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Universidade Federal de Minas Gerais Departamento de Fonoaudiologia Professora Letícia Caldas Teixeira 4º Período - 1º semestre 2011 Abordagens de treinamento vocal e suas aplicações: Método III Método de Órgãos Fonoarticulatórios Desativar o ajuste motor inadequado e mudar o padrão de voz. Equilibrar a função fonatória Encadear duas ou mais dinâmicas (fonatória, articulatória e/ou reflexovegetativa) quando se associa os exercícios à fonação Objetivos Regras básicas Verificar desequilíbrios musculares e articulatórios que impeçam a execução de certos exercícios. Os exercícios podem ser utilizados direcionados à alteração da voz associada à desvios de outras funções. 1- Técnica de deslocamento lingual Posteriorização, anteriorização e exteriorização da língua. Antes de iniciar o exercício, relaxar a musculatura lingual: posicionar a cabeça para trás e abrir e fechar a boca em movimentos extensos. Reflexo nauseoso: substituir pela técnica do bocejo-suspiro. Exteriorização de língua: constrangimento ou dor nos casos de disfunção de ATM, substituir. Procedimento básico Objetivos Uniformizar a área circular longitudinal do trato vocal. Posteriorização: maior aproveitamento da cavidade oral. Anteriorização: liberar a laringe. Exteriorização: abrir o ádito da laringe e elevá-la. Aplicações principais Posteriorização: Fonação delgada, voz infantilizada e alterações de ressonância. Anteriorização: ressonância posterior. Exteriorização: disfonias hipercinéticas com constrição mediana ou vibração de pregas vestibulares. Variações Deslocamento lingual com sonorização associada. Deslocamento lingual com movimentos da musculatura perioral e de pescoço. 2- Técnica de rotação de língua no vestíbulo bucal Procedimento básico Emissão com rotação da língua no vestíbulo bucal, lentamente, com os lábios unidos. Associar à emissão do som nasal “m”, prolongado, juntar a saliva e degluti-la. Inspirar profundamente e emitir vogais bocejadas. No início, fazer duas vezes em cada sentido e ir aumentando o número de rotações a cada série. O paciente pode relatar dores musculares na língua pela elevada mobilização muscular exigida. Para aliviar, manter o ritmo respiratório durante o exercício. Não realizar na presença de aftas, aparelhos ortodônticos ou próteses dentárias. Objetivos Reduzir as constrições do trato vocal. Reposicionar a língua e laringe. Ampliar a faringe. Reduzir a ressonância posterior. Aplicações Reorganização muscular fonoarticulatória. Redução da tensão laringofaríngea. Voz com emissão faríngea ou ressonância posterior. Variações Substituir o movimento de rotação no vestíbulo pelo de “varrer o palato”, dos dentes ao véu palatino, nos dois sentidos, também sonorizado. Associar o exercício de rotação de ombros. Gravar e comparar a emissão antes e depois desta técnica. 3- Técnica do estalo de língua associado ao som nasal Procedimento básico Estalar a ponta da língua de modo constante e repetido associado à emissão do som nasal “n” Pode-se iniciar tanto pelo estalo como pelo som nasal, de acordo com a facilidade do paciente. Verificar se não há tensão excessiva na produção dos dois sons Conhecida como “técnica do carro e cavalo” Técnica efetiva nos casos de prova terapêutica negativa com som nasal (irritação e ardor). Objetivos Relaxar a musculatura supra-hióidea. Reequilibrar a fonação. Melhorar o movimento vertical da laringe. Favorecer sintonia fonte-filtros. Elevar o foco de ressonância. Aplicações principais Travamento articulatório. Foco ressonantal baixo ou posterior. Disfonia da muda com laringe elevada. Disfonia por tensão \muscular. Disfagia discreta Variações Associação dessa técnica á rotação de ombros. Associação dessa técnica à mudança de postura de cabeça. 4- Técnica do bocejo-suspiro Procedimento básico Inspirar profundamente e imitar um bocejo, com a língua baixa e anteriorizada, sonorizando-a com uma vogal aberta Aproveitar os bocejos naturais. Verificar se não há limitações na abertura de boca para realização da técnica. Observar se o paciente reduziu a abertura da boca durante a emissão ou posteriorizou a língua. Constrangimento: substituir pela técnica do som nasal. Objetivos Reduzir ataques vocais bruscos. Ampliar o trato vocal e faringe. Reduzir as forças de compressão glótica mediana. Abaixar laringe. Melhorar a projeção vocal. Favorecer a sintonia fonte-filtros. Elevar o véu. Técnica do bocejo-suspiro Aplicações principais Travamento articulatório. Ressonância laringofaríngea. Nódulos vocais. Disfonia por tensão muscular. Fonação vestibular. Hipercinesia laríngea. Auxilia na aquisição da voz esofágica. Preparatório para execução do som nasal e do som basal. Desaquecimento vocal para voz profissional. Hipernasalidade. Muda vocal incompleta. Variações Provocar bocejos com todas as vogais. Bocejar com grande modulação de frequência. Bocejar terminando a emissão com o som “mmm...” prolongado e de ressonância difusa. Bocejo silencioso com lábios unido e soltando o ar pelo nariz, emitindo em seguida muááá´, muééée... 5- Técnica mastigatória Procedimento básico Mastigar ativamente, com a boca aberta e movimentos amplos dos lábios, da mandíbula, da língua e das bochechas, emitindo-se uma grande variedade de sons, evitando-se um monótono “iam iam iam...” Verificar se há limitações na abertura de boca. Constrangimento: substituir por som nasal mastigado, associado à produção de vogais. Objetivos Equilibrar a qualidade vocal. Reduzir constrições inadequadas. Aumentar a resistência vocal. Melhorar a coordenação fo/deglut. Melhorar o padrão articulatório. Favorecer a ressonância oral. técnica universal Aplicações principais Disfonia por tensão muscular. Foco ressonantal baixo. Travamento articulatório. Deficiente auditivo. Hipernasalidade. Aquecimento vocal. Variações Usar goma de mascar nos lados da boca, enquanto emite-se os sons, desde que não haja contra-indicação por problemas de ATM e limitando-se o tempo de realização do exercício. Fazer repetição de frases ou leitura com mastigação selvagem. Fazer contagem de números com mastigação selvagem. 6- Técnica de abertura de boca Procedimento básico Emissão de sons de fala isolados, em sequências automáticas ou leituras de texto com a boca o mais aberta possível Verificar se há limitações na abertura de boca e alterações de ATM. Pode ser realizada com vogais ou fala encadeada. Objetivos Reduzir as constrições do trato vocal. Ampliar as cavidades de ressonância. Aumentar a dimensão vertical da abertura da mandíbula. Melhorar a projeção vocal. Aplicações principais Disfonias com travamento articulatório. Baixa resistência vocal. Projeção e volume vocal. Redução de atrito entre as pregas vocais. Voz profissional. Variações Emissão de boca aberta em frente a um espelho. Emissão de boca aberta associada a exercícios de rotação de ombros. image3.jpeg image4.png image5.jpeg image6.jpeg image7.png image8.png image9.png image10.jpeg image11.png image12.jpeg image13.png image14.png