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S I M U L A D O O F I C I A L Nocaute G A B A R I T O C O M E N T A D O M E T O D O V D E . C O M . B R · @ M E T O D O V D E GABARITO OFICIAL Confira suas respostas. Para entender o porquê de cada alternativa, consulte o Gabarito Comentado. Q01 A Q21 B Q41 A Q61 A Q02 A Q22 D Q42 A Q62 D Q03 C Q23 A Q43 D Q63 B Q04 C Q24 D Q44 B Q64 C Q05 C Q25 A Q45 A Q65 B Q06 A Q26 D Q46 D Q66 C Q07 D Q27 B Q47 A Q67 D Q08 C Q28 B Q48 C Q68 B Q09 A Q29 C Q49 D Q69 B Q10 C Q30 C Q50 C Q70 C Q11 A Q31 C Q51 D Q71 C Q12 D Q32 B Q52 C Q72 A Q13 C Q33 C Q53 B Q73 D Q14 D Q34 B Q54 D Q74 D Q15 A Q35 A Q55 C Q75 D Q16 A Q36 A Q56 B Q76 B Q17 B Q37 A Q57 C Q77 D Q18 C Q38 C Q58 B Q78 C Q19 B Q39 B Q59 C Q79 B Q20 A Q40 C Q60 D Q80 C Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 2 de 103 QUESTÃO 01 D I R E I T O S D O A D V O G A D O Roberto, advogado criminalista, foi contratado para promover a defesa de Juvenal, gestor público acusado da prática de corrupção passiva, peculato e ''lavagem'' ou ocultação de valores. No decorrer do processo criminal, foi decretado, pelo Juízo, o bloqueio universal do patrimônio de Juvenal, visando ao ressarcimento do suposto dano causado ao erário, o que inviabilizou o adimplemento dos honorários contratuais devidos a Roberto e o reembolso de gastos com a defesa. Sobre essa hipótese, assinale a afirmativa correta. A Roberto terá direito à liberação de até 20% dos bens bloqueados para fins de recebimento de honorários e o reembolso de gastos com a defesa. B Roberto deverá solicitar, nos próprios autos da ação penal, a liberação de até 20% dos bens bloqueados, exclusivamente para o reembolso de gastos com a defesa. C Em virtude da supremacia do interesse público, Roberto não fará jus à liberação de qualquer valor tornado indisponível, até que sobrevenha eventual decisão promovendo o desbloqueio do patrimônio de Juvenal. D Em virtude do caráter alimentar dos honorários advocatícios, caso apresente o respectivo contrato nos autos, Roberto fará jus à liberação dos bens bloqueados até a completa satisfação da verba contratada, ainda que isso implique o esvaziamento do bloqueio judicial. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. O art. 24-A, do Estatuto da OAB prevê expressamente que, nos casos em que houver bloqueio universal de bens do cliente, o advogado poderá requerer ao juiz a liberação de valores para o pagamento de honorários advocatícios contratuais e reembolso de despesas com a defesa. O mesmo artigo estabelece o limite de até 20% dos bens bloqueados para essa finalidade. Art. 24-A. No caso de bloqueio universal do patrimônio do cliente por decisão judicial, garantir-se-á ao advogado a liberação de até 20% (vinte por cento) dos bens bloqueados para fins de recebimento de honorários e reembolso de gastos com a defesa, ressalvadas as causas relacionadas aos crimes previstos na Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006 (Lei de Drogas), e observado o disposto no parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal. B I NC O RRE T A Errada. A alternativa possui dois erros. O primeiro erro está na restrição introduzida pela palavra "exclusivamente". A liberação não se limita ao reembolso de gastos com a defesa — abrange também o pagamento de honorários advocatícios. O segundo erro está em afirmar que a solicitação deve ser feita nos próprios autos da ação. Segundo o §1º, o pedido deve ser feito em autos apartados. D I S C I P L I N A ÉTICA PROFISSIONAL Q01 – Q08 · 8 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 3 de 103 § 1º O pedido de desbloqueio de bens será feito em autos apartados, que permanecerão em sigilo, mediante a apresentação do respectivo contrato. C I NC O RRE T A Errada. A supremacia do interesse público não pode ser invocada de forma absoluta a ponto de anular o direito constitucional à ampla defesa. O legislador fez justamente a ponderação entre o interesse público no ressarcimento do erário e o direito fundamental de defesa, estabelecendo o limite de 20% como ponto de equilíbrio. D I NC O RRE T A Errada. Embora os honorários advocatícios tenham natureza alimentar , essa natureza não autoriza a liberação ilimitada de bens bloqueados. O legislador fixou expressamente o teto de 20% dos bens bloqueados. QUESTÃO 02 A T O S P R I V A T I V O S D E A D V O G A D O Helena concluiu seu mestrado em Administração Pública e acumulou significativo conhecimento jurídico, mas não possui formação em Direito nem inscrição nos quadros da OAB. Apesar disso, ela passou a oferecer consultoria jurídica e a atuar em audiências representando clientes. André, por sua vez, era advogado regularmente inscrito na OAB, porém foi suspenso do exercício profissional por prática de infração disciplinar. Mesmo suspenso, ele continuou a realizar atos privativos da advocacia, tais como peticionar e participar de audiências. Com base nessas situações hipotéticas, assinale a afirmativa correta. A Os atos praticados por André, após a sua suspensão da OAB, são nulos, pois ele está impedido de exercer a advocacia enquanto durar a suspensão. B Os atos privativos da advocacia praticados por Helena, que não possui inscrição na OAB, são válidos, desde que seus clientes a autorizem expressamente, ratificando os atos por ela praticados. C Os atos praticados por Helena são válidos, desde que restritos à consultoria extrajudicial e relacionados à administração pública, uma vez que ela não representa clientes em processos judiciais. D Tanto os atos praticados por Helena quanto os atos praticados por André são anuláveis, porém sujeitos à convalidação, pois a atuação em audiências e a prática de consultoria jurídica, embora preferencialmente exercidas por advogados, podem, excepcionalmente, ser exercidas por pessoa com conhecimento jurídico GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. O art. 4º do Estatuto da OAB estabelece que são nulos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB ou por advogado impedido, suspenso, licenciado ou que exercer atividade incompatível com a advocacia. André, embora inscrito, encontra-se suspenso do exercício profissional por infração disciplinar. Durante o período de suspensão, perde a capacidade postulatória, e todos os atos privativos que praticar — petições, audiências, sustentações orais — são nulos. A nulidade é absoluta, não comportando convalidação. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 4 de 103 Art. 4º São nulos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB, sem prejuízo das sanções civis, penais e administrativas. Parágrafo único. São também nulos os atos praticados por advogado impedido - no âmbito do impedimento - suspenso, licenciado ou que passar a exercer atividade incompatível com a advocacia. B I NC O RRE T A Errada. A inscrição na OAB é requisito indispensável para o exercício da advocacia (art. 1º e 3º do Estatuto). A autorização ou ratificação pelo cliente é absolutamente irrelevante para suprir a ausência de capacidade postulatória. Os atos praticados por Helena são nulos de pleno direito (art. 4º), independentemente da vontade das partes. A nulidade decorre de norma de ordem pública, que não pode ser afastada pela autonomia privada. Art. 1º São atividades privativas de advocacia: I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e aos juizados especiais; (Vide ADIN 1.127-8) II - as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas. Art. 3º O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a denominação de advogado são privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). C I NC O RRE T A Errada. A consultoria jurídica também é atividade privativa de advogado, conforme art. 1º, II, do Estatuto da OAB. O enunciado é claro ao afirmar que Helena "passou a oferecer consultoria jurídica e a atuar em audiências representandonos termos seguintes: XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados: d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;” Bem como do art. 5º, LII da CRFB/88, que diz: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: [...] LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;” Dessa forma, tem-se que João poderia sim ser julgado pelo Tribunal do Júri, contudo não poderia ser extraditado em decorrência da natureza do crime em que foi condenado em seu país originário. A I NC O RRE T A Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois João poderia sim ser julgado pelo Tribunal do Júri, nos termos do art. 5º, XXXVIII, alínea “d” da CRFB/88. Ademais, quanto à extradição, a mesma não poderá ocorrer em virtude da expressa previsão legal do art. 5º, LII da CRFB/88, que não concede a extradição de estrangeiros em virtude de crimes políticos ou de opinião. B I NC O RRE T A Errada. A alternativa (B) está incorreta, pois João poderia sim ser julgado pelo Tribunal do Júri, nos termos do art. 5º, XXXVIII, alínea “d” da CRFB/88. C I NC O RRE T A Errada. A alternativa (C) está incorreta, em razão dos motivos expostos na alternativa “A”. D C O RRE T A Correta. Pois está nos termos do art. 5º, XXXVIII, alínea “d” e art. 5º, LII, ambos da CRFB/88. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 30 de 103 QUESTÃO 23 O R Ç A M E N T O À luz das normas constitucionais orçamentárias e financeiras, assinale a opção correta. A O projeto da lei orçamentária anual é de iniciativa exclusiva do chefe do Poder Executivo e, em regra, é vedado ao parlamento emendá-lo para aumentar a despesa prevista. B A lei orçamentária anual não poderá conter dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, incluindo-se, nessa proibição, a autorização para a abertura de créditos suplementares. C Na gestão financeira dos recursos repassados a título de duodécimo, é possível transferi-los a fundos públicos. D A administração tem o dever de executar as programações orçamentárias para garantir a entrega de bens e serviços à sociedade, delas excluídas as despesas primárias discricionárias. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. A alternativa (A) está correta, uma vez que o projeto da lei orçamentária anual é de iniciativa exclusiva do chefe do Poder Executivo e, em regra, é vedado ao parlamento emendá-lo para aumentar a despesa prevista, nos termos do artigo 165 e 63 da Constituição Federal, vejamos: Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: III - os orçamentos anuais. Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista: I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art. 166, § 3º e § 4º; B I NC O RRE T A Errada. A alternativa (B) está incorreta, pois cita que a lei orçamentária anual não poderá conter dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, incluindo-se, nessa proibição, a autorização para a abertura de créditos suplementares. Entretanto, nos termos do artigo 165, § 8º, CF não se inclui na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares. Vejamos: Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: § 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei. D I S C I P L I N A DIREITO FINANCEIRO Q23 – Q24 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 31 de 103 Diante disso, o erro da alternativa está em afirmar que estão incluídas nessa proibição, a autorização para a abertura de créditos suplementares. C I NC O RRE T A Errada. A alternativa (C) está incorreta, pois NÃO é possível a transferência a fundos públicos com base no artigo 168 , § 1º, CF: Vejamos: Art 168, § 1º CF É vedada a transferência a fundos de recursos financeiros oriundos de repasses duodecimais. D I NC O RRE T A Errada. A alternativa D está incorreta, pois afirma que são excluídas as despesas primárias discricionárias. Todavia, nos termos do artigo 165, § 11, III, CF, as despesas primárias discricionárias são incluídas no dever da administração de executar as programações orçamentárias para garantir a entrega de bens e serviços à sociedade. Vejamos: Art 165, § 10. A administração tem o dever de executar as programações orçamentárias, adotando os meios e as medidas necessários, com o propósito de garantir a efetiva entrega de bens e serviços à sociedade § 11. O disposto no § 10 deste artigo, nos termos da lei de diretrizes orçamentárias: III - aplica-se exclusivamente às despesas primárias discricionárias. QUESTÃO 24 A D M I N I S T R A Ç Ã O F I N A N C E I R A E T R I B U T Á R I A Ao analisar os assuntos orçamentários, os membros das Casas Legislativas realizam atividades tão diversas como estudos, avaliações, debates e consultas. Além disso, eles buscam informações e participam de audiências públicas com autoridades e especialistas. A Constituição Federal de 1988 restabeleceu a prerrogativa de o legislador emendar o projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA), principalmente no que diz respeito ao aumento ou à criação de novas despesas. As emendas ao projeto de LOA ou aos projetos que o alterem podem ser aprovadas caso A anulem dotações com gastos de pessoal e encargos, serviço da dívida e transferências tributárias intergovernamentais. B sejam compatíveis com o plano plurianual ou com a lei de diretrizes orçamentárias. C indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, incluídas as que incidem sobre dotações para pessoal e seus encargos, serviço da dívida e transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal. D indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidem sobre dotações para pessoal e seus encargos, serviço da dívida e transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 32 de 103 GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois as emendas não podem anular despesas com gastos de pessoal e encargos, serviço da dívida e transferências tributárias intergovernamentais. Vejamos: Art 166, CF § 3º. As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas caso: II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de despesa, excluídas as que incidam sobre: a) dotações para pessoal e seus encargos; b) serviço da dívida; c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal; B I NC O RRE T A Errada. A alternativa (B) está incorreta, tendo em vista que além de serem compatíveis com o plano plurianual é necessário ser compatível com as diretrizes orçamentárias (não é um ou outro, mas sim os dois). | CUIDADO COM A PEGADINHA! De acordo com a CF/1988 em seu art. 166 no § 3º : I - sejam compatíveis com o plano plurianual E com a lei de diretrizes orçamentárias; (O erro está no OU, pois é necessário que as emendas individuais estejam compatíveis com as duas leis orçamentárias). | | :---- | C I NC O RRE T A Errada. A alternativa (C) está incorreta pois nos termos do artigo 166, § 3º, CF, não estão inclusas as despesas que incidem sobre dotações para pessoal e seus encargos, serviço da dívida etransferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal. D C O RRE T A Correta. A alternativa D está correta, uma vez que está em conformidade com o que dispõe o artigo 166, § 3º, II, CF já mencionado acima. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 33 de 103 QUESTÃO 25 E X E C U Ç Ã O F I S C A L A sociedade empresária Hannah Montana Produções Ltda., da qual a Professora Lara era sócia- administradora, estava sediada no Município Beta e prestava serviços de organização de eventos, inclusive em um festival temático em homenagem ao grupo RBD. Apesar de ter realizado diversas prestações de serviços no território do próprio município, a sociedade deixou de informar parte dessas operações ao Fisco municipal, em descumprimento à legislação tributária local. Após procedimento de fiscalização, agente do ISS lavrou auto de infração para exigir o tributo devido, acrescido de multa e demais encargos legais. Regularmente notificada, a sociedade empresária não efetuou o pagamento nem apresentou impugnação administrativa. Na sequência, a Procuradoria do Município Beta, em vez de ajuizar execução fiscal, optou por propor, com fundamento no Código de Processo Civil, ação de cobrança pelo procedimento comum para receber o crédito tributário. Sobre a hipótese narrada, assinale a afirmativa correta. A A medida judicial adequada para a cobrança do crédito tributário é a execução fiscal, e não ação de cobrança submetida ao procedimento comum do Código de Processo Civil. B A ausência de impugnação administrativa impede a cobrança judicial do crédito tributário pelo Município. C A constituição do crédito tributário, na hipótese, depende de prévia declaração do contribuinte homologada pela autoridade administrativa. D A modalidade de lançamento utilizada pelo Fisco municipal foi o lançamento por declaração, pois cabia ao contribuinte informar os serviços prestados. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. O Código Tributário Nacional garante que o meio adequado para a cobrança judicial do crédito tributário é a execução fiscal, com base na Certidão de Dívida Ativa (CDA) como título executivo extrajudicial (art. 1º da Lei 6.830/1980). A ação de cobrança pelo procedimento comum do Código de Processo Civil não é o meio correto para cobrança de créditos tributários. Assim, está correto afirmar que a execução fiscal é o procedimento adequado. Art. 1º, Lei 6.830/1980: A execução judicial para cobrança da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e respectivas autarquias será regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo Código de Processo Civil. B I NC O RRE T A Errada. A ausência de impugnação administrativa não impede a cobrança judicial do crédito tributário. O contribuinte pode ser cobrado judicialmente mesmo que não tenha apresentado impugnação administrativa. O direito à ampla defesa e ao contraditório existe, mas não é condição para ajuizamento da execução fiscal. D I S C I P L I N A DIREITO TRIBUTÁRIO Q25 – Q29 · 5 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 34 de 103 C I NC O RRE T A Errada. Na hipótese, o lançamento do crédito tributário decorre da constituição pelo lançamento de ofício (ou outro tipo de lançamento), não sendo necessária prévia homologação da declaração do contribuinte pela autoridade administrativa para constituição do crédito, salvo hipóteses específicas. A declaração, por si, não vincula a autoridade. D I NC O RRE T A Errada. O enunciado diz que a sociedade deixou de informar parte das operações (serviços). O lançamento foi realizado com base na fiscalização, refletindo um lançamento de ofício. O lançamento por declaração ocorre quando o sujeito passivo fornece os elementos para cálculo do tributo, o que não ocorreu integralmente aqui. QUESTÃO 26 I M P O S T O S E L E T I V O De acordo com a Lei Complementar n.º 214/2025, consideram-se prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, para fins de incidência do imposto seletivo, os bens e serviços referentes a A alimentos ultraprocessados. B armas e munições. C doces e frituras. D bebidas açucaradas. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. Embora alimentos ultraprocessados possam causar danos à saúde, a LC 214/2025 não os inclui expressamente como base de incidência do Imposto Seletivo. O rol do imposto é taxativo e menciona categorias específicas. B I NC O RRE T A Errada. Armas e munições são mencionadas no art. 57 da LC 214/2025 como bens de uso ou consumo pessoal (para outras finalidades), mas não integram a lista taxativa de bens sujeitos ao Imposto Seletivo constantes do art. 409, §1º da lei complementar. C I NC O RRE T A Errada. Doces e frituras, embora eventualmente prejudiciais à saúde, não são expressamente listados como bens sujeitos ao Imposto Seletivo na LC 214/2025. D C O RRE T A Correta. O art. 409, §1º da LC 214/2025 lista taxativamente os bens e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente para fins do Imposto Seletivo, incluindo as bebidas açucaradas (inciso V). Art. 409. Fica instituído o Imposto Seletivo, de que trata o inciso VIII do art. 153 da Constituição Federal, incidente sobre a produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 35 de 103 §1º Para fins de incidência do Imposto Seletivo, consideram-se prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente os bens classificados nos códigos da NCM/SH e o carvão mineral, e os serviços listados no Anexo XVII, referentes a: I - veículos; II - embarcações e aeronaves; III - produtos fumígenos; IV - bebidas alcoólicas; V - bebidas açucaradas; VI - bens minerais; VII - concursos de prognósticos e fantasy sport. QUESTÃO 27 S U J E I T O S D A O B R I G A Ç Ã O T R I B U T Á R I A A sociedade empresária RBD Produções Artísticas Ltda., da qual a Professora Lara era sócia, alugou um imóvel comercial no Município Alfa para funcionar como escola de música e dança. No contrato de locação, ficou expressamente previsto que o locatário seria responsável pelo pagamento de todos os tributos incidentes sobre o imóvel, inclusive o IPTU. Algum tempo depois, o Município Alfa promoveu a cobrança do IPTU em face do proprietário do imóvel. Inconformado, o proprietário alegou que, por força do contrato, a obrigação tributária caberia exclusivamente à locatária, razão pela qual o Fisco deveria direcionar a cobrança apenas contra ela. Diante dessa situação, assinale a afirmativa correta. A O proprietário está correto, porque o contrato de locação transfere ao locatário a sujeição passiva tributária perante o Município. B O proprietário está errado, porque convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária. C O proprietário está correto, porque a autonomia privada prevalece sobre a legislação tributária quanto à definição de quem deve suportar o ônus do IPTU. D O proprietário está errado, porque o contrato somente produziria efeitos perante o Fisco se tivesse sido registrado em cartório e comunicado previamente à administração tributária municipal. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errado. O contrato de locação pode prever que o locatário pague o IPTU, mas ele não transfere a sujeição passiva tributária perante o Município, que continua sendo o proprietário do imóvel, conforme o artigo 34 do CTN. Essa obrigação contratual é válida entre as partes, mas não afasta a obrigação tributária legal do proprietário perante o Fisco. Art. 34. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. B C O RRE T A Correta. De fato, as convenções particulares não têm eficácia contra a Fazenda Pública para alterar quem é o sujeito passivo da obrigação tributária. O entendimentoestá consolidado pela Súmula 614 do STJ, que afirma que o locatário não pode ser considerado sujeito passivo do IPTU perante o Município, mesmo que haja cláusula contratual nesse sentido. Súm. 614, STJ: O locatário não possui legitimidade ativa para discutir a relação jurídico-tributária de IPTU e de taxas referentes ao imóvel alugado nem para repetir indébito desses tributos. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 36 de 103 C I NC O RRE T A Errada. A autonomia privada é limitada quando se trata de definir sujeito passivo tributário, pois isso é matéria de lei, sob o princípio da legalidade tributária. Logo, a convenção entre as partes não pode prevalecer sobre a legislação tributária constitucional e infraconstitucional. D I NC O RRE T A Errada. A exigência de registro em cartório ou comunicação prévia ao Fisco não altera o fato de que o sujeito passivo legal do IPTU é o proprietário, independentemente dessas formalidades. O contrato não confere legitimidade para mudar essa situação. QUESTÃO 28 I T C M D Após a promulgação da EC nº 132/2023, o Estado Alfa editou lei prevendo alíquotas progressivas de ITCMD. Pelo novo regime, nas transmissões causa mortis, a alíquota seria maior quanto maior fosse o valor do quinhão hereditário recebido por cada herdeiro. Além disso, a mesma lei estabeleceu alíquotas mais elevadas para transmissões em favor de herdeiros de grau de parentesco mais distante, ainda que o valor recebido fosse idêntico. Inconformado, um contribuinte ajuizou ação sustentando que a Constituição passou a permitir a progressividade do ITCMD, mas apenas segundo determinados critérios. Diante dessa situação, assinale a afirmativa correta. A A lei estadual é integralmente constitucional, pois a Constituição autoriza a progressividade do ITCMD tanto em razão do valor transmitido quanto em razão do grau de parentesco entre as partes. B A lei estadual é parcialmente inconstitucional, pois a Constituição admite a progressividade do ITCMD em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação, mas não autoriza a graduação de alíquotas com base apenas no grau de parentesco. C A lei estadual é integralmente inconstitucional, pois a Constituição não admite progressividade de alíquotas no ITCMD. D A lei estadual é constitucional apenas quanto à progressividade fundada no grau de parentesco, pois esse critério melhor realiza a capacidade contributiva do que o valor do quinhão hereditário. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. A EC nº 132/2023 determina expressamente que a progressividade do ITCMD deve se dar com base no valor do quinhão, do legado ou da doação (art. 155, §1º, inciso VI, da CF). A graduação exclusivamente pelo grau de parentesco não está prevista na Constituição e, portanto, não é permitida. Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos; § 1º O imposto previsto no inciso I: Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 37 de 103 VI - será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) B C O RRE T A Correta. Conforme o texto constitucional modificado pela EC 132/2023, a progressividade é obrigatória e vinculada ao valor do quinhão ou doação recebido. Não há autorização para progressividade pautada somente no grau de parentesco, tornando essa parte da lei estadual inconstitucional. C I NC O RRE T A Errada. A progressividade do ITCMD é admitida pela Constituição após a EC 132/2023. Antes, havia controvérsia, mas a norma expressamente prevê a progressividade em relação ao valor do quinhão, do legado ou da doação. D I NC O RRE T A Errada. A Constituição não autoriza a progressividade baseada exclusivamente no grau de parentesco; logo, essa alternativa está equivocada. QUESTÃO 29 I B S E C B S Após a promulgação da EC nº 132/2023, a União instituiu a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), e foi editada lei complementar disciplinando aspectos gerais do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Determinada entidade, abrangida por imunidade tributária prevista na Constituição, sustentou que essa limitação ao poder de tributar impede a cobrança tanto do IBS quanto da CBS sobre suas operações. Ao analisar a situação, o auditor fiscal afirmou que a imunidade somente alcançaria o IBS, por se tratar de imposto, não se aplicando à CBS. Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta. A O auditor fiscal está correto, porque as imunidades tributárias somente se aplicam a impostos, nunca a contribuições. B O contribuinte está errado, porque apenas o IBS observa a técnica da não cumulatividade, não se podendo estender à CBS o mesmo regime constitucional. C O auditor fiscal está errado, porque IBS e CBS deverão observar as mesmas regras quanto a fatos geradores, bases de cálculo, hipóteses de não incidência, sujeitos passivos e imunidades. D O contribuinte está errado, porque o IBS terá alíquota uniforme nacional, o que demonstra sua submissão a regime constitucional próprio e distinto do da CBS. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. Apesar de as imunidades previstas no artigo 150, VI, da Constituição Federal serem aplicáveis especificamente a impostos, a disciplina constitucional impõe que a CBS, apesar de ser contribuição, observe as mesmas hipóteses de imunidade aplicadas ao IBS, por força do artigo Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 38 de 103 149-B, parágrafo único, da Constituição. Portanto, a imunidade pode atingir tanto o IBS quanto a CBS. B I NC O RRE T A Errada. Tanto o IBS quanto a CBS devem observar uma técnica normativa comum, incluindo a não cumulatividade, conforme disciplinado na Reforma Tributária e na LC 214/2025. Não existe vedação constitucional para extensão ao regime da CBS. C C O RRE T A Correta. Conforme estudo do tema, IBS e CBS são tributos estruturalmente idênticos, compartilhando fatos geradores, bases de cálculo, hipóteses de não incidência, sujeitos passivos e, inclusive, imunidades (art. 149-B, parágrafo único, da CF e LC 214/2025). Logo, o auditor está equivocado ao afirmar que imunidade só alcança o IBS. D I NC O RRE T A Errada. A uniformidade da alíquota do IBS não exclui a identidade estrutural e observância conjunta das regras constitucionais de imunidades com a CBS. