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Controle de qualidade -Métodos imunológicos Controle de qualidade - Métodos imunológicos Thaysse Leite C O N C E I T O O que é o diagnóstico sorológico? O diagnóstico sorológico detecta e/ou quantifica anticorpos (ou antígenos) presentes no soro/plasma do paciente, evidenciando a resposta imune humoral frente a um agente infeccioso, uma vacina ou um autoantígeno. • Baseia-se na especificidade da ligação antígeno-anticorpo • Reflete um evento biológico indireto — a resposta do hospedeiro, não necessariamente o agente em si • Complementa métodos diretos (cultura, biologia molecular, antigenemia) R E A Ç Ã O A N T Í G E N O – A N T I C O R P O Ag Ac (Y) Epítopo: região do antígeno reconhecida pelo anticorpo Afinidade: força de ligação em um único sítio Avidez: força global da ligação multivalente Imunologia Clínica • Diagnóstico Sorológico e Controle de Qualidade 06 A P L I C A Ç Õ E S C L Í N I C A S O papel do diagnóstico sorológico na prática clínica Investigação diagnóstica Triagem de infecções (ex.: HIV, hepatites, dengue, sífilis) Diferenciação entre infecção aguda e pregressa Apoio ao diagnóstico de doenças autoimunes (ex.: FAN, anti-CCP) Acompanhamento do prognóstico Monitoramento da evolução da resposta imune Detecção de reinfecção ou reativação Avaliação de atividade de doença autoimune ao longo do tempo Eficácia terapêutica Verificação de soroconversão pós-vacinal Monitoramento de resposta a imunobiológicos Confirmação de resposta terapêutica esperada Imunologia Clínica • Diagnóstico Sorológico e Controle de Qualidade 07 V O C A B U L Á R I O E S S E N C I A L Conceitos-chave da sorologia Antígeno Substância capaz de ser reconhecida por um anticorpo ou receptor de linfócito, desencadeando resposta imune. Anticorpo (imunoglobulina) Glicoproteína produzida por plasmócitos que se liga especificamente a um antígeno. Epítopo Porção específica do antígeno reconhecida pelo paratopo do anticorpo. Afinidade x Avidez Força de ligação em um único sítio (afinidade) versus força global de ligações múltiplas (avidez). Reação cruzada Ligação de um anticorpo a um antígeno estruturalmente semelhante ao original — fonte de falso-positivos. Título de anticorpos Maior diluição do soro em que ainda se detecta reatividade — indica intensidade da resposta. Imunologia Clínica • Diagnóstico Sorológico e Controle de Qualidade 08 IMUNOENSAIOS IMUNOENSAIOS As técnicas são baseadas no reconhecimento antígeno-anticorpo e podem ser feitas a partir de reagentes marcados com algum corante fluorescente ou quimioluminescente, radioisótopos, enzimas que geram uma coloração ao final da reação ou reagentes não marcados, gerando uma interação que é visível a olho nu. IMUNOENSAIO ➢ Aplicações Diagnóstico clínico: HIV, hepatites virais, dengue, COVID-19, gravidez (hCG). Dosagens hormonais: TSH, cortisol, insulina. Detecção de drogas/medicamentos: monitoramento terapêutico e toxicologia. Microbiologia e imunologia: pesquisa de antígenos ou anticorpos específicos. IMUNOENSAIO O princípio fundamental do imunoensaio é que anticorpos reconhecem antígenos de forma específica, formando um complexo imune. O princípio fundamental do imunoensaio é que anticorpos reconhecem antígenos de forma específica, formando um complexo imune. Para visualizar ou quantificar essa reação, é utilizado um marcador (enzima, fluorescência, radioisótopo, quimioluminescência ou partículas colorimétricas). Existem diferentes tipos de imunoensaios: ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay): usa enzimas que geram uma reação colorimétrica detectável. Imunoensaio Fluorescente (FIA): utiliza moléculas fluorescentes como marcador. Imunoensaio Radioativo (RIA): usa