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INTRODUÇÃO Observando a história, o nomadismo existia desde o início dos tempos. Esse modo de vida era simplório, bastava uma caverna para servir de abrigo e a caça e pesca eram as formas básicas de sobrevivência. Ao findar a comida, os nômades saíam de determinado local, deixando para trás seu “lixo” que, por serem da própria natureza, decompunham-se facilmente e para ela retornavam. Quando começaram a civilizar-se, foram criando artefatos para seu maior conforto: vasilhames de cerâmica, instrumentos para o plantio e roupas mais apropriadas. O sedentarismo originou o hábito de construir moradias, cultivo de vegetais e criação de animais. Certamente, a produção de resíduos também foi aumentando. O tempo passou, a população aumentou e com o advento da Revolução Industrial, permitiu-se um avanço muito significativo na história e na produção de bens de consumo, ocasionando maior visibilidade sobre a balança entre geração e descarte de resíduos. Contudo, o que estava em alta era o desenvolvimento e não suas consequências. Com o avanço da tecnologia, a composição do lixo, outrora predominantemente de matéria orgânica, passou a conter plásticos, isopores, pilhas, baterias, etc. Há cinquenta anos, por exemplo, utilizavam-se fraldas de pano para os bebês, que não eram jogadas fora. O leite que bebiam era mantido em garrafas reutilizáveis. https://exame.com/esg/huggies-anuncia-programa-para-reciclagem-de-fraldas-descartaveis/ https://blogs.oglobo.globo.com/luciana-froes/post/leite-em-garrafa-de-vidro-voltam-com-forca-na-inglaterra.html Alguns autores¹ chamam a atenção para a influência da ação do homem em relação ao meio ambiente e a si mesmo, no processo de utilização da natureza, podendo, inclusive, definir o futuro dos recursos naturais de cada região e do planeta. Sendo assim, o autor alega que, por todos os dados e informações a que se tem acesso atualmente, pode-se afirmar que a problemática ambiental da atualidade seja reflexo da relação histórica entre sociedades humanas e a natureza. O principal marco do processo de internacionalização do debate em torno dos temas ecológicos ocorreu com a Conferência de Estocolmo, oficialmente denominada de “Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano”. Foi realizada na Suécia, em 1972, e representou o primeiro grande encontro organizado pela ONU para a discussão específica dos problemas ambientais que assolavam o mundo em plena Guerra Fria. Estes problemas extrapolavam as fronteiras nacionais, situação que demonstrava a necessidade de uma ação conjunta entre os diversos países atingidos para a busca de soluções. Desde então, são organizadas conferências em diferentes países para se discutir e “cobrar” ações ambientais e outros temas relacionados (ex.: Tbilisi em 1977, Nairobi em 1982, Moscou em 1987, Rio de Janeiro em 1992, etc). No Brasil, a criação de leis para proteger o meio ambiente foram criadas a partir da década de 80, como a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei n. 6.938/81) e a própria constituição que dedica um capítulo exclusivo ao meio ambiente. Como dito anteriormente, a preocupação com o volume de resíduos gerados no descarte dos mesmos iniciou um grande acúmulo nos lixões, aterros, etc. No intuito de combater esse problema, é criada a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS - Lei n. 12.305/10) que integra a Política Nacional do Meio Ambiente e articula-se com a Política Nacional de Educação Ambiental, regulada pela Lei no 9.795, de 27 de abril de 1999, com a Política Federal de Saneamento Básico, regulada pela Lei nº 11.445, de 2007, e com a Lei no 11.107, de 6 de abril de 2005 que Dispõe sobre normas gerais de contratação de consórcios públicos e dá outras providências. https://brasil.un.org/pt-br/91223-onu-e-o-meio-ambiente https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6938.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%2012.305%2C%20DE%202%20DE%20AGOSTO%20DE%202010.&text=Institui%20a%20Pol%C3%ADtica%20Nacional%20de,1998%3B%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9795.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11445.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11445.