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LIVRO
CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
1
Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,
exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO EAD, que reúne os diferentes segmentos
do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi desenvolvido segundo as
diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero bem-sucedidas
mundialmente.
São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio dessa
modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço presentes nos
dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio tempo e
gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se responsável
pela própria aprendizagem.
O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que permite
que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo o momento,
ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de nossa
plataforma.
Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores
especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos.
A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a
distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo de
atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização,
graduação ou pós-graduação.
Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando
as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona.
Seja bem-vindo à UNIVERSO EAD!
Professora Jaina dos Santos Mello Ferreira
Reitora.
PALAVRA DA REITORIA
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
2
SUMÁRIO
Palavra da Reitoria ..................................................................... 1
SUMÁRIO .................................................................................. 2
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA ............................................. 3
AULA 1 REGRA DE TRÊS .............................................................. 3
AULA 2 CONJUNTOS NUMÉRICOS ................................................. 7
AULA 3 INTRODUÇÃO ÀS FUNÇÕES MATEMÁTICAS ....................... 15
AULA 4 TIPOS DE FUNÇÕES ....................................................... 20
AULA 5 OPERAÇÕES COM FUNÇÕES............................................ 29
AULA 6 PORCENTAGEM ............................................................. 32
AULA 7 JUROS ......................................................................... 39
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA ....................................... 43
AULA 1 ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA ...................... 43
AULA 2 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA ............................................. 50
AULA 3 MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL ................................. 54
AULA 4 MEDIDAS DE DISPERSÃO ............................................... 59
AULA 5 NOÇÕES DE AMOSTRAGEM ............................................. 67
AULA 6 FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE ................................ 74
AULA 7 CORRELAÇÃO E REGRESSÃO .......................................... 80
BIBLIOGRAFIA ......................................................................... 83
file:///C:/Users/Alex/OneDrive%20-%20id.uff.br/Área%20de%20Trabalho/CIÊNCIAS%20EXATAS%20E%20TECNOLOGIAS/Livro%20Ciências%20Exatas%20e%20Tecnologias_v1.docx%23_Toc156031363
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 1: REGRA DE TRÊS
3
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 1 REGRA DE TRÊS
A Regra de Três é um método que utilizamos para encontrar valores
desconhecidos quando estamos trabalhando com grandezas direta ou inversamente
proporcionais. Esse método de resolução tem bastante aplicação não só na
matemática, como na física, química e em situações do dia a dia.
Deve-se identificar grandezas que se relacionam de forma direta e grandezas
que se relacionam de forma inversa.
Grandezas diretamente proporcionais: à medida que uma dessas
grandezas aumenta, a outra também aumenta e na mesma proporção. Por
exemplo: a relação preço e peso na compra de uma determinada verdura.
Quanto menor a quantidade, menor o preço, e quanto maior a quantidade,
maior o preço.
Grandezas inversamente proporcionais: à medida que uma dessas
grandezas aumenta, a outra grandeza diminui na mesma proporção. Por
exemplo: a relação entre velocidade e tempo. Quanto maior a velocidade para
percorrer-se determinado percurso, menor será o tempo.
Para solucionar situações utilizando a regra de três, é fundamental que exista
a proporcionalidade. Além disso, é de grande importância a identificação da relação
entre as grandezas. Para resolver uma questão é recomendável adotar os seguintes
passos:
1º Passo: Identificar as grandezas e construção da tabela.
2º Passo: Analisar se as grandezas são diretamente ou inversamente
proporcionais.
3º Passo: Aplicar o método de resolução correto para cada um dos casos, e,
por fim, resolver a equação.
O que é a Regra de Três?
Como resolver uma Regra de Três?
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PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 1: REGRA DE TRÊS
4
Um planejamento para o plantio foi feito, e nele 3 pessoas trabalhavam no
plantio e plantavam, por dia, 5 m². Devido à necessidade de um plantio mais
eficiente, mais 4 pessoas, todas com o mesmo desempenho, comprometeram-se a
participar da causa, sendo assim, qual será a quantidade de m² reflorestada por dia?
1º Passo – Identificar as grandezas e construção da tabela
Temos que as grandezas são as pessoas trabalhando no plantio (“Pessoas”) e
a área de plantio (“m2”). Com isso, as colunas da tabela são Pessoas e m2.
Temos que 3 Pessoas plantam 5 m2 (Linha 1). E 7 (3 + 4) Pessoas plantam x
m2 (Linha 2). O “x” é o valor que queremos descobrir.
2º Passo – Analisar se as grandezas são diretamente ou inversamente
proporcionais
Agora é fundamental a comparação entre as duas grandezas.
À medida que eu aumento o número de pessoas, a quantidade de m²
reflorestada por dia aumenta na mesma proporção. Logo, essas grandezas são
diretamente proporcionais.
Grandezas diretamente proporcionais
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PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 1: REGRA DE TRÊS
5
3º Passo – Aplicar o método de resolução correto para cada um dos
casos, e, por fim, resolver a equação
Quando as grandezas são diretamente proporcionais, basta multiplicar os
valores da tabela de forma cruzada, gerando a equação.
3
7
=
5
x
3x = 5 ∙ 7
3x = 35
x =
35
3
x ≈ 11,67
Ou seja, a quantidade reflorestada por dia será de 11,67 m2.
Para a confecção das provas de um concurso, uma gráfica dispunha de 15
impressoras, que demorariam 18 horas para imprimir todas as provas. No preparo
para o início do trabalho, foi diagnosticado que só havia 10 impressoras funcionando.
Qual é o tempo, em horas, que será gasto para a confecção de todas as provas do
concurso?
1º Passo – Identificar as grandezas e construção da tabela
As grandezas são o número de impressoras (“Impressoras”) e o tempo para
imprimir as provas (“Horas”). Com isso, as colunas são Impressoras e Horas.
Temos que 15 impressoras levam 18 horas para imprimir (Linha 1). E 10
impressoras levam x horas para imprimir (Linha 2).
Grandezas inversamente proporcionais
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PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 1: REGRA DE TRÊS
6
2º Passo – Analisar se as grandezas são diretamente ou inversamente
proporcionaisforma, o desvio padrão será:
s = √s2 = √5,32 = 2,3
Portanto, o desvio padrão dos manequins é 2,3. Temos então que os manequins
tem um valor médio de 38,1 com um desvio padrão de 2,3.
O desvio padrão tem algumas limitações. Um desvio padrão de 5 unidades, por
exemplo, pode ser considerado pequeno para uma série de valores cujo valor médio
é 500, porém, se a média for igual a 15, essa relação muda completamente. Por isso,
é necessário se ter uma medida do desvio em relação à média.
O Coeficiente de Variação é uma medida de dispersão relativa, ou seja, é
adimensional, sendo a relação entre o desvio padrão e uma medida de tendência
central.
Coeficiente de Variação de Pearson
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 4: MEDIDAS DE DISPERSÃO
65
O coeficiente de variação de Pearson é a razão entre o desvio padrão e a média
aritmética dos dados:
CVP =
s
X̅
Logo, para calcular o coeficiente de variação de Pearson é preciso adotar os
seguintes passos:
1. Calcular a média;
2. Calcular a variância;
3. Calcular o desvio padrão;
4. Calcular o coeficiente de variação de Pearson.
Considere o exemplo: A tabela a seguir apresenta os pesos e as alturas de um
grupo de jovens atletas de uma escola de ensino fundamental:
Determine o coeficiente de variação de Pearson para ambas as medidas.
O coeficiente de variação de Pearson para as estaturas e para os pesos são
dados por:
CVP(est) =
s
X̅
=
5
185
= 0,027 = 2,7%
CVP(pesos) =
s
X̅
=
2
68
= 0,029 = 2,9%
Temos que o coeficiente de variação de Pearson para as estaturas foi de 2,7%
e para os pesos foi de 2,9%.
Apesar de o desvio padrão das estaturas ser maior do que o dos pesos, o peso
possui maior coeficiente de variação de Pearson, portanto ele possui maior
variabilidade.
Dessa forma, o coeficiente de variação de Pearson é mais confiável quando
comparamos a variabilidade de diferentes medidas.
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 4: MEDIDAS DE DISPERSÃO
66
Considere novamente o exemplo: Calcule o coeficiente de variação de Pearson
do seguinte conjunto de valores:
{148, 170, 155, 131}
Nós já calculamos a média, seguida da variância, e do desvio padrão. A média
é igual a 151 e o desvio padrão 14. Dessa forma, o coeficiente de variação de Pearson
é igual a:
CVP =
s
X̅
=
14
151
= 0,093 = 9,3%
Portanto, o coeficiente de variação de Pearson desses dados é 0,093 ou 9,3%.
Considere novamente o exemplo: A tabela a seguir apresenta a série estatística
dos manequins vendidos em uma loja:
Qual é o coeficiente de variação de Pearson?
Nós já calculamos a média, seguida da variância, e do desvio padrão. A média
é igual a 38,1 e o desvio padrão 2,3. Dessa forma, o coeficiente de variação de
Pearson é igual a:
CVP =
s
X̅
=
2,3
38,1
= 0,06 = 6%
Portanto, o coeficiente de variação de Pearson desses dados é 0,06 ou 6%.
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 5: NOÇÕES DE AMOSTRAGEM
67
AULA 5 NOÇÕES DE AMOSTRAGEM
Nem sempre a realização de um censo é possível, ou seja, obter informações
referentes a todos os elementos de uma população torna-se, muitas vezes,
praticamente impossível. Limitações de tempo e custo justificam o uso de técnicas
amostrais.
A amostra é uma parcela representativa da população que é examinada com o
propósito de tirarmos conclusões sobre a mesma. É um subconjunto finito de uma
população.
Existem dois tipos principais de amostragem:
Amostragem probabilística: Esse método garante que cada elemento da
população tenha a mesma chance de ser selecionado como elemento da
amostra. Assim, podemos garantir cientificamente a aplicação das técnicas
estatísticas de inferências. Somente com base em amostragens probabilísticas
é que se podem realizar inferências ou induções sobre a população a partir do
conhecimento da amostra.
Amostragem não probabilística: São técnicas de amostragens em que há
uma escolha deliberada dos elementos da amostra. Depende dos critérios e
julgamento do pesquisador. Não é possível generalizar os resultados das
pesquisas para a população, pois as amostras não-probabilísticas não
garantem a representatividade da população.
O que é Amostragem?
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 5: NOÇÕES DE AMOSTRAGEM
68
A amostragem probabilística é dividida em quatro técnicas principais:
Amostragem aleatória simples.
Amostragem estratificada.
Amostragem sistemática.
Amostragem por conglomerados (ou por agrupamentos).
Amostragem aleatória simples:
A amostragem aleatória simples, também chamada de amostragem
casual, é o processo de amostragem mais utilizado. Ela equivale a um sorteio
lotérico.
A amostragem aleatória simples se baseia no princípio de que todos os
membros da população tem a mesma probabilidade de serem incluídos na amostra.
Exemplo: Sortear aleatoriamente 10 pessoas de um grupo de 100 pessoas.
Ela pode ser realizada da seguinte forma: numera-se a população de 1 a n e
sorteiam-se, a seguir, por meio de um dispositivo aleatório qualquer, x números
dessa sequência, que corresponderão aos elementos pertencentes à amostra.
Técnicas de Amostragem Probabilística
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 5: NOÇÕES DE AMOSTRAGEM
69
Amostragem estratificada:
Quando a população se divide em estratos (subgrupos da população) é
imprescindível que o sorteio dos elementos da amostra leve em consideração tais
estratos. Os estratos podem ser definidos de acordo com gênero, idade, renda etc.
A amostragem estratificada consiste na divisão da população em estratos,
seguida da realização da amostragem aleatória simples em cada estrato.
Por exemplo, dividir a população em dois estrados (homens e mulheres) e
sortear aleatoriamente 50 pessoas de cada um desses dois estratos (subgrupos).
A amostragem estratificada pode ainda ser dividida em dois tipos:
Amostragem estratificada uniforme: o número de elementos sorteados em
cada estrato (subgrupo) é igual.
Amostragem estratificada proporcional: o número de elementos sorteados
em cada estrato (subgrupo) é proporcional ao número de elementos da
amostra.
