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Histologia Básica Prof. Álvaro Lubambo Médico Patologista Tecido Cartilaginoso Prof. Álvaro Lubambo Médico Patologista Gonalgia e tecido cartilaginoso Caso fictício para discussão 03 Paciente de 62 anos Dor no joelho há dois anos, pior ao caminhar e subir escadas. Relata rigidez breve ao levantar. O exame revela crepitação. Se a cartilagem não tem nervos, por que o joelho dói? A cartilagem é um tecido conjuntivo especializado. Avascular e alinfática Nutrientes chegam por difusão. O condrócito depende sobretudo da glicólise. Aneural A dor envolve tecidos inervados da articulação, como sinóvia e osso subcondral. Matriz densa, pouca renovação celular e ausência de vasos limitam o reparo. Caso fictício. A hipótese será retomada no slide 18. Condrogênese Diferenciação celular e formação da matriz 04 Célula mesenquimal Condensação do mesênquima Condroprogenitora Comprometimento com a linhagem Condroblasto Produção ativa de matriz Condrócito Célula envolvida pela matriz → → → Lacuna: espaço ocupado pelo condrócito. Grupo isógeno: descendentes de uma mesma célula. Matriz extracelular Uma rede hidratada que resiste às cargas 05 Colágeno tipo II Rede fibrilar que oferece resistência à tração. Agrecana Proteoglicano com GAGs: condroitim-4 e 6-sulfato e queratam-sulfato. Ácido hialurônico Organiza grandes agregados de agrecana. Condronectina Glicoproteína de adesão entre condrócito e matriz. Territorial Mais basofílica, junto às células. Interterritorial Mais clara, entre os grupos celulares. Pericôndrio e crescimento Aposição na periferia, expansão dentro da matriz 06 Camada fibrosa externa Colágeno I, fibroblastos e vasos. Camada condrogênica Progenitoras e condroblastos. Crescimento aposicional Novas células e matriz a partir do pericôndrio. Crescimento intersticial Divisão dos condrócitos e deposição de matriz interna. Cartilagem articular e fibrocartilagem não possuem pericôndrio. Cartilagem hialina em HE Reconhecimento da célula, da lacuna e da matriz 07 Condrócitos em lacunas Células isoladas ou em pequenos grupos isógenos. Matriz territorial Halo mais basofílico próximo aos condrócitos. Matriz interterritorial Mais pálida e relativamente homogênea. As fibrilas de colágeno II são finas e pouco individualizadas pela HE. Hialina: cartilagem articular Traqueia, brônquios, cartilagens costais, nariz e superfícies articulares 08 Superficial Células achatadas. Colágeno paralelo à superfície. Intermediária Células arredondadas. Orientação fibrilar oblíqua. Profunda Condrócitos em colunas. Fibrilas perpendiculares. Calcificada Matriz mineralizada junto ao osso subcondral. Tidemark: limite entre cartilagem não calcificada e calcificada. Cartilagem articular sem pericôndrio. Cartilagem elástica Colágeno II associado a uma rede de fibras elásticas 09 Como reconhecer Condrócitos em lacunas e fibras ramificadas na matriz. Pericôndrio presente. Onde encontrar Pavilhão auricular e porção cartilaginosa do meato acústico externo. Tuba auditiva e epiglote. As fibras elásticas permitem deformação e retorno à forma. Padrão de coloração elástica do tipo Verhoeff. Fibrocartilagem Feixes de colágeno e condrócitos em fileiras 10 Matriz e células Colágenos I e II. Condrócitos em lacunas entre feixes espessos. Localizações Discos intervertebrais, sínfise púbica, meniscos e ênteses fibrocartilaginosas. Sem pericôndrio. Resiste à tração e à compressão. A composição varia conforme a região. Os três tipos de cartilagem Comparação da matriz, do envoltório e do reparo 11 Critério Hialina Elástica Fibrocartilagem Matriz Homogênea, rica em proteoglicanos Semelhante à hialina, com elastina Mais fibrosa, com variação regional Fibras Colágeno II Colágeno II + fibras elásticas Colágenos I e II Pericôndrio Geralmente sim. Ausente na articular Presente Ausente Localização Vias aéreas, costelas, nariz, superfícies articulares Pavilhão auricular, epiglote, tuba e meato cartilaginoso Anel do disco, sínfise púbica, meniscos e ênteses Reparo Limitado, sobretudo na cartilagem articular Limitado, mesmo com pericôndrio Limitado. Varia com a região e os vasos A periferia vascularizada do menisco difere de sua região central avascular. O que a HE mostra e o que esconde Basofilia da matriz e artefatos do processamento 12 O que mostra Núcleos, lacunas, grupos isógenos e diferenças tintoriais da matriz. O que não define Tipo molecular de colágeno ou quantidade exata de proteoglicanos. Retração O processamento pode encolher a célula e ampliar o espaço claro da lacuna. Esse halo não prova lesão celular. Colorações