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FUNDAMENTOS E PRÁTICA NO ENSINO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA Olá! Nesta aula, veremos a importância das habilidades de pensamento e aprendizagem em ciências, seguido por uma discussão sobre a natureza da ciência e as suas ligações com uma abordagem de ensino e aprendizagem com base na indagação. Exploraremos a relação entre as habilidades de indagação, o conhecimento procedural e as habilidades processuais, com a distinção feita entre as habilidades procedurais que são habilidades de pensamento e aquelas que são habilidades motoras. A introdução à pesquisa também considera a aceleração cognitiva e a abordagem da Aceleração Cognitiva pelo Ensino de Ciências (CASE) ao ensino de ciências. Ressalta-se a importância da metacognição e de esquemas/modelos de raciocínio. Bons estudos! AULA 5 - A IMPORÂNCIA DAS HABILIDADES DE PENSAMENTO E APRENDIZAGEM EM CIÊNCIAS 5. A IMPORTÂNCIA DAS HABILIDADES DE PENSAMENTO E APRENDIZAGEM EM CIÊNCIAS As habilidades que sustentam a atividade científica penetram no âmago do que a ciência é essas habilidades que são inerentemente científicas por natureza capacitam o aluno a obter percepções sobre o mundo ao redor dele e a compreender esse mundo a partir de uma perspectiva científica. Essas habilidades exigem que o aluno se envolva no pensamento. O desenvolvimento das habilidades de indagação científica das crianças é fundamental para que elas desenvolvam a sua compreensão sobre a ciência. Portanto, essas habilidades são identificadas junto com exemplos de como isso pode ser alcançado. 5.1 Natureza da ciência Em resposta à pergunta “O que é ciência?”, Howe et al. (2009), afirmaram que um aspecto importante para definir a natureza do assunto tem a ver com as explicações que nos ajudam a compreender o mundo pelo uso da evidência e da lógica. Para alcançar essas explicações, os cientistas se envolvem em atividades que demandam uma combinação de habilidades, atitudes e conceitos. De modo significativo, os educadores em ciências consideram os tipos de habilidades usadas como fatores-chave para definir que a natureza de uma atividade é científica. Ao decidir quais habilidades devem compor o programa de estudo em ciências nas escolas do ensino fundamental, um grupo de vanguarda com cientistas e educadores de ciências chegou ao entendimento compartilhado de que as duas habilidades – as de pensamento e as processuais – eram essenciais (OSBORNE et al., 2003). Eles sugeriram que o currículo escolar deveria incluir o ensino de métodos científicos e testes críticos, a diversidade de pensamento científico, o papel da hipótese e da predição, a relação entre ciência e questionamento, a análise e a interpretação dos dados. Em um estudo adicional, que examinava a natureza da ciência, as opiniões de um grupo de cientistas atuantes revelaram ideias semelhantes com “[...] esmagador consenso sobre a importância dos dados empíricos no desenvolvimento e na justificativa do conhecimento científico” (SCHWARTZ; LEDERMAN, 2008, p. 747). Também emergiu desse estudo a necessidade de que a educação em ciências amplie a gama de experiências de indagação científica para o aluno. Na verdade, houve o consenso de que ensinar às crianças apenas uma abordagem ou método em ciência não lhes irá fornecer uma autêntica experiência científica. Esses estudos refletem o consenso geral entre os cientistas e pesquisadores de que os procedimentos de apoio à construção do conhecimento científico precisam de um lugar de destaque no ensino e na aprendizagem em ciências. Por conseguinte, é evidente que as habilidades de indagação exercem um papel importante no desenvolvimento da compreensão da natureza da ciência pelas crianças. Mas quais habilidades de indagação devem constituir uma característica tão central no ensino e na aprendizagem de ciências nas escolas de ensino fundamental? Howe et al. (2009) e Harlen e Qualter (2004), concordam que as habilidades de indagação científica podem ser divididas naquelas de natureza mental e nas de natureza física, reconhecendo, assim, que existe um elemento de “fazer” na ciência. Assim, além de desenvolver a capacidade mental de perguntar, prever, planejar, interpretar e refletir, as crianças também vão observar, medir e fisicamente explorar seu ambiente. Ao descrever as habilidades de indagação, Harlen (2006), identifica sete resultados para a educação de ciências, em termos de desenvolvimento pelos alunos das “habilidades processuais”. Ela afirma que a educação em ciências deve contribuir para que os alunos tenham a capacidade de suscitar perguntas que podem ser respondidas pela investigação; desenvolver hipóteses sobre como eventos e inter- relações podem ser explicados; fazer previsões com base em hipóteses; usar a observação para coletar