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11107.htm Sobre a Lei n. 12.305/10, que Institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (que altera a Lei nº 9.605/98) São objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos: I - proteção da saúde pública e da qualidade ambiental; II - não geração, redução, reutilização, reciclagem e tratamento dos resíduos sólidos, bem como disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos; III - estímulo à adoção de padrões sustentáveis de produção e consumo de bens e serviços; IV - adoção, desenvolvimento e aprimoramento de tecnologias limpas como forma de minimizar impactos ambientais; V - redução do volume e da periculosidade dos resíduos perigosos; VI - incentivo à indústria da reciclagem, tendo em vista fomentar o uso de matérias-primas e insumos derivados de materiais recicláveis e reciclados; VII - gestão integrada de resíduos sólidos; VIII - articulação entre as diferentes esferas do poder público, e destas com o setor empresarial, com vistas à cooperação técnica e financeira para a gestão integrada de resíduos sólidos; IX - capacitação técnica continuada na área de resíduos sólidos; X - regularidade, continuidade, funcionalidade e universalização da prestação dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, com adoção de mecanismos gerenciais e econômicos que assegurem a recuperação dos custos dos serviços prestados, como forma de garantir sua sustentabilidade operacional e financeira, observada a Lei nº 11.445, de 2007; XI - prioridade, nas aquisições e contratações governamentais, para: a) produtos reciclados e recicláveis; b) bens, serviços e obras que considerem critérios compatíveis com padrões de consumo social e ambientalmente sustentáveis; https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm#:~:text=LEI%20N%C2%BA%2012.305%2C%20DE%202%20DE%20AGOSTO%20DE%202010.&text=Institui%20a%20Pol%C3%ADtica%20Nacional%20de,1998%3B%20e%20d%C3%A1%20outras%20provid%C3%AAncias. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9605.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11445.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11445.htm XII - integração dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis nas ações que envolvam a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; XIII - estímulo à implementação da avaliação do ciclo de vida do produto; XIV - incentivo ao desenvolvimento de sistemas de gestão ambiental e empresarial voltados para a melhoria dos processos produtivos e ao reaproveitamento dos resíduos sólidos, incluídos a recuperação e o aproveitamento energético; XV - estímulo à rotulagem ambiental e ao consumo sustentável. A Política Nacional de Resíduos Sólidos reúne o conjunto de princípios, objetivos, instrumentos, diretrizes, metas e ações adotados pelo Governo Federal, isoladamente ou em regime de cooperação com Estados, Distrito Federal, Municípios ou particulares, com vistas à gestão integrada e ao gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos. (Art. 4º, Cap. I, Tit. II) DEFINIÇÕES ● acordo setorial: ato de natureza contratual firmado entre o poder público e fabricantes, importadores, distribuidores ou comerciantes, tendo em vista a implantação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto; ● área contaminada: local onde há contaminação causada pela disposição, regular ou irregular, de quaisquer substâncias ou resíduos; ● área órfã contaminada: área contaminada cujos responsáveispela disposição não sejam identificáveis ou individualizáveis; ● Chorume: é definido como líquido produzido pela decomposição de substâncias contidas nos resíduos sólidos. É caracterizado pela cor escura, odor desagradável e elevada demanda bioquímica de oxigênio. Agrega também água infiltrada nas células de aterro e a umidade natural da matéria orgânica dos resíduos. ● ciclo de vida do produto: série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposição final; ● coleta seletiva: coleta de resíduos sólidos previamente segregados conforme sua constituição ou composição; ● controle social: conjunto de mecanismos e procedimentos que garantam à sociedade informações e participação nos processos de formulação, implementação e avaliação das políticas públicas relacionadas aos resíduos sólidos; ● destinação final ambientalmente adequada: destinação de resíduos que inclui a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do Sisnama, do SNVS e do Suasa, entre elas a disposição final, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos; ● disposição final ambientalmente adequada: distribuição ordenada de rejeitos em aterros, observando normas operacionais específicas de modo a evitar danos ou riscos à saúde pública e à segurança e a minimizar os impactos ambientais adversos; ● limpeza urbana: definida como o manejo de resíduos sólidos originários da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas e do conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final dos resíduos sólidos domésticos; ● geradores de resíduos sólidos: pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, que geram resíduos sólidos por meio de suas atividades, nelas incluído o consumo; ● gerenciamento de resíduos sólidos: conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na forma desta Lei; ● gestão integrada de resíduos sólidos: conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, de forma a considerar as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável; ● logística reversa: instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada; ● padrões sustentáveis de produção e consumo: produção e consumo de bens e serviços de forma a atender as necessidades das atuais gerações e permitir melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade ambiental e o atendimento das necessidades das gerações futuras; ● reciclagem: processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa; ● rejeitos: resíduos sólidos que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada; ● resíduos sólidos: material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível; ● responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos: conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei; ● reutilização: processo de aproveitamento dos resíduos sólidos sem sua transformação biológica, física ou físico-química, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do Sisnama e, se couber, do SNVS e do Suasa; ● serviço público de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades previstas no art. 7º da Lei nº 11.445, de 2007. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11445.htm#art7 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2007/Lei/L11445.htm#art7 RESÍDUOS SÓLIDOS O que são resíduos sólidos urbanos? Os resíduos sólidos são materiais heterogêneos, (inertes, minerais e orgânicos) resultantes das atividades humanas e da natureza, os quais podem ser parcialmente utilizados, gerando, entre outros aspectos, proteção à saúde pública e economia de recursos naturais. O manejo incorreto dos resíduos sólidos urbanos é um dos grandes desafios enfrentados pela sociedade atual. Quando não é feito de forma adequada, causa sérios impactos ambientais, sociais e econômicos, afetando diretamente a qualidade de vida das pessoas. Para enfrentar esse problema, é essencial adotar uma gestão eficiente, que inclua todas as etapas do processo: segregação, acondicionamento, armazenamento, coleta, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos. No entanto, antes de organizar essas etapas, é fundamental realizar a classificação dos resíduos. Essa classificação requer conhecimento sobre materiais de referência, legislações e normas técnicas. Os resíduos sólidos e semissólidos podem ter origens diversas: atividades industriais, residenciais, hospitalares, comerciais, de prestação de serviços, agrícolas e florestais, além daqueles resultantes da limpeza urbana. CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS SÓLIDOS Os resíduos sólidos podem ser classificados conforme a origem e periculosidade. A origem está relacionada ao local ou à atividade que gerou o resíduo, e a periculosidade refere-se ao risco que o resíduo oferece à saúde humana, ao meio ambiente ou à segurança. Quanto à sua origem Domiciliares: os originários de atividades domésticas em residências urbanas; Conheça o serviço de coleta de resíduos domiciliares. Públicos: os originários da varrição, limpeza de logradouros e vias públicas e outros serviços de limpeza urbana; Balneário Camboriú alcança alto índice em limpeza urbana Sólidos urbanos: os englobados nos resíduos domiciliares e de limpeza urbana; Gestão de Resíduos Sólidos Urbanos - A Cidade Mais Limpa do Brasil de estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços: são os resíduos gerados em estabelecimentos comerciais cujas características dependem das atividades ali desenvolvidas; dos serviços públicos de saneamento básico: são os resíduos gerados nas atividades de tratamento de água, esgotamento sanitário e drenagem urbana; Resíduos sólidos, esgotamento sanitárioe suas relações dinâ… Industriais: os gerados nos processos produtivos e instalações industriais; Aula 30 - NR 25 Resíduos Industriais Segurança e saúde no trabalho de serviços de saúde: os gerados nos serviços de saúde, conforme definido em regulamento ou em normas estabelecidas pelos órgãos competentes; Conheça mais sobre a coleta e destinação dos resíduos do serviço de s… da construção civil: os gerados nas construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, incluídos os resultantes da preparação e escavação de terrenos para obras civis; Quais são as 4 classes de resíduos da construção civil https://www.youtube.com/watch?v=8BSxb1Lk4GU https://www.youtube.com/watch?v=A-XvTOF-KPo https://www.youtube.com/watch?v=hzJC75CjQAM https://www.youtube.com/watch?v=S0eA_Qzn7f0 https://www.youtube.com/watch?v=TIolICWub68 https://youtu.be/WTpCVGBQinU https://youtu.be/Wf9agbYX5Do