção do cirurgião-dentista no processo social de produção são as seguintes: trabalhador autônomo; consultor; participante de uma sociedade; empregado; e servidor público. Alguns optam por uma carreira acadêmica, outros trabalham como empresários ou trabalham como servidores públicos fora da área odontológica. Enfim, essa variação vai depender de oportunidades e dos objetivos de cada profissional. O cirurgião-dentista autônomo trabalha no setor privado de assistência à saúde. Esse profissional pode trabalhar em consultório próprio, alugar um consultório ou arrendar consultório de um colega. Nesse regime de trabalho, o cirurgião- AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 133 dentista pode atender qualquer tipo de paciente: existem os pacientes particulares que pagam o tratamento diretamente para o profissional, e aqueles usuários de algum tipo de plano de assistência odontológica que pagam o tratamento indiretamente, por meio de operadoras. A atividade do profissional liberal pode ser exercida como pessoa física na forma de autônomo ou prestando serviço à pessoa jurídica de direito público ou privado, sendo que, nesse caso, a responsabilidade técnica é do profissional liberal. O cirurgião-dentista tem exercido sua profissão, predominantemente, no setor privado. Quando trabalha como autônomo, é detentor da sua força de trabalho e dos meios de produção e tem plena liberdade para negociar com seus pacientes o valor a ser pago pelos serviços realizados. A prática odontológica puramente autônoma está em processo de transformação. Observam-se uma corrente de mudanças no setor público e outra no setor privado. No setor público, há uma tendência de ampliação dos serviços odontológicos na área preventiva. Já no setor privado, existe uma tendência de crescimento dos serviços intermediários por entidades públicas ou privadas. O grande fator que contribui e estimula o desenvolvimento dessas duas correntes é o baixo poder aquisitivo da população. Odontologia com os avanços tecnológicos Cordón (1998) ressalta que o trabalho odontológico atual é fortemente dependente dos avanços tecnológicos da sociedade. Os equipamentos, materiais, medicamentos e instrumentos usados na prática odontológica apresentam níveis crescentes de sofisticação, o que eleva os custos do trabalho odontológico e dificulta a sua expansão. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 134 Conceito de auditoria O conceito de auditoria (audit) aplicado à saúde foi proposto por Lambeck, em 1956, e tem como premissa a “avaliação da qualidade da atenção com base na observação direta, registro e história clínica do cliente” (CALEMAN; MOREIRA; SANCHEZ, 1998). A auditoria, na literatura especializada, é entendida como uma atividade que pode ser realizada de forma retrospectiva (avaliação), concomitante (monitoramento) e prospectiva (gestão de riscos e conflitos). No discurso prático, essa forma se apresentou com um caráter mais finalístico, sendo concebida e realizada apenas de forma retrospectiva. Por se tratar de atividade que forçosamente deve acompanhar a evolução das atividades econômicas do homem, tanto o conceito como o enfoque e a metodologia da auditoria sofreram modificações ao longo do tempo. A disseminação dessa técnica para diversas dimensões organizacionais, como o controle da qualidade e a gestão ambiental, também contribui para importantes evoluções conceituais. A maioria dos autores entende a auditoria como uma técnica de avaliação relacionada com a qualidade, como um método científico e também como um componente do processo de trabalho que permite a avaliação da própria prática, tendo, portanto, uma função educativa e construtiva. Na realidade, porém, essa atividade geralmente não é entendida como um componente do processo de trabalho nem como um método científico, mas é concebida como uma técnica de avaliação limitada, de uma maneira geral, ao aspecto normativo, ou seja, restrita à adequação às leis e normas. A auditoria é, em síntese, um conjunto de atividades desenvolvidas para controle – auditoria operacional – e avaliação de aspectos específicos e do sistema – auditoria analítica. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 135 Auditoria analítica e operativa O entendimento da auditoria como um processo constituído por duas faces, analítica (análise documental) e operativa, é específico do discurso prático. Para alguns autores, essa atividade é vista, de forma mais abrangente, como um processo cíclico, mais complexo, que se caracteriza como um acompanhamento sistemático constituído de quatro etapas: avaliação da evidência, conhecimento e opinião; observação e comparação com o modelo padrão; ação corretiva; nova observação e comparação. A fase operativa, caracterizada pela verificação in loco e pela elaboração do relatório de auditoria, realiza também a comparação com um modelo padrão aproximando-se, portanto, da segunda etapa desse ciclo, que é a de observação e comparação. A atividade de auditoria, apesar de, até os dias atuais, se caracterizar pela verificação acompanhada de uma comparação baseada em parâmetros, evoluiu da verificação detalhada, que