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DIREITO CIVIL PARTE GERAL PESSOAS, BENS E FATOS JURÍDICOS Apostila de estudo • material acadêmico PANORAMA A Parte Geral do Direito Civil fornece conceitos que aparecem em praticamente todo o Direito Privado. Compreender pessoa, personalidade, capacidade, domicílio, bens e fatos jurídicos facilita o estudo das demais áreas do Direito Civil. SUMÁRIO 1. A Parte Geral do Direito Civil 2. Pessoa natural e personalidade jurídica 3. Capacidade: de direito e de fato 4. Emancipação 5. Direitos da personalidade 6. Domicílio 7. Pessoa jurídica 8. Bens: classificação fundamental 9. Fatos, atos e negócios jurídicos 10. Quadro de revisão e conexões 1. A PARTE GERAL DO DIREITO CIVIL A Parte Geral do Código Civil reúne conceitos fundamentais utilizados para compreender as relações jurídicas privadas. Em vez de estudar apenas situações específicas, ela estabelece categorias que servem de base para diversos institutos do Direito Civil. VISÃO GERAL Pense na Parte Geral como a “gramática” do Direito Civil: antes de estudar contratos, responsabilidade civil ou sucessões, é importante saber quem pode ser sujeito de direitos, o que são bens e como os fatos produzem consequências jurídicas. 2. PESSOA NATURAL E PERSONALIDADE JURÍDICA Pessoa natural é o ser humano considerado pelo Direito como sujeito de direitos e deveres. A personalidade jurídica representa a aptidão genérica para ser titular de direitos e deveres na ordem civil. O Código Civil estabelece que toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil. A personalidade da pessoa natural começa com o nascimento com vida, preservados, desde a concepção, os direitos do nascituro nos termos da lei. EXEMPLO DIDÁTICO Um bebê recém-nascido já é sujeito de direitos. Ele não precisa saber falar, trabalhar ou praticar atos jurídicos pessoalmente para possuir personalidade jurídica. 3. CAPACIDADE: DE DIREITO E DE FATO Capacidade não é sinônimo de personalidade. A capacidade de direito corresponde à aptidão para titularizar direitos e deveres. Já a capacidade de fato, ou de exercício, relaciona-se à possibilidade de exercer pessoalmente esses direitos na vida civil. CAPACIDADE DE DIREITO CAPACIDADE DE FATO Aptidão para ser titular de direitos e deveres. Aptidão para exercer pessoalmente os direitos. É inerente à personalidade. Pode sofrer limitações previstas em lei. Ex.: uma criança pode ser proprietária de um imóvel. Ex.: determinados atos podem exigir representação ou assistência. PEGADINHA COMUM Uma pessoa pode ter personalidade jurídica e, ao mesmo tempo, não possuir plena capacidade de exercício. Portanto: personalidade ≠ capacidade plena. 4. EMANCIPAÇÃO A emancipação antecipa, em determinadas hipóteses legais, a capacidade civil do menor para os atos da vida civil. O instituto não deve ser confundido com a aquisição da maioridade, pois são formas juridicamente distintas de alcançar a capacidade plena. O Código Civil prevê hipóteses como concessão dos pais, casamento, exercício de emprego público efetivo, colação de grau em curso de ensino superior e estabelecimento civil ou comercial ou existência de relação de emprego que permita ao menor economia própria, observados os requisitos legais. 5. DIREITOS DA PERSONALIDADE Os direitos da personalidade protegem aspectos essenciais da pessoa, relacionados à sua integridade, identidade, honra, imagem, vida privada e outros atributos existenciais. São fundamentais para compreender a proteção jurídica da pessoa para além de seus interesses patrimoniais. DIMENSÃO EXEMPLOS Integridade física Proteção do corpo e da integridade corporal. Honra Proteção contra ofensas à reputação e à dignidade. Imagem Proteção contra utilização indevida da representação da pessoa. Vida privada Proteção da esfera privada e da intimidade. Nome Proteção da identidade civil. CONEXÃO IMPORTANTE Direitos da personalidade são predominantemente ligados à dimensão existencial da pessoa. Isso ajuda a diferenciá-los de direitos essencialmente patrimoniais, como propriedade e crédito. 