Considere o exemplo: Um hospital tem ao todo 200 pacientes internados, sendo
120 mulheres e 80 homens. Deseja-se obter uma amostra de 10% desses pacientes.
Determine o número de homens e mulheres dessa amostra a partir da amostragem
estratificada uniforme e proporcional.
Temos que a amostra terá ao todo 200·0,1 = 20 pessoas.
Note que temos dois estratos (homens e mulheres).
Sendo assim, no caso da amostragem estratificada uniforme, dividiremos essa
amostra igualmente entre os dois estratos. Assim, cada estrato terá 20/2 = 10
pessoas. Ou seja, a amostra terá 10 homens e 10 mulheres. Na prática, pode ser
feito um sorteio (amostragem aleatória simples) com os 80 homens para selecionar
10 homens, e com as 120 mulheres para selecionar 10 mulheres.
Para a amostragem estratificada proporcional, a amostra de mulheres deverá
conter 120·0,1 = 12 mulheres, enquanto a amostra de homens será de 80·0,1 = 8
homens. Nesse caso, a proporção dos estratos da população foi mantida. Em seguida,
assim como no caso anterior, pode ser feito o sorteio (amostragem aleatória simples)
com os 80 homens para selecionar 8 homens, e com as 120 mulheres para selecionar
12 mulheres.
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 5: NOÇÕES DE AMOSTRAGEM
70
Amostragem sistemática:
Quando os elementos da população já se acham ordenados, não há
necessidade de sorteio. Os elementos são selecionados de forma periódica. A
amostragem sistemática consiste na seleção dos elementos da amostra de forma
periódica.Por exemplo: Imagine um prédio com 200 apartamentos dos quais desejamos
obter uma amostra formada por 20 apartamentos para uma pesquisa de opinião.
Primeiro calculamos 200/20 = 10. Assim, escolhemos por sorteio casual um número
de 01 a 10, o qual indicaria o primeiro elemento sorteado para a amostra; os demais
elementos seriam, periodicamente, considerados de 10 em 10. Suponha que o
número sorteado fosse 6, a amostra seria: 6º apartamento, 16º apartamento, 26º
apartamento etc.
Amostragem por conglomerado (ou agrupamentos):
Algumas populações não permitem ou dificultam extremamente a identificação
de seus elementos. Não obstante, pode ser relativamente fácil identificar alguns
subgrupos da população. Agrupamentos típicos são quarteirões, famílias,
organizações, agências, edifícios etc.
A amostragem por conglomerados, também chamada de amostragem por
agrupamentos, consiste na divisão da população em conglomerados (grupos) e
seleção aleatória de alguns conglomerados, incluindo todos os elementos dentro
desses conglomerados na amostra.
Por exemplo: imagine que queremos realizar uma pesquisa com os alunos de
escola pública da cidade. No lugar de sortear aleatoriamente os alunos da cidade,
podemos realizar o sorteio de algumas escolas e daí fazer a pesquisa com todos os
alunos das escolas sorteadas.
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 5: NOÇÕES DE AMOSTRAGEM
71
A amostragem não probabilística é dividida em três técnicas principais:
Amostragem acidental (ou por conveniência).
Amostragem intencional.
Amostragem por cotas.
Amostragem acidental (ou por conveniência):
A amostragem acidental, também chamada de amostragem por
conveniência, trata-se de uma amostra formada por elementos que vão aparecendo
“acidentalmente” até completar o número de elementos da amostra.
Ela é geralmente utilizada em pesquisas de opinião, em que os entrevistados
são escolhidos conforme forem chegando ao local. Por exemplo, pesquisas de opinião
em praças públicas, ruas de grandes cidades.
Amostragem intencional:
Na amostragem intencional o grupo de elementos que irão compor a
amostra são escolhidos intencionalmente a partir de certo critério de seleção. Nesse
caso, o investigador se dirige intencionalmente a grupos de elementos dos quais se
deseja saber a opinião.
Por exemplo: aplicar um questionário aos líderes de uma comunidade, ou aos
representantes de turma.
Considere o exemplo: Numa pesquisa sobre preferência por determinado
cosmético, o pesquisador se dirige a um grande salão de beleza e entrevista as
pessoas que ali se encontram.
Técnicas de Amostragem não Probabilística
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 5: NOÇÕES DE AMOSTRAGEM
72
Amostragem por cotas:
A amostragem por cotas é um dos métodos de amostragem mais
comumente usados em levantamentos de mercado e em prévias eleitorais. Ele
abrange três etapas:
1. Classificar a população, ou seja, verificar o que é relevante para a característica
a ser estudada.
2. Determinar a proporção da população para cada característica com base no
que se conhece sobre a população.
3. O pesquisador fixa cotas para cada entrevistador de modo que a amostra total
observada contenha a proporção da população determinada na fase anterior.
Ela é semelhante à amostragem estratificada proporcional, porém aqui não
conhecemos a quantidade exata de cada subgrupo. Além disso, como não existe um
cadastro da população não é possível realizar o sorteio (amostragem aleatória
simples), sendo os entrevistados escolhidos de forma acidental.
Ainda assim, existe informação suficiente sobre o perfil da população,
permitindo que ela seja dividida em subgrupos (aqui chamados de “classes”, que é a
primeira etapa).
Uma fórmula bastante utilizada para calcular o tamanho da amostra, isto é, o
número de elementos da amostra é a seguinte:
n = (
Z ∙ s
d
)
2
Em que Z é o nível de confiança: 95% -> 1,96; 99% -> 2,58; s é o desvio
padrão da população e d é o erro amostral (ou margem de erro).
Cálculo para o dimensionamento da amostra
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 5: NOÇÕES DE AMOSTRAGEM
73
Considere o exemplo: Um pesquisador deve dimensionar uma amostra de uma
população cujo desvio padrão do parâmetro a ser medido é igual a 1,2. Qual deve
ser o tamanho da amostra para um nível de confiança de 95% e erro amostral de
5%?
Temos que Z = 1,96 (95%), s = 1,2 e d = 5/100 = 0,05. Assim:
n = (
Z ∙ s
d
)
2
= (
1,96 ∙ 1,2
0,05
)
2
= 2212,76 ≅ 2213
Portanto, a amostra deverá conter 2213 elementos.
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 6: FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE
74
AULA 6 FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE
Antes de definirmos probabilidade, é preciso conhecer dois conceitos básicos
de probabilidade: o de espaço amostral e o de evento.
Espaço Amostral:
O espaço amostral é o conjunto contendo todos os resultados possíveis de um
experimento.
Exemplo: no lançamento de um dado contendo 6 faces, o espaço amostral é
dado por S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}.
Exemplo: no lançamento de uma moeda, o espaço amostral consiste nos
seguintes resultados S = {Cara, Coroa}.
Exemplo: no lançamento de duas moedas, o espaço amostral possui os
seguintes resultados S = {Cara e Cara, Cara e Coroa, Coroa e Cara, Coroa e Coroa}.
Evento:
O evento é um subconjunto do espaço amostral (subconjunto de S).
Exemplo: no lançamento de um dado de 6 faces, ocorrer um número par. Nesse
caso, A = {2, 4, 6}.
Exemplo: no lançamento de duas moedas, ocorrer cara em pelo menos um dos
dois lançamentos. Nesse caso, A = {Cara e Cara, Cara e Coroa, Coroa e Cara}.
Conceitos básicos de probabilidade
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 6: FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE
75
A probabilidade é uma medida numérica que expressa a chance de um evento
acontecer. Ela fornece uma maneira quantitativa de avaliar a incerteza associada a
diferentes resultados em um experimento, processo ou fenômeno aleatório.
A probabilidade é expressa como um número entre 0 e 1, em que 0 indica
impossibilidade absoluta do evento ocorrer, 1 indica certeza absoluta do evento
ocorrer, e valores entre 0 e 1 indicam graus intermediários de probabilidade.
Se o espaço amostral é finito e equiprovável (ou seja, cada elemento do espaço
amostral tem a mesma probabilidade de acontecer), então a probabilidade é dada
por:
P =
Número de elementos do evento A
Número de elementos do espaço amostral S
Ou, em outras palavras:
P =
Número de casos favoráveis
Número de casos possíveis
Considere o exemplo: No lançamento de um dado, qual é a probabilidade de o
resultado ser um número par?
Note que o espaço amostral S = {1, 2, 3, 4, 5, 6} contém 6 elementos,
enquanto o evento “ser um número par” A = {2, 4, 6} contém 3 elementos. Assim:
P =
Número de elementos do evento A
Número de elementos do espaço amostral S
=
3
6
= 0,5 = 50%
Ou seja, a probabilidade de ser um número par é 0,5 ou 50%.
O que é probabilidade?
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 6: FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE
76
Considere o exemplo: No posto de saúde de uma cidadezinha do interior,
15.800 crianças foram atendidas no último ano. A tabela abaixo relaciona a idade
das crianças atendidas.
Escolhendo-se aleatoriamente uma criança atendida nesse posto de saúde,
determine:
a) A probabilidade de ela ter menos de 1 ano.
Analisando a tabela, temos que o número de crianças com menos de 1 ano é
igual a 2800, de um total de 15800. Assim, a probabilidade será:
P =
Número de casos favoráveis
Número de casos possíveis=
2800
15800
= 0,177 = 17,7%
Logo, a probabilidade de a criança ter menos de 1 ano é 0,177 ou 17,7%.
b) A probabilidade de ela ter entre 1 ano e 4 anos.
Analisando a tabela, temos que o número de crianças entre 1 ano e 4 anos é
igual a 7000, de um total de 15800. Assim, a probabilidade será:
P =
Número de casos favoráveis
Número de casos possíveis
=
7000
15800
= 0,443 = 44,3%
Logo, a probabilidade de a criança ter entre 1 ano e 4 anos é 0,443 ou 44,3%.
c) A probabilidade de ela ter mais de 4 anos.
Analisando a tabela, temos que o número de crianças com mais de 4 anos é
igual a 6000, de um total de 15800. Assim, a probabilidade será:
P =
Número de casos favoráveis
Número de casos possíveis
=
6000
15800
= 0,38 = 38%
Logo, a probabilidade de a criança ter mais de 4 anos é 0,38 ou 38%.
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 6: FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE
77
As duas principais operações envolvendo eventos são a união e a interseção:
União (“ou”): Contém todos os elementos dos dois subconjuntos (eventos).
Interseção (“e”): Contém os elementos comuns aos dois subconjuntos
(eventos).
Considere o exemplo: Uma companhia de seguros analisou a frequência com
que 3.000 segurados (1.500 homens e 1.500 mulheres) usaram o hospital no último
ano. Os resultados são apresentados na tabela:
Nesse caso, determine:
a) A probabilidade de o segurado ser homem.
Note que são ao todo 1500 homens de um total de 3000 segurados. Assim:
P =
Número de casos favoráveis
Número de casos possíveis
=
1500
3000
= 0,5 = 50%
Logo, a probabilidade de o segurado ser homem é 0,5 ou 50%.
b) A probabilidade de uma pessoa segurada usar o hospital.
Note que o número de pessoas que usaram o hospital foi 250 + 320 = 570 de
um total de 3000 segurados. Assim:
P =
Número de casos favoráveis
Número de casos possíveis
=
570
3000
= 0,19 = 19%
Logo, a probabilidade de o segurado usar o hospital é 0,19 ou 19%.
Operações entre eventos
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 6: FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE
78
c) A probabilidade de uma mulher segurada não usar o hospital.
Isso é o mesmo que calcular a probabilidade de: “ser mulher E não usar o
hospital”. Analisando a tabela, observamos que a interseção entre esses dois eventos
é o valor 1180, de um total de 3000 segurados. Assim:
P =
Número de casos favoráveis
Número de casos possíveis
=
1180
3000
= 0,393 = 39,3%
Logo, a probabilidade de uma mulher segurada não usar o hospital é 0,393 ou
39,3%.
d) A probabilidade de uma pessoa segurada ser homem ou usar o hospital.
