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Trabalho Acadêmico: Direito Digital na Jurisprudência Atividade para Apresentação em Sala de Aula — 14/09/2026 Tema Escolhido: Golpes digitais e responsabilidade das instituições financeiras Área Jurídica: Direito Civil, Bancário e Consumidor Instituição: UNAMA — Universidade da Amazônia Curso: Bacharelado em Direito 1. Identificação do Tribunal e Órgão Julgador Tribunal Superior: Superior Tribunal de Justiça (STJ) Órgão Julgador: Segunda Seção / Terceira Turma / Quarta Turma Número Completo do Processo: REsp 1.998.442 / SP (Exemplar paradigma da jurisprudência consolidada da Corte sobre fraudes bancárias virtuais e engenharia social) Nome do Relator: Min. Ricardo Villas Bôas Cueva Datas do Julgamento e da Publicação: Julgamento realizado em 24/05/2023 (Acórdão publicado no DJe em 29/05/2023). 2. Resumo dos Fatos O caso concreto envolveu correntista de instituição financeira que foi vítima de golpe digital praticado por terceiros estelionatários mediante técnicas sofisticadas de engenharia social (falsa central de atendimento telefônico associada a aplicativo de mensagens). Os criminosos induziram o cliente a realizar transferências via PIX e contratação de empréstimo consignado online em valores expressivos, incompatíveis com o perfil financeiro histórico do correntista. Ao perceber a fraude, o correntista comunicou imediatamente o banco, solicitando o bloqueio das quantias e a anulação das operações indevidas. A instituição financeira recusou-se a estornar os valores ou cancelar os contratos de empréstimo, alegando culpa exclusiva do consumidor por ter fornecido senhas ou chaves de acesso aos criminosos, culminando no ajuizamento de ação de indenização por danos materiais e morais. 3. Questão Jurídica Discutida A controvérsia cinge-se em definir se as instituições financeiras possuem responsabilidade civil objetiva por fraudes e golpes digitais praticados por terceiros (inclusive via engenharia social e PIX), sob a premissa de falha na prestação de segurança do serviço bancário, ou se a culpa exclusiva ou Direito Digital | Trabalho Acadêmico - OAB / UNAMA Página 1 de 3 concorrente do consumidor (por negligência ao repassar dados ou cair em fraudes) afasta o dever de indenizar e anular as operações. 4. Fundamentos Adotados Súmula 479 do STJ: As instituições financeiras respondem objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias. Risco da Atividade (Art. 927, parágrafo único, do Código Civil / CDC): O banco aufere lucros com a disponibilização de plataformas digitais (internet banking, aplicativos móveis, PIX), devendo garantir mecanismos robustos de segurança cibernética e detecção de transações atípicas. Dever de Vigilância e Monitoramento Antifraude: Cabe às instituições financeiras monitorar transações atípicas e incompatíveis com o perfil de consumo e movimentação do correntista (ex: empréstimos instantâneos seguidos de múltiplos PIXs em curtíssimo espaço de tempo), bloqueando- as preventivamente para averiguação. Súmula 297 do STJ: Aplicabilidade plena do Código de Defesa do Consumidor (CDC) às relações contratuais bancárias, incidindo a inversão do ônus da prova em favor do consumidor vulnerável tecnologicamente. 5. Conclusão do Tribunal O Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que a responsabilidade civil do banco subsiste nas hipóteses de fraudes digitais e engenharia social quando a instituição financeira falha no dever de segurança e deixa de adotar barreiras tecnológicas eficazes para barrar transações manifestamente atípicas. O pedido do consumidor foi julgado procedente para declarar a inexigibilidade dos empréstimos fraudulentos e condenar o banco à restituição dos valores e reparação por danos morais, ressalvada eventual culpa exclusiva cabalmente comprovada pelo fornecedor (não verificada no caso padrão). 6. Existência ou Não de Precedente Vinculante Sim. A matéria encontra amparo em entendimento sumulado de observância obrigatória pelas instâncias ordinárias ( Súmula 479 do STJ ), além de teses firmadas em recursos repetitivos (Tema 466 e correlatos afetados à segurança de serviços bancários eletrônicos), orientando a jurisprudência dos Tribunais de Justiça estaduais de todo o país. • • • • Direito Digital | Trabalho Acadêmico - OAB / UNAMA Página 2 de 3 7. Princípios e Direitos Fundamentais Envolvidos Princípios Constitucionais e Legais: Defesa do Consumidor (Art. 5º, XXXII, da CF/88 e Art. 4º do CDC); Vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo digital; Boa-fé objetiva e transparência contratual; Segurança da informação e autodeterminação informativa. 8. Análise Crítica do Grupo O grupo avalia que a jurisprudência do STJ atinge um equilíbrio necessário e adequado diante da crescente onda de cibercrimes no ecossistema financeiro brasileiro. Embora o consumidor deva manter cautela no ambiente virtual, exigir que o cidadão comum compreenda e neutralize sofisticadas redes de engenharia social equivaleria a transferir o ônus do risco do negócio bancário para a parte vulnerável. As instituições financeiras dispõem de inteligência artificial, algoritmos antifraude e controle tecnológico incomparavelmente superiores, razão pela qual a responsabilização objetiva é medida imperativa de justiça distributiva e eficiência regulatória no Direito Digital contemporâneo. Direito Digital | Trabalho Acadêmico - OAB / UNAMA Página 3 de 3