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 39 de 103 QUESTÃO 30 I M P R O B I D A D E A D M I N I S T R A T I V A Determinado servidor público federal, ao preencher o seu contracheque eletrônico, inseriu dados falsos para receber remuneração superior à devida, obtendo vantagem patrimonial indevida às custas do erário. Com base na Lei de Improbidade Administrativa (Lei n.º 8.429/1992, com a redação dada pela Lei n.º 14.230/2021), assinale a afirmativa correta. A A conduta configura ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública, punível independentemente de dolo. B A conduta configura ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário, exigindo a comprovação de dolo para sua caracterização. C A conduta configura ato de improbidade que importa enriquecimento ilícito, exigindo a comprovação de dolo para sua caracterização D A conduta configura ato de improbidade que importa enriquecimento ilícito, sendo suficiente a comprovação de culpa grave. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. Ao enquadrar a conduta como atentado aos princípios e ao dispensar o dolo. Após a Lei n.º 14.230/2021, todos os atos de improbidade exigem dolo — a culpa foi eliminada. B I NC O RRE T A Errada. Enquadra equivocadamente a conduta como lesão ao erário (art. 10). Inserir dados falsos para receber mais do que o devido é enriquecimento ilícito (art. 9º), pois o agente obtém vantagem patrimonial indevida para si. C C O RRE T A Correta. O enriquecimento ilícito (art. 9º)exige dolo, conforme a redação atual da Lei n.º 8.429/1992 dada pela Lei n.º 14.230/2021. D I NC O RRE T A Errada. O enquadramento (enriquecimento ilícito) está certo, mas erra ao admitir que culpa grave seria suficiente. A lei vigente exige dolo — não há mais espaço para modalidade culposa em nenhuma hipótese de improbidade. QUESTÃO 31 I N T E R V E N Ç Ã O D O E S T A D O N A P R O P R I E D A D E P R I V A D A O Poder Público municipal declarou de utilidade pública um imóvel particular para fins de construção de uma escola. O proprietário concordou com a destinação, mas não aceitou o valor da indenização oferecido. Diante disso, o município ajuizou ação para transferir a propriedade D I S C I P L I N A DIREITO ADMINISTRATIVO Q30 – Q34 · 5 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 40 de 103 compulsoriamente, depositando o valor arbitrado em juízo. Assinale a afirmativa que descreve corretamente o instituto utilizado. A Servidão administrativa, pois há restrição ao uso da propriedade privada em favor do interesse público, sem transferência de domínio. B Requisição administrativa, pois o Poder Público pode utilizar o bem privado em situações de perigo público iminente. C Desapropriação por utilidade pública, com indenização prévia, justa e em dinheiro, transferindo-se a propriedade ao ente público. D Tombamento, pois o imóvel será destinado ao uso coletivo e preservado pelo Poder Público municipal. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. A servidão administrativa restringe o uso do bem, mas não transfere a propriedade. No enunciado, o município pretende adquirir o imóvel compulsoriamente, o que afasta essa modalidade. B I NC O RRE T A Errada. A requisição administrativa é medida temporária e urgente, cabível em situações de perigo público iminente. Não há urgência no enunciado, e o objetivo é a transferência definitiva do bem. C C O RRE T A Correta. A desapropriação por utilidade pública (Decreto-Lei n.º 3.365/1941) é a forma de intervenção supressiva do Estado: transfere compulsoriamente a propriedade mediante indenização prévia, justa e em dinheiro (art. 5º, XXIV, CF). D I NC O RRE T A Errada. O tombamento protege bens de valor histórico, cultural ou paisagístico. Restringe o uso, mas não transfere a propriedade ao Poder Público — é instituto completamente distinto da desapropriação. QUESTÃO 32 R E S P O N S A B I L I D A D E C I V I L D O E S T A D O João, cidadão comum, sofreu danos materiais e morais em razão de acidente de trânsito causado por uma viatura policial estadual que avançou o sinal vermelho durante patrulhamento de rotina. O Estado foi condenado a indenizar João e, posteriormente, ajuizou ação regressiva contra o policial responsável. Sobre a responsabilidade civil do Estado nessa hipótese, assinale a afirmativa correta. A A responsabilidade do Estado perante João é subjetiva, exigindo a comprovação de culpa do agente público para que a indenização seja devida. B A responsabilidade do Estado perante João é objetiva, bastando a comprovação do dano e do nexo causal com a atuação estatal; na ação regressiva contra o policial, exige-se a prova de dolo ou culpa. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 41 de 103 C A responsabilidade do Estado perante João é objetiva, e na ação regressiva contra o policial também se aplica a responsabilidade objetiva. D A responsabilidade do Estado é subjetiva nos casos de ação, reservando-se a responsabilidade objetiva apenas para as omissões estatais. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. A responsabilidade do Estado perante a vítima é objetiva (art. 37, §6º, CF) — não exige comprovação de culpa do agente. A vítima só precisa provar o dano e o nexo causal. B C O RRE T A Correta. Aplica corretamente a teoria do risco administrativo: responsabilidade objetiva do Estado perante a vítima (dano + nexo causal) e responsabilidade subjetiva na ação regressiva contra o agente (exige dolo ou culpa), conforme art. 37, §6º, CF. C I NC O RRE T A Errada. A ação regressiva contra o agente é sempre subjetiva — exige prova de dolo ou culpa. Aplicar responsabilidade objetiva também na ação regressiva contraria o texto expresso do art. 37, §6º, CF. D I NC O RRE T A Errada. Inverte a lógica constitucional. A responsabilidade objetiva aplica-se às condutas comissivas (ações); é nas omissões que parte da doutrina e da jurisprudência admite a responsabilidade subjetiva do Estado. QUESTÃO 33 A G E N T E S P Ú B L I C O S Maria é professora efetiva de uma universidade federal e também médica concursada de um hospital público estadual. Seu cunhado Carlos, por sua vez, é técnico administrativo federal e, à noite, trabalha como advogado privado. Com base na Constituição Federal e na legislação aplicável aos servidores públicos, assinale a afirmativa correta. A Tanto Maria quanto Carlos exercem acumulação lícita de cargos, pois a Constituição Federal permite a acumulação de até dois cargos públicos em qualquer hipótese. B A acumulação de Maria é lícita, pois a Constituição permite a acumulação de um cargo de professor com outro cargo técnico ou científico, incluindo a área médica. A situação de Carlos também é lícita, pois a advocacia privada não é vedada a servidores públicos. C A acumulação de Maria é lícita, por enquadrar-se na hipótese constitucional de acumulação de dois cargos de professor ou de um cargo de professor com outro técnico ou científico. A situação de Carlos é ilícita, pois a advocacia privada é vedada a servidores públicos federais. D Tanto Maria quanto Carlos exercem acumulação ilícita, pois a regra constitucional proíbe qualquer acumulação remunerada de cargos públicos com atividades privadas. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 42 de 103 GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. A Constituição proíbe, como regra, a acumulação remunerada de cargos públicos. As exceções são taxativas — não há permissão genérica para acumular "qualquer dois cargos". Carlos, além disso, não acumula dois cargos públicos: exerce advocacia privada. B I NC O RRE T A Errada. Acerta quanto a Maria, mas erra ao permitir que Carlos exerça advocacia privada. O art. 28 da Lei n.º 8.906/1994 (Estatuto da OAB) e o art. 117, XI, da Lei n.º 8.112/1990 veda ao servidor público federal o exercício da advocacia. C C O RRE T A Correta. Maria acumula cargo de professora com cargo de médica — hipótese permitida pelo art. 37, XVI, "c", CF (dois cargos de profissional de saúde com profissão regulamentada). Carlos pratica advocacia privada, vedada ao servidor público federal pela legislação de regência. D I NC O RRE T A Errado. A situação de Maria é lícita — a Constituição admite expressamente a acumulação de dois cargos de profissional de saúde com profissão regulamentada. Afirmar que ambos praticam acumulação ilícita ignora as exceções constitucionais. QUESTÃO 34 L I C I T A Ç Õ E S A Prefeitura de uma capital estadual deseja selecionar o melhor projeto arquitetônico para a construção de um novo museu municipal. Para tanto, pretende abrir processo licitatório em que qualquer interessado poderá apresentar seu projeto, e o vencedor receberá um prêmio em dinheiro estabelecido previamente no edital, sem que isso implique, necessariamente, a contratação dos serviços de execução da obra. O advogado da Prefeitura foi consultado sobre a modalidade adequada. Com base na Lei n.º 14.133/2021, assinale a afirmativa correta. A A modalidade adequada é a concorrência, pois envolve obra de grande vulto e interesse público relevante, sendo obrigatória para contratações de alta complexidade técnica. B A modalidade adequada é o concurso, pois é voltada para a escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, com atribuição de prêmio ao vencedor, sendo desnecessária a contrataçãoposterior dos serviços de execução. C A modalidade adequada é o pregão, na forma eletrônica, pois projetos arquitetônicos são considerados serviços comuns com padrões objetivos de desempenho e qualidade definidos em edital. D A modalidade adequada é o concurso, porém a lei exige que o vencedor seja, obrigatoriamente, contratado para executar a obra objeto do projeto premiado. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 43 de 103 GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. A concorrência destina-se à contratação de objeto previamente especificado. Não é cabível para seleção de projetos criativos entre propostas distintas, como ocorre no enunciado. B C O RRE T A Correta. O concurso (art. 30 da Lei n.º 14.133/2021) é a modalidade voltada à escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, com atribuição de prêmio ao vencedor. A premiação não implica, necessariamente, a contratação da execução da obra. C I NC O RRE T A Errada. O pregão é restrito a bens e serviços comuns, padronizáveis. Projetos arquitetônicos são serviços técnicos especializados de natureza intelectual — incompatíveis com a lógica do pregão. D I NC O RRE T A Errada. Identifica corretamente o concurso como modalidade, mas erra ao afirmar que o vencedor deve obrigatoriamente ser contratado para executar a obra. A lei não impõe essa obrigatoriedade — a premiação e a contratação da execução são etapas independentes. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 44 de 103 QUESTÃO 35 R E S P O N S A B I L I D A D E C I V I L P O R D A N O S A O M E I O A M B I E N T E O imóvel de Maria é tombado, apenas em nível municipal, como patrimônio histórico e cultural da cidade. Maria, necessitando aumentar sua renda, resolveu utilizar seu imóvel como um hostel e, para tal, decidiu realizar obras estruturais, inclusive com alteração da fachada de importância histórica, sem qualquer pedido ou autorização do Município Alfa. Sua vizinha arquiteta Rose, ao verificar o início das obras, apresentou Representação, devidamente instruída com fotos, à Prefeitura, que se quedou inerte. Ao tomar conhecimento dos fatos quando as obras já estavam quase concluídas, o Ministério Público ajuizou ação civil pública pleiteando obrigações de fazer, não fazer e indenizatória, em face do Município Alfa e de Maria. Em sua defesa, o Município Alfa reconheceu sua inércia fiscalizatória, mas alegou que a responsabilidade é apenas de Maria, na qualidade de proprietária do imóvel e responsável pelas obras irregulares. Com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o magistrado deve considerar que a responsabilidade civil do Município Alfa, decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, por danos ao meio ambiente: A inclusive no que tange à tutela do patrimônio cultural, é de caráter solidário, mas de execução subsidiária; B é objetiva e solidária, exceto no que tange à tutela do patrimônio cultural, que requer a demonstração do dolo ou culpa, por ação ou omissão, dos infratores; C é de caráter solidário, mas de execução subsidiária, exceto no que tange à tutela do patrimônio cultural, que atrai o caráter subsidiário e a execução solidária; D inclusive no que tange à tutela do patrimônio cultural, é objetiva e de execução solidária, de maneira que as obrigações podem ser exigidas de quaisquer dos responsáveis, a qualquer tempo; GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. A Alternativa (A) está correta, pois é o teor da Súmula 652 do STJ. Vejamos: Súmula 652 do STJ. A responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio ambiente, decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, é de caráter solidário, mas de execução subsidiária. A responsabilidade civil é solidária, ou seja, tanto a Administração Pública quanto o particular responsável pelo dano são responsáveis pelo pagamento da indenização. Já se tratando da execução, a Administração Pública só será obrigada a pagar a indenização se o particular responsável pelo dano não tiver condições de arcar com a sua parte na indenização. Essa regra é importante para garantir que a Administração Pública não seja prejudicada por danos causados por particulares. D I S C I P L I N A DIREITO AMBIENTAL Q35 – Q36 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 45 de 103 B I NC O RRE T A Errada. A alternativa (B) está incorreta, pois a responsabilidade é solidária e tutela do patrimônio cultural se insere no âmbito de proteção das normas do Direito Ambiental, inclusive, a CF é expressa ao estabelecer a competência concorrente da União, Estados, DF e Municípios em legislarem sobre o patrimônio cultural e sobre a responsabilidade por danos causados a bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico. A responsabilidade por danos ambientais é objetiva (art. 927, parágrafo único, CC c/c art. 14, §1º, Lei nº 6.938/81 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente) e visa garantir a reparação do dano, independentemente da existência de culpa, logo, é regida pela teoria do risco integral e as excludentes como caso fortuito, força maior e fato de terceiro não podem ser opostas, visto que o titular da atividade lesiva assume os riscos dela oriundos, colocando-se na posição de garantidor da preservação ambiental. Art. 927, Parágrafo único, CC. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem. C I NC O RRE T A Errada. A alternativa (C) está incorreta, vide alternativas A e B. D I NC O RRE T A Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois a execução é subsidiária, como já visto na alternativa A. RESUMINDO… OBRIGAÇÃO → SOLIDÁRIA EXECUÇÃO → SUBSIDIÁRIA QUESTÃO 36 P R I N C Í P I O S João e Maria, alunos do Curso de Direito de uma universidade pública, debatiam a necessidade de se implementar uma política pública, em âmbito nacional, visando à tutela do meio ambiente ecologicamente equilibrado, em especial no que atina à seara dos riscos desconhecidos. Caio, professor, ao ouvir as intensas conversas, aduziu que há um princípio que busca proteger o meio ambiente, impondo os deveres de cautela e de prudência diante de atividades cujos efeitos e riscos ambientais não são conhecidos. Nesse cenário, é correto afirmar que Caio se refere ao princípio do(a) A precaução, que dispõe de previsão expressa na ordem jurídica pátria. B prevenção, que não dispõe de previsão expressa na ordem jurídica pátria, mas é fruto de construção doutrinária. C precaução, que não dispõe de previsão expressa na ordem jurídica pátria, mas é fruto de construção doutrinária. D prevenção, que dispõe de previsão expressa na ordem jurídica pátria. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 46 de 103 GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta, com previsão expressa no art. 6º, inciso I, da Lei 12.305/2010. Art. 6º da Lei nº 12.305/2010: São princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos: I - a prevenção e a precaução; Além disso, o princípio da precaução será aplicado quando o risco for incerto ou duvidoso e não há certeza científica. B I NC O RRE T A Errada, A alternativa (B) está incorreta, pois tem previsão no ordenamento jurídico, consoante ao art. 6º, inciso I, da Lei 12.305/2010. Além disso, o princípio da prevenção será aplicado quando o risco for certo, conhecido e concreto. Além disso, há certeza científica. C I NC O RRE T A Errada, A alternativa (C) está incorreta, vide comentários na alternativa A. D I NC O RRE T A Errada, A alternativa (D) está incorreta, pois o princípio correto é o da precaução. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 47 de 103 QUESTÃO 37 E M A N C I P A Ç Ã O Os tutores de José consideram que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento necessários para praticar osatos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua emancipação. Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido: A José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do tutor sobre as condições do tutelado. B José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessária a homologação judicial. C José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo necessário procedimento judicial. D José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no registro de pessoas naturais. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. De acordo com o art. 5º, § único, I, do Código Civil, quando o menor é tutelado e o tutor deseja realizar a sua emancipação, o procedimento a ser seguido é o da emancipação judicial, em que o juiz irá conceder a emancipação ao menor de 16 anos completos a pedido do tutor. Art. 5º: A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos; B I NC O RRE T A Errada. Quando o menor está sendo tutelado é necessário processo judicial que conceda a sua emancipação, não bastando um instrumento público. C I NC O RRE T A Errado. Conforme dito na alternativa anterior, o instrumento público é suficiente apenas quando for pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro. No caso de tutelado, é necessário procedimento judicial. D I NC O RRE T A Errada. O procedimento correto é a via judicial e não instrumento público. D I S C I P L I N A DIREITO CIVIL Q37 – Q42 · 6 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 48 de 103 QUESTÃO 38 V Í C I O S D O N E G Ó C I O J U R Í D I C O A cidade de Recife foi atingida por uma tempestade de grandes proporções. As ruas ficaram alagadas e a população sofreu com a inundação de suas casas e seus locais de trabalho. Alexandre, que tinha uma pequena embarcação, aproveitou a ocasião para realizar o transporte dos moradores pelo triplo do preço que normalmente seria cobrado, tendo em vista a premente necessidade dos moradores de recorrer a esse tipo de transporte. Nesse caso, em relação ao citado negócio jurídico, ocorreu: A estado de perigo. B dolo. C lesão. D erro. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. O estado de perigo ocorre quando alguém, diante de um perigo iminente para si ou para outra pessoa, assume obrigação excessivamente onerosa para obter socorro, conforme art. 156 do Código Civil. No caso, Alexandre se aproveitou da situação emergencial para cobrar preço abusivo, caracterizando lesão e não estado de perigo. Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. B I NC O RRE T A Errada. Dolo seria a intenção de induzir outra parte a erro para obter vantagem. Não há indicação de que Alexandre tenha enganado alguém; ele simplesmente aproveitou-se da situação para cobrar mais. C C O RRE T A Correta. Lesão é a obtenção de vantagem manifestamente exagerada, explorando-se a necessidade ou inexperiência do contratante, se enquadra exatamente na situação descrita, em que Alexandre, aproveitando-se da tempestade de grandes proporções, cobrou o triplo do valor para realizar o transporte. Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. D I NC O RRE T A Errada. Erro ocorre quando há falsa percepção da realidade, o que não é o caso aqui, pois os moradores sabem do perigo que grandes chuvas causam e possuem a necessidade de se transportarem mesmo diante dos alagamentos. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 49 de 103 QUESTÃO 39 O B R I G A Ç Õ E S Ivan, André e Caio celebraram negócio jurídico pelo qual se obrigaram a entregar um veículo da marca M a Bruna. Na data marcada para o cumprimento da obrigação, Ivan deu à Bruna um carro da marca M de sua propriedade. Sobre a situação hipotética apresentada, assinale a afirmativa correta: A Bruna pode exigir de André e de Caio as suas respectivas cotas−partes na dívida. B Ivan pode cobrar de André e de Caio, em dinheiro, as respectivas cotas−partes no débito. C André e Caio permanecem coobrigados perante Bruna pela parte que lhes cabe na dívida. D Tanto André como Caio permanecem responsáveis pela entrega de um carro, agora perante Ivan. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. Ivan já entregou o veículo, ou seja, a obrigação perante Bruna foi integralmente cumprida. Bruna não pode mais exigir nenhuma prestação de André e Caio, está satisfeito o seu crédito. B C O RRE T A Correta. É a regra do art. 259 do Código Civil. Quando um dos codevedores paga sozinho a dívida indivisível, sub-roga-se no direito do credor, mas a prestação, já tendo sido cumprida, converte-se em perdas e danos (valor em dinheiro) na relação interna entre os devedores. Assim, Ivan cobra de cada um a cota-parte correspondente, em dinheiro, pois o objeto (o carro) já foi entregue e não pode ser fracionado de volta. Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado pela dívida toda. Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos outros coobrigados. C I NC O RRE T A Errada. Pelo já exposto na letra A, a obrigação perante a credora já foi extinta com a entrega do veículo por Ivan. Não subsiste obrigação de André e Caio em relação a Bruna. D I NC O RRE T A Errada. A obrigação que remanesce entre os codevedores não é de entregar outro carro. Como a prestação indivisível já foi cumprida, o direito de regresso de Ivan se resolve em dinheiro (equivalente às cotas-partes), e não na entrega de outro bem. QUESTÃO 40 D O A Ç Ã O Waldo é titular de vultoso patrimônio e amigo de infância de Tadeu, que passa por sérias dificuldades econômicas. Frente às adversidades vividas pelo amigo, Waldo entrega as chaves de um imóvel de sua propriedade para Tadeu e diz a ele: “a partir de agora essa casa é de sua propriedade.” Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 50 de 103 Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta. A A declaração verbal de Waldo, junto da tradição do imóvel, é suficiente para considerar-se celebrado e realizado um contrato de doação válido e eficaz. B Para que a doação de imóvel de Waldo a Tadeu se aperfeiçoe será imprescindível celebrar o contrato por meio de escritura pública, seja qual for o valor do imóvel. C Para que Waldo realize a pretendida doação de imóvel a Tadeu de modo válido, será imprescindível celebrar o contrato de forma escrita, seja por meio de escritura pública ou de instrumento particular, a depender do valor do imóvel. D Caso Waldo optasse por doar dinheiro para Tadeu adquirir um imóvel, a doação seria válida sem que se fizesse por escritura pública ou instrumento particular, independentemente do valor transferido ao donatário. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. A doação de imóvel não se aperfeiçoa apenas por declaração verbal e tradição das chaves. O artigo 541 do Código Civil exige forma escrita para a doação, especialmente por escritura pública, quando se tratar de bens imóveis. Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular. B I NC O RRE T A Errada. A escritura pública é exigida para doação de bens imóveis cujo valor ultrapasse 30 salários-mínimos (art. 108 do Código Civil). Para valores inferiores, podeser instrumento particular válido. Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País. C C O RRE T A Correta. Conforme o art. 541 do Código Civil, a doação deve ser realizada por escrito — escritura pública para imóveis de valor acima de 30 salários-mínimos ou instrumento particular para valores inferiores. Portanto, essa é a alternativa que reúne os critérios corretos. D I NC O RRE T A Errada. A doação em dinheiro para aquisição de imóvel, se ultrapassar determinado valor, também pode exigir forma escrita, conforme regras análogas, pois a forma é requisito para a validade da liberalidade que envolva quantia ou bem com valor patrimonial significativo. QUESTÃO 41 R E S P O N S A B I L I D A D E C I V I L No último domingo, após uma partida de futebol, Ariano ofereceu carona em seu carro a João, seu fraterno amigo. Ao transitar por certa avenida em velocidade muito acima da permitida, o veículo conduzido por Ariano colidiu com um poste. João, com a colisão, sofreu graves lesões por todo corpo, tendo inclusive que amputar uma perna. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 51 de 103 A esposa de João, que está grávida, ficou extremamente abalada, encontrando-se internada em Unidade de Terapia Intensiva em um hospital público. A respeito do tema da responsabilidade civil de indenizar, com base nas súmulas do Superior Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa correta. A É possível a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral eventualmente sofridos por João, em razão das graves lesões sofridas no acidente. B A legitimidade para pleitear a indenização por dano moral é exclusiva de João, sendo inadmissível que sua esposa venha a pleitear perdas e danos pelo acidente. C Mesmo que o transporte realizado por Ariano tenha sido desinteressado e de simples cortesia, ele responde objetivamente pelos danos sofridos por João. D Como se trata de responsabilidade civil extracontratual, os eventuais danos sofridos por João geram juros moratórios e correção monetária a partir do trânsito em julgado da sentença. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. A Súmula nº 387 do STJ estabelece que é lícita a cumulação das indenizações por dano estético e dano moral, desde que oriundos do mesmo fato. Portanto, João pode pleitear ambas as indenizações decorrentes das graves lesões. Súm. 387, STJ: É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral. B I NC O RRE T A Errada. Além da vítima direta (João), terceiros próximos, como o cônjuge, também podem pleitear indenização por dano moral reflexo, em decorrência do sofrimento causado pelo acidente. C I NC O RRE T A Errada. O transporte voluntário gratuito estabelece responsabilidade subjetiva do condutor, não objetiva. Assim, Ariano responde se ficar comprovada culpa (negligência, imprudência, imprudência). Não há responsabilidade objetiva automática nesse caso. D I NC O RRE T A Errada. Nos danos extracontratuais, juros moratórios e correção monetária incidem geralmente desde a citação ou arbitramento da indenização, não a partir do trânsito em julgado, conforme entendimento do STJ. QUESTÃO 42 S U C E S S Õ E S Paulo e Glória mantiveram união estável por 22 anos, sem que nunca tivessem celebrado pacto de convivência. Ao longo da relação, amealharam, por esforço comum, patrimônio de R$ 1.600.000 (um milhão e seiscentos mil reais). Paulo faleceu, não deixando filhos nem pais, apenas seus quatro avós e dois irmãos. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 52 de 103 Diante dos fatos hipotéticos narrados, sobre a sucessão de Paulo, assinale a afirmativa correta. A Glória terá direito à meação, R$ 800.000 (oitocentos mil reais), mais metade do valor da herança, ou seja, R$ 400.000 (quatrocentos mil reais). O valor restante, de R$ 400.000 (quatrocentos mil reais), será dividido igualmente entre os avós de Paulo. B Glória terá direito à meação, no valor de R$ 800.000 (oitocentos mil reais), ao direito real de habitação, mas não concorrerá com os ascendentes de Paulo. C Glória terá direito ao valor total dos bens, já que o cônjuge afasta da sucessão os ascendentes do falecido. D Glória terá direito à meação, no valor de R$ 800.000 (oitocentos mil reais), e o valor da herança será dividido em três partes iguais, recebendo Glória e os dois irmãos de Paulo, o correspondente a 1/3 (um terço) cada um. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. Sem descendentes, a sucessão segue para a segunda classe do art. 1.829, II, CC: ascendentes em concorrência com o cônjuge/companheiro. Pelo art. 1.837, CC, quando o companheiro concorre com ascendentes de segundo grau (avós, já que os pais são pré- mortos), cabe ao companheiro metade da herança. Assim: meação de R$ 800.000 + metade da herança (R$ 400.000) \= R$ 1.200.000 para Glória. Os R$ 400.000 restantes dividem-se igualmente entre os quatro avós (R$ 100.000 cada). Os irmãos nada recebem, pois ascendentes excluem colaterais. Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau. B I NC O RRE T A Errada. Glória de fato tem direito real de habitação (art. 1.831, CC), porém ela concorre sim com os ascendentes na herança, conforme art. 1.829, II. Afirmar que ela não concorre com os ascendentes contraria diretamente a lei. Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar. C I NC O RRE T A Errada. O companheiro/cônjuge não afasta os ascendentes da sucessão. A ordem do art. 1.829 é clara: na ausência de descendentes, os ascendentes herdam em concorrência com o cônjuge/ companheiro. Somente na falta de descendentes e ascendentes é que o cônjuge/companheiro herdaria sozinho (art. 1.829, III). D I NC O RRE T A Errada. Os irmãos são colaterais de segundo grau e pertencem à quarta classe da vocação hereditária (art. 1.829, IV). Existindo ascendentes vivos (os avós), os colaterais são excluídos da Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 53 de 103 sucessão. Além disso, a forma de divisão apresentada não corresponde a nenhuma regra do Código Civil. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 54 de 103 QUESTÃO 43 A U T O R I Z A Ç Ã O P A R A V I A J A R Maria e José, ambos com 45 anos, possuem um filho em comum, Paulo, que, hoje, tem 17 anos. Quando Paulo tinha 12 anos, Maria e José se divorciaram e foi estipulada judicialmente a guarda unilateral para Maria, sendo certo que José sempre usou o seu direito de convivência com o adolescente em finais de semanas alternados. Após muito esforço, Maria conseguiu angariar recursos para fazer uma viagem dentro do território nacional com Paulo. A viagem será de uma semana e não afetará o direito de visitação de José. Ocorre que o genitor se opõe à viagem, mesmo sem apresentar qualquer justificativa para isso. Preocupada, Maria procura você, como advogado(a), para que lhe preste a solução jurídica adequada. De acordo com o ECA, assinale a opção que, corretamente, indica a sua orientação. A Maria deverá buscar o Juízo da Infância e Juventude e obter alvará para a autorização de viagem. B José só pode se opor à viagem se tivesse sido estipulada a guarda compartilhada, o que não é a hipótese apresentada. C Maria só pode fazer essa viagemcom expressa autorização de José, já que ambos são detentores do poder familiar. D Maria não precisa da anuência do genitor, nem de autorização judicial, uma vez que a viagem é dentro do território nacional. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. A necessidade de autorização judicial para viagem nacional existe apenas para crianças (menores de 12 anos) que viajam desacompanhadas dos pais ou responsáveis, nos termos do art. 83, caput, e seu §1º do ECA. Paulo é adolescente e viaja com a mãe — não há exigência de alvará judicial. Art. 83. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá viajar para fora da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis sem expressa autorização judicial. 1º A autorização não será exigida quando: a) tratar-se de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de 16 (dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana; (Redação dada pela Lei nº 13.812, de 2019) b) a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado: (Redação dada pela Lei nº 13.812, de 2019) 1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco; 2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável. D I S C I P L I N A ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Q43 – Q44 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 55 de 103 B I NC O RRE T A Errada. O tipo de guarda (unilateral ou compartilhada) não é o critério relevante aqui. A questão se resolve pela regra objetiva do ECA sobre viagem nacional de adolescente, que independe da modalidade de guarda. Além disso, ambos os genitores mantêm o poder familiar independentemente do tipo de guarda fixada. C I NC O RRE T A Errada. Embora de fato ambos detenham o poder familiar, o ECA não exige autorização do outro genitor para viagem nacional de adolescente acompanhado de um dos pais. A exigência de autorização expressa do outro genitor aplica-se a viagens internacionais (art. 84, ECA), e não a viagens dentro do território nacional. Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é dispensável, se a criança ou adolescente: I - estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável; II - viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida. D C O RRE T A Correta. O art. 83 do ECA disciplina que o adolescente pode viajar dentro do território nacional sem necessidade de autorização judicial ou de consentimento do outro genitor, bastando estar acompanhado de um dos pais. Paulo tem 17 anos, viaja com a mãe e o destino é nacional — nenhuma formalidade adicional é exigida. QUESTÃO 44 T U T E L A J U R I S D I C I O N A L Herminda, de 50 anos, é tia materna de Júlia, de 16 anos. Após verificar que Júlia teve notas baixas no colégio, Herminda decidiu ir à porta da escola e, com o intuito de correção, ridicularizou e humilhou a adolescente na frente de seus colegas, dizendo que Júlia era desleixada, que nunca conseguiria acesso à universidade, sendo uma vergonha para a família. Os pais de Júlia tomaram conhecimento do fato e ficaram revoltados. Decidiram, então, procurar você, como advogado(a), para que indicasse a orientação jurídica adequada para sancionar o ato praticado por Herminda. Nesse caso, de acordo com o ECA, assinale a afirmativa que apresenta, corretamente, sua orientação. A Herminda pode ser encaminhada a cursos ou programas de orientação, sendo que a aplicação dessa medida só pode ser feita pela autoridade judiciária. B Herminda, em virtude de tal ato, pode receber sanções, como a advertência, a ser aplicada pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais. C Herminda pode sofrer sanções, entre elas, a advertência. Para a aplicação da medida, é preciso representação do Ministério Público e decisão da autoridade judiciária. D Herminda não tinha o direito de humilhar e ridicularizar Júlia, mesmo para fins corretivos, o que caberia aos pais por serem detentores do poder familiar, mas o ECA não prevê qualquer possibilidade de sanção à tia materna. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 56 de 103 GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. Embora o encaminhamento a cursos ou programas de orientação esteja previsto no ECA (art. 129, dentre as medidas aplicáveis), o erro está na exclusividade atribuída à autoridade judiciária. O Conselho Tutelar também possui competência para aplicar medidas dessa natureza, conforme art. 136, II, do ECA. A expressão "só pode ser feita pela autoridade judiciária" torna a alternativa errada. Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar: III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto: a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança; b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações. B C O RRE T A Correta. A conduta de Herminda configura tratamento vexatório e humilhante contra adolescentes, violando os arts. 17 e 18 do ECA, bem como o art. 18-A, que proíbe o uso de castigo físico ou tratamento cruel ou degradante. O Conselho Tutelar tem competência para aplicar a medida de advertência, conforme o art. 18-B combinado com o art. 136, II, do ECA. A ressalva "sem prejuízo de outras providências legais" está correta, pois a conduta pode ensejar também responsabilização civil e, eventualmente, penal. Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los. C I NC O RRE T A Errada. A advertência não exige representação do Ministério Público nem decisão judicial. Trata-se de medida que pode ser aplicada diretamente pelo Conselho Tutelar. A alternativa cria um procedimento mais complexo do que o previsto na lei. D I NC O RRE T A Errada. A primeira parte está parcialmente correta — de fato, nem mesmo os pais poderiam humilhar a adolescente, pois o ECA veda tratamento vexatório por qualquer pessoa. O erro grave está em afirmar que o ECA não prevê sanção. O Estatuto se aplica a qualquer pessoa que viole direitos de crianças e adolescentes, não apenas aos pais ou responsáveis legais. A tia pode sim ser sancionada. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 57 de 103 QUESTÃO 45 D I R E I T O S B Á S I C O S D O C O N S U M I D O R Avril Lavigne, aposentada, 89 anos, o(a) procurou como advogado(a) porque fora atraída por ligação telefônica da instituição financeira Banco Skater Boy S.A., que anunciava oferta de crédito sem análise da situação financeira do consumidor. Avril Lavigne, que à época da oferta do crédito estava em situação financeira muito difícil, contratou a abertura de crédito. Diante do valor reduzido de sua aposentadoria e dos compromissos indispensáveis ao lar e à saúde, celebrados ao longo do ano, não tem mais como pagar todas as dívidas, que a cada mês ficam maiores. Diante da situação hipotética apresentada, assinale a afirmativa correta. A É direito básico do consumidora garantia de práticas de crédito responsável, bem como a proteção contra a publicidade enganosa. B Para responsabilizar o Banco Skater Boy S.A., impondo-lhe a obrigação de indenizar, é necessário comprovar o ato de negligência do preposto do banco. C Tendo em vista que a contratação se deu fora do estabelecimento empresarial, Avril tinha o prazo de dez dias para exercer o seu direito de arrependimento. D As instituições financeiras não são obrigadas a analisar a situação financeira do consumidor, apenas consultar os serviços de proteção ao crédito antes de concedê-lo. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. A Lei 14.181/2021 incluiu no art. 6º do CDC novos direitos básicos do consumidor, entre eles a "garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira e de prevenção e tratamento de situações de superendividamento" (art. 6º, XI, CDC). Além disso, a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva já constava como direito básico no art. 6º, IV, do CDC. No caso narrado, o Banco Skater Boy S.A. realizou oferta de crédito por telefone sem análise da situação financeira de Avril, consumidora idosa e em dificuldade financeira, o que configura violação ao dever de crédito responsável. Art. 6º São direitos básicos do consumidor: XI - a garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira e de prevenção e tratamento de situações de superendividamento, preservado o mínimo existencial, nos termos da regulamentação, por meio da revisão e da repactuação da dívida, entre outras medidas; (Incluído pela Lei nº 14.181, de 2021) XII - a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, na repactuação de dívidas e na concessão de crédito; D I S C I P L I N A DIREITO DO CONSUMIDOR Q45 – Q46 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 58 de 103 B I NC O RRE T A Errada. A responsabilidade do fornecedor de serviços no CDC é objetiva, ou seja, independe de comprovação de culpa (art. 14 do CDC). As instituições financeiras são fornecedoras de serviços para fins de aplicação do CDC, conforme consolidado pela Súmula 297 do STJ. Portanto, não é necessário que Avril comprove negligência do preposto — basta demonstrar o defeito na prestação do serviço, o dano e o nexo causal. Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos. Súmula 297, STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras. C I NC O RRE T A Errada. Embora a contratação por telefone configure contratação fora do estabelecimento comercial, o que de fato enseja o direito de arrependimento no prazo de 7 dias (e não 10 dias) contados da contratação ou do recebimento do produto/serviço, conforme art. 49 do CDC. Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio. D I NC O RRE T A Errada. A Lei 14.181/2021 impôs expressamente às instituições financeiras e demais fornecedores de crédito o dever de avaliar de forma responsável as condições financeiras do consumidor antes da concessão de crédito. O art. 54-D do CDC, incluído pela referida lei, estabelece diversas obrigações ao fornecedor de crédito, incluindo a de informar e avaliar a capacidade de pagamento do consumidor. A oferta de crédito "sem análise da situação financeira" viola frontalmente esse dever legal de crédito responsável. Art. 54-D. Na oferta de crédito, previamente à contratação, o fornecedor ou o intermediário deverá, entre outras condutas: II - avaliar, de forma responsável, as condições de crédito do consumidor, mediante análise das informações disponíveis em bancos de dados de proteção ao crédito, observado o disposto neste Código e na legislação sobre proteção de dados. QUESTÃO 46 C L Á U S U L A S A B U S I V A S E M C O N T R A T O S D E A D E S Ã O Billie Joe, um consumidor, celebrou um contrato de adesão para aquisição de um pacote turístico. Ao ler atentamente o contrato, Billie Joe identificou uma cláusula que determinava que ele não poderia requerer indenização à empresa em caso de eventuais prejuízos decorrentes de cancelamentos por causas naturais. Preocupado, Billie Joe procura você, como advogado(a), para buscar amparo legal e entender a validade da cláusula em questão. Diante disso, assinale a afirmativa que apresenta, corretamente, sua orientação. A A cláusula é válida, porque o Art. 51 do CDC possui um rol exemplificativo de cláusulas abusivas, e essa cláusula específica não está listada entre as proibidas. B A cláusula é inválida, porque o Art. 51 do CDC possui um rol taxativo de cláusulas abusivas, e essa cláusula não está listada entre as permitidas. C Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 59 de 103 A cláusula é válida, porque o Art. 51 do CDC, que possui um rol de cláusulas abusivas, não se aplica aos contratos de adesão. D A cláusula é inválida, porque o Art. 51 do CDC apresenta um rol exemplificativo de cláusulas abusivas, permitindo a anulação das cláusulas que se mostrem abusivas, mesmo que não listadas. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. A premissa de que o rol é exemplificativo está correta, mas a conclusão é equivocada. Justamente por ser exemplificativo, o rol não limita a proteção do consumidor às hipóteses expressamente listadas — ao contrário, permite que outras cláusulas, ainda que não previstas textualmente, sejam reconhecidas como abusivas. Além disso, a cláusula descrita no enunciado se enquadra diretamente no art. 51, I, do CDC, que declara nulas de pleno direito as cláusulas que "impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos". Art. 51. São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que: I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis; B I NC O RRE T A Errada. O erro está na classificação do rol como taxativo. O art. 51 do CDC contém rol exemplificativo, e não taxativo. O próprio inciso XV do art. 51 funciona como cláusula geral de fechamento, declarando nulas as cláusulas que "estejam em desacordo com o sistema de proteção ao consumidor". Essa abertura confirma a natureza exemplificativa do rol. C I NC O RRE T A Errada. O art. 51 do CDC aplica-se plenamente aos contratos de adesão. Na verdade, os contratos de adesão são justamente o campo de maior incidência da proteção contra cláusulas abusivas, dada a ausência de negociação individual entre as partes. O art. 54 do CDC disciplina especificamente os contratos de adesão, e o §4º desse artigo determina que as cláusulas que implicarem limitação de direito do consumidor devem ser redigidas com destaque. A proteção do art. 51 não apenas se aplica como é especialmente relevante para essa modalidade contratual. D C O RRE T A Correta. O art. 51 do CDC estabelece um rol exemplificativo de cláusulas abusivas, o que significa que a proteção do consumidor não se limita às hipóteses expressamente previstas. Cláusulas que contrariem o sistema de proteção consumerista podem ser declaradas nulas mesmo que não estejam textualmente listadas no artigo (conforme a cláusula geral do inciso XV). Revisão Nocaute· OAB 47 — Pág. 60 de 103 QUESTÃO 47 N O M E E M P R E S A R I A L Bento de Abreu e Bernardino de Campos são os únicos sócios e fundadores da sociedade empresária Abreu & Campos Ltda. Os sócios deliberaram a transformação da sociedade de limitada para companhia e lhe pediram orientação sobre o nome empresarial. Considerando algumas das regras para a formação do nome empresarial do tipo que a sociedade adotará, assinale a afirmativa correta. A A companhia adotará denominação, na qual poderá constar o(s) nome(s) do(s) fundador(es), sendo facultada a designação do objeto social. B A companhia adotará firma, sendo formada por nome de fantasia a partir da escolha dos sócios, seguido obrigatoriamente pela designação do objeto social. C A companhia adotará denominação, formada apenas pelo nome dos sócios, seguida facultativamente pela expressão Sociedade Anônima ou Companhia, indicadas unicamente ao final. D A companhia poderá adotar firma ou denominação, devendo ser mantido o nome antigo Abreu & Campos, substituindo-se o aditivo Ltda. pelo aditivo Companhia ou Cia. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. Nos termos do art. 3º da Lei 6.404/76, a sociedade anônima opera sob denominação. Essa denominação pode ser composta por nome fantasia ou pode incluir o nome de fundadores, acionistas ou pessoas que tenham concorrido para o êxito da empresa. A designação do objeto social é facultativa na denominação (diferentemente do que ocorre com a sociedade limitada que adota denominação, onde o objeto social é obrigatório — art. 1.158, §2º, CC). É obrigatória apenas a expressão "Companhia", "Sociedade Anônima" ou suas abreviações. Art. 3º. A sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões "companhia" ou "sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente mas vedada a utilização da primeira ao final. §1º O nome do fundador, acionista, ou pessoa que por qualquer outro modo tenha concorrido para o êxito da empresa, poderá figurar na denominação. B I NC O RRE T A Errada. A sociedade anônima não adota firma (razão social), apenas denominação. Firma é espécie de nome empresarial próprio do empresário individual e de sociedades de pessoas (como a sociedade em nome coletivo). Além disso, nome fantasia não compõe firma, e a designação do objeto social não é obrigatória na S/A. C I NC O RRE T A Errada. São vários erros: a denominação não é formada "apenas" pelo nome dos sócios — pode conter nome fantasia ou referência aos fundadores; a expressão "Sociedade Anônima" ou D I S C I P L I N A DIREITO EMPRESARIAL Q47 – Q50 · 4 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 61 de 103 "Companhia" não é facultativa, é obrigatória; e a expressão "Companhia" ou "Cia." não pode figurar ao final do nome — quando usada, deve vir no início ou no meio, pois ao final indicaria que há outro sócio, conforme art. 3º, §1º, da Lei 6.404/76. D I NC O RRE T A Errada. A S/A só pode adotar denominação, nunca firma. Não há obrigatoriedade de manter o nome anterior, e a simples substituição de "Ltda." por "Companhia" não atende às regras legais de formação do nome empresarial da S/A. QUESTÃO 48 F A L Ê N C I A Aral adquiriu bens de consumo de uma sociedade empresária, ficando esta de lhe entregar as mercadorias em até 10 (dez) dias úteis. Entretanto, a entrega não se realizou em razão da decretação de falência da vendedora e o consequente encerramento das atividades com o lacre dos estabelecimentos. O administrador judicial recebeu interpelação de Aral sobre a posição da massa falida quanto a entrega das mercadorias que comprou ou a devolução das parcelas já pagas. O administrador judicial se manifestou no sentido de não entregar a mercadoria ao comprador justificando a ausência de redução do passivo da massa falida e a extinção do contrato. Não há comitê de credores em funcionamento no processo falimentar. Considerando os fatos narrados e as disposições da Lei nº 11.101/2005, assinale a afirmativa que indica a atitude a ser tomada por Aral. A Pedir ao juiz da falência a indisponibilidade de bens da massa até o valor de seu crédito para fins de futuro pagamento. B Pedir a restituição em dinheiro das parcelas pagas pela aquisição dos bens. C Habilitar o crédito relativo ao valor pago na classe dos credores quirografários. D Ajuizar ação de execução por quantia certa em face da massa falida para recebimento das parcelas pagas. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. Dispõe o art. 117, §2º, LRF que a declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, constituirá crédito quirografário. Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê. § 2º A declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, constituirá crédito quirografário. B I NC O RRE T A Errada. As hipóteses de restituição em dinheiro estão previstas no art. 86, LRF. Art. 86. Proceder-se-á à restituição em dinheiro: Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 62 de 103 I – se a coisa não mais existir ao tempo do pedido de restituição, hipótese em que o requerente receberá o valor da avaliação do bem, ou, no caso de ter ocorrido sua venda, o respectivo preço, em ambos os casos no valor atualizado; II – da importância entregue ao devedor, em moeda corrente nacional, decorrente de adiantamento a contrato de câmbio para exportação, na forma do art. 75, §§ 3º e 4º, da Lei nº 4.728, de 14 de julho de 1965, desde que o prazo total da operação, inclusive eventuais prorrogações, não exceda o previsto nas normas específicas da autoridade competente; III – dos valores entregues ao devedor pelo contratante de boa-fé na hipótese de revogação ou ineficácia do contrato, conforme disposto no art. 136 desta Lei. IV - às Fazendas Públicas, relativamente a tributos passíveis de retenção na fonte, de descontos de terceiros ou de sub-rogação e a valores recebidos pelos agentes arrecadadores e não recolhidos aos cofres públicos. C C O RRE T A Correta. Nos termos do art. 117, LRF os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê. Nesse caso, considerando que o administrador judicial se manifestou no sentido de que não haveria condições de cumprir o contrato, a negativa gera ao credor o direito à indenização cujo valor apurado em processo ordinário constituirá crédito quirografário nos termos do art. 117, §2º, LRF. D I NC O RRE T A Errada. Nesse sentido, o art. 117, §2º, LRF dispõe que a declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, constituirá crédito quirografário. QUESTÃO 49 P R E P O S T O A empresária individual Marília da Rocha, inscrita há mais de dez anos na Junta Comercial do Estado de São Paulo, sempre exerceu empresa sem designação de prepostos. Todavia, em razão do aumento de trabalho e necessidades de múltiplas viagens, tornou-se necessário nomear Jandira Franco como gerente na sede de sua empresa. Antes de efetuar a nomeação, Marília da Rocha consulta seu advogado para que este lhe esclareça sobre as prerrogativas do gerente e sua atuação como preposto. Assinale a opção que está de acordo com a disposição legal e pode ser dada como orientação a Marília da Rocha.clientes". Ambas as atividades são privativas de advogado. D I NC O RRE T A Errada. A alternativa erra em múltiplos aspectos. Os atos não são meramente anuláveis — são nulos (art. 4º do Estatuto). A nulidade absoluta não admite convalidação. Além disso, as atividades privativas de advocacia não são "preferencialmente" exercidas por advogados, mas sim exclusivamente por eles, com as ressalvas legais expressas (como a impetração de habeas corpus por qualquer pessoa, ou o jus postulandi na Justiça do Trabalho e nos Juizados Especiais, nos limites legais). O "conhecimento jurídico" de pessoa não habilitada não é critério legal para autorizar o exercício de atos privativos. QUESTÃO 03 I M P E D I M E N T O S E I N C O M P A T I B I L I D A D E S Pedro, advogado regularmente inscrito na OAB, foi eleito Deputado Federal e deseja continuar exercendo a advocacia, patrocinando causas contra a Caixa Econômica Federal. Ele também cogita a possibilidade de concorrer ao cargo de Presidente da Câmara dos Deputados. Com base nas disposições do Estatuto da OAB, assinale a afirmativa correta sobre a possibilidade de Pedro continuar advogando. A Caso Pedro seja eleito Presidente da Câmara dos Deputados, ele ficará impedido de atuar em causas contra a Caixa Econômica Federal, mas poderá advogar em causas particulares. B Pedro, na condição de Deputado Federal, poderá advogar contra a Caixa Econômica Federal, desde que seja em causa própria, tendo em vista que o impedimento se aplica apenas a causas de terceiros. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 5 de 103 C Como Deputado Federal, Pedro está impedido de exercer a advocacia contra a Caixa Econômica Federal, mas pode atuar em causas que não envolvam entes públicos ou concessionárias de serviço público. D Pedro, como Deputado Federal, estará em situação de incompatibilidade total com o exercício da advocacia e não poderá atuar como advogado em nenhuma causa, mesmo em processos particulares. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. O Presidente da Câmara dos Deputados ocupa posição na linha de sucessão presidencial e exerce função de direção máxima de um dos poderes da República. Nessa condição, a situação deixa de ser de mero impedimento e passa a configurar incompatibilidade com o exercício da advocacia, nos termos do art. 28 do Estatuto da OAB. A incompatibilidade é total, vedando qualquer atuação advocatícia, não apenas contra entes públicos. Art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades: I - chefe do Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais. B I NC O RRE T A Errada. O impedimento dos membros do Legislativo para advogar contra entidades da administração pública direta e indireta (incluindo empresas públicas como a Caixa Econômica Federal) não comporta exceção para causa própria. O art. 30, I, do Estatuto da OAB veda a atuação contra a Fazenda Pública e entes da administração indireta sem fazer distinção entre causa própria e de terceiros. Art. 30. São impedidos de exercer a advocacia: I - os servidores da administração direta, indireta e fundacional, contra a Fazenda Pública que os remunere ou à qual seja vinculada a entidade empregadora; C C O RRE T A Correta. O Deputado Federal encontra-se em situação de impedimento parcial, nos termos do art. 30, I, do Estatuto da OAB. Está vedada sua atuação como advogado contra ou a favor de pessoas jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço público. A Caixa Econômica Federal é empresa pública federal, portanto Pedro não pode advogar contra ela. Contudo, o impedimento é parcial: Pedro pode continuar exercendo a advocacia em causas que envolvam exclusivamente particulares e que não tenham no polo oposto qualquer ente da administração pública direta ou indireta, nem concessionárias de serviço público. D I NC O RRE T A . Errada. O Deputado Federal não se encontra em situação de total incompatibilidade, mas sim de impedimento parcial. A incompatibilidade total atinge, entre outros, os ocupantes de cargos de chefia do Poder Executivo, membros da magistratura e do Ministério Público, e os que ocupam funções de direção em órgãos específicos. O parlamentar federal comum (que não ocupe cargo de direção como a Presidência da Casa) pode advogar, respeitadas as restrições do impedimento. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 6 de 103 QUESTÃO 04 R E Q U I S I T O S P A R A I N S C R I Ç Ã O Pedro, cidadão brasileiro, graduou-se em Direito em renomada instituição norte-americana. Caso deseje exercer no Brasil a profissão de advogado, Pedro deverá solicitar inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. Sobre a hipótese, assinale a opção que indica o requisito que, em tal ocasião, Pedro estará dispensado de apresentar. A Revalidação do título de graduação em Direito. B Aprovação em Exame de Ordem. C Ter sido admitido em estágio profissional de advocacia. D Prestação de compromisso perante o conselho. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. Pedro graduou-se em instituição estrangeira, portanto seu diploma precisa ser revalidado por instituição de ensino superior brasileira credenciada. Sem a revalidação, o diploma estrangeiro não produz efeitos no Brasil, e Pedro não conseguiria comprovar o requisito do art. 8º, II, do Estatuto da OAB e §2º (diploma ou certidão de graduação em Direito). Trata-se de exigência indispensável. Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário: II - diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada. § 2º O estrangeiro ou brasileiro, quando não graduado em direito no Brasil, deve fazer prova do título de graduação, obtido em instituição estrangeira, devidamente revalidado, além de atender aos demais requisitos previstos neste artigo. B I NC O RRE T A Errada. A aprovação no Exame de Ordem é requisito obrigatório para a inscrição como advogado, previsto no art. 8º, IV, do Estatuto da OAB. Não há exceção para graduados no exterior. Mesmo com diploma revalidado, Pedro deverá ser aprovado no Exame de Ordem para obter a inscrição. Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário: IV - aprovação em Exame de Ordem; C C O RRE T A Correta. O estágio profissional de advocacia não está previsto no art. 8º do Estatuto da OAB como requisito indispensável para a inscrição como advogado. Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário: I - capacidade civil; II - diploma ou certidão de graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada; III - título de eleitor e quitação do serviço militar, se brasileiro; IV - aprovação em Exame de Ordem; V - não exercer atividade incompatível com a advocacia; VI - idoneidade moral; VII - prestar compromisso perante o conselho. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 7 de 103 D I NC O RRE T A Errada. A prestação de compromisso perante o Conselho Seccional da OAB é ato solene obrigatório para todos os advogados no momento da inscrição, sem exceção. Trata-se de requisito formal previsto no art. 8º, VII. QUESTÃO 05 P U B L I C I D A D E P R O F I S S I O N A L O advogado Antônio comenta em matérias veiculadas em página da internet, consistente em sítio eletrônico especializado em publicar artigos acadêmicos e jurídicos, novas leis que são sancionadas e faz explicações de fácil compreensão de conceitos e normas jurídicas. De acordo com o disposto no Código de Ética e Disciplina da OAB, assinale a afirmativa correta. A É autorizado que Antônio responda às consultas jurídicas com habitualidade na página mencionada para promoção pessoal. B É vedadoA O gerente não está autorizado a praticar os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados, pois tais atos sempre exigem poderes especiais. B Se o empresário nomear dois ou mais gerentes, na falta de estipulação diversa, os poderes conferidos a eles presumem-se para atuação individual, sem solidariedade. C O gerente nunca poderá estar em juízo em nome do preponente pelas obrigações resultantes do exercício da sua função porque tal prerrogativa é exclusiva do administrador. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 63 de 103 D A alteração ou revogação do mandato conferido pelo empresário ao gerente, para ser oposta a terceiros, deve ser arquivada e averbada no Registro Público de Empresas Mercantis. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. O art. 1.173 do CC dispõe que, quando a lei não exigir poderes especiais, o gerente é considerado autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados. A alternativa inverte a regra legal: a regra é a ampla atuação nos limites dos poderes conferidos, e a exceção é a exigência de poderes especiais. Art. 1.173. Quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados. B I NC O RRE T A Errada. O art. 1.173, §único do CC estabelece exatamente o oposto: havendo pluralidade de gerentes, na falta de estipulação diversa, os atos são exercidos solidariamente. A presunção legal é de solidariedade, não de atuação individual. Parágrafo único. Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os poderes conferidos a dois ou mais gerentes. C I NC O RRE T A Errada. O art. 1.176 do CC prevê expressamente que o gerente pode estar em juízo em nome do preponente pelas obrigações resultantes do exercício de sua função. A palavra "nunca" torna a alternativa contrária à lei. Art. 1.176. O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações resultantes do exercício da sua função. D C O RRE T A Correta. É a regra do art. 1.174, §1º, do CC. Para que a modificação ou revogação dos poderes do gerente produza efeitos perante terceiros, é necessário o arquivamento e a averbação no Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). Trata-se de requisito de publicidade e oponibilidade, princípio fundamental do Direito Empresarial. Sem essa providência, terceiros de boa-fé podem considerar que o gerente ainda detém os poderes originalmente conferidos. Art. 1.174. As limitações contidas na outorga de poderes, para serem opostas a terceiros, dependem do arquivamento e averbação do instrumento no Registro Público de Empresas Mercantis, salvo se provado serem conhecidas da pessoa que tratou com o gerente. Parágrafo único. Para o mesmo efeito e com idêntica ressalva, deve a modificação ou revogação do mandato ser arquivada e averbada no Registro Público de Empresas Mercantis. QUESTÃO 50 S O C I E D A D E L I M I T A D A U N I P E S S O A L Em 2019, a constituição da sociedade limitada unipessoal, de modo permanente, passou a ser possível. Nas opções a seguir, são apresentadas normas aplicáveis às sociedades limitadas em Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 64 de 103 geral, mas apenas uma delas apresenta norma aplicável tanto às sociedades limitadas pluripessoais quanto às unipessoais. Assinale-a. A A possibilidade de realização de deliberações em reunião ou assembleia. B A ocorrência de dissolução de pleno direito mediante distrato. C A possibilidade de designação de administrador em ato separado. D A solidariedade pela exata estimação dos bens conferidos ao capital social. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. As deliberações em reunião ou assembleia (art. 1.072, CC) pressupõem pluralidade de sócios, pois envolvem convocação, quórum e votação entre diferentes pessoas. Na limitada unipessoal, o sócio único delibera sozinho, por decisão unilateral documentada em ata, sem necessidade do procedimento assemblear ou de reunião. Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, serão tomadas em reunião ou em assembléia, conforme previsto no contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores nos casos previstos em lei ou no contrato. B I NC O RRE T A Errada. O distrato é o acordo entre os sócios para encerrar a sociedade (art. 1.033, II e III, CC), sendo, por natureza, um ato bilateral ou plurilateral. Com sócio único, não há "acordo" a ser desfeito — a dissolução se dá por decisão unilateral do titular, e não por distrato. Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer: I - o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem oposição de sócio, não entrar a sociedade em liquidação, caso em que se prorrogará por tempo indeterminado; II - o consenso unânime dos sócios; III - a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo indeterminado; V - a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar. C C O RRE T A Correta. O art. 1.060 do CC permite que o administrador da sociedade limitada seja designado no contrato social ou em ato separado. Essa regra independe do número de sócios: tanto na pluripessoal quanto na unipessoal, o titular pode optar por nomear administrador no próprio contrato social ou por instrumento apartado. A lógica da norma é de organização da gestão societária, não pressupondo pluralidade de sócios. Art. 1.060. A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato social ou em ato separado. D I NC O RRE T A Errada. Inaplicável à unipessoal. O art. 1.055, §1º, do CC estabelece que todos os sócios respondem solidariamente pela exata estimação dos bens conferidos ao capital social, pelo prazo de cinco anos. A solidariedade, por definição, pressupõe pluralidade de sujeitos. Com sócio único, não há Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 65 de 103 como falar em responsabilidade solidária — existe apenas a responsabilidade individual do titular pela correta avaliação dos bens integralizados. Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada sócio. § 1º Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos os sócios, até o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 66 de 103 QUESTÃO 51 C O I S A J U L G A D A Gretchen ajuizou ação em face de Pietra, cirurgiã plástica, requerendo a sua condenação ao pagamento de danos morais e estéticos, resultantes de procedimento estético malsucedido. Ocorre que, anteriormente, em decisão transitada em julgado, fundada na mesma causa de pedir e contra a mesma profissional, um pedido idêntico de Gretchen foi julgado improcedente em face de Pietra, sob o fundamento de que não restou comprovada conduta negligente de Pietra, a ensejar a sua condenação. Em tal hipótese, assinale a opção que indica o fenômeno processual cabível para extinguir a ação proposta por Gretchen. A Conexão, por ser comum o pedido e a causa de pedir. B Litispendência, por se repetir ação já proposta e em curso. C Perempção, por ter havido extinção de ação anteriormente proposta por Joana. D Coisa julgada, por haver decisão de mérito transitada em julgado com as mesmas partes, causa de pedir e pedido. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. A conexão (art. 55, CPC) é instituto de modificação de competência que ocorre quando duas ou mais ações em curso possuem comunhão de pedido ou causa de pedir, gerando a reunião dos processos para julgamento conjunto. A conexão pressupõe a existência de ações simultâneas em tramitação, o que não é o caso: a primeira ação já foi julgada com trânsito em julgado. Além disso, a conexão não gera extinção do processo, mas apenas reunião — portanto, não se presta a "extinguir a ação", como pede o enunciado.Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. B I NC O RRE T A Errada. A litispendência (art. 337, §1º, CPC) ocorre quando se repete ação que está em curso, ou seja, quando há identidade de partes, causa de pedir e pedido entre duas ações simultaneamente pendentes de julgamento. No caso, a ação anterior não está "em curso" — já foi julgada com decisão de mérito transitada em julgado. A litispendência pressupõe simultaneidade de processos, o que não existe na hipótese. § 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. C I NC O RRE T A Errada. A perempção (art. 486, §3º, CPC) ocorre quando o autor der causa a três extinções do processo sem resolução do mérito por abandono. Trata-se de instituto específico que sanciona a negligência processual reiterada do autor. No caso, houve uma única ação anterior, que foi D I S C I P L I N A PROCESSO CIVIL Q51 – Q56 · 6 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 67 de 103 julgada no mérito (improcedência) com trânsito em julgado — não houve extinção sem resolução do mérito por abandono, muito menos três vezes. Além disso, a alternativa menciona "Joana", pessoa que não figura no enunciado, evidenciando erro na redação. Art. 486, § 3º. Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em abandono da causa, não poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. D C O RRE T A Correta. Há coisa julgada material, porque possuem as mesmas partes (Gretchen e Pietra), o mesmo pedido: indenização por danos morais e estéticos, a mesma causa de pedir: procedimento estético mal sucedido e alegada negligência e já existe decisão de mérito (improcedência) transitada em julgado. Isso impede que Gretchen proponha a mesma ação. O juiz deve extinguir o processo sem resolução do mérito, por existir coisa julgada. QUESTÃO 52 R E S P O S T A D O R É U E R E V E L I A Joana ajuizou ação declaratória de nulidade de negócio jurídico em face de João e Regina, alegando ter sido vítima de dolo de ambos na celebração de contrato de compra e venda de imóvel. Em sede de contestação, além de negarem os fatos alegados por Joana, João e Regina procuram você, como advogado(a), para propor reconvenção contra Joana e Marcelo, seu fiador, para cobrar valores alegadamente em atraso, referentes às parcelas do contrato de compra e venda firmado pelas partes. Sobre o caso acima, assinale a opção que apresenta, corretamente, a orientação jurídica prestada. A Joana poderá desistir da ação para impedir o prosseguimento da reconvenção. B Joana, com a propositura da reconvenção, será citada pessoalmente e deverá apresentar resposta no prazo de 15 dias. C Não há óbice à propositura da reconvenção em face de Joana e de Marcelo, ainda que este não tenha sido o autor do processo originário. D A reconvenção somente poderá ser admitida porque João e Regina contestaram o pedido, não sendo lícita a propositura de reconvenção sem que o réu ofereça contestação. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. A desistência da ação principal não impede o prosseguimento da reconvenção, que tem autonomia. Art. 343, §2º. A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção. B I NC O RRE T A Errada. Joana não será citada novamente. A reconvenção é apresentada nos mesmos autos e a parte será intimada na pessoa de seu advogado. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 68 de 103 Art. 343 § 1º Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias. C C O RRE T A Correta. O CPC permite que a reconvenção seja proposta no mesmo processo, contra o autor e também contra terceiro, desde que haja conexão com a causa principal. O art. 343, §3º, do CPC admite expressamente a reconvenção em face de terceiro. Como Marcelo é fiador do contrato discutido, há conexão jurídica entre a ação declaratória e a cobrança das parcelas. Logo, é possível reconvir contra Joana e Marcelo. Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria, conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. § 3º A reconvenção pode ser proposta contra o autor e terceiro. D I NC O RRE T A Errada. Embora normalmente apresentada junto com a contestação, a reconvenção pode ser proposta independentemente dela, desde que no prazo legal. Art. 343, §6º O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação. QUESTÃO 53 R E C U R S O S José ajuizou ação de indenização por danos materiais e morais contra Virgínia. Na petição inicial, José formulou requerimento de tutela provisória de urgência para que fosse determinado o bloqueio imediato de bens detidos por Virgínia, até o valor pleiteado por José no processo judicial, como forma de resguardar uma futura indenização para José, se forem julgados procedentes os seus pedidos de danos materiais e morais. Após realizar a admissibilidade da petição inicial, o magistrado concedeu a tutela provisória de urgência em favor de José. Nessa situação hipotética, assinale a opção que indica o recurso a ser interposto por Virgínia. A Não cabe recurso imediato contra a decisão que defere a tutela provisória de urgência. B Agravo de instrumento, uma vez que a decisão que defere a tutela provisória de urgência é decisão interlocutória impugnável por tal recurso. C Apelação, tendo em vista que a decisão que defere a tutela provisória de urgência tem natureza de sentença, passível de impugnação por tal recurso. D Apelação, tendo em vista que a decisão que defere a tutela provisória de urgência é decisão interlocutória passível de impugnação por tal recurso. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. Cabe recurso imediato sim, pois o CPC prevê expressamente o agravo de instrumento nesses casos. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 69 de 103 B C O RRE T A Correta. A decisão que concede tutela provisória é decisão interlocutória, pois não põe fim ao processo. O CPC, no art. 1.015, inciso I, prevê expressamente que cabe agravo de instrumento contra decisão que versa sobre tutela provisória. Logo, o recurso adequado é agravo de instrumento. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I - tutelas provisórias. C I NC O RRE T A Errada. A decisão que concede tutela provisória não é sentença, pois não resolve o mérito nem extingue o processo. D I NC O RRE T A Errada. Apelação é cabível contra sentença, não contra decisão interlocutória. QUESTÃO 54 C U M P R I M E N T O D E S E N T E N Ç A Miley Cyrus requereu o cumprimento de sentença de obrigação de pagar alimentos, decorrente de sentença condenatória proferida em desfavor de Billy Ray, seu pai, que é servidor público, condenado ao pagamento de alimentos, no percentual de 20% de seus rendimentos líquidos. Regularmente intimado, Billy Ray não pagou o débito cobrado, porém apresentou petição alegando que enfrenta dificuldades financeiras que impossibilitam o cumprimento da obrigação, requerendo ao Juízo a concessão de maior prazo para pagar a dívida. Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta. A A comprovação de que Billy Ray poderá cumprir parcialmente a obrigação alimentar justificará o inadimplemento em absoluto. B Não acolhida a defesa de Billy Ray, o Juiz decretará a sua prisão pelo prazo de dois a seis meses, que, se cumprida, o eximirá do pagamento das prestações vencidas. C O Juiz poderá ordenar a prisão civil de Billy Ray em razão do inadimplemento das obrigações referentes às cinco prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que vencerem no curso do processo. D Miley Cyrus poderá requerero desconto em folha de pagamento da importância da prestação alimentícia, buscando o pagamento dos alimentos vencidos e vincendos devidos por Billy Ray, até o limite de 50% dos ganhos líquidos do executado. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. A possibilidade de cumprimento parcial não justifica o inadimplemento total. O devedor de alimentos que demonstra capacidade parcial de pagamento deve pagar o que pode, e a justificativa de impossibilidade absoluta exige prova robusta de total incapacidade financeira. O CPC não admite que a dificuldade parcial sirva de escusa para o inadimplemento integral da obrigação alimentar. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 70 de 103 B I NC O RRE T A Errada. O prazo da prisão civil por débito alimentar é de 1 a 3 meses, conforme art. 528, §3º, do CPC, e não de 2 a 6 meses. Além disso, o cumprimento da prisão civil não exime o devedor do pagamento das prestações vencidas — a prisão é meio coercitivo para compelir o pagamento, não substitutivo da obrigação. Mesmo após cumprir a prisão, o débito alimentar subsiste integralmente. Art. 528. § 3º Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1º, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. § 5º O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas. C I NC O RRE T A Errada. A prisão civil por débito alimentar, conforme entendimento consolidado, abrange até as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução, e não cinco, além das que vencerem no curso do processo. § 7º O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. D C O RRE T A Correta. O art. 529 do CPC prevê que, quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa, ou empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente pode requerer o desconto em folha de pagamento da importância da prestação alimentícia. O §3º do mesmo artigo estabelece o limite de 50% dos ganhos líquidos do executado para o desconto, abrangendo tanto as parcelas vincendas quanto as vencidas. Art. 529. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa ou empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto em folha de pagamento da importância da prestação alimentícia. § 3º Sem prejuízo do pagamento dos alimentos vincendos, o débito objeto de execução pode ser descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de forma parcelada, nos termos do caput deste artigo, contanto que, somado à parcela devida, não ultrapasse cinquenta por cento de seus ganhos líquidos. QUESTÃO 55 R E C U R S O S Ricardo propôs a execução de um título executivo extrajudicial contra Isabela. Diante da propositura da execução por Ricardo, Isabela apresentou embargos à execução. O Magistrado julgou improcedentes os embargos à execução de Isabela que, irresignada, interpôs recurso de apelação contra a sentença de improcedência dos embargos à execução. Ao receber a apelação interposta por Isabela, o Desembargador relator, integrante da Câmara Cível, julgou o recurso monocraticamente, negando provimento à apelação. Assinale a opção que apresenta o recurso cabível a ser interposto por Isabela. A Recurso especial, para que seja analisada, pelo Superior Tribunal de Justiça, eventual violação de lei federal por ter sido negado provimento à apelação de forma monocrática pelo desembargador relator. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 71 de 103 B Agravo interno, para que seja analisada, pelo Desembargador relator, eventual violação de lei federal decorrente de ter sido negado provimento à apelação de forma monocrática pelo próprio relator. C Agravo interno, por se tratar de decisão proferida pelo Desembargador relator, a ser analisado pelo órgão colegiado da Câmara Cível. D Recurso especial, por se tratar de decisão proferida pelo Desembargador relator, a ser analisado pelo órgão colegiado da Câmara Cível. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. Recurso Especial é um recurso para atacar a decisão que tem natureza de Acórdão do TJ/ TRF. Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça: III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão recorrida: a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência; b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal; c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal." B I NC O RRE T A Errada. O agravo interno é de fato o recurso cabível contra decisão monocrática do relator, mas ele não é julgado pelo próprio relator que a proferiu. O art. 1.021, caput, do CPC, é expresso: o agravo interno é dirigido ao "respectivo órgão colegiado" — no caso, a Câmara Cível como um todo —, e não ao mesmo desembargador que decidiu sozinho. É esse o erro específico da alternativa. C C O RRE T A Correta. Agravo Interno é um recurso para atacar a decisão monocrática proferida pelo relator. Como a apelação de Isabela foi julgada monocraticamente pelo desembargador relator, o recurso cabível é o agravo interno, a ser submetido à Câmara Cível (órgão colegiado), permitindo o reexame coletivo da decisão individual. Art. 1.021 do CPC. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal. D I NC O RRE T A Errada. Reúne os dois erros anteriores: (i) o recurso especial não é cabível contra decisão monocrática do relator, apenas contra acórdão do tribunal (art. 105, III, CF); e (ii), ainda que fosse cabível nessa fase, o recurso especial não é julgado pelo órgão colegiado do tribunal de origem — é julgado pelo próprio STJ. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 72 de 103 QUESTÃO 56 P A R T E S E P R O C U R A D O R E S Vini Junior propôs ação indenizatória em face da sociedade empresária Campo Bom, em causa própria. Foi proferida sentença condenando a ré quanto ao principal e, considerando sua sucumbência mínima, ao pagamento integral de honorários advocatícios de sucumbência. Sobre os honorários advocatícios arbitrados no caso, assinale a afirmativa correta. A Os honorários não são devidos nos casos em que o advogado atue em causa própria. B Se um litigante sucumbir em parte mínima do pedido, o outro responderá, por inteiro, pelos honorários. C Como arbitrados os honorários na sentença, não serão devidos novos honorários advocatícios no cumprimento de sentença. D Os honorários podem ser arbitrados por equidade, apesar de o valor da condenação ser líquido, por se tratar de ação indenizatória. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. O art. 85, § 17 assegura honorários ao advogado mesmo atuando em causa própria. B C O RRE T A Correta. Tal disposição está literalmente prevista no art. 86, parágrafo único, do CPC. Trata-se da hipótese de “sucumbência mínima”, evitando condenação mútua ou compensação. Assim, se uma das partes perde apenas uma parcela ínfima, considera-se que o réu sucumbiu, devendo arcar integralmente com os honorários. C I NC O RRE T A Errada. O art. 85, § 1º prevê honorários também no cumprimento de sentença, mesmo após sentença condenatória. D I NC O RRE T A Errada. A fixação por equidade só cabe quando inestimável, irrisório ou muito baixo o proveito, não quando o valor é líquido (art. 85, § 8º), independentemente de ser ação indenizatória. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 73 de 103 QUESTÃO 57 T IP I C I D A D E Marisa administrava os proventos de pensão recebidos por sua mãe, Sônia, que faleceu em dezembro de 2022. Com a intenção de continuar recebendo os proventos, Marisa deixou de comunicar à autarquia previdenciária o falecimento de Sônia e, assim, conseguiu efetuar os saques dos valores depositados nos meses de janeiro a março de 2023. Em abril, a autarquia recebeu notícia do falecimento e cessou os pagamentos. Ato contínuo, apurou o valor dos saques indevidos realizados por Marisa após o falecimento da segurada, acrescidos de multa e juros e a inscreveu em dívida ativa. Marisa, notificada, efetuou o pagamento integral do débito, de forma parcelada, entre os meses de outubro de 2023 e janeiro de 2024. A denúncia foi ajuizada em janeiro de 2024, e recebida em fevereiro de 2024. De acordo com a teoria do crime, assinale a opção que apresenta o que a defesa de Marisa deve, corretamente, alegar. A Desistência voluntária. B Arrependimento eficaz. C Arrependimento posterior. D Exercício regular de um direito GABARITO Letra C E X P L I C A Ç Ã O Código Penal, art. 16: "Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços." O arrependimento posterior objetiva estimular a conduta reparadora do agente, mas estabelece requisitos claros: a) crime sem violência ou grave ameaça; b) reparação integral do dano ou restituição da coisa por ato voluntário; c) antes do recebimento da denúncia ou da queixa. No caso apresentado, Marisa restituiu o valor integral, ainda que parceladamente, antes do recebimento da denúncia, preenchendo todos os requisitos legais para o reconhecimento do arrependimento posterior. A I NC O RRE T A Errada. Ocorre antes da consumação do delito, não sendo aplicável pois o crime já estava consumado. B I NC O RRE T A Errada. Ocorre após a execução, mas antes do resultado, inexistente aqui pois o crime já havia produzido o resultado. D I S C I P L I N A DIREITO PENAL Q57 – Q62 · 6 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 74 de 103 C C O RRE T A Correta. D I NC O RRE T A Errada. Não cabe, pois Marisa agiu ilícita e dolosamente ao apropriar-se dos valores. QUESTÃO 58 C R I M E S C O N T R A A V I D A Pablo (13 anos) e Luís (19 anos), amigos de longa data, decidiram cometer suicídio. Durante todo o período em que conversaram sobre o tema, sempre condicionaram a realização do ato à presença de ambos, sendo certo que diariamente um instigava o outro a praticar o ato. No dia combinado, os dois se dirigiram à principal ponte da cidade e se posicionaram no vão central. Afastados um do outro, apenas se olharam para iniciar a contagem até se jogarem. Os dois pularam ao mesmo tempo. Apesar de a altura ser a mesma, Pablo ficou em coma por 90 dias no hospital e ao retornar teve diagnosticada a sua tetraplegia, perdendo completamente os movimentos dos braços e das pernas. Luís, por sua vez, sofreu apenas algumas escoriações. Sobre a participação de Luís no caso narrado, assinale a afirmativa correta, conforme expressa previsão legal. A Deverá responder pelo crime de instigação ao suicídio qualificado pelo resultado morte. B Será responsabilizado nas penas do crime de lesão corporal gravíssima. C Incidiu na conduta de tentativa de instigação ao suicídio. D Não será responsabilizado, porque será beneficiado pelo instituto do perdão judicial, independentemente de as consequências da infração o terem atingido de forma grave GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. O resultado não foi morte, mas lesão corporal gravíssima. Portanto, não se aplica o crime de instigação ao suicídio qualificado pelo resultado morte. B C O RRE T A Correta. De acordo com o Código Penal Brasileiro, quem induz, instiga ou auxilia alguém a cometer suicídio pode ser responsabilizado, especialmente se a vítima sofrer lesão corporal de natureza grave. No caso, Pablo, menor de idade, ficou tetraplégico após a tentativa de suicídio, caracterizando lesão corporal gravíssima. Luís, ao instigar Pablo, poderá ser responsabilizado pelo resultado lesão corporal gravíssima, agravado pelo fato de a vítima ser menor de idade. C I NC O RRE T A Errada. A conduta de Luís não configura tentativa de instigação ao suicídio, pois ele efetivamente instigou Pablo e ambos realizaram o ato. O resultado concreto (tetraplegia) afasta a tentativa. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 75 de 103 D I NC O RRE T A Errada. O perdão judicial pode ser aplicado em situações de arrependimento ou sofrimento intenso por parte do autor. No entanto, o Código Penal não prevê perdão judicial automático em casos de instigação ao suicídio que resultem em lesão grave à vítima, como no caso de Pablo. QUESTÃO 59 T I P I C I D A D E Alfredo, motorista da sociedade empresária Guardião Ltda., pessoa jurídica de direito privado que presta serviços de segurança, é subordinado ao gerente Marcos. No dia 10/3/2023, Marcos ordenou que Alfredo fizesse a escolta de um cliente. No trajeto de volta, Alfredo foi parado em uma blitz, ocasião em foi constatado que o veículo funcional que conduzia era proveniente de roubo. A despeito de não ter ciência do crime antecedente, até mesmo por não ser o responsável pelas compras da empregadora, Alfredo foi preso em flagrante por suposta prática do crime de receptação dolosa. Diante do exposto, assinale a opção que apresenta, corretamente, a tese de mérito que pode ser invocada em defesa de Alfredo. A A de exclusão da ilicitude, por exercício regular do direito. B A de exclusão da ilicitude, por estrito cumprimento do dever legal. C A de exclusão da tipicidade, por ausência de elemento subjetivo do tipo. D A de exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa, consistente na obediência hierárquica. GABARITO Letra C E X P L I C A Ç Ã O É fundamental identificar que o crime em análise está tipificado no Código Penal, Art. 180: “Art. 180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa que sabe ser produto de crime: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.” Observe que a lei exige o conhecimento do agente acerca da origem ilícita do bem (“que sabe ser produto de crime”), caracterizando o denominado elemento subjetivo do tipo, ou seja, o dolo específico. No caso, Alfredo não sabia da origem ilícita do veículo, pois apenas cumpria ordens do gerente e não era responsável pelas aquisições. Nessa situação, falta-lhe o dolo, elemento indispensável à configuração do crime de receptação dolosa, conforme entende o STJ. A I NC O RRE T A Errada. Exercício regular de direito só ocorre quando se age nos limites autorizados pela lei, o que não se aplica ao caso. B I NC O RRE T A Errada. Estrito cumprimento do dever legal não se configura, pois Alfredo não atuava em cumprimento de dever legal, mas sim de ordem empresarial. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 76 de 103 C C O RRE T A Correta. Aponta a inexistência do elemento subjetivo — exclui-se a tipicidade pela ausência de dolo. D I NC O RRE T A Errada. Não há inexigibilidade de conduta diversa, pois não ficou comprovado constrangimento ou violência moral irresistível nem estrita obediência hierárquica legal compatível com a situação. QUESTÃO 60 P E N A S Oliver, que já fora condenado por crime culposo anteriormente e que terminara de cumprir sua pena há dois anos, cometeu o crime de lesão corporal de natureza grave, previsto no Art. 129, § 1º, do CP, cuja pena cominada é de um a cinco anos de reclusão. Ele foi condenado à pena de um ano e oito meses de reclusão, tendo sua condenação sido proferida três anos após o término do cumprimento da pena pelo crime culposo anterior. Tomando por base o delito praticado e a pena aplicada, sobre a possibilidade de Oliver ter suapena privativa de liberdade substituída por duas penas restritivas de direitos, assinale a afirmativa correta. A A reincidência só impediria a substituição se o crime anterior também fosse doloso. B A reincidência em crime culposo não impede a substituição e tampouco há óbice pelo fato de o crime ser cometido com violência à pessoa. C Uma vez que Oliver é reincidente, a substituição é vedada, sendo indiferente o fato de o crime anterior ser culposo ou mesmo o fato de o novo crime ter sido cometido com violência à pessoa. D Apesar de a reincidência em crime culposo não obstar a substituição, o fato de o crime ter sido cometido com violência à pessoa impede a substituição pela pena restritiva de direitos. GABARITO Letra D E X P L I C A Ç Ã O Código Penal, Art. 44: “As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as privativas de liberdade, quando: I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II - o réu não for reincidente em crime doloso (...).” A I NC O RRE T A Errada. A reincidência só impede a substituição se for dolosa, mas o crime cometido com violência à pessoa já impossibilita, independentemente da reincidência. B I NC O RRE T A Errada. Apesar de a reincidência em crime culposo não impedir, o crime praticado com violência à pessoa (lesão corporal grave) impede sim a substituição. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 77 de 103 C I NC O RRE T A Errada. A vedação à substituição não decorre da reincidência (ainda mais se for apenas em crime culposo), mas sim da natureza violenta do novo crime. D C O RRE T A Correta. A reincidência em crime culposo não impede a substituição, porém o fato de o novo crime ter sido praticado com violência à pessoa (lesão corporal grave) veda a substituição, nos termos do art. 44, I, do CP. QUESTÃO 61 A Ç Ã O E O M I S S Ã O Bruno, 20 anos, residente no Rio de Janeiro/RJ, conduzia seu veículo de madrugada com destino à cidade de São Paulo/SP. Bruno dirigia dentro da velocidade permitida, portando sua carteira de habilitação e seu veículo apresentava condições adequadas de tráfego. Em determinado momento, André, 21 anos, que conduzia uma motocicleta alcoolizado, na outra mão, entrou na faixa na qual trafegava Bruno, violando a regra legal de mudança de faixa de rolamento. Bruno não conseguiu frear o veículo e evitar o contato. O veículo e a motocicleta chocaram-se lateralmente. Na sequência, André caiu da moto e esbarrou num fio de alta tensão que estava rompido de um poste na estrada. Bruno, assustado com o ocorrido, acelerou seu veículo, em retirada. Após 1 km, avistou um posto policial, mas acometido por forte emoção, optou por não parar para comunicar o fato. André permaneceu em coma por uma semana e depois veio a óbito. O laudo de necropsia constatou que a causa mortis fora determinada por eletrocussão, em razão do contato com o fio de alta tensão. Pelas razões expostas, analise penalmente as condutas praticadas por Bruno e assinale a afirmativa correta. A Deverá ser penalmente responsabilizado por omissão de socorro (Art. 304 do CTB), tendo em vista que o resultado morte foi determinado por culpa exclusiva da vítima. B Ele não praticou crime algum, porque a presença de concausa independente afasta a imputação de homicídio culposo, assim como a violenta emoção afasta a tipicidade do crime de omissão de socorro. C Deverá ser penalmente responsabilizado por homicídio culposo na condução de veículo, com a incidência da causa de aumento de omissão de socorro. D Bruno deverá ser penalmente responsabilizado por homicídio culposo na condução de veículo e omissão de socorro, em concurso material. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. Bruno deverá ser responsabilizado por omissão de socorro, prevista no Art. 304 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Apesar de o acidente não ter sido causado por ele e a morte de André ter ocorrido por culpa exclusiva da vítima (concausa independente, o fio de alta tensão), a lei impõe ao condutor a obrigação de prestar socorro. A omissão de socorro se configura quando o motorista deixa de auxiliar ou chamar ajuda para uma pessoa em situação de perigo em acidente no qual está envolvido. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 78 de 103 B I NC O RRE T A Errada. A presença de concausa independente realmente afasta a imputação de homicídio culposo, mas a violenta emoção não exime Bruno de omissão de socorro, que é uma infração penal autônoma prevista no CTB. C I NC O RRE T A Errada. Como o resultado morte não foi causado por Bruno e sim por uma concausa independente, ele não deve ser responsabilizado por homicídio culposo. D I NC O RRE T A Errada. Não se configura concurso material de homicídio culposo e omissão de socorro, já que a morte foi consequência de uma causa alheia ao acidente. Bruno deverá responder apenas pela omissão de socorro. QUESTÃO 62 C R I M E S C O N T R A A A D M I N I S T R A Ç Ã O P Ú B L I C A Antônio, funcionário público, foi designado como servidor responsável por conduzir a licitação de um Hospital Público que desejava adquirir 100.000 (cem mil) doses de um determinado medicamento. Patrícia, funcionária da sociedade empresária Medicante Ltda., descobre o contato de Antônio e, de seu celular pessoal, manda um áudio no qual se oferece para dividir sua comissão com o funcionário público caso a sua empresa fosse a vencedora. O valor da comissão de Patrícia era de R$50.000,00 (cinquenta mil reais), em caso de vitória na licitação. Antônio, indignado com a proposta de Patrícia, encaminha os fatos aos seus superiores que enviam Notícia de Crime à autoridade policial com atribuição para investigar os fatos. Tomando por base o fato de não ter havido o pagamento do valor oferecido, assinale a opção que indica o crime pelo qual Patrícia poderá ser responsabilizada. A Corrupção passiva tentada, na medida em que o crime é material, sendo necessário o efetivo pagamento da vantagem indevida para o crime ser consumado. B Corrupção passiva consumada, na medida em que o crime é formal, bastando o oferecimento da vantagem ilícita ao servidor público para a sua consumação. C Corrupção ativa tentada, na medida em que o crime é material, sendo necessário o efetivo pagamento da vantagem indevida para o crime ser consumado. D Corrupção ativa consumada, na medida em que o crime é formal, bastando o oferecimento da vantagem ilícita ao servidor público para a sua consumação. GABARITO Letra D E X P L I C A Ç Ã O A questão aborda o crime de corrupção ativa, previsto no art. 333 do Código Penal Brasileiro: "Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar, omitir ou retardar ato de ofício: Pena - reclusão, de 2 a 12 anos, e multa." Art. 333 do CP define a corrupção ativa como um crime formal, consumado com o simples ato de oferecer ou prometer vantagem indevida, independentemente de aceitação ou do recebimento efetivo pelo servidor. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 79 de 103 A I NC O RRE T A Errada. Aplica a tipificação de corrupção passiva (art. 317 CP), mas quem ofereceu a vantagem foi o particular, não o servidor. B I NC O RRE T A Errada. Novamente confunde corrupção ativa e passiva. Não se trata de corrupção passiva porque Antônio recusou a oferta. C I NC O RRE T A Errada. O erro está em exigir o pagamento para a consumação. O crime é formal, bastando o oferecimento. D C O RRE T A Correta. Patrícia ofereceu vantagem indevida ao servidor (Antônio), visando influenciar ato funcional. A consumação independe do pagamento da vantagem. Basta o oferecimento, logo trata-se de corrupção ativa consumada. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 80 de 103 QUESTÃO 63 I N Q U É R IT O P O L I C I A L João, delegado de polícia, deflagrou inquérito policial para apurar um suposto crime de homicídio. Contudo, a autoridade policial não logrou obter qualquer indício quanto à autoria, dando ensejo ao arquivamento do procedimento investigatório. Após alguns meses, João tomou conhecimento de notícias de provas novas sobre o autor do crime doloso contra a vida. Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal e o entendimento dos Tribunais Superiores, é correto afirmar que: A é vedado o desarquivamento do inquérito policial, em razão do princípio do *ne bis in idem*. B é possível o desarquivamento do inquérito policial, desde que haja novas provas; e a deflagração da ação penal pressupõe a existência de notícias de novas provas. C é possível o desarquivamento do inquérito policial independentemente de novas provas, bastando a vontade do Ministério Público. D o arquivamento por falta de indícios de autoria faz coisa julgada material, impedindo qualquer reabertura. e) é possível o desarquivamento do inquérito policial, mas a ação penal só pode ser proposta pelo ofendido, mediante queixa subsidiária. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. O arquivamento do inquérito policial por falta de indícios de autoria não produz coisa julgada material, razão pela qual o princípio do ne bis in idem não se aplica nessa hipótese. O ne bis in idem veda a dupla persecução penal pelo mesmo fato após decisão definitiva de mérito, o que não é o caso do simples arquivamento por insuficiência probatória. Importante ressaltar que, após o Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019) e a decisão do STF no HC 180.705, o arquivamento por falta de provas continua admitindo desarquivamento mediante provas novas. B C O RRE T A Correta. O art. 18 do CPP estabelece que, após o arquivamento do inquérito por falta de base para a denúncia, a autoridade policial pode proceder a novas pesquisas desde que tenha notícia de outras provas. A Súmula 524 do STF complementa: "Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada sem novas provas." Assim, tanto o desarquivamento do inquérito quanto a propositura da ação penal exigem a existência de provas novas. No caso narrado, João tomou conhecimento de notícias de provas novas sobre a autoria, o que autoriza a reabertura das investigações. Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícia. Súm. 524, STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas. D I S C I P L I N A PROCESSO PENAL Q63 – Q68 · 6 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 81 de 103 C I NC O RRE T A Errada. O desarquivamento não está sujeito à mera discricionariedade do Ministério Público. O art. 18 do CPP condiciona expressamente a reabertura à existência de notícia de outras provas. Sem esse requisito objetivo, o inquérito permanece arquivado. D I NC O RRE T A Errada. O arquivamento por insuficiência de provas ou ausência de indícios de autoria não faz coisa julgada material. A coisa julgada material no âmbito do arquivamento ocorre apenas em hipóteses excepcionais, como atipicidade do fato ou extinção da punibilidade, conforme consolidado pela jurisprudência do STF. No caso de falta de indícios de autoria, a decisão é meramente rebus sic stantibus, podendo ser revista diante de provas novas. QUESTÃO 64 R I T O P R O C E S S U A L João, juiz de direito, possui dois processos sujeitos ao procedimento comum. O primeiro tem por objeto um crime cuja sanção máxima cominada é igual a cinco anos de pena privativa de liberdade. O segundo está atrelado a um delito cuja sanção máxima cominada é igual a três anos. Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal sobre o procedimento comum, é correto afirmar que: A a primeira relação processual está sujeita ao procedimento comum sumaríssimo; o segundo, ao procedimento comum ordinário. B a primeira relação processual está sujeita ao procedimento comum sumário; o segundo, ao procedimento comum ordinário. C a primeira relação processual está sujeita ao procedimento comum ordinário; o segundo, ao procedimento comum sumário. D ambos os processos estão sujeitos ao procedimento comum ordinário. e) ambos os processos estão sujeitos ao procedimento comum sumário. GABARITO Letra C E X P L I C A Ç Ã O A questão exige o conhecimento dos critérios de definição do rito procedimental comum (ordinário, sumário e sumaríssimo), estabelecidos no art. 394, §1º, do CPP, cuja divisão se baseia na pena máxima cominada ao delito. Os parâmetros legais são: 1) procedimento ordinário para crimes com pena máxima cominada igual ou superior a 4 anos de privação de liberdade; 2) procedimento sumário para crimes com pena máxima cominada inferior a 4 anos de privação de liberdade (e que não sejam infrações de menor potencial ofensivo); 3) procedimento sumaríssimo para infrações penais de menor potencial ofensivo, ou seja, contravenções penais e crimes com pena máxima não superior a 2 anos (Lei 9.099/95, art. 61). Aplicando ao caso concreto: o primeiro processo refere-se a crime com pena máxima de 5 anos, portanto igual ou superior a 4 anos — rito ordinário. O segundo processo refere-se a crime com pena máxima de 3 anos, portanto inferior a 4 anos, mas superior a 2 anos — rito sumário (não se enquadra no sumaríssimo porque ultrapassa o limite de 2 anos). Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 82 de 103 A I NC O RRE T A Errada. Inverte completamente a lógica legal. O crime com pena máxima de 5 anos jamais seguiria o rito sumaríssimo (reservado a penas de até 2 anos), e o crime com pena de 3 anos não se enquadra no ordinário (que exige pena igual ou superior a 4 anos). B I NC O RRE T A Errada. Também inverte a classificação. O crime com pena de 5 anos segue o rito ordinário (não o sumário), e o crime com pena de 3 anos segue o sumário (não o ordinário). C C O RRE T A Correta. Crime com pena máxima de 5 anos (igual ou superior a 4 anos) segue o rito ordinário. Crime com pena máxima de 3 anos (inferior a 4 anos, mas superior a 2 anos) segue o rito sumário. Aplicação direta e literal do art. 394, §1º, I e II, do CPP. D I NC O RRE T A Errada. O segundo processo (pena máxima de 3 anos) não atinge o patamar de 4 anos exigido para o rito ordinário, devendo seguir o rito sumário. QUESTÃO 65 T R I B U N A L D O J Ú R I Quanto à primeira fase do procedimento dos crimes dolosos contra a vida (Tribunal do Júri), a diferença fundamental em relação ao procedimento comum sumário é: A a possibilidade de absolvição sumária pelo juiz singular, ao final da instrução. B a existência da fase de pronúncia, impronúncia, desclassificação e absolvição sumária, encerrando a competência do juiz singular para a decisão definitiva de mérito. C a vedação à oitiva de testemunhas de defesa na fase de instrução. D a desnecessidade de resposta à acusação por parte do réu. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. Embora a absolvição sumária exista na primeira fase do Júri (art. 415, CPP), ela não é a diferença fundamental, pois o procedimento comum também prevê absolvição sumária (art. 397, CPP). Além disso, a absolvição sumária do rito comum ocorre antes da instrução, enquanto a do Júri ocorre após, mas esse detalhe de momento processual não é o que a alternativa destaca. O erro está em apresentar como diferença fundamental algo que, em essência, existe em ambos os ritos. Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar: I - a existência manifesta de causaexcludente da ilicitude do fato; II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade; III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou IV - extinta a punibilidade do agente. Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando: I – provada a inexistência do fato; II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato; III – o fato não constituir infração penal; IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 83 de 103 B C O RRE T A Correta. Esta é a diferença estrutural e fundamental. No rito do Júri, a primeira fase se encerra com uma das quatro decisões possíveis do juiz singular: pronúncia (art. 413), impronúncia (art. 414), desclassificação (art. 419) ou absolvição sumária (art. 415). Nenhuma dessas decisões — à exceção da absolvição sumária — resolve o mérito de forma definitiva. A pronúncia, em particular, apenas admite a acusação e remete o caso ao julgamento pelo Tribunal do Júri (judicium causae), que é o órgão constitucionalmente competente para o julgamento definitivo dos crimes dolosos contra a vida. No procedimento comum sumário, ao contrário, o próprio juiz singular prolata sentença definitiva de mérito ao final da instrução. Essa limitação da competência do juiz singular para decidir o mérito é o traço distintivo essencial do rito do Júri. C I NC O RRE T A Errada. Não existe qualquer vedação à oitiva de testemunhas de defesa na primeira fase do Júri. Pelo contrário, o art. 406, §§2º e 3º, do CPP assegura à defesa o direito de arrolar testemunhas (até 8). O contraditório e a ampla defesa são plenamente garantidos na fase de instrução do judicium accusationis. D I NC O RRE T A Errada. A resposta à acusação é obrigatória no rito do Júri, conforme art. 406 do CPP. O réu será citado para apresentar resposta no prazo de 10 dias. Trata-se de ato processual essencial à garantia do contraditório e da ampla defesa. Art. 406. O juiz, ao receber a denúncia ou a queixa, ordenará a citação do acusado para responder à acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias. QUESTÃO 66 P R I S Ã O P R E V E N T I V A Em um inquérito policial, o juiz decretou, de ofício, a prisão preventiva de Débora, sem que esta possuísse qualquer antecedente criminal, apontando como fundamento a gravidade em abstrato do crime de homicídio culposo. Não havia sido decretada anteriormente qualquer medida cautelar diversa da prisão. Na qualidade de advogado(a) de Débora, assinale a opção que apresenta, corretamente, a alegação a ser apresentada: A O magistrado pode decretar a prisão preventiva de ofício no inquérito e no processo, mas a gravidade em abstrato do crime não é motivo legítimo para a preventiva. B O magistrado pode decretar a prisão preventiva de ofício no inquérito e no processo; e a gravidade em abstrato do crime é fundamento legítimo para a preventiva, mesmo quando o suspeito for primário. C O magistrado não pode decretar a prisão preventiva de ofício no inquérito policial; e tampouco é cabível a decretação de prisão preventiva em crimes culposos. D O magistrado não pode decretar a prisão preventiva de ofício no inquérito; e a gravidade em abstrato do crime não é fundamento legítimo para a preventiva. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. A primeira parte está errada. Após o Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), o art. 311 do CPP veda expressamente a decretação da prisão preventiva de ofício pelo juiz, tanto na fase de Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 84 de 103 inquérito quanto na fase processual. A prisão preventiva só pode ser decretada a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. A segunda parte (gravidade abstrata não é fundamento legítimo) está correta, conforme jurisprudência consolidada do STF e do STJ, mas não salva a alternativa. Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência) B I NC O RRE T A Errada. Ambas as afirmações estão erradas. Conforme já exposto, o juiz não pode decretar preventiva de ofício, e a gravidade abstrata do delito não constitui fundamento idôneo para a custódia cautelar. A jurisprudência dos Tribunais Superiores é pacífica no sentido de que a prisão preventiva exige fundamentação concreta, não bastando a mera referência à gravidade genérica do tipo penal. C C O RRE T A Correta. A alternativa identifica duas ilegalidades presentes no caso. Primeiro, o juiz não pode decretar prisão preventiva de ofício, conforme art. 311 do CPP (com redação do Pacote Anticrime). Segundo, a prisão preventiva não é cabível em crimes culposos. O art. 313, I, do CPP restringe a preventiva aos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 anos. O homicídio culposo (art. 121, §3º, CP, pena de 1 a 3 anos de detenção) não atende a esse requisito, tanto por ser culposo quanto pela pena máxima cominada. As demais hipóteses do art. 313, II e III, também não se aplicam ao caso narrado. Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva: I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos; II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal ; III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência; §1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a manutenção da medida. §2º Não será admitida a decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação de cumprimento de pena ou como decorrência imediata de investigação criminal ou da apresentação ou recebimento de denúncia. D I NC O RRE T A Errada. Embora ambas as afirmações sejam verdadeiras isoladamente, a alternativa é insuficiente porque deixa de apontar o vício mais relevante e específico do caso: a impossibilidade de prisão preventiva em crime culposo. Na condição de advogado de Débora, a tese mais forte e direta é a do não cabimento da preventiva para crimes culposos (alternativa C), que torna a prisão absolutamente ilegal por ausência de hipótese autorizadora, independentemente de quem a requereu ou de qual fundamento foi invocado. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 85 de 103 QUESTÃO 67 L E I M A R I A D A P E N H A Vitor respondia ação penal pela prática do crime de ameaça (pena: 1 a 6 meses de detenção ou multa) contra sua ex-companheira Luíza, existindo medida protetiva que o proibia de se aproximar dela a menos de 100 metros. Mesmo intimado da medida, Vitor se aproximou de Luíza e tentou manter contato com ela, razão pela qual a vítima procurou seu advogado. Na qualidade de advogado(a) de Luíza, assinale a alternativa correta sobre a conduta de Vitor: A Vitor não praticou crime algum ao se aproximar de Luíza, pois o descumprimento de medida protetiva é mero ilícito civil. B Vitor praticou o crime de descumprimento de medida protetiva de urgência (art. 24-A da Lei 11.340/2006), de ação penal pública incondicionada, sendo a fiança, em caso de flagrante, vedada a qualquer autoridade. C Vitor praticou o crime de descumprimento demedida protetiva de urgência (art. 24-A da Lei 11.340/2006), de ação penal pública incondicionada, mas a fiança pode ser concedida pela autoridade policial em caso de flagrante. D Vitor praticou o crime de descumprimento de medida protetiva de urgência (art. 24-A da Lei 11.340/2006), de ação penal pública incondicionada; e em caso de flagrante, a fiança somente poderá ser concedida pela autoridade judicial. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. Desde a Lei 13.641/2018, o descumprimento de medida protetiva de urgência deferida no âmbito da Lei Maria da Penha constitui crime autônomo, tipificado no art. 24-A, com pena de reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. Não se trata de mero ilícito civil. O legislador entendeu que a criminalização era necessária para conferir maior efetividade às medidas protetivas, cuja violação reiterada comprometia a proteção das vítimas de violência doméstica. Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa. B I NC O RRE T A Errada. A primeira parte está correta: trata-se de crime de ação penal pública incondicionada. Porém, a fiança não é vedada de forma absoluta. O art. 24-A, §2º, da Lei 11.340/2006 apenas restringe a competência para sua concessão, sem proibi-la inteiramente. A vedação total de fiança é reservada constitucionalmente a crimes como racismo, tortura, tráfico e os hediondos (art. 5º, XLII e XLIII, CF), nos quais o descumprimento de medida protetiva não se enquadra. § 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança. C I NC O RRE T A Errada. O art. 24-A, §2º, da Lei 11.340/2006 veda expressamente a concessão de fiança pela autoridade policial. A norma retira do delegado de polícia a competência para arbitrar fiança nesse crime específico, reservando-a exclusivamente à autoridade judicial. Trata-se de opção legislativa voltada a garantir maior proteção à vítima, evitando que o agressor seja rapidamente liberado pela autoridade policial sem uma avaliação judicial sobre o risco à integridade da ofendida. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 86 de 103 D C O RRE T A Correta. A alternativa reúne todos os elementos legais de forma precisa. O art. 24-A tipifica o crime de descumprimento de medida protetiva de urgência. O §1º do mesmo artigo estabelece que a ação penal é pública incondicionada, ou seja, independe de representação da vítima. E o §2º determina que, na hipótese de prisão em flagrante, somente a autoridade judicial poderá conceder fiança. A vedação à concessão de fiança pela autoridade policial é uma peculiaridade desse tipo penal que visa reforçar a proteção da vítima, exigindo que um juiz avalie as circunstâncias antes de eventual soltura do agressor. QUESTÃO 68 I N Q U É R I T O P O L I C I A L João, advogado criminalista, foi chamado por Saulo, que acabara de receber voz de prisão em cumprimento de mandado de prisão preventiva expedido pelo juízo criminal da Comarca de ABC. Ao se dirigir à autoridade policial responsável, João foi informado de que não poderia ter acesso aos autos do flagrante nem ao caderno apuratório, pois não havia apresentado prova de mandato e os autos estavam integralmente submetidos a sigilo. Considerando os direitos da advocacia, assinale a afirmativa correta: A A autoridade policial agiu corretamente: o sigilo dos autos se sobrepõe ao direito do advogado, e o mandato é indispensável em qualquer hipótese para o acesso ao inquérito. B A autoridade policial agiu incorretamente: o advogado tem direito de acesso aos autos do flagrante e do inquérito, ainda que sem mandato, não podendo ser impedido pela simples decretação de sigilo. C A autoridade policial agiu corretamente quanto ao caderno apuratório sigiloso, mas incorretamente quanto ao auto de prisão em flagrante, pois este jamais pode ser submetido a sigilo. D A autoridade policial agiu incorretamente apenas quanto à exigência de mandato, pois o sigilo integral dos autos é legítimo e impede o acesso mesmo do advogado constituído. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. Ambas as afirmações contrariam o direito vigente. A Súmula Vinculante 14 do STF assegura ao advogado o direito de acesso amplo aos elementos de prova já documentados em procedimento investigatório, inclusive os sujeitos a sigilo. O sigilo não é oponível ao advogado no tocante às diligências já concluídas e documentadas nos autos. Quanto ao mandato, o art. 7º, §10, do Estatuto da OAB (Lei 8.906/94) dispõe que, nos autos sujeitos a sigilo, o advogado deve apresentar procuração para ter acesso. Porém, no auto de prisão em flagrante, o acesso independe de procuração, conforme o mesmo Estatuto e a jurisprudência consolidada. Súm. Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa. B C O RRE T A Correta. A Súmula Vinculante 14 do STF estabelece que é direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 87 de 103 respeito ao exercício do direito de defesa. O art. 7º, XIV, do Estatuto da OAB garante ao advogado o direito de examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, autos de flagrante e de investigações de qualquer natureza, mesmo sem procuração. A decretação de sigilo não pode ser utilizada para obstar integralmente o acesso do advogado — o sigilo protege as informações perante terceiros e a opinião pública, mas não impede o exercício do direito de defesa pelo advogado, que também fica vinculado ao dever de sigilo. No caso narrado, a autoridade policial errou duplamente: ao exigir mandato para acesso ao auto de prisão e ao utilizar o sigilo como fundamento para negar integralmente o acesso. C I NC O RRE T A Errada. A primeira parte está errada porque, conforme já demonstrado, o sigilo não impede o acesso do advogado aos elementos já documentados no inquérito. A segunda parte também contém imprecisão: embora o auto de prisão em flagrante deva ser acessível ao advogado, não é tecnicamente correto afirmar que ele "jamais" possa ser submetido a sigilo — o sigilo pode existir, mas não obsta o acesso do defensor. D I NC O RRE T A Errada. O sigilo integral dos autos não impede o acesso do advogado. A Súmula Vinculante 14 é categórica ao garantir esse direito. Admitir que o sigilo pudesse bloquear totalmente o acesso do defensor significaria esvaziar o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, tornando letra morta a garantia prevista no art. 5º, LXIII e LV, da CF. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 88 de 103 QUESTÃO 69 P R E S T A Ç Õ E S P R E V I D E N C I Á R I A S O Regime Geral de Previdência Social compreende prestações, que podem ser devidas tanto ao segurado, quanto ao seu dependente, inclusive em razão de eventos decorrentes de acidente do trabalho, expressas em benefícios e serviços. Assinale a opção que, corretamente, apresenta uma prestação que pode ser direito do dependente do segurado. A Salário-maternidade. B Auxílio-reclusão. C Salário-família. D Auxílio-acidente. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. O salário-maternidade é benefício devido ao segurado (art. 18, I, "g", da Lei 8.213/91). É pago diretamente à segurada gestante, adotante ou, em casos específicos, ao segurado que adota. Não se trata de prestação devida a dependente. Art. 18. O Regime Geral de Previdência Social compreende as seguintes prestações, devidas inclusive em razão de eventos decorrentes de acidente do trabalho, expressas em benefíciose serviços: I - quanto ao segurado: a) aposentadoria por invalidez; b) aposentadoria por idade; c) aposentadoria por tempo de contribuição; (Redação dada pela Lei Complementar nº 123, de 2006) d) aposentadoria especial; e) auxílio-doença; f) salário-família; g) salário-maternidade; h) auxílio-acidente; B C O RRE T A Correta. O auxílio-reclusão é prestação devida aos dependentes do segurado de baixa renda que esteja recolhido à prisão em regime fechado (art. 18, II, "b", e art. 80 da Lei 8.213/91, com a redação dada pela Lei nº 13.846/2019 (conversão da MP 871/2019)). É um dos dois benefícios previdenciários pagos aos dependentes — o outro é a pensão por morte. O fundamento é a proteção da família que perde a fonte de sustento em razão do encarceramento do segurado. D I S C I P L I N A DIREITO PREVIDENCIÁRIO Q69 – Q70 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 89 de 103 II - quanto ao dependente: a) pensão por morte; b) auxílio-reclusão; C I NC O RRE T A Errada. O salário-família é benefício devido ao segurado de baixa renda (art. 18, I, "f", da Lei 8.213/91). Embora tenha como pressuposto a existência de filhos menores de 14 anos ou inválidos, o titular do benefício é o próprio segurado empregado ou trabalhador avulso, e não o dependente. D I NC O RRE T A Errada. O auxílio-acidente é benefício devido ao segurado (art. 18, I, "h", da Lei 8.213/91). Trata-se de indenização paga ao próprio segurado que, após a consolidação das lesões decorrentes de acidente de qualquer natureza, apresenta sequela que implique redução da capacidade para o trabalho. Não é prestação devida a dependente. QUESTÃO 70 P R I N C Í P I O S C O N S T I T U C I O N A I S Princípios são proposições diretoras, que orientam e cristalizam valores fundamentais no âmbito jurídico e social. Considerando esse conceito, assinale a opção que corresponde a um dos princípios basilares da Seguridade Social no Brasil. A Exclusividade da base de financiamento. B Caráter centralizado da gestão administrativa. C Equidade na forma de participação no custeio. D Redutibilidade do valor dos benefícios em casos radicais. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. O princípio constitucional é exatamente o oposto: diversidade da base de financiamento (art. 194, parágrafo único, VI, CF). A Seguridade Social é financiada por toda a sociedade, mediante recursos provenientes de múltiplas fontes — União, Estados, Municípios, empregadores, trabalhadores e receitas de concursos de prognósticos. A ideia de "exclusividade" contraria frontalmente esse modelo de financiamento plural. Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: I - universalidade da cobertura e do atendimento; II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais; III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços; Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 90 de 103 IV - irredutibilidade do valor dos benefícios; V - eqüidade na forma de participação no custeio; VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistência social, preservado o caráter contributivo da previdência social; VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos colegiados. B I NC O RRE T A Errada. O princípio previsto na Constituição é o caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com participação de trabalhadores, empregadores, aposentados e governo (art. 194, parágrafo único, VII, CF). A alternativa inverte o conteúdo ao falar em gestão "centralizada". C C O RRE T A Correta. Trata-se de um dos objetivos expressos da Seguridade Social, previsto no art. 194, parágrafo único, V, da CF. Esse princípio determina que a contribuição para o custeio da Seguridade Social deve ser proporcional à capacidade contributiva de cada participante, assegurando justiça e isonomia material. Quem tem maior capacidade econômica contribui com mais; quem tem menos, contribui proporcionalmente menos. D I NC O RRE T A Errada. O princípio constitucional é o da irredutibilidade do valor dos benefícios (art. 194, parágrafo único, IV, CF). A Constituição veda a redução do valor dos benefícios, garantindo a preservação do seu poder aquisitivo. Não existe exceção para "casos radicais" — a irredutibilidade é norma absoluta dentro do sistema da Seguridade Social. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 91 de 103 QUESTÃO 71 T E L E T R A B A L H O Após completar dezoito anos, José, maior e capaz, está à procura de emprego no mercado formal, atribuindo-se preferência a oportunidades vinculadas ao regime de teletrabalho ou trabalho remoto. Nesse cenário, considerando as disposições da Consolidação das Leis do Trabalho, é correto afirmar que A o comparecimento, ainda que de modo habitual, às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento descaracteriza o regime de teletrabalho ou trabalho remoto. B a prestação de serviços na modalidade de teletrabalho constará, facultativamente, do instrumento de contrato individual de trabalho. C o empregado submetido ao regime de teletrabalho ou trabalho remoto poderá prestar serviços por jornada ou por produção ou tarefa. D é vedada a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para estagiários e aprendizes. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. O art. 75-B, §1º, da CLT dispõe expressamente o contrário: o comparecimento, ainda que de modo habitual, às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado não descaracteriza o regime de teletrabalho. A lei foi clara ao flexibilizar o modelo híbrido, reconhecendo que a ida eventual ou mesmo habitual à empresa para tarefas pontuais não afasta a natureza de trabalho remoto. Art. 75-B. § 1º O comparecimento, ainda que de modo habitual, às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento não descaracteriza o regime de teletrabalho ou trabalho remoto. B I NC O RRE T A Errada. O art. 75-C da CLT determina que a prestação de serviços na modalidade de teletrabalho deverá constar expressamente do contrato individual de trabalho. Trata-se de requisito obrigatório, não facultativo. A exigência visa dar segurança jurídica às partes quanto ao regime adotado e às condições pactuadas. Art. 75-C. A prestação de serviços na modalidade de teletrabalho deverá constar expressamente do instrumento de contrato individual de trabalho. D I S C I P L I N A DIREITO DO TRABALHO Q71 – Q75 · 5 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 92 de 103 C C O RRE T A Correta. O art. 75-B, §2º, da CLT prevê expressamente que o empregado em regime de teletrabalho poderá prestar serviços por jornada ou por produção ou tarefa. Essa distinção é relevante porque, nos termos do art. 62, III, da CLT, apenas os empregados em teletrabalho que prestam serviço por produção ou tarefa estão excluídos do controle de jornada. Os que trabalham por jornada permanecem sujeitos ao regime normal de duração do trabalho, com direito a horas extras se ultrapassada a jornada contratual. Art. 75-B. § 2º O empregado submetido ao regime de teletrabalhoou trabalho remoto poderá prestar serviços por jornada ou por produção ou tarefa. (Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022) D I NC O RRE T A Errada. O art. 75-B, §6º, da CLT permite expressamente a adoção do regime de teletrabalho para estagiários e aprendizes. A lei ampliou as possibilidades do trabalho remoto, não havendo vedação quanto a essas categorias. Art. 75-B. § 6º Fica permitida a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para estagiários e aprendizes. QUESTÃO 72 A D I C I O N A I S Gerson trabalha numa sociedade empresária como empregado desde 2023, recebendo 1 salário mínimo por mês. No seu ambiente de trabalho, existe um agente insalubre de grau máximo. Além disso, a atividade de Gerson, que manipula explosivos, tem risco acentuado de morte. De acordo com a norma de regência, Gerson deverá receber, em razão das condições ambientais desfavoráveis: A o adicional de insalubridade em grau máximo, por ser mais benéfico; B o adicional de penosidade; C o adicional ed insalubridade de grau máximo e de periculosidade; D o adicional de periculosidade, por ser o mais benéfico. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. Gerson está exposto a dois agentes insalubres (grau mínimo e máximo), mas recebe somente o adicional de maior grau (grau máximo), não sendo possível receber mais de um adicional de insalubridade. Não se admite também o recebimento cumulativo com a periculosidade, devendo optar pelo mais vantajoso (art. 193, §2º, CLT). Art. 193, § 2º - O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja devido. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 93 de 103 B I NC O RRE T A Errada. Não há possibilidade de somar dois adicionais de insalubridade nem acumular com periculosidade (vedação legal e jurisprudencial). C I NC O RRE T A Errada. É vedada a cumulação de insalubridade e periculosidade. D I NC O RRE T A Errada. Não há obrigatoriedade de optar apenas por periculosidade; pode optar pelo mais benéfico, que é o grau máximo de insalubridade. QUESTÃO 73 J U S T A C A U S A Uma sociedade empresária com grande share (participação em vendas), na área de material de construção, verificou que um dos seus empregados, o João, utilizou suas redes sociais, com milhares de seguidores, para criticar a qualidade dos materiais vendidos na empresa, recomendando que os clientes não mais comprassem no local. Chegou a insinuar, inclusive, que havia materiais falsificados. Com base nestas alegações, assinale a opção correta: A João cometeu ato de indisciplina ou de insubordinação. B João cometeu desídia no desempenho de suas funções. C João cometeu incontinência pública. D João cometeu ato lesivo à honra ou da boa fama, de violação do direito de imagem. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. A indisciplina consiste no descumprimento de ordens gerais de serviço (regulamentos, circulares, normas internas), enquanto a insubordinação é o descumprimento de ordem pessoal e direta do superior hierárquico (art. 482, "h", CLT). A conduta de João não envolve descumprimento de ordens, mas sim uma ação ativa de denegrir a imagem da empresa publicamente. São categorias distintas de falta grave. Art. 482 - Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador: a) ato de improbidade; b) incontinência de conduta ou mau procedimento; c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador, e quando constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou for prejudicial ao serviço; d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão da execução da pena; e) desídia no desempenho das respectivas funções; f) embriaguez habitual ou em serviço; g) violação de segredo da empresa; Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 94 de 103 h) ato de indisciplina ou de insubordinação; i) abandono de emprego; j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem; l) prática constante de jogos de azar. m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em decorrência de conduta dolosa do empregado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) B I NC O RRE T A Errada. A desídia (art. 482, "e", CLT) caracteriza-se pela negligência, preguiça, desleixo ou falta de zelo no cumprimento das obrigações laborais. Manifesta-se tipicamente por atrasos reiterados, faltas injustificadas, produtividade baixa por descaso ou má execução habitual das tarefas. A conduta de João não tem qualquer relação com negligência funcional — pelo contrário, foi uma ação deliberada e intencional de prejudicar a reputação da empregadora. C I NC O RRE T A Errada. A incontinência de conduta (art. 482, "b", CLT) refere-se a comportamentos incompatíveis com a moral sexual, como atos obscenos, assédio sexual ou condutas libidinosas no ambiente de trabalho. A conduta de João não tem qualquer conotação dessa natureza. D C O RRE T A Correta. A conduta de João se enquadra no art. 482, "k", da CLT, que prevê como justa causa o ato lesivo da honra ou da boa fama praticado contra o empregador ou superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa. Ao utilizar suas redes sociais com milhares de seguidores para criticar a qualidade dos produtos, recomendar que clientes não comprem no estabelecimento e insinuar a existência de materiais falsificados, João atingiu diretamente a honra, a boa fama e o direito de imagem da empresa. Trata-se de conduta que extrapola o direito à liberdade de expressão, configurando abuso que justifica a resolução contratual por justa causa. QUESTÃO 74 L I C E N Ç A M A T E R N I D A D E Ana Paula é empregada doméstica numa residência localizada em Alhandra/PB e engravidou. De acordo com as normas de regência, assinale a opção que traz o tempo que Ana Paula terá de afastamento para usufruir sua licença maternidade e por quanto tempo ela terá garantia de provisória no emprego ao retornar. A Haverá direito à licença maternidade de 90 dias e igual prazo de garantia no emprego, contados do parto. B Por ser empregada doméstica, Ana Paula terá licença maternidade de 120 dias mas não terá garantia no emprego. C A licença maternidade é de 150 dias, e a garantia no emprego deverá ser objeto de negociação entre empregada e empregador. D 120 dias de licença maternidade e garantia no emprego até 5 meses após o parto. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 95 de 103 GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. A licença-maternidade não é de 90 dias. O prazo constitucional, aplicável também à empregada doméstica, é de 120 dias (art. 7º, XVIII, CF, estendido à categoria doméstica pelo parágrafo único do mesmo artigo e pelo art. 25, I, da LC 150/2015). Além disso, a estabilidade não é de 90 dias contados do parto, mas se estende desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias; Art. 25. A empregada doméstica gestante tem direito a licença-maternidade de 120 (cento e vinte) dias, sem prejuízo do emprego e do salário, nos termos da Seção V do Capítulo III do Título III da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943. B I NC O RRE T A Errada. A LC 150/2015 assegurou expressamente à empregada doméstica gestante a estabilidade provisória no emprego. A LC 150/2015 garante a vedação da dispensa arbitrária ou sem justa causaque Antônio mencione seu e-mail e telefone na mencionada página, assim como o nome do escritório onde trabalha. C Antônio não poderá fornecer, nas matérias que publica, seus meios de contato, tais como endereço e telefone, mas é permitida a referência a e-mail. D Não é vedado que Antônio, ao comentar a atuação de colegas advogados em tais feitos, cite casos emblemáticos para a explicação de tais normas e conceitos. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. O Código de Ética e Disciplina da OAB veda a resposta a consultas jurídicas com habitualidade em meios de comunicação como forma de promoção pessoal. O art. 40, V, do CED/ OAB proíbe que o advogado responda com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica em meios de comunicação social. A produção de conteúdo informativo e educativo é permitida, mas a prestação habitual de consultoria jurídica individualizada em plataformas públicas, com finalidade de captação de clientela ou promoção pessoal, extrapola os limites da publicidade informativa e configura infração ética. B I NC O RRE T A Errada. É permitido fornecer esses dados de contato, desde que isso não configure captação indevida de clientela, conforme previsto no art. 40, inciso V, do Código de Ética e Disciplina da OAB. O erro da alternativa está no uso da palavra “vedado”, que transmite a ideia equivocada de proibição absoluta. C C O RRE T A Correta. O Código de Ética e Disciplina da OAB, em seu art. 40, V, ao tratar da participação do advogado em colunas, artigos e comentários em meios de comunicação, estabelece restrições quanto à divulgação de dados de contato direto como endereço e telefone, que caracterizariam captação de clientela. Contudo, a referência ao e-mail é permitida por ser meio de contato mais discreto e compatível com a natureza informativa da publicação. Essa distinção reflete o equilíbrio que o Código busca entre o direito do advogado de se tornar conhecido por seus trabalhos e a vedação à mercantilização da profissão. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 8 de 103 Art. 40. Os meios utilizados para a publicidade profissional hão de ser compatíveis com a diretriz estabelecida no artigo anterior, sendo vedados: V – o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos literários, culturais, acadêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando de eventual participação em programas de rádio ou televisão, ou em veiculação de matérias pela internet, sendo permitida a referência a e-mail; ATENÇÃO!! O ponto central para a prova é que a regra do Código de Ética foi relativizada pelo Provimento nº 205/2021 do Conselho Federal da OAB. Esse Provimento não revoga o Código, mas o regulamenta, passando a autorizar a divulgação de endereço, telefone e e-mail, desde que de forma discreta e informativa. Assim, o art. 40, V, do Código de Ética permanece vigente como regra geral de moderação, enquanto o Provimento 205/2021 esclarece e atualiza o conceito de publicidade discreta nos meios digitais, permitindo essa divulgação. Ambos atuam de forma complementar. Sendo assim, é importante ficar atento ao enunciado da questão. D I NC O RRE T A Errada. É expressamente proibido comentar casos concretos ou a conduta de outros profissionais com a finalidade de divulgação pública, conforme estabelece o art. 42, inciso II, do Código de Ética e Disciplina da OAB. Assim, o equívoco da alternativa encontra-se logo no início, ao afirmar que “não é vedado”. Art. 42. É vedado ao advogado: II – debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado. QUESTÃO 06 A T I V I D A D E S D A A D V O C A C I A O advogado Edson foi contratado para prestar a um cliente assessoria jurídica quanto a uma questão imobiliária. Considerando o caso hipotético, assinale a afirmativa correta. A Edson pode prestar a assessoria de modo verbal. Também não é necessária a outorga de mandato ou formalização por contrato de honorários. B Edson deve prestar a assessoria de modo escrito. Faz-se necessária a outorga de mandato, mesmo que não haja formalização por contrato de honorários. C Edson pode prestar a assessoria de modo verbal. É necessária a outorga de mandato, mesmo que não haja formalização por contrato de honorários. D Edson deve prestar a assessoria de modo escrito, mas não é necessária a outorga de mandato ou formalização por contrato de honorários. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. A assessoria jurídica pode ser prestada de modo verbal, e independe de outorga de mandato ou formalização por contrato de honorários. Art. 5º. EAOAB. O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 9 de 103 §4º As atividades de consultoria e assessoria jurídicas podem ser exercidas de modo verbal ou por escrito, a critério do advogado e do cliente, e independem de outorga de mandato ou de formalização por contrato de honorários. B I NC O RRE T A Errada. As atividades de consultoria e assessoria jurídicas podem ser feitas de forma verbal, independentemente da outorga de mandato. C I NC O RRE T A Errada. Não é necessário a outorga de mandato. D I NC O RRE T A Errada. A assessoria jurídica pode ser exercida de forma verbal. QUESTÃO 07 A T I V I D A D E S D A A D V O C A C I A Teresa, advogada contratada por Carina para representar seus interesses em ação judicial, decide renunciar ao mandato. Em 16/02/2023, Teresa redige notificação de renúncia e a envia por meio de correspondência com aviso de recebimento a Carina, que a recebe em 28/02/2023. No dia seguinte, Carina ajusta com a advogada Fernanda que ela passará a representar seus interesses na ação judicial a partir de então, mas ainda não assina nova procuração. Considerando esse cenário, sobre o cumprimento de prazo processual com vencimento no dia 02/03/2023, assinale a afirmativa correta. A Teresa deve cumprir o prazo porque continuará obrigada, durante os dez dias seguintes à notificação de renúncia, a representar Carina, mesmo que tenha sido substituída antes do término desse prazo. B Teresa estará desobrigada do cumprimento do prazo, porque Carina foi notificada da renúncia ao mandato em data anterior ao seu vencimento. C Fernanda não poderá cumprir o prazo, já que somente poderá postular em juízo fazendo prova do mandato. D Fernanda poderá cumprir o prazo, já que, afirmando urgência, poderá atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. O advogado que, ao renunciar o mandato, for substituído antes do término do prazo de dez dias, não continuará obrigado a representar o mandante. Art. 5º. §3º, EAOAB. O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os dez dias seguintes à notificação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse prazo. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 10 de 103 B I NC O RRE T A Errada. Como Carina ajustou com Fernanda, mas esta ainda não se habilitou nos autos com a devida procuração, Teresa continua responsável. C I NC O RRE T A Errada. Tratando-se de situação de urgência, poderá o advogado atuar nos autos sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período. D C O RRE T A Correta. Havendo urgência, o advogado pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de 15 dias, prorrogável por igual período. Assim, considerando que Carina contratou nova advogada no dia 29/02 e o prazo processual seria dia 02/03, torna-se urgente a atuação da nova advogada, ainda que sem procuração. Art. 5º. §1º, EAOAB. O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período. QUESTÃO 08 S O C I E D A D E D E A D V O G A D O S O advogado Jeffersondesde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto. Afirmar que a doméstica não tem garantia no emprego contraria frontalmente a legislação vigente. C I NC O RRE T A Errada. O prazo de licença-maternidade é de 120 dias, não 150. Além disso, a estabilidade gestante é norma de ordem pública, de caráter cogente, que não se submete à negociação entre as partes. Trata-se de direito irrenunciável, cuja fonte é constitucional e legal. D C O RRE T A Correta. A empregada doméstica tem direito a 120 dias de licença-maternidade (art. 7º, XVIII, CF c/c art. 25, I, LC 150/2015) e estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto (art. 25, II, LC 150/2015, reproduzindo a garantia do art. 10, II, "b", do ADCT). A LC 150/2015 foi o marco legislativo que consolidou esses direitos para a categoria doméstica, equiparando-a, nesse aspecto, aos demais empregados urbanos e rurais. QUESTÃO 75 I N T E R R U P Ç Ã O D O C O N T R A T O D E T R A B A L H O A suspensão contratual se diferencia da interrupção porque nesta o empregador deve pagar o salário do período correspondente, ao passo que naquela, não. De acordo com a CLT, assinale a opção que indica um caso que envolve interrupção e seu respectivo prazo, contanto que devidamente comprovado. A Nos dias em que o empregado estiver realizando provas de concurso público. B Até dois dias úteis em virtude de casamento. C Um dia por ano para acompanhar filho de até dez anos de idade em consulta médica. D Até três dias, em cada doze meses de trabalho, para realizar exames preventivos de câncer. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 96 de 103 GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. Não existe previsão no art. 473 da CLT que assegure ausência justificada para realização de provas de concurso público. Trata-se de hipótese inexistente no rol legal de faltas justificadas. O empregado que precisar se ausentar para esse fim dependerá de acordo com o empregador ou de norma coletiva que preveja tal possibilidade. B I NC O RRE T A Errada. O art. 473, II, da CLT prevê ausência justificada de até 3 dias consecutivos em virtude de casamento, e não 2 dias úteis. A alternativa erra tanto no número de dias quanto no critério (úteis em vez de consecutivos). Art. 473 - O empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário: II - até 3 (três) dias consecutivos, em virtude de casamento; C I NC O RRE T A Errada. O art. 473, XI, da CLT prevê ausência justificada de 1 dia por ano para acompanhar filho de até 6 anos em consulta médica, e não até 10 anos. A alternativa altera a faixa etária prevista na lei. XI - por 1 (um) dia por ano para acompanhar filho de até 6 (seis) anos em consulta médica. D C O RRE T A Correta. O art. 473, XII, da CLT (incluído pela Lei 13.767/2018) prevê expressamente que o empregado poderá deixar de comparecer ao serviço, sem prejuízo do salário, por até 3 dias, em cada 12 meses de trabalho, em caso de realização de exames preventivos de câncer, devidamente comprovada. A alternativa reproduz fielmente a hipótese legal, tanto no prazo quanto na condição de comprovação. XII - até 3 (três) dias, em cada 12 (doze) meses de trabalho, em caso de realização de exames preventivos de câncer devidamente comprovada. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 97 de 103 QUESTÃO 76 R E C U R S O S Após o trânsito em julgado da sentença condenatória proferida na reclamação trabalhista movida por João da Silva em face do Município de Vitória, iniciou-se a fase de liquidação. Nessa etapa, o juízo proferiu decisão fixando o valor devido, após analisar e rejeitar as impugnações apresentadas pelas partes. Inconformado com o montante apurado, o procurador do Município pretende interpor o recurso cabível, embora não haja qualquer obscuridade, omissão, contradição ou erro material na decisão. Diante desse cenário, o recurso adequado a ser interposto é: A Apelação B Agravo de petição C Recurso ordinário D Agravo de instrumento GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. A apelação é o recurso cabível no processo civil comum, conforme o CPC, sendo utilizada para impugnar sentenças em geral. No processo do trabalho, o recurso cabível contra sentença proferida pelo juiz da Vara do Trabalho é o recurso ordinário, nos termos do art. 895, inciso I, da CLT. Art. 895 - Cabe recurso ordinário para a instância superior: I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 (oito) dias;. II - das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência originária, no prazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos. B C O RRE T A Correta. O agravo de petição é o recurso adequado para impugnar decisões proferidas na fase de execução, incluindo a liquidação de sentença, quando há definição de valores. Está previsto no art. 897, alínea “a”, da CLT. No caso, como a decisão fixou o valor devido e resolveu as impugnações, trata-se de decisão típica da execução, sendo este o recurso cabível. Portanto, tratando-se de decisão na fase de execução, o recurso cabível será o agravo de petição. Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: (Redação dada pela Lei nº 8.432, de 1992) a) de petição, das decisões do Juiz ou Presidente, nas execuções; D I S C I P L I N A PROCESSO DO TRABALHO Q76 – Q80 · 5 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 98 de 103 C I NC O RRE T A Errada. O recurso ordinário é cabível contra sentenças proferidas na fase de conhecimento (art. 895 da CLT). Como a decisão foi proferida na fase de liquidação (execução), o recurso cabível será o agravo de petição. D I NC O RRE T A Errada. O agravo de instrumento é utilizado para destrancar recursos quando o juízo a quo nega seguimento ao recurso destinado ao juízo ad quem de acordo com o art. 897, alínea “b”, da CLT. Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: (Redação dada pela Lei nº 8.432, de 1992) b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos. QUESTÃO 77 R E C U R S O S De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, é correto afirmar que o prazo para interposição de recurso ordinário contra decisões definitivas ou terminativas proferidas pelo Juiz da Vara do Trabalho é de: A 05 (cinco) dias. B 07 (sete) dias. C 15 (quinze) dias. D 08 (oito) dias. GABARITO Letra D E X P L I C A Ç Ã O Atenção: é muito comum confundir os prazos do processo do trabalho com os prazos do processo civil, por isso é importante não cometer esse erro. No processo do trabalho, a regra geral é que os prazos recursais sejam de 8 dias. Existem, contudo, algumas exceções relevantes: os embargos de declaração possuem prazo de 5 dias, enquanto o recurso extraordinário deve ser interposto no prazo de 15 dias. Todos os demais recursos seguem a regra geral dos 8 dias, como é o caso do recurso ordinário, recurso de revista, embargos ao TST, agravo de instrumento, agravo interno e agravo de petição. A I NC O RRE T A Errada. Cinco dias é o prazo dos embargos de declaração no processo do trabalho (art. 897-A, CLT), e não do recurso ordinário. B I NC O RRE T A Errada. Não há previsão, na CLT, de prazo recursal trabalhista de 7 dias. A alternativa é apenas um distrator, sem correspondência com nenhum recurso do processo do trabalho. C I NC O RRE T A Errada. Quinze dias é o prazo do recurso extraordinário interposto em processo trabalhista (aplicação subsidiária da Lei nº 8.038/90 e do CPC), e não do recurso ordinário. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 99 de 103 D C O RRE T A Correta. O prazo para interposição de recurso ordinário contra decisões definitivas ou terminativas do Juiz da Vara do Trabalho é de 8 (oito) dias, nos termos do art. 895, I, da CLT. É o prazo-regra da generalidade dos recursos trabalhistas — exceção feita aos embargos de declaração (5 dias)e ao recurso extraordinário (15 dias). QUESTÃO 78 P R O C E D I M E N T O S Em uma reclamação trabalhista proposta por Maria Souza, que tramita pelo procedimento sumaríssimo perante determinada Vara do Trabalho, as partes se preparam para a audiência de instrução e julgamento. Paralelamente, em outra Vara do Trabalho, João Pereira responde a um inquérito para apuração de falta grave ajuizado por seu empregador. Considerando as regras previstas na CLT, especialmente quanto à produção de prova testemunhal, assinale a alternativa que indica corretamente o número máximo de testemunhas que cada parte poderá arrolar no procedimento sumaríssimo e no inquérito para apuração de falta grave, respectivamente: A duas e três testemunhas. B três e seis testemunhas. C duas e seis testemunhas. D três e duas testemunhas. GABARITO Letra C E X P L I C A Ç Ã O Tratando-se da quantidade de testemunhas, é fundamental ter atenção, pois esse é um tema muito cobrado na prova da OAB. No processo do trabalho, a regra varia conforme o procedimento: Procedimento Sumaríssimo: 2 testemunhas para cada parte (art. 852-H, § 2º, da CLT). Procedimento Ordinário: 3 testemunhas para cada parte (art. 821 da CLT). Ação de Inquérito Judicial para Apuração de Falta Grave: 6 testemunhas para cada parte (art. 821 da CLT). A I NC O RRE T A Errada. Duas testemunhas é, de fato, o número correto para o procedimento sumaríssimo (art. 852-H, §2º, CLT), mas três não é o número correto para o inquérito de apuração de falta grave — nesse rito aplicam-se as regras do procedimento ordinário quanto à prova testemunhal, que admite até seis testemunhas (art. 821, CLT). B I NC O RRE T A Errada. Três testemunhas é o número do procedimento ordinário (art. 821, CLT), não do sumaríssimo, que se limita a duas (art. 852-H, §2º, CLT). Além disso, o número aplicável ao inquérito para apuração de falta grave é seis, e não três. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 100 de 103 C C O RRE T A Correta. No procedimento sumaríssimo, cada parte pode arrolar até 2 (duas) testemunhas (art. 852-H, §2º, CLT). No inquérito judicial para apuração de falta grave, aplicam-se as regras do procedimento ordinário quanto à prova testemunhal, admitindo-se até 6 (seis) testemunhas para cada parte (art. 821, CLT). D I NC O RRE T A Errada. Três testemunhas corresponde ao procedimento ordinário, não ao sumaríssimo (que admite apenas duas); e duas testemunhas não é o número aplicável ao inquérito de apuração de falta grave (que admite seis). QUESTÃO 79 P R O C E D I M E N T O S Carlos Henrique foi contratado pela empresa terceirizada Delta Serviços Ltda. e, durante todo o pacto laboral, prestou serviços em favor do Município de Belo Horizonte. Após ser dispensado sem justa causa e não receber as verbas rescisórias, Carlos decide ajuizar reclamação trabalhista, atribuindo à causa o valor de R$ 20.000,00. Considerando as disposições da CLT acerca dos procedimentos, assinale a alternativa correta quanto ao rito aplicável: A Sumaríssimo. B Ordinário. C Sumário. D Inquérito para apuração de falta grave. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. À primeira vista, o sumaríssimo seria aplicável, pois o valor da causa (R$ 20.000,00) está na faixa de mais de 2 e até 40 salários-mínimos (art. 852-A, caput, CLT). Mas há exceção expressa: o rito sumaríssimo não se aplica às demandas em que figure como parte a Administração Pública direta, autárquica ou fundacional (art. 852-A, parágrafo único, CLT). Como o Município de Belo Horizonte integra a lide, ainda que como tomador de serviços terceirizados, o sumaríssimo é afastado. B C O RRE T A Correta. Embora o valor da causa estivesse, em regra, na faixa do procedimento sumaríssimo, a presença do Município de Belo Horizonte no polo passivo afasta esse rito por força da exceção do art. 852-A, parágrafo único, CLT. Afastado o sumaríssimo, a demanda segue o procedimento ordinário, já que seu valor supera o teto do procedimento sumário. Art. 852-A, parágrafo único. Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em que é parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 101 de 103 C I NC O RRE T A Errada. O procedimento sumário aplica-se apenas a causas de valor não superior a 2 salários- mínimos (Lei nº 5.584/70) — patamar muito inferior ao valor atribuído à causa (R$ 20.000,00). D I NC O RRE T A Errada. O inquérito para apuração de falta grave é procedimento específico voltado à apuração de falta grave de empregado estável (art. 853, CLT), sem relação com reclamação trabalhista por verbas rescisórias. QUESTÃO 80 R E C U R S O S Em uma reclamação trabalhista ajuizada por Lucas Martins em face da empresa Alfa Serviços Ltda., foi instaurado incidente de desconsideração da personalidade jurídica ainda na fase de conhecimento. O juiz proferiu decisão interlocutória acolhendo o incidente, incluindo o sócio no polo passivo da demanda. Diante dessa situação, a parte ré pretende impugnar a decisão. Com base na CLT, assinale a alternativa CORRETA: A Cabe agravo de instrumento, por aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. B Cabe recurso ordinário imediato contra a decisão interlocutória. C A decisão não é recorrível de imediato, devendo ser arguida em preliminar de recurso ordinário. D Cabe agravo de petição, por se tratar de decisão interlocutória. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. O agravo de instrumento serve para destrancar recurso ao qual foi negado seguimento (art. 897, "b", CLT) — não é o recurso cabível contra a decisão que acolhe o incidente de desconsideração da personalidade jurídica na fase de conhecimento. B I NC O RRE T A Errada. O recurso ordinário é cabível contra decisões definitivas ou terminativas (art. 895, CLT), isto é, contra a sentença que julga o mérito. A decisão interlocutória que acolhe o incidente de desconsideração na fase de conhecimento não põe fim ao processo, não comportando recurso ordinário imediato. C C O RRE T A Correta. Quando o incidente de desconsideração da personalidade jurídica é acolhido ou rejeitado na fase de conhecimento, a decisão interlocutória não é recorrível de imediato — a matéria deve ser arguida em preliminar de recurso ordinário, por ocasião da impugnação da sentença final (art. 855-A, §1º, I, CLT). Regra diferente se aplica se o incidente for resolvido na fase de execução (agravo de petição, art. 855-A, §1º, II) ou instaurado originariamente no tribunal (agravo interno, art. 855-A, §1º, III). Art. 855-A. § 1º Da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o incidente: Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 102 de 103 I - na fase de cognição, não cabe recurso de imediato; II - na fase de execução, cabe agravo de petição, independentemente de garantia do juízo; III - cabe agravo interno, se decidido pelo relator, em incidente instaurado originariamente no tribunal. D I NC O RRE T A Errada. O agravo de petição é cabível contra decisões proferidas na fase de execução (art. 855-A, §1º, II, CLT); como o incidente foi acolhido ainda na fase de conhecimento, esse recurso não é cabível nesse momento. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 103 de 103 Nocaute Gabarito Oficial ÉTICA PROFISSIONAL FILOSOFIA CONSTITUCIONAL DIREITOS HUMANOS DIREITO ELEITORAL DIREITO INTERNACIONAL DIREITO FINANCEIRO DIREITO TRIBUTÁRIO DIREITO ADMINISTRATIVO DIREITO AMBIENTAL DIREITO CIVIL ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DIREITO DO CONSUMIDOR DIREITO EMPRESARIAL PROCESSO CIVIL DIREITO PENAL PROCESSO PENAL DIREITO PREVIDENCIÁRIO DIREITO DO TRABALHO PROCESSO DO TRABALHOpretende associar-se a uma sociedade de advogados, para a prestação de serviços advocatícios e participação nos resultados. Sobre tal possibilidade, assinale a afirmativa correta. A É admitido que Jefferson se associe, em tais moldes, a apenas uma sociedade de advogados. B A associação de Jefferson a uma sociedade unipessoal de advocacia, com participação nos resultados, não é permitida, pois configuraria a presença de requisitos legais de vínculos empregatícios. C É admitido que Jefferson se associe, simultaneamente, a uma sociedade de advogados e a uma sociedade unipessoal de advocacia. D A associação de Jefferson a uma sociedade de advogados deve ser em caráter geral, não sendo admitida a restrição à determinada causa. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. O advogado poderá se associar com uma ou mais sociedades de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia. B I NC O RRE T A Errada. O advogado poderá associar-se a uma ou mais sociedades de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia, com participação nos resultados, sem que estejam presentes os requisitos legais de vínculo empregatício. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 11 de 103 C C O RRE T A Correta. Jefferson poderá associar-se a uma ou mais sociedades de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia, sem que estejam presentes os requisitos legais de vínculo empregatício, para prestação de serviços e participação nos resultados. Art. 17-A. EAOAB. O advogado poderá associar-se a uma ou mais sociedades de advogados ou sociedades unipessoais de advocacia, sem que estejam presentes os requisitos legais de vínculo empregatício, para prestação de serviços e participação nos resultados, na forma do Regulamento Geral e de Provimentos do Conselho Federal da OAB. D I NC O RRE T A Errada. A associação poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou trabalho. Art. 17-B. EAOAB. A associação de que trata o art. 17-A desta Lei dar-se-á por meio de pactuação de contrato próprio, que poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou trabalho e que deverá ser registrado no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede a sociedade de advogados que dele tomar parte. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 12 de 103 QUESTÃO 09 A F I L O S O F I A D O D I R E I T O E M D I F E R E N T E S M O M E N T O S H I S T Ó R I C O S A equidade é um tema correlato da justiça que diz respeito à atividade jurisdicional. Trata-se de um conceito da filosofia do direito que remete a Aristóteles. Segundo esse autor, em seu livro Ética a Nicômaco, a equidade deve ser entendida como: A uma correção da lei quando ela é deficiente em razão de sua universalidade e, por isso, não consegue abranger as peculiaridades do caso concreto; B a aplicação da justiça corretiva que distribui posses comuns, sendo caracterizada como aquilo que é um posicionamento intermediário entre a perda e o ganho; C uma forma de decisão que se baseia nas convicções morais e filosóficas da autoridade jurisdicional, de modo que prevaleça um sentimento subjetivo de justiça; D uma forma de decidir um caso concreto baseada na aplicação da lei nos termos de seu enunciado, afinal o homem sem lei é o homem ímprobo. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. A alternativa (A) está correta, visto que segundo o filósofo Aristóteles, a equidade", é um mecanismo de corrigir a rota da exegese de leis, adequando-as quanto à peculiaridades do caso concreto, até porque a lei, com pretensões universalizantes, precisa ser contextualizada em certos casos”. (Obra “Ética a Nicômacos"). B I NC O RRE T A Errada. A alternativa (B) está incorreta, em razão de que a aplicação da justiça corretiva distribui posses comuns, sendo caracterizada como aquilo que é um posicionamento intermediário entre a perda e o ganho. Ocorre que, a afirmação que consta na alternativa não é de uma hipótese da justiça corretiva, mas sim da Justiça distributiva, consolidada no famoso “dar a cada um o que é seu". C I NC O RRE T A Errada. A alternativa (C) está incorreta, dado que menciona que a equidade é um meio de prevalecer um sentimento subjetivo de justiça. A equidade não é a mera subjetividade ou “sentimento de Justiça" do julgador. D I NC O RRE T A Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois cita que a equidade é uma forma de decidir um caso concreto baseado na aplicação da lei nos termos de seu enunciado. Contudo, a equidade altera parcialmente, a noção de dedução literal da lei ao caso concreto. D I S C I P L I N A FILOSOFIA Q09 – Q10 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 13 de 103 QUESTÃO 10 O C O N C E I T O D E D I R E I T O Em sua obra “Teoria Geral do Direito e do Estado”, Hans Kelsen, ao discutir o “conceito de direito”, aborda a relação entre validade e eficácia. A respeito dessa relação, sustenta que A entre os conceitos de validade e de eficácia há uma relação de identidade. B validade e eficácia conectam-se em virtude de sua relação com a justiça. C uma norma jurídica somente pode ser considerada válida se pertencer a uma ordem que, no todo, é eficaz. D uma norma jurídica somente pode ser considerada eficaz se pertencer a uma ordem globalmente válida. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. A alternativa (A) está incorreta, visto que, segundo Kelsen, a validade e eficácia não são idênticas, mas sim conceitos distintos. Sendo assim, o erro da alternativa está em afirmar que há uma relação de identidade. B I NC O RRE T A Errada. A alternativa (B) está incorreta, pois Kelsen não relaciona diretamente validade e eficácia com a justiça em sua teoria. De modo que não é sinônimo de validade e eficácia. Desta forma, o erro da alternativa está em afirmar que se conectam em virtude da relação com a justiça. C C O RRE T A Correta. A alternativa (C) está correta, uma vez que afirma com exatidão o argumento de Kelsen no sentido de que a validade de uma norma jurídica está ligada à sua inclusão em uma ordem jurídica eficaz. Isto é, uma norma só é válida se fizer parte de um sistema jurídico que funcione e seja aplicado. Nesse caso, podemos concluir que a validade está intrinsecamente ligada à eficácia no contexto da teoria jurídica de Kelsen. D I NC O RRE T A Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois Kelsen não coloca a validade como um pré-requisito para a eficácia. Segundo Kelsen a eficácia está relacionada à aplicação prática da norma, ao passo que a validade diz respeito à sua conformidade com normas de criação superiores. Assim sendo, o erro da alternativa está em colocar validade como um pré-requisito para a eficácia. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 14 de 103 QUESTÃO 11 I N T E R V E N Ç Ã O F E D E R A L O governador do Estado Alfa determinou, de forma deliberada, que Alfa deixasse de realizar os depósitos para pagamento de dívida fundada que possui com a União. Alertado sobre possíveis consequências jurídico−políticas passíveis de recaírem sobre o Estado Alfa, após dois anos de suspensão dos pagamentos, decidiu consultar o Procurador−Geral do Estado sobre a repercussão que tal situação poderia causar. Sobre a hipótese apresentada, segundo o sistema jurídico− constitucional brasileiro, assinale a opção que apresenta, corretamente, o parecer do Procurador−Geral do Estado. A O Presidente da República poderá decretar a intervenção federal no Estado Alfa, sendo necessária a apreciação a posteriori do Congresso Nacional. B O Estado Alfa, em razão de sua condição de ente autônomo da República Federativa do Brasil, não se sujeita à intervenção por parte da União. C O Presidente da República somente poderá decretar intervenção federal no Estado Alfa após decisão judicial por parte do Supremo Tribunal Federal. D O Presidente da República poderá decretar intervenção federal no Estado Alfa, a ser executada pelo CongressoNacional, diretamente ou por meio da autoridade que indicar. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. A hipótese do art. 34, V, "a", da CF configura caso de intervenção espontânea, na qual o Presidente da República decreta a intervenção de ofício, sem necessidade de provocação pelo Judiciário ou por qualquer outro órgão. Contudo, o decreto interventivo deve ser submetido à apreciação do Congresso Nacional no prazo de 24 horas (art. 36, §1º, CF), que exercerá o controle político da medida, podendo aprová-la ou suspendê-la. Essa sistemática garante o equilíbrio entre os Poderes e a preservação do pacto federativo. Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que: a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo de força maior; Art. 36, §1º. O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso Nacional ou da Assembléia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas. B I NC O RRE T A Errada. A autonomia dos Estados-membros não é absoluta. A própria Constituição prevê, nos arts. 34 a 36, as hipóteses excepcionais em que a autonomia estadual pode ser temporariamente D I S C I P L I N A CONSTITUCIONAL Q11 – Q16 · 6 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 15 de 103 restringida mediante intervenção federal. A intervenção é instrumento constitucional de defesa do pacto federativo e da ordem constitucional, e o inadimplemento de dívida fundada por mais de dois anos é uma das hipóteses expressamente previstas. C I NC O RRE T A Errada. A exigência de prévia decisão judicial do STF aplica-se apenas às hipóteses de intervenção provocada por requisição judicial, previstas no art. 34, VI (prover a execução de ordem ou decisão judicial) e VII (assegurar a observância de princípios constitucionais sensíveis, esta última mediante representação do PGR perante o STF — ADI interventiva). No caso de inadimplemento de dívida fundada (art. 34, V, "a"), a intervenção é espontânea, dispensando qualquer provimento judicial prévio. D I NC O RRE T A Errada. A intervenção é decretada e executada pelo Presidente da República, não pelo Congresso Nacional. Nos termos do art. 84, X, da CF, compete privativamente ao Presidente decretar e executar a intervenção federal. O decreto nomeará interventor, quando couber (art. 36, §1º). O papel do Congresso Nacional é de controle político (aprovar ou suspender a medida), e não de execução. QUESTÃO 12 O R D E M E C O N Ô M I C A E F I N A N C E I R A Romualdo, empresário do ramo de supermercados, dirige−se à Prefeitura do Município Alfa e solicita licença para instalar uma loja da sua rede em um bairro específico da cidade. O pedido é negado sob a justificativa de que já existia outro estabelecimento do mesmo ramo na região. Segundo a Prefeitura de Alfa, a concessão de licença afrontaria a Lei Complementar Municipal nº X (LC X/2024), que exige distância mínima de mil metros entre estabelecimentos que comercializem produtos semelhantes. Romualdo, então, procura você, como advogado(a), para analisar a situação com base na ordem jurídico−constitucional brasileira. Assinale a opção que apresenta, corretamente, sua análise sobre a hipótese narrada. A A norma municipal deve ser observada, em respeito à autonomia municipal garantida pela ordem jurídica brasileira. B A LC X é inconstitucional, já que Alfa, por não ser ente federativo, não possui competência legislativa para produzir leis complementares. C A existência de norma legal federal sobre a questão deve ser avaliada, porque, pelo critério hierárquico, esta última prevaleceria sobre a norma municipal. D A abertura do negócio em questão não deve ser restringida, porque a LC X, ao adotar o referido critério geográfico, viola o princípio constitucional da livre concorrência. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. A autonomia municipal (art. 30, CF) não é absoluta e encontra limites nas normas e princípios constitucionais. O Município possui competência para legislar sobre assuntos de interesse local e para promover o ordenamento territorial (art. 30, I e VIII, CF), mas essa competência não pode ser exercida de modo a violar princípios fundamentais da ordem Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 16 de 103 econômica constitucional. A autonomia municipal não autoriza a edição de normas que restrinjam indevidamente a livre iniciativa e a livre concorrência. B I NC O RRE T A Errada. O Município é, sim, ente federativo no sistema constitucional brasileiro. O art. 1º da CF/88 estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados, Municípios e Distrito Federal, e o art. 18 confirma que a organização político-administrativa compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos. O Município possui competência legislativa própria e pode editar leis complementares no âmbito de suas atribuições constitucionais. C I NC O RRE T A Errada. O sistema federativo brasileiro não se organiza por hierarquia entre leis federais e municipais, mas por repartição constitucional de competências. Não existe relação de subordinação hierárquica entre lei federal e lei municipal quando cada ente legisla no âmbito de sua competência própria. O eventual conflito se resolve pelo critério de competência constitucional, e não pelo critério hierárquico. A inconstitucionalidade da LC X decorre de violação direta a princípio constitucional, e não de conflito com norma federal. D C O RRE T A Correta. A Súmula Vinculante 49 do STF dispõe que ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área. O art. 170, IV, da CF/88 consagra a livre concorrência como princípio da ordem econômica. A imposição de distância mínima entre estabelecimentos do mesmo ramo cria reserva de mercado em favor do comerciante já instalado, limitando artificialmente a competição e prejudicando tanto os demais empresários quanto os consumidores. A lei municipal, ao adotar critério geográfico restritivo, extrapola os limites do poder de polícia municipal e viola frontalmente o princípio constitucional da livre concorrência. Súmula Vinculante 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área. QUESTÃO 13 M A N D A D O D E I N J U N Ç Ã O Emenda à Constituição inseriu novo direito social na Constituição Federal de 1988. Da análise do dispositivo normativo extraiu-se que a fruição do direito ali previsto somente seria possível com sua devida disciplina legal. Passados sete anos sem que o Congresso Nacional tivesse elaborado a referida regulamentação, mesmo após decisões do Supremo Tribunal Federal que reconheciam a mora e determinavam prazo razoável para a edição da norma regulamentadora, Fernando, que entende fazer jus a tal direito, procurou você, como advogado(a), a fim de saber se há alguma providência judicial a ser tomada para que possa usufruir do direito constitucionalmente previsto. Sobre a hipótese, de acordo com o sistema jurídico-constitucional vigente, assinale a afirmativa que apresenta, corretamente, sua orientação. A A via judicial não é cabível, posto que, com base no princípio da separação de poderes, somente a produção de lei regulamentadora pelo Congresso Nacional viabilizará a fruição do referido direito social. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 17 de 103 B Fernando poderá ingressar com mandado de injunção perante o Superior Tribunal de Justiça, o qual, reconhecendoa existência de mora por parte do Congresso Nacional, poderá determinar que este Tribunal edite a lei regulamentadora imediatamente. C O mandado de injunção, a ser impetrado por Fernando perante o Supremo Tribunal Federal, pode ser utilizado para requerer que o Tribunal estabeleça as condições em que se dará o exercício do referido direito social, de modo a permitir a sua fruição. D Fernando tem a possibilidade de ajuizar uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão perante o Supremo Tribunal Federal, requerendo que o Tribunal promova sua implementação imediata para todos que façam jus ao direito social. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. A própria Constituição prevê o mandado de injunção (art. 5º, LXXI, CF) exatamente para situações em que a falta de norma regulamentadora torna inviável o exercício de direitos e liberdades constitucionais. O princípio da separação de poderes não impede a atuação do Judiciário nessa hipótese — ao contrário, a Constituição expressamente o autoriza a agir para suprir a omissão. A evolução jurisprudencial do STF, especialmente a partir do MI 708 (direito de greve dos servidores públicos), consolidou a posição concretista, pela qual o Tribunal pode estabelecer as condições de exercício do direito até que sobrevenha a regulamentação legislativa. Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; B I NC O RRE T A Errada. Dois erros graves. Primeiro, a competência: quando a omissão é atribuída ao Congresso Nacional, a competência para processar e julgar o mandado de injunção é do Supremo Tribunal Federal (art. 102, I, "q", CF), e não do STJ. Segundo, o mandado de injunção não serve para determinar que o Legislativo edite lei — o Judiciário não pode compelir o Congresso a legislar, pois isso violaria a separação de poderes. O que o tribunal faz é viabilizar o exercício do direito, estabelecendo as condições para tanto até que a norma regulamentadora seja editada. Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I - processar e julgar, originariamente: q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal; C C O RRE T A Correta. O mandado de injunção é o remédio constitucional adequado quando a falta de norma regulamentadora torna inviável o exercício de direitos constitucionais (art. 5º, LXXI, CF). A competência é do STF, pois a omissão é do Congresso Nacional (art. 102, I, "q", CF). A Lei 13.300/2016, que regulamentou o mandado de injunção, consagrou a posição concretista: Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 18 de 103 reconhecida a mora legislativa, o tribunal pode estabelecer as condições de exercício do direito (art. 8º, I e II, da Lei 13.300/2016). Além disso, o enunciado menciona que já houve decisões anteriores do STF reconhecendo a mora e fixando prazo razoável para o Congresso legislar, sem que este tenha cumprido — o que reforça ainda mais a legitimidade da atuação concretista do Tribunal. D I NC O RRE T A Errada. Dois problemas. Primeiro, a legitimidade: Fernando, como pessoa física, não possui legitimidade ativa para propor ADO, cujo rol de legitimados é restrito aos elencados no art. 103 da CF (Presidente da República, Mesa do Senado, Mesa da Câmara, PGR, partidos políticos com representação no Congresso, entre outros). Segundo, a eficácia: a ADO, quando reconhece a omissão legislativa, limita-se a dar ciência ao poder competente para que adote as providências necessárias (art. 103, §2º, CF), tendo efeito menos concreto que o mandado de injunção. O STF não pode, via ADO, promover a implementação imediata do direito para todos os titulares. QUESTÃO 14 D I R E I T O S S O C I A I S Renato Carlos, renomado pianista, foi convidado para se apresentar em um grande evento musical internacional sediado no Brasil. Ao tentar se inscrever no evento, foi informado de que era obrigatório estar inscrito em uma ordem dos músicos para poder se apresentar publicamente no país. Surpreendido com a informação, procurou você, como advogado(a), e solicitou que fosse analisada a compatibilidade da exigência com o sistema jurídico−constitucional brasileiro. Em relação à exigência, assinale a opção que indica, corretamente, a orientação dada. A É válida, pois se harmoniza com o poder regulamentar das entidades de classe, regra a ser observada no exercício profissional no Brasil. B Viola a ordem constitucional, pois a liberdade profissional é um direito com alto grau de amplitude, sendo vedado ao legislador estabelecer condições para o seu exercício. C Está de acordo com a Constituição da República, pois visa zelar pelo regular exercício da profissão de músico no país, garantindo maior qualidade no desempenho profissional. D Encontra−se em desacordo com a Constituição da República, pois, além de não proteger interesse público relevante, viola o princípio da liberdade de expressão artística. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Errada. O poder regulamentar das entidades de classe não se sobrepõe ao direito fundamental de liberdade artística. Exigir inscrição para músicos viola a CF/88. B I NC O RRE T A Errada. Erra ao afirmar que nenhuma condição pode ser imposta; a CF/88 permite restrições para profissões comuns, mas não para a expressão artística (art. 5º, IX). Art. 5º, IX. É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença; Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 19 de 103 C I NC O RRE T A Errada. Ainda que o controle de qualidade seja válido para outras profissões, não se aplica à atividade artística segundo o STF e a letra da Constituição. D C O RRE T A Correta. A exigência encontra-se em desacordo com a Constituição, pois a liberdade de expressão artística é plena e só pode ser restringida em situações excepcionais. Não há interesse público relevante que justifique a limitação. QUESTÃO 15 N A C I O N A L I D A D E Mariana, que nasceu no Brasil, decidiu adquirir a nacionalidade de um país asiático. Embora este país não tivesse imposto condições para sua permanência no respectivo território ou para o exercício dos direitos civis, ela acreditava que essa decisão facilitaria sua circulação pelo continente asiático, já que tinha o propósito de explorar vários sítios montanhosos. No entanto, ao retornar ao Brasil neste mês, Mariana foi informada de que essa escolha pode resultar na perda de sua nacionalidade brasileira. Preocupada, ela consultou você, como advogado(a), para esclarecer a sua situação, explicando que nunca realizou qualquer pedido expresso para abdicar da nacionalidade brasileira. Sobre a situação de Mariana, de acordo com o sistema jurídico− constitucional brasileiro, assinale a afirmativa correta. A Ela mantém a nacionalidade brasileira, pois, no caso em análise, apenas o pedido expresso de perda da nacionalidade pode gerar tal consequência. B Ela não perde a nacionalidade brasileira, desde que comunique previamente ao governo brasileiro que não deseja renunciar a ela ao adquirira nova nacionalidade. C Ela perde a nacionalidade brasileira apenas se deixar de exercer direitos políticos e civis no Brasil, como o voto ou a manutenção de propriedades, após adquirir a nova nacionalidade. D Ela perde a nacionalidade brasileira, pois ao adquirir voluntariamente outra nacionalidade, sem imposição do Estado estrangeiro, ela perde automaticamente a nacionalidade originária. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. A EC 131/2023 alterou o art. 12, §4º, II, da CF/88, que passou a prever que a perda da nacionalidade brasileira por aquisição de outra nacionalidade somente ocorrerá quando houver requerimento expresso do brasileiro nesse sentido perante autoridade brasileira competente. Com a nova redação, a mera aquisição voluntária de nacionalidade estrangeira não é mais causa automática de perda da nacionalidade brasileira. Mariana, que apenas adquiriu a nacionalidade do país asiático por conveniência de circulação, sem jamais ter formulado pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira, mantém sua condição de brasileira nata. A mudança legislativa consagrou o princípio de que ninguém perde a nacionalidade brasileira contra a sua vontade expressa. Art. 12, §4º: Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que: Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 20 de 103 II. fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia. B I NC O RRE T A Errada. EC 131/2023 não exige comunicação prévia ao governo brasileiro como condição para a manutenção da nacionalidade. O sistema atual é inverso: a nacionalidade brasileira é preservada como regra, e sua perda somente ocorre mediante requerimento expresso do titular. Não existe ônus de comunicação prévia por parte do brasileiro que adquire outra nacionalidade. C I NC O RRE T A Errada. O exercício de direitos políticos e civis no Brasil não é critério constitucional para a manutenção ou perda da nacionalidade. A Constituição não vincula a nacionalidade à prática de atos como votar ou manter propriedades. O único critério após a EC 131/2023 é a manifestação expressa de vontade de perder a nacionalidade brasileira. D I NC O RRE T A Errada. Esta alternativa reflete o regime constitucional anterior à EC 131/2023, quando a aquisição voluntária de outra nacionalidade, por si só, podia acarretar a perda da brasileira (salvo nas exceções do art. 12, §4º, II, "a" e "b"). Com a nova redação trazida pela EC 131/2023, a aquisição voluntária de nacionalidade estrangeira não gera mais perda automática. A perda exige requerimento expresso do brasileiro perante autoridade competente. QUESTÃO 16 C O M P E T Ê N C I A L E G I S L A T I V A Carlos Frederico, Deputado Estadual no Estado Alfa, apresentou projeto de lei que versa sobre tema que, embora considerado de grande relevância, não se enquadra no rol de matérias de competência legislativa expressa de qualquer dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios). Por essa razão, alguns dos seus colegas deputados suscitaram a possível incompetência da Assembleia Legislativa de Alfa para legislar sobre o tema. Para esclarecer a dúvida, o Procurador−Geral da Assembleia Legislativa foi chamado a se manifestar. Assinale a opção que apresenta, segundo o sistema jurídico− constitucional brasileiro, o esclarecimento prestado. A A Assembleia Legislativa do Estado Alfa pode legislar sobre a matéria. B O projeto de lei é inconstitucional, porque a competência legislativa sobre a matéria é exclusiva da União. C A omissão constitucional permite concluir que se está diante de matéria de interesse local, de competência municipal. D A constitucionalidade do projeto de lei somente será reconhecida se, aprioristicamente, a Assembleia Legislativa de Alfa solicitar autorização ao Congresso Nacional para a respectiva tramitação. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 21 de 103 GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. Como o enunciado afirma expressamente que a matéria "não se enquadra no rol de matérias de competência legislativa expressa de qualquer dos entes federativos", aplica-se o art. 25, §1º, da CF. A competência residual é dos Estados-membros: na ausência de atribuição expressa a outro ente, a matéria recai na competência estadual. A Assembleia Legislativa de Alfa tem, portanto, competência para legislar sobre o tema. Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os princípios desta Constituição. § 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição. B I NC O RRE T A Errada. O próprio enunciado afirma que a matéria não se enquadra no rol de competências expressas de qualquer ente, inclusive da União. Não há como sustentar competência exclusiva da União sobre matéria que não lhe foi expressamente atribuída pela Constituição. As competências privativas da União estão taxativamente previstas nos arts. 21 e 22 da CF, e o tema em questão não se encontra nesse rol. C I NC O RRE T A Errada. A ausência de previsão expressa não conduz à presunção de interesse local municipal. O interesse local (art. 30, I, CF) é critério específico que demanda que a matéria tenha predominância de repercussão no âmbito municipal. No sistema constitucional brasileiro, a competência residual — aquela que sobra após a distribuição expressa — pertence aos Estados (art. 25, §1º), e não aos Municípios. A competência municipal é enumerada, não residual. Art. 30. Compete aos Municípios: I - legislar sobre assuntos de interesse local. D I NC O RRE T A Errada. Não existe no sistema constitucional brasileiro qualquer exigência de autorização prévia do Congresso Nacional para que uma Assembleia Legislativa estadual exerça sua competência legislativa. Os Estados-membros são entes autônomos (art. 18, CF), dotados de autolegislação, autogoverno e autoadministração. A competência residual do art. 25, §1º, é exercida de forma independente, sem subordinação ou necessidade de anuência de qualquer outro ente federativo. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 22 de 103 QUESTÃO 17 S I S T E M A I N T E R N A C I O N A L D O S D I R E I T O S H U M A N O S Em 2001, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos no caso Maria da Penha Maia Fernandes versus Brasil, por omissão em relação a crimes contra os Direitos Humanos das mulheres. Em razão da condenação no plano internacional, em 2006, foi publicada a Lei nº 11.340, que trouxe mecanismos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Em 2022, em consonância com a lei nacional, foi editada no Estado de Santa Catarina a Lei Estadual nº 18.322, fortalecendo, ainda mais, a proteção dos direitos humanos das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Acerca das formas de violência contra a mulher elencadas na Lei nº 18.322/22, é correto afirmar que A violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. B violência obstétrica é todo ato praticado pelo médico, pela equipe do hospital, por um familiar ou acompanhante que ofenda, de forma verbal ou física, as mulheres gestantes, em trabalho de parto ou, ainda, no período puerpério. C violência moral é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades. D violência psicológica é entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquermodo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois afirma que a violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. Nos termos da art. 7º, incisos IV e V, da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a violência patrimonial não é entendida como calúnia, difamação ou injúria, porém como qualquer conduta que implique em dano, perda, subtração, destruição ou retenção de objetos, bens e valores da mulher. Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras: IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades; D I S C I P L I N A DIREITOS HUMANOS Q17 – Q18 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 23 de 103 O erro da alternativa está em afirmar que a violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. B C O RRE T A Correta. A alternativa (B) está correta, definindo corretamente a violência obstétrica: aquela que abrange atos ofensivos, tanto de forma verbal como física, praticados contra mulheres gestantes, em trabalho de parto ou no período puerpério, por médicos, equipe do hospital, familiares ou acompanhantes C I NC O RRE T A Errada. A alternativa (C) está incorreta, visto que essa definição é da violência patrimonial e não da violência moral. A violência moral se caracteriza por condutas que impliquem em calúnia, difamação ou injúria. D I NC O RRE T A Errada. A alternativa (D) está incorreta, uma vez que menciona uma afirmação correspondente à violência sexual, e não à violência psicológica. A violência psicológica é caracterizada por qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima, prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher, ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões. QUESTÃO 18 R E G R A S D A S N A Ç Õ E S U N I D A S P A R A M U L H E R E S P R E S A S Joana, grávida de 8 meses, é recolhida a estabelecimento carcerário para cumprimento de pena privativa de liberdade já transitada em julgado. No mês subsequente ao seu encarceramento, a apenada entra em trabalho de parto, sendo encaminhada para hospital público estadual para início dos procedimentos médicos. Visando a evitar a fuga de Joana, o agente policial que a acompanhou tomou todas as cautelas necessárias, algemando-a na maca hospitalar durante todo o período em que ela esteve internada, inclusive durante o parto. Nesse contexto, considerando as Regras das Nações Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas – Regras de Bangkok, é correto afirmar que o uso das algemas foi A correto, estando em consonância com a súmula vinculante 11 do STF, que prevê a possibilidade de utilização do instrumento de contenção nos casos de risco de fuga, inclusive durante o parto. B incorreto, vez que o trabalho de parto deveria ser realizado nas dependências da penitenciária por agentes policiais, dentro da cela da detenta, para evitar risco de fuga, o que dispensaria o uso de algemas. C incorreto, visto que os instrumentos de contenção jamais deverão ser usados em mulheres em trabalho de parto, durante o parto e nem no período imediatamente posterior. D correto, visto que a condição de detenta não é afastada pelo trabalho de parto, devendo sua locomoção ser restrita em todos os espaços que frequentar, no interesse da coletividade e nos limites da pena imposta. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 24 de 103 GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois alega que a alternativa está em consonância com a súmula vinculante 11 do STF, que prevê a possibilidade de utilização do instrumento de contenção nos casos de risco de fuga, inclusive durante o parto. Entretanto, a súmula vinculante 11 não menciona a hipótese do parto. Vejamos: Súmula Vinculante 11 - Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado. B I NC O RRE T A Errada. A alternativa (B) está incorreta, uma vez que no caso em questão, a apenada deveria ter sido levada ao hospital para que o seu parto seja realizado com segurança. C C O RRE T A Correta. A alternativa C está correta, pois os instrumentos de contenção jamais deverão ser usados em mulheres em trabalho de parto, durante o parto e nem no período imediatamente posterior. Inerente a Regra de Bangkok número 24, o ordenamento jurídico brasileiro, possui a Lei 13.434 de 2017 - Lei do uso das algemas, onde modifica artigo 292 do Código de Processo Penal – CPP, acrescentando-lhe o parágrafo único que dispõe que é proibido o uso de algemas em mulheres durante o parto e à fase de puerpério imediato. Parágrafo Único: É vedado o uso de algemas em mulheres grávidas durante os atos médico- hospitalares preparatórios para a realização do parto e durante o trabalho de parto, bem como em mulheres durante o período de puerpério imediato. (BRASIL, 2017, online). D I NC O RRE T A Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois deve ser assegurado tratamento humanitário antes e durante o trabalho de parto e no período de puerpério. Existe a obrigação do poder público de promover a assistência integral à saúde da mulher e à do recém-nascido. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 25 de 103 QUESTÃO 19 P R O P A G A N D A E L E I T O R A L O Partido Político Alfa tomou conhecimento de que Joana, candidata ao cargo de Deputada Estadual, estava veiculando propaganda eleitoral paga, na imprensa escrita, durante a sua campanha eleitoral. Como o desempenho de Joana nas pesquisas eleitorais aumentou consideravelmente, o Partido Político o consultou, na condição de advogado, em relação à licitude dessa conduta. Sobre a veiculação da propaganda realizada por Joana, assinale a opção que indica, corretamente, sua resposta. A É admitida até o dia da eleição, desde que observados os balizamentos legais. B É permitida, até a antevéspera da eleição, observados os balizamentos legais. C É vedada, logo, Alfa pode ajuizar representação eleitoral almejando a aplicação de multa. D Deve ser considerada ilícita se não tiver sido celebrado ajuste coletivo, pelos partidos políticos, autorizando−a, o que será apurado em investigação judicial eleitoral. GABARITO Letra B E X P L I C A Ç Ã O Nos termos do art. 43 da Lei das Eleições (Lei n.º 9.504/1997), propaganda eleitoral paga na imprensa escrita é permitida até a antevéspera das eleições, desde que observados os balizamentos legais estabelecidos pela legislação eleitoral. Vejamos: Art. 43. São permitidas, até a antevéspera das eleições, a divulgação paga, na imprensa escrita, e a reprodução na internet do jornal impresso, de até 10 (dez) anúncios de propaganda eleitoral, por veículo, em datas diversas, para cada candidato, no espaço máximo, por edição, de 1/8 (um oitavo) de página de jornal padrão e de 1/4 (um quarto) de página de revista ou tabloide. (Redação dada pela Lei nº 12.034, de 2009)” A I NC O RRE T A Errada. Não é permitido até o dia da eleição e sim até a antevéspera.B C O RRE T A Correta. Alternativa conforme o art. 43 da Lei das Eleições. C I NC O RRE T A Errada. Não é vedada. D I NC O RRE T A Errada. Não é requisito trazido pela legislação. D I S C I P L I N A DIREITO ELEITORAL Q19 – Q20 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 26 de 103 QUESTÃO 20 F U N D O P A R T I D Á R I O João, que acabara de assumir a função de tesoureiro do partido político Alfa, solicitou explicações ao(à) advogado(a) do partido a respeito dos cuidados que deveria ter na aplicação dos recursos oriundos do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário), mais especificamente em relação à existência de plena liberdade valorativa do partido político na aplicação desses recursos e à necessidade, ou não, de prestação de contas. Sobre a hipótese formulada, assinale a afirmativa correta. A Os recursos devem ser aplicados por Alfa, nas finalidades autorizadas em lei, sendo objeto de prestação de contas à Justiça Eleitoral, embora o referido Fundo receba tanto valores de origem pública como privada. B Os recursos recebidos por Alfa devem ser aplicados nas finalidades autorizadas em lei, sendo objeto de prestação de contas apenas ao seu órgão de direção nacional, embora o referido Fundo seja formado a partir das sobras da arrecadação da União. C Como Alfa tem personalidade jurídica de direito privado, pode aplicar livremente os recursos recebidos nas finalidades previstas em seu estatuto e deve prestar contas à Justiça Eleitoral, quando se comprometer a realizar um projeto de interesse público. D Os recursos devem ser aplicados por Alfa nas finalidades livremente autorizadas em seu estatuto, mas, como os valores remetidos ao referido Fundo são captados pela Justiça Eleitoral com as multas eleitorais e as dotações da União, deve haver prestação de contas ao Tribunal de Contas da União. GABARITO Letra A A C O RRE T A Correta. O art. 44 da Lei 9.096/95 determina expressamente as finalidades legais do Fundo Partidário. O art. 32 da mesma lei impõe prestação de contas à Justiça Eleitoral. Mesmo que o Fundo receba valores de diversas origens (multas eleitorais, dotações orçamentárias etc.), ele tem natureza pública e sofre controle da Justiça Eleitoral. B I NC O RRE T A Errada. A prestação de contas não é apenas interna ao partido. A fiscalização é feita pela Justiça Eleitoral, justamente por se tratar de recursos de natureza pública. C I NC O RRE T A Errada. Não existe liberdade plena na aplicação. Embora o partido tenha personalidade jurídica de direito privado (art. 1º da Lei 9.096/95), os recursos do Fundo Partidário não são privados, eles têm destinação vinculada em lei. O partido não pode aplicar livremente conforme seu estatuto, podendo aplicar nas hipóteses do art. 44 da Lei 9.096/95. D I NC O RRE T A Errada. O controle e a prestação de contas desses recursos são perante a Justiça Eleitoral, e não ao TCU. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 27 de 103 QUESTÃO 21 I M U N I D A D E À J U R I S D I Ç Ã O E S T A T A L Em viagem ao Rio de Janeiro, Paolo, italiano, filho do embaixador da Itália no Brasil, registrado como dependente deste, com quem vive, foi à Lapa, onde se embriagou. Com a capacidade psicomotora comprometida, assumiu a direção de um veículo e, em seguida, devido à embriaguez, atropelou e matou uma pessoa. Nessa situação hipotética, A Paolo não possui imunidade diplomática, devendo a lei do Estado acreditante ser aplicada com primazia sobre a lei brasileira. B Paolo não poderá ser punido pela lei brasileira, pois, salvo em caso de renúncia, possui imunidade diplomática, embora possa ser punido pelas leis do Estado acreditante. C Paolo será isento de pena, seja no Brasil, seja no Estado acreditante, pois possui imunidade diplomática, salvo se renunciá-la. D embora Paolo possua imunidade diplomática, excetuada a hipótese de renúncia, ela se restringe aos atos de ofício, razão pela qual ele poderá ser punido pela lei brasileira. GABARITO Letra B E X P L I C A Ç Ã O A referida questão requer o conhecimento acerca do art. 37 da Convenção de Viena Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65, conforme segue: “Art. 37. 1. Os membros da família de um agente diplomático que com ele vivam gozarão dos privilégios e imunidades mencionados nos artigos 29 e 36, desde que não sejam nacionais do estado acreditado. [...]” Ademais, requer conhecimento ainda do que dispõe o nosso ordenamento jurídico no art. 5º, caput do Código Penal, que diz: “Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional.” Dessa forma, tem-se que Paolo é regido pela Imunidade Diplomática, uma vez que é filho do embaixador da Itália no Brasil e é dependente deste, conforme constante no enunciado da presente questão. A I NC O RRE T A Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois Paolo possui sim a Imunidade Diplomática, nos termos do art. 37 da Convenção de Viena Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65. D I S C I P L I N A DIREITO INTERNACIONAL Q21 – Q22 · 2 questões Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 28 de 103 B C O RRE T A Correta. A alternativa (B) está correta, pois é o que dispõe a norma do art. 37 da Convenção de Viena Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65, fazendo com que Paolo não seja punido pela lei brasileira. C I NC O RRE T A Errada. A alternativa (C) está incorreta, pois Paolo não será isento de pena, ele será punido pelas leis inerentes ao Estado acreditado, nos termos do disposto no art. 37 da Convenção de Viena Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65, D I NC O RRE T A Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois a imunidade de Paolo é plena nos termos do art. 37 da Convenção de Viena Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65. QUESTÃO 22 E X T R A D I Ç Ã O , E X P U L S Ã O E D E P O R T A Ç Ã O João, estrangeiro, residente no país há 10 anos, foi acusado de prática de crime doloso contra a vida cometido no Brasil, tendo sido julgado por este fato perante tribunal do júri brasileiro. Paralelamente, foi condenado em seu país de origem por manifestar-se, publicamente, em contrário à política praticada pelo Governo, o que lá é considerado crime. Em razão dessa condenação, a justiça estrangeira requereu ao Brasil a extradição de João. Considerando essa situação à luz da Constituição Federal, o tribunal do júri A não poderia ter julgado João, uma vez que o acusado é estrangeiro, embora tenha direito à aquisição da nacionalidade brasileira, não havendo, todavia, vedação constitucional para que a extradição seja deferida. B não poderia ter julgado João, uma vez que o acusado é estrangeiro, não tendo preenchido os requisitos para aquisição da nacionalidade brasileira, não podendo, ademais, ser deferida a extradição em razão da natureza do crime pelo qual João foi condenado em seu país de origem. C não poderia ter julgado João, uma vez que somente lhe compete julgar os crimes culposos contra a vida, não podendo, ademais, ser deferida a extradição em razão do tempo de permanência de João no Brasil, o que lhe confere direito à aquisição da nacionalidade brasileira. D poderia ter julgado João, mas a extradição não poderá ser deferida em razão da natureza do crime pelo qual João foi condenado em seu país de origem. Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 29 de 103 GABARITO Letra D E X P L I C A Ç Ã O A referida questão requer o conhecimento acerca do art. 5º, XXXVIII, alínea “d” da CRFB/88, conforme segue: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade,