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ESTUDO DIRIGIDO 2 — MEDICINA BASEADA EM NARRATIVAS 
Unidade Curricular: Saúde, Sociedade, Ambiente e Sustentabilidade 
Curso: Medicina – 1º semestre 
Isaias Ramos da Silva RA: 12526160936 
 
4.1 Compreensão conceitual 
1. Diferencie disease, illness e sickness no contexto do caso apresentado. 
Disease é a alteração biológica, ou seja, é a doença identificada pelos médicos 
através de exames e sinais clínicos. 
 
IIlness é a percepção subjetiva do próprio paciente sobre o seu estado de 
doença, portanto, é como o paciente sente e interpreta sua própria condição. 
 
Sickness é a dimensão social e cultural do processo de estar doente – é a doença 
como fenômeno social. 
 
2. Por que exames normais não excluem sofrimento do paciente? 
Os exames normais não excluem os sofrimentos dos pacientes pois eles avaliam 
somente a dimensão biológica da doença. O sofrimento do paciente á algo 
pessoal e de como ele afeta a pessoa e seu estado. 
 
3. Explique o papel da narrativa na construção do diagnóstico clínico. 
A narrativa tem um papel central na construção do diagnóstico clínico porque 
através do relato do paciente o médico consegue estudar e analisar o 
adoecimento. A dimensão subjetiva da doença é algo pessoal do paciente e deve 
ser escutado com atenção. 
 
 
 
 
 
4.2 Análise crítica do modelo biomédico 
4. Identifique as limitações do modelo biomédico no caso apresentado. 
O modelo biomédico tende a reduzir a pessoa ao fator biológico apenas. Dessa 
forma, não entende a pessoa e todo seu processo de adoecimento. Além disso, 
desconsidera a experiencia do paciente, valorizando mais a doença como foco 
da consulta. Aliado a isso a relação médico-paciente foi intensamente limitada 
no caso, pois a paciente já, anteriormente, havia tido experiências negativas em 
relação ao médico. 
5. O que foi ignorado na abordagem do primeiro médico? 
O médico ignorou o relato pessoal da paciente, demonstrando apenas o 
interesse na parte clínica da paciente. O resultado da omissão no processo de 
escuta a subjetividade da paciente foi um desfecho clínico anormal e não seguido 
pela paciente. 
6. Quais são os riscos clínicos de desconsiderar a experiência do paciente? 
Sem ouvir a história completa o profissional pode se equivocar no diagnóstico, 
desencadeando uma série de fatores que podem provocar: baixa adesão ao 
tratamento, persistência ou piora dos sintomas. Todos esses fatores podem 
induzir o profissional médico a uma resolutiva incompleta ou que não atenda as 
necessidades pessoais e subjetivas do paciente. 
 
4.3 Interpretação da narrativa 
7. Quais elementos da fala de Maria indicam sofrimento não biológico? 
Preocupação com o filho desempregado pode ser considerado um sofrimento 
não biológico e pessoal da própria paciente, pois remete ao campo subjetivo da 
paciente, bem como, suas experiências pessoais. 
 
8. Que fatores psicossociais estão presentes no caso? 
Estresse e sobrecarga emocional (trabalho, estudos, cuidado familiar) 
Relações interpessoais (conflitos, isolamento, apoio social) 
Saúde mental (ansiedade, depressão, sofrimento psíquico) 
Estilo de vida (sono, alimentação, uso de substâncias) 
 
9. Como a narrativa contribui para a compreensão do quadro clínico? 
A narrativa do paciente é fundamental no contexto clínico porque permite acessar 
dimensões do adoecimento que vão além dos achados objetivos. Por meio dela, 
é possível compreender os significados pessoais atribuídos à doença, ou seja, o 
que aquele sintoma representa na vida do indivíduo. Além disso, a narrativa 
ajuda a identificar possíveis gatilhos emocionais ou contextuais relacionados ao 
surgimento ou à piora do quadro. 
 
4.4 Aplicação clínica 
10. Quais perguntas abertas poderiam ser feitas para ampliar a escuta? 
“O que mais te preocupa nesse problema?” 
“Como isso tem afetado sua vida no dia a dia?” 
“Quando você percebeu que isso começou?” 
“O que você acha que pode estar causando isso?” 
“Como você tem lidado com essa situação?” 
 
11. Como a escuta qualificada pode modificar a conduta clínica? 
A escuta qualificada é um elemento essencial na prática clínica, pois contribui 
diretamente para um cuidado mais eficaz e seguro. Ao ouvir atentamente o 
paciente, o profissional consegue evitar a solicitação de exames e tratamentos 
desnecessários, já que muitas informações relevantes emergem da própria fala 
do indivíduo. Além disso, essa escuta direciona para intervenções mais 
adequadas, como a indicação de psicoterapia quando há componentes 
emocionais envolvidos. 
 
12. Proponha uma abordagem clínica que integre aspectos biológicos e 
narrativos. 
Avaliação biomédica: 
História clínica + exame físico + exames complementares 
-Exploração narrativa 
-Escuta ativa da experiência do paciente 
-Identificação de fatores psicossociais 
Formulação ampliada: 
-Integração entre corpo, mente e contexto social 
-Plano terapêutico compartilhado 
-Tratamento medicamentoso (se necessário) 
 
-Intervenções psicossociais (psicoterapia, suporte social) 
-Mudanças no estilo de vida 
-Acompanhamento contínuo 
-Reavaliação da evolução clínica e da narrativa 
 
4.5 Reflexão profissional 
13. Qual é o papel do médico diante de sintomas sem explicação orgânica? 
O papel do médico é ter escuta ativa e real da narrativa do paciente, dessa forma, 
ele deve validar o sofrimento pessoal do paciente sem preconceitos e estigmas 
sociais. Deve evitar exames e tratamentos desnecessários, orientar o paciente 
sobre a relação mente-corpo, e, quando preciso, encaminhar para outros 
profissionais. O acompanhamento contínuo é essencial para um cuidado integral 
e seguro. 
 
14. Como evitar a medicalização do sofrimento humano? 
Para evitar a medicalização do sofrimento humano, é essencial adotar uma 
abordagem mais ampla e centrada no paciente. Para que, dessa forma, consiga 
atender o paciente de forma ampla e global, reduzindo a medicalização 
excessiva do paciente. 
 
15. De que forma a narrativa impacta a adesão ao tratamento? 
A narrativa impacta diretamente a adesão ao tratamento porque permite que o 
cuidado seja construído a partir da realidade do paciente. Ao ouvir a história, o 
médico compreende crenças, valores, medos e expectativas, podendo propor 
um plano terapêutico mais compatível com a vida do paciente. Isso aumenta a 
aceitação e o engajamento.

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