Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Unidade 2
Suporte Básico de Vida
Aula 1
Manejo Das Vias Aéreas Superiores
Manejo Das Vias Aéreas Superiores
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos!
Ponto de Partida
Olá! Desejamos as boas-vindas a você, estudante! Nesta aula, convidamos você a conhecer a
importância do manejo adequado das vias aéreas superiores, as técnicas de liberação delas e a
finalidade da posição lateral de segurança. Em cada um desses tópicos, descreveremos o passo
a passo de cada procedimento, além das condutas mais adequadas, e o que deve ser evitado
para não prejudicar ainda mais o agravo inicial.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você está em um supermercado, quando
escuta um barulho no corredor ao lado e uma pessoa pedindo ajuda. Rapidamente você dá a
volta nas gôndolas e avista uma mulher ao lado do seu filho, um jovem de 23 anos, que está
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
apresentando uma crise convulsiva. Após a crise, o rapaz fica sonolento e começa a ter
dificuldade para respirar devido ao relaxamento da língua, que está obstruindo as vias aéreas.
Como você foi o primeiro a chegar para prestar ajuda, qual seria a sua ação imediata para
garantir a segurança e o bem-estar da pessoa em situação de emergência?
Para entender como realizar esse atendimento inicial, não deixe de ler o conteúdo que
preparamos para esta aula, além de acessar os materiais complementares para aprimorar seus
conhecimentos! Bons estudos!
Vamos Começar!
Para entender melhor sobre o manejo das vias aéreas superiores, é preciso antes compreender
sobre o sistema respiratório, que é formado pelas estruturas das vias aéreas superiores e
inferiores:
Vias aéreas superiores: estruturas localizadas fora da cavidade torácica, como cavidades
nasais, laringe e faringe. Têm a função de filtrar, aquecer e umidificar o ar que é inspirado.
São as vias aéreas superiores que são manejadas em primeiros socorros.
Vias aéreas inferiores: estruturas localizadas na cavidade torácica, como traqueia,
brônquios, bronquíolos, alvéolos e pulmões. Sua função é realizar a troca gasosa, também
conhecida como hematose, que consiste na liberação de oxigênio nos capilares que
passam pelo pulmão e eliminação do dióxido de carbono dos capilares para o meio
ambiente, por meio do movimento de expiração.
O movimento de inspiração e expiração possibilita a entrada de oxigênio no organismo e
eliminação de dióxido de carbono para o ambiente externo. Para que ocorra o processo de
respiração, é necessária uma ação conjunta de músculos intercostais e do diafragma, que
permitem a entrada e a saída do ar.
Manejo das vias aéreas superiores como foco no atendimento
O sistema respiratório é vital para a sobrevivência do ser humano. Portanto, nos casos em que as
vias aéreas estiverem fechadas ou bloqueadas, o movimento respiratório estará ausente ou
apresentará dificuldade para a passagem de ar, o que pode interferir na oxigenação do
organismo, levando à morte celular e ocasionando até mesmo o óbito da vítima. A via aérea
superior é frequentemente bloqueada pela língua, muito comum em vítimas inconscientes,
devido ao relaxamento muscular. Isso também está associado ao estreitamento da faringe,
diferença anatômica presente em algumas pessoas.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Por isso, é tão importante saber realizar o manejo dessas situações. Nos primeiros socorros, o
foco deverá ser o manejo das vias aéreas superiores; sua avaliação permitirá observar se estão
pérvias. Se a vítima não estiver respondendo nem respirando, ou mesmo respirando com
dificuldade, faz-se necessário realizar a abertura das vias aéreas.
No momento do atendimento da vítima, o socorrista deve ter raciocínio ágil e uma boa percepção
sobre o que acontece. Sua decisão de realizar manobra de liberação das vias aéreas deve ser
direcionada de forma segura, para evitar danos à vítima. É necessário classificar se é uma
emergência clínica ou traumática, pois a técnica empregada é diferente em cada uma. No
entanto, você já pensou sobre como o socorrista pode distinguir entre esses dois tipos de
emergências?
Técnica de liberação de vias aéreas nas vítimas clínicas
A seguinte manobra de liberação das vias aéreas superiores é indicada para os casos de vítimas
clínicas, pois não apresentam risco de lesão cervical, que pode ser agravada com essa técnica. A
manobra consiste em:
Inclinar a cabeça da vítima (hiperextensão).
E realizar elevação do queixo.
Com essa manobra, há a movimentação da mandíbula e liberação da língua; além disso, essa
técnica pode ser realizada por um socorrista apenas. Ao elevar o queixo e abrir a boca com o
indicador e o polegar, o socorrista deve realizar a inspeção da cavidade oral.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Figura 1 | Manobra de inclinação da cabeça com elevação do queixo (head tilt chin lift). Fonte: Shutterstock.
Técnica de liberação de vias aéreas nas vítimas de trauma
Uma vítima de trauma é aquela acometida por um agente externo. Nessas vítimas, na manobra
de liberação de vias aéreas, o socorrista deve atentar-se aos cuidados com a região cervical, a
fim de não a lesionar, ou não agravar uma situação instalada. Portanto, nesse caso é
contraindicado a realização da hiperextensão da cabeça. A manobra pode ser realizada com um
socorrista e consiste em:
Estabilizar a cabeça manualmente.
Com o dedo indicador e polegar da outra mão, realizar a elevação do queixo para inspeção
da cavidade oral.
Outra técnica utilizada nesses casos, é a anteriorização da mandíbula (Jaw Thrust), que pode ser
realizada com dois socorristas, descrita a seguir:
O socorrista deve posicionar os polegares na face da vítima, na região dos ossos
zigomáticos, ao mesmo tempo deve colocar os dedos indicares e médios sobre o ângulo
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
da mandíbula, empurrando-a para frente.
Outro socorrista realiza a abertura da cavidade oral para inspeção.
Figura 2 | Manobra de anteriorização da mandíbula (jaw thrust). Fonte: Shutterstock
Conduta após observação de corpo estranho na cavidade oral
Nos primeiros socorros, após o socorrista realizar adequadamente a manobra de liberação das
vias aéreas superiores, tanto nos casos com vítimas clínicas quanto de traumas, ele deve
inspecionar a cavidade oral, sendo útil o uso de uma lanterna, para melhor visualização. Caso um
corpo estranho seja observado, a conduta deve ser:
Corpo estranho sólido: realizar a retirada com os dedos em pinça.
Corpo estranho líquido em pequena quantidade: remover com o auxílio de uma gaze.
Corpo estranho líquido em grande quantidade: realizar lateralização em bloco em vítimas
de emergências de traumas. Já em emergências clínicas, realizar a posição lateral de
segurança.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Siga em Frente...
Posição lateral de segurança
Uma pessoa que não responde ou tem um nível alterado de capacidade de resposta não deve
estar em posição supina (posição dorsal), devido ao risco de obstrução das vias aéreas pela
língua, pela saliva ou outro fluído. Você pode ajudar a proteger as vias respiratórias, posicionando
a pessoa lateralmente. Essa posição é denominada lateral de segurança (PLS). É mais segura,
desde que não interfira no atendimento.
Porém, muita atenção: vítimas de trauma não devem ser manipuladas, pois há o risco de agravar
sua condição; você só deve realizar a movimentação da pessoa se for seguro, como em casos de
vítimas de emergências clínicas. Além disso, a vítima não pode estarSOCORROS
tórax em cerca de 5 a 6cm, e permitindo o retorno completo do tórax antes da próxima
compressão.
Para isso, o socorrista deve: se posicionar ao lado da vítima, com as pernas entreabertas; colocar
a região hipotenar de uma mão sobre a metade inferior do osso esterno e a outra mão sobre a
primeira, entrelaçando os dedos das mãos; posicionar os braços a cerca de 90º acima da vítima,
mantendo-os estendidos; utilizar o peso do próprio tronco para realizar as compressões, evitando
força nos braços. Se houver dois socorristas, realizar o revezamento a cada 2 minutos para evitar
o cansaço e garantir a qualidade das compressões. Em caso de ausência de dispositivo para
ventilação, realizar as compressões de forma contínua até a chegada do socorro especializado.
Para lactentes, é recomendado usar dois dedos ou a técnica com os dedos indicador e médio, ou
com dois polegares, para comprimir o tórax. A profundidade da compressão deve ser de 4cm. Já
para crianças, é recomendado usar uma ou duas mãos, dependendo do tamanho da criança e do
socorrista, e a profundidade da compressão deve ser entre 4 e 5cm. Em ambos os casos, a
frequência das compressões deve ser de 100-120 por minuto.
Agora vamos entender como realizar as ventilações. Esse procedimento é feito após abrir as vias
aéreas da vítima, e o ar ventilado deve ser suficiente para elevar o tórax, com duração de 1
segundo para cada ventilação, aplicando 2 ventilações. Lembre-se de utilizar as técnicas de
inclinação da cabeça com elevação do queixo, ou anteriorização da mandíbula antes de aplicar
as ventilações. Alguns dispositivos podem ser utilizados para a ventilação, desde que o
socorrista esteja devidamente treinado. É importante considerar o tamanho adequado do
dispositivo para lactentes e crianças, ou inverter a posição da máscara quando não for
adequada. Após compreender essas informações, vamos entender como realizar as manobras
de compressão e ventilação, seguindo as orientações específicas para adultos, lactentes e
crianças.
Adulto: a cada 30 compressões, são aplicadas 2 ventilações no adulto; independentemente
da quantidade de socorristas disponíveis, devem ser realizadas 30 compressões e 2
ventilações. Ainda, é possível realizar compressões contínuas, sem ventilações.