Agrossilvopastoris: os gerados nas atividades agropecuárias e silviculturais, incluídos os relacionados a insumos utilizados nessas atividades; de serviços de transportes: os originários de portos, aeroportos, terminais alfandegários, rodoviários e ferroviários e passagens de fronteira; de mineração: os gerados na atividade de pesquisa, extração ou beneficiamento de minérios. Vídeo: Resíduos Sólidos: Classificação quanto à Origem. https://www.youtube.com/watch?v=fJ-MPT07NIg Quanto à sua periculosidade Um resíduo é considerado perigoso quando suas propriedades físicas, químicas e infectocontagiosas representam riscos à saúde pública, provocando mortalidade, incidência de doenças ou acentuando seus índices, e ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada. São classificados em: Perigosos e Não perigosos. Perigosos: aqueles que, em razão de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade, patogenicidade, carcinogenicidade, teratogenicidade e mutagenicidade, apresentam significativo risco à saúde pública ou à qualidade ambiental, de acordo com lei, regulamento ou norma técnica; Não perigosos: aqueles não enquadrados nos Perigosos. Principais características de resíduos sólidos Características físicas Compressividade: é a redução do volume dos resíduos sólidos quando submetidos a uma pressão (compactação); teor de umidade: compreende a quantidade de água existente na massa dos resíduos sólidos; composição gravimétrica: determina a porcentagem de cada constituinte da massa de resíduos sólidos, proporcionalmente ao seu peso; https://youtu.be/3Vsc4nA8U6U per capita: a massa de resíduos sólidos produzida por uma pessoa em um dia (kg/hab/dia); peso específico: o peso dos resíduos sólidos em relação ao seu volume. Características químicas poder calorífico: indica a quantidade de calor desprendida durante a combustão de um quilo de resíduos sólidos; teores de matéria orgânica: é o percentual de cada constituinte da matéria orgânica (cinzas, gorduras, micronutrientes, micronutrientes, resíduos minerais, etc); relação carbono/nitrogênio (C/N): determina o grau de degradação da matéria orgânica; potencial de hidrogênio (pH): o teor de alcalinidade ou acidez da massa de resíduos. Características biológicas A massa dos resíduos sólidos geralmente contém agentes patogênicos e micro-organismos, prejudiciais à saúde humana, constituindo-se um grave problema sanitário. Tais organismos podem sobreviver por grandes períodos e seu monitoramento é fundamental para a compostagem. A tabela a seguir, apresenta o tempo de sobrevivência (em dias) de microrganismos patogênicos nos resíduos sólidos. Classificação dos resíduos pela ABNT A leitura dessa classificação será necessária para entender a nova mudança da NBR 10004:2004 para a NBR 10004:2024, que será comentada no final. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), pela Norma Brasileira 10004 (NBR 10004), classificam os resíduos sólidos envolvendo a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem, de seus constituintes e características, e a comparação destes constituintes com listagens de resíduos e substâncias cujo impacto à saúde e ao meio ambiente é conhecido. O processo de classificação, segundo a NBR 10.004 (ABNT), dá inicio pela identificação do processo produtivo, quando do enquadramento do resíduo nas listagens dos anexos A ou B da norma. Classificação de resíduos (NBR 10004) https://analiticaqmcresiduos.paginas.ufsc.br/files/2014/07/Nbr-10004-2004-Classificacao-De-Residuos-Solidos.pdf https://analiticaqmcresiduos.paginas.ufsc.br/files/2014/07/Nbr-10004-2004-Classificacao-De-Residuos-Solidos.pdf a) resíduos classe I - Perigosos; b) resíduos classe II – Não perigosos; – resíduos classe II A – Não inertes. – resíduos classe II B – Inertes. a) Resíduos classe I - Perigosos Aqueles que apresentam periculosidade a saúde pública e ao meio ambiente, ou uma das seguintes características: Inflamabilidade Um resíduo sólido é caracterizado como inflamável (código de identificação D001), se uma amostra representativa dele, obtida conforme a ABNT NBR 10007, apresentar qualquer uma das seguintes propriedades: a) ser líquida e ter ponto de fulgor inferior a 60°C, determinado conforme ABNT NBR 14598 ou equivalente, excetuando-se as soluções aquosas com menos de 24% de álcool em volume; b) não ser líquida e ser capaz de, sob condições de temperatura e pressão de 25°C e 0,1 MPa (1 atm), produzir fogo por fricção, absorção de umidade ou por alterações químicas espontâneas e, quando inflamada, queimar vigorosa e persistentemente, dificultando a extinção do fogo; c) ser um oxidante definido como substância que pode liberar oxigênio e, como resultado, estimular a combustão e aumentar a intensidade do