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LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS (LIBRAS) Profº Lucas Lenartovicz 2026 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 2 Sumário INTRODUÇÃO. .......................................................................................................................................... 3 UNIDADE 1: ASPECTOS LEGAIS, HISTÓRICOS E CULTURAIS DA LIBRAS. ................................................ 4 Tópico 1- Quem são os Surdos? ........................................................................................................... 5 Tópico 2- Aspectos Legislativos na Educação de Surdos ...................................................................... 8 Tópico 3- Aspectos Linguísticos da Língua Brasileira de Sinais .......................................................... 13 UNIDADE 2: SINALÁRIO DE LIBRAS ...................................................................................................... 26 Tópico 1- Alfabeto Manual e Números .............................................................................................. 27 Tópico 2- Tempo e Calendário ........................................................................................................... 36 Tópico 3- Família ................................................................................................................................ 43 Tópico 4- Sentimentos ....................................................................................................................... 50 Tópico 5- Cores e Vestuários .............................................................................................................. 58 Tópico 6- Alimentos e Bebidas ........................................................................................................... 68 UNIDADE 3: SINALÁRIO DE LIBRAS ....................................................................................................... 90 Tópico 1- Lar ....................................................................................................................................... 91 Tópico 2- Escola e Objetos ............................................................................................................... 102 Tópico 3- Natureza e Animais .......................................................................................................... 112 Tópico 4- Meios de Transporte e Comunicação ............................................................................... 127 Tópico 5- Profissões ......................................................................................................................... 135 Tópico 6- Lugares Públicos ............................................................................................................... 143 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ....................................................................................................... 150 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 3 INTRODUÇÃO Sabemos que não existe maior barreira que a de comunicação, pois além de possuir uma deficiência, a falta da comunicação leva o indivíduo ter dificuldade para expressar seus pensamentos, ideias e até situações emocionais do cotidiano. Imagine uma criança de quatro anos reclamando para sua mãe de alguma dor que está sentindo, sem que ela a entenda. Ou mesmo, você está doente e precisa de uma consulta médica, mas o médico não te compreende. Outro exemplo corriqueiro que podemos citar é a dificuldade para conseguir um emprego ou até mesmo avançar os níveis de ensino com uma aprendizagem, gerada pela falta de comunicação. Situações como esta são frequentes na vida de um surdo desde criança. Um dos termos mais comuns usados pela sociedade em geral para direcionar aos surdos é o termo “deficiente auditivo”, rotulando-os de incapaz, devido ao tratamento dado a estes com sentimento de dó. Sabemos que atualmente existem diversos dispositivos legais, mas os direitos dos surdos não estão totalmente garantidos, pois ao visitarmos uma repartição pública, hospitais, lojas que possivelmente recebem essas pessoas, raramente possuem algum profissional capacitado para atendê-los. A Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS é a língua materna dos surdos brasileiros, e como qualquer outra língua, pode ser aprendida por qualquer pessoa interessada para se comunicar com os surdos. Sabe-se que uma língua para adquirir tal status de “língua” é necessário alguns requisitos científicos, tais como: gramática semântica, pragmática, sintaxe, morfologia e entre outros elementos. O processo de aprendizagem da Libras não é diferente, por exemplo, do processo de aprendizagem da língua inglesa ou espanhola. Demanda prática e dedicação! Nesta apostila “BÁSICO DA LINGUA BRASILEIRA DE SINAIS – LIBRAS” irá lhe proporcionar um pouco mais de conhecimento sobre a comunidade surda e seus aspectos. Que tal começa a fazer a diferença? Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 4 UNIDADE 1: 1 ASPECTOS LEGAIS, HISTÓRICOS E CULTURAIS DA LIBRAS. TÓPICO 1 – QUEM SÃO OS SURDOS? TÓPICO 2 – ASPECTOS LEGISLATIVOS NA EDUCAÇÃO DE SURDOS TÓPICO 3 – ASPECTOS LINGUÍSTICO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS B Á S I C O D E L I B R A S UNIDADE 1 TÓPICO 1 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 5 QUEM SÃO OS SURDOS? São aquelas pessoas que se comunicam com outras por meio do canal espaço- visual, em substituição à fala e à audição. O desenvolvimento da língua de sinais da maioria das pessoas surdas é consequência do contato e interação com outros surdos. Já aqueles que vivem isolados ou são restritos desses contatos, não desenvolvem um sistema linguístico e acabam se comunicando por gestos. Existem também terminologias que foram dadas aos sujeitos surdos no decorrer de sua história, umas, porém corretas e aceitas pela comunidade surda, outras não. Mas afinal, qual a terminologia correta? Deficiência Auditiva: Esse termo é comum ser encontrados em documentos legais e até mesmo na área da medicina, Menciona-se a uma perda sensorial auditiva, uma incapacidade parcial ou total de audição, não designando o grupo cultural dos surdos. Surdo-Mudo: Essa denominação é atribuída erroneamente ao surdo e infelizmente é muito utilizada nas mídias de comunicação, principalmente nos jornais, rádios e televisão. O que precisamos ter clareza é que esse termo une duas deficiências em uma só, o que é um fato equivocado. A mudez é uma deficiência totalmente desagregada da surdez. Existem surdos-mudos sim, mas são a minorias, pois além da surdez estes também apresentam a mudez como deficiência. Se uma pessoa é surda, não significa que ela é também muda, pois clinicamente falando, existem maneiras de reabilitação para fala, geralmente realizados com fonoaudiólogos, aos quais denominamos de surdos oralizados. É possível também um surdo nunca ter pronunciado uma palavra sequer, sem que seja mudo, por falta de exercícios. Pelo contexto histórico-social, emprega-se talvez a mais incorreta denominação atribuída ao sujeito surdo, o uso de Surdo-Mudo, por falta de conhecimento e o real significado de surdo. Esqueça esta ideia! UNIDADE 1 TÓPICO 1 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 6 - Surdez: Perda ou diminuição considerável de audição– Doenças CID-10. - Mudez: Perda ou diminuição considerável da fala – Doenças CID-10. Surdo: E por fim a terminologia mais aceita pelas comunidades surdas, a de “Surdo”, pois o indivíduo que se aceita como surdo se apropria de uma língua visual e espacial e consequentemente desenvolverá tanto no seu processo educacionalquanto social assumindo uma identidade própria. Como dito anteriormente existem quatro tipos de surdez, leve, moderada, severa e profunda. É considerada uma surdez de grau leve quando a audiometria, teste de audição, revela a perda acima de 25 e abaixo de 40 dB. Já a surdez de grau moderado, é a perda auditiva entre 41 e 55 dB, no qual os sons podem se estar distorcidos, abafados, o indivíduo possui dificuldade de ouvir os sons e falar no telefone. A surdez de grau severa compreende a perda auditiva de 71 a 90 dB, no qual os sons passam a se quase imperceptíveis. E por fim considera-se surdez de grau profundo a perda auditiva acima de 91dB, no qual sons como ronco das turbinas de aviões (120 dB), disparo de revolver (150 dB) são perceptíveis. UNIDADE 1 TÓPICO 1 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 7 DESMITIFICANDO OS ESTEREÓTIPOS UNIDADE 1 TÓPICO 2 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 8 ASPECTOS LEGISLATIVOS NA EDUCAÇÃO DE SURDOS Educação dos surdos: uma breve contextualização Em 1885, a pedido de D. Pedro II, o professor surdo Ernest Huet, veio para o Brasil com a intenção de fundar escolas para surdos no Brasil. A primeira escola criada foi a Imperial Instituto de Surdos Mudos que começou a funcionar no Rio de Janeiro, a partir do dia 1 de janeiro de 1856. Conhecida hoje como INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos) cuja escola era dirigida pelo Huet. (ROCHA, 2007). No ano de 1868, Dr. Tobias Rabello Leite fez um relatório no instituto, esse relatório constatou que não havia ensino e sim uma casa que servia de asilo para os surdos, sendo assim o diretor Manoel de Magalhães Couto foi afastado do instituto em seu lugar assume como diretor Dr. Tobias Rabello Leite. Tobias tinha como principal meta oferecer ensino profissionalizante e defendia o ensino agrícola (mandou preparar um terreno no jardim do instituto uma pequena horticultura, para que os alunos pudessem aprender