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CLÍNICA CIRÚRGICA DE PEQUENOS ANIMAIS Prova teórica 1 - 07/04 (30 pts) Prova prática - 24/06 (15 pts) Relatório de aula prática - 24/06 (5 pts) - (Completo: anamnese, procedimento, anestesia, protocolo pós-operatório, detalhes, fotos, etc) Prova 2 - 23/06 (30 pts) ADA - 14/05 (18 pts) EC - 09/05 (2 pts) AULA 01 (10/02) - CHOQUE CHOQUE: síndrome caracterizada pela hipoperfusão tecidual. O que determina a perfusão tecidual: pressão arterial média e o volume de sangue circulante. Necessariamente, o paciente em choque tem hipotensão. A Pressão sanguínea é determinada pela volemia e pelo calibre vascular. Obs: hipotensão é mais grave do que a hipertensão. 1) CHOQUE HIPOVOLÊMICO Quando tem menos volume de sangue circulante do que o esperado (volume de sangue total ou plasma). — Choque hipovolêmico por hemorragia: Hemorragia externa (ferimentos traumáticos; cirurgias com grande sangramento) ou interna. Exemplo de hemorragia interna: ruptura de vísceras (baço, fígado) ou grandes vasos, fraturas, traumatismo craniano, laceração de ligamento largo ou grandes vasos, ingestão de objeto perfuro-cortante o qual pode lacerar algum grande vaso). — Choque Hipovolêmico por Hemoconcentração: Quando há extravasamento de plasma ou seja, perdeu o volume líquido de sangue, ficando proporcionalmente com mais células (mais concentrado). Causas: desidratação; queimaduras (+ de 20% da superfície corporal); peritonite; qualquer doença que o plasma (líquido) saia do vaso, gerando ascite. Ex de doenças que geram ascite: ICC direita, doença hepática - já que o fígado converte ptn em albumina); efusões torácicas (como hidrotórax, hidropericárdio). O choque hipovolêmico é estabelecido quando há perda de sangue equivalente a 30% da volemia no cão e 40% no gato, alcançando 100% de mortalidade nas perdas acima de 50% do volume circulante Volemia - 8-10% do peso livre Ex: cao de 10 kg - volemia de 800mL a 1L de sangue 2) CHOQUE VASCULOGÊNICO Aquele que tem origem no calibre do vaso sanguíneo. Aumento agudo da capacitância do leito vascular, pela incapacidade de manter a resistência periférica. Depende muito do SNC, já que ele é responsável por modular isso: as fibras nervosas vasoativas , através dos receptores periféricos, é que controlam a dilatação/contração dos vasos. — Choque Vasculogênico Neurogênico (Paralisia Vasomotora): Perda do comando do SNC, perdendo controle sobre a contração/dilatação dos vasos. Causas: Paralisia do SNS devido a traumatismo (TRM - trauma raqui-medular; TCE - trauma crânio-encefálico); intoxicação por fármacos hipotensores. obs: o SNC age no vaso sanguíneo estimulando a contração. Então se algo lesar o SNC, todos os vasos simultaneamente irão dilatar, reduzindo drasticamente a pressão do sangue nos vasos. Toda vez que induzimos o animal a uma depressão profunda do SNC, submetemos o animal a entrar em choque. O aprofundamento anestésico em excesso pode gerar a morte por choque vasculogênico neurogênico. Por isso na anestesia, é fundamental monitorar a pressão do paciente e não deixa-lo aprofundar muito. A pressão pode estar caindo também por uma cirurgia muito sangrenta. — Choque Vasculogênico Endotóxico/Séptico: As bactérias que estão causando a infecção, quando morrem liberam toxinas vasodilatadoras. Ocorre pela morte bacteriana. Deve-se haver um equilíbrio “matar as bactérias de forma lenta”. Endotoxinas: estimulam terminações simpáticas liberando catecolaminas. Hemodinâmica em duas fases: • primeira: aumento do débito cardíaco e tono periférico (diminui a resistência periférica pela vasodilatação) • segunda: redução do débito cardíaco e no retorno venoso - as catecolaminas levam à persistência do tono arteriolar sistêmico, causando elevada resistência periférica pela vasoconstrição, que ocasiona no baixo retorno de sangue ao coração. Causas mais comuns do choque séptico são: peritonite, piometra, meningite, pericardite, obstrução intestinal, abscessos, queimaduras contaminas .. qualquer infecção bacteriana. — Choque Vasculogênico Anafilático: Ocorre pela liberação de uma substância extremamente vasodilatadora: HISTAMINA. Haverá uma falência circulatória periférica por liberação aguda de histamina. A histamina fica dentro dos mastócitos, e na hora que ela é liberada, todos os vasos sanguíneos serão dilatados. Devido uma reação antígeno-anticorpo-complemento (picadas de insetos, transfusões de sangue incompatível, fármacos, peçonhentos..), que vai liberar substâncias tóxicas como a histamina. Ele inicia com alguns sinais como edema de mucosa, conjuntiva, vômito, etc. É mais fácil de tratar/reverter (anti-histamínico). Relacionado à fármacos como os depressores do SNC (acepromazina, cetamina). O propofol por exemplo, gera muita anafilaxia, já que contem ovo na sua composição. Além disso, peçonhas também causam anafilaxia com hipotensão. 3) CHOQUE CARDIOGÊNICO — Choque cardiogênico intrínseco: Quando o problema está no próprio coração. Qualquer coisa que afete o funcionamento do coração. Problemas estruturais; problemas funcionais (distúrbios de condução elétrica), arritmia - que tornem as sístoles ineficientes. —Choque cardiogênico extrínseco: Causada por mal funcionamento do coração secundária a causas externas. Principalmente doenças que geram distúrbios de ácido-base e eletrolíticos (hipercalemia + hiponatremia). A hipercalemia é comum em falência renal aguda; reposição de K de forma errada. Além disso, intoxicação por fármacos ou produtos químicos depressores do miocárdio. Alem disso, estruturas patológicas ou anatômicas alteradas que vão interferir no funcionamento do coração (como por exemplo na efusão pericárdio, o coração não consegue se expandir normalmente para a diástole). Pneumotórax, efusão pleural, etc. Exemplo: paciente renal agudo - não libera K, gerando hipocalemia - afetando o funcionamento do coração. obs: Na eutanásia o paciente morre por choque cardiogênico extrínseco secundário à aplicação de Cloreto de Potássio. 4) CHOQUE OBSTRUTIVO OU POR OBSTÁCULO CIRCULATÓRIO Quando por alguma razão, o sangue não consegue fazer seu percurso normalmente. Geralmente envolvendo grandes vasos. Impedimento ou restrição do retorno venoso na grande circulação. Causas: Principal - Torção gástrica ou Dilatação Vôlvulo Gástrica (DVG) - estômago dilatado faz muita pressão na base da coluna vertebral, por onde passa a artéria aorta e a veia cava (o sangue sai do coração mas acaba não voltando). Outras - Tamponamento cardíaco, compressão das veias cavas, hiperinsuflação pulmonar (ocorre quando ventila manualmente o paciente de forma excessiva, impedindo mais ainda o retorno venoso já que irá comprimir os vasos), pneumotórax, efusões plurais, hérnia diafragmática. Hipovolemia absoluta ou relativa —> Hipotensão Hipotensão arterial: choque cardiogênico e por obstáculo na grande circulação Hipotensão arteriovenosa: choque hipovolêmico e vasculogênico S 11/02 - FISIOLOGIA DO CHOQUE FASES DO CHOQUE: I) ADRENÉRGICA: Fase compensatória. Ocorrem mecanismos compensatórios endógenos de sustentação da pressão (desencadeados pela hipotensão) Se mesmo com os mecanismos, a pressão não for regulada, vai evoluir para a fase II. Na fase I, há aumento na secreção de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina), visando compensar a hipotensão persistente. O paciente na fase I tem hipotensão, porém tem taquicardia. A catecolamina faz vasoconstrição periférica e vasodilatação central (mantendo os orgãos essenciais