Lactentes e crianças: se houver somente um socorrista, realizar 30 compressões e 2
ventilações. Se houver dois socorristas, realizar 15 compressões e 2 ventilações
Etapa 4: utilizar o DEA assim que disponível
O DEA é um dispositivo portátil que possui um sistema computadorizado composto por aparelho,
bateria, pás para uso pediátrico e adultos, lâmina para tricotomia e compressa. Ele interpreta o
ritmo cardíaco, diagnostica arritmias cardíacas e realiza desfibrilação (aplicação de choque) para
tratá-las. O objetivo do choque é restabelecer o ritmo cardíaco da vítima, reorganizando a
atividade elétrica do coração que estava descoordenada.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Para utilizar o DEA, posicione o aparelho ao lado da cabeça da vítima e ligue-o, seguindo os
comandos verbais que orientam as etapas seguintes. Posicione as pás no tórax da vítima (as pás
têm um desenho indicando o posicionamento correto, siga as instruções). Conecte o aparelho às
pás. O DEA dará comandos verbais, indicando que está analisando o ritmo cardíaco. Nesse
momento, solicite que todos se afastem da vítima. Após avaliação do ritmo cardíaco, o DEA pode
indicar o choque. Novamente, solicite o afastamento da vítima. Ao apertar o botão indicado, o
choque será produzido, causando uma contração repentina dos músculos do paciente.
Imediatamente após o choque, realize compressões torácicas, reiniciando a RCP.
A cada 2 minutos, o DEA analisará o ritmo novamente. Se o choque não for solicitado pelo DEA, a
RCP deve continuar em casos de PCR persistente. Se a vítima recobrar a consciência, continue
monitorando-a pelo DEA até a chegada do SAMU. Se a respiração e o pulso forem restabelecidos,
coloque a vítima em posição lateral de segurança, caso não haja suspeita de trauma. O
socorrista deve permanecer no local até a chegada do SAMU.
É importante compreender que o desfibrilador externo automático (DEA) recomenda o choque
apenas em ritmos cardíacos com atividade elétrica muito desorganizada, pois sua função é a de
reorganizar a atividade elétrica cardíaca e restaurar o ritmo sinusal. Este é o nome dado ao ritmo
cardíaco considerado normal, caracterizado por uma frequência regular e constante. Isso
significa que o coração bate em um intervalo constante, com uma frequência de 60 a 100
batimentos por minuto.
Em casos de parada cardíaca, podem ser identificados quatro ritmos diferentes: taquicardia
ventricular sem pulso (TVSP), fibrilação ventricular (FV), atividade elétrica sem pulso (AESP) e
assistolia. A TVSP e a FV são considerados ritmos chocáveis, o que significa que podem ser
tratados com desfibrilação, enquanto a AESP e a assistolia são considerados ritmos não
chocáveis.
É Hora de Praticar!
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Você está em um restaurante e percebe que uma pessoa do outro lado do salão está se
engasgando com um alimento. A pessoa começa a tossir e a ficar com dificuldade para respirar,
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
até que não apresenta mais tosse. Ela fica muito agitada e leva as mãos no pescoço, e logo você
identifica que se trata do sinal universal de asfixia. Você percebe que a obstrução das vias aéreas
está impedindo a passagem do ar. As pessoas ao redor ficam muito agitadas, e ninguém
consegue ajudar a vítima efetivamente: tentam dar tapas nas costas, pedir para a vítima olhar
para cima e levantar os braços. Até você atravessar o salão do restaurante, a vítima está com as
extremidades arroxeadas e sofre uma perda de consciência, caindo ao chão. Como a obstrução
não foi resolvida rapidamente, a vítima evoluiu para uma parada cardiorrespiratória. Como essa
situação de agravamento da vítima poderia ter sido evitada? Como prestar o atendimento frente
a parada cardiorrespiratória? As manobras devem ser as mesmas, considerando a obstrução das
vias aéreas?
Como manter a abertura das vias aéreas de uma vítima sonolenta, garantindo a
manutenção da função respiratória?
Como proceder diante de uma obstrução de vias aéreas por corpo estranho em adultos,
lactentes, crianças e gestantes?
Como realizar o atendimento a uma vítima em parada cardiorrespiratória com base nos 4
passos que salvam vidas, de acordo com o suporte básico de vida?
Para evitar que a vítima evoluísse para uma parada cardiorrespiratória (PCR), as pessoas ao
redor deveriam ter realizado imediatamente a manobra de Heimlich para desobstruir as vias
aéreas; essa manobra é considerada um método simples e de fácil execução. Para isso, o
socorrista deve abraçar a vítima por trás, manter uma das mãos fechada sobre o abdome e
acima do umbigo, e comprimir ao mesmo tempo que empurra para dentro e para cima, fazendo
movimentos em “J”. A manobra deve ser repetida até a expulsão do corpo estranho e o retorno
da respiração.
Caso a vítima evolua com inconsciência e PCR, é importante ligar para o número 192 a fim de
solicitar ajuda e pedir para que alguém traga um desfibrilador externo automático (DEA). Em
casos de hipóxia (quando o oxigênio não é ofertado adequadamente aos órgãos) é comum a
ocorrência de PCR por arritmias como a taquicardia ventricular sem pulso (TVSP) e a fibrilação
ventricular (FV), ritmos considerados chocáveis.
Em seguida, é necessário realizar 30 compressões no tórax da vítima, em uma frequência de
100-120 compressões por minuto, aprofundando o tórax em cerca de 5 a 6cm, e permitindo o
retorno completo do tórax antes da próxima compressão. Para isso, o socorrista deve:
posicionar-se ao lado da vítima, com as pernas entreabertas; colocar a região hipotenar de uma
mão sobre a metadeinferior do osso esterno e a outra mão sobre a primeira, entrelaçando os
dedos das mãos; posicionar os braços a cerca de 90º acima da vítima, mantendo-os estendidos;
utilizar o peso do próprio tronco para realizar as compressões, evitando força nos braços.
Em seguida, abra as vias aéreas da vítima e tente observar se há algum corpo estranho,
lembrando que essa avaliação não deve demorar mais do que 10 segundos. Se houver, retire-o
com os dedos em forma de pinça. Se conseguir retirar o corpo estranho, observe a respiração da
vítima e coloque-a em posição lateral de segurança. Caso não consiga retirar o corpo estranho,
realize duas ventilações de resgate e siga com as compressões.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
A ventilação em vítimas com obstrução total é realizada, pois considera-se que qualquer oferta
de oxigênio pode ser benéfica para a vítima que está em hipóxia; além disso, a movimentação
que o socorrista realiza ao posicionar a vítima em decúbito dorsal, abrir vias aéreas pode
deslocar o corpo estranho e permitir a passagem de ar. No entanto, mesmo a ventilação sendo
benéfica à vítima, o socorrista deve sempre considerar a biossegurança, a fim de evitar a sua
contaminação. Dessa forma, em caso de ausência de dispositivo para ventilação, deve-se realizar
as compressões de forma contínua até a chegada do socorro especializado.
As compressões e ventilações devem seguir até a desobstrução da via aérea ou até a chegada
do serviço especializado. Se houver dois socorristas, realizar o revezamento a cada 2 minutos
para evitar o cansaço e garantir a qualidade das compressões. Caso alguém traga o DEA, ele
deve ser utilizado para verificação do ritmo, seguindo todas as orientações estabelecidas pelo
aparelho.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Fonte: elaborada pela autora.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques das atualizações direcionadas nas diretrizes de
2020 a American Heart Association para RCP e atendimento cardiovascular de emergência.
2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-
files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf. Acesso em: 14 nov. 2023.
CANADIAN RED CROSS. Comprehensive Guide for First Aid & CPR. 2017. Disponível em:
https://cdn.redcross.ca/prodmedia/crc/documents/Comprehensive_Guide_for_FirstAidCPR_en.p
df. Acesso em: 7 nov. 2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR. IBRAPH. Primeiros socorros em
adultos. 1-111. 2021.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Atualização da Diretriz de Ressuscitação
Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de
Cardiologia – 2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, n. 113, v. 3, p. 449-663, 2019. Disponível
em: http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11303/pdf/11303025.pdf. Acesso
em 14 nov. 2023.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf
https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf
https://cdn.redcross.ca/prodmedia/crc/documents/Comprehensive_Guide_for_FirstAidCPR_en.pdf
https://cdn.redcross.ca/prodmedia/crc/documents/Comprehensive_Guide_for_FirstAidCPR_en.pdf
http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11303/pdf/11303025.pdfem parada cardíaca.
Existem ainda outras situações especiais para observar, como:
Em gestantes, o ideal é a PLS para a esquerda, evitando compressão da veia cava inferior a
fim de melhorar o retorno venoso.
Em afogados, a PLS deve ser para a direita, pois os danos se concentrarão no pulmão direito que
já é naturalmente comprometido devido ao brônquio direito ser mais curto e vertical.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Figura 3 | Posição lateral de segurança. Fonte: Shutterstock.
Para lateralizar a vítima, você deve obedecer aos passos descritos a seguir:
1º passo: o dorso da mão da vítima da lateral distal deve ser colocada contra a face dela.
2º passo: a perna distal da vítima deve ser flexionada.
3º passo: realiza-se o giro da vítima e ela estará em PLS.
 É importante destacar que vítimas que falam, gemem ou choram estão com as vias aéreas
pérvias, ou seja, apresentam liberação para a passagem de ar. Já se a vítima não apresentar o
movimento respiratório ou não responder ao comando do socorrista, faz-se necessário realizar o
manejo para abertura das vias aéreas. As manobras podem ser ou não suficientes para a
liberação das vias aéreas superiores, e consequente restabelecimento da respiração. O
socorrista deve monitorar sua evolução e prosseguir a avaliação.
Chegamos ao final desta aula! No decorrer deste material, abordamos o manejo das vias
respiratórias de vítimas clínicas e traumáticas, e as manobras recomendadas para manter a
função respiratória íntegra. Agora convidamos você a acompanhar as próximas aulas para
entender como realizar os procedimentos de primeiros socorros diante de obstrução de vias
respiratórias por corpo estranho, também conhecido como OVACE!
Vamos Exercitar?
