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I N T E R V E N Ç Õ E S S I S T Ê M I C A S · 6 º S E M E S T R E
A família por dentro
A escola estrutural de Minuchin, com calma
Prof.ª Adriana Paula Lorini
Psicóloga · CRP 07/3264-8
Especialista em Psicologia Sistêmica Individual, Conjugal e Familiar
R O T E I R O D A AU L A
O caminho de hoje
01 Quem foi Salvador Minuchin 02 A família como sistema
03 A matriz de identidade 04 A estrutura familiar
05 A intervenção terapêutica 06 As técnicas de intervenção
Bloco 01
Quem foi Salvador 
Minuchin
1 9 2 1 · E N T R E R Í O S , 
A R G E N T I N A
Salvador 
Minuchin
Médico pediatra e 
psiquiatra argentino, 
criador da terapia 
estrutural de 
família . Trouxe para a 
clínica uma ideia 
simples e radical: para 
entender o indivíduo, é 
preciso olhar a família 
que o organiza.
R E F E R Ê N C I A S D O AU T O R
Algumas obras
Técnicas de terapia familiar
Minuchin & Fishman
Famílias: Funcionamento & 
Tratamento
Minuchin
Famílias e casais: do 
sintoma ao sistema
Minuchin, Nichols & Lee
A cura da família
Minuchin & Nichols
T R A J E T Ó R I A · 1 9 2 1 – 1 9 5 1
Dos Entre Ríos a Israel
1921 Nasce em San Salvador, Entre Ríos, o mais velho de três filhos de imigrantes, numa pequena 
comunidade judaica no interior da Argentina.
1946 Forma-se em Medicina e inicia residência em Pediatria, com passagem pela Psiquiatria.
1948 Serve como médico do exército israelense, cuidando de jovens soldados.
1950 Vai aos EUA estudar Psiquiatria — mas a formação psicanalítica não lhe parece compatível 
com o trabalho com crianças.
1951 Casa-se e volta a Israel: passa a trabalhar com grupos em instituições, e não mais com 
indivíduos isolados.
T R A J E T Ó R I A · 1 9 5 4 – N OVA YO R K
Filadélfia e a terapia de família
1954-58 Percebe que a técnica individual não é efetiva. Sua equipe passa a focar a comunicação e o 
comportamento e cria uma terapia em que o terapeuta é bem ativo — sugere, dirige, propõe.
1965 Dirige a Clínica de Orientação Infantil da Filadélfia e ensina na Universidade da 
Pensilvânia, trabalhando com crianças com doenças psicossomáticas e padrões 
familiares mal-adaptativos .
Depois Funda seu próprio centro em Nova York, onde segue praticando e ensinando terapia 
familiar até se tornar uma das maiores referências da área.
Bloco 02
A família como 
sistema
“
A família não é a soma de indivíduos: é 
um sistema vivo, em que a mudança de 
um membro transforma toda a dinâmica 
do conjunto.
PENSAMENTO S ISTÊMICO
T E O R I A E S T R U T U R A L D O S S I S T E M A S FA M I L I A R E S
A família é um sistema em movimento
Para Minuchin, a família atravessa estágios que exigem reorganização, adaptando-se para 
manter a continuidade e favorecer o crescimento psicossocial de cada membro .
O sistema opera por transações repetidas que estabelecem como, quando e com quem 
se relacionar — e esses padrões reforçam o próprio sistema.
A estrutura familiar é o conjunto invisível de exigências funcionais que organiza as 
maneiras pelas quais os membros interagem.
Minuchin, 1982
“
A família é um sistema em 
transformação constante, e o sintoma de 
um membro reflete o funcionamento do 
todo.
SALVADOR MINUCHIN
A T E R A P I A E S T R U T U R A L D A FA M Í L I A
Ver a pessoa dentro da família
Em vez de enfocar o indivíduo, o terapeuta olha a pessoa dentro de sua família.
É um conjunto de teoria e técnicas que aborda o indivíduo em seu contexto social.
A terapia se orienta para a mudança da organização familiar : quando a estrutura 
muda, mudam as posições dos membros — e a experiência de cada um também.
Fundamento: o ser humano não é um ser isolado; é ativo e reativo dentro de grupos sociais.
“
Nenhum indivíduo pode ser 
compreendido fora do seu contexto 
familiar.
SALVADOR MINUCHIN
C O M O A M U D A N Ç A A C O N T E C E
Muda a
Estrutura →
Mudam as
Posições →
Muda a
Experiência
Por isso o trabalho incide sobre as relações , não sobre um membro 
tomado isoladamente.