informações; planejar e usar a investigação para procurar padrões e testar ideias; interpretar as evidências e tirar conclusões válidas; e comunicar, relatar e refletir sobre os procedimentos e as conclusões (HARLEN, 2006, p. 38). Goldsworthy, Watson e Wood-Robinson (2000), desenvolveram um vínculo extra entre indagação, habilidades processuais e habilidades de pensamento. Concluíram que a indagação científica deve ser vista como um processo cognitivo em que as crianças necessitam desenvolver estratégias de pensamento, a fim de progredir em seu trabalho investigativo. Esse princípio sugere que o desenvolvimento da capacidade de pensamento das crianças orientará suas atividades práticas e as capacitará a explorar ao máximo os dados que coletam. O trabalho de Goldsworthy e colaboradores, como parte do projeto AKSIS (ASE-King’s College London Science Investigations in Schools, ou Investigações de Ciências nas Escolas, projeto conjunto da Association for Science Education e do King’s College London), levou à criação de uma série de atividades distintas, projetadas para ajudar as crianças a desenvolver suas habilidades de indagação (GOLDSWORTHY; WATSON; WOOD-ROBINSON, 2000). A abordagem defendida pela equipe de investigação foi ensinar habilidades por meio de atomização das investigações em processos distintos e separados. Embora essa abordagem possa ser útil no direcionamento específico das necessidades de desenvolvimento dos alunos e também quando se considera os diferentes processos que compõem uma indagação, Howe et al. (2009), mostraram-se preocupados em que o ensino de cada processo em separado pudesse levar as crianças a acreditarem que a ciência é um conjunto de procedimentos padrão a serem seguidos. Isso pode estar em desacordo com a experiência real. Por exemplo, uma indagação pode começar com uma pergunta que está sendo gerada em resposta a uma observação. Após produzir um plano provisório e executar explorações preliminares, a criança talvez queira revisitar e rever sua pergunta original. Claro, nessas circunstâncias, o método científico não pode ser visto como uma sequência pura (HOWE et al., 2009). Apesar dessa objeção quanto à atomização das investigações, não deixa de ser uma abordagem digna de consideração, em especial para o desenvolvimento de habilidades que as crianças acham difíceis. Por exemplo, os recursos do AKSIS almejam a habilidade de interpretação de dados, uma das mais difíceis habilidades de indagação a serem desenvolvidas (WATSON; GOLDSWORTHY; WOOD-ROBINSON, 1998). 5.2 Desenvolvimento conceitual por aprendizagem ativa Harlen e Qualter (2004), argumentam que a atividade prática está no âmago do ensino de ciências no ensino fundamental, porque as crianças aprendem melhor a partir de experiências de primeira mão. No entanto, eles também afirmam que o valor da experiência prática é acentuado por discutir e compartilhar ideias com os outros. Eles sugerem que as criançasprecisam de oportunidades para pensar sobre o que estão fazendo e por que estão fazendo, não só experimentar uma sequência de instruções. Além disso, as perguntas das crianças precisam ser valorizadas, e elas precisam ser incentivadas a ver o mundo sob prismas diferentes. Por exemplo, as crianças devem ser apoiadas no desenvolvimento de sua consciência sobre a validade das experiências dos outros. Além disso, Millar (2010) explica que a ciência prática deve envolver a aplicação de “braços e cérebros” se quiser ser eficaz no desenvolvimento da compreensão dos conceitos científicos pelas crianças. Para concretizar isso, elas precisam ser desafiadas pelo questionamento e receber oportunidades para se envolver em debates, para que uma ponte possa ser construída entre o “domínio dos fatos observáveis” e o “domínio das ideias” (HARLEN; QUALTER, 2004; MILLAR, 2010). Isso é significativo à luz da conclusão de Ward e Roden (2005), de que alunos no ensino fundamental podem ter dificuldades na interpretação dos dados, porque não é dedicado tempo suficiente a esse aspecto da aprendizagem em ciências.Esses achados sugerem que as crianças precisam de tempo para descobrir as conexões entre suas experiências no trabalho prático e no desenvolvimento conceitual. 