Agora que você aprendeu a importância do manejo adequado das vias aéreas superiores, as
técnicas de liberação delas e a finalidade da posição lateral de segurança, vamos solucionar a
situação-problema referente ao jovem de 23 anos. Ele está apresentando uma crise convulsiva,
em seguida, fica sonolento e aparenta dificuldades para respirar devido ao relaxamento da língua,
que está obstruindo as vias aéreas. Como você foi o primeiro a chegar para prestar ajuda, qual
seria a sua ação imediata para garantir a segurança e o bem-estar dessa pessoa em situação de
emergência?
Com base nos conteúdos abordados nessa seção, aprendemos que a via aérea superior é
frequentemente bloqueada pela língua, o que é muito comum em vítimas inconscientes, devido
ao relaxamento muscular. Se a vítima não estiver respondendo nem respirando, ou mesmo
respirando com dificuldade, faz-se necessário realizar a abertura das vias aéreas.
Por se tratar de uma vítima de agravo clínico, a seguinte manobra de liberação das vias aéreas
superiores é indicada:
Inclinar a cabeça da vítima (hiperextensão).
E realizar elevação do queixo.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Com essa manobra, há a movimentação da mandíbula e liberação da língua; ela pode ser
realizada por um socorrista apenas. Ao elevar o queixo e abrir a boca com o indicador e o
polegar, o socorrista deve realizar a inspeção da cavidade oral. Caso um corpo estranho seja
observado, a conduta deve ser:
Corpo estranho sólido: realizar a retirada com os dedos em pinça.
Corpo estranho líquido em pequena quantidade: remover com o auxílio de uma gaze.
Corpo estranho líquido em grande quantidade: realizar lateralização em bloco em vítimas
de emergências de traumas. Já em emergências clínicas, realizar a posição lateral de
segurança.
A posição lateral de segurança, por sua vez, é utilizada nas situações em que a vítima não
responde ou tem um nível alterado de capacidade de resposta, uma vez que a posição dorsal
aumenta o risco de obstrução das vias aérea pela língua, pela saliva ou outro fluído. Portanto, a
posição lateral de segurança é a posição mais segura, e pode ser realizada em três passos:
1º passo: o dorso da mão da vítima da lateral distal deve ser colocada contra a face dela.
2º passo: a perna distal da vítima deve ser flexionada.
3º passo: realiza-se o giro da vítima e ela estará em PLS.
Saiba mais
Convidamos você a aprofundar seu conhecimento sobre o manejo das vias aéreas superiores por
meio da leitura das páginas 67-74 do manual do corpo de bombeiros do estado de Goiás. Além
da abordagem para o socorrista leigo, você poderá se inteirar sobre os procedimentos pré-
hospitalares realizados por profissionais.
Referências
AMERICAN HEART ASSOCIATION. First Aid Guideline. Disponível em:
https://cpr.heart.org/en/resuscitation-science/first-aid-guidelines/first-aid. Acesso em: 4 nov.
2023.
AUBERT, M. Primeiros socorros. São Paulo: Grupo A Educação, 2018.
CANADIAN RED CROSS. Comprehensive Guide for First Aid & CPR. 2017. Disponível em:
https://cdn.redcross.ca/prodmedia/crc/documents/Comprehensive_Guide_for_FirstAidCPR_en.p
df. Acesso em 07 nov. 2023.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
https://www.bombeiros.go.gov.br/wp-content/uploads/2015/12/MANUAL-DE-RESGATE-PR%C3%89-HOSPITALAR.pdf
https://cpr.heart.org/en/resuscitation-science/first-aid-guidelines/first-aid
https://cdn.redcross.ca/prodmedia/crc/documents/Comprehensive_Guide_for_FirstAidCPR_en.pdf
https://cdn.redcross.ca/prodmedia/crc/documents/Comprehensive_Guide_for_FirstAidCPR_en.pdf
INSTITUTO BRASILEIRO DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR. IBRAPH. 2021. Primeiros socorros
em adultos. 1-111. 2021.
Aula 2
Obstrução De Vias Aéreas Por Corpo Estranho
Obstrução De Vias Aéreas Por Corpo Estranho
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos.
Ponto de Partida
Olá! Desejamos as boas-vindas a você, estudante! Nesta segunda aula, convidamos você a
conhecer como realizar os primeiros socorros diante de uma obstrução das vias aéreas por
corpo estranho (OVACE) e ao engasgo. Nessas situações, a atuação rápida e efetiva do
socorrista é determinante para a sobrevida da vítima que, se não for socorrida imediatamente,
pode morrer.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você está em um churrasco com amigos e
familiares. Enquanto todos estão aproveitando a comida e a conversa, você percebe que um dos
convidados, um senhor idoso, começa a tossir de forma descontrolada e a bater no peito,
demonstrando sinais de sufocamento. Ele está com uma expressão de angústia e dificuldade
para respirar. Sua missão agora é avaliar a situação e prestar os primeiros cuidados a essa
vítima. Vamos lá?
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Para entender como realizar esse atendimento inicial, não deixe de ler o conteúdo que
preparamos para esta aula, além de acessar os materiais complementares para aprimorar seus
conhecimentos! Bons estudos!
Vamos Começar!
A obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE) é considerada uma emergência,
principalmente em crianças, pois, em casos graves, pode levar à insuficiência respiratória e óbito,
em um período de quatro minutos. A OVACE é responsável por 84% dos acidentes em crianças
menores de cinco anos, sendo predominante no sexo masculino. Considerando a gravidade
dessas situações, o socorrista deve estar preparado para o reconhecimento dessas situações e
capacitado para realizar o manejo adequado.
A OVACE pode ser definida como obstrução causada por objeto ou substância na passagem do
ar até os pulmões, interferindo nas trocas gasosas de oxigênio e gás carbônico. A obstrução
pode ser parcial ou total, dependendo do local em que se instala nas vias aéreas, do tamanho do
objeto e da idade da vítima.
Normalmente, durante o processo de deglutição,as nossas vias aéreas são protegidas por uma
estrutura chamada epiglote, apresentada na Figura 1. É uma estrutura composta por tecido
cartilaginoso, situada atrás da língua e que funciona como uma válvula: durante a respiração, ela
permanece aberta, para a passagem de ar até os pulmões (Figura 1A); na deglutição, ela se fecha
para que não haja passagem de alimentos ou objetos para as vias aéreas, encaminhando-os para
o estômago (Figura 1B); após a deglutição, ela volta a se abrir, permitindo o retorno da respiração
(Figura 1C).
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Figura 1 | Movimento da epiglote na deglutição. Fonte: adaptado de Shutterstock.
No entanto, qualquer interferência no processo de deglutição ou no funcionamento da epiglote
pode levar a um engasgo, pois o alimento é desviado para as vias respiratórias, resultando em
sua obstrução. Assim, seu organismo se manifestará por meio do engasgo, na tentativa de
expulsar o alimento ou objeto que obstruiu as vias aéreas durante a deglutição.
Os sinais clássicos para reconhecimento do engasgo são: ao tentar falar, a pessoa não emite
voz; agitação; posição das mãos na região da garganta; e cianose (arroxeamento de
extremidades e lábios). Em crianças, a presença de tosse ou choro indica que não houve
obstrução completa das vias aéreas; neste caso, o socorrista deve observar o quadro clínico e
estimular a pessoa a tossir à vontade para eliminar o corpo estranho. Porém, se o caso clínico
apresentar uma piora neste período, a vítima deve ser atendida imediatamente.
Obstrução parcial das vias aéreas
Na obstrução parcial, há um pouco de passagem de ar na via aérea, ou seja, o objeto ou
substância não tomou inteiramente o espaço alojado. A vítima pode apresentar-se assintomática
ou com sintomas mínimos, como tosse forte e podendo até falar, porém com dificuldade.
Persistindo por horas, dias ou até mesmo semanas, o quadro pode levar a uma hipóxia
progressiva até uma parada cardiorrespiratória. Nesses casos, o socorrista deve incentivar a
tosse para que o corpo estranho seja expelido.
Obstrução total ou severa das vias aéreas
Na obstrução total, o ar é totalmente impedido de realizar a passagem nas vias aéreas, podendo
causar na vítima hipóxia com lesões irreversíveis até a morte. Nesse quadro, a vítima não
consegue falar e nem mesmo tossir, ou apresenta tosse fraca. Também é comum o sinal
universal da asfixia (segurar o pescoço com uma ou ambas as mãos) e a presença de cianose,
que é o arroxeamento de extremidades e dos lábios. Nesses casos, o socorrista deve observar a
consciência da vítima, pois, se ela estiver consciente, deve aplicar a manobra de Heimlich
(compressões abdominais), entretanto, se a vítima evoluir para a inconsciência deve iniciar a
ressuscitação cardiopulmonar (RCP).
Manobra de Heimlich
A manobra de Heimlich é considerada um método simples e de fácil execução para
desobstrução das vias aéreas. Foi estabelecida em 1974, pelo médico cirurgião torácico Henry
Heimlich, que, após observar muitos óbitos decorrentes de engasgo por comida ou pequenos
objetos, desenvolveu uma pesquisa a fim de investigar recursos para utilizar a pressão
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
subdiafragmática e permitir que o ar preso nos pulmões fosse utilizado para expelir o conteúdo
das vias aéreas da vítima, revertendo situações de asfixia.
É uma manobra que deve ser utilizada em vítimas conscientes com obstrução total das vias
aéreas. Antes do procedimento ser iniciado, é importante que o socorrista explique para a vítima
como vai proceder. Além disso, as manobras de desobstrução são diferentes para adultos,
crianças e lactentes.
Em casos de lactentes consciente, observa-se primeiramente a presença de algum objeto de fácil
retirada nas vias aéreas superiores, se não, o bebê deve ser posicionado de bruços sobre o braço
do socorrista com a cabeça um pouco mais baixo que o tronco, e então dar cinco palmadas com
a base das mãos entre as escápulas (Figura 2.1); após, virar o bebê de frente, ainda sobre o
braço, e aplicar cinco compressões sobre o esterno, na altura dos mamilos (Figura 2.2). Se não
obtiver resultados, as compressões devem ser repetidas até a chegada do serviço de
emergência.
