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Dos Alimentos Direito Civil VI – Família Profa. Ms. Ghislaine Alves Conceito São prestações para satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si. Tem por finalidade fornecer a um parente, cônjuge ou companheiro o necessário à sua subsistência. Abrangem o indispensável ao sustento, vestuário, habitação, assistência médica e instrução (CC, art.1920). Espécies Quanto à natureza: A) naturais (ou necessários): restringem-se ao indispensável à satisfação das necessidades primárias da vida; B) civis: destinam-se a manter a condição social, o status da família. Quanto à causa jurídica: A) Legais (ou legítimos): devidos em virtude de uma obrigação legal, que pode decorrer do PARENTESCO, do CASAMENTO ou do COMPANHEIRISMO; B) Voluntários: emanam de uma declaração de vontade inter vivos (contratualmente) ou causa mortis (testamento) C) Indenizatórios: resultantes da prática de um ato ilícito (constituem uma forma de indenização). Observações Somente os alimentos LEGAIS pertencem ao Direito de Família. Assim, a prisão civil pelo não pagamento de dívida de alimentos, permitida na Constituição Federal, somente pode ser decretada no caso dos alimentos previstos nos arts.1.566, III, e 1.694 e s. do Código Civil (constituem relação de Direito de Família). Quanto à finalidade: A) Definitivos: de caráter permanente, embora possam ser revistos (CC, art.1.699); Art. 1.699. Se, fixados os alimentos, sobrevier mudança na situação financeira de quem os supre, ou na de quem os recebe, poderá o interessado reclamar ao juiz, conforme as circunstâncias, exoneração, redução ou majoração do encargo. B) Provisórios: fixados liminarmente no despacho inicial; C) Provisionais (ou ad litem): determinados em medida cautelar. Quanto ao momento em que são reclamados: A) Pretéritos: quando o pedido retroage a período anterior ao ajuizamento da ação. Não são devidos. B) Atuais: os postulados a partir do ajuizamento da ação; C) Futuros: os alimentos devidos somente a partir da sentença. Obrigação Alimentar Decorre da lei e é fundada no PARENTESCO (CC, art.1.694), ficando circunscra aos ascendentes, descendentes e colaterais até o segundo grau, com reciprocidade. Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. É transmissível (CC, art.1.700); Art. 1.700. A obrigação de prestar alimentos transmite-se aos herdeiros do devedor, na forma do art. 1.694. É divisível e não solidária. Cada devedor responde por sua quota parte (CC, art.1.698). Art. 1.698. Se o parente, que deve alimentos em primeiro lugar, não estiver em condições de suportar totalmente o encargo, serão chamados a concorrer os de grau imediato; sendo várias as pessoas obrigadas a prestar alimentos, todas devem concorrer na proporção dos respectivos recursos, e, intentada ação contra uma delas, poderão as demais ser chamadas a integrar a lide. Pressupostos Existência de um vínculo de parentesco; Necessidade do reclamante; Possibilidade da pessoa obrigada; Proporcionalidade entre as necessidades do alimentário e os recursos do alimentante. Alimentos decorrentes do dever familiar Os alimentos decorrem também do dever familiar, como ocorre na relação entre os pais e os filhos menores, entre cônjuges e companheiros. O dever de sustentar os filhos menores é expresso nos arts.1.566, IV, CC e 229 CF. Art. 1.566. São deveres de ambos os cônjuges: I - fidelidade recíproca; II - vida em comum, no domicílio conjugal; III - mútua assistência; IV - sustento, guarda e educação dos filhos; V - respeito e consideração mútuos. CF, art.229 Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade. Tal obrigação cessa quando o filho se emancipa ou atinge a maioridade, podendo surgir, depois, a obrigação alimentar, de natureza genérica, decorrente do parentesco (CC, art.1.694). Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1o Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2o Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Características do direito a alimentos Personalíssimo; Incessível (CC, arts.286 e 1.707); Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora. Art. 286. O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a convenção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação. Impenhorável; Incompensável; Imprescritível (prescrevendo somente as prestações já fixadas); Intransacionável (podendo ser transacionado somente o quantum das prestações (art.841, CC); Art. 841. Só quanto a direitos patrimoniais de caráter privado se permite a transação. Atual; Irrepetível ou irrestituível; Irrenunciável (CC, art.1.707). Pessoas obrigadas a prestar alimentos Em razão da união conjugal: CÔNJUGE ou COMPANHEIRO, durante ou após a dissolução da sociedade conjugal ou da união estável