à sobrevivência imediata - coração, SNC e pulmões). Além disso, apresenta a saturação de O2 menor que o normal, o corpo para compensar aumenta a frequência respiratória, normalmente então o paciente apresenta-se em taquipneia. Visando aumentar a pressão sanguínea, começa a secretar em maior quantidade o ADH (potente vasoconstritor/Antidiurético), reduzindo assim o débito urinário.O angiotensinogênio é um vasoconstritor que normalmente fica inativo. Nessa situação vai haver conversão do angiotensinogênio em angiotensina, através da renina. A angiotensina tem ação vasoconstritora e estimula a secreção de aldosterona, o qual promove reabsorção de Na e H2O desde os túbulos renais. Resumo Fase I: Taquicardia + taquipneia + aumento ADH + redução DU + aumento angiotensina e aldosterona obs: quanto maior for a hipoperfusão, mais rápido vai ser a evolução entre fases. Algumas fases terão mecanismos compensatórios e outras mecanismos descompensatórios. Os mecanismos compensatórios ocorrem na fase I. Os mecanismos descompensatórios ocorrem nas demais fases. II) EXPANSÃO DO LEITO VASCULAR Nessa fase, é o inicio dos mecanismos descompensatórios. Vai haver uma vasodilatação maciça já que todos os mecanismos compensatórios endógenos já foram consumidos na fase I, como as catecolaminas. O paciente permanece hipotenso, porém com bradicardia. Haverá queda abrupta da saturação. O paciente estará em acidose metabólica, já que, devido a saturação de O2 insuficiente, a célula vai começar a fazer glicólise para conseguir energia, o que gera resíduo, o ácido lático. O ácido lático na corrente sanguínea causa uma acidose metabólica. O ácido lático vai ser distribuído pelo corpo na forma de lactato (forma circulante do ácido lático). A acidose deprime diretamente o miocárdio e diminui a resposta dele à estimulação simpática das catecolaminas. Em condições extremas de hipotensão, a perda do tônus simpático pode ocorrer, ou seja, a capacidade de ativar adequadamente esse sistema é comprometida. Isso resulta em uma preponderância do sistema parassimpático, o que pode levar a uma diminuição do tônus vascular periférico (vasodilatação) e a uma redução do débito cardíaco. O efeito combinado da acidose e da hipotensão grave cria um ciclo vicioso: a acidose deprime o miocárdio, tornando-o mais sensível à hipotensão, e a hipotensão agrava ainda mais a função cardíaca, exacerbando a condição clínica do paciente. A combinação desses fatores pode levar a um choque cardiovascular, onde o coração não consegue fornecer oxigênio e nutrientes de maneira eficiente para os órgãos vitais, resultando em falência de múltiplos órgãos e, se não tratado rapidamente, à morte. —> O lactato é inversamente proporcional à oxigenação tecidual, ou seja, quanto maior o lactato mais as células estão em hipóxia. A dosagem do lactato então é fundamental para analisar a eficácia do tratamento. Resumo Fase II: bradicardia ( ↓DC) + taquipneia + angustia respiratória + alta produção de ácido lático/lactato III) CID (coagulação intravascular disseminada) O sangue dentro dos vasos, que estão muito dilatados, está se movimentando muito lentamente, já que a pressão está muito baixa. Dessa forma, começam a formar microcoágulos (as células vão se juntando). Dessa maneira, inicia-se a fase III. Fase a) Formação dos coágulos/microtrombos - diminuição do fluxo capilar Fase b) Secreção dos anticoagulantes - ativação da fibrinólise, com lise dos coágulos e sangramento difuso pelas soluções de continuidade. O corpo viu que está formando coágulo, e começa a secretar anticoagulantes em grandes quantidades. Dessa forma, começa a haver hemorragia por todo o organismo (sangramento nasal, oral, petéquias, diarréia sanguinolenta, etc). A coagulação está tentando ser revertida pelo corpo, porém de forma descontrolada. Dessa forma, a pressão cai mais ainda e evolui para a fase IV. obs: Nessa fase b já não tem mais reversão. Na fase a ainda consegue-se reverter, com heparina por exemplo, para evitar que chegue na fase b. IV) INSUFICIÊNCIA DE MÚLTIPLOS ÓRGÃOS Os distúrbios circulatórios e hidroeletrolíticos propiciam a formação e a liberação de mediadores que levam ao comprometimento sistêmico, com insuficiência de múltiplos órgãos. Esses mediadores são: radicais livres, prostaglandi- nas, leucotrienos, citocinas, etc. obs: Paciente hipotenso, pulso fraco - está em choque. Choque - necessariamente tem pressão baixa SINAIS CLÍNICOS FREQUENTEMENTE OBSERVADOS EM PACIENTES CHOCADOS • Variação da temperatura corporal: hipotermia, o organismo resfria para reduzir a demanda metabólica e produção energética, reduzindo assim a produção de lactato. Além disso, a menor temperatura gera vasoconstrição periférica. obs: no choque séptico as bactérias secretam substâncias que sobem a temperatura, levando a hipertermia. —> Deve-se aquecer 1 grau por hora, e concomitante melhorar a oxigenação (saturação de O2) e a pressão. Resumo: Hipotermia = vasoconstrição periférica + diminuição da atividade metabólica + diminuição da produção de energia (decorrente da hipóxia) • Diarréia: com ou sem sangue. Independente da situação do intestino. O intestino não consegue manter a função básica de absorção de nutrientes e água (pois ele não tem energia/ATP suficiente para isso, já que no momento o intestino não é um órgão priorizado), tendo mais líquido que será eliminado por diarréia. O intestino começa a necrosar, devido a baixa chegada de nutrientes e O2, e nesses casos a diarréia começa a ter sangue. A perda da linha de defesa favorece a translação bacteriana e endotoxinas de bactérias do lúmen, além dos catabólitos, que serão absorvidos pela mucosa lesada/ulcerada e seguem pela circulação porta podendo levar à endotoxemia e sepse. Como fígado, que é o principal órgão de destoxificação, sofre acentuada depressão funcional no choque, as toxinas bacterianas e endotoxinas de bactérias da luz intestinal efetuam livremente sua ação deletéria. —> Todo choque, se não tratado adequadamente, vai evoluir para choque séptico. • Pâncreas: sofre lesão isquemia e potencializa o choque devido a ativação e liberação de suas enzimas tóxicas na circulação. Elas causam uma poderosa diminuição no DC. Isso aliado ao comprometimento hepático, deixa o animal vulnerável ao efeito de bactérias e toxinas. • Oligúria ou anúria: produção de urina insuficiente ou ausente. Obs: produção mínima de urina é de 2ml/kg/hora. O rim trabalha filtrando o sangue, e devido a hipotensão aguda ele não recebe sangue suficiente para a filtração glomerular, o débito urinário cai e agrava a acidose. (Obs: além da alta produção do ADH que aconteceu na fase I). A hipotensão aguda prejudica sua irrigação e diminui a metabolização do lactato. Chega um momento que o rim pára, os néfrons morrem por hipóxia. (— Insuficiência renal no choque - lesão nos túbulos após hipoperfusão por mais de 12 horas. — Necrose tubular aguda - em 24 horas). • Colapso venular: quando os vasos sanguíneos ficam colabados, devido ao baixo retorno venoso e a redução da volemia - é um reflexo da hipotensão. Colapso venular é um sintoma de choque. Excessão: choque cardiogênico. Nesse caso, a bomba não funciona direito, o volume de sangue está normal mas não circula de forma adequada. Nesse caso, há repleção, principalmente nas jugulares - a veia costuma ser boa demais, mais evidente. • Taquipneia: aumento na frequência respiratória em resposta à acidose metabólica. Quando o paciente está em acidose metabólica extrema e ele faz um