Figura 2 | Manobra de Heimlich em lactentes. Fonte: Shutterstock.
Em crianças conscientes, o método consiste em: ajoelhar-se e abraçar a vítima por trás com os
braços ao redor do abdome, manter uma das mãos do socorrista fechada sobre a região superior
do abdome e acima do umbigo, e a outra mão comprimir ao mesmo tempo que empurra para
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
dentro e para cima. Esta manobra deve ser repetida por cinco vezes, observando a expulsão do
corpo estranho e a respiração da criança.
Bastante semelhante à manobra na criança, é a manobra no adulto, exceto que, nesse último
caso, o socorrista fica em pé atrás da vítima. Veja como realizar a manobra de Heimlich em
adultos, com a vítima em pé e consciente:
Confirmar a presença de dificuldade para respirar (dispneia) ou ausência de respiração
(apneia), mas consciente.
Posicionar-se atrás da vítima.
Posicionar a perna dominante entre as pernas da vítima.
Enlaçar a vítima com os braços ao redor do abdome, se for uma criança, ajoelhe-se
primeiro.
Manter a mão dominante fechada entre o umbigo da vítima e o apêndice xifoide.
A outra mão, não dominante, espalmar na mão dominante;
Realize movimento em “J”, comprimindo a mão dominante ao mesmo tempo que empurra
a região epigástrica para dentro e para cima, como se quisesse levantar a vítima do chão;
Repita os movimentos de forma rápida e vigorosa, quantas vezes forem necessárias.
Figura 3 | Manobra de Heimlich no adulto consciente. Fonte: Shutterstock.
Caso a vítima esteja sozinha no momento do engasgo, é possível realizar a manobra de Heimlich
em si própria, conforme as seguintes orientações:
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
A vítima deve colocar seu punho acima da região umbilical e segurá-lo com a outra mão.
A vítima deve se inclinar sobre uma cadeira ou bancada e conduzir seu punho em direção a
si mesma com um impulso para cima.
Se a vítima não conseguir, deve realizar os movimentos sem o uso das mãos, diretamente
na cadeira.
Figura 4 | Manobra de Heimlich com a vítima sozinha. Fonte: Shutterstock.
Siga em Frente...
OVACE em vítimas inconscientes
As vítimas de OVACE inconscientes precisam de atendimento especializado rapidamente. Os
primeiros socorros para asfixia ou engasgo devem ser tomados até que seja possível o
atendimento de urgência e o passo a passo é igual para adultos, crianças e lactentes.
Chamar ajuda, por meio do telefone 192.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Realizar 30 compressões no tórax da vítima utilizando o peso do corpo; se ela for adulta,
utilizando as duas mãos; se for criança, utilizando uma ou duas mãos; e, se for lactente,
utilizando dois dedos ou polegares sobrepostos ou um do lado do outro.
Abrir vias aéreas e tentar observar corpo estranho; se for visível retirar o corpo estranho
com dedos em forma de pinça.
Se não conseguir retirar o corpo estranho, realizar duas ventilações de resgate e seguir com
as compressões.
Se conseguir retirar o corpo estranho, observar a respiração da vítima e colocá-la em
posição lateral de segurança.
A ventilação em vítimas com obstrução total é realizada, pois considera-se que qualquer oferta
de oxigênio pode ser benéfica para a vítima que está em hipóxia. Além disso, a movimentação
que o socorrista realiza ao posicionar a vítima em decúbito dorsal, para abrir vias aéreas, pode
deslocar o corpo estranho e permitir a passagem de ar.
Cuidados especiais
Algumas situações devem ser observadas:
As compressões abdominais não devem ser realizadas em bebês devido ao risco de lesão
intra-abdominal.
Para evitar lesão de órgãos internos e prevenir fraturas, na manobra de Heimlich, as mãos
não devem tocar o processo xifoide do esterno ou as bordas inferiores das costelas.
Emobesos e grávidas, as compressões devem ser realizadas no tórax, com o mesmo
princípio; entretanto, não se devem realizar as compressões abdominais.
Chegamos ao final de mais uma aula! No decorrer deste material, descrevemos como realizar os
primeiros socorros frente à OVACE e ao engasgo. Você viu, neste material, que a atuação rápida
e efetiva do socorrista é determinante para a sobrevida da vítima que, se não for socorrida
imediatamente, pode morrer. Agora convidamos você a acompanhar as próximas aulas para
entender como realizar o atendimento inicial a uma parada cardiorrespiratória.
Vamos Exercitar?
Agora que você aprendeu a realizar os primeiros socorros diante de uma OVACE, vamos
solucionar a situação-problema referente a um senhor que sofreu um engasgo. Enquanto todos
estavam aproveitando a comida e a conversa, em um churrasco, você percebe que um dos
convidados, um senhor idoso, começa a tossir de forma descontrolada e a bater no peito,
demonstrando sinais de sufocamento. Ele está com uma expressão de angústia e dificuldade
para respirar. Sua missão agora é avaliar a situação e tomar e prestar os primeiros cuidados a
essa vítima.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Com base nos conteúdos abordados, aprendemos que você deve realizar a abordagem da
OVACE da seguinte forma:
1. Mantenha a calma e avalie rapidamente a situação para determinar se o senhor está
realmente engasgado e precisa de ajuda.
2. Peça permissão ao senhor para ajudá-lo e explique que você vai realizar a manobra de
Heimlich.
3. Posicione-se por trás do senhor e envolva seus braços ao redor da cintura dele.
4. Faça um punho com uma das mãos e coloque-o entre o umbigo e o apêndice xifoide do
senhor.
5. Segure o punho com a outra mão e pressione bruscamente para dentro e para cima, de
forma rápida e repetida, até que o objeto seja expelido ou o senhor consiga respirar
normalmente.
6. Após a remoção do objeto ou a desobstrução das vias aéreas, certifique-se de que o senhor
esteja calmo e respire normalmente. Caso ele desmaie, coloque-o no chão e inicie a RCP
(ressuscitação cardiopulmonar). Chame imediatamente por ajuda médica.
Lembrando que a manobra de Heimlich deve ser realizada com cuidado e apenas em pessoas
que realmente estejam engasgadas. Se a pessoa conseguir tossir e expelir o objeto por conta
própria, não é necessário aplicar a manobra.
Saiba mais
Você poderá compreender a caracterização dos casos de óbitos decorrentes de asfixia acidental
por sufocação em crianças, assim como os objetos relacionados com a obstrução das vias
aéreas em crianças, no seguinte estudo:
Caracterização dos casos de óbito acidental de crianças por aspiração de corpos estranhos
em Minas Gerais. REME – Revista Mineira de Enfermagem, vol. 23, e-1218, 2019.
Referências
AMERICAN HEART ASSOCIATION. First Aid Guideline. Disponível em:
https://cpr.heart.org/en/resuscitation-science/first-aid-guidelines/first-aid. Acesso em: 8 nov.
2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR. IBRAPH. Primeiros socorros em
adultos. 1-111. 2021.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
https://www.revenf.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-27622019000100262&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt
https://cpr.heart.org/en/resuscitation-science/first-aid-guidelines/first-aid
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Biblioteca Virtual em Saúde. Engasgo. Brasília, DF, 2017. Disponível em:
https://bvsms.saude.gov.br/engasgo/. Acesso em: 8 nov. 2023.
PEREIRA, J. P.; MESQUITA, D. D.; GARBUIO, D. C. Educação em saúde: efetividade de uma
capacitação para equipe do ensino infantil sobre a obstrução de vias aéreas por corpo estranho.
ReBraM – Revista Brasileira Multidisciplinar, vol. 23, n. 2., supl., 2020. Disponível em:
https://revistarebram.com/index.php/revistauniara/article/view/828. Acesso em: 25 out. 2021.
Aula 3
Introdução Ao Suporte Básico De Vida
Introdução Ao Suporte Básico De Vida
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos.
Ponto de Partida
Olá! Desejamos as boas-vindas a você, estudante! Nesta terceira aula, convidamos você a iniciar
seus estudos sobre o atendimento a uma parada cardiorrespiratória (PCR). Essa é uma
emergência clínica que exige a realização imediata de manobras com qualidade, pensando que
após 10 minutos de PCR sem atendimento, as chances de sobrevivência da vítima são
praticamente nulas.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
https://bvsms.saude.gov.br/engasgo/
https://revistarebram.com/index.php/revistauniara/article/view/828
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine você está em um evento esportivo ao ar livre
quando presencia um jogador de futebol cair repentinamente no chão durante a partida. Você
corre para ajudar e, ao chegar no local, percebe que o jogador não está respirando e não tem
pulso. Você ajuda no atendimento inicial, acionando serviço especializado e buscando um
desfibrilador externo automático (DEA), uma vez que outras pessoas já iniciaram as manobras
ressuscitação cardiopulmonar. Ao chegar com o desfibrilador e posicioná-lo sobre o tórax da
vítima, o DEA indica continuar com as compressões torácicas, pois o choque não é
recomendado. Pensando nessa situação, vários questionamentos podem surgir, dentre eles:
existe uma sequência correta para prestar o atendimento à PCR? Como o socorrista deve agir
quando está sozinho e quando tem ajuda? Qual a função do DEA e por que ele não recomendou o
choque?
Para entender como realizar esse atendimento inicial, não deixe de ler o conteúdo que
preparamos para esta aula, além de acessar os materiais complementares para aprimorar seus
conhecimentos! Bons estudos!
Vamos Começar!
A parada cardiorrespiratória (PCR) é uma emergência caracterizada pala interrupção súbita de
funções vitais do corpo humano, como as atividades circulatórias, respiratórias e do coração. A
ausência de ventilação e da contratilidade cardíaca interfere na perfusão para os órgãos vitais,
que é a entrega de oxigênio aos tecidos e células de todo o corpo. Com o comprometimento da
perfusão, as células entram em sofrimento, e apresentam comprometimento de seu
funcionamento, inclusive morte celular.
