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TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO AULA 5 Profª Carolina de Souza Walger A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 2 CONVERSA INICIAL Olá, bem-vindo. Nesta aula, nosso objetivo é ir um pouco além e conhecer temas bastante atuais na área. Por isso, vamos começar falando sobre treinamento e desenvolvimento por competência. O conceito de competência mudou drasticamente a forma de se fazer gestão e a gestão de pessoas, por isso não podemos ignorar os impactos da gestão por competências também na área de treinamento e desenvolvimento. Depois, vamos explorar um pouco como se faz o desenvolvimento de equipes e de lideranças, visto que são os principais desafios para as organizações: ter lideranças eficazes e equipes que consigam atingir os objetivos. Por fim, vamos falar da educação corporativa e das universidades corporativas, tendência em grandes organizações que realmente se preocupam com o desenvolvimento de seus colaboradores. Vamos lá! CONTEXTUALIZANDO Você já assistiu ao filme O Diabo Veste Prada (2006)? Se não assistiu, fica a indicação para você. Você vai acompanhar a trajetória e os conflitos pessoais e profissionais de Andrea Sachs, jornalista recém-admitida em uma grande revista de moda1. Miranda (Meryl Streep) é chefe e editora da revista de moda Runaway, que humilha sua nova funcionária Andrea Sachs (Anne Hathaway), uma jovem recém-formada em jornalismo. Durante o filme, a assistente revê seus objetivos pessoais e profissionais e começa a questionar se deve aceitar os valores e comportamentos impostos por Miranda, refletindo se não está pagando um preço muito alto pelo sucesso. O filme nos faz pensar sobre quem somos e o que desejamos para nossa vida pessoal e profissional. Convida-nos a identificar as nossas competências pessoais e profissionais e avaliar se elas estão alinhadas às competências das organizações nas quais trabalhamos. Também nos permite refletir sobre as 1 Elaborado com base em Freire, 2014. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 3 competências de um líder e estratégias que ele tem para desenvolver sua equipe. A partir disso, vamos conhecer os temas desta aula. TEMA 1 – TREINAMENTO E DESENVOLVIMENTO POR COMPETÊNCIAS Sabemos que, embora o termo competência seja associado à qualificação de um indivíduo na execução de determinada atividade, no âmbito da gestão por competências, a competência individual é compreendida como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes de uma pessoa e a capacidade dela de colocá-los em prática, gerando valor para a organização. Dessa definição de competência individual alguns conceitos são bastante importantes: Conhecimento: são os conhecimentos teóricos adquiridos por um indivíduo, os quais podem ser absorvidos por meio de uma leitura (de livro, manual, revistas etc.), de uma aula (seja no contexto educacional, como na escola, ou no contexto de treinamento em uma empresa ou até reportagens na televisão) ou de uma conversa (com alguém que domina determinada área). Habilidades: estão ligadas à capacidade do sujeito de colocar algum conhecimento em prática, ou seja, ele aprende a fazer algo. A habilidade de fazer algo pode ser decorrente de uma aula na qual o indivíduo precisou colocar algo em prática ou da simples execução rotineira de uma tarefa, o famoso “aprender na prática”. Atitudes: a atitude está relacionada ao querer fazer, isto é, a motivação do indivíduo em fazer algo. Compreende-se aqui que uma pessoa pode ter determinado conhecimento, pode saber como fazer algo, mas simplesmente não estar motivado para fazê-lo. Entrega: o conceito de entrega está relacionado ao resultado do que o indivíduo faz com o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que possui. Ao colocar esses elementos em ação, o profissional irá conseguir executar algo com proeza e “entregará” um resultado para a organização, que é o próprio trabalho bem executado. Vamos a um exemplo bem simples. Suponha que você queira aprender a tocar piano. Você vai à primeira aula e o professor apenas lhe apresenta o A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 4 instrumento, dizendo que ele é composto por tantas teclas, que cada uma tem a sua função. Ele também lhe mostra uma partitura e o ensina como a nota