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Gabarito Comentado OAB 47

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Questões resolvidas

Helena concluiu seu mestrado em Administração Pública e acumulou significativo conhecimento jurídico, mas não possui formação em Direito nem inscrição nos quadros da OAB. Apesar disso, ela passou a oferecer consultoria jurídica e a atuar em audiências representando clientes. André, por sua vez, era advogado regularmente inscrito na OAB, porém foi suspenso do exercício profissional por prática de infração disciplinar. Mesmo suspenso, ele continuou a realizar atos privativos da advocacia, tais como peticionar e participar de audiências.
Com base nessas situações hipotéticas, assinale a afirmativa correta.
A Os atos praticados por André, após a sua suspensão da OAB, são nulos, pois ele está impedido de exercer a advocacia enquanto durar a suspensão.
B Os atos privativos da advocacia praticados por Helena, que não possui inscrição na OAB, são válidos, desde que seus clientes a autorizem expressamente, ratificando os atos por ela praticados.
C Os atos praticados por Helena são válidos, desde que restritos à consultoria extrajudicial e relacionados à administração pública, uma vez que ela não representa clientes em processos judiciais.
D Tanto os atos praticados por Helena quanto os atos praticados por André são anuláveis, porém sujeitos à convalidação, pois a atuação em audiências e a prática de consultoria jurídica, embora preferencialmente exercidas por advogados, podem, excepcionalmente, ser exercidas por pessoa com conhecimento jurídico

Pedro, cidadão brasileiro, graduou-se em Direito em renomada instituição norte-americana. Caso deseje exercer no Brasil a profissão de advogado, Pedro deverá solicitar inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. Sobre a hipótese, assinale a opção que indica o requisito que, em tal ocasião, Pedro estará dispensado de apresentar.
A Revalidação do título de graduação em Direito.
B Aprovação em Exame de Ordem.
C Ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.
D Prestação de compromisso perante o conselho.

Em sua obra “Teoria Geral do Direito e do Estado”, Hans Kelsen, ao discutir o “conceito de direito”, aborda a relação entre validade e eficácia. A respeito dessa relação, sustenta que
A) entre os conceitos de validade e de eficácia há uma relação de identidade.
B) validade e eficácia conectam-se em virtude de sua relação com a justiça.
C) uma norma jurídica somente pode ser considerada válida se pertencer a uma ordem que, no todo, é eficaz.
D) uma norma jurídica somente pode ser considerada eficaz se pertencer a uma ordem globalmente válida.

Emenda à Constituição inseriu novo direito social na Constituição Federal de 1988. Da análise do dispositivo normativo extraiu-se que a fruição do direito ali previsto somente seria possível com sua devida disciplina legal. Passados sete anos sem que o Congresso Nacional tivesse elaborado a referida regulamentação, mesmo após decisões do Supremo Tribunal Federal que reconheciam a mora e determinavam prazo razoável para a edição da norma regulamentadora, Fernando, que entende fazer jus a tal direito, procurou você, como advogado(a), a fim de saber se há alguma providência judicial a ser tomada para que possa usufruir do direito constitucionalmente previsto.
Sobre a hipótese, de acordo com o sistema jurídico-constitucional vigente, assinale a afirmativa que apresenta, corretamente, sua orientação.
A) A via judicial não é cabível, posto que, com base no princípio da separação de poderes, somente a produção de lei regulamentadora pelo Congresso Nacional viabilizará a fruição do referido direito social.
B) Fernando poderá ingressar com mandado de injunção perante o Superior Tribunal de Justiça, o qual, reconhecendo a existência de mora por parte do Congresso Nacional, poderá determinar que este Tribunal edite a lei regulamentadora imediatamente.
C) O mandado de injunção, a ser impetrado por Fernando perante o Supremo Tribunal Federal, pode ser utilizado para requerer que o Tribunal estabeleça as condições em que se dará o exercício do referido direito social, de modo a permitir a sua fruição.
D) Fernando tem a possibilidade de ajuizar uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão perante o Supremo Tribunal Federal, requerendo que o Tribunal promova sua implementação imediata para todos que façam jus ao direito social.

Mariana, que nasceu no Brasil, decidiu adquirir a nacionalidade de um país asiático. Embora este país não tivesse imposto condições para sua permanência no respectivo território ou para o exercício dos direitos civis, ela acreditava que essa decisão facilitaria sua circulação pelo continente asiático, já que tinha o propósito de explorar vários sítios montanhosos. No entanto, ao retornar ao Brasil neste mês, Mariana foi informada de que essa escolha pode resultar na perda de sua nacionalidade brasileira. Preocupada, ela consultou você, como advogado(a), para esclarecer a sua situação, explicando que nunca realizou qualquer pedido expresso para abdicar da nacionalidade brasileira.
Sobre a situação de Mariana, de acordo com o sistema jurídico− constitucional brasileiro, assinale a afirmativa correta.
A Ela mantém a nacionalidade brasileira, pois, no caso em análise, apenas o pedido expresso de perda da nacionalidade pode gerar tal consequência.
B Ela não perde a nacionalidade brasileira, desde que comunique previamente ao governo brasileiro que não deseja renunciar a ela ao adquirir a nova nacionalidade.
C Ela perde a nacionalidade brasileira apenas se deixar de exercer direitos políticos e civis no Brasil, como o voto ou a manutenção de propriedades, após adquirir a nova nacionalidade.
D Ela perde a nacionalidade brasileira, pois ao adquirir voluntariamente outra nacionalidade, sem imposição do Estado estrangeiro, ela perde automaticamente a nacionalidade originária.

Em 2001, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos no caso Maria da Penha Maia Fernandes versus Brasil, por omissão em relação a crimes contra os Direitos Humanos das mulheres. Em razão da condenação no plano internacional, em 2006, foi publicada a Lei nº 11.340, que trouxe mecanismos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Em 2022, em consonância com a lei nacional, foi editada no Estado de Santa Catarina a Lei Estadual nº 18.322, fortalecendo, ainda mais, a proteção dos direitos humanos das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
Acerca das formas de violência contra a mulher elencadas na Lei nº 18.322/22, é correto afirmar que
A violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
B violência obstétrica é todo ato praticado pelo médico, pela equipe do hospital, por um familiar ou acompanhante que ofenda, de forma verbal ou física, as mulheres gestantes, em trabalho de parto ou, ainda, no período puerpério.
C violência moral é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.
D violência psicológica é entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.

Joana, grávida de 8 meses, é recolhida a estabelecimento carcerário para cumprimento de pena privativa de liberdade já transitada em julgado. No mês subsequente ao seu encarceramento, a apenada entra em trabalho de parto, sendo encaminhada para hospital público estadual para início dos procedimentos médicos. Visando a evitar a fuga de Joana, o agente policial que a acompanhou tomou todas as cautelas necessárias, algemando-a na maca hospitalar durante todo o período em que ela esteve internada, inclusive durante o parto. Nesse contexto, considerando as Regras das Nações Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas – Regras de Bangkok, é correto afirmar que o uso das algemas foi
Considerando as Regras das Nações Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas – Regras de Bangkok, é correto afirmar que o uso das algemas foi:
A correto, estando em consonância com a súmula vinculante 11 do STF, que prevê a possibilidade de utilização do instrumento de contenção nos casos de risco de fuga, inclusive durante o parto.
B incorreto, vez que o trabalho de parto deveria ser realizado nas dependências da penitenciária por agentes policiais, dentro da cela da detenta, para evitar risco de fuga, o que dispensaria o uso de algemas.
C incorreto, visto que os instrumentos de contenção jamais deverão ser usados em mulheres em trabalho de parto, durante o parto e nem no período imediatamente posterior.
D correto, visto que a condição de detenta não é afastada pelo trabalho de parto, devendo sua locomoção ser restrita em todos os espaços que frequentar, no interesse da coletividade e nos limites da pena imposta.

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Questões resolvidas

Helena concluiu seu mestrado em Administração Pública e acumulou significativo conhecimento jurídico, mas não possui formação em Direito nem inscrição nos quadros da OAB. Apesar disso, ela passou a oferecer consultoria jurídica e a atuar em audiências representando clientes. André, por sua vez, era advogado regularmente inscrito na OAB, porém foi suspenso do exercício profissional por prática de infração disciplinar. Mesmo suspenso, ele continuou a realizar atos privativos da advocacia, tais como peticionar e participar de audiências.
Com base nessas situações hipotéticas, assinale a afirmativa correta.
A Os atos praticados por André, após a sua suspensão da OAB, são nulos, pois ele está impedido de exercer a advocacia enquanto durar a suspensão.
B Os atos privativos da advocacia praticados por Helena, que não possui inscrição na OAB, são válidos, desde que seus clientes a autorizem expressamente, ratificando os atos por ela praticados.
C Os atos praticados por Helena são válidos, desde que restritos à consultoria extrajudicial e relacionados à administração pública, uma vez que ela não representa clientes em processos judiciais.
D Tanto os atos praticados por Helena quanto os atos praticados por André são anuláveis, porém sujeitos à convalidação, pois a atuação em audiências e a prática de consultoria jurídica, embora preferencialmente exercidas por advogados, podem, excepcionalmente, ser exercidas por pessoa com conhecimento jurídico

Pedro, cidadão brasileiro, graduou-se em Direito em renomada instituição norte-americana. Caso deseje exercer no Brasil a profissão de advogado, Pedro deverá solicitar inscrição na Ordem dos Advogados do Brasil. Sobre a hipótese, assinale a opção que indica o requisito que, em tal ocasião, Pedro estará dispensado de apresentar.
A Revalidação do título de graduação em Direito.
B Aprovação em Exame de Ordem.
C Ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.
D Prestação de compromisso perante o conselho.

Em sua obra “Teoria Geral do Direito e do Estado”, Hans Kelsen, ao discutir o “conceito de direito”, aborda a relação entre validade e eficácia. A respeito dessa relação, sustenta que
A) entre os conceitos de validade e de eficácia há uma relação de identidade.
B) validade e eficácia conectam-se em virtude de sua relação com a justiça.
C) uma norma jurídica somente pode ser considerada válida se pertencer a uma ordem que, no todo, é eficaz.
D) uma norma jurídica somente pode ser considerada eficaz se pertencer a uma ordem globalmente válida.

Emenda à Constituição inseriu novo direito social na Constituição Federal de 1988. Da análise do dispositivo normativo extraiu-se que a fruição do direito ali previsto somente seria possível com sua devida disciplina legal. Passados sete anos sem que o Congresso Nacional tivesse elaborado a referida regulamentação, mesmo após decisões do Supremo Tribunal Federal que reconheciam a mora e determinavam prazo razoável para a edição da norma regulamentadora, Fernando, que entende fazer jus a tal direito, procurou você, como advogado(a), a fim de saber se há alguma providência judicial a ser tomada para que possa usufruir do direito constitucionalmente previsto.
Sobre a hipótese, de acordo com o sistema jurídico-constitucional vigente, assinale a afirmativa que apresenta, corretamente, sua orientação.
A) A via judicial não é cabível, posto que, com base no princípio da separação de poderes, somente a produção de lei regulamentadora pelo Congresso Nacional viabilizará a fruição do referido direito social.
B) Fernando poderá ingressar com mandado de injunção perante o Superior Tribunal de Justiça, o qual, reconhecendo a existência de mora por parte do Congresso Nacional, poderá determinar que este Tribunal edite a lei regulamentadora imediatamente.
C) O mandado de injunção, a ser impetrado por Fernando perante o Supremo Tribunal Federal, pode ser utilizado para requerer que o Tribunal estabeleça as condições em que se dará o exercício do referido direito social, de modo a permitir a sua fruição.
D) Fernando tem a possibilidade de ajuizar uma ação direta de inconstitucionalidade por omissão perante o Supremo Tribunal Federal, requerendo que o Tribunal promova sua implementação imediata para todos que façam jus ao direito social.

Mariana, que nasceu no Brasil, decidiu adquirir a nacionalidade de um país asiático. Embora este país não tivesse imposto condições para sua permanência no respectivo território ou para o exercício dos direitos civis, ela acreditava que essa decisão facilitaria sua circulação pelo continente asiático, já que tinha o propósito de explorar vários sítios montanhosos. No entanto, ao retornar ao Brasil neste mês, Mariana foi informada de que essa escolha pode resultar na perda de sua nacionalidade brasileira. Preocupada, ela consultou você, como advogado(a), para esclarecer a sua situação, explicando que nunca realizou qualquer pedido expresso para abdicar da nacionalidade brasileira.
Sobre a situação de Mariana, de acordo com o sistema jurídico− constitucional brasileiro, assinale a afirmativa correta.
A Ela mantém a nacionalidade brasileira, pois, no caso em análise, apenas o pedido expresso de perda da nacionalidade pode gerar tal consequência.
B Ela não perde a nacionalidade brasileira, desde que comunique previamente ao governo brasileiro que não deseja renunciar a ela ao adquirir a nova nacionalidade.
C Ela perde a nacionalidade brasileira apenas se deixar de exercer direitos políticos e civis no Brasil, como o voto ou a manutenção de propriedades, após adquirir a nova nacionalidade.
D Ela perde a nacionalidade brasileira, pois ao adquirir voluntariamente outra nacionalidade, sem imposição do Estado estrangeiro, ela perde automaticamente a nacionalidade originária.

Em 2001, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos no caso Maria da Penha Maia Fernandes versus Brasil, por omissão em relação a crimes contra os Direitos Humanos das mulheres. Em razão da condenação no plano internacional, em 2006, foi publicada a Lei nº 11.340, que trouxe mecanismos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar. Em 2022, em consonância com a lei nacional, foi editada no Estado de Santa Catarina a Lei Estadual nº 18.322, fortalecendo, ainda mais, a proteção dos direitos humanos das mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
Acerca das formas de violência contra a mulher elencadas na Lei nº 18.322/22, é correto afirmar que
A violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
B violência obstétrica é todo ato praticado pelo médico, pela equipe do hospital, por um familiar ou acompanhante que ofenda, de forma verbal ou física, as mulheres gestantes, em trabalho de parto ou, ainda, no período puerpério.
C violência moral é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.
D violência psicológica é entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.

Joana, grávida de 8 meses, é recolhida a estabelecimento carcerário para cumprimento de pena privativa de liberdade já transitada em julgado. No mês subsequente ao seu encarceramento, a apenada entra em trabalho de parto, sendo encaminhada para hospital público estadual para início dos procedimentos médicos. Visando a evitar a fuga de Joana, o agente policial que a acompanhou tomou todas as cautelas necessárias, algemando-a na maca hospitalar durante todo o período em que ela esteve internada, inclusive durante o parto. Nesse contexto, considerando as Regras das Nações Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas – Regras de Bangkok, é correto afirmar que o uso das algemas foi
Considerando as Regras das Nações Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas – Regras de Bangkok, é correto afirmar que o uso das algemas foi:
A correto, estando em consonância com a súmula vinculante 11 do STF, que prevê a possibilidade de utilização do instrumento de contenção nos casos de risco de fuga, inclusive durante o parto.
B incorreto, vez que o trabalho de parto deveria ser realizado nas dependências da penitenciária por agentes policiais, dentro da cela da detenta, para evitar risco de fuga, o que dispensaria o uso de algemas.
C incorreto, visto que os instrumentos de contenção jamais deverão ser usados em mulheres em trabalho de parto, durante o parto e nem no período imediatamente posterior.
D correto, visto que a condição de detenta não é afastada pelo trabalho de parto, devendo sua locomoção ser restrita em todos os espaços que frequentar, no interesse da coletividade e nos limites da pena imposta.

