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Foi a partir da Revolução Industrial e do surgimento das máquinas e da produ-
ção em grande escala que se passou a dar a devida importância para os custos 
na atividade das indústrias. Atualmente, com o crescimento do mercado de 
trabalho e o desenvolvimento de tecnologias, as empresas estão buscando 
inovações que possam garantir a melhoria na qualidade dos produtos. E é por 
meio da análise minuciosa dos dados obtidos a partir da gestão de custos que 
se torna possível a inserção de novas tecnologias e estratégias para alavancar o 
Uma organização envolve diversas áreas, situações e demandas que geram 
despesas e custos, sendo esse último um conceito administrativo relacionado 
ao valor de consumo dentro de uma empresa para a produção de bens ou 
serviços. Entende-se por custo direto aquele que é facilmente atribuído ou 
associado a um determinado objeto de custo. Esse conceito engloba a mão de 
obra direta e os materiais diretos, podendo ser considerados os materiais que 
foram utilizados na produção. O custo direto não necessita de critérios para 
rateio e mantém uma correspondência proporcional ao volume de produção 
ou serviço. Um objeto de custo, nesse sentido, vai ser qualquer elemento sobre 
o qual se deseja obter dados de custo, podendo ser produtos, clientes, ordens 
de produção, unidades organizacionais menores, entre outros. Para atribuir os 
custos a objetos de custos, eles devem ser classificados como custos diretos 
ou indiretos, conforme Garrison, Noreen e Brewer (2013).
Um exemplo de custo direto é quando uma marca determinada tem diversas 
filiais, sendo elas regionais, nacionais e, também, internacionais. Cada gerente 
de cada filial vai ganhar um determinado salário, que se baseia diretamente 
na quantidade de vendas que a filial teve. 
Ao contrário do conceito de custo direto, o custo indireto é quando não se 
pode atribuir tão facilmente o custo especificado. Também pode ser encontrado 
com o nome de “custo comum”, podendo ser fixo ou variável. O custo indireto 
necessita de critérios de rateio. Todo setor dentro de uma empresa gera custos 
de uma forma geral. O rateio é uma forma de levantamento desses dados. Com 
ele, a empresa pode mensurar, avaliar e ponderar o quanto cada setor está 
gerando de custo. Quando a empresa pensa em fazer algum tipo de mudança 
de estratégia, o rateio torna-se de suma importância para a tomada de decisão. 
 Pode-se tomar como exemplo o funcionamento de uma fábrica. Nela, o 
salário do supervisor, por exemplo, é considerado como custo comum, uma 
vez que sua função é distribuída pela linha de produção, tendo seu custo 
rateado entre os produtos.
O profissional que trabalha com a análise de custos deve levar em con-
sideração os seguintes aspectos para a classificação dos custos em diretos e 
indiretos, conforme Garrison, Noreen e Brewer (2013):
 Matéria-prima e embalagem: são custos facilmente atribuídos aos produ-
tos, pois pode-se mensurar qual o gasto que cada um gerou. Custo direto.
 Mão de obra: da mesma forma, é possível atribuir seu custo a um pro-
duto, pois pode-se mensurar quanto cada funcionário contribuiu para 
a produção de determinado produto/serviço no desempenho de suas 
funções em termos de proporcionalidade. Custo direto.
 Salário da supervisão: este é um item difícil de se atribuir a um único 
produto, pois a supervisão é responsável pela produção geral, e não por 
um produto em particular. Seu custo envolve rateio, ou seja, trata-se 
de um custo indireto.
 Depreciação de máquinas: leva-se em consideração que a empresa se 
deprecia de modo linear, em valores iguais, por um mesmo período. 
Dessa forma, torna-se difícil mensurar a depreciação gerada por cada 
produto/serviço. Seu custo envolve rateio, ou seja, trata-se de um custo 
indireto.
 Energia elétrica: a empresa pode mensurar quanto de energia é gasta 
por cada uma das máquinas que tem à disposição, podendo então ser 
relacionada aos produtos por meio do rateio. Ou seja, trata-se de um 
custo indireto. 