Em órgãos como o cérebro, coração e pulmão, as células conseguem sobreviver por até 4
minutos sem circulação sanguínea; a partir disso, a cada 1 minuto de PCR sem os cuidados
adequados, a vítima perde 10% de chance de sobrevivência. Em 10 minutos, as chances de
sobreviver podem ser consideradas nulas, o que reforça a importância de um atendimento inicial
imediato e de qualidade.
A PCR pode acometer indivíduos em qualquer lugar, seja ele intra ou extra-hospitalar. No entanto,
o objetivo do nosso material é descrever como prestar um atendimento assertivo nas vítimas
extra-hospitalares, com foco nas manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e no uso do
desfibrilador externo automático (DEA), realizadas por leigos devidamente capacitados até a
chegada do Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (SAMU).
As manobras de RCP têm a finalidade de manter a circulação sanguínea para os órgãos e
tecidos, especialmente o cérebro, além de restabelecer a circulação espontânea da vítima ao
reverter a PCR. As manobras são padronizadas quanto ao modo de realização e sequência,
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
sendo denominadas suporte básico de vida (SBV), um protocolo estabelecido pela American
Heart Association (AHA).
A American Heart Association (AHA) é uma associação americana e sem fins lucrativos, fundada
em 1924, responsável pela publicação de Diretrizes para RCP e AtendimentoCardiovascular de
Emergência (ACE), utilizadas por profissionais de saúde, empresas e hospitais nos Estados
Unidos e em todo o mundo. Cabe destacar que as informações contidas nessa seção são
referentes à atualização que ocorreu em 2020 pela AHA, além da Atualização das Diretrizes de
RCP e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de Cardiologia, que
ocorreu em 2019.
Siga em Frente...
Suporte básico de vida
O suporte básico de vida estabelecido pela AHA pode ser desenvolvido através de passos
simples, denominados 4 passos que salvam vidas. A definição de cada um deles será
apresentada a seguir.
Passo 1: reconhecimento precoce da PCR
Uma pessoa em PCR deverá estar inconsciente e não apresentar respiração. Para se certificar
disso, você deve chamar a pessoa em voz alta e tocar os ombros da vítima de forma vigorosa,
verificando se ela apresenta alguma resposta. Além disso, você deve verificar a respiração,
observando se há expansibilidade torácica enquanto se aproxima do rosto vítima para tentar
identificar algum movimento respiratório; essa avaliação deve acontecer durante 5 a 10
segundos. Lembre-se de que, antes disso, você já deve ter verificado a cena, sinalizado o local e
conferido a biossegurança.
Passo 2: acionar o SAMU e solicitar o DEA de forma adequada
Para solicitar ajuda de forma adequada, deve-se considerar a quantidade de socorristas, pois,
com dois socorristas, um deve começar o atendimento e o outro, realizar a ligação para solicitar
o SAMU e ir em busca de um desfibrilador externo automático (DEA). No caso de um socorrista,
ele liga para o SAMU e coloca o celular no viva voz, e realiza o atendimento à vítima
simultaneamente. Se houver um socorrista e ele não estiver com celular, deve ir em busca de
ajuda e depois retornar para prestar o atendimento.
Passo 3: realizar RCP de forma adequada (imediata e de qualidade)
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Realizar compressões torácicas de alta qualidade e ventilações com técnica adequada, sendo o
ar ventilado suficiente para elevar o tórax. Caso você não se sinta seguro, é possível realizar o
atendimento apenas com as compressões torácicas contínuas. Lembre-se: a realização de
compressões torácicas contínuas, sem ventilações, é ainda mais eficaz do que a ausência de
qualquer manobra!
Passo 4: uso de DEA assim que disponível
O DEA é um aparelho portátil, configurado para ler o ritmo cardíaco apresentado pela vítima,
diagnosticar as arritmias cardíacas e tratá-las através da desfibrilação, uma aplicação de
corrente elétrica que cessa a arritmia, auxiliando o coração a restabelecer a contratilidade
normal. Isso é importante, pois algumas PCRs evoluem por conta de arritmias, conforme
veremos mais adiante. Além disso, o DEA seleciona o nível de energia e carrega
automaticamente, ficando sob responsabilidade do socorrista apertar o botão de choque,
quando indicado, e disposição das pás de forma correta.
O DEA é um equipamento essencial no processo de RCP e pode ser utilizado por pessoas não
treinadas, pois é projetado para orientar o usuário durante o processo de aplicação dos choques.
Sua rápida utilização pode aumentar significativamente as chances de sobrevivência da vítima;
trata-se de um equipamento fundamental em locais onde há grande circulação de pessoas, como
aeroportos, shopping centers, escolas e empresas. Dessa forma, em 7 de janeiro 2005 foi criada
a lei nº 13.945, a qual dispõe sobre a obrigatoriedade da manutenção de aparelho desfibrilador
externo automático em locais que apresentem concentração/circulação média diária de 1500 ou
mais pessoas.
Ritmos cardíacos de PCR
O ritmo cardíaco considerado normal é denominado sinusal, e apresenta ritmo e frequência
regulares. Assim, podemos sentir nosso coração batendo sempre com o mesmo intervalo, em
uma frequência de 60 a 100 batimentos por minuto. Sem a frequência e ritmo regulares, o
coração pode não atuar de forma eficiente como uma bomba para circular o sangue oxigenado e
outros nutrientes vitais para todos os tecidos e órgãos do corpo, incluindo o próprio coração.
Na parada cardíaca, é possível identificar 4 ritmos cardíacos diferentes: taquicardia ventricular
sem pulso (TVSP), fibrilação ventricular (FV), atividade elétrica sem pulso (AESP) e assistolia,
conforme descrito a seguir:
Taquicardia ventricular sem pulso (TVSP): é um ritmo cardíaco no qual o coração se contrai
com uma frequência mais elevada, e de forma descoordenada, ou seja, os ventrículos
prevalecem sobre os átrios, pois contraem mais rapidamente. É considerado um ritmo
chocável.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Figura 1 | Apresentação da taquicardia ventricular no traçado cardíaco. Fonte: Viana, Whitaker e Zanei (2020, p. 254).
Fibrilação ventricular: é a arritmia mais comum em vítimas de parada cardíaca. O coração
apresenta contrações descoordenadas e ineficazes, sem conseguir bombear sangue de
forma eficaz para o corpo. É considerado um ritmo chocável.
Figura 2 | Apresentação da fibrilação ventricular no traçado cardíaco. Fonte: Viana, Whitaker e Zanei (2020, p. 254).
Atividade elétrica sem pulso: é uma condição na qual se observa presença de atividade
elétrica organizada no traçado cardíaco, semelhante ao ritmo sinusal, porém, a vítima não
apresenta pulso. É considerado um ritmo não chocável.
Figura 3 | Apresentação da AESP no traçado cardíaco. Fonte: Viana, Whitaker e Zanei (2020, p. 254).
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Assistolia: é definida como a ausência total de atividade elétrica no coração, resultando em
uma parada cardíaca completa, de modo que o coração não contrai e não há pulso. É
considerado um ritmo não chocável.
Figura 4 | Apresentação da assistolia no traçado cardíaco. Fonte: Viana, Whitaker e Zanei (2020, p. 254).
Em nível de primeiros socorros, não é exigido que o socorrista saiba identificar esses ritmos, mas
é importante saber que os dois primeiros, TVSP e FV, se enquadram nos ritmos chocáveis, ou
seja, são tratáveis através da desfibrilação, enquanto os outros dois são ritmos não chocáveis.
Dessa forma, é possível compreendermos por que o DEA recomenda o choque em alguns
momentos, e em outros não. O DEA indicará o choque somente em ritmos cardíacos em que a
atividade elétrica está muito desorganizada, uma vez que a sua função é a de “resetar” a
atividade elétrica anormal e reorganizá-la, a fim de retornar ao ritmo sinusal.
Chegamos ao final de mais uma aula! No decorrer deste material, você iniciou os estudos sobre
o atendimento a uma parada cardiorrespiratória (PCR), uma emergência clínica que exige a
realização imediata de manobras com qualidade. Agora, convidamos você a acompanhar as
próximas aulas para aprofundar seus conhecimentos sobre o atendimento à parada
cardiorrespiratória.
Vamos Exercitar?
Agora que você aprendeu sobre o conceitos iniciais do atendimento a uma parada
cardiorrespiratória (PCR), vamos solucionar a situação-problema referente a um jogador de
futebol que sofreu uma PCR durante a partida. Ele caiu repentinamente no chão e você corre para
ajudar. Ao chegar no local, percebe que o jogador não está respirando e não tem pulso. Você
ajuda no atendimento inicial, acionando serviço especializado e buscando um desfibrilador
externo automático (DEA), já que outras pessoas já iniciaram as manobras ressuscitação
cardiopulmonar. Ao chegar com o desfibrilador e posicionar sobre o tórax da vítima, o DEA indica
continuar com as compressões torácicas, pois o choque não é recomendado. Pensando nesta
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
situação, vários questionamentos podem surgir, dentre eles: existe uma sequência correta para
prestar o atendimento à PCR? Como o socorrista deve agir quando está sozinho e quando tem
ajuda? Qual a função do DEA e por que ele não recomendou o choque?
Com base nos conteúdos abordados, aprendemos que o atendimento à PCR realizado por leigos
deve ser embasado no suporte básico de vida (SBV), estabelecido pelaAHA. O SBV pode ser
desenvolvido através de passos simples, denominados 4 passos que salvam vidas:
Passo 1: reconhecer rapidamente se uma pessoa está em PCR, confirmando se está
inconsciente e não apresenta respiração em um intervalo de 5 a 10 segundos. Antes disso,
você já deve ter verificado a cena, sinalizado o local e conferido a biossegurança.
Passo 2: acionar o SAMU e solicitar um desfibrilador externo automático.
