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FACULDADE IGUAÇU - FI JANAINA DE SOUZA PEREIRA PAPEL DO PROFESSOR ENFERMEIRO NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO PORTO VELHO - RO 2026FACULDADE IGUAÇU - FI JANAINA DE SOUZA PEREIRA PAPEL DO PROFESSOR ENFERMEIRO NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Artigo Científico apresentado à Faculdade Iguaçu, como parte das exigências para a obtenção do título de Pós-graduação Lato Sensu em DOCÊNCIA EM ENFERMAGEM PORTO VELHO - - RO 2026PAPEL DO PROFESSOR ENFERMEIRO NA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO Janaína de Souza Pereira RESUMO presente estudo aborda papel do professor enfermeiro na construção do conhecimento. A enfermagem, enquanto profissão que integra ciência, técnica e cuidado, exige uma formação que ultrapasse a simples transmissão de conteúdos, promovendo o desenvolvimento de competências críticas, reflexivas e humanísticas. O objetivo deste estudo é analisar o papel do professor enfermeiro no processo de ensino-aprendizagem dos acadêmicos de enfermagem. A metodologia adotada caracteriza-se por uma revisão integrativa da literatura como um estudo descritivo, com abordagem qualitativa. O estudo foi desenvolvido por meio da análise de publicações científicas relacionadas à educação em enfermagem e às práticas pedagógicas. As buscas foram realizadas nas bases de dados LILACS, BDENF, SciELO e Google Acadêmico. Os resultados evidenciam que o enfermeiro, ao atuar como docente, contribui significativamente para o desenvolvimento da autonomia dos estudantes, estimulando o pensamento crítico, a tomada de decisão e a responsabilidade profissional. Estratégias como estudos de caso, simulações clínicas e aprendizagem baseada em problemas favorecem a construção ativa do conhecimento e aproximam aluno da realidade prática. Conclui-se que o professor enfermeiro desempenha papel essencial na formação de profissionais qualificados, sendo necessário investimento contínuo em sua formação pedagógica, bem como na adoção de metodologias inovadoras que qualifiquem ensino em saúde. Palavras-chave: Docência em enfermagem. Ensino-aprendizagem. Formação profissional. Professor enfermeiro.1.INTRODUÇÃO A enfermagem fundamenta-se no cuidado integral ao ser humano, exigindo dos futuros profissionais o domínio técnico-científico, ético e relacional. Nesse cenário, o professor enfermeiro emerge como elemento central na mediação entre universo acadêmico e as exigências do exercício profissional real (FELLI et al., 2021). A pesquisa justifica-se pela necessidade de alinhar ensino às Diretrizes Curriculares Nacionais, que exigem a superação do modelo tradicional e tecnicista em prol de uma formação que estimule o protagonismo, o raciocínio clínico e a liderança do estudante no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) (LIMA, 2019). Contudo, docente enfrenta barreiras para consolidar um ensino crítico e humanizado, que delineia o seguinte problema de pesquisa: Como professor enfermeiro pode mediar a construção do conhecimento e superar os desafios estruturais e pedagógicos da educação superior para promover a autonomia dos estudantes? Esse impasse agrava-se pela frequente escassez de formação pedagógica inicial do enfermeiro, pela precarização do trabalho e pelas dificuldades na gestão de campos de estágio (PIMENTA; ANASTASIOU, 2018; MITRE et al., 2018). Para transpor esses obstáculos, o uso de estratégias inovadoras como as metodologias ativas torna-se indispensável para retirar o discente da passividade e desenvolver sua autonomia intelectual (MITRE et al., 2018; MORAN, 2021). Frente a isso, este trabalho tem como objetivo geral analisar papel do professor enfermeiro no processo de ensino-aprendizagem na educação superior. Como objetivos específicos, as atribuições docentes na formação reflexiva e humanizada;Discutir os desafios pedagógicos e estruturais enfrentados na academia; Descrever impacto das metodologias ativas no desenvolvimento do pensamento crítico dos estudantes. 2.METODOLOGIA A metodologia adotada neste estudo caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica, de abordagem qualitativa, desenvolvida por meio da análise de artigos científicos, livros e documentos relacionados ao tema investigado. Esse tipo depesquisa possibilita a construção de conhecimentos a partir de materiais já publicados, contribuindo para a ampliação da compreensão acerca da temática abordada. Segundo Almeida et al. (2019), a pesquisa bibliográfica favorece reflexões sobre as práticas pedagógicas no contexto da enfermagem, contribuindo para a compreensão da construção do conhecimento de forma integrada. A escolha por esse método justifica-se pela possibilidade de reunir, sistematizar e analisar diferentes produções científicas e teóricas sobre papel do professor