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GUIA DEFINITIVO: DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DAS 
INFECÇÕES BACTERIANAS DO TGI 
Resumo Acadêmico Completo e Estruturado • Profa. Dra. Angélica Schreiber (UNICAMP) 
 
SLIDES 1 A 3: INTRODUÇÃO E ANATOMIA DO TRATO GASTROINTESTINAL (TGI) 
 Slide 1 e 2: Apresentação da aula pela Profa. Dra. Angélica Schreiber (UNICAMP). O tema central é o diagnóstico 
de infecções no tubo digestivo e o papel do microbioma. 
 Slide 3 (Órgãos e Glândulas Acessórias): 
 Estrutura do TGI: O Trato Gastrointestinal (TGI) é formado pela boca, esôfago, estômago, intestino delgado, 
intestino grosso, reto e ânus. 
 Glândulas Acessórias/Associadas: glândulas salivares, fígado e pâncreas. 
 Importância Clínica: Cada porção do TGI possui características físico-químicas próprias (pH, presença de 
sais biliares, enzimas) e uma população de bactérias específica. 
SLIDES 4 E 5: EPIDEMIOLOGIA E DEFINIÇÕES ESSENCIAIS 
Slide 4: O Impacto Epidemiológico 
 Dados OMS: Ocorrem 2 bilhões de casos de doença diarreica no mundo por ano, levando à morte 1,9 milhão de 
crianças com menos de 5 anos. 
 Gastroenterite: Inflamação da mucosa do estômago e dos intestinos. 
 Sintomas: Náuseas, vômitos, diarreia aquosa, cólicas, distensão abdominal, febre baixa, fraqueza. 
 Causas: Infecciosas (bactérias, vírus, parasitas, fungos) e Não infecciosas (alergias alimentares, intoxicação por 
venenos/químicos). 
 Transmissão: Via fecal-oral (mãos contaminadas em superfícies/objetos ou ingestão de água/alimentos 
contaminados). 
Slide 5: Termos e Definições Essenciais 
� CONCEITOS-CHAVE DE PROVA 
 
Gastroenterite: Síndrome clínica com náuseas, vômitos, diarreia e desconforto abdominal. 
Diarreia: Evacuação frequente de fezes anormais/líquidas, gerando perda acentuada de água e eletrólitos. 
Disenteria: Processo inflamatório grave do TGI caracterizado por fezes com SANGUE, PUS e MUCO, acompanhado de 
cólicas intensas, febre e tenesmo (vontade dolorosa e constante de evacuar). 
Enterocolite: Inflamação simultânea do intestino delgado (êntero) e do intestino grosso (cólon). 
 
SLIDES 6 E 7: DIARREIAS COMUNITÁRIAS VS. HOSPITALARES 
Slide 6: Diarreia Comunitária (Adquirida na comunidade) 
 Em Adultos: A maioria tem caráter inflamatório. Pode-se pesquisar leucócitos nas fezes (sensibilidade 10^5 UFC/g 
Staphylococcus aureus 30 min a 8 h Vômitos intensos e início muito 
rápido 
Ágar Baird-Parker / Ágar 
Manitol Salgado 
Campylobacter 2 a 5 dias Diarreia com sangue, febre Ágar Karmali / Campy-BAP 
(42°C) 
Clostridium botulinum 12 a 48 horas Paralisia descendente, visão dupla, 
SEM diarreia 
Pesquisa de toxina no 
soro/fezes 
EHEC (E. coli O157:H7) 1 a 10 dias Diarreia sanguinolenta + risco de 
SHU e insuficiência renal 
Ágar MacConkey Sorbitol 
(SMAC) / CHROMagar O157 
ETEC 6 a 48 horas Diarreia do viajante (aquosa e 
profusa) 
Testes para toxinas LT e ST 
Salmonella typhi 7 a 14 dias Febre Tifóide (febre alta, mialgia, 
constipação/diarreia) 
Coprocultura / Hemocultura 
Vibrio cholerae 1 a 5 dias Diarreia aquosa em 'água de arroz' 
volumosa 
Ágar TCBS (colônias amarelas) 
 
SLIDES 15 E 16: ETAPA PRÉ-ANALÍTICA (COLETA E REJEIÇÃO DE AMOSTRAS) 
Slide 15: Amostras Aceitáveis e Transporte 
 Fezes Diarreicas in natura: Mínimo de 5 mL. 
 Fezes em Meio Conservante: Mínimo de 2 gramas. 
 Swab Rectal: Aceito APENAS em lactentes (bebês). 
 Fezes sem conservante: Devem ser mantidas em Temperatura Ambiente (20 a 25°C) e processadas em ATÉ 2 
HORAS! (Bactérias sensíveis como Shigella e Campylobacter morrem rapidamente fora do corpo sem 
conservante). 
 Meios de Transporte/Conservantes: Cary-Blair ou Glicerina Tamponada. 
⚡ EXCEÇÃO DE PROVA: Clostridium difficile 
 
NÃO USAR CONSERVANTE! As fezes devem ser refrigeradas por até 12 horas. Se for demorar mais de 12h, a amostra 
deve ser congelada. 
 