musical DÓ pode ser encontrada nessa partitura. Ao final dessa aula, você será um pianista? É claro que não: você apenas terá conhecimentos teóricos sobre tocar piano. Da segunda aula em diante, o professor permite que você aperte as teclas do piano e identifique o som de cada uma. Ele também ensina qual é a tecla que você deve apertar cada vez que lê a nota DÓ na partitura e assim por diante. Isso faz de você um pianista? Não! Você apenas desenvolveu a habilidade de ler uma nota na partitura e saber qual é a tecla que você deve tocar. Na medida em que você tiver atitude para treinar e se dedicar ao aprendizado, daí sim poderá se tornar um pianista. E qual é a entrega de um pianista? Podemos pensar na música boa e no entretenimento que o músico oferece ao seu público. Assim, podemos compreender que as competências nas organizações exigem o conhecimento, a habilidade, a atitude e a prática desses elementos para que uma entrega seja gerada. Dessa forma, a competência de um profissional pode estar associada ao desenvolvimento de uma tarefa exigida para um cargo no presente ou ao desenvolvimento de habilidades e comportamentos futuros; portanto, pode ser alvo tanto de programas de treinamento quanto de desenvolvimento (Freire, 2014). Quando se fala em gestão de pessoas por competências, o enfoque dos programas de treinamento e desenvolvimento é que o profissional deve desenvolver “capacidade para assumir atribuições e responsabilidades em níveis crescentes de complexidade” (Dutra, 2012, p. 65). Para o autor, o fato de a pessoa não ser olhada em função apenas do cargo que ocupa, mas sim de sua trajetória na organização, estimula uma relação de longo prazo. Assim, o que se pretende é que os profissionais estejam em constante desenvolvimento para que possam assumir novas tarefas e novos cargos ao longo do tempo. Desta forma, “o processo de desenvolvimento é a preparação da pessoa para posições mais complexas em termos de abrangências ou para carreiras diversas da que ela está engajada ou desempenhada” (Gramigna, 2007, p. 49). Segundo Dutra (2012), com a finalidade de desenvolver as competências, as organizações podem trabalhar de duas maneiras: com ações de desenvolvimentos formais e/ou com ações de desenvolvimento não formais. As ações formais são os programas estruturados, com conteúdos programáticos A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 5 específicos, metodologias didáticas, instrutores, material bibliográfico etc., como os cursos, por exemplo. As ações de desenvolvimento não formais são aquelas que acontecem no próprio trabalho ou de alguma forma estão ligadas à atuação profissional, porém de forma estruturada. Exemplos de ações não formais são a indicação de que o profissional participe de algum projeto específico ou realize uma visita técnica, dentre outras possibilidades. A abordagem por competências aplicada ao desenvolvimento de pessoas pode ter desdobramentos importantes, conforme aponta Dutra (2012): Análise das pessoas com base em sua individualidade: as pessoas deixam de ser avaliadas em função do cargo que ocupam e passam a ser avaliadas de acordo com a sua capacidade de entrega, ou seja, de acordo com a sua capacidade de apresentar resultados. Cabe ressaltarque, no caso de não ter as entregas esperadas, é preciso analisar se há algum problema motivado pela organização ou se há alguma deficiência nas competências do profissional. Análise das deficiências individuais: para o autor, analisar a capacidade de entrega de uma pessoa permite detectar o porquê da não entrega. Assim, é preciso identificar se a deficiência apresentada está no nível do conhecimento, da habilidade ou da atitude para que se estabeleça um plano de desenvolvimento individual. Análise da efetividade das ações de desenvolvimento: após o estabelecimento de um plano de desenvolvimento individual, é preciso avaliar se ele foi efetivo, analisando as mudanças apresentadas pelo profissional. Adequação das ações de desenvolvimento: As organizações devem constantemente incentivar o desenvolvimento das competências dos seus colaboradores. Para esse desenvolvimento é preciso que se mantenha o foco nos pontos fortes das pessoas, pois as pessoas se desenvolvem usando de forma mais elaborada seus pontos fortes. Leitura obrigatória Leia o capítulo 2 do livro TAKAHASHI, A. R. W. Competências, Aprendizagem Organizacional e Gestão do Conhecimento. Curitiba: InterSaberes, 2015. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 6 Saiba mais Leia o texto disponível no link: . Acesso em: 6 ago. 2019 TEMA 2 – DESENVOLVIMENTO DE LIDERANÇA Segundo Escorsin e Walger (2017), a partir do final da década de 1980, no Brasil, os profissionais de Recursos Humanos que atuavam na área de treinamento e desenvolvimento passaram a estruturar programas que visavam à capacitação da liderança, em programas estruturados separadamente da formação dos demais colaboradores. Isto se deu em razão da mudança do perfil de líderes que as organizações passaram a requerer. De acordo com Escorsin e Walger (2017), os programas de desenvolvimento de líderes possibilitam: ampliar a compreensão sobre o negócio da organização, sobre as decisões estratégicas, sobre como a missão e a visão interferem em tais decisões, fornecendo aos líderes uma visão sistêmica da empresa; encontrar novas formas de possibilitar que os colaboradores de suas equipes compreendam os objetivos organizacionais, com o objetivo de que alcancem as metas traçadas para a organização e para as áreas; ampliar a compreensão sobre as formas de gerir pessoas, processos e resultados, desenvolvendo nos líderes a capacidade de alinhar esses três aspectos (gestão de pessoas, de processos e de resultados) e possibilitando que os colaboradores se sintam envolvidos com suas atividades e com a organização; adquirir novas compreensões a respeito deles mesmos, seja como pessoas ou como profissionais, aprendendo o caminho para o constante autoconhecimento e, com isso, conseguindo refletir sobre suas práticas e seus estilos de liderar. No que se refere aos temas que podem ser trabalhados nos programas de treinamento de líderes, Escorsin e Walger (2017) pontuam: planejamento estratégico: o líder precisa aprender o que é, como faz e quais as ferramentas, para que possa contribuir com o planejamento da A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 7 organização, mas também para que possa estruturar sua área de forma estratégica e alinhada à empresa; aspectos financeiros e orçamentários: um líder precisa saber como gerir sua unidade de negócio de forma a alcançar objetivos financeiros, com orçamento direcionado para aquilo que é foco do negócio; o líder deve ser treinado sobre como fazer a gestão de pessoas: é o líder que utiliza os processos de Recursos Humanos definidos pela organização. Boog (1994, p. 3), diz que "todo gerente é também um gerente RH". Com isto o autor quer dizer que a área de Recursos Humanos implanta processos para a gestão de pessoas, mas é o líder que os utiliza na condução diária de suas equipes. Assim, esse tema deve ser foco de treinamento para os líderes. Já os programas de desenvolvimento, segundo Escorsin e Walger (2017), focam aspectos como: Conhecimento de si mesmo: exploração de conteúdos que propiciem o autoconhecimento e autodesenvolvimento. Relacionamento interpessoal: propiciam vivenciar conteúdos como: comunicação, trabalho em equipe, gestão de conflitos, entre outros. Esses temas propiciam a aceitação e o respeito às diferenças e às ideias das pessoas; compreensão sobre os estilos de personalidade; entendimento das formas de comunicação verbal, não verbal e a escuta; entendimento sobre assertividade; compreensão sobre como dar e receber feedback; entendimento sobre as diferentes formas de percepção; compreensão sobre como gerenciar conflitos na equipe, com os clientes ou com os demais líderes da organização de forma a conduzir relações de trabalhos saudáveis, possibilitando administrar o estresse provenientes das diferenças individuais. Liderança: o líder precisa conhecer o tema de sua carreira. Ao assumir um cargo de gestão, deixa de ser técnico e passa a desempenhar outros papéis e a ter outras responsabilidades. A organização precisa ter claro o perfil de líder aderente às suas estratégias, para então desenvolver sua equipe de liderança nos aspectos que compõem tal perfil. Este costuma ser um importante tema nos programas de desenvolvimento. Costumam ser aspectos abordados: influência do líder no clima da equipe; influência A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 8 do estilo de liderança na maturidade da equipe; delegação de atribuições; o