movimento que é a retração da comissura labial (abre a boca para respirar, parecendo que está rindo) o paciente vai evoluir para óbito. O deficiente aporte de O2 bloqueia o ciclo de Krebs, diminuindo a produção de energia pela glicose —> haverá acúmulo de lactato levando à acidose intracelular. Com o acúmulo de lactato haverá bloqueio da glicose anaeróbica e então morte celular por falta de energia. Como diminuiu a produção de energia, vão cessar os mecanismos de transporte ativo. As membranas sofrem alterações de permeabilidade —> ocorre passagem de sódio, cálcio e água para a célula (edema) e saída de potássio (hipercalemia). • Taquicardia: na fase I • Bradicardia: nas demais fases • Bulhas cardíacas com intensidade diminuída: a acidose gerauma resposta diminuída do miocárdio às catecolaminas. Abafamento das bulhas é um sinal de choque. • Coloração das mucosas e tempo de repercussão capilar: são indicadores dos níveis de pressão sanguínea e perfusão tecidual. • A hipóxia provoca depressão ou inconsciência e também dilata a pupila. É comum no paciente em choque encontrar alteração do nível de consciência (para baixo); alteração na dilatação pupilar (midríase): Primeiro nível da diminuição de consciência - depressão - paciente apático que não reage ao ambiente de forma normal. Segundo nível de alteração de consciência - torpor ou esturpor. Nesse estágio o paciente reage à estímulos dolorosos/táteis, mas não reage a estímulos ambientais comuns. Terceiro nível - coma - o paciente não responde à estímulos ambientais e nem dolorosos. AVALIAÇÃO LABORATORIAL Serão solicitados antes de iniciar o tratamento para saber a situação do paciente antes do inicio do tratamento. Lactato: proporciona avaliação do grau de oxigenação tecidual - inversamente proporcional a oxigenação tecidual = Quanto mais alto o lactato, mais ácido o sangue do paciente está. Paciente em choque SEMPRE estará em acidose metabólica. - Sangue total 5 a 20 mg/dL - Plasma 12,6 a 35 mg/dL O lactato é fundamental para acompanhar a eficiência do tratamento. Função hepática e renal: órgãos de destoxificação e eliminação de catabólitos - vai dizer se já havia algum danos antes Hematócrito: é a proporção da célula com o plasma (% de glóbulos vermelhos/ hemácias presentes no sangue). Ideal para saber o fluido que vai fazer. Quantos % de volume globular (células) em relação ao todo. Quanto mais hemoconcentrado tiver paciente maior o hematócrito. - Fase inicial - normal a elevado (esplenocontração) - Fase tardia - diminuído (migração de líquido extravascular) No choque, o Ht acima de 45% indica tendência a aumentar a viscosidade sanguínea, favorecendo a agregação de células circulantes. Essa hemoconcentração pode significar elevado teor de hemoglobina, e teoricamente maior capacidade de transportar O2. Porém, essa vantagem é antagonizada, já que a maior viscosidade dificulta a passagem do sangue pela microcirculação. Proteínas plasmáticas: não da nenhum diagnóstico, mas dependendo do tipo de choque direciona para um tratamento adequado. Obs: EDEMA: - ⬆ pressão hidrostática vascular (ex: devido ao ⬆vol. sg.) - ⬇ pressão oncótica (regulada pelas Ptns plasm. como a albumina) - ⬆ permeabilidade vascular (subst. Vasodilatadoras, como a bradicinina) - Alteração da drenagem linfática - os linfonodos que impedem esse acúmulo de líquido excessivo no intersticio - Retenção de H2O e Na (ADH, aldosterona) EXSUDATO = Edema inflamatório (rico em proteína) TRANSUDATO = Edema não-inflamatório (pobre em proteína) Consequências do edema: Obstrução vascular (⬆ volume = compressão do vaso); dificulta as trocas gasosas (⬆ barreira entre o alvéolo e o capilar) Eletrólitos: K e Na. Emportante monitorar pois vai dizer se tá havendo um choque cardiogênico extrínseco - hiponatremia e hipercalemia. No choque, há aumento de K no plasma; e quando em concentração excessiva no meio extracelular, determina depressão cardíaca. A determinação de Na é importante para a escolha da solução adequada na reposição hídrica. TRATAMENTO DO CHOQUE Primeiramente visa-se parar o processo de evolução das fases - inicialmente assegurar a sobrevivência imediata! Objetiva-se remoção das causas desencadeante; correção das variáveis fisológicas (TPC, pulso, FC, FR, Temperatura, pressão). 1º fase do tratamento - Tratamento emergencial: 1º passo) Proporcionar ventilação adequada (oxigenoterapia): a oxigenação tecidual depende da pressão sanguínea e saturação de oxigênio. Postura que favorece a oxigenação: decúbito lateral, com pescoço distendido, língua tracionada e cabeça em posicionamento levemente inferior ao restante do corpo (favorecer por gravidade o fluxo sanguíneo cerebral). Se houver obstrução de via aérea na hora do fornecimento do O2 - remover os corpos estranhos, coágulos, secreções, espuma avermelhada clássica de edema ou de trauma pulmonar —> aspirador - desobstrução Obs: coração, pulmão e cérebro - orgãos priorizados no choque Oxigenoterapia Quanto? Como? Fluxo: 50 a 150 mL/kg min (25kg) Balão de O2 Fluxômetro - fluxo de O2 que sai por minuto Excesso de O2: Alcalose metabólica!! I elhorar a volemia Como? - Máscara - Câmaras de oxigenação (entrada pro O2 e um “buraco”para sair o CO2) - Sonda nasal - paciente dolicocefálicos (focinho longo) obs: Comissura medial do globo ocular até focinho - o tanto que a sonda pode entrar. Usar lidocaína local. - Paciente com edema de glote ou que não está ventilando espontaneamente ou obstrução de via aérea: sonda ou tubo endotraqueal (traqueostomia - stomia = fistular com a pele). Nesse caso o paciente precisa de ventilação assistida. Deita-se o animal em decúbtio dorsal, estende o pescoço e faz incisão na linha media do pescoço (em qualquer altura - quanto mais cranial mais perto da cricotireóide é melhor). Traqueostomia temporário x permanente • Permanente - incisão longitudinal . Geralmente tumores de laringe, tumores de base de língua • Temporária - incisão transversal (entre os anéis da traquéia - no tecido conjuntivo). Sem lesar a cartilagem da traquéia. Pode-se incisar até no máximo 180 °. Quando retirar a sonda, deve-se fazer uma sutura em X (unindo os anéis). obs: é normal nos primeiros dias, o paciente ter enfisema subcutâneo.????? Se o paciente tem um enfisema subcutâneo a traqueia rompeu em algum ponto!! Essa crepitação ocorre por rompimento de traqueia; ou se a costela fraturada perfurar o pulmão; ou em caso de presença de Clostridium. 2° passo) Estabilizar a volemia - Ressuscitação volêmica Qual fluido? Quanto? Por onde? —> Via: IV - vaso de grande calibre - jugular. Vasos periféricos para administrar fármacos —> É sempre feita com cristalóide. Terá que escolher algum soro que não seja muito ácido —> ringer com lactato aquecido a 37 °(o pH dele é muito mais próximo do pH do sangue). Coletar o sangue ANTES da ressuscitação. O objetivo da fluido no choque é mais o restabelecimento/melhora dos sinais vitais do que o uso de um volume ou velocidade específica de reposição. 