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S I M U L A D O O F I C I A L
Nocaute
G A B A R I T O C O M E N T A D O
M E T O D O V D E . C O M . B R · @ M E T O D O V D E
GABARITO OFICIAL
Confira suas respostas. Para entender o porquê de cada alternativa, consulte o Gabarito
Comentado.
Q01 A Q21 B Q41 A Q61 A
Q02 A Q22 D Q42 A Q62 D
Q03 C Q23 A Q43 D Q63 B
Q04 C Q24 D Q44 B Q64 C
Q05 C Q25 A Q45 A Q65 B
Q06 A Q26 D Q46 D Q66 C
Q07 D Q27 B Q47 A Q67 D
Q08 C Q28 B Q48 C Q68 B
Q09 A Q29 C Q49 D Q69 B
Q10 C Q30 C Q50 C Q70 C
Q11 A Q31 C Q51 D Q71 C
Q12 D Q32 B Q52 C Q72 A
Q13 C Q33 C Q53 B Q73 D
Q14 D Q34 B Q54 D Q74 D
Q15 A Q35 A Q55 C Q75 D
Q16 A Q36 A Q56 B Q76 B
Q17 B Q37 A Q57 C Q77 D
Q18 C Q38 C Q58 B Q78 C
Q19 B Q39 B Q59 C Q79 B
Q20 A Q40 C Q60 D Q80 C
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 2 de 103
QUESTÃO 01 D I R E I T O S D O A D V O G A D O
Roberto, advogado criminalista, foi contratado para promover a defesa de Juvenal, gestor público
acusado da prática de corrupção passiva, peculato e ''lavagem'' ou ocultação de valores. No
decorrer do processo criminal, foi decretado, pelo Juízo, o bloqueio universal do patrimônio de
Juvenal, visando ao ressarcimento do suposto dano causado ao erário, o que inviabilizou o
adimplemento dos honorários contratuais devidos a Roberto e o reembolso de gastos com a
defesa.
Sobre essa hipótese, assinale a afirmativa correta.
A Roberto terá direito à liberação de até 20% dos bens bloqueados para fins de recebimento
de honorários e o reembolso de gastos com a defesa.
B Roberto deverá solicitar, nos próprios autos da ação penal, a liberação de até 20% dos bens
bloqueados, exclusivamente para o reembolso de gastos com a defesa.
C Em virtude da supremacia do interesse público, Roberto não fará jus à liberação de qualquer
valor tornado indisponível, até que sobrevenha eventual decisão promovendo o desbloqueio
do patrimônio de Juvenal.
D Em virtude do caráter alimentar dos honorários advocatícios, caso apresente o respectivo
contrato nos autos, Roberto fará jus à liberação dos bens bloqueados até a completa
satisfação da verba contratada, ainda que isso implique o esvaziamento do bloqueio judicial.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. O art. 24-A, do Estatuto da OAB prevê expressamente que, nos casos em que houver
bloqueio universal de bens do cliente, o advogado poderá requerer ao juiz a liberação de valores
para o pagamento de honorários advocatícios contratuais e reembolso de despesas com a
defesa. O mesmo artigo estabelece o limite de até 20% dos bens bloqueados para essa
finalidade.
Art. 24-A. No caso de bloqueio universal do patrimônio do cliente por decisão judicial, garantir-se-á ao
advogado a liberação de até 20% (vinte por cento) dos bens bloqueados para fins de recebimento de
honorários e reembolso de gastos com a defesa, ressalvadas as causas relacionadas aos crimes
previstos na Lei nº 11.343, de 23 de agosto de 2006 (Lei de Drogas), e observado o disposto no
parágrafo único do art. 243 da Constituição Federal.
B I NC O RRE T A
Errada. A alternativa possui dois erros. O primeiro erro está na restrição introduzida pela palavra
"exclusivamente". A liberação não se limita ao reembolso de gastos com a defesa — abrange
também o pagamento de honorários advocatícios. O segundo erro está em afirmar que a
solicitação deve ser feita nos próprios autos da ação. Segundo o §1º, o pedido deve ser feito em
autos apartados.
D I S C I P L I N A
ÉTICA PROFISSIONAL
Q01 – Q08 · 8 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 3 de 103
§ 1º O pedido de desbloqueio de bens será feito em autos apartados, que permanecerão em sigilo,
mediante a apresentação do respectivo contrato.
C I NC O RRE T A
Errada. A supremacia do interesse público não pode ser invocada de forma absoluta a ponto de
anular o direito constitucional à ampla defesa. O legislador fez justamente a ponderação entre o
interesse público no ressarcimento do erário e o direito fundamental de defesa, estabelecendo o
limite de 20% como ponto de equilíbrio.
D I NC O RRE T A
Errada. Embora os honorários advocatícios tenham natureza alimentar , essa natureza não
autoriza a liberação ilimitada de bens bloqueados. O legislador fixou expressamente o teto de 20%
dos bens bloqueados.
QUESTÃO 02 A T O S P R I V A T I V O S D E A D V O G A D O
Helena concluiu seu mestrado em Administração Pública e acumulou significativo conhecimento
jurídico, mas não possui formação em Direito nem inscrição nos quadros da OAB. Apesar disso, ela
passou a oferecer consultoria jurídica e a atuar em audiências representando clientes.
André, por sua vez, era advogado regularmente inscrito na OAB, porém foi suspenso do exercício
profissional por prática de infração disciplinar. Mesmo suspenso, ele continuou a realizar atos
privativos da advocacia, tais como peticionar e participar de audiências.
Com base nessas situações hipotéticas, assinale a afirmativa correta.
A Os atos praticados por André, após a sua suspensão da OAB, são nulos, pois ele está
impedido de exercer a advocacia enquanto durar a suspensão.
B Os atos privativos da advocacia praticados por Helena, que não possui inscrição na OAB, são
válidos, desde que seus clientes a autorizem expressamente, ratificando os atos por ela
praticados.
C Os atos praticados por Helena são válidos, desde que restritos à consultoria extrajudicial e
relacionados à administração pública, uma vez que ela não representa clientes em
processos judiciais.
D Tanto os atos praticados por Helena quanto os atos praticados por André são anuláveis,
porém sujeitos à convalidação, pois a atuação em audiências e a prática de consultoria
jurídica, embora preferencialmente exercidas por advogados, podem, excepcionalmente, ser
exercidas por pessoa com conhecimento jurídico
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. O art. 4º do Estatuto da OAB estabelece que são nulos os atos privativos de advogado
praticados por pessoa não inscrita na OAB ou por advogado impedido, suspenso, licenciado ou
que exercer atividade incompatível com a advocacia. André, embora inscrito, encontra-se
suspenso do exercício profissional por infração disciplinar. Durante o período de suspensão,
perde a capacidade postulatória, e todos os atos privativos que praticar — petições, audiências,
sustentações orais — são nulos. A nulidade é absoluta, não comportando convalidação.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 4 de 103
Art. 4º São nulos os atos privativos de advogado praticados por pessoa não inscrita na OAB, sem
prejuízo das sanções civis, penais e administrativas.
Parágrafo único. São também nulos os atos praticados por advogado impedido - no âmbito do
impedimento - suspenso, licenciado ou que passar a exercer atividade incompatível com a
advocacia.
B I NC O RRE T A
Errada. A inscrição na OAB é requisito indispensável para o exercício da advocacia (art. 1º e 3º do
Estatuto). A autorização ou ratificação pelo cliente é absolutamente irrelevante para suprir a
ausência de capacidade postulatória. Os atos praticados por Helena são nulos de pleno direito
(art. 4º), independentemente da vontade das partes. A nulidade decorre de norma de ordem
pública, que não pode ser afastada pela autonomia privada.
Art. 1º São atividades privativas de advocacia: I - a postulação a qualquer órgão do Poder Judiciário e
aos juizados especiais; (Vide ADIN 1.127-8) II - as atividades de consultoria, assessoria e direção jurídicas.
Art. 3º O exercício da atividade de advocacia no território brasileiro e a denominação de advogado são
privativos dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
C I NC O RRE T A
Errada. A consultoria jurídica também é atividade privativa de advogado, conforme art. 1º, II, do
Estatuto da OAB. O enunciado é claro ao afirmar que Helena "passou a oferecer consultoria jurídica
e a atuar em audiências representandonos termos seguintes:
XXXVIII - é reconhecida a instituição do júri, com a organização que lhe der a lei, assegurados:
d) a competência para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida;”
Bem como do art. 5º, LII da CRFB/88, que diz:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
[...]
LII - não será concedida extradição de estrangeiro por crime político ou de opinião;”
Dessa forma, tem-se que João poderia sim ser julgado pelo Tribunal do Júri, contudo não
poderia ser extraditado em decorrência da natureza do crime em que foi condenado em seu
país originário.
A I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois João poderia sim ser julgado pelo Tribunal do Júri, nos
termos do art. 5º, XXXVIII, alínea “d” da CRFB/88. Ademais, quanto à extradição, a mesma não
poderá ocorrer em virtude da expressa previsão legal do art. 5º, LII da CRFB/88, que não concede a
extradição de estrangeiros em virtude de crimes políticos ou de opinião.
B I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (B) está incorreta, pois João poderia sim ser julgado pelo Tribunal do Júri, nos
termos do art. 5º, XXXVIII, alínea “d” da CRFB/88.
C I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (C) está incorreta, em razão dos motivos expostos na alternativa “A”.
D C O RRE T A
Correta. Pois está nos termos do art. 5º, XXXVIII, alínea “d” e art. 5º, LII, ambos da CRFB/88.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 30 de 103
QUESTÃO 23 O R Ç A M E N T O
À luz das normas constitucionais orçamentárias e financeiras, assinale a opção correta.
A O projeto da lei orçamentária anual é de iniciativa exclusiva do chefe do Poder Executivo e,
em regra, é vedado ao parlamento emendá-lo para aumentar a despesa prevista.
B A lei orçamentária anual não poderá conter dispositivo estranho à previsão da receita e à
fixação da despesa, incluindo-se, nessa proibição, a autorização para a abertura de créditos
suplementares.
C Na gestão financeira dos recursos repassados a título de duodécimo, é possível transferi-los
a fundos públicos.
D A administração tem o dever de executar as programações orçamentárias para garantir a
entrega de bens e serviços à sociedade, delas excluídas as despesas primárias
discricionárias.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. A alternativa (A) está correta, uma vez que o projeto da lei orçamentária anual é de
iniciativa exclusiva do chefe do Poder Executivo e, em regra, é vedado ao parlamento emendá-lo
para aumentar a despesa prevista, nos termos do artigo 165 e 63 da Constituição Federal,
vejamos:
Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão: III - os orçamentos anuais.
Art. 63. Não será admitido aumento da despesa prevista:
I - nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente da República, ressalvado o disposto no art.
166, § 3º e § 4º;
B I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (B) está incorreta, pois cita que a lei orçamentária anual não poderá conter
dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da despesa, incluindo-se, nessa proibição,
a autorização para a abertura de créditos suplementares.
Entretanto, nos termos do artigo 165, § 8º, CF não se inclui na proibição a autorização para
abertura de créditos suplementares.
Vejamos:
Art. 165. Leis de iniciativa do Poder Executivo estabelecerão:
§ 8º A lei orçamentária anual não conterá dispositivo estranho à previsão da receita e à fixação da
despesa, não se incluindo na proibição a autorização para abertura de créditos suplementares e
contratação de operações de crédito, ainda que por antecipação de receita, nos termos da lei.
D I S C I P L I N A
DIREITO FINANCEIRO
Q23 – Q24 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 31 de 103
Diante disso, o erro da alternativa está em afirmar que estão incluídas nessa proibição, a
autorização para a abertura de créditos suplementares.
C I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (C) está incorreta, pois NÃO é possível a transferência a fundos públicos com
base no artigo 168 , § 1º, CF:
Vejamos:
Art 168, § 1º CF É vedada a transferência a fundos de recursos financeiros oriundos de repasses
duodecimais.
D I NC O RRE T A
Errada. A alternativa D está incorreta, pois afirma que são excluídas as despesas primárias
discricionárias.
Todavia, nos termos do artigo 165, § 11, III, CF, as despesas primárias discricionárias são incluídas
no dever da administração de executar as programações orçamentárias para garantir a entrega
de bens e serviços à sociedade.
Vejamos:
Art 165, § 10. A administração tem o dever de executar as programações orçamentárias,
adotando os meios e as medidas necessários, com o propósito de garantir a efetiva entrega de
bens e serviços à sociedade
§ 11. O disposto no § 10 deste artigo, nos termos da lei de diretrizes orçamentárias:
III - aplica-se exclusivamente às despesas primárias discricionárias.
QUESTÃO 24 A D M I N I S T R A Ç Ã O F I N A N C E I R A E T R I B U T Á R I A
Ao analisar os assuntos orçamentários, os membros das Casas Legislativas realizam atividades tão
diversas como estudos, avaliações, debates e consultas. Além disso, eles buscam informações e
participam de audiências públicas com autoridades e especialistas.
A Constituição Federal de 1988 restabeleceu a prerrogativa de o legislador emendar o projeto de Lei
Orçamentária Anual (LOA), principalmente no que diz respeito ao aumento ou à criação de novas
despesas.
As emendas ao projeto de LOA ou aos projetos que o alterem podem ser aprovadas caso
A anulem dotações com gastos de pessoal e encargos, serviço da dívida e transferências
tributárias intergovernamentais.
B sejam compatíveis com o plano plurianual ou com a lei de diretrizes orçamentárias.
C indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de
despesa, incluídas as que incidem sobre dotações para pessoal e seus encargos, serviço da
dívida e transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal.
D indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de
despesa, excluídas as que incidem sobre dotações para pessoal e seus encargos, serviço
da dívida e transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito
Federal.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 32 de 103
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois as emendas não podem anular despesas com gastos
de pessoal e encargos, serviço da dívida e transferências tributárias intergovernamentais.
Vejamos:
Art 166, CF § 3º. As emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou aos projetos que o
modifiquem somente podem ser aprovadas caso:
II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os provenientes de anulação de
despesa, excluídas as que incidam sobre:
a) dotações para pessoal e seus encargos;
b) serviço da dívida;
c) transferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal;
B I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (B) está incorreta, tendo em vista que além de serem compatíveis com o
plano plurianual é necessário ser compatível com as diretrizes orçamentárias (não é um ou outro,
mas sim os dois).
| CUIDADO COM A PEGADINHA! De acordo com a CF/1988 em seu art. 166 no § 3º : I - sejam
compatíveis com o plano plurianual E com a lei de diretrizes orçamentárias; (O erro está no OU,
pois é necessário que as emendas individuais estejam compatíveis com as duas leis
orçamentárias). | | :---- |
C I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (C) está incorreta pois nos termos do artigo 166, § 3º, CF, não estão inclusas
as despesas que incidem sobre dotações para pessoal e seus encargos, serviço da dívida etransferências tributárias constitucionais para Estados, Municípios e Distrito Federal.
D C O RRE T A
Correta. A alternativa D está correta, uma vez que está em conformidade com o que dispõe o
artigo 166, § 3º, II, CF já mencionado acima.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 33 de 103
QUESTÃO 25 E X E C U Ç Ã O F I S C A L
A sociedade empresária Hannah Montana Produções Ltda., da qual a Professora Lara era sócia-
administradora, estava sediada no Município Beta e prestava serviços de organização de eventos,
inclusive em um festival temático em homenagem ao grupo RBD. Apesar de ter realizado diversas
prestações de serviços no território do próprio município, a sociedade deixou de informar parte
dessas operações ao Fisco municipal, em descumprimento à legislação tributária local.
Após procedimento de fiscalização, agente do ISS lavrou auto de infração para exigir o tributo
devido, acrescido de multa e demais encargos legais. Regularmente notificada, a sociedade
empresária não efetuou o pagamento nem apresentou impugnação administrativa.
Na sequência, a Procuradoria do Município Beta, em vez de ajuizar execução fiscal, optou por propor,
com fundamento no Código de Processo Civil, ação de cobrança pelo procedimento comum para
receber o crédito tributário.
Sobre a hipótese narrada, assinale a afirmativa correta.
A A medida judicial adequada para a cobrança do crédito tributário é a execução fiscal, e
não ação de cobrança submetida ao procedimento comum do Código de Processo Civil.
B A ausência de impugnação administrativa impede a cobrança judicial do crédito tributário
pelo Município.
C A constituição do crédito tributário, na hipótese, depende de prévia declaração do
contribuinte homologada pela autoridade administrativa.
D A modalidade de lançamento utilizada pelo Fisco municipal foi o lançamento por
declaração, pois cabia ao contribuinte informar os serviços prestados.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. O Código Tributário Nacional garante que o meio adequado para a cobrança judicial do
crédito tributário é a execução fiscal, com base na Certidão de Dívida Ativa (CDA) como título
executivo extrajudicial (art. 1º da Lei 6.830/1980). A ação de cobrança pelo procedimento comum
do Código de Processo Civil não é o meio correto para cobrança de créditos tributários. Assim,
está correto afirmar que a execução fiscal é o procedimento adequado. Art. 1º, Lei 6.830/1980: A
execução judicial para cobrança da Dívida Ativa da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e respectivas autarquias será regida por esta Lei e, subsidiariamente, pelo Código de
Processo Civil.
B I NC O RRE T A
Errada. A ausência de impugnação administrativa não impede a cobrança judicial do crédito
tributário. O contribuinte pode ser cobrado judicialmente mesmo que não tenha apresentado
impugnação administrativa. O direito à ampla defesa e ao contraditório existe, mas não é
condição para ajuizamento da execução fiscal.
D I S C I P L I N A
DIREITO TRIBUTÁRIO
Q25 – Q29 · 5 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 34 de 103
C I NC O RRE T A
Errada. Na hipótese, o lançamento do crédito tributário decorre da constituição pelo lançamento
de ofício (ou outro tipo de lançamento), não sendo necessária prévia homologação da
declaração do contribuinte pela autoridade administrativa para constituição do crédito, salvo
hipóteses específicas. A declaração, por si, não vincula a autoridade.
D I NC O RRE T A
Errada. O enunciado diz que a sociedade deixou de informar parte das operações (serviços). O
lançamento foi realizado com base na fiscalização, refletindo um lançamento de ofício. O
lançamento por declaração ocorre quando o sujeito passivo fornece os elementos para cálculo
do tributo, o que não ocorreu integralmente aqui.
QUESTÃO 26 I M P O S T O S E L E T I V O
De acordo com a Lei Complementar n.º 214/2025, consideram-se prejudiciais à saúde e ao meio
ambiente, para fins de incidência do imposto seletivo, os bens e serviços referentes a
A alimentos ultraprocessados.
B armas e munições.
C doces e frituras.
D bebidas açucaradas.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. Embora alimentos ultraprocessados possam causar danos à saúde, a LC 214/2025 não os
inclui expressamente como base de incidência do Imposto Seletivo. O rol do imposto é taxativo e
menciona categorias específicas.
B I NC O RRE T A
Errada. Armas e munições são mencionadas no art. 57 da LC 214/2025 como bens de uso ou
consumo pessoal (para outras finalidades), mas não integram a lista taxativa de bens sujeitos ao
Imposto Seletivo constantes do art. 409, §1º da lei complementar.
C I NC O RRE T A
Errada. Doces e frituras, embora eventualmente prejudiciais à saúde, não são expressamente
listados como bens sujeitos ao Imposto Seletivo na LC 214/2025.
D C O RRE T A
Correta. O art. 409, §1º da LC 214/2025 lista taxativamente os bens e serviços considerados
prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente para fins do Imposto Seletivo, incluindo as bebidas
açucaradas (inciso V).
Art. 409. Fica instituído o Imposto Seletivo, de que trata o inciso VIII do art. 153 da Constituição Federal,
incidente sobre a produção, extração, comercialização ou importação de bens e serviços prejudiciais
à saúde ou ao meio ambiente.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 35 de 103
§1º Para fins de incidência do Imposto Seletivo, consideram-se prejudiciais à saúde ou ao meio
ambiente os bens classificados nos códigos da NCM/SH e o carvão mineral, e os serviços listados no
Anexo XVII, referentes a: I - veículos; II - embarcações e aeronaves; III - produtos fumígenos; IV -
bebidas alcoólicas; V - bebidas açucaradas; VI - bens minerais; VII - concursos de prognósticos e
fantasy sport.
QUESTÃO 27 S U J E I T O S D A O B R I G A Ç Ã O T R I B U T Á R I A
A sociedade empresária RBD Produções Artísticas Ltda., da qual a Professora Lara era sócia, alugou
um imóvel comercial no Município Alfa para funcionar como escola de música e dança. No contrato
de locação, ficou expressamente previsto que o locatário seria responsável pelo pagamento de
todos os tributos incidentes sobre o imóvel, inclusive o IPTU.
Algum tempo depois, o Município Alfa promoveu a cobrança do IPTU em face do proprietário do
imóvel. Inconformado, o proprietário alegou que, por força do contrato, a obrigação tributária
caberia exclusivamente à locatária, razão pela qual o Fisco deveria direcionar a cobrança apenas
contra ela.
Diante dessa situação, assinale a afirmativa correta.
A O proprietário está correto, porque o contrato de locação transfere ao locatário a sujeição
passiva tributária perante o Município.
B O proprietário está errado, porque convenções particulares não podem ser opostas à
Fazenda Pública para modificar a definição legal do sujeito passivo da obrigação tributária.
C O proprietário está correto, porque a autonomia privada prevalece sobre a legislação
tributária quanto à definição de quem deve suportar o ônus do IPTU.
D O proprietário está errado, porque o contrato somente produziria efeitos perante o Fisco se
tivesse sido registrado em cartório e comunicado previamente à administração tributária
municipal.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errado. O contrato de locação pode prever que o locatário pague o IPTU, mas ele não transfere a
sujeição passiva tributária perante o Município, que continua sendo o proprietário do imóvel,
conforme o artigo 34 do CTN. Essa obrigação contratual é válida entre as partes, mas não afasta a
obrigação tributária legal do proprietário perante o Fisco.
Art. 34. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular do seu domínio útil, ou o seu
possuidor a qualquer título.
B C O RRE T A
Correta. De fato, as convenções particulares não têm eficácia contra a Fazenda Pública para
alterar quem é o sujeito passivo da obrigação tributária. O entendimentoestá consolidado pela
Súmula 614 do STJ, que afirma que o locatário não pode ser considerado sujeito passivo do IPTU
perante o Município, mesmo que haja cláusula contratual nesse sentido.
Súm. 614, STJ: O locatário não possui legitimidade ativa para discutir a relação jurídico-tributária
de IPTU e de taxas referentes ao imóvel alugado nem para repetir indébito desses tributos.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 36 de 103
C I NC O RRE T A
Errada. A autonomia privada é limitada quando se trata de definir sujeito passivo tributário, pois
isso é matéria de lei, sob o princípio da legalidade tributária. Logo, a convenção entre as partes
não pode prevalecer sobre a legislação tributária constitucional e infraconstitucional.
D I NC O RRE T A
Errada. A exigência de registro em cartório ou comunicação prévia ao Fisco não altera o fato de
que o sujeito passivo legal do IPTU é o proprietário, independentemente dessas formalidades. O
contrato não confere legitimidade para mudar essa situação.
QUESTÃO 28 I T C M D
Após a promulgação da EC nº 132/2023, o Estado Alfa editou lei prevendo alíquotas progressivas de
ITCMD. Pelo novo regime, nas transmissões causa mortis, a alíquota seria maior quanto maior fosse
o valor do quinhão hereditário recebido por cada herdeiro. Além disso, a mesma lei estabeleceu
alíquotas mais elevadas para transmissões em favor de herdeiros de grau de parentesco mais
distante, ainda que o valor recebido fosse idêntico.
Inconformado, um contribuinte ajuizou ação sustentando que a Constituição passou a permitir a
progressividade do ITCMD, mas apenas segundo determinados critérios.
Diante dessa situação, assinale a afirmativa correta.
A A lei estadual é integralmente constitucional, pois a Constituição autoriza a progressividade
do ITCMD tanto em razão do valor transmitido quanto em razão do grau de parentesco entre
as partes.
B A lei estadual é parcialmente inconstitucional, pois a Constituição admite a progressividade
do ITCMD em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação, mas não autoriza a
graduação de alíquotas com base apenas no grau de parentesco.
C A lei estadual é integralmente inconstitucional, pois a Constituição não admite
progressividade de alíquotas no ITCMD.
D A lei estadual é constitucional apenas quanto à progressividade fundada no grau de
parentesco, pois esse critério melhor realiza a capacidade contributiva do que o valor do
quinhão hereditário.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. A EC nº 132/2023 determina expressamente que a progressividade do ITCMD deve se dar
com base no valor do quinhão, do legado ou da doação (art. 155, §1º, inciso VI, da CF). A
graduação exclusivamente pelo grau de parentesco não está prevista na Constituição e, portanto,
não é permitida.
Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre:
I - transmissão causa mortis e doação, de quaisquer bens ou direitos;
§ 1º O imposto previsto no inciso I:
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 37 de 103
VI - será progressivo em razão do valor do quinhão, do legado ou da doação; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 132, de 2023)
B C O RRE T A
Correta. Conforme o texto constitucional modificado pela EC 132/2023, a progressividade é
obrigatória e vinculada ao valor do quinhão ou doação recebido. Não há autorização para
progressividade pautada somente no grau de parentesco, tornando essa parte da lei estadual
inconstitucional.
C I NC O RRE T A
Errada. A progressividade do ITCMD é admitida pela Constituição após a EC 132/2023. Antes, havia
controvérsia, mas a norma expressamente prevê a progressividade em relação ao valor do
quinhão, do legado ou da doação.
D I NC O RRE T A
Errada. A Constituição não autoriza a progressividade baseada exclusivamente no grau de
parentesco; logo, essa alternativa está equivocada.
QUESTÃO 29 I B S E C B S
Após a promulgação da EC nº 132/2023, a União instituiu a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS),
e foi editada lei complementar disciplinando aspectos gerais do Imposto sobre Bens e Serviços
(IBS).
Determinada entidade, abrangida por imunidade tributária prevista na Constituição, sustentou que
essa limitação ao poder de tributar impede a cobrança tanto do IBS quanto da CBS sobre suas
operações.
Ao analisar a situação, o auditor fiscal afirmou que a imunidade somente alcançaria o IBS, por se
tratar de imposto, não se aplicando à CBS.
Diante desse cenário, assinale a afirmativa correta.
A O auditor fiscal está correto, porque as imunidades tributárias somente se aplicam a
impostos, nunca a contribuições.
B O contribuinte está errado, porque apenas o IBS observa a técnica da não cumulatividade,
não se podendo estender à CBS o mesmo regime constitucional.
C O auditor fiscal está errado, porque IBS e CBS deverão observar as mesmas regras quanto a
fatos geradores, bases de cálculo, hipóteses de não incidência, sujeitos passivos e
imunidades.
D O contribuinte está errado, porque o IBS terá alíquota uniforme nacional, o que demonstra
sua submissão a regime constitucional próprio e distinto do da CBS.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. Apesar de as imunidades previstas no artigo 150, VI, da Constituição Federal serem
aplicáveis especificamente a impostos, a disciplina constitucional impõe que a CBS, apesar de ser
contribuição, observe as mesmas hipóteses de imunidade aplicadas ao IBS, por força do artigo
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 38 de 103
149-B, parágrafo único, da Constituição. Portanto, a imunidade pode atingir tanto o IBS quanto a
CBS.
B I NC O RRE T A
Errada. Tanto o IBS quanto a CBS devem observar uma técnica normativa comum, incluindo a não
cumulatividade, conforme disciplinado na Reforma Tributária e na LC 214/2025. Não existe
vedação constitucional para extensão ao regime da CBS.
C C O RRE T A
Correta. Conforme estudo do tema, IBS e CBS são tributos estruturalmente idênticos,
compartilhando fatos geradores, bases de cálculo, hipóteses de não incidência, sujeitos
passivos e, inclusive, imunidades (art. 149-B, parágrafo único, da CF e LC 214/2025). Logo, o
auditor está equivocado ao afirmar que imunidade só alcança o IBS.
D I NC O RRE T A
Errada. A uniformidade da alíquota do IBS não exclui a identidade estrutural e observância
conjunta das regras constitucionais de imunidades com a CBS.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 39 de 103
QUESTÃO 30 I M P R O B I D A D E A D M I N I S T R A T I V A
Determinado servidor público federal, ao preencher o seu contracheque eletrônico, inseriu dados
falsos para receber remuneração superior à devida, obtendo vantagem patrimonial indevida às
custas do erário. Com base na Lei de Improbidade Administrativa (Lei n.º 8.429/1992, com a redação
dada pela Lei n.º 14.230/2021), assinale a afirmativa correta.
A A conduta configura ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da
administração pública, punível independentemente de dolo.
B A conduta configura ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário, exigindo
a comprovação de dolo para sua caracterização.
C A conduta configura ato de improbidade que importa enriquecimento ilícito, exigindo a
comprovação de dolo para sua caracterização
D A conduta configura ato de improbidade que importa enriquecimento ilícito, sendo suficiente
a comprovação de culpa grave.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. Ao enquadrar a conduta como atentado aos princípios e ao dispensar o dolo. Após a Lei n.º
14.230/2021, todos os atos de improbidade exigem dolo — a culpa foi eliminada.
B I NC O RRE T A
Errada. Enquadra equivocadamente a conduta como lesão ao erário (art. 10). Inserir dados falsos
para receber mais do que o devido é enriquecimento ilícito (art. 9º), pois o agente obtém
vantagem patrimonial indevida para si.
C C O RRE T A
Correta. O enriquecimento ilícito (art. 9º)exige dolo, conforme a redação atual da Lei n.º
8.429/1992 dada pela Lei n.º 14.230/2021.
D I NC O RRE T A
Errada. O enquadramento (enriquecimento ilícito) está certo, mas erra ao admitir que culpa grave
seria suficiente. A lei vigente exige dolo — não há mais espaço para modalidade culposa em
nenhuma hipótese de improbidade.
QUESTÃO 31 I N T E R V E N Ç Ã O D O E S T A D O N A P R O P R I E D A D E P R I V A D A
O Poder Público municipal declarou de utilidade pública um imóvel particular para fins de
construção de uma escola. O proprietário concordou com a destinação, mas não aceitou o valor da
indenização oferecido. Diante disso, o município ajuizou ação para transferir a propriedade
D I S C I P L I N A
DIREITO ADMINISTRATIVO
Q30 – Q34 · 5 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 40 de 103
compulsoriamente, depositando o valor arbitrado em juízo. Assinale a afirmativa que descreve
corretamente o instituto utilizado.
A Servidão administrativa, pois há restrição ao uso da propriedade privada em favor do
interesse público, sem transferência de domínio.
B Requisição administrativa, pois o Poder Público pode utilizar o bem privado em situações de
perigo público iminente.
C Desapropriação por utilidade pública, com indenização prévia, justa e em dinheiro,
transferindo-se a propriedade ao ente público.
D Tombamento, pois o imóvel será destinado ao uso coletivo e preservado pelo Poder Público
municipal.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. A servidão administrativa restringe o uso do bem, mas não transfere a propriedade. No
enunciado, o município pretende adquirir o imóvel compulsoriamente, o que afasta essa
modalidade.
B I NC O RRE T A
Errada. A requisição administrativa é medida temporária e urgente, cabível em situações de
perigo público iminente. Não há urgência no enunciado, e o objetivo é a transferência definitiva do
bem.
C C O RRE T A
Correta. A desapropriação por utilidade pública (Decreto-Lei n.º 3.365/1941) é a forma de
intervenção supressiva do Estado: transfere compulsoriamente a propriedade mediante
indenização prévia, justa e em dinheiro (art. 5º, XXIV, CF).
D I NC O RRE T A
Errada. O tombamento protege bens de valor histórico, cultural ou paisagístico. Restringe o uso,
mas não transfere a propriedade ao Poder Público — é instituto completamente distinto da
desapropriação.
QUESTÃO 32 R E S P O N S A B I L I D A D E C I V I L D O E S T A D O
João, cidadão comum, sofreu danos materiais e morais em razão de acidente de trânsito causado
por uma viatura policial estadual que avançou o sinal vermelho durante patrulhamento de rotina. O
Estado foi condenado a indenizar João e, posteriormente, ajuizou ação regressiva contra o policial
responsável. Sobre a responsabilidade civil do Estado nessa hipótese, assinale a afirmativa correta.
A A responsabilidade do Estado perante João é subjetiva, exigindo a comprovação de culpa do
agente público para que a indenização seja devida.
B A responsabilidade do Estado perante João é objetiva, bastando a comprovação do dano e