tinha como objetivo maior a detecção de fraudes, para a avaliação do próprio controle interno da entidade auditada. Uma das críticas mais recentes à atividade de auditoria se encontra no fato dessa atividade se concentrar muito no relato dos desvios, e não na solução de problemas. A tendência atual é que cada vez mais essa atividade se aproxime da prática da avaliação, e não se resuma ao fornecimento de informações, abrangendo a interpretação dessas informações e a identificação de oportunidades para a introdução de aperfeiçoamentos. As tendências e perspectivas sinalizadas pela literatura especializada para a técnica de auditoria estabelecem novos pontos de convergência com a atividade de controle. Tanto no campo da saúde como em outros campos do conhecimento, a tendência é que essa atividade, além do monitoramento, seja realizada de forma prospectiva, mediante a avaliação de riscos e a prática de AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 136 projeções, aproximando-se, mais uma vez, da atividade de controle prévio traduzida pelo planejamento. Percebe-se, dessa forma, que o ambiente rápido de mudanças tecnológicas exige cada vez mais que as atividades de controle, como a auditoria, sofram adaptações à nova realidade e evoluam para contribuir nas atividades de planejamento, programação e análise de riscos. Auditoria em odontologia Para iniciarmos a abordagem na área de auditoria em odontologia necessitamos, em princípio, de compreendermos o mercado da área e o conceito dessa atividade. O mercado de planos odontológicos tem crescido em paralelo ao mercado de planos de saúde, embora osestudos sobre o setor odontológico deem pouca atenção à presença e ao desempenho dessas empresas no mercado. Alguns pontos explicam a dinâmica e o crescimento do mercado de planos de saúde odontológico no Brasil. E dentre eles podemos destacar: a mudança no perfil profissional e da profissão odontológica; o sofrível acesso da população aos serviços de saúde bucal; o baixo gasto das famílias com despesas por desembolso direto para a assistência odontológica; e o significativo peso dos gastos com planos privados de assistência à saúde. Esses planos de saúde, tanto privados quanto públicos, devem ser gerenciados de forma eficiente. Uma das ferramentas de qualidade mais eficientes para aprimorar um sistema de gestão, como vimos, é a auditoria. Essa, quando bem aplicada, diagnostica não conformidades no sistema avaliado. Entende-se por auditoria em odontologia o exame detalhado, por cirurgião dentista legalmente habilitado, com a finalidade de observar a proposta, o andamento e/ou a situação final do tratamento odontológico indicado pelo cirurgião dentista operacional – considerando conformidade técnica, indicação, viabilidade e oportunidade do tratamento preposto. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 137 É importante destacar que essas avaliações devem ser executadas por profissionais capacitados que apresentem, além do conhecimento técnico- científico, atributos pessoais como imparcialidade, prudência e diplomacia, entre outros. Através de qual colaborador as operadoras de planos odontológicos podem desenvolver uma gestão de custos e de qualidade efetiva, fundamentada em parâmetros técnico-científicos, de forma a equilibrar a balança entre a economia e a eficácia do sistema? Avance e compreenda essa questão. O auditor A auditoria, hoje, deve ser vista como uma "função que realiza o auditor, de acordo com as normas legais e os estatutos que a regem. A função de auditoria será sempre uma função de apoio e assessoria, é um órgão consultor e assessor dentro da organização, avaliando a otimização da gestão administrativa". As colocações e ações por parte desses profissionais devem ser embasadas por princípios científicos da especialidade a ser avaliada. O parecer emitido deve ser construtivo, no sentido de auxiliar a melhoria contínua do sistema de qualidade sobre os serviços. Requer, portanto, características ainda não definidas legalmente, mas integrantes da capacitação profissional. A função do auditor odontológico não pode ser reduzida à conferência de fichas clínicas e radiografias e ao pagamento – ou glosa – de tratamentos realizados. Nessa visão, o profissional seria equiparado aos inspetores de fábricas no início do século passado, cargo inexistente hoje, sabidamente custoso e sem resultados para a organização. A profissão é regulamentada por lei federal, e constitui um direito de todos os profissionais inscritos nos Conselhos Regionais de Odontologia o exercício das atividades odontológicas. A Lei nº 5081/66, que Regula o Exercício da Odontologia no Brasil especifica: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 138 “Art. 6º – Compete ao cirurgião-dentista: I – praticar todos os atos pertinentes a Odontologia, decorrentes de conhecimentos adquiridos em curso regular ou em cursos de pós-graduação; (...) IV – proceder à perícia odontolegal em foro civil, criminal, trabalhista e em sede administrativa”. No entanto, a auditoria se revela como um campo de atuação amplo, delimitado não pela competência legal, já verificada, mas pela capacitação profissional a ser adquirida através de treinamento e conhecimento. Características de um auditor São características e requisitos desejáveis a um auditor em odontologia, no aspecto de formação profissional, possuir título idôneo fornecido por instituição reconhecida, e inscrição nos Conselhos Regional e Federal de Odontologia; também deve o profissional estar em dia com as obrigações financeiras junto ao respectivo Conselho Regional de Odontologia e não estar suspenso das atividades profissionais por punição administrativa, civil ou penal. No quesito competências profissionais, o auditor deve demonstrar independência para atuar na função, não cedendo a pressões externas. Além disso, o auditor deve: Utilizar critério homogêneo para casos semelhantes; possuir conhecimento do trabalho a ser desenvolvido, bem como conhecimentos administrativos referentes à rotina de escritório e às tarefas afins; ter desenvoltura em informática (usuário) e conhecimento das normas administrativas da empresa. São requisitos técnicos: Experiência clínica e administrativa; não ser tendencioso a determinadas técnicas utilizadas ou novas; criar rotina para exame de auditagem, AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 139 uniformizando as auditorias; e conhecer a legislação que contempla as empresas odontológicas e da responsabilidade profissional. Os requisitos éticos são extremamente exigíveis, e, até mais que em qualquer outra área, deve-se primar pela confidencialidade, imparcialidade e respeito ao colega e à profissão que exerce. Conhecimento das normas éticas vigentes e não possuir condenação junto ao Conselho Profissional também são fundamentais. Não se pode deixar de considerar os requisitos pessoais que implicam no pleno desenvolvimento da função: possuir habilidade de comunicação com os colegas de trabalho; facilidade de comunicação com prestadores e usuários; organização e pontualidade; participação na rotina da empresa; e estar disposto a mudanças. Atividade proposta A classificação das auditorias é importante para a delimitação das tarefas realizadas e, consequentemente, das responsabilidades de cada tipo de auditoria, o que possibilita o adequado registro dos exames realizados e a posterior utilização dos dados e resultados obtidos. Cite os tipos de auditoria. Chave de resposta: • Auditoria técnica ou analítica – exames documentais do caso: radiografias, ficha clínica, modelos, fotografias, entre outros. • Auditoria clínica ou operacional – auditagem em que o exame clínico é a principal fonte de informações para avaliação dos procedimentos. • Auditoria eletrônica – consistência realizada através do sistema operacional da empresa confrontando-se dados técnicos inseridos no sistema, histórico bucal do usuário e proposta de tratamento. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 140 Material complementar Para saber mais sobre o nosso tema de estudo, leia os textos disponíveis em nossa biblioteca virtual. Referências BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, de 5 de outubro de 1988. Rio de Janeiro: Auriverde, 2004. BRASIL. Lei nº 5.081, de 24 de agosto de 1966. Regula o exercício da odontologia. Brasília: Diário Oficial da União, p. 009843, col.1, 26 ago. 1966, seção 1, pt. 1. BRASIL. Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998. Dispõe sobre os planos e seguros privados de assistência à saúde. Brasília: Diário Oficial da União, p. 000001, col.1,4 jun. 1998. BRASIL. RDC nº 39, de 27 de outubro de 2000. Dispõe sobre a definição, a segmentação e a classificação das operadoras de planos de assistência à saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2000b. BUSTAMANTE, C. P. Qué es auditoria odontológica? Disponível em: http://www.odontomarketing.com/anterior/13may2001.htm. Acesso em: 18 out. 2007. CONSELHO FEDERAL DE ODONTOLOGIA. Resolução CFO nº 151, de 16 de julho de 1983. Cria o Código de Ética Odontológica. Rio de Janeiro: CFO, 1983. LIVRAGHI, E. Auditoria odontológica. Rev. San. Mil. Arg., v. 6, n. 4, p. 152- 157, 1983. Exercícios de fixação Questão 1 De acordo com a literatura especializada, a auditoria é entendida como uma atividade que pode ser realizada de forma: a) Retrospectiva, concomitantee prospectiva b) 1ª parte, 2ª parte e 3ª parte AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 141 c) Pré auditoria e pós auditoria d) Concomitante e prospectiva e) Nenhuma das opções acima Questão 2 A profissão de cirurgião dentista é exercida predominantemente no setor: a) Público b) Privado c) Público e privado d) Somente particular e) Somente convênios Questão 3 São estas as formas de inserção do cirurgião dentista no processo social de produção: a) Trabalhador autônomo, consultor, participante de uma sociedade, empregado e servidor público b) Consultor, servidor público e empregado c) Trabalhador autônomo e consultor d) Trabalhador autônomo e servidor público e) Participante de sociedade, trabalhador autônomo e servidor público Questão 4 O conceito de auditoria: a) Uma atividade fiscalizadora e punitiva. b) Um conjunto de atividades desenvolvidas para controle-auditoria operacional e avaliação de aspectos específicos do sistema – auditoria analítica. c) Uma atividade de prevenção e promoção de saúde. d) Uma atividade de aconselhamento aos profissionais da área. e) Um conjunto de atividades para monitoramento. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 142 Questão 5 As atividades de controle, como a auditoria, sofrem mudanças rápidas de acordo com as novas realidades do mercado devido a: a) Mudanças de governo b) Mudanças na lei c) Mudanças tecnológicas d) Mudanças financeiras e) Mudanças políticas Questão 6 Segundo o que aprendemos com as aulas, alguns pontos explicam a dinâmica e o crescimento do mercado de planos de saúde odontológico no Brasil. Marque abaixo a opção correta. a) Mudança no perfil profissional e da profissão odontológica. b) Sofrível acesso da população aos serviços de saúde bucal. c) Baixo gasto das famílias com despesas por desembolso direto para a assistência odontológica. d) Significativo peso dos gastos com planos privados de assistência à saúde. e) Todas as opções acima. Questão 7 É considerada ferramenta de qualidade no aprimoramento de um sistema de gestão: a) Auditoria b) Treinamento c) Networking d) Comunicação e) Educação continuada Questão 8 São características importantes do auditor em odontologia: AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 143 a) Dinâmico e comunicativo b) Calmo e estudioso c) Ter conhecimento técnico-científico e ser imparcial d) Ser imprudente e parcial e) Formado em odontologia e imprudente Questão 9 A profissão de auditoria em odontologia é regulamentada: a) Por lei municipal b) Por lei estadual c) Não é regulamentada ainda d) Por lei federal e) Pelo conselho de classe Questão 10 Quanto à função da auditoria assinale a afirmativa incorreta. a) A função da auditoria será sempre uma função de apoio e assessoria b) Possui a função de um órgão consultor c) A função de otimização da gestão administrativa d) Autorizar procedimentos odontológicos e) Nenhuma das opções acima Aula 8 Exercícios de fixação Questão 1 - A Justificativa: A auditoria, na literatura especializada, é entendida como uma atividade que pode ser realizada de forma retrospectiva (avaliação), concomitante (monitoramento) e prospectiva (gestão de riscos e conflitos). No discurso prático, essa forma se apresentou com um caráter mais finalístico, sendo concebida e realizada apenas de forma retrospectiva. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 144 Questão 2 - B Justificativa: De acordo com as aulas, o cirurgião dentista atua mais no setor privado. Questão 3 - B Justificativa: De acordo com as aulas, o cirurgião dentista pode atuar de todas essas formas citadas. Questão 4 - B Justificativa: A auditoria é, em síntese, um conjunto de atividades desenvolvidas para controle – auditoria operacional – e para avaliação de aspectos específicos e do sistema – auditoria analítica. Questão 5 - C Justificativa: Percebe-se que o ambiente rápido de mudanças tecnológicas exige cada vez mais que as atividades de controle, como a auditoria, sofram adaptações à nova realidade e evoluam para contribuir nas atividades de planejamento, programação e análise de riscos. Questão 6 - E Justificativa: Alguns pontos explicam a dinâmica e o crescimento do mercado de planos de saúde odontológico no Brasil. Dentre eles podemos destacar: a mudança no perfil profissional e da profissão odontológica; o sofrível acesso da população aos serviços de saúde bucal; o baixo gasto das famílias com despesas por desembolso direto para a assistência odontológica; e o significativo peso dos gastos com planos privados de assistência à saúde. Questão 7 - A Justificativa: Uma das ferramentas de qualidade mais eficientes para aprimorar um sistema de gestão, como vimos, é a auditoria. Ela, quando bem aplicada, diagnostica não conformidades no sistema avaliado. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 145 Questão 8 - C Justificativa: É importante destacar que essas avaliações devem ser executadas por profissionais capacitados que apresentem, além do conhecimento técnico- científico, atributos pessoais como imparcialidade, prudência e diplomacia, entre outros. Questão 9 - D Justificativa: A profissão é regulamentada por lei federal, e constitui um direito de todos os profissionais inscritos nos Conselhos Regionais de Odontologia o exercício das atividades odontológicas. Questão 10 - D Justificativa: A auditoria, hoje, deve ser vista como uma “função que realiza o Auditor, de acordo com as normas legais e os estatutos que a regem. A função de Auditoria será sempre uma função de apoio e assessoria, é um órgão consultor e assessor dentro da organização, avaliando a otimização da gestão administrativa”. AUDITORIA EM ODONT., FISIO., FARMÁCIA E ENFERMAGEM 146 Sueli Lopes Passos é professora formada em Administração Hospitalar, especialista em Auditoria de Saúde e Auditoria da Qualidade. Experiência de mais de 18 anos na área da saúde, atuou em uma operadora de saúde a nível nacional e atualmente administra uma clínica de Hemodiálise. Coordenadora dos cursos de Pós-Graduação em Auditoria em Sistemas de Saúde e Gestão Pública.