90 ml/kg/hora Divide-se esse volume calculado em duas metades: - 50% do volume: 15 a 30 minutos - 50% do volume: se necessário! (Olhar se TPC melhorou, se o pulso está mais forte, temperatura subindo lentamente, mucosa corando, etc). Se os sinais vitais melhorarem, sai da ressuscitação volêmica, fazendo os cálculos para fluidoterapia de manutenção. Obs: Cuidado com edema pulmonar - auscultar o paciente e verificar se tem estertor bolhoso —> nesse caso vai diminuir a fluido e administrar diurético (furosemida). Furosemida - estimular a diurese do paciente e em caso de edema pulmonar - 2mg/kg (emergência 2ml/kg e espera 15 minutos, se o edema não reverter e o paciente não urinar repete a dose) — até 4 cargas de furosemida em 1h — se após isso o paciente não urinar (para eliminar o edema) ele vai morrer pois não vai reverter o edema pulmonar (rim não funcionando). Cristalóide: solução salina de baixo custo; composto por pequenas moléculas que se distribuem no espaço extracelular. Ex: soro fisiológico. E E Obs: se o paciente estiver muito hipotérmico usar esse ringer aquecido (37 °). Após a ressuscitação —> Além de continuar com a fluido de manutenção: • Hemorragia: sangue total • Queimaduras: plasma ou expansor coloidal • Desidratação: solução eletrolítica balanceada • Anemia: papa de hemácias (de forma bem lenta para não gerar coagulação) obs: Bolsa de sangue dura 30 dias se quiser plasma e hemácia. Se precisar de plaqueta tem que ser sangue fresco (não pode resfriar). Ressuscitação volêmica e transfusão : pode ser feita intra-óssea em filhotes (consegue-se passar umaagulha até canal medular). • Se tiver uma hemorragia externa: não adianta ficar dando fluido. Precisa-se realizar métodos temporarios de hemostasia. • Se tiver uma hemorragia interna: bandagem (reduzindo o espaço livre do local acometido)! Intervenção cirúrgica deverá ser protelada até estabilização da volemia. Mas, se a hemorragia é intratorácica intensa não pode-se fazer bandagem (não dá pra esperar a estabilização da hemostasia), devendo operar imediatamente. Na ressuscitação volêmica, independente do tamanho do animal, utilizar o equipo MACROGOTAS. TRATAMENTO COMPLEMENTAR Esse sim vai variar de acordo com o tipo de choque e de acordo com o estado do paciente. • Fluidoterapia de manutenção: Manutenção: 50 mL/kg/24h Desidratação: no mínimo 5% - pois se não está desidratado ainda, ficará nas próximas 24h Perdas (vômito e diarréia): mesmo se não apresentar nada, considerar a diarréia, pois mesmo que não apresente, ainda vai apresentar - no mínimo 50mL/kg/24h. Porém se houver histórico de vômito associado à diarréia - 60 ml/kg/24h. mL/24h Na fluidoterapia de manutenção, pode-se escolher o equipo MICROGOTAS (10kg). • Fluidoterapia Específica: Vai depender do tipo de choque. O principal fluido específico é o sangue (porém não é todo paciente que precisa - o paciente que precisa de sangue é aquele que precisa de plasma ou que precisa de sangue total, que tem PTN baixa e Ht baixo). V (ml) = P (kg) x Volemia x Ht desejado - Ht receptor Ht bolsa Volemia: Cão: 80 Gato: 70 — Se quero estimular a M.O. a produzir mais células (problema mais crônico) - Ht desejado mais baixo = 25 a 30% — Se o paciente já tem uma medula responsivo, mas perdeu muito sangue, e não precisa estimular a M.O, só repor as células - Ht mais alto = 37 % · -> 11 — Se quero estimular a M.O. a produzir mais células (problema mais crônico) - Ht desejado mais baixo = 25 a 30% Nesse caso, o objetivo não é apenas repor as células, mas também permitir que a medula óssea comece a responder e produzir mais células de forma autônoma. Manter o Ht mais baixo permite que a medula trabalhe ativamente na regeneração das células sanguíneas. — Se o paciente já tem uma medula responsivo, mas perdeu muito sangue, e não precisa estimular a M.O, só repor as células - Ht mais alto = 37 % Um hematócrito mais alto (cerca de 37%) pode ser desejado, pois fornece uma reposição imediata de glóbulos vermelhos, sem interferir na capacidade de regeneração da medula óssea. Obs: Quanto maior o Ht desejado, maior o volume de sangue necessário a ser transfundido! • Antibioticoterapia: TODO paciente em choque precisa de receber antibiótico de amplo espectro (bactérias gram-, gram+ e anaeróbico) - devido a própria microbiota do animal que pode aproveitar da baixa imunidade para colonizar e evoluir assim para choque séptico. Para TODOS os choques, usa-se o cálculo convencional. A tríade mais utilizada: Metronidazol + Enrofloxacina + Ampicilina Metronidazol - 30 mg/kg SID Enrofloxacina - 10 mg/kg SID Ampicilina - 20 mg/kg TID Exceto choque séptico!! Obs: Choque séptico - é necessário matar as bactérias LENTAMENTE. INFUSÃO CONTÍNUA - BOMBA: mg do fármaco que vai diluir no fluido de manutenção = P (kg) x Dose unitária (mg/kg) x 24h x CE (constante de eliminação do fármaco) Essa formula NÃO calcula volume, calcula mG do princípio ativo! IVA ⑧ Ex: paciente de 10 kg - ampicilina 10 x 20 x 24 x 0,462 = 2217,6 mg de ampicilina em 24 horas. Se o paciente precisa de 500mL de soro em 24 horas: Ampicilina: frasco de 1g - diluir a 20% (200 mg/ml) Ou seja —> 200 mg —— 1 ml 1000 mg —- x x = 5 mL 200 mg —— 1 mL 2217,6 mg —— x x = 11,1 mL Mas se o volume necessário de soro for de 1250 mL, por exemplo: 1250 mL —— 11,1 mL 500 mL (cada bolsa) —— x x= 4,44 mL/bolsa O paciente usará 2 bolsas de 500 mL + 250 mL : • Ou divide a última dose em 2 (2,22 mL em 250 ml de soro) jogando 250mL de soro fora • Ou faz uma bolsa inteira (500mL + 4,44) e deixa correr até a metade -> E m 20% • Corticoterapia: O corticoide indicado para o choque é uma dose única, Quando a célula morre, libera para o meio, dentre outras coisas, o RL. Esses radicais livres quando toca na membrana celular da célula, oxida, fazendo peroxidação lipídica, matando assim a célula vizinha (rompendo-a também). No choque, muitas células ficaram sem energia e sem O2, havendo uma morte celular descontrolada. Nesse caso, muito radical livre vai cair na corrente sanguínea (quando melhorar a perfusão do paciente em choque), agindo à distância (cérebro, pâncreas, fígado, coração), levando à morte de muitas células de uma vez só - LESÃO POR REPERFUSÃO (morte celular à distância). O corticoide é um estabilizador de membrana celular: - minimiza os efeitos da peroxidação lipídica, - aumentando a resistência da membrana celular (das células do corpo como um todo). Nesse caso, o corticoide é utilizado como um ANTIOXIDANTE. Utilizar de preferência um corticoide de ação ultrarrápida e de curta duração. Acetato de metilprednisolona - 30 mg/kg IV Se em 8h não conseguir estabilizar (como sustentar a pressão e saturação de O2), repetir a dose. Obs: Pâncreas quando fica isquêmico (quando morre suas células) libera uma toxina própria, a toxina do pâncreas isquêmico. Ela é extremamente tóxica para o miocárdio. É muito comum nesses casos de reperfusão haver choque cardiogênico intrínseco, já que o miocárdio começa a ser degenerado por essa toxina. • Reverter a acidose metabólica: A oxigenoterapia já começa a reverter essa acidose de forma natural. Mas a reversão pode ser feita com aplicação de bicarbonato de sódio. Porém o cálculo leva em consideração os gases sanguíneos, necessitando assim de hemogasometria (pouco disponível). Se a saturação está normal, pressão normal, mantem o paciente mais um pouco em oxigenoterapia para reverter a acidose metabólica de forma segura, sem hemogasometria. • Monitorar a diurese: Uma complicação comum do choque é uma falência renal. Monitorar para ver se a diurese esta no mínimo necessário - 2 ml/kg/hora. Se não estiver, se for menos do que 2ml/kg/hora, administrar diurético - furosemida 2 a 8 mg/kg. —> Se entrou em anúria e não responde a furosemida (se não urinar) - rim entrou em falência aguda - evolução para óbito. De acordo com o caso do paciente: • Alternação de decúbito: evitar congestões pulmonares; pneumonia por decúbito. De hora em hora. • Manobras fisioterápicas para evitar a retenção de fluido/secreção: ajudar na