radioisótopos. Imunoensaio por Quimioluminescência (CLIA): marcador gera emissão de luz, muito usado em laboratórios automatizados. IMUNOENSAIOS IMUNOENSAIOS IgM é a primeira a ser produzida após um estímulo imunogênico, aumentando significativamente seus níveis plasmáticos durante a fase aguda da infecção. Ela pode permanecer de 3-6 meses no organismo. Ao longo diminuição da infecção e de sua evolução, temos a da concentração plasmática de IgM e o aumento da produção e detecção de IgG. A IgG é, normalmente, encontrada no final de um processo agudo, permanecendo com níveis plasmáticos elevados durante longos períodos na fase denominada crônica e após a cura da doença. Cinética de anticorpos: IgM x IgG A resposta imune primária caracteriza-se pela ascensão precoce e transitória de IgM, seguida pela ascensão mais tardia e sustentada de IgG — base para a interpretação temporal de uma infecção. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Dia 0 Dia 5 Dia 10 Dia 15 Dia 20 Dia 30 Dia 60 Dia 90 Concentração relativa de anticorpos (%) IgM IgG LEITURA CLÍNICA IgM + / IgG − → infecção aguda recente IgM + / IgG + → fase de transição/recente IgM − / IgG + → infecção pregressa ou imunidade IgM − / IgG − → ausência de contato ou janela imunológica 17 PARÂMETROS IMPORTANTES PARÂMETROS IMPORTANTES JANELA IMUNOLÓGICA Período de tempo entre a infecção por um patógeno e o momento em que o sistema imunológico produz anticorpos em níveis detectáveis por testes sorológicos. Na prática, a pessoa está infectada, mas os testes tradicionais de detecção de anticorpos podem resultar em um falso-negativo, pois os níveis de anticorpos ainda não atingiram a concentração mínima para serem detectados. A duração da janela imunológica varia conforme o patógeno e o tipo de teste realizado. HIV: de 2 a 4 semanas Hepatite B: de 1 a 2 meses Para minimizar o risco de diagnósticos falsos-negativos durante a janela imunológica, testes que detectam diretamente o material genético do patógeno (PCR) podem ser utilizados. Janela imunológica e soroconversão Janela imunológica: período entre a infecção e a detecção de anticorpos em níveis mensuráveis. Durante essa janela, o paciente pode estar infectado e transmitir o agente, mesmo com sorologia negativa. Exposição / infecção Dia 0 Janela imunológica Sorologia (-) agente pode estar presente Soroconversão 1ª detecção de anticorpos Sorologia reagente estável IgG detectável Implicação prática: um resultado não reagente na janela imunológica não exclui infecção — pode ser necessário repetir o teste ou associar métodos diretos (ex.: biologia molecular). 18 PARÂMETROS IMPORTANTES PARÂMETROS IMPORTANTES Quando você faz um teste para qualquer doença, vamos pensar que você só tem duas possibilidades: ou está doente, ou está saudável. O teste também tem somente 2 possibilidades: ou é positivo, ou é negativo. Essas duas variáveis resultam em 4 possibilidades: –Você está doente e o teste é positivo: verdadeiro positivo (VP). –Você está saudável e o teste é negativo: verdadeiro negativo (VN). –Você está saudável e o teste é positivo: falso positivo (FP). –Você está doente e o teste é negativo: falso negativo (FN). PARÂMETROS IMPORTANTES PARÂMETROS IMPORTANTES Se olharmos para os totais de cada linha e cada coluna, vemos que: –as colunas nos dizem quanta gente está doente (ND) ou saudável (NS). –as linhas dizem quanta gente testa positivo (N+) ou testa negativo (N-). –o último quadro da diagonal nos indica o número total de pessoas na população (N). PARÂMETROS IMPORTANTES PARÂMETROS IMPORTANTES A sensibilidade e a especificidade de um teste dizem respeito às colunas: A Sensibilidade do teste é a proporção entre o número de doentes que o teste consegue detectar (VP) e o número