do nexo causal com a atuação estatal; na ação regressiva contra o policial, exige-se a
prova de dolo ou culpa.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 41 de 103
C A responsabilidade do Estado perante João é objetiva, e na ação regressiva contra o policial
também se aplica a responsabilidade objetiva.
D A responsabilidade do Estado é subjetiva nos casos de ação, reservando-se a
responsabilidade objetiva apenas para as omissões estatais.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. A responsabilidade do Estado perante a vítima é objetiva (art. 37, §6º, CF) — não exige
comprovação de culpa do agente. A vítima só precisa provar o dano e o nexo causal.
B C O RRE T A
Correta. Aplica corretamente a teoria do risco administrativo: responsabilidade objetiva do
Estado perante a vítima (dano + nexo causal) e responsabilidade subjetiva na ação regressiva
contra o agente (exige dolo ou culpa), conforme art. 37, §6º, CF.
C I NC O RRE T A
Errada. A ação regressiva contra o agente é sempre subjetiva — exige prova de dolo ou culpa.
Aplicar responsabilidade objetiva também na ação regressiva contraria o texto expresso do art.
37, §6º, CF.
D I NC O RRE T A
Errada. Inverte a lógica constitucional. A responsabilidade objetiva aplica-se às condutas
comissivas (ações); é nas omissões que parte da doutrina e da jurisprudência admite a
responsabilidade subjetiva do Estado.
QUESTÃO 33 A G E N T E S P Ú B L I C O S
Maria é professora efetiva de uma universidade federal e também médica concursada de um
hospital público estadual. Seu cunhado Carlos, por sua vez, é técnico administrativo federal e, à
noite, trabalha como advogado privado. Com base na Constituição Federal e na legislação
aplicável aos servidores públicos, assinale a afirmativa correta.
A Tanto Maria quanto Carlos exercem acumulação lícita de cargos, pois a Constituição Federal
permite a acumulação de até dois cargos públicos em qualquer hipótese.
B A acumulação de Maria é lícita, pois a Constituição permite a acumulação de um cargo de
professor com outro cargo técnico ou científico, incluindo a área médica. A situação de
Carlos também é lícita, pois a advocacia privada não é vedada a servidores públicos.
C A acumulação de Maria é lícita, por enquadrar-se na hipótese constitucional de
acumulação de dois cargos de professor ou de um cargo de professor com outro técnico ou
científico. A situação de Carlos é ilícita, pois a advocacia privada é vedada a servidores
públicos federais.
D Tanto Maria quanto Carlos exercem acumulação ilícita, pois a regra constitucional proíbe
qualquer acumulação remunerada de cargos públicos com atividades privadas.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 42 de 103
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. A Constituição proíbe, como regra, a acumulação remunerada de cargos públicos. As
exceções são taxativas — não há permissão genérica para acumular "qualquer dois cargos".
Carlos, além disso, não acumula dois cargos públicos: exerce advocacia privada.
B I NC O RRE T A
Errada. Acerta quanto a Maria, mas erra ao permitir que Carlos exerça advocacia privada. O art. 28
da Lei n.º 8.906/1994 (Estatuto da OAB) e o art. 117, XI, da Lei n.º 8.112/1990 veda ao servidor público
federal o exercício da advocacia.
C C O RRE T A
Correta. Maria acumula cargo de professora com cargo de médica — hipótese permitida pelo
art. 37, XVI, "c", CF (dois cargos de profissional de saúde com profissão regulamentada). Carlos
pratica advocacia privada, vedada ao servidor público federal pela legislação de regência.
D I NC O RRE T A
Errado. A situação de Maria é lícita — a Constituição admite expressamente a acumulação de dois
cargos de profissional de saúde com profissão regulamentada. Afirmar que ambos praticam
acumulação ilícita ignora as exceções constitucionais.
QUESTÃO 34 L I C I T A Ç Õ E S
A Prefeitura de uma capital estadual deseja selecionar o melhor projeto arquitetônico para a
construção de um novo museu municipal. Para tanto, pretende abrir processo licitatório em que
qualquer interessado poderá apresentar seu projeto, e o vencedor receberá um prêmio em dinheiro
estabelecido previamente no edital, sem que isso implique, necessariamente, a contratação dos
serviços de execução da obra. O advogado da Prefeitura foi consultado sobre a modalidade
adequada. Com base na Lei n.º 14.133/2021, assinale a afirmativa correta.
A A modalidade adequada é a concorrência, pois envolve obra de grande vulto e interesse
público relevante, sendo obrigatória para contratações de alta complexidade técnica.
B A modalidade adequada é o concurso, pois é voltada para a escolha de trabalho técnico,
científico ou artístico, com atribuição de prêmio ao vencedor, sendo desnecessária a
contrataçãoposterior dos serviços de execução.
C A modalidade adequada é o pregão, na forma eletrônica, pois projetos arquitetônicos são
considerados serviços comuns com padrões objetivos de desempenho e qualidade definidos
em edital.
D A modalidade adequada é o concurso, porém a lei exige que o vencedor seja,
obrigatoriamente, contratado para executar a obra objeto do projeto premiado.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 43 de 103
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. A concorrência destina-se à contratação de objeto previamente especificado. Não é
cabível para seleção de projetos criativos entre propostas distintas, como ocorre no enunciado.
B C O RRE T A
Correta. O concurso (art. 30 da Lei n.º 14.133/2021) é a modalidade voltada à escolha de trabalho
técnico, científico ou artístico, com atribuição de prêmio ao vencedor. A premiação não implica,
necessariamente, a contratação da execução da obra.
C I NC O RRE T A
Errada. O pregão é restrito a bens e serviços comuns, padronizáveis. Projetos arquitetônicos são
serviços técnicos especializados de natureza intelectual — incompatíveis com a lógica do pregão.
D I NC O RRE T A
Errada. Identifica corretamente o concurso como modalidade, mas erra ao afirmar que o
vencedor deve obrigatoriamente ser contratado para executar a obra. A lei não impõe essa
obrigatoriedade — a premiação e a contratação da execução são etapas independentes.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 44 de 103
QUESTÃO 35 R E S P O N S A B I L I D A D E C I V I L P O R D A N O S A O M E I O A M B I E N T E
O imóvel de Maria é tombado, apenas em nível municipal, como patrimônio histórico e cultural da
cidade. Maria, necessitando aumentar sua renda, resolveu utilizar seu imóvel como um hostel e,
para tal, decidiu realizar obras estruturais, inclusive com alteração da fachada de importância
histórica, sem qualquer pedido ou autorização do Município Alfa. Sua vizinha arquiteta Rose, ao
verificar o início das obras, apresentou Representação, devidamente instruída com fotos, à
Prefeitura, que se quedou inerte.
Ao tomar conhecimento dos fatos quando as obras já estavam quase concluídas, o Ministério
Público ajuizou ação civil pública pleiteando obrigações de fazer, não fazer e indenizatória, em face
do Município Alfa e de Maria. Em sua defesa, o Município Alfa reconheceu sua inércia fiscalizatória,
mas alegou que a responsabilidade é apenas de Maria, na qualidade de proprietária do imóvel e
responsável pelas obras irregulares.
Com base na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, o magistrado deve considerar que a
responsabilidade civil do Município Alfa, decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, por
danos ao meio ambiente:
A inclusive no que tange à tutela do patrimônio cultural, é de caráter solidário, mas de
execução subsidiária;
B é objetiva e solidária, exceto no que tange à tutela do patrimônio cultural, que requer a
demonstração do dolo ou culpa, por ação ou omissão, dos infratores;
C é de caráter solidário, mas de execução subsidiária, exceto no que tange à tutela do
patrimônio cultural, que atrai o caráter subsidiário e a execução solidária;
D inclusive no que tange à tutela do patrimônio cultural, é objetiva e de execução solidária, de
maneira que as obrigações podem ser exigidas de quaisquer dos responsáveis, a qualquer
tempo;
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. A Alternativa (A) está correta, pois é o teor da Súmula 652 do STJ. Vejamos:
Súmula 652 do STJ. A responsabilidade civil da Administração Pública por danos ao meio ambiente,
decorrente de sua omissão no dever de fiscalização, é de caráter solidário, mas de execução
subsidiária.
A responsabilidade civil é solidária, ou seja, tanto a Administração Pública quanto o particular
responsável pelo dano são responsáveis pelo pagamento da indenização.
Já se tratando da execução, a Administração Pública só será obrigada a pagar a indenização se
o particular responsável pelo dano não tiver condições de arcar com a sua parte na
indenização. Essa regra é importante para garantir que a Administração Pública não seja
prejudicada por danos causados por particulares.
D I S C I P L I N A
DIREITO AMBIENTAL
Q35 – Q36 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 45 de 103
B I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (B) está incorreta, pois a responsabilidade é solidária e tutela do patrimônio
cultural se insere no âmbito de proteção das normas do Direito Ambiental, inclusive, a CF é
expressa ao estabelecer a competência concorrente da União, Estados, DF e Municípios em
legislarem sobre o patrimônio cultural e sobre a responsabilidade por danos causados a bens e
direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico.
A responsabilidade por danos ambientais é objetiva (art. 927, parágrafo único, CC c/c art. 14, §1º,
Lei nº 6.938/81 – Lei da Política Nacional do Meio Ambiente) e visa garantir a reparação do dano,
independentemente da existência de culpa, logo, é regida pela teoria do risco integral e as
excludentes como caso fortuito, força maior e fato de terceiro não podem ser opostas, visto que o
titular da atividade lesiva assume os riscos dela oriundos, colocando-se na posição de garantidor
da preservação ambiental.
Art. 927, Parágrafo único, CC. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos
casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do dano
implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.
C I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (C) está incorreta, vide alternativas A e B.
D I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois a execução é subsidiária, como já visto na alternativa
A.
RESUMINDO…
OBRIGAÇÃO → SOLIDÁRIA
EXECUÇÃO → SUBSIDIÁRIA
QUESTÃO 36 P R I N C Í P I O S
João e Maria, alunos do Curso de Direito de uma universidade pública, debatiam a necessidade de
se implementar uma política pública, em âmbito nacional, visando à tutela do meio ambiente
ecologicamente equilibrado, em especial no que atina à seara dos riscos desconhecidos. Caio,
professor, ao ouvir as intensas conversas, aduziu que há um princípio que busca proteger o meio
ambiente, impondo os deveres de cautela e de prudência diante de atividades cujos efeitos e riscos
ambientais não são conhecidos.
Nesse cenário, é correto afirmar que Caio se refere ao princípio do(a)
A precaução, que dispõe de previsão expressa na ordem jurídica pátria.
B prevenção, que não dispõe de previsão expressa na ordem jurídica pátria, mas é fruto de
construção doutrinária.
C precaução, que não dispõe de previsão expressa na ordem jurídica pátria, mas é fruto de
construção doutrinária.
D prevenção, que dispõe de previsão expressa na ordem jurídica pátria.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 46 de 103
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta, com previsão expressa no art. 6º, inciso I, da Lei 12.305/2010.
Art. 6º da Lei nº 12.305/2010: São princípios da Política Nacional de Resíduos Sólidos:
I - a prevenção e a precaução;
Além disso, o princípio da precaução será aplicado quando o risco for incerto ou duvidoso e não
há certeza científica.
B I NC O RRE T A
Errada, A alternativa (B) está incorreta, pois tem previsão no ordenamento jurídico, consoante ao
art. 6º, inciso I, da Lei 12.305/2010. Além disso, o princípio da prevenção será aplicado quando o
risco for certo, conhecido e concreto. Além disso, há certeza científica.
C I NC O RRE T A
Errada, A alternativa (C) está incorreta, vide comentários na alternativa A.
D I NC O RRE T A
Errada, A alternativa (D) está incorreta, pois o princípio correto é o da precaução.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 47 de 103
QUESTÃO 37 E M A N C I P A Ç Ã O
Os tutores de José consideram que o rapaz, aos 16 anos, tem maturidade e discernimento
necessários para praticar osatos da vida civil. Por isso, decidem conferir ao rapaz a sua
emancipação.
Consultam, para tanto, um advogado, que lhes aconselha corretamente no seguinte sentido:
A José poderá ser emancipado em procedimento judicial, com a oitiva do tutor sobre as
condições do tutelado.
B José poderá ser emancipado via instrumento público, sendo desnecessária a homologação
judicial.
C José poderá ser emancipado via instrumento público ou particular, sendo necessário
procedimento judicial.
D José poderá ser emancipado por instrumento público, com averbação no registro de
pessoas naturais.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. De acordo com o art. 5º, § único, I, do Código Civil, quando o menor é tutelado e o tutor
deseja realizar a sua emancipação, o procedimento a ser seguido é o da emancipação judicial,
em que o juiz irá conceder a emancipação ao menor de 16 anos completos a pedido do tutor.
Art. 5º: A menoridade cessa aos dezoito anos completos, quando a pessoa fica habilitada à prática de
todos os atos da vida civil. Parágrafo único. Cessará, para os menores, a incapacidade: I - pela
concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público,
independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver
dezesseis anos completos;
B I NC O RRE T A
Errada. Quando o menor está sendo tutelado é necessário processo judicial que conceda a sua
emancipação, não bastando um instrumento público.
C I NC O RRE T A
Errado. Conforme dito na alternativa anterior, o instrumento público é suficiente apenas quando
for pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro. No caso de tutelado, é necessário
procedimento judicial.
D I NC O RRE T A
Errada. O procedimento correto é a via judicial e não instrumento público.
D I S C I P L I N A
DIREITO CIVIL
Q37 – Q42 · 6 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 48 de 103
QUESTÃO 38 V Í C I O S D O N E G Ó C I O J U R Í D I C O
A cidade de Recife foi atingida por uma tempestade de grandes proporções. As ruas ficaram
alagadas e a população sofreu com a inundação de suas casas e seus locais de trabalho.
Alexandre, que tinha uma pequena embarcação, aproveitou a ocasião para realizar o transporte
dos moradores pelo triplo do preço que normalmente seria cobrado, tendo em vista a premente
necessidade dos moradores de recorrer a esse tipo de transporte.
Nesse caso, em relação ao citado negócio jurídico, ocorreu:
A estado de perigo.
B dolo.
C lesão.
D erro.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. O estado de perigo ocorre quando alguém, diante de um perigo iminente para si ou para
outra pessoa, assume obrigação excessivamente onerosa para obter socorro, conforme art. 156
do Código Civil. No caso, Alexandre se aproveitou da situação emergencial para cobrar preço
abusivo, caracterizando lesão e não estado de perigo.
Art. 156. Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a
pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente
onerosa.
B I NC O RRE T A
Errada. Dolo seria a intenção de induzir outra parte a erro para obter vantagem. Não há indicação
de que Alexandre tenha enganado alguém; ele simplesmente aproveitou-se da situação para
cobrar mais.
C C O RRE T A
Correta. Lesão é a obtenção de vantagem manifestamente exagerada, explorando-se a
necessidade ou inexperiência do contratante, se enquadra exatamente na situação descrita, em
que Alexandre, aproveitando-se da tempestade de grandes proporções, cobrou o triplo do valor
para realizar o transporte.
Art. 157. Ocorre a lesão quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se
obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta.
D I NC O RRE T A
Errada. Erro ocorre quando há falsa percepção da realidade, o que não é o caso aqui, pois os
moradores sabem do perigo que grandes chuvas causam e possuem a necessidade de se
transportarem mesmo diante dos alagamentos.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 49 de 103
QUESTÃO 39 O B R I G A Ç Õ E S
Ivan, André e Caio celebraram negócio jurídico pelo qual se obrigaram a entregar um veículo da
marca M a Bruna. Na data marcada para o cumprimento da obrigação, Ivan deu à Bruna um carro
da marca M de sua propriedade.
Sobre a situação hipotética apresentada, assinale a afirmativa correta:
A Bruna pode exigir de André e de Caio as suas respectivas cotas−partes na dívida.
B Ivan pode cobrar de André e de Caio, em dinheiro, as respectivas cotas−partes no débito.
C André e Caio permanecem coobrigados perante Bruna pela parte que lhes cabe na dívida.
D Tanto André como Caio permanecem responsáveis pela entrega de um carro, agora perante
Ivan.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. Ivan já entregou o veículo, ou seja, a obrigação perante Bruna foi integralmente cumprida.
Bruna não pode mais exigir nenhuma prestação de André e Caio, está satisfeito o seu crédito.
B C O RRE T A
Correta. É a regra do art. 259 do Código Civil. Quando um dos codevedores paga sozinho a
dívida indivisível, sub-roga-se no direito do credor, mas a prestação, já tendo sido cumprida,
converte-se em perdas e danos (valor em dinheiro) na relação interna entre os devedores.
Assim, Ivan cobra de cada um a cota-parte correspondente, em dinheiro, pois o objeto (o carro)
já foi entregue e não pode ser fracionado de volta.
Art. 259. Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação não for divisível, cada um será obrigado
pela dívida toda. Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em
relação aos outros coobrigados.
C I NC O RRE T A
Errada. Pelo já exposto na letra A, a obrigação perante a credora já foi extinta com a entrega do
veículo por Ivan. Não subsiste obrigação de André e Caio em relação a Bruna.
D I NC O RRE T A
Errada. A obrigação que remanesce entre os codevedores não é de entregar outro carro. Como a
prestação indivisível já foi cumprida, o direito de regresso de Ivan se resolve em dinheiro
(equivalente às cotas-partes), e não na entrega de outro bem.
QUESTÃO 40 D O A Ç Ã O
Waldo é titular de vultoso patrimônio e amigo de infância de Tadeu, que passa por sérias
dificuldades econômicas. Frente às adversidades vividas pelo amigo, Waldo entrega as chaves de
um imóvel de sua propriedade para Tadeu e diz a ele: “a partir de agora essa casa é de sua
propriedade.”
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 50 de 103
Sobre a hipótese apresentada, assinale a afirmativa correta.
A A declaração verbal de Waldo, junto da tradição do imóvel, é suficiente para considerar-se
celebrado e realizado um contrato de doação válido e eficaz.
B Para que a doação de imóvel de Waldo a Tadeu se aperfeiçoe será imprescindível celebrar o
contrato por meio de escritura pública, seja qual for o valor do imóvel.
C Para que Waldo realize a pretendida doação de imóvel a Tadeu de modo válido, será
imprescindível celebrar o contrato de forma escrita, seja por meio de escritura pública ou
de instrumento particular, a depender do valor do imóvel.
D Caso Waldo optasse por doar dinheiro para Tadeu adquirir um imóvel, a doação seria válida
sem que se fizesse por escritura pública ou instrumento particular, independentemente do
valor transferido ao donatário.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. A doação de imóvel não se aperfeiçoa apenas por declaração verbal e tradição das
chaves. O artigo 541 do Código Civil exige forma escrita para a doação, especialmente por
escritura pública, quando se tratar de bens imóveis.
Art. 541. A doação far-se-á por escritura pública ou instrumento particular.
B I NC O RRE T A
Errada. A escritura pública é exigida para doação de bens imóveis cujo valor ultrapasse 30
salários-mínimos (art. 108 do Código Civil). Para valores inferiores, podeser instrumento particular
válido.
Art. 108. Não dispondo a lei em contrário, a escritura pública é essencial à validade dos negócios
jurídicos que visem à constituição, transferência, modificação ou renúncia de direitos reais sobre
imóveis de valor superior a trinta vezes o maior salário mínimo vigente no País.
C C O RRE T A
Correta. Conforme o art. 541 do Código Civil, a doação deve ser realizada por escrito — escritura
pública para imóveis de valor acima de 30 salários-mínimos ou instrumento particular para
valores inferiores. Portanto, essa é a alternativa que reúne os critérios corretos.
D I NC O RRE T A
Errada. A doação em dinheiro para aquisição de imóvel, se ultrapassar determinado valor,
também pode exigir forma escrita, conforme regras análogas, pois a forma é requisito para a
validade da liberalidade que envolva quantia ou bem com valor patrimonial significativo.
QUESTÃO 41 R E S P O N S A B I L I D A D E C I V I L
No último domingo, após uma partida de futebol, Ariano ofereceu carona em seu carro a João, seu
fraterno amigo. Ao transitar por certa avenida em velocidade muito acima da permitida, o veículo
conduzido por Ariano colidiu com um poste. João, com a colisão, sofreu graves lesões por todo
corpo, tendo inclusive que amputar uma perna.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 51 de 103
A esposa de João, que está grávida, ficou extremamente abalada, encontrando-se internada em
Unidade de Terapia Intensiva em um hospital público.
A respeito do tema da responsabilidade civil de indenizar, com base nas súmulas do Superior
Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa correta.
A É possível a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral eventualmente
sofridos por João, em razão das graves lesões sofridas no acidente.
B A legitimidade para pleitear a indenização por dano moral é exclusiva de João, sendo
inadmissível que sua esposa venha a pleitear perdas e danos pelo acidente.
C Mesmo que o transporte realizado por Ariano tenha sido desinteressado e de simples
cortesia, ele responde objetivamente pelos danos sofridos por João.
D Como se trata de responsabilidade civil extracontratual, os eventuais danos sofridos por
João geram juros moratórios e correção monetária a partir do trânsito em julgado da
sentença.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. A Súmula nº 387 do STJ estabelece que é lícita a cumulação das indenizações por dano
estético e dano moral, desde que oriundos do mesmo fato. Portanto, João pode pleitear ambas
as indenizações decorrentes das graves lesões.
Súm. 387, STJ: É lícita a cumulação das indenizações de dano estético e dano moral.
B I NC O RRE T A
Errada. Além da vítima direta (João), terceiros próximos, como o cônjuge, também podem pleitear
indenização por dano moral reflexo, em decorrência do sofrimento causado pelo acidente.
C I NC O RRE T A
Errada. O transporte voluntário gratuito estabelece responsabilidade subjetiva do condutor, não
objetiva. Assim, Ariano responde se ficar comprovada culpa (negligência, imprudência,
imprudência). Não há responsabilidade objetiva automática nesse caso.
D I NC O RRE T A
Errada. Nos danos extracontratuais, juros moratórios e correção monetária incidem geralmente
desde a citação ou arbitramento da indenização, não a partir do trânsito em julgado, conforme
entendimento do STJ.
QUESTÃO 42 S U C E S S Õ E S
Paulo e Glória mantiveram união estável por 22 anos, sem que nunca tivessem celebrado pacto de
convivência. Ao longo da relação, amealharam, por esforço comum, patrimônio de R$ 1.600.000 (um
milhão e seiscentos mil reais). Paulo faleceu, não deixando filhos nem pais, apenas seus quatro
avós e dois irmãos.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 52 de 103
Diante dos fatos hipotéticos narrados, sobre a sucessão de Paulo, assinale a afirmativa correta.
A Glória terá direito à meação, R$ 800.000 (oitocentos mil reais), mais metade do valor da
herança, ou seja, R$ 400.000 (quatrocentos mil reais). O valor restante, de R$ 400.000
(quatrocentos mil reais), será dividido igualmente entre os avós de Paulo.
B Glória terá direito à meação, no valor de R$ 800.000 (oitocentos mil reais), ao direito real de
habitação, mas não concorrerá com os ascendentes de Paulo.
C Glória terá direito ao valor total dos bens, já que o cônjuge afasta da sucessão os
ascendentes do falecido.
D Glória terá direito à meação, no valor de R$ 800.000 (oitocentos mil reais), e o valor da
herança será dividido em três partes iguais, recebendo Glória e os dois irmãos de Paulo, o
correspondente a 1/3 (um terço) cada um.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. Sem descendentes, a sucessão segue para a segunda classe do art. 1.829, II, CC:
ascendentes em concorrência com o cônjuge/companheiro. Pelo art. 1.837, CC, quando o
companheiro concorre com ascendentes de segundo grau (avós, já que os pais são pré-
mortos), cabe ao companheiro metade da herança. Assim: meação de R$ 800.000 + metade da
herança (R$ 400.000) \= R$ 1.200.000 para Glória. Os R$ 400.000 restantes dividem-se
igualmente entre os quatro avós (R$ 100.000 cada). Os irmãos nada recebem, pois ascendentes
excluem colaterais.
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte:
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge;
Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço da herança;
caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for aquele grau.
B I NC O RRE T A
Errada. Glória de fato tem direito real de habitação (art. 1.831, CC), porém ela concorre sim com os
ascendentes na herança, conforme art. 1.829, II. Afirmar que ela não concorre com os ascendentes
contraria diretamente a lei.
Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo
da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel
destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a inventariar.
C I NC O RRE T A
Errada. O companheiro/cônjuge não afasta os ascendentes da sucessão. A ordem do art. 1.829 é
clara: na ausência de descendentes, os ascendentes herdam em concorrência com o cônjuge/
companheiro. Somente na falta de descendentes e ascendentes é que o cônjuge/companheiro
herdaria sozinho (art. 1.829, III).
D I NC O RRE T A
Errada. Os irmãos são colaterais de segundo grau e pertencem à quarta classe da vocação
hereditária (art. 1.829, IV). Existindo ascendentes vivos (os avós), os colaterais são excluídos da
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 53 de 103
sucessão. Além disso, a forma de divisão apresentada não corresponde a nenhuma regra do
Código Civil.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 54 de 103
QUESTÃO 43 A U T O R I Z A Ç Ã O P A R A V I A J A R
Maria e José, ambos com 45 anos, possuem um filho em comum, Paulo, que, hoje, tem 17 anos.
Quando Paulo tinha 12 anos, Maria e José se divorciaram e foi estipulada judicialmente a guarda
unilateral para Maria, sendo certo que José sempre usou o seu direito de convivência com o
adolescente em finais de semanas alternados.
Após muito esforço, Maria conseguiu angariar recursos para fazer uma viagem dentro do território
nacional com Paulo. A viagem será de uma semana e não afetará o direito de visitação de José.
Ocorre que o genitor se opõe à viagem, mesmo sem apresentar qualquer justificativa para isso.
Preocupada, Maria procura você, como advogado(a), para que lhe preste a solução jurídica
adequada.
De acordo com o ECA, assinale a opção que, corretamente, indica a sua orientação.
A Maria deverá buscar o Juízo da Infância e Juventude e obter alvará para a autorização de
viagem.
B José só pode se opor à viagem se tivesse sido estipulada a guarda compartilhada, o que não
é a hipótese apresentada.
C Maria só pode fazer essa viagemcom expressa autorização de José, já que ambos são
detentores do poder familiar.
D Maria não precisa da anuência do genitor, nem de autorização judicial, uma vez que a
viagem é dentro do território nacional.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. A necessidade de autorização judicial para viagem nacional existe apenas para crianças
(menores de 12 anos) que viajam desacompanhadas dos pais ou responsáveis, nos termos do art.
83, caput, e seu §1º do ECA. Paulo é adolescente e viaja com a mãe — não há exigência de alvará
judicial.
Art. 83. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá viajar para fora da
comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis sem expressa autorização
judicial.
1º A autorização não será exigida quando:
a) tratar-se de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de 16
(dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região
metropolitana; (Redação dada pela Lei nº 13.812, de 2019) b) a criança ou o adolescente menor de
16 (dezesseis) anos estiver acompanhado: (Redação dada pela Lei nº 13.812, de 2019) 1) de
ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco;
2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável.
D I S C I P L I N A
ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE
Q43 – Q44 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 55 de 103
B I NC O RRE T A
Errada. O tipo de guarda (unilateral ou compartilhada) não é o critério relevante aqui. A questão
se resolve pela regra objetiva do ECA sobre viagem nacional de adolescente, que independe da
modalidade de guarda. Além disso, ambos os genitores mantêm o poder familiar
independentemente do tipo de guarda fixada.
C I NC O RRE T A
Errada. Embora de fato ambos detenham o poder familiar, o ECA não exige autorização do outro
genitor para viagem nacional de adolescente acompanhado de um dos pais. A exigência de
autorização expressa do outro genitor aplica-se a viagens internacionais (art. 84, ECA), e não a
viagens dentro do território nacional.
Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é dispensável, se a criança ou
adolescente: I - estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável; II - viajar na companhia de um
dos pais, autorizado expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida.
D C O RRE T A
Correta. O art. 83 do ECA disciplina que o adolescente pode viajar dentro do território nacional
sem necessidade de autorização judicial ou de consentimento do outro genitor, bastando estar
acompanhado de um dos pais. Paulo tem 17 anos, viaja com a mãe e o destino é nacional —
nenhuma formalidade adicional é exigida.
QUESTÃO 44 T U T E L A J U R I S D I C I O N A L
Herminda, de 50 anos, é tia materna de Júlia, de 16 anos. Após verificar que Júlia teve notas baixas
no colégio, Herminda decidiu ir à porta da escola e, com o intuito de correção, ridicularizou e
humilhou a adolescente na frente de seus colegas, dizendo que Júlia era desleixada, que nunca
conseguiria acesso à universidade, sendo uma vergonha para a família.
Os pais de Júlia tomaram conhecimento do fato e ficaram revoltados. Decidiram, então, procurar
você, como advogado(a), para que indicasse a orientação jurídica adequada para sancionar o ato
praticado por Herminda.
Nesse caso, de acordo com o ECA, assinale a afirmativa que apresenta, corretamente, sua
orientação.
A Herminda pode ser encaminhada a cursos ou programas de orientação, sendo que a
aplicação dessa medida só pode ser feita pela autoridade judiciária.
B Herminda, em virtude de tal ato, pode receber sanções, como a advertência, a ser aplicada
pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais.
C Herminda pode sofrer sanções, entre elas, a advertência. Para a aplicação da medida, é
preciso representação do Ministério Público e decisão da autoridade judiciária.
D Herminda não tinha o direito de humilhar e ridicularizar Júlia, mesmo para fins corretivos, o
que caberia aos pais por serem detentores do poder familiar, mas o ECA não prevê qualquer
possibilidade de sanção à tia materna.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 56 de 103
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. Embora o encaminhamento a cursos ou programas de orientação esteja previsto no ECA
(art. 129, dentre as medidas aplicáveis), o erro está na exclusividade atribuída à autoridade
judiciária. O Conselho Tutelar também possui competência para aplicar medidas dessa natureza,
conforme art. 136, II, do ECA. A expressão "só pode ser feita pela autoridade judiciária" torna a
alternativa errada.
Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar:
III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto: a) requisitar serviços públicos nas
áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança; b) representar junto à
autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações.
B C O RRE T A
Correta. A conduta de Herminda configura tratamento vexatório e humilhante contra
adolescentes, violando os arts. 17 e 18 do ECA, bem como o art. 18-A, que proíbe o uso de castigo
físico ou tratamento cruel ou degradante. O Conselho Tutelar tem competência para aplicar a
medida de advertência, conforme o art. 18-B combinado com o art. 136, II, do ECA. A ressalva
"sem prejuízo de outras providências legais" está correta, pois a conduta pode ensejar também
responsabilização civil e, eventualmente, penal.
Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da
criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos
valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade
da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento,
aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de ser
educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas
de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família
ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por
qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê-los.
C I NC O RRE T A
Errada. A advertência não exige representação do Ministério Público nem decisão judicial. Trata-se
de medida que pode ser aplicada diretamente pelo Conselho Tutelar. A alternativa cria um
procedimento mais complexo do que o previsto na lei.
D I NC O RRE T A
Errada. A primeira parte está parcialmente correta — de fato, nem mesmo os pais poderiam