6. DOMICÍLIO Domicílio é uma categoria jurídica utilizada para determinar o local juridicamente relacionado à pessoa. A legislação civil estabelece regras gerais e situações específicas para definição do domicílio. Em linhas gerais, o domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece sua residência com ânimo definitivo. O tema possui consequências práticas em diversas relações jurídicas. COMO MEMORIZAR RESIDÊNCIA é uma situação de fato; DOMICÍLIO é uma construção jurídica que envolve a residência e o elemento subjetivo previsto pela legislação. 7. PESSOA JURÍDICA Pessoa jurídica é uma organização reconhecida pelo ordenamento jurídico como sujeito de direitos e deveres. Sua personalidade não se confunde com a personalidade das pessoas naturais que a integram. PESSOA NATURAL PESSOA JURÍDICA Ser humano considerado sujeito de direitos. Entidade organizada e reconhecida pelo ordenamento. Personalidade ligada à pessoa humana. Personalidade própria, distinta das pessoas que a compõem. Ex.: indivíduo. Ex.: associação ou sociedade, conforme a classificação legal. 8. BENS: CLASSIFICAÇÃO FUNDAMENTAL Os bens constituem objeto de diversas relações jurídicas. O Código Civil apresenta classificações que auxiliam na definição do regime jurídico aplicável a cada situação. CLASSIFICAÇÃO IDEIA CENTRAL EXEMPLO Móveis Podem ser transportados sem alteração de sua substância, conforme a definição legal. Veículo. Imóveis Ligados ao solo e enquadrados na definição legal. Terreno. Fungíveis Podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. Dinheiro. Infungíveis Considerados em sua individualidade. Obra de arte determinada. Consumíveis Seu uso importa destruição imediata da substância, conforme a lei. Alimento. Inconsumíveis Não se enquadram nessa característica. Móvel durável. 9. FATOS, ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS Fato jurídico é o acontecimento ao qual o ordenamento atribui efeitos jurídicos. Esses acontecimentos podem decorrer de fenômenos naturais ou de comportamentos humanos. Quando a manifestação humana é relevante para a produção de efeitos jurídicos, entram em cena categorias como ato jurídico em sentido estrito e negócio jurídico. No negócio jurídico, a autonomia privada desempenha papel relevante na conformação dos efeitos permitidos pelo ordenamento. ESTRUTURA PARA ENTENDER FATO → acontecimento relevante para o Direito. | ATO HUMANO → comportamento juridicamente relevante. | NEGÓCIO JURÍDICO → manifestação de vontade destinada a produzir efeitos jurídicos reconhecidos pelo ordenamento. 10. QUADRO DE REVISÃO E CONEXÕES CONCEITO PERGUNTA PARA REVISAR Pessoa natural Quem é considerado sujeito de direitos e deveres na ordem civil? Personalidade Qual é a diferença entre personalidade e capacidade? Capacidade de direito O que significa ter aptidão para titularizar direitos e deveres? Capacidade de fato O que significa poder exercer pessoalmente direitos na vida civil? Direitos da personalidade Quais aspectos existenciais da pessoa recebem proteção jurídica? Domicílio Por que o Direito precisa estabelecer um domicílio juridicamente relevante? Pessoa jurídica Por que sua personalidade é distinta da personalidade de seus integrantes? Bens Por que a classificação de um bem pode alterar o regime jurídico aplicável? Fato jurídico Quando um acontecimento passa a produzir consequências jurídicas? Negócio jurídico Qual é o papel da manifestação de vontade e da autonomia privada? MAPA MENTAL EM UMA LINHA PESSOA → PERSONALIDADE → CAPACIDADE → DIREITOS DA PERSONALIDADE → DOMICÍLIO → PESSOA JURÍDICA → BENS → FATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS MATERIAL DE ESTUDO • DIREITO CIVIL – PARTE GERAL