total de doentes (ND). Em outras palavras, é a probabilidade de o teste ser positivo para uma pessoa doente. A Especificidade informa qual a proporção entre o número de pessoas saudáveis que o teste detecta como “negativas” (VN) e o número total de pessoas saudável (NS). Em outras palavras, é a probabilidade de o teste ser negativo para uma pessoa saudável. PARÂMETROS IMPORTANTES Um teste rápido de triagem para HIVprecisa ter alta sensibilidade, pois é importante não deixar passar pessoas infectadas. Um teste rápido de triagem para HIV precisa ter alta sensibilidade, pois é importante não deixar passar pessoas infectadas. Um teste altamente sensível → tem poucos falsos negativos. Pergunta que a sensibilidade responde: Entre as pessoas que REALMENTE têm a doença, quantas o teste consegue identificar como positivas? PARÂMETROS IMPORTANTES Um teste confirmatório para HIV precisa ser altamente específico, para evitar diagnosticar como doente alguém que não tem a infecção. Um teste confirmatório para HIV precisa ser altamente específico, para evitar diagnosticar como doente alguém que não tem a infecção. Um teste altamente específico → tem poucos falsos positivos. Pergunta que a especificidade responde: Entre as pessoas que NÃO têm a doença, quantas o teste consegue identificar corretamente como negativas? PARÂMETROS IMPORTANTES ➢ Diferença principal Sensibilidade: evita falsos negativos → bom para triagem. Especificidade: evita falsos positivos → bom para confirmação. ➢ Exemplo clínico resumido Um paciente faz um teste para uma doença: Se o teste tem alta sensibilidade, dificilmente alguém doente será considerado saudável. Se o teste tem alta especificidade, dificilmente alguém saudável será considerado doente. PARÂMETROS IMPORTANTES O teste ideal seria aquele que apresentasse 100% de sensibilidade e 100% de especificidade. O teste ideal seria aquele que apresentasse 100% de sensibilidade e 100% de especificidade. Assim, teríamos apenas dois resultados possíveis: • negativo (o indivíduo não estaria doente) • positivo (o indivíduo estaria doente) Portanto, não teríamos o falso-negativo ou o falso-positivo. Sensibilidade e especificidade perfeitas significariam que o teste identificaria corretamente todos os indivíduos com e sem a doença, sem nenhum erro. É POSSÍVEL? PARÂMETROS IMPORTANTES PARÂMETROS IMPORTANTES É praticamente impossível termos um teste 100% específico e 100% sensível devido a várias limitações técnicas e biológicas. Busca-se um equilíbrio entre sensibilidade e especificidade que seja clinicamente aceitável, mas a perfeição absoluta não é alcançável. Limitações: 1.Limitações biológicas • Os marcadores usados em testes (anticorpos, antígenos, DNA/RNA, proteínas, metabólitos) não são exclusivos de uma única doença. • Muitas vezes, diferentes doenças ou condições compartilham características semelhantes → isso pode gerar reações cruzadas (falso positivo) ou falha na detecção (falso negativo). 2.Variações individuais • Cada organismo responde de forma diferente a uma infecção ou condição. • Por exemplo, em fases iniciais da doença, a quantidade de antígeno ou anticorpo pode ser muito baixa, dificultando a detecção → aumenta risco de falso negativo. PARÂMETROS IMPORTANTES PARÂMETROS IMPORTANTES É praticamente impossível termos um teste 100% específico e 100% sensível devido a várias limitações técnicas e biológicas. Busca-se um equilíbrio entre sensibilidade e especificidade que seja clinicamente aceitável, mas a perfeição absoluta não é alcançável. Limitações: 3. Conflito entre sensibilidade e especificidade Ao aumentar a sensibilidade (tornar o teste capaz de detectar mesmo quantidades mínimas), cresce o risco de captar sinais de pessoas saudáveis → mais falsos