5.3 Desenvolvimento estruturado das habilidades de pensamento É notório que algumas habilidades processuais são habilidades de pensamento, enquanto outras são habilidades motoras sensoriais. Enfatizando o desenvolvimento das habilidades de pensamento, o Projeto Ideias Brilhantes, implementado na Oxford Brookes University, adotou a taxonomia de Bloom (1956), das habilidades de pensamento e considerou como as crianças podem ser incentivadas a desenvolver habilidades de ordem superior por meio do ensino de ciências e, em particular, o uso da fala pelas crianças em um contexto científico (ASTRAZENECA SCIENCE TEACHING TRUST, 2013). Os pesquisadores do projeto identificaram como a educação em ciências pode apoiar o desenvolvimento dessas habilidades de pensamento de ordem superior, como síntese, avaliação e análise. O trabalho colaborativo e investigativo pode proporcionar às crianças oportunidades de se envolver no nível mais alto de pensamento e debate. As habilidades de síntese, como hipotetizar, que mostram originalidade por meio da criação, invenção ou composição, são partes importantes do processo de planejamento. As habilidades de avaliação (julgar, classificar e dar opiniões) e as habilidades analíticas (categorizar e comparar, distinguir entre fato e opinião) podem ser importantes para interpretar as evidências e tirar conclusões. Estimular o pensamento de alto nível é também um dos objetivos da abordagem Aceleração Cognitiva pelo Ensino de Ciências (CASE) para o ensino de habilidades de pensamento nas escolas dos anos iniciais do ensino fundamental (ADEY; SERRAT, 2010). A CASE, sustentada pelo trabalho de Piaget e Vygotsky, é a base dos programas de intervenção publicados por Nelson, intitulados Vamos pensar! (ADEY; ROBERTSON; VENVILLE, 2001) e Vamos pensar por meio da ciência! (ADEY et al., 2003). Na sua essência, estão os três principais pilares da aceleração cognitiva que a equipe de pesquisa do CASE identificou como essenciais para a estimulação das habilidades de pensamento. Em primeiro lugar, o “conflito cognitivo” é a fase em que o aluno recebe um desafio ao seu nível atual de compreensão. Essa parte do programa baseia-se no trabalho de Piaget em particular. Lançar o desafio no nível correto para o aluno é de grande importância – não deve ser muito fácil nem além do potencial do aluno para o desenvolvimento. Na fase seguinte, influenciada pela obra “Construtivismo Social”, de Vygotsky, o aluno é ativamente incentivado a trabalhar em conjunto com os outros para resolver um problema. Depois, a criança é convidada a refletir sobre a abordagem que eles adotaram para resolver um problema particular, fase conhecida como “metacognição” (ADEY et al., 2003). As categorias de capacidade de pensamento que são desenvolvidas pelas atividades da CASE são agrupadas por seus modelos (esquemas) de raciocínio subjacentes, fornecendo um conjunto claro de tipos de pensamento que podem ser aplicados em muitos e diferentes contextos científicos (ADEY; SHAYER, 2002; ADEY et al., 2003). A importância da metacognição no treinamento cognitivo é confirmada por McGuinness (1993), que analisou os métodos utilizados pelos professores durante as atividades de desenvolvimento das habilidades de pensamento e concluiu que em maior ou menor grau todos os métodos baseavam-se em um elemento do pensamento reflexivo. Essas conclusões são semelhantes às de Larkin (2002), que constatou uma correlação positiva entre metacognição e cognição. Por fim, um processo de raciocínio, denominado argumentação, que foi desenvolvido por Stephen Toulmin, na década de 1950, tem influenciado o ensino de ciências nos últimos anos, como parte de um desejo de focalizar o desenvolvimento das habilidades de pensamento nas crianças (TREND, 2009). É um modelo para aprendizagem construído com base em cinco elementos-chave: dados, afirmação, garantia, refutação e qualificador. Uma proposição (afirmação) é feita com referência a informações (dados). Uma explicação (garantia) é fornecida para vincular a afirmação e os dados – por que a afirmação surgiu a partir dos dados? Então um desafio, acompanhado de novos elementos comprovativos, possivelmente será feito à afirmação (refutação). Em última análise, a refutação pode resultar na emissão de um qualificador, com a afirmação original sendo aprimorada e modificada em resposta ao desafio realizado. Esse modelo de argumentação foi adaptado e desenvolvido como meio de promover a transição eficaz entre o ensino fundamental e o ensino médio (ASTRAZENECA SCIENCE TEACHING TRUST, 2013). REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ADEY, P.; SHAYER, M. Cognitive acceleration comes of age. In: SHAYER, M.; ADEY, P. (Ed.). Learning intelligence: cognitive acceleration across the curriculum from 5 to 15 years. Buckingham: Open University Press, 2002. ADEY, P. et al. Let’s think through science! London: NFER Nelson, 2003. ADEY, P.; ROBERTSON, A.; VENVILLE, G. Let’s think!: a programme for developing thinking in five and six year olds. London: NFER Nelson, 2001. ADEY, P.; SERRAT, N. Science teaching and cognitive acceleration. In: OSBORNE, J.; DILLON, J. (Ed.). Good practice in science teaching: what research has to say. 2nd ed. London: McGraw-Hill, 2010. ALEXANDER, R. J. Towards dialogic teaching: rethinking classroom talk. 4th ed. New York: Dialogos, 2008. ASTRAZENECA SCIENCE TEACHING TRUST. [2013]. 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