Passo 3: realizar as manobras de ressuscitação cardiopulmonar, compressões e
ventilações, com qualidade e de forma adequada.
Passo 4:  utilizar o DEA assim que disponível.
Para solicitar ajuda de forma adequada, você deve considerar a quantidade de socorristas,
conforme descrito a seguir:
Dois socorristas: um deve começar o atendimento e o outro realizar a ligação para solicitar
o SAMU.
Um socorrista com celular: ligar para o SAMU e colocar o celular no viva voz, realizando o
atendimento à vítima simultaneamente.
Um socorrista sem celular: ir em busca de ajuda e depois retornar para prestar o
atendimento.
Em relação ao DEA, cabe destacar que se trata de um aparelho portátil, configurado para ler o
ritmo cardíaco apresentado pela vítima de PCR, diagnosticar as arritmias cardíacas e tratá-las
através da desfibrilação. O DEA indicará o choque nos ritmos cardíacos em que a atividade
elétrica está muito desorganizada, uma vez que a sua função é a de “resetar” a atividade elétrica
anormal e reorganizá-la, a fim de retornar ao ritmo sinusal. Os ritmos considerados chocáveis
são somente a taquicardia ventricular sem pulso (TVSP) e a fibrilação ventricular (FV). Dessa
forma, se a vítima apesentar ritmos como atividade elétrica sem pulso ou assistolia, o DEA não
indicará o choque.
Saiba mais
Os protocolos do SBV estão em constante atualização; na versão mais recente e atualizada, não
é mais indicado que o leigo socorrista verifique o pulso da vítima, no reconhecimento da PCR.
Isso foi importante, pois o leigo precisa de mais tempo para identificar o pulso e pode cometer
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
mais erros na avaliação, prejudicando o início do atendimento. Para conhecer mais sobre o
atendimento à PCR, convidamos você a consultar o seguinte material:
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Atualização da Diretriz de Ressuscitação
Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de
Cardiologia – 2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, n. 113, v. 3, p. 449-663, 2019.
Referências
AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques das atualizações direcionadas nas diretrizes de
2020 a American Heart Association para RCP e atendimento cardiovascular de emergência.
2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-
files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf. Acesso em: 14 nov. 2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR. IBRAPH. Primeiros socorros em
adultos. 1-111. 2021.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Atualização da Diretriz de Ressuscitação
Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de
Cardiologia – 2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, n. 113, v. 3, p. 449-663, 2019. Disponível
em: http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11303/pdf/11303025.pdf. Acesso
em: 14 nov. 2023.    
VIANA, R. A. P. P.; WHITAKER, I. Y.; ZANEI, S. S. V. Enfermagem em terapia intensiva: práticas e
vivências. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2020.
Aula 4
Manobras de Ressuscitação Cardiopulmonar
Manobras de Ressuscitação Cardiopulmonar
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11303/pdf/11303025.pdf
https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf
https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf
http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11303/pdf/11303025.pdf
Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos.
Ponto de Partida
Olá! Desejamos as boas-vindas a você, estudante! Nesta aula, convidamos você a conhecer e
aprofundar seus conhecimentos sobre o atendimento a uma parada cardiorrespiratória com base
no suporte básico de vida, que também pode ser descrito como os 4 passos que salvam vidas.
Para contextualizar sua aprendizagem, imagine que você está em um parque durante um dia
ensolarado. De repente, você ouve um grito de socorro vindo de uma área próxima. Ao se
aproximar, você vê um homem caído no chão, sem respirar. Logo você percebe que o homem
está sofrendo uma parada cardiorrespiratória. Não há profissionais de saúde por perto e o tempo
é crucial. Você é a única pessoa capaz de prestar os primeiros socorros. Como você agiria nessa
situação? Quais seriam as etapas que você seguiria para realizar os procedimentos de
ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de forma eficaz, considerando as técnicas corretas e a
importância de manter a calma e agir rapidamente?
Para entender como realizar esse atendimento inicial, não deixe de ler o conteúdo que
preparamos para essa aula, além de acessar os materiais complementares para aprimorar seus
conhecimentos! Bons estudos!
Vamos Começar!
A parada cardiorrespiratória (PCR) é uma emergência caracterizada pala interrupção súbita de
funções vitais do corpo humano, como as atividades circulatórias, respiratórias e do coração. Por
sua vez, as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) têm a finalidade de manter a
circulação sanguínea para os órgãos e tecidos, especialmente o cérebro, além de restabelecer a
circulação espontânea da vítima ao reverter a PCR. As manobras são padronizadas quanto ao
modo de realização e sua sequência, sendo denominadas suporte básico de vida (SBV), um
protocolo estabelecido pela American Heart Association (AHA).
Ele pode ser desenvolvido através de passos simples, denominados 4 passos que salvam vidas:
reconhecer precocemente a PCR; acionar o SAMU e solicitar o DEA; realizar RCP de forma
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
imediata e com qualidade; usar o DEA assim que disponível. A partir de agora, aprofundaremos
nossos estudos sobre essas 4 etapas, vamos lá?
Etapa 1: reconhecimento precoce da PCR
Antes mesmo de realizar o reconhecimento da PCR, é importante avaliar a cena, sinalizar o local
e conferir a biossegurança. Em seguida, você deve verificar se a vítima está inconsciente, com
ausência de respiração, pois estes são os sinais que caracterizam uma PCR. Para isso, o
socorrista deve:
Observar a resposta da vítima por meio de estímulo tátil e verbal: para isso, chame-a em
voz alta e toque vigorosamente em seus ombros. Se ela não apresentar resposta alguma,
significa que está inconsciente.
Verificar a respiração da vítima: observe o tórax da vítima ao mesmo tempo que se
aproxima do seu rosto para tentar identificar algum movimento respiratório; essa avaliação
deve acontecer por 5 a 10 segundos. Em alguns casos, a vítima pode apresentar o que
chamamos de respiração agônica ou gasping, um reflexo que o organismo apresenta como
uma última tentativa de obtenção de oxigênio. São movimentos respiratórios muito curtos
e não efetivos.
A última atualização do protocolo de SBV não recomenda mais a verificação do pulso da vítima
pelo leigo no reconhecimento da PCR, pois isso é considerado um procedimento de difícil
realização, e que pode atrasar muito o início da RCP. Segundo as evidências mais atualizadas, o
risco de danos à vítima que recebe as compressões torácicas quando nãoestá em PCR é baixo,
entretanto, o risco da demora para iniciar a RCP em uma vítima sem pulso é maior que o dano
por compressões torácicas desnecessárias.
O reconhecimento de PCR em lactentes e crianças também se dá pela inconsciência e ausência
de respiração. As diferenças em relação ao reconhecimento no adulto, são:
No lactente, chamá-lo por meio de palmadas na região plantar, observar a presença de
respiração agônica ou gasping, pois indica que a criança não está respirando.
Na criança assim como no adulto, chamar a vítima por meio de estímulo tátil nos ombros.
Etapa 2: acionar o SAMU e solicitar o DEA de forma adequada
Após a identificação precoce da PCR, o socorrista deve acionar o serviço especializado, nesse
caso o Serviço de Atendimento Móvel de Urgências (SAMU), além de solicitar um desfibrilador
externo automático (DEA), caso houver. Para solicitar ajuda de forma adequada, deve-se
considerar a quantidade de socorristas:
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Com dois socorristas, um deve começar o atendimento e o outro realizar a ligação para
solicitar o SAMU.
Com um socorrista, ele liga para o SAMU e coloca o celular no viva voz, e simultaneamente
realiza o atendimento à vítima.
Se houver um socorrista e ele não estiver com celular, ele deve ir em busca de ajuda e
depois retornar para prestar o atendimento.
Se você estiver em uma aglomeração de pessoas, ou houver mais do que três socorristas
disponíveis para prestar o atendimento, é essencial designar alguém para função de ligar para o
SAMU, e para buscar o DEA. Isso é importante para não causar confusão entre as pessoas e
evitar de todos executarem a mesma ação, ou mesmo de ninguém tomar a iniciativa. Para isso,
olhe fixamente para alguém e indique a ação: “você, chame o SAMU”, “você, busque um
desfibrilador”
Etapa 3: RCP imediata e de alta qualidade
Nesta etapa, você deve realizar as compressões torácicas e ventilações, necessariamente nessa
ordem. Caso o leigo esteja inseguro, ou não possua as máscaras apropriadas para ventilação, as
compressões podem ser realizadas de forma contínua, mesmo sem as ventilações. As
compressões torácicas são prioridade, pois além de gerar fluxo de sangue para todos os órgãos,
promovem ventilação passiva quando a vítima apresenta vias aéreas pérvias. Para a oxigenação
adequada dos tecidos, é essencial minimizar as interrupções das compressões torácicas e
maximizar a quantidade de tempo em que as compressões torácicas geram fluxo de sangue.
Portanto, para que sejam efetivas, as compressões torácicas devem ser realizadas de forma
adequada, considerando a frequência e profundidade das compressões, o retorno do tórax após
cada compressão e mínimas interrupções. As compressões efetivas consistem em:
Posicionamento adequado do compressor ao lado da vítima com os joelhos afastados um
do outro e apoiados no chão, para melhor estabilidade.
Deixar desnuda a região do tórax onde será aplicada a massagem cardíaca.
Colocar a região hipotenar de uma mão sobre a metade inferior do osso esterno e a outra
mão sobre a primeira, entrelaçando os dedos das mãos, conforme a Figura 1.
Posicionar os braços a cerca de 90º acima da vítima, mantendo-os estendidos.
Realizar compressões na frequência entre 100-120 compressões/minuto.
Realizar compressões com profundidade entre 5-6cm.
Observar o retorno completo do tórax após cada compressão.
Não fazer força com os braços e sim utilizar o peso do próprio tronco para realizar as
compressões.