Para obter o número de pessoas que sejam “homens OU usaram o hospital”, é
preciso fazer a união entre esses dois eventos. Analisando a tabela, observamos que
a união entre esses eventos resulta em 250 + 1250 + 320 = 1820, de um total de
3000 segurados. Assim:
P =
Número de casos favoráveis
Número de casos possíveis
=
1820
3000
= 0,607 = 60,7%
Logo, a probabilidade de uma pessoa segurada ser homem ou usar o hospital
é 0,607 ou 60,7%.
Existem eventos que são ditos “dependentes”. Nesse caso, a ocorrência de um
evento afeta a probabilidade de ocorrência do outro evento.
Considere o exemplo: Uma caixa contém 14 bolas, sendo 6 azuis e 8
vermelhas. Retirando-se sucessivamente e sem reposição duas dessas bolas,
determine:
a) A probabilidade de que as duas sejam azuis.
Isso equivale a probabilidade de “a primeira bola azul E a segunda bola azul”.
P =
6
14
∙
5
13
=
6 ∙ 5
14 ∙ 13
=
30
182
= 0,165 = 16,5%
Eventos dependentes
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 6: FUNDAMENTOS DE PROBABILIDADE
79
b) A probabilidade de que as duas sejam vermelhas.
Isso equivale a probabilidade de “a primeira bola vermelha E a segunda bola
vermelha”.
P =
8
14
∙
7
13
=
8 ∙ 7
14 ∙ 13
=
56
182
= 0,308 = 30,8%
Existem eventos que são ditos “independentes”. Nesse caso, a ocorrência de
um evento NÃO afeta a probabilidade de ocorrência do outro evento.
Considere dois eventos (A e B) que são independentes. Nesse caso, a
probabilidade de acontecerem os dois eventos (A e B) é dada por:
P(A ∩ B) = P(A) ∙ P(B)
E a probabilidade de acontecer ao menos um dos dois eventos (A ou B) é dada
por:
P(A ∪ B) = P(A) + P(B) − P(A ∩ B)
Considere o exemplo: A chance que o time A tem de ganhar uma partida de
futebol é 0,6. A chance que time B tem de ganhar uma partida de futebol é 0,2.
Considere que a chance de cada um ganhar é independente. Nesse caso:
a) Qual é a probabilidade de o time A e o time B ganharem a partida de futebol?
Nesse caso, devemos calcular a interseção (“e”):
P(A ∩ B) = P(A) ∙ P(B) = 0,6 ∙ 0,2 = 0,12 = 12%
Logo, a probabilidade de os dois times ganharem é 0,12 ou 12%.
b) Qual é a probabilidade de o time A ou o time B ganharem a partida de
futebol?
Nesse caso, devemos calcular a união (“ou”):
P(A ∪ B) = P(A) + P(B) − P(A ∩ B) = 0,6 + 0,2 − 0,12 = 0,68 = 68%
Logo, a probabilidade de ao menos um dos times ganharem é 0,68 ou 68%.
Eventos independentes
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 7: CORRELAÇÃO E REGRESSÃO
80
AULA 7 CORRELAÇÃO E REGRESSÃO
A correlação é usada para estudar o grau de associação (relação) entre duas
variáveis. Por exemplo, estudar a relação entre o peso e a altura.
Ela é representada graficamente através de um gráfico de dispersão, que
mostra o comportamento entre as duas variáveis (isto é, se estão relacionadas). Se
X cresce, Y também cresce? A relação é linear?
Para medir o grau de relação entre as duas variáveis, utilizamos o Coeficiente
de Correlação Simples (também chamado de Coeficiente de Correlação):
r =
∑ xy −
(∑ x) ∙ (∑ y)
n
√[∑ x2 −
(∑ x)2
n ] ∙ [∑ y2 −
(∑ y)2
n ]
Considere o exemplo: Dados ∑ x = 27, ∑ y = 32, ∑ x2 = 139, ∑ y2 = 218, ∑ xy =
170 e n = 6, determine o coeficiente de correlação.
r =
∑ xy −
(∑ x) ∙ (∑ y)
n
√[∑ x2 −
(∑ x)2
n ] ∙ [∑ y2 −
(∑ y)2
n ]
=
170 −
27 ∙ 32
6
√[139 −
272
6 ] ∙ [218 −
322
6 ]
=
=
26
√17,5 ∙ 47,33
=
26
√828,275
=
26
28,78
= 0,903
Logo, o coeficiente de correlação é igual a 0,903.
Correlação
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 7: CORRELAÇÃO E REGRESSÃO
81
Intervalo de variação da correlação:
O que significa r = 0,903? Significa que existe uma forte relação positiva entre
as variáveis X e Y, ou seja, quando X cresce Y também cresce.
Os valores de r estão compreendidos em um intervalo que varia de -1 a +1.
A regressão é usada para examinar o comportamento de uma variável em
relação à outra. Nesse caso, temos uma variável dependente (y) que sofrerá
influência da variável independente (x).
De forma geral, a regressão buscará a equação que melhor expresse a variação
de y em função de x. A regressão linear é um caso particular bastante útil, no qual a
equação é linear e, portanto, o gráfico é uma reta.
Considere a seguinte equação linear:
y = a + bx
Em que ‘b’ é o coeficiente angular (inclinação da reta) e ‘a’ é o coeficiente linear
(intercepto de y).
Devemos encontrar a reta que minimiza o “erro quadrático médio” (ou seja, a
reta que minimiza a distância entre a reta e os pontos). Para isso, podemos utilizar
o “método dos mínimos quadrados”.
Regressão
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 7: CORRELAÇÃO E REGRESSÃO
82
Pelo método dos mínimos quadrados, temos:
x̅ =
∑ x
n
y̅ =
∑ y
n
Sxy = ∑ xy −
(∑ x) ∙ (∑ y)
n
Sxx = ∑ x2 −
(∑ x)2
n
Assim, os coeficientes podem ser calculados através de:
b =
Sxy
Sxx
a = y̅ − b ∙ x̅
Considere o exemplo: Dados ∑ x = 38, ∑ y = 698, ∑ x2 = 150, ∑ y2 = 50236,
∑ xy = 2739 e n =10. Determine a equação da reta para o conjunto de dados
apresentados.
x̅ =
∑ x
n
=
38
10
= 3,8 y̅ =
∑ y
n
=
698
10
= 69,8
Sxy = ∑ xy −
(∑ x) ∙ (∑ y)
n
= 2739 −
38 ∙ 698
10
= 86,6
Sxx = ∑ x2 −
(∑ x)2
n
= 150 −
382
10
= 5,6
Dessa forma:
b =
Sxy
Sxx
=
86,6
5,6
= 15,464
a = y̅ − b ∙ x̅ = 69,8 − 15,464 ∙ 3,8 = 11,037
Resultando em:
y = a + bx → y = 11,037 + 15,464x
CURSOS DE ENGENHARIA
LIVRO DE INTRODUÇÃO À ENGENHARIA
BIBLIOGRAFIA
83
BIBLIOGRAFIA
AUGUSTO, Adriana Santos. Estatística Aplicada. 2a Edição. Niterói/RJ: UNIVERSO.
2011.
BECKER, João Luiz. Estatística Básica: Transformando Dados em Informação. Grupo
A – Selo Bookman. 2015.
OLIVEIRA, Edney Dantas. Matemática Básica. Niterói/RJ: UNIVERSO. 2013.
SCHMIDT, Adriana Claudia. Matemática Financeira. Grupo A – Selo Bookman. 2019.
SILVEIRA, Márcia Castiglio. Matemática Empresarial. Porto Alegre: Imprensa Livre.
2009.Analisando-se as duas grandezas, é notório que se a quantidade de impressoras
diminuir, o tempo para fazer as impressões será aumentado. Logo, essas grandezas
são inversamente proporcionais.
3º Passo – Aplicar o método de resolução correto para cada um dos
casos, e, por fim, resolver a equação
Quando as grandezas são inversamente proporcionais, é necessário inverter-
se a fração (trocar numerador e denominador) de uma das frações, para,
posteriormente, multiplicar-se cruzado.
Invertendo-se a primeira fração:
10
15
=
18
x
10x = 18 ∙ 15
10x = 270
x =
270
10
x = 27
Logo, o tempo gasto para a confecção de todas as provas do concurso será de
27 horas.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 2: CONJUNTOS NUMÉRICOS
7
AULA 2 CONJUNTOS NUMÉRICOS
Um conjunto é qualquer coleção de elementos classificados a partir de certa
característica semelhante.
Considere P o conjunto dos números pares:
P = {0,2,4,6,8,10,...}
Considere E o conjunto das estações do ano:
E = {Primavera, Verão, Outono, Inverno}
Um conjunto numérico é uma coleção de números com características
semelhantes. Note que P é um conjunto numérico, pois os seus elementos são
números.
Um conjunto numérico pode ser representado tanto na forma “enumerada”
quanto na forma de “diagrama”.
Considere que o conjunto A seja enumerado da seguinte forma:
A = {1,3,7,8}
Esse mesmo conjunto A pode ser representado pelo seguinte diagrama:
Esse diagrama é conhecido como diagrama de Venn.
O que são Conjuntos Numéricos?
Representação dos Conjuntos Numéricos
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 2: CONJUNTOS NUMÉRICOS
8
Existem diversos símbolos e definições relacionadas aos conjuntos numéricos.
Relação de pertinência: ∈ pertence e ∉ não pertence.
Considere novamente A = {1,3,7,8}
Podemos afirmar que 3 ∈ A (lê-se 3 pertence a A).
E que 2 ∉ A (lê-se 2 não pertence a A).
Relação de inclusão: Se todos os elementos de um conjunto A também
pertencerem a um conjunto B, dizemos que A está contido em B ou, ainda, que
A é subconjunto de B. ⊂ está contido e ⊄ não está contido.
Considere agora um conjunto B, dado por B = {1,2,3,4,5,6,7,8,9}
Note que todos os elementos de A também são pertencentes a B. Logo,
podemos afirmar que A ⊂ B (lê-se A está contido em B).
Conjunto Universo: É o conjunto que tem todos os elementos com os quais
se deseja trabalhar. O universo é representado pela letra U.
Conjunto Vazio: É o conjunto que não possui elementos. Se C for um conjunto
vazio, então C = {} ou C = ∅.
Símbolos e Definições dos Conjuntos Numéricos
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 2: CONJUNTOS NUMÉRICOS
9
Existem três importantes operações entre os conjuntos: a união, a interseção
e a diferença de conjuntos. O complementar de um conjunto é uma operação especial
de diferença.
União de conjuntos: A união de dois conjuntos A e B é o conjunto A ∪ B (lê-
se A união B, ou ainda “A ou B”), formado por todos os elementos de ambos
os conjuntos.
Seja A = {2,4,6,8,10} e B = {1,2,3,4,5,6}, a união entre ambos será:
A ∪ B = {1,2,3,4,5,6,8,10}
A representação da união no diagrama de Venn é:
Interseção de conjuntos: A interseção de dois conjuntos A e B é o conjunto
A ∩ B (lê-se A interseção B, ou ainda “A e B”), formado pelos elementos que
pertencem a ambos os conjuntos ao mesmo tempo.
Seja A = {2,4,6,8,10} e B = {1,2,3,4,5,6}, a interseção entre ambos será:
A ∩ B = {2,4,6}
A representação da interseção no diagrama de Venn é:
Operações entre Conjuntos Numéricos
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 2: CONJUNTOS NUMÉRICOS
10
Diferença de conjuntos: A diferença de dois conjuntos A e B é o conjunto
dado por A – B (lê-se A menos B), formado pelos elementos que pertencem a
A que não pertencem a B, ou seja, pelos elementos exclusivos de A.
Seja A = {2,4,6,8,10} e B = {1,2,3,4,5,6}, a diferença entre ambos será:
A – B = {8,10}
A representação da diferença A – B no diagrama de Venn é:
Complementar de conjuntos: O conjunto complementar de A é o conjunto
AC ou A̅ (lê-se A complementar, ou complementar de A, ou ainda A barra) que
consiste na diferença entre o Universo e o conjunto A, ou seja, AC = U – A.