fogo em outro material; d) ser um gás comprimido inflamável, conforme a Legislação Federal sobre transporte de produtos perigosos (Portaria nº 204/1997 do Ministério dos Transportes). Corrosividade Um resíduo é caracterizado como corrosivo (código de identificação D002) se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades: https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/nbr-10007-amostragem-de-resc3adduos-sc3b3lidos.pdf https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/nbr-10007-amostragem-de-resc3adduos-sc3b3lidos.pdf a) ser aquosa e apresentar pH inferior ou igual a 2, ou, superior ou igual a 12,5, ou sua mistura com água, na proporção de 1:1 em peso, produzir uma solução que apresente pH inferior a 2 ou superior ou igual a 12,5; b) ser líquida ou, quando misturada em peso equivalente de água, produzir um líquido e corroer o aço (COPANT 1020) a uma razão maior que 6,35 mm ao ano, a uma temperatura de 55°C, de acordo com USEPA SW 846 ou equivalente Reatividade Um resíduo é caracterizado como reativo (código de identificação D003) se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades: a) ser normalmente instável e reagir de forma violenta e imediata, sem detonar; b) reagir violentamente com a água; c) formar misturas potencialmente explosivas com a água; d) gerar gases, vapores e fumos tóxicos em quantidades suficientes para provocar danos à saúde pública ou ao meio ambiente, quando misturados com a água; e) possuir em sua constituição os íons CN- ou S2- em concentrações que ultrapassem os limites de 250 mg de HCN liberável por quilograma de resíduo ou 500 mg de H2S liberável por quilograma de resíduo, de acordo com ensaio estabelecido no USEPA - SW 846; f) ser capaz de produzir reação explosiva ou detonante sob a ação de forte estímulo, ação catalítica ou temperatura em ambientes confinados; g) ser capaz de produzir, prontamente, reação ou decomposição detonante ou explosiva a 25°C e 0,1 MPa(1 atm); h) ser explosivo, definido como uma substância fabricada para produzir um resultado prático, através de explosão ou efeito pirotécnico, esteja ou não esta substância contida em dispositivo preparado para este fim. Toxicidade Um resíduo é caracterizado como tóxico se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, apresentar uma das seguintes propriedades: https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/nbr-10007-amostragem-de-resc3adduos-sc3b3lidos.pdf https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/nbr-10007-amostragem-de-resc3adduos-sc3b3lidos.pdf a) quando o extrato obtido desta amostra, segundo a ABNT NBR 10005, contiver qualquer um dos contaminantes em concentrações superiores aos valores constantes no anexo F. Neste caso, o resíduo deve ser caracterizado como tóxico com base no ensaio de lixiviação, com código de identificação constante no anexo F; b) possuir uma ou mais substâncias constantes no anexo C e apresentar toxicidade. Para avaliação dessa toxicidade, devem ser considerados os seguintes fatores: ― natureza da toxicidade apresentada pelo resíduo; ― concentração do constituinte no resíduo; ― potencial que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, tem para migrar do resíduo para o ambiente, sob condições impróprias de manuseio; ― persistência do constituinte ou qualquer produto tóxico de sua degradação; ― potencial que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, tem para degradar-se em constituintes não perigosos, considerando a velocidade em que ocorre a degradação; ― extensão em que o constituinte, ou qualquer produto tóxico de sua degradação, é capaz de bioacumulação nos ecossistemas; ― efeito nocivo pela presença de agente teratogênico, mutagênico, carcinogênico ou ecotóxico, associados a substâncias isoladamente ou decorrente do sinergismo entre as substâncias constituintes do resíduo; c) ser constituída por restos de embalagens contaminadas com substâncias constantes nos anexos D ou E; d) resultar de derramamentos ou de produtos fora de especificação ou do prazo de validade que contenham quaisquer substâncias constantes nos anexos D ou E; e) ser comprovadamente letal ao homem; f) possuir substância em concentração comprovadamente letal ao homem ou estudos do resíduo que demonstrem uma DL50 oral para ratos menor que 50 mg/kg ou CL50 inalação para ratos menor que 2 mg/L ou uma DL50 dérmica para coelhos menor que 200 mg/kg. https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/ABNT-NBR-10005-Lixiviacao-de-Residuos.pdf Os códigos destes resíduos são os identificados pelas letras P, U e D, e encontram-se nos anexos D, E e F. Patogenicidade Um resíduo é caracterizado como patogênico (código de identificação D004) se uma amostra representativa dele, obtida