expectoração de fluido. Manobra de tapotagem. • Em caso de dor - analgésico (ex: fratura). Lembrar que dipirona abaixa pressão (usar somente quando a pressão estiver estabilizada). • Reação devido liberação maciça de histamina (alérgica) - anti alérgico (ex: prometazina). • Febre: controlar - reduzir a temperatura com bolsas de água gelada, etc (para reduzir a demanda metabólica). Hipertermia é altamente deletéria. • Vômito ou perdendo sangue por via digestiva - controlar o vômito utilizando um anti-emético (ex: Maropitan - Cerenia). Se houver sangramento digestivo por vômito ou diarréia: tamponar os pontos de sangramento - Sucralfato (cola na submucosa onde tem lesão de musosa, tampando os pontos de hemorragia). • Hemorragia profusa - agregador plaquetário - ácido tranexânico (ex: Transamin). Após a estabilização, encaminhar o paciente para o centro cirúrgico para realização de X (nome da cirurgia). Sufixos: — tomia: abrir — rafia: fechar — stomia: fistular com a pele — ectomia: extirpar/remover — pexia: fixação de tecidos moles — dese: fixaçãr de forma persistente tecidos articulares — scopia: visualizar internamente obs: endoscopia digestiva = Gastroscopia OU colonoscopia — ↳ 24/02 REVISÃO ANATOMIA APARELHO REPRODUTOR/URINÁRIO AZOTEMIA: • AZOTEMIA PRÉ RENAL: aumento de uréia e creatinina por falha da chegada do sangue até o rim. O sangue não chega até ele em quantidade necessária. Causas:IC, desidratação, queimadura com perda de plasma, etc. Tudo que diminui a volemia (sangue total ou fração plasmática), e qualquer falha circulatória. Mantem-se os resíduos toxicos obs: Aumento de uréia e cretinina nem sempre é doença renal! Obs: ligadura do óstio uretral - óstio uretral - no assoalho da vagina j • AZOTEMIA RENAL: • AZOTEMIA PÓS RENAL: mais fácil de identificar. É sempre que existe algo que não deixe a urina sair (mas o rim filtrou). Não consegue-se eliminar os resíduos tóxicos. Ex: ruptura de bexiga, obstrução, etc. A azotemia pós renal sempre é muito intensa (ex: creatinina muito alta - em 11 a 15). CICLO REPRODUTIVO FÊMEAS O ciclo estral é impactado pelo fotoperíodo. Aproximadamente de 6 em 6 meses. No verão o ciclo estral antecipa (dias mais longos), e no inverno o ciclo atrasa (dias mais curtos). Anestro - maior período. Em torno de 3 meses e meio Proestro - quando a fêmea começa a ter sinais do aumento do estrógeno. O estrógeno subindo vai estimular a hiperplasia das glândulas endometriais, útero, estimula a ingurgitação da vulva, estimula o comportamento. No prostro ainda NÃO tem ovulação, e há a descamação do endométrio para poder preparar a implantação do embrião — sangramento. Estro - fase fértil/ovulatória. Já houve pico de estrógeno e de FSH. Há liberação dos oócitos após ruptura dos folículos. Nessa fase não tem mais sangramento. Estro + prostro = média de 15 dias O Corpo lúteo se forma onde houve a ruptura do folículo. Na cadela, durante o período inteiro do estro vai ter ruptura de vários folículos em vários dias diferentes (por isso pode cruzar com machos diferentes e ter filhos de pais diferentes na mesma gestação) - não só de pais diferentes mas de tempos gestacionais diferentes, dependendo do dia que foi concebido. E ai nesse caso, durante o parto pode nascer fetos com 60d, e fetos prematuros. (Gestação dura 60d). O CL produz progesterona. É o hormônio que mantém a gestação (se cair a P4 pode haver aborto). Então a P4 também é o hormônio do destro. Diestro - fase progesterônica do ciclo estral. Dura o mesmo tempo que a gestação. O destro pode ser com gestação ou sem gestação - quando a produção de progesterona está alta (independente de estar gestante ou não). - PIOMETRA Doença exclusiva do DIESTRO. Se o útero infectar nas demais fases chamamos de metrite. A piometra depende de níveis altos de PROGESTERONA. A progesterona: - inibe contrações uterinas - aumenta a secreção das glândulas endometriais (para preparar o útero confortável/protegido para o embrião) - inibe a resposta leucocitária dentro do útero - dentro do útero na fase progesterônica não tem exército de defesa, favorecendo a gestação, para que não reconheça como corpo estranho. Dessa forma, mesmo na ausência de gestação, essa fase é muito propícia para infecção e crescimento bacteriano. A progesterona não deixa contrair o útero, prepara o útero com bastante secreção proteica (ótimo meio de cultura) e não tem leucócitos para defesa. É mais frequente na cadela mais idosa. obs: Gata tem menos piometra, pois ela só ovula (o folículo só se rompe) quando ocorre o coito. O estímulo na parede da vagina que induz a ovulação. Quando gestante, o próprio embrião da gata secreta fatores protetores. Ou seja, para a gata ter piometra, ela deve ter alguma doença viral que é abortiva, não deixando-a emprenhar; ou então quando estimula-se a vulva da gata, mimetizando um coito, para ela ovular, entrando na fase progesterônica. PRINCIPAIS PATOLOGIAS CIRÚRGICAS 1) PIOMETRA Acúmulo de material purulento no interior do útero, durante o diestro (fase progesterônica). Nessa fase, há aumento de secreções endometriais. Sendo assim, é normal o útero ter um grau de hidrometra (secreção no útero - US: líquido anecoico). A hidrometra pode ser reabsorvida e desaparecer; ou então evoluir para mucometra e depois piometra (já que esse líquido é muito proteico, sendo ótimo meio de cultura). US: estrutura pode ser anecoica , hipoecoica ou hiperecoica. - Anecoica ou anecogênica: ela não ta gerando eco, então tem densidade baixa = líquido normal sem sedimento - Hipoecoico = intermediário - Hiperecoico = líquido grosso, cheio de celularidade, denso EX: Piometra no US - Útero distendido por secreção hiperecogênica Hidrometra no US - útero distendido por secreção anecoica Mucometra no US - útero distendo por secreção hipoecoica Fisiopatologia da piometra: • • Já que o fotoperíodo influencia no ciclo estral, adiantando o cio no verão. Muitas fêmeas antecipam o cio, entrando em dezembro, então no mês de janeiro é muito comum ter muito caso de piometra. • Gatas x cadelas • Idade - mais em idosas • Uso de progesterona exógeno aumenta o risco. Mas o uso de estrógeno exógeno (on estrógeno aumenta o número de receptores de progesterona uterino, tornando a fêmea mais sensível à progesterona) também aumenta a chance. • Principal microorganismo: Escherichia colli. • Aberta x fechada - Aberta: cérvix está aberta. Fechada: cérvix está fechada As piometras mais tardias (mais pro meio do diestro) são fechadas. Se for logo após o cio normalmente é aberta. Pode ocorrer também de começar aberta e evoluir para fechada (o que piora a situação já que aumenta risco de peritonite - choque séptico). • Tratamento cirúrgico - ovariossalpingohisterectomia terapêutica obs: Translocação bacteriana - Pode acontecer o choque séptico sem ter a ruptura do útero. Os vasos ficam tão dilatados/ endotélio fica tão estirado (fragilidade da parede do útero) que a bactéria consegue passar de dentro do útero para dentro do vaso. ANORMALIDADES INTERCORRENTES EM ANIMAIS COM PIOMETRA (QLQR PROCESSO INFECCIOSO GRAVE)obs: Cio nos últimos 60d, em temas nao castradas, com histórico de anorexia, apatia, febre, dor ou aumento de volume abdominal — PRIMEIRAMENTE excluir o diagnostico diferencial: piometra. Pede-se o hemograma e o US abdominal. • Leucograma: LEUCOCITOSE (acima de 17000). Em doenças bacterianas vai haver leucocitose, mas na piometra, nas fases iniciais, a leucocitose é muito intensa (pois os leucócitos não entra dentro do útero, no foco da