Se houver dois socorristas, realizar o revezamento entre eles, no máximo em 2 minutos, para
evitar o cansaço e compressões de má qualidade. Pode-se também realizar de forma contínua
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
até a chegada do socorro especializado caso não haja dispositivo para ventilação.
Figura 1 | Posicionamento das mãos sobre o tórax na RCP no adulto. Fonte: Shutterstock.
No lactente, o posicionamento para compressão é com dois dedos ou utilizando a técnica com
os dedos indicador e médio (Figura 2A) ou com dois polegares (Figura 2B), e a profundidade de
compressão deve ser de 4cm. Já na criança, o posicionamento para compressão deve usar uma
ou duas mãos, dependendo do tamanho da criança e do socorrista, e a profundidade da
compressão deve ser entre 4 e 5cm. Tanto no lactente quanto na criança, frequência das
compressões deve ser de 100-120 por minuto.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Figura 2 | Posicionamento das mãos sobre o tórax na RCP no lactente. Fonte: Shutterstock.
Siga em Frente...
Agora vamos compreender como realizar as ventilações. Esse procedimento é realizado após
abrirmos as vias aéreas da vítima, devendo o ar ventilado ser suficiente para elevar o tórax, com
duração de 1 segundo cada ventilação, aplicando 2 ventilações. Lembre-se de que, para abrir as
vias aéreas da vítima, você deve utilizar as técnicas de inclinação da cabeça com elevação do
queixo, ou anteriorização da mandíbula antes de aplicar as ventilações. Alguns dispositivos
podem ser utilizados para a ventilação, considerando que o socorrista esteja devidamente
treinado:
Boca a boca: utilizado quando não há um dispositivo de barreira disponível. O socorrista
deve pinçar o nariz da vítima, abrir as vias aéreas e acoplar sua boca na da vítima e realizar
duas ventilações. Essa técnica não é indicada quando você desconhece o histórico de
saúde da vítima, devido ao risco de transmissão de diversas doenças.
Máscara de bolso (“pocket mask”): possui válvula unidirecional que evita transmissão de
microrganismos, pois o ar expelido pelo socorrista chega à vítima, mas o contrário não
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
acontece.
Máscara descartável: apresenta plástico impermeável para formar entre a vítima e o
socorrista e possui válvula de segurança contra refluxo, de uso único.
No lactente: realizar a técnica boca-nariz-boca. A boca do socorrista deve envolver tanto a
boca como o nariz do lactente e realizar duas ventilações.
No caso de dispositivos de ventilação, deve-se utilizar tamanho adequado para o lactente e
a criança, ou inverter a posição da máscara quando ela não apresentar o tamanho
adequado. Com o uso de dispositivos, não realizar distensão da cabeça do lactente.
Com base em todas essas informações, vamos compreender como realizar as manobras de
compressão e ventilação:
A cada 30 compressões, são aplicadas 2 ventilações no adulto; independentemente da
quantidade de socorristas disponíveis, devem ser realizadas 30 compressões e 2
ventilações.
Para aplicar as ventilações, o socorrista não deve demorar mais do que 10 segundos,
devendo logo em seguida retomar as compressões. Lembre-se de que o socorrista pode
optar por realizar somente as compressões contínuas, sem ventilações no adulto.
Em lactentes e crianças, se houver somente um socorrista, realizar 30 compressões e 2
ventilações; porém, se houver dois socorristas, realizar 15 compressões e 2 ventilações.
Deve-se realizar no máximo 2 minutos de RCP e então realizar a troca com outro socorrista:
o que estava comprimindo passa para a ventilação, e vice-versa.
Desfibrilador externo automático (DEA)
O DEA é um equipamento portátil que possui um sistema computadorizado, composto pelo
aparelho, bateria, pás para uso pediátrico e adulto, lâmina para tricotomia e compressa. Realiza a
interpretação do ritmo cardíaco, diagnostica as arritmias cardíacas e trata-as através da
desfibrilação (aplicação do choque). O objetivo do choque é restabelecer o ritmo cardíaco da
vítima, para reorganizar a atividade elétrica do coração que, se apresentava descoordenada. A
seguir você entenderá como utilizar o DEA:
Posicionar o aparelho do lado da cabeça da vítima e ligar, ativando os comandos verbais do
aparelho que orientam todas as etapas seguintes.
Posicione as pás no tórax da vítima (as pás apresentam um desenho indicando o seu
posicionamento correto, siga essas instruções).
Conecte o aparelho às pás.
O DEA dará comandos verbais, indicando que está analisandoo ritmo cardíaco. Nesse
momento, solicitar que todos se afastem da vítima.
Após avaliação do ritmo cardíaco, o DEA pode indicar o choque. Novamente o socorrista
deve solicitar o afastamento da vítima.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Ao apertar o botão indicado, o choque será produzido, como uma contração repentina dos
músculos do paciente.
Imediatamente após o choque, realizar as compressões torácicas, reiniciando a RCP. De 2
em 2 minutos, o DEA analisará o ritmo novamente. Se o choque não for solicitado pelo DEA,
a RCP deve prosseguir, em casos de persistência da PCR.
Se houver retomada da consciência da vítima, prosseguir com o monitoramento do DEA até
a chegada do SAMU.
Se houver o restabelecimento da respiração e pulso, colocar a vítima em posição lateral de
segurança, caso não apresente suspeita de trauma. O socorrista deve permanecer no local
até que o SAMU chegue.
Chegamos ao final de mais uma aula! No decorrer deste material, descrevemos como realizar o
atendimento a uma parada cardiorrespiratória com base no suporte básico de vida, que também
pode ser descrito como os 4 passos que salvam vidas. Agora, convidamos você a acompanhar a
próxima unidade. Nos vemos lá!
Vamos Exercitar?
Agora que você aprendeu sobre o atendimento a uma parada cardiorrespiratória (PCR) com base
nos 4 passos que salvam vidas, vamos solucionar a situação-problema referente a um homem
que sofreu parada cardiorrespiratória. Você está em um parque durante um dia ensolarado. De
repente, você ouve um grito de socorro vindo de uma área próxima. Ao se aproximar, você vê um
homem caído no chão, sem respirar. Logo você percebe que o homem está sofrendo uma PCR.
Não há profissionais de saúde por perto e o tempo é crucial. Você é a única pessoa capaz de
prestar os primeiros socorros. Como você agiria nessa situação? Quais seriam as etapas que
você seguiria para realizar os procedimentos de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de forma
eficaz, considerando as técnicas corretas e a importância de manter a calma e agir rapidamente?
Com base nos conteúdos abordados nesta aula, aprendemos que, diante de uma PCR, o
socorrista deve agir rapidamente, com base no suporte básico de vida (SBV), que são os 4
passos que salvam vidas:
Passo 1: reconhecimento precoce da PCR
Para a avaliação inicial, o socorrista deve observar a resposta da vítima por meio de estímulo tátil
e verbal. Verificar a respiração da vítima através da observação da expansão do tórax por 5 a 10
segundos. Entretanto, antes de realizar o reconhecimento da PCR, é importante verificar a cena e
a segurança, para que a situação não piore ainda mais, e para que o socorrista não ser torne
outra vítima.
Passo 2: acionar o SAMU (solicitar DEA de forma adequada)
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Para solicitar ajuda de forma adequada, deve-se considerar a quantidade de socorristas, pois,
com dois, um deve começar o atendimento e o outro realizar a ligação para solicitar o SAMU. No
caso de haver só um socorrista, ele liga para o SAMU e coloca o celular no viva voz, e realiza o
atendimento à vítima simultaneamente. Se houver um socorrista e ele não estiver com celular,
ele deve ir em busca de ajuda e depois retornar para prestar o atendimento.
Passo 3: realizar RCP de forma adequada (imediata e de qualidade)
Realizar 30 compressões e 2 ventilações com duração de 1 segundo cada, sendo o ar ventilado
suficiente para elevar o tórax, utilizando técnica correta de posicionamento e que produza uma
frequência cardíaca de 100-120 e profundidade torácica entre 5-6cm. No atendimento realizado
por um leigo, podem ser realizadas compressões torácicas contínuas.
Passo 4:  uso de DEA, assim que disponível
O DEA realiza a interpretação do ritmo cardíaco, seleciona o nível de energia e carrega
automaticamente, ficando sob responsabilidade do socorrista apertar o botão de choque,
quando indicado, e a disposição das pás de forma correta
Nesse cenário, a ação rápida e eficaz pode fazer a diferença entre a vida e a morte da vítima.
Certificar-se de que a ajuda profissional está a caminho e iniciar imediatamente a RCP são
passos cruciais para aumentar as chances de sobrevivência da vítima.
Saiba mais
Observe algumas situações especiais para o uso da DEA, como:
Realizar tricotomia se houver excesso de pelos na região do tórax, apenas nas regiões em
que serão colocadas as pás.
Secar com compressa o tórax, caso apresente-se molhado.
Em vítimas com marcapasso, colocar as pás aproximadamente 8cm do aparelho ou
posicionar uma pá na região anterior do tórax (no terço inferior do osso esterno) e a outra
na região posterior (entre as escápulas).
Nas vítimas com adesivo medicamentoso, este deve ser retirado apenas se estiver
presente nos locais de colocação das pás.
Para conhecer mais sobre o uso do DEA no atendimento à PCR realizada por leigos, convidamos
você a consultar o seguinte artigo:
1. Uso do Desfibriladores externos automáticos (DEA) por pessoas leigas no atendimento pré-
hospitalar: uma revisão integrativa da literatura. Research, Society and Development, v. 10,
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
https://www.researchgate.net/publication/352773450_Uso_do_Desfibriladores_externos_automaticos_DEA_por_pessoas_leigas_no_atendimento_Pre-hospitalar_Uma_Revisao_Integrativa_da_Literatura
https://www.researchgate.net/publication/352773450_Uso_do_Desfibriladores_externos_automaticos_DEA_por_pessoas_leigas_no_atendimento_Pre-hospitalar_Uma_Revisao_Integrativa_da_Literatura
n. 7, e36110715989, 2021.