Bloco 03
A matriz de 
identidade
“
Para sermos independentes, precisamos 
primeiro ter sido dependentes.
ATIV IDADE — DISCUTAM EM DUPL AS
U M M O D E LO FA M I L I A R
A matriz de identidade
Em todas as culturas, a família imprime em seus membros o cunho da 
individualidade. Essa experiência de identidade tem dois elementos:
Pertencimento
Um sentido de fazer parte de algo maior do 
que si mesmo.
Separação
Um sentido de ser distinto, único, separado 
dos demais.
A família é o laboratório em que esses ingredientes são misturados e administrados.
M AT R I Z D E I D E N T I D A D E · 1
Sentido de pertencimento
O que faz com que possamos sentir que pertencemos?
Identificar-se com o grupo O nome Sentir-se amparado Religião
Grupos de pertença Cultura
EXEMPLO CLÍNICO
O adolescente que sempre almoça aos domingos com a família extensa carrega, sem perceber, um forte senso de 
pertença — sobrenome, histórias, rituais. Isso o sustenta, mesmo quando ele reclama do compromisso.
M AT R I Z D E I D E N T I D A D E · 2
Sentido de ser separado
O que faz com que possamos sentir que somos separados ? Quando nos 
autorizamos a fazer escolhas próprias.
Morar sozinho Escolha profissional Vivências no subsistema Opiniões próprias
EXEMPLO CLÍNICO
O mesmo adolescente decide cursar artes, e não Direito como o pai. Afirmar a diferença é um exercício 
de separação — e a família saudável consegue sustentar pertença e diferença ao mesmo tempo.
I D E N T I D A D E
Dois sentidos que convivem
Pertencer Separar-se
A família é “o laboratório em que estes ingredientes são misturados 
e administrados”: a matriz da identidade.
Minuchin, 1982
“
Cada sentido de identidade individual é 
influenciado pelo seu sentido de 
pertencimento.
MINUCHIN, 1982
Bloco 04
A estrutura familiar
E S T R U T U R A
Os elementos da estrutura
Padrões transacionais
As regras invisíveis de como a família interage.
Subsistemas
Os subgrupos que exercem funções: casal, pais, 
irmãos.
Fronteiras
Os limites que definem quem participa e como.
Hierarquia
A distribuição de autoridade e responsabilidade.
E S T R U T U R A
Padrões transacionais
São os padrões repetidos que regulam o comportamento dos 
membros. Mantêm-se por dois tipos de coação:
Genérica
Regras universais — por exemplo, que os pais 
exerçam autoridade sobre os filhos.
Idiossincrática
Os acordos particulares daquela família, muitos 
deles implícitos, construídos ao longo da história.
E S T R U T U R A
Subsistemas
A família se organiza em subgrupos que cumprem funções. Cada pessoa 
participa de vários ao mesmo tempo, com papéis diferentes em cada um.
Conjugal
O casal
Parental
Quem cuida e educa
Fraterno
Os irmãos
S U B S I S T E M A · 1
O subsistema conjugal
Formado quando dois adultos se unem com o propósito de constituir uma família.
Tarefa central: a complementaridade e a acomodação mútua — cada um cede e ganha 
para negociar a vida a dois.
Precisa de uma fronteira que o proteja da intromissão dos filhos, dos pais e do trabalho.
EXEMPLO CLÍNICO
Quando o casal só conversa sobre as crianças e nunca sobre si mesmo, o subsistema conjugal foi 
engolido pelo parental — e costuma ser aí que a queixa aparece.
S U B S I S T E M A · 2
O subsistema parental
Responsável pelo cuidado, pela educação e pelo controle dos filhos.
Precisa se ajustar ao desenvolvimento: o que funciona com um bebê não funciona com um 
adolescente.
Funciona melhor quando os cuidadores sustentam juntos as mesmas regras.
EXEMPLO CLÍNICO
O pai proíbe, a mãe libera em seguida, e a criança aprende a jogar um contra o outro. O problema não 
está na criança — está na fronteira frágil entre os cuidadores.
S U B S I S T E M A · 3
O subsistema fraterno
É o primeiro laboratório social da criança entre iguais.
Aí se aprende a negociar, competir, cooperar, fazer aliados e também a perder.
Prepara para as relações fora da família — amigos, escola, trabalho.
EXEMPLO CLÍNICO
Quando um adulto resolve todas as brigasentre os irmãos, tira deles a chance de aprender a resolver 
conflitos sozinhos.