Seja U = {0,2,4,6,8} e A = {2,4}, o conjunto complementar de A será:
AC = U – A = {0,6,8}
A representação do complementar de A no diagrama de Venn é:
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 2: CONJUNTOS NUMÉRICOS
11
Existem ao todo 5 conjuntos tipos de conjuntos numéricos, que são: os
números Naturais (N), os números Inteiros (Z), os números Racionais (Q), os
números Irracionais (I) e os números Reais (R).
Conjunto dos Números Naturais (N): Nasceu da simples necessidade de se
fazer contagens, por isso, seus elementos são apenas números inteiros e não
negativos.
N = {0,1,2,3,4,5,6,7,8,9,10,...}
Conjunto dos Números Inteiros (Z): Surgiu com a necessidade de se
realizar a operação de subtração, incluindo assim os números inteiros
negativos.
Z = {...,-3,-2,-1,0,1,2,3,...}
Note que N ⊂ Z, isto é, N está contido em Z.
Conjunto dos Números Racionais (Q): Com a necessidade de descrever
partes de algo inteiro, surgiram as frações. Assim, os números racionais são
aqueles que podem ser escritos na forma de fração.
Os números que podem ser escritos na forma de fração são:
1- Números inteiros (Z): 4/2 = 2; -20/5 = -4.
2- Decimais finitos: 10/4 = 2,5; -2/5 = -0,4.
3- Decimais infinitos que sejam dízimas periódicas: 1/3 = 0,3333...
Note que Z ⊂ Q, isto é, Z está contido em Q.
Conjunto dos Números Irracionais (I): É composto por todos os números
que não são possíveis de se descrever como uma fração. Portanto, são números
irracionais todos aqueles que não pertencem ao conjunto dos números
racionais. Ou seja, Q ∩ I = ∅.
1- Decimais infinitos (não sejam dízimas periódicas): é o caso das raízes
quadradas de números que não são quadrados perfeitos: √2 = 1,414213...
2- Constantes provenientes de razões especiais: π = 3,1415926...
Tipos de Conjuntos Numéricos
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 2: CONJUNTOS NUMÉRICOS
12
Conjunto dos Números Reais (R): É formado pela união do conjunto dos
números racionais com o conjunto dos números irracionais.
R = Q ∪ I
A representação pelo diagrama de Venn é:
Assim, todo número que é irracional é real, assim como os racionais, inteiros e
naturais.
Em muitos problemas envolvendo conjuntos numéricos, não estamos
interessados em quais são os elementos pertencentes a cada conjunto, mas sim na
quantidade de elementos em cada conjunto.
Considere o seguinte exemplo: Em uma pesquisa com 350 pessoas constatou-
se que 250 pessoas gostam do produto A, 150 pessoas gostam do produto B e 100
pessoas gostam de ambos os produtos.
Temos que:
U = 350 (Universo, contendo todas as pessoas)
A = 250 (“250 pessoas gostam do produto A”)
B = 150 (“150 pessoas gostam do produto B”)
A ∩ B = 100 (“100 pessoas gostam de ambos os produtos”)
Quantidades em Conjuntos Numéricos
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 2: CONJUNTOS NUMÉRICOS
13
Nesse tipo de problema, sempre começamos pela interseção.
Em seguida, subtraímos pelas quantidades de A e de B. Isto é:
Por fim, subtraímos essas quantidades do Universo:
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 2: CONJUNTOS NUMÉRICOS
14
O diagrama de Venn resultante é:
A partir da análise deste diagrama, podemos responder uma série de
perguntas.
Quantas pessoas gostam somente do produto A?
150 pessoas.
Quantas pessoas gostam somente do produtoB?
50 pessoas.
Quantas pessoas não gostam de nenhum dos 2 produtos?
50 pessoas.
Quantas pessoas não gostam do produto A?
50 + 50 = 100
Ou
AC = U – A = 350 – 250 = 100
Quantas pessoas não gostam do produto B?
150 + 50 = 200
Ou
BC = U – B = 350 – 150 = 200
Quantas pessoas gostam do produto A ou do produto B?
A ∪ B = 150 + 100 + 50 = 300
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 3: INTRODUÇÃO ÀS FUNÇÕES MATEMÁTICAS
15
AULA 3 INTRODUÇÃO ÀS FUNÇÕES MATEMÁTICAS
Em várias situações do cotidiano, percebemos que há uma relação entre
grandezas:
Ao abastecer um veículo: o valor a ser pago depende (é função da) quantidade
de combustível.
Na conta de luz: o valor a ser pago na conta de luz depende (é função da)
quantidade de energia elétrica consumida.
Essas relações entre grandezas podem ser descritas através de funções
matemáticas.
A função matemática, ou simplesmente função, expressa a relação
matemática entre os elementos de dois conjuntos. Um conjunto é chamado de
Domínio (D) que contém a variável independente (x) e o outro é chamado de Imagem
(Im) que contém a variável dependente (f(x) ou y).
Nos nossos exemplos, o valor a ser pago é a variável dependente, enquanto a
quantidade de combustível e a quantidade de energia consumida são variáveis
independentes.
O que são Funções Matemáticas?
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 3: INTRODUÇÃO ÀS FUNÇÕES MATEMÁTICAS
16
Considere o exemplo do valor pago em função da quantidade de litros usada
para abastecer o carro. Vamos representar esse valor pago pela letra y (variável
dependente) e a quantidade de litros pela letra x (variável independente). Suponha
que o preço do litro da gasolina seja de R$ 6,00.
Nesse caso, a representação algébrica dessa função será:
y = 6x
A partir dessa equação, podemos calcular o valor final a ser pago (y) em função
da quantidade de litros de gasolina (x).
x (litros) y (R$)
0 y = 6·0 = 0
1 y = 6·1 = 6
2 y = 6·2 = 12
3 y = 6·3 = 18
4 y = 6·4 = 24
5 y = 6·5 = 30
6 y = 6·6 = 36
Considere o seguinte exemplo: Uma indústria de brinquedos possui um custo
fixo mensal de produção equivalente a R$ 20.000,00 mais R$ 8,00 reais por
brinquedo produzido. Determine a forma algébrica dessa função e também o valor
do custo na produção de 500 brinquedos.
Vamos considerar “c” o custo total e “b” a quantidade de brinquedos
produzidos. Assim, a forma algébrica da função será dada por:
c = 20000 + 8b
O custo de se produzir 500 brinquedos é:
c = 20000 + 8·500 = 20000 + 4000 = 24000
Portanto, o custo para produzir 500 brinquedos é de R$ 24.000,00.
Representação algébrica de funções
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 3: INTRODUÇÃO ÀS FUNÇÕES MATEMÁTICAS
17
A representação gráfica de funções é muito importante, pois fornece uma
visualização mais clara do comportamento da função. O gráfico permite a observação
de padrões e comportamentos, tais como crescimento e decrescimento, identificação
de raízes e de pontos máximos e mínimos.
Ao analisar o gráfico do lucro de uma empresa em função do tempo, por
exemplo, podemos identificar os períodos de crescimento e decrescimento do lucro,
além de seu ponto máximo (maior lucro) e mínimo (menor lucro).
Considere a seguinte função na forma algébrica:
y = 2x – 4
Podemos obter o valor de y para diferentes valores de x:
x y
0 y = 2·0 – 4 = – 4
1 y = 2·1 – 4 = – 2
2 y = 2·2 – 4 = 0
3 y = 2·3 – 4 = 2
4 y = 2·4 – 4 = 4
Cada um desses pares de valores estão formando os seguintes pares
ordenados: (0,-4); (1,-2); (2,0); (3,2); (4,4).
Os pares ordenados são comumente utilizados na representação de pontos
em um plano cartesiano. No plano cartesiano, o eixo horizontal é conhecido como
eixo x, e o eixo vertical é conhecido como eixo y. Assim, um ponto (x,y) representa
a coordenada de um ponto onde "x" é a coordenada no eixo x e "y" é a coordenada
no eixo y.
Representação gráfica de funções
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 3: INTRODUÇÃO ÀS FUNÇÕES MATEMÁTICAS
18
Observe de vermelho o gráfico da função 2x – 4 e de azul cada um dos pontos
(pares ordenados) calculados.
Note que cada um dos pares ordenados estão sobre o gráfico da função. Isso
ocorre pois eles fazem parte da função (eles são pontos da função).
Verifique se o ponto (5,6) faz parte da função y = 2x – 4.
Para (5,6) ser um ponto de y = 2x – 4 é preciso que quando x = 5 -> y = 6.
Vamos verificar substituindo x = 5 na função:
y = 2·5 – 4 = 10 – 4 = 6
Note que y = 6, portanto (5,6) é um ponto da função y = 2x – 4.
Verifique se o ponto (7,8) faz parte da função y = 2x – 4.
Para (7,8) ser um ponto de y = 2x – 4 é preciso que quando x = 7 -> y = 8.
Vamos verificar substituindo x = 7 na função:
y = 2·7 – 4 = 14 – 4 = 10
Note que y = 10, que é diferente de y = 8, portanto (7,8) não é um ponto da
função y = 2x – 4.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 3: INTRODUÇÃO ÀS FUNÇÕES MATEMÁTICAS
19
A análise do gráfico da função permite identificar os intervalos de crescimento
e decrescimento, as raízes (zeros da função) e os pontos de máximo e de mínimo.
Crescente: Uma função é considerada crescente em um intervalo se, à medida
que você move da esquerda para a direita nesse intervalo, os valores da função
aumentam.
Decrescente: Uma função é considerada decrescente em um intervalo se, à
medida que você move da esquerda para a direita nesse intervalo, os valores
da função diminuem.
Máximo: O ponto onde a função atinge o seu maior valor.
Mínimo: O ponto onde a função atinge o seu menor valor.
Raízes: As raízes (ou zeros) são os valores de x nos quais a função é nula (os
valores de x que fazem y = 0). Graficamente, são os valores de x nos quais a
função cruza o eixo x.
Considere o gráfico da função y = 4 + 2x – 2x2:
Intervalo de Crescimento: x = (-∞, 0,5]
Intervalo de Decrescimento: x = [0,5, +∞)
Ponto de Máximo: (0,5, 4,5)
Raízes: x = -1 e x = 2
Análise de gráficos de funções
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 4: TIPOS DE FUNÇÕES
20
AULA 4 TIPOS DE FUNÇÕES
Alguns dos principais tipos de funções são: funções polinomiais, funções
exponenciais, funções trigonométricas.
Funções Polinomiais: São formadas por termos onde a variável é elevada a
uma potência inteira. O grau da função polinomial é igual ao valor da maior
potência da variável.
y = x + 3 -> Função de 1o Grau
y = x2 – 3x + 4 -> Função de 2o Grau
y = x5 – 5x8 + 2x -> Função de 8o Grau
Funções Exponenciais: Têm a forma de uma base elevada à potência da
variável. Ou seja, a variável está na potência (expoente) de uma base.
y = 50·2x
y = 3x
Funções Trigonométricas: A variável está dentro de um seno, cosseno ou
tangente, ou qualquer outra função trigonométrica.
y = 10·sen(3x)
y = cos(x – 2)
Classificação das Funções
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 4: TIPOS DE FUNÇÕES
21
Uma Função Polinomial de 1o Grau, ou simplesmente Função de 1o Grau,
tem a seguinte forma algébrica:
y = ax + b
Em que ‘a’ é uma constante diferente de zero (a ≠ 0), denominada coeficiente
angular. E b é uma constante que pode ou não ser igual a zero, chamada de termo
independente.
O gráfico da Função de 1o Grau é sempre uma reta.
Observe que se ‘a’ for negativo (a 0), a função é crescente.
Além disso, a raiz (zero) da função de 1o grau, é calculada a partir da seguinte
fórmula:
x = −
b
a
Considere a seguinte função de 1o grau:
y = 2x – 4
Essa função é crescente ou decrescente?O valor de a = 2, que é um número positivo, portanto a função é crescente.
Qual é a raiz dessa função?
Sabendo que a = 2 e b = – 4, temos que a raiz é:
x = −
b
a
= −
−4
2
= −(−2) = 2
Função Polinomial de 1o Grau
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 4: TIPOS DE FUNÇÕES
22
Observe o gráfico da função y = 2x – 4:
Note que ela é uma função crescente e que a sua raiz (ponto onde ela cruza o
eixo x) é igual a 2, como foram calculados.