positivos. Ao aumentar a especificidade (tornar o teste mais rigoroso, reconhecendo apenas sinais da doença), cresce o risco de deixar escapar alguns casos reais → mais falsos negativos. É como “ajustar o filtro”: Filtro aberto → pega quase tudo (alta sensibilidade, mas menos específico). Filtro fechado → só pega os casos mais claros (alta especificidade, mas menos sensível). PARÂMETROS IMPORTANTES PARÂMETROS IMPORTANTES É praticamente impossível termos um teste 100% específico e 100% sensível devido a várias limitações técnicas e biológicas. Busca-se um equilíbrio entre sensibilidade e especificidade que seja clinicamente aceitável, mas a perfeição absoluta não é alcançável. Limitações: 4. Questões técnicas e operacionais Interferentes no sangue (lipídios, hemólise, presença de anticorpos heterófilos, uso de medicamentos) podem afetar o resultado. Diferenças entre kits, equipamentos e operadores também dificultam a perfeição. D E S E M P E N H O D O T E S T E Sensibilidade, especificidade e valores preditivos Doença + Doença − Teste + Verdadeiro positivo (VP) Falso positivo (FP) Teste − Falso negativo (FN) Verdadeiro negativo (VN) Sensibilidade VP / (VP + FN) Capacidade de identificar corretamente quem tem a doença Especificidade VN / (VN + FP) Capacidade de identificar corretamente quem não tem a doença VPP VP / (VP + FP) Probabilidade de ter a doença dado um teste positivo VPN VN / (VN + FN) Probabilidade de não ter a doença dado um teste negativo Importante: VPP e VPN dependem da prevalência da doença na população testada — o mesmo teste pode ter desempenho preditivo muito diferente em cenários de baixa ou alta prevalência. 19 Valor Preditivo Positivo e Valor Preditivo Negativo Os valores preditivos são parâmetros utilizados para avaliar a interpretação clínica de um resultado de teste diagnóstico. Enquanto a sensibilidade e a especificidade avaliam o desempenho do teste em relação à presença ou ausência da doença, os valores preditivos respondem a uma pergunta mais prática: “Diante do resultado que eu obtive, qual é a probabilidade de esse resultado estar correto?” Valor Preditivo Positivo — VPP Probabilidade de um indivíduo realmente apresentar a condição investigada quando o resultado do teste é positivo. Se o teste deu positivo, qual é a chance de a pessoa realmente ter a doença? VPP = 95% Entre as pessoas que apresentaram resultado positivo, aproximadamente 95% realmente possuem a condição investigada. Isso dá maior confiança na interpretação de um resultado positivo. Valor Preditivo Negativo – VPN Probabilidade de um indivíduo realmente não apresentar a condição investigada quando o resultado do teste é negativo. Se o teste deu negativo, qual é a chance de a pessoa realmente não ter a doença? VPN = 99% Entre as pessoas que apresentaram resultado negativo, 99% realmente não possuem a condição investigada. Doença presente Doença ausente Total Teste positivo 90 30 120 Teste negativo 10 870 880 Total 100 900 1.000 Em um laboratório clínico, foi realizado um teste imunológico para detectar uma determinada doença em 1.000 pacientes. Após a realização do teste, os resultados foram comparados com o diagnóstico definitivo: Qual é o Valor Preditivo Positivo (VPP) desse teste? O que esse resultado significa clinicamente? Resolução O VPP indica a probabilidade de um indivíduo realmente apresentar a doença quando o resultado do teste é positivo. Doença presente Doença ausente Total Teste positivo 90 30 120 Teste negativo 10 870 880 Total 100 900 1.000 Um VPP de 75% significa que, entre os indivíduos que apresentaram resultado positivo no teste, 75% realmente possuem a doença. Ou seja, se 100 pessoas apresentarem teste positivo, aproximadamente 75 terão a doença e 25 não