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Sistemas eritrocitários humanos e as doenças 
associadas 
 
Thaysse Leite
Conceitos Básicos 
 
 
Antígenos Eritrocitários
Nossas hemácias têm diferentes antígenos de superfície em suas membranas. Dentre os 
antígenos presentes, temos o sistema ABO e Rh, que possibilitam a determinação do tipo 
sanguíneo de cada indivíduo. 
Você sabe qual é seu grupo sanguíneo? Sabe qual tipo sanguíneo você pode receber em 
uma transfusão? Faz ideia de como são realizados os exames pré-transfusionais?
Os grupos sanguíneos têm grande importância no contexto da transfusão de sangue, pois, 
se indivíduos que não apresentam determinado antígeno eritrocitário (exemplo o antígeno 
Rh) entrarem em contato com esse antígeno (Rh positivo) durante uma transfusão 
sanguínea, produzirão anticorpos contra esse antígeno (anticorpo anti-Rh), o que pode 
causar uma reação transfusional, com hemólise, podendo até levar o paciente ao óbito.
Conceitos Básicos 
 
 
Antígenos Eritrocitários
Assim, a determinação do tipo sanguíneo de um indivíduo é uma das etapas essenciais 
para possibilitar uma transfusão sanguínea segura. Apesar de serem descritos centenas de 
tipos de antígenos eritrocitários, os mais importantes e complexos pertencem aos grupos 
ABO e Rh. Esses são os dois sistemas com maior relevância no contexto de 
compatibilidade sanguínea.
Conceitos Básicos 
 
 
Em Imuno-hematologia, procuramos pesquisar in vitro a interação entre os antígenos e 
anticorpos, seja para pesquisa dos antígenos (exemplo: na fenotipagem direta ABO), seja 
para pesquisa de anticorpos regulares (exemplo: pesquisa de anticorpos ABO) ou 
irregulares (Exemplo: antígenos do sistema Rh) no soro dos indivíduos, por meio do 
método de aglutinação de hemácias ou hemaglutinação, que culmina com a formação de 
aglutinatos de hemácias sensibilizadas por anticorpos.
Antígenos eritrocitários
• Os antígenos eritrocitários são herdados geneticamente e podem ser: proteínas, 
carboidratos ligados a proteínas (glicoproteínas) ou a lipídios (glicolipídios). 
• São estruturas macromoleculares localizadas na superfície da membrana eritrocitária e 
possuem funções fisiológicas específicas, podendo atuar na estrutura celular ou no 
transporte, por exemplo.
Nos indivíduos A e B, esses anticorpos naturais 
são predominantemente IgM. Os indivíduos de 
grupo sanguíneo O possuem ainda outro tipo 
de anticorpo natural, designado anti-AB. Anti-
AB é geralmente IgG e possui atividade 
sorológica não encontrada em misturas de anti-
A e anti-B (de pessoas B e A, respectivamente).
Sistema ABO: História 
Karl Landesteiner 
(1900)
Era científica
Prêmio Nobel de 
Medicina em 1930
Pessoas com o mesmo tipo sanguíneo ou com sangue compatível 
podem receber transfusões umas das outras.
Em alguns casos, os glóbulos se aglutinavam, formando coágulos e/ou 
grânulos. Em outros casos analisados, esse fenômeno não acontecia. 
Se isso ocorre dentro dos vasos sanguíneos, o fluxo de sangue é 
interrompido e a pessoa pode morrer. O cientista explicou então por 
que algumas pessoas morriam depois de transfusões de sangue e 
outras não, possibilitando maior segurança em vários procedimentos 
cirúrgicos.
Sistema ABO: História 
Karl Landesteiner 
(1900)
Era científica
Prêmio Nobel de 
Medicina em 1930
Esses antígenos estão presentes nas hemácias e na maioria das 
células epiteliais e endoteliais, linfócitos e plaquetas. Além disso, 
apresentam-se na forma solúvel em secreções como saliva, lágrima, 
leite, urina e líquido amniótico. Por esse motivo, o sistema ABO é 
considerado um sistema de histocompatibilidade.
Os antígenos do sistema ABO são definidos por uma proteína 
codificada por um gene único, para o qual há três alelos: A, B e O. 
Observa-se uma relação de dominância dos alelos A e B sobre o alelo 
O e uma codominância entre os alelos A e B, o que nos dá a 
possibilidade de quatro tipos sanguíneos: A, B, AB ou O.
Estrutura dos antígenos eritrocitários 
- O gene H: L-fucose à galactose terminal. 
- O gene A: N acetil-D-galactosamina ao antígeno H, 
formando o antígeno A.
- O gene B: D-galactose ao antígeno H, formando o 
antígeno B.
- O gene O: produz uma transferase afuncional, que não 
modifica a substância precursora, permanecendo assim o 
antígeno H.
O antígeno H serve como 
estrutura básica para a 
síntese dos antígenos A e B.
Sistema ABO
Sem antígenos H, indivíduos com fenótipo Bombay são incompatíveis com todos os tipos sanguíneos
ABO (A, B, AB, O), pois produzem grandes quantidades de anticorpos naturais anti-H.
O antígeno H serve 
como estrutura básica 
para a síntese dos 
antígenos A e B.
O fenótipo Bombay é um tipo de sangue extremamente raro 
onde os indivíduos não possuem o antígeno H em suas 
hemácias, o que os impede de expressar os antígenos A, B ou 
AB, mesmo que possuam os genes para eles. 
Este fenótipo é chamado de "falso O" porque as hemácias 
parecem ser do tipo O (sem antígenos A ou B), mas a ausência 
do antígeno H significa que eles não podem receber sangue de 
doadores do grupo O normal, nem de outros grupos ABO. 
Pessoas com fenótipo Bombaim só podem receber sangue de 
outros indivíduos do mesmo tipo. 
Sistema ABO
IAi IBi
IAIB IAi IBi iiIAIB
AB
IAIA
IBIB
IAIB
00
ii
A maioria dos enxertos que são transplantados 
rotineiramente na medicina clínica é composta 
por enxertos de órgãos vascularizados, ligados 
diretamente à circulação do receptor. Em alguns 
casos, o receptor pode já possuir anticorpos 
circulantes contra antígenos do enxerto do 
doador.
A prova cruzada procura determinar se o 
receptor tem anticorpos que reagem contra os 
leucócitos do doador. Caso anticorpos desse 
tipo sejam encontrados, haverá uma séria 
contraindicação ao transplante da maioria dos 
órgãos sólidos, já que na ausência de qualquer 
tratamento haverá, quase certamente, rejeição 
hiperaguda.
REAÇÃO DE AGLUTINAÇÃO DIRETA
Os antígenos ABO, H e Lewis NÃO estão restritos à membrana dos eritrócitos e podem ser encontrados em uma grande 
variedade de células como linfócitos, plaquetas, endotélio capilar de veias e artérias, células sinusoidais, do baço, medula 
óssea e mucosa gástrica.
Antígenos de Lewis: Origem e adsorção
Ao contrário de outros antígenos de grupos sanguíneos (como os ABO), os antígenos de Lewis não são produzidos nas 
hemácias, mas sim nas células do sistema epitelial e secretados em fluidos corporais. As hemácias adsorvem esses 
glicolipídios solúveis do plasma, adquirindo assim a sua especificidade de Lewis.
Sistema Rh
Com mais de 50 diferentes antígenos caracterizados, o sistema Rh é o maior de todos os sistemas 
sanguíneos.
 