Uma Função Constante tem a seguinte forma algébrica:
y = k
Em que ‘k’ é uma constante que pode ou não ser igual a zero. Note que a
função constante não depende da variável independente (não depende de x).
O gráfico da Função da Função Constante não varia com y.
Função Constante
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 4: TIPOS DE FUNÇÕES
23
Por exemplo, considere a função a seguir:
y = 4
Note que ela é uma função constante. O seu gráfico é dado por:
Para qualquer que seja o valor de x, a função é sempre igual a 4.
Uma Função Polinomial de 2o Grau, ou simplesmente Função de 2o Grau,
ou ainda Função Quadrática, tem a seguinte forma algébrica:
y = ax2 + bx + c
Em que ‘a’ é uma constante diferente de zero (a ≠ 0), e ‘b’ e ‘c’ são constantes
que podem ou não ser iguais a zero.
O gráfico da Função de 2o Grau é sempre uma parábola.
Função Polinomial de 2o Grau
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 4: TIPOS DE FUNÇÕES
24
Observe que se ‘a’ for negativo (a 0), a parábola tem a concavidade para cima.
O ponto V é conhecido como vértice da parábola e é dado por V = (xv, yv).
Note que se ‘a’ for negativo (a 0), o vértice é um ponto de mínimo da função.
Além disso, temos que se ‘a’ for negativo (a 0), a função é decrescente no intervalo de x = (-∞, xv] e
crescente no intervalo de x = [xv, +∞).
De forma resumida, a análise do sinal de ‘a’ indica que:
Se ‘a’ for negativo: A parábola tem concavidade para baixo. O vértice é um
ponto de máximo. A função é crescente no intervalo de x = (-∞, xv] e
decrescente no intervalo de x = [xv, +∞)
Se ‘a’ for positivo: A parábola tem concavidade para cima. O vértice é um
ponto de mínimo. A função é decrescente no intervalo de x = (-∞, xv] e
crescente no intervalo de x = [xv, +∞).
Calculando as raízes da função de 2o Grau:
Dada a forma algébrica da função de 2o grau:
y = ax2 + bx + c
Devemos calcular o valor de delta:
∆ = b2 − 4ac
Seguido dos valores de x (raízes da equação de 2o grau):
x =
−b ± √∆
2a
Essa fórmula é conhecida como equação quadrática e fornece a solução da
equação de 2o grau.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 4: TIPOS DE FUNÇÕES
25
Calculando o vértice da função de 2o Grau:
Dada a forma algébrica da função de 2o grau:
y = ax2 + bx + c
O vértice é um ponto V = (xv, yv).
A coordenada x do vértice é dada por:
xv =
−b
2a
A coordenada y do vértice é dada por:
yv =
−∆
4a
Considere a seguinte função de 2o grau:
y = x2 – 2x – 8
Faça a análise completa dessa função.
Note que a = 1, portanto ‘a’ é positivo. Com isso, sabemos que ela tem a
concavidade para cima e que o vértice é um ponto de mínimo.
As raízes dessa função podem ser calculadas da seguinte forma:
Temos que a = 1, b = – 2 e c = – 8. Assim, delta é igual a:
∆ = b2 − 4ac = (−2)2 − 4 ∙ 1 ∙ (−8) = 4 + 32 = 36
Com isso, as raízes são:
x =
−b ± √∆
2a
=
−(−2) ± √36
2 ∙ 1
=
2 ± 6
2
x1 =
2 + 6
2
=
8
2
= 4
x2 =
2 − 6
2
=
−4
2
= −2
Logo, as raízes são x = -2 e x = 4.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 4: TIPOS DE FUNÇÕES
26
Podemos ainda calcular as coordenadas do vértice:
xv =
−b
2a
=
−(−2)
2 ∙ 1
=
2
2
= 1
yv =
−∆
4a
=
−36
4 ∙ 1
=
−36
4
= −9
Portanto, o vértice, que é o ponto mínimo, é o ponto (1, -9).
Além disso, temos que essa função é decrescente no intervalo de x = (-∞, 1]
e crescente no intervalo de x = [1, +∞).
Observe o gráfico dessa função de 2o grau e compare com os resultados
encontrados.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 4: TIPOS DE FUNÇÕES
27
Uma Função Exponencial tem a seguinte forma algébrica:
y = k·ax
Em que ‘k’ é uma constante diferente de zero (k ≠ 0) e ‘a’ é uma constante
positiva (a > 0) e diferente de 1 (a ≠ 1).
O gráfico da Função da Função exponencial tem a seguinte forma:
Quando a > 1 (a = 2 no gráfico da esquerda), a função é crescente. E quando
‘a’ está no intervalo 0 1), a função é crescente. Portanto a evolução do
número de bactérias é crescente.
Para calcular o número de bactérias no início do experimento, temos que fazer
x = 0 na função:
y = 100·20 = 100·1 = 100
Logo, o número de bactérias no início do experimento é 100.
Para calcular o número de bactérias na 6a semana, temos que fazer x = 6 na
função:
y = 100·26 = 100·64 = 6400
Logo, o número de bactérias na 6a semana é igual a 6400.
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PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 5: OPERAÇÕES COM FUNÇÕES
29
AULA 5 OPERAÇÕES COM FUNÇÕES
Considere uma função y= f(x). A função inversa de y = f(x), representada
por y-1 = f-1(y) = x, é uma operação matemática que inverte o domínio e a imagem
da função original (ou seja, o domínio passa a ser a imagem e vice-versa).
Observe que na função original y = f(x) o conjunto A é o domínio (x é o termo
independente) e B é a imagem (y é o termo dependente). Por outro lado, na função
inversa x = f-1(y) o conjunto B passa a ser o domínio (y é o termo independente) e
A passa a ser imagem (x é o termo dependente).
Isso significa que, para se obter a função inversa, basta trocar as variáveis x e
y.
Considere a seguinte função:
y = 2x + 3
Obtenha a sua função inversa.
Temos que trocar as variáveis x e y, ou seja:
x = 2y + 3
Agora, precisamos isolar o y:
2y + 3 = x
2y = x – 3
𝑦−1 =
x − 3
2
Função Inversa
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PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 5: OPERAÇÕES COM FUNÇÕES
30
A função composta, também conhecida como composição de funções, é uma
operação matemática que envolve a substituição da variável independente de uma
função por outra função.
Considere duas funções f(x) e g(x). A função g(f(x)) é uma função composta,
na qual o termo independente de g(x) foi substituído pela função f(x).
Note que o conjunto A é o domínio da função f(x) = y, no qual a imagem é
dada pelo conjunto B. Porém, olhando para os conjuntos B e C, temos que B que é
igual a y = f(x) passa a ser o domínio de g(x), em que a imagem é dadapelo conjunto
C.
É importante observar que podemos também calcular as seguintes funções
compostas: f(g(x)), f(f(x)), g(g(x))...
Considere as seguintes funções:
f(x) = 2x + 3 g(x) = 5x
Determine as seguintes funções compostas g(f(x)) e f(g(x)).
Para calcular g(f(x)), temos que colocar a função f(x) no lugar do x da função
g(x). Assim:
g(f(x)) = 5 f(x) = 5 (2x + 3) = 10x + 15
Para calcular f(g(x)), temos que colocar a função g(x) no lugar do x da função
f(x). Assim:
f(g(x)) = 2 g(x) + 3 = 2·5x + 3 = 10x + 3
Função Composta
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 5: OPERAÇÕES COM FUNÇÕES
31
Considere o seguinte exemplo: O custo de produção de uma empresa é dado
por C = 10P + 5000, em que P é o custo por produto. Sabe-se que o custo do produto
dessa empresa é expresso por P = 25m + 50, em que m é o custo da matéria-prima.
Nessas condições, obtenha a função do custo de produção em função do custo da
matéria-prima.
Note que, para obter C em função de m precisamos substituir o P = 25m + 50
na função de C, ou seja:
C = 10P + 5000 = 10 (25m + 50) + 5000 = 250m + 500 + 5000 = 250m +5500
Logo, o custo de produção em função do custo da matéria-prima é expresso
pela seguinte função C = 250m +5500.
Considere as seguintes funções:
f(x) = 3x – 2 g(x) = x2 + 1
Determine as seguintes funções compostas g(f(x)) e f(g(x)).
Para calcular g(f(x)), temos que colocar a função f(x) no lugar do x da função
g(x). Assim:
g(f(x)) = f(x)2 + 1 = (3x – 2)2 + 1 = 9x2 – 6x + 4 + 1 = 9x2 – 12x + 5
Para calcular f(g(x)), temos que colocar a função g(x) no lugar do x da função
f(x). Assim:
f(g(x)) = 3 g(x) – 2 = 3 (x2 + 1) – 2 = 3x2 + 3 – 2 = 3x2 + 1
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PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 6: PORCENTAGEM
32
AULA 6 PORCENTAGEM
A porcentagem é uma medida usada para expressar uma proporção ou uma
relação entre uma parte e um todo, em termos percentuais.
Algumas situações comuns em que a porcentagem é usada incluem:
Crescimento e Decréscimo: Em estudos demográficos ou econômicos, o
crescimento ou decréscimo percentual é frequentemente utilizado para
expressar mudanças em populações, taxas de produção, entre outros.
Taxas de Juros: Em finanças, as taxas de juros em empréstimos ou
investimentos são frequentemente expressas em termos percentuais.
Probabilidades: Em estatísticas e probabilidade, as chances de eventos são
frequentemente expressas em porcentagens.
O termo "porcentagem" deriva de "por cento", que significa "por cada cento".
Ela é representada pelo símbolo "%".
A expressão p%, que se lê “p por cento”, é chamada taxa percentual. Por
exemplo, 30% (trinta por cento), 25% (25 por cento) e 12,5% (doze e meio por
cento) são taxas percentuais, pois são representadas através do símbolo da
porcentagem.
Note que % significa por cento (ou “por cem”), isto é, divido por 100. Logo:
30% =
30
100
= 0,3
25% =
25
100
= 0,25
12,5% =
12,5
100
= 0,125
Os valores 0,3, 0,25 e 0,125 são conhecidos como taxas unitárias, e foram
obtidos ao transformar a porcentagem na sua forma decimal.
O que é Porcentagem?
Porcentagem x Decimal
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 6: PORCENTAGEM
33
Portanto, temos uma forma percentual (30%, 25% e 12,5%) e uma forma
decimal (0,3, 0,25 e 0,125).
Para converter um número da forma percentual (p%) para a forma decimal
(d), devemos dividi-lo por 100:
d =
p
100
E para converter um número da forma decimal (d) para a forma percentual
(p%) basta multiplica-lo por 100:
p% = d ∙ 100
Converta os seguintes números para a forma decimal:
10% =
10
100
= 0,1
2% =
2
100
= 0,02
95,75% =
95,75
100
= 0,9575
Converta os seguintes números para a forma percentual: 0,1, 0,02 e 0,9575.
0,1 ∙ 100 = 10%
0,02 ∙ 100 = 2%
0,9575 ∙ 100 = 95,75%
Note que voltamos para os valores percentuais do enunciado do exercício
anterior.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 6: PORCENTAGEM
34
Em muitas situações, queremos calcular a porcentagem de um valor.
Por exemplo: calcule 15% de 800.
Existem diversas maneiras de fazer esse cálculo. Vamos começar usando a
Regra de Três que nós já conhecemos.
100% 800
15% x
Dessa forma, temos que:
100
15
=
800
x
Que resulta em:
x = 800 ∙
15
100
Ou seja, para calcular 15% de 800, basta multiplicar 800 por 15/100 (ou por
0,15 na forma decimal).
x = 800 ∙
15
100
= 800 ∙ 0,15 = 120
Por exemplo: calcule 30% de 1500.
1500 ∙
30
100
= 1500 ∙ 0,3 = 450
Por exemplo: calcule 10% de 350.
350 ∙
10
100
= 350 ∙ 0,1 = 35
Cálculo da porcentagem de um valor
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 6: PORCENTAGEM
35
Em algumas situações, queremos calcular o valor final após um aumento
percentual do valor inicial.