líder como um desenvolvedor do capital humano; liderança e alinhamento às estratégias organizacionais; gestão do tempo, entre outros. Para Chiavenato (2010, p. 369), existem fatores que afetam a formulação dos programas de desenvolvimento de líderes. Como a transformação é um dos objetivos fortemente envolvidos nesses programas, faz-se necessário o apoio da alta direção: este é um requisito fundamental para a efetividade desses programas. Implantar tais programas requerer investimento de tempo, esforços e recursos financeiros. O apoio da direção deve ser concreto, constante e comunicado claramente. Esse apoio favorece o engajamento da liderança, sem qual os programas podem se fragilizar e não trazer os resultados necessários. Também é necessário o compromisso dos líderes que vão participar dos programas: os líderes precisam estar intimamente ligados e envolvidos com os programas; para isso, devem atender às suas necessidades de capacitação. Além disso, o comprometimento da área de Gestão de Pessoas: esta é a área responsável por estabelecer, desenvolver e acompanhar as ações propostas para os programas, requerendo dos profissionais que atuam na área profundo conhecimentos sobre as estratégias a serem utilizadas, conhecimento sobre os princípios que norteiam a aprendizagem de adultos no ambiente corporativo e conhecimento sobre a complexidade da organização. As empresas se desenvolvem em tempos diferentes, têm estruturas diferentes, algumas são mais tradicionais e outras, mais inovadoras. O profissional da área de Gestão de Pessoas precisa compreender claramente o cenário empresarial antes de implementar tais programas. Este é um outro fator crítico de sucesso. Leitura obrigatória Leia o capítulo 3 do livro: ESCORSIN, A. P.; WALGER, C. Liderança e Desenvolvimento de Equipes. Curitiba: InterSaberes, 2017. Saiba mais Assista aos vídeos disponíveis nos links (acessos em: 6 ago. 2019): A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@hotm ail.com 9 TEMA 3 – DESENVOLVIMENTO DE EQUIPES De acordo com Escorsin e Walger (2017), as equipes se tornam cada vez mais essenciais para qualquer organização estruturar suas atividades e obter resultados. O desenvolvimento de equipes funciona como uma ferramenta de intervenção utilizada pelas áreas de Gestão de Pessoas das organizações para mobilizar mudanças na forma de funcionamento das equipes, de modo a propiciar melhora na efetividade das entregas de trabalho. Para Escorsin e Walger (2017), o desenvolvimento das equipes possibilita que: as pessoas adquiram ampla visão dos objetivos que equipe precisa atingir, criando uma identidade de equipe; contribui para que cada integrante compreenda o seu papel, sua forma de se relacionar e de se comunicar, o jeito de lidar com os conflitos existentes e a maneira como cada um pode contribuir para eficácia da área e da organização; os colaboradores possam compreender suas características de personalidade e o estilo com o qual cada um funciona; cada pessoa aprimore a capacidade de se observar e analisar o seu próprio funcionamento e o funcionamento dos demais componentes; os integrantes ampliem a percepção de si mesmo e do outro; a equipe potencialize suas competências, tornando-se capaz de ampliar sua performance e com isso aprimorar a qualidade de seus resultados; cada pessoa se posicione de maneira mais adequada para que a equipe possa atingir seus resultados. Para Chiavenato (2010, p. 421), o desenvolvimento de equipes é uma técnica que objetiva alterar o comportamento das pessoas. Equipes de vários níveis da organização podem precisar refletir sobre seu comportamento, mesmo em cargos mais elevados. A ideia básica é contribuir para equipes façam uma abertura de mentalidade e de ações para buscarem novas alternativas às suas demandas, necessidades ou problemas. Para Chiavenato (2010, p. 421), no programa de desenvolvimento de equipes as pessoas que compõem uma determinada área da organização (ou de várias áreas) se reúnem sob a coordenação de um profissional qualificado, que pode ser da área de Gestão de Pessoas, um consultor externo ou um líder A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 10 experiente. Essas reuniões devem ser previamente organizadas para permitir que as pessoas reflitam sobre suas formas de funcionamento e identifiquem pontos em que a