enfermeiro na construção do conhecimento. Para levantamento bibliográfico, foram utilizadas bases de dados eletrônicas, como Google Acadêmico e SciELO, além de livros e documentos acadêmicos relevantes para a temática. Foram considerados materiais publicados no período de 2000 a 2026, visando garantir a atualidade e a relevância das informações. A seleção do material ocorreu a partir da leitura exploratória e seletiva dos textos, considerando aqueles que apresentavam maior relação com tema proposto. Posteriormente, realizou-se a leitura interpretativa, possibilitando a identificação dos principais conceitos, abordagens e contribuições dos autores estudados. Os dados obtidos foram organizados e analisados de forma descritiva e temática, permitindo a construção de uma discussão crítica acerca do papel do professor enfermeiro na construção do conhecimento. 3.REFERENCIAL TEÓRICO 3.1 Atribuições do Professor Enfermeiro no Processo de Ensino-Aprendizagem papel do professor enfermeiro na educação superior ultrapassa a mera transmissão de conteúdos programáticos, configurando-se como uma atividade complexa de mediação pedagógica e construção identitária. No cenário da saúde, esse profissional precisa transitar com fluidez entre a teoria científica da sala de aula e a imprevisibilidade do cenário assistencial.Segundo Libâneo (2018), processo de ensino-aprendizagem necessita de um planejamento rigoroso e de uma mediação em que professor conecta o conteúdo científico à realidade social do aluno.Essa transição entre cuidar e ensinar exige a mobilização de saberes que vão além da formação puramente biológica ou técnica. Como aponta Tardif (2022): "O saber dos professores é plural, formado pelo amálgama de saberes oriundos da formação profissional, dos saberes disciplinares e das experiências práticas." (TARDIF, 2022, 36) enfermeiro que assume a docência reconstrói sua identidade a partir desses múltiplos saberes. Ele deixa de ser apenas executor do cuidado para se tornar o facilitador do aprendizado alheio. Complementando essa visão, Felli et al. (2021) ressaltam que o docente enfermeiro deve desenvolver competências técnicas e políticas fundamentais para o cenário atual, articulando as demandas institucionais da educação com as necessidades reais do mercado de trabalho em saúde. 3.2 A Atuação Docente na Formação Crítica, Reflexiva e Humanizada A formação em enfermagem tem desafio de superar modelo biomédico, puramente tecnicista e hospitalocêntrico, historicamente arraigado na saúde. A atuação docente deve ser eixo sustentador de uma formação que estimule a sensibilidade e a visão holística do futuro profissional. Nessa perspectiva, as ideias de Paulo Freire (2023) tornam-se indispensáveis. autor defende uma educação emancipatória, que rompa com o modelo "bancário" de ensino onde estudante é um mero depósito de informações. Na enfermagem, isso significa que o aluno não deve apenas decorar protocolos assistenciais, mas compreender impacto social de suas ações:"Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção." (FREIRE, 2023, p. 47) Essa consciência crítica defendida por Freire se materializa na prática assistencial por meio do cuidado humanizado. Segundo Waldow (2021), papel do docente na enfermagem é resgatar a essência do cuidado humano, integrando a competência técnica à sensibilidade e ao respeito ao outro. professor atua como um espelho; a forma como ele trata a equipe de saúde, os alunos e os pacientes durante os estágios molda caráter profissional do estudante.Para consolidar essa postura, ensino deve promover a reflexão contínua. Schön (2019) introduz conceito de "praticante reflexivo", justificando a importância do estágio supervisionado como um espaço de "reflexão-na-ação". O docente enfermeiro estimula aluno a pensar criticamente durante ato do cuidado e a avaliar sua conduta após a ação, gerando um ciclo constante de auto aperfeiçoamento ético e técnico. 3.3 Desafios Enfrentados pelo Professor Enfermeiro na Educação Superior A despeito da relevância de sua atuação, o professor enfermeiro enfrenta severos obstáculos no ambiente acadêmico contemporâneo. principal deles reside na transição da prática clínica para a docência, transição está frequentemente desprovida de preparo didático formal. Pimenta e Anastasiou (2018) elucidam essa problemática ao afirmarem que a docência no ensino superior exige saberes que vão além do domínio da área específica de atuação, demandando uma sólida formação pedagógica. A maioria dos enfermeiros ingressa na carreira docente devido à sua reconhecida experiência assistencial ou titulação stricto sensu (mestrado e doutorado), contudo, estas instâncias costumam priorizar a pesquisa em detrimento da preparação para a sala de aula. Além do despreparo pedagógico inicial, a conjuntura do ensino superior