infecção, para tentar combater). Chega um momento, que os leucócitos conseguem quebrar essa barreira e entrar no útero para matar as bactérias, dessa forma há uma redução na leucocitose. Nesse momento, os leucócitos estão concentrados no útero e não na corrente sanguínea, e aí vai haver leucopenia no exame. A leucopenia é muito mais grave na piometra, pois já indica uma fase bem avançada/grave da doença - descompensação da doença (prognóstico ruim). • Pacientes com doença infecciosa grave na fase inicial: HIPERGLICEMIA/ GLICOSÚRIA (PU/PD) Doença que gera um estresse muito grande - aumento do cortisol - estimula o pâncreas a secretar glucagon - estimula a glicogenólise - aumento da glicose sanguínea = hiperglicemia. Aplicar insulina = óbito —> não é hiperglicemia por falta de insulina mas sim excesso de glucagon. • Glicosúria - PU/PD - a molécula de glicose carreia muita água. Muita urina x muita ingestão de água • HIPOGLICEMIA: chega uma hora que toda reserva de glicogênio vai ser consumida, não tendo mais glicogenólise. No agravamento do quadro vai haver hipoglicemia. • Hipoglicemia - depende da fase da doença. Fase mais avançada, onde os estoques de glicogênio foram consumidos. • Disfunção hepática/renal: vão acontecer na evolução de um choque séptico, A PRESAO COMEÇA A BAIXAR, E O SANGUE COMEÇA A SER PRIORIZADO EM ÓRGÃOS COMO CORAÇÃO, PULMÃO E CÉREBRO. FIGADO E RIM FICAM disfuncionais porque nao está RECEBENDO SANGUE SUFICIENTE. • ARRITIMIA CARDIACA: EMBORA O CORAÇÃO SEJA UM ÓRGÃO PRIORIZADO NO CHOQUE, QUANDO O PÂNCREAS COMEÁ A FICAR ISQUEMICO PELA BAIXA DE PRESSAO DO CHOQUE S[EPTICO, ELE LIBERA A TOXINA DO PANCREAS ISQUEMICO, A QUAL ALTERA/ATRAPALHA O FUNCIOONAMENTO DO MIOCÁRDIO, COMEÇANDO A PERCEBER ARRITIMIAS CARDÍACAS. • Anomalias de coagulação PRINCIPAIS SINAIS CLÍNICOS NA PIOMETRA• Secreçõ vaginal purulenta • Distençã abdominal • Febre • Anorexia • PU/PD - por conta da hiperglicemia • Pode ter vômito/diarréia no caso de piometr fechada - DIAGNÓSTICO DA PIOMETRA • Rx: menos utilizado, poucas informações • US: exame de escolha - US abdominal US da piometra: espera-se encontrar útero distendido/aumentado de volume e preenchidos por um conteúdo hiperecoico. Obs: hidrometra o conteúdo é anecoico; e a mucometra o conteúdo é hipoecoico • Leucograma: Leucocitose e Leucopenia TRATAMENTO DA PIOMETRA CIRÚRGICO: • OSH: que no caso não é eletiva. A OSH aqui é terapêutica. Único tratamento 100% eficaz. CLÍNICO: para casos específicos de pacientes que não podem ser submetidos à anestesia pré-cirúrgica • Utilização de AB de amplo espectro - qualquer associação de amplo espectro • Associado com prostaglandina PGF2a - ela lisa o corpo lúteo, e aí para-se a secreção de progesterona. Toda a resposta que teria vai cessar. Obs: corre risco nesse caso, se for piometra fechada, pois estimula o útero a contrair para liberar a secreção, e sendo fechada, corre o risco de romper - usa-se esse tratamento então nos casos de piometra aberta. • Aglepristona (Alizin) - prostaglandina sintética usada para lisar o corpo lúteo. Pode ser usada para interromper possíveis gestações (assim que acontece a fecundação). * 0,1 a 0,25 mg/kg. … PRINCIPAIS COMPLICAÇÕES: • No pós operatório a paciente se tornar doente renal crônico. • Após a cirurgia deve-se acompanhar para acompanhar a pressão, pra ver se a pressão ficou estável e se não tem risco de desenvolver problema renal. • Se o paciente se tornar doente renal crônico, direcionar o tratamento antes da alta. PROGNOSTRICO: • Pacientes que não evoluem para doenças; ca renal crônica tem prognóstico super favorável. PERITONITE - inflamação/infecção do peritônio. Pode ser séptica (ex: na piometra - não precisa o útero estar rompido; há translação bacteriana) ou inflamatória (ex: em pacientes que tiveram ruptura de vesícula biliar - a bile é extremamente irritava, fazendo uma peritonite inflamatória). obs: O certo, é usar um dreno abdominal (abdômen aberto) drenando a secreção que tem ali no peritônio. De 48 em 48h anestesia o paciente e abre para lavar e retirar todo os debris, e só fechar definitivamente quando tiver totalmente sem secreção/debri. Porém na veterinária, como o animal não consegue se manter deitado durante o tempo necessário, abre-se de fato o paciente de 48/48h, para lavar a cavidade, suturado após. Peritonite é potencialmente fatal. A causa mais comum de choque séptico é a peritonite. É uma das coisas que mais dói, já que o peritônio é muito elevado - protocolo analgésico suficiente (ex: opióide, morfina em infusão continua, etc). 2) PROLAPSO/HIPERPLASIA DE VAGINA Segunda doença mais comum do trato reprodutor feminino. Primeiro ocorre a hiperplasia e depois prolapsa. • Doença da fase estrogênica: Toda vez que a fêmea entra no cio na fase estrógeno, esse hormônio aumenta a espessura do assoalho da vagina, visando prepara-la para o coito. Só que quando o assoalho começa a ingurgitar (edema - as células se incham retendo líquido), a região ontem tem o Monte Vaginal também aumenta de tamanho/espessura. Na hora que o estrógeno reduz, volta ao normal, “murcha”de novo. Dependendo da ocasião incha tanto que sai para fora - prolapso do assoalho da vagina. Nesse caso, essa massa pode comprimir estruturas, “tampa”o óstio da vagina, e apresenta sintomas antes mesmo do prolapso: disúria, oligúria, cistite, etc. Se ficar recorrente, sem tratar, já que em todo cio ocorre, pode levar à cistite de repetição e começar uma necrose da parte que fica constantemente exposta. ANAMNESE: • É muito comum em cadelas de grande porte e jovens. • Protusão da massa da vulva • Estro ou pró-estro • Edema perineal - ocorre antes do prolapso - aumento edematoso do tecido vaginal por estimulação estrogênica • Disúria, polaciúria, tenesmo EXAME FÍSICO: Examina-se a massa para determinar a origem. O principal diagnostico diferencial é o prolapso uterino ou os tumores.* Prolapso de vagina - quando palpa, na borda superior ao prolapso, o dedo passa, e na borda inferior o dedo não passa. Quando há prolapso de útero, é a cérvix que vem pra fora, e 360 graus tem fundo, envolve a circunferência inteira obs: *Tumores mais comuns da vagina: • TVT - tumor de células redondas (que são: linfomas, histiocitoma, mastocitoma, plasmocitoma e TVT). TVT - célula redonda, com núcleo muito grande e citoplasma cheio de vacúolos. O TVT tem aspecto mais irregular. O TVT responde muito ao protocolo quimioterápico - Vincristina (0,7 mg/m2) - VENOSO - 1x/ semana durante no mínimo 6 semanas ou mais se não sumir. Antes de cada aplicação realizar hemograma, para ver se está com leucopenia, impossibilitando a aplicação. • Leiomioma x Leiomiossarcoma: o leiomioma é timor da musculatura vaginal, e é benigno. O leiomiossarcoma é tumor de assoalho da vagina e útero, mas é maligno. TRATAMENTO O tratamento para evitar recorrência é a castração (OSH). Porém, se já tem muito tecido machucado/necrosado, não adianta só castrar. Precisará remover a massa - utiliza-se uma técnica cirúrgica para chegar até a base do monte vaginal - EPISIOTOMIA PROLAPSO UTERINO Mesma coisa, mas há uma versão da cérvix. Vai ocorrer sempre associado ao parto ou pós parto imediato, pois está associado ao movimento uterino. Os ligamentos, como o ligamento largo do útero, vão estar danificados. Mutio frequente em vacas e raro em pequenos animais. O tecido evertido tem forma de “rosquinha”. Consequências: pode resultar em laceração do ligamento largo do útero e ruptura da artéria uterina - levando a choque hipovolêmico