terão, correspondendo aos falsos positivos. Se a prevalência da doença na população diminuir, o que provavelmente acontecerá com o VPP? O VPP tende a diminuir, porque, em uma população com menor prevalência, uma proporção maior dos resultados positivos pode ser representada por falsos positivos. VPP e VPN dependem da prevalência, enquanto sensibilidade e especificidade são características próprias do desempenho do teste. Parâmetro Pergunta principal Sensibilidade Entre os doentes, quantos deram positivo? Especificidade Entre os não doentes, quantos deram negativo? VPP Entre os positivos, quantos realmente estão doentes? VPN Entre os negativos, quantos realmente não estão doentes? Sensibilidade e especificidade → começam pela doença. VPP e VPN → começam pelo resultado do teste. Sensibilidade: tenho adoença → o teste me encontra? Especificidade: não tenho a doença → o teste me deixa negativo? VPP: deu positivo → eu realmente tenho? VPN: deu negativo → eu realmente não tenho? CLASSIFICAÇÃO DOS TESTES SOROLÓGICOS Podem ser qualitativos (indicam se há ou não resposta imune) ou quantitativos (indicam quanto existe dessa resposta). Podem ser qualitativos (indicam se há ou não resposta imune) ou quantitativos (indicam quanto existe dessa resposta). A escolha do tipo depende da finalidade clínica: detectar, confirmar ou monitorar uma infecção. • Método Qualitativo Mostra apenas presença ou ausência de anticorpos → resultado positivo ou negativo (reagente/não reagente). Exemplo: Paciente com suspeita de dengue faz um teste rápido IgM → resultado positivo indica infecção ativa. ➢ Usado em triagens rápidas: HIV, COVID-19, sífilis, zika, H. pylori etc. Limitação: não mostra valores mensuráveis, apenas confirma a presença da resposta imune. CLASSIFICAÇÃO DOS TESTES SOROLÓGICOS • Método Quantitativo Mede a quantidade de anticorpos ou antígenos. Resultados expressos como: • Titulação: 1:2, 1:4, 1:8... (diluições seriadas). • Unidades: UI/mL, %, mg/mL. • Intensidade de reação: +, ++, +++, ++++ Exemplo: Teste para dengue IgM = 63 UI/mL → valor acima do limite de referência = reagente. • Permite acompanhar evolução da doença ou eficácia do tratamento. CLASSIFICAÇÃO DOS TESTES SOROLÓGICOS • Método Semiquantitativo Resultado intermediário: indica intensidade da resposta, mas sem valor absoluto. Exemplo: resultado “+++/++++” ou titulação limitada (1:8, 1:16). Fornece uma estimativa da resposta imunológica. ➢ Aplicações Clínicas e Importância Qualitativo: usado para triagem Exemplo: testes rápidos para HIV, COVID-19 e sífilis. rápida e diagnóstico inicial. Quantitativo: usado para monitorar tratamento e carga de anticorpos. Exemplo: VDRL quantitativo, ELISA, imunofluorescência. CLASSIFICAÇÃO DOS TESTES SOROLÓGICOS Testes Quantitativos e Semiquantitativos Testes Quantitativos e Semiquantitativos ❖ Destaques Importantes A titulação indica o último ponto de diluição com reação — quanto maior a titulação, maior a concentração de anticorpos. O VDRL pode ser qualitativo (triagem) ou quantitativo (acompanhamento). A escolha do método deve considerar o objetivo clínico e o estágio da doença. Ambos os métodos são complementares: - - Qualitativo → detecta. Quantitativo → acompanha. Por que diagnosticar individualmente? Sorologia detecta anticorpos/antígenos e apoia o diagnóstico clínico. Sintomas + sorologia orientam conduta e início do tratamento. Pessoas respondem diferente ao mesmo agente (intensidade de sintomas, perfil e quantidade de anticorpos). Resposta varia de pessoa para pessoa Ex.: COVID-19 → casos leves a graves, com perfis sorológicos diferentes. Sorologia ajuda quando sinais/sintomas se confundem entre doenças. Complementa clínica e outros exames, reduz testes invasivos. Caso prático: arboviroses Caso prático: arboviroses Painel sorológico pode diferenciar dengue, zika e chikungunya. Mesmo com tratamento semelhante, o nome da doença importa: Notificação compulsória → dados epidemiológicos. Ações de controle do vetor → redução de casos. Soroconversão e janela imunológica Soroconversão: passagem de negativo → positivo (surgimento de anticorpos). Janela: tempo entre infecção e detecção; pode gerar falso-negativo. Ex.: COVID-19: IgM detectável ~ ≥7 dias dos sintomas. HIV: Resposta clínica: fase aguda → latência → oportunistas. Testes modernos (ELISA 4 geração) ↓ janela (~18 dias ao detectar antígeno + anticorpo). Fase clínica e marcadores (IgM/IgG) IgM: sobe na fase aguda (pode durar 3–6 meses). IgG: sobe depois; memória (pode persistir por anos). Ex.: COVID-19 → IgM + / IgG − = fase aguda (maior transmissibilidade). Toxoplasmose: IgM pode persistir por anos → confirmar com avidez de IgG (baixa = recente; alta = antiga). Prognósticos - eficácia terapêutica Variáveis: sobrevida, letalidade, mortalidade específica, remissão, recorrência. Eficácia do tratamento: VDRL quantitativo: queda do título = tratamento eficaz (sífilis). Vacinas: dosar IgG após 1 mês e ao longo dos anos (reforços). Pré-natal: sorologias (rubéola, toxoplasmose, HBV, sífilis, tétano) → risco fetal e conduta. • Doadores e receptores (sangue/órgãos) Sorologia: triagem de infecções e compatibilidade. HLA/MHC e aloantígenos: risco de rejeição (hiperaguda, aguda, crônica). Testes-chave: Tipagem ABO/Rh, PRA, prova cruzada, tipagem tecidual (HLA). • Diagnóstico coletivo (saúde pública) Sorologia em massa: fotografia epidemiológica (surtos/pandemias). Termos essenciais: Soroprevalência: % com anticorpos detectáveis (soropositivos). Soroepidemiologia: anticorpos + fatores sociais/ambientais → estratégia de controle. Ex.: COVID-19 → testagem sorológica + isolamento reduziram óbitos em vários países. Por que é importante? Garante resultados verdadeiros, seguros e confiáveis. Reduz erros e diagnósticos falsos. Por que é importante? Garante resultados verdadeiros, seguros e confiáveis. Reduz erros e diagnósticos falsos. Avalia o desempenho dos testes com parâmetros como: Reprodutibilidade – resultados constantes. Acurácia – proximidade do valor real. Sensibilidade e especificidade – capacidade de detectar corretamente positivos e negativos. Eficiência e valores preditivos – chance real do resultado representar o estado do paciente. ❖ Esses controles garantem a qualidade das análises imunológicas e padronizam os métodos. CONTROLE DE QUALIDADE EM TESTES SOROLÓGICOS Banco de Soros (Soroteca) O que é? • Um “arquivo de amostras de soro” coletadas e armazenadas de pacientes. • Permite retestagem em casos de resultados duvidosos. • Facilita a rastreamento e confirmação de análises laboratoriais. • Mantém organização e controle das amostras na rotina laboratorial. Funções principais • Preservar amostras para revisões, estudos e validações. • Apoiar pesquisas futuras e o desenvolvimento de novos métodos. • Garantir a rastreabilidade e confiabilidade dos resultados obtidos. CONTROLE DE QUALIDADE EM TESTES SOROLÓGICOS CONTROLE DE QUALIDADE EM TESTES SOROLÓGICOS Armazenamento e Normas Armazenamento e Normas ➢ Como são guardados os soros • Identificação: nome, número do exame, data e microrganismo pesquisado. • Temperaturas de conservação: -20 °C: rotina laboratorial e bancos de sangue (5 a 10 anos). -80 °C: pesquisas científicas e estudos imunológicos. • Seguem normas da RDC nº 34/2014 (Anvisa): • Bancos de sangue devem manter soros por mínimo de 6 meses a -20 °C. ❖ Importância ética e prática Exige autorização de comitê de ética quando usados para pesquisa populacional. Permite identificar possíveis contaminações