segundo a ABNT NBR 10007, contiver ou se houver suspeita de conter, microrganismos patogênicos, proteínas virais, ácido desoxirribonucleico (ADN) ou ácido ribonucleico (ARN) recombinantes, organismos geneticamente modificados, plasmídeos, cloroplastos, mitocôndrias ou toxinas capazes de produzir doenças em homens, animais ou vegetais. Os resíduos de serviços de saúde deverão ser classificados conforme ABNT NBR 12808. Os resíduos gerados nas estações de tratamento de esgotos domésticos e os resíduos sólidos domiciliares, excetuando-se os originados na assistência à saúde da pessoa ou animal, não serão classificados segundo os critérios de patogenicidade. b) Resíduos classe II - Não perigosos Os códigos para alguns resíduos desta classe encontram-se no anexo H da norma. https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/nbr-10007-amostragem-de-resc3adduos-sc3b3lidos.pdf https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/nbr-10007-amostragem-de-resc3adduos-sc3b3lidos.pdf https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/NBR-12808-1993-Res%C3%ADduos-de-servi%C3%A7os-de-sa%C3%BAde.pdf – Resíduos classe II A - Não inertes Aqueles que não se enquadram nas classificações de resíduos classe I - Perigosos ou de resíduos classe II B - Inertes, nos termos desta Norma. Os resíduos classe II A – Não inertes podem ter propriedades, tais como: biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água. – Resíduos classe II B - Inertes Quaisquer resíduos que, quando amostrados de uma forma representativa, segundo a ABNT NBR 10007, e submetidos a um contato dinâmico e estático com água destilada ou desionizada, à temperatura ambiente, conforme ABNT NBR 10006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade de água, excetuando-se aspecto, cor, turbidez, dureza e sabor, conforme anexo G. https://wp.ufpel.edu.br/residuos/files/2014/04/nbr-10007-amostragem-de-resc3adduos-sc3b3lidos.pdf https://engcivil20142.files.wordpress.com/2018/04/nbr-10006.pdf Video: Classificação dos RESÍDUOS SÓLIDOS conforme norma da ABNT - NBR 10.004/04 https://www.youtube.com/watch?v=_A8TvW_ZnqE https://www.youtube.com/watch?v=_A8TvW_ZnqE A ABNT NBR 10004 é a norma brasileira que estabelece os critérios para a classificação dos resíduos sólidos quanto aos seus potenciais riscos ao meio ambiente e à saúde pública, orientando o manuseio, transporte e destinação final adequada. Porém, a NBR 10004 foi substituída pela nova ABNT NBR 10004:2024, publicada em novembro de 2024. A versão anterior (de 2004) está em período de transição até 31 de dezembro de 2026, passando a vigorar obrigatoriamente a partir de 1º de janeiro de 2027. Principais mudanças na Norma NBR 10004:04 →NBR 10004:24 ● Redução de categorias: Fim das classes antigas 2A (não inerte) e 2B (inerte); agora existem apenas Classe 1 (Perigosos) e Classe 2 (Não Perigosos). ● Nova estrutura em duas partes: A Parte 1 foca nos Requisitos de Classificação, e a Parte 2 institui o Sistema Geral de Classificação de Resíduos (SGCR), com previsões de revisões bienais. ● Processo em quatro passos: O enquadramento exige consulta à lista geral, verificação de poluentes orgânicos persistentes (POPs), análise de propriedades físico-químicas/infectocontagiosas e checagem de toxicidade. ● Papel do responsável técnico: A classificação passa a ser formalizada por um Laudo de Classificação de Resíduo (LCR) assinado por profissional habilitado, reduzindo a subjetividade anterior. ● Economia circular: Inclusão de conceitos de "subprodutos" e materiais "não resíduos", alinhando o Brasil a padrões internacionais de sustentabilidade. NBR 10004:2024 - O Que Mudou? Guia Completo para Adequação até … https://youtu.be/gLp15KQCwZI https://analiticaqmcresiduos.paginas.ufsc.br/files/2014/07/Nbr-10004-2004-Classificacao-De-Residuos-Solidos.pdf Referências ● KELLER, M. M.; CARDOSO, W. M.. Destinação dos resíduos sólidos urbanos: breve histórico global e realidade brasileira.In: 11ª Semana Acadêmica e 3º Congresso Internacional FADISMA/ENTREMENTES, 2014, Santa Maria. Anais da Semana Acadêmica FADISMA ENTREMENTES, 2014. ● ¹CALMON DE PASSOS, P. N. A CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO COMO PONTO DE PARTIDA PARA A PROTEÇÃO INTERNACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Revista Direitos Fundamentais & Democracia, [S. l.], v. 6, n. 6, 2009. Disponível em: https://revistaeletronicardfd.unibrasil.com.br/index.php/rdfd/article/view/18. Acesso em: 14 set. 2023. ● DIAS, E. dos S. OS (DES) ENCONTROS INTERNACIONAIS SOBRE MEIO AMBIENTE: DA CONFERÊNCIA DE ESTOCOLMO À RIO+20 - EXPECTATIVAS E CONTRADIÇÕES. Caderno Prudentino de Geografia, [S. l.], v. 1, n. 39, p. 06–33, 2018. 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