 Aluguel do prédio: não é possível determinar quanto deve ser apropriado 
a cada produto. Seu custo envolve rateio, ou seja, trata-se de um custo 
indireto.
Essas situações são de importante análise para que o profissional possa 
compreender quais elementos, dentro de um funcionamento empresarial, devem 
ser entendidos como custos diretos e indiretos. Considerando que tudo dentro 
de uma empresa gera custos, o entendimento desses dados dá subsídio para 
quaisquer estratégias e tomadas de decisão que possam ser feitas. A Figura 1 
esquematiza a absorção de custos diretos e indiretos nas organizações.
atividade operacional. De forma abrangente, esse tipo de custo é voltado para 
a manutenção, sendo também conhecido como “custo de capacidade”. Pode-se 
de atividade aumentar dentro da fábrica, o aluguel não sofrerá alteração. 
Os valores fixos podem sofrer alterações quando sofrem aumento ou di-
minuição em função da capacidade ou em relação ao intervalo da produção. 
Desse modo, entende-se que um custo é fixo considerando o intervalo de 
produção ou de venda. 
Considera-se variável o custo e a despesa que variam de acordo com o volume 
e a atividade da empresa, como as produções e as vendas. A variação do custo 
variável quando acompanhar de forma proporcional a variação nas atividades 
às quais ele está relacionado.
Esses conceitos são importantes porque são utilizados como base para as 
ferramentas de análise das empresas. 
Os custos primários correspondem à soma dos gastos com matéria-prima e dos 
gastos com mão de obra direta. O custo primário não é sinônimo de custo direto. 
como custo direto, já que não se enquadra nem como matéria-prima, nem como 
mão de obra. Porém, ela não pode ser considerada como custo primário, pois 
Os custos de transformação dizem respeito aos custos de produção, porém não 
englobam a matéria-prima. Pode-se compreendê-los como o custo do esforço 
realizado pelas empresas. Os elementos que formam esse custo — gastos 
com mão de obra e gastos gerais de fabricação — são utilizados para gerar 
o rateio. Para se obter o rateio geralmente são considerados critérios como 
hora-máquina, mão de obra direta, materiais diretos, dentre outros. 
tenha uma boa compreensão sobre alguns conceitos, conforme Garrison, 
Noreen e Brewer (2013). Em decorrência da grande concorrência de mercado, 
os custos, baseando suas decisões estratégicas nos resultados obtidos nessas 
o patrimônio da empresa, já que os resultados dessa análise correspondem à 
variação do bem patrimonial. 
sempre ter claros os seus objetivos e resultados. Pensando na concorrência, 
a tomada de decisão deve ser feita de forma precisa, para que a empresa não 
perca lucros por se basear em ferramentas inadequadas ou por aplicá-las de 
forma incorreta.
Segundo Marques (2013), a contabilidade mercantilista beneficiava em-
presas comerciais, não levando em consideração as indústrias. Naturalmente, 
com o desenvolvimento global, foi preciso repensar as ferramentas que seriam 
utilizadas para auxiliar na tomada de decisão de cada empresa ou fábrica. É 
importante salientar que essa prática contábil surgiu a partir da necessidade de 
se poder mensurar o desempenho de cada empresa com base nos seus custos. 
Assim, passou a ser utilizada uma classificação para cada custo, tendo como 
objetivo identificar e avaliar os processos que ocorrem dentro das empresas. 
Essa classificação permite a escolha da melhor ferramenta para a tomada de 
decisão.
Nesse sentido, a gestão estratégia de custos (GEC) tem grande impor-
tância pelo fato de que, por meio dela, e dos dados por ela obtidos, o corpo 
administrativo pode ponderar sobre quanto, como e em qual setor deverá ser 
investido e/ou modificado algum aspecto. Ainda sobre a GEC, ressalta-se que 
ela pode ser utilizada como uma espécie de controle sobre o funcionamento da 
empresa e de alguns setores. Isso se deve justamente aos dados apresentados 
por meio dessa gestão, que apontam incoerências e permitem que a empresa 
reduzagastos desnecessários. 