impõe pressões estruturais. Cunha (2020) discute o impacto das transformações globais da educação superior na prática cotidiana do docente, destacando a precarização do trabalho, a intensificação da jornada laboral e a necessidade de conciliar ensino de qualidade com metas institucionais de produtividade científica. No caso específico da saúde, os desafios ganham contornos físicos e burocráticos. Mitre et al. (2018) apontam as tensões existentes entre o modelo biomédico tradicional e as reais diretrizes curriculares da enfermagem. docente enfrenta dificuldades severas na gestão e na captação de cenários de prática (campos de estágio), lidando com a superlotação de estudantes e, por vezes, com a resistência das equipes de saúde das instituições receptoras, que fragmenta processo educativo.3.4 Estratégias Pedagógicas para a Construção do Conhecimento Para transpor os desafios do ensino tradicional e capturar a atenção de uma geração hiperconectada, o docente enfermeiro precisa diversificar suas estratégias didáticas, garantindo que o conhecimento seja construído significativamente. A base para a escolha dessas estratégias encontra amparo na teoria da Aprendizagem Significativa de David Ausubel (1963, conforme citado por Moreira, 2018). O autor postula que a aprendizagem é significativa quando novo conteúdo se conecta de forma não arbitrária a conceitos relevantes já existentes na estrutura cognitiva do aluno. professor enfermeiro, portanto, deve mapear os conhecimentos prévios do estudante (suas vivências, crenças e valores) para ancorar as novas e complexas teorias da patologia e do cuidado. Sob a ótica socioconstrutivista de Vygotsky (2021), a aprendizagem ocorre por meio da interação social e da mediação. conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) reflete perfeitamente a dinâmica dos laboratórios de habilidades e estágios supervisionados: o professor atua como o suporte (andaime) que auxilia o estudante a realizar uma técnica complexa como uma punção venosa profunda que ele ainda não consegue executar de forma autônoma. Na contemporaneidade, a inovação tecnológica surge como forte aliada. Moran (2021) assevera que as estratégias pedagógicas atuais devem focar em ecossistemas de aprendizagem abertos, criativos e focados na resolução de problemas reais. Destacam-se aqui estratégias como: Simulação Realística: Uso de simuladores de alta fidelidade onde os alunos vivenciam cenários críticos controlados (como uma parada cardiorrespiratória), permitindo a fixação do aprendizado pelo erro sem riscos reais ao paciente. Estudos de Caso: Problematização de prontuários reais que exigem do aluno investigação científica e a formulação de diagnósticos de enfermagem assertivos.3.5 A Contribuição das Metodologias Ativas na Autonomia e Pensamento Crítico As metodologias ativas de ensino-aprendizagem configuram-se como ferramentas indispensáveis para fomentar a autonomia intelectual e a tomada de decisão rápida, características mandatórias para enfermeiro moderno. Conforme preconizado por Bonwell e Eison (2000) em seus estudos pioneiros sobre o tema, a aprendizagem ativa envolve os estudantes em duas frentes primordiais: fazendo as coisas e pensando sobre as coisas que estão fazendo. Essa premissa retira discente da condição de espectador passivo e posiciona no centro da engrenagem educativa. No contexto da formação em saúde no Brasil, Lima (2019) argumenta que as metodologias ativas na saúde rompem com a linearidade do ensino tradicional e provocam a autonomia ao expor estudante a problemas complexos da prática profissional. Métodos como a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP/PBL) e a Aprendizagem Baseada em Equipes (TBL) obrigam o estudante a pesquisar, argumentar e defender pontos de vista baseados em evidências científicas. Assim, identifica-se que o enfermeiro tem um papel central na efetivação da educação em saúde nos mais diversos campos da sua área. Conclui-se, portanto, ser de extrema importância considerar todos os pressupostos básicos da educação em saúde, para que as práticas educativas tenham efeito positivo e empoderem os usuários/pacientes para uma melhor qualidade de vida(AMARAL et al., 2022, 44) Desta forma, Mitre et al. (2018) ratificam impacto social dessa abordagem ao sublinharem que uso de metodologias ativas estimula estudante a buscar soluções inovadoras, desenvolvendo capacidade crítica para intervir na realidade de saúde da população. Ao exercitar a resolução de problemas em sala de aula, futuro enfermeiro desenvolve pensamento crítico necessário para gerenciar equipes, liderar processos assistenciais e tomar decisões éticas e seguras sob pressão no ambiente hospitalar ou na atenção primária.RESULTADOS E DISCUSSÕES A análise dos estudos selecionados revelou que a atuação do professor enfermeiro