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TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO AULA 3 Profª Carolina de Souza Walger A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 2 CONVERSA INICIAL Nessa aula, vamos falar especificamente da execução do programa de treinamento e desenvolvimento. Quais são os métodos possíveis? Quais são as técnicas que existem? Com esse conhecimento, espera-se que o profissional de recursos humanos esteja apto para conduzir treinamentos e para identificar possíveis instrutores que venham a ser contratados. Ainda nessa aula, vamos falar sobre a possibilidade do treinamento e-learning, que é uma tendência na área, considerando as suas vantagens e a aderência às novas tecnologias. Por fim, discutiremos um tipo de treinamento específico, que é o treinamento de integração ou de socialização, aquele realizado com os novos contratados de uma organização. CONTEXTUALIZANDO Treinamento e Desenvolvimento é sinônimo de mudança, seja de um novo conhecimento, de uma nova habilidade ou de novas atitudes e comportamentos. Precisamos ter isso em mente antes de iniciarmos um programa, pois ele pode gerar resistências nos treinandos. Vamos refletir um pouco sobre isso lendo o texto a seguir. Uma das principais dificuldades na implantação de um sistema de treinamento é a resistência à mudança de todos os indivíduos. A reformulação de hábitos antigos e a implantação de novos comportamentos gera ansiedades e efeitos psicológicos e sociais de grande amplitude. Os indivíduos criam resistências de todo o tipo. Dentre elas são importantes as reações de efeito psicológicos e social. Qualquer mudança tenderá a alterar a maneira pela qual um indivíduo se relaciona com o que está fazendo e o que sente ao fazê-lo. Quando se anuncia pela primeira vez uma mudança, todos aqueles que serão afetados por ela começarão a imaginar o que essa novidade significará para eles no que diz respeito à sua futura maneira de trabalhar. (Minicucci, 2007, p. 206) TEMA 1 – EXECUÇÃO DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO Nesta etapa, estamos tratando da realização do programa de treinamento em si, o que está relacionado à implementação, execução ou condução do treinamento. Lembre-se de que os programas devem ser aplicados por especialistas em treinamentos e/ou especialistas nos conteúdos a serem trabalhados. Por isso, é preciso contratar instrutores, internos ou externos. Os instrutores são os facilitadores da aprendizagem. De acordo com Freire (2014, A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 3 p. 86; 94), as características dos instrutores afetam diretamente a aprendizagem; por isso, algumas características são essenciais para esses profissionais: domínio do assunto; transmitir segurança; capacidade de se adaptar ao ritmo dos alunos; criar vínculo afetivo com o público; ser sincero e ético; ter senso de humor; demonstrar interesse pelo assunto e pelos aprendizes; ter habilidade para lidar com as diferenças individuais ; dar instruções claras; ser criativo no uso de metodologias e exemplos; fornecer assistência individual; ser capaz de influenciar pelo exemplo; demonstrar entusiasmo e motivação com o assunto; É importante que o instrutor do treinamento estabeleça metas para focalizar e motivar o comportamento dos participantes, considerando as diferenças individuais dos aprendizes. Também deve haver uma prática ativa, para que os participantes exercitem o que está sendo aprendido, com feedbacks e reforços diversos aos participantes. Segundo Knapik (2011, p. 310), as formas de condução de um programa de treinamento são diversas; vão desde palestras informativas até programas mais elaborados, com duração de semanas ou meses. Independentemente da metodologia utilizada na execução do treinamento, alguns cuidados devem ser tomados pelo ministrante e pela organização do evento: O local escolhido deve ser adequado, sem que exista interrupção de terceiros. O aprendiz deve estar tranquilo e evitar sair da sala para resolver problemas de trabalho. O ambiente deve ser agradável, bem iluminado, ventilado, confortável e sem ruídos. Os gestores devem disponibilizar tempo adequado para os treinamentos. O mesmo assunto não deve ser trabalhado por muito tempo, para evitar cansaço. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 4 Freire (2014, p. 88) alerta que, na execução do treinamento, é importante considerar onde ele ocorrerá e quais metodologias de aprendizagem serão utilizadas. Em relação ao local, os treinamentos podem ser realizados: Em sala de aula. Ocorre quando um instrutor trabalha os conteúdos em uma sala de aula específica, que pode ser dentro ou fora da empresa, na qual os alunos interagem entre si e com o instrutor, em um local delimitado. A distância. Ocorre quando o instrutor grava os conteúdos e/ou produz textos e materiais a serem estudados pelos aprendizes, os quais podem acessar os materiais conforme a disponibilidade de horário e tempo. É uma ferramenta bastante utilizada quando os aprendizes não podem estar ao mesmo tempo no mesmo local, sendo, portanto, utilizada pelas grandes organizações, que possuem sedes em diferentes regiões geográficas. No local de trabalho (on the job). São os treinamentos realizados no próprio local ou posto de trabalho, enquanto o aprendiz realiza as suas tarefas. São bastante úteis exige-se prática em maquinários específicos ou outras técnicas específicas da empresa. Fora do local de trabalho. São os treinamentos realizados fora da empresa, em espaços de outros centros formadores (como consultorias ou empresas de cursos), espaços alugados para esse fim (como hotéis ou centro de convenções) ou ao ar livre (como fazendas e centros de treinamento). Após definir o instrutor e o local do treinamento, mas ainda antes de começar a aplicação das técnicas, é preciso garantir que os materiais necessários estarão disponíveis. Dentre os recursos mais utilizados, temos: data show ou projetor de imagens; aparelho de som; cartazes; apostilas ou manuais; quadro negro, quadro branco ou flipchart; computador. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 5 Depois de definir o instrutor, escolher o local e preparar os recursos, o treinamento pode iniciar. Nos próximos tópicos, vamos conhecer as técnicas mais utilizadas em programas de treinamento e desenvolvimento. Leitura obrigatória Leia o capítulo 3 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Conheça algumas dicas para ser um bom instrutor de treinamentos nos links a seguir (acessos em 6 ago. 2019): TEMA 2 – MÉTODOS NO CARGO (ON THE JOB) Os chamados métodos no cargo, também chamados de on the job training, são aqueles realizados no local de trabalho, ou seja, o trabalhador é treinado enquanto realiza suas tarefas. O significado de on the job é aprender na prática. Portanto, o foco é aprender fazendo, mas com supervisão e programação, e não com o famoso: “essa é a sua mesa, comece”. Os métodos no cargo mais utilizados são: rotação de cargos (Job-Rotation), posições de assessoria, aprendizagem prática, atribuição de comissões e mentoring. Vamos conhecer cada uma dessas técnicas. 2.1 Aprendizagem prática Essa é a técnica mais representativa de treinamento no cargo,já que é realizada tanto de maneira formal como informal. Toda pessoa aprende no seu dia a dia, na medida em que repete tarefas e vai encontrando novas situações no cotidiano. A conversa com colegas de trabalho e o compartilhamento de informações também permite que um possa aprender com o outro. E tudo isso pode ocorrer de maneira espontânea, sem a intenção da própria empresa. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 6 Contudo, quando falamos de aprendizagem prática como um método de treinamento e desenvolvimento, estamos falando de uma situação que vai além desse aprendizado natural pelo qual todos os indivíduos passam. Estamos falando de uma estratégia programada, intencional e direcionada, que é planejada pela área de recursos humanos e também pelos gestores das diversas áreas da organização. A aprendizagem na prática é uma técnica de treinamento na qual o treinando se dedica a um trabalho de tempo integral para analisar e resolver problemas ligados a uma função ou departamento. Como exemplo disso, ainda que pouco comum, temos o projeto de apadrinhamento, no qual um funcionário antigo apadrinha um funcionário novo, tornando-se responsável por acompanhá-lo no dia a dia e ensiná-lo a lidar com as diversas tarefas e funções que são exigidas dele. 2.2 Rotação de cargos (job rotation) Também conhecido como job rotation, a rotação de cargos permite a alocação do empregado em outras atividades. Ele é transferido para uma tarefa diferente, porém com o mesmo nível de exigência ou com requisitos similares em termos de habilidades. A movimentação também pode ser entre departamentos, permitindo que o profissional conheça os diversos setores da organização e assim esteja mais alinhado com o negócio. Embora seja bastante utilizada para elevar a motivação, permitindo que o empregado enfrente novos desafios e não caia na rotina, a rotação de cargos é uma importante estratégia de treinamento e desenvolvimento, tanto para um melhor desempenho no cargo atual, na medida em que cada um passa a conhecer melhor as pessoas e setores com os quais se relaciona, como também na preparação para ocupação de cargos futuros, já que cada um vai sendo preparado para novos desafios. A movimentação de pessoas permite a expansão de habilidades, conhecimentos e capacidades. A rotação de cargos é amplamente utilizada nos programas de trainee, com o objetivo de que o novo profissional conheça profundamente as diversas áreas da empresa e as tarefas que são realizadas cotidianamente. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 7 2.2 Mentoring O mentoring é um método que visa a orientação profissional, no qual um profissional com mais experiência, sustentado por técnicas e práticas consistentes, auxilia outro profissional com menos experiência. Não é necessário que esse profissional experiente trabalhe na mesma função que o novato, tampouco que seja do mesmo departamento e muito menos que seja seu chefe. A ideia aqui é compartilhar experiências de vida profissional e não necessariamente a técnica realizada no trabalho. Essa orientação envolve aspectos gerais e específicos da profissão, além de aspectos da organização e do mercado. Em geral, mentorando e mentorado reúnem-se com frequência pré- determinada para discutir questões do cotidiano. O objetivo é o desenvolvimento do profissional que está recebendo o auxílio. 2.3 Posições de assessoria As posições de assessoria estão relacionadas aos programas de sucessão. Esses programas surgem quando a organização se preocupa em preparar novos profissionais para ocupar os cargos de gestão que vão ficar vagos no futuro, seja porque determinado gestor irá se aposentar ou porque será transferido. Significa dar a oportunidade para que a pessoa com potencial elevado trabalhe provisoriamente sob a supervisão de um gerente bem- sucedido, para que possa substituí-lo caso necessário. 2.4 Atribuição de comissões Existem situações ou problemas de uma organização que transcendem a responsabilidade de apenas um setor e que podem se beneficiar com o compartilhamento de ideias e opiniões. Nesses casos, podem ser criadas comissões multiprofissionais, compostas por pessoas com diferentes formações e que atuam em diferentes departamentos da empresa. Ao ser convidado para compor uma comissão, o profissional está sendo chamado a pensar a organização como um todo e a contribuir para a solução de algum caso. Trata-se, então, de uma oportunidade para que a pessoa possa participar de comissões de trabalho, compartilhando a tomada de decisões, A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 8 aprendendo pela observação dos outros e pesquisando problemas específicos da organização. Leitura obrigatória Leia o capítulo 3 do livro: ESCORSIN, A. P.; WALGER, C. Liderança e Desenvolvimento de Equipes. Curitiba: InterSaberes, 2017. Saiba mais Leia mais sobre treinamento e desenvolvimento de pessoas: . Acesso em: 6 ago. 2019. TEMA 3 – MÉTODOS FORA DO CARGO Os métodos fora do cargo são aqueles realizados fora do local de trabalho, ou seja, o trabalhador deixa de lado as suas tarefas diárias para participar do treinamento. Existem diversos métodos e técnicas que podem ser colocados em prática; a escolha deve ser alinhada ao objetivo do treinamento. Vamos conhecer algumas possibilidades. 3.1 Palestras, seminários e conferências É uma forma tradicional de treinamento, baseada em exposições orais sobre um assunto. Geralmente, é oferecida para um grande número de participantes e permite pouca ou nenhuma interação entre aprendizes e palestrante. São métodos ideais para transmitir determinado tipo de conhecimento ou conteúdo, como regras da empresa, conhecimento sobre um novo produto etc., mas pouco produtivos quando o foco é desenvolver algum tipo de habilidade ou mudança de comportamento. 3.2 Estudos de caso É uma técnica que permite diagnosticar um problema real e apresentar alternativas de solução. Com base em uma história real, os participantes são levados a opinar sobre a solução de um dado problema exposto. Nesse caso, os alunos empregam suas experiências e conhecimentos anteriores, mas também são levados a desenvolver habilidades de análise, comunicação, persuasão e A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 9 decisão. Pode ser desenvolvido individualmente ou em grupo, e também fazer parte de um programa maior, ou seja, pode ser apenas uma técnica dentro de um programa de treinamento. 