Sabe-se que o mercado é dinâmico e que é de fundamental importância 
ter conhecimento sobre os fatores que afetam o custo antes de tomar algum 
tipo de decisão sobre a empresa. Entender esse conceito faz com que se possa 
tomar uma decisão coesa, com base no ciclo de vida da empresa, conforme 
leciona Marques (2013).
Dentre as ferramentas que foram desenvolvidas para melhor auxiliar na 
tomada de decisão, está o custeio baseado em atividades, conhecido pela sigla 
ABC (do inglês activity based costing). A ferramenta ABC foi criada na década 
de 1980 pelo professor Robert Kaplan juntamente com o professor Robin 
Cooper. Ambos tinham como objetivo poder mensurar os custos indiretos 
fixos dos produtos. Naturalmente, a ferramenta mencionada também pode 
ser utilizada para custos diretos. 
Um dos maiores benefícios encontrados na utilização dessa ferramenta é 
a linguagem acessível, aproximando-se facilmente também das áreas opera-
cionais. Com ela, tem-se o entendimento de que tudo pode gerar um custo, e 
esse custo gera valor ao cliente. Essa ferramenta se baseia no agrupamento 
de itens gerados por uma empresa, sendo a sua utilização mais comum para 
o controle de produtos em estoque, visando a evitar gastos desnecessários, 
sem prejudicar os clientes. 
Outra ferramenta que tem como finalidade gerir os custos estrategicamente 
é chamada Unidade de Esforço de Produção (UEP), que teve aprimoramento 
no Brasil, mais especificamente na Universidade Federal do Rio Grande 
do Sul (UFRGS) e na Universidade Federal de Santa Catarina (UFCS). Em 
decorrência disso, acabou sendo disseminada de forma mais abrangente na 
região sul do Brasil. Embora esse sistema tenha sido difundido no Brasil, ele 
foi desenvolvido pelo francês Georges Perin no período da Segunda Guerra 
sistema, acabou modificando o método em alguns pontos. Foi na década de 
1960 que essa ideia chegou ao Brasil. 
A UEP acaba dando mais ênfase ao custo de transformação para basear os 
seus cálculos. Com isso, considera fatores como mão de obra direta e indireta, 
produção, manutenção de maquinário, etc. É um método considerável quando 
a empresa produz um único produto; no entanto, para uma empresa com 
diversas produções, a sua utilização se torna mais complexa. 
Analisando as duas ferramentas mencionadas, salienta-se novamente a 
importância de escolher com base na demanda da empresa. Observa-se que 
o sistema ABC é considerado para ambos os tipos de produção, ao passo que 
a UEP é recomendada para empresas com uma única linha de produção. É 
essencial que se faça uma escolha consistente, de acordo com a necessidade de 
cada empresa. Com frequência, são encontradas situações em que o sistema 
escolhido não está de acordo com o que é demandado. 
Outra importante estratégia para a classificação de custos e, consequen-
temente, a tomada de decisões efetiva, é a análise de custos. Essa ferramenta 
é utilizada baseando-se nos dados obtidos pela empresa em cada setor. Seu 
objetivo central é poder, a partir dos dados, apontar as possíveis melhorias, 
indicando o setor com maiores gastos e, consequentemente, aumentar os 
lucros da empresa.
Cabe destacar que, para a tomada de decisão, é importante poder fazer 
uma revisão da avaliação dos sistemas que estão sendo utilizados para, assim, 
poder avaliar os custos aplicados até o momento. Isso é feito com relação à 
avaliação dos estoques e à análise dos resultados, com base nos custos fixos e 
variáveis. No método de análise de custos, deve-se levar em conta a avaliação 
da mão de obra, do custo do material direto, da quantidade de funcionários, etc. 
As estratégias de classificação e análise de custos têm como objetivo expor 
toda a sequência de consumo das empresas, desde a chegada da matéria-
-prima, passando pelos processos de produção, distribuição e venda, até o 
momento em que o consumidor final recebe o produto. A visão global dos 
custos da empresa, obtida por meio dessas análises, vai garantir que as deci-
sões estratégicas sejam tomadas com precisão, pois estarão ajustadas às reais 
necessidades da organização. Percebe-se que, em um mercado cada vez mais 
competitivo, essas informações tornam-se de grande valia para a empresa, 
conforme defende Marques (2013).
São muitas as ferramentas que podem auxiliar na gestão e na análise de 
custos. Cada uma pode se tornar mais funcional conforme a demanda de 
cada empresa. Sobretudo, o que fica mais enfatizado é o fato de que, para 
qualquer tomada de decisão, é necessária uma análise aprofundada dos dados 
apresentados pela empresa. É somente a partir da obtenção desses dados, 
considerados estratégicos, que a empresa pode ter a segurança de tomar uma 
decisão coesa. Contando com essa análise, é possível que a empresa possa 
concorrer com outras, pois saberá reconhecer a melhor estratégia de venda 
para o seu produto. 
Noreen e Brewer (2013).
Quando é necessário tomar uma decisão, normalmente é preciso escolher entre 
em uma relação custo–benefício, ponderando-se, dentre as opções, qual será 
a melhor para a organização. A diferença que há entre o custo de cada uma 
das opções é conhecida por custo diferencial. Já a diferença que há entre a 
receita dessas mesmas opções é denominada receita diferencial. 
O termo custo diferencial é amplo e utilizado para nomear simultanea-
mente tanto o aumento dos custos, que é o caso do custo incremental, quanto 
à diminuição dos custos, que é o chamado custo decremental. Considera-se 
a denominação custo diferencial como sendo mais abrangente. Quando o 
economista faz referência às variações de custos diferenciais, ele as chama 
de custo marginal e receita marginal. Assim, a receita sobre a venda de mais 
de um produto é chamada de receita marginal, ao passo que o custo gerado 
sobre a produção desses produtos é denominado custo marginal. 
É importante salientar que os conceitos de custo marginal do economista 
e do contador são basicamente os mesmos, se comparado ao termo custo 
diferencial, que é aplicado sobre uma única unidade do produto. Deve-se 
lembrar que os custos diferenciais podem ser fixos ou variáveis.
A partir do exemplo, pode-se compreender que a receita diferencial é de $ 
100 mil, ao passo que o total de custos diferencial é de $ 85 mil, tendo como 
resultado operacional diferencial um valor positivo de $ 15 mil sob o plano de 
marketing proposto. A empresa deve optar por permanecer com a distribuição 
atual, no caso, com os varejistas, ou aceitar a proposta dos representantes. 
No entanto, qualquer que seja a escolha, ela deve basear-se nos resultados 
operacionais de ambas as alternativas.
Como exemplifica a tabela, o resultado operacional sob o método de distri-
buição atual é de $ 160 mil, ao passo que os resultados operacionais obtidos por 
representantes seria de $ 175 mil. Baseando-se nos dados, seria mais benéfico 
que se optasse por utilizar os representantes de vendas, pois o resultado teria 
uma diferença de $ 15 mil a mais. Obtém-se, por meio da análise das receitas 
diferenciais, o mesmo resultado. Os custos diferenciais sobre os resultados 
operacionais indicam uma vantagem de $ 15 mil. 
Tem-se o custo de oportunidade quando, diante de uma escolha entre algumas 
possibilidades, abdica-se do benefício potencial que uma alternativa representa, 
ao escolher outra que não traz o mesmo benefício. 
Chama-se de custo perdido aquele que foi incluído sem haver possibilidade de 
mudança. Nenhuma decisão tomada, no tempo presente ou no futuro, vai fazer 
passíveis de alteração, não se pode pensar sobre eles como custos diferenciais. 
É importante lembrar que, em uma decisão, deve-se sempre pensar em custos 
diferenciais, pois eles têm relevância, devido à sua possibilidade de mudança, 
ao passo que os custos perdidos devem ser ignorados. 
Para ilustrar os custos perdidos, pode-se pensar no exemplo de uma fábrica 
que investiu um valor determinado na compra de uma máquina. À medida que 
os anos vão passando, surgem novas máquinas, fazendocom que a antiga se 
torne obsoleta. O custo sobre a máquina foi incorrido e não pode ser desfeito. 
O Quadro 1 traz um resumo dos diversos conceitos de custos apresentados 
neste capítulo, com base em Garrison, Noreen e Brewer (2013).

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