O antígeno RhD foi descoberto em 1939 pelos cientistas Philip Levine e Rufus Stetson, quando estudaram 
o caso de uma mãe que necessitou de transfusão após o nascimento de seu bebê natimorto. Apesar 
de ambos serem do tipo O, a mulher apresentou reação hemolítica transfusional ao receber sangue do 
marido.
Os cientistas levantaram a hipótese de que o pai do bebê (o doador das hemácias que a mãe recebeu) 
tinha um "fator" (antígeno) que faltava à mãe e que o bebê havia herdado do pai. Em gestações anteriores, 
a mãe havia sido imunizada por exposição às hemácias de seus outros bebês, que também tinham esse 
fator.
Sistema Rh
O fator ou anticorpo que causou a morte do bebê foi atribuído ao sistema Rh (remetendo ao modelo 
experimental utilizado – macaco do gênero Rhesus) e nomeado de anti-D.
Os antígenos do sistema RH são encontrados apenas nas hemácias. 
A determinação do sistema Rh é feita por um par de alelos com dominância completa, sendo o alelo R o dominante e o 
alelo r recessivo.
Assim, os genótipos do fator Rh são os seguintes:
Eritroblastose fetal
Ocorre em filhos com Rh+ nascidos de mães de Rh-. Alguns dias antes do nascimento ou no momento 
do parto, o sangue do feto pode efetivamente entrar em contato com o sangue da mãe, sensibilizando-o e 
o estimulando a produzir aglutinina anti-Rh. Esta produção de anticorpos não é imediata,por tal motivo, o 
feto em questão não será afetado.
Porém, se esta mulher que foi sensibilizada tiver uma nova gravidez de um feto Rh+, os anticorpos 
maternos já concentrados no sangue poderão atravessar a placenta e podem provocar aglutinação 
nas hemácias do feto, que serão fagocitadas e destruídas.
Dessa maneira, ao nascer, a criança apresenta anemia e icterícia (pela bastante amarelada), pois a 
hemoglobina degradada é transformada em bilirrubina (pigmento amarelo) que se deposita nos 
tecidos.
Caso a bilirrubina venha a se depositar no cérebro, o feto pode ter problemas mentais e surdez. Nos casos 
mais graves, leva ao aborto ou óbito do recém-nascido.
Eritroblastose fetal
A destruição das hemácias nestas crianças faz com 
que seus tecidos produtores de sangue joguem na 
corrente sanguínea hemácias ainda jovens, 
chamadas de eritroblastos, daí vem o nome da 
doença.
Prevenção: as mães Rh- que tenham tido um filho 
Rh+ precisam receber um soro com aglutininas 
anti-Rh até três dias após o parto. Isto vai aglutinar 
as hemácias do feto que estão circulando pelo 
sangue da mãe e evitará que seu sistema de defesa 
seja ativado e produza anticorpos anti-Rh.
OBS.: Não há problemas quando a 
incompatibilidade sanguínea entre mãe e feto é 
relativa ao sistema ABO. Isto não ocorre, pois as 
aglutininas do sistema ABO não conseguem passar 
pela placenta.
Sistema ABO
Na medicina transfusional, em geral, não é
importante distinguir os subgrupos de A e de B. A
transfusão de subgrupos normalmente não leva à
reação transfusional.
• Uma pessoa A- pode receber sangue A-, O-;
• Uma pessoa A+ pode receber sangue A-, A+, O-, O+;
• Uma pessoa B- pode receber sangue B-, O-;
• Uma pessoa B+ pode receber sangue B-, B+, O-, O+;
• Uma pessoa AB- pode receber sangue A-, B-, AB-, O-;
• Uma pessoa AB+ pode receber sangue AB-, AB+, A-, A+, 
B-, B+, O-, O+;
• Uma pessoa O- pode receber sangue O-;
• Uma pessoa O+ pode receber sangue O-, O+.
Exames imunohematológicos para qualificação do 
sangue do doador 
 