humilhar a adolescente, pois o ECA veda tratamento vexatório por qualquer pessoa. O erro grave
está em afirmar que o ECA não prevê sanção. O Estatuto se aplica a qualquer pessoa que viole
direitos de crianças e adolescentes, não apenas aos pais ou responsáveis legais. A tia pode sim
ser sancionada.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 57 de 103
QUESTÃO 45 D I R E I T O S B Á S I C O S D O C O N S U M I D O R
Avril Lavigne, aposentada, 89 anos, o(a) procurou como advogado(a) porque fora atraída por
ligação telefônica da instituição financeira Banco Skater Boy S.A., que anunciava oferta de crédito
sem análise da situação financeira do consumidor.
Avril Lavigne, que à época da oferta do crédito estava em situação financeira muito difícil, contratou
a abertura de crédito. Diante do valor reduzido de sua aposentadoria e dos compromissos
indispensáveis ao lar e à saúde, celebrados ao longo do ano, não tem mais como pagar todas as
dívidas, que a cada mês ficam maiores.
Diante da situação hipotética apresentada, assinale a afirmativa correta.
A É direito básico do consumidora garantia de práticas de crédito responsável, bem como a
proteção contra a publicidade enganosa.
B Para responsabilizar o Banco Skater Boy S.A., impondo-lhe a obrigação de indenizar, é
necessário comprovar o ato de negligência do preposto do banco.
C Tendo em vista que a contratação se deu fora do estabelecimento empresarial, Avril tinha o
prazo de dez dias para exercer o seu direito de arrependimento.
D As instituições financeiras não são obrigadas a analisar a situação financeira do consumidor,
apenas consultar os serviços de proteção ao crédito antes de concedê-lo.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. A Lei 14.181/2021 incluiu no art. 6º do CDC novos direitos básicos do consumidor, entre
eles a "garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira e de prevenção e
tratamento de situações de superendividamento" (art. 6º, XI, CDC). Além disso, a proteção contra
a publicidade enganosa e abusiva já constava como direito básico no art. 6º, IV, do CDC. No
caso narrado, o Banco Skater Boy S.A. realizou oferta de crédito por telefone sem análise da
situação financeira de Avril, consumidora idosa e em dificuldade financeira, o que configura
violação ao dever de crédito responsável.
Art. 6º São direitos básicos do consumidor:
XI - a garantia de práticas de crédito responsável, de educação financeira e de prevenção e
tratamento de situações de superendividamento, preservado o mínimo existencial, nos termos da
regulamentação, por meio da revisão e da repactuação da dívida, entre outras medidas; (Incluído
pela Lei nº 14.181, de 2021)
XII - a preservação do mínimo existencial, nos termos da regulamentação, na repactuação de dívidas
e na concessão de crédito;
D I S C I P L I N A
DIREITO DO CONSUMIDOR
Q45 – Q46 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 58 de 103
B I NC O RRE T A
Errada. A responsabilidade do fornecedor de serviços no CDC é objetiva, ou seja, independe de
comprovação de culpa (art. 14 do CDC). As instituições financeiras são fornecedoras de serviços
para fins de aplicação do CDC, conforme consolidado pela Súmula 297 do STJ. Portanto, não é
necessário que Avril comprove negligência do preposto — basta demonstrar o defeito na
prestação do serviço, o dano e o nexo causal.
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação
dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por
informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.
Súmula 297, STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.
C I NC O RRE T A
Errada. Embora a contratação por telefone configure contratação fora do estabelecimento
comercial, o que de fato enseja o direito de arrependimento no prazo de 7 dias (e não 10 dias)
contados da contratação ou do recebimento do produto/serviço, conforme art. 49 do CDC.
Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato
de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e
serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio.
D I NC O RRE T A
Errada. A Lei 14.181/2021 impôs expressamente às instituições financeiras e demais fornecedores de
crédito o dever de avaliar de forma responsável as condições financeiras do consumidor antes da
concessão de crédito. O art. 54-D do CDC, incluído pela referida lei, estabelece diversas
obrigações ao fornecedor de crédito, incluindo a de informar e avaliar a capacidade de
pagamento do consumidor. A oferta de crédito "sem análise da situação financeira" viola
frontalmente esse dever legal de crédito responsável.
Art. 54-D. Na oferta de crédito, previamente à contratação, o fornecedor ou o intermediário deverá, entre
outras condutas: II - avaliar, de forma responsável, as condições de crédito do consumidor, mediante
análise das informações disponíveis em bancos de dados de proteção ao crédito, observado o disposto
neste Código e na legislação sobre proteção de dados.
QUESTÃO 46 C L Á U S U L A S A B U S I V A S E M C O N T R A T O S D E A D E S Ã O
Billie Joe, um consumidor, celebrou um contrato de adesão para aquisição de um pacote turístico.
Ao ler atentamente o contrato, Billie Joe identificou uma cláusula que determinava que ele não
poderia requerer indenização à empresa em caso de eventuais prejuízos decorrentes de
cancelamentos por causas naturais. Preocupado, Billie Joe procura você, como advogado(a), para
buscar amparo legal e entender a validade da cláusula em questão.
Diante disso, assinale a afirmativa que apresenta, corretamente, sua orientação.
A A cláusula é válida, porque o Art. 51 do CDC possui um rol exemplificativo de cláusulas
abusivas, e essa cláusula específica não está listada entre as proibidas.
B A cláusula é inválida, porque o Art. 51 do CDC possui um rol taxativo de cláusulas abusivas, e
essa cláusula não está listada entre as permitidas.
C
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 59 de 103
A cláusula é válida, porque o Art. 51 do CDC, que possui um rol de cláusulas abusivas, não se
aplica aos contratos de adesão.
D A cláusula é inválida, porque o Art. 51 do CDC apresenta um rol exemplificativo de cláusulas
abusivas, permitindo a anulação das cláusulas que se mostrem abusivas, mesmo que não
listadas.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. A premissa de que o rol é exemplificativo está correta, mas a conclusão é equivocada.
Justamente por ser exemplificativo, o rol não limita a proteção do consumidor às hipóteses
expressamente listadas — ao contrário, permite que outras cláusulas, ainda que não previstas
textualmente, sejam reconhecidas como abusivas. Além disso, a cláusula descrita no enunciado
se enquadra diretamente no art. 51, I, do CDC, que declara nulas de pleno direito as cláusulas que
"impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por vícios de qualquer
natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de direitos". Art. 51. São
nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos
e serviços que: I - impossibilitem, exonerem ou atenuem a responsabilidade do fornecedor por
vícios de qualquer natureza dos produtos e serviços ou impliquem renúncia ou disposição de
direitos. Nas relações de consumo entre o fornecedor e o consumidor pessoa jurídica, a
indenização poderá ser limitada, em situações justificáveis;
B I NC O RRE T A
Errada. O erro está na classificação do rol como taxativo. O art. 51 do CDC contém rol
exemplificativo, e não taxativo. O próprio inciso XV do art. 51 funciona como cláusula geral de
fechamento, declarando nulas as cláusulas que "estejam em desacordo com o sistema de
proteção ao consumidor". Essa abertura confirma a natureza exemplificativa do rol.
C I NC O RRE T A
Errada. O art. 51 do CDC aplica-se plenamente aos contratos de adesão. Na verdade, os contratos
de adesão são justamente o campo de maior incidência da proteção contra cláusulas abusivas,
dada a ausência de negociação individual entre as partes. O art. 54 do CDC disciplina
especificamente os contratos de adesão, e o §4º desse artigo determina que as cláusulas que
implicarem limitação de direito do consumidor devem ser redigidas com destaque. A proteção do
art. 51 não apenas se aplica como é especialmente relevante para essa modalidade contratual.
D C O RRE T A
Correta. O art. 51 do CDC estabelece um rol exemplificativo de cláusulas abusivas, o que significa
que a proteção do consumidor não se limita às hipóteses expressamente previstas. Cláusulas
que contrariem o sistema de proteção consumerista podem ser declaradas nulas mesmo que
não estejam textualmente listadas no artigo (conforme a cláusula geral do inciso XV).
Revisão Nocaute· OAB 47 — Pág. 60 de 103
QUESTÃO 47 N O M E E M P R E S A R I A L
Bento de Abreu e Bernardino de Campos são os únicos sócios e fundadores da sociedade
empresária Abreu & Campos Ltda. Os sócios deliberaram a transformação da sociedade de
limitada para companhia e lhe pediram orientação sobre o nome empresarial.
Considerando algumas das regras para a formação do nome empresarial do tipo que a sociedade
adotará, assinale a afirmativa correta.
A A companhia adotará denominação, na qual poderá constar o(s) nome(s) do(s)
fundador(es), sendo facultada a designação do objeto social.
B A companhia adotará firma, sendo formada por nome de fantasia a partir da escolha dos
sócios, seguido obrigatoriamente pela designação do objeto social.
C A companhia adotará denominação, formada apenas pelo nome dos sócios, seguida
facultativamente pela expressão Sociedade Anônima ou Companhia, indicadas unicamente
ao final.
D A companhia poderá adotar firma ou denominação, devendo ser mantido o nome antigo
Abreu & Campos, substituindo-se o aditivo Ltda. pelo aditivo Companhia ou Cia.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. Nos termos do art. 3º da Lei 6.404/76, a sociedade anônima opera sob denominação.
Essa denominação pode ser composta por nome fantasia ou pode incluir o nome de
fundadores, acionistas ou pessoas que tenham concorrido para o êxito da empresa. A
designação do objeto social é facultativa na denominação (diferentemente do que ocorre com
a sociedade limitada que adota denominação, onde o objeto social é obrigatório — art. 1.158, §2º,
CC). É obrigatória apenas a expressão "Companhia", "Sociedade Anônima" ou suas abreviações.
Art. 3º. A sociedade será designada por denominação acompanhada das expressões "companhia" ou
"sociedade anônima", expressas por extenso ou abreviadamente mas vedada a utilização da primeira
ao final. §1º O nome do fundador, acionista, ou pessoa que por qualquer outro modo tenha concorrido
para o êxito da empresa, poderá figurar na denominação.
B I NC O RRE T A
Errada. A sociedade anônima não adota firma (razão social), apenas denominação. Firma é
espécie de nome empresarial próprio do empresário individual e de sociedades de pessoas
(como a sociedade em nome coletivo). Além disso, nome fantasia não compõe firma, e a
designação do objeto social não é obrigatória na S/A.
C I NC O RRE T A
Errada. São vários erros: a denominação não é formada "apenas" pelo nome dos sócios — pode
conter nome fantasia ou referência aos fundadores; a expressão "Sociedade Anônima" ou
D I S C I P L I N A
DIREITO EMPRESARIAL
Q47 – Q50 · 4 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 61 de 103
"Companhia" não é facultativa, é obrigatória; e a expressão "Companhia" ou "Cia." não pode figurar
ao final do nome — quando usada, deve vir no início ou no meio, pois ao final indicaria que há
outro sócio, conforme art. 3º, §1º, da Lei 6.404/76.
D I NC O RRE T A
Errada. A S/A só pode adotar denominação, nunca firma. Não há obrigatoriedade de manter o
nome anterior, e a simples substituição de "Ltda." por "Companhia" não atende às regras legais de
formação do nome empresarial da S/A.
QUESTÃO 48 F A L Ê N C I A
Aral adquiriu bens de consumo de uma sociedade empresária, ficando esta de lhe entregar as
mercadorias em até 10 (dez) dias úteis. Entretanto, a entrega não se realizou em razão da
decretação de falência da vendedora e o consequente encerramento das atividades com o lacre
dos estabelecimentos. O administrador judicial recebeu interpelação de Aral sobre a posição da
massa falida quanto a entrega das mercadorias que comprou ou a devolução das parcelas já
pagas.
O administrador judicial se manifestou no sentido de não entregar a mercadoria ao comprador
justificando a ausência de redução do passivo da massa falida e a extinção do contrato. Não há
comitê de credores em funcionamento no processo falimentar.
Considerando os fatos narrados e as disposições da Lei nº 11.101/2005, assinale a afirmativa que
indica a atitude a ser tomada por Aral.
A Pedir ao juiz da falência a indisponibilidade de bens da massa até o valor de seu crédito para
fins de futuro pagamento.
B Pedir a restituição em dinheiro das parcelas pagas pela aquisição dos bens.
C Habilitar o crédito relativo ao valor pago na classe dos credores quirografários.
D Ajuizar ação de execução por quantia certa em face da massa falida para recebimento das
parcelas pagas.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. Dispõe o art. 117, §2º, LRF que a declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial
confere ao contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário,
constituirá crédito quirografário.
Art. 117. Os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem ser cumpridos pelo administrador
judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do passivo da massa falida ou for necessário à
manutenção e preservação de seus ativos, mediante autorização do Comitê.
§ 2º A declaração negativa ou o silêncio do administrador judicial confere ao contraente o direito à
indenização, cujo valor, apurado em processo ordinário, constituirá crédito quirografário.
B I NC O RRE T A
Errada. As hipóteses de restituição em dinheiro estão previstas no art. 86, LRF.
Art. 86. Proceder-se-á à restituição em dinheiro:
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 62 de 103
I – se a coisa não mais existir ao tempo do pedido de restituição, hipótese em que o requerente
receberá o valor da avaliação do bem, ou, no caso de ter ocorrido sua venda, o respectivo preço, em
ambos os casos no valor atualizado;
II – da importância entregue ao devedor, em moeda corrente nacional, decorrente de adiantamento a
contrato de câmbio para exportação, na forma do art. 75, §§ 3º e 4º, da Lei nº 4.728, de 14 de julho de
1965, desde que o prazo total da operação, inclusive eventuais prorrogações, não exceda o previsto nas
normas específicas da autoridade competente;
III – dos valores entregues ao devedor pelo contratante de boa-fé na hipótese de revogação ou
ineficácia do contrato, conforme disposto no art. 136 desta Lei.
IV - às Fazendas Públicas, relativamente a tributos passíveis de retenção na fonte, de descontos de
terceiros ou de sub-rogação e a valores recebidos pelos agentes arrecadadores e não recolhidos aos
cofres públicos.
C C O RRE T A
Correta. Nos termos do art. 117, LRF os contratos bilaterais não se resolvem pela falência e podem
ser cumpridos pelo administrador judicial se o cumprimento reduzir ou evitar o aumento do
passivo da massa falida ou for necessário à manutenção e preservação de seus ativos,
mediante autorização do Comitê. Nesse caso, considerando que o administrador judicial se
manifestou no sentido de que não haveria condições de cumprir o contrato, a negativa gera ao
credor o direito à indenização cujo valor apurado em processo ordinário constituirá crédito
quirografário nos termos do art. 117, §2º, LRF.
D I NC O RRE T A
Errada. Nesse sentido, o art. 117, §2º, LRF dispõe que a declaração negativa ou o silêncio do
administrador judicial confere ao contraente o direito à indenização, cujo valor, apurado em
processo ordinário, constituirá crédito quirografário.
QUESTÃO 49 P R E P O S T O
A empresária individual Marília da Rocha, inscrita há mais de dez anos na Junta Comercial do
Estado de São Paulo, sempre exerceu empresa sem designação de prepostos. Todavia, em razão do
aumento de trabalho e necessidades de múltiplas viagens, tornou-se necessário nomear Jandira
Franco como gerente na sede de sua empresa. Antes de efetuar a nomeação, Marília da Rocha
consulta seu advogado para que este lhe esclareça sobre as prerrogativas do gerente e sua
atuação como preposto.
Assinale a opção que está de acordo com a disposição legal e pode ser dada como orientação a
Marília da Rocha.clientes". Ambas as atividades são privativas de
advogado.
D I NC O RRE T A
Errada. A alternativa erra em múltiplos aspectos. Os atos não são meramente anuláveis — são
nulos (art. 4º do Estatuto). A nulidade absoluta não admite convalidação. Além disso, as
atividades privativas de advocacia não são "preferencialmente" exercidas por advogados, mas
sim exclusivamente por eles, com as ressalvas legais expressas (como a impetração de habeas
corpus por qualquer pessoa, ou o jus postulandi na Justiça do Trabalho e nos Juizados Especiais,
nos limites legais). O "conhecimento jurídico" de pessoa não habilitada não é critério legal para
autorizar o exercício de atos privativos.
QUESTÃO 03 I M P E D I M E N T O S E I N C O M P A T I B I L I D A D E S
Pedro, advogado regularmente inscrito na OAB, foi eleito Deputado Federal e deseja continuar
exercendo a advocacia, patrocinando causas contra a Caixa Econômica Federal. Ele também
cogita a possibilidade de concorrer ao cargo de Presidente da Câmara dos Deputados.
Com base nas disposições do Estatuto da OAB, assinale a afirmativa correta sobre a possibilidade
de Pedro continuar advogando.
A Caso Pedro seja eleito Presidente da Câmara dos Deputados, ele ficará impedido de atuar
em causas contra a Caixa Econômica Federal, mas poderá advogar em causas particulares.
B Pedro, na condição de Deputado Federal, poderá advogar contra a Caixa Econômica Federal,
desde que seja em causa própria, tendo em vista que o impedimento se aplica apenas a
causas de terceiros.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 5 de 103
C Como Deputado Federal, Pedro está impedido de exercer a advocacia contra a Caixa
Econômica Federal, mas pode atuar em causas que não envolvam entes públicos ou
concessionárias de serviço público.
D Pedro, como Deputado Federal, estará em situação de incompatibilidade total com o
exercício da advocacia e não poderá atuar como advogado em nenhuma causa, mesmo
em processos particulares.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. O Presidente da Câmara dos Deputados ocupa posição na linha de sucessão presidencial
e exerce função de direção máxima de um dos poderes da República. Nessa condição, a situação
deixa de ser de mero impedimento e passa a configurar incompatibilidade com o exercício da
advocacia, nos termos do art. 28 do Estatuto da OAB. A incompatibilidade é total, vedando
qualquer atuação advocatícia, não apenas contra entes públicos.
Art. 28. A advocacia é incompatível, mesmo em causa própria, com as seguintes atividades: I - chefe do
Poder Executivo e membros da Mesa do Poder Legislativo e seus substitutos legais.
B I NC O RRE T A
Errada. O impedimento dos membros do Legislativo para advogar contra entidades da
administração pública direta e indireta (incluindo empresas públicas como a Caixa Econômica
Federal) não comporta exceção para causa própria. O art. 30, I, do Estatuto da OAB veda a
atuação contra a Fazenda Pública e entes da administração indireta sem fazer distinção entre
causa própria e de terceiros.
Art. 30. São impedidos de exercer a advocacia: I - os servidores da administração direta, indireta e
fundacional, contra a Fazenda Pública que os remunere ou à qual seja vinculada a entidade
empregadora;
C C O RRE T A
Correta.
O Deputado Federal encontra-se em situação de impedimento parcial, nos termos do art. 30, I,
do Estatuto da OAB. Está vedada sua atuação como advogado contra ou a favor de pessoas
jurídicas de direito público, empresas públicas, sociedades de economia mista, fundações
públicas, entidades paraestatais ou empresas concessionárias ou permissionárias de serviço
público. A Caixa Econômica Federal é empresa pública federal, portanto Pedro não pode
advogar contra ela. Contudo, o impedimento é parcial: Pedro pode continuar exercendo a
advocacia em causas que envolvam exclusivamente particulares e que não tenham no polo
oposto qualquer ente da administração pública direta ou indireta, nem concessionárias de
serviço público.
D I NC O RRE T A
. Errada. O Deputado Federal não se encontra em situação de total incompatibilidade, mas sim de
impedimento parcial. A incompatibilidade total atinge, entre outros, os ocupantes de cargos de
chefia do Poder Executivo, membros da magistratura e do Ministério Público, e os que ocupam
funções de direção em órgãos específicos. O parlamentar federal comum (que não ocupe cargo
de direção como a Presidência da Casa) pode advogar, respeitadas as restrições do
impedimento.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 6 de 103
QUESTÃO 04 R E Q U I S I T O S P A R A I N S C R I Ç Ã O
Pedro, cidadão brasileiro, graduou-se em Direito em renomada instituição norte-americana. Caso
deseje exercer no Brasil a profissão de advogado, Pedro deverá solicitar inscrição na Ordem dos
Advogados do Brasil.
Sobre a hipótese, assinale a opção que indica o requisito que, em tal ocasião, Pedro estará
dispensado de apresentar.
A Revalidação do título de graduação em Direito.
B Aprovação em Exame de Ordem.
C Ter sido admitido em estágio profissional de advocacia.
D Prestação de compromisso perante o conselho.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. Pedro graduou-se em instituição estrangeira, portanto seu diploma precisa ser revalidado
por instituição de ensino superior brasileira credenciada. Sem a revalidação, o diploma
estrangeiro não produz efeitos no Brasil, e Pedro não conseguiria comprovar o requisito do art. 8º,
II, do Estatuto da OAB e §2º (diploma ou certidão de graduação em Direito). Trata-se de exigência
indispensável.
Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário: II - diploma ou certidão de graduação em direito,
obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada. § 2º O estrangeiro ou brasileiro,
quando não graduado em direito no Brasil, deve fazer prova do título de graduação, obtido em
instituição estrangeira, devidamente revalidado, além de atender aos demais requisitos previstos neste
artigo.
B I NC O RRE T A
Errada. A aprovação no Exame de Ordem é requisito obrigatório para a inscrição como advogado,
previsto no art. 8º, IV, do Estatuto da OAB. Não há exceção para graduados no exterior. Mesmo com
diploma revalidado, Pedro deverá ser aprovado no Exame de Ordem para obter a inscrição.
Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário:
IV - aprovação em Exame de Ordem;
C C O RRE T A
Correta. O estágio profissional de advocacia não está previsto no art. 8º do Estatuto da OAB
como requisito indispensável para a inscrição como advogado.
Art. 8º Para inscrição como advogado é necessário: I - capacidade civil; II - diploma ou certidão de
graduação em direito, obtido em instituição de ensino oficialmente autorizada e credenciada; III -
título de eleitor e quitação do serviço militar, se brasileiro; IV - aprovação em Exame de Ordem; V -
não exercer atividade incompatível com a advocacia; VI - idoneidade moral; VII - prestar
compromisso perante o conselho.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 7 de 103
D I NC O RRE T A
Errada. A prestação de compromisso perante o Conselho Seccional da OAB é ato solene
obrigatório para todos os advogados no momento da inscrição, sem exceção. Trata-se de
requisito formal previsto no art. 8º, VII.
QUESTÃO 05 P U B L I C I D A D E P R O F I S S I O N A L
O advogado Antônio comenta em matérias veiculadas em página da internet, consistente em sítio
eletrônico especializado em publicar artigos acadêmicos e jurídicos, novas leis que são
sancionadas e faz explicações de fácil compreensão de conceitos e normas jurídicas.
De acordo com o disposto no Código de Ética e Disciplina da OAB, assinale a afirmativa correta.
A É autorizado que Antônio responda às consultas jurídicas com habitualidade na página
mencionada para promoção pessoal.
B É vedadoA O gerente não está autorizado a praticar os atos necessários ao exercício dos poderes que
lhe foram outorgados, pois tais atos sempre exigem poderes especiais.
B Se o empresário nomear dois ou mais gerentes, na falta de estipulação diversa, os poderes
conferidos a eles presumem-se para atuação individual, sem solidariedade.
C O gerente nunca poderá estar em juízo em nome do preponente pelas obrigações
resultantes do exercício da sua função porque tal prerrogativa é exclusiva do administrador.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 63 de 103
D A alteração ou revogação do mandato conferido pelo empresário ao gerente, para ser
oposta a terceiros, deve ser arquivada e averbada no Registro Público de Empresas
Mercantis.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. O art. 1.173 do CC dispõe que, quando a lei não exigir poderes especiais, o gerente é
considerado autorizado a praticar todos os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe
foram outorgados. A alternativa inverte a regra legal: a regra é a ampla atuação nos limites dos
poderes conferidos, e a exceção é a exigência de poderes especiais.
Art. 1.173. Quando a lei não exigir poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos
os atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados.
B I NC O RRE T A
Errada. O art. 1.173, §único do CC estabelece exatamente o oposto: havendo pluralidade de
gerentes, na falta de estipulação diversa, os atos são exercidos solidariamente. A presunção legal
é de solidariedade, não de atuação individual.
Parágrafo único. Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os poderes conferidos
a dois ou mais gerentes.
C I NC O RRE T A
Errada. O art. 1.176 do CC prevê expressamente que o gerente pode estar em juízo em nome do
preponente pelas obrigações resultantes do exercício de sua função. A palavra "nunca" torna a
alternativa contrária à lei.
Art. 1.176. O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações resultantes do
exercício da sua função.
D C O RRE T A
Correta. É a regra do art. 1.174, §1º, do CC. Para que a modificação ou revogação dos poderes do
gerente produza efeitos perante terceiros, é necessário o arquivamento e a averbação no
Registro Público de Empresas Mercantis (Junta Comercial). Trata-se de requisito de publicidade
e oponibilidade, princípio fundamental do Direito Empresarial. Sem essa providência, terceiros de
boa-fé podem considerar que o gerente ainda detém os poderes originalmente conferidos.
Art. 1.174. As limitações contidas na outorga de poderes, para serem opostas a terceiros, dependem do
arquivamento e averbação do instrumento no Registro Público de Empresas Mercantis, salvo se
provado serem conhecidas da pessoa que tratou com o gerente. Parágrafo único. Para o mesmo
efeito e com idêntica ressalva, deve a modificação ou revogação do mandato ser arquivada e
averbada no Registro Público de Empresas Mercantis.
QUESTÃO 50 S O C I E D A D E L I M I T A D A U N I P E S S O A L
Em 2019, a constituição da sociedade limitada unipessoal, de modo permanente, passou a ser
possível. Nas opções a seguir, são apresentadas normas aplicáveis às sociedades limitadas em
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 64 de 103
geral, mas apenas uma delas apresenta norma aplicável tanto às sociedades limitadas
pluripessoais quanto às unipessoais. Assinale-a.
A A possibilidade de realização de deliberações em reunião ou assembleia.
B A ocorrência de dissolução de pleno direito mediante distrato.
C A possibilidade de designação de administrador em ato separado.
D A solidariedade pela exata estimação dos bens conferidos ao capital social.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. As deliberações em reunião ou assembleia (art. 1.072, CC) pressupõem pluralidade de
sócios, pois envolvem convocação, quórum e votação entre diferentes pessoas. Na limitada
unipessoal, o sócio único delibera sozinho, por decisão unilateral documentada em ata, sem
necessidade do procedimento assemblear ou de reunião.
Art. 1.072. As deliberações dos sócios, obedecido o disposto no art. 1.010, serão tomadas em reunião ou
em assembléia, conforme previsto no contrato social, devendo ser convocadas pelos administradores
nos casos previstos em lei ou no contrato.
B I NC O RRE T A
Errada. O distrato é o acordo entre os sócios para encerrar a sociedade (art. 1.033, II e III, CC),
sendo, por natureza, um ato bilateral ou plurilateral. Com sócio único, não há "acordo" a ser
desfeito — a dissolução se dá por decisão unilateral do titular, e não por distrato.
Art. 1.033. Dissolve-se a sociedade quando ocorrer:
I - o vencimento do prazo de duração, salvo se, vencido este e sem oposição de sócio, não entrar a
sociedade em liquidação, caso em que se prorrogará por tempo indeterminado;
II - o consenso unânime dos sócios;
III - a deliberação dos sócios, por maioria absoluta, na sociedade de prazo indeterminado;
V - a extinção, na forma da lei, de autorização para funcionar.
C C O RRE T A
Correta. O art. 1.060 do CC permite que o administrador da sociedade limitada seja designado
no contrato social ou em ato separado. Essa regra independe do número de sócios: tanto na
pluripessoal quanto na unipessoal, o titular pode optar por nomear administrador no próprio
contrato social ou por instrumento apartado. A lógica da norma é de organização da gestão
societária, não pressupondo pluralidade de sócios.
Art. 1.060. A sociedade limitada é administrada por uma ou mais pessoas designadas no contrato
social ou em ato separado.
D I NC O RRE T A
Errada. Inaplicável à unipessoal. O art. 1.055, §1º, do CC estabelece que todos os sócios respondem
solidariamente pela exata estimação dos bens conferidos ao capital social, pelo prazo de cinco
anos. A solidariedade, por definição, pressupõe pluralidade de sujeitos. Com sócio único, não há
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 65 de 103
como falar em responsabilidade solidária — existe apenas a responsabilidade individual do titular
pela correta avaliação dos bens integralizados.
Art. 1.055. O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais, cabendo uma ou diversas a cada
sócio. § 1º Pela exata estimação de bens conferidos ao capital social respondem solidariamente todos
os sócios, até o prazo de cinco anos da data do registro da sociedade.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 66 de 103
QUESTÃO 51 C O I S A J U L G A D A
Gretchen ajuizou ação em face de Pietra, cirurgiã plástica, requerendo a sua condenação ao
pagamento de danos morais e estéticos, resultantes de procedimento estético malsucedido.
Ocorre que, anteriormente, em decisão transitada em julgado, fundada na mesma causa de pedir e
contra a mesma profissional, um pedido idêntico de Gretchen foi julgado improcedente em face de
Pietra, sob o fundamento de que não restou comprovada conduta negligente de Pietra, a ensejar a
sua condenação. Em tal hipótese, assinale a opção que indica o fenômeno processual cabível para
extinguir a ação proposta por Gretchen.
A Conexão, por ser comum o pedido e a causa de pedir.
B Litispendência, por se repetir ação já proposta e em curso.
C Perempção, por ter havido extinção de ação anteriormente proposta por Joana.
D Coisa julgada, por haver decisão de mérito transitada em julgado com as mesmas partes,
causa de pedir e pedido.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. A conexão (art. 55, CPC) é instituto de modificação de competência que ocorre quando
duas ou mais ações em curso possuem comunhão de pedido ou causa de pedir, gerando a
reunião dos processos para julgamento conjunto. A conexão pressupõe a existência de ações
simultâneas em tramitação, o que não é o caso: a primeira ação já foi julgada com trânsito em
julgado. Além disso, a conexão não gera extinção do processo, mas apenas reunião — portanto,
não se presta a "extinguir a ação", como pede o enunciado.Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de
pedir.
B I NC O RRE T A
Errada. A litispendência (art. 337, §1º, CPC) ocorre quando se repete ação que está em curso, ou
seja, quando há identidade de partes, causa de pedir e pedido entre duas ações
simultaneamente pendentes de julgamento. No caso, a ação anterior não está "em curso" — já foi
julgada com decisão de mérito transitada em julgado. A litispendência pressupõe simultaneidade
de processos, o que não existe na hipótese.
§ 1º Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada.
C I NC O RRE T A
Errada. A perempção (art. 486, §3º, CPC) ocorre quando o autor der causa a três extinções do
processo sem resolução do mérito por abandono. Trata-se de instituto específico que sanciona a
negligência processual reiterada do autor. No caso, houve uma única ação anterior, que foi
D I S C I P L I N A
PROCESSO CIVIL
Q51 – Q56 · 6 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 67 de 103
julgada no mérito (improcedência) com trânsito em julgado — não houve extinção sem resolução
do mérito por abandono, muito menos três vezes. Além disso, a alternativa menciona "Joana",
pessoa que não figura no enunciado, evidenciando erro na redação.
Art. 486, § 3º. Se o autor der causa, por 3 (três) vezes, a sentença fundada em abandono da causa, não
poderá propor nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficando-lhe ressalvada, entretanto, a
possibilidade de alegar em defesa o seu direito.
D C O RRE T A
Correta. Há coisa julgada material, porque possuem as mesmas partes (Gretchen e Pietra), o
mesmo pedido: indenização por danos morais e estéticos, a mesma causa de pedir:
procedimento estético mal sucedido e alegada negligência e já existe decisão de mérito
(improcedência) transitada em julgado. Isso impede que Gretchen proponha a mesma ação. O
juiz deve extinguir o processo sem resolução do mérito, por existir coisa julgada.
QUESTÃO 52 R E S P O S T A D O R É U E R E V E L I A
Joana ajuizou ação declaratória de nulidade de negócio jurídico em face de João e Regina,
alegando ter sido vítima de dolo de ambos na celebração de contrato de compra e venda de
imóvel.