colaboração possa ser mais frutífera, eliminando barreiras interpessoais de comunicação, pois puderam esclarecer e compreender as causas de possíveis conflitos ou problemas. Ao final da reunião a equipe pode fazer uma autoavaliação de seu comportamento e de seu comprometimento com as soluções definidas. A base para o desenvolvimento de equipes, aponta Chiavenato (2010, p. 422), está alicerçada em alguns fatores, os quais precisam ser compreendidos pelo profissional de Recursos Humanos ao elaborar programas de desenvolvimento para as equipes. São eles: A filosofia e missão da empresa: são fundamentais para que haja o envolvimento das pessoas e norteiam todos os programas de desenvolvimento, pois os programas precisam estar alinhados às estratégias organizacionais. A estrutura organizacional: é preciso haver clareza sobre como o trabalho das equipes ou das áreas está estruturado, o grau de envolvimento das pessoas com as diretrizes da empresa, o grau de delegação de atividades e de decisão estabelecidos pela liderança da empresa. Os sistemas organizacionais: é preciso verificar como as informações são fornecidas às pessoas e o grau de abertura da liderança para comunicar decisões. As políticas organizacionais: é necessário analisar aspectos como estabilidade de emprego ou o nível de tratamento similar entre as áreas e entre os colaboradores. Quando se conduz um programa de desenvolvimento, pode ser que algumas pessoas se sintam ameaçadas de perda de emprego, por julgarem que não estão correspondendo ao desempenho esperado pela empresa. É preciso ficar claro que foco do programa é contribuir para a melhoria contínua. As habilidades dos colaboradores, tantos as relacionadas com a execução das atividades como as interpessoais, além da cultura de trabalho em existente na empresa. De acordo com Escorsin e Walger (2017), costumam ser conteúdos trabalhados nos programas: A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 11 melhoria da compreensão sobre a empresa e sobre as metas organizacionais; melhoria das estratégias de negócios da área, inovação de modelos de atuação e da relação com clientes internos e externos; melhoria da performance da equipe, do relacionamento interpessoal, do ambiente de trabalho, da comunicação, da tomada de decisão, da gestão de problemas e de conflitos; minimização das diferenças individuais por meio do autoconhecimento e da melhoria do conhecimento entre os integrantes da equipe, entre outros conteúdos; alinhamento do relacionamento entre o líder e os colaboradores que integram a equipe. Leitura obrigatória Leia o capítulo 5 do livro ESCORSIN, A. P.; WALGER, C. Liderança e Desenvolvimento de Equipes. Curitiba: InterSaberes, 2017. Saiba mais Assista ao vídeo: . Acesso em: 6 ago. 2019. TEMA 4 – EDUCAÇÃO CORPORATIVA O termo educação corporativa refere-se ao processo educacional dos empregados de uma organização, os quais acontecem sob responsabilidade da própria empresa. A preocupação das organizações quanto ao aprendizado das pessoas tem se ampliado cada vez mais, pois o desenvolvimento delas acaba por favorecer a obtenção de resultados dos negócios. Chiavenato (2010) esclarece que a educação corporativa vem sendo estimulada por conta do ambiente turbulento decorrente da globalização, do desenvolvimento tecnológico, da competitividade e das mudanças rápidas e contínuas. Assim, há um interesse em incentivar a aprendizagem contínua, alinhando educação das pessoas a objetivos estratégicos da organização. Carvalho (2014) argumenta que a educação corporativa é uma estratégia capaz de promover vantagem competitiva e contribui para transformar oportunidades em negócios por meio do conhecimento desenvolvido e A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 12 compartilhado continuamente. Moscardini e Klein (2015) complementam que a educação corporativa favorece o aprendizado, cria condições para a inovação, o empreendedorismo e o desenvolvimento de líderes eficientes. As práticas de educação corporativa, segundo Moscardini e Klein (2015, p. 90) são os conjuntos de “ações educacionais que a empresa estabelece a fim de assegurar que todos os participantes da sua cadeia de valor possam desenvolver as competências profissionais necessárias para a concretização da estratégia organizacional, com foco no negócio”. Assim, o desenvolvimento