por hemorragia interna - PROVA!! TRATAMENTO Se tiver em choque, estabilizar primeiro o paciente. Lava-se a massa com solução salina morna e massagear para reduzir o edema (morno - vasodilatação - reduzindo o edema). Posteriormente, lubrificar com gel hidrossolúvel e reposicionar manualmente. CIRÚRGICO: Se não conseguir reposicionar manualmente. • Laparotomia e tração manual do tecido revertido. • OSH se o tecido estiver desvitalizado ou irredutível ou caso os vasos do ligamento largo estiverem rompidos. PROGNÓSTICO: • Após OSH é excelente • Após redução manual, sem OSH: pode ocorrer infertilidade e distocia em acasalamentos subsequentes. TORÇÃO UTERINA Extremamente rara em fêmeas não grávidas e mais comum em úteros gravíticos. AULA PRÁTICA 11/03 - CASOS CLÍNICOS. CASO 1: Cão com inchaço na parte lateral da face Diagnósticos diferenciais: Abscesso/fístula de carniceiro Sialocele PAFF - mandar para análise Incherto autógeno (do mesmo indivíduo) X incherto autólogo (entre mesma espécie) X incerto xenógeno (entre espécies diferentes) Eletroquimioterapia - é uma das poucas técnicas que solidificou primeiramente na medicina veterinária. Utiliza quimioterápico especial que não entra em células que não recebem a carga elétricas célula necessita ter os poros abertos —> Bleomicina. Eletroporador - dá uma descarga elétrica no tecido de uma potência conhecida/definida. Realiza após aplicação da bleomicina, e começa a fazer a poração nos locais - o local onde a eletroquimioterapia é feita, ele necrosa depois (porque mata as células ali do local), mas depois o tecido cicatriza voltando ao normal. obs: Cirurgia reconstrutiva - flap NEOPLASIA MAMÁRIA EM CADELAS E GATOS 17/03 ANATOMIA DAS GLÂNDULAS MAMÁRIAS: 5 pares de glândulas mamárias - são interligadas (cadeia mamária). Se conectam do mesmo lado, tendo a mesma irrigação sanguínea e também linfática. Quando faz-de a remoção da cadeia mamária inteira, deve-se mandar a cadeia inteira para a histologia, pois os tipos histológicos do tumor podem ser diferentes. Sempre que mandar as mamas isoladas, é necessário identificar no pote de histologia qual é aquela glândula mamária. T1: mama torácica cranial T2: mama torácica caudal A1: mama abdominal cranialA2: mama abdominal caudal I: mama inguinal Qualquer neocrescimento em glândula = prefixo ADENO Benigo = adenoma Maligno= adenocarcinoma obs: carcinoma inflamatório mamário - alta malignidade, prognóstico sombrio - sobrevida de até 60d (secreta muitos mediadores inflamatórios) Ex: adenoma mamário/ adenocarcinoma mamário CADELAS Alta incidência - 42% de todos os tumores em cadelas 82% dos tumores dos órgãos reprodutivos femininos Raro até 2 anos; aumento da incidência a partir dos 6 anos, com pico entre 10-11 anos; acima de 11 anos há declínio da incidência. Cadelas inteiras: risco 3-7x maior de desenvolver câncer de mama Ovariectomia: • Antes do primeiro cio - 0,5% • Entre o 1 e 2 cio - 8% • Entre o 2 e 4 - 26% • A partir do 4 cio não existe mais redução estatística na redução do câncer de mama. Quanto mais picos hormonais (estrógeno e progesterona) maior a incidência do câncer de mama —> Ideal então que seja castrada até no máximo 4 cio. obs: • Porém castração muito precoce - Aumento da incidência de doenças osteoarticulares; frouxidão de ligamentos; ocorrência maior de outros tumores como osteossarcoma; problemas hormonais. • A abordagem deve ser individual para cada paciente - se for uma cadela com predisposição de algum desses problemas acima, como doenças osteoarticulares, espera-se ter todo o crescimento ósseo e cartilaginoso para após fazer a castração. Outro exemplo é em cães que tem tendência à obesidade (castração leva ao aumento de peso). • Cadela pequena - Após o 1 cio: evita os problemas comportamentais; evita que fique com a vulva infantil; etc. • Cadela muito grande - Após o 2-3 cio para evitar problemas de castração precoce. Ciclos estrais irregulares; paridade; a fecundidade; falsas gestações NÃO influenciam na incidência de tumores mamários! obs: Pseudociese não tem a ver com estrógeno e progesterona, é um problema COMPORTAMENTAL/PSICOGÊNICO - a partir de 45d após o início dos cio começa a liberar prolactina (liberada pela hipófise), ela se sente gestante. Assim as glândulas mamárias começam a produzir leite (risco de mastites). O gatilho é ter tido cio, e terá isso em todo cio. — indica castração para que não tenha mais cio e não se sinta mais gestante, para não secretar mais prolactina. Nas cadelas: os tumores são mais comuns nas abdominais caudais e inguinais - glândulas mais desenvolvidas/metabolicamente ativas. Aproximadamente 50% são benignos. obs: biópsia excisional x biópsia incisional (ex: para carcinoma inflamatório) PRINCIPAIS FOCOS DE METÁSTASES: • Linfonodos regionais - linfonodos sentinela (está no meio do caminho entre a cadeia mamária e o pulmão, que é o último foco desses tumores). 3 pares carnais: linfonodos axilares 2 pares caudais: linfonodos inguinais Mamas mais craniais tem como linfonodos sentinela os linfonodos axilares; e as mamas mais caudais em como linfonodos sentia os linfonodos inguinais. • Pulmões GATAS: 3 neoplasia mais comum - só perde para neoplasias de pele e linfóides (principalmente pelo vírus FELv que é indutor de linfoma). Aumento da incidência após 6 anos; com pico entre 8-12 anos. Gatas inteiras: 7x mais risco que as castradas 90% dos tumores mamários em gatas são malignos (adenocarcinomas) - difícil então ter tumores mamários grandes Metástase: em qualquer lugar - linfonodo, pulmão, pleura, fígado, baço ,etc. - pré- operatório então tem que fazer US também. Hormônios Reprodutivos X Neoplasia Mamária Esteróides ovariano desempenham papel na etiologia: • Indícios: Quase todas neoplasias mamárias ocorrem nas fêmeas; Fêmeas que já passaram com ovariectomia têm menos incidência (tem menos hormônios); Observou-se que o uso de hormônios sexuais exógenos (progestágenos e estrógenos) aumentam a incidência dos tumores e fazem com que os pré- existentes cresçam mais. Diagnóstico: Anamnese Exame físico: presença de uma ou mais massas; aumento de volume de linfonodos regionais; tosse; dispnéia; claudicação (não é frequente mas podem fazer metástase óssea) obs: hipertrofia mamária nodular - relacionada ao cio - edema por ação estrogênica - a pele não aguenta e vai rasgando. Geralmente ocorre em todas as glândulas mamárias. Nesse caso não adianta a mastectomia, tem que retirar o estrógeno, através da castração emergencial. Após a castração entra com diurético e corticoide, e o volume desaparece em até 48h. Testes diagnósticos para avaliação de metástases: • Rx torácicos em cadelas e gatas; e nas gatas Rx torácico e abdominal • US abdominal Obs: medicina de cuidados paliativos - pesquisar Diagnóstico definitivo: • Exame histopastológico de amostra de biópsia excisiones (exceto em suspeita de carcinoma inflamatória) • Importante: enviar todos os nódulos para avaliação Tratamento: • Excisão cirúrgica (exceto no carcinoma inflamatório - biópsia incisional + tratamento paliativo): 1) Lumpectomia (nodulectomia) 2) Mastectomia simples 3) Mastectomia regional - regional ou caudal 4) Mastectomia em bloco - igual a regional porém inclui os linfonodos (axilares e/ou inguinais) 5) Mastectomia unilateral 6) Mastectomia bilateral (simultânea ou em estágios) Obs: imunohistoquímica - exame complementar para avaliar quais receptores que o tumor expressa, para determinar qual quimioterápico utilizar Cadelas: não for castrada, deve-se castrar. Se a excisão cirúrgica e o OSH forem realizadas simultaneamente: primeiro realiza-se a OSH para evitar semeadura de células tumorais no abdômen. Gatas: mastectomia unilateral ou em bloco sem necessidade de OSH para inteiras - tumores mamários em gatas são pobres em receptores de estrógenos e progesterona. Prognóstico: Influenciado pelas dimensões do tumor, tipo histológico e modo de crescimento e estágio. Prognóstico sombrio: se tem infiltração linfática, lesões metastáticas, infiltração na parede corporal, rápido crescimento tumoral e recidiva. 