Em sede de contestação, além de negarem os fatos alegados por Joana, João e Regina procuram
você, como advogado(a), para propor reconvenção contra Joana e Marcelo, seu fiador, para cobrar
valores alegadamente em atraso, referentes às parcelas do contrato de compra e venda firmado
pelas partes.
Sobre o caso acima, assinale a opção que apresenta, corretamente, a orientação jurídica prestada.
A Joana poderá desistir da ação para impedir o prosseguimento da reconvenção.
B Joana, com a propositura da reconvenção, será citada pessoalmente e deverá apresentar
resposta no prazo de 15 dias.
C Não há óbice à propositura da reconvenção em face de Joana e de Marcelo, ainda que este
não tenha sido o autor do processo originário.
D A reconvenção somente poderá ser admitida porque João e Regina contestaram o pedido,
não sendo lícita a propositura de reconvenção sem que o réu ofereça contestação.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. A desistência da ação principal não impede o prosseguimento da reconvenção, que tem
autonomia.
Art. 343, §2º. A desistência da ação ou a ocorrência de causa extintiva que impeça o exame de seu
mérito não obsta ao prosseguimento do processo quanto à reconvenção.
B I NC O RRE T A
Errada. Joana não será citada novamente. A reconvenção é apresentada nos mesmos autos e a
parte será intimada na pessoa de seu advogado.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 68 de 103
Art. 343 § 1º Proposta a reconvenção, o autor será intimado, na pessoa de seu advogado, para
apresentar resposta no prazo de 15 (quinze) dias.
C C O RRE T A
Correta. O CPC permite que a reconvenção seja proposta no mesmo processo, contra o autor e
também contra terceiro, desde que haja conexão com a causa principal. O art. 343, §3º, do CPC
admite expressamente a reconvenção em face de terceiro. Como Marcelo é fiador do contrato
discutido, há conexão jurídica entre a ação declaratória e a cobrança das parcelas. Logo, é
possível reconvir contra Joana e Marcelo.
Art. 343. Na contestação, é lícito ao réu propor reconvenção para manifestar pretensão própria,
conexa com a ação principal ou com o fundamento da defesa. § 3º A reconvenção pode ser proposta
contra o autor e terceiro.
D I NC O RRE T A
Errada. Embora normalmente apresentada junto com a contestação, a reconvenção pode ser
proposta independentemente dela, desde que no prazo legal.
Art. 343, §6º O réu pode propor reconvenção independentemente de oferecer contestação.
QUESTÃO 53 R E C U R S O S
José ajuizou ação de indenização por danos materiais e morais contra Virgínia.
Na petição inicial, José formulou requerimento de tutela provisória de urgência para que fosse
determinado o bloqueio imediato de bens detidos por Virgínia, até o valor pleiteado por José no
processo judicial, como forma de resguardar uma futura indenização para José, se forem julgados
procedentes os seus pedidos de danos materiais e morais.
Após realizar a admissibilidade da petição inicial, o magistrado concedeu a tutela provisória de
urgência em favor de José.
Nessa situação hipotética, assinale a opção que indica o recurso a ser interposto por Virgínia.
A Não cabe recurso imediato contra a decisão que defere a tutela provisória de urgência.
B Agravo de instrumento, uma vez que a decisão que defere a tutela provisória de urgência é
decisão interlocutória impugnável por tal recurso.
C Apelação, tendo em vista que a decisão que defere a tutela provisória de urgência tem
natureza de sentença, passível de impugnação por tal recurso.
D Apelação, tendo em vista que a decisão que defere a tutela provisória de urgência é decisão
interlocutória passível de impugnação por tal recurso.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. Cabe recurso imediato sim, pois o CPC prevê expressamente o agravo de instrumento
nesses casos.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 69 de 103
B C O RRE T A
Correta. A decisão que concede tutela provisória é decisão interlocutória, pois não põe fim ao
processo. O CPC, no art. 1.015, inciso I, prevê expressamente que cabe agravo de instrumento
contra decisão que versa sobre tutela provisória. Logo, o recurso adequado é agravo de
instrumento.
Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre:
I - tutelas provisórias.
C I NC O RRE T A
Errada. A decisão que concede tutela provisória não é sentença, pois não resolve o mérito nem
extingue o processo.
D I NC O RRE T A
Errada. Apelação é cabível contra sentença, não contra decisão interlocutória.
QUESTÃO 54 C U M P R I M E N T O D E S E N T E N Ç A
Miley Cyrus requereu o cumprimento de sentença de obrigação de pagar alimentos, decorrente de
sentença condenatória proferida em desfavor de Billy Ray, seu pai, que é servidor público,
condenado ao pagamento de alimentos, no percentual de 20% de seus rendimentos líquidos.
Regularmente intimado, Billy Ray não pagou o débito cobrado, porém apresentou petição alegando
que enfrenta dificuldades financeiras que impossibilitam o cumprimento da obrigação, requerendo
ao Juízo a concessão de maior prazo para pagar a dívida.
Sobre o caso apresentado, assinale a afirmativa correta.
A A comprovação de que Billy Ray poderá cumprir parcialmente a obrigação alimentar
justificará o inadimplemento em absoluto.
B Não acolhida a defesa de Billy Ray, o Juiz decretará a sua prisão pelo prazo de dois a seis
meses, que, se cumprida, o eximirá do pagamento das prestações vencidas.
C O Juiz poderá ordenar a prisão civil de Billy Ray em razão do inadimplemento das obrigações
referentes às cinco prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que vencerem
no curso do processo.
D Miley Cyrus poderá requerero desconto em folha de pagamento da importância da
prestação alimentícia, buscando o pagamento dos alimentos vencidos e vincendos devidos
por Billy Ray, até o limite de 50% dos ganhos líquidos do executado.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. A possibilidade de cumprimento parcial não justifica o inadimplemento total. O devedor de
alimentos que demonstra capacidade parcial de pagamento deve pagar o que pode, e a
justificativa de impossibilidade absoluta exige prova robusta de total incapacidade financeira. O
CPC não admite que a dificuldade parcial sirva de escusa para o inadimplemento integral da
obrigação alimentar.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 70 de 103
B I NC O RRE T A
Errada. O prazo da prisão civil por débito alimentar é de 1 a 3 meses, conforme art. 528, §3º, do CPC,
e não de 2 a 6 meses. Além disso, o cumprimento da prisão civil não exime o devedor do
pagamento das prestações vencidas — a prisão é meio coercitivo para compelir o pagamento,
não substitutivo da obrigação. Mesmo após cumprir a prisão, o débito alimentar subsiste
integralmente.
Art. 528. § 3º Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de
mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1º, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1
(um) a 3 (três) meses.
§ 5º O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e
vincendas.
C I NC O RRE T A
Errada. A prisão civil por débito alimentar, conforme entendimento consolidado, abrange até as
três prestações anteriores ao ajuizamento da execução, e não cinco, além das que vencerem no
curso do processo.
§ 7º O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 (três)
prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo.
D C O RRE T A
Correta. O art. 529 do CPC prevê que, quando o executado for funcionário público, militar, diretor
ou gerente de empresa, ou empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente pode
requerer o desconto em folha de pagamento da importância da prestação alimentícia. O §3º do
mesmo artigo estabelece o limite de 50% dos ganhos líquidos do executado para o desconto,
abrangendo tanto as parcelas vincendas quanto as vencidas.
Art. 529. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa ou
empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o desconto em folha de
pagamento da importância da prestação alimentícia.
§ 3º Sem prejuízo do pagamento dos alimentos vincendos, o débito objeto de execução pode ser
descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de forma parcelada, nos termos do caput
deste artigo, contanto que, somado à parcela devida, não ultrapasse cinquenta por cento de seus
ganhos líquidos.
QUESTÃO 55 R E C U R S O S
Ricardo propôs a execução de um título executivo extrajudicial contra Isabela. Diante da propositura
da execução por Ricardo, Isabela apresentou embargos à execução.
O Magistrado julgou improcedentes os embargos à execução de Isabela que, irresignada, interpôs
recurso de apelação contra a sentença de improcedência dos embargos à execução. Ao receber a
apelação interposta por Isabela, o Desembargador relator, integrante da Câmara Cível, julgou o
recurso monocraticamente, negando provimento à apelação.
Assinale a opção que apresenta o recurso cabível a ser interposto por Isabela.
A Recurso especial, para que seja analisada, pelo Superior Tribunal de Justiça, eventual
violação de lei federal por ter sido negado provimento à apelação de forma monocrática
pelo desembargador relator.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 71 de 103
B Agravo interno, para que seja analisada, pelo Desembargador relator, eventual violação de
lei federal decorrente de ter sido negado provimento à apelação de forma monocrática pelo
próprio relator.
C Agravo interno, por se tratar de decisão proferida pelo Desembargador relator, a ser
analisado pelo órgão colegiado da Câmara Cível.
D Recurso especial, por se tratar de decisão proferida pelo Desembargador relator, a ser
analisado pelo órgão colegiado da Câmara Cível.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. Recurso Especial é um recurso para atacar a decisão que tem natureza de Acórdão do TJ/
TRF.
Art. 105. Compete ao Superior Tribunal de Justiça:
III - julgar, em recurso especial, as causas decididas, em única ou última instância, pelos Tribunais
Regionais Federais ou pelos tribunais dos Estados, do Distrito Federal e Territórios, quando a decisão
recorrida:
a) contrariar tratado ou lei federal, ou negar-lhes vigência;
b) julgar válido ato de governo local contestado em face de lei federal;
c) der a lei federal interpretação divergente da que lhe haja atribuído outro tribunal."
B I NC O RRE T A
Errada. O agravo interno é de fato o recurso cabível contra decisão monocrática do relator, mas
ele não é julgado pelo próprio relator que a proferiu. O art. 1.021, caput, do CPC, é expresso: o
agravo interno é dirigido ao "respectivo órgão colegiado" — no caso, a Câmara Cível como um
todo —, e não ao mesmo desembargador que decidiu sozinho. É esse o erro específico da
alternativa.
C C O RRE T A
Correta. Agravo Interno é um recurso para atacar a decisão monocrática proferida pelo relator.
Como a apelação de Isabela foi julgada monocraticamente pelo desembargador relator, o
recurso cabível é o agravo interno, a ser submetido à Câmara Cível (órgão colegiado),
permitindo o reexame coletivo da decisão individual.
Art. 1.021 do CPC. Contra decisão proferida pelo relator caberá agravo interno para o respectivo órgão
colegiado, observadas, quanto ao processamento, as regras do regimento interno do tribunal.
D I NC O RRE T A
Errada. Reúne os dois erros anteriores: (i) o recurso especial não é cabível contra decisão
monocrática do relator, apenas contra acórdão do tribunal (art. 105, III, CF); e (ii), ainda que fosse
cabível nessa fase, o recurso especial não é julgado pelo órgão colegiado do tribunal de origem —
é julgado pelo próprio STJ.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 72 de 103
QUESTÃO 56 P A R T E S E P R O C U R A D O R E S
Vini Junior propôs ação indenizatória em face da sociedade empresária Campo Bom, em causa
própria. Foi proferida sentença condenando a ré quanto ao principal e, considerando sua
sucumbência mínima, ao pagamento integral de honorários advocatícios de sucumbência.
Sobre os honorários advocatícios arbitrados no caso, assinale a afirmativa correta.
A Os honorários não são devidos nos casos em que o advogado atue em causa própria.
B Se um litigante sucumbir em parte mínima do pedido, o outro responderá, por inteiro, pelos
honorários.
C Como arbitrados os honorários na sentença, não serão devidos novos honorários
advocatícios no cumprimento de sentença.
D Os honorários podem ser arbitrados por equidade, apesar de o valor da condenação ser
líquido, por se tratar de ação indenizatória.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. O art. 85, § 17 assegura honorários ao advogado mesmo atuando em causa própria.
B C O RRE T A
Correta. Tal disposição está literalmente prevista no art. 86, parágrafo único, do CPC. Trata-se da
hipótese de “sucumbência mínima”, evitando condenação mútua ou compensação. Assim, se
uma das partes perde apenas uma parcela ínfima, considera-se que o réu sucumbiu, devendo
arcar integralmente com os honorários.
C I NC O RRE T A
Errada. O art. 85, § 1º prevê honorários também no cumprimento de sentença, mesmo após
sentença condenatória.
D I NC O RRE T A
Errada. A fixação por equidade só cabe quando inestimável, irrisório ou muito baixo o proveito, não
quando o valor é líquido (art. 85, § 8º), independentemente de ser ação indenizatória.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 73 de 103
QUESTÃO 57 T IP I C I D A D E
Marisa administrava os proventos de pensão recebidos por sua mãe, Sônia, que faleceu em
dezembro de 2022. Com a intenção de continuar recebendo os proventos, Marisa deixou de
comunicar à autarquia previdenciária o falecimento de Sônia e, assim, conseguiu efetuar os saques
dos valores depositados nos meses de janeiro a março de 2023.
Em abril, a autarquia recebeu notícia do falecimento e cessou os pagamentos. Ato contínuo, apurou
o valor dos saques indevidos realizados por Marisa após o falecimento da segurada, acrescidos de
multa e juros e a inscreveu em dívida ativa.
Marisa, notificada, efetuou o pagamento integral do débito, de forma parcelada, entre os meses de
outubro de 2023 e janeiro de 2024. A denúncia foi ajuizada em janeiro de 2024, e recebida em
fevereiro de 2024.
De acordo com a teoria do crime, assinale a opção que apresenta o que a defesa de Marisa deve,
corretamente, alegar.
A Desistência voluntária.
B Arrependimento eficaz.
C Arrependimento posterior.
D Exercício regular de um direito
GABARITO Letra C
E X P L I C A Ç Ã O
Código Penal, art. 16: "Nos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa,
reparado o dano ou restituída a coisa, até o recebimento da denúncia ou da queixa, por ato
voluntário do agente, a pena será reduzida de um a dois terços." O arrependimento posterior
objetiva estimular a conduta reparadora do agente, mas estabelece requisitos claros: a) crime
sem violência ou grave ameaça; b) reparação integral do dano ou restituição da coisa por ato
voluntário; c) antes do recebimento da denúncia ou da queixa. No caso apresentado, Marisa
restituiu o valor integral, ainda que parceladamente, antes do recebimento da denúncia,
preenchendo todos os requisitos legais para o reconhecimento do arrependimento posterior.
A I NC O RRE T A
Errada. Ocorre antes da consumação do delito, não sendo aplicável pois o crime já estava
consumado.
B I NC O RRE T A
Errada. Ocorre após a execução, mas antes do resultado, inexistente aqui pois o crime já havia
produzido o resultado.
D I S C I P L I N A
DIREITO PENAL
Q57 – Q62 · 6 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 74 de 103
C C O RRE T A
Correta.
D I NC O RRE T A
Errada. Não cabe, pois Marisa agiu ilícita e dolosamente ao apropriar-se dos valores.
QUESTÃO 58 C R I M E S C O N T R A A V I D A
Pablo (13 anos) e Luís (19 anos), amigos de longa data, decidiram cometer suicídio. Durante todo o
período em que conversaram sobre o tema, sempre condicionaram a realização do ato à presença
de ambos, sendo certo que diariamente um instigava o outro a praticar o ato.
No dia combinado, os dois se dirigiram à principal ponte da cidade e se posicionaram no vão
central. Afastados um do outro, apenas se olharam para iniciar a contagem até se jogarem.
Os dois pularam ao mesmo tempo. Apesar de a altura ser a mesma, Pablo ficou em coma por 90
dias no hospital e ao retornar teve diagnosticada a sua tetraplegia, perdendo completamente os
movimentos dos braços e das pernas. Luís, por sua vez, sofreu apenas algumas escoriações.
Sobre a participação de Luís no caso narrado, assinale a afirmativa correta, conforme expressa
previsão legal.
A Deverá responder pelo crime de instigação ao suicídio qualificado pelo resultado morte.
B Será responsabilizado nas penas do crime de lesão corporal gravíssima.
C Incidiu na conduta de tentativa de instigação ao suicídio.
D Não será responsabilizado, porque será beneficiado pelo instituto do perdão judicial,
independentemente de as consequências da infração o terem atingido de forma grave
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. O resultado não foi morte, mas lesão corporal gravíssima. Portanto, não se aplica o crime
de instigação ao suicídio qualificado pelo resultado morte.
B C O RRE T A
Correta. De acordo com o Código Penal Brasileiro, quem induz, instiga ou auxilia alguém a
cometer suicídio pode ser responsabilizado, especialmente se a vítima sofrer lesão corporal de
natureza grave. No caso, Pablo, menor de idade, ficou tetraplégico após a tentativa de suicídio,
caracterizando lesão corporal gravíssima. Luís, ao instigar Pablo, poderá ser responsabilizado
pelo resultado lesão corporal gravíssima, agravado pelo fato de a vítima ser menor de idade.
C I NC O RRE T A
Errada. A conduta de Luís não configura tentativa de instigação ao suicídio, pois ele efetivamente
instigou Pablo e ambos realizaram o ato. O resultado concreto (tetraplegia) afasta a tentativa.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 75 de 103
D I NC O RRE T A
Errada. O perdão judicial pode ser aplicado em situações de arrependimento ou sofrimento
intenso por parte do autor. No entanto, o Código Penal não prevê perdão judicial automático em
casos de instigação ao suicídio que resultem em lesão grave à vítima, como no caso de Pablo.
QUESTÃO 59 T I P I C I D A D E
Alfredo, motorista da sociedade empresária Guardião Ltda., pessoa jurídica de direito privado que
presta serviços de segurança, é subordinado ao gerente Marcos.
No dia 10/3/2023, Marcos ordenou que Alfredo fizesse a escolta de um cliente. No trajeto de volta,
Alfredo foi parado em uma blitz, ocasião em foi constatado que o veículo funcional que conduzia
era proveniente de roubo. A despeito de não ter ciência do crime antecedente, até mesmo por não
ser o responsável pelas compras da empregadora, Alfredo foi preso em flagrante por suposta
prática do crime de receptação dolosa.
Diante do exposto, assinale a opção que apresenta, corretamente, a tese de mérito que pode ser
invocada em defesa de Alfredo.
A A de exclusão da ilicitude, por exercício regular do direito.
B A de exclusão da ilicitude, por estrito cumprimento do dever legal.
C A de exclusão da tipicidade, por ausência de elemento subjetivo do tipo.
D A de exclusão da culpabilidade por inexigibilidade de conduta diversa, consistente na
obediência hierárquica.
GABARITO Letra C
E X P L I C A Ç Ã O
É fundamental identificar que o crime em análise está tipificado no Código Penal, Art. 180: “Art.
180 - Adquirir, receber, transportar, conduzir ou ocultar, em proveito próprio ou alheio, coisa
que sabe ser produto de crime: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.” Observe que a
lei exige o conhecimento do agente acerca da origem ilícita do bem (“que sabe ser produto de
crime”), caracterizando o denominado elemento subjetivo do tipo, ou seja, o dolo específico. No
caso, Alfredo não sabia da origem ilícita do veículo, pois apenas cumpria ordens do gerente e
não era responsável pelas aquisições. Nessa situação, falta-lhe o dolo, elemento indispensável
à configuração do crime de receptação dolosa, conforme entende o STJ.
A I NC O RRE T A
Errada. Exercício regular de direito só ocorre quando se age nos limites autorizados pela lei, o que
não se aplica ao caso.
B I NC O RRE T A
Errada. Estrito cumprimento do dever legal não se configura, pois Alfredo não atuava em
cumprimento de dever legal, mas sim de ordem empresarial.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 76 de 103
C C O RRE T A
Correta. Aponta a inexistência do elemento subjetivo — exclui-se a tipicidade pela ausência de
dolo.
D I NC O RRE T A
Errada. Não há inexigibilidade de conduta diversa, pois não ficou comprovado constrangimento
ou violência moral irresistível nem estrita obediência hierárquica legal compatível com a situação.
QUESTÃO 60 P E N A S
Oliver, que já fora condenado por crime culposo anteriormente e que terminara de cumprir sua
pena há dois anos, cometeu o crime de lesão corporal de natureza grave, previsto no Art. 129, § 1º, do
CP, cuja pena cominada é de um a cinco anos de reclusão. Ele foi condenado à pena de um ano e
oito meses de reclusão, tendo sua condenação sido proferida três anos após o término do
cumprimento da pena pelo crime culposo anterior.
Tomando por base o delito praticado e a pena aplicada, sobre a possibilidade de Oliver ter suapena privativa de liberdade substituída por duas penas restritivas de direitos, assinale a afirmativa
correta.
A A reincidência só impediria a substituição se o crime anterior também fosse doloso.
B A reincidência em crime culposo não impede a substituição e tampouco há óbice pelo fato
de o crime ser cometido com violência à pessoa.
C Uma vez que Oliver é reincidente, a substituição é vedada, sendo indiferente o fato de o crime
anterior ser culposo ou mesmo o fato de o novo crime ter sido cometido com violência à
pessoa.
D Apesar de a reincidência em crime culposo não obstar a substituição, o fato de o crime ter
sido cometido com violência à pessoa impede a substituição pela pena restritiva de
direitos.
GABARITO Letra D
E X P L I C A Ç Ã O
Código Penal, Art. 44: “As penas restritivas de direitos são autônomas e substituem as
privativas de liberdade, quando: I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro
anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que
seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II - o réu não for reincidente em crime doloso (...).”
A I NC O RRE T A
Errada. A reincidência só impede a substituição se for dolosa, mas o crime cometido com violência
à pessoa já impossibilita, independentemente da reincidência.
B I NC O RRE T A
Errada. Apesar de a reincidência em crime culposo não impedir, o crime praticado com violência à
pessoa (lesão corporal grave) impede sim a substituição.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 77 de 103
C I NC O RRE T A
Errada. A vedação à substituição não decorre da reincidência (ainda mais se for apenas em crime
culposo), mas sim da natureza violenta do novo crime.
D C O RRE T A
Correta. A reincidência em crime culposo não impede a substituição, porém o fato de o novo
crime ter sido praticado com violência à pessoa (lesão corporal grave) veda a substituição, nos
termos do art. 44, I, do CP.
QUESTÃO 61 A Ç Ã O E O M I S S Ã O
Bruno, 20 anos, residente no Rio de Janeiro/RJ, conduzia seu veículo de madrugada com destino à
cidade de São Paulo/SP. Bruno dirigia dentro da velocidade permitida, portando sua carteira de
habilitação e seu veículo apresentava condições adequadas de tráfego.
Em determinado momento, André, 21 anos, que conduzia uma motocicleta alcoolizado, na outra
mão, entrou na faixa na qual trafegava Bruno, violando a regra legal de mudança de faixa de
rolamento. Bruno não conseguiu frear o veículo e evitar o contato.
O veículo e a motocicleta chocaram-se lateralmente. Na sequência, André caiu da moto e esbarrou
num fio de alta tensão que estava rompido de um poste na estrada. Bruno, assustado com o
ocorrido, acelerou seu veículo, em retirada. Após 1 km, avistou um posto policial, mas acometido por
forte emoção, optou por não parar para comunicar o fato.
André permaneceu em coma por uma semana e depois veio a óbito. O laudo de necropsia
constatou que a causa mortis fora determinada por eletrocussão, em razão do contato com o fio de
alta tensão.
Pelas razões expostas, analise penalmente as condutas praticadas por Bruno e assinale a
afirmativa correta.
A Deverá ser penalmente responsabilizado por omissão de socorro (Art. 304 do CTB), tendo
em vista que o resultado morte foi determinado por culpa exclusiva da vítima.
B Ele não praticou crime algum, porque a presença de concausa independente afasta a
imputação de homicídio culposo, assim como a violenta emoção afasta a tipicidade do
crime de omissão de socorro.
C Deverá ser penalmente responsabilizado por homicídio culposo na condução de veículo,
com a incidência da causa de aumento de omissão de socorro.
D Bruno deverá ser penalmente responsabilizado por homicídio culposo na condução de
veículo e omissão de socorro, em concurso material.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. Bruno deverá ser responsabilizado por omissão de socorro, prevista no Art. 304 do
Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Apesar de o acidente não ter sido causado por ele e a morte
de André ter ocorrido por culpa exclusiva da vítima (concausa independente, o fio de alta
tensão), a lei impõe ao condutor a obrigação de prestar socorro. A omissão de socorro se
configura quando o motorista deixa de auxiliar ou chamar ajuda para uma pessoa em situação
de perigo em acidente no qual está envolvido.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 78 de 103
B I NC O RRE T A
Errada. A presença de concausa independente realmente afasta a imputação de homicídio
culposo, mas a violenta emoção não exime Bruno de omissão de socorro, que é uma infração
penal autônoma prevista no CTB.
C I NC O RRE T A
Errada. Como o resultado morte não foi causado por Bruno e sim por uma concausa
independente, ele não deve ser responsabilizado por homicídio culposo.
D I NC O RRE T A
Errada. Não se configura concurso material de homicídio culposo e omissão de socorro, já que a
morte foi consequência de uma causa alheia ao acidente. Bruno deverá responder apenas pela
omissão de socorro.
QUESTÃO 62 C R I M E S C O N T R A A A D M I N I S T R A Ç Ã O P Ú B L I C A
Antônio, funcionário público, foi designado como servidor responsável por conduzir a licitação de
um Hospital Público que desejava adquirir 100.000 (cem mil) doses de um determinado
medicamento. Patrícia, funcionária da sociedade empresária Medicante Ltda., descobre o contato
de Antônio e, de seu celular pessoal, manda um áudio no qual se oferece para dividir sua comissão
com o funcionário público caso a sua empresa fosse a vencedora. O valor da comissão de Patrícia
era de R$50.000,00 (cinquenta mil reais), em caso de vitória na licitação.
Antônio, indignado com a proposta de Patrícia, encaminha os fatos aos seus superiores que enviam
Notícia de Crime à autoridade policial com atribuição para investigar os fatos.
Tomando por base o fato de não ter havido o pagamento do valor oferecido, assinale a opção que
indica o crime pelo qual Patrícia poderá ser responsabilizada.
A Corrupção passiva tentada, na medida em que o crime é material, sendo necessário o
efetivo pagamento da vantagem indevida para o crime ser consumado.
B Corrupção passiva consumada, na medida em que o crime é formal, bastando o
oferecimento da vantagem ilícita ao servidor público para a sua consumação.
C Corrupção ativa tentada, na medida em que o crime é material, sendo necessário o efetivo
pagamento da vantagem indevida para o crime ser consumado.
D Corrupção ativa consumada, na medida em que o crime é formal, bastando o oferecimento
da vantagem ilícita ao servidor público para a sua consumação.
GABARITO Letra D
E X P L I C A Ç Ã O
A questão aborda o crime de corrupção ativa, previsto no art. 333 do Código Penal Brasileiro:
"Oferecer ou prometer vantagem indevida a funcionário público, para determiná-lo a praticar,
omitir ou retardar ato de ofício: Pena - reclusão, de 2 a 12 anos, e multa." Art. 333 do CP define a
corrupção ativa como um crime formal, consumado com o simples ato de oferecer ou
prometer vantagem indevida, independentemente de aceitação ou do recebimento efetivo
pelo servidor.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 79 de 103
A I NC O RRE T A
Errada. Aplica a tipificação de corrupção passiva (art. 317 CP), mas quem ofereceu a vantagem foi
o particular, não o servidor.
B I NC O RRE T A
Errada. Novamente confunde corrupção ativa e passiva. Não se trata de corrupção passiva
porque Antônio recusou a oferta.
C I NC O RRE T A
Errada. O erro está em exigir o pagamento para a consumação. O crime é formal, bastando o
oferecimento.
D C O RRE T A
Correta. Patrícia ofereceu vantagem indevida ao servidor (Antônio), visando influenciar ato
funcional. A consumação independe do pagamento da vantagem. Basta o oferecimento, logo
trata-se de corrupção ativa consumada.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 80 de 103
QUESTÃO 63 I N Q U É R IT O P O L I C I A L
João, delegado de polícia, deflagrou inquérito policial para apurar um suposto crime de homicídio.
Contudo, a autoridade policial não logrou obter qualquer indício quanto à autoria, dando ensejo ao
arquivamento do procedimento investigatório. Após alguns meses, João tomou conhecimento de
notícias de provas novas sobre o autor do crime doloso contra a vida. Nesse cenário, considerando
as disposições do Código de Processo Penal e o entendimento dos Tribunais Superiores, é correto
afirmar que:
A é vedado o desarquivamento do inquérito policial, em razão do princípio do *ne bis in idem*.
B é possível o desarquivamento do inquérito policial, desde que haja novas provas; e a
deflagração da ação penal pressupõe a existência de notícias de novas provas.
C é possível o desarquivamento do inquérito policial independentemente de novas provas,
bastando a vontade do Ministério Público.
D o arquivamento por falta de indícios de autoria faz coisa julgada material, impedindo
qualquer reabertura. e) é possível o desarquivamento do inquérito policial, mas a ação penal
só pode ser proposta pelo ofendido, mediante queixa subsidiária.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. O arquivamento do inquérito policial por falta de indícios de autoria não produz coisa
julgada material, razão pela qual o princípio do ne bis in idem não se aplica nessa hipótese. O ne
bis in idem veda a dupla persecução penal pelo mesmo fato após decisão definitiva de mérito, o
que não é o caso do simples arquivamento por insuficiência probatória. Importante ressaltar que,
após o Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019) e a decisão do STF no HC 180.705, o arquivamento por
falta de provas continua admitindo desarquivamento mediante provas novas.
B C O RRE T A
Correta. O art. 18 do CPP estabelece que, após o arquivamento do inquérito por falta de base
para a denúncia, a autoridade policial pode proceder a novas pesquisas desde que tenha
notícia de outras provas. A Súmula 524 do STF complementa: "Arquivado o inquérito policial, por
despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode a ação penal ser iniciada
sem novas provas." Assim, tanto o desarquivamento do inquérito quanto a propositura da ação
penal exigem a existência de provas novas. No caso narrado, João tomou conhecimento de
notícias de provas novas sobre a autoria, o que autoriza a reabertura das investigações.
Art. 18. Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base
para a denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver
notícia.
Súm. 524, STF: Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor
de justiça, não pode a ação penal ser iniciada, sem novas provas.
D I S C I P L I N A
PROCESSO PENAL
Q63 – Q68 · 6 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 81 de 103
C I NC O RRE T A
Errada. O desarquivamento não está sujeito à mera discricionariedade do Ministério Público. O art.
18 do CPP condiciona expressamente a reabertura à existência de notícia de outras provas. Sem
esse requisito objetivo, o inquérito permanece arquivado.
D I NC O RRE T A
Errada. O arquivamento por insuficiência de provas ou ausência de indícios de autoria não faz
coisa julgada material. A coisa julgada material no âmbito do arquivamento ocorre apenas em
hipóteses excepcionais, como atipicidade do fato ou extinção da punibilidade, conforme
consolidado pela jurisprudência do STF. No caso de falta de indícios de autoria, a decisão é
meramente rebus sic stantibus, podendo ser revista diante de provas novas.
QUESTÃO 64 R I T O P R O C E S S U A L
João, juiz de direito, possui dois processos sujeitos ao procedimento comum. O primeiro tem por
objeto um crime cuja sanção máxima cominada é igual a cinco anos de pena privativa de
liberdade. O segundo está atrelado a um delito cuja sanção máxima cominada é igual a três anos.
Nesse cenário, considerando as disposições do Código de Processo Penal sobre o procedimento
comum, é correto afirmar que:
A a primeira relação processual está sujeita ao procedimento comum sumaríssimo; o
segundo, ao procedimento comum ordinário.
B a primeira relação processual está sujeita ao procedimento comum sumário; o segundo, ao
procedimento comum ordinário.
C a primeira relação processual está sujeita ao procedimento comum ordinário; o segundo,
ao procedimento comum sumário.
D ambos os processos estão sujeitos ao procedimento comum ordinário. e) ambos os
processos estão sujeitos ao procedimento comum sumário.
GABARITO Letra C
E X P L I C A Ç Ã O
A questão exige o conhecimento dos critérios de definição do rito procedimental comum
(ordinário, sumário e sumaríssimo), estabelecidos no art. 394, §1º, do CPP, cuja divisão se
baseia na pena máxima cominada ao delito.
Os parâmetros legais são:
1) procedimento ordinário para crimes com pena máxima cominada igual ou superior a 4 anos
de privação de liberdade; 2) procedimento sumário para crimes com pena máxima cominada
inferior a 4 anos de privação de liberdade (e que não sejam infrações de menor potencial
ofensivo); 3) procedimento sumaríssimo para infrações penais de menor potencial ofensivo, ou
seja, contravenções penais e crimes com pena máxima não superior a 2 anos (Lei 9.099/95,
art. 61).