 Segundo o atual regulamento técnico de procedimentos hemoterápicos, o serviço de hemoterapia
realizará os seguintes exames imunohematológicos para qualificação do sangue do doador, a fim de
garantir a eficácia terapêutica e a segurança da futura doação:
1) Tipagem ABO;
2) Tipagem RhD;
3) Pesquisa de anticorpos anti-eritrocitários irregulares: anticorpos produzidos por uma pessoa contra 
antígenos dos seus eritrocitos que não são os do sistema ABO. Estes anticorpos são "irregulares" porque não 
ocorrem naturalmente (como o anti-A e o anti-B) e são geralmente formados após uma exposição, como gravidez 
ou transfusão de sangue. A sua pesquisa é crucial na prática transfusional e pré-natal para prevenir reações 
hemolíticas e a Doença Hemolítica do Feto e do Recém-Nascido (DHPN). 
REAÇÃO DE AGLUTINAÇÃO DIRETA
Utilizada para detectar antígenos ou anticorpos específicos em uma 
amostra, com base na formação de agregados visíveis. 
Ocorre quando partículas grandes e insolúveis, como células (ex.: 
hemácias, bactérias, fungos) ou partículas de látex cobertas com antígenos, 
se aglutinam na presença de anticorpos correspondentes.
Geralmente é feita em tubos, incubando amostras de soro em diluições 
seriadas diante da concentração constante de suspensão de células 
(antígeno). 
Após o período de incubação de 30 a 90 minutos observa-se a formação de 
agregados visíveis. o resultado é geralmente expresso como a máxima 
diluição em que ocorre a aglutinação.
Exemplos: teste de aglutinação para toxoplasmose e tripanossomíase; 
hemaglutinação
REAÇÃO DE AGLUTINAÇÃO DIRETA
 
 
Testes imunohematológicos de aglutinação
Prova Direta: realizada para pesquisar a presença de antígenos na membrana 
de hemácias (ex: pesquisa de aglutinogênios A ou B);
Prova Reversa: pesquisa em uma amostra de soro ou plasma a presença de 
anticorpos regulares contra antígenos eritrocitários;
Tipagem ABO
 
 A tipagem ABO é definida através de prova direta e prova reversa.
► Prova direta:
1.
2.
Tipagem ABO
 
 
Soro anti-A
Soro anti-AB
Soro anti-B
Soro anti-AB
Soro anti-A
Soro anti-B
Soro anti-AB
Aglutinação
Não aglutina 
com nenhum 
soro
Prova Direta
Tipagem ABO
 
 
A tipagem ABO é definida através de prova direta e prova reversa.
► Prova reversa: A prova reversa do sistema ABO (ou classificação sérica) é um exame que identifica os 
anticorpos ABO (anti-A e anti-B) presentes no plasma ou soro de um indivíduo, usando hemácias conhecidas de 
tipo A1 e B para testar. Diferente da prova direta (que identifica os antígenos nas hemácias), a prova reversa é 
essencial para confirmar resultados, resolver discrepâncias e garantir a segurança de transfusões.
1.
2.
A e B
Tipagem ABO
 
 
Não apresenta 
anticorpos
Hemácia B
Hemácia-A
Hemácia-B
Aglutinação
Não aglutina 
com nenhuma 
hemácia Aglutinação
Hemácia A
Prova Reversa
A e B
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