Slide 16: Critérios de Rejeição de Amostras 
⚠️ CRITÉRIOS DE REJEIÇÃO (EXTREMAMENTE IMPORTANTE PARA PROVA) 
 
Sua amostra será REJEITADA se: 
1. Estiver sem conservante e tiver sido coletada há mais de 2 horas. 
2. Estiver com conservante mantida há mais de 48 horas refrigerada ou mais de 24 horas em temperatura ambiente. 
3. For fezes líquidas recolhidas em fraldas (a fralda absorve o líquido e retém os leucócitos, falseando o resultado). 
4. Estiver contaminada com urina. 
5. Estiver no meio conservante há mais de 3 dias. 
6. O Swab estiver seco (sem meio de transporte). 
 
SLIDES 17 A 22: ETAPA ANALÍTICA (FLUXO DE COPROCULTURA E MEIOS DE CULTURA) 
Slide 17 e 18: Fluxo de Semeadura e Isolamento 
 1. Caldos de Enriquecimento (Pré-enriquecimento): Caldo Selenito-Cistina,Caldo Tetrationato ou Caldo GN 
(Gram Negative): Multiplicam os enteropatógenos e inibem a microbiota normal por 6 a 8 horas a 35°C. 
 2. Ágar MacConkey (Diferencial e de Baixa Seletividade): Contém lactose. 
 Fermentadores de Lactose (Lac+): Colônias ROSAS/VERMELHAS (ex: E. coli comum). 
 Não Fermentadores de Lactose (Lac-): Colônias INCOLORES/TRANSPARENTES (ex: Salmonella, Shigella, 
Yersinia, Pseudomonas). 
 3. Ágar SS (Salmonella-Shigella) e Ágar XLD: Meios altamente seletivos para recuperar Salmonella e Shigella. 
Slide 19: Sorogrupos de Escherichia coli 
 EPEC (Enteropatogênica): Causa vômitos e diarreia com muco. PESQUISAR SOMENTE EM CRIANÇAS DE ATÉ 1 
ANO DE IDADE! 
 EIEC (Enteroinvasiva): Diarreia com sangue e muco (idêntica à Shigella). 
 EHEC (Entero-hemorrágica): Diarreia sanguinolenta (sorotipo O157:H7). 
 ETEC (Enterotoxigênica): Diarreia aquosa profunda (pesquisar toxinas LT e ST). 
Slide 20: Como diferenciar Salmonella x Shigella no Ágar SS? 
 Característica comum: Ambas são Lac- (não fermentam lactose = colônias transparentes). A diferença está na 
produção de Sulfeto de Hidrogênio (H2S): 
 Salmonella spp.: H2S POSITIVO (Colônias transparentes com CENTRO PRETO). 
 Shigella spp.: H2S NEGATIVO (Colônias totalmente INCOLORES / TRANSPARENTES). 
Slide 21: Meios Específicos para Yersinia e Vibrio 
 1. Yersinia enterocolitica: 
 Enriquecimento a Frio: Salina mantida em geladeira (2 a 8°C) por 24 horas. 
 Meio Seletivo: Ágar CIN (Cefsulodina-Irgasan-Novobiocina). 
 Aspecto da colônia: Rosa-pink central com bordo translúcido (aspecto em 'olho de boi'). 
 2. Vibrio cholerae e Vibrio parahaemolyticus: 
 Pré-enriquecimento: Água Peptonada Alcalina (pH 8,4) mantida a 35°C por 5 a 8 horas. 
 Meio Seletivo: Ágar TCBS (Tiossulfato, Citrato, Sais Biliares, Sacarose). 
 Vibrio cholerae: Fermenta a sacarose -> Colônias AMARELAS. 
 Vibrio parahaemolyticus: NÃO fermenta a sacarose -> Colônias VERDES. 
Slide 22: Campylobacter spp. 
� REGRAS DE CAMPYLOBACTER EXIGIDAS EM PROVA 
 
Morfologia: Bastonete Gram-negativo pequeno, curvo/espiralado, em formato de 'asa de gaivota'. 
Características: Fastidiosa, assacarolítica (não usa açúcares) e de crescimento lento. 
Meio de Cultura: Ágar Karmali ou Campy-BAP (contém piruvato e antibióticos como cefoperazona e vancomicina 
para inibir outras bactérias). 
Condições Especiais de Incubação: MICROAEROFILIA (5% O2, 10% CO2, 85% N2), Temperatura de 42°C, Tempo: 48 a 
72 horas. 
Colônias: Acinzentadas, brilhantes, irregulares e Oxidase POSITIVA. 
 
