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Hermenêutica e Interpretação: Origem, conceito, distinção. Prof. Me. Thyara Novais Hermenêutica e interpretação - Na nossa linguagem cotidiana, esses termos são utilizados no vocabulário jurídico como sinônimos. - Pela origem etimológica, a palavra hermenêutica se origina do substantivo grego hermeneia, que comumente é traduzido como tornar algo compreensível ou conduzir algo à compreensão. Prof. Me. Thyara Novais - Outros autores apontam que a palavra hermenêutica provém do grego e deriva de Hermes, deus da mitologia grega, filho de Zeus, considerado intérprete da vontade divina. Transmitia e traduzia as mensagens dos Deuses aos homens, já que para os mortais não era permitido interpretar as mensagens dos deuses. Prof. Me. Thyara Novais A história da Hermenêutica veremos que teve seu início como tal, mas que, aos poucos, conseguiu se desenvolver até alcançar uma nova perspectiva, muito mais ampla e complexa, qual seja a de um conjunto de teorias voltadas para a interpretação de algo, não apenas de um texto mas de tudo o qual se possa atribuir sentido e significado. Ex: um filme, uma música, pintura, uma conversa, etc. Prof. Me. Thyara Novais Hermenêutica: Conjunto de teorias voltadas para interpretação do sentido de algo (textos, gestos, frases, pinturas, sons…). Ciência para aplicação da interpretação, logo é possível interpretar os textos e normas jurídicas, retirando assim o sentido objetivamente válido e delimitado seus alcances. Prof. Me. Thyara Novais - A hermenêutica é a teoria que visa estabelecer princípios, critérios, métodos, orientações em geral. - Interpretação é de cunho prático, aplicando tais diretrizes. Buscar o texto abstrato com o caso concreto. Determina o sentido e alcance da norma jurídica - Não se confundem, pois, hermenêutica e interpretação. Prof. Me. Thyara Novais Hermenêutica - se fazer compreender - tornar algo compreensível. Ciência que auxilia na interpretação. Interpretação - sentido que está entranhado na norma. Relação de prever o futuro a partir da análise das condições presentes. Exegese - tradução - exposição do fatos - utilizada normalmente em obras de cunho religiosos. “ O que o autor daquele preceito religiosos quis dizer naquela época…” Prof. Me. Thyara Novais A interpretação aproveita os subsídios da hermenêutica. A hermenêutica descobre e fixa os princípios que regem a interpretação, estuda e sistematiza os critérios aplicáveis na interpretação das regras jurídicas. - O magistrado não pode julgar um processo sem antes interpretar as normas reguladoras em questão. Além de conhecer os fatos, precisa conhecer o direito, dominando a arte de revelar o sentido e o alcance das normas aplicáveis. Prof. Me. Thyara Novais - Interpretar é o ato de aplicar o sentido de alguma coisa: é relevar o significado de uma expressão verbal, artística ou constituída por um objeto, atitude ou gesto. - Todo objeto cultural, sendo obra humana, está impregnado de significados que impõem interpretação. Ex: observação de uma obra de arte. - Todo conhecimento pressupõe a interpretação que, às vezes, opera no plano da consciência para revelar ao próprio indivíduo o significado de uma emoção ou alcance de um sentimento. Prof. Me. Thyara Novais Interpret e Prof. Me. Thyara Novais - Temos então, em termos clássicos, que há uma diferença entre hermenêutica e interpretação, na medida em que a hermenêutica se traduz como um conjunto de teorias que conduz à interpretação (a compreensão de algo). Prof. Me. Thyara Novais A interpretação do direito Prof. Me. Thyara Novais - Como todo objeto cultural, o Direito encerra significados. Interpretar o Direito é revelar o seu sentido e alcance (Maria Helena Diniz). - Sentido: objetivo, finalidade. - Fixar o alcance: significa delimitar o seu campo de incidência. - Exemplo: lei que concede férias anuais ao trabalhador. a)Sentido: proteger e beneficiar a sua saúde física e mental. b)Alcance: apenas trabalhadores assalariados que participam de uma relação de emprego.Prof. Me. Thyara Novais Numa visão mais moderna, o uso da hermenêutica é muito maior do que apenas a busca em ultrapassar uma obscuridade do texto ou em atingir um ponto de acordo objetivo sobre ele. Numa perspectiva filosófica, se mostrará como condição/possibilidade formadora da nossa própria visão de mundo e, por isso mesmo, é por meio dela que conseguimos não só compreender tudo, como ainda estabelecer acordos ou consensos sobre algo no mundo. Prof. Me. Thyara Novais - Deve-se alertar para o risco de se proceder a uma redução da ideia de hermenêutica, e além disso, da hermenêutica constitucional, às posturas assumidas pelo Supremo Tribunal Federal em seus julgados, muitas vezes tomando-os como os únicos especialistas autorizados para a discussão e convertendo os doutrinadores brasileiros em meros instrumentos de chancela e de legitimação das suas decisões, o que é uma afronta a uma teoria do direito que se preze democrática. - Essa ideia se traduz na frase repetida “A Constituição é o que o STF diz que é”. Prof. Me. Thyara Novais - Outra discussão, diz respeito à convivência de um Estado de Direito, com um Estado de Bem-Estar Social. São necessários novos recursos e novas categorias cognitivas da parte do intérprete. - Caminha-se, assim, para uma hermenêutica de “legitimação das aspirações sociais”. - Nesse sentido, podemos perceber que: o processo interpretativo/hermenêutico tem caráter produtivo, e não meramente reprodutivo (Lenio Streck). Prof. Me. Thyara Novais 1. Discussão de caso: a ADPF n. 54 - O STF julgou procedente a ADPF(Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) 54, para declarar a inconstitucionalidade da interpretação segundo a qual a interrupção deste tipo de gravidez é conduta tipificada nos artigos 124, 126, 128, incisos I e II, do CP. - De acordo com o entendimento firmado, o feto sem cérebro, mesmo que biologicamente vivo, é juridicamente morto, não gozando de proteção jurídica e, principalmente, de proteção jurídico-penal. "Nesse contexto, a interrupção da gestação de feto anencefálico não configura crime contra a vida – revela-se conduta atípica", afirmou o relator. Prof. Me. Thyara Novais