da Educação Corporativa é uma estratégia para aumentar a competitividade, estimular a inteligência empresarial e disseminar uma cultura de aprendizagem em todos os níveis organizacionais. Os objetivos da Educação Corporativa podem ser resumidos de acordo com a Figura 1. Figura 1 – Objetivos da Educação Corporativa De acordo com Freire (2014), podemos considerar como ferramentas de Educação Corporativa: os programas de treinamento de curta e média duração, de cunho técnico, estratégico, comportamental e de gestão; o investimento em cursos de graduação e pós-graduação do quadro de pessoal, por meio do subsídio parcial ou total desses cursos em A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 13 instituições formadoras (faculdades, centro universitários euniversidades); a criação de Universidades Corporativas (UCs). Os programas de Educação Corporativa contam com diversas estratégias para capacitação e desenvolvimento de pessoas. Moscardini e Klein (2015) sintetizam essas estratégias em uma tabela, a qual será reproduzida a seguir: Quadro 1 – Estratégias de Educação Corporativa ESTRATÉGIAS DEFINIÇÃO COMO OCORRE AUTOINSTRUÇÃO Aprendizagem autodirigida. O indivíduo, por meio de sua maturidade, busca o conhecimento necessário para o seu desenvolvimento. O indivíduo recebe conteúdos e materiais impressos ou eletrônicos para estudar onde e como for mais adequado. AULAS EXPOSITIVAS Estratégia mais tradicional, em que os indivíduos aprendem em sala de aula, em contato com um instrutor ou professor. Representa uma educação formal, em que há uma programação e um conteúdo definido que deve ser trabalhado com os aprendizes. DEBATES Tipo de estratégia que permite a discussão e a reflexão em conjunto com facilitadores, professores ou outros participantes. Seminários, congressos, simpósios e discussão de leituras. Por meio do diálogo e do convívio, é possível absorver e interpretar o conhecimento. APRENDIZAGEM BASEADA EM PROBLEMAS Envolve a resolução de problemas identificados no contexto dos próprios aprendizes, relacionados às suas atividades na organização. A partir da identificação do problema central, busca-se compreender suas causas e seus efeitos e identificar meios para a sua resolução, com base em diversas fontes de informação. ESTUDO DE CASO Refere-se à análise de fatos reais e à proposta de soluções aos problemas apresentados. Esse conhecimento deve ser absorvido pelo máximo de pessoas que estão envolvidas em processos semelhantes. Pressupõe a análise de casos práticos de dentro ou de fora da empresa. É uma prática que pode ocorrer em grupo ou de forma individual. DRAMATIZAÇÃO Representação de uma determinada situação ou fato, gerando reflexão sobre algum processo que pode ser vinculado à organização. Representação de situações reais (drama). WORKSHOPS OU OFICINAS DE TRABALHO Envolve sessões de aprendizagem prática, por meio de ações e geração de produtos concretos ao final das atividades Evento conduzido por uma ou mais pessoas, com o objetivo de unir teoria e prática. É uma forma de materializar o conhecimento gerado entre os indivíduos. Há sempre um trabalho prático e um produto da oficina. BENCHMARKING Visa à observação de práticas de outras organizações, com o objetivo de aprendizado e adequação às necessidades da organização. Para aplicação dessa estratégia, é preciso ter um diagnóstico interno e um roteiro com os itens que devem ser avaliados. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 14 JOB ROTATION É uma atividade prática que permite aos indivíduos exercerem atividades diferentes dentro da organização, adquirindo uma visão sistêmica dos processos. O indivíduo é retirado de sua rotina de trabalho e conhece outros ambientes, exercendo diferentes atividades, o que estimula a prática e a reflexão sobre a prática. PARTICIPAÇÃO EM PROJETOS Trata-se de um aprendizado vivenciado na prática, em que o profissional tem uma meta específica a ser atingida no final do projeto. O indivíduo pode contar com um ou mais profissionais para orientá- lo na condução das atividades, proporcionando feedbacks constantes quanto ao seu desempenho. JOGOS Envolvem atividades lúdicas que podem ser tanto competitivas quanto colaborativas. Jogos pressupõem a existência de atividades que envolvem ações, com regras e objetivos claros a serem atingidos, assim como