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DIREITO DE FAMÍLIA Professora: Ghislaine Alves Conceito / Noção De todos os ramos do direito, é o mais intimamente ligado à própria vida, uma vez que, de modo geral, as pessoas provêm de um organismo familiar e a ele se conservam vinculadas durante a sua existência, mesmo que venham a constituir nova família pelo casamento ou união estável. FAMÍLIA: realidade sociológica que constitui a base do Estado. Tem a mais ampla proteção deste (CF e CC protegem sem defini-la). Abrange todas as pessoas ligadas por vínculo de sangue e que procedem, portanto, de um tronco ancestral comum, bem como as unidas pela afinidade e pela adoção (cônjuges, companheiros, parentes e afins). Identificam-se, na sociedade conjugal estabelecida pelo casamento, três ordens de vínculos: Conjugal: existente entre os cônjuges; Parentesco: reúne os integrantes em torno de um tronco comum, descendendo uns dos outros ou não; Afinidade: estabelecido entre um cônjuge e os parentes do outro. O DIREITO DE FAMÍLIA regula as relações entre os seus diversos membros e as consequencias que delas resultam para as pessoas e os bens. OBJETO DO DIREITO DE FAMÍLIA: o complexo de disposições, pessoais e patrimoniais, que se origina do entrelaçamento das múltiplas relações estabelecidas entre os componentes da entidade familiar. CONTEÚDO DO DIREITO DE FAMÍLIA Diferem dos direitos patrimoniais, pois não têm valor pecuniário. Distinguem-se dos direitos obrigacionais, pois possuem fim ético e social. A violação dos direitos de família tem sanções diversas dos demais ramos do direito civil: suspensão ou extinçao do poder familiar, dissolução da sociedade conjugal, perda do direito a alimentos, etc. O Código Civil de 2002 dedicou o Livro IV da Parte Especial ao Direito de Família, dividindo-o da seguinte forma: Título I – Do Direito Pessoal: casamento (celebração, validade, causas de dissolução) e proteção aos filhos; relações de parentesco. Título II – Do Direito Patrimonial: regime de bens; alimentos. Usufruto e administração dos bens de filhos menores, e bem de família. Título III – Da União Estável. Título IV – Tutela e Curatela. Princípios do Direito de Família O Código Civil de 2002 atualizou as normas conforme mudanças sociais e abarcou os princípios constitucionais de forma ampla; Buscou adequar-se à REALIDADE SOCIAL. Princípio da Dignidade da Pessoa Humana (CF/88, art.1°, III) Proteção constitucional às entidades familiares não fundadas no casamento e às famílias monoparentais; Igualdade de direitos entre homem e mulher na sociedade conjugal; Garantia de dissolução da sociedade conjugal independente de culpa; Planejamento familiar; Ostensiva intervenção estatal no núcleo familiar no sentido de proteger seus integrantes e coibir a violência doméstica. Direitos Humanos => Declínio do Patriarcalismo. b) Princípio da igualdade jurídica dos cônjuges e dos companheiros (art.226, §5°) Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher. Art.233, CC/1916: marido era o CHEFE da sociedade conjugal; Poder Familiar. b) Princípio da igualdade jurídica de todos os filhos (art.227, §6°, CF/88) Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção , terão os mesmos direitos e qualificacoes, proibidas quaisquer designacoes discriminatórias relativas a filiação. Não se permite distinção entre filhos legítimos, naturais e adotivos, quanto ao nome, poder familiar, alimentos e sucessao, bem como proíbe que conste no assento do nascimento qualquer referência a filiação ilegítima. d) Princípio da paternidade responsável e planejamento familiar (art.226, §7°, CF): - O planejamento familiar é livre decisão do casal, vedado qualquer tipo de coerção por parte de instituições públicas e provadas; e) Princípio da comunhão plena de vida baseada na afeição entre os conjuges ou conviventes (art.1.511, CC): Demonstra a intenção do legislador tornar o casamento mais humano; Relaciona-se com o companheirismo que deve existir no casamento; Altera-se o conceito de unidade familiar para outro mais flexível e instrumental. f) Princípio da liberdade de constituir uma comunhão de vida familiar (art.1.513, CC): Opção entre o casamento e a união estável; Planejamento familiar; Livre aquisição e administração do patrimônio familiar; Opção pelo regime de bens mais conveniente; Liberdade de escolha pelo modelo de formação educacional, cultural e religiosa da prole. Família e Casamento CC/1916 – art.229: O primeiro e principal efeito do casamento é a criação de família legítima; Os filhos que não procediam de justas núpcias eram classificados de ilegítimos e não tinham sua filiação assegurada por lei, e podiam ser naturais ou espúrios. Os filhos espúrios poderiam ser adulterinos ou incestuosos. Art.358, CC/1916: proibia expressamente o reconhecimento dos filhos adulterinos e incestuosos (revogado pelo art.227 da CF/88). A CF/88, alterando o conceito de família, impôs novos modelos. Embora a família continue sendo a base da sociedade com proteção especial do Estado, não mais se origina apenas do casamento, vez que duas novas entidades familiares passaram a ser reconhecidas: união estável e a entidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes. As alterações pertinentes ao Direito de Família advindas da CF/88 e do CC/2002 demonstram e ressaltam a função social da família do direito brasileiro: Igualdade absoluta dos cônjuges e dos filhos; Disciplina concernente à guarda, manutenção e educação da prole, com atribuição de poder ao juiz; Reconhecimento do direito a alimentos, inclusive aos companheiros; Obrigação de ambos os cônjuges separados na contribuição para manutenção dos filhos. Caso Prático CONHEÇA O CASO Trata-se de um caso concreto bastante pitoresco. Um casal teve e a saborosa surpresa de saber que a mulher estava grávida. Motivo de festa para toda uma família! Tão logo descoberta a notícia, começaram as especulações sobre o nome a ser dado à futura criança. Se fosse menina, decidiram de comum acordo, chamar-se-ia Cláudia. E assim se deu. Pelo ultra-som, descobriram que se tratava de uma menina. Cláudia estava por vir. O enxoval todo constou o nome de Cláudia. Pais, avós, tios, amigos, todos chamavam a criança apenas de Cláudia. Contudo, quando do seu nascimento, por a mãe estar acamada, o pai corre a fazer o registro, e dá à menor o nome de Ana Cláudia. Dada a notícia à mãe, esta se vê verdadeiramente desrespeitada, humilhada, enganada... Cai em profunda depressão. Simplesmente abomina o nome dado à filha, a ponto de nunca chamá-la pelo nome de registro e ordenar aos achegados que também assim ajam. O relacionamento do casal degringola. A harmonia simplesmente se desfaz. Por um ato impensado do pai, a família, recém-aumentada, está sob o risco da derrocada. Novamente conversam sobre o fato, e o pai reconhece o erro e permite que o nome da filha seja alterado para Cláudia, tal como era previsto antes do nascimento. Ocorre, contudo, que esbarram na previsão legal da inalterabilidade do prenome. Então, pergunta-se: estaríamos perante um caso de alteração do prenome sem previsão expressa em lei? Ou o princípio da inalterabilidade do prenome pode ser mitigado? Na qualidade de advogado procurado pela família, emita o seu parecer à luz do Direito Civil, especialmente do Direito de Família.