Aplicando ao caso concreto: o primeiro processo refere-se a crime com pena máxima de 5
anos, portanto igual ou superior a 4 anos — rito ordinário. O segundo processo refere-se a
crime com pena máxima de 3 anos, portanto inferior a 4 anos, mas superior a 2 anos — rito
sumário (não se enquadra no sumaríssimo porque ultrapassa o limite de 2 anos).
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 82 de 103
A I NC O RRE T A
Errada. Inverte completamente a lógica legal. O crime com pena máxima de 5 anos jamais
seguiria o rito sumaríssimo (reservado a penas de até 2 anos), e o crime com pena de 3 anos não
se enquadra no ordinário (que exige pena igual ou superior a 4 anos).
B I NC O RRE T A
Errada. Também inverte a classificação. O crime com pena de 5 anos segue o rito ordinário (não o
sumário), e o crime com pena de 3 anos segue o sumário (não o ordinário).
C C O RRE T A
Correta. Crime com pena máxima de 5 anos (igual ou superior a 4 anos) segue o rito ordinário.
Crime com pena máxima de 3 anos (inferior a 4 anos, mas superior a 2 anos) segue o rito
sumário. Aplicação direta e literal do art. 394, §1º, I e II, do CPP.
D I NC O RRE T A
Errada. O segundo processo (pena máxima de 3 anos) não atinge o patamar de 4 anos exigido
para o rito ordinário, devendo seguir o rito sumário.
QUESTÃO 65 T R I B U N A L D O J Ú R I
Quanto à primeira fase do procedimento dos crimes dolosos contra a vida (Tribunal do Júri), a
diferença fundamental em relação ao procedimento comum sumário é:
A a possibilidade de absolvição sumária pelo juiz singular, ao final da instrução.
B a existência da fase de pronúncia, impronúncia, desclassificação e absolvição sumária,
encerrando a competência do juiz singular para a decisão definitiva de mérito.
C a vedação à oitiva de testemunhas de defesa na fase de instrução.
D a desnecessidade de resposta à acusação por parte do réu.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. Embora a absolvição sumária exista na primeira fase do Júri (art. 415, CPP), ela não é a
diferença fundamental, pois o procedimento comum também prevê absolvição sumária (art. 397,
CPP). Além disso, a absolvição sumária do rito comum ocorre antes da instrução, enquanto a do
Júri ocorre após, mas esse detalhe de momento processual não é o que a alternativa destaca. O
erro está em apresentar como diferença fundamental algo que, em essência, existe em ambos os
ritos.
Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá
absolver sumariamente o acusado quando verificar: I - a existência manifesta de causaexcludente da
ilicitude do fato; II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo
inimputabilidade; III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou IV - extinta a
punibilidade do agente. Art. 415. O juiz, fundamentadamente, absolverá desde logo o acusado, quando: I
– provada a inexistência do fato; II – provado não ser ele autor ou partícipe do fato; III – o fato não
constituir infração penal; IV – demonstrada causa de isenção de pena ou de exclusão do crime.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 83 de 103
B C O RRE T A
Correta. Esta é a diferença estrutural e fundamental. No rito do Júri, a primeira fase se encerra
com uma das quatro decisões possíveis do juiz singular: pronúncia (art. 413), impronúncia (art.
414), desclassificação (art. 419) ou absolvição sumária (art. 415). Nenhuma dessas decisões — à
exceção da absolvição sumária — resolve o mérito de forma definitiva. A pronúncia, em
particular, apenas admite a acusação e remete o caso ao julgamento pelo Tribunal do Júri
(judicium causae), que é o órgão constitucionalmente competente para o julgamento definitivo
dos crimes dolosos contra a vida. No procedimento comum sumário, ao contrário, o próprio juiz
singular prolata sentença definitiva de mérito ao final da instrução. Essa limitação da
competência do juiz singular para decidir o mérito é o traço distintivo essencial do rito do Júri.
C I NC O RRE T A
Errada. Não existe qualquer vedação à oitiva de testemunhas de defesa na primeira fase do Júri.
Pelo contrário, o art. 406, §§2º e 3º, do CPP assegura à defesa o direito de arrolar testemunhas (até
8). O contraditório e a ampla defesa são plenamente garantidos na fase de instrução do judicium
accusationis.
D I NC O RRE T A
Errada. A resposta à acusação é obrigatória no rito do Júri, conforme art. 406 do CPP. O réu será
citado para apresentar resposta no prazo de 10 dias. Trata-se de ato processual essencial à
garantia do contraditório e da ampla defesa.
Art. 406. O juiz, ao receber a denúncia ou a queixa, ordenará a citação do acusado para responder à
acusação, por escrito, no prazo de 10 (dez) dias.
QUESTÃO 66 P R I S Ã O P R E V E N T I V A
Em um inquérito policial, o juiz decretou, de ofício, a prisão preventiva de Débora, sem que esta
possuísse qualquer antecedente criminal, apontando como fundamento a gravidade em abstrato
do crime de homicídio culposo. Não havia sido decretada anteriormente qualquer medida cautelar
diversa da prisão. Na qualidade de advogado(a) de Débora, assinale a opção que apresenta,
corretamente, a alegação a ser apresentada:
A O magistrado pode decretar a prisão preventiva de ofício no inquérito e no processo, mas a
gravidade em abstrato do crime não é motivo legítimo para a preventiva.
B O magistrado pode decretar a prisão preventiva de ofício no inquérito e no processo; e a
gravidade em abstrato do crime é fundamento legítimo para a preventiva, mesmo quando o
suspeito for primário.
C O magistrado não pode decretar a prisão preventiva de ofício no inquérito policial; e
tampouco é cabível a decretação de prisão preventiva em crimes culposos.
D O magistrado não pode decretar a prisão preventiva de ofício no inquérito; e a gravidade em
abstrato do crime não é fundamento legítimo para a preventiva.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. A primeira parte está errada. Após o Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), o art. 311 do CPP
veda expressamente a decretação da prisão preventiva de ofício pelo juiz, tanto na fase de
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 84 de 103
inquérito quanto na fase processual. A prisão preventiva só pode ser decretada a requerimento do
Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por representação da autoridade policial. A
segunda parte (gravidade abstrata não é fundamento legítimo) está correta, conforme
jurisprudência consolidada do STF e do STJ, mas não salva a alternativa.
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, caberá a prisão preventiva
decretada pelo juiz, a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou por
representação da autoridade policial. (Redação dada pela Lei nº 13.964, de 2019) (Vigência)
B I NC O RRE T A
Errada. Ambas as afirmações estão erradas. Conforme já exposto, o juiz não pode decretar
preventiva de ofício, e a gravidade abstrata do delito não constitui fundamento idôneo para a
custódia cautelar. A jurisprudência dos Tribunais Superiores é pacífica no sentido de que a prisão
preventiva exige fundamentação concreta, não bastando a mera referência à gravidade genérica
do tipo penal.
C C O RRE T A
Correta. A alternativa identifica duas ilegalidades presentes no caso. Primeiro, o juiz não pode
decretar prisão preventiva de ofício, conforme art. 311 do CPP (com redação do Pacote
Anticrime). Segundo, a prisão preventiva não é cabível em crimes culposos. O art. 313, I, do CPP
restringe a preventiva aos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima
superior a 4 anos. O homicídio culposo (art. 121, §3º, CP, pena de 1 a 3 anos de detenção) não
atende a esse requisito, tanto por ser culposo quanto pela pena máxima cominada. As demais
hipóteses do art. 313, II e III, também não se aplicam ao caso narrado.
Art. 313. Nos termos do art. 312 deste Código, será admitida a decretação da prisão preventiva:
I - nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos;
II - se tiver sido condenado por outro crime doloso, em sentença transitada em julgado, ressalvado o
disposto no inciso I do caput do art. 64 do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código
Penal ;
III - se o crime envolver violência doméstica e familiar contra a mulher, criança, adolescente, idoso,
enfermo ou pessoa com deficiência, para garantir a execução das medidas protetivas de urgência;
§1º Também será admitida a prisão preventiva quando houver dúvida sobre a identidade civil da
pessoa ou quando esta não fornecer elementos suficientes para esclarecê-la, devendo o preso ser
colocado imediatamente em liberdade após a identificação, salvo se outra hipótese recomendar a
manutenção da medida.
§2º Não será admitida a decretação da prisão preventiva com a finalidade de antecipação de
cumprimento de pena ou como decorrência imediata de investigação criminal ou da apresentação
ou recebimento de denúncia.
D I NC O RRE T A
Errada. Embora ambas as afirmações sejam verdadeiras isoladamente, a alternativa é insuficiente
porque deixa de apontar o vício mais relevante e específico do caso: a impossibilidade de prisão
preventiva em crime culposo. Na condição de advogado de Débora, a tese mais forte e direta é a
do não cabimento da preventiva para crimes culposos (alternativa C), que torna a prisão
absolutamente ilegal por ausência de hipótese autorizadora, independentemente de quem a
requereu ou de qual fundamento foi invocado.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 85 de 103
QUESTÃO 67 L E I M A R I A D A P E N H A
Vitor respondia ação penal pela prática do crime de ameaça (pena: 1 a 6 meses de detenção ou
multa) contra sua ex-companheira Luíza, existindo medida protetiva que o proibia de se aproximar
dela a menos de 100 metros. Mesmo intimado da medida, Vitor se aproximou de Luíza e tentou
manter contato com ela, razão pela qual a vítima procurou seu advogado. Na qualidade de
advogado(a) de Luíza, assinale a alternativa correta sobre a conduta de Vitor:
A Vitor não praticou crime algum ao se aproximar de Luíza, pois o descumprimento de medida
protetiva é mero ilícito civil.
B Vitor praticou o crime de descumprimento de medida protetiva de urgência (art. 24-A da Lei
11.340/2006), de ação penal pública incondicionada, sendo a fiança, em caso de flagrante,
vedada a qualquer autoridade.
C Vitor praticou o crime de descumprimento demedida protetiva de urgência (art. 24-A da Lei
11.340/2006), de ação penal pública incondicionada, mas a fiança pode ser concedida pela
autoridade policial em caso de flagrante.
D Vitor praticou o crime de descumprimento de medida protetiva de urgência (art. 24-A da
Lei 11.340/2006), de ação penal pública incondicionada; e em caso de flagrante, a fiança
somente poderá ser concedida pela autoridade judicial.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. Desde a Lei 13.641/2018, o descumprimento de medida protetiva de urgência deferida no
âmbito da Lei Maria da Penha constitui crime autônomo, tipificado no art. 24-A, com pena de
reclusão, de 2 a 5 anos, e multa. Não se trata de mero ilícito civil. O legislador entendeu que a
criminalização era necessária para conferir maior efetividade às medidas protetivas, cuja
violação reiterada comprometia a proteção das vítimas de violência doméstica.
Art. 24-A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de urgência previstas nesta Lei
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
B I NC O RRE T A
Errada. A primeira parte está correta: trata-se de crime de ação penal pública incondicionada.
Porém, a fiança não é vedada de forma absoluta. O art. 24-A, §2º, da Lei 11.340/2006 apenas
restringe a competência para sua concessão, sem proibi-la inteiramente. A vedação total de
fiança é reservada constitucionalmente a crimes como racismo, tortura, tráfico e os hediondos
(art. 5º, XLII e XLIII, CF), nos quais o descumprimento de medida protetiva não se enquadra.
§ 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança.
C I NC O RRE T A
Errada. O art. 24-A, §2º, da Lei 11.340/2006 veda expressamente a concessão de fiança pela
autoridade policial. A norma retira do delegado de polícia a competência para arbitrar fiança
nesse crime específico, reservando-a exclusivamente à autoridade judicial. Trata-se de opção
legislativa voltada a garantir maior proteção à vítima, evitando que o agressor seja rapidamente
liberado pela autoridade policial sem uma avaliação judicial sobre o risco à integridade da
ofendida.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 86 de 103
D C O RRE T A
Correta. A alternativa reúne todos os elementos legais de forma precisa. O art. 24-A tipifica o
crime de descumprimento de medida protetiva de urgência. O §1º do mesmo artigo estabelece
que a ação penal é pública incondicionada, ou seja, independe de representação da vítima. E o
§2º determina que, na hipótese de prisão em flagrante, somente a autoridade judicial poderá
conceder fiança. A vedação à concessão de fiança pela autoridade policial é uma peculiaridade
desse tipo penal que visa reforçar a proteção da vítima, exigindo que um juiz avalie as
circunstâncias antes de eventual soltura do agressor.
QUESTÃO 68 I N Q U É R I T O P O L I C I A L
João, advogado criminalista, foi chamado por Saulo, que acabara de receber voz de prisão em
cumprimento de mandado de prisão preventiva expedido pelo juízo criminal da Comarca de ABC.
Ao se dirigir à autoridade policial responsável, João foi informado de que não poderia ter acesso
aos autos do flagrante nem ao caderno apuratório, pois não havia apresentado prova de mandato
e os autos estavam integralmente submetidos a sigilo.
Considerando os direitos da advocacia, assinale a afirmativa correta:
A A autoridade policial agiu corretamente: o sigilo dos autos se sobrepõe ao direito do
advogado, e o mandato é indispensável em qualquer hipótese para o acesso ao inquérito.
B A autoridade policial agiu incorretamente: o advogado tem direito de acesso aos autos do
flagrante e do inquérito, ainda que sem mandato, não podendo ser impedido pela simples
decretação de sigilo.
C A autoridade policial agiu corretamente quanto ao caderno apuratório sigiloso, mas
incorretamente quanto ao auto de prisão em flagrante, pois este jamais pode ser submetido
a sigilo.
D A autoridade policial agiu incorretamente apenas quanto à exigência de mandato, pois o
sigilo integral dos autos é legítimo e impede o acesso mesmo do advogado constituído.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. Ambas as afirmações contrariam o direito vigente. A Súmula Vinculante 14 do STF assegura
ao advogado o direito de acesso amplo aos elementos de prova já documentados em
procedimento investigatório, inclusive os sujeitos a sigilo. O sigilo não é oponível ao advogado no
tocante às diligências já concluídas e documentadas nos autos. Quanto ao mandato, o art. 7º, §10,
do Estatuto da OAB (Lei 8.906/94) dispõe que, nos autos sujeitos a sigilo, o advogado deve
apresentar procuração para ter acesso. Porém, no auto de prisão em flagrante, o acesso
independe de procuração, conforme o mesmo Estatuto e a jurisprudência consolidada.
Súm. Vinculante 14: É direito do defensor, no interesse do representado, ter acesso amplo aos
elementos de prova que, já documentados em procedimento investigatório realizado por órgão
com competência de polícia judiciária, digam respeito ao exercício do direito de defesa.
B C O RRE T A
Correta. A Súmula Vinculante 14 do STF estabelece que é direito do defensor, no interesse do
representado, ter acesso amplo aos elementos de prova que, já documentados em
procedimento investigatório realizado por órgão com competência de polícia judiciária, digam
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 87 de 103
respeito ao exercício do direito de defesa. O art. 7º, XIV, do Estatuto da OAB garante ao advogado
o direito de examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, autos de
flagrante e de investigações de qualquer natureza, mesmo sem procuração. A decretação de
sigilo não pode ser utilizada para obstar integralmente o acesso do advogado — o sigilo protege
as informações perante terceiros e a opinião pública, mas não impede o exercício do direito de
defesa pelo advogado, que também fica vinculado ao dever de sigilo. No caso narrado, a
autoridade policial errou duplamente: ao exigir mandato para acesso ao auto de prisão e ao
utilizar o sigilo como fundamento para negar integralmente o acesso.
C I NC O RRE T A
Errada. A primeira parte está errada porque, conforme já demonstrado, o sigilo não impede o
acesso do advogado aos elementos já documentados no inquérito. A segunda parte também
contém imprecisão: embora o auto de prisão em flagrante deva ser acessível ao advogado, não é
tecnicamente correto afirmar que ele "jamais" possa ser submetido a sigilo — o sigilo pode existir,
mas não obsta o acesso do defensor.
D I NC O RRE T A
Errada. O sigilo integral dos autos não impede o acesso do advogado. A Súmula Vinculante 14 é
categórica ao garantir esse direito. Admitir que o sigilo pudesse bloquear totalmente o acesso do
defensor significaria esvaziar o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, tornando
letra morta a garantia prevista no art. 5º, LXIII e LV, da CF.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 88 de 103
QUESTÃO 69 P R E S T A Ç Õ E S P R E V I D E N C I Á R I A S
O Regime Geral de Previdência Social compreende prestações, que podem ser devidas tanto ao
segurado, quanto ao seu dependente, inclusive em razão de eventos decorrentes de acidente do
trabalho, expressas em benefícios e serviços.
Assinale a opção que, corretamente, apresenta uma prestação que pode ser direito do dependente
do segurado.
A Salário-maternidade.
B Auxílio-reclusão.
C Salário-família.
D Auxílio-acidente.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. O salário-maternidade é benefício devido ao segurado (art. 18, I, "g", da Lei 8.213/91). É pago
diretamente à segurada gestante, adotante ou, em casos específicos, ao segurado que adota.
Não se trata de prestação devida a dependente.
Art. 18. O Regime Geral de Previdência Social compreende as seguintes prestações, devidas inclusive em
razão de eventos decorrentes de acidente do trabalho, expressas em benefíciose serviços:
I - quanto ao segurado:
a) aposentadoria por invalidez;
b) aposentadoria por idade;
c) aposentadoria por tempo de contribuição; (Redação dada pela Lei Complementar nº 123, de
2006)
d) aposentadoria especial;
e) auxílio-doença;
f) salário-família;
g) salário-maternidade;
h) auxílio-acidente;
B C O RRE T A
Correta. O auxílio-reclusão é prestação devida aos dependentes do segurado de baixa renda
que esteja recolhido à prisão em regime fechado (art. 18, II, "b", e art. 80 da Lei 8.213/91, com a
redação dada pela Lei nº 13.846/2019 (conversão da MP 871/2019)). É um dos dois benefícios
previdenciários pagos aos dependentes — o outro é a pensão por morte. O fundamento é a
proteção da família que perde a fonte de sustento em razão do encarceramento do segurado.
D I S C I P L I N A
DIREITO PREVIDENCIÁRIO
Q69 – Q70 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 89 de 103
II - quanto ao dependente:
a) pensão por morte;
b) auxílio-reclusão;
C I NC O RRE T A
Errada. O salário-família é benefício devido ao segurado de baixa renda (art. 18, I, "f", da Lei
8.213/91). Embora tenha como pressuposto a existência de filhos menores de 14 anos ou inválidos,
o titular do benefício é o próprio segurado empregado ou trabalhador avulso, e não o dependente.
D I NC O RRE T A
Errada. O auxílio-acidente é benefício devido ao segurado (art. 18, I, "h", da Lei 8.213/91). Trata-se de
indenização paga ao próprio segurado que, após a consolidação das lesões decorrentes de
acidente de qualquer natureza, apresenta sequela que implique redução da capacidade para o
trabalho. Não é prestação devida a dependente.
QUESTÃO 70 P R I N C Í P I O S C O N S T I T U C I O N A I S
Princípios são proposições diretoras, que orientam e cristalizam valores fundamentais no âmbito
jurídico e social.
Considerando esse conceito, assinale a opção que corresponde a um dos princípios basilares da
Seguridade Social no Brasil.
A Exclusividade da base de financiamento.
B Caráter centralizado da gestão administrativa.
C Equidade na forma de participação no custeio.
D Redutibilidade do valor dos benefícios em casos radicais.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. O princípio constitucional é exatamente o oposto: diversidade da base de financiamento
(art. 194, parágrafo único, VI, CF). A Seguridade Social é financiada por toda a sociedade, mediante
recursos provenientes de múltiplas fontes — União, Estados, Municípios, empregadores,
trabalhadores e receitas de concursos de prognósticos. A ideia de "exclusividade" contraria
frontalmente esse modelo de financiamento plural.
Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes
Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à
assistência social.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com
base nos seguintes objetivos:
I - universalidade da cobertura e do atendimento;
II - uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às populações urbanas e rurais;
III - seletividade e distributividade na prestação dos benefícios e serviços;
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 90 de 103
IV - irredutibilidade do valor dos benefícios;
V - eqüidade na forma de participação no custeio;
VI - diversidade da base de financiamento, identificando-se, em rubricas contábeis específicas para
cada área, as receitas e as despesas vinculadas a ações de saúde, previdência e assistência social,
preservado o caráter contributivo da previdência social;
VII - caráter democrático e descentralizado da administração, mediante gestão quadripartite, com
participação dos trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do Governo nos órgãos
colegiados.
B I NC O RRE T A
Errada. O princípio previsto na Constituição é o caráter democrático e descentralizado da
administração, mediante gestão quadripartite, com participação de trabalhadores,
empregadores, aposentados e governo (art. 194, parágrafo único, VII, CF). A alternativa inverte o
conteúdo ao falar em gestão "centralizada".
C C O RRE T A
Correta. Trata-se de um dos objetivos expressos da Seguridade Social, previsto no art. 194,
parágrafo único, V, da CF. Esse princípio determina que a contribuição para o custeio da
Seguridade Social deve ser proporcional à capacidade contributiva de cada participante,
assegurando justiça e isonomia material. Quem tem maior capacidade econômica contribui
com mais; quem tem menos, contribui proporcionalmente menos.
D I NC O RRE T A
Errada. O princípio constitucional é o da irredutibilidade do valor dos benefícios (art. 194, parágrafo
único, IV, CF). A Constituição veda a redução do valor dos benefícios, garantindo a preservação do
seu poder aquisitivo. Não existe exceção para "casos radicais" — a irredutibilidade é norma
absoluta dentro do sistema da Seguridade Social.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 91 de 103
QUESTÃO 71 T E L E T R A B A L H O
Após completar dezoito anos, José, maior e capaz, está à procura de emprego no mercado formal,
atribuindo-se preferência a oportunidades vinculadas ao regime de teletrabalho ou trabalho
remoto.
Nesse cenário, considerando as disposições da Consolidação das Leis do Trabalho, é correto
afirmar que
A o comparecimento, ainda que de modo habitual, às dependências do empregador para a
realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no
estabelecimento descaracteriza o regime de teletrabalho ou trabalho remoto.
B a prestação de serviços na modalidade de teletrabalho constará, facultativamente, do
instrumento de contrato individual de trabalho.
C o empregado submetido ao regime de teletrabalho ou trabalho remoto poderá prestar
serviços por jornada ou por produção ou tarefa.
D é vedada a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para estagiários e
aprendizes.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. O art. 75-B, §1º, da CLT dispõe expressamente o contrário: o comparecimento, ainda que de
modo habitual, às dependências do empregador para a realização de atividades específicas que
exijam a presença do empregado não descaracteriza o regime de teletrabalho. A lei foi clara ao
flexibilizar o modelo híbrido, reconhecendo que a ida eventual ou mesmo habitual à empresa para
tarefas pontuais não afasta a natureza de trabalho remoto.
Art. 75-B.
§ 1º O comparecimento, ainda que de modo habitual, às dependências do empregador para a
realização de atividades específicas que exijam a presença do empregado no estabelecimento não
descaracteriza o regime de teletrabalho ou trabalho remoto.
B I NC O RRE T A
Errada. O art. 75-C da CLT determina que a prestação de serviços na modalidade de teletrabalho
deverá constar expressamente do contrato individual de trabalho. Trata-se de requisito
obrigatório, não facultativo. A exigência visa dar segurança jurídica às partes quanto ao regime
adotado e às condições pactuadas.
Art. 75-C. A prestação de serviços na modalidade de teletrabalho deverá constar expressamente do
instrumento de contrato individual de trabalho.
D I S C I P L I N A
DIREITO DO TRABALHO
Q71 – Q75 · 5 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 92 de 103
C C O RRE T A
Correta. O art. 75-B, §2º, da CLT prevê expressamente que o empregado em regime de
teletrabalho poderá prestar serviços por jornada ou por produção ou tarefa. Essa distinção é
relevante porque, nos termos do art. 62, III, da CLT, apenas os empregados em teletrabalho que
prestam serviço por produção ou tarefa estão excluídos do controle de jornada. Os que
trabalham por jornada permanecem sujeitos ao regime normal de duração do trabalho, com
direito a horas extras se ultrapassada a jornada contratual.
Art. 75-B.
§ 2º O empregado submetido ao regime de teletrabalhoou trabalho remoto poderá prestar serviços
por jornada ou por produção ou tarefa. (Incluído pela Lei nº 14.442, de 2022)
D I NC O RRE T A
Errada. O art. 75-B, §6º, da CLT permite expressamente a adoção do regime de teletrabalho para
estagiários e aprendizes. A lei ampliou as possibilidades do trabalho remoto, não havendo
vedação quanto a essas categorias.
Art. 75-B.
§ 6º Fica permitida a adoção do regime de teletrabalho ou trabalho remoto para estagiários e
aprendizes.
QUESTÃO 72 A D I C I O N A I S
Gerson trabalha numa sociedade empresária como empregado desde 2023, recebendo 1 salário
mínimo por mês. No seu ambiente de trabalho, existe um agente insalubre de grau máximo. Além
disso, a atividade de Gerson, que manipula explosivos, tem risco acentuado de morte.
De acordo com a norma de regência, Gerson deverá receber, em razão das condições ambientais
desfavoráveis:
A o adicional de insalubridade em grau máximo, por ser mais benéfico;
B o adicional de penosidade;
C o adicional ed insalubridade de grau máximo e de periculosidade;
D o adicional de periculosidade, por ser o mais benéfico.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. Gerson está exposto a dois agentes insalubres (grau mínimo e máximo), mas recebe
somente o adicional de maior grau (grau máximo), não sendo possível receber mais de um
adicional de insalubridade. Não se admite também o recebimento cumulativo com a
periculosidade, devendo optar pelo mais vantajoso (art. 193, §2º, CLT).
Art. 193, § 2º - O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja
devido.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 93 de 103
B I NC O RRE T A
Errada. Não há possibilidade de somar dois adicionais de insalubridade nem acumular com
periculosidade (vedação legal e jurisprudencial).
C I NC O RRE T A
Errada. É vedada a cumulação de insalubridade e periculosidade.
D I NC O RRE T A
Errada. Não há obrigatoriedade de optar apenas por periculosidade; pode optar pelo mais
benéfico, que é o grau máximo de insalubridade.
QUESTÃO 73 J U S T A C A U S A
Uma sociedade empresária com grande share (participação em vendas), na área de material de
construção, verificou que um dos seus empregados, o João, utilizou suas redes sociais, com
milhares de seguidores, para criticar a qualidade dos materiais vendidos na empresa,
recomendando que os clientes não mais comprassem no local. Chegou a insinuar, inclusive, que
havia materiais falsificados.
Com base nestas alegações, assinale a opção correta:
A João cometeu ato de indisciplina ou de insubordinação.
B João cometeu desídia no desempenho de suas funções.
C João cometeu incontinência pública.
D João cometeu ato lesivo à honra ou da boa fama, de violação do direito de imagem.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. A indisciplina consiste no descumprimento de ordens gerais de serviço (regulamentos,
circulares, normas internas), enquanto a insubordinação é o descumprimento de ordem pessoal e
direta do superior hierárquico (art. 482, "h", CLT). A conduta de João não envolve descumprimento
de ordens, mas sim uma ação ativa de denegrir a imagem da empresa publicamente. São
categorias distintas de falta grave.
Art. 482 - Constituem justa causa para rescisão do contrato de trabalho pelo empregador:
a) ato de improbidade;
b) incontinência de conduta ou mau procedimento;
c) negociação habitual por conta própria ou alheia sem permissão do empregador, e quando
constituir ato de concorrência à empresa para a qual trabalha o empregado, ou for prejudicial ao
serviço;
d) condenação criminal do empregado, passada em julgado, caso não tenha havido suspensão
da execução da pena;
e) desídia no desempenho das respectivas funções;
f) embriaguez habitual ou em serviço;
g) violação de segredo da empresa;
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 94 de 103
h) ato de indisciplina ou de insubordinação;
i) abandono de emprego;
j) ato lesivo da honra ou da boa fama praticado no serviço contra qualquer pessoa, ou ofensas
físicas, nas mesmas condições, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;
k) ato lesivo da honra ou da boa fama ou ofensas físicas praticadas contra o empregador e
superiores hierárquicos, salvo em caso de legítima defesa, própria ou de outrem;
l) prática constante de jogos de azar.
m) perda da habilitação ou dos requisitos estabelecidos em lei para o exercício da profissão, em
decorrência de conduta dolosa do empregado. (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017)
B I NC O RRE T A
Errada. A desídia (art. 482, "e", CLT) caracteriza-se pela negligência, preguiça, desleixo ou falta de
zelo no cumprimento das obrigações laborais. Manifesta-se tipicamente por atrasos reiterados,
faltas injustificadas, produtividade baixa por descaso ou má execução habitual das tarefas. A
conduta de João não tem qualquer relação com negligência funcional — pelo contrário, foi uma
ação deliberada e intencional de prejudicar a reputação da empregadora.
C I NC O RRE T A
Errada. A incontinência de conduta (art. 482, "b", CLT) refere-se a comportamentos incompatíveis
com a moral sexual, como atos obscenos, assédio sexual ou condutas libidinosas no ambiente de
trabalho. A conduta de João não tem qualquer conotação dessa natureza.
D C O RRE T A
Correta. A conduta de João se enquadra no art. 482, "k", da CLT, que prevê como justa causa o
ato lesivo da honra ou da boa fama praticado contra o empregador ou superiores hierárquicos,
salvo em caso de legítima defesa. Ao utilizar suas redes sociais com milhares de seguidores
para criticar a qualidade dos produtos, recomendar que clientes não comprem no
estabelecimento e insinuar a existência de materiais falsificados, João atingiu diretamente a
honra, a boa fama e o direito de imagem da empresa. Trata-se de conduta que extrapola o
direito à liberdade de expressão, configurando abuso que justifica a resolução contratual por
justa causa.
QUESTÃO 74 L I C E N Ç A M A T E R N I D A D E
Ana Paula é empregada doméstica numa residência localizada em Alhandra/PB e engravidou.
De acordo com as normas de regência, assinale a opção que traz o tempo que Ana Paula terá de
afastamento para usufruir sua licença maternidade e por quanto tempo ela terá garantia de
provisória no emprego ao retornar.
A Haverá direito à licença maternidade de 90 dias e igual prazo de garantia no emprego,
contados do parto.
B Por ser empregada doméstica, Ana Paula terá licença maternidade de 120 dias mas não terá
garantia no emprego.
C A licença maternidade é de 150 dias, e a garantia no emprego deverá ser objeto de
negociação entre empregada e empregador.
D 120 dias de licença maternidade e garantia no emprego até 5 meses após o parto.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 95 de 103
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. A licença-maternidade não é de 90 dias. O prazo constitucional, aplicável também à
empregada doméstica, é de 120 dias (art. 7º, XVIII, CF, estendido à categoria doméstica pelo
parágrafo único do mesmo artigo e pelo art. 25, I, da LC 150/2015). Além disso, a estabilidade não é
de 90 dias contados do parto, mas se estende desde a confirmação da gravidez até 5 meses
após o parto.
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua
condição social:
XVIII - licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do salário, com a duração de cento e vinte dias;
Art. 25. A empregada doméstica gestante tem direito a licença-maternidade de 120 (cento e vinte) dias,
sem prejuízo do emprego e do salário, nos termos da Seção V do Capítulo III do Título III da Consolidação
das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo Decreto-Lei no 5.452, de 1o de maio de 1943.
B I NC O RRE T A
Errada. A LC 150/2015 assegurou expressamente à empregada doméstica gestante a estabilidade
provisória no emprego. A LC 150/2015 garante a vedação da dispensa arbitrária ou sem justa
causaque Antônio mencione seu e-mail e telefone na mencionada página, assim como o
nome do escritório onde trabalha.
C Antônio não poderá fornecer, nas matérias que publica, seus meios de contato, tais como
endereço e telefone, mas é permitida a referência a e-mail.
D Não é vedado que Antônio, ao comentar a atuação de colegas advogados em tais feitos, cite
casos emblemáticos para a explicação de tais normas e conceitos.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. O Código de Ética e Disciplina da OAB veda a resposta a consultas jurídicas com