24/05 - PRINCIPAIS PATOLOGIAS CIRÚRGICAS DO SISTEMA REPRODUTOR MASCULINO Uretra prostática - pedaço da uretra que passa por dentro da próstata, tendo conexão direta com aparelho urinário. Além disso, a próstata faz limite de vizinhança com o reto. Por isso é possível palpar a próstata através do reto. Porém, ela nunca de forma natural, empurra o reto. Então, para senti-la através do reto, tem que empurrar o dedo para baixo. • Palpação retal - problemas prostáticos: - Avalia-se o tamanho: em média os dois lobos juntos mede 3 cm de diâmetro. Não pode estar passando do limite do reto. E deve ser simétrica. Se estiver assimétrica, pode ser por exemplo: tumores, cistos, abscessos, os quais geram assimetria. Obs: próstata é glândula: adenoma (benigno) e adenocarcinoma (maligno) - Maior parte é maligno. Hiperplasia prostática - relacionada à salinidade; interferencia dos hormônios sexuais masculinos (testosterona)- ocorre com todos os seres que tem próstata (animais mais velhos não castrados). Porém é um crescimento simétrico. É benigno, porém impacta diretamente a micção e a defecação (já que afeta a uretra prostática e o reto). Obs: não pode deixar o cisto pelo risco de virar um abscesso HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA (HPB) Prostatopatia mais comum em cães. Aumento de tamanho benigno da próstata. Aumento do minero de células prosaicas, secundario a estimulação de hormônios androgênicos (principalmente testosterona). Alteração normal da senilidade. Acontece somente em animais inteiros. Acima de 6 anos. O tratamento é a castração. Ananese: tenesmo, constipação, disúria e hematúria. Exame físico: - palpação retal —> aumento de tamanho prostático INDOLOR e SIMÉTRICO. Na palpação retal de HPB não tem áreas flutuantes. - Raramente causa obstrução urinária - Pressão no diafragma pélvico: principal complicação da HPB —> hérnia perineal - herniação ocorre na região do períneo (ao lado do ânus) — 99% das vezes é em macho - 96% em machos inteiros - além da testosterona fazer a próstata crescer, causa flacidez da musculatura que forma o diafragma pélvico — “rasga”o diafragma pélvico e o reto sai. obs: Quando dentro da hérnia tem-se a bexiga, é o quadro mais grave = RETROFLEXÃO VESICAL - prognóstico ruim com cirurgia emergencial. Prova! “Reduzir” na cirurgia - voltar para o lugar Pode levar ao óbito por: Obstrução pós renal - azotemia pós renal = CHOQUE CARDIOGÊNIO EXTRÍNSECO Rx e US: próstata simetricamente aumentada ; egogenicidade aumentada. obs: Uretrocistografia retrógrada. Tratamento clínico: Não é uma boa opção. Indicada para os pacientes que não podem ser castrados por alguma razão (ex: machos de reprodução com alto valor genético). - Acetato de Medroxiprogesterona - Antagoniza o efeito da testosterona - Dose de 30mg/kg. Se os sinais persistirem em 4 a 6 semanas, repetir a dose. Dose mínima de 50 mg SC. Efeitos colaterais dos progestágenos: polifagia, ganho de peso, indução de tumores mamários, infertilidade, aumento de DM, abscessos e anemia. Além disso, apesar de atuar reduzindo a próstata, a ação dura em média 13,6 meses, voltando a crescer novamente. Tratamento cirúrgico: orquiectomia - melhor tratamento - involuir permanentemente a próstata em 3 a 12 semanas pós cirurgia. Animais assintomáticos não exigem terapia (se não tiver tenesmo, constipação, anuria, etc) ABSCESSOS PROSTÁTICOS Acúmulo localizado de material purulento dentro do parênquima prostático. Grande chance de evolução para choque séptico. Fator comum de causa dos abscessos: • Infecção urinaria recorrente - mais comum • Animais que tem cistos prostáticos • Animais que tem prostatite Prostatite - fonte da infecção pode ser via hematógena, apesar de mais raro. Endocárdio (endocardite), glomérulo renal, vértebras (discoespongilite), próstata (prostatite) Causas potenciais: colonização bacteriana do parênquima prostático Origem das bactérias: uretra, embora infecção hematógena seja possível. obs: Infecção de encéfalo é muito difícil de tratar - Precisa-se ver se o AB atravessa a barreira hematoencefálica. - Não adianta prescrever Ribavirina para cães com cinomose com sinais neurológicos - molécula muito grande que não passa jamais na barreira. Usado em animais com cinomose SEM sinal neurológico. Barreira hematoencefálica: formada pela células da glia; e não permite passagem de proteínas - Líquor não pode ter proteína - se tiver proteína tem alguma inflamação. Existe uma barreira do mesmo tipo na próstata - barreira prostática. Sendo difícil também tratar infecções na próstata --> É difícil atingir níveis terapeuticos na próstata Fatores predisponentes: uretropatias, infecções do trato urinário, alterações do fluxo urinário e de secreções prostáticas, redução da imunidade do hospedeiro (idade, ttt neoplásico, uso de corticoide, etc). Os hormônios androgênios são necessários para secreções prostáticas. Já os hormônios estrógenos diminuem a atividade secretora da próstata, levando a formação de cistos, os quais podem se contaminar e acontecer os abscessos. Anamnese: infecções recorrentes ou não responsavas no TU. início agudo de depressão, esforço para urinar e defecar, hematúria, vômito, desconforto ou dor, PU/PD (estresse..) Exame fisico: Palpação do abscesso prostático - próstata aumentada de tamanho, DOLORIDA, ASSIMÉTRICA e com área flutuante. Dor abdominal caudal, lombar e rigidez dos membros pélvicos. Prova: diferença na palpação das diferentes doenças prostaticas Cisto X abscesso - cisto não vai ser dolorido Rx e US - US é exame de escolha. Cavidades hiperecogênicas (abscesso é mais denso) e preenchidos por líquido. Se for cisto: cavidades anecoicas ou hipoecoicas Tratamento clinico: se for abscessos pequenos pode-se fazer AB, fluido, suporte nutriocional Se o abscesso for pequeno, castra-se o animais e faz … Tratamento cirúrgico: se tiver abscessos grandes, não tem como esperar pois pode romper e gerar peritonite. Drenar abscessos grandes e realizar orquiectomia quando paciente estiver estabilizado (choque) Bx (biópsia) prostática Prostatectomia subtotal - tirar o pedaço da próstata que está reinfectando, pois pode ter bactéria residual ali. obs: Técnicas Penrose Marsupialização prostática • Prostatectomia subtotal - tira-se um pedaço • Prostatectomia total - problemática. Quando retira a próstata, a uretra prostática sai junto. Esse pedaço retirado (no mínimo de 3 cm), a forca que vai ficar na anastomose de uretra é muito grande -> O paciente tem que ficar sondado ate a anastomose cicatrizar (cicatrizar ao redor da sonda). Se a sonda sair, a sutura pode abrir. A dificuldade é exatamente no pós operatório, manter o animal com sonda por 15 dias. - Outro problema: Toda sutura de órgãos cilíndricos podem cicatrizar durante 3 meses após a cirurgia fechando - fibrose cicatricial (“queloide”) - a uretra vai obstruir. - A prostatectomia total então é indicada em tumores, os quais na maior parte dos casos são malignos.