recompensas pelo sucesso obtido. COMUNIDADES DE PRÁTICAS São grupos de pessoas que compartilham interesses e conhecimentos comuns por algo que praticam. As pessoas compartilham suas experiências (de forma presencial ou em meio digital), por meio da narração de suas vivências prévias, colaborando na resolução de problemas. COACHING E MENTORING Envolve o acompanhamento do indivíduo por um profissional, em que o foco é o desenvolvimento por meio de diálogos que o incentivem a pensar em suas ações e em seu desenvolvimento. Pode ser conduzido por executivos, consultores externos e internos. Fonte: Moscardini; Klein, 2015, p. 93-94. Leitura obrigatória Leia o capítulo 8 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Leia mais sobre Educação Corporativa: . Acesso em: 6 ago. 2019. TEMA 5 – UNIVERSIDADE CORPORATIVA A criação de universidades corporativas (UCs) pode ser uma das estratégias para a educação corporativa. Como explica Freire (2014, p. 216- 217), a criação de uma UC é “uma estratégia para desenvolver e educar empregados, clientes, fornecedores e a comunidade em geral, com a finalidade de alcançar os objetivos da organização”. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 15 Ao optar por implementar uma UC, ou seja, uma universidade própria, as organizações visam aumentar a competitividade por meio do aumento do valor das pessoas, estimular e potencializar a inteligência empresarial e disseminar uma cultura de aprendizagem em todos os níveis organizacionais. Ainda de acordo com o autor, o surgimento das UCs esteve ligado a fatores como: 1. emergência de organizações flexíveis com capacidade de respostas rápidas ao mercado; 2. era do conhecimento como nova base para formação de riqueza na atualidade; 3. rápida obsolescência do conhecimento; 4. empregabilidade; 5. educação como estratégia global, principalmente com o advento da internacionalização. Como característica, Carvalho (2014) destaca que as UCs deslocam o objetivo principal do desenvolvimento de habilidades individuais para as competências do negócio, focando a aprendizagem organizacional. Assim, os cursos são desenhados a partir das estratégias do negócio. Outra questão importante é que as UCs não devem se limitar apenas ao ambiente interno da empresa (qualificando apenas os empregados), elas devem atingir o público externo também (como fornecedores, clientes, franquias etc.) Como resultado das UCs, as organizações têm obtido melhoria dos serviços oferecidos e aumento de lucratividade. No Brasil, diversas são as organizações que já contam com suas próprias universidades, como: Grupo Accor, Banco do Brasil, BNDES, Caixa Econômica, Grupo Globo, Carrefour, Bradesco e outras. Veja como estão organizadas algumas Universidades Corporativas no Brasil: Figura 2 – Exemplos de universidades corporativas A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 16 Fonte: Chiavenato, 2010, p. 389. A existência das UCs não elimina ou prejudica as universidades tradicionais, visto que cada uma delas cumpre objetivos diferentes e volta-se a públicos distintos. De acordo com Eboli (1999), podemos caracterizar o papel de cada uma delas da seguinte forma: Quadro 2 – Universidade tradicional versus universidade corporativa Universidade tradicional Universidade corporativa Desenvolver competências essenciais para o mundo do trabalho Desenvolver competências essenciais para o sucesso do negócio Aprendizagem baseada em sólida formação conceitual e universal Aprendizagem baseada na prática dos negócios Sistema educacional formal Sistema do desenvolvimento de pessoas pautado pela gestão por competências Ensinar crenças e valores universais Ensinar crenças e valores da empresa e do ambiente de negócios Desenvolver cultura acadêmica Desenvolver cultura empresarialFormar cidadãos competentes para gerar o sucesso das instituições e da comunidade Formar cidadãos competentes para gerar o sucesso da empresa e dos clientes Fonte: Eboli, 1999. Leitura obrigatória Leia o capítulo 8 do livro: FREIRE, D. A. L. Treinamento e Desenvolvimento em Recursos Humanos: encenando e efetivando resultados. Curitiba: InterSaberes, 2014. Saiba mais Conheça algumas universidades corporativas (acessos em: 6 ago. 2019): Universidade McDonald’s •Localizada em Barueri, SP. •Inaugurada em 1997. •Oferece treinamentos específicos