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Universidade Federal Fluminense Engenharia Agrícola e Ambiental Engenharia de Drenagem Projeto de drenagem subterrânea Docente: Profª Debora Candeias Marques Discentes: Camila Dos Santos Ferreira Costa Fernanda Azeredo Josefa Gisely Rodrigues Oliveira Carvalho Patricia Cristina Rosa Santos Thiago Barreto Silva Fust Niterói, 2026 1) Utilize para o critério de irrigação e de chuva. Para a execução de um projeto de drenagem subterrânea para uma área de 8 ha (200 x 400m), foram levantados os seguintes dados: Solo: textura média; Condutividade hidráulica média do perfil do solo: 0,7 m dia -1 ; Macroporosidade do solo: 5%; Profundidade da camada impermeável: 4,50 m; Profundidade de instalação dos drenos: 1,50 m; Declividade que os drenos laterais deverão ser instalados: 0,2 %; Cultivo extensivo; Turno de rega; 10 dias; Lâmina de irrigação a ser aplicada: 70 mm; Lâmina de drenagem: 20 mm; Chuva crítica calculada para o local: 45 mm; Diâmetro dos drenos laterais: 0,07 m; Comprimento dos drenos laterais: 200 m. Este projeto detalha o dimensionamento de um sistema de drenagem subterrânea para uma área de 8 ha, visando o controle do lençol freático para otimização do desenvolvimento radicular e prevenção da salinização. Toda a elaboração e apresentação seguem os requisitos das normas ABNT NBR 14143 (Drenagem Superficial) e ABNT NBR 14144 (Drenagem Subterrânea). Os métodos de cálculo adotados (Hooghoudt e Glover-Dumm) atendem à exigência normativa de utilizar fórmulas adequadas às condições de solo e recarga da área, como demonstrado abaixo: 1.1) Critério de Irrigação Para o dimensionamento da drenagem subterrânea pelo critério de irrigação, primeiramente devemos determinar o espaçamento entre os drenos capaz de remover a lâmina d'água aplicada pela irrigação dentro do turno de rega, de modo a evitar a elevação excessiva do lençol freático para garantir as condiçõe adequadas ao desenvolvimento das culturas. Assim, como o enunciado considera uma lâmina de drenagem de 20mm a ser removida em um turno de rega de 10 dias, a recarga pode ser considerada constante ao longo do tempo, caracterizando um regime permanente, sendo portanto utilizado a equação de Hooghoudt (Eq. 1) para regime permanente para a resolução dessa questão. 𝐿² = 4𝑘𝐻²+8𝑘𝑑𝐻 𝑅 (1) A equação de Hooghoudt relaciona a condutividade hidráulica do solo (K), a profundidade equivalente (d), a altura do lençol freático admissível (H) e a taxa de recarga (R), permitindo obter o espaçamento entre drenos que mantém o lençol freático dentro da profundidade desejada. A figura abaixo esboça a geometria do problema estudado (Figura 1). Figura 1 - Geometria do problema No nosso caso temos: K = 0,7 m dia -1 ; P = 1,50 m; D = 4,50 - 1,50 = 3,0 m Pr = 1,20 (obtido pela tabela (Figura 2)) H = P-Pr = 1,5 - 1,2 =0,3m r = 0,035 m R = 20mm/10dias = 2 mm/dia ou 0,002 m/ dia. Estimativa inicial de L = 41m (obtido pela planilha) Passo 1: Substituir os valores na Equação 2 para encontar d: (2) 𝑑 = 𝐷 2,5 𝐷 𝐿 𝐿𝑁 𝐷 𝑃𝑚( )+1 Onde 𝑃𝑚 = π𝑟 𝑑 = 3 2,5 3 41 𝐿𝑁 3 π.0,035( )+1 = 1, 8694 Passo 2: Uma vez encontrado o valor de d, calcular o valor de L usando a Equação 1: 𝐿² = 4·0,7·0,3²+8·0,7·1,87·0,3 0,002 = 1696, 8 L = 41,2 