3.3 Dramatizações Esta técnica também é conhecida como role-playing. Como em um teatro, os participantes se tornam atores e representam uma situação empresarial, elaborando reflexões sobre ela. Os grupos se reúnem para discutir casos, com o objetivo de tratar de situações complexas que precisam ser enfrentadas, mediante dramatizações predeterminadas. Por exemplo, é possível solicitar que uma pessoa que trabalhe com cobrança simule que está entrando em contato com um cliente, que pode ser o próprio ministrante do treinamento. Nesse caso, a sua postura do treinando pode ser avaliada e receber um feedback. Pode-se também gravar a simulação para debate. 3.4 Dinâmica de grupo As dinâmicas de grupo são técnicas que envolvem o contexto grupal, durante as quais são praticados exercícios ativos. Por meio de uma atividade proposta, conduz-se o treinando a buscar, por ele mesmo, uma solução. Cabe ao instrutor observar e registrar comportamentos e iniciativas para debater depois da tarefa. Embora a dinâmica de grupo possa ter diversos objetivos, quandose refere a programas de treinamento e desenvolvimento, o foco é levar os treinandos ao desenvolvimento de novas habilidades e comportamentos. 3.5 Jogos de empresas São simulações, com caráter lúdico, que se aproximam da realidade, viabilizando aprendizado quanto à tomada de decisão e ao desenvolvimento de competências e habilidades. Geralmente, as equipes competem umas com as outras, tomando decisões computadorizadas a respeito de situações reais ou simuladas. Os jogos diferenciam-se das dinâmicas por terem os seguintes elementos: cenários, papéis, regras e competição. Já as dinâmicas constituem- se de uma questão-problema que é debatida e resolvida pelos grupos. 3.6 Treinamento ao ar livre (outdoor training) A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 10 Esta técnica é uma tendência na área de treinamento e desenvolvimento. O outdoor training é um treinamento realizado ao ar livre, geralmente em ambientes próximos à natureza. São realizadas atividades vivenciais em grupo que levam os participantes a intensas experiências relacionadas a desafios, trabalho sob pressão, liderança, trabalho em equipe, superação etc. São realizadas atividades como arvorismo, escaladas, gincanas, rafting, montanhismo etc. O ministrante deve ser capaz de relacionar as atividades com situações do cotidiano, permitindo novos conhecimentos, habilidades e atitudes. 3.7 Coaching O coaching é um método de desenvolvimento que oportuniza reflexões sobre questões relacionadas a quem a pessoa é, quais são as suas competências, como enfoca seus objetivos, como estabelece suas metas, quais recursos estão envolvidos para atingir seus objetivos, entre outros aspectos. Assim, o coaching está focado no desenvolvimento pessoal e profissional, por meio da reflexão e do aprendizado do indivíduo. Leitura obrigatória Leia o capítulo 5 do livro: ESCORSIN, A. P.; WALGER, C. Liderança e Desenvolvimento de Equipes. Curitiba: InterSaberes, 2017. Saiba mais Leia mais sobre métodos de treinamento: . Acesso em: 6 ago. 2019. 3.8 E-learning Existem muitos métodos para realizar cursos na modalidade a distância (EaD), como o envio de materiais pelo correio, a transmissão de conteúdos pela televisão ou rádio e, mais atualmente, o uso da internet. No contexto de treinamento e desenvolvimento, o e-learning é uma modalidade de ensino a distância baseada no uso da tecnologia da internet com a finalidade de entregar uma ampla variedade de soluções que aumentam o desempenho e o conhecimento das pessoas. De acordo com Freire (2014, p. 222), no e-learning A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 11 usa-se a informática como mediadora entre o instrutor e o treinando, o que pode ser feito em duas modalidades: assíncrona ou síncrona: 1. A modalidade assíncrona “ocorre quando os participantes realizam as tarefas em dias e horários independentes da presença do professor ou tutor; ou seja, eles as realizam de acordo com sua conveniência” (Freire, 2014, p. 222). Um treinamento nessa modalidade pode ser feito com a disponibilização de material na intranet e internet, para que os treinandos acessem quando tiverem disponibilidade, considerando o tempo em que o conteúdo estiver disponível. 