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Contabilidade de Custos
Profa. Dra. Marcela Façanha 
A Evolução da Contabilidade
Da Contabilidade Financeira à Contabilidade de Custos, e da Contabilidade de Custos à Gerencial
Foco Externo: Voltada para bancos, governo, investidores e acionistas.
Visão Geral: Apresenta o patrimônio e os resultados globais da empresa (DRE, Balanço Patrimonial).
Dados Passados: Registra os fatos já acontecidos com rigor fiscal e legal.
Exemplo Simples
O Balanço do fim do ano mostra o lucro total da empresa, mas não diz quanto custou fabricar uma única unidade de produto!
1.1 O Ponto de Partida: Contabilidade Financeira
Com a Revolução Industrial, as empresas deixaram de apenas comprar e vender para FABRICAR produtos!
Antes da fábrica: Comprar por $10 e vender por $15 era fácil de apurar.
Com a fábrica: Como calcular o custo do produto reunindo matéria-prima, salários dos operários e energia da fábrica?
Solução: Criou-se a Contabilidade de Custos para avaliar os estoques e apurar o custo de fabricação.
1.2 O Surgimento da Contabilidade de Custos
A Contabilidade de Custos deixou de ser apenas um instrumento para avaliar estoques e passou a fornecer informações cruciais para a GESTÃO do negócio.
Formação do Preço de Venda: Por quanto devo vender meu produto?
Controle de Desperdícios: Onde estamos gastando demais?
Decisões Estratégicas: Devo fabricar internamente ou comprar pronto de um fornecedor?
1.3 A Evolução para a Contabilidade Gerencial
	Característica	Contabilidade Financeira	Contabilidade de Custos	Contabilidade Gerencial
	Público Alvo	Usuários Externos (Bancos, Fisco)	Interno (Apuradores de Custo)	Interno (Gerentes e Diretores)
	Objetivo	Demonstrar situação financeira legal	Apurar valor de fabricação/estoques	Apoiar a tomada de decisão futura
	Foco Temporal	Passado (Histórico)	Presente (Processo Produtivo)	Futuro (Orçamentos e Projeções)
	Obrigação Legal?	Sim (Exigida por lei)	Sim (Parcialmente p/ IR)	Não (Uso gerencial livre)
1.4 Resumo: A Tríade da Contabilidade
GASTO é o conceito "guarda-chuva". É o compromisso financeiro assumido na aquisição de qualquer bem ou serviço.
Ocorre quando a empresa compra algo (à vista ou a prazo).
Envolve o sacrifício financeiro da entidade.
Importante: Todo investimento, custo ou despesa é, primeiro, um gasto!
Exemplo da Pizzaria
A pizzaria comprou 10 sacos de farinha. A ação de comprar e assumir a conta é um GASTO.
2.1 O que é GASTO?
INVESTIMENTO é o gasto estocado no ATIVO da empresa para gerar benefícios em períodos futuros.
Fica guardado em estoque ou no patrimônio (máquinas, veículos, ferramentas).
Não é consumido imediatamente de forma integral.
Exemplo da Pizzaria
A compra do Forno de Pizza por R$ 15.000 é um investimento. Fica registrado no Ativo Imobilizado.
2.2 O que é INVESTIMENTO?
CUSTO é o gasto consumido DIRETAMENTE no processo de fabricação do produto ou prestação do serviço.
Ocorre dentro do ambiente fabril/produtivo.
Sem esse gasto, o produto final não é criado.
Exemplo da Pizzaria
A farinha e o queijo usados no forno, e o salário do Pizzaiolo são CUSTOS!
2.3 O que é CUSTO?
DESPESA é o gasto consumido para MANTER A EMPRESA FUNCIONANDO e GERAR RECEITAS (vendas/gestão).
Ocorre fora da fábrica (escritório, marketing, setor de vendas).
Necessária para vender o produto e administrar o negócio.
Exemplo da Pizzaria
Comissão do atendente do telefone, panfletos de propaganda e conta de luz do escritório administrativo são DESPESAS!
2.4 O que é DESPESA?
PERDA é um gasto anormal, involuntário e que NÃO traz nenhum retorno ou receita para a empresa.
Não faz parte do processo produtivo normal.
Decorre de acidentes, vazamentos, roubos ou validade vencida.
Exemplo da Pizzaria
Se o saco de farinha for roído por ratos no estoque ou se faltar energia e estragar o queijo, é uma PERDA!
2.5 O que é PERDA?
DESEMBOLSO é estritamente o PAGAMENTO EFETIVO (a saída do dinheiro do caixa ou banco).
Pode acontecer ANTES (pagamento antecipado).
Pode acontecer JUNTO (compra à vista).
Pode acontecer DEPOIS (compra a prazo parcelada).
2.6 O que é DESEMBOLSO?
1. GASTO
Assumiu a dívida comprou farinha e forno.
2. INVESTIMENTO
Farinha guardada no estoque / Forno no ativo.
3. CUSTO
Farinha usada na pizza pelo pizzaiolo no forno.
4. DESPESA
Gasto com motoboy de entrega e panfletos.
2.7 O Ciclo do Gasto na Prática
	Acontecimentos na Empresa	Classificação Contábil	Por quê?
	Compra de uma nova embaladora (à vista)	INVESTIMENTO	É um bem durável estocado no ativo.
	Tecido consumido na confecção de camisas	CUSTO	Insumo consumido diretamente no produto.
	Conta de telefone da equipe de vendas	DESPESA	Gasto para gerar vendas (fora da fábrica).
	Inundação destruiu lote de produtos	PERDA	Evento imprevisível e sem retorno.
2.8 HORA DE PRATICAR: Classifique o Item!
Definição: É o material principal e essencial que se integra fisicamente ao produto final.
Fácil Identificação: Você consegue olhar para o produto e identificar a quantidade exata utilizada.
Medição Direta: Facilmente mensurável por quilos, metros, litros ou unidades.
Exemplos Práticos
Trigo na padaria; Madeira na fábrica de móveis; Tecido na confecção de roupas; Couro na fábrica de calçados.
3.1 Primeiro Elemento: Matéria-Prima (MP)
Definição: É o trabalho dos operários que manuseiam diretamente o produto em transformação.
Aferição por Tempo: Pode ser apropriada ao produto medindo as horas trabalhadas na linha de montagem.
Inclui salários, encargos sociais (INSS, FGTS), férias e 13º salário da equipe da produção.
Exemplo Prático
O salário do costureiro na confecção ou do montador na linha de produção de carros.
3.2 Segundo Elemento: Mão de Obra Direta (MOD)
Definição: Todos os demais custos necessários para manter a fábrica funcionando, mas que não se aplicam diretamente a um só produto.
Exigem Rateio: Precisam de um critério de divisão para serem atribuídos aos produtos.
Exemplos de CIF: Aluguel do galpão industrial, energia elétrica da fábrica, lubrificante de máquinas, salário do supervisor da fábrica.
3.3 Terceiro Elemento: Custos Indiretos (CIF)
Fórmula do Custo Total de Fabricação (CP):
CP = MP + MOD + CIF
3.4 A Fórmula da Formação do Custo
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