Portanto, para esse valor de d o espaçamento L é 41,2m, que é aproximadamente 41m, estando de acordo com a estimativa inicial, logo o espaçamento está ajustado. Figura 2 - Valores de p para o critério de irrigação 1.2) Critério de Chuva Como a chuva possui uma elevada recarga inicial, que diminui ao longo do tempo à medida que é drenada, o lençol freático irá apresentar um comportamento que pode ser interpretado como de regime variável, portanto, para esse caso, foi utilizada a equação de Glover-Dumm simplificada (Eq 3), que considera a condutividade hidráulica do solo (K), a profundidade equivalente (d), a altura inicial (h0) e final do lençol freático (ht) e o tempo disponível para o rebaixamento (t), sendo, portanto, mais representativa para as condições impostas pelo critério de chuva (Figura 3). (3) ℎ𝑡 = 1, 16ℎ 0 𝑒−α𝑡 Onde, (4) α = π² 𝐾 (𝑑 1 +𝑑) µ 𝐸² (5) ℎ 0 = 𝑅 µ Figura 3 - Geometria do problema Foi utilizada a tabela de valores de p (Figura 4) para encontrar a altura freática de critério ( ), sendo ela calculada pela diferença entre a profundidade do dreno (P) e a ℎ𝑡 𝑐 profundidade freática esperada (p), resultando na tabela 1. Figura 4 - Valores de p para o critério de chuva Tabela 1 - Valores das alturas freáticas de critério ( ) ℎ𝑡 𝑐 Dias depois da chuva Profundidade freática p (m) Atura freática (m) ℎ𝑡 𝑐 0 0,5 1 1 0,8 0,7 2 1,0 0,5 3 1,1 0,4 Uma vez determinada as alturas de critério, seguimos para o cálculo da variação da lâmina, ou seja, a quantidade de água que entrou com a chuva (h0), pela equação 5. ℎ 0 = 0,045 0,05 = 0, 9 𝑚 Assim temos que para o dia da chuva (dia 0) a altura do lençol freático será 0,9 m, estando abaixo da altura que ele poderia alcançar no dia da chuva, definido na tabela 1 como 1m. Porém, ao comparar esse valor de com os dos dias 1, 2 e 3 após a chuva, ℎ 0 observamos que ele está acima do limite estabelecido no critério, portanto não se sabe se o limite estabelecido no critério foi atendido, precisando verificar o espaçamento entre os drenos para ele rebaixar o lençol freático atendendo ao limite da altura definida pelo critério. Calcularemos o valor de ht supondo um espaçamento de 29m. Na equação de Glover, para calcular ht precisamos do valor de , que pode ser calculado pela Equação 4, α porém essa equação depende do valor de e d, que é calculado utilizando as equações 6 e 7. 𝑑 1 (6) 𝑑 1 = ℎ 𝑜 +ℎ 𝑡 2 𝑑 1 = 0,9+0,7 2 = 0, 8 𝑚 (7) 𝑑 = 𝐸 8 𝐸 − 1,4.𝐷( )² 8.𝐷.𝐸 + 1 π 𝑙𝑛 0,7 𝐷 𝑟( )⎡⎣ ⎤⎦ 𝑑 = 29 8 29 − 1,4 . 3( )² 8 . 3 . 29 + 1 π 𝑙𝑛 0,7 . 3 0,035( )⎡⎣ ⎤⎦ = 1, 66 𝑚 Assim, será: α α = π² . 𝐾 . (𝑑 1 +𝑑) µ 𝐸² = π² . 0,7 . (0,8+1,66) 0,05 . 29² = 0, 40 𝑑−1 Por fim, o valor de ht para o dia 1 será de: ℎ𝑡 = 1, 16 . 0, 9 . 𝑒−0,40 . 1 = 0, 69𝑚 Como o critério fala que no dia 1 após a chuva a altura deve ser de 0,7 m, o valor de ht foi demasiado próximo, logo o espaçamento é adequado. Para o dia 2 e 3 será realizado o mesmo procedimento, tendo sido obtido os resultados abaixo (Tabela 2). Tabela 2 - Resultados para o 2º e 3º dia após a chuva Dia 2 Dia 3 𝑑 1 = 0,9+0,5 2 = 0, 7 𝑚 𝑑 = 29 8 29 − 1,4 . 3( )² 8 . 3 . 29 + 1 π 𝑙𝑛 0,7 . 3 0,035( )⎡⎣ ⎤⎦ = 1, 66 𝑚 α = π² . 0,7 . (0,7+1,66) 0,05 . 29² = 0, 39 𝑑−1 𝑑 1 = 0,9+0,4 2 = 0, 65 𝑚 𝑑 = 29 8 29 − 1,4 . 3( )² 8 . 3 . 