atividades agrícolas. O instituto surdo “Imperial Instituto de surdos Mudos” não tinha objetivos de formar homens de letras e sim ensinar uma linguagem de relação social, tirando o isolamento. Metodologias utilizadas na educação dos surdos Nos dias 6 a 11 de setembro de 1880, visando discutir sobre a educação de surdos, o Congresso Internacional sobre a Educação de Surdos em Milão teve à participação de 182 pessoas, sendo a maioria ouvinte. Neste acontecimento foi decidido que ao invés de utilizarem o método gestual, deveriam, portanto, utilizar o método oral, pois se acreditava que as palavras eram, consideravelmente, superiores aos gestos (SILVA et al, 2006). Esse congresso atrapalhou muito o desenvolvimento dos surdos pois a maioria não conseguia se comunicar e expressar seus sentimentos. UNIDADE 1 TÓPICO 2 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 9 Os métodos de ensino dividem-se em três enfoques principais para trabalhar com o aluno surdo: oralismo, comunicação total e bilinguismo. O Oralismo visa a integração da pessoa com surdez na comunidade de ouvintes, dando-lhe condições de desenvolver a língua oral (no caso do Brasil, o português), esse método proibiu a comunicação gestual-visual diminuindo a sociabilidade do surdo, ou seja, foi um fracasso na educação dos surdos. (DIAS, 2006). O oralismo teve origem após o congresso de Milão e foi um método que prejudicou a educação dos surdos, pois a maioria dos surdos não desenvolveram a fala oral. Já o método Comunicação Total chegou ao Brasil no fim da década de setenta, onde era permitido a pessoa surda usar dois tipos de métodos de aprendizagem tanto gestual como oral, podendo usar entre vários recursos de comunicação que auxilia no objetivo de ensinar a linguagem oral. O método de comunicação total não trouxe resultados satisfatórios para os surdos, pois dava ênfase apenas no método oral e defendia os dois tipos de metodologias tanto a fala e os sinais (bimodalismo), e por ser duas línguas diferentes dificultou a aprendizagem dos alunos. Por fim, em meados dos anos 90, nas escolas para surdos, surgiu o método do bilinguismo, por meio do qual as crianças surdas aprenderiam ambas as línguas, sendo a primeira a Língua de sinais e a segunda a Língua Portuguesa, na modalidade escrita. Dessa maneira, possibilitou-se a construção da cultura surda e permitiu-se aos surdos desenvolverem suas aptidões e conviverem numa sociedade de comunicação. Esse método consiste em trabalhar com duas línguas no contexto escolar que são: Língua Portuguesa, na modalidade escrita e Língua Brasileira de Sinais. Essa metodologia de bilíngue é utilizada com os surdos em algumas instituições brasileira. UNIDADE 1 TÓPICO 2 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 10 Para Quadros (1997), o bilinguismo é uma abordagem de ensino que se preocupa em respeitar a autonomia das línguas de sinais, planejando um plano educacional que respeite e acompanhe a vivência social e linguística da criança surda. Aspectos legislativos na educação de surdos A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 aborda as políticas inclusivas das “pessoas com deficiência” (PCD) e assegura os direitos fundamentais das mesmas. Os artigos 205, 206 e 208 se referem a uma educação de qualidade e gratuita, estendendo-se nos diferentes níveis de ensino ofertados. Tal concepção é reforçada no art. 24, que aborda o direito da pessoa com deficiência a ter uma educação isenta de discriminação e garantia de acesso e permanência na escola gratuita e de qualidade. (BRASIL, 1988). É importante lembrar que todas as comunidades linguísticas têm a livre escolha de sobre a língua deseja para a comunicação, expressão de pensamentos e como objeto de estudo, em quaisquer níveis de ensino e lugar do Brasil, pois existem tipos e tipos de surdos, e têm direito de escolher a língua que seja melhor para o seu entendimento. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9.394/96) aborda no art. 58, que a educação especial deve ser ofertada na rede regular de ensino, com garantia de apoio especializado e que atenda as dificuldades de cada um, somente assim, promovendo uma verdadeira inclusão. Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de educação escolar oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação.§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial. (BRASIL, Lei 9.394/1996). A declaração de Salamanca (UNESCO, 1994), determina que as instituições de ensino devem promover o atendimento as pessoas com deficiência, atribuindo a eles o direito de uma educação de qualidade. No Brasil, o Ministério da Educação (MEC) começa a discutir sobre a inclusão no ensino superior. Umas das premissas UNIDADE 1 TÓPICO 2 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 11 do MEC foram a Portaria nº 1793/1994 que propõem a inclusão de disciplinas que tratassem da integração dos alunos com deficiência. (BRASIL, 1994). A Portaria nº 3.284, de 7 de novembro de 2003, que dispõe sobre a acessibilidade de pessoas com deficiência para a instrução de processos de autorização e reconhecimento de cursos, bem como credenciamento de instituições. No tocante aos surdos, a portaria, no 2º artigo, inciso II, dispõe: III - quanto a alunos portadores de deficiência auditiva, compromisso formal da instituição, no caso de vir a ser solicitada e até que o aluno conclua o curso: a) de propiciar,sempre que necessário, intérprete de língua de sinais/língua portuguesa, especialmente quando da realização e revisão de provas, complementando a avaliação expressa em texto escrito ou quando este não tenha expressado o real conhecimento do aluno; b) de adotar flexibilidade na correção das provas escritas, valorizando o conteúdo semântico; c) de estimular o aprendizado da língua portuguesa, principalmente na modalidade escrita, para o uso de vocabulário pertinente às matérias do curso em que o estudante estiver matriculado; d) de proporcionar aos professores acesso a literatura e informações sobre a especificidade lingüística do portador de deficiência auditiva. (BRASIL, Portaria nº 3.284/2003). A lei 10.436, de 24 de abril de 2002, se configura com umas das mais importantes dentro da luta dos movimentos surdos promovidos pela comunidade surda, pois reconhece a Língua Brasileira de Sinais como meio legal para a comunicação e expressão dos surdos. (BRASIL, 2002). Segundo a Lei: Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza visual- motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil. (BRASIL, Lei 10.436/2002). A lei também traz providências sobre o uso e a difusão desta língua, destacando como responsabilidade do poder público e empresas concessionárias de serviços públicos, promover o uso e a difusão da Língua de Sinais, conforme discorre a citação abaixo: Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do Brasil. (BRASIL, Lei 10.436/2002). UNIDADE 1 TÓPICO 2 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 12 Outra grande conquista da comunidade surda foi a aprovação do decreto 9.508, de 24 de setembro de 2018, que dispõe sobre a reserva ás pessoas com deficiência a concursos públicos e processos seletivos federais. Fica assegurado à pessoa com deficiência o direito de se inscrever, no âmbito da administração pública federal direta e indireta e em igualdade de oportunidade com os demais candidatos, nas seguintes seleções: I - em concurso público para o provimento de cargos efetivos e de empregos públicos; e II - em processos seletivos para a contratação por tempo determinado para atender necessidade temporária de excepcional interesse público, de que trata a Lei nº 8.745, de 9 de dezembro de 1993.(BRASIL, Decreto 9.508/2018). No tocante aos candidatos surdos, o anexo do decreto dispõe no 1º art.: II - ao candidato com deficiência auditiva: a) prova gravada em vídeo por fiscal intérprete da Língua Brasileira de Sinais - Libras, nos termos do disposto na Lei nº 12.319, de 1º de setembro de 2010, preferencialmente com habilitação no exame de proficiência do Programa Nacional para a Certificação de Proficiência no Uso e Ensino da Libras e para a Certificação de Proficiência em Tradução e Interpretação da Libras/Língua Portuguesa - Prolibras; e b) autorização para utilização de aparelho auricular, sujeito à inspeção e à aprovação pela autoridade responsável pelo concurso público ou pelo processo seletivo, com a finalidade de garantir a integridade do certame.(BRASIL, Decreto 9.508/2018). Percebe-se que por meios das leis, as pessoas com deficiência, em destaque, os surdos, têm direito a estarem matriculados e cursando quaisquer um dos níveis de ensino ofertado pela esfera pública. Além disso, a oferta educacional deve ser de qualidade e sob responsabilidade do Estado. UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 13 ASPECTOS LINGUÍSTICO DA LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS Datilologia: Popularmente conhecido como alfabeto manual, é utilizado para expressão de nomes próprios, é uma representação da ortografia. UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 14 Variações Linguísticas: É importante lembrar que a Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, assim como qualquer idioma falado no mundo inteiro, não é universal. Maior parte do mundo, falam pelo menos uma língua de sinais. Por exemplo, a Língua de Sinais Americana (ASL) é diferente da Língua de Sinais Britânica (BSL), que difere, por sua vez, da Língua de Sinais Francesa (LSF). Segue abaixo exemplo: Variações Regionais: Além das línguas de sinais não ser universais, dentro de um mesmo país, há variações regionais. Segue abaixo alguns exemplos: UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 15 Variação Social: Refere-se a variações na configuração das mãos e/ou no movimento, não modificando o sentido do sinal. Segue abaixo exemplo: Variações Históricas: Com o passar do tempo, um sinal pode sofrer alterações decorrentes dos costumes da geração que o utiliza. Segue abaixo exemplo: ICONICIDADE E ARBITRARIEDADE A modalidade gestual-visual-espacial pela qual a LIBRAS é produzida percebida pelos surdos leva, muitas vezes, as pessoas a pensarem que todos os sinais são o “desenho” no ar do referente que representam. É claro que, por decorrência de sua natureza linguística, a realização de um sinal pode ser motivada pelas características do dado da realidade a que se refere, mas isso não é uma regra. A grande maioria dos sinais da LIBRAS são arbitrários, não mantendo relação de semelhança alguma com seu referente. UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 16 Vejamos alguns exemplos entre os sinais icônicos e arbitrários: Sinais Icônicos: Uma foto é icônica porque reproduz a imagem do referente, isto é, a pessoa ou coisa fotografada. Assim também são alguns sinais da LIBRAS, gestos que fazem alusão à imagem do seu significado. Exemplo: Sinais Arbitrários: São aqueles que não mantêm nenhuma semelhança com o dado da realidade que representam. Uma das propriedades básicas de uma língua é a arbitrariedade existente entre significante e referente. Durante muito tempo afirmou-se que as línguas de sinais não eram línguas por serem icônicas, não representando, portanto, conceitos abstratos. Isto não é verdade, pois em língua de sinais tais conceitos também podem ser representados, em toda sua complexidade. Exemplo: UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 17 PARÂMETROS DA LIBRAS A LIBRAS têm sua estrutura gramatical organizada a partir de alguns parâmetros que estruturam sua formação nos diferentes níveis linguísticos. • Três são seus parâmetros principais ou maiores: - Configuração de mão (CM); - Movimento (M); - Ponto de Articulação (PA) • e outros constituem seus parâmetros menores: - Orientação de Mão (OM) - Expressões Não-Manuais, faciais ou corporais – (ENM). Parâmetros fonológicos: • Configuração de Mão (CM); É a forma que a mão assume durante a realização de um sinal. Pelas pesquisas linguísticas, foi comprovado por Nelson Pimenta que na LIBRAS existem 61 configurações das mãos. Segue abaixo a tabela: UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 18 Exemplos: • Ponto de Articulação (PA): Também designado por ponto de articulação. Trata-se da área no corpo em que o sinal é articulado. Na Libras e também em outras línguas de sinais conhecidas, o espaço de enunciação é uma áreaque contém todos os pontos dentro de um raio de alcance das mãos em que os sinais são articulados. As locações dividem-se em quatro regiões principais: cabeça, mão, tronco e espaço neutro. UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 19 Segue abaixo a tabela das locações: Exemplos: • UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 20 • Movimento (M): O deslocamento da mão no espaço, durante a realização do sinal. Exemplo: Direcionalidade do movimento: a) Unidirecional: movimento em uma direção no espaço, durante a realização de um sinal. Ex.: PROIBID@, SENTAR, MANDAR. b) Bidirecional: movimento realizado por uma ou ambas as mãos, em duas direções diferentes. Ex.: PRONT@, JULGAMENTO, GRANDE, COMPRID@, DISCUTIR, EMPREGAD@, PRIM@, TRABALHAR, BRINCAR. c) Multidirecional: movimentos que exploram várias direções no espaço, durante a realização de um sinal. Ex.: INCOMODAR, PESQUISAR. Tipos de movimentos: a) Movimento Retilíneo: UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 21 Exemplos: b) Movimento Helicoidal: Exemplos: c) Movimento Circular: UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 22 Exemplos: d) Movimento semicircular: Exemplos: e) Movimento Sinuoso: UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 23 Exemplos: f) Movimento angular: Exemplos: • Orientação de Mão (OM): Trata-se da direção para a qual a palma da mão aponta na produção do sinal, para cima, para baixo, para o lado, para afrente, etc. Também pode ocorrer a mudança de orientação durante a execução de um sinal. Exemplos: Ex.: MONTANHA, BAIX@, FRITAR. • UNIDADE 1 TÓPICO 3 Organizado por Profº Lucas Lenartovicz lucas.lenartovicz@ifpr.edu.br 24 • Expressões Não-Manuais (faciais e corporais): Podem realizar-se por meio de movimentos na face, olhos, cabeça ou tronco. Exemplos: PARES MÍNIMOS Como nas línguas orais, um sinal pode se distinguir de outro por apenas um traço distintivo. Assim, na LIBRAS, basta alterarmos a configuração de mãos de um determinado sinal, e manter os demais parâmetros, para termos outro item lexical. Observe a representação dos itens lexicais: UNIDADE 1 TÓPICO 3