Por exemplo: Um produto com preço R$ 600,00 sofreu um acréscimo de 18%.
Calcule o seu novo preço.
Para isso podemos calcular qual foi o valor do acréscimo:
600 ∙
18
100
= 600 ∙ 0,18 = 108
Em seguida, somamos esse valor ao valor inicial:
600 + 108 = 708
Logo, o novo preço do produto é R$ 708,00.
Outra forma de fazer esse cálculo é considerando o fator de correção:
f = 1 +
p
100
Nesse caso, temos o seguinte fator de correção:
f = 1 +
18
100
= 1 + 0,18 = 1,18
Como o fator de correção é maior do que 1, ele está representado um acréscimo
percentual de 0,18 (18%). Com isso:
600 ∙ 1,18 = 708
Que é o mesmo preço calculado.
Usar o fator de correção é importante para os cálculos envolvendo juros, que
são típicos da matemática financeira.
Cálculo do acréscimo percentual
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 6: PORCENTAGEM
36
Considere outro exemplo: Um curso possui 300 alunos e é esperado um
aumento de 20% para o próximo semestre. Qual é o número esperado de alunos?
Solução 1:
300 ∙
20
100
= 300 ∙ 0,2 = 60
300 + 60 = 360
Solução 2:
f = 1 +
2
100
= 1 + 0,2 = 1,2
300 ∙ 1,2 = 360
Em algumas situações, queremos calcular o valor final após um desconto
percentual do valor inicial.
Por exemplo: Um produto com preço R$ 600,00 sofreu um desconto de 18%.
Calcule o seu novo preço.
Para isso podemos calcular qual foi o valor a ser reduzido:
600 ∙
18
100
= 600 ∙ 0,18 = 108
Em seguida, subtraímos esse valor do valor inicial:
600 − 108 = 492
Logo, o novo preço do produto é R$ 492,00.
Outra forma de fazer esse cálculo é considerando o fator de correção:
f = 1 −
p
100
Nesse caso, temos o seguinte fator de correção:
f = 1 −
18
100
= 1 − 0,18 = 0,82
Como o fator de correção é menor do que 1, ele está representado um desconto
percentual de 0,18 (18%).
Cálculo do desconto percentual
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 6: PORCENTAGEM
37
Com isso:
600 ∙ 0,82 = 492
Que é o mesmo preço calculado.
Considere outro exemplo: Um curso possui 300 alunos e é esperado uma
redução de 20% para o próximo semestre. Qual é o número esperado de alunos?
Solução 1:
300 ∙
20
100
= 300 ∙ 0,2 = 60
300 − 60 = 240
Solução 2:
f = 1 −
2
100
= 1 − 0,2 = 0,8
300 ∙ 0,8 = 240
Por fim, tem casos em que queremos calcular o percentual (quantos por cento)
um valor representa de uma valor total.
Considere ‘v’ o valor parcial e ‘t’ o valor total, temos que a porcentagem na
forma decimal (d) e na forma percentual (p%) são:
d =
v
t
p% = d ∙ 100
p% =
v
t
∙ 100
Cálculo da porcentagem
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 6: PORCENTAGEM
38
Por exemplo: 182 corresponde a quanto por cento de 650?
Na forma decimal:
d =
v
t
=
182
650
= 0,28
Na formapercentual:
p% = d ∙ 100 = 0,28 ∙ 100 = 28%
Ou, calculando-se diretamente:
p% =
v
t
∙ 100 =
182
650
∙ 100 = 0,28 ∙ 100 = 28%
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PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 7: JUROS
39
AULA 7 JUROS
Os Juros referem-se ao custo do dinheiro ao longo do tempo. Eles são uma
compensação que uma pessoa, empresa ou governo paga pelo uso de dinheiro
emprestado. Quando você empresta dinheiro ou toma empréstimo, os juros
representam o pagamento adicional que deve ser feito além do valor principal.
São três fatores que influenciam no valor dos juros:
Taxa de juros: quanto maior a taxa de juros, maior o valor dos juros.
Tempo: quanto mais tempo durar a dívida (do empréstimo ou do valor
emprestado), maior será o valor dos juros.
Valor presente: quanto maior for o valor presente (também chamado de valor
inicial ou principal), maior será o valor dos juros.
Alguns cuidados que devemos ter ao tomar empréstimos, financiamentos ou
optar por pagamentos parcelados:
Se pagarmos um valor de entrada, os juros devem ser menores: os juros
são calculados sobre a dívida. Se o valor de um produto for R$ 2.000,00, então
os juros serão calculados sobre R$ 2.000,00. Mas se pagarmos uma entrada
de R$ 1.500,00, então os juros devem ser calculados em cima de R$ 500,00
(que é a dívida, ou seja, o valor presente).
Só pague parcelas duplicadas se você receber algum desconto: é muito
comum a prática de se pagar de 2 em 2, ou de 3 em 3 parcelas para abater a
dívida mais rápido. Entretanto, essa prática só é vantajosa se você receber
algum desconto pela antecipação da parcela. Lembre-se que se você estiver
pagando a parcela antecipadamente, o tempo da dívida será menor, e portanto
os juros devem ser menores.
Se abatermos parte da dívida, o valor das parcelas deve ser
recalculado: se você fizer um abatimento do valor da dívida, as parcelas
restantes devem ser recalculadas com base no novo saldo devedor. O
abatimento da dívida reduz o valor presente, o que, por sua vez, reduz os juros.
O que são juros?
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 7: JUROS
40
No regime de juros simples, não há capitalização dos juros no final de cada
período, só no final do prazo. Isso quer dizer que os juros simples são calculados
unicamente sobre o valor presente (VP), também denominado valor inicial ou
principal.
O montante de juros (J), ou simplesmente juros, de um valor presente (PV)
durante um período (t) a uma taxa de juros (r), é calculado como:
J = VP·t·r
Além disso, o valor futuro (VF), também é denominado valor final ou montante,
pode ser calculado através de:
VF = VP + J
VF = VP·(1 + t·r)
Considere o exemplo: Calcule os juros simples e o montante (valor futuro) de
um capital (valor presente) de R$ 10.000,00 aplicados por 5 meses, a uma taxa de
juros de 5% ao mês, no regime de juros simples.
Temos que VP = 10000, t = 5 meses e r = 5/100 = 0,05. Assim:
J = VP·t·r = 10000·5·0,05 = 2500
Logo, os juros são de R$ 2.500,00. O valor final pode ser obtido através de:
VF = VP + J = 10000 + 2500 = 12500
Ou através de:
VF = VP (1 + t·r) = 10000·(1 + 5·0,05) = 10000·(1 + 0,25) = 10000·1,25 = 12500
Que resulta em um montante (valor final) de R$ 12.500,00.
Observe que a taxa de juros no período de 5 meses foi de 5·5% = 25%. Isso
significa que a taxa de juros semestral será de: 6·5% = 30% por semestre; a taxa
de juros anual será de 12·5% = 60% ao ano; e que a taxa de juros diária será de
5%/30 = 0,17% ao dia.
Juros Simples
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 7: JUROS
41
Em alguns casos, o tempo pode ser a incógnita a ser calculada. Isolando t na
fórmula do valor final, temos:
t =
VF
VP − 1
r
Considere o exemplo: João fez um empréstimo de R$ 3.000,00 reais, no regime
de juros simples, e só vai pagá-lo quando o montante chegar a R$ 3.600,00. Sabendo
que a taxa de juros é de 4% ao mês, em qual mês João deverá pagar o seu
empréstimo?
Temos que VP = 3000, VF = 3600 e r = 4/100 = 0,04. Assim:
t =
VF
VP − 1
r
=
3600
3000 − 1
0,04
=
1,2 − 1
0,04
=
0,2
0,04
= 5
Logo, João só irá pagar o seu empréstimo no mês 5.
Em alguns casos, a taxa de juros pode ser a incógnita a ser calculada. Isolando
r na fórmula do valor final, temos:
r =
VF
VP − 1
t
Considere o exemplo: Um capital de R$ 500,00 produziu em 1 semestre um
montante de R$ 590,00. Qual a taxa de juros simples mensal aplicada?
Temos que VP = 590, VF = 500 e t = 6 meses. Assim:
r =
VF
VP − 1
t
=
590
500
− 1
6
=
1,18 − 1
6
=
0,18
6
= 0,03
Logo, a taxa de juros simples é de 0,03·100% = 3% ao mês.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 1 – MATEMÁTICA BÁSICA
AULA 7: JUROS
42
No regime de juros compostos há capitalização dos juros no final de cada
período. Isso quer dizer que os juros compostos são calculados, em cada período,
sobre o montante do período anterior.
O valor futuro (VF), também é denominado valor final ou montante, pode ser
calculado através de:
VF = VP·(1 + r)t
Considere novamente o exemplo: Calcule o montante (valor futuro) de um
capital (valor presente) de R$ 10.000,00 aplicados por 5 meses, a uma taxa de juros
de 5% ao mês, no regime de juros compostos.
Temos que VP = 10000, t = 5 meses e r = 5/100 = 0,05. Assim:
VF = VP (1 + r)t = 10000·(1 + 0,05)5 = 10000·(1,05)5 = 10000·1,276282 =
12762,82
Que resulta em um montante (valor final) de R$ 12.762,82.
Note que o resultado encontrado no regime de juros compostos é maior do que
o calculado para o regime de juros simples. Isso ocorre, pois nos juros compostos os
juros são aplicados em cada período, como pode ser observado na tabela a seguir:
Juros Simples Juros Compostos
Juros Compostos
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 1: ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA
43
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 1 ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA
A Estatística é uma disciplina da matemática que envolve a coleta, análise,
interpretação, apresentação e organização de dados. Ela é utilizada para extrair
informações de conjuntos de dados, para entender padrões, fazer inferências sobre
populações, tomada de decisão, além da realização de previsões.
A estatística é bastante robusta, sendo amplamente aplicada em diversas
áreas, tais como ciências sociais, ciências naturais, economia, medicina, engenharia,
entre outras. Ela é usada em situações diversas, desde estudos científicos e
pesquisas de mercado até análise financeira.
Um conceito básico da estatística é o de População, também chamada de
Universo Estatístico, a qual consiste no conjunto de elementos que possui ao
menos uma característica comum observável. Exemplos – Alunos do ensino médio
de uma cidade: a população são todos os alunos do ensino médio da cidade; Peças
fabricadas ao longo do dia: a população são todas as peças fabricadas nesse dia.
Nesse sentido, existem dois métodos de coleta de dados em estatística:
Censo: Envolve a coleta de dados de todos os elementos de uma população.
o Objetivo: Obter informações detalhadas e precisas sobre toda a
população.
o Vantagem: Informações precisas, eliminando qualquer margem de erro.
o Desvantagem: Em geral, são caros e demorados, especialmente em
populações grandes.
Amostragem: Envolve a coleta de dados de apenas uma parte representativa
da população, chamada amostra.
o Objetivo: Inferir características da população com base nas
características observadas na amostra.
o Vantagem: É mais eficiente em termos de custo e tempo.
o Desvantagem: Envolve a introdução de uma margem de erro estatística,
uma vez que os resultados da amostra podem não representar
precisamente a totalidade da população.
O que é Estatística?
LIVRO DECIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 1: ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA
44
A amostra é selecionada através de um processo de amostragem, para garantir
que ela seja representativa da população (e daí os resultados encontrados para ela
possam estimar o comportamento da população).
A partir daí podemos dividir a estatística em duas grandes categorias:
Estatística Descritiva e Estatística Inferencial.
Estatística Descritiva: Tem como objetivo descrever e resumir os principais
aspectos de um conjunto de dados. Ela envolve a organização, resumo e
apresentação dos dados de forma que seja fácil compreender as principais
características (por meio de gráficos e tabelas) e medidas (como como médias,
medianas, moda, desvios padrão). Sendo assim, ela é usada para simplificar e
apresentar dados de maneira compreensível, tornando-os mais acessíveis para
análise e interpretação.
Estatística Inferencial: Visa fazer inferências ou estimativas sobre uma
população com base na análise de uma amostra representativa. Ela envolve a
aplicação de probabilidades e modelos estatísticos em dados amostrais para
tirar conclusões sobre a população. Ela é comumente usada em pesquisa
científica, negócios e tomada de decisões.