no ensino superior brasileiro se ampara em quatro eixos temáticos centrais. No primeiro eixo, referente à dualidade identitária e atribuições, observa-se que docente enfrenta desafio de conciliar competências clínicas e didáticas, atuando como mediador entre a teoria científica e a assistência direta ao paciente. Conforme Libâneo (2018), isso exige planejamento e mediação contextualizados nos cenários de prática. Essa transição reconstrói a identidade docente que, segundo Tardif (2022), unifica saberes acadêmicos e experienciais em um verdadeiro amálgama. Paralelamente, Felli et al. (2021) destacam a importância de competências políticas e institucionais para alinhar a graduação às Diretrizes Curriculares Nacionais e ao fortalecimento do SUS. No segundo eixo, que discute desafio crítico-reflexivo e a humanização, o professor atua como o principal agente na superação do modelo estritamente tecnicista e na indução do cuidado holístico. Baseando-se em Paulo Freire (2023), o ensino deve rejeitar a reprodução passiva, conhecida como "educação bancária", e passar a debater abertamente os determinantes sociais da saúde. Segundo Waldow (2001), a essência do cuidado humano deve ser transmitida pelo exemplo prático do docente, enquanto Schön (2019) reforça a necessidade de consolidar "profissionais reflexivos" capazes de avaliar suas condutas críticas durante e após a ação assistencial. terceiro eixo desvela as severas barreiras estruturais e pedagógicas enfrentadas na docência superior. Pimenta e Anastasiou (2018) apontam para mito de que o domínio técnico basta para o magistério, o que gera um frequente despreparo pedagógico inicial, agravado por cursos de pós-graduação stricto sensu que historicamente priorizam a pesquisa em detrimento da didática. Cunha (2005) aborda a sobrecarga laboral, a intensificação da jornada e conflito de paradigmas que afetam a rotina acadêmica, enquanto Mitre et al. (2018) evidenciam a crise na captação de campos de estágio devido à escassez de vagas e às barreiras impostas pelas equipes locais nos serviços de saúde.quarto e último eixo analisa impacto das estratégias didáticas inovadoras e das metodologias ativas na construção do conhecimento. Para uma apropriação significativa do saber, os novos conteúdos são conectados às vivências e conhecimentos prévios dos estudantes (Ausubel, citado por Moreira, 2018), enquanto suporte do professor funciona como um "andaime" temporário na Zona de Desenvolvimento Proximal (Vygotsky, 2021) em laboratórios e estágios. Conforme Moran (2021), a educação contemporânea exige ecossistemas criativos focados em problemas reais, destacando-se a simulação realística, que permite o aprendizado pelo erro em ambiente controlado, e a aprendizagem baseada em problemas, que estimula a investigação autônoma. Apoiadas em Bonwell e Eison (2000), essas ferramentas combatem a passividade da aula tradicional, permitindo que estudante aprenda a fazer e a refletir sobre suas ações. Por fim, Mitre et al. (2018) sustentam que as metodologias ativas instrumentalizam os estudantes a encontrarem soluções inovadoras, transformando o pensamento crítico em uma ferramenta de trabalho indispensável para tomadas de decisão rápidas, seguras e éticas na saúde. Conclusão A atuação do professor enfermeiro na educação superior é complexa e fundamental para garantir a qualidade do futuro cuidado em saúde. Como mediador do conhecimento, docente supera a mera transmissão técnica ao conectar a teoria científica à prática assistencial, sendo indispensável para consolidar uma formação crítica, reflexiva e humanizada, que capacite os estudantes a enxergarem paciente em sua totalidade biopsicossocial. Contudo, exercício da docência em enfermagem no cenário brasileiro enfrenta severos obstáculos. Destacam-se o despreparo pedagógico inicial daqueles que migram da assistência hospitalar para a academia, a precarização e intensificação do trabalho docente, e as dificuldades crônicas na gestão e captação de campos de estágio supervisionado de qualidade. Para superar tais desafios, as metodologias ativas de aprendizagem, como a simulação realística e a aprendizagem baseada em problemas, consolidam-se como estratégias inovadoras indispensáveis. Ao transformarem estudante noprotagonista de sua formação, essas ferramentas desenvolvem diretamente a autonomia intelectual, o raciocínio clínico e o pensamento crítico fundamentado em evidências científicas. Conclui-se que, para atender às demandas reais do Sistema Único de Saúde (SUS), as instituições de ensino precisam investir na capacitação didática continuada de seus professores e em políticas de integração entre a academia e os serviços de saúde. REFERÊNCIAS AMARAL, Eveline L. da S.; MEDEIROS, Katty de L.; MOURA, Leila P de; et al. 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