pós-transfusão, como em casos suspeitos de HIV. CONTROLE DE QUALIDADE EM TESTES SOROLÓGICOS • Avaliar se um teste sorológico é confiável e útil para diagnóstico. Critérios principais: Reprodutibilidade (Precisão): capacidade de repetir resultados consistentes. Acurácia (Validade ou Exatidão): capacidade de apresentar resultados verdadeiros. ➢ Um método só é confiável quando é ao mesmo tempo preciso e exato. AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS SOROLÓGICOS • Reprodutibilidade (Precisão) Capacidade do método de gerar o mesmo resultado em análises repetidas. ➢ Erros aleatórios que interferem: 1. Variação individual: condição do paciente pode mudar (ex.: após exercício físico). 2. Leitura em momentos diferentes: interpretação do mesmo exame pode variar. 3. Diferença entre observadores: dois técnicos podem interpretar resultados de forma distinta. Sem reprodutibilidade, o teste não pode ser usado para diagnóstico confiável. AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS SOROLÓGICOS • Acurácia (Validade ou Exatidão) É o grau em que o resultado do teste reflete a realidade — ou seja, se o resultado está correto. ➢ Como é avaliada Comparando o novo teste com um padrão-ouro(referência confiável). Exemplo: Teste rápido para dengue (anticorpos IgM/IgG) é comparado com a detecção do antígeno NS1 ou método molecular (PCR). Acurácia ≠ precisão: Precisão: resultados semelhantes. Acurácia: resultados verdadeiros. AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS SOROLÓGICOS Testes Rápidos e Interpretação dos Resultados Testes Rápidos e Interpretação dos Resultados • Método imunocromatográfico qualitativo. • A amostra migra por uma fita com anticorpos marcados com ouro coloidal. Resultado visual: 2 bandas → teste positivo (antígeno presente). 1 banda → teste negativo (antígeno ausente). • Vantagens Simples, rápido e de baixo custo. Permite uso em triagens e diagnósticos imediatos. AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS SOROLÓGICOS Conclusão: O teste ideal deve ser: preciso, exato, rápido, seguro, simples, confiável e acessível. A comparação com o padrão-ouro permite calcular sensibilidade, especificidade e valor preditivo, que medem o desempenho real do método. Resumindo: A avaliação dos métodos sorológicos garante que os resultados sejam reprodutíveis, verdadeiros e clinicamente úteis, fortalecendo a confiança diagnóstica. Significado Paciente realmente infectado Teste positivo, mas paciente sem infecção Paciente realmente saudável Teste negativo, mas paciente infectado Resultados Possíveis e Avaliação Final ❖ Tipos de resultado Tipo de Resultado Verdadeiro Positivo Falso Positivo Verdadeiro Negativo Falso Negativo AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS SOROLÓGICOS Eficiência dos Testes Sorológicos • Eficiência é a capacidade do teste de acertar o diagnóstico — identificar corretamente doentes e não doentes. • Mede quantos resultados são verdadeiros dentro da população analisada. • Depende da sensibilidade e especificidade do teste. Um teste eficiente é aquele que gera resultados fidedignos e confiáveis. AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS SOROLÓGICOS AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS SOROLÓGICOS Fórmula da Eficiência Cálculo: Fórmula da Eficiência Cálculo: 𝐸𝑓𝑖𝑐𝑖ência = 𝑉𝑃 + 𝑉𝑁 𝑉𝑃 + 𝑉𝑁 + 𝐹𝑃 + 𝐹𝑁 Onde: VP: Verdadeiro Positivo VN: Verdadeiro Negativo FP: Falso Positivo FN: Falso Negativo ❖ Ǫuanto mais VP e VN, maior a eficiência global do teste. ❖ Exemplo Prático: COVID-19 • População testada: 1.000 pessoas 100 positivos e 900 negativos. • Se sensibilidade = 80%, o teste identifica 80 doentes e perde 20 (falsos negativos). • Se especificidade = 80%, de 900 saudáveis, 720 são