E S T R U T U R A
Fronteiras
São as barreiras invisíveis que definem quem participa de cada 
subsistema e de que maneira. Sua função é proteger a diferenciação de 
cada subgrupo — e a clareza dessas linhas importa mais do que quem 
exatamente está dentro.
❤️ 
Família ❤️ 
47 Participantes, 46 online
Tia Marli
E aí, já arrumou um namorado(a)? 👀
Vô Nelson
No meu tempo, com 22 anos eu já tinha 
3 filhos
Prima Duda
Vi teu story ontem, tava com quem? 🤨
Gente… era só uma aula de sistêmica 😅
Quando não existe limite, todo mundo participa de tudo. Bem-vindos 
à fronteira difusa.
A N T E S D A T E O R I A … S E R E C O N H E C E ?
Que família é a sua?
🙉
A que só se fala no 
churrasco
“Como você tá?” uma vez por 
ano. Cada um no seu mundo.
= Desligada
🤗
A que se fala e se 
respeita
Perto, mas cada um com seu 
espaço. Dá pra ser você.
= Nítida 💚
📱
A que sabe de tudo da sua 
vida
O grupo do zap não perdoa. 
Privacidade? Que é isso?
= Emaranhada
E S T R U T U R A
Três tipos de fronteira
Nítidas
Claras e flexíveis — cada um tem seu espaço, mas dá para se aproximar. É 
o equilíbrio saudável.
Difusas
Quase não existem — todos se metem em tudo. Levam ao emaranhamento.
Rígidas
Excessivas — cada um no seu canto, contato difícil. Levam ao desligamento.
Q UA N D O A F R O N T E I R A D E S A N D A
Emaranhamento e desligamento
Família emaranhada
Fronteiras difusas. Proximidade excessiva, 
pouca autonomia — o sofrimento de um vira 
o sofrimento de todos.
A mãe responde pelo filho na entrevista.
Família desligada
Fronteiras rígidas. Distância excessiva, pouca 
proteção — cada um resolve sozinho e só se 
acionam em crise.
O pai que só aparece quando há um problema grave.
U M C O N T I N U U M , N Ã O C A I X I N H A S
Do muito solto ao muito colado
Desligada
Faixa saudável
Emaranhada
A maioria das famílias vive na faixa do meio e se desloca conforme o momento 
de vida. O terapeuta ajuda a família a reencontrar esse equilíbrio.
Bloco 05
A intervenção 
terapêutica
“
A certeza é inimiga da mudança.
SALVADOR MINUCHIN
A P O S T U R A D O T E R A P E U TA S I S T Ê M I C O
Da certeza à curiosidade
A mudança começa quando a certeza dá lugar à curiosidade — e não a 
curiosidade de quem quer confirmar o que já sabe, mas a de quem 
abandona as certezas e está disposto a se surpreender.
PARA GUARDAR
O terapeuta mais preparado não é o que tem mais respostas. É o que sabe Habitar o não saber.
A I N T E R V E N Ç Ã O
O terapeuta entra na família
O terapeuta é ativo: sugere, dirige, propõe experiências dentro da sessão.
Primeiro ele se une à família (joining): acolhe, respeita a organização, fala a língua dela.
A partir desse vínculo, ele desafia os padrões que sustentam o problema.
A principal ferramenta é o uso de si mesmo — sua presença, seu jeito, sua posição na sala.
“
O instrumento da mudança é o próprio 
terapeuta: ele se torna parte do sistema 
para transformá-lo.
TERAP IA ESTRUTURAL
A I N T E R V E N Ç Ã O
Planejar a mudança
A intervenção não é improviso: o terapeuta lê a estrutura da família antes de agir.
Mapeia subsistemas, fronteiras e hierarquia — quem se alia a quem, quem manda, quem fica de fora.
Formula uma hipótese: como o sintoma se encaixa e é mantido por essa organização?
Define objetivos de reorganização — que fronteiras precisam ficar mais claras.
U M R O T E I R O PA R A A S E SS Ã O
Modelo de 4 etapas
1 ETAPA 1: ampliar a queixa:
Descentralizar o problema apresentado;
2 ETAPA 2: destacar as interações mantenedoras do problema:
Investigar os padrões familiares que mantêm o problema
3
ETAPA 3: investigar o passado com foco:
Investigar o que os membros da família trazem do passado que ainda influencia o 
presente
4 ETAPA 4: descobrir/cocriar formas alternativas de relações:
Redefinir o problema e testar opções
(MINUCHIN; NICHOLS; LEE, 2009)
Mão na massa
Exercício: o caso do 
sr. Abel
Em grupos: identifiquem os subsistemas, o tipo de fronteiras e 
proponham uma hipótese estrutural para o caso.