Referências
AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques das atualizações direcionadas nas diretrizes de
2020 a American Heart Association para RCP e atendimento cardiovascular de emergência.
2020. Disponível em: https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-
files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf. Acesso em: 14 nov. 2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR. IBRAPH. Primeiros socorros em
adultos. 1-111. 2021.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Atualização da Diretriz de Ressuscitação
Cardiopulmonar e Cuidados Cardiovasculares de Emergência da Sociedade Brasileira de
Cardiologia – 2019. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, n. 113, v. 3, p. 449-663, 2019. Disponível
em: http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11303/pdf/11303025.pdf. Acesso
em 14 nov. 2023.     
VIANA, R. A. P. P.; WHITAKER, I. Y.; ZANEI, S. S. V. Enfermagem em terapia intensiva: práticas e
vivências. 2ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2020.
Aula 5
Suporte Básico de Vida
Videoaula de Encerramento
Este conteúdo é um vídeo!
Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf
https://cpr.heart.org/-/media/cpr-files/cpr-guidelines-files/highlights/hghlghts_2020eccguidelines_portuguese.pdf
http://publicacoes.cardiol.br/portal/abc/portugues/2019/v11303/pdf/11303025.pdf
Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela, você irá aprender
conteúdos importantes para a sua formação profissional. Vamos assisti-la? Bons estudos.
Ponto de Chegada
Olá, estudante! Para desenvolver a competência desta Unidade, que é conhecer o manejo das
vias aéreas e os protocolos de atendimento à parada cardiorrespiratória, realizando conduta de
acordo com os conhecimentos do socorrista, você deverá conhecer os conceitos fundamentais
deste tipo de atendimento. Dentre eles, podemos destacar: o manejo das vias aéreas superiores,
as técnicas de abertura e de desobstrução delas, e o suporte básico de vida.
O manejo das vias aéreas superiores é de extrema importância no atendimento deemergência,
pois a obstrução dessas vias pode resultar em complicações sérias na oxigenação do
organismo. Dessa forma, a identificação e o manejo imediato de obstruções das vias aéreas
superiores são fundamentais para garantir a sobrevivência de vítimas inconscientes e
sonolentas. Ao prestar os primeiros socorros, é fundamental avaliar e garantir a permeabilidade
das vias aéreas superiores, especialmente em vítimas que não estejam respondendo ou que
estejam respirando com dificuldade.
A abordagem varia de acordo com o tipo de emergência, clínica ou traumática, e a decisão do
socorrista deve ser embasada em um raciocínio ágil e preciso. A técnica de liberação de vias
aéreas nas vítimas clínicas consiste em inclinar a cabeça da vítima (hiperextensão) e realizar
elevação do queixo, movimentando a mandíbula e liberando a língua. Em casos de vítimas de
trauma, é contraindicado realizar a hiperextensão da cabeça na manobra de liberação de vias
aéreas, pois pode lesionar ou agravar a situação instalada. Em tais casos, a técnica de
anteriorização da mandíbula (jaw thrust) pode ser utilizada.
Após a correta realização da manobra de liberação das vias aéreas superiores, o socorrista deve
inspecionar a cavidade oral, utilizando uma lanterna, se necessário, para uma melhor
visualização. Em caso de corpo estranho sólido, ele deve ser removido com os dedos em pinça.
Se for um corpo estranho líquido em pequena quantidade, deve-se removê-lo com o auxílio de
uma gaze. Já em casos de corpo estranho líquido em grande quantidade, a conduta varia
dependendo do tipo de vítima: em emergências de traumas, deve-se realizar a lateralização em
bloco, enquanto em emergências clínicas, deve-se realizar a posição lateral de segurança.
A posição lateral de segurança é imprescindível diante de situações em que a vítima não
responde ou tem dificuldade em reagir. Em tais situações, é aconselhável evitar a posição
deitada de costas devido ao risco de relaxamento da língua e obstrução das vias aéreas. Em vez
disso, é preferível colocar a pessoa na posição lateral de segurança (PLS) para proteger as vias
respiratórias, desde que não prejudique o atendimento.
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
Para posicionar a vítima lateralmente, os seguintes passos devem ser seguidos: a mão da vítima
deve ser colocada contra o rosto, enquanto a perna distal deve ser flexionada para que a vítima
seja colocada em posição lateral. Na sequência, é importante observar os sinais de respiração da
vítima, como fala, gemidos ou choro, que indicam vias aéreas desobstruídas. Caso a vítima não
apresente movimento respiratório ou não responda ao socorrista, é necessário realizar manobras
para abrir as vias aéreas. O socorrista deve monitorar a evolução e continuar a avaliação da
vítima.
Em relação a obstrução das vias aéreas por corpo estranho (OVACE), cabe destacar que se trata
de uma situação de emergência, que pode levar à insuficiência respiratória e até mesmo à morte
em apenas 4 minutos. Esse problema é responsável por 84% dos acidentes em crianças menores
de cinco anos, sendo mais comum em meninos. Portanto, é essencial que os socorristas
estejam preparados para reconhecer e lidar com essas situações de forma adequada.
Na obstrução parcial, a vítima pode apresentar tosse forte e dificuldade para falar, mas ainda
consegue passar um pouco de ar. Se essa situação persistir, pode levar a uma hipóxia
progressiva, resultando em parada cardiorrespiratória. O socorrista deve incentivar a tosse para
tentar expelir o corpo estranho. Já na obstrução total, a passagem de ar é completamente
impedida, o que pode levar à hipóxia e, eventualmente, à morte. A vítima não consegue falar,
apresenta tosse fraca e pode demonstrar sinais de asfixia. Se consciente, o socorrista deve
realizar a manobra de Heimlich. Se a vítima perder a consciência, a ressuscitação
cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada.
A manobra de Heimlich é uma técnica que deve ser utilizada em vítimas conscientes com
obstrução total das vias aéreas; ela apresenta algumas modificações de realização em adultos,
crianças e lactentes. Em lactentes, a manobra consiste em posicionar o bebê de bruços sobre o
braço do socorrista, dar cinco palmadas entre as escápulas e depois aplicar cinco compressões
sobre o esterno. Se não houver resultados, as compressões devem ser repetidas até a chegada
do serviço de emergência.
Para crianças conscientes, o socorrista deve ajoelhar-se e abraçar a vítima por trás, manter uma
das mãos fechada sobre o abdome e acima do umbigo, e comprimir ao mesmo tempo que
empurra para dentro e para cima. A manobra deve ser repetida por cinco vezes, observando a
expulsão do corpo estranho e a respiração da criança. Em adultos conscientes, a manobra é
semelhante à da criança, exceto que o socorrista fica em pé atrás da vítima e realiza os
movimentos de compressão de forma rápida e vigorosa.
Se a vítima estiver sozinha no momento do engasgo, é possível realizar a manobra de Heimlich
em si própria, posicionando o punho acima da região umbilical e conduzindo-o para cima, ou
realizando os movimentos diretamente em uma cadeira. Em resumo, a manobra de Heimlich é
uma técnica simples e eficaz para desobstruir as vias aéreas em casos de engasgo, e deve ser
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS SOCORROS
realizada de acordo com as orientações específicas para lactentes, crianças e adultos
conscientes.
Por sua vez, a parada cardiorrespiratória (PCR) é uma situação de emergência que ocorre quando
as funções vitais do corpo humano, como circulação, respiração e atividade cardíaca, são
interrompidas de forma súbita. Isso leva à falta de oxigênio nos tecidos e células do corpo,
resultando em sofrimento e possivelmente morte celular. O atendimento à PCR em primeiros
socorros é focado prestar atendimento adequado com ênfase em manobras de ressuscitação
cardiopulmonar (RCP) e uso de desfibrilador externo automático (DEA). As manobras de RCP
visam manter a circulação sanguínea, especialmente para o cérebro, e reverter a PCR. Elas
seguem um protocolo padronizado chamado suporte básico de vida (SBV), estabelecido pela
American Heart Association (AHA).
Ele pode ser desenvolvido através de quatro passos simples que salvam vidas: reconhecer
precocemente a PCR; acionar o SAMU e solicitar o DEA; realizar as manobras de RCP
imediatamente e com qualidade; utilizar o DEA assim que disponível. A seguir, apresentaremos
cada um dos passos.
Etapa 1: reconhecimento precoce da PCR
Antes de reconhecer a PCR, é importante avaliar a cena, sinalizar o local e garantir a segurança.
Em seguida, verifique se a vítima está inconsciente e sem respiração, pois estes são os sinais de
uma PCR. O socorrista deve observar a resposta da vítima por meio de estímulo tátil e verbal,
além de verificar sua respiração. A última atualização do protocolo de SBV não recomenda mais
a verificação do pulso da vítima, pois isso pode atrasar o início da RCP. O reconhecimento de
PCR em lactentes e crianças também se dá pela inconsciência e ausência de respiração.
Etapa 2: acionar o SAMU e solicitar o DEA de forma adequada
Após a identificação precoce da PCR, o socorrista deve acionar o SAMU e solicitar um
desfibrilador externo automático (DEA), caso houver. O procedimento para solicitar ajuda varia de
acordo com a quantidade de socorristas disponíveis. Se houver um aglomerado de pessoas, é
essencial designar alguém para ligar para o SAMU e buscar o DEA.
Etapa 3: realizar as manobras de RCP imediatamente e com qualidade
Nesta etapa, é crucial realizar compressões torácicas e ventilações, nesta ordem. Caso o leigo
não possua máscaras apropriadas para ventilação, as compressões podem ser realizadas de
forma contínua. As compressões torácicas são prioritárias, pois geram fluxo de sangue para os
órgãos e promovem ventilação passiva quando as vias aéreas estão desobstruídas. As
compressões devem ser realizadas em uma frequência de 100-120 por minuto, aprofundando o
Disciplina
SUPORTE BÁSICO DE VIDA E
PRIMEIROS

Mais conteúdos dessa disciplina