habitualidade em meios de comunicação como forma de promoção pessoal. O art. 40, V, do CED/
OAB proíbe que o advogado responda com habitualidade a consulta sobre matéria jurídica em
meios de comunicação social. A produção de conteúdo informativo e educativo é permitida, mas
a prestação habitual de consultoria jurídica individualizada em plataformas públicas, com
finalidade de captação de clientela ou promoção pessoal, extrapola os limites da publicidade
informativa e configura infração ética.
B I NC O RRE T A
Errada. É permitido fornecer esses dados de contato, desde que isso não configure captação
indevida de clientela, conforme previsto no art. 40, inciso V, do Código de Ética e Disciplina da OAB.
O erro da alternativa está no uso da palavra “vedado”, que transmite a ideia equivocada de
proibição absoluta.
C C O RRE T A
Correta. O Código de Ética e Disciplina da OAB, em seu art. 40, V, ao tratar da participação do
advogado em colunas, artigos e comentários em meios de comunicação, estabelece restrições
quanto à divulgação de dados de contato direto como endereço e telefone, que caracterizariam
captação de clientela. Contudo, a referência ao e-mail é permitida por ser meio de contato mais
discreto e compatível com a natureza informativa da publicação. Essa distinção reflete o
equilíbrio que o Código busca entre o direito do advogado de se tornar conhecido por seus
trabalhos e a vedação à mercantilização da profissão.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 8 de 103
Art. 40. Os meios utilizados para a publicidade profissional hão de ser compatíveis com a diretriz
estabelecida no artigo anterior, sendo vedados:
V – o fornecimento de dados de contato, como endereço e telefone, em colunas ou artigos literários,
culturais, acadêmicos ou jurídicos, publicados na imprensa, bem assim quando de eventual
participação em programas de rádio ou televisão, ou em veiculação de matérias pela internet, sendo
permitida a referência a e-mail;
ATENÇÃO!! O ponto central para a prova é que a regra do Código de Ética foi relativizada pelo
Provimento nº 205/2021 do Conselho Federal da OAB. Esse Provimento não revoga o Código, mas
o regulamenta, passando a autorizar a divulgação de endereço, telefone e e-mail, desde que de
forma discreta e informativa. Assim, o art. 40, V, do Código de Ética permanece vigente como
regra geral de moderação, enquanto o Provimento 205/2021 esclarece e atualiza o conceito de
publicidade discreta nos meios digitais, permitindo essa divulgação. Ambos atuam de forma
complementar. Sendo assim, é importante ficar atento ao enunciado da questão.
D I NC O RRE T A
Errada. É expressamente proibido comentar casos concretos ou a conduta de outros profissionais
com a finalidade de divulgação pública, conforme estabelece o art. 42, inciso II, do Código de Ética
e Disciplina da OAB. Assim, o equívoco da alternativa encontra-se logo no início, ao afirmar que
“não é vedado”.
Art. 42. É vedado ao advogado:
II – debater, em qualquer meio de comunicação, causa sob o patrocínio de outro advogado.
QUESTÃO 06 A T I V I D A D E S D A A D V O C A C I A
O advogado Edson foi contratado para prestar a um cliente assessoria jurídica quanto a uma
questão imobiliária. Considerando o caso hipotético, assinale a afirmativa correta.
A Edson pode prestar a assessoria de modo verbal. Também não é necessária a outorga de
mandato ou formalização por contrato de honorários.
B Edson deve prestar a assessoria de modo escrito. Faz-se necessária a outorga de mandato,
mesmo que não haja formalização por contrato de honorários.
C Edson pode prestar a assessoria de modo verbal. É necessária a outorga de mandato,
mesmo que não haja formalização por contrato de honorários.
D Edson deve prestar a assessoria de modo escrito, mas não é necessária a outorga de
mandato ou formalização por contrato de honorários.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. A assessoria jurídica pode ser prestada de modo verbal, e independe de outorga de
mandato ou formalização por contrato de honorários.
Art. 5º. EAOAB. O advogado postula, em juízo ou fora dele, fazendo prova do mandato.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 9 de 103
§4º As atividades de consultoria e assessoria jurídicas podem ser exercidas de modo verbal ou por
escrito, a critério do advogado e do cliente, e independem de outorga de mandato ou de formalização
por contrato de honorários.
B I NC O RRE T A
Errada. As atividades de consultoria e assessoria jurídicas podem ser feitas de forma verbal,
independentemente da outorga de mandato.
C I NC O RRE T A
Errada. Não é necessário a outorga de mandato.
D I NC O RRE T A
Errada. A assessoria jurídica pode ser exercida de forma verbal.
QUESTÃO 07 A T I V I D A D E S D A A D V O C A C I A
Teresa, advogada contratada por Carina para representar seus interesses em ação judicial, decide
renunciar ao mandato.
Em 16/02/2023, Teresa redige notificação de renúncia e a envia por meio de correspondência com
aviso de recebimento a Carina, que a recebe em 28/02/2023.
No dia seguinte, Carina ajusta com a advogada Fernanda que ela passará a representar seus
interesses na ação judicial a partir de então, mas ainda não assina nova procuração.
Considerando esse cenário, sobre o cumprimento de prazo processual com vencimento no dia
02/03/2023, assinale a afirmativa correta.
A Teresa deve cumprir o prazo porque continuará obrigada, durante os dez dias seguintes à
notificação de renúncia, a representar Carina, mesmo que tenha sido substituída antes do
término desse prazo.
B Teresa estará desobrigada do cumprimento do prazo, porque Carina foi notificada da
renúncia ao mandato em data anterior ao seu vencimento.
C Fernanda não poderá cumprir o prazo, já que somente poderá postular em juízo fazendo
prova do mandato.
D Fernanda poderá cumprir o prazo, já que, afirmando urgência, poderá atuar sem
procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual
período.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. O advogado que, ao renunciar o mandato, for substituído antes do término do prazo de
dez dias, não continuará obrigado a representar o mandante.
Art. 5º. §3º, EAOAB. O advogado que renunciar ao mandato continuará, durante os dez dias seguintes à
notificação da renúncia, a representar o mandante, salvo se for substituído antes do término desse
prazo.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 10 de 103
B I NC O RRE T A
Errada. Como Carina ajustou com Fernanda, mas esta ainda não se habilitou nos autos com a
devida procuração, Teresa continua responsável.
C I NC O RRE T A
Errada. Tratando-se de situação de urgência, poderá o advogado atuar nos autos sem
procuração, obrigando-se a apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período.
D C O RRE T A
Correta. Havendo urgência, o advogado pode atuar sem procuração, obrigando-se a
apresentá-la no prazo de 15 dias, prorrogável por igual período. Assim, considerando que Carina
contratou nova advogada no dia 29/02 e o prazo processual seria dia 02/03, torna-se urgente a
atuação da nova advogada, ainda que sem procuração.
Art. 5º. §1º, EAOAB. O advogado, afirmando urgência, pode atuar sem procuração, obrigando-se a
apresentá-la no prazo de quinze dias, prorrogável por igual período.
QUESTÃO 08 S O C I E D A D E D E A D V O G A D O S
O advogado Jeffersondesde a confirmação da gravidez até 5 meses após o parto. Afirmar que a doméstica não
tem garantia no emprego contraria frontalmente a legislação vigente.
C I NC O RRE T A
Errada. O prazo de licença-maternidade é de 120 dias, não 150. Além disso, a estabilidade gestante
é norma de ordem pública, de caráter cogente, que não se submete à negociação entre as
partes. Trata-se de direito irrenunciável, cuja fonte é constitucional e legal.
D C O RRE T A
Correta. A empregada doméstica tem direito a 120 dias de licença-maternidade (art. 7º, XVIII, CF
c/c art. 25, I, LC 150/2015) e estabilidade provisória desde a confirmação da gravidez até 5 meses
após o parto (art. 25, II, LC 150/2015, reproduzindo a garantia do art. 10, II, "b", do ADCT). A LC
150/2015 foi o marco legislativo que consolidou esses direitos para a categoria doméstica,
equiparando-a, nesse aspecto, aos demais empregados urbanos e rurais.
QUESTÃO 75 I N T E R R U P Ç Ã O D O C O N T R A T O D E T R A B A L H O
A suspensão contratual se diferencia da interrupção porque nesta o empregador deve pagar o
salário do período correspondente, ao passo que naquela, não. De acordo com a CLT, assinale a
opção que indica um caso que envolve interrupção e seu respectivo prazo, contanto que
devidamente comprovado.
A Nos dias em que o empregado estiver realizando provas de concurso público.
B Até dois dias úteis em virtude de casamento.
C Um dia por ano para acompanhar filho de até dez anos de idade em consulta médica.
D Até três dias, em cada doze meses de trabalho, para realizar exames preventivos de câncer.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 96 de 103
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. Não existe previsão no art. 473 da CLT que assegure ausência justificada para realização
de provas de concurso público. Trata-se de hipótese inexistente no rol legal de faltas justificadas.
O empregado que precisar se ausentar para esse fim dependerá de acordo com o empregador
ou de norma coletiva que preveja tal possibilidade.
B I NC O RRE T A
Errada. O art. 473, II, da CLT prevê ausência justificada de até 3 dias consecutivos em virtude de
casamento, e não 2 dias úteis. A alternativa erra tanto no número de dias quanto no critério (úteis
em vez de consecutivos).
Art. 473 - O empregado poderá deixar de comparecer ao serviço sem prejuízo do salário:
II - até 3 (três) dias consecutivos, em virtude de casamento;
C I NC O RRE T A
Errada. O art. 473, XI, da CLT prevê ausência justificada de 1 dia por ano para acompanhar filho de
até 6 anos em consulta médica, e não até 10 anos. A alternativa altera a faixa etária prevista na lei.
XI - por 1 (um) dia por ano para acompanhar filho de até 6 (seis) anos em consulta médica.
D C O RRE T A
Correta. O art. 473, XII, da CLT (incluído pela Lei 13.767/2018) prevê expressamente que o
empregado poderá deixar de comparecer ao serviço, sem prejuízo do salário, por até 3 dias, em
cada 12 meses de trabalho, em caso de realização de exames preventivos de câncer,
devidamente comprovada. A alternativa reproduz fielmente a hipótese legal, tanto no prazo
quanto na condição de comprovação.
XII - até 3 (três) dias, em cada 12 (doze) meses de trabalho, em caso de realização de exames
preventivos de câncer devidamente comprovada.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 97 de 103
QUESTÃO 76 R E C U R S O S
Após o trânsito em julgado da sentença condenatória proferida na reclamação trabalhista movida
por João da Silva em face do Município de Vitória, iniciou-se a fase de liquidação.
Nessa etapa, o juízo proferiu decisão fixando o valor devido, após analisar e rejeitar as impugnações
apresentadas pelas partes. Inconformado com o montante apurado, o procurador do Município
pretende interpor o recurso cabível, embora não haja qualquer obscuridade, omissão, contradição
ou erro material na decisão.
Diante desse cenário, o recurso adequado a ser interposto é:
A Apelação
B Agravo de petição
C Recurso ordinário
D Agravo de instrumento
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. A apelação é o recurso cabível no processo civil comum, conforme o CPC, sendo utilizada
para impugnar sentenças em geral. No processo do trabalho, o recurso cabível contra sentença
proferida pelo juiz da Vara do Trabalho é o recurso ordinário, nos termos do art. 895, inciso I, da
CLT.
Art. 895 - Cabe recurso ordinário para a instância superior:
I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 (oito) dias;.
II - das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência
originária, no prazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos.
B C O RRE T A
Correta. O agravo de petição é o recurso adequado para impugnar decisões proferidas na fase
de execução, incluindo a liquidação de sentença, quando há definição de valores. Está previsto
no art. 897, alínea “a”, da CLT. No caso, como a decisão fixou o valor devido e resolveu as
impugnações, trata-se de decisão típica da execução, sendo este o recurso cabível. Portanto,
tratando-se de decisão na fase de execução, o recurso cabível será o agravo de petição.
Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: (Redação dada pela Lei nº 8.432, de 1992)
a) de petição, das decisões do Juiz ou Presidente, nas execuções;
D I S C I P L I N A
PROCESSO DO TRABALHO
Q76 – Q80 · 5 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 98 de 103
C I NC O RRE T A
Errada. O recurso ordinário é cabível contra sentenças proferidas na fase de conhecimento (art.
895 da CLT). Como a decisão foi proferida na fase de liquidação (execução), o recurso cabível
será o agravo de petição.
D I NC O RRE T A
Errada. O agravo de instrumento é utilizado para destrancar recursos quando o juízo a quo nega
seguimento ao recurso destinado ao juízo ad quem de acordo com o art. 897, alínea “b”, da CLT.
Art. 897 - Cabe agravo, no prazo de 8 (oito) dias: (Redação dada pela Lei nº 8.432, de 1992)
b) de instrumento, dos despachos que denegarem a interposição de recursos.
QUESTÃO 77 R E C U R S O S
De acordo com a Consolidação das Leis do Trabalho, é correto afirmar que o prazo para
interposição de recurso ordinário contra decisões definitivas ou terminativas proferidas pelo Juiz da
Vara do Trabalho é de:
A 05 (cinco) dias.
B 07 (sete) dias.
C 15 (quinze) dias.
D 08 (oito) dias.
GABARITO Letra D
E X P L I C A Ç Ã O
Atenção: é muito comum confundir os prazos do processo do trabalho com os prazos do
processo civil, por isso é importante não cometer esse erro. No processo do trabalho, a regra
geral é que os prazos recursais sejam de 8 dias. Existem, contudo, algumas exceções
relevantes: os embargos de declaração possuem prazo de 5 dias, enquanto o recurso
extraordinário deve ser interposto no prazo de 15 dias. Todos os demais recursos seguem a
regra geral dos 8 dias, como é o caso do recurso ordinário, recurso de revista, embargos ao
TST, agravo de instrumento, agravo interno e agravo de petição.
A I NC O RRE T A
Errada. Cinco dias é o prazo dos embargos de declaração no processo do trabalho (art. 897-A,
CLT), e não do recurso ordinário.
B I NC O RRE T A
Errada. Não há previsão, na CLT, de prazo recursal trabalhista de 7 dias. A alternativa é apenas um
distrator, sem correspondência com nenhum recurso do processo do trabalho.
C I NC O RRE T A
Errada. Quinze dias é o prazo do recurso extraordinário interposto em processo trabalhista
(aplicação subsidiária da Lei nº 8.038/90 e do CPC), e não do recurso ordinário.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 99 de 103
D C O RRE T A
Correta. O prazo para interposição de recurso ordinário contra decisões definitivas ou
terminativas do Juiz da Vara do Trabalho é de 8 (oito) dias, nos termos do art. 895, I, da CLT. É o
prazo-regra da generalidade dos recursos trabalhistas — exceção feita aos embargos de
declaração (5 dias)e ao recurso extraordinário (15 dias).
QUESTÃO 78 P R O C E D I M E N T O S
Em uma reclamação trabalhista proposta por Maria Souza, que tramita pelo procedimento
sumaríssimo perante determinada Vara do Trabalho, as partes se preparam para a audiência de
instrução e julgamento. Paralelamente, em outra Vara do Trabalho, João Pereira responde a um
inquérito para apuração de falta grave ajuizado por seu empregador.
Considerando as regras previstas na CLT, especialmente quanto à produção de prova testemunhal,
assinale a alternativa que indica corretamente o número máximo de testemunhas que cada parte
poderá arrolar no procedimento sumaríssimo e no inquérito para apuração de falta grave,
respectivamente:
A duas e três testemunhas.
B três e seis testemunhas.
C duas e seis testemunhas.
D três e duas testemunhas.
GABARITO Letra C
E X P L I C A Ç Ã O
Tratando-se da quantidade de testemunhas, é fundamental ter atenção, pois esse é um tema
muito cobrado na prova da OAB.
No processo do trabalho, a regra varia conforme o procedimento:
Procedimento Sumaríssimo: 2 testemunhas para cada parte (art. 852-H, § 2º, da CLT).
Procedimento Ordinário: 3 testemunhas para cada parte (art. 821 da CLT).
Ação de Inquérito Judicial para Apuração de Falta Grave: 6 testemunhas para cada parte (art.
821 da CLT).
A I NC O RRE T A
Errada. Duas testemunhas é, de fato, o número correto para o procedimento sumaríssimo (art.
852-H, §2º, CLT), mas três não é o número correto para o inquérito de apuração de falta grave —
nesse rito aplicam-se as regras do procedimento ordinário quanto à prova testemunhal, que
admite até seis testemunhas (art. 821, CLT).
B I NC O RRE T A
Errada. Três testemunhas é o número do procedimento ordinário (art. 821, CLT), não do
sumaríssimo, que se limita a duas (art. 852-H, §2º, CLT). Além disso, o número aplicável ao
inquérito para apuração de falta grave é seis, e não três.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 100 de 103
C C O RRE T A
Correta. No procedimento sumaríssimo, cada parte pode arrolar até 2 (duas) testemunhas (art.
852-H, §2º, CLT). No inquérito judicial para apuração de falta grave, aplicam-se as regras do
procedimento ordinário quanto à prova testemunhal, admitindo-se até 6 (seis) testemunhas
para cada parte (art. 821, CLT).
D I NC O RRE T A
Errada. Três testemunhas corresponde ao procedimento ordinário, não ao sumaríssimo (que
admite apenas duas); e duas testemunhas não é o número aplicável ao inquérito de apuração de
falta grave (que admite seis).
QUESTÃO 79 P R O C E D I M E N T O S
Carlos Henrique foi contratado pela empresa terceirizada Delta Serviços Ltda. e, durante todo o
pacto laboral, prestou serviços em favor do Município de Belo Horizonte. Após ser dispensado sem
justa causa e não receber as verbas rescisórias, Carlos decide ajuizar reclamação trabalhista,
atribuindo à causa o valor de R$ 20.000,00.
Considerando as disposições da CLT acerca dos procedimentos, assinale a alternativa correta
quanto ao rito aplicável:
A Sumaríssimo.
B Ordinário.
C Sumário.
D Inquérito para apuração de falta grave.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. À primeira vista, o sumaríssimo seria aplicável, pois o valor da causa (R$ 20.000,00) está na
faixa de mais de 2 e até 40 salários-mínimos (art. 852-A, caput, CLT). Mas há exceção expressa: o
rito sumaríssimo não se aplica às demandas em que figure como parte a Administração Pública
direta, autárquica ou fundacional (art. 852-A, parágrafo único, CLT). Como o Município de Belo
Horizonte integra a lide, ainda que como tomador de serviços terceirizados, o sumaríssimo é
afastado.
B C O RRE T A
Correta. Embora o valor da causa estivesse, em regra, na faixa do procedimento sumaríssimo, a
presença do Município de Belo Horizonte no polo passivo afasta esse rito por força da exceção
do art. 852-A, parágrafo único, CLT. Afastado o sumaríssimo, a demanda segue o procedimento
ordinário, já que seu valor supera o teto do procedimento sumário.
Art. 852-A, parágrafo único. Estão excluídas do procedimento sumaríssimo as demandas em que é
parte a Administração Pública direta, autárquica e fundacional.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 101 de 103
C I NC O RRE T A
Errada. O procedimento sumário aplica-se apenas a causas de valor não superior a 2 salários-
mínimos (Lei nº 5.584/70) — patamar muito inferior ao valor atribuído à causa (R$ 20.000,00).
D I NC O RRE T A
Errada. O inquérito para apuração de falta grave é procedimento específico voltado à apuração
de falta grave de empregado estável (art. 853, CLT), sem relação com reclamação trabalhista por
verbas rescisórias.
QUESTÃO 80 R E C U R S O S
Em uma reclamação trabalhista ajuizada por Lucas Martins em face da empresa Alfa Serviços Ltda.,
foi instaurado incidente de desconsideração da personalidade jurídica ainda na fase de
conhecimento. O juiz proferiu decisão interlocutória acolhendo o incidente, incluindo o sócio no polo
passivo da demanda. Diante dessa situação, a parte ré pretende impugnar a decisão.
Com base na CLT, assinale a alternativa CORRETA:
A Cabe agravo de instrumento, por aplicação subsidiária do Código de Processo Civil.
B Cabe recurso ordinário imediato contra a decisão interlocutória.
C A decisão não é recorrível de imediato, devendo ser arguida em preliminar de recurso
ordinário.
D Cabe agravo de petição, por se tratar de decisão interlocutória.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. O agravo de instrumento serve para destrancar recurso ao qual foi negado seguimento
(art. 897, "b", CLT) — não é o recurso cabível contra a decisão que acolhe o incidente de
desconsideração da personalidade jurídica na fase de conhecimento.
B I NC O RRE T A
Errada. O recurso ordinário é cabível contra decisões definitivas ou terminativas (art. 895, CLT), isto
é, contra a sentença que julga o mérito. A decisão interlocutória que acolhe o incidente de
desconsideração na fase de conhecimento não põe fim ao processo, não comportando recurso
ordinário imediato.
C C O RRE T A
Correta. Quando o incidente de desconsideração da personalidade jurídica é acolhido ou
rejeitado na fase de conhecimento, a decisão interlocutória não é recorrível de imediato — a
matéria deve ser arguida em preliminar de recurso ordinário, por ocasião da impugnação da
sentença final (art. 855-A, §1º, I, CLT). Regra diferente se aplica se o incidente for resolvido na fase
de execução (agravo de petição, art. 855-A, §1º, II) ou instaurado originariamente no tribunal
(agravo interno, art. 855-A, §1º, III).
Art. 855-A.
§ 1º Da decisão interlocutória que acolher ou rejeitar o incidente:
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 102 de 103
I - na fase de cognição, não cabe recurso de imediato;
II - na fase de execução, cabe agravo de petição, independentemente de garantia do juízo;
III - cabe agravo interno, se decidido pelo relator, em incidente instaurado originariamente no tribunal.
D I NC O RRE T A
Errada. O agravo de petição é cabível contra decisões proferidas na fase de execução (art. 855-A,
§1º, II, CLT); como o incidente foi acolhido ainda na fase de conhecimento, esse recurso não é
cabível nesse momento.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 103 de 103
	Nocaute
	Gabarito Oficial
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	CONSTITUCIONAL
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	DIREITO ELEITORAL
	DIREITO INTERNACIONAL
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	DIREITO EMPRESARIAL
	PROCESSO CIVIL
	DIREITO PENAL
	PROCESSO PENAL
	DIREITO PREVIDENCIÁRIO
	DIREITO DO TRABALHO
	PROCESSO DO TRABALHOpretende associar-se a uma sociedade de advogados, para a prestação de
serviços advocatícios e participação nos resultados.
Sobre tal possibilidade, assinale a afirmativa correta.
A É admitido que Jefferson se associe, em tais moldes, a apenas uma sociedade de
advogados.
B A associação de Jefferson a uma sociedade unipessoal de advocacia, com participação nos
resultados, não é permitida, pois configuraria a presença de requisitos legais de vínculos
empregatícios.
C É admitido que Jefferson se associe, simultaneamente, a uma sociedade de advogados e a
uma sociedade unipessoal de advocacia.
D A associação de Jefferson a uma sociedade de advogados deve ser em caráter geral, não
sendo admitida a restrição à determinada causa.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. O advogado poderá se associar com uma ou mais sociedades de advogados ou
sociedades unipessoais de advocacia.
B I NC O RRE T A
Errada. O advogado poderá associar-se a uma ou mais sociedades de advogados ou sociedades
unipessoais de advocacia, com participação nos resultados, sem que estejam presentes os
requisitos legais de vínculo empregatício.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 11 de 103
C C O RRE T A
Correta. Jefferson poderá associar-se a uma ou mais sociedades de advogados ou sociedades
unipessoais de advocacia, sem que estejam presentes os requisitos legais de vínculo
empregatício, para prestação de serviços e participação nos resultados.
Art. 17-A. EAOAB. O advogado poderá associar-se a uma ou mais sociedades de advogados ou
sociedades unipessoais de advocacia, sem que estejam presentes os requisitos legais de vínculo
empregatício, para prestação de serviços e participação nos resultados, na forma do Regulamento
Geral e de Provimentos do Conselho Federal da OAB.
D I NC O RRE T A
Errada. A associação poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou
trabalho.
Art. 17-B. EAOAB. A associação de que trata o art. 17-A desta Lei dar-se-á por meio de pactuação de
contrato próprio, que poderá ser de caráter geral ou restringir-se a determinada causa ou trabalho e
que deverá ser registrado no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial tiver sede a sociedade
de advogados que dele tomar parte.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 12 de 103
QUESTÃO 09 A F I L O S O F I A D O D I R E I T O E M D I F E R E N T E S M O M E N T O S H I S T Ó R I C O S
A equidade é um tema correlato da justiça que diz respeito à atividade jurisdicional. Trata-se de um
conceito da filosofia do direito que remete a Aristóteles. Segundo esse autor, em seu livro Ética a
Nicômaco, a equidade deve ser entendida como:
A uma correção da lei quando ela é deficiente em razão de sua universalidade e, por isso, não
consegue abranger as peculiaridades do caso concreto;
B a aplicação da justiça corretiva que distribui posses comuns, sendo caracterizada como
aquilo que é um posicionamento intermediário entre a perda e o ganho;
C uma forma de decisão que se baseia nas convicções morais e filosóficas da autoridade
jurisdicional, de modo que prevaleça um sentimento subjetivo de justiça;
D uma forma de decidir um caso concreto baseada na aplicação da lei nos termos de seu
enunciado, afinal o homem sem lei é o homem ímprobo.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. A alternativa (A) está correta, visto que segundo o filósofo Aristóteles, a equidade", é um
mecanismo de corrigir a rota da exegese de leis, adequando-as quanto à peculiaridades do
caso concreto, até porque a lei, com pretensões universalizantes, precisa ser contextualizada em
certos casos”. (Obra “Ética a Nicômacos").
B I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (B) está incorreta, em razão de que a aplicação da justiça corretiva distribui
posses comuns, sendo caracterizada como aquilo que é um posicionamento intermediário entre a
perda e o ganho.
Ocorre que, a afirmação que consta na alternativa não é de uma hipótese da justiça corretiva,
mas sim da Justiça distributiva, consolidada no famoso “dar a cada um o que é seu".
C I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (C) está incorreta, dado que menciona que a equidade é um meio de
prevalecer um sentimento subjetivo de justiça. A equidade não é a mera subjetividade ou
“sentimento de Justiça" do julgador.
D I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois cita que a equidade é uma forma de decidir um caso
concreto baseado na aplicação da lei nos termos de seu enunciado. Contudo, a equidade altera
parcialmente, a noção de dedução literal da lei ao caso concreto.
D I S C I P L I N A
FILOSOFIA
Q09 – Q10 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 13 de 103
QUESTÃO 10 O C O N C E I T O D E D I R E I T O
Em sua obra “Teoria Geral do Direito e do Estado”, Hans Kelsen, ao discutir o “conceito de direito”,
aborda a relação entre validade e eficácia. A respeito dessa relação, sustenta que
A entre os conceitos de validade e de eficácia há uma relação de identidade.
B validade e eficácia conectam-se em virtude de sua relação com a justiça.
C uma norma jurídica somente pode ser considerada válida se pertencer a uma ordem que,
no todo, é eficaz.
D uma norma jurídica somente pode ser considerada eficaz se pertencer a uma ordem
globalmente válida.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (A) está incorreta, visto que, segundo Kelsen, a validade e eficácia não são
idênticas, mas sim conceitos distintos.
Sendo assim, o erro da alternativa está em afirmar que há uma relação de identidade.
B I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (B) está incorreta, pois Kelsen não relaciona diretamente validade e eficácia
com a justiça em sua teoria. De modo que não é sinônimo de validade e eficácia.
Desta forma, o erro da alternativa está em afirmar que se conectam em virtude da relação com a
justiça.
C C O RRE T A
Correta. A alternativa (C) está correta, uma vez que afirma com exatidão o argumento de Kelsen
no sentido de que a validade de uma norma jurídica está ligada à sua inclusão em uma ordem
jurídica eficaz. Isto é, uma norma só é válida se fizer parte de um sistema jurídico que funcione e
seja aplicado.
Nesse caso, podemos concluir que a validade está intrinsecamente ligada à eficácia no contexto
da teoria jurídica de Kelsen.
D I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois Kelsen não coloca a validade como um pré-requisito
para a eficácia.
Segundo Kelsen a eficácia está relacionada à aplicação prática da norma, ao passo que a
validade diz respeito à sua conformidade com normas de criação superiores.
Assim sendo, o erro da alternativa está em colocar validade como um pré-requisito para a
eficácia.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 14 de 103
QUESTÃO 11 I N T E R V E N Ç Ã O F E D E R A L
O governador do Estado Alfa determinou, de forma deliberada, que Alfa deixasse de realizar os
depósitos para pagamento de dívida fundada que possui com a União.
Alertado sobre possíveis consequências jurídico−políticas passíveis de recaírem sobre o Estado Alfa,
após dois anos de suspensão dos pagamentos, decidiu consultar o Procurador−Geral do Estado
sobre a repercussão que tal situação poderia causar.
Sobre a hipótese apresentada, segundo o sistema jurídico− constitucional brasileiro, assinale a
opção que apresenta, corretamente, o parecer do Procurador−Geral do Estado.
A O Presidente da República poderá decretar a intervenção federal no Estado Alfa, sendo
necessária a apreciação a posteriori do Congresso Nacional.
B O Estado Alfa, em razão de sua condição de ente autônomo da República Federativa do
Brasil, não se sujeita à intervenção por parte da União.
C O Presidente da República somente poderá decretar intervenção federal no Estado Alfa após
decisão judicial por parte do Supremo Tribunal Federal.
D O Presidente da República poderá decretar intervenção federal no Estado Alfa, a ser
executada pelo CongressoNacional, diretamente ou por meio da autoridade que indicar.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. A hipótese do art. 34, V, "a", da CF configura caso de intervenção espontânea, na qual o
Presidente da República decreta a intervenção de ofício, sem necessidade de provocação pelo
Judiciário ou por qualquer outro órgão. Contudo, o decreto interventivo deve ser submetido à
apreciação do Congresso Nacional no prazo de 24 horas (art. 36, §1º, CF), que exercerá o controle
político da medida, podendo aprová-la ou suspendê-la. Essa sistemática garante o equilíbrio
entre os Poderes e a preservação do pacto federativo.
Art. 34. A União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para:
V - reorganizar as finanças da unidade da Federação que:
a) suspender o pagamento da dívida fundada por mais de dois anos consecutivos, salvo motivo
de força maior;
Art. 36, §1º. O decreto de intervenção, que especificará a amplitude, o prazo e as condições de
execução e que, se couber, nomeará o interventor, será submetido à apreciação do Congresso
Nacional ou da Assembléia Legislativa do Estado, no prazo de vinte e quatro horas.
B I NC O RRE T A
Errada. A autonomia dos Estados-membros não é absoluta. A própria Constituição prevê, nos arts.
34 a 36, as hipóteses excepcionais em que a autonomia estadual pode ser temporariamente
D I S C I P L I N A
CONSTITUCIONAL
Q11 – Q16 · 6 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 15 de 103
restringida mediante intervenção federal. A intervenção é instrumento constitucional de defesa do
pacto federativo e da ordem constitucional, e o inadimplemento de dívida fundada por mais de
dois anos é uma das hipóteses expressamente previstas.
C I NC O RRE T A
Errada. A exigência de prévia decisão judicial do STF aplica-se apenas às hipóteses de
intervenção provocada por requisição judicial, previstas no art. 34, VI (prover a execução de
ordem ou decisão judicial) e VII (assegurar a observância de princípios constitucionais sensíveis,
esta última mediante representação do PGR perante o STF — ADI interventiva). No caso de
inadimplemento de dívida fundada (art. 34, V, "a"), a intervenção é espontânea, dispensando
qualquer provimento judicial prévio.
D I NC O RRE T A
Errada. A intervenção é decretada e executada pelo Presidente da República, não pelo Congresso
Nacional. Nos termos do art. 84, X, da CF, compete privativamente ao Presidente decretar e
executar a intervenção federal. O decreto nomeará interventor, quando couber (art. 36, §1º). O
papel do Congresso Nacional é de controle político (aprovar ou suspender a medida), e não de
execução.
QUESTÃO 12 O R D E M E C O N Ô M I C A E F I N A N C E I R A
Romualdo, empresário do ramo de supermercados, dirige−se à Prefeitura do Município Alfa e solicita
licença para instalar uma loja da sua rede em um bairro específico da cidade. O pedido é negado
sob a justificativa de que já existia outro estabelecimento do mesmo ramo na região. Segundo a
Prefeitura de Alfa, a concessão de licença afrontaria a Lei Complementar Municipal nº X (LC X/2024),
que exige distância mínima de mil metros entre estabelecimentos que comercializem produtos
semelhantes.
Romualdo, então, procura você, como advogado(a), para analisar a situação com base na ordem
jurídico−constitucional brasileira. Assinale a opção que apresenta, corretamente, sua análise sobre
a hipótese narrada.
A A norma municipal deve ser observada, em respeito à autonomia municipal garantida pela
ordem jurídica brasileira.
B A LC X é inconstitucional, já que Alfa, por não ser ente federativo, não possui competência
legislativa para produzir leis complementares.