29 + 1 π 𝑙𝑛 0,7 . 3 0,035( )⎡⎣ ⎤⎦ = 1, 66 𝑚 α = π² . 0,7 . (0,65+1,66) 0,05 . 29² = 0, 38 𝑑−1 ℎ𝑡 = 1, 16 . 0, 9 . 𝑒−0,39 . 2 = 0, 48𝑚 ℎ𝑡 = 1, 16 . 0, 9 . 𝑒−0,38 . 3 = 0, 33𝑚 Portanto, o espaçamento de 29 m atende ao valor da altura freática esperada para os 3 dias após a chuva. 1.3) Dimensionamento do sistema Como no critério de irrigação foi obtido o espaçamento de 41m e nocritério da chuva de 29m, para o dimensionamento da vazão de projeto será utilizado o valor de 29 metros, por ser o critério mais restritivo, uma vez que esse valor foi projetado para atender a uma chuva crítica de 45mm, que gera um volume de água muito maior que a lâmina de irrigação a ser drenada de 20mm. Além disso, se escolhermos o espaçamento de 41 m, ele funcionaria bem para a irrigação mais poderia causar o encharcamento do solo durante um tempo maior quando ocorresse a chuva de 45mm, pois os drenos estariam longe demais para escoar o excesso de água atempo. Para estimar o número de drenos necessários na área, foi feita a divisão da largura da área (200m) pelo espaçamento entre os drenos (29), resultando em um total de aproximadamente 7 drenos. A vazão dos drenos laterais foi calculada por meio da equação 8, que depende da condutividade (K), da espessura do estrato (D), do espaçamento (L), da altura do lençol freático (h0) e do comprimento dos drenos laterais (C). (8) 𝑄 = 0, 000073 𝑘𝐷 𝐿 ℎ 0 𝐶 𝑄 = 0, 000073 . 0,7 . 3 29 . 0, 9 . 200 = 0, 97 𝐿/𝑠 Para verificar a velocidade do escoamento nos drenos foi utilizada a equação de Manning (9), cujo valor do coeficiente de rugosidade (n) utilizado foi de 0,011, por ser o mais usual em projetos de drenagem. (9) 𝑉 = 1 𝑛 𝑅 2 3 𝑆 1 2 Em que: 𝑅 = 𝐷 4 = 0,07 4 = 0, 0175 Logo: 𝑉 = 1 0,011 . 0, 0175 2 3 . 0, 002 1 2 = 0, 27 𝑚/𝑠 Por fim, para estimar a vazão do coletor principal, foi utilizada a equação 10, que fornece o volume de água transportada pelos drenos, multiplicada pelo número de drenos. Q = A . V (10) Onde: A = π . 𝑟2 = 0, 0038 𝑚² Portanto, a vazão que chega ao coletor principal (Qc) será de: Qd = . = 1,05 L/s 0, 0038 𝑚² 0, 27 𝑚/𝑠 Qc = 1,05 x 7 = 7,4 L/s O tubo de 70 mm possui capacidade superior à vazão calculada (0,97 L/s), sendo portanto hidráulicamente adequado. Para estimar o diâmetro do coletor principal que contempla essa vazão foi feita a tabela abaixo (Tabela 3). CALCULO DO DIÂMETRO DO COLETOR PRINCIPAL Diâmetro 1 (Mm) 0,1 Rh1 0,025 Q1 (L/S) 2,73006005 Não Atende Diâmetro 2 (Mm) 0,125 Rh2 0,03125 Q2 (L/S) 4,94992822 Não Atende Diâmetro 3 (Mm) 0,15 Rh3 0,0375 Q3 (L/S) 8,049129054 Atende Diâmetro 4 (Mm) 0,2 Rh4 0,05 Q4 (L/S) 17,33480078 Atende Com Folga Portanto, foi escolhido o diâmetro de 150mm para o coletor principal. O esboço de como esse sistema ficaria em campo pode ser observado na imagem a seguir (Figura 5). Essa configuração foi escolhida para aproveitar a declividade do terreno, de modo a reduzir custos com escavações. Figura 5 - Esboço do sistema Referências BERNARDO, Salassier; SOARES, Antonio Alves; MANTOVANI, Everardo Chartuni. Manual de irrigação. 8. ed. atual. e ampl. Viçosa, MG: Ed. UFV, 2006. Débora Candeias Marques. Aula 6 – Drenagem subterrânea. Material didático da disciplina de Drenagem Agrícola. Universidade Federal Fluminense (UFF), 2026.