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S I M U L A D O O F I C I A L VDE I G A B A R I T O C O M E N T A D O M E T O D O V D E . C O M . B R · @ M E T O D O V D E GABARITO OFICIAL Confira suas respostas. Para entender o porquê de cada alternativa, consulte o Gabarito Comentado. Q01 D Q21 D Q41 C Q61 A Q02 B Q22 B Q42 D Q62 A Q03 B Q23 D Q43 D Q63 C Q04 D Q24 D Q44 B Q64 B Q05 C Q25 C Q45 D Q65 A Q06 D Q26 C Q46 A Q66 C Q07 B Q27 A Q47 C Q67 A Q08 A Q28 D Q48 C Q68 C Q09 B Q29 B Q49 A Q69 A Q10 A Q30 A Q50 A Q70 D Q11 C Q31 A Q51 B Q71 B Q12 D Q32 B Q52 C Q72 A Q13 A Q33 C Q53 C Q73 C Q14 A Q34 B Q54 C Q74 A Q15 C Q35 C Q55 D Q75 D Q16 B Q36 C Q56 B Q76 D Q17 B Q37 D Q57 A Q77 D Q18 C Q38 B Q58 B Q78 B Q19 C Q39 D Q59 B Q79 B Q20 C Q40 D Q60 D Q80 D Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 2 de 96 QUESTÃO 01 D I R E I T O S E P R E R R O G A T I V A S D O A D V O G A D O Por exercer função de grande relevância social, os advogados possuem algumas prerrogativas únicas. Sobre elas, pode-se afirmar que são direitos desses profissionais: A Ingressar livremente em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar um ato, colher uma prova ou uma informação útil ao exercício da atividade profissional, desde que dentro do expediente, e ser atendido, desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado. B Ingressar livremente em qualquer assembleia ou reunião de que participe ou possa participar o seu usuário, ou perante a qual este deva comparecer, independente da apresentação de procuração. C Ingressar livremente nas salas e nas dependências de audiências, de secretarias, de cartórios, de ofícios de justiça, de serviços notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, fazê-lo mesmo fora da hora de expediente e quando presentes os seus titulares. D Ingressar livremente nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte reservada aos magistrados. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Dentro do expediente ou fora dele. Art. 7º, EOAB. São direitos do advogado: VI - ingressar livremente: c) em qualquer edifício ou recinto em que funcione repartição judicial ou outro serviço público onde o advogado deva praticar ato ou colher prova ou informação útil ao exercício da atividade profissional, dentro do expediente ou fora dele, e ser atendido, desde que se ache presente qualquer servidor ou empregado; B I NC O RRE T A Desde que munido de poderes especiais. Art. 7º, EOAB. São direitos do advogado: VI - ingressar livremente: d) em qualquer assembleia ou reunião de que participe ou possa participar o seu cliente, ou perante a qual este deva comparecer, desde que munido de poderes especiais. C I NC O RRE T A Mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares. Art. 7º, EOAB. São direitos do advogado: VI - ingressar livremente: D I S C I P L I N A ÉTICA PROFISSIONAL Q01 – Q08 · 8 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 3 de 96 b) nas salas e dependências de audiências, secretarias, cartórios, ofícios de justiça, serviços notariais e de registro, e, no caso de delegacias e prisões, mesmo fora da hora de expediente e independentemente da presença de seus titulares. D C O RRE T A Os cancelos separam a ala dos magistrados da ala das partes e advogados nos tribunais. Aos advogados, no entanto, também é permitido ultrapassá-los. Art. 7º, EOAB. São direitos do advogado: VI - ingressar livremente: a) nas salas de sessões dos tribunais, mesmo além dos cancelos que separam a parte reservada aos magistrados; QUESTÃO 02 D O S D I R E I T O S D O A D V O G A D O O Advogado Ignorante agrediu e ameaçou de morte a sua companheira, de modo que esta, inconformada, ligou para a autoridade policial e comunicou a agressão e o receio de ser morta. Os policiais dirigiram-se ao local, onde encontraram o referido advogado agredindo a vítima, razão pela qual foi levado para a delegacia. Com base nessa situação, é correto afirmar que: A A autoridade policial poderá comunicar o ocorrido à Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, para que seja indicado representante que acompanhará a lavratura do respectivo auto, sob pena de nulidade, nos termos do Estatuto do Advogado. B Deverá comunicar, expressamente, a prisão à Seccional da OAB. C Deverá, em até 72 horas, notificar a Seccional da OAB para que, querendo, indique um representante para acompanhar o feito. D A autoridade policial deverá comunicar imediatamente o ocorrido à Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, para que seja indicado representante, que acompanhará a lavratura do respectivo auto, sob pena de nulidade, nos termos do Estatuto do Advogado. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A O direito de ter a presença de representante da OAB se dá apenas em razão da prisão em flagrante por motivo ligado ao exercício da advocacia, o que não é o caso. B C O RRE T A Ao Advogado preso em flagrante por motivo diverso da profissão é dispensável a presença de representante da OAB para lavratura do respectivo procedimento, porém, faz-se necessária à comunicação da seccional. Art. 7º, EOAB. São direitos do advogado: IV - ter a presença de representante da OAB, quando preso em flagrante, por motivo ligado ao exercício da advocacia, para lavratura do auto respectivo, sob pena de nulidade e, nos demais casos, a comunicação expressa à seccional da OAB. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 4 de 96 C I NC O RRE T A Por se tratar de crime de motivo diverso da profissão, não haverá a presença de representante da OAB. D I NC O RRE T A Por se tratar de crime de motivo diverso da profissão, não haverá a presença de representante da OAB. QUESTÃO 03 I N F R A Ç Õ E S E S A N Ç Õ E S D I S C I P L I N A R E S Após iniciar os estudos sobre Ética Profissional, um acadêmico de direito resolveu verificar alguns casos famosos envolvendo advogados da sua cidade, a fim de analisar se as condutas eram coerentes com as normas éticas. Ele percebeu que João angariava causas com a intervenção de terceiros; que Maria violou, com justa causa, o sigilo profissional; que Lucas prejudicou, sem culpa grave, interesse confiado ao seu patrocínio; e que Mateus manteve sociedade profissional fora das normas e preceitos estabelecidos no Estatuto. Com base nessas informações, constituem infrações disciplinares: A Todas as condutas narradas. B Somente as condutas de João e de Mateus. C As condutas de João, Maria e Lucas. D As condutas de Maria e de Lucas. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A A conduta de Maria não constitui infração disciplinar, visto que a violação do sigilo se deu por justa causa. B C O RRE T A Somente as condutas de João e de Mateus. Vejamos: João → Art. 34, EOAB. Constitui infração disciplinar: IV - angariar ou captar causas, com ou sem a intervenção de terceiros; Mateus → Art. 34, EOAB. Constitui infração disciplinar: II - manter sociedade profissional fora das normas e preceitos estabelecidos nesta lei. C I NC O RRE T A As condutas de Maria e Lucas não constituem infração disciplinar. Vejamos: Maria → violou, com justa causa, o sigilo profissional; Art. 34. EAOAB. Constitui infração disciplinar: VII - violar, sem justa causa, sigilo profissional; Lucas → prejudicou, sem culpa grave, interesse confiado ao seu patrocínio: Art. 34. EAOAB. Constitui infração disciplinar: IX - prejudicar, por culpa grave, interesse confiado ao seu patrocínio; Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 5 de 96 D I NC O RRE T A As condutas de Maria e Lucas não constituem infração disciplinar. Vejamos: Maria → violou, com justa causa, o sigilo profissional; Art. 34. EAOAB. Constitui infração disciplinar: VII - violar, sem justa causa, sigilo profissional; Lucas → prejudicou, sem culpa grave, interesse confiado ao seu patrocínio: Art. 34. EAOAB. Constitui infração disciplinar: IX - prejudicar, por culpa grave, interesse confiado ao seu patrocínio; QUESTÃOdos chamados “impostos regulatórios” (Imposto de Importação, Imposto de Exportação, Imposto sobre Produtos Industrializados e Imposto sobre Operações Financeiras) pode ser alterada com o objetivo de intervir na economia, a partir da influência no padrão de consumo popular. Quando isso ocorre, vale-se da função extrafiscal do tributo, não da função fiscal, que, por sua vez, é meramente arrecadatória. B I NC O RRE T A O IPI é uma das exceções ao princípio da legalidade, de forma que suas alíquotas poderão ser alteradas por meio de decreto do Presidente da República. C I NC O RRE T A Quanto à redução da alíquota do IPI, não há que se falar na aplicação dos princípios da anterioridade anual e nonagesimal, porquanto não houve majoração da carga tributária. D C O RRE T A Não há violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. O art. 153, §1º da CF dispõe que “É facultado ao Poder Executivo, atendidas as condições e os limites estabelecidos em lei, alterar as alíquotas dos impostos enumerados nos incisos I, II, IV [IPI] e V”, de forma a autorizar a alteração da alíquota desses tributos por meio de decreto do Chefe do Poder Executivo (em relação ao IPI, no mesmo sentido autoriza o art. 4º do Decreto-Lei 1.199/71). Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 34 de 96 Já o art. 150, III, “b” e “c” da CF determina que o princípio da anterioridade deve ser obedecido em relação à lei que institui ou aumenta tributo, de modo que quando se trata de redução não é necessário observar a anterioridade, podendo a redução passar a valer imediatamente, sobretudo porque não há qualquer prejuízo ao contribuinte. QUESTÃO 29 O B R I G A Ç Ã O T R I B U T Á R I A A respeito das obrigações tributárias, assinale a alternativa correta. A A obrigação tributária principal tem por objeto apenas o pagamento de tributo. B A obrigação tributária acessória pode estar prevista na legislação tributária, dispensando lei formal para sua criação. C A obrigação tributária acessória tem por objeto apenas as prestações positivas que interessem à arrecadação ou à fiscalização de tributos. D A obrigação tributária acessória, quando descumprida, deixa de existir e converte-se em uma obrigação tributária principal representada pela multa tributária. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (multa). Art. 113, §1º. CTN. “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o crédito dela decorrente”. B C O RRE T A O art. 113, §2º do CTN determina que “A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos”. Quando o CTN utiliza a expressão “legislação tributária”, dispõe sobre os diversos atos normativos, não apenas sobre a lei formal, conforme art. 96 do CTN, que determina que “A expressão ‘legislação tributária’ compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes”. C I NC O RRE T A Tem por objeto as prestações, positivas ou negativas. Art. 113, §2º CTN. A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. D I NC O RRE T A Quando descumprida, uma obrigação acessória não deixa de existir, ela permanece existindo e passa também a existir uma obrigação principal consubstanciada em multa tributária (exemplo: se contribuinte atrasar a entrega da Declaração de Imposto de Renda, que é uma obrigação acessória, continua tendo o dever de fazer a entrega da declaração, ainda que em atraso, e passa Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 35 de 96 a ter o dever de recolher uma multa pelo descumprimento da obrigação acessória dentro do prazo legal). Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 36 de 96 QUESTÃO 30 R E S P O N S A B I L I D A D E C I V I L D O E S T A D O O Estado de Pernambuco, visando atender ao interesse público, realizou obra de engenharia, consistente na construção de uma ponte numa rodovia estadual. A obra realizada melhorou, consideravelmente, o trânsito na região, mas acabou gerando danos ao cidadão Chuck Bass, não por má execução, mas pelo simples fato da obra, uma vez que seu comércio ficou abaixo do nível da rua, dificultando o acesso da clientela ao estabelecimento, ou seja, Chuck Bass foi prejudicado de maneira direta e específica. Sobre o caso narrado, assinale a alternativa correta. A Chuck tem direito à indenização, com base na responsabilidade civil objetiva do Estado, sendo desnecessária a comprovação do dolo ou culpa dos agentes públicos responsáveis pela obra. B Chuck não tem direito à indenização, posto que o Estado não praticou qualquer ato ilícito. C Chuck não tem direito à indenização, posto que não há nexo causal entre a conduta do Estado e os prejuízos sofridos. D Chuck não tem direito à indenização, posto que não houve má execução ou falha técnica na obra. GABARITO Letra A A C O RRE T A Como quem prestou a obra foi a Administração Pública, independente da má execução ou só fato da obra, resta configurada a responsabilidade objetiva. Ademais, no caso de particular, pode ocorrer duas situações: 1. Dano causado pelo 'só fato da obra': responsabilidade objetiva da administração pública. 2. Má execução da obra: particular responde subjetivamente e o Estado responde subsidiariamente. B I NC O RRE T A Existe a previsão de responsabilidade objetiva pelo simples fato da obra. C I NC O RRE T A Existe nexo causal, pois o Comércio do Chuck ficou abaixo do nível da rua, dificultando o acesso da clientela ao estabelecimento. D I NC O RRE T A O dano causado foi pelo fato da obra e gera o direito à indenização. D I S C I P L I N A DIREITO ADMINISTRATIVO Q30 – Q34 · 5 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 37 de 96 QUESTÃO 31 P R O C E S S O A D M I N I S T R A T I V O D I S C I P L I N A R Aloísio, servidor público federal, do Estado Y, ocupa cargo efetivo, no exercício das funções, opôs resistência injustificada ao andamento de documento e processo sem razões justificadas. O órgão competente, tem dúvidas quanto a penalidade a ser aplicada de acordo com o regime jurídico disciplinar da Lei nº 8.112/1990, a fim de observar as cautelas procedimentais legais, em tese, Aloísio, que até então nunca havia praticado qualquer infração funcional, está sujeito à sanção, que você, conhecedor da temática responde que é de: A advertência, que terá seu registro cancelado, após o decurso de três anos de efetivo exercício, se Aloísio não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar; B suspensão, que terá seu registro cancelado, após o decurso de três anos de efetivo exercício, se Aloísio não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar; C suspensão, que terá seu registro cancelado, após o decurso de cinco anos de efetivo exercício, se Aloísio não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar; D demissão, que terá seu registro cancelado, após o decurso de três anos de efetivo exercício, se Aloísio não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar; GABARITO Letra A A C O RRE T A A conduta do servidor público está descrita no art. 117, IV da Lei 8.112/90 e, de acordo com o art. 129, essa conduta será apenada com advertência (por ser uma infração “leve”). Lei 8.112/90, Art. 129. A advertência será aplicada por escrito, nos casos de violação de proibição constante do art. 117, incisos I a VIII e XIX, e de inobservância de dever funcional previsto em lei, regulamentação ou norma interna, que não justifique imposição de penalidade maisgrave. Além do mais, de acordo com o art. 131, terá o registro cancelado no prazo de 3 anos: Art. 131. As penalidades de advertência e de suspensão terão seus registros cancelados, após o decurso de 3 (três) e 5 (cinco) anos de efetivo exercício, respectivamente, se o servidor não houver, nesse período, praticado nova infração disciplinar. B I NC O RRE T A A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias. C I NC O RRE T A A suspensão será aplicada em caso de reincidência das faltas punidas com advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias. Portanto, não é o caso. D I NC O RRE T A A demissão será aplicada caso o servidor pratique uma das condutas descritas no art. 132 da Lei 8.112/90 o que não é o caso. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 38 de 96 QUESTÃO 32 A T O S A D M I N I S T R A T I V O S Serena foi eleita prefeita de Recife, mas, ao assumir seu cargo público, teve dúvida acerca dos atos administrativos que estão sujeitos à anulação pelo Poder Judiciário. Você, na qualidade de advogado(a) pode responder à Serena que a resposta correta é: A Exoneração de servidor em estágio probatório, motivada pela insuficiente avaliação de seu desempenho. B Autorização de emprego de máquinas, equipamentos e servidores públicos em obra particular, sem observância das formalidades legais. C Exoneração ad nutum de cargo em comissão. D Despacho de revogação de licitação, em decorrência de fato superveniente comprovado, pertinente e suficiente para justificar a decisão. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A De acordo com a CF pode acontecer essa situação: Artigo 41, § 1º, Inciso III, da Constituição Federal de 1988, o servidor público estável apenas perderá o cargo “(...) mediante procedimento de avaliação periódica de desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla defesa". B C O RRE T A Autorização de emprego de máquinas, equipamentos e servidores públicos em obra particular, sem observância das formalidades legais. Poder judiciário atua somente no controle da legalidade e quando provocado. O Poder Judiciário não pode e não deve substituir a decisão do administrador, não pode fazer análise de interesse público, portanto, não pode julgar o mérito de um ato administrativo discricionário. A atuação judicial no controle dos atos administrativos de outros poderes restringe-se à análise dos aspectos da legalidade. A ilegalidade do ato mencionado encontra-se na inobservância das formalidades legais para a edição do ato de autorização. Se não foram preenchidos os requisitos previstos em lei, o ato pode ser anulado pelo Poder Judiciário. C I NC O RRE T A O cargo em comissão é de livre nomeação e exoneração. D I NC O RRE T A A revogação de um ato administrativo ocorre com fundamento na conveniência e oportunidade. QUESTÃO 33 O R G A N I Z A Ç Ã O D A A D M I N I S T R A Ç Ã O P Ú B L I C A Órgãos públicos são centros de competência do Estado. Quando reunidos sob o critério da hierarquia, compõem a estrutura da Administração Pública e, se somadas as suas atribuições, constituem a totalidade das competências do Estado. Cada ministério, por exemplo, é um órgão Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 39 de 96 público, visto que é um centro de competências e atribuições. É parte ou componente da estrutura do Estado, por isso dele não se distingue. A respeito desse assunto, assinale a alternativa incorreta. A Os órgãos públicos não são pessoas, ou seja, não são sujeitos de direitos e obrigações. B Cada órgão público é uma unidade de atuação integrante da estrutura da administração pública direta e da estrutura da administração pública indireta. C Cada órgão público tem personalidade jurídica própria, respondendo pelos atos praticados por seus agentes públicos. D Os órgãos públicos são centros de competência instituídos para o desempenho de funções estatais, por meio de seus agentes, cuja atuação é imputada à pessoa jurídica a qual pertencem. GABARITO Letra C E X P L I C A Ç Ã O A questão pede para assinalar a alternativa incorreta! A I NC O RRE T A O comando da questão pede para assinalar a alternativa incorreta e essa alternativa está correta, uma vez que, de fato, os órgãos públicos não são pessoas. B I NC O RRE T A O comando da questão pede para assinalar a alternativa incorreta e essa alternativa está correta, pois os órgãos públicos são unidades de atuação que integram a Administração Pública Direta e Indireta. C C O RRE T A Os órgãos não são dotados de personalidade jurídica, logo, não podem contrair direitos, obrigações, patrimônios e estar em juízo. Já as entidades são dotadas de personalidade jurídica própria e podem ser divididos em órgão para competências específicas. Lembra que nós vimos isso em aula? Tenho certeza que você já está craque. Sendo assim, os órgãos são unidades integrantes da estrutura de uma mesma pessoa jurídica nas quais são agrupadas competências a serem exercidas por meio de agentes públicos. São meros centros de competências. Não possuem personalidade jurídica própria. São resultados da técnica de organização administrativa conhecida como “desconcentração”. D I NC O RRE T A Essa assertiva está correta. QUESTÃO 34 L I C I T A Ç Õ E S Com base na Lei n.º 14.133/2021, o conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado para definir e dimensionar a obra ou o serviço, ou o complexo de obras ou de serviços, objeto da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegure a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 40 de 96 empreendimento e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução denomina-se: A Projeto executivo. B Projeto básico. C Modelo de execução do objeto. D Modelo de gestão do objeto. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A De acordo com a Lei 14.1333/21, projeto executivo: conjunto de elementos necessários e suficientes à execução completa da obra, com o detalhamento das soluções previstas no projeto básico, a identificação de serviços, de materiais e de equipamentos a serem incorporados à obra, bem como suas especificações técnicas, de acordo com as normas técnicas pertinentes. B C O RRE T A O projeto básico é o conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado para definir e dimensionar a obra ou o serviço, ou o complexo de obras ou de serviços objeto da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegure a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução. C I NC O RRE T A O modelo de execução do objeto é um dos parâmetros que o termo de referência precisa observar (art. 6°, XXIII, e, Lei 14.133/21) D I NC O RRE T A O modelo de gestão do objeto é um dos parâmetros que o termo de referência precisa observar (art. 6°, XXIII, f, Lei 14.133/21) Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 41 de 96 QUESTÃO 35 R E S P O N S A B I L I D A D E A M B I E N T A L Alfie, em 2015, represou um curso d’água que cortava seu imóvel, para construir um pequeno parque aquático para seus netos. Durante as obras, Alfie causou poluição hídrica e supressão vegetal em área de preservação permanente, tudo sem qualquer autorização do poder público. Em 2020, Alfie vendeu o imóvel a Jacob, sendo certo que até a presente data não houve recuperação ou compensação pelos danos ambientais provocados e as piscinas naturais construídas permanecemsendo utilizadas. O Ministério Público - MP instaurou inquérito civil para apurar a ocorrência de danos ambientais e obteve um laudo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente confirmando e descrevendo tais danos. Em 2022, o MP ajuizou ação civil pública em face de Joaquim, pleiteando medidas para a recomposição ambiental. No caso em tela, de acordo com a jurisprudência dos Tribunais Superiores, A já houve prescrição, pois se passaram mais de cinco anos da data dos fatos, e, caso não houvesse prescrição, o MP deveria ter ajuizado a ação em face de Alfie. B já houve prescrição, pois se passaram mais de cinco anos da data dos fatos, e, caso não houvesse prescrição, o MP deveria ter ajuizado a ação em face de Jacob e Alfie, em litisconsórcio passivo necessário. C é imprescritível a pretensão de reparação civil de dano ambiental e as obrigações ambientais possuem natureza propter rem, podendo o MP cobrá-las de Alfie e/ou Jacob. D é imprescritível a pretensão de reparação civil de dano ambiental e as obrigações ambientais possuem natureza pessoal, de maneira que o MP deveria ter ajuizado a ação em face de Alfie. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A De acordo com o tema 999 do STF é imprescritível a reparação civil ambiental. B I NC O RRE T A A ação de reparação de dano ambiental é imprescritível. C C O RRE T A Correta por mencionar a imprescritibilidade e, de fato, a obrigação é propter rem conforme entendimento da súmula do STJ e, por isso, é possível a cobrança de quem é o atual proprietário ou possuidor E/OU anteriores, o credor escolhe. Súmula 623, STJ -> As obrigações ambientais possuem natureza propter rem, sendo admissível cobrá-las do proprietário ou possuidor atual e/ou dos anteriores, à escolha do credor. D I S C I P L I N A DIREITO AMBIENTAL Q35 – Q36 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 42 de 96 D I NC O RRE T A O erro da questão é mencionar que a ação deve ser ajuizada em face de Alfie e não Alfie e/ou Jacob. QUESTÃO 36 L I C E N Ç A D E O P E R A Ç Ã O De acordo com a Resolução do CONAMA nº 237/1997, a renovação da Licença de Operação (LO) deverá ser requerida com antecedência mínima de: A 150 (cento e cinquenta) dias da expiração de seu prazo de validade. B 30 (trinta) dias da expiração de seu prazo de validade. C 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de validade. D 60 (sessenta) dias da expiração de seu prazo de validade. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A A Lei dispõe o prazo de 120 dias (não 150). B I NC O RRE T A A Lei dispõe o prazo de 120 dias (não 30). C C O RRE T A Conforme art. 18, §4º da Resolução Conama Nº 237, de 19 de dezembro de 1997, a renovação da Licença de Operação (LO) de uma atividade ou empreendimento deverá ser requerida com antecedência mínima de 120 (cento e vinte) dias da expiração de seu prazo de validade, fixado na respectiva licença, ficando este automaticamente prorrogado até a manifestação definitiva do órgão ambiental competente. D I NC O RRE T A A Lei dispõe o prazo de 120 dias (não 60). Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 43 de 96 QUESTÃO 37 F A M Í L I A - R E G I M E D E B E N S - P A R T I L H A Eduarda e Caio se casaram em 2018 pelo regime de comunhão parcial de bens. Caio é médico, Eduarda trabalha em um escritório. Após o casamento, começaram a construir uma casa no terreno do pai de Caio, que autorizou a construção. Caio já possuía um carro antes de casar, que fora trocado por outro, durante o relacionamento. Eduarda, por sua vez, juntou, após o casamento, algumas economias para comprar um apartamento. No curso da união, o pai de Eduarda faleceu, deixando de herança um imóvel a ser partilhado com mais duas irmãs. O casal adotou, também, um cachorro chamado Max. Em 2021 decidiram terminar a relação. No caso em pauta, é correto afirmar que: A A questão relativa à guarda de Max e ao auxílio com as despesas de manutenção não pode ser discutida na ação de divórcio, devendo ser veiculada em demanda específica no juízo cível. B As verbas trabalhistas percebidas no curso da união não devem ser partilhadas, uma vez que que pertencem ao patrimônio exclusivo de cada cônjuge. C Eduarda não tem o direito de permanecer na casa, uma vez que que o imóvel foi construído no terreno do pai de Caio. D O imóvel recebido por herança do pai de Eduarda não será partilhado com Caio, sendo partilhado apenas com suas irmãs. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A O Enunciado 11 do IBDFAM estabelece que: “na ação destinada a dissolver o casamento ou a união estável, pode o juiz disciplinar a custódia compartilhada do animal de estimação do casal”. B I NC O RRE T A As indenizações de natureza trabalhista, os valores atrasados originados de diferenças salariais e decorrente do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), quando referentes a direitos adquiridos na constância do vínculo conjugal e na vigência dele pleiteados, devem ser objeto de comunhão e partilha, ainda que a quantia tenha sido recebida apenas posteriormente à dissolução do vínculo. (REsp 1651292/RS, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, TERCEIRA TURMA, julgado em 19/05/2020, DJe 25/05/2020). C I NC O RRE T A Está em desacordo com o Artigo 1.255 do CC que diz que: “ Art. 1.255, CC: Aquele que semeia, planta ou edifica em terreno alheio perde, em proveito do proprietário, as sementes, plantas e construções; se procedeu de boa-fé, terá direito a indenização”. D I S C I P L I N A DIREITO CIVIL Q37 – Q42 · 6 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 44 de 96 Considerando a boa-fé de Eduarda, ela terá direito de retenção do imóvel, podendo permanecer na casa edificada com recursos comuns do casal até que se ultime a partilha de bens. D C O RRE T A Conforme o Artigo 1.659, CC: “ Art. 1.659, CC: Excluem-se da comunhão: I - os bens que cada cônjuge possuir ao casar, e os que lhe sobrevierem, na constância do casamento, por doação ou sucessão, e os sub-rogados em seu lugar”. QUESTÃO 38 D E F E I T O S D O N E G Ó C I O J U R Í D I C O Júlia está endividada e tem, como principal credora, Luiza, sua amiga da faculdade. Ela resolve transferir todas as suas economias para a conta de seu namorado, Henrique. Adalberto, por sua vez, ameaça Júlia e diz que se ela não pagar a dívida, vai matá-la. Por medo, Júlia assina uma confissão de dívida no triplo do valor devido, mas registra ocorrência policial. O ato praticado por Adalberto pode ser considerado: A Dolo e torna o negócio nulo. B Coação e torna o negócio anulável. C Lesão e torna o negócio anulável. D Coação e torna o negócio nulo. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 45 de 96 GABARITO Letra B A I NC O RRE T A O dolo é a falsa percepção da realidade, alguém induz uma pessoa ao erro, e, por esse motivo, celebra-se um negócio jurídico. Não é o caso em questão. B C O RRE T A A coação trata-se da ameaça psicológica. O negócio jurídico é celebrado por medo. Júlia só assinou a confissão do débito com o triplo do valor devido, porque estava com medo da ameaça feita por Adalberto. A coação torna o negócio jurídico anulável, nos termos dos artigos 151 a 155 do Código Civil. C I NC O RRE T A A lesão consiste em celebração do negócio jurídico por premente necessidade ou inexperiência, acarretando em manifesta desproporção entre as parcelas do contrato celebrado. Por exemplo: uma pessoa chega a uma cidade para passar férias, mas não tem conhecimento sobre o valor de diária do hotel e o recepcionista se aproveita dessa falta de conhecimento para cobrar o triplo do valor. D I NC O RRE T A O Artigo 171 do Código Civil, estabelece que: “ Art. 171, CC: além dos casos expressamente declarados na lei, é ANULÁVEL o negócio jurídico: I- por incapacidade relativa do agente; II - por vício resultante de erro, dolo, coação, estado de perigo, lesão ou fraude contra credores”. QUESTÃO 39 C O N T R A T O S E M E S P É C I E - D O M Ú T U O Visandoconseguir dinheiro para pagar as mensalidades de sua faculdade, Jude trabalhava durante o dia todo como designer. Certo dia, o computador que utilizava para o seu serviço quebrou e, em meio a vários prazos fatais, pediu um empréstimo de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais) a Cardan. As partes acordaram que o valor seria entregue à Jude imediatamente, e a garota teria sessenta dias para ressarcir o rapaz. Passados 29 (vinte e nove) dias, Cardan descobre que Jude perdeu seu emprego e se desfez da maioria de seus bens, voltando a residir com seus pais e trancando a faculdade. Preocupado em não ser ressarcido ao fim do prazo, Cardan procura Jude e exige, de pronto, uma garantia de pagamento. Acerca do contrato de mútuo, assinale a alternativa incorreta. A Caso as partes não tivessem convencionado prazo do mútuo expressamente, este seria de trinta dias, pelo menos. B É permitido a Cardan exigir garantia da restituição, uma vez que, antes do vencimento, Jude sofreu notória mudança em sua situação econômica. C Através do contrato celebrado entre as partes, o domínio da coisa emprestada foi transferido à Jude, a quem correm todos os riscos desde a tradição. D Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 46 de 96 Jude não está obrigada, ao fim do prazo estipulado, a restituir o mutuante algo do mesmo gênero, qualidade ou quantidade. GABARITO Letra D E X P L I C A Ç Ã O A questão pede para assinalar a alternativa incorreta! A I NC O RRE T A Alternativa de acordo com o Artigo 592, II do CC: “ Art. 592, CC: Não se tendo convencionado expressamente, o prazo do mútuo será: II - de trinta dias, pelo menos, se for de dinheiro”. B I NC O RRE T A Alternativa de acordo com o Artigo 590 do CC: “ Art. 590, CC: O mutuante (Cardan) pode exigir garantia da restituição, se antes do vencimento o mutuário (Jude) sofrer notória mudança em sua situação econômica”. C I NC O RRE T A Alternativa de acordo com o Artigo 587 do CC: “ Art. 587, CC: Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada (dinheiro) ao mutuário (Jude), por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição”. D C O RRE T A Diferentemente do texto da alternativa D, no contrato de mútuo (empréstimo de coisas fungíveis), a mutuária (Jude) é obrigada a restituir o mutuante (Cardan) o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, quantidade e qualidade (Artigo 586 do CC). " Art. 586, CC: O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade." QUESTÃO 40 O B R I G A Ç Õ E S - A R R A S O U S I N A L Harry celebrou compromisso de compra e venda de um apartamento, no valor de R$ 9.340,00 (nove mil, trezentos e quarenta reais), com Hermione. As partes acordaram, contratualmente, que o promitente comprador pagaria R$ 1.000,00 (mil reais) a título de arras, no momento da escritura, e parcelaria o resto em vinte e sete parcelas mensais. O contrato também previu o direito de arrependimento. Pouco tempo após a celebração, Hermione desiste do contrato, pois foi pedida em casamento e deseja morar no apartamento em questão. Diante da situação apresentada, assinale a alternativa correta. A Tendo o contrato estabelecido a figura das arras penitenciais, o contrato será desfeito e Harry poderá exigir apenas a restituição do valor da entrada, excluindo-se indenização maior a títulos de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 47 de 96 B Tendo o contrato estabelecido a figura das arras confirmatórias, o contrato será desfeito e Harry poderá exigir a restituição em dobro do valor da entrada, com atualização monetária, juros e honorários advocatícios, bem como, indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras como taxa mínima. C Uma vez estipulado as arras confirmatórias no contrato de promessa de compra e venda, as partes, em nenhuma hipótese, podem desistir de seu cumprimento. D Tendo o contrato estabelecido a figura das arras penitenciais, o contrato será desfeito e Harry poderá exigir a restituição em dobro do valor da entrada, excluindo-se indenização maior a títulos de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A O contrato estabeleceu arras penitenciais e, assim, aceitam a cláusula de arrependimento e não permitem a cumulação da restituição/retenção com as perdas e danos, como é visto no Artigo 420 do CC: " Art. 420, CC: Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito a indenização suplementar." Harry tem direito de exigir o valor das arras mais o equivalente. Nesse sentido, a Súmula 412 do STF, dispõe: "Súmula 412 do STF: No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui indenização maior, a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo”. B I NC O RRE T A O contrato estabeleceu arras penitenciais. Vejamos a diferença principal: As arras confirmatórias não admitem cláusula de arrependimento, assim, é possível a cumulação da restituição/retenção com perdas e danos, desde que provado prejuízo maior, valendo as arras como o mínimo da indenização (Artigos 417 e 419 do CC). Por sua vez, as arras penitenciais aceitam a cláusula de arrependimento e não permitem a cumulação da restituição/retenção com as perdas e danos C I NC O RRE T A Não foi estipulado arras confirmatórias, mas sim penitenciais, conforme comentário da alternativa B. D C O RRE T A Alternativa de acordo com o Artigo 420 do CC, bem como com a Súmula 412 do STF. QUESTÃO 41 C O N T R A T O S E M G E R A L - E V I C Ç Ã O Almejando fugir da correria dos centros urbanos, a comerciante Sarah Fortune celebra contrato de compra e venda de um sítio, que será usado como sua casa de campo, com Gangplank. Durante a elaboração do contrato, na presença de seus respectivos advogados, as partes optaram por não Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 48 de 96 adicionar cláusula de exclusão da responsabilidade pela evicção. Três meses após a efetiva aquisição do bem, Sarah perdeu a propriedade do imóvel em virtude de sentença judicial transitada em julgado, em processo movido por Lucian contra Gangplank. Acerca da evicção e cláusulas contratuais do contrato de compra e venda, assinale a alternativa correta: A Se as partes tivessem optado pela inclusão da cláusula que exclui a garantia contra evicção, a evicta não receberia o valor pago pelo bem perdido, ainda que não soubesse do risco da evicção. B A responsabilidade do alienante pela evicção não persistirá quando, por culpa da evicta, o bem for deteriorado. C A adquirente tem direito a ser reembolsada, pelo evictor, das benfeitorias necessárias ou úteis por ela realizadas no bem. Todavia, se o evictor não efetuar o pagamento destas, o valor correspondente poderá ser acrescido à indenização a ser paga pelo alienante. D As partes poderiam, por cláusula expressa ou tácita, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Se as partes tivessem optado pela inclusão da cláusula que exclui a garantia contra evicção, a evicta TERIA DIREITO DE RECEBER o valor pago pelo bem perdido, se não sabia do risco da evicção ou, dele informado, não o assumiu. (Artigo 449 do CC). " Art. 449, CC: Não obstante a cláusula que exclui a garantia contra a evicção, se esta se der, tem direito o evicto a receber o preço que pagou pela coisa evicta, se não soube do risco da evicção, ou,dele informado, não o assumiu." B I NC O RRE T A Subsiste para o alienante a responsabilidade, AINDA QUE a coisa alienada esteja deteriorada, EXCETO HAVENDO DOLO DO ADQUIRENTE (Artigo 451 do CC). " Art. 451, CC: Subsiste para o alienante esta obrigação, ainda que a coisa alienada esteja deteriorada, exceto havendo dolo do adquirente." C C O RRE T A A alternativa corresponde ao Artigo 453 do CC: “ Art. 453, CC: As benfeitorias necessárias ou úteis, não abonadas ao que sofreu a evicção, serão pagas pelo alienante”. A fim de melhor compreensão: O evictor (reivindicante/Lucian) poderá ser obrigado a reembolsar o evicto (Sarah) pelo valor das benfeitorias necessárias ou úteis feitas enquanto estava em poder do bem. Não ocorrendo o ressarcimento, estas poderão ser cobradas do alienante (Gangplank). D I NC O RRE T A As partes podem, por CLÁUSULA EXPRESSA, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção (Artigo 448 do CC). Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 49 de 96 " Art. 448, CC: Podem as partes, por cláusula expressa, reforçar, diminuir ou excluir a responsabilidade pela evicção." QUESTÃO 42 D I R E I T O R E A I S - U S U C A P I Ã O F A M I L I A R Em meados de 2015, Jorge e Karina casaram-se no regime de comunhão parcial de bens e, pouquíssimos dias depois, celebraram contrato de compra e venda de um apartamento com cerca de 230m2, na cidade de Gramado. O casal permaneceu residindo no local até o ano de 2019 quando, após discutirem gravemente, Karina abandonou o imóvel para ir em busca de seu verdadeiro sonho: ser dançarina. Desde então, até os dias de hoje, Jorge, que não possuía qualquer outro imóvel, permaneceu residindo neste de forma exclusiva, ininterrupta e sem oposição. Ciente de que Jorge não possui divórcio judicial ou extrajudicial devidamente averbado no Registro Civil, assinale a alternativa correta: A Jorge não poderá ter o direito à usucapião familiar reconhecida, pois exerceu por menos de 5 anos, ininterruptamente, e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m², cuja propriedade a deixe o com ex-cônjuge que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, sem ser proprietária de qualquer outro imóvel. B Sem o registro do divórcio judicial ou extrajudicial, Jorge, independentemente de possuir os demais requisitos exigidos, não poderá ter a usucapião familiar reconhecida a seu favor. C Jorge poderá ter o direito à usucapião familiar reconhecida, ainda que já tenha sido beneficiada anteriormente pela mesma modalidade de aquisição de propriedade. D Jorge poderá ter o direito à usucapião familiar reconhecida, pois exerceu por 2 anos, ininterruptamente, e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m², cuja propriedade divida com ex-cônjuge que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, sem ser proprietária de qualquer outro imóvel. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Os requisitos para a usucapião familiar estão no Artigo 1.240-A " Art. 1.240-A, CC: Aquele que exercer, por 2 (dois) anos ininterruptamente e sem oposição, posse direta, com exclusividade, sobre imóvel urbano de até 250m² (duzentos e cinquenta metros quadrados) cuja propriedade divida com ex-cônjuge ou ex-companheiro que abandonou o lar, utilizando-o para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio integral, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. (Incluído pela Lei nº 12.424, de 2011) §1º O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez." Sendo assim, Jorge poderá ter o direito à usucapião familiar reconhecida. B I NC O RRE T A Em nenhum momento é exigido o devido registro do divórcio no Artigo 1.240-A transcrito no comentário da alternativa A. C I NC O RRE T A Conforme o §1º do Artigo 1.240-A: Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 50 de 96 " Art. 1.240-A, §1º, CC: O direito previsto no caput não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez." D C O RRE T A Alternativa de acordo com o Artigo 1.240-A. Jorge poderá ter o direito à usucapião familiar reconhecida. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 51 de 96 QUESTÃO 43 D A A U T O R I Z A Ç Ã O P A R A V I A J A R Acerca da autorização para viajar, disposta entre os artigos 83 a 85 do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale o item incorreto. A Para embarque para o exterior, é necessário a autorização judicial para viajar quando o menor não estiver acompanhado de ambos os pais ou responsáveis. B Se a criança ou adolescente for viajar na companhia de um dos pais para o exterior, é necessário a autorização expressa do outro, através de um documento com firma reconhecida. C A autoridade judiciária poderá, a pedido dos pais ou responsável, conceder autorização válida por dois anos. D Quando se tratar de comarca contígua à da residência da criança ou do adolescente menor de 16 (dezesseis) anos, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana, a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá viajar se estiver acompanhado de ascendente ou colateral maior, até o segundo grau, comprovado documentalmente o parentesco. GABARITO Letra D E X P L I C A Ç Ã O A questão pede para assinalar a alternativa incorreta! A I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. De fato, nenhuma criança ou adolescente menor de 16 anos poderá viajar para fora do país onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis sem expressa autorização judicial. Art. 85. ECA. Sem prévia e expressa autorização judicial, nenhuma criança ou adolescente nascido em território nacional poderá sair do País em companhia de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior. B I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Se a criança ou o adolescente for viajar para o exterior com apenas um dos genitores, o outro precisa autorizar. A autorização deve ser apresentada em duas vias originais, com firma reconhecida por autenticidade ou semelhança, conforme art. 84, inciso II, do ECA. Art. 84. ECA. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é dispensável, se a criança ou adolescente: II - viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida. D I S C I P L I N A ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Q43 – Q44 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 52 de 96 C I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Vejamos: Art. 83. ECA. Nenhuma criança ou adolescente menor de 16 (dezesseis) anos poderá viajar para fora da comarca onde reside desacompanhado dos pais ou dos responsáveis sem expressa autorização judicial. §2º A autoridade judiciária poderá, a pedido dos pais ou responsável, conceder autorização válida por dois anos. D C O RRE T A Poderá viajar sozinho se estiver acompanhado de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau (e não segundo grau), comprovado documentalmente o parentesco. Art. 83. §1º. ECA. A autorização não será exigida quando: b) a criança ou o adolescente menor de 16 (dezesseis) anos estiver acompanhado: 1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco; QUESTÃO 44 D O S D I R E I T O S F U N D A M E N T A I S O professor Paulo Fernando, durante a aula, percebeu que sua aluna Mariana, de doze anos de idade, estava sendo vítima de maus tratos. Nesse caso, o Estatuto da Criança e do Adolescente determina que o caso seja reportado: A Ao juízo da infância e da juventude. B Conselho Tutelar. C Ministério Público. D À autoridade policial mais próxima. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Em caso de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente,deve-se obrigatoriamente comunicar o fato ao Conselho Tutelar. B C O RRE T A Conforme determina o ECA, os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar. Art. 56. ECA. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I - maus-tratos envolvendo seus alunos. C I NC O RRE T A Em caso de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente, deve-se obrigatoriamente comunicar o fato ao Conselho Tutelar. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 53 de 96 D I NC O RRE T A Em caso de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente, deve-se obrigatoriamente comunicar o fato ao Conselho Tutelar. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 54 de 96 QUESTÃO 45 R E S P O N S A B I L I D A D E C I V I L P E L O F A T O D O P R O D U T O Paulo adquiriu uma televisão para sua residência em uma grande rede de lojas de nome comercial “Batatinha Frita 1, 2, 3”. Para inaugurar sua nova televisão, convidou seu amigo Renato para assistir uma série em sua casa. Dessa forma, os dois sentaram-se em frente à TV e, ao ligar o aparelho com o controle remoto, a televisão explodiu, causando ferimentos em Paulo e em Renato. Analisando a situação narrada, assinale a alternativa correta. A Tanto Paulo quanto Renato são considerados consumidores padrão, conceito trazido pelo caput do artigo 2º do Código de Proteção e Defesa do Consumidor, uma vez que o Código adotou a teoria maximalista para conceituação de consumidor, respondendo a fornecedora do produto de forma objetiva. B Paulo é consumidor padrão, Renato é consumidor por equiparação e a fornecedora do produto responde de forma objetiva em relação a Paulo e de forma subjetiva em relação a Renato, de acordo com o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. C Paulo poderá propor demanda indenizatória em face da fornecedora do produto com base no Código de Proteção e Defesa do Consumidor. Em contrapartida, Renato terá que se valer das normas de responsabilidade do Código Civil para propositura da sua demanda, uma vez que não é parte na relação de consumo. D Paulo é conceituado como consumidor padrão, Renato é consumidor por equiparação e a fornecedora do produto responde de forma objetiva em relação a ambos, de acordo com o Código de Proteção e Defesa do Consumidor. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A O CDC adota a teoria finalista e não a teoria maximalista. B I NC O RRE T A Em verdade, o fornecedor responde de forma objetiva perante Paulo e Renato. C I NC O RRE T A Ambos são consumidores à luz do CDC. D C O RRE T A Paulo é considerado consumidor padrão, conforme art. 2º do CDC: “Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final”. Renato, por sua vez, é considerado consumidor por equiparação, por ter sido vítima que se derivou da relação de consumo, conforme art. 17 do CDC: “Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento”. D I S C I P L I N A DIREITO DO CONSUMIDOR Q45 – Q46 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 55 de 96 Ademais, o fornecedor responderá de forma objetiva, ou seja, não precisa comprovar a culpa, conforme art. 12, CDC: “O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores com defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos”. QUESTÃO 46 D I R E I T O D O C O N S U M I D O R E M J U Í Z O A Promotoria de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor da Capital recebeu representação e instaurou procedimento próprio para apurar notícia de publicidade enganosa por parte de uma sociedade empresária do ramo de telefonia celular. Finda a investigação, os danos aos consumidores foram comprovados e não foi feita a composição extrajudicial. Com base no apresentado, assinale a alternativa que indica o que a promotoria deve fazer. A Propor ação civil pública, que possui outros legitimados ativos previstos na legislação. B Impetrar habeas data, cujo legitimado ativo é qualquer instituição pública ou privada. C Propor ação direta de inconstitucionalidade, cujos legitimados ativos estão elencados taxativamente na Constituição. D Impetrar mandado de injunção, cujo único legitimado ativo é o Ministério Público; GABARITO Letra A A C O RRE T A Conforme art. 129, inciso III, do CDC, “São funções institucionais do Ministério Público: III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos”. B I NC O RRE T A O Habeas Data é para assegurar direito à informação. C I NC O RRE T A A ADI é para questionar lei ou ato normativo proposto perante o STF. D I NC O RRE T A O Mandado de Injunção será concedido quando a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 56 de 96 QUESTÃO 47 T Í T U L O S D E C R É D I T O Acerca dos princípios gerais dos títulos de crédito, assinale a opção correta. A Defesas com base em exceções pessoais podem ser opostas pelo sacado, em letra de câmbio, a partir de sua emissão. B O título de crédito será tido como inválido caso um dos coobrigados cambiais seja absolutamente incapaz. C A ação intentada contra um dos coobrigados não impede que outros sejam acionados, mesmo os posteriores àquele que foi acionado em primeiro lugar. D Em face do princípio da literalidade, é inválido o aceite ou o aval dado em documento separado. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Princípio da autonomia (inoponibilidade de exceções pessoais a terceiros de boa-fé): Exposto no Decreto-Lei 2044, em seu Artigo 51: “ Art. 51, Decreto-Lei 2044: Na ação cambial, somente é admissível defesa fundada no direito pessoal do réu contra o autor, em defeito de forma do título e na falta de requisito necessário ao exercício da ação”. A partir do momento em que o título de crédito circula, as exceções pessoais não podem ser oponíveis, pois o título de crédito é autônomo em face da obrigação que o originou. B I NC O RRE T A Conforme o princípio da abstração: não se pode prender o crédito pelas pessoas por quem ele passou, especialmente se o título foi adquirido por terceiro de boa-fé. Não o macula quando as relações ali expostas não forem legítimas, desde que o título esteja em conformidade com a lei (obrigação é obrigação, crédito é crédito). Exemplo: Artigo. 