C A existência de norma legal federal sobre a questão deve ser avaliada, porque, pelo critério
hierárquico, esta última prevaleceria sobre a norma municipal.
D A abertura do negócio em questão não deve ser restringida, porque a LC X, ao adotar o
referido critério geográfico, viola o princípio constitucional da livre concorrência.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. A autonomia municipal (art. 30, CF) não é absoluta e encontra limites nas normas e
princípios constitucionais. O Município possui competência para legislar sobre assuntos de
interesse local e para promover o ordenamento territorial (art. 30, I e VIII, CF), mas essa
competência não pode ser exercida de modo a violar princípios fundamentais da ordem
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 16 de 103
econômica constitucional. A autonomia municipal não autoriza a edição de normas que
restrinjam indevidamente a livre iniciativa e a livre concorrência.
B I NC O RRE T A
Errada. O Município é, sim, ente federativo no sistema constitucional brasileiro. O art. 1º da CF/88
estabelece que a República Federativa do Brasil é formada pela união indissolúvel dos Estados,
Municípios e Distrito Federal, e o art. 18 confirma que a organização político-administrativa
compreende a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos autônomos. O Município
possui competência legislativa própria e pode editar leis complementares no âmbito de suas
atribuições constitucionais.
C I NC O RRE T A
Errada. O sistema federativo brasileiro não se organiza por hierarquia entre leis federais e
municipais, mas por repartição constitucional de competências. Não existe relação de
subordinação hierárquica entre lei federal e lei municipal quando cada ente legisla no âmbito de
sua competência própria. O eventual conflito se resolve pelo critério de competência
constitucional, e não pelo critério hierárquico. A inconstitucionalidade da LC X decorre de violação
direta a princípio constitucional, e não de conflito com norma federal.
D C O RRE T A
Correta. A Súmula Vinculante 49 do STF dispõe que ofende o princípio da livre concorrência lei
municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área. O art. 170, IV, da CF/88 consagra a livre concorrência como princípio da
ordem econômica. A imposição de distância mínima entre estabelecimentos do mesmo ramo
cria reserva de mercado em favor do comerciante já instalado, limitando artificialmente a
competição e prejudicando tanto os demais empresários quanto os consumidores. A lei
municipal, ao adotar critério geográfico restritivo, extrapola os limites do poder de polícia
municipal e viola frontalmente o princípio constitucional da livre concorrência.
Súmula Vinculante 49: Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a instalação
de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em determinada área.
QUESTÃO 13 M A N D A D O D E I N J U N Ç Ã O
Emenda à Constituição inseriu novo direito social na Constituição Federal de 1988. Da análise do
dispositivo normativo extraiu-se que a fruição do direito ali previsto somente seria possível com sua
devida disciplina legal.
Passados sete anos sem que o Congresso Nacional tivesse elaborado a referida regulamentação,
mesmo após decisões do Supremo Tribunal Federal que reconheciam a mora e determinavam
prazo razoável para a edição da norma regulamentadora, Fernando, que entende fazer jus a tal
direito, procurou você, como advogado(a), a fim de saber se há alguma providência judicial a ser
tomada para que possa usufruir do direito constitucionalmente previsto.
Sobre a hipótese, de acordo com o sistema jurídico-constitucional vigente, assinale a afirmativa
que apresenta, corretamente, sua orientação.
A A via judicial não é cabível, posto que, com base no princípio da separação de poderes,
somente a produção de lei regulamentadora pelo Congresso Nacional viabilizará a fruição
do referido direito social.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 17 de 103
B Fernando poderá ingressar com mandado de injunção perante o Superior Tribunal de
Justiça, o qual, reconhecendoa existência de mora por parte do Congresso Nacional, poderá
determinar que este Tribunal edite a lei regulamentadora imediatamente.
C O mandado de injunção, a ser impetrado por Fernando perante o Supremo Tribunal Federal,
pode ser utilizado para requerer que o Tribunal estabeleça as condições em que se dará o
exercício do referido direito social, de modo a permitir a sua fruição.
D Fernando tem a possibilidade de ajuizar uma ação direta de inconstitucionalidade por
omissão perante o Supremo Tribunal Federal, requerendo que o Tribunal promova sua
implementação imediata para todos que façam jus ao direito social.
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. A própria Constituição prevê o mandado de injunção (art. 5º, LXXI, CF) exatamente para
situações em que a falta de norma regulamentadora torna inviável o exercício de direitos e
liberdades constitucionais. O princípio da separação de poderes não impede a atuação do
Judiciário nessa hipótese — ao contrário, a Constituição expressamente o autoriza a agir para
suprir a omissão. A evolução jurisprudencial do STF, especialmente a partir do MI 708 (direito de
greve dos servidores públicos), consolidou a posição concretista, pela qual o Tribunal pode
estabelecer as condições de exercício do direito até que sobrevenha a regulamentação
legislativa.
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros
e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne
inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania;
B I NC O RRE T A
Errada. Dois erros graves. Primeiro, a competência: quando a omissão é atribuída ao Congresso
Nacional, a competência para processar e julgar o mandado de injunção é do Supremo Tribunal
Federal (art. 102, I, "q", CF), e não do STJ. Segundo, o mandado de injunção não serve para
determinar que o Legislativo edite lei — o Judiciário não pode compelir o Congresso a legislar, pois
isso violaria a separação de poderes. O que o tribunal faz é viabilizar o exercício do direito,
estabelecendo as condições para tanto até que a norma regulamentadora seja editada.
Art. 102. Compete ao Supremo Tribunal Federal, precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: I
- processar e julgar, originariamente:
q) o mandado de injunção, quando a elaboração da norma regulamentadora for atribuição do
Presidente da República, do Congresso Nacional, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal,
das Mesas de uma dessas Casas Legislativas, do Tribunal de Contas da União, de um dos
Tribunais Superiores, ou do próprio Supremo Tribunal Federal;
C C O RRE T A
Correta. O mandado de injunção é o remédio constitucional adequado quando a falta de norma
regulamentadora torna inviável o exercício de direitos constitucionais (art. 5º, LXXI, CF). A
competência é do STF, pois a omissão é do Congresso Nacional (art. 102, I, "q", CF). A Lei
13.300/2016, que regulamentou o mandado de injunção, consagrou a posição concretista:
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 18 de 103
reconhecida a mora legislativa, o tribunal pode estabelecer as condições de exercício do direito
(art. 8º, I e II, da Lei 13.300/2016). Além disso, o enunciado menciona que já houve decisões
anteriores do STF reconhecendo a mora e fixando prazo razoável para o Congresso legislar, sem
que este tenha cumprido — o que reforça ainda mais a legitimidade da atuação concretista do
Tribunal.
D I NC O RRE T A
Errada. Dois problemas. Primeiro, a legitimidade: Fernando, como pessoa física, não possui
legitimidade ativa para propor ADO, cujo rol de legitimados é restrito aos elencados no art. 103 da
CF (Presidente da República, Mesa do Senado, Mesa da Câmara, PGR, partidos políticos com
representação no Congresso, entre outros). Segundo, a eficácia: a ADO, quando reconhece a
omissão legislativa, limita-se a dar ciência ao poder competente para que adote as providências
necessárias (art. 103, §2º, CF), tendo efeito menos concreto que o mandado de injunção. O STF não
pode, via ADO, promover a implementação imediata do direito para todos os titulares.
QUESTÃO 14 D I R E I T O S S O C I A I S
Renato Carlos, renomado pianista, foi convidado para se apresentar em um grande evento musical
internacional sediado no Brasil. Ao tentar se inscrever no evento, foi informado de que era
obrigatório estar inscrito em uma ordem dos músicos para poder se apresentar publicamente no
país.
Surpreendido com a informação, procurou você, como advogado(a), e solicitou que fosse
analisada a compatibilidade da exigência com o sistema jurídico−constitucional brasileiro.
Em relação à exigência, assinale a opção que indica, corretamente, a orientação dada.
A É válida, pois se harmoniza com o poder regulamentar das entidades de classe, regra a ser
observada no exercício profissional no Brasil.
B Viola a ordem constitucional, pois a liberdade profissional é um direito com alto grau de
amplitude, sendo vedado ao legislador estabelecer condições para o seu exercício.
C Está de acordo com a Constituição da República, pois visa zelar pelo regular exercício da
profissão de músico no país, garantindo maior qualidade no desempenho profissional.
D Encontra−se em desacordo com a Constituição da República, pois, além de não proteger
interesse público relevante, viola o princípio da liberdade de expressão artística.
GABARITO Letra D
A I NC O RRE T A
Errada. O poder regulamentar das entidades de classe não se sobrepõe ao direito fundamental de
liberdade artística. Exigir inscrição para músicos viola a CF/88.
B I NC O RRE T A
Errada. Erra ao afirmar que nenhuma condição pode ser imposta; a CF/88 permite restrições para
profissões comuns, mas não para a expressão artística (art. 5º, IX).
Art. 5º, IX. É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação,
independentemente de censura ou licença;
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 19 de 103
C I NC O RRE T A
Errada. Ainda que o controle de qualidade seja válido para outras profissões, não se aplica à
atividade artística segundo o STF e a letra da Constituição.
D C O RRE T A
Correta. A exigência encontra-se em desacordo com a Constituição, pois a liberdade de
expressão artística é plena e só pode ser restringida em situações excepcionais. Não há
interesse público relevante que justifique a limitação.
QUESTÃO 15 N A C I O N A L I D A D E
Mariana, que nasceu no Brasil, decidiu adquirir a nacionalidade de um país asiático. Embora este
país não tivesse imposto condições para sua permanência no respectivo território ou para o
exercício dos direitos civis, ela acreditava que essa decisão facilitaria sua circulação pelo
continente asiático, já que tinha o propósito de explorar vários sítios montanhosos.
No entanto, ao retornar ao Brasil neste mês, Mariana foi informada de que essa escolha pode
resultar na perda de sua nacionalidade brasileira. Preocupada, ela consultou você, como
advogado(a), para esclarecer a sua situação, explicando que nunca realizou qualquer pedido
expresso para abdicar da nacionalidade brasileira.
Sobre a situação de Mariana, de acordo com o sistema jurídico− constitucional brasileiro, assinale a
afirmativa correta.
A Ela mantém a nacionalidade brasileira, pois, no caso em análise, apenas o pedido expresso
de perda da nacionalidade pode gerar tal consequência.
B Ela não perde a nacionalidade brasileira, desde que comunique previamente ao governo
brasileiro que não deseja renunciar a ela ao adquirira nova nacionalidade.
C Ela perde a nacionalidade brasileira apenas se deixar de exercer direitos políticos e civis no
Brasil, como o voto ou a manutenção de propriedades, após adquirir a nova nacionalidade.
D Ela perde a nacionalidade brasileira, pois ao adquirir voluntariamente outra nacionalidade,
sem imposição do Estado estrangeiro, ela perde automaticamente a nacionalidade
originária.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. A EC 131/2023 alterou o art. 12, §4º, II, da CF/88, que passou a prever que a perda da
nacionalidade brasileira por aquisição de outra nacionalidade somente ocorrerá quando houver
requerimento expresso do brasileiro nesse sentido perante autoridade brasileira competente.
Com a nova redação, a mera aquisição voluntária de nacionalidade estrangeira não é mais
causa automática de perda da nacionalidade brasileira. Mariana, que apenas adquiriu a
nacionalidade do país asiático por conveniência de circulação, sem jamais ter formulado
pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira, mantém sua condição de brasileira nata.
A mudança legislativa consagrou o princípio de que ninguém perde a nacionalidade brasileira
contra a sua vontade expressa.
Art. 12, §4º: Será declarada a perda da nacionalidade do brasileiro que:
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 20 de 103
II. fizer pedido expresso de perda da nacionalidade brasileira perante autoridade brasileira
competente, ressalvadas situações que acarretem apatridia.
B I NC O RRE T A
Errada. EC 131/2023 não exige comunicação prévia ao governo brasileiro como condição para a
manutenção da nacionalidade. O sistema atual é inverso: a nacionalidade brasileira é preservada
como regra, e sua perda somente ocorre mediante requerimento expresso do titular. Não existe
ônus de comunicação prévia por parte do brasileiro que adquire outra nacionalidade.
C I NC O RRE T A
Errada. O exercício de direitos políticos e civis no Brasil não é critério constitucional para a
manutenção ou perda da nacionalidade. A Constituição não vincula a nacionalidade à prática de
atos como votar ou manter propriedades. O único critério após a EC 131/2023 é a manifestação
expressa de vontade de perder a nacionalidade brasileira.
D I NC O RRE T A
Errada. Esta alternativa reflete o regime constitucional anterior à EC 131/2023, quando a aquisição
voluntária de outra nacionalidade, por si só, podia acarretar a perda da brasileira (salvo nas
exceções do art. 12, §4º, II, "a" e "b"). Com a nova redação trazida pela EC 131/2023, a aquisição
voluntária de nacionalidade estrangeira não gera mais perda automática. A perda exige
requerimento expresso do brasileiro perante autoridade competente.
QUESTÃO 16 C O M P E T Ê N C I A L E G I S L A T I V A
Carlos Frederico, Deputado Estadual no Estado Alfa, apresentou projeto de lei que versa sobre tema
que, embora considerado de grande relevância, não se enquadra no rol de matérias de
competência legislativa expressa de qualquer dos entes federativos (União, Estados, Distrito Federal
e Municípios).
Por essa razão, alguns dos seus colegas deputados suscitaram a possível incompetência da
Assembleia Legislativa de Alfa para legislar sobre o tema. Para esclarecer a dúvida, o
Procurador−Geral da Assembleia Legislativa foi chamado a se manifestar.
Assinale a opção que apresenta, segundo o sistema jurídico− constitucional brasileiro, o
esclarecimento prestado.
A A Assembleia Legislativa do Estado Alfa pode legislar sobre a matéria.
B O projeto de lei é inconstitucional, porque a competência legislativa sobre a matéria é
exclusiva da União.
C A omissão constitucional permite concluir que se está diante de matéria de interesse local,
de competência municipal.
D A constitucionalidade do projeto de lei somente será reconhecida se, aprioristicamente, a
Assembleia Legislativa de Alfa solicitar autorização ao Congresso Nacional para a respectiva
tramitação.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 21 de 103
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. Como o enunciado afirma expressamente que a matéria "não se enquadra no rol de
matérias de competência legislativa expressa de qualquer dos entes federativos", aplica-se o
art. 25, §1º, da CF. A competência residual é dos Estados-membros: na ausência de atribuição
expressa a outro ente, a matéria recai na competência estadual. A Assembleia Legislativa de
Alfa tem, portanto, competência para legislar sobre o tema.
Art. 25. Os Estados organizam-se e regem-se pelas Constituições e leis que adotarem, observados os
princípios desta Constituição.
§ 1º São reservadas aos Estados as competências que não lhes sejam vedadas por esta Constituição.
B I NC O RRE T A
Errada. O próprio enunciado afirma que a matéria não se enquadra no rol de competências
expressas de qualquer ente, inclusive da União. Não há como sustentar competência exclusiva da
União sobre matéria que não lhe foi expressamente atribuída pela Constituição. As competências
privativas da União estão taxativamente previstas nos arts. 21 e 22 da CF, e o tema em questão
não se encontra nesse rol.
C I NC O RRE T A
Errada. A ausência de previsão expressa não conduz à presunção de interesse local municipal. O
interesse local (art. 30, I, CF) é critério específico que demanda que a matéria tenha
predominância de repercussão no âmbito municipal. No sistema constitucional brasileiro, a
competência residual — aquela que sobra após a distribuição expressa — pertence aos Estados
(art. 25, §1º), e não aos Municípios. A competência municipal é enumerada, não residual.
Art. 30. Compete aos Municípios:
I - legislar sobre assuntos de interesse local.
D I NC O RRE T A
Errada. Não existe no sistema constitucional brasileiro qualquer exigência de autorização prévia
do Congresso Nacional para que uma Assembleia Legislativa estadual exerça sua competência
legislativa. Os Estados-membros são entes autônomos (art. 18, CF), dotados de autolegislação,
autogoverno e autoadministração. A competência residual do art. 25, §1º, é exercida de forma
independente, sem subordinação ou necessidade de anuência de qualquer outro ente federativo.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 22 de 103
QUESTÃO 17 S I S T E M A I N T E R N A C I O N A L D O S D I R E I T O S H U M A N O S
Em 2001, o Brasil foi condenado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos no caso Maria
da Penha Maia Fernandes versus Brasil, por omissão em relação a crimes contra os Direitos
Humanos das mulheres.
Em razão da condenação no plano internacional, em 2006, foi publicada a Lei nº 11.340, que trouxe
mecanismos de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar.
Em 2022, em consonância com a lei nacional, foi editada no Estado de Santa Catarina a Lei Estadual
nº 18.322, fortalecendo, ainda mais, a proteção dos direitos humanos das mulheres vítimas de
violência doméstica e familiar.
Acerca das formas de violência contra a mulher elencadas na Lei nº 18.322/22, é correto afirmar que
A violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação
ou injúria.
B violência obstétrica é todo ato praticado pelo médico, pela equipe do hospital, por um
familiar ou acompanhante que ofenda, de forma verbal ou física, as mulheres gestantes,
em trabalho de parto ou, ainda, no período puerpério.
C violência moral é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração,
destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais,
bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas
necessidades.
D violência psicológica é entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a
manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça,
coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquermodo, a sua
sexualidade, que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao
matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno
ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos.
GABARITO Letra B
A I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois afirma que a violência patrimonial é entendida como
qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. Nos termos da art. 7º, incisos IV e V,
da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), a violência patrimonial não é entendida como calúnia,
difamação ou injúria, porém como qualquer conduta que implique em dano, perda, subtração,
destruição ou retenção de objetos, bens e valores da mulher.
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração,
destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens,
valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
D I S C I P L I N A
DIREITOS HUMANOS
Q17 – Q18 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 23 de 103
O erro da alternativa está em afirmar que a violência patrimonial é entendida como qualquer
conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
B C O RRE T A
Correta. A alternativa (B) está correta, definindo corretamente a violência obstétrica: aquela que
abrange atos ofensivos, tanto de forma verbal como física, praticados contra mulheres
gestantes, em trabalho de parto ou no período puerpério, por médicos, equipe do hospital,
familiares ou acompanhantes
C I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (C) está incorreta, visto que essa definição é da violência patrimonial e não
da violência moral. A violência moral se caracteriza por condutas que impliquem em calúnia,
difamação ou injúria.
D I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (D) está incorreta, uma vez que menciona uma afirmação correspondente à
violência sexual, e não à violência psicológica. A violência psicológica é caracterizada por
qualquer conduta que cause dano emocional e diminuição da autoestima, prejudique e perturbe
o pleno desenvolvimento da mulher, ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos,
crenças e decisões.
QUESTÃO 18 R E G R A S D A S N A Ç Õ E S U N I D A S P A R A M U L H E R E S P R E S A S
Joana, grávida de 8 meses, é recolhida a estabelecimento carcerário para cumprimento de pena
privativa de liberdade já transitada em julgado.
No mês subsequente ao seu encarceramento, a apenada entra em trabalho de parto, sendo
encaminhada para hospital público estadual para início dos procedimentos médicos.
Visando a evitar a fuga de Joana, o agente policial que a acompanhou tomou todas as cautelas
necessárias, algemando-a na maca hospitalar durante todo o período em que ela esteve
internada, inclusive durante o parto.
Nesse contexto, considerando as Regras das Nações Unidas para o Tratamento de Mulheres Presas
– Regras de Bangkok, é correto afirmar que o uso das algemas foi
A correto, estando em consonância com a súmula vinculante 11 do STF, que prevê a
possibilidade de utilização do instrumento de contenção nos casos de risco de fuga, inclusive
durante o parto.
B incorreto, vez que o trabalho de parto deveria ser realizado nas dependências da
penitenciária por agentes policiais, dentro da cela da detenta, para evitar risco de fuga, o
que dispensaria o uso de algemas.
C incorreto, visto que os instrumentos de contenção jamais deverão ser usados em mulheres
em trabalho de parto, durante o parto e nem no período imediatamente posterior.
D correto, visto que a condição de detenta não é afastada pelo trabalho de parto, devendo sua
locomoção ser restrita em todos os espaços que frequentar, no interesse da coletividade e
nos limites da pena imposta.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 24 de 103
GABARITO Letra C
A I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois alega que a alternativa está em consonância com a
súmula vinculante 11 do STF, que prevê a possibilidade de utilização do instrumento de contenção
nos casos de risco de fuga, inclusive durante o parto. Entretanto, a súmula vinculante 11 não
menciona a hipótese do parto.
Vejamos:
Súmula Vinculante 11 - Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga
ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da
autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da
responsabilidade civil do Estado.
B I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (B) está incorreta, uma vez que no caso em questão, a apenada deveria ter
sido levada ao hospital para que o seu parto seja realizado com segurança.
C C O RRE T A
Correta. A alternativa C está correta, pois os instrumentos de contenção jamais deverão ser
usados em mulheres em trabalho de parto, durante o parto e nem no período imediatamente
posterior.
Inerente a Regra de Bangkok número 24, o ordenamento jurídico brasileiro, possui a Lei 13.434 de
2017 - Lei do uso das algemas, onde modifica artigo 292 do Código de Processo Penal – CPP,
acrescentando-lhe o parágrafo único que dispõe que é proibido o uso de algemas em mulheres
durante o parto e à fase de puerpério imediato.
Parágrafo Único: É vedado o uso de algemas em mulheres grávidas durante os atos médico-
hospitalares preparatórios para a realização do parto e durante o trabalho de parto, bem como
em mulheres durante o período de puerpério imediato. (BRASIL, 2017, online).
D I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois deve ser assegurado tratamento humanitário antes e
durante o trabalho de parto e no período de puerpério. Existe a obrigação do poder público de
promover a assistência integral à saúde da mulher e à do recém-nascido.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 25 de 103
QUESTÃO 19 P R O P A G A N D A E L E I T O R A L
O Partido Político Alfa tomou conhecimento de que Joana, candidata ao cargo de Deputada
Estadual, estava veiculando propaganda eleitoral paga, na imprensa escrita, durante a sua
campanha eleitoral.
Como o desempenho de Joana nas pesquisas eleitorais aumentou consideravelmente, o Partido
Político o consultou, na condição de advogado, em relação à licitude dessa conduta.
Sobre a veiculação da propaganda realizada por Joana, assinale a opção que indica, corretamente,
sua resposta.
A É admitida até o dia da eleição, desde que observados os balizamentos legais.
B É permitida, até a antevéspera da eleição, observados os balizamentos legais.
C É vedada, logo, Alfa pode ajuizar representação eleitoral almejando a aplicação de multa.
D Deve ser considerada ilícita se não tiver sido celebrado ajuste coletivo, pelos partidos
políticos, autorizando−a, o que será apurado em investigação judicial eleitoral.
GABARITO Letra B
E X P L I C A Ç Ã O
Nos termos do art. 43 da Lei das Eleições (Lei n.º 9.504/1997), propaganda eleitoral paga na
imprensa escrita é permitida até a antevéspera das eleições, desde que observados os
balizamentos legais estabelecidos pela legislação eleitoral. Vejamos:
Art. 43. São permitidas, até a antevéspera das eleições, a divulgação paga, na imprensa escrita, e a
reprodução na internet do jornal impresso, de até 10 (dez) anúncios de propaganda eleitoral, por
veículo, em datas diversas, para cada candidato, no espaço máximo, por edição, de 1/8 (um oitavo)
de página de jornal padrão e de 1/4 (um quarto) de página de revista ou tabloide. (Redação dada
pela Lei nº 12.034, de 2009)”
A I NC O RRE T A
Errada. Não é permitido até o dia da eleição e sim até a antevéspera.B C O RRE T A
Correta. Alternativa conforme o art. 43 da Lei das Eleições.
C I NC O RRE T A
Errada. Não é vedada.
D I NC O RRE T A
Errada. Não é requisito trazido pela legislação.
D I S C I P L I N A
DIREITO ELEITORAL
Q19 – Q20 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 26 de 103
QUESTÃO 20 F U N D O P A R T I D Á R I O
João, que acabara de assumir a função de tesoureiro do partido político Alfa, solicitou explicações
ao(à) advogado(a) do partido a respeito dos cuidados que deveria ter na aplicação dos recursos
oriundos do Fundo Especial de Assistência Financeira aos Partidos Políticos (Fundo Partidário), mais
especificamente em relação à existência de plena liberdade valorativa do partido político na
aplicação desses recursos e à necessidade, ou não, de prestação de contas.
Sobre a hipótese formulada, assinale a afirmativa correta.
A Os recursos devem ser aplicados por Alfa, nas finalidades autorizadas em lei, sendo objeto
de prestação de contas à Justiça Eleitoral, embora o referido Fundo receba tanto valores de
origem pública como privada.
B Os recursos recebidos por Alfa devem ser aplicados nas finalidades autorizadas em lei, sendo
objeto de prestação de contas apenas ao seu órgão de direção nacional, embora o referido
Fundo seja formado a partir das sobras da arrecadação da União.
C Como Alfa tem personalidade jurídica de direito privado, pode aplicar livremente os recursos
recebidos nas finalidades previstas em seu estatuto e deve prestar contas à Justiça Eleitoral,
quando se comprometer a realizar um projeto de interesse público.
D Os recursos devem ser aplicados por Alfa nas finalidades livremente autorizadas em seu
estatuto, mas, como os valores remetidos ao referido Fundo são captados pela Justiça
Eleitoral com as multas eleitorais e as dotações da União, deve haver prestação de contas ao
Tribunal de Contas da União.
GABARITO Letra A
A C O RRE T A
Correta. O art. 44 da Lei 9.096/95 determina expressamente as finalidades legais do Fundo
Partidário. O art. 32 da mesma lei impõe prestação de contas à Justiça Eleitoral. Mesmo que o
Fundo receba valores de diversas origens (multas eleitorais, dotações orçamentárias etc.), ele
tem natureza pública e sofre controle da Justiça Eleitoral.
B I NC O RRE T A
Errada. A prestação de contas não é apenas interna ao partido. A fiscalização é feita pela Justiça
Eleitoral, justamente por se tratar de recursos de natureza pública.
C I NC O RRE T A
Errada. Não existe liberdade plena na aplicação. Embora o partido tenha personalidade jurídica de
direito privado (art. 1º da Lei 9.096/95), os recursos do Fundo Partidário não são privados, eles têm
destinação vinculada em lei. O partido não pode aplicar livremente conforme seu estatuto,
podendo aplicar nas hipóteses do art. 44 da Lei 9.096/95.
D I NC O RRE T A
Errada. O controle e a prestação de contas desses recursos são perante a Justiça Eleitoral, e não
ao TCU.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 27 de 103
QUESTÃO 21 I M U N I D A D E À J U R I S D I Ç Ã O E S T A T A L
Em viagem ao Rio de Janeiro, Paolo, italiano, filho do embaixador da Itália no Brasil, registrado como
dependente deste, com quem vive, foi à Lapa, onde se embriagou. Com a capacidade psicomotora
comprometida, assumiu a direção de um veículo e, em seguida, devido à embriaguez, atropelou e
matou uma pessoa.
Nessa situação hipotética,
A Paolo não possui imunidade diplomática, devendo a lei do Estado acreditante ser aplicada
com primazia sobre a lei brasileira.
B Paolo não poderá ser punido pela lei brasileira, pois, salvo em caso de renúncia, possui
imunidade diplomática, embora possa ser punido pelas leis do Estado acreditante.
C Paolo será isento de pena, seja no Brasil, seja no Estado acreditante, pois possui imunidade
diplomática, salvo se renunciá-la.
D embora Paolo possua imunidade diplomática, excetuada a hipótese de renúncia, ela se
restringe aos atos de ofício, razão pela qual ele poderá ser punido pela lei brasileira.
GABARITO Letra B
E X P L I C A Ç Ã O
A referida questão requer o conhecimento acerca do art. 37 da Convenção de Viena Sobre
Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65, conforme segue:
“Art. 37. 1. Os membros da família de um agente diplomático que com ele vivam gozarão dos
privilégios e imunidades mencionados nos artigos 29 e 36, desde que não sejam nacionais do
estado acreditado. [...]”
Ademais, requer conhecimento ainda do que dispõe o nosso ordenamento jurídico no art. 5º,
caput do Código Penal, que diz:
“Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito
internacional, ao crime cometido no território nacional.”
Dessa forma, tem-se que Paolo é regido pela Imunidade Diplomática, uma vez que é filho do
embaixador da Itália no Brasil e é dependente deste, conforme constante no enunciado da
presente questão.
A I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (A) está incorreta, pois Paolo possui sim a Imunidade Diplomática, nos termos
do art. 37 da Convenção de Viena Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº
56.435/65.
D I S C I P L I N A
DIREITO INTERNACIONAL
Q21 – Q22 · 2 questões
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 28 de 103
B C O RRE T A
Correta. A alternativa (B) está correta, pois é o que dispõe a norma do art. 37 da Convenção de
Viena Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65, fazendo com que
Paolo não seja punido pela lei brasileira.
C I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (C) está incorreta, pois Paolo não será isento de pena, ele será punido pelas
leis inerentes ao Estado acreditado, nos termos do disposto no art. 37 da Convenção de Viena
Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65,
D I NC O RRE T A
Errada. A alternativa (D) está incorreta, pois a imunidade de Paolo é plena nos termos do art. 37 da
Convenção de Viena Sobre Imunidades Diplomáticas, promulgada pelo Decreto Nº 56.435/65.
QUESTÃO 22 E X T R A D I Ç Ã O , E X P U L S Ã O E D E P O R T A Ç Ã O
João, estrangeiro, residente no país há 10 anos, foi acusado de prática de crime doloso contra a vida
cometido no Brasil, tendo sido julgado por este fato perante tribunal do júri brasileiro. Paralelamente,
foi condenado em seu país de origem por manifestar-se, publicamente, em contrário à política
praticada pelo Governo, o que lá é considerado crime. Em razão dessa condenação, a justiça
estrangeira requereu ao Brasil a extradição de João. Considerando essa situação à luz da
Constituição Federal, o tribunal do júri
A não poderia ter julgado João, uma vez que o acusado é estrangeiro, embora tenha direito à
aquisição da nacionalidade brasileira, não havendo, todavia, vedação constitucional para
que a extradição seja deferida.
B não poderia ter julgado João, uma vez que o acusado é estrangeiro, não tendo preenchido
os requisitos para aquisição da nacionalidade brasileira, não podendo, ademais, ser deferida
a extradição em razão da natureza do crime pelo qual João foi condenado em seu país de
origem.
C não poderia ter julgado João, uma vez que somente lhe compete julgar os crimes culposos
contra a vida, não podendo, ademais, ser deferida a extradição em razão do tempo de
permanência de João no Brasil, o que lhe confere direito à aquisição da nacionalidade
brasileira.
D poderia ter julgado João, mas a extradição não poderá ser deferida em razão da natureza
do crime pelo qual João foi condenado em seu país de origem.
Revisão Nocaute · OAB 47 — Pág. 29 de 103
GABARITO Letra D
E X P L I C A Ç Ã O
A referida questão requer o conhecimento acerca do art. 5º, XXXVIII, alínea “d” da CRFB/88,
conforme segue:
“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade,

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