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ESTUDO DIRIGIDO 03 
Relação Médico-Paciente e Comunicação 
Isaias Ramos da Silva RA: 12526160936 
 
3. SITUAÇÃO-PROBLEMA 
Leia atentamente: 
Raimunda, 63 anos, procura atendimento com queixa de tontura e fraqueza. 
Durante a consulta: 
 utiliza expressões como “o corpo está fraco” e “o sangue não está bom” 
 evita contato visual 
 responde de forma breve 
O médico: 
 realiza perguntas objetivas 
 mantém foco no computador 
 não explora as falas da paciente 
Ao final, prescreve medicação e orienta retorno. 
Após alguns dias, Raimunda não retorna ao serviço. 
 
4. QUESTÕES DE APRENDIZAGEM 
4.1 Compreensão da relação médico-paciente 
 
1. Caracterize a relação estabelecida entre médico e paciente no caso. 
A relação entre médico e paciente é marcada por comunicação deficiente, 
pouca escuta ativa e falta de acolhimento. Há distanciamento e baixa conexão 
interpessoal, além de pouca investigação dos sintomas, com uma anamnese 
realizada de forma superficial. 
 
 
 
2. Identifique elementos que indicam ausência de vínculo terapêutico. 
A falta de vínculo terapêutico fica clara pela comunicação ineficaz entre médico 
e paciente. O profissional não valoriza adequadamente as falas subjetivas, 
como “o corpo está fraco” e “o sangue não está bom”, deixando de entender o 
real sentido dessas queixas. Além disso, não há explicação clara nem decisão 
compartilhada sobre o tratamento, o que pode gerar dúvidas e insegurança. 
Isso enfraquece a relação médico-paciente e contribui para a baixa adesão, 
evidenciada pelo não retorno da paciente ao serviço. 
3. Explique a importância da confiança na prática clínica. 
A confiança é fundamental na prática clínica, pois faz com que o paciente se 
sinta seguro para relatar seus sintomas, esclarecer dúvidas e participar 
ativamente do cuidado. Isso favorece a criação de vínculo com o médico, 
melhora a comunicação e contribui para maior adesão ao tratamento e 
continuidade do acompanhamento. 
 
4.2 Análise da comunicação clínica 
4. Quais falhas de comunicação podem ser identificadas na consulta? 
Há falhas na comunicação durante a consulta, como a falta de contato visual, a 
realização de perguntas de forma muito objetiva e o foco excessivo no 
computador. Além disso, o médico não aprofunda nem valoriza as falas da 
paciente, deixando de explorar melhor suas queixas. 
 
5. Diferencie comunicação verbal, não verbal e paraverbal no caso. 
A comunicação verbal corresponde às palavras e ao diálogo entre médico e 
paciente. A não verbal envolve aspectos como postura, gestos e expressões 
faciais do profissional. Já a paraverbal diz respeito à forma como a mensagem 
é transmitida, incluindo tom de voz, entonação e volume. 
 
6. Como a postura do médico influenciou a interação? 
A postura do médico prejudicou a interação, contribuindo para uma 
comunicação ineficaz. Isso fez com que a paciente não se sentisse acolhida ou 
compreendida, o que impactou negativamente na adesão ao tratamento e no 
retorno à consulta. 
 
 
4.3 Intersubjetividade e interpretação 
7. O que as expressões da paciente (“o sangue não está bom”) indicam? 
Essas falas sugerem que a paciente utiliza termos próprios do seu cotidiano 
para descrever o que está sentindo, possivelmente por não dominar a 
linguagem técnica. Cabe ao médico investigar melhor essas queixas, 
traduzindo-as em dados clínicos para chegar a um diagnóstico e conduzir o 
tratamento adequado. 
 
8. Como o médico poderia interpretar essas falas além do sentido literal? 
Além do significado direto, o médico pode entender que a paciente está tentando 
expressar alterações no seu estado de saúde, como possíveis variações da 
pressão arterial, associadas a sintomas como tontura, fraqueza ou palpitações. 
Uma escuta atenta permite transformar essas percepções em informações 
clínicas relevantes. 
 
9. Qual a importância de compreender o repertório cultural do paciente? 
Entender o contexto cultural do paciente ajuda o médico a se comunicar de forma 
mais eficaz, facilitando tanto a identificação correta do problema quanto a 
explicação do diagnóstico e do tratamento. Isso melhora a adesão terapêutica e 
garante que o paciente compreenda suas orientações de forma clara. 
 
4.4 Assimetria de poder 
10. Identifique como a assimetria de poder aparece no caso. 
A assimetria de poder ocorre quando há diferença de conhecimento e 
autoridade entre duas pessoas. No caso, isso fica claro na relação médico-
paciente, em que o médico detém o saber técnico e acaba conduzindo toda 
a consulta, enquanto a paciente assume uma posição mais passiva. 
 
11. Quais são as consequências dessa assimetria para o cuidado? 
Essa desigualdade pode prejudicar a qualidade do atendimento, pois o médico 
pode deixar de considerar as queixas e percepções da paciente, adotando uma 
postura impositiva. Isso dificulta a comunicação e pode comprometer o 
diagnóstico e a adesão ao tratamento. 
 
 
12. Como reduzir essa assimetria na prática clínica? 
Para diminuir essa diferença, o médico deve praticar escuta ativa, utilizar uma 
linguagem simples e compreensível e envolver o paciente nas decisões sobre 
seu próprio cuidado, promovendo uma relação mais equilibrada. 
 
4.5 Impacto clínico da comunicação 
13. Por que a paciente não retornou ao serviço? 
A paciente provavelmente não voltou ao atendimento devido à falha na 
comunicação durante a consulta, o que pode ter gerado insegurança e falta de 
vínculo com o médico, reduzindo sua motivação para dar continuidade ao 
acompanhamento. 
 
14. Como a comunicação influencia a adesão ao tratamento? 
A forma como o médico se comunica, demonstrando clareza e empatia, impacta 
diretamente na adesão, pois facilita a compreensão das orientações e faz com 
que a paciente se sinta acolhida e mais confiante para seguir o tratamento. 
 
15. Quais riscos clínicos estão associados a uma comunicação 
inadequada? 
Quais riscos clínicos estão associados a uma comunicação inadequada? 
Uma comunicação ineficaz pode levar à baixa adesão terapêutica, resultando na 
progressão da doença. No caso, isso pode agravar condições como hipertensão 
e arritmias, aumentando o risco de complicações graves, inclusive fatais. 
 
4.6 Aplicação prática 
16. Proponha três perguntas abertas que poderiam melhorar a consulta. 
1 - A senhora poderia descrever melhor o que quer dizer quando fala que “o 
sangue não está bom”? 
2 - De que forma a tontura e a fraqueza têm interferido nas suas atividades do 
dia a dia? 
3 - Quando esses sintomas começaram e houve alguma mudança na sua rotina 
desde então? 
 
17. Descreva uma abordagem comunicacional mais adequada para o caso. 
O médico deve começar a consulta de forma acolhedora, com atenção plena, 
escuta ativa e linguagem simples, criando um ambiente em que a paciente se 
sinta confortável para relatar suas queixas sem interrupções. 
 
18. Como o médico poderia construir vínculo com a paciente? 
O vínculo pode ser fortalecido quando o médico demonstra interesse genuíno 
pelo que a paciente relata, investiga o significado das suas expressões, valida 
suas preocupações e mantém uma postura respeitosa, favorecendo confiança e 
segurança na relação.

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