especiais da matriz A escolha do método depende do componente que se deseja estudar 13 Azul de toluidina Safranina-O Método Leitura principal Azul de toluidina Metacromasia ligada a grupos aniônicos concentrados. Safranina-O Evidencia GAGs sulfatados, em vermelho-alaranjado. Alcian blue pH 2,5: grupos sulfatados e carboxilados. pH 1,0: favorece os sulfatados. PAS Carboidratos e glicoproteínas. Não é específico de agrecana. A intensidade da coloração depende do protocolo. Colorações especiais das fibras Arquitetura do colágeno e identificação da rede elástica 14 Método O que evidencia Cuidado na interpretação Picrossírius + polarização Birrefringência e organização das fibras colágenas A cor isolada não define o tipo molecular de colágeno. Tricrômico de Masson Colágeno em azul ou verde, conforme a variante Não distingue, por si só, colágeno I de colágeno II. Weigert Resorcina-fucsina Fibras elásticas em tons escuros Diferenciar fibras reais de precipitado e fundo. Verhoeff Rede elástica em preto A diferenciação técnica modifica o contraste. Orceína Fibras elásticas em castanho Interpretar junto à morfologia do tecido. Métodos histoquímicos mostram padrões. A tipagem molecular exige outra abordagem. Proteínas da célula e da matriz Imuno-histoquímica (IHQ) e imunofluorescência (IF) 15 Alvo Padrão esperado Interpretação Colágeno II Marcação da matriz cartilaginosa Sustenta a presença de matriz condroide. Agrecana Marcação da matriz extracelular Avalia a distribuição de um proteoglicano central. S-100 Marcação nuclear e/ou citoplasmática dos condrócitos Apoia diferenciação, com baixa especificidade. IHQ Cromógeno visível em campo claro. Contexto morfológico preservado. IF Fluoróforos permitem localizar e comparar diferentes alvos. S-100 não distingue, isoladamente, uma lesão benigna de uma maligna. MET do condrócito Organelas compatíveis com produção e manutenção da matriz 16 RER e Golgi Síntese, processamento e secreção de proteínas. Glicogênio e lipídios Reservas citoplasmáticas variáveis com a atividade.O condrócito maduro produz e renova a matriz. Ultraestrutura da matriz Fibrilas finas e organização em arcadas na cartilagem articular 17 Colágeno II Fibrilas finas em meio a proteoglicanos hidratados. Estriação periódica Pode ser demonstrada na MET. A visibilidade depende do preparo e da resolução. Arcadas de Benninghoff Orientação vertical profunda, curva na zona intermediária e tangencial na superfície. Modelo clássico simplificado. Osteoartrite Retomada do caso de gonalgia crônica 18 Perda de matriz Depleção de proteoglicanos e redução da metacromasia pelo azul de toluidina. Dano da superfície Fibrilação e fissuras da cartilagem articular. Clones de condrócitos Agrupamentos celulares, com reparo insuficiente. A osteoartrite compromete a articulação inteira. A dor envolve tecidos inervados. Desenvolvimento, disco e inflamação Três relações entre estrutura cartilaginosa e doença 19 Condição Estrutura e mecanismo Consequência Acondroplasia Ganho de função de FGFR3. Menor proliferação e maturação na placa epifisária. Ossificação endocondral e crescimento longitudinal comprometidos. Degeneração do disco Perda de proteoglicanos e de água. Fissuras no anel permitem hérnia do núcleo. A hérnia pode irritar ou comprimir raízes nervosas. Anel e núcleo são distintos.Policondrite recidivante Inflamação de cartilagens auriculares, nasais e laringotraqueais. Dano e deformidade. Pode haver envolvimento articular. Elástica e hialina são alvos clássicos da policondrite. O envolvimento de fibrocartilagens é variável. Placa epifisária, anel fibroso e cartilagens do nariz e da orelha têm funções diferentes. Encondroma e condrossarcoma A arquitetura infiltrativa pesa mais que um achado celular isolado 20 Critério Encondroma Condrossarcoma Celularidade Em geral baixa a moderada. Varia com o sítio. Pode estar aumentada. Também varia com o grau. Atipia Habitualmente discreta. Binucleação pode ocorrer. Variável, às vezes sutil em lesões de baixo grau. Permeação óssea Ausência de crescimento permeativo típico. Aprisionamento de trabéculas e invasão do osso preexistente. Integre histologia, imagem e contexto clínico. Para levar da aula A matriz determina a função. A arquitetura identifica o tecido. A vascularização e o contexto limitam o reparo. Bibliografia central e fontes específicas nas notas do apresentador. Muito obrigado Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5 Slide 6 Slide 7 Slide 8 Slide 9 Slide 10 Slide 11 Slide 12 Slide 13 Slide 14 Slide 15 Slide 16 Slide 17 Slide 18 Slide 19 Slide 20 Slide 21