7º da LUG: “ Art. 7º, LUG: Se a letra contém assinaturas de pessoas incapazes de se obrigarem por letras, assinaturas falsas, assinaturas de pessoas fictícias, ou assinaturas que por qualquer outra razão não poderiam obrigar as pessoas que assinaram a letra, ou em nome das quais ela foi assinada, as obrigações dos outros signatários nem por isso deixam de ser válidas”. C C O RRE T A Conforme o princípio da negociabilidade, o título nasceu para circular e, ao tempo de seu vencimento, deve ser pago. Assim, pelo princípio da confiança, que regula todas as relações jurídicas privadas, a princípio, apenas o devedor principal está responsável pelo seu pagamento, entretanto, se o título não for pago, quebra-se o princípio da confiança. Confere o artigo 47 da LUG: D I S C I P L I N A DIREITO EMPRESARIAL Q47 – Q50 · 4 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 57 de 96 “ Art. 47, LUG: Os sacadores, aceitantes, endossantes ou avalistas de uma letra são todos solidariamente responsáveispara com o portador. O portador tem o direito de acionar todas estas pessoas individualmente, sem estar adstrito a observar a ordem porque elas se obrigaram. O mesmo direito possui qualquer dos signatários de uma letra quando a tenha pago. A ação intentada contra um dos coobrigados não impede acionar os outros, mesmo os posteriores àquele que foi acionado em primeiro lugar”. OBS: Lembre-se que é importante saber a ordem apenas para imposição das exceções pessoais (direito obrigacional), mas não para a ação acerca do título efetivamente constituído. D I NC O RRE T A De acordo com o princípio da literalidade: tem-se como verdadeiro o que for aposto no título, podendo fazer em documento anexo, desde que esse circule com a duplicata. Exemplo: Artigo 9º, Lei 5.474. “ Art. 9º, Lei 5.474: É lícito ao comprador resgatar a duplicata antes de aceitá-la ou antes da data do vencimento. § 1º A prova do pagamento é o recibo, passado pelo legítimo portador ou por seu representante com poderes especiais, no verso do próprio título ou em documento, em separado, com referência expressa à duplicata”. QUESTÃO 48 M I C R O E M P R E E N D E D O R I N D I V I D U A L ( M E I ) As opções a seguir apresentam regras legais que se aplicam ao Microempreendedor Individual (MEI), à exceção de uma. Assinale-a. A O MEI é modalidade de microempresa e todo benefício aplicável à microempresa estende- se a ele, sempre que lhe for mais favorável. B O MEI poderá utilizar sua residência como sede do estabelecimento, quando não for indispensável a existência de local próprio para o exercício da atividade. C O empresário individual ou empreendedor que exerça atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural, desde que não tenha empregados, poderá enquadrar-se como MEI. D O MEI inscrito no conselho profissional de sua categoria na qualidade de pessoa física, fica dispensado de realizar nova inscrição no mesmo conselho na qualidade de empresário individual. GABARITO Letra C E X P L I C A Ç Ã O A questão pede para assinalar a exceção, ou seja, alternativa errada! A I NC O RRE T A Nos termos da Lei Complementar 123/2006, em seu Artigo 18-E, §2º: “ Art. 18-E, §2º, Lei Complementar 123/2006: Todo benefício previsto nesta Lei Complementar aplicável à microempresa estende-se ao MEI sempre que lhe for mais favorável”. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 58 de 96 B I NC O RRE T A Alternativa de acordo com o Artigo 18-A, §25º da Lei Complementar 123/2006: “ Art. 18-A, §25º, Lei Complementar 123/2006: O MEI poderá utilizar sua residência como sede do estabelecimento, quando não for indispensável a existência de local próprio para o exercício da atividade”. OBS: Lembre-se que, pela Lei 14.195/2021, o estabelecimento pode ser virtual. C C O RRE T A Está de acordo com o Artigo 18-C da Lei Complementar 123/2006 “ Art. 18-C, Lei Complementar 123/2006: Poderá enquadrar-se como MEI o empresário individual ou o empreendedor que exerça as atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural que possua um único empregado que receba exclusivamente um salário mínimo ou o piso salarial da categoria profissional”. Ou seja, pode ter um único empregado. D I NC O RRE T A Apresenta o texto do Artigo 18-A, §19-A da Lei Complementar 123/2005: “ Art. 18-A, §19-A, Lei Complementar 123/2005: O MEI inscrito no conselho profissional de sua categoria na qualidade de pessoa física é dispensado de realizar nova inscrição no mesmo conselho na qualidade de empresário individual”. QUESTÃO 49 R E C U P E R A Ç Ã O J U D I C I A L Beethoven S/A forma o quadro societário de um grupo econômico formado por Benji S/A, Lassie S/A, Marley S/A e Scoobie-Doo S/A, em que todas as empresas são atuantes no mercado de varejo como lojas digitais, com receita bruta anual acima de dez milhões de reais. Peloponeso Petshop Ltda, microempresa, e Pongo S/A vendem produtos pet nessas quatro lojas, através de duplicatas, com frequência constante, todas emitidas por Beethoven S/A. Com dificuldades financeiras, Lassie S/A e Marley S/A fazem o requerimento para a sua recuperação judicial, tendo, respectivamente, os seus principais estabelecimentos em Belo Horizonte/MG e Fortaleza/CE. Em relação a esses processos de recuperação judicial, assinale a alternativa correta. A Após a consolidação processual, Peloponeso Petshop Ltda, ao requerer a consolidação substancial, terá seu pedido deferido pelo juiz, de forma excepcional, independentemente da realização de assembleia geral, de Lassie S/A e Marley S/A, apenas se constatar a interconexão e a confusão entre ativos ou passivos dos devedores, de modo que não seja possível identificar a sua titularidade sem excessivo dispêndio de tempo ou de recursos. B Como Peloponeso Petshop Ltda ME é uma microempresa, caberá a recuperação judicial especial quanto aos seus créditos, e não será convocada assembleia geral de credores para deliberar sobre o plano. C A consolidação processual não será possível, pois os estabelecimentos principais de cada empresa estão localizados em regiões diferentes da Justiça Federal, além de impedir que uma devedora obtenha a concessão da recuperação judicial e a outra tenha a falência decretada. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 59 de 96 D Na consolidação processual, além de as sociedades recuperandas terem o pedido processado conjuntamente, a autonomia patrimonial de cada uma é, excepcionalmente, afastada, fato que transforma o litisconsórcio em unitário, enquanto a consolidação substancial é a possibilidade de que sociedades ingressarem, conjuntamente, com um só pedido de recuperação judicial. GABARITO Letra A A C O RRE T A Consolidação substancial: a alternativa apresenta o teor do Artigo 69-J, Lei 11.101/05, logo, pode ser aplicado às lojas por serem devedoras integrantes do mesmo grupo econômico já que, cumulativamente, há a ocorrência de, no mínimo, 2 (duas) das seguintes hipóteses (as duas últimas), apresentadas pelo enunciado: existência de garantias cruzadas, relação de controle ou de dependência, identidade total ou parcial do quadro societário e atuação conjunta no mercado entre os postulantes (mercado de varejo). B I NC O RRE T A A requisição da recuperação judicial é realizada pelas Sociedades Anônimas que possuem receita bruta anual bem acima do valor permitido para enquadramento (art. 3º LC 123/05) de ME (R$ 360.000,00) ou EPP (superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00), logo, não caberá a elas pleitear esse tipo de recuperação. Nem mesmo o enquadramento da credora não torna possível esse pedido. Quanto à segunda parte, está em conformidade com o Artigo 72 da Lei 11.101/05: “ Art. 72, Lei 11.101/05: Caso o devedor de que trata o art. 70 desta Lei opte pelo pedido de recuperação judicial com base no plano especial disciplinado nesta Seção, não será convocada assembleia-geral de credores para deliberar sobre o plano, e o juiz concederá a recuperação judicial se atendidas as demais exigências desta Lei”. C I NC O RRE T A Consolidação processual: é o já conhecido litisconsórcio ativo do CPC, que é regulado na recuperação judicial a partir do art. 69-G da Lei 11.101/05, onde, além dos requisitos para a legitimidade ativa, pode ser requerido pelas devedoras que integrem grupo sob controle societário comum, em que cada uma apresentará individualmente a documentação exigida e o juízo do local do principal estabelecimento entre os dos devedores é competente para deferir a recuperação judicial sob consolidação processual. Acarreta o mesmo administrador judicial a coordenação de atos processuais, garantida a independência dos devedores, dos seus ativos e dos seus passivos, além de não impedir que alguns devedores obtenham a concessão da recuperação judicial e outros tenhama falência decretada. Ademais, o juízo de falência pertence à Justiça Estadual e não à Federal. D I NC O RRE T A A consolidação processual é a possibilidade de que sociedades ingressem conjuntamente com um só pedido de recuperação judicial, ou seja, é uma hipótese de litisconsórcio ativo, em que mais de uma sociedade pede que seja processada a sua recuperação judicial. Já na substancial, as recuperandas, além do pedido processado conjuntamente, sua autonomia patrimonial é, excepcionalmente, afastada (unifica as listas de credores das sociedades e, consequentemente, faz com que o seu plano de recuperação judicial seja deliberado em assembleia única, por todos os credores de todo o grupo econômico consolidado). Logo, com a consolidação substancial, passa-se a ter situação de litisconsórcio unitário (art. 116, CPC), onde todas as sociedades do Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 60 de 96 grupo terão seu plano de recuperação judicial aprovado ou rejeitado. Sendo rejeitado, decretar- se-á a falência de todo o grupo. QUESTÃO 50 C O N C E I T O S D O D I R E I T O E M P R E S A R I A L No Direito Empresarial, é apresentada a teoria poliédrica que define o conceito de empresa com base no perfil subjetivo, que determina se a empresa é uma pessoa (física ou jurídica como o empresário), o perfil funcional, que determina que a empresa é uma atividade empresarial dirigida a um determinado escopo produtivo (organizada), o perfil objetivo (ou patrimonial), através do qual determina-se se a empresa é um conjunto de bens afetados ao exercício da atividade econômica desempenhada (estabelecimento), por fim o perfil corporativo, que determina se a empresa é uma comunidade laboral, que reúne o empresário e seus auxiliares ou colaboradores, ou seja, um núcleo social organizado em função de um fim econômico comum. Com base em seus conhecimentos sobre Direito Empresarial, marque a opção correta. A Verificada mora na integralização do capital social subscrito por um dos sócios de uma sociedade simples, é conferida à maioria dos demais a opção de preferir a exclusão do sócio remisso à indenização. B Empresário individual, casado sob o regime jurídico da comunhão parcial de bens, pretende hipotecar bem imóvel constante do patrimônio da empresa, a fim de obter empréstimo bancário para a aquisição de maquinário, com o objetivo de expandir a prestação dos seus serviços empresariais. Nesse caso hipotético, a prévia averbação de autorização conjugal no cartório de imóveis não suprirá específica outorga conjugal para a prestação da garantia. C O fato de uma pessoa natural ter contribuído para o bom êxito da formação da empresa não poderá servir de justificativa para que o seu nome conste do nome empresarial se este for da espécie denominação. D Em uma sociedade limitada com capital integralizado, a designação de um administrador não sócio dependerá de aprovação unânime dos sócios. GABARITO Letra A A C O RRE T A Conforme o Artigo 1.004, parágrafo único do CC: “ Art. 1.004, parág. único, CC: Verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao montante já realizado, aplicando- se, em ambos os casos, o disposto no § 1º do art. 1.031” B I NC O RRE T A O Artigo 978, CC versa sobre a exceção da teoria da unicidade patrimonial no sentido de que o empresário, detentor de um único patrimônio, pode alienar ou gravar bens imóveis pertencentes ao patrimônio da empresa. Para essa distinção circunstancial, dentro de um mesmo patrimônio, o Enunciado 58, JDCom aduz: “Enunciado 58, JDCom: O empresário individual casado é o destinatário da norma do art. 978 do CCB e não depende da outorga conjugal para alienar ou gravar de ônus real o imóvel utilizado no exercício da empresa, desde que exista prévia averbação de autorização conjugal à conferência do imóvel ao Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 61 de 96 patrimônio empresarial no cartório de registro de imóveis, com a consequente averbação do ato à margem de sua inscrição no registro público de empresas mercantis”. C I NC O RRE T A Conforme o Artigo 1.160, parágrafo único, CC: “ Art. 1.160, parág. único, CC: Pode constar da denominação o nome do fundador, acionista, ou pessoa que haja concorrido para o bom êxito da formação da empresa”. Sobre o nome empresarial, é necessário lembrar que tanto para firma quanto para denominação, as empresas podem adotar o CNPJ (Lei 14.195/2021). A firma, que pode ser individual ou social, é espécie de nome empresarial, formada por um nome civil (art. 1.156, CC) do próprio empresário, no caso de firma individual, do titular, ou de um ou mais sócios, no caso de firma social. A denominação, que pode ser usada por certas sociedades, pode ser formada por qualquer expressão linguística (elemento fantasia ou nome dos sócios) e a indicação do objeto social (ramo de atividade) é obrigatória, exceto para sociedade anônima e sociedade em comandita por ações, que, por força da Lei 14.195/2021, é facultada a designação do objeto social. D I NC O RRE T A De acordo com o disposto no Art. 1.061, CC, a designação de administrador não sócio somente dependerá de aprovação da unanimidade dos sócios enquanto o capital social não estiver integralizado. A partir da integralização do capital social, basta a aprovação de dois terços dos sócios. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 62 de 96 QUESTÃO 51 P R O C E D I M E N T O C O M U M - D O P E D I D O Carly Shay, famosa por participar de ICarly, vendeu um carro a Gibby Gibson, que se obrigou a pagá-lo em vinte e quatro prestações mensais sucessivas. Entretanto, no quinto mês, Gibby Gibson tornou-se inadimplente. Diante disso, Carly ajuizou ação de cobrança do débito vencido, que foi julgada procedente. Na sentença, a juíza, além dos consectários compreendidos no pedido, deverá condenar Gibby Gibson ao pagamento: A Apenas do débito vencido, sobre pena de a sentença ser considerada ultra petita. B Do débito vencido e das prestações vincendas, enquanto durar a obrigação, ainda que Carly não as tenha pedido expressamente, desde que, no curso do processo, não forem pagas nem consignadas. C Apenas do débito vencido, sob pena de a sentença ser considerada extra petita. D Do débito vencido e das prestações que se vencerem até a citação, ainda que Carly não as tenha pedido expressamente, desde que, no curso do processo, não forem pagas nem consignadas. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A O Artigo 323 do CPC dispõe que: “ Art. 323, CPC: na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação em prestações sucessivas, essas serão consideradas incluídas no pedido, independentemente de declaração expressa do autor, e serão incluídas na condenação, enquanto durar a obrigação, se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las”. Ainda que Carly não peça, a juíza não fica adstrita apenas ao pedido de pagamento do débito já vencido, podendo proferir sentença incluindo as prestações que se vencerem no curso do processo, sem que isso configura sentença ultra petita (“além do pedido”). B C O RRE T A É possível que a juíza, além dos consectários legais (Artigo 322, §1º do CPC: “Compreendem-se no principal os juros legais, a correção monetária e as verbas de sucumbência, inclusive os honorários advocatícios.”), condene Gibbson ao pagamento do débito vencido e das prestações vincendas, enquanto durar a obrigação, ainda que Carly não as tenha pedido expressamente, se, no curso do processo, não forem pagas nem consignadas, uma vez que é isso que dispõe o art. 323 do CPC, transcrito na alternativa “A”, que aponta que as prestações sucessivas são consideradas incluídas no pedido, mesmo que não haja declaração expressa do autor, no caso, de Carly, enquanto durar a obrigação. C I NC O RRE T A Art. 323 do CPC: D I S C I P L I N A PROCESSO CIVIL Q51 – Q56 · 6 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág.63 de 96 “ Art. 323, CPC: Na ação que tiver por objeto cumprimento de obrigação em prestações sucessivas, essas serão consideradas incluídas no pedido, independentemente de declaração expressa do autor, e serão incluídas na condenação, enquanto durar a obrigação, se o devedor, no curso do processo, deixar de pagá-las ou de consigná-las”. Ainda que Carly não peça, a juíza não fica adstrita apenas ao pedido de pagamento do débito já vencido, podendo proferir sentença incluindo as prestações que se vencerem no curso do processo, sem que isso configure sentença extra petita (“fora do pedido”). D I NC O RRE T A Não há limitação de que alcançaria apenas os débitos vencidos até a citação. QUESTÃO 52 P R O C E D I M E N T O C O M U M - R E V E L I A Léo Dias, ao desviar de um buraco no asfalto com seu carro, colidiu com o veículo de Deolane, que estava estacionado na mesma rua. Inconformada, Deolane ajuizou ação de indenização por danos morais em face de Léo Dias, requerendo a quantia de R$ 900.000,00 (novecentos mil reais). Léo Dias foi devidamente citado. Contudo, entendendo absurdo o pedido de Deolane, não apresentou contestação. Diante da situação hipotética, é correto afirmar que Léo Dias: A É revel, por isso o juiz deverá julgar procedente a ação e condená-lo ao pagamento do valor requerido por Deolane, ainda que ausente verossimilhança no alegado. B É revel, mas a revelia não produzirá o efeito de presunção de veracidade dos fatos alegados por Deolane, uma vez que a ação trata sobre direitos indisponíveis. C É revel, por isso deve-se presumir a veracidade quanto aos danos narrados na petição inicial, no entanto a presunção de veracidade não alcança a definição do quantum indenizatório indicado pela autora. D Como Deolane não juntou nenhum documento apto a instruir o seu pedido, o réu não será considerado revel, portanto não sofrerá os efeitos da revelia. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A A revelia não leva, necessariamente, à procedência da ação, bem como a condenação do valor requerido pela parte autora. Quando as alegações forem inverossímeis, não há que se falar em produção dos efeitos da revelia, conforme o artigo Artigo 345 do CPC: “ Art. 345, CPC: A revelia não produz o efeito o mencionado no art. 344 (presunção de veracidade dos fatos alegados pelo autor) se (...) IV - as alegações de fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos.” B I NC O RRE T A Não há direito indisponível envolvido, pois o objeto da ação de indenização por danos morais decorrentes de colisão de veículos automotores constitui direito patrimonial disponível, portanto, não há que se falar no afastamento dos efeitos da revelia com base nesse fundamento. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 64 de 96 C C O RRE T A Caso o réu não conteste a ação, ele será considerado revel e serão presumidos verdadeiros os fatos alegados pela autora. Contudo, o pedido não será julgado, necessariamente, procedente, bem como o juiz não condenará o quantum apontado na inicial. Entendimento do C. STJ: “Reconhecida a revelia, a presunção de veracidade quanto aos danos narrados na petição inicial não alcança a definição do quantum indenizatório indicado pelo autor” (REsp 1.520.659-RJ, Rel. Min. Raul Araújo). D I NC O RRE T A O fato de Deolane não ter juntado qualquer documento hábil a consubstanciar o seu pedido não afasta a revelia em si, portanto, Léo Dias continua sendo revel. O que ocorre é que, quando a lei determina que é necessário que a petição seja instruída com algum documento e tal documento não é juntado, há o afastamento dos efeitos da revelia, mas não da revelia em si. Vide Artigos 344 e 345 do CPC. “ Art. 344, CPC: Se o réu não contestar a ação, será considerado revel e presumir-se-ão verdadeiras as alegações de fato formuladas pelo autor.” “ Art. 345, CPC: A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: (...) III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato”. QUESTÃO 53 P R O C E D I M E N T O S E S P E C I A I S - A Ç Ã O R E S C I S Ó R I A Tony Stark ajuizou ação em face de Thanos com três pedidos autônomos: (i) declaração da relação jurídica mantida entre as partes; (ii) obrigação de fazer e (iii) indenização por danos materiais. A sentença julgou integralmente procedente os três pedidos de Tony Stark, fixando a indenização no valor de R$ 200.000,00. Thanos não recorreu da sentença e esta transitou em julgado no dia 13.08.2019. Contudo, dois anos e dois meses após o trânsito em julgado, Thanos tomou conhecimento da existência de um documento antigo, que até então desconhecia, da época em que mantinha, com Tony Stark, a relação jurídica objeto da lide que não fez parte de sua defesa. Na visão de Thanos, esse documento poderia ocasionar a improcedência do pedido de indenização feito por Tony Stark. Diante dessa situação hipotética, indique a opção correta. A Considerando que o documento é antigo, contemporâneo à relação outrora existente entre as partes, cabia à Thanos apresenta-lo no curso do processo, não podendo, após o trânsito em julgado, beneficiar-se dele. B Considerando que transcorreu o prazo de dois anos e dois meses do trânsito em julgado, Thanos perdeu o direito de ação rescisória. C Cabe ação rescisória, pois o prazo, nesta hipótese, será contado a partir da data de descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de cinco anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. D Não cabe ação rescisória para impugnar apenas um dos fundamentos da decisão transitada em julgado. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 65 de 96 GABARITO Letra C A I NC O RRE T A É possível ajuizamento de ação rescisória com base em prova nova cuja existência ignorava anteriormente. Nos termos do Artigo 966 do CPC: “ Art. 966, CPC: A decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável”. B I NC O RRE T A Neste caso específico, o Artigo 975, § 2º do CPC dispõe que o termo inicial do prazo será a data de descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de 5 (cinco) anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. C C O RRE T A O Artigo 966 do CPC dispõe que a decisão de mérito, transitada em julgado, pode ser rescindida quando: “ Art. 966, CPC: VII - obtiver o autor, posteriormente ao trânsito em julgado, prova nova cuja existência ignorava ou de que não pôde fazer uso, capaz, por si só, de lhe assegurar pronunciamento favorável”. E o Artigo 975, § 2º do CPC dispõe que o termo inicial do prazo será a data de descoberta da prova nova, observado o prazo máximo de 5 (cinco) anos, contado do trânsito em julgado da última decisão proferida no processo. D I NC O RRE T A O Artigo 966, § 3º do CPC dispõe, expressamente, que a ação rescisória pode ter por objeto apenas 1 (um) capítulo da decisão. QUESTÃO 54 D O C U M P R I M E N T O D E S E N T E N Ç A Q U E R E C O N H E Ç A A E X I G I B I L I D A D E D E O B R I G A Ç Ã O D E P R E S T A R A L I M E N T O S Bruno acionou o seu pai, Mário, em sede de cumprimento de sentença, que reconheceu a obrigação de prestar alimentos. Após o regular recebimento, o magistrado determinou a intimação pessoal do genitor, para que, no prazo de três dias, efetuasse o pagamento da dívida. Mário buscou informações com o seu advogado de confiança, que o respondeu acerca das possibilidades dessa demanda. Acerca do tema prisão civil do devedor de alimentos, assinale a alternativa correta. A Caso Mário deixe de pagar a dívida e não justifique a impossibilidade de efetuá-lo, o juiz poderá protestar o pronunciamento judicial apenas. B Caso Mário tenhasido preso pelo inadimplemento, uma vez cumprido o período de prisão, a dívida será extinta. C Mário deverá ser informado de que caso deixe de pagar a dívida e não justifique a impossibilidade de efetuá-lo, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 66 de 96 D Sendo preso pelo inadimplemento, ainda que efetue o pagamento da dívida, deverá cumprir a prisão até o término do prazo estabelecido pelo magistrado. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A De acordo com o Artigo 528 do CPC que traz a regulamentação acerca das possibilidades relacionadas ao cumprimento de sentenças e decisões interlocutórias que versarem sobre a obrigação de prestar alimentos: " Art. 528, CPC: No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. § 1º Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517. § 3º Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1º, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. § 6º Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão." Dessa forma, caso Mário deixe de pagar a dívida e não justifique a impossibilidade de efetuá-lo, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. B I NC O RRE T A De acordo com o Artigo 528, §5º do CPC: " Art. 58, §5º, CPC: O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas." C C O RRE T A De acordo com o Artigo 528, §3º do CPC: " Art. 528, §3º CPC: Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1º, decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses." D I NC O RRE T A De acordo com o Artigo 528, §6º do CPC: " Art. 528, §6º, CPC: Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão.” QUESTÃO 55 R E C U R S O S - A P E L A Ç Ã O João teve um pedido realizado no curso do processo judicial indeferido pelo magistrado. Ao consultar a lista de cabimento do agravo de instrumento, percebeu que não seria possível recorrer de imediato desta decisão. Inconformado, João consultou o Código de Processo Civil para compreender como deveria agir. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 67 de 96 Sobre o tema, é correto dizer que: A João nada poderá fazer quanto aquela decisão, de modo que não será impugnada, pois está coberta pela preclusão. B João deverá impugnar aquela decisão imediatamente através de recurso especial, sob pena de preclusão da matéria. C O recurso cabível será o agravo retido, sendo a única hipótese legal aplicável. D A matéria não será coberta pela preclusão e João poderá suscitá-la em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final ou nas contrarrazões. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Para as decisões interlocutórias, somente podem ser adotados dois caminhos: - Recorribilidade imediata, através do agravo de instrumento, se a matéria estiver listada na lista do art. 1.015 do CPC. - Irrecorribilidade imediata (quando a hipótese não está prevista na lista do art. 1.015 do CPC), de modo que a parte terá a segurança de que aquela matéria não será coberta pela preclusão (não perderá o direito de falar sobre a matéria futuramente) e poderá trazê-la em sede de apelação (caso recorra) ou nas contrarrazões (caso a parte adversa recorra da sentença). Sendo assim, João poderá suscitar a matéria por meio de preliminar de apelação ou nas contrarrazões. B I NC O RRE T A A matéria não será coberta pela preclusão, tendo em vista que o enunciado afirma que não seria possível recorrer de imediato da decisão. Sendo assim, poderá suscitar a matéria por meio de preliminar de apelação ou nas contrarrazões conforme o Artigo 1.009 do CPC: “ Art. 1.009, CPC: Da sentença cabe apelação. §1º As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões”. C I NC O RRE T A Será possível suscitar a matéria por meio de preliminar de apelação ou nas contrarrazões conforme o Artigo 1.009 do CPC. D C O RRE T A De acordo com o Artigo 1.009 do CPC. QUESTÃO 56 R E C U R S O S - E M B A R G O S D E D E C L A R A Ç Ã O Mário, réu em processo de cobrança, reiteradamente opõe embargos de declaração contra as decisões do magistrado responsável pelo julgamento do caso, alegando omissões acerca de pontos que foram plenamente abordados e bem fundamentados pelo Juízo. Ocorre que, para evitar o uso excessivo dessa espécie recursal com finalidade meramente protelatória, muito se discutiu acerca da elaboração do Código de Processo Civil, de modo que o Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 68 de 96 legislador estabeleceu uma regra acerca dos embargos de declaração. Assinale a opção que traz essa regra. A Os embargos de declaração possuem efeito suspensivo, mas não interrompem o prazo para interposição de outros recursos. B Quando os embargos de declaração forem manifestamente protelatórios, o magistrado condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa. C Quando embargos de declaração forem manifestamente protelatórios, o juízo determinará a remessa do processo para o tribunal para avaliação da conduta do recorrente, que poderá ser multado em até 1 salário mínimo pela conduta ímproba. D A parte recorrente poderá se utilizar dos embargos de declaração sempre que entender necessário e não poderá sofrer restrições em face dessa conduta. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Conforme o caput do Artigo 1.026 do CPC: " Art. 1.026, CPC: Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso." B C O RRE T A Alternativa de acordo com o Artigo 1.026, §2º do CPC: " Art. 1.026, §2º, CPC: Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa." C I NC O RRE T A Os embargos de declaração são cabíveis contra as decisões omissas, contraditórias, obscuras ou que contenham erro material. Apesar disso, como o seu uso interrompe o prazo para a interposição de outros recursos, tal uso, por vezes, é deturpado pela parte e utilizado para fins protelatórios, isto é, para ganhar tempo e atrasar a marcha processual. Para situações como essa, o próprio artigo de lei resolve a questão, vejamos: " Art. 1.026, CPC: Os embargos de declaração não possuem efeito suspensivo e interrompem o prazo para a interposição de recurso. §1º A eficácia da decisão monocrática ou colegiada poderá ser suspensa pelo respectivo juiz ou relator se demonstrada a probabilidade de provimento do recurso ou, sendo relevante a fundamentação, se houver risco de dano grave ou de difícil reparação. §2º Quando manifestamente protelatórios os embargos de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da04 H O N O R Á R I O S A D V O C A T Í C I O S Sobre as disposições presentes no Estatuto da Advocacia, é incorreto afirmar que: A A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha atuado o advogado, se assim lhe convier. B Os serviços profissionais de advogado são, por sua natureza, técnicos e singulares, quando comprovada sua notória especialização, nos termos da lei. C Prescreve em cinco anos a ação de cobrança de honorários de advogado. Caso haja contrato, conta-se o prazo de seu vencimento. D O advogado substabelecido, com reserva de poderes, pode cobrar honorários sem a intervenção daquele que lhe conferiu o substabelecimento. GABARITO Letra D E X P L I C A Ç Ã O A questão pede para assinalar a alternativa incorreta! A I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. O advogado pode executar os honorários nos próprios autos da ação principal. Art. 24. §1º. EAOAB. A execução dos honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha atuado o advogado, se assim lhe convier. B I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Vejamos: Art. 3º-A. EAOAB. Os serviços profissionais de advogado são, por sua natureza, técnicos e singulares, quando comprovada sua notória especialização, nos termos da lei. C I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Vejamos: Art. 25. EAOAB. Prescreve em cinco anos a ação de cobrança de honorários de advogado, contado o prazo: Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 6 de 96 I - do vencimento do contrato, se houver; D C O RRE T A Tratando-se de substabelecimento com reserva de poder, o advogado substabelecido NÃO pode cobrar honorários sem a intervenção daquele que lhe conferiu o substabelecimento. Art. 26, EOAB. O advogado substabelecido, com reserva de poderes, não pode cobrar honorários sem a intervenção daquele que lhe conferiu o substabelecimento. QUESTÃO 05 P U B L I C I D A D E P R O F I S S I O N A L A realidade social é mutável e célere, sendo imperioso que as normas passem por adaptações para que sejam coerentemente aplicadas às relações sociais. Atenta à evolução também no âmbito advocatício, a OAB editou, recentemente, novas disposições legais sobre a publicidade profissional. Tendo o provimento 205/2021 como base, é incorreto afirmar que: A As informações veiculadas deverão ser objetivas e verdadeiras e são de exclusiva responsabilidade das pessoas físicas identificadas. Quando envolver pessoa jurídica, a responsabilidade será dos sócios-administradores da sociedade de advogados, que responderão pelos excessos, perante a Ordem dos Advogados do Brasil, sem excluir a participação de outros inscritos que, para ela, tenham concorrido. B O Marketing Jurídico é a especialização do marketing destinada aos profissionais da área jurídica, consistente na utilização de estratégias planejadas para alcançar os objetivos do exercício da advocacia. C Publicidade passiva é a divulgação capaz de atingir número indeterminado de pessoas, mesmo que elas não tenham buscado informações acerca do anunciante ou dos temas anunciados. D É vedada a publicidade que faça referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou descontos e reduções de preços como forma de captação de clientes. GABARITO Letra C E X P L I C A Ç Ã O A questão pede para assinalar a alternativa incorreta! A I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. De fato, as informações veiculadas deverão ser objetivas e verdadeiras, sendo de exclusiva responsabilidade das pessoas físicas identificadas e, quando envolver pessoa jurídica, dos sócios administradores da sociedade de advocacia. Art. 1º § 1º Provimento 205/2021. As informações veiculadas deverão ser objetivas e verdadeiras e são de exclusiva responsabilidade das pessoas físicas identificadas e, quando envolver pessoa jurídica, dos sócios administradores da sociedade de advocacia que responderão pelos excessos perante a Ordem dos Advogados do Brasil, sem excluir a participação de outros inscritos que para ela tenham concorrido. B Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 7 de 96 I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Vejamos: Art. 2º. Provimento 205/2021. Para fins deste provimento devem ser observados os seguintes conceitos: I - Marketing jurídico: Especialização do marketing destinada aos profissionais da área jurídica, consistente na utilização de estratégias planejadas para alcançar objetivos do exercício da advocacia; C C O RRE T A Publicação é a divulgação capaz de atingir somente público certo que tenha buscado informações acerca do anunciante ou dos temas anunciados, bem como por aqueles que concordem previamente com o recebimento do anúncio (por e-mail, por exemplo). Art. 2º Provimento 205/2021. Para fins deste provimento devem ser observados os seguintes conceitos: VI - Publicidade ativa: divulgação capaz de atingir número indeterminado de pessoas, mesmo que elas não tenham buscado informações acerca do anunciante ou dos temas anunciados; VII - Publicidade passiva: divulgação capaz de atingir somente público certo que tenha buscado informações acerca do anunciante ou dos temas anunciados, bem como por aqueles que concordem previamente com o recebimento do anúncio. D I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Não pode ser feito no marketing jurídico referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou descontos e reduções de preços como forma de captação de clientes. Art. 3º. Provimento 205/2021. I - referência, direta ou indireta, a valores de honorários, forma de pagamento, gratuidade ou descontos e reduções de preços como forma de captação de clientes; QUESTÃO 06 P R O C E S S O N A O A B - D O S R E C U R S O S Apregoando o direito à recorribilidade das decisões, o Estatuto da Advocacia trouxe, em seu arcabouço, algumas disposições sobre a possibilidade de recorrer das decisões emitidas pelos Conselhos Seccionais e Conselho Federal. Sobre os recursos previstos, é incorreto afirmar que: A Além dos interessados, o Presidente do Conselho Seccional é legitimado para interpor o recurso referido neste artigo. B Todos os recursos têm efeito suspensivo, exceto quando tratarem sobre eleições, sobre suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina ou sobre cancelamento da inscrição obtida com falsa prova. C Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de Ética e Disciplina ou pela diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advogados. D Cabe recurso ao Conselho Federal das decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional, desde que tenham relação com o pagamento de taxas ou sanções disciplinares. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 8 de 96 GABARITO Letra D E X P L I C A Ç Ã O A questão pede para assinalar a alternativa incorreta! A I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Vejamos: Art. 75. Parágrafo único. EAOAB. Além dos interessados, o Presidente do Conselho Seccional é legitimado a interpor o recurso referido neste artigo. B I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Todos os recursos em matéria disciplinar têm efeito suspensivo, salvo quando tratar de eleições, de suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina da OAB, e do cancelamento da inscrição obtida com falsa prova. Art. 77. EAOAB. Todos os recursos têm efeito suspensivo, exceto quando tratarem de eleições (arts. 63 e seguintes), de suspensão preventiva decidida pelo Tribunal de Ética e Disciplina, e de cancelamento da inscrição obtidacausa. §3º Na reiteração de embargos de declaração manifestamente protelatórios, a multa será elevada a até dez por cento sobre o valor atualizado da causa, e a interposição de qualquer recurso ficará condicionada ao depósito prévio do valor da multa, à exceção da Fazenda Pública e do beneficiário de gratuidade da justiça, que a recolherão ao final. §4º Não serão admitidos novos embargos de declaração se os 2 (dois) anteriores houverem sido considerados protelatórios." Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 69 de 96 D I NC O RRE T A Os embargos de declaração são cabíveis contra as decisões omissas, contraditórias, obscuras ou que contenham erro material, conforme o Artigo 1.022 do CPC. Caso seja utilizado com finalidade protelatória pela parte, o Artigo 1.026 do CPC elenca as consequências, conforme transcrito na alternativa C. Dica: sobre os embargos de declaração é possível verificar que: 1. Seu uso indevido pode ser punido com multa, desde que não exceda em 2% do valor da causa. 2. Na reiteração da conduta proibida, a multa poderá ser elevada em até 10% sobre o valor da causa. 3. A parte que tiver seus dois últimos embargos de declaração considerados protelatórios estará impedida de utilizar essa espécie recursal no processo. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 70 de 96 QUESTÃO 57 L E I P E N A L N O T E M P O Relativamente ao tema da aplicação da lei penal no tempo, marque a alternativa certa. A A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência. B Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando, em virtude dela, os efeitos penais da sentença condenatória, incidindo o princípio da abolitio criminis aos crimes decorrentes de leis penais excepcionais e temporárias. C A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, não aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado e já iniciada a execução da pena. D A Lei Excepcional possui vigência pré-determinada. GABARITO Letra A A C O RRE T A É o texto da Súmula 711 do STF, a qual estabelece que "A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência". B I NC O RRE T A O abolitio Criminis, além de conduzir à extinção da punibilidade, também faz cessar todos os efeitos penais da sentença condenatória, permanecendo, contudo, os efeitos civis. Os efeitos civis, ao contrário, não serão atingidos pela abolitio criminis. Contudo, a abolitio criminis não tem incidência nas leis temporárias ou excepcionais, pois o Art 3°, CP dispõe que “A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante sua vigência.” C I NC O RRE T A Segundo Art. 2º, p. único do CP, “A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica- se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.” D I NC O RRE T A A Lei Excepcional é aquela editada em razão de algum evento excepcional. Por outro lado, a Lei Temporária é a que possui vigência pré-determinada. QUESTÃO 58 C U L P A B I L I D A D E Antony, estrangeiro que reside no Brasil há dois meses, inicia, em seu quintal, uma plantação de maconha, com a intenção de utilizar aquele material para fins medicinais, já que sua doença D I S C I P L I N A DIREITO PENAL Q57 – Q62 · 6 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 71 de 96 respiratória melhora com o uso da droga. Ao tomar conhecimento que seu vizinho, João, possui a mesma doença, decide transportar o material até a residência de João, mas é abordado, no caminho, por policiais civis. Após denúncia pela prática do crime de tráfico, durante seu interrogatório, Antony esclarece que tinha conhecimento de que transportar maconha no Brasil era crime, mas acreditava na licitude de sua conduta diante da intenção de utilizar o material para fins medicinais, esclarecendo, ainda, que essa conduta seria válida em seu país de origem. Com base apenas nas informações expostas, assinale o item correto. A Antony agiu em erro de proibição, gerando sempre reconhecimento de causa de redução de pena ou podendo gerar o afastamento da culpabilidade. B Antony agiu em erro de proibição, podendo gerar reconhecimento de causa de redução de pena ou afastamento da culpabilidade. C Antony agiu em erro de proibição, afastando a tipicidade da conduta. D Antony agiu em erro de tipo, o que gera o reconhecimento de causa de diminuição de pena. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Segundo o art. 21 do CP, o erro de proibição pode gerar o reconhecimento de causa de redução de pena ou afastamento da culpabilidade. Logo, está errada a alternativa ao afirmar que sempre gera o reconhecimento de causa de redução de pena. B C O RRE T A No caso da questão em que Antony realmente acreditava que era lícita a conduta de plantar maconha para fins medicinais, houve erro de proibição. Assim, nos termos do art. 21 do CP, o reconhecimento de causa de redução de pena ou afastamento da culpabilidade. C I NC O RRE T A O erro de proibição, se inevitável, exclui a culpabilidade por ausência da potencial consciência da ilicitude. D I NC O RRE T A Antony agiu em erro de proibição, pois acreditava que a sua conduta não constituía crime. Erro de proibição (EXCLUDENTE DE CULPABILIDADE) - O agente viola alguma proibição contida em norma penal que desconhece por absoluto. O agente sabe o que faz, só não sabe que é proibido. Erro de proibição evitável (vencível ou inescusável) - Ocorre quando, apesar da falta de consciência da ilicitude, constata-se que o agente possuía condições (inteligência) de ter adquirido tal conhecimento. Diminui a pena de 1/6 a 1/3. Erro de proibição inevitável (invencível ou escusável) - Além de não dispor da consciência da ilicitude, verifica-se que o agente sequer teria condições de alcançar tal compreensão. EXCLUI A CULPABILIDADE. QUESTÃO 59 P R I N C Í P I O D A R E T R O A T I V I D A D E Renato, Bruno e Diego praticaram diferentes crimes de roubo com emprego de armas brancas. Renato, no ano de 2017, foi condenado, definitivamente, pelo crime de roubo majorado pelo emprego de arma, pois, em 2015, teria, com grave ameaça, exercida com emprego de faca, Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 72 de 96 subtraído um celular. Bruno foi condenado, em primeira instância, em março de 2018, também pelo crime de roubo majorado pelo emprego de arma, já que teria utilizado um canivete para ameaçar a vítima e subtrair sua bolsa. A decisão ainda está pendente de confirmação diante de recurso do Ministério Público. Diego, por sua vez, responde ação penal pela suposta prática de crime de roubo majorado pelo emprego de arma, que seria um martelo, por fatos que teriam ocorrido em fevereiro de 2018, estando o processo ainda em fase de instrução probatória. Ocorre que, em abril de 2018, entrou em vigor uma nova lei que altera o art. 157 do CP, sendo revogado o inciso I do parágrafo 2º, e passando a prever que apenas o crime de roubo com emprego de arma de fogo funcionaria como causa de aumento de pena. Considerando apenas as informações expostas e que a inovação legislativa não teria inconstitucionalidades, assinale a opção correta. A As novas previsões seriam aplicáveis a Diego, que ainda não possui sentença condenatória em seu desfavor, com base no princípio da retroatividade da lei penal benéfica, mas não seriam aplicáveis a Renato e Bruno. B As novas previsões seriam aplicáveis a Renato, Bruno e Diego, em razão do princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica. C As novas previsões não seriam aplicáveis a Renato, que já possui condenação com trânsito em julgado, aplicando-seo princípio da irretroatividade da lei penal, mas deveriam ser aplicadas a Bruno e Diego. D As novas previsões seriam aplicáveis apenas a Bruno e Diego, mas não a Renato, diante do princípio do tempus regit actum. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A As novas previsões seriam aplicáveis a Renato, Bruno e Diego, em razão do princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica. B C O RRE T A Narra a questão que Renato, Bruno e Diego praticaram diferentes crimes de roubo com emprego de armas brancas, o que, no momento, valia como roubo majorado o uso de arma branca. Contudo, em abril de 2018, a lei previu que só uso de arma de fogo poderia ser majorado no crime de roubo, o que é benéfico para os réus que utilizaram arma branca, podendo então retroagir a lei e atenuar a pena. Nos termos do art. 2º, p. único do CP, “A lei posterior, que de qualquer modo favorecer o agente, aplica-se aos fatos anteriores, ainda que decididos por sentença condenatória transitada em julgado.” Desse modo, as novas previsões seriam aplicáveis a Renato, Bruno e Diego. C I NC O RRE T A A lei retroage para beneficiar o réu ainda que exista sentença condenatória transitada em julgado (art. 2º, p. único do CP). D I NC O RRE T A As novas previsões seriam aplicáveis a Renato, Bruno e Diego, em razão do princípio da retroatividade da lei penal mais benéfica. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 73 de 96 QUESTÃO 60 C R I M E S C O N T R A A I N V I O L A B I L I D A D E D E S E G R E D O Sobre o crime de invasão de dispositivo informático (art. 154-A, inserido no Código Penal por meio da Lei nº 12.737/2012), a doutrina aponta a existência de alguns problemas que envolvem a incriminação, pois há exigências legais que deixam de fora certas condutas lesivas. Quanto à conduta criminosa, é correto afirmar que: A A divulgação de fotos tiradas com o próprio celular, mesmo dispensando a invasão de dispositivo alheio, atinge a intimidade da vítima e permite a configuração do tipo. B Estão dentro do conceito as contas em serviços exclusivamente on-line, softwares e aparelhos eletrônicos que não tenham por função específica a utilização em ambiente informático. C Não há crime se o invasor se valer da engenharia social como artifício fraudulento para burlar o mecanismo de segurança, com o intuito de poder ter acesso aos dados e informações do dispositivo informático invadido. D O acesso indevido ao sistema de “nuvem” (cloud computing), para obtenção de dados alheios, configura o crime, mesmo que o agente não saiba qual dispositivo está invadindo. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A As fotos tiradas do próprio celular não configuram o crime, já que é necessária a violação de dispositivo de uso alheio, não necessariamente com a divulgação. (Atenção às elementares do tipo penal). A divulgação de tais fotos configura crime contra a dignidade sexual, se as mesmas tiverem conotação sexual, não do art. 154-A. B I NC O RRE T A O crime previsto no art. 154-A não exige que a conduta criminosa seja realizada em serviços exclusivamente on-line, tanto que não é necessário que o dispositivo esteja conectado à rede mundial de computadores. C I NC O RRE T A Se invadiu dispositivo de uso alheio, restará configurado o tipo penal. D C O RRE T A Se alguém invade a nuvem, caracteriza o crime, já que a nuvem é local no dispositivo alheio onde se armazenam tais dados. QUESTÃO 61 T I P I C I D A D E José trabalha como guarda-vidas da piscina do Clube Romano, aberto ao público das 8h às 22h, diariamente. A piscina do clube funciona das 9h às 21h, de terça a domingo, sendo aberta por Antônio, que trabalha como zelador no mesmo clube. José é sempre o primeiro a entrar na área da piscina, tão logo que ela é aberta, para assumir seu posto no alto da cadeira de guarda-vidas. Contudo, no dia 1º de novembro de 2020, ele não chegou no horário, porque sua condução atrasou. O espaço da piscina foi aberto por Antônio no horário habitual, mas José somente chegou ao clube Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 74 de 96 às 10h. Ao entrar na área da piscina, deparou-se com uma cena terrível, o corpo de uma criança morta, boiando na piscina. Sobre a conduta de José, assinale a afirmativa correta. A José não praticou nenhum crime. B José omitiu-se na prestação de socorro (Art. 135 do CP). C José cometeu homicídio culposo (Art. 121, § 3º, do CP). D José cometeu homicídio culposo na modalidade comissiva por omissão, pois exercia a função de garantidor (Art. 121, § 3º, c/c. o Art. 13, § 2º, ambos do CP). GABARITO Letra A A C O RRE T A O enunciado narra que José "não chegou no horário porque sua condução atrasou". Trata-se de causa de exclusão da conduta, por motivo de força maior, devido a um evento decorrente de conduta humana (Ex: motorista, trânsito) imprevisível e inevitável. Neste caso, falta um dos elementos da conduta, a VONTADE. Se não tem conduta, não há fato típico, logo, não terá crime. Além disso, a responsabilização penal pela omissão imprópria somente poderia ocorrer neste caso se o agente devia e podia agir para evitar o resultado, o que ficou constatado que não era possível, pois não estava no local porque sua condução atrasou. Portanto, José não praticou nenhum crime. B I NC O RRE T A José não poderia responder pelo crime de omissão de socorro, pois sequer estava no local e não tinha ciência do ocorrido. C I NC O RRE T A José não responde por homicídio culposo, pois não agiu com falta de cuidado. Pelo contrário, somente esteve ausente no momento do ocorrido pelo fato de que sua condução atrasou. Logo, não praticou crime algum. D I NC O RRE T A Não há responsabilização de José, pois não agiu com falta de cuidado. Pelo contrário, somente esteve ausente no momento do ocorrido pelo fato de que sua condução atrasou. Logo, não praticou crime algum. QUESTÃO 62 P R O G R E S S Ã O D E R E G I M E Ana, primária, mãe solo de filhos gêmeos de 2 anos, foi presa em flagrante em 21/06/2020, restando condenada à pena de 5 anos de reclusão por infração ao art. 33, caput, da Lei nº 11.343/2006 (tráfico de drogas) e à pena de 2 anos de reclusão por infração ao art. 333, do CP (corrupção ativa), tendo sido fixado o regime semiaberto. Ana encontra-se cumprindo, regularmente, a pena imposta, sem qualquer falta disciplinar praticada e com bom comportamento carcerário. Para fins de progressão de regime, Ana deverá cumprir: A 1/8 da pena total imposta. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 75 de 96 B 3/5 da pena em relação à condenação pelo tráfico de drogas e 1/6 da pena em relação à condenação pela corrupção ativa. C 40% da pena total imposta. D 40% da pena em relação à condenação pelo tráfico de drogas e 16% da pena em relação à condenação pela corrupção ativa. GABARITO Letra A E X P L I C A Ç Ã O A questão mencionou MULHER GESTANTE ou MÃE que é PRIMÁRIA!!!! A C O RRE T A A questão trata da progressão especial de regime de cumprimento de pena, prevista no art. 112, §3º, inciso III, da Lei nº 7.210/1984 - Lei de Execução Penal. Considerando que Ana é mãe solo de filhos gêmeos de 2 anos e encontra-se cumprindo, regularmente, a pena imposta, sem qualquer falta disciplinar praticada e com bom comportamento carcerário, cumpridos os demais requisitos, deverá progredir de regime com o cumprimento de 1/8 da pena no regime anterior. Art. 112, LEP: (...) “ § 3º No caso de mulher gestante ou que for mãe ou responsável por crianças ou pessoas com deficiência, os requisitos para progressão de regime são, cumulativamente:” I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; IV- ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; V - não ter integrado "organização criminosa”.Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 76 de 96 QUESTÃO 63 L E I D E O R G A N I Z A Ç Ã O C R I M I N O S A ( 1 2 . 8 5 0 / 1 3 ) A Lei nº 12.850/2013 define o crime de organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal e os meios de obtenção da prova. Tal diploma legal estabelece que: A A intervenção policial poderá ser retardada, mediante ação controlada, reclamando prévia autorização judicial. B O crime de organização criminosa configura-se quando quatro ou mais pessoas associam- se de forma estruturada e com divisão de tarefas para a prática de crimes que exijam pena mínima igual ou superior a quatro anos. C A infiltração de agentes exige prévia autorização judicial, assim como oitiva do Ministério Público em caso de representação da autoridade policial. D O sigilo da investigação poderá ser determinado pela autoridade policial para garantia da celeridade e eficácia das diligências investigatórias, impedindo, nessa hipótese, acesso da defesa aos elementos produzidos. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Segundo o art. 8º, §1º, da lei 12.850/13, não há necessidade de prévia autorização judicial, pois a ação controlada necessita de ser informada previamente ao Juiz, que, se for o caso, estabelecerá seus limites. “ Art. 8º Consiste a ação controlada em retardar a intervenção policial ou administrativa relativa à ação praticada por organização criminosa ou a ela vinculada, desde que mantida sob observação e acompanhamento para que a medida legal se concretize no momento mais eficaz à formação de provas e obtenção de informações. § 1º O retardamento da intervenção policial ou administrativa será previamente comunicado ao juiz competente que, se for o caso, estabelecerá os seus limites e comunicará ao Ministério Público. (...)” B I NC O RRE T A Tratando-se do crime de organização criminosa, não exige-se a prática de crimes com pena mínima igual ou superior a 4 anos, mas sim a prática de infrações penais com penas máximas superiores a 4 anos. “ Art. 1º, Lei 12.850/2003: Esta Lei define organização criminosa e dispõe sobre a investigação criminal, os meios de obtenção da prova, infrações penais correlatas e o procedimento criminal a ser aplicado. § 1º Considera-se organização criminosa a associação de 4 (quatro) ou mais pessoas estruturalmente ordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, ainda que informalmente, com objetivo de obter, direta ou indiretamente, vantagem de qualquer natureza, mediante a prática de infrações penais cujas penas máximas sejam superiores a 4 (quatro) anos, ou que sejam de caráter transnacional. (...)” D I S C I P L I N A PROCESSO PENAL Q63 – Q68 · 6 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 77 de 96 C C O RRE T A Segundo o art. 10, caput e §1º, da lei 12.850/2003, a infiltração de agentes exige prévia autorização judicial, assim como oitiva do Ministério Público em caso de representação da autoridade policial. Art. 10, Lei 12.850/2013: “A infiltração de agentes de polícia em tarefas de investigação, representada pelo delegado de polícia ou requerida pelo Ministério Público, após manifestação técnica do delegado de polícia quando solicitada no curso de inquérito policial, será precedida de circunstanciada, motivada e sigilosa autorização judicial, que estabelecerá seus limites. […]” D I NC O RRE T A O sigilo da investigação poderá ser decretado pela autoridade judicial competente e o amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exercício do direito de defesa dependem de prévia autorização judicial. “ Art. 23, Lei 12.850/2003: O sigilo da investigação poderá ser decretado pela autoridade judicial competente, para garantia da celeridade e da eficácia das diligências investigatórias, assegurando-se ao defensor, no interesse do representado, amplo acesso aos elementos de prova que digam respeito ao exercício do direito de defesa, devidamente precedido de autorização judicial, ressalvados os referentes às diligências em andamento. Parágrafo único. Determinado o depoimento do investigado, seu defensor terá assegurada a prévia vista dos autos, ainda que classificados como sigilosos, no prazo mínimo de 3 (três) dias que antecedem ao ato, podendo ser ampliado, a critério da autoridade responsável pela investigação.” DICA! aSSociação para o tráfico = 2 ou mais pessoas aSSociação criminoSa = 3 ou mais pessoas org4niz4ç4o criminos4 = 4 ou mais pessoas QUESTÃO 64 L E I M A R I A D A P E N H A ( 1 1 . 3 4 0 / 2 0 0 6 ) Noeli compareceu à delegacia de polícia para registrar boletim de ocorrência contra seu companheiro Erson pelo crime de ameaça. Ao chegar em casa, Noeli ouve pedido de desculpas de seu companheiro e apelos para que desistisse da representação. Considerando o disposto na legislação aplicável, quanto à possibilidade de retratação da representação apresentada, Noeli: A Poderá retratar-se perante a autoridade policial até o oferecimento da denúncia. B Poderá retratar-se perante o juiz, em audiência especial, até o recebimento da denúncia. C Poderá retratar-se perante o juiz ou autoridade policial, até a sentença. D Não poderá se retratar após o oferecimento da denúncia, ainda que na presença do juiz e acompanhada de advogado. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A A retratação não ocorre perante a autoridade policial no caso de crimes praticados contra a mulher no âmbito da violência doméstica, mas sim perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 78 de 96 B C O RRE T A Segundo o art. 16 da Lei 11.340/2006, “Nas ações penais públicas condicionadas à representação da ofendida de que trata esta Lei, só será admitida a renúncia à representação perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade, antes do recebimento da denúncia e ouvido o Ministério Público." C I NC O RRE T A A retratação não ocorre perante a autoridade policial no caso de crimes praticados contra a mulher no âmbito da violência doméstica, mas sim perante o juiz, em audiência especialmente designada com tal finalidade e antes do recebimento da denúncia. D I NC O RRE T A A retratação poderá ser feita antes do RECEBIMENTO da denúncia. INFORMATIVO 656 STJ → Se a mulher vítima de crime de ação pública condicionada comparece ao cartório da vara e manifesta interesse em se retratar da representação, ainda assim o juiz deverá designar audiência para que ela confirme essa intenção e seja ouvido o MP, nos termos do art. 16. A Lei Maria da Penha autoriza, em seu art. 16, que, se o crime for de ação pública condicionada (ex: ameaça), a vítima possa se retratar da representação que havia oferecido, desde que faça isso em audiência especialmente designada, ouvido o MP e seja realizada antes do RECEBIMENTO DA DENÚNCIA. Para não esquecer: MaRRRRRRia da Penha = RRRRReecebimento da denúncia. COOOOOOdigo de PROOOOOcesso Penal = OOOOferecimento da denuncia. QUESTÃO 65 M E D I D A S A S S E C U R A T Ó R I A S Em 28/11/2020, foi aberto inquérito policial para investigar a prática do crime de comércio ilegal de armas por parte de Flávio. No curso da investigação, foram obtidos indícios veementes de que Flávio adquiriu um imóvel com o dinheiro proveniente do crime, posteriormente alienado a seu sogro. Sendo esse o único bem que constava em nome do investigado antes da alienação, assinale a opção correta quanto ao sequestro do bem. A O sequestro do bem poderá ser requerido pela autoridade policial ao juiz, mesmo antes do oferecimento da denúncia. B O sequestro do bem não poderá ser requerido pela autoridade policial ao juiz, pois o bem já se encontra em nome de terceiro. C O sequestro do bem poderá ser requerido pela autoridade policial ao juiz, sem a possibilidade de oposição de embargos de terceiro. D Não poderá ser requerido pela autoridade policial ao juiz, dado não haver condenação a demonstrar a prova efetiva da proveniênciailícita do bem. GABARITO Letra A A C O RRE T A O juiz poderá ordenar o sequestro em qualquer fase do processo ou antes de oferecida a denúncia ou queixa, por determinação do Juiz (de ofício) ou mediante requerimento do Ministério Público, do ofendido ou de representação da autoridade policial (art. 127, CPP). “ Art. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 79 de 96 127, CPP: O juiz, de ofício, a requerimento do Ministério Público ou do ofendido, ou mediante representação da autoridade policial, poderá ordenar o sequestro, em qualquer fase do processo ou ainda antes de oferecida a denúncia ou queixa.” B I NC O RRE T A O juiz poderá ordenar o sequestro em qualquer fase do processo ou antes de oferecida a denúncia ou queixa, por determinação do Juiz (de ofício) ou mediante requerimento do Ministério Público, do ofendido ou de representação da autoridade policial (art. 127, CPP). Além disso, cabe o sequestro de bens imóveis ainda que já tenham sido transferidos a terceiros (art. 125, CPP). Art. 125, CPP: “Caberá o sequestro dos bens imóveis, adquiridos pelo indiciado com os proventos da infração, ainda que já tenham sido transferidos a terceiro.” Art. 126, CPP: “Para a decretação do sequestro, bastará a existência de indícios veementes da proveniência ilícita dos bens.” C I NC O RRE T A É admitido embargos de terceiro, nos termos do art. 129 do CPP. “ Art. 129, CPP: O sequestro autuar-se-á em apartado e admitirá embargos de terceiro." D I NC O RRE T A O juiz poderá ordenar o sequestro em qualquer fase do processo ou antes de oferecida a denúncia ou queixa, por determinação do Juiz (de ofício) ou mediante requerimento do Ministério Público, do ofendido ou de representação da autoridade policial (art. 127, CPP). QUESTÃO 66 D A S P R O V A S Após a expedição de mandado de busca e apreensão em determinado endereço, policiais compareceram à residência de Antônio para apreender documentos referentes à investigação da prática do crime de lavagem de dinheiro. Os policiais nada encontraram na diligência, mas acharam uma conta de luz de outro endereço em nome do investigado. Os policiais, então, dirigiram-se, imediatamente, ao novo endereço e, após tocarem a campainha e não serem atendidos, arrombaram a porta do apartamento, na presença de um vizinho. No local, foram encontrados diversos documentos que demonstravam a prática do crime objeto da investigação. Considerando a legislação vigente, acerca da prova obtida, assinale a opção correta. A A prova obtida será válida, por se tratar de encontro fortuito de provas. B A prova obtida será válida, pois obtida em outro domicílio que, comprovadamente, também seria do investigado contra o qual deferida a medida original. C A prova obtida será nula, pois fora realizada em local distinto daquele constante do mandado de busca e apreensão. D A prova obtida será nula, pois, diante da ausência do morador, era indispensável para a validade a presença de duas testemunhas para o arrombamento do local. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 80 de 96 GABARITO Letra C A I NC O RRE T A Segundo a doutrina de Renato Brasileiro “Fala-se em encontro fortuito de provas, portanto, quando a prova de determinada infração penal (crime achado) é obtida a partir de diligência regularmente autorizada para a investigação de outro crime. Nesses casos, a validade da prova inesperadamente obtida está condicionada à forma como foi realizada a diligência: se houve desvio de finalidade, a prova não deve ser considerada válida; se não houve desvio de finalidade, a prova é válida". (LIMA, Renato Brasileiro de. Manual de processo penal: volume único – 8. ed. rev., ampl. e atual. – Salvador: Ed. JusPodivm, 2020, p. 837). Logo, nota-se que a entrada no domicílio foi ilícita, pois ausente autorização judicial para busca e apreensão naquele endereço específico. Houve, portanto, violação de domicílio, pois o mandado se limitava apenas ao endereço anteriormente diligenciado, razão pela qual constata-se desvio de finalidade e a consequente nulidade da prova. B I NC O RRE T A A prova foi realmente nula, pois fora realizada em local distinto daquele constante do mandado de busca e apreensão. Assim, a diligência em endereço diverso exige nova autorização judicial, o que não ocorreu no caso, razão pela qual há nulidade. C C O RRE T A A prova foi realmente nula, pois fora realizada em local distinto daquele constante do mandado de busca e apreensão. Dessa forma, a eficácia do mandado de busca e apreensão se restringe ao endereço para o qual foi expedido. Assim, a diligência em endereço diverso exige nova autorização judicial, o que não ocorreu no caso, razão pela qual há nulidade. Conforme entendimento do STF, citado pela doutrina, “Mandados de busca domiciliar não podem se revestir de conteúdo genérico, tampouco podem se mostrar omissos quanto à indicação, o mais precisamente possível, do local objeto dessa medida extraordinária, tal qual dispõe o art. 243 do CPP. Por isso, em caso concreto envolvendo o cumprimento de mandado de busca que teria como alvo o endereço profissional de investigado localizado no 28º andar de determinado edifício, a 2ª Turma do Supremo concluiu ser ilegal a apreensão de equipamentos de informática no endereço de instituição financeira localizada no 3º andar do mesmo edifício, porquanto não havia mandado judicial para este endereço. Por consequência, por se tratar de apreensão realizada no domicílio de alguém sem autorização judicial fundamentada, revelar-se-ia ilegítima, e o material, eventualmente apreendido, configuraria prova ilicitamente obtida.” D I NC O RRE T A A nulidade ocorreu em face da realização em local distinto daquele constante do mandado de busca e apreensão e não por ausência de duas testemunhas para o arrombamento do local. QUESTÃO 67 C O M P E T Ê N C I A Lucas foi preso em flagrante na cidade de Parnamirim após intensa perseguição policial. De acordo com o que consta do procedimento, Lucas praticou um crime de extorsão qualificada (pena: reclusão, de 6 a 12 anos, e multa) em Natal. Posteriormente, utilizando-se dos mesmos instrumentos do crime, enquanto fugia dos agentes da lei em perseguição, realizou mais dois crimes de furto simples (pena: reclusão de 1 a 4 anos e multa) e um de dano qualificado (pena: detenção de 6 Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 81 de 96 meses a 3 anos e multa) em Parnamirim, onde veio a ser preso. Considerando apenas a situação narrada, será competente para julgamento o juízo criminal de: A Natal, em relação a todos os crimes, em razão da conexão e pelo fato de a pena de extorsão ser mais alta. B Parnamirim, em relação a todos os delitos, pois, diante da conexão, prevalece o local da prisão em flagrante. C Natal, em relação ao crime de roubo, e Parnamirim, em relação aos demais delitos, pois não há conexão na situação narrada; D Parnamirim, em relação a todos os delitos, pois, diante da conexão, prevalece o local da prática do maior número de infrações penais. GABARITO Letra A A C O RRE T A Trata-se de concurso de jurisdições de mesma categoria, de modo que é necessário observar a seguinte ordem (art. 78, II, CPP): 1. Prevalece o local onde foi praticada a infração com pena mais grave; 2. Se forem de igual gravidade, prevalece o local onde foi praticado o maior número de infrações; 3. Nos demais casos, firma-se a competência pela prevenção. No caso em apreço, há conexão, nos termos do no art. 76, III do CPP, pois os instrumentos do primeiro crime foram utilizados na prática dos crimes subsequentes. Assim, como o crime mais grave foi praticado em Natal (extorsão – pena: 6 a 12 anos e multa), a competência deste juízo atrai os demais processos (art. 78, II, “a" do CPP). Art. 76, CPP: “A competência será determinada pela conexão: I - se, ocorrendo duas ou maisinfrações, houverem sido praticadas, ao mesmo tempo, por várias pessoas reunidas, ou por várias pessoas em concurso, embora diverso o tempo e o lugar, ou por várias pessoas, umas contra as outras; II - se, no mesmo caso, houverem sido umas praticadas para facilitar ou ocultar as outras, ou para conseguir impunidade ou vantagem em relação a qualquer delas; III - quando a prova de uma infração ou de qualquer de suas circunstâncias elementares influir na prova de outra infração.” Art. 78, II, CP: “(...) no concurso de jurisdições da mesma categoria: a) preponderará a do lugar da infração, à qual for cominada a pena mais grave; (...)” B I NC O RRE T A Prevalece o local onde foi praticada a infração com pena mais grave (art. 78, II, “a" do CPP), ou seja, Natal. C I NC O RRE T A No caso em apreço, há conexão, nos termos do no art. 76, III do CPP, pois os instrumentos do primeiro crime foram utilizados na prática dos crimes subsequentes. Assim, como o crime mais grave foi praticado em Natal (extorsão – pena: 6 a 12 anos e multa), a competência deste juízo atrai os demais processos (art. 78, II, “a" do CPP). D I NC O RRE T A Prevalece o local onde foi praticada a infração com pena mais grave (art. 78, II, “a" do CPP), ou seja, Natal. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 82 de 96 QUESTÃO 68 P R I S Õ E S Policiais militares obtiveram a informação de que uma oficina mecânica agiria como desmanche de carros roubados e que, naquela noite, receberia um determinado veículo que fora roubado no dia anterior. Com essa informação, os policiais se dirigiram até o local de funcionamento da oficina e aguardaram a chegada do referido veículo. Depois que o carro entrou na oficina, os policiais invadiram o local e prenderam, em flagrante, os donos da oficina pelo crime de receptação qualificada. A situação apresentada trata da hipótese de: A Flagrante preparado, sendo legal. B Flagrante forjado, sendo ilegal. C Flagrante esperado, sendo legal. D Flagrante esperado, sendo ilegal. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A A questão traz a hipótese de flagrante esperado, o qual é legal, e não de flagrante preparado. No flagrante esperado, a autoridade policial toma conhecimento ANTES de que será praticada uma infração penal, então se desloca para o local onde o crime acontecerá. No flagrante preparado, a autoridade instiga o infrator a cometer o crime, criando a situação para que ele cometa o delito e seja preso em flagrante. B I NC O RRE T A Não se trata de flagrante forjado, mas sim de flagrante esperado, pois a autoridade policial toma conhecimento de que será praticada uma infração penal, então se desloca para o local onde o crime acontecerá. C C O RRE T A Levando em consideração que a questão narra que os policiais militares obtiveram a informação de que uma oficina mecânica agiria como desmanche de carros roubados e que, naquela noite, receberia um determinado veículo que fora roubado no dia anterior e, assim, se dirigiram até o local de funcionamento da oficina e aguardaram a chegada do referido veículo, nota-se a ocorrência de flagrante esperado, o qual é legal. D I NC O RRE T A Conforme o fundamento da alternativa anterior, o flagrante esperado é legal. Flagrante forjado - O fato é simulado pela autoridade para incriminar, falsamente, alguém. Há uma conduta positiva. Ex: policial coloca droga no bolso da vítima. ILÍCITO. Flagrante preparado (DELITO PUTATIVO POR OBRA DO AGENTE PROVOCADOR) - A autoridade instiga o infrator a cometer o crime, criando a situação para que ele cometa o delito e seja preso em flagrante, crime impossível (Súmula 145 do STF). Flagrante esperado - A autoridade policial toma conhecimento de que será praticada uma infração penal, então se desloca para o local onde o crime acontecerá. Ex: é a campana policial. É válido. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 83 de 96 QUESTÃO 69 S E G U R O D E S E M P R E G O Álvaro trabalhava na empresa Hulk Ração Empreendimentos como auxiliar administrativo. Ele foi contratado em 2020, porém com o objetivo de reduzir gastos na empresa, ele foi demitido em 2023, totalizando mais de 24 meses de trabalho. Sabendo que iria receber o seguro desemprego, procura você para informar quantas parcelas ele terá direito. Diante disso, marque a alternativa correta, sabendo que será a primeira solicitação do trabalhador. A terá direito a 05 parcelas do seguro-desemprego B terá direito a 04 parcelas do seguro-desemprego C terá direito a 03 parcelas do seguro-desemprego D terá direito a 06 parcelas do seguro-desemprego GABARITO Letra A A C O RRE T A Alternativa está em consonância com o art. 4°, I, alínea “b” da Lei 7.998/90: Art. 4o da Lei 7.998/90. O benefício do seguro-desemprego será concedido ao trabalhador desempregado, por período máximo variável de 3 (três) a 5 (cinco) meses, de forma contínua ou alternada, a cada período aquisitivo, contados da data de dispensa que deu origem à última habilitação, cuja duração será definida pelo Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat). I - para a primeira solicitação: b) 5 (cinco) parcelas, se o trabalhador comprovar vínculo empregatício com pessoa jurídica ou pessoa física a ela equiparada de, no mínimo, 24 (vinte e quatro) meses, no período de referência; B I NC O RRE T A Álvaro terá direito a 05 parcelas do seguro-desemprego em razão de ter sido comprovado o vínculo empregatício de mais de 24 meses, conforme art. 4°, I, alínea “b” da Lei 7.998/90. C I NC O RRE T A Álvaro terá direito a 05 parcelas do seguro-desemprego em razão de ter sido comprovado o vínculo empregatício de mais de 24 meses, conforme art. 4°, I, alínea “b” da Lei 7.998/90. D I NC O RRE T A Álvaro terá direito a 05 parcelas do seguro-desemprego em razão de ter sido comprovado o vínculo empregatício de mais de 24 meses, conforme art. 4°, I, alínea “b” da Lei 7.998/90. D I S C I P L I N A DIREITO PREVIDENCIÁRIO Q69 – Q70 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 84 de 96 QUESTÃO 70 P R I N C Í P I O S Jamilly estava estudando os princípios e diretrizes da seguridade social. Diante disso, ficou em dúvida da questão que trazia o seguinte conceito : esse princípio está relacionado a capacidade de “ cada agente chamado ao custeio da Seguridade Social deve participar equitativamente de acordo com sua capacidade de contribuição, isto é, proporcionalmente às suas forças econômicas e/ou ao seu grau de causação de eventos a serem cobertos pela seguridade”. Diante disso, marque a alternativa que faz menção ao princípio conceituado acima. A Princípio da universalidade de cobertura. B Princípio da uniformidade e equivalência dos benefícios. C Princípio da seletividade. D Princípio da equidade na forma de participação no custeio. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A A presente alternativa está incorreta, pois tal princípio significa quais os riscos sociais, toda e qualquer situação de vida que possa levar ao estado de necessidade, devem ser amparados pela Seguridade, não guardando correlação com o conceito trazido pelo enunciado. B I NC O RRE T A A presente alternativa está incorreta, pois o referido princípio tem por finalidade cessar injustiças. Assim sendo, não guarda correlação com o abordado no enunciado. C I NC O RRE T A A presente alternativa está incorreta, pois tal princípio visa atender não ao interesse do contribuinte de direito, mas sim o dos consumidores finais, que, na verdade, suportam a carga econômica, não guardando correlação com o conceito trazido pelo enunciado. D C O RRE T A A presente alternativa está correta, em razão de mencionar o princípio da equidade na forma de participação no custeio seria aquele no qual vai “analisar” a capacidade contributiva de cada pessoa. Quem pode mais, paga mais. Além disso, há previsão no art. 194, V da CF; Art. 194 da CF. A seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e dasociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes objetivos: V - eqüidade na forma de participação no custeio Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 85 de 96 QUESTÃO 71 P R O T E Ç Ã O A O M E N O R A empresa Kyubey S/A objetiva contratar Madoka, uma adolescente de 16 anos, para ser uma garota mágica, celebrando contrato trabalhista nos termos da CLT. De acordo com o que prevê a legislação trabalhista e a jurisprudência, em relação ao trabalho da criança e do adolescente, assinale a afirmativa correta. A Madoka poderá realizar a compensação de jornada, prevista por acordo coletivo e de maneira anual. B Caso Madoka também trabalhe como garota mágica para outro empregador, as horas de trabalho dos contratos de trabalho simultâneos serão somados. C Madoka poderá realizar trabalho insalubre, desde que a insalubridade seja fixada em grau mínimo pela autoridade competente. D Madoka não terá direito ao mesmo salário de Homura, que exerce as mesmas funções, mas é uma empregada adulta, pois é assegurado o direito ao pagamento de salário inferior aos empregados adolescentes. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Madoka não poderá realizar a compensação de jornada mediante acordo individual, consoante o art. 413, I da CLT, que prevê a necessidade de que tal acordo seja feito mediante contrato coletivo. Além disso, pelo entendimento doutrinário, a compensação de jornada para os menores de idade não poderá ser realizada de maneira anual, como no banco de horas, tendo em vista que isso comprometeria o rendimento escolar do adolescente. Art. 413 da CLT - É vedado prorrogar a duração normal diária do trabalho do menor, salvo: I - até mais 2 (duas) horas, independentemente de acréscimo salarial, mediante convenção ou acôrdo coletivo nos termos do Título VI desta Consolidação, desde que o excesso de horas em um dia seja compensado pela diminuição em outro, de modo a ser observado o limite máximo de 48 (quarenta e oito) horas semanais ou outro inferior legalmente fixada; B C O RRE T A De acordo com o art. 414 da CLT, quando o menor de 18 (dezoito) anos for empregado em mais de um estabelecimento, as horas de trabalho em cada um serão totalizadas. Art. 414 da CLT - Quando o menor de 18 (dezoito) anos for empregado em mais de um estabelecimento, as horas de trabalho em cada um serão totalizadas. C I NC O RRE T A O art. 7º, XXXIII da CF/88 proíbe o trabalho insalubre a menores de dezoito anos. D I S C I P L I N A DIREITO DO TRABALHO Q71 – Q75 · 5 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 86 de 96 Art. 7º da CF São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXXIII - proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos; D I NC O RRE T A Em relação à remuneração, o art. 7º, XXX da CF/88 proíbe que os menores de 18 anos tenham salários diferentes no exercício de funções idênticas se comparados com o salário de um empregado adulto. Art. 7º da CF São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XXX - proibição de diferença de salários, de exercício de funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade, cor ou estado civil. QUESTÃO 72 J O R N A D A D E T R A B A L H O Com o intuito de regularizar a jornada de trabalho de seus funcionários e evitar ajuizamento de reclamações trabalhistas, a empresa Ouran Host Club irá adotar um controle de jornada e registro de ponto mais rigoroso a partir do próximo mês. Considerando o caso narrado, segundo os ditames da legislação trabalhista e da jurisprudência, assinale a afirmativa correta. A A CLT prevê, expressamente, a possibilidade de adoção do sistema de controle de jornada por exceção, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. B O registro de ponto nas empresas com mais de 20 funcionários é obrigatório, devendo ser feito de maneira eletrônica. C O cartão britânico poderá ser adotado pelos funcionários da empresa, sem quaisquer prejuízos para o empregador, desde que seja realizado de maneira eletrônica. D As pequenas e microempresas estão dispensadas de manter o controle de jornada caso possua mais de 20 funcionários. GABARITO Letra A A C O RRE T A O art. 74, §4º da CLT ensina que fica permitida a utilização de registro de ponto por exceção à jornada regular de trabalho, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. Art. 74 da CLT. O horário de trabalho será anotado em registro de empregados. § 4º Fica permitida a utilização de registro de ponto por exceção à jornada regular de trabalho, mediante acordo individual escrito, convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. B I NC O RRE T A O controle de ponto pode ser manual, mecânico ou eletrônico, conforme art. 74, §2° da CLT. Art. 74 da CLT. O horário de trabalho será anotado em registro de empregados. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 87 de 96 § 2º Para os estabelecimentos com mais de 20 (vinte) trabalhadores será obrigatória a anotação da hora de entrada e de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções expedidas pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, permitida a pré- assinalação do período de repouso. C I NC O RRE T A Quanto ao cartão britânico, a Súmula nº 338, item III do TST prevê que os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, que passa a ser do empregador. Súmula nº 338, III do TST. Os cartões de ponto que demonstram horários de entrada e saída uniformes são inválidos como meio de prova, invertendo-se o ônus da prova, relativo às horas extras, que passa a ser do empregador, prevalecendo a jornada da inicial se dele não se desincumbir. D I NC O RRE T A A obrigatoriedade se estende às empresas com mais de 20 funcionários, conforme art. 74, §2° da CLT. Art. 74 da CLT. O horário de trabalho será anotado em registro de empregados. § 2º Para os estabelecimentos com mais de 20 (vinte) trabalhadores será obrigatória a anotação da hora de entrada e de saída, em registro manual, mecânico ou eletrônico, conforme instruções expedidas pela Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, permitida a pré- assinalação do período de repouso. QUESTÃO 73 R E M U N E R A Ç Ã O E S A L Á R I O - D É C I M O T E R C E I R O A empresa Totoro Ltda. está passando por uma crise financeira e busca adaptar o pagamento do décimo terceiro salário de seus funcionários. Diante disso, consoante à legislação vigente, assinale a alternativa que contém uma prática que poderá ser adotada pela empresa. A A empresa poderá deixar de pagar o adiantamento do décimo terceiro entre os meses de fevereiro e novembro, haja vista ser parcela facultativa. B Se a empresa dispensar seus funcionários mediante o distrato, não haverá a necessidade de pagamento do décimo terceiro salário proporcional. C Em relação ao adiantamento do décimo terceiro salário entre os meses de fevereiro e novembro, não há a necessidade de pagamento de todos os empregados da empresa no mesmo mês. D A supressão do valor nominal do décimo terceiro salário poderá ser objeto de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A De acordo com o art. 78, §2° da Lei 10.854/2021, o empregador não estará obrigado a pagar o adiantamento no mesmo mês a todos os seus empregados. Todavia, de acordo com o caput do artigo mencionado, tal adiantamento é obrigatório. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 88 de 96Art. 78 da Lei 10.854/2021. O empregador pagará, entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano, como adiantamento da gratificação de Natal, em parcela única, metade do salário recebido pelo empregado no mês anterior ao do pagamento. B I NC O RRE T A O art. 484-A da CLT versa acerca do distrato, prevendo que o décimo salário proporcional é verba rescisória que deverá ser paga pela empresa. C C O RRE T A De acordo com o art. 78, §2° da Lei 10.854/2021 o empregador não estará obrigado a pagar o adiantamento no mesmo mês a todos os seus empregados. Art. 78 da Lei 10.854/2021. O empregador pagará, entre os meses de fevereiro e novembro de cada ano, como adiantamento da gratificação de Natal, em parcela única, metade do salário recebido pelo empregado no mês anterior ao do pagamento. § 2º O empregador não fica obrigado a pagar o adiantamento da gratificação de Natal a todos os seus empregados no mesmo mês. D I NC O RRE T A À luz do art. 611-B, V da CLT, a supressão do valor nominal do décimo terceiro salário não poderá ser objeto de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho. Art. 611-B da CLT. Constituem objeto ilícito de convenção coletiva ou de acordo coletivo de trabalho, exclusivamente, a supressão ou a redução dos seguintes direitos: V - valor nominal do décimo terceiro salário QUESTÃO 74 P L A N O D E D E M I S S Ã O V O L U N T Á R I A Mitsuha é funcionária de uma empresa que, no último mês, decidiu reduzir os quadros de funcionários e colocar fim a alguns contratos de trabalho. Diante disso, foi apresentada à Mitsuha a proposta de aderir ao Plano de Demissão Voluntária (PDV) da empresa, concedendo uma vantagem pecuniária à funcionária caso essa decidisse se desligar do trabalho voluntariamente. Nessa ocasião, Mitsuha procura você, como advogado(a), para lhe prestar mais informações acerca do PDV. Diante disso, assinale a alternativa que apresenta a informação correta acerca desse programa, nos termos da CLT e da jurisprudência. A O PDV, previsto em contrato coletivo de trabalho, possui eficácia liberatória, ensejando a quitação plena e irrevogável dos direitos decorrentes da relação empregatícia, salvo disposição em contrário. B O PDV só poderá ser adotado pelas empresas que possuírem mais de 5.000 (cinco mil) empregados. C O entendimento do Tribunal Superior do Trabalho é no sentido que o pedido de danos morais não está vinculado ao PDV. D No que tange ao efeito liberatório do PDV, esse atingirá também as parcelas que não forem discriminadas na transação extrajudicial. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 89 de 96 GABARITO Letra A A C O RRE T A Alternativa em consonância com o art.477-B da CLT. Art. 477-B da CLT. Plano de Demissão Voluntária ou Incentivada, para dispensa individual, plúrima ou coletiva, previsto em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho, enseja quitação plena e irrevogável dos direitos decorrentes da relação empregatícia, salvo disposição em contrário estipulada entre as partes. B I NC O RRE T A Após a Reforma Trabalhista, ficou estabelecido, à luz do art. 477-B da CLT, que o PDV previsto em convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho enseja quitação plena e irrevogável dos direitos decorrentes da relação empregatícia. C I NC O RRE T A O entendimento do TST é de que o pedido de danos morais está vinculado ao extinto contrato de trabalho, portanto sujeita-se à ampla quitação decorrente da adesão ao PDV. D I NC O RRE T A A OJ nº 270 da SDI-I do TST prevê que a transação extrajudicial que importa na rescisão do contrato ante a adesão ao PDV implica quitação exclusivamente das parcelas e valores constantes do recibo. Orientação Jurisprudencial 270/TST-SDI-I - 27/09/2002 - Programa de Demissão Voluntária - PDV. Transação extrajudicial. Quitação. Parcelas oriundas do extinto contrato de trabalho. Efeitos. A transação extrajudicial que importa a rescisão do contrato de trabalho ante a adesão do empregado a plano de demissão voluntária implica quitação exclusivamente das parcelas e valores constantes do recibo. QUESTÃO 75 D I R E I T O D E G R E V E Os funcionários da fábrica Cartas Clow decidiram entrar em greve para reivindicar aumento de salário. À luz da legislação trabalhista e da Lei 7.783/89, assinale a alternativa que contém uma das obrigações dos funcionários para evitar que a greve se torne abusiva. A Os funcionários deverão realizar a comunicação prévia da greve ao empregador, com 24 horas de antecedência. B Havendo celebração de contrato coletivo, realizando o aumento do salário, poderão os funcionários manter a greve caso não se sintam satisfeitos com os valores acordados. C Ao tomar conhecimento da greve, o empregador poderá promover o lockout — paralisação das atividades, por sua iniciativa — para frustrar as reivindicações de seus empregados. D Os funcionários somente deverão instaurar a greve após a tentativa prévia de negociação com a fábrica. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 90 de 96 GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Acerca da comunicação prévia ao empregador, essa deverá ocorrer com 48 até horas de antecedência (art. 3º, parágrafo único da Lei 7.783/89) e, caso se tratasse de um serviço essencial, a antecedência deverá ser de 72 horas (art. 13 da Lei 7.783/89). Art. 3º da Lei 7.783/89 Frustrada a negociação ou verificada a impossibilidade de recursos via arbitral, é facultada a cessação coletiva do trabalho. Parágrafo único. A entidade patronal correspondente ou os empregadores diretamente interessados serão notificados, com antecedência mínima de 48 (quarenta e oito) horas, da paralisação. Art. 13 da Lei 7.783/89 Na greve, em serviços ou atividades essenciais, ficam as entidades sindicais ou os trabalhadores, conforme o caso, obrigados a comunicar a decisão aos empregadores e aos usuários com antecedência mínima de 72 (setenta e duas) horas da paralisação. B I NC O RRE T A Não poderão manter a greve, se for celebrado acordo, conforme art. 14 da Lei 7.783/89. Art. 14 da Lei 7.783/89 Constitui abuso do direito de greve a inobservância das normas contidas na presente Lei, bem como a manutenção da paralisação após a celebração de acordo, convenção ou decisão da Justiça do Trabalho. C I NC O RRE T A O Lockout é vedado pelo artigo 17 da Lei de Greve. Art. 17 da Lei 7.783/89. Fica vedada a paralisação das atividades, por iniciativa do empregador, com o objetivo de frustrar negociação ou dificultar o atendimento de reivindicações dos respectivos empregados (lockout). Parágrafo único. A prática referida no caput assegura aos trabalhadores o direito à percepção dos salários durante o período de paralisação. D C O RRE T A Em consonância com a OJ nº 11 da SDC/TST que prevê que a greve será considerada abusiva caso as partes não tenham realizado a tentativa prévia de negociação para pôr fim ao conflito, ou seja, deverá ser a última ratio. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 91 de 96 QUESTÃO 76 H O N O R Á R I O S P E R I C I A I S Ana Paula ajuizou uma ação trabalhista em face da empregadora “Aqui tem tudo LTDA”, sob alegação de que teria direito a receber o adicional de insalubridade. Dessa forma, a reclamada, em contestação, requereu a produção de prova pericial. Após a perícia, restou constatado que a reclamante não tinha direito de receber o adicional de insalubridade. Acerca do caso narrado e em relação aos honorários periciais, quem deve arcar com o pagamento? A A parte que requereu a prova pericial, no caso, a reclamada. B A parte que foi sucumbente na pretensão objeto da perícia, no caso, a reclamante, ainda que beneficiária da justiça gratuita. C Ambas as partes, uma vez que é interesse das duas partes terem o resultado da perícia. D A parte que foi sucumbente na pretensão objeto da perícia, no caso, a reclamante, desde que não seja beneficiária da justiça gratuita. GABARITO Letra D A INC O RRE T A Conforme o art. 790-B da CLT a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia. Art. 790-B da CLT. A responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia, ~~ainda que beneficiária da justiça gratuita~~ (Declarada inconstitucional pela ADIN 5766). B I NC O RRE T A Embora a primeira parte esteja correta, quando a alternativa traz “ainda que beneficiária da justiça gratuita”, precisamos lembrar da ADIN 5766 que declarou a inconstitucionalidade do caput e § 4º do art. 790-B da CLT, tendo em vista a violação ao art. 5º, LXXIV, da CF, que garante o acesso à justiça. C I NC O RRE T A Conforme o art. 790-B da CLT a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente na pretensão objeto da perícia. D C O RRE T A Alternativa em consonância com o art. 790-B da CLT e ADIN 5766. A ADIN 5766 julgou inconstitucional a expressão “ainda que beneficiária da justiça gratuita”. D I S C I P L I N A PROCESSO DO TRABALHO Q76 – Q80 · 5 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 92 de 96 Logo, só pagará os honorários periciais à parte que perder e se ela não for beneficiária da justiça gratuita. Caso contrário, a União pagará! QUESTÃO 77 E X E C U Ç Ã O A respeito da execução no processo do trabalho e liquidação de sentença, assinale a alternativa correta. A A execução será promovida pelas partes, sendo vedada a execução de ofício. B A liquidação não abrangerá o cálculo das contribuições previdenciárias. C Elaborada a conta e tornada líquida, o juiz homologará a decisão. D Elaborada a conta e tornada líquida, o juízo deverá abrir às partes prazo comum de oito dias para impugnação. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Pois é permitido a execução de ofício pelo juiz quando a parte não estiver representada por advogado, conforme o art. 878 da CLT. Art. 878 da CLT. A execução será promovida pelas partes, permitida a execução de ofício pelo juiz ou pelo Presidente do Tribunal apenas nos casos em que as partes não estiverem representadas por advogado. B I NC O RRE T A Pois a liquidação abrangerá o cálculo das contribuições previdenciárias, conforme o art. 879, § 1º- A, da CLT Art. 879, § 1º-A, da CLT. A liquidação abrangerá, também, o cálculo das contribuições previdenciárias devidas. C I NC O RRE T A Pois antes de homologar a decisão, o juízo deverá abrir às partes prazo comum de oito dias, conforme art. 879, § 2º, da CLT Art. 879, § 2º, da CLT. Elaborada a conta e tornada líquida, o juízo deverá abrir às partes prazo comum de oito dias para impugnação fundamentada com a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de preclusão”. D C O RRE T A Alternativa em consonância com o art. 879, § 2º, da CLT Art. 879, § 2º, da CLT. Elaborada a conta e tornada líquida, o juízo deverá abrir às partes prazo comum de oito dias para impugnação fundamentada com a indicação dos itens e valores objeto da discordância, sob pena de preclusão”. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 93 de 96 QUESTÃO 78 A Ç Ã O R E S C I S Ó R I A Em relação à ação rescisória no processo do trabalho, marque a alternativa correta, considerando o entendimento do TST. A Não é cabível pedido de tutela provisória formulado na petição inicial de ação rescisória a fim de suspender a execução da decisão rescindenda. B A revelia não produz confissão na ação rescisória. C O prazo de decadência, na ação rescisória, conta-se após 02 dias do trânsito em julgado da última decisão proferida na causa, seja a decisão de mérito ou não. D O pedido de antecipação de tutela, formulado nas mesmas condições, não será recebido como medida acautelatória em ação rescisória, por não se admitir tutela antecipada em sede de ação rescisória. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Conforme súmula 405 do TST é cabível o pedido de tutela. SÚMULA Nº 405 - AÇÃO RESCISÓRIA. LIMINAR. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA I - Em face do que dispõe a MP 1.984-22/2000 e reedições e o artigo 273, § 7º, do CPC, é cabível o pedido liminar formulado na petição inicial de ação rescisória ou na fase recursal, visando a suspender a execução da decisão rescindenda. B C O RRE T A Alternativa em consonância com a súmula 398 do TST . Súmula 398 do TST. Na ação rescisória, o que se ataca é a decisão, ato oficial do Estado, acobertado pelo manto da coisa julgada. Assim, e considerando que a coisa julgada envolve questão de ordem pública, a revelia não produz confissão na ação rescisória. C I NC O RRE T A Conforme súmula 100, I, do TST, o prazo conta-se do dia imediatamente subsequente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa, seja de mérito ou não. Súmula 100, I, do TST. O prazo de decadência, na ação rescisória, conta-se do dia imediatamente subsequente ao trânsito em julgado da última decisão proferida na causa, seja de mérito ou não. D I NC O RRE T A Conforme súmula 405, II, do TST, o pedido de antecipação de tutela, formulado nas mesmas condições, será recebido como medida acautelatória em ação rescisória. SÚMULA Nº 405 - AÇÃO RESCISÓRIA. LIMINAR. ANTECIPAÇÃO DE TUTELA II - O pedido de antecipação de tutela, formulado nas mesmas condições, será recebido como medida acautelatória em ação rescisória, por não se admitir tutela antecipada em sede de ação rescisória. QUESTÃO 79 R E C U R S O S É por meio de recurso que a parte inconformada com uma decisão judicial poderá buscar sua anulação ou sua reforma, parcial ou total. Para cada decisão judicial que paire inconformismo Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 94 de 96 fundamentado, há um recurso adequado para atacá-la. “É dizer, existe um recurso adequado e próprio para atacar o ato judicial passível de impugnação recursal” (LEITE, 2021, p. 419). Entre as alternativas abaixo, assinale aquela cujo remédio a ser adotado na justiça trabalhista não é condizente com a decisão que se quer atacar. A Recurso ordinário: impugnar as decisões definitivas ou terminativas desfavoráveis no âmbito da processualística laboral. B Agravo de instrumento: impugnar as decisões interlocutórias no andamento do processo laboral. C Recurso de revista: serve impugnar acórdão que contrariou súmula de jurisprudência uniforme do TST. D Agravo de petição: impugnar sentença que acolhe ou rejeita os embargos do devedor ou a impugnação do credor. GABARITO Letra B E X P L I C A Ç Ã O A questão pede para assinalar a alternativa incorreta! A I NC O RRE T A O Recurso Ordinário é utilizado para impugnar as decisões definitivas ou terminativas desfavoráveis no âmbito da processualística laboral, conforme art. 895 da CLT. Art. 895 da CLT - Cabe recurso ordinário para a instância superior: I - das decisões definitivas ou terminativas das Varas e Juízos, no prazo de 8 (oito) dias; e (Incluído pela Lei nº 11.925, de 2009). II - das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência originária, no prazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos B C O RRE T A O Agravo de Instrumento no processo do trabalho não funciona para impugnar as decisões interlocutórias no andamento do processo laboral, mas para destrancar recursos. PARA NÃO ESQUECER Agravo de instruMENTO -> Nega seguiMENTO C I NC O RRE T A Pois o Recurso de Revista pode ser utilizado para impugnar acórdão que contrariou súmula de jurisprudência uniforme do TST, conforme art. 896, alínea 'a', da CLT. Art. 896 da CLT - Cabe Recurso de Revista para Turma do Tribunal Superior do Trabalho das decisões proferidas em grau de recurso ordinário, em dissídio individual, pelos Tribunais Regionais do Trabalho, quando: a) derem ao mesmo dispositivo de lei federal interpretação diversa da que lhe houver dado outro Tribunal Regional do Trabalho, no seu Pleno ou Turma, ou a Seção de Dissídios Individuais do Tribunal Superior do Trabalho,ou contrariarem súmula de jurisprudência uniforme dessa Corte ou súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal; Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 95 de 96 D I NC O RRE T A Pois o agravo de petição é utilizado para impugnar sentença que acolhe ou rejeita os embargos do devedor ou a impugnação do credor, conforme art. 894, §4º, da CLT. Art. 894, §4º, da CLT. Da decisão denegatória dos embargos caberá agravo, no prazo de 8 dias. QUESTÃO 80 R E C U R S O S A Vara do Trabalho do estado Y proferiu uma sentença de procedência parcial. Ato contínuo, as partes foram intimadas por diário oficial para ciência da decisão. Após publicada, observou-se que nenhuma das partes recorreu, operando, dessa forma, trânsito em julgado, que fora certificado pela secretaria da Vara. Após um ano, o réu desta reclamação trabalhista ajuizou ação rescisória perante o Tribunal Regional do Trabalho da Região correspondente ao estado Y, tendo o acórdão julgado improcedente o pedido. Sabendo disso, assinale a opção que corresponde ao recurso cabível para o Tribunal Superior do Trabalho. A Recurso de Revista, por ser uma decisão do TRT. B Recurso Extraordinário, pois coisa julgada é matéria constitucional. C Mandado de Segurança, haja vista a ausência de recurso específico. D Recurso ordinário, vez que o TRT julgou matéria de competência originária. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Não cabe recurso de revista, mas sim, recurso ordinário, conforme o artigo 895, inciso II da CLT. Art. 895, II da CLT. Cabe recurso ordinário para a instância superior das decisões definitivas ou terminativas dos Tribunais Regionais, em processos de sua competência originária, no prazo de 8 (oito) dias, quer nos dissídios individuais, quer nos dissídios coletivos. B I NC O RRE T A Não cabe recurso extraordinário, mas sim, recurso ordinário, conforme o artigo 895, inciso II da CLT. C I NC O RRE T A Não cabe mandado de segurança para o TRT, tendo em vista que há previsão no artigo 895, inciso II da CLT para a interposição do RO. D C O RRE T A Alternativa em consonância com o artigo 895, inciso II da CLT. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 96 de 96 VDE I Gabarito Oficial ÉTICA PROFISSIONAL FILOSOFIA CONSTITUCIONAL DIREITOS HUMANOS DIREITO ELEITORAL DIREITO INTERNACIONAL DIREITO FINANCEIRO DIREITO TRIBUTÁRIO DIREITO ADMINISTRATIVO DIREITO AMBIENTAL DIREITO CIVIL ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DIREITO DO CONSUMIDOR DIREITO EMPRESARIAL PROCESSO CIVIL DIREITO PENAL PROCESSO PENAL DIREITO PREVIDENCIÁRIO DIREITO DO TRABALHO PROCESSO DO TRABALHOcom falsa prova. C I NC O RRE T A A questão pede o item falso e essa assertiva é verdadeira. Vejamos: Art. 76. EAOAB. Cabe recurso ao Conselho Seccional de todas as decisões proferidas por seu Presidente, pelo Tribunal de Ética e Disciplina, ou pela diretoria da Subseção ou da Caixa de Assistência dos Advogados. D C O RRE T A Cabe recurso ao Conselho Federal das decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional, INDEPENDENTE de ter relação ou não com o pagamento de taxas ou sanções disciplinares. Art. 75, EOAB. Cabe recurso ao Conselho Federal de todas as decisões definitivas proferidas pelo Conselho Seccional, quando não tenham sido unânimes ou, sendo unânimes, contrariem esta lei, decisão do Conselho Federal ou de outro Conselho Seccional e, ainda, o regulamento geral, o Código de Ética e Disciplina e os Provimentos. QUESTÃO 07 E L E I Ç Õ E S N A O A B Gi-Hun, coreano-brasileiro, é um advogado bastante engajado na defesa da inserção de grupos sociais menos favorecidos no ambiente da advocacia, de modo que deseja concorrer a um dos cargos do Conselho Seccional de seu estado. Para concorrer a algum dos cargos de diretoria, ele precisará compor uma chapa junto com sua amiga e advogada Sae-Byeok, mas eles não sabem ao certo como deverão completar tal chapa, no que tange o número de homens e mulheres. Sobre tal temática, de acordo com o Provimento 202/2020, é correto afirmar que: A Não existe qualquer regra que dificulte ou limite a inscrição de chapas para concorrer à diretoria no que tange aos sexos, em razão do princípio da isonomia. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 9 de 96 B Só serão admitidas as candidaturas de chapas que possuam o percentual de 50% para cada gênero. C Só poderão ser registradas as chapas que atendam ao mínimo de 30% e máximo de 70% para candidaturas de cada sexo. D Só poderão ser registradas as chapas que atendam ao mínimo de 30% de advogadas, o que não se aplica aos casos em que a chapa é formada por mais de 70% de mulheres. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A A inscrição é limitada ao percentual de 50% (cinquenta por cento) para candidaturas de cada gênero. B C O RRE T A Para obter o registro nas eleições, as chapas deverão atender ao percentual de 50% para candidaturas de cada gênero. “ Art. 7º Para registro de chapa, que deverá atender ao percentual de 50% (cinquenta por cento) para candidaturas de cada gênero, e, ao mínimo, de 30% (trinta por cento) de advogados negros e de advogadas negras, assim considerados os(as) inscritos(as) na Ordem dos Advogados do Brasil que se classificam (autodeclaração) como negros(as), ou seja, pretos(as) ou pardos(as), ou definição análoga (critérios subsidiários de heteroidentificação), entre titulares e entre suplentes, o(a) interessado(a) deverá protocolar requerimento na Comissão Eleitoral, nos termos do art. 131, do Regulamento Geral e seus parágrafos. (Provimento 202, 2020). C I NC O RRE T A A inscrição é limitada ao percentual de 50% (cinquenta por cento) para candidaturas de cada gênero. D I NC O RRE T A A inscrição é limitada ao percentual de 50% (cinquenta por cento) para candidaturas de cada gênero. QUESTÃO 08 E L E I Ç Õ E S N A O A B Bibi, advogado, deseja candidatar-se a um dos cargos do Conselho Seccional do seu estado, no entanto possui dúvidas acerca do processo eleitoral da OAB, bem como acerca dos deveres e proibições relacionados à propaganda eleitoral. Considerando as normas sobre eleições dispostas no Regulamento Geral da OAB, assinale a alternativa correta. A A chapa que fizer propaganda utilizando carros de som perderá o registro em razão da prática de ato de abuso dos meios de comunicação. B Poderá haver o pagamento, por candidato ou chapa, de anuidades de advogados, desde que seja feito antes do período eleitoral. C A propaganda eleitoral, que poderá ter início antes do registro da chapa ser notificada à autoridade competente, tem como finalidade apresentar e debater propostas e ideias relacionadas às finalidades da OAB e aos interesses da advocacia. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 10 de 96 D A propaganda antecipada ou proibida importará em notificação de advertência a ser expedida pela Comissão Eleitoral competente para que, em 12 (doze) horas, seja suspensa, sob pena de aplicação de multa correspondente ao valor de 01 (uma) até 10 (dez) anuidades. GABARITO Letra A A C O RRE T A A chapa que praticar ato de abuso de poder econômico, político e dos meios de comunicação, ou que for diretamente beneficiada por estes atos, dentre eles, a realização de propaganda com emprego de carros de som ou assemelhados, perderá o registro. Art. 133. RGOAB. Perderá o registro a chapa que praticar ato de abuso de poder econômico, político e dos meios de comunicação, ou for diretamente beneficiada, ato esse que se configura por: II - propaganda por meio de outdoors ou com emprego de carros de som ou assemelhados. B I NC O RRE T A Não poderá haver o pagamento, por candidato ou chapa, de anuidades de advogados, antes ou depois do período eleitoral. Art. 133. RGOAB. Perderá o registro a chapa que praticar ato de abuso de poder econômico, político e dos meios de comunicação, ou for diretamente beneficiada, ato esse que se configura por: V- pagamento, por candidato ou chapa, de anuidades de advogados ou fornecimento de quaisquer outros tipos de recursos financeiros ou materiais que possam desvirtuar a liberdade do voto; C I NC O RRE T A A propaganda eleitoral só poderá ter início após o pedido de registro da chapa. Art. 10. A propaganda eleitoral, que só poderá ter início após o pedido de registro da chapa, deve manter conteúdo ético de acordo com o Estatuto e demais normas aplicáveis, tendo como objetivo apresentar e debater ideias relacionadas às finalidades da OAB e aos interesses da advocacia… (Provimento 161/2014). D I NC O RRE T A O prazo para a suspensão é de 24 (vinte e quatro) horas, vejamos:. Art. 10 §1º A propaganda antecipada ou proibida importará em notificação de advertência a ser expedida pela Comissão Eleitoral competente para que, em 24 (vinte e quatro) horas, seja suspensa, sob pena de aplicação de multa correspondente ao valor de 01 (uma) até 10 (dez) anuidades. (Provimento 161/14). Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 11 de 96 QUESTÃO 09 No estudo da ética, frequentemente aparece, de forma associada ou dependente, uma visão sobre a moralidade humana. Embora muito mencionada nos diversos âmbitos sociais, a moralidade é, por vezes, desconhecida em seu conceito clássico ou até mesmo confundida com outros elementos de estudo semelhantes. Nessa senda, é correto afirmar que a moralidade significa: A Um leque de comportamentos que torna as pessoas plenas e autênticas, sendo sinônimo da excelência humana. B Um conjunto de valores que conduzem o comportamento, as decisões e as ações. C Os elementos subjetivos que orientam a tomada de decisões de cada indivíduo, conforme o que acredita ser o certo. D O grupo de condutas que tem como finalidade a preocupação com os interesses do outro de forma espontânea e positiva. GABARITO Letra B E X P L I C A Ç Ã O A palavra “moral” vem do latim mos ou moris – e significa costumes. Nós vivemos em uma sociedade que tem normas estabelecidas do que é certo e do que é errado. Em um sentido mais simples, a noção de moralidade pode estar associada às noções de justiça, ação e dever. A moralidade não se relaciona àquilo que cada um quer para si e sim às formas de agir com o outro. Assim sendo, a moralidade é o grupo de ações que são esperadas de uma pessoa para com as demais. QUESTÃO 10 “Temos que ver com clareza que qualquer ação eticamente orientada pode ajustar-se a duas máximas, fundamentalmente diferentes entre si e irremediavelmente opostas: pode orientar-se de acordo com a ‘ética da convicção’ ou de acordo com a ‘ética da responsabilidade’. Isso não quer dizer quea ética da convicção é idêntica à falta de responsabilidade ou que a ética da responsabilidade é idêntica à falta de convicção.” (Max Weber). Tendo por parâmetro essa distinção conceitual e doutrinária feita por Weber sobre os tipos de ética, assinale a afirmativa correta. A Na ética da responsabilidade, o que valida um ato é o resultado, não a intenção. Destarte, podemos afirmar que a ética da responsabilidade corresponde às decisões tomadas por aqueles que, investidos no poder, tudo fazem para manter a harmonia social. D I S C I P L I N A FILOSOFIA Q09 – Q10 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 12 de 96 B Pode ser considerada como Ética da Responsabilidade o que Jesus Cristo falou durante o Sermão da Montanha: “quando, pois, dás esmola, não toques a trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem louvados pelos homens”. C A ética da responsabilidade é entendida como as ações morais individuais praticadas independentemente dos resultados a serem alcançados. D Pode ser considerada como ética da convicção a frase de Maquiavel “os fins justificam os meios”. GABARITO Letra A E X P L I C A Ç Ã O Chama-se ética da convicção as ações morais individuais, praticadas independentemente dos resultados a serem alcançados, ou seja, é o "dever pelo dever", segundo Immanuel Kant. Ética da responsabilidade, por sua vez, é a moral de grupo, muito diferente da individual, pois aquela se refere às decisões tomadas pelo governante para o bem-estar geral, embora muitas das vezes possam parecer erradas aos olhos da moral individual. Na ética da responsabilidade, o que valida um ato é o resultado, não a intenção. Destarte, podemos afirmar que a ética da responsabilidade corresponde às decisões tomadas por aqueles que, investidos de poder, tudo fazem para manter a harmonia social. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 13 de 96 QUESTÃO 11 C O N T R O L E D E C O N S T I T U C I O N A L I D A D E A Lei Estadual nº 001 foi bastante questionada por juristas brasileiros, em razão da contrariedade do seu texto com a Constituição Federal. Visando questionar a sua constitucionalidade, o Conselho Federal da OAB ajuizou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. Após o regular processamento da ADI, o STF declarou a inconstitucionalidade de uma determinada interpretação sobre a Lei, o que gerou dúvidas em razão da não redução do texto da lei em debate. Sobre tal decisão, é correto afirmar que: A A inconstitucionalidade parcial sem redução de texto é uma modalidade de declaração de inconstitucionalidade não utilizada pelo Supremo Tribunal Federal. B A Carta Magna prevê que as decisões em sede do controle concentrado de constitucionalidade devem assegurar que a norma em apreço seja preservada, em caso de constitucionalidade reconhecida, ou totalmente invalidada quando demonstrado seu caráter atentatório aos valores e preceitos da Constituição Federal. Nessa senda, a medida utilizada no caso em apreço é indevida. C A inconstitucionalidade parcial sem redução de texto é uma modalidade de declaração de inconstitucionalidade utilizada pelo Supremo Tribunal Federal. D Declarar como inconstitucional uma interpretação sobre determinada norma é uma prática que vem sendo aceita nas ações do controle de constitucionalidade. No entanto, ao adotar tal medida, o Supremo Tribunal Federal deve, obrigatoriamente, reduzir o texto em apreço, mesmo que parcialmente, para que a expressão confusa seja retirada. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A A parte final da assertiva está equivocada, uma vez que é uma modalidade de declaração de inconstitucionalidade utilizada pelo Supremo Tribunal Federal. B I NC O RRE T A A medida utilizada não é indevida, pois é possível a inconstitucionalidade parcial sem redução do texto. C C O RRE T A A inconstitucionalidade parcial sem redução de texto consiste na declaração de inconstitucionalidade de determinada interpretação sobre a lei questionada, sem afetar o texto da norma, ou seja, enquanto se modifica uma determinada interpretação o texto continua inalterado. Ela é aceita no ordenamento brasileiro e utilizada pelo Supremo Tribunal Federal, sendo, inclusive, mencionada na Lei 9.868/99. D I S C I P L I N A CONSTITUCIONAL Q11 – Q16 · 6 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 14 de 96 D I NC O RRE T A Se modifica uma determinada interpretação, o texto continua inalterado. QUESTÃO 12 C O N T R O L E D E C O N S T I T U C I O N A L I D A D E O Presidente da República editou a Medida Provisória nº XX, ampliando o período de inelegibilidade daqueles que fossem, definitivamente, condenados pela prática de determinados ilícitos. Por entender que a matéria não poderia ser disciplinada em medida provisória, o Partido Político Alfa, que contava apenas com representação na Câmara dos Deputados, ajuizou Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) perante o Supremo Tribunal Federal, argumentando a existência de vício formal de inconstitucionalidade. No dia seguinte, a referida medida provisória foi convertida na Lei nº ZZ, sem que houvesse qualquer alteração no texto original. Apesar da conversão, o partido político Alfa não promoveu o aditamento da petição inicial. À luz da sistemática constitucional, é correto afirmar que: A A conversão da medida provisória em lei, independentemente de aditamento, acarreta a perda de objeto da ADI. B O partido político Alfa não tem legitimidade para deflagrar o controle concentrado de constitucionalidade C A Medida Provisória nº XX não apresentava qualquer vício formal, considerando a matéria versada. D O não aditamento da petição inicial, na situação indicada, não gera prejudicialidade superveniente. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A Segundo o entendimento do STF, quando a ADI se volta contra Medida Provisória, em caso de superveniente conversão em lei e preservado o seu teor normativo, a Petição Inicial deve ser aditada, sob pena de extinção da ação por sua prejudicialidade (ADI 5.313, STF). B I NC O RRE T A O Partido Político que tenha representação no Congresso Nacional possui legitimidade ativa para instaurar o processo de fiscalização abstrata de constitucionalidade (art. 103, VIII, CF), podendo ajuizar, perante o STF, a ADI qualquer que seja o número de representantes da agremiação partidária nas Casas do Poder Legislativo da União. C I NC O RRE T A Existe vício, pois se trata de tema relacionada a direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral e, nos termos da CF, é vedada a edição de MP sobre matéria relacionada a nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral. CF. Art. 62. Em caso de relevância e urgência, o Presidente da República poderá adotar medidas provisórias, com força de lei, devendo submetê-las de imediato ao Congresso Nacional. § 1º É vedada a edição de medidas provisórias sobre matéria: I – relativa a: a) nacionalidade, cidadania, direitos políticos, partidos políticos e direito eleitoral; Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 15 de 96 D C O RRE T A Se é proposta ADI contra uma medida provisória e, antes da ação ser julgada, a MP é CONVERTIDA EM LEI com o mesmo texto que foi atacado, não perde o objeto e poderá ser conhecida e julgada. Como o texto da MP foi mantido, não cabe falar em prejudicialidade do pedido. QUESTÃO 13 P O D E R L E G I S L A T I V O - I M U N I D A D E S P A R L A M E N T A R E S Russel, Secretário Estadual de Lazer e Diversão, ajuizou queixa-crime contra o Deputado Federal Jack pela prática, em tese, dos crimes previstos nos artigos 138, 139 e 140, combinados com o artigo 141, inciso III, todos do Código Penal. O Secretário narrou que o Deputado Federal, a partir de publicação veiculada na internet, atravésda rede social AllTogether e, posteriormente, também divulgada por meio do aplicativo de mensagens TalkAbout, proferiu ataques dirigidos ao querelante que ofenderam sua honra subjetiva, objetiva, além de imputar-lhe a prática do “crime de improbidade administrativa”. O querelante atribuiu as seguintes declarações ao Deputado Federal, e classificou-as como crimes de difamação, injúria e calúnia: “O maior deboche com dinheiro público que eu já vi na minha vida! Missão governamental do Estado X, Secretário Estadual de Lazer e Diversão Russel, com dois assessores, foram para Orlando, dos dias 18 a 25 de janeiro, para a Feira de Armas Shoot me to Death, com diária de US$350,00, para cada um, totalizando US$2.275,00, mais passagem de US$14.000,00. O Secretário, todos os anos, há muitos anos, vai a essa feira com o dinheiro da família, porém, agora pegou o dinheiro do Estado X para ir. O que tem o Secretário Estadual de Lazer e Diversão a ver com uma Feira de Armas em Orlando? Onde ele está, inclusive, usando vídeos para sua promoção pessoal. Ele é Secretário de Segurança por acaso? Ele foi fazer turismo? Isso é uma vergonha!! O que vem para o Estado X com essa viagem, senhor Governador? Isso é nítido ato de improbidade e como Deputado Federal não admito, quero o melhor para o Estado X”. No que tange à prática do suposto crime pelo referido Deputado Federal, é correto afirmar que: A Estando a fala do Deputado Federal ligada ao exercício do mandato e ao debate político, há incidência da imunidade material, que afasta, consequentemente, a tipicidade da conduta. B As prerrogativas de Deputado Federal limitam-se a instituições vinculadas diretamente à União, não estendendo seus poderes e imunidades a atos praticados fora de sua esfera de atuação. C Estando a fala do Deputado Federal ligada ao exercício do mandato e ao debate político, há incidência da imunidade material, que afasta, consequentemente, a ilicitude da conduta. D As prerrogativas de Deputado Federal limitam-se a manifestações realizadas dentro da respectiva Casa Legislativa, mesmo que não guardem conexão com o exercício do mandato. GABARITO Letra A A C O RRE T A Conforme o art. 53 da CF/88, os Deputados e Senadores são invioláveis, civil e penalmente, por quaisquer de suas opiniões, palavras e votos. Assim sendo, os debates políticos estão protegidos sob o manto da imunidade material, o que consequentemente afasta a tipicidade da conduta. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 16 de 96 B I NC O RRE T A De acordo com o STF, se o parlamentar se encontrar fora do recinto legislativo, somente estará amparado pela imunidade se comprovar que agia no exercício da função. C I NC O RRE T A O caso é exclusão de tipicidade e não de ilicitude. “A cláusula da inviolabilidade parlamentar qualifica-se como causa de exclusão constitucional da tipicidade penal da conduta do congressista em tema de delitos contra a honra, afastando, por isso mesmo, a própria natureza delituosa do comportamento em que tenha incidido. Doutrina. Precedentes. – Reconhecimento, no caso, da incidência da garantia constitucional da imunidade parlamentar material em favor da congressista acusada de delitos contra a honra” (Pet 5875 AgR / DF, Rel. Min. Celso de Mello). D I NC O RRE T A A palavra 'inviolabilidade' significa intocabilidade, intangibilidade do parlamentar quanto ao cometimento de crime ou contravenção. Tal inviolabilidade é de natureza material e decorre da função parlamentar, porque em jogo a representatividade do povo. (...) Assim, é de se distinguir as situações em que as supostas ofensas são proferidas dentro e fora do Parlamento. Somente nessas últimas ofensas irrogadas fora do Parlamento é de se perquirir da chamada 'conexão com o exercício do mandato ou com a condição parlamentar' (Inq 390 e 1.710). QUESTÃO 14 C O N T R O L E D E C O N S T I T U C I O N A L I D A D E Em ADI contra a Lei 777 que tramitava perante o Supremo Tribunal Federal, cujo ajuizamento foi feito pelo Presidente da República, o recém nomeado Advogado-Geral da União foi citado para atuar. A citação gerou surpresa ao AGU, visto que este não se recordava qual função deveria desempenhar no referido processo, já que não era o autor da ADI. À luz do texto constitucional, é correto afirmar: A O Advogado-Geral da União será citado para defender a constitucionalidade do ato ou do texto normativo questionado apreciado quando o STF estiver debatendo a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo. B O Advogado-Geral da União atuará nas ações do controle de constitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, sendo sempre intimado para se posicionar, a depender da sua interpretação, sobre a inconstitucionalidade do ato ou texto normativo questionado apreciado quando o STF estiver debatendo a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo. C O Advogado-Geral da União será citado para defender a inconstitucionalidade do ato ou texto normativo questionado apreciado quando o STF estiver debatendo a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo. D O Supremo Tribunal Federal vem entendendo que a AGU continuará com a missão institucional de defender a constitucionalidade das normas impugnadas, mesmo nas situações em que o Tribunal já tiver se posicionado pela inconstitucionalidade da referida norma em sede do controle difuso de constitucionalidade. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 17 de 96 GABARITO Letra A A C O RRE T A Conforme o art. 103, §3º, CF/88, o Advogado Geral da União será citado para defender a constitucionalidade do ato ou texto normativo questionado apreciar quando o STF estiver debatendo a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo. Embora a Constituição determine que o AGU deve defender a constitucionalidade das leis impugnadas através de ADI ( Art. 103, §3º, CF/88), de acordo com o entendimento do STF (ADI 1616), o AGU está dispensado desta obrigação se a lei em questão já tiver sido declarada inconstitucional pelo STF através de controle concreto-difuso. B I NC O RRE T A O Advogado Geral da União será citado para defender a constitucionalidade do ato ou texto normativo. C I NC O RRE T A Será para defender a constitucionalidade do ato, debatendo a inconstitucionalidade, em tese, de norma legal ou ato normativo. D I NC O RRE T A O entendimento do STF (ADI 1616) é no sentido de que a AGU está dispensada desta obrigação se a lei em questão já tiver sido declarada inconstitucional pelo STF através de controle concreto- difuso. QUESTÃO 15 E M E N D A S C O N S T I T U C I O N A I S Atendendo a pressões políticas, o Congresso Nacional editou um pacote de Emendas à Constituição Federal visando modificar a estrutura federativa do país a fim de transformá-lo em uma nação unitária e, consequentemente, concentrar as competências, antes distribuídas entre todos os entes, em um só. A medida trouxe surpresa a um grupo de juristas que questionou a constitucionalidade de tais emendas, inclusive por terem sido editadas quando o país estava passando por uma Intervenção Federal. Sobre o caso narrado, assinale a afirmativa correta: A A proposta é plenamente viável, visto que a Constituição somente proíbe a aprovação de PEC’s durante a vigência de estado de defesa ou de estado de sítio, razão pela qual a medida em tela é constitucional. B As emendas em tela são inconstitucionais, não podendo, todavia, serem questionadas em sede do controle de constitucionalidade. C A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio, razão pela qual a medida em tela é inconstitucional. D Embora a Constituição não possa ser emendada durante intervenção federal, não há o que se questionar no que tange à proposta de modificação da forma federativado Estado Brasileiro, que é uma previsão constitucional. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 18 de 96 GABARITO Letra C A I NC O RRE T A De acordo com a CF não pode ser emendada a CF na vigência de intervenção federal. B I NC O RRE T A As Emendas Constitucionais podem ser objeto de ADI. C C O RRE T A Conforme o Art. 60, § 1º, CF/88, a Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de sítio, razão pela qual a medida em tela é inconstitucional. O Art. 60, § 4º, I CF/88 diz que não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir forma federativa de Estado, sendo as emendas em debate inconstitucionais. É possível que tais emendas sejam questionadas através do Controle de Constitucionalidade via ADI ( Art. 102, I, “a”, CF/88), dado que mesmo as PECs devem obedecer às regras previstas no texto constitucional. D I NC O RRE T A CF/ Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: QUESTÃO 16 P O D E R L E G I S L A T I V O - C O M I S S Ã O P A R L A M E N T A R D E I N Q U É R I T O ( C P I ) Após escândalo divulgado na mídia sobre desvio de verbas públicas em determinado estado, o Deputado Estadual Coragem articula-se com outros parlamentares para instalar uma Comissão Parlamentar de Inquérito visando apurar as condutas denunciadas, conforme o disposto na Constituição do Estado. Assinale a afirmativa coerente com a Constituição Federal de 1988. A Não há possibilidade de previsão das Comissões Parlamentares de Inquérito na Constituição Estadual, uma vez que a CF é taxativa ao restringir sua incidência somente no âmbito federal. B Há possibilidade de previsão das Comissões Parlamentares de Inquérito na Constituição Estadual, dado que, ao conferir poder de auto-organização aos estados da federação, a Constituição Federal permitiu a instalação das CPI’s nos Estados, observado o princípio da simetria. C A Constituição Federal de 1988 restringiu a implantação das CPI’s no âmbito dos Estados, de modo que somente serão possíveis quando houver autorização do Congresso Nacional, que só o fará após comprovar a necessidade da solicitada instalação das CPI’s. D É possível que as Constituições Estaduais prevejam as Comissões Parlamentares de Inquérito no âmbito dos seus Estados, desde que seja observado o quorum de instalação, bem como a CPI seja aprovada pelo plenário da Assembleia Legislativa. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Em razão da autonomia do Estado é possível que a Constituição Estadual tenha previsão de CPI. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 19 de 96 B C O RRE T A Há possibilidade de previsão da CPI na Constituição Estadual, fundamentando a resposta na autonomia do Estado. Ou seja, ao conferir poder de auto-organização aos estados da Federação ( Art. 18, CF/88), permitiu a instalação das CPIs, observado o princípio da simetria. C I NC O RRE T A As comissões parlamentares de inquérito serão criadas mediante requerimento de um terço dos membros da Assembleia Legislativa, não sendo constitucional a exigência de que as CPIs sejam aprovadas pelo plenário da Casa Legislativa. D I NC O RRE T A Não é necessário que sejam aprovadas pelo plenário da Casa Legislativa. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 20 de 96 QUESTÃO 17 S I S T E M A I N T E R A M E R I C A N O D E P R O T E Ç Ã O A O S D I R E I T O S H U M A N O S Maria, militante do “Movimento Revolucionário 8 de Outubro”, na década de 1970, organizava movimentos populares de defesa da democracia e pelo fim da ditadura militar inaugurada com o Golpe de 1964. Em 1972, foi presa e torturada por agentes do Estado. Em 2021, procurou a Defensoria Pública para atendimento sobre as violações de direitos humanos das quais fora vítima. Considerando o caso narrado, marque a afirmativa correta de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e da Corte Interamericana de Direitos Humanos. A A imprescritibilidade do crime de tortura só é reconhecida para fins de responsabilização penal do agente, não para a responsabilidade civil. B A ação de reparação dos danos morais e materiais sofridos por Maria é imprescritível, uma vez que ocorreram no período da ditadura militar, decorrentes de atos de perseguição política com violação de direitos fundamentais. C Os danos materiais e morais sofridos por Maria seriam passíveis de reparação, mas foram alcançados pela prescrição. D Não há hipótese de responsabilidade civil do Estado no caso em tela, uma vez que Maria assumiu o risco do resultado de seus atos. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A A imprescritibilidade do crime de tortura nos casos de perseguição política com violação de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar também abarca a responsabilidade civil. B C O RRE T A Segundo a Súmula 647 do STJ, “São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos morais e materiais decorrentes de atos de perseguição política com violação de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar". C I NC O RRE T A No caso apresentado, nos termos da Súmula 647 do STJ, há imprescritibilidade das ações indenizatórias por danos morais e materiais. D I NC O RRE T A Segundo a Súmula 647 do STJ, “São imprescritíveis as ações indenizatórias por danos morais e materiais decorrentes de atos de perseguição política com violação de direitos fundamentais ocorridos durante o regime militar". D I S C I P L I N A DIREITOS HUMANOS Q17 – Q18 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 21 de 96 QUESTÃO 18 S I S T E M A I N T E R A M E R I C A N O D E P R O T E Ç Ã O A O S D I R E I T O S H U M A N O S Caso o Brasil venha a sofrer uma condenação perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos em razão de um determinado estado ter atuado de forma omissa e inadequada quanto à demarcação de terra de um povo indígena localizado em seu território, sobre quem recairá a responsabilidade de realizar as reparações determinadas pela Corte? A Sobre o Governo do Estado, uma vez que é nesse estado que está situado o povo indígena. B Sobre o Congresso Nacional brasileiro, por ser o responsável pela demarcação de terras indígenas. C Sobre o Governo Federal do Brasil, a União, pois, como Estado Parte, cabe a ele assumir a responsabilidade pela Convenção. D Sobre a Justiça Federal brasileira, que deverá homologar a decisão da Corte e, em seguida, dar sequência à sua execução. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A A responsabilização é do Governo Federal (União). B I NC O RRE T A A responsabilização é do Governo Federal (União). C C O RRE T A A República Federativa do Brasil é signatária da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Assim, assumiu o compromisso de cumprir os termos do referido documento. Nesse sentido, estabelece o art. 68, item 1 do Tratado que “Os Estados-Partes na Convenção comprometem-se a cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes”. MACETE! FALOU EM INDIO? ASSOCIE À UNIÃO! ARTIGO 68 1. “Os Estados-Partes na Convenção comprometem-se a cumprir a decisão da Corte em todo caso em que forem partes”. D I NC O RRE T A A responsabilização é do Governo Federal (União). Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 22 de 96 QUESTÃO 19 P R O P A G A N D A P O L Í T I C A Nas eleições municipais de 2020, a candidata a prefeita Glória Gracia procurou você, notório advogado com conhecimentos especializados, para saber acerca da possibilidade de contratar a cantora Manu Galvão para a realização de live como artista musical, a fim de arrecadar recursos para sua campanha política. Você, na qualidade de advogado, informou que: A É permitida a realização de show virtual com artista musical – a chamada live – a fim de arrecadar recursos para campanha, mas nessetipo de evento não pode haver pedido expresso de votos; deverá ainda ser comprovado o pagamento antecipado de direitos autorais ao Escritório Central de Arrecadação-Ecad. B É permitida a realização de show virtual com artista musical – a chamada live – a fim de arrecadar recursos para campanha, mas nesse tipo de evento não pode haver pedido expresso de votos; deverá ainda ser comprovado o pagamento antecipado de direitos autorais ao Escritório Central de Arrecadação-Ecad, dispensado esse pagamento prévio se o músico cantar exclusivamente músicas de sua autoria individual. C é permitida a realização de show virtual com artista musical – a chamada live – a fim de arrecadar recursos para campanha, mas nesse tipo de evento não pode haver pedido expresso de votos. D é permitida a realização de show virtual com artista musical – a chamada live – a fim de arrecadar recursos para campanha, e também poderá o músico, nesse tipo de evento, fazer pedido expresso de votos, haja vista a amplitude do princípio constitucional da liberdade de expressão artística. D I S C I P L I N A DIREITO ELEITORAL Q19 – Q20 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 23 de 96 GABARITO Letra C A I NC O RRE T A De acordo com a Ação Cautelar nº 0601600-03, não há necessidade da comprovação do pagamento antecipado de direitos autorais ao Escritório Central de Arrecadação-Ecad. B I NC O RRE T A Não existe a previsão de arrecadação ao Ecad e nem dispensado o pagamento prévio se o músico cantar exclusivamente música de sua autoria individual. C C O RRE T A O TSE liberou a realização de “live” com artistas para arrecadar recursos para a campanha com o destaque da não possibilidade de pedidos expressos de votos. D I NC O RRE T A Não pode haver pedido expresso de voto. QUESTÃO 20 P R I N C Í P I O S D O D I R E I T O E L E I T O R A L No dia 15 de maio de 2018, um projeto de lei é sancionado e altera a Lei Federal n° 9.504/97, que estabelece normas gerais para as eleições no Brasil, modificando a disciplina da propaganda eleitoral. Dom Casmurro, estudante de direito do primeiro ano, curioso, procura você, na qualidade de advogado para esclarecer sobre a aplicação nova lei, que responde: A não poderia ser aplicada às eleições de outubro de 2018, em razão da incidência do princípio da lisura das eleições. B poderia ser aplicada às eleições de outubro de 2018, em razão da incidência do princípio da democracia. C não poderia ser aplicada às eleições de outubro de 2018, em razão da incidência do princípio da anualidade eleitoral. D poderia ser aplicada às eleições de outubro de 2018, em razão da incidência do princípio do aproveitamento do voto. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A O princípio da lisura objetiva que o processo eleitoral ocorra dentro das regras estabelecidas em lei e permita a transparência e igualdade de oportunidade. B I NC O RRE T A Não poderia ter sido aplicada em observância ao princípio da anualidade ou anterioridade eleitoral. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 24 de 96 C C O RRE T A De acordo com a CF, toda lei que alterar o processo eleitoral passará a viger imediatamente, todavia, a aplicação dos efeitos ocorrerá após um ano da sua entrada em vigor, esse é o princípio da anualidade ou anterioridade eleitoral. CF, Art. 16. A lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. D I NC O RRE T A O princípio do aproveitamento do voto preconiza que deve-se preservar ao máximo a vontade do eleitor (art. 219 do Código Eleitoral), não sendo possível a aplicação. Art. 219. Na aplicação da lei eleitoral o juiz atenderá sempre aos fins e resultados a que ela se dirige, abstendo-se de pronunciar nulidades sem demonstração de prejuízo. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 25 de 96 QUESTÃO 21 O R G A N I Z A Ç Ã O D A S N A Ç Õ E S U N I D A S ( O N U ) Comemoraram-se, em 2020, os 75 anos da Organização das Nações Unidas (ONU) e da adoção de sua Carta, que foi assinada pelo Brasil em 26 de junho de 1945, em São Francisco, durante a Conferência a respeito da Organização Internacional das Nações Unidas. Acerca da ONU, de sua Carta e da participação do Brasil na referida organização, assinale a alternativa correta. A A Assembleia Geral jamais aprovou emendas aos artigos do capítulo V da Carta, referentes ao Conselho de Segurança, o que confere legitimidade ao pleito do G4 pela reforma do principal órgão das Nações Unidas, responsável pela manutenção da paz e da segurança internacional. B O Brasil foi o primeiro país latino-americano a ocupar assento não permanente bienal no Conselho de Segurança (1946-1947). Hoje, integra o G-4 (juntamente com a Alemanha, a Índia e o Japão) e defende a expansão do Conselho de Segurança na categoria de membros permanentes, mantendo o número de membros não permanentes ao órgão inalterado. C A Corte Internacional de Justiça (CIJ), cujo estatuto é parte integrante da Carta da ONU, é o principal órgão judiciário da ONU e delibera a respeito de conflitos jurídicos entre Estados, além de preparar pareceres consultivos. Atualmente, a Corte não conta com representação brasileira entre seus 15 membros. D O Brasil participou das negociações que levaram à criação da ONU e à adoção de sua Carta. Membros da delegação brasileira defenderam, com êxito, a inclusão, na Carta, dos princípios da não intervenção e da igualdade de direitos dos homens e das mulheres. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A A Assembleia Geral logrou êxito em aprovar emendas aos artigos do Capítulo V da Carta, tendo elevado o número de membros do Conselho de Segurança de 11 para 15. B I NC O RRE T A Atualmente, o Brasil integra o G4 e luta pela alteração da composição dos membros permanentes do Conselho de Segurança, com a finalidade de aumentar tanto a lista dos membros permanentes quanto a dos não permanentes. C I NC O RRE T A O Brasil conta com um brasileiro entre os 15 juízes da Corte Internacional de Justiça. D I S C I P L I N A DIREITO INTERNACIONAL Q21 – Q22 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 26 de 96 D C O RRE T A De fato, o Brasil participou das negociações que levaram à criação da ONU e à adoção de sua Carta. Membros da delegação brasileira defenderam, com êxito, a inclusão, na Carta, dos princípios da não intervenção e da igualdade de direitos dos homens e das mulheres. QUESTÃO 22 P R O T O C O L O A D I C I O N A L À C O N V E N Ç Ã O D A S N A Ç Õ E S U N I D A S C O N T R A O C R I M E O R G A N I Z A D O T R A N S N A C I O N A L R E L A T I V O À P R E V E N Ç Ã O , R E P R E S S Ã O E P U N I Ç Ã O D O T R Á F I C O D E P E S S O A S , E M E S P E C I A L M U L H E R E S E C R I A N Ç A S Com o objetivo de promover a cooperação para prevenir e combater, de forma mais eficaz e estruturada, a criminalidade organizada transnacional, foi criado um importante documento internacional, a Convenção das Nações Unidas contra o Crime Organizado Transnacional e seu Protocolo Adicional Relativo à Prevenção, Repressão e Punição do Tráfico de Pessoas. Sobre a Convenção mencionada, assinale a afirmativa correta. A Conforme o protocolo adicional à Convenção de Palermo, somente se for usada força ou outras formas de coação para obter o consentimento é que a transferência, com o objetivo de exploração, de uma pessoa com idade inferior a dezoito anos será considerada “tráfico de pessoas”. B A pobreza, o subdesenvolvimento e a desigualdade de oportunidades tornam as pessoas, especialmente as mulheres e as crianças, vulneráveis ao tráfico, razão pela qual os Estados-partes devem reforçar as medidas de combate e esses tipos de fatores sociais. C Conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, não é possível a homologação de sentença penal estrangeiraque determine a perda de imóvel situado no Brasil por considerar que o bem seja produto de infrações previstas na Convenção de Palermo, por exemplo, o crime de lavagem de dinheiro. D Cada Estado parte, na medida em que seja procedente e conforme o seu ordenamento jurídico, deverá adotar medidas eficazes de ordem legislativa, administrativa ou outra para promover a integridade e prevenir, detectar e punir a corrupção dos funcionários públicos, desde que haja autorização dos demais Estados parte. GABARITO Letra B A I NC O RRE T A Ainda que não seja usada a força ou outras formas de coação para obter o consentimento, a transferência de uma pessoa com idade inferior a dezoito anos com o objetivo de explorá-la será considerada “tráfico de pessoas”. B C O RRE T A Os Estados Partes deverão estabelecer políticas, programas e outras medidas abrangentes para: a) Prevenir e combater o tráfico de pessoas; (...) 4. “Os Estados Partes tomarão ou reforçarão as medidas, inclusive mediante a cooperação bilateral ou multilateral, para reduzir os fatores como a pobreza, o subdesenvolvimento e a desigualdade de oportunidades que tornam as pessoas, especialmente as mulheres e as crianças, vulneráveis ao tráfico.” C I NC O RRE T A O STJ tem entendimento contrário, o qual já decidiu sobre o assunto em 2016 e permite homologação de sentença penal estrangeira na hipótese mencionada, como se pode observar: Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 27 de 96 Ementa Oficial HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇA ESTRANGEIRA. CONFISCO DE BENS IMÓVEIS, PRODUTOS DE ATIVIDADE CRIMINOSA, SITUADOS NO BRASIL. COOPERAÇÃO INTERNACIONAL. CONVENÇÃO DE PALERMO. CRIME TIPIFICADO NAS LEGISLAÇÕES ESTRANGEIRA E NACIONAL. EFEITO DA CONDENAÇÃO PREVISTO TAMBÉM NA LEI BRASILEIRA. AUSÊNCIA DE OFENSA À SOBERANIA NACIONAL. REQUISITOS PREENCHIDOS. HOMOLOGAÇÃO DEFERIDA. (SEC 10.612/EX, Rel. Ministra LAURITA VAZ, CORTE ESPECIAL, julgado em 18/05/2016, DJe 28/06/2016) D I NC O RRE T A Cada Estado Parte, na medida em que seja procedente e conforme ao seu ordenamento jurídico, adotará medidas eficazes de ordem legislativa, administrativa ou outra para promover a integridade e prevenir, detectar e punir a corrupção dos agentes públicos. Cada Estado Parte tomará medidas no sentido de se assegurar de que as suas autoridades atuam eficazmente em matéria de prevenção, detecção e repressão da corrupção de agentes públicos, inclusive conferindo a essas autoridades independência suficiente para impedir qualquer influência indevida sobre a sua atuação. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 28 de 96 QUESTÃO 23 R E C E I T A P Ú B L I C A As receitas podem ser classificadas, em relação à origem, como originárias ou derivadas. São exemplos de cada uma destas espécies, respectivamente, A multa e imposto. B taxa e contribuição social. C Imposto e Tarifa. D tarifa e taxa. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A As multas e os impostos derivam do poder coercitivo estatal, logo, classificam-se como receitas derivadas. B I NC O RRE T A Taxa (deriva do poder coercitivo do Estado) e Contribuição Social (Derivado. Tributo cobrado de forma compulsória pelo poder público). C I NC O RRE T A Os impostos são receitas que provêm (derivada) do constrangimento sobre o patrimônio particular. D C O RRE T A A taxa é considerada um tributo (Caráter obrigatório/coercitivo - receita derivada), já a tarifa não. Assim, a tarifa é uma receita originária, pois provém da exploração do patrimônio do próprio governo e não de terceiros. Receitas Originárias — Receitas Derivadas São obtidas com a exploração do próprio patrimônio da administração pública, por meio da alienação de bens ou serviços. Tem natureza dominial, pois são arrecadadas com a exploração de uma atividade econômica pelo próprio Estado. — São decorrentes da exploração compulsória do patrimônio do particular pelo Estado no exercício de sua soberania. São impostas de forma coercitiva às pessoas. As receitas derivadas subdividem em: - reparações de guerra - penalidades - tributos – impostos, taxas, contribuição de melhoria, empréstimo compulsório e contribuições parafiscais ou especiais. D I S C I P L I N A DIREITO FINANCEIRO Q23 – Q24 · 2 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 29 de 96 QUESTÃO 24 D E S P E S A P Ú B L I C A Um fornecedor entregou uma cadeira de escritório adquirida pela Prefeitura de Toritama, com a respectiva nota fiscal. A fase da despesa caracterizada por esse ato, nos termos previstos na Lei nº 4.320/64, é denominada: A Empenho. B Pagamento. C Fixação. D Liquidação. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A O empenho é o ato emanado de autoridade competente que cria a obrigação de pagamento. Consiste na reserva de dotação orçamentária para um fim específico. Art. 58. Lei 4.320/64. O empenho de despesa é o ato emanado de autoridade competente que cria para o Estado obrigação de pagamento pendente ou não de implemento de condição. B I NC O RRE T A Estágio da despesa pública em que a unidade estatal efetiva o pagamento ao ente responsável pela prestação do serviço ou fornecimento do bem, recebendo a devida quitação. Art. 64. Lei 4.320/64. A ordem de pagamento é o despacho exarado por autoridade competente, determinando que a despesa seja paga. Parágrafo único. A ordem de pagamento só poderá ser exarada em documentos processados pelos serviços de contabilidade. C I NC O RRE T A A fixação da despesa integra a etapa de planejamento e refere-se aos limites de gastos fixados na LOA em função da receita prevista. D C O RRE T A Liquidação é a verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito, ou seja, é a comprovação de que o credor cumpriu todas as obrigações constantes no empenho, ou seja, entregou o material adquirido ou prestou de forma efetiva o serviço contratado. Art. 62. Lei 4.320/64. O pagamento da despesa só será efetuado quando ordenado após sua regular liquidação. Art. 63. Lei 4.320/64. A liquidação da despesa consiste na verificação do direito adquirido pelo credor tendo por base os títulos e documentos comprobatórios do respectivo crédito. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 30 de 96 QUESTÃO 25 E S P É C I E S T R I B U T Á R I A S Um contribuinte residente no Município XYZ (Estado ABC) recebeu cobrança para pagamento da Taxa Municipal de Combate a Incêndios. A respeito da constitucionalidade da referida taxa, assinale a alternativa correta. A A taxa é inconstitucional, pois o serviço de combate a incêndios é prestado pelo Corpo de Bombeiros, instituição estadual, de modo que a Taxa de Combate a Incêndios deveria ter sido instituída e cobrada exclusivamente pelo Estado ABC. B A taxa é constitucional, pois o serviço de combate a incêndios é prestado pela Defesa Civil Municipal, de modo que a Taxa de Combate a Incêndios foi corretamente instituída e cobrada exclusivamente pelo Município XYZ. C A taxa é inconstitucional, pois o serviço de combate a incêndio é inespecífico e indivisível, não podendo ser remunerado mediante taxa. D A taxa é constitucional e poderia ser cobrada pelo Estado ABC ou pelo Município XYZ, sendo o ente competente para instituição do tributo aquele que primeiro realizar a cobrança. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A É inconstitucional, pois o serviço público de combate e prevenção a incêndio não poderia ser tributado como taxa por se tratar de serviço geral e indivisível relacionado à segurança pública. B I NC O RRE T A É inconstitucional, pois o serviço público de combate e prevenção a incêndio não poderia ser tributado como taxa por se tratar de serviço geral e indivisível relacionado à segurança pública. C C O RRE T A Conforme jurisprudência pacífica do STF, o serviço de combate a incêndio é inespecífico e indivisível, não podendo ser remunerado mediante taxa, de forma que não pode ser instituídaTaxa de Combate a Incêndio nem no âmbito municipal nem no âmbito estadual. Assim, para custear os respectivos serviços de segurança pública, os Estados e Municípios devem instituir impostos, que é a espécie tributária correta para remunerar serviços públicos de caráter coletivo/geral (uti universi). D I NC O RRE T A A taxa é inconstitucional. O combate a incêndio não pode ser custeado pela cobrança de taxa. D I S C I P L I N A DIREITO TRIBUTÁRIO Q25 – Q29 · 5 questões Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 31 de 96 QUESTÃO 26 C O M P E T Ê N C I A T R I B U T Á R I A Diante do rompimento de uma barragem de rejeitos de minério que atingiu as casas de diversos moradores do Município Alfa (Estado Beta), inutilizando os imóveis e os veículos desses moradores, o Governador do Estado Beta decretou estado de calamidade pública e a Assembleia Legislativa do Estado Beta aprovou uma lei ordinária estadual concedendo isenções de IPVA e de IPTU para os moradores que tiveram seus imóveis e veículos destruídos. A respeito das referidas isenções, assinale a alternativa correta. A A Constituição Federal, em regra, veda a concessão de isenções heterônomas, mas excepciona tal concessão para os casos decorrentes de calamidade pública, o que torna constitucional a isenção de IPTU concedida pelo Estado Beta. B As isenções poderiam ter sido instituídas no mesmo decreto que declarou o estado de calamidade pública, pois a Constituição não exige edição de lei para a concessão de isenções. C A isenção de IPTU concedida pelo Estado Beta pode ser classificada como heterônoma, o que é vedado pela Constituição, tornando-a inconstitucional. D A isenção de IPTU concedida pelo Estado Beta apenas surtirá efeito se for referendada pela Câmara de Vereadores do Município Beta. GABARITO Letra C A I NC O RRE T A A isenção de IPTU é inconstitucional, pois o IPTU é um tributo de competência municipal, e a isenção foi concedida pelo Estado. B I NC O RRE T A A isenção deve ser concedida por lei específica, conforme art. 150, §6º da CF. Art. 150, § 6º. CF. Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. C C O RRE T A O art. 151, III da CF veda à União a instituição de isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios (Princípio da Vedação às Isenções Heterônomas). Pelo princípio da simetria, tal vedação se estende aos demais entes federativos, de modo que apenas o ente competente para instituir o tributo deve conceder as respectivas isenções. Assim, a isenção de IPTU é inconstitucional, pois o IPTU é um tributo de competência municipal, e a isenção foi concedida pelo Estado. Art. 151. CF. É vedado à União: III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. D I NC O RRE T A A isenção de IPTU concedida pelo Estado Beta é inconstitucional. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 32 de 96 QUESTÃO 27 I M U N I D A D E T R I B U T Á R I A A empresa Livraria de Todos Ltda. recebeu uma notificação de lançamento, enviada pelo Estado onde se situa, relativa à cobrança de ICMS sobre a operação de venda de livros digitais (e-books). Além disso, também recebeu uma notificação de lançamento, enviada pelo Município onde se situa, relativamente à cobrança de IPTU do imóvel onde funciona a sua sede, local em que também são vendidos livros impressos. A respeito dos tributos exigidos da empresa, assinale a alternativa correta. A Apenas a cobrança do IPTU é constitucional, uma vez que o comerciante do livro não faz jus à imunidade tributária, o que autoriza a tributação do seu imóvel, mas o mesmo não ocorre com o livro, que possui imunidade objetiva, portanto não pode ser tributado. B A cobrança de ambos os tributos é inconstitucional, pois a imunidade da qual gozam os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão abrange a operação de venda dos referidos itens e também todo o patrimônio de seu comerciante, que, por óbvio, utiliza o patrimônio em prol da venda dos itens imunes. C A cobrança de ambos os tributos é constitucional, não havendo que se falar em nenhuma imunidade tributária no caso narrado, pois a imunidade de livros abrange apenas livros impressos, não os digitais, por literal determinação constitucional. D Apenas a cobrança do ICMS é constitucional, pois os livros digitais não possuem imunidade, mas o imóvel da empresa faz jus à imunidade, porque lá também são comercializados livros impressos. GABARITO Letra A A C O RRE T A A imunidade de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão está prevista no art. 150, VI, “d” da CF e é uma imunidade objetiva, ou seja, confere imunidade ao objeto (livro, jornal, periódico ou papel destinado à impressão desses livros), não ao sujeito que o comercializa (ou seja, o patrimônio de uma livraria, como imóvel-sede e veículos que transportam as mercadorias, pode ser tributado). O STF já pacificou seu entendimento no sentido de que os livros digitais (e-books) e também os seus dispositivos-suporte eletrônicos (exemplo: Kindle) fazem jus à imunidade prevista no art. 150, VI, “d” da CF, de forma que tal imunidade não se restringe aos livros físicos. Art. 150. CF. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI - instituir impostos sobre: d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão. B I NC O RRE T A A imunidade do art. 150, VI, “d” da C é classificada como objetiva (ou real). Isso porque recai apenas sobre bens (livros, jornais, periódicos e o papel) e não ao sujeito que o comercializa. C I NC O RRE T A O STF já pacificou seu entendimento no sentido de que os livros digitais (e-books) e também os seus dispositivos-suporte eletrônicos (exemplo: Kindle) fazem jus à imunidade prevista no art. 150, VI, “d” da CF. Revisão Nocaute · VDE I — Pág. 33 de 96 D I NC O RRE T A A imunidade de que trata o art. 150, VI, “d” da CF/88 alcança o livro digital (“e-book”). Ainda, o imóvel da empresa NÃO faz jus à imunidade, pois a imunidade recai apenas sobre os livros, jornais, periódicos e o papel. QUESTÃO 28 P R I N C Í P I O S T R I B U T Á R I O S A alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) que incide sobre os eletrodomésticos da “linha branca” foi reduzida a zero mediante decreto do Chefe do Poder Executivo Federal, a fim de incentivar o consumo desses produtos. Tal decreto determinava, ainda, que sua produção de efeitos era imediata. Tendo em vista tal cenário, assinale a alternativa correta à luz dos princípios tributários. A A redução de alíquota de imposto regulatório com vistas a determinar um padrão de consumo e a intervir na economia representa estritamente a função fiscal do tributo. B A redução do IPI é inconstitucional, pois não poderia ter sido realizada mediante decreto. C A redução do IPI é inconstitucional, pois toda alteração na alíquota do IPI sujeita-se à anterioridade nonagesimal e à anterioridade de exercício financeiro, de forma que tal decreto não poderia produzir efeitos imediatos. D A redução do IPI é constitucional, não havendo violação aos princípios da legalidade e da anterioridade tributária, pois a Constituição autoriza, expressamente, que a alíquota do IPI seja alterada pelo Poder Executivo, bem como determina que apenas a instituição e a majoração de tributo se sujeitam à anterioridade nonagesimal e de exercício financeiro. GABARITO Letra D A I NC O RRE T A A alíquota