Bloco 06
As técnicas de 
intervenção
A S T É C N I C A S D E I N T E R V E N Ç Ã O
O repertório do terapeuta
Focalização Intensidade Fronteiras Desequilíbrio
Complementaridade Dramatização
Todas servem a um mesmo fim: reorganizar a estrutura para que o 
sintoma deixe de ser necessário.
T É C N I C A · 1
Focalização
De tudo o que a família traz, o terapeuta escolhe um tema e o mantém 
em foco, dando-lhe relevância. É um recorte intencional.
EXEMPLO CLÍNICO
Em vez de perseguir cada assunto que surge, o terapeuta insiste: “vamos ficar em como vocês dois 
decidem juntos”. O foco organiza a sessão.
T É C N I C A · 2
Intensidade
Às vezes a família ouve, mas não registra . O terapeuta aumenta a 
intensidade para que a mensagem atravesse o limiar de escuta.
Repetir a mensagem Prolongar o tempo Mudar o tom Regular a distância
EXEMPLO CLÍNICO
O terapeuta repete a mesma frase — “deixe que ele responda” — cinco vezes na sessão, até que 
a mãe realmente pare e dê espaço ao filho.
T É C N I C A · 3
Reorganizar fronteiras
O terapeuta trabalha os limites na própria sessão : quem senta perto 
de quem, quem fala por quem, quem decide.
Abrir fronteiras
Aproximar quem está desligado — pedir que 
conversem diretamente.
Fechar fronteiras
Proteger um subsistema — pedir que os pais 
decidam sem a interferência dos filhos.
EXEMPLO CLÍNICO
“Troquem de lugar: hoje o pai senta ao lado do filho.” mudar a cadeira já muda a fronteira.
T É C N I C A · 4
Desequilíbrio
O terapeuta toma partido temporariamente de um membro para 
alterar a hierarquia e abalar um padrão travado.
EXEMPLO CLÍNICO
O terapeuta apoia abertamente o filho mais calado para dar-lhe voz e mostrar à família que ele 
também tem lugar. Depois reequilibra. É uma posição intencional e provisória.
“
O terapeuta desafia o processo, não a 
pessoa: o alvo é o padrão, nunca a culpa 
de alguém.
TERAP IA ESTRUTURAL
T É C N I C A · 5
Complementaridade
O terapeuta mostra que os comportamentos se encaixam : um só é 
“demais” porque o outro é “de menos”.
EXEMPLO CLÍNICO
Quanto mais a mãe controla, menos o pai participa — e quanto menos o pai participa, mais a mãe 
controla. Não há um culpado: há um ciclo que se retroalimenta.
“
O conflito que evitamos guarda as 
conversas mais importantes que ainda 
não tivemos.
SALVADOR MINUCHIN
T É C N I C A · 6
Dramatização
Em vez de contar o problema, a família o vive ali na sessão — e o 
terapeuta intervém sobre a cena ao vivo.
EXEMPLO CLÍNICO
“Mostrem aqui como é a hora da lição de casa.” o padrão aparece na sala, e agora dá para 
trabalhá-lo no momento em que acontece.
“
A terapia não é sobre corrigir, mas 
sobre criar novas maneiras de estar 
juntos.
SALVADOR MINUCHIN
PA R A L E VA R D A A U L A
Três ideias para guardar
1 A família é um sistema estruturado por subsistemas, fronteiras e hierarquia.
2 O sintoma não está “na pessoa”: ele é lido na organização das relações.
3 Mudar é reorganizar fronteiras — e o terapeuta usa a si mesmo para isso.
PA R A I R A L É M
Referências
MINUCHIN, S. Famílias: funcionamento e tratamento. Porto Alegre: Artmed, 1982.
MINUCHIN, S.; FISHMAN, H. C. Técnicas de terapia familiar. Porto Alegre: Artmed.
MINUCHIN, S.; NICHOLS, M. P.; LEE, W-Y. Famílias e casais: do sintoma ao sistema. Porto Alegre: Artmed, 2009.
NICHOLS, M. P.; SCHWARTZ, R. C. Terapia familiar: conceitos e métodos. Porto Alegre: Artmed.
Prof.ª Adriana Paula Lorini · Intervenções Sistêmicas · obrigada!
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