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TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO AULA 4 Profª Carolina de Souza Walger A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 2 CONVERSA INICIAL Os programas de treinamento são executados a partir do levantamento de necessidades e dos projetos elaborados com base em objetivos específicos para cada programa. Para saber se os resultados almejados foram alcançados, é necessário realizar uma avaliação da eficácia do programa de treinamento e desenvolvimento. Assim, chegamos à etapa da Avaliação do Programa de Treinamento, que será detalhada nesta aula. Por muito tempo, diversas organizações entendiam os programas de treinamento e desenvolvimento como gastos sem justificativa ou resultado. Contudo, a partir da visão da gestão estratégica de pessoas, sabemos que os gastos nesses programas são na verdade investimento; como qualquer outro investimento, requerem um retorno calculado, o que só é possível por meio da avaliação. CONTEXTUALIZANDO Em um treinamento, sempre se observa que alguns aprendem mais rapidamente e outros têm um ritmo mais lento. Vamos refletir sobre essa situação: Em sua opinião, de que modo o treinamento deveria ser avaliado, considerando que os participantes sempre apresentam tempos diferentes de aprendizagem? Seria melhor elaborar um treinamento com foco naqueles que têm ritmo mais lento? Se não, o que poderia ser feito? Como você pode ver, avaliar se alguém aprendeu ou não, e o modo como aprendeu, é um desafio. Esse desafio é visível para os profissionais que trabalham com treinamento e desenvolvimento. Hoje, vamos conhecer alguns caminhos para enfrentar esse desafio. TEMA 1 – IMPORTÂNCIA DA AVALIAÇÃO DOS PROGRAMAS DE TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO A última etapa dos Programas de Treinamento e Desenvolvimento é a avaliação. De acordo com Chiavenato (2010), essa é a etapa final de um programa de treinamento e desenvolvimento, e seu objetivo é verificar sua A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 3 eficácia. Ou seja, por meio dessa análise podemos identificar se o treinamento realmente atendeu às necessidades da organização, das pessoas e dos clientes. Afinal, para que seja efetivo, um treinamento deve gerar resultados; para tanto, é necessário saber se os objetivos propostos foram atingidos. Além de identificar se os objetivos foram alcançados, Knapik (2011) esclarece que a avaliação do treinamento serve para realimentar o ciclo de aprendizagem, trazendo novas necessidades de desenvolvimento de competências e podendo atuar como um indicador de necessidades para treinamentos futuros. Chiavenato (2010, p. 382) defende que “os programas de treinamento representam um investimento em custo – os custos incluem materiais, tempo do instrutor, perdas de produção enquanto os indivíduos estão sendo treinados e não desempenhando seus cargos”. Portanto, é necessário que a organização obtenha um retorno desse investimento, o que poderá ser mensurado a partir da avaliação do programa de treinamento e desenvolvimento. Minicucci (2007) esclarece que, para realizar uma avaliação, é preciso inicialmente estabelecer metas específicas, para que com isso seja possível desenvolver instrumentos de avaliação. Feito isso, é necessário pré-avaliar os indivíduos que irão participar do treinamento, executar o treinamento de forma eficiente e, por fim, avaliar os resultados, já que evidenciam o progresso dos participantes. Para que a avaliação seja realizada, é preciso estabelecer alguns indicadores, constituídos como critérios de avaliação. De maneira geral, as principais medidas para avaliar o treinamento, segundo Chiavenato (2010, p. 382), são: Custo: qual o valor investido no programa de treinamento Qualidade: como o programa atendeu às expectativas Serviço: se o programa atendeu às necessidades dos participantes Rapidez: como o programa se ajustou aos novos desafios oferecidos, ou seja, a rapidez com que os conteúdos aprendidos foram aplicados na prática de trabalho de modo a permitir a adaptação das pessoas aos desafios de suas funções Resultados: quais os resultados que o programa ofereceu Assim, é necessário elaborar uma forma de avaliação que contemple todas essas variáveis. Chiavenato (2010, p. 385) aponta que a avaliação dos programas de treinamento poder ser feita em quatro níveis – o nível organizacional, de recursos humanos, do cargo e do treinamento. Os indicadores de cada um desses níveis são exemplificados a seguir, representando itens que podem ser mensurados antes e depois de o treinamento acontecer: A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 4 1) Avaliação no nível organizacional: Aumento da eficácia organizacional; Melhoria da imagem da empresa; Melhoria do clima organizacional; Melhor relacionamento entre empresa e colaboradores; Melhor atendimento ao cliente; Facilidade de mudanças e inovações; Aumento da eficiência; Envolvimento dos gerentes nas práticas de treinamento. 2) Avaliação no nível de recursos humanos: Redução da rotatividade e absenteísmo do pessoal; Aumento da eficácia individual e grupal; Elevação dos conhecimentos das pessoas; Mudanças de atitudes e comportamentos das pessoas; Aumento da competência das pessoas; Melhoria da qualidade de vida no trabalho. 3) Avaliação no nível dos cargos: Adequação das pessoas aos requisitos exigidos pelos cargos; Melhoria do espírito de grupo e da cooperação; Aumento da produtividade; Melhoria de qualidade; Redução do índice de acidentes de trabalho; Redução do índice de manutenção de máquinas e equipamentos. 4) Avaliação no nível de treinamento: Alcance dos objetivos do treinamento; Retorno dos investimentos efetuados em treinamento. A partir dos indicadores sugeridos e dos níveis apresentados, os responsáveis pelo programa de treinamento e desenvolvimento podem planejar a avaliação. Existem basicamente quatro formas de avaliar um programa de treinamento e desenvolvimento: Avaliação de Reação, Avaliação de Aprendizagem, Avaliação da Aplicação da Aprendizagem no Trabalho e Avaliação do Retorno de Investimento. Essas quatro estratégias podem ser realizadas individualmente, contudo sugere-se que sejam utilizadas para todos os programas. Nos próximos tópicos, detalharemos cada uma delas. Leitura obrigatória Leia o capítulo 4 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 5 Conheça mais sobre a Avaliação dos Programas de Treinamento e Desenvolvimento: . Acesso em: 6 ago. 2019. TEMA 2 – AVALIAÇÃO DE REAÇÃO Esta estratégia de avaliação pondera a reação dos participantes ao treinamento, medindo a sua satisfação em relação à experiência – se gostaram ou não do treinamento. Com isso, é possível identificar os pontos fortes e fracos do programa e melhorá-los para o futuro. Milioni (2001) aponta que essa avaliação se refere às usuais medidas de reação pós-curso, que medem apenas a opinião final dos participantes, a qual é imbuída de forte carga de abstrações e subjetivismos. Para a realização da avaliação, os participantes preenchem, ao final do treinamento, um formulário (ilustrado na Figura 1) com perguntas dirigidas sobre diversos itens, como: ministrante, exercícios realizados, materiais utilizados, local do treinamento etc. O participante precisa assinalar uma escala com notas de 1 a 5 ou com uma classificação de ruim a excelente, indicando a suasatisfação com cada item. Figura 1 – Modelo de Avaliação de Reação AVALIAÇÃO DE TREINAMENTO TREINAMENTO: DATA: INSTRUTOR: LOCAL: LEGENDA F-FRACO / R-REGULAR / B-BOM / E-EXCELENTE ORGANIZAÇÃO F R B E Local Equipamentos Técnicas utilizadas no treinamento APRENDIZAGEM F R B E Aquisição de conhecimento Compreensão dos assuntos Participação A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 6 AVALIAÇÃO GLOBAL F R B E Oportunidade de participação em debates Troca de experiências e conhecimentos O evento cumpriu seus objetivos Relação com o dia a dia de trabalho AVALIAÇÃO DO INSTRUTOR F R B E Didática de ensino Domínio dos assuntos Disponibilidade para esclarecimentos CRÍTICAS E SUGESTÕES PARA ESTE TREINAMENTO: SUGESTÕES DE OUTROS TREINAMENTOS: DÊ UMA NOTA DE 0 A 10 PARA ESSE TREINAMENTO: Fonte: Knapik, 2011, p. 308-309. Como resultado, essa forma de avaliação oferece uma visão geral da opinião dos treinandos sobre o evento e alguns dos seus pormenores e pode propiciar uma breve leitura do que aconteceu, sob a ótica dos treinandos. Como as avaliações são preenchidas ao final do treinamento, é preciso considerar a contaminação do cansaço de fim de curso, das condições logísticas e até mesmo do clima emocional típico do encerramento de eventos, o que pode gerar uma tendência de resposta descompromissada. Vejamos alguns cuidados gerais na realização da Avaliação de Reação: Deixar espaço aberto no formulário para eventuais informações que não tenham sido previstas ou para que o respondente possa dissertar um pouco mais sobre uma ou mais das suas respostas. Ser conciso: a experiência mostra que duas a três folhas é o máximo que um formulário pode ter. Ser econômico nas palavras: é fundamental que as perguntas sejam curtas e objetivas. Como avaliador do treinamento, não confie exclusivamente em formulários, afinal ninguém responde aos formulários com 100% de precisão e isenção. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 7 De maneira geral, verificamos que a avaliação de reação não avalia o conteúdo do treinamento em si. Porém, oferece informações importantes para o setor responsável pelo treinamento. Com esses dados, é possível melhorar a organização dos próximos treinamentos, por exemplo: se local será o mesmo, se o material didático necessita de algum ajuste, se o ministrante pode ser mantido, e outros dados relevantes. Leitura obrigatória Leia o capítulo 10 do livro: KNAPIK, J. Gestão de Pessoas e Talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012. Saiba mais Confira alguns modelos de Avaliação de Reação (Acessos em: 6 ago. 2019). TEMA 3 – AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM A avaliação de aprendizagem é uma estratégia clássica de avaliação de programas de treinamento e desenvolvimento, e consiste em testes ou provas aplicados antes e/ou depois da execução do programa a respeito do conteúdo do treinamento. Seu objetivo é avaliar o nível de aprendizagem dos participantes, considerando o conhecimento que possuíam antes do treinamento e o conhecimento que passam a ter depois. Por meio dessa técnica, é possível identificar se os participantes adquiriram novas habilidades e conhecimentos e motivar os participantes a continuar aprendendo. Milioni (2001) alerta que, embora seja uma estratégia clássica, enfrenta resistências e rejeição da maioria das pessoas. Contudo, sua validade técnica é certeira. Para saber se você deve utilizar a estratégia de Avaliação de Aprendizagem, Castro (2001) propõe um fluxograma de decisão, representado na Figura 2. Ou seja, se as informações devem ser lembradas durante o dia a dia do trabalho, e se as habilidades devem ser aplicadas, se você precisa justificar o treinamento medindo o aprendizado e se a medição do A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 8 aprendizado irá motivar os participantes, a avaliação de aprendizagem deve ser utilizada. Figura 2 – Uso da avaliação da aprendizagem Fonte: Castro, 2001, p. 53. Queiroga et al. (2012) afirmam que a avaliação de aprendizagem deve verificar se os objetivos instrucionais foram alcançados e se houve assimilação do conteúdo. Os objetivos instrucionais são basicamente descrições dos comportamentos observáveis que são necessários para a realização do trabalho. Portanto, a avaliação de aprendizagem está relacionada à capacidade de demonstrar, ao final do treinamento, os conhecimentos, habilidades e comportamentos que haviam sido definidos nos objetivos do programa. Existem inúmeros instrumentos possíveis de serem utilizados para essa avaliação, como questionários, testes, escalas, listas de verificação, roteiros de observação, entrevistas e etc. A escolha e a montagem dos instrumentos deve estar sempre alinhada ao objetivo que foi traçado para o treinamento e, A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 9 consequentemente, ao que se espera que o aprendiz saiba ao final do treinamento. Leitura obrigatória Leia o capítulo 4 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Veja um modelo de Avaliação da Aprendizagem: . Acesso em: 6 ago. 2019. TEMA 4 – AVALIAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS CONHECIMENTOS AO TRABALHO Segundo Zerbini et al. (2012), as organizações investem cada vez mais em ações de treinamento com a intenção de que os participantes aprendam e transfiram novos conhecimentos, habilidades e atitudes para o ambiente de trabalho; ou seja, a expectativa é que as práticas de treinamento sejam capazes de produzir efeitos positivos sobre o desempenho do profissional. Por isso, avaliar a aplicação dos conhecimentos ao trabalho (ou a transferência de treinamento) é tão importante. A transferência de treinamento é a aplicação eficaz, no contexto de trabalho, dos conhecimentos, habilidades e atitudes adquiridos durante o treinamento. Esse conceito considera a mudança na forma de desempenhar as atividades de trabalho a partir das aprendizagens adquiridas no treinamento. Assim, as competências adquiridas pelo aprendiz devem ser aplicadas nos processos de trabalho, o que gera impactos no desempenho e nos resultados em longo prazo. Isto é, os efeitos devem ser de longa duração (Zerbini et al., 2012). Por meio dessa estratégia de avaliação, estima-se se o aprendizado adquirido pelo participante está sendo aplicado no trabalho, observando a eficácia do treinamento no dia a dia laboral. Assim, o principal objetivo é saber se houve mudança no comportamento e melhoria no desempenho do treinando. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 10 Essa avaliação não deve ser realizada logo após o treinamento, mas ao longo do tempo, em período posteriores, como uma semana, um mês, seis meses. Para que a avaliação possa ser realizada, é necessário construir uma escala que deve ser preenchida pelos gestores, colegas de trabalho e clientes. Milioni (2001) explica que essa técnica acaba por envolver outros profissionais na avaliação (gestores, colegas e clientes), que devem ser escolhidos pelos responsáveis do programade treinamento e desenvolvimento. É importante lembrar que esses avaliadores devem ser sensibilizados quanto à relevância da avaliação, precisam conhecer quais comportamentos devem ser avaliados, e precisam ser treinados a observar com cuidado e preencher o formulário de avaliação adequadamente. Para realizar uma avaliação, é necessário que os avaliadores tenham um check-list com os comportamentos que devem ser acompanhados, cobrindo todos os tópicos do conteúdo programático e destacando os comportamentos que se espera dos treinando após o treinamento. Não há restrição para o uso desse método, ainda que seja difícil identificar as pessoas com condições e disposição para contribuir enquanto observadores locais. Leitura obrigatória Leia o capítulo 5 do livro: LOTZ, E. G.; GRAMMS, L. C. Gestão de Talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012. Saiba mais Leia mais sobre Avaliação da Aplicação do Conhecimento ao Trabalho: . Acesso em: 6 ago. 2019. TEMA 5 – AVALIAÇÃO DO RETORNO DO INVESTIMENTO A avaliação do retorno do investimento (ROI) é prática comum e amplamente disseminada pela Administração Financeira. Seu objetivo é mensurar qual o retorno obtido pela organização com os investimentos realizados. Como estamos considerando os programas de treinamento e desenvolvimento como um investimento, nada mais justo do que avaliá-los também nesse sentido. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 11 Chiavenato (2010) explica que o objetivo aqui é identificar o valor que o treinamento agregou à organização em termos de retorno sobre o investimento feito, considerando os impactos do programa de treinamento e desenvolvimento nos negócios da empresa e identificando se os benefícios obtidos compensam os custos envolvidos. Castro (2001) esclarece que o foco aqui é a verificação do que a organização ganhou e do quanto gastou, para chegarmos a uma relação entre o investimento e os benefícios obtidos, o que fornece uma avaliação empresarial para continuar o treinamento. Para identificar o retorno, é preciso que os objetivos estejam claros, para que assim possam ser mensurados. Como objetivos, podemos considerar a redução de custos, o aumento de lucratividade ou produtividade, a economia de tempo, a melhora da qualidade, a redução de erros, a diminuição da rotatividade etc. Os objetivos, por sua vez, devem ser desdobrados em indicadores precisos, que possam ser mensurados em termos monetários. Por exemplo, se o objetivo é aumento de rendimentos, podemos traçar os seguintes indicadores: a) número de produtos produzidos e b) número de processos concluídos, ambos quantificáveis em termos monetários. Para o objetivo economia de tempo, os indicadores seriam: a) quantidade de horas extras, b) tempo parado de equipamentos. Para o objetivo melhoria na qualidade, os indicadores: a) quantidade de feedbacks positivos versus feedbacks negativos de clientes, b) volume de retrabalho requerido, c) número de queixas. Para o objetivo redução de erros, os indicadores: a) número de erros, b) número de problemas de segurança. Conhecendo os objetivos e os indicadores e tendo os seus valores monetários, é possível fazer dois tipos de cálculos: o de custo/benefício e o de Retorno do Investimento (ROI). Na relação custo/benefício, deve-se dividir o valor do benefício pelos custos. Por exemplo, considere um programa de treinamento que produziu benefícios de R$ 321.600,00 com o custo de R$ 38.233,00. Para encontrar a relação custo benefícios, divide-se o benefício (R$ 321.600,00) pelos custos (R$ 38.233,00), ou seja, a relação é de 8,4. Significa dizer que, para cada R$ 1,00 investido, houve retorno de R$ 8,40. Para calcular o retorno do investimento (ROI), subtraímos os custos dos benefícios totais para gerar o valor do benefício líquido, e então dividimos pelo custo. Vamos partir do mesmo exemplo de treinamento que produziu benefícios de R$ 321.600,00 com o custo de R$ 38.233,00. O cálculo é: A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 12 R$ 321.600,00 – R$ 38.233,00 = R$ 283.367,00 R$ 283.367,00 : R$ 38.233,00 x 100 = 741% O ROI é de 741%, ou seja, para cada R$ 1,00 investido, houve retorno de R$ 7,40 em benefícios líquidos para a organização. Fórmula do ROI benefícios líquidos (benefícios – custos) x 100 custos Para melhor compreender o cálculo do custo/benefício e do ROI, observe um outro exemplo, agora de um treinamento com benefício total de R$ 3.557.000,00 e custo de 1.176.200,00 (Tabela 1). Nesse caso, o custo benefício foi de 3,2, ou seja, para cada R$ 1,00 investido, a organização obteve R$ 3,20 de retorno. O ROI foi de 202%, ou seja, para cada R$ 1,00 investido a empresa teve um retorno de R$ 2,02. Tabela 1 – Dados do exemplo BENEFÍCIOS ORGANIZACIONAIS R$ (ANO) Aumento de Produtividade 1.350.000,00 Economia de Tempo 1.577.000,00 Melhora da Qualidade 630.000,00 Redução de erro não mensurado Total de benefícios 3.557.000,00 INVESTIMENTOS R$ Custo Médio por Participante 5.881,00 População Total 200 Total de Investimento 1.176.200,00 ROI 202% Relação Custo/Benefício 3,2 Fonte: Castro, 2001, p. 73. Como comentamos no início da aula, os gastos com treinamento e desenvolvimento precisam ser vistos como investimento pelas organizações. Por isso, os cálculos de retorno de investimento são fundamentais para que a gestão de pessoas possa argumentar com a direção da empresa a importância desses A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 13 investimentos, deixando visível os benefícios tangíveis e intangíveis de um treinamento. Leitura obrigatória Leia o capítulo 4 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Leia mais sobre avaliação do retorno do investimento (acessos em 6 ago. 2019): TROCANDO IDEIAS Você sabe como você aprende? Você sabe como as pessoas que trabalham o estudam com você aprendem? Tendo em vista essas diferenças, como você acha que os sistemas de avaliação poderiam ser adaptados para cada necessidade? NA PRÁTICA Veja a reportagem e responda aos questionamentos a seguir (Stochero, 2012): Anac manda fiscal que só conhece Boeing avaliar novo piloto de Airbus Inspetores responsáveis por avaliar pilotos que pretendem tirar licença para pilotar aviões – documento conhecido como “brevê” – e comandar voos de companhias aéreas brasileiras estão sendo convocados a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) para realizar os testes em aeronaves nas quais não são habilitados. Em um dos casos, um checador que só conhece o sistema da Boeing foi convocado para testar pilotos que irão comandar voos de Airbus. [...] A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 14 1. A ANAC está ferindo algum dos pressupostos da avaliação de treinamento? 2. Um avaliador que conhece apenas o sistema da Boeing pode avaliar os voos da Airbus? 3. Como deveria ser a avaliação desse treinamento? FINALIZANDO Nesta aula, conhecemos as estratégias de avaliação dos programas de treinamento e desenvolvimento. As técnicas apresentadas foram: avaliação de reação, avaliação de aprendizagem, avaliação da aplicação da aprendizagem no trabalho e avaliação do retorno do investimento. Embora essas técnicas possam ser aplicadas isoladamente, o ideal é que as quatro sejam aplicadas para todos os programas de treinamento,pois evidenciam resultados sob pontos de vista diferentes. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 15 REFERÊNCIAS CASTRO, A. P. Validação e Avaliação do Treinamento. In: BOOG, G. G. (Org.) Manual de Treinamento e Desenvolvimento: um guia de operações. São Paulo: Pearson Makron Books, 2001. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. 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