SLIDES 23 A 28: DIAGNÓSTICO MOLECULAR E ETAPA PÓS-ANALÍTICA 
Slides 23 a 27: Painéis Moleculares por PCR (ex: BD MAX Enteric Bacterial Panel) 
 Tecnologia: Utilizam reação de PCR em tempo real para detectar diretamente nas fezes o DNA de: Salmonella 
spp., Campylobacter spp., Shigella / EIEC e genes das Toxinas Shiga (stx1 e stx2). 
 Vantagem: Sensibilidade > 90% e resultado liberado em menos de 3 horas (contra 24h a 72h da cultura 
tradicional). 
 Estabilidade da Amostra para PCR: Fezes in natura ou em Cary-Blair/Glicerina mantidas entre 2 e 25°C por até 
24 horas, ou refrigeradas (2-8°C) por até 5 dias. Nunca congelar nem expor ao calor excessivo. 
Slide 28: Interpretação de Resultados e Regras de Laudo 
 1. Códigos de Leitura do Equipamento: POS: Positivo | NEG: Negativo | UNR (Unresolved): Não resolvido | IND: 
Indeterminado | INC: Corrida incompleta. 
� REGRA PÓS-ANALÍTICA DO PCR POSITIVO (PERGUNTA CERTA DE PROVA) 
 
Conduta Obrigatória: Se o teste molecular der POSITIVO, o microbiologista É OBRIGADO a semear a amostra 
biológica nos meios de cultura convencionais (Ágar SS e MacConkey) para tentar isolar a bactéria viva e realizar o 
Teste de Sensibilidade a Antimicrobianos (TSA / Antibiograma)! 
E se o PCR for positivo, mas a cultura for negativa? O PCR detecta o DNA bacteriano (que pode ser de uma bactéria 
que já morreu). Se não houver crescimento na cultura, não será possível fazer o TSA/antibiograma, e o laudo será 
liberado apenas com a identificação do microrganismo via método molecular. 
 
 3. Emissão de Laudo Correta: 
 INCORRETO: Escrever no laudo 'Não foram isolados patógenos'. 
 CORRETO: Especificar exatamente o que foi buscado: 'Não foram isoladas Salmonella, Shigella e 
Campylobacter'. 
 4. Notificação Compulsória: Resultados críticos devem ser notificados ao médico e à Vigilância Epidemiológica 
(NVE), enviando a cepa para o laboratório de referência (Instituto Adolfo Lutz - IAL-SP). 
SLIDES 29 A 34: MICROBIOMA INTESTINAL E RESISTOMA 
Slide 29: Desenvolvimento da Microbiota 
 Fatores de Modulação: A microbiota é moldada desde o nascimento por: tipo de parto (vaginal vs. cesárea), 
alimentação (leite materno vs. fórmula), uso de antibióticos e introdução alimentar. 
Slides 30 e 31: O Resistoma e a Resistência à Gentamicina 
 Resistoma Intestinal: É o conjunto de todos os genes de resistência a antibióticos (ARG) presentes nas bactérias 
da microbiota. 
 Mecanismo de Seleção: O uso de antibióticos (como a gentamicina) mata as bactérias sensíveis e seleciona as 
bactérias resistentes. 
 Transferência Horizontal de Genes: Bactérias comensais ('boas') podem passar genes de resistência para 
bactérias patogênicas ('ruins') dentro do intestino. 
 Estratégias de Mitigação: Para restaurar a microbiota após o uso de antibióticos, podem ser usados probióticos 
específicos (Saccharomyces boulardii, Lactobacillus GG) ou Transplante de Microbiota Fecal (FMT). 
RESUMÃO 'TIRA-DÚVIDAS' PARA A PROVA 
Agente Características Principais Meio / Condição de Cultivo 
Salmonella Bastonete Gram-negativo, Lac-, H2S 
POSITIVO 
Ágar SS (colônia transparente com centro 
preto) 
Shigella Bastonete Gram-negativo, Lac-, H2S 
NEGATIVO, dose infectante baixíssima (10-
100) 
Ágar SS (colônia totalmente transparente) 
Campylobacter Gram-negativo em 'asa de gaivota', Oxidase 
POSITIVA 
Ágar Karmali, 42°C, Microaerofilia 
Vibrio cholerae Bagaço/bastão curvo, fermenta sacarose Água Peptonada Alcalina (pH 8,4) -> Ágar 
TCBS (amarelo) 
Yersinia Cresce bem no frio (psicrotrófica) Enriquecimento em Salina 2-8°C -> Ágar 
CIN ('olho de boi') 
Clostridium difficile Principal causa hospitalar em adultos NÃO USAR CONSERVANTE! 
Refrigerar/Congelar fezes 
EPEC Causa diarreia em lactentes Pesquisar apenas em crianças

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