Resumindo, a estatística descritiva descreve e resume dados, enquanto a
estatística inferencial faz inferências sobre uma população com base em uma amostra
representativa.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 1: ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA
45
Outro aspecto importante são as variáveis, que consistem em características
ou propriedades que podem ser medidas, observadas ou manipuladas em um estudo.
Elas são fundamentais na coleta e análise de dados estatísticos. As variáveis podem
ser classificadas como:
Variáveis Qualitativas: representam categorias (não numérica).
o Nominais: São variáveis que representam categorias ou rótulos sem uma
ordem específica. Exemplos: cor dos olhos, gênero, tipo sanguíneo.
o Ordinais: Representam categorias com uma ordem intrínseca, mas a
distância entre os valores não é significativa. Exemplos: níveis de
satisfação (baixo, médio, alto), classificação educacional (A, B, C).
Variáveis Quantitativas: representam valores (numérica).
o Discretas: São variáveis que assumem valores inteiros e não podem ser
subdivididas infinitamente. Exemplos: número de filhos em uma família,
número de carros em um estacionamento.
o Contínuas: Representam medidas que podem assumir qualquer valor
dentro de um intervalo. Exemplos: altura, peso, temperatura.
Uma série estatística, também conhecida como distribuição de frequência,
é uma organização sistemática de dados em categorias, juntamente com as
frequências correspondentes (número de observações) em cada categoria. Ela
apresenta um conjunto de dados estatísticos em função do tempo, local ou espécie.
Série Temporal: É uma coleção de dados observados ou medidos
sequencialmente ao longo do tempo. O tempo é a variável independente.
Exemplos: Dados financeiros diários de uma ação, temperatura mensal ao
longo de um ano, vendas mensais de um produto.
Série Estatística
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 1: ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA
46
Série Geográfica: É uma coleção de dados associados a diferentes
localizações geográficas. A localização é a variável independente.
Exemplos: População por estado em um país, precipitação anual por cidade,
vendas por região.
Série Específica: é uma coleção de dados relacionados a uma característica
específica de uma população. A espécie é a variável independente.
Exemplos: Cursos mais escolhidos entre os jovens, consumo de energia por
setor industrial, produtos mais vendidos em determinado ano. Em suma, se não for
nem local e nem tempo, então é espécie.
Série Conjugada: apresentam duas ou mais séries em uma mesma tabela,
havendo duas ordens de classificação: uma horizontal (linhas) e outra vertical
(colunas).
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 1: ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA
47
A série estatística, também chamada de distribuição de frequências, é um tipo
de tabela que condensa uma série de dados de acordo com a repetição de seus
valores (frequências).
Dados Brutos ou Tabela Primitiva: Trata-se de uma relação de elementos
ou tabela que não foram numericamente organizados. Ou seja, são os dados
coletados sem nenhuma arrumação.
Apenas olhando para os números, é difícil ter uma ideia do seu comportamento.
Não sabemos, por exemplo, quem é o menor, quem é o maior, quais são os números
que mais se repetem, etc.
Rol: É a relação obtida após a ordenação dos dados (crescente ou
decrescente).
A ordenação dos dados permite uma melhor visualização do seu
comportamento. Percebemos, desta forma, os dados que mais se repetem, os que
aparecem menos, quem é o menor deles e quem é o maior, etc.
Série Estatística ou Distribuição de Frequências: Trata-se de uma
condensação dos dados, conforme as repetições de seu valores. A tabela
resultante é conhecida como Tabela Primitiva.
Dados Frequência
21 3
22 2
23 1
24 1
25 1
26 2
30 2
31 1
32 1
34 1
37 1
38 2
40 2
Total 20
Construindo uma Série Estatística
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 1: ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA
48
No exemplo dado, ao invés de escrevermos o número 21 três vezes,
escrevemos apenas uma e indicamos que ele se repete três vezes, ou seja, a
frequência do número 21 é igual a três.
A frequência apresentada na tabela é chamada de frequência simples, pois
consiste na simples repetição de um valor.
Frequência simples relativa: É o número de observações de um valor ou de,
em relação ao número total de observações.
𝑓𝑟𝑖 =
𝑓𝑖
𝑛
Dados Frequência Frequência
Relativa
Frequência
Relativa (%)
21 3 0,15 15
22 2 0,1 10
23 1 0,05 5
24 1 0,05 5
25 1 0,05 5
26 2 0,1 10
30 2 0,1 10
31 1 0,05 5
32 1 0,05 5
34 1 0,05 5
37 1 0,05 5
38 2 0,1 10
40 2 0,1 10
Total 20 1 100
Frequência acumulada: É a soma de todas as frequências simples até o valor
atual (é a frequência simples atual somada com a acumulada anterior).
Dados Frequência Frequência
Relativa
Frequência
Relativa (%)
Frequência
Acumulada
21 3 0,15 15 3
22 2 0,1 10 5
23 1 0,05 5 6
24 1 0,05 5 7
25 1 0,05 5 8
26 2 0,1 10 10
30 2 0,1 10 12
31 1 0,05 5 13
32 1 0,05 5 14
34 1 0,05 5 15
37 1 0,05 5 16
38 2 0,1 10 18
40 2 0,1 10 20
Total 20 1 100 -
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 1: ELEMENTOS DA ESTATÍSTICA DESCRITIVA
49
Frequência acumulada relativa: É a frequência acumulada de um valor
dividida pela frequência total.
Dados Frequência Frequência
Relativa
Frequência
Relativa (%)
Frequência
Acumulada
Frequência
Acumulada
Relativa
Frequência
Acumulada
Relativa (%)
21 3 0,15 15 3 0,15 15
22 2 0,1 10 5 0,25 25
23 1 0,05 5 6 0,30 30
24 1 0,05 5 7 0,35 35
25 1 0,05 5 8 0,40 40
26 2 0,1 10 10 0,50 50
30 2 0,1 10 12 0,60 60
31 1 0,05 5 13 0,65 65
32 1 0,05 5 14 0,70 70
34 1 0,05 5 15 0,75 75
37 1 0,05 5 16 0,80 80
38 2 0,1 10 18 0,9 90
40 2 0,1 10 20 1 100
Total 20 1 100 - - -
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 2: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA
50
AULA 2 REPRESENTAÇÃO GRÁFICA
Os gráficos são ferramentas visuais para a apresentação e interpretação de
dados estatísticos. Eles são uma representação visual que facilita a compreensão de
padrões, tendências e relações entre os dados.
A escolha do gráfico apropriado depende do tipo de dados, da mensagem que
se deseja transmitire dos objetivos da análise. Cada tipo de gráfico destaca
diferentes aspectos dos dados e pode ser utilizado para diferentes finalidades de
comunicação.
Conecta pontos de dados por linhas, sendo eficaz para mostrar tendências ao
longo do tempo.
São frequentemente usados para a representação de séries cronológicas com
um grande número de períodos. Também são ideais quando há necessidade de se
representarem várias séries em um mesmo gráfico.
O que são Gráficos?
Gráfico de linhas
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 2: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA
51
Representa categorias discretas com barras retangulares, sendo a altura
proporcional à frequência de cada categoria. As barras podem ser verticais ou
horizontais. Esse tipo de gráfico é útil para destacar a diferença entre as categorias.
Exemplo: O gráfico a seguir diz respeito aos resultados obtidos por uma turma
de alunos de um curso preparatório específico para professor de educação básica.
Calcule as frequências relativas percentuais.
Temos que o total é 2 + 4 + 6 + 1 = 13. Assim:
Ruim: 2/13 = 0,1538 = 15,38%
Bom: 4/13 = 0,3077 = 30,77%
Ótimo: 6/13 = 0,4615 = 46,15%
Excelente: 1/13 = 0,077 = 7,7%
Gráficos em barras
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 2: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA
52
Divide um círculo em setores, onde cada setor representa uma categoria e o
ângulo é proporcional à frequência. Eles são adequados para mostrar como cada
parte contribui para o todo.
Estes gráficos são construídos em uma circunferência. O total é representado
pelos 360 graus de um círculo, que fica dividido em tantos setores quantas são as
partes. Os setores são tais que seus ângulos são respectivamente proporcionais aos
dados da série.
Representa a distribuição de uma variável contínua em intervalos (barras
adjacentes), com a altura das barras indicando a frequência.
Gráficos em setores (pizza)
Histograma
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 2: REPRESENTAÇÃO GRÁFICA
53
Observe que 5 funcionários recebem salário na faixa de 0 até 2000, 30
funcionários na faixa de 2000 até 4000, 25 na faixa de 4000 até 6000...
Considere o exemplo: Um pesquisador coletou dados sobre os níveis de glicose
em um grupo de pacientes diabéticos ao longo de um mês. Os valores de glicose (em
mg/dL) foram registrados diariamente. O pesquisador criou um histograma para
representar visualmente a distribuição desses valores.
Note que o eixo horizontal representa os intervalos enquanto o eixo vertical
representa o número de pacientes. Nessas condições, responda:
Qual é o intervalo com maior número de pacientes?
O intervalo de 100 até 110.
Quantos pacientes tem glicose entre 60 e 80?
12 + 21 = 33 pacientes.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 3: MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
54
AULA 3 MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL
As Medidas de Tendência Central são denominadas dessa forma devido aos
dados observados tenderem, em geral, a se agrupar em torno dos valores centrais.
Elas representam o valor central ou típico de um conjunto de dados.
As medidas de tendência central são essenciais para resumir e descrever a
distribuição dos dados, oferecendo uma única medida que representa, de certa
forma, a "posição central" dos valores. As três principais medidas de tendência
central são média aritmética, moda e mediana.
A média aritmética é a soma de todos os valores em um conjunto de dados
dividida pelo número total de observações.
X̅ =
x1 + x2 + x3 + ⋯ + xn
n
Uma característica da média aritmética é que ela é sensível a todos os valores,
incluindo valores extremos.
Considere o exemplo: Um aluno de determinada instituição de ensino tirou as
seguintes notas em estatística: 7, 10 e 6. Sabendo-se que a nota final desse aluno é
calculada através da média aritmética das três avaliações feitas no período, calcule
a sua média final.
A média final desse aluno é igual a:
X̅ =
x1 + x2 + x3
n
=
7 + 10 + 6
3
=
23
3
= 7,7
Logo, a sua média final foi 7,7.
O que são medidas de tendência central?
Média Aritmética
CURSOS DE ENGENHARIA
LIVRO DE INTRODUÇÃO À ENGENHARIA
AULA 11: NOÇÕES DE FILOSOFIA
55
No caso de os dados estarem agrupados na forma de série estatística, a média
aritmética é calculada através da média aritmética ponderada:
X̅ =
f1 ∙ x1 + f2 ∙ x2 + f3 ∙ x3 + ⋯ + fn ∙ xn
𝑓1 + f2 + f3 + ⋯ + fn
Considere o exemplo: A tabela a seguir apresenta a distribuição relativa a 38
crianças pacientes de uma clínica pediátrica com idades entre 0 e 4 anos.
Calcule a idade média das crianças atendidas nessa clínica.
A idade média é igual a:
X̅ =
f1 ∙ x1 + f2 ∙ x2 + f3 ∙ x3 + f4 ∙ x4 + f5 ∙ x5
𝑓1 + f2 + f3 + f4 + f5
=
2 ∙ 0 + 6 ∙ 1 + 12 ∙ 2 + 14 ∙ 3 + 4 ∙ 4
38
=
=
0 + 6 + 24 + 42 + 16
38
=
88
38
= 2,3
A idade média das crianças atendidas nessa clínica é de 2,3 anos.
A Moda é o valor que ocorre com mais frequência em um conjunto de dados,
isto é, é aquele que mais se repete.
Por exemplo: o produto mais vendido, a série de streaming mais assistida e o
alimento mais pedido em uma lanchonete.
A moda de uma série de dados é facilmente encontrada: é o valor que mais
aparece. Uma distribuição pode ter nenhuma moda (amodal), uma moda (unimodal),
duas modas (bimodal) ou mais modas (multimodal).