2. A modalidade síncrona se dá “quando as trocas ocorrem no momento em que os professores e tutores estão on-line; para que isso ocorra, devem ser definidos dias e horários para realização de atividades” (Freire, 2014, p. 222). Neste caso, os treinandos devem se conectar ao mesmo tempo no sistema, de acordo com o horário programado, para receber instruções ou interagir com o instrutor. De acordo com Chiavenato (2010, p. 381), o e-learning baseia-se em três fundamentos: Permite uma rede (network) que torna capaz de atualizar, armazenar, distribuir e compartilhar instantaneamente conteúdo de instrução e informação. Pode ser entregue ao usuário final via computador utilizando tecnologia padrão da internet. Focaliza o aspecto mais amplo da aprendizagem, ou seja, vai além dos paradigmas tradicionais do treinamento. Não é limitado à entrega de instrução. Ainda segundo Chiavenato (2010, p. 382), o e-learning traz os seguintes benefícios: Baixo custo: por permitir que diversas pessoas recebam o mesmo treinamento, o custo é pulverizado, tornando-o mais barato de acordo com a relação custo-benefício. Melhora a reatividade do negócio: permite que muitas pessoas sejam treinadas ao mesmo tempo, independentemente da localização geográfica. Pode ser genérico (quando o mesmo conteúdo é apresentado da mesma maneira para diferentes aprendizes, de diferentes empresas) ou customizado (quando é ajustado para diferentes necessidades de aprendizagem das pessoas ou grupos). Universalidade: pode ser acessado através dos protocolos internacionais da internet, a qualquer tempo e em qualquer lugar. Contudo, além dos benefícios, o e-learning também apresenta limitações enquanto uma ferramenta de treinamento. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 12 Vejamos a síntese desses conteúdos, apresentada por Freire (2014) na tabela abaixo. Tabela 1 – Resumo de métodos CATEGORIA BENEFÍCIOS LIMITAÇÕES Recursos Financeiros - Redução de custos, viagens, tempo de deslocamento e infraestrutura - Aumento do número de alunos, com baixo custo incremental - Alto investimento inicial - Investimento em equipamentos - Estrutura para atendimento ao aluno Gestão do Curso - Uniformidade e consistência das mensagens - Informações mais completas - Facilidade e rapidez para atualização - Estruturas curriculares mais flexíveis - Treinamento de grande número de alunos simultaneamente - Falta de preparo dos professores - Mais dedicação do professor - Falta de clareza produz impacto negativo - Falta de flexibilidade nas tecnologias Dinâmica do Grupo - Integração de pessoas distantes geograficamente - Construção de comunidades virtuais - Perda do aspecto social do aprendizado - Sentimento de isolamento E-learning - Ritmo do curso adaptado ao aluno - Acesso de qualquer lugar e a qualquer hora - Postura ativa diante do próprio processo de aprendizagem - Mais participação do aluno - Dificuldade de leitura e interpretação de textos - Manutenção da postura passiva - Dificuldade para usar a tecnologia Leitura obrigatória A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 13 Leia o capítulo 8 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Leia mais sobre e-learning: TEMA 4 – TREINAMENTO DE INTEGRAÇÃO O treinamento de integração também é conhecido como orientação ou socialização de novos colaboradores. Trata-se de um procedimento para dar aos novos contratados informações básicas sobre a empresa e sobre a tarefa que irão executar. A importância desse tipo de treinamento está no fato de que a seleção cuidadosa de pessoas não garante que elas vão atuar de maneira eficaz, pois ninguém pode desempenhar bem a sua tarefa se não sabe o que fazer ou como fazer. De acordo com Dessler (2014, p.173), além de repassar informações essenciais para o desenvolvimento do trabalho, a integração dos novos colaboradores deve ajudá-los a criar vínculos coma empresa, objetivando: Fazer com que o novo funcionário se sinta em casa e parte da equipe; Certificar-se de que o novo funcionário tem a informação básica para trabalhar de forma eficaz, como o acesso a e-mail, políticas de pessoal e benefícios, e o que o empregador espera em termos de comportamento no trabalho; Ajudar o novo funcionário a compreender a organização em um sentido amplo (seu passado, presente, cultura, estratégias e visão de futuro); Socializar a pessoa e passar os valores da empresa e formas de fazer as coisas. Existe uma ampla variação no que se refere à duração dos programas de integração, pois podem durar de uma hora a uma semana, dependendo da programação e do que se deseja alcançar. Ao organizar o treinamento, é importante identificar quais informações devem ser repassadas. Como exemplo, podemos organizar o treinamento da seguinte forma: Etapa 1: Visão Geral da Empresa Etapa 2: Direitos e Deveres A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 14 Etapa 3: Tarefas Específicas Na etapa 1, o foco é apresentar a empresa para o novo colaborador; isso pode ser feito por um vídeo institucional ou por uma preleção da própria área de recursos humanos ou de relações institucionais. O importante nessa fase é contar o histórico da empresa, quando e porque foi fundada, acontecimentos importantes ao longo desse tempo etc. Recomenda-se expor sua missão, visão e valores, e como ela é organizada em