corretos e 180 falsos positivos. Teste ideal: alta sensibilidade (detecta doentes) + alta especificidade (evita erros). ✓ Tipos de Erros nos Testes Etapa Tipo de erro Exemplo prático Pré-analítica Problemas na coleta, transporte ou conservação Amostra hemolisada ou contaminada Analítica Falhas de pipetagem, calibração, validade dos reagentes Erro no equipamento ou diluição incorreta Pós-analítica Interpretação ou transcrição incorreta Resultado digitado errado Valor Preditivo Positivo (VPP) Valor Preditivo Positivo (VPP) Probabilidade de um teste positivo realmente indicar a doença. 𝑉𝑃 𝑉𝑃𝑃 = 𝑉𝑃 + 𝐹𝑃 Exemplo Se VPP = 80%, a cada 10 positivos, 8 realmente têm a doença. Depende da prevalência da doença na população e da especificidade do teste. Onde: VP: Verdadeiro Positivo VN: Verdadeiro Negativo FP: Falso Positivo FN: Falso Negativo Valor Preditivo Negativo (VPN) Valor Preditivo Negativo (VPN) Probabilidade de um teste negativo indicar pessoa saudável. 𝑉𝑁 𝑉𝑃𝑁 = 𝑉𝑁 + 𝐹𝑁 Exemplo VPN = 89% → a cada 10 resultados negativos, 9 são realmente de pessoas sadias. Depende da prevalência e da sensibilidade do teste. Onde: VP: Verdadeiro Positivo VN: Verdadeiro Negativo FP: Falso Positivo FN: Falso Negativo Exemplo Numérico Prático Exemplo Numérico Prático Resultado Pessoas Situação real Positivos 275 210 doentes / 55 saudáveis Negativos 225 200 saudáveis / 25 doentes Cálculos: •VPP = 210 / 275 = 0,76 (76%) •VPN = 200 / 225 = 0,8G (8G%) ➢ Ǫuanto maior o VPP, maior a prevalência da doença; quanto maior o VPN, mais confiável é o teste negativo. Onde: VP: Verdadeiro Positivo VN: Verdadeiro Negativo FP: Falso Positivo FN: Falso Negativo Parâmetro Função Principal Uso mais comum Eficiência Mede acertos globais do teste Avaliação geral Sensibilidade Detectar doentes (evita FN) Triagem Especificidade Identificar saudáveis (evita FP) Confirmação VPP/VPN Predizem chance real do resultado Interpretação clínica Slide 1: Controle de qualidade -Métodos imunológicos Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 7: IMUNOENSAIOS Slide 8 Slide 9: O princípio fundamental do imunoensaio é que anticorpos reconhecem antígenos de forma específica, formando um complexo imune. Slide 10: IMUNOENSAIOS Slide 11 Slide 12: PARÂMETROS IMPORTANTES Slide 13 Slide 14: PARÂMETROS IMPORTANTES Slide 15: PARÂMETROS IMPORTANTES Slide 16: PARÂMETROS IMPORTANTES Slide 17: Um teste rápido de triagem para HIV precisa ter alta sensibilidade, pois é importante não deixar passar pessoas infectadas. Slide 18: Um teste confirmatório para HIV precisa ser altamente específico, para evitar diagnosticar como doente alguém que não tem a infecção. Slide 19 Slide 20: O teste ideal seria aquele que apresentasse 100% de sensibilidade e 100% de especificidade. Slide 21: PARÂMETROS IMPORTANTES Slide 22: PARÂMETROS IMPORTANTES Slide 23: PARÂMETROS IMPORTANTES Slide 24 Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29 Slide 30 Slide 32: Podem ser qualitativos (indicam se há ou não resposta imune) ou quantitativos (indicam quanto existe dessa resposta). Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36: Testes Quantitativos e Semiquantitativos Slide 37 Slide 38: Caso prático: arboviroses Slide 39 Slide 40 Slide 41: Por que é importante? Garante resultados verdadeiros, seguros e confiáveis. Reduz erros e diagnósticos falsos. Slide 42: CONTROLE DE QUALIDADE EM TESTES SOROLÓGICOS Slide 43: Armazenamento e Normas Slide 44 Slide 45 Slide 46 Slide 47: Testes Rápidos e Interpretação dos Resultados Slide 48 Slide 49: AVALIAÇÃO DOS MÉTODOS SOROLÓGICOS Slide 50: Fórmula da Eficiência Cálculo: Slide 51 Slide 52 Slide 53: Valor Preditivo Positivo (VPP) Slide 54: Valor Preditivo Negativo (VPN) Slide 55: Exemplo Numérico Prático Slide 56