Moda
CURSOS DE ENGENHARIA
LIVRO DE INTRODUÇÃO À ENGENHARIA
AULA 11: NOÇÕES DE FILOSOFIA
56
Exemplos:
Na série {6, 7, 9, 11, 11, 11, 12, 12} a moda é igual a 11. A distribuição é
unimodal.
A série {2, 5, 7, 11,12} não possui um número que apareça mais que os outros.
A série é amodal.
A série {2, 3, 4, 4, 4, 5, 6, 7, 7, 7, 8, 9} apresenta duas modas: 4 e 7. A série
é bimodal.
Para dados agrupados em série estatística, a moda corresponde ao valor de
maior frequência.
Considere o exemplo: A tabela a seguir apresenta a série estatística dos
manequins vendidos em uma loja:
Qual é a moda?
A moda nesse caso é 38, pois é o manequim com maior frequência.
A mediana é o valor que divide um conjunto de dados ordenado ao meio, de
tal forma a separá-los em dois subconjuntos contendo o mesmo número de
elementos.
Quando o número de elementos da série é ímpar, o elemento que contém a
mediada é:
e =
n + 1
2
Mediana
CURSOS DE ENGENHARIA
LIVRO DE INTRODUÇÃO À ENGENHARIA
AULA 11: NOÇÕES DE FILOSOFIA
57
Considere o exemplo: Determine a mediana da seguinte série de valores não
ordenados {7, 2, 8, 13, 11, 7, 15, 12, 1}.
O primeiro passo é obter o rol, isto é, construir a série ordenada:
{1, 2, 7, 7, 8, 11, 12, 13, 15}
Como temos ao todo n = 9 valores, o elemento que contém a mediana é:
e =
n + 1
2
=
9 + 1
2
=
10
2
= 5
Ou seja, a mediana será o quinto valor da série ordenada, que é o número 8.
Note que o número 8 divide a série em duas séries de mesmo comprimento (4 valores
para esquerda e 4 valores para a direita).
Quando o número de elementos da série for par, a mediana nunca coincidirá
com um dos elementos da série. Neste caso, a mediana será sempre a média
aritmética dos 2 elementos centrais da série.
Os elementos centrais são obtidos como:
e1 =
n
2
e2 = e1 + 1
Em seguida, é feita a média aritmética do dois valores.
Considere o exemplo: Determine a mediana da seguinte série de valores não
ordenados {1, 2, 0, 0, 2, 4, 4, 3, 6, 4, 5, 6}.
O primeiro passo é obter o rol, isto é, construir a série ordenada:
{0, 0, 1, 2, 2, 3, 4, 4, 4, 5, 6, 6}
Como temos ao todo n = 12 valores, os elementos centrais são:
e1 =
n
2
=
12
2
= 6 e2 = e1 + 1 = 6 + 1 = 7
Ou seja, os elementos centrais são o sexto e o sétimo elemento, ou seja, os
valores3 e 4. Fazendo a média aritmética desses valores centrais:
3 + 4
2
=
7
2
= 3,5
Logo, a mediana dessa série é 3,5.
CURSOS DE ENGENHARIA
LIVRO DE INTRODUÇÃO À ENGENHARIA
AULA 11: NOÇÕES DE FILOSOFIA
58
Para dados agrupados em série estatística, o número de elementos é igual à
soma das frequência. Dessa forma, o elemento central, que divide a série em duas,
é obtido ao dividir a soma das frequências por 2.
Podemos utilizar a frequência acumulada para determinar qual é o valor do
elemento que está posicionado na metade da série e assim, obter a mediana.
Considere o exemplo: A tabela a seguir apresenta a distribuição das avaliações
(de 0 até 5) dadas pelos usuários de certo aplicativo.
Avaliações Usuários
0 2
1 5
2 8
3 15
4 5
5 4
Total 39
Determine a mediana.
O elemento desejado deve estar na posição 39/2 = 19,5.
Obtendo agora a frequência acumulada:
Dados Frequência Frequência Acumulada
0 2 2
1 5 7
2 8 15
3 15 30
4 5 35
5 4 39
Total 39 -
Como 19,5 está contido no intervalo entre 16 e 30, a mediana será o valor 3.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 4: MEDIDAS DE DISPERSÃO
59
AULA 4 MEDIDAS DE DISPERSÃO
Para analisarmos um fenômeno estatístico, não basta obtermos apenas
medidas de posição ou gráficos estatísticos. Para uma análise mais profunda,
devemos saber como esses dados estão distribuídos no todo.
As medidas de dispersão, ou medidas de variabilidade, fornecem uma
descrição de como os dados estão dispersos. Elas fornecem informações sobre a
variabilidade dos dados, permitindo entender quão "espalhados" ou "concentrados"
os valores estão em torno de uma medida central, como média, mediana ou moda.
Por exemplo, observe as duas séries de dados a seguir:
{20, 19, 21, 20, 20} e {20, 10, 30, 5, 35}
Ambas possuem a mesma média de valor 20, porém é fácil perceber que o
conjunto de valores são bastante diferentes: na série da esquerda, os valores estão
muito mais concentrados em tordo da média (20), enquanto na série da direita os
valores estão mais dispersos.
As principais medidas de dispersão incluem a amplitude, a variância, o desvio
padrão e o coeficiente de variação de Pearson.
A amplitude é a diferença entre o maior valor e o menor valor de uma série
de dados, ou seja, é a diferença entre os valores extremos de um conjunto de dados.
A amplitude é a única medida de dispersão que não tem a média como ponto
de referência. Ela é instável, pois só leva em consideração os valores extremos dos
conjuntos de dados, descuidando do conjunto de valores intermediários, por isso é
pouco utilizada.
Uma de suas utilizações é quando queremos determinar a amplitude da
temperatura em um dia, por exemplo, determinando a variação da temperatura
(diferença entre a máxima e a mínima).
O que são medidas de dispersão?
Amplitude
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 4: MEDIDAS DE DISPERSÃO
60
Considere o exemplo: Dada a série {2, 3, 5, 6, 7, 7, 8, 8, 8, 9, 9, 9, 10, 10,
21, 22, 23, 23, 23, 24, 25, 25, 27, 27, 48, 60 e 70}, calcule a amplitude.
Observe que o maior valor da série é 70 e que o menor valor é 2. Portanto, a
amplitude será:
A = 70 – 2 = 68
Assim, a amplitude dessa série de dados é 68.
Considere o exemplo: A tabela a seguir apresenta a série estatística dos
manequins vendidos em uma loja:
Qual é a amplitude?
Analisando a tabela temos que o maior valor da série é 44 e que o menor valor
é 34. Portanto, a amplitude será:
A = 44 – 34 = 10
Assim, a amplitude dos manequins é 10.
A variância mede o grau de variabilidade em torno da média. É a média
aritmética dos quadrados dos desvios (cada valor menos a média).
Diferente da amplitude que se deixa influenciar pelos extremos, a variância
leva em consideração todos os valores da variável em estudo.
Variância
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 4: MEDIDAS DE DISPERSÃO
61
Para dados isolados, a variância é calculada como:
s2 =
(x1 − X̅)2 + (x2 − X̅)2 + (x3 − X̅)2 + ⋯ + (xn − X̅)2
n
Para dados agrupados em séries estatísticas, a variância é calculada como:
s2 =
(x1 − X̅)2 ∙ f1 + (x2 − X̅)2 ∙ f2 + (x3 − X̅)2 ∙ f3 + ⋯ + (xn − X̅)2 ∙ fn
n
Considere o exemplo: Calcule a variância do seguinte conjunto de valores:
{148, 170, 155, 131}
Em primeiro lugar devemos calcular a média:
X̅ =
x1 + x2 + x3 + x4
4
=
148 + 170 + 155 + 131
4
=
604
4
= 151
Em seguida, calculamos a variância:
s2 =
(x1 − X̅)2 + (x2 − X̅)2 + (x3 − X̅)2 + (x4 − X̅)2
4
=
=
(148 − 151)2 + (170 − 151)2 + (155 − 151)2 + (131 − 151)2
4
=
=
(−3)2 + 192 + 42 + (−20)2
4
=
9 + 361 + 16 + 400
4
=
786
4
= 196,5
Assim, a variância será igual a 196,5.
Note que os valores -3, 19, 4 e -20 são os desvios em relação à média. Em
seguida, calculamos a média aritmética dos quadrados dos desvios.
Dessa forma, quanto maior forem os desvios, isto é, quanto maior for a
diferença entre os valores e a média, maior será a variância.
Observe que não importa se o desvio é negativo ou positivo. Como ele é
elevado ao quadrado, a sua contribuição será sempre positiva.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 4: MEDIDAS DE DISPERSÃO
62
Considere o exemplo: A tabela a seguir apresenta a série estatística dos
manequins vendidos em uma loja:
Qual é a variância?
Em primeiro lugar devemos calcular a média:
X̅ =
f1 ∙ x1 + f2 ∙ x2 + f3 ∙ x3 + f4 ∙ x4 + f5 ∙ x5 + f6 ∙ x6
𝑓1 + f2 + f3 + f4 + f5 + f6
=
=
3 ∙ 34 + 9 ∙ 36 + 16 ∙ 38 + 6 ∙ 40 + 4 ∙ 42 + 1 ∙ 44
39
=
=
102 + 324 + 608 + 240 + 168 + 44
39
=
1486
39
= 38,1
Em seguida, calculamos a variância:
s2 =
(x1 − X̅)2 ∙ f1 + (x2 − X̅)2 ∙ f2 + (x3 − X̅)2 ∙ f3 + (x4 − X̅)2 ∙ f4 + (x5 − X̅)2 ∙ f5 + (x6 − X̅)2 ∙ f6
n
=
=
(34 − 38,1)2 ∙ 3 + (36 − 38,1)2 ∙ 9 + (38 − 38,1)2 ∙ 16 + (40 − 38,1)2 ∙ 6 + (42 − 38,1)2 ∙ 4 + (44 − 38,1)2 ∙ 1
39
=
=
(−4,1)2 ∙ 3 + (−2,1)2 ∙ 9 + (−0,1)2 ∙ 16 + 1,92 ∙ 6 + 3,92 ∙ 4 + 5,92 ∙ 1
39
=
=
16,81 ∙ 3 + 4,41 ∙ 9 + 0,01 ∙ 16 + 3,61 ∙ 6 + 15,21 ∙ 4 + 34,81 ∙ 1
39
=
=
50,43 + 39,69 + 0,16 + 21,66 + 60,84 + 34,81
39
=
207,59
39
= 5,32
Assim, a variância dos manequins é igual a 5,32.
LIVRO DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLOGIAS
PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 4: MEDIDAS DE DISPERSÃO
63
O desvio padrão é a medida de dispersão mais empregada, pois leva em
consideração a totalidade dos valores da variável em estudo e o seu resultado está
na mesma unidade de medida da variável.
A variância é uma medida do quadrado do mensurando. Por exemplo, se os
dados estão em metros, então a variância estará em metro quadrado.
Para que os dados de variabilidade tenham a mesma unidade de medida,
precisamos calcular a raiz quadrada da variância. Essa medida de variabilidade é
conhecida como desvio padrão. Note então que o desvio padrão terá a mesma
unidade de medida dos dados analisados.
O desvio padrão é calculado a partir da variância:
s = √s2
Logo, para calcular o desvio padrão é preciso adotar os seguintes passos:
1. Calcular a média;
2. Calcular a variância;
3. Calcular o desvio padrão.
Considere novamente o exemplo: Calcule o desvio padrão do seguinte conjunto
de valores:
{148, 170, 155, 131}
Nós já calculamos a média, seguida da variância, que resultou em 196,5. Dessa
forma, o desvio padrão será:
s = √s2 = √196,5 = 14
Portanto, o desvio padrão desses dados é 14.
Desvio Padrão
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PARTE 2 – ESTATÍSTICA APLICADA
AULA 4: MEDIDAS DE DISPERSÃO
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Considere novamente o exemplo: A tabela a seguir apresenta a série estatística
dos manequins vendidos em uma loja:
Qual é o desvio padrão?
Nós já calculamos a média, seguida da variância, que resultou em 5,32. Dessa