termos de departamentos e organograma. Nesse momento, também é importante que o novo colaborador conheça quais são os principais produtos ou serviços da empresa, seus principais clientes e fornecedores. Também pode ser recomendável fazer um tour com o novo colaborador nas dependências da empresa, ou seja, levá-lo para conhecer as instalações, os setores etc. Na etapa 2, é importante deixar claro quais são os direitos e deveres dos colaboradores e o que geralmente é feito pela área de recursos humanos. Pode- se também contar com o auxílio do departamento jurídico. Quando a empresa tem um Manual do Colaborador, ou Código de Conduta, ele costuma ser entregue nesse momento. Nessa fase, o importante é esclarecer dados como horário de trabalho, regras de vestimenta, obrigatoriedade quanto a uso de crachá ou equipamentos de segurança, políticas de pessoas, regras quanto ao uso de equipamentos eletrônicos, acesso a e-mail corporativo, senhas necessárias, quais são os benefícios oferecidos pela empresa e como fazer uso deles, quais são as regras quanto a férias, regras quanto a pagamento de salário, conduta dentro da empresa, enfim, tudo o que pode e o que não pode dentro da empresa. A etapa 3 pode ser acompanhada pela área de recursos humanos, mas é de maior responsabilidade do gestor dos novos colaboradores. O objetivo aqui é detalhar o departamento em que se irá trabalhar, como as coisas funcionam, o que é feito, quem é quem, quais são as tarefas desempenhadas, onde cada pessoa irá sentar, quais serão seus instrumentos de trabalho, como as tarefas devem ser conduzias, e assim por diante. Com esses cuidados, o novo colaborador estará mais familiarizado com a empresa e com suas tarefas, o que tende a facilitar sua aproximação com a empresa e seu bem-estar no local de trabalho. Leitura obrigatória A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 15 Leia o capítulo 3 do livro: LOTZ, E. G.; GRAMMS, L. C. Gestão de Talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012. Saiba mais Leia mais sobre e-learning: TROCANDO IDEIAS Faça um levantamento de opiniões acerca do que pensam os empresários, gerentes e administradores sobre os programas de treinamento e desenvolvimento. NA PRÁTICA Como acelerar o desenvolvimento dos empregados da empresa de calçados Líder? Arnaldo é gerente financeiro numa empresa de médio porte e atua no mercado há mais de 15 anos. No caso de seu emprego atual, sua experiência praticamente coincide com o tempo de existência da empresa, pois iniciou suas atividades nela há cinco anos, quando o negócio começava com os antigos sócios. Leia mais sobre este caso em: https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?id=802337. Acesso em: 6 ago. 2019. Agora reflita e responda: que tipos de treinamento podem ser usados por Arnaldo, com seus subordinados, a fim de: desenvolver habilidades técnicas mais rapidamente entre os novos empregados da área de finanças da empresa? melhorar competências de relacionamento entre os empregados novos e antigos? A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 16 promover maior integração entre empregados novos, que ainda não se conhecem muito bem? FINALIZANDO Nesta aula, conhecemos a fundo a execução do treinamento e desenvolvimento e tratamos dos cuidados necessários na organização do dia a dia. Também fomos apresentados aos principais métodos utilizados para treinamento no cargo e fora dele. Por fim, estudamos uma metodologia amplamente utilizada nos dias de hoje, que é o treinamento e-learning, além de tratar da importância do treinamento de integração para novos colaboradores. Agora você já está apto para conduzir um treinamento, mas é claro que é necessário se dedicar a conhecer o conteúdo que será ministrado e escolher a melhor ou as melhores técnicas para que os objetivos de aprendizagem sejam alcançados. Ainda falta você aprender a avaliar a eficácia do programa de treinamento e desenvolvimento, tema que será debatido na próxima aula. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 17 REFERÊNCIAS 6 BENEFÍCIOS do e-learning para sua organização ter sucesso. Impulse, Brasília, 1 jun. 2016. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. CARTONI, D. Técnicas para treinamento e desenvolvimento. Administradores.com, João Pessoa, 4 jun. 2011. Disponível em: . Acesso em: 6 ago. 2019. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas. São Paulo: Campus, 2010. DESSLER, G. Administração de Recursos Humanos. São Paulo: Pearson, 2014. ESCORSIN, A. P.; WALGER, C. Liderança e Desenvolvimento de Equipes. Curitiba: InterSaberes, 2017. 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