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Agora entramos na parte processual: qual ação Laura e Pedro devem propor? nosso ordenamento prevê três interditos possessórios: a ação de manutenção de posse, cabível em caso de turbação; a ação de reintegração de posse, cabível em caso de esbulho; e interdito proibitório, de natureza preventiva, cabível diante de simples ameaça. Como que aconteceu com a casa principal já é um esbulho consumado, a ação correta e principal é a ação de reintegração de posse, que pode incorporar também a proteção quanto à turbação sofrida na edícula. Pelo artigo 561 do Código de Processo Civil, autores precisam provar quatro elementos: primeiro, a própria posse que vem desde 2013 com Helena e foi transmitida por sucessão a Laura e Pedro; segundo, esbulho praticado pelo réu; terceiro, a data exata em que isso aconteceu, cerca de três dias depois da recusa de autorização; e quarto, a perda efetiva da posse, já que foram impedidos de reingressar ao voltar da viagem. Um detalhe processual bastante relevante: como essa agressão aconteceu há poucos meses, estamos diante do que se chama de posse nova, dentro do prazo de ano e dia contado do esbulho. Isso é importante porque permite seguir rito processual especial, muito mais célere, com a possibilidade de liminar concedida logo no início do processo, sem nem precisar ouvir réu antes que vamos detalhar no próximo bloco. Bloco 9 Integrante 9 (1min30) Tutela liminar, legítima defesa da posse e os limites da autotutela Tutela liminar (art. 562, CPC): estando a petição bem instruída (documentos, testemunhas, relato consistente), juiz pode deferir a liminar sem ouvir réu, determinando a imediata reintegração de Laura e Pedro. Se a inicial não estiver suficientemente instruída, juiz determinará audiência de justificação prévia antes de decidir. Legítima defesa da posse / desforço imediato (art. 1.210, CC): a lei permite que possuidor turbado ou esbulhado se defenda ou se restitua "por sua própria força" mas com dois limites rígidos: (i) deve agir "logo", de forma imediata; (ii) os atos não podem ir além do indispensável à manutenção ou restituição da posse. No caso, momento da autotutela legítima seria exatamente aquele em que João tentou impedir a entrada de Marcelo. Como essa resistência foi superada e Marcelo já se consolidou fisicamente no imóvel, o momento do desforço imediato passou: Laura e Pedro não podem mais usar força própria para retomar a casa devem buscar obrigatoriamente a via judicial. Por que Marcelo não pode alegar autotutela possessória: a autotutela protege quem já tem posse e é dela perturbado. Antes da invasão, Marcelo nunca teve posse do imóvel tinha apenas a propriedade registrada, sem exercício fático de qualquer poder possessório (Carlos, o vendedor, também não estava na posse para lhe entregar, de modo que não houve sequer tradição possessória na venda). Como nunca possuiu, não tem posse própria para "defender" O que ele fez foi iniciar um esbulho, não reagir a um. Além disso, mesmo um proprietário legítimo sem posse não pode fazer justiça com as próprias mãos: ordenamento exige o devido processo legal (ação para retomar o imóvel. A frase de Marcelo "se o imóvel é meu, posso entrar e retirar quem estiver nele" resume exatamente tipo de autotutela vedada pelo ordenamento brasileiro. ROTEIRO SUGERIDO PARA A FALA (1min30)