relacionados às áreas de alimentação, eletricidade e refrigeração, cursos de interesse geral nas áreas de administração e qualidade. •Participantes: profissionais a partir da gerência. Grupo Accor •Localizada em Campinas, SP. •Inaugurada em 1992. •Oferece cursos sobre a cultura do grupo e assuntos de interesse geral, como criatividade, satisfação do cliente e etiqueta empresarial, dependendo da necessidade de cada departamento. •Participantes: funcionários. Universidade Brahma •Não tem espaço físico. •Inaugurada em 1995. •Oferece cursos específicos de interesse geral, que enfocam as diretrizes da empresa. •Participantes: funcionários. Universidade Motorola •Localizada em Jaguariúna, SP. •Inaugurada em 1999. •Oferece cursos gerenciais e técnicos. •Participantes: funcionários, clientes e fornecedores. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 17 Banco do Brasil: SENAI: Correios: Companhia Energética de Minas Gerais: 3M: TROCANDO IDEIAS Você já participou que algum programa de desenvolvimento de equipes? Como foi essa experiência? NA PRÁTICA Leia o caso a seguir2: Paulo Roberto atua como gerente de área de Marketing e Comercial do grupo AWP, que é formado por uma cadeia com quatro lojas que comercializam diversos produtos para casas e pessoas. Paulo Roberto tem sempre grandes desafios, pois as lojas estão localizadas em diferentes regiões do Brasil, o que faz com que tenha de estabelecer estratégias de marketing e de venda diversificadas para cada região. Os resultados de sua área são muito visíveis e acompanhados diretamente pela presidência do grupo. Paulo Roberto é um líder comprometido, reconhecido por sua equipe. Seu estilo de liderança está alinhado às demandas do Grupo AWP, e seu diretor sempre lhe fornece feedbacks positivos. A empresa tem implantado avaliações de desempenho. Neste ano, quando o diretor da área de marketing fez a avaliação com Paulo Roberto, percebeu que, durante o ano, ele havia apresentado algumas dificuldades para tomar decisões. Suas iniciativas e sua capacidade de inovação pareciam trazer poucos resultados ao grupo. Paulo Roberto sempre teve bom desempenho, mas, diante de um cenário do mercado com maior grau de complexidade e maior 2 Elaborado com base em Escorsin; Walger, 2007. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 18 competitividade, ele se sentiu com pouca visão estratégica para conduzir os projetos de marketing, para alinhá-los à situação socioeconômica do país. 1. Que considerações podemos fazer sobre o desempenho do gerente da área de marketing e comercial? 2. Do que esse gerente precisa? 3. De que forma um programa de treinamento e desenvolvimento o ajudaria? FINALIZANDO Nesta aula vimos a importância que os programas de treinamento e desenvolvimento tenham foco em competências, visto que essa é a tendência em Gestão de Pessoas. Também discutimos o desenvolvimento de lideranças, o que é essencial para as organizações. Os líderes não nascem prontos e exercem função primordial nas empresas, por isso a preocupação em prepará- los tem sido cada vez mais comum. As equipes de trabalho são altamente responsáveis pela consecução de objetivos por parte das organizações, por isso também debatemos sobre a importância do desenvolvimento das equipes de trabalho, para que elas se transformem em grupos de alto desempenho. Por fim, conversamos sobre a educação corporativa e sua estratégia de universidade corporativa, temas que também têm sido tendência em treinamento e desenvolvimento. A luno: LID IA N E LU C IA N A D E A Q U IN O G O IS E m ail: lidiane_gois@ hotm ail.com 19 REFERÊNCIAS BOOG, G. G. Manual de treinamento e desenvolvimento. São Paulo: Makron Books, 1994. CARVALHO, L. M. Educação corporativa e desempenho estratégico. Revista de Administração FACES Journal, v. 13, n. 3, p. 66-85, 2014. CHIAVENATO, I. Gestão de Pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. DUTRA, J. Competências: conceitos e instrumentos para a gestão de pessoas na empresa moderna. São Paulo: Atlas, 2004 EBOLI, M. Desenvolvimento e alinhamento dos talentos humanos às estratégias empresariais: o surgimento das Universidades Corporativas. São Paulo: Schmukles Editores, 1999. ESCORSIN, A.P